Autor: Eduardo Melo

  • Conheça a fé de um dos maiores ícones da música pop internacional

    Você certamente já ouviu falar de Justin Bieber, o jovem cantor que encantou multidões ao redor do mundo. Seu talento na música e na dança despertou uma febre em milhares de adolescentes e crianças, que fizeram suas músicas estourarem nas rádios, seus CDs venderem milhões de cópias e sua imagem ser vista e sua presença requisitada em programas de TV.

    Mas quem é Bieber? Por que ele faz tanto sucesso?

    Nem todos sabem, mas Justin Bieber é cristão. Essa e outras novidades sobre ele você vai descobrir em Justin Bieber – Fama, fé e coração, obra da jornalista Cathleen Falsani, que a Mundo Cristão lança no mês de março aqui no Brasil.

    Cathleen Falsani é americana, jornalista, blogueira e escritora, especialista em assuntos. Sua especialidade é escrever sobre assuntos relacionados a religião. É autora de vários livros que lidam com questões religiosas, espirituais e culturais. Foi considerada a escritora religião do ano de 2005 pela Religion Newswriters Association.

    Justin Drew Bieber nasceu em London, no Canadá em 1/3/1994. É filho de Pattie Mallete e Jeremy Bieber. Quando veio ao mundo, seus pais eram ainda muito jovens, tinham 18 e 20 anos respectivamente. Dez meses após seu nascimento, eles se separaram. O livro mostra que mesmo separados, seus pais tinham um bom relacionamento e Jeremy, era um bom exemplo de pai. Já sua mãe Pattie trabalhava em 3 empregos para poder sustentar o pequeno Justin. Contavam, ainda, com a ajuda dos avós e de amigos e pastores da igreja que freqüentavam na cidade de Stratford. “Eu conto com os meus amigos da mesma forma que dependo dos cabos de segurança nos shows”, diz Justin. “Você nunca sabe quando ou porque vai precisar deles, mas sabe que eles nunca te deixarão na mão, independente da situação”.

    Cathleen Falsani revela ainda que Bieber não teve uma infância rica e glamourosa, aliás, passou por muitas dificuldades e até o risco de não ter com o que se alimentar, junto com sua mãe. A autora conta, ainda, que desde os primeiros momentos de vida, o garoto estava inserido numa comunidade evangélica cercado de fé e orações, feitas por cristãos amorosos que cuidaram dele e de sua mãe. Entre 8 e 9 anos, Bieber quis ser batizado, por decisão própria.

    Na obra, a jornalista mostra a trajetória de sucesso de Justin, fundamentada em sua espiritualidade viva e prática, a qual deixa clara a seus seguidores nas redes sociais e transmite, em forma de breves mensagens, aos fãs durante seus shows. Falsani explica, também, porque Justin Bieber, levou multidões aos cinemas para assistir a um filme sobre sua vida, porque seus álbuns têm um nível de vendagem superelevado e o interesse de outros cantores, muito conhecidos no showbizz, em fazer parceria com o jovem prodígio.

    A fé de Justin Bieber faz diferença em sua vida e também na carreira. Descubra em detalhes como isso acontece!

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  • O segredo de uma vida transformada

    Eu desejava ser feliz. Queria ser a pessoa mais feliz do mundo. Eu também desejava ter significado na vida. Estava procurando respostas para perguntas como:

    “Quem sou eu?”

    “Por que estou aqui no mundo?”

    “Pra onde eu vou?”

    Mais do que isso, eu também desejava ser livre. Queria ser a pessoa mais livre do mundo. Liberdade pra mim não era simplesmente fazer aquilo que quero fazer — qualquer um pode fazer isso. Para mim, liberdade significava ter o poder de fazer aquilo que você sabe que deve fazer. A maioria das pessoas sabe o que deve fazer, mas não tem o poder para fazer. Então eu comecei a buscar respostas.

    Onde se pode encontrar mudanças positivas?

    Parecia que quase todo mundo estava envolvido em algum tipo de religião, então fiz o que era óbvio e fui para a igreja. Eu devo ter escolhido a igreja errada, no entanto, porque só fez me sentir pior. Eu ia à igreja de manhã, à tarde e à noite, mas não adiantava. Sou uma pessoa muito prática, e quando algo não funciona, eu deixo de lado. Então, desisti de religião.

    Comecei a imaginar que prestígio era a resposta. Ser um líder, aceitar alguma causa, me dedicar a ela e ser popular devem resolver, pensei. Na universidade que estudava, os líderes estudantis tinham o controle e tiravam vantagem disso. Então me candidatei a representante da turma dos calouros e fui eleito. Era incrível ser conhecido por todos, tomar decisões e gastar o dinheiro da universidade para trazer os palestrantes que eu queria. Era incrível, mas se esgotou como todas as outras coisas que tentei. Eu acordava segunda-feira de manhã (geralmente com uma grande dor de cabeça por causa da noite anterior) e minha atitude era: “Bem, aí vêm mais cinco dias”. De segunda à sexta eu sobrevivia. A felicidade girava em torno de três noites por semana – sexta, sábado e domingo. Então o ciclo vicioso começava de novo.

    Buscando mudança de vida, mudança positiva

    Suspeito que poucas pessoas nas universidades e faculdades deste país eram mais sinceras sobre tentar encontrar significado, verdade, e propósito na vida do que eu.

    Durante aquele tempo eu notei um pequeno grupo de pessoas — oito estudantes e dois membros da faculdade. Havia alguma coisa diferente na vida deles. Eles pareciam saber porque acreditavam no que acreditavam. Também pareciam saber que rumo estavam seguindo na vida.

    As pessoas que comecei a observar não só falavam sobre amor — elas se envolviam. Pareciam estar vivendo além das circunstâncias da vida universitária. Enquanto todo mundo parecia sufocado, percebia um estado de contentamento e paz neles que não era movido pelas circunstâncias. Parecia que possuíam algum tipo de fonte interior e constante de alegria. Eles tinham uma felicidade repugnante. Tinham algo que eu não tinha.

    Como a maioria dos estudantes, quando alguém tinha alguma coisa que eu não tinha, eu queria. Então, resolvi fazer amizade com estas pessoas intrigantes. Duas semanas depois que tomei essa decisão estávamos todos sentados em volta da mesa na reunião dos estudantes — seis estudantes e dois membros da faculdade. E a conversa começou a girar em torno do assunto Deus.

    Questionando sobre mudança de vida, mudança positiva

    Eles estavam me incomodando, quando finalmente me virei para um dos estudantes, uma moça muito bonita (costumava pensar que todos os cristãos eram feios), e me reclinei na minha cadeira (não queria que os outros pensassem que estava interessado nela) e disse “me conte, o que transformou a vida de vocês? Por que vocês são tão diferentes dos outros no campus?”

    Aquela jovem devia ter muita convicção. Ela me olhou diretamente nos olhos e disse duas palavras que eu nunca pensei ouvir como parte de uma solução na universidade: “Jesus Cristo”.

    Eu disse: “Oh, pelo amor de Deus, não me venha com bobagens. Já estou cheio de religião. Já estou cheio de igreja. Já estou cheio da Bíblia. Não me venha com essas bobagens sobre religião”.

    Ela respondeu: “Ei, eu não disse religião, eu disse Jesus Cristo”. Ela me mostrou algo que eu nunca tinha parado pra pensar antes: o Cristianismo não é uma religião. Religião é quando seres humanos tentam, por seus próprios esforços, chegar até Deus através de boas obras; Cristianismo é Deus tomando a iniciativa de vir até homens e mulheres através de Jesus Cristo para lhes oferecer um relacionamento com Ele.

    Provavelmente, existem mais pessoas nas universidades com conceitos errados sobre o Cristianismo do que em qualquer outro lugar. Algum tempo atrás conheci um professor assistente que ressaltou, num seminário da graduação, que “qualquer um que entra numa igreja se torna um cristão”. Eu respondi: “entrar numa garagem transforma você num carro?” Falaram pra mim que cristão é alguém que genuinamente acredita em Cristo.

    Como eu levava o Cristianismo em consideração, meus novos amigos me desafiaram a examinar a vida de Jesus intelectualmente. Descobri que Buda, Maomé e Confúcio nunca declararam ser Deus, mas Jesus sim. Meus amigos me disseram para observar as evidências da divindade de Jesus. Eles estavam convencidos que Jesus era Deus na forma humana; que morreu numa cruz pelos pecados da humanidade; que foi sepultado; ressuscitou três dias depois e que era capaz de transformar a vida de uma pessoa hoje.

    Eu achava que isso era uma farsa. De fato, pensava que a maioria dos cristãos eram completos idiotas. Tinha conhecido alguns assim. Eu costumava esperar um cristão se levantar para falar na sala de aula para que eu pudesse discordar dele e depois detonava com ele, e tomava a frente do professor. Eu imaginava que se um cristão tivesse um neurônio, este morreria de solidão. Era tudo o que eu sabia.

    Mas essas pessoas me desafiavam continuamente. Finalmente, aceitei o desafio. Deixei meu orgulho de lado e aceitei para refutá-los, pensando que não existiam fatos. Eu presumi que não havia nenhuma evidência que alguém pudesse avaliar.

    Depois de muitos meses de estudo, minha mente chegou à conclusão que Jesus Cristo devia ser quem ele declarou ser. Isso se tornou para mim um grande problema. Minha mente me dizia que tudo isso era verdade, mas a minha vontade própria me puxava para a direção oposta.

    Descobri que se tornar cristão era, na verdade, quebrantamento de ego. Jesus Cristo fez um desafio direto a minha vontade própria para confiar Nele. Deixe-me parafraseá-lo: “Olhe! Eu tenho estado à porta e estou continuamente batendo. Se alguém me ouvir chamar e abrir a porta, eu entrarei” (Apocalipse 3:20). Eu não me importava se Cristo realmente andou sobre as águas ou se transformou a água em vinho, eu não queria nenhum estraga-prazeres por perto. Não conseguia pensar numa maneira mais rápida de arruinar um bom momento. Então aqui minha mente estava me dizendo que o cristianismo era verdadeiro e a minha vontade era de sair correndo.

    Mais ciente de que odeio a minha vida

    Em qualquer momento que estivesse perto daqueles entusiasmados cristãos, o conflito começava. Se você já esteve perto de pessoas felizes quando você se acha miserável, você pode entender como isso pode te incomodar. Eles estavam tão felizes e eu tão miserável que literalmente levantava e saía correndo das suas reuniões. Chegou ao ponto em que eu ia pra cama às dez horas da noite, e não dormia até as quatro da manhã. Eu sabia que tinha de tirar aquilo da minha cabeça antes que enlouquecesse!

    Finalmente minha mente e meu coração se conectaram no dia 19 de dezembro de 1959, às 20:30. Durante meu segundo ano na universidade, eu me tornei um cristão.

    Naquela noite eu orei quatro coisas para estabelecer um relacionamento com Jesus Cristo que desde então transformou a minha vida. Primeiro eu disse: “Senhor Jesus, obrigado por morrer na cruz por mim.” Segundo: “Eu confesso aquelas coisas na minha vida que não agradam a você e peço que me perdoe e me limpe”. Terceiro: “Neste momento, da melhor maneira que eu sei fazer, eu abro a porta da minha vida e confio em você como meu Salvador e Senhor. Toma o controle da minha vida. Me mude de dentro pra fora. Me faz o tipo de pessoa que você me criou pra ser”. A última coisa que orei foi: “Obrigado por entrar na minha vida pela fé”. Não era uma fé baseada na ignorância mas nas evidências históricas e na Palavra de Deus.

    Tenho certeza que você já ouviu várias pessoas religiosas falando sobre suas experiências sobrenaturais. Bem, depois que orei, nada aconteceu. Realmente nada. E eu ainda não criei asas. Na verdade, depois que tomei esta decisão, me senti pior. Eu literalmente senti que ia vomitar. Ah, não, pensei, no que foi que você se meteu agora? Eu realmente achei que tinha enlouquecido (e tenho certeza que algumas pessoas pensaram assim!).

    Deus e mudança de vida, mudança positiva

    Mas de uns seis meses a um ano e meio depois, eu descobri que não tinha enlouquecido. Minha vida foi mudada. Eu estava uma vez num debate com o chefe de departamento de história na Universidade Midwestern, e eu disse que a minha vida tinha sido transformada. Ele me interrompeu com “McDowell, você está querendo me dizer que Deus realmente transformou a sua vida em pleno século 20? Em que áreas?” Depois de 45 minutos ele disse: “Ok, é o bastante.” Deixe-me contar um pouco do que contei a ele e àquela audiência naquele dia.

    Uma área que Deus mudou em mim foi a inquietação. Tinha que estar sempre ocupado. Eu andava pelo campus e a minha mente era como um redemoinho girando em torno de conflitos. Eu sentava e tentava estudar, mas não podia. Poucos meses depois que me decidi por Cristo, um tipo de paz mental me invadiu. Não me entenda errado. Não estou falando sobre ausência de conflitos. O que encontrei neste relacionamento com Jesus não foi ausência de conflitos, mas a habilidade de lidar com eles. Eu não trocaria isto por nada no mundo.

    Outra área que começou a mudar foi o meu péssimo temperamento. Eu costumava estourar bastava alguém me olhar torto. Ainda tenho as cicatrizes de quando quase matei um rapaz no meu primeiro ano na universidade. Meu temperamento fazia tanta parte de mim que eu nem tentava mudá-lo. Cheguei ao ponto crítico de perder o controle do meu temperamento somente para ver se tinha realmente perdido o controle! Depois, explodi somente uma vez em 14 anos (e quando explodi desta vez, me arrependi por cerca de seis anos!)

    Mudança positiva quanto a sentimentos de ódio

    Existe outra área da qual não me orgulho. Mas eu menciono porque muitas pessoas também precisam da mesma mudança em suas vidas, e eu encontrei o motivo da transformação: um relacionamento com Jesus Cristo. Esta área era o ódio. Eu tinha muito ódio na minha vida. Não era algo manifestado exteriormente, mas era um tipo de ranger no meu interior. Eu me irritava com as pessoas, com as coisas, com os assuntos.

    Mas eu odiava um homem mais do que qualquer coisa no mundo: meu pai. Eu tinha um ódio tremendo dele. Para mim ele era o alcoólatra da cidade. Todo mundo sabia que meu pai era um bêbado. Meus amigos faziam piadas sobre meu pai cambaleando pelo centro da cidade. Eles não achavam que aquilo me incomodava. Eu era como as outras pessoas – dando risadas pelo lado de fora. Mas na verdade, eu chorava por dentro. Algumas vezes, ia até o celeiro e encontrava minha mãe tão espancada que mal podia se levantar, deitada em cima do estrume atrás das vacas. Quando tinha amigos em casa, eu levava meu pai pro lado de fora, o amarrava no celeiro e estacionava o carro perto do armazém. Contávamos aos nossos amigos que ele precisou sair. Não acho que alguém possa ter odiado alguém mais do que eu odiei meu pai.

    Depois que me decidi por Cristo, Ele entrou na minha vida e Seu amor foi tão forte que tirou o ódio e transformou em amor. Fui capaz de olhar para o meu pai com sinceridade nos olhos e dizer “pai, eu te amo.” E eu realmente sentia isso. Depois de algumas coisas que fiz, isso o balançou.

    Quando me transferi para uma universidade privada sofri um grave acidente de carro. Com meu pescoço tracionado, fui levado pra casa. Nunca vou esquecer do meu pai entrando no meu quarto. Ele me perguntou: “Filho, como você pode amar um pai como eu?” Eu disse: “Pai, há seis meses atrás eu te desprezava”. Então compartilhei com meu pai as conclusões que tinha chegado a respeito de Cristo: “Pai, eu deixei que Jesus entrasse na minha vida. Não posso explicar completamente, mas como resultado deste relacionamento eu encontrei capacidade de amar e aceitar não só a você mas também outras pessoas da maneira que elas são”.

    Quarenta e cinco minutos depois uma das maiores emoções da minha vida aconteceu. Alguém da minha própria família, alguém que me conhecia tão bem que eu não poderia enganar, me disse: “Filho, se Deus pode fazer na minha vida o que eu vi Ele fazer na sua, então eu quero dar a Ele a oportunidade”. Bem ali, meu pai orou comigo e confiou em Cristo para o perdão de seus pecados.

    Geralmente, a transformação acontece depois de alguns dias, semanas, meses ou até mesmo um ano. A vida do meu pai foi transformada bem diante dos meus olhos. Foi como se alguém tivesse se esticado e ligado o interruptor da luz. Eu nunca tinha visto uma mudança tão rápida antes ou desde então. Meu pai tocou num uísque somente uma vez depois daquele dia. Ele somente levou aos seus lábios mas não bebeu. Cheguei a uma conclusão: um relacionamento com Jesus Cristo transforma vidas.

    A mudança de vida, mudança positiva

    Você pode rir do Cristianismo. Pode zombar e ridicularizar. Mas funciona. Transforma vidas. Se você confiar em Cristo, procure observar as suas atitudes e ações porque Jesus Cristo está no ramo de transformação de vidas.

    Mas o Cristianismo não é algo que se pode enfiar garganta abaixo de alguém. Tudo o que eu posso fazer é contar o que aprendi. Depois, a decisão é sua.

    Talvez a oração que fiz possa ajudar você: “Senhor Jesus, eu preciso de você. Obrigado por morrer na cruz por mim. Me perdoe e me limpe. Neste momento eu confio em você como Salvador e Senhor. Me transforma no tipo de pessoa que você me criou pra ser. No nome de Cristo, Amém.”

    Josh McDowell é palestrante e autor internacionalmente conhecido, e representante itinerário da Cruzada estudantil e profissional para Cristo. Ele escreveu mais de 50 livros, incluindo os clássicos, Mais que um CarpinteiroEvidências que Exigem um Veredito.

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  • William Perkins e Métodos de Pregação Idade Média e na Renascença

     

    1. Modelos de pregação no fim da Idade Média e na RenascençaAo fim da Idade Média e no começo da Renascença havia dois métodos de pregação principais:

    O método antigo, surgido na Antigüidade, chamado desta forma por estar ligado aos primeiros pregadores, como Crisóstomo e Agostinho, e por ocasião da Reforma, a João Calvino. O método antigo de pregação não tinha nenhuma estrutura elaborada de organização, seguindo a ordem do texto, com exegese e aplicação, muitas vezes de forma extemporânea.

    O método moderno, surgido na Idade Média. Era um estilo de pregação que se desenvolveu com base na oratória ciceroniana e supunha uma vasta cultura filosófica, oratória, poética e histórica, além do exercício e a imitação dos melhores autores, das suas sentenças e de seu conteúdo moral, como presente nas homilias anglicanas. Mas William Perkins tomou esta forma de pregação e eliminou todo pedantismo e linguagem vazia e sem sentido, criando um novo estilo de sermão. Por que essa necessidade de reformar até mesmo o estilo da pregação? Porque, para os puritanos, até mesmo pregar era uma atividade subversiva e seu objetivo era a reforma do caráter e da ação – “reformar a vida da impiedade”, como Perkins afirmou.

    2. Reformando a piedade

    William Perkins nasceu em 1558, no vilarejo de Marston Jabbet, em Warwickshire, Inglaterra. Sabemos pouco sobre sua juventude até ele deixar sua casa para começar seus estudos na Faculdade de Cristo, em Cambridge, em junho de 1577. Perkins se matriculou na faculdade como pensionista, o que sugere que ele pertencia a uma família de classe média bem estabelecida. A vida na universidade desafiou a criação religiosa de Perkins. Ele parecia ter perdido toda e qualquer fé cristã que um dia possuíra. Nesse vácuo espiritual surgiu um substituto novo, mais fascinante: o oculto. Anos mais tarde, Perkins descreveria assim essa fascinação pela mágica e pelo oculto: “Durante muito tempo, estudei essa arte e nunca me satisfazia até descobrir todos os seus segredos. Mas depois, aprouve a Deus colocar diante de mim a blasfêmia que isso era, ou, devo dizer francamente, a idolatria, embora por vezes ela pudesse estar coberta por uma tinta dourada”.

    Em 1584, Perkins já havia se convertido totalmente à fé cristã. Em algum momento durante o seu bacharelado, em 1581, e seu mestrado, em 1584, Perkins passou pela experiência do novo nascimento. Naquele mesmo ano, aos 26 anos, ele passou a ser um dos professores na Faculdade de Cristo. Como professor, cresceu em conhecimento e fama até que “poucos estudantes de teologia saíssem de Cambridge sem terem se beneficiado de alguma maneira de sua instrução”. Uma das coisas que atraía seus alunos era o seu amor pela simetria e precisão lógica. Segundo seu amigo Robert Hill, “ele tinha um excelente dom para definir de maneira correta, dividir com exatidão, argumentar com sutileza, responder diretamente, falar com vigor e escrever de maneira judicial”. Além de suas tarefas rotineiras de professor, Perkins, pelo restante de sua vida, foi palestrante na igreja de Santo André, localizada bem em frente da Faculdade de Cristo. Seu ministério no púlpito pulsava com a mesma força que animava os seus ensinamentos. Thomas Fuller nos diz que, “do púlpito, ele pronunciava a palavra ‘perdição’ com tamanha ênfase, que ela ficava ecoando nos ouvidos de seu auditório por um bom tempo”. Por outro lado, “o erudito não podia ouvir sermões mais instruídos, nem o homem da cidade sermões mais claros”.

    Em 1596, Perkins se casou com uma viúva chamada Timothye e imediatamente se tornou pai de sete filhos. Essa deve ter sido uma experiência chocante para quem fora solteiro durante tanto tempo. Como um homem casado, Perkins foi obrigado a abandonar seu posto na faculdade. Contudo, permaneceu como pregador na Igreja de Santo André. Ele obteve permissão para pregar aos prisioneiros nas cadeias. “Ele ganhou almas para Cristo entre eles, tanto quanto entre a multidão que comparecia para ouvi-lo em Santo André. Dizia-se sobre ele que seus sermões eram ao mesmo tempo toda a lei e todo o evangelho; toda a lei para expor a vergonha do pecado e todo o evangelho para oferecer o perdão total e completo aos pecadores perdidos” (Errol Hulse).

    Perkins morreu em 1602, aos 44 anos, em pleno vigor de sua força e no auge da fama. Em frente à sua sepultura, o seu bom amigo James Montagu, futuro bispo de Winchester, exortou os ouvintes que estavam ao lado da viúva de Perkins e seus sete filhos, citando Josué 1:2: “Moisés, meu servo, é morto”. Mesmo assim, a morte de Perkins não pôs fim à sua influência.

    Quatro grupos principais se destacam dentro do puritanismo elisabetano: o grupo original “anti-vestimenta”, surgido na década de 1560, como reação às vestes clericais, detalhes da adoração pública, fazer sinal da cruz, etc.; os presbiterianos, que surgiram em meados de 1570 e 1580, preocupados com a forma de governo eclesiástico; os independentes, que surgiram em 1580, e que, perseguidos, fugiram para a Holanda e os Estados Unidos. O quarto grupo, denominado de “resistência passiva”, surgiu no final das décadas de 1580 e 1590, do qual Perkins fazia parte. Evitando o debate sobre as formas de governo da igreja e o uso das vestimentas, Perkins e outros ministros estabeleceram uma nova estratégia para o puritanismo. Eles procuraram ganhar as multidões para a fé e o estilo de vida dos evangélicos voltando para a estratégia do Novo Testamento: pregação, treinamento de líderes e persuasão. Perkins estava convencido de que tal estratégia provocaria uma transformação mais profunda na Inglaterra do que poderia ser alcançada agindo apenas por pressão no governo ou por meio da política eclesiástica.

    Para isso, Perkins escreveu vários livros para promover essa reforma, e que se tornaram sucesso de venda. Esses escritos podem ser divididos em três categorias, cada uma representando uma área estratégica. Primeiro e mais importante, Perkins trabalhou por uma renovação teológicaao ensinar o calvinismo simplificado em tratados sobre predestinação, a ordem da salvação, segurança da fé, o credo dos apóstolos e os erros do catolicismo romano.A segunda área consistia em gerar uma renovação ministerial,treinando uma nova geração na arte da pregação expositiva e aconselhamento pastoral. Ele escreveu um clássico intitulado a Arte de Profetizar, usando a palavra “profetizar” no sentido de pregar. O propósito era dar aos pregadores ingleses um livro de homilética para usarem no preparo dos seus sermões. Finalmente, ele defendeu a necessidade de uma renovação moralpor meio de manuais de vida cristã, escrevendo sobre a oração do Senhor, o culto cristão, a vocação cristã e vários casos de consciência. Quando morreu, seus livros vendiam mais do que os livros de Calvino, Theodore Beza e Heinrich Bullinger juntos. Sua influência entre as igrejas nas colônias americanas também foi imensa.

    3. Temor diante do ofício

    Perkins afirmou que a pregação é “o principal dever de um ministro”, porque “a pregação é o chamariz da alma, pelo qual a mente dos homens é abrandada e transportada de uma vida ímpia para a fé e o arrependimento evangélicos. Portanto, se inquirirem qual é, de todos os dons, o mais excelente, sem dúvida a honra recai sobre a pregação”. Mas, ao comentar a vocação de Isaías (Is 6.9), ele enfatiza que o primeiro requisito exigido para o exercício do ministério da Palavra é “o temor do Senhor”. Eis suas palavras: “Todos os verdadeiros ministros, especialmente aqueles com
    issionados para pregar tão importantes palavras na sua igreja, devem, antes de qualquer coisa, ser marcados por um grande senso de temor, pela consciência da magnitude da sua função – um senso de assombro e espanto, cheio de admiração pela glória e grandeza de Deus. Eles O representam e trazem a mensagem dele. Quanto mais temerosos e relutantes estiverem diante da contemplação da majestade de Deus e da fraqueza deles, mais provável é que sejam verdadeiramente chamados por Deus e designados para propósitos elevados na sua igreja. Qualquer um que ingresse nessa função sem temor, a si mesmo se oferece, mas é duvidoso que seja chamado por Deus como o profeta Isaías claramente foi… Sempre que Deus chama quaisquer de seus servos para qualquer grande obra, ele primeiro os conduz a este senso de temor e assombro”. Por isso: “Ele mesmo [o ministro] deve primeiramente ser inclinado à santidade se quer estimular inclinações santas em outros homens”.

    Hesitação para assumir o ofício, temor, tremor e uma sensação de timidez, indignidade e incapacidade, diante da imensa responsabilidade de pregar a Palavra, na condição de embaixador de Cristo (2Co 5.20), são qualidades altamente desejáveis para o exercício do ministério da pregação da Palavra de Deus. Por isso, somente o chamado divino é o que deve levar os pregadores a assumir o ofício de servos da Palavra. Ainda comentando a vocação de Isaías, Perkins observa: “A autoridade da vocação do profeta é derivada do próprio Deus, em termos evidentes e claros: ‘Vai, e fala’… Semelhantemente, no Novo Testamento, os apóstolos não saíram ao mundo para pregar, enquanto não receberam a comissão deles: ‘Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28.19). De modo semelhante, Paulo não pregou até que lhe fosse dito: ‘Levanta-te e vai’ (At 9.6). Nisso tudo o orgulho e presunção daqueles que ousam ir na sua própria autoridade, e não esperam até que o Senhor lhes diga: ‘Vão, e falem’, são reveladas e condenadas… nem a palavra deles, nem suas obras são dignas de crédito, nem há nenhum poder nelas, a não ser que sejam proferidas com base em uma comissão”.

    Em resumo, a autoridade do pregador não reside nele mesmo, mas no próprio Senhor Jesus, falando pela exposição fiel da sua Palavra: “Nós afirmamos que na proclamação do sermão o pregador deveria deixar de lado a sabedoria humana e pregar em demonstração do Espírito”. A sabedoria humana deveria estar oculta dentro do conteúdo do sermão e na sua entrega. Isso porque “a pregação da Palavra é o testemunho de Deus e a confissão do conhecimento de Cristo e não da habilidade humana”. Porque, no fim: “Os ouvintes não deveriam ter uma fé dependente da habilidade humana, e, sim, do poder da Palavra de Deus”.

    4. A preparação para o sermão

    Perkins dedicou os primeiros capítulos de seu tratado a uma exposição do que é a Escritura. Ele fala inicialmente da excelência da Bíblia, perfeição, pureza, eternidade, suficiência, verdade, poder em sua eficácia, discernindo o coração, subjugando a consciência, gloriosa na sua mensagem básica, que é simples para aquele que lê. Nela, Cristo que é profetizado no Antigo Testamento é o Messias vindo no Novo Testamento. Como a Escritura é a Palavra de Deus, tem em si mesmo o testemunho e quem a estuda sabe que ela é poderosa para converter pecadores. Perkins afirmou a centralidade da pregação por causa de seu conceito das Escrituras, por entender que sua exposição é o meio ordinário de salvação, e que o homemé um ser com capacidades racionais: “Porque quando as promessas da misericórdia de Deus são oferecidas ao Seu povo através da pregação da Palavra por um ministro ordenado, é como se o próprio Cristo, em pessoa, estivesse falando através das Suas ordenanças”.

    Ele oferece os seguintes passos que acredita serem necessários para se interpretar a Bíblia corretamente.

    1. Ter um conhecimento geral de toda doutrina bíblica. Se alguém tem um conhecimento claro da verdade, estará habilitado a ser um intérprete fiel da Palavra de Deus. Se ele conhece o todo pode interpretar parte.

    2. Em segundo lugar, ler a Escritura em seqüência, usando análise gramatical, retórica e lógica para entender o texto. Como Calvino e os demais reformadores, ele acreditava que o texto tem apenas um único sentido.

    3. Fazer uso de comentários escritos por exegetas ortodoxos. Perkins encorajou a leitura de textos dos Pais da Igreja na preparação do sermão, mas também que se ocultasse este estudo nas citações feitas do púlpito.

    4. Manter um registro do que se está lendo. Ele chamava isto de “livro de registro de leitura”, onde se registraria as passagens lidas, os pontos principais e um esboço do que pregavam, para ter sempre material antigo e novo à mão.

    5. Não esquecer que toda interpretação bíblica deve ser feita em oração, porque o Espírito Santo é o interprete da Palavra de Deus. E somente o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).

    5. A estrutura do sermão

    Segundo Perkins, há quatro divisões que servem como estrutura para o sermão:

    1. “A leitura do texto claramente das Escrituras canônicas”. Ler atentamente o texto nas Escrituras no idioma do povo comum.

    2. “Explicação do seu sentido, após ter sido lido, à luz das próprias Escrituras”. Dar o sentido e a compreensão do que está sendo lido pela própria Escritura e tirar do texto o seu significado natural, segundo o contexto onde se encontra a passagem, retirando alguns pontos úteis da doutrina. Seguindo este método o pregador mostra de forma clara à sua congregação que a doutrina que está pregando vem diretamente de uma exegese da Escritura. Então, desenvolve a doutrina que extraiu da Escritura através de demonstrações e argumentos. Nesse contexto precisamos enfatizar que os puritanos enfatizaram a pregação expositiva, não raro, pregando anos a fio em um livro da Bíblia. Em sua pregação, Perkins expôs Gálatas 1-5, Mateus 5-7, Judas, Hebreus 11 e Apocalipse 1-3.

    3. “A extração de alguns pontos doutrinários a partir do sentido natural da passagem”: Juntar uns poucos e proveitosos pontos doutrinais, extraídos do sentido natural. A doutrina é o resumo das verdades encontradas no texto. Como exemplo: “[Os verdadeiros minstros do evangelho] não devem pregar nem somente a lei nem o evangelho, como alguns sem sabedoria o fazem… Tanto a lei como o evangelho devem ser pregados; a lei para dar à luz o arrependimento e o evangelho para conduzir à fé. Mas eles devem ser pregados na ordem apropriada, primeiro a lei para produzir arrependimento, e então o evangelho para operar fé e perdão – nunca ao contrário”.

    4. “Se o pregador for suficientemente dotado, a aplicação das doutrinas explicadas à vida e prática da congregação em palavras diretas e claras”. Aplicar as doutrinas selecionadas, de forma precisa, à vida e ao modo de agir dos homens em uma apresentação simples, clara e prática. Perkins classificou os ouvintes regulares em uma congregação em sete categorias: 1) aquele que é absolutamente ignorante e incapaz de ser ensinado; 2) aquele que é completamente ignorante, que não sabe de nada, mas pode ser instruído; 3) aquele que teve algum conhecimento, mas não foi humilhado ou quebrantado; 4) aquele que está quebrantado; 5) aquele que crê, é novo convertido, que precisa ser instruído nas verdades básicas da fé: justificação, santificação, perseverança, a lei de Deus c
    omo regra de conduta, e que periodicamente precisa também ser lembrado da ira de Deus contra o pecado; 6) aquele que havia apostatado ou decaído; 7) aqueles que estão em depressão. Por isso ele escreveu: “A responsabilidade daqueles que ouvem a pregação da Palavra de Deus é submeterem-se a ela… O dever de vocês é ouvir a Palavra de Deus, pacientemente, submeter-se a ela, ser ensinados e instruídos, e mesmo ser perscrutados e repreendidos, e ter os pecados de vocês descobertos e as corrupções arrancadas”.

    Perkins definiu a pregação assim: “É juntar a Igreja e completar o número dos eleitos”. Esta é a tarefa primordial da pregação. Sua outra função é “expulsar os lobos dos apriscos do Senhor”. A pregação completa o número dos eleitos e passa a protegê-los com a Palavra de Deus. Por isso, ele destaca quatro marcas do verdadeiro sermão:

    1. O sermão precisa ser bíblico para Cristo vai nos falar através dele.

    2. O sermão deve atingir a mente. A maneira de alcançar as emoções e a vontade das pessoas é por meio do intelecto. Joseph Pipa afirmou: “Perkins acreditava que o pregador se dirigia primeiro ao intelecto usando verdades irrefutáveis, princípios irrefutáveis da exegese e, se houvesse necessidade, estes princípios poderiam ser repetidos através de demonstração e argumentação. Uma vez que a pessoa aceitasse a verdade que estava sendo proclamada, ela estava em condições de aplicar à sua vida e ao seu pensamento aquilo que o pastor estava falando. Não é somente se dirigir ao intelecto da congregação, mas persuadir as pessoas intelectualmente da verdade da Escritura. Sobre este fundamento ele partia para a aplicação”.

    3. O sermão deve ser de fácil memorização e claro. Perkins afirmou que pregar “deve ser simples, perspicaz e evidente… É um provérbio entre nós: ‘foi um sermão muito simples’. E eu digo de novo, quanto mais simples, melhor”.

    4. O sermão deve ser transformador. Fica óbvio que Perkins sabia o que queria alcançar com sua pregação – ele era orientado por um objetivo máximo, a vida santa; e a verdade doutrinária era um meio para esse fim.

    5. Pregando Cristo

    Na Inglaterra do século XVII, 3% da população eram católicos, 15% influenciada pelos puritanos e 75% religiosamente indiferente. Ou seja, a vasta maioria do povo não demonstrava interesse pelo evangelho. Os puritanos queriam reformar a igreja inglesa e o que eles fizeram para conseguir isso? Colocar em cada parte da Inglaterra um pastor que fosse competente para pregar a Palavra de Deus. O impacto desse novo modelo de pregação pode ser evidenciado na imagem do pregador que recebemos na grande alegoria cristã escrita quase cem anos depois do ministério de Perkins, por John Bunyan:

    Cristão – Senhor, venho da Cidade da Destruição e me dirijo ao monte Sião. O homem que fica à porta me disse no início deste caminho que, se eu batesse aqui, o senhor me mostraria coisas excelentes, coisas que me seriam proveitosas na jornada.

    Intérprete – Entre. Vou mostrar-lhe algo que lhe será proveitoso.

    Mandou seu servo acender a vela, e fez sinal para que Cristão o acompanhasse. Levou-o a um aposento e mandou o servo abrir a porta. Feito isso, Cristão viu pendurado na parede o quadro de uma pessoa bastante séria. Era esta a sua aparência: os olhos estavam erguidos aos céus; nas mãos trazia o melhor dos livros; a lei da verdade lhe estava escrita nos lábios; o mundo estava às suas costas; pela postura parecia apelar aos homens, e da cabeça lhe pendia uma coroa de ouro.

    Cristão – O que significa isso?

    Intérprete – O homem cuja figura você está vendo é um dentre mil. Pode gerar filhos, dá-los à luz e ainda amamentá-los ele mesmo, depois. E se você o vê de olhos erguidos aos céus, com o melhor dos livros nas mãos e a lei da verdade gravada nos lábios, é para mostrar-lhe que o trabalho dele é conhecer e revelar coisas sombrias aos pecadores, como também apelar aos homens.

    – Se você vê o mundo às suas costas – continuou Intérprete – e uma coroa pendendo da cabeça dele, isto é para mostrar-lhe que, desprezando e desdenhando as coisas presentes pelo amor com que serve ao seu Mestre, certamente terá por recompensa a glória, no mundo que há de vir.

    – Ora – disse ele ainda –, mostrei-lhe primeiro este quadro porque o homem cuja figura você está vendo é o único homem a quem o Senhor do lugar para onde você está indo autorizou para guiá-lo em todos os lugares difíceis que você talvez encontre pelo caminho. Portanto, preste bastante atenção ao que lhe mostrei. Guarde bem o que você viu, para que não encontre, durante a sua jornada, alguém que finja estar encaminhando você ao rumo certo, quando na verdade o está levando à ruína e à morte.

    Como resultado do ministério de Perkins, pelo menos uma centena de pregadores se espalhou pela Inglaterra e pela colônia americana, sendo instrumentais na segunda reforma inglesa. É apropriado terminarmos com o resumo que ele oferece no fim de seu manual de pregação: “O cerne da questão é este: pregar Cristo, por meio de Cristo, para louvor de Cristo”. E, que como Perkins, digamos: “Para o Deus trino seja a glória”.


     

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  • CPEC (Curso de Preparação de Educadores Cristãos).

    Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. 2ª Timóteo 2.15

    Acontecerá nos dias 23, 24 e 25, na Assembleia de Deus na Ilha do Governador (ADIG), o CPEC (Curso de Preparação de Educadores Cristãos).

    A Escola Dominical carece de professores bem treinados para desenvolver com excelência o seu papel.

    Os professores utilizarão o manual com as disciplinas do curso publicado pela Central Gospel.

    As aulas serão desenvolvidas pelo método expositivo e com o uso de multimídias.

    Disciplinas

    • Teologia Sistemática
    • Didática
    • Aconselhamento Cristão
    • Escola Dominical
    • Agendamento


    Se você deseja o curso do CPEC em sua igreja, devem entrar em contato com o Setor Educacional da Central Gospel para uma programação de datas.

    Para maiores informações, entre em contato conosco:

    Pr. Gilmar V. Chaves (21) 2448-1221
    Email – gr1.editorial@editoracentralgospel.com

    Pr. Sóstenes Cavalcante (21) 2448-1101
    Email – sostenes@ministeriosilasmalafaia.com.br

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  • Um Apelo Urgente a Oração

    Mais uma vez, o país onde Esther, Daniel, Neemias e Esdras viveram, e onde partos, medos e elamitas receberam o Evangelho em Atos 2, é o mais alto apelo de oração em nossos corações.Orem pelos iranianos para que Cristo possa manter viva essa nação, apesar do preço colossal que os convertidos ao Evangelho têm que pagar: são constantemente vigiados, discriminados, e mortos.

     

    Orem pelos cristãos no Irã, para que sejam protegidos em seus corpos, mentes e espíritos, e para que essas práticas horríveis de perseguição, sejam levadas a um fim. Lembre-se de orar por aqueles que estão envolvidos com programas de evangelismo no Irã, muitos estão enfrentando uma guerra espiritual enorme.

     

    Orem pelo presidente Barack Obama, ministros e líderes que estão envolvidos com as questões politicas no Irã. A guerra secreta contra a missão nuclear iraniana continua implacável. Além do vírus cibernético Stuxnet que visou seu programa nuclear em 2010, outro físico nuclear iraniano foi assassinado em 11 de Janeiro desse ano.

    Crença em Madhi

     

    O governo iraniano e todos os que são nomeados para seu gabinete,  estão completamente comprometidos com o retorno do Madhi. Madhi é o redentor profetizado para governar por sete, oito ou dezenove anos (de acordo com as várias interpretações), antes do dia do julgamento final, literalmente para eles, o dia da ressurreição. O Madhi é quem vai livrar o mundo da injustiça e tirania. No islamismo xiita, a crença no Madhi é uma idéia religiosa central. Eles acreditam que esse Madhi será um governante, um homem comum.

     

    Para os muçulmanos, tanto xiitas como sunitas:

     

    ” o mundo não chegará ao fim até que os árabes sejam governados por um homem descendente de Maomé. Madhi aparecerá e Deus vai conceder-lhes chuva, a terra produzirá os seus frutos e os montes jorrarão dinheiro. O gado aumentará e Madhi se tornará grande. Ele encherá a terra de justiça”.

     

    Não é de se surpreender que o atual lider iraniano Ahmadinejad seja exaltado a ponto de tornar-se um outro Hitler. Ele está cotado para ser o Madhi. Essa crença, contudo não chega a ser citada nas relações internacionais. Ninguém faz qualquer referência ao Madhi, porque não é interesse nacional fazê-lo.

     

    Oremos para que Deus use um dos Hadits islâmicos para dizer a nação que o Único que vai retornar à terra em poder e glória é Jesus. Não há Madhi, exceto Jesus.

     

    Apesar de tudo, o povo iraniano é desesperadamente faminto pela realidade espiritual. Deus está fazendo algo maravilhoso no mundo de língua persa, por favor, mantenham suas orações!

     

    O Senhor pode muito bem está levando você a orar por temas completamente diferentes, o importante é ouvir o que Deus está colocando em seu coração. Deixe que temas diferentes venham à sua mente, não lhe custara senão mais que alguns minutos em oração que darão frutos eternos! Como diz um velho provérbio japonês: “você nunca vai ver o sol nascer, se você continuar olhando para o Ocidente”.O Senhor ouve e presta atenção nas intenções dos corações. Que Ele o abençoe e inspire nessa aventura.

     

    Ministério 222: ” Queremos ver o Irã transformado em um país que ostenta a imagem de Cristo”.

     

    O pastor cristão Yousef Nadarkhani recebeu sentença de morte no Irã, por não negar sua fé em Jesus. A execução por enforcamento,  repercutiu em todo o mundo mobilizando orgãos governamentais e eclesiásticos. Advogados de Yousef se pronunciaram a agência de notícias Fox News, informando que o governo iraniano voltou atrás na sentença, depois de receber pressão internacional: “a ordem de execução havia sido anunciada, ele seria condenado por estupro e outros crimes, não por apostasia. O governo atenuou sua retórica em resposta a protestos internacionais. A ordem de execução, contudo permanece.”

     

    Há rumores de que Nadarkhani esteja sendo usado em amplas negociações politicas, visto que o Irã sofre pressão internacional em resposta a sua agenda nuclear. O número de execuções aumentou consideravelmente no último mês.

     

    Jordan Sekulow, diretor executivo do Centro Americano para lei e Justiça, grupo em defesa dos direitos humanos, se pronunciou sobre o caso Yousef: ” seres humanos tornam-se moeda de troca para aiatola. Quando é um caso de alto perfil, testam a reação da comunidade internacional para gerar mudanças geopolitica” Persecution International Christian
    Oremos enquanto é tempo. Como disse o ministério 222, no apelo inicial do artigo: “não lhe custara senão mais que alguns minutos em oração que darão frutos eternos!”

    Deus nos abençoe.

    Por: Wilma Rejane.

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  • D. Robinson Cavalcanti e esposa são assassinados

    E com grande pesar que noticiamos que o pastor da Igreja Anglicana, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal Rual de Pernambuco (UFRPE), Edward Robison Cavalcanti, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, também de 64 anos foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda.

    De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. O rapaz morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Brasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos.
    Segundo o reverendo Hermany Soares, amigo da família, quando Eduardo chegou ao Brasil, ele foi buscá-lo no aeroporto e ainda no desembarque teria perguntado onde compraria uma arma.
    Ontem pela manhã, o rapaz saiu de casa, foi beber na praia e voltou à tarde. À noite ele foi visto amolando uma faca na frente do portão de  casa. Por volta das 22 horas da noite, Eduardo começou a discutir com o pai, pegou a faca e começou a golpear o idoso. A mãe foi defender o marido e também foi esfaqueada.
    O bispo Robison morreu no quarto. Já a mãe ainda foi levada para o Hospital Tricentenário, em Olinda, com uma facada no peito esquerdo, mas já chegou morta. Após o crime, Eduardo tentou cometer suicídio ingerindo uma substância não identificada e aplicando vários golpes de faca no próprio peito. Ele foi levado para o Hospital da Restauração (HR) em uma viatura da Polícia Militar. Eduardo estava passando por um processo de deportação.
    Segundo informações de parentes, o bispo Robinson foi o coordenador regional da primeira campanha do ex-presidente Lula para presidente da República, que o teria visitado em casa depois de eleito. O bispo também foi candidato a deputado federal e proferiu palestras na ONU.

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  • Projeto propõe legalizar 'cura gay'

    Um projeto de decreto legislativo de deputados quer sustar dois artigos instituídos em 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia que proíbem os psicólogos de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno. Segundo o projeto do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

    O conselho de psicologia questiona se o projeto pode interferir na sua autonomia. Para o presidente do órgão, Humberto Verona, estão lá normas éticas para combater “uma intolerância histórica”.

    Deve-se curar a “síndrome de patinho feio”, e não “a homossexualidade em si”, diz Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

    O pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), relator do projeto, disse que os pais que estejam preocupados com a homossexualidade de seus filhos têm o direito de encaminhá-los a um psicólogo na expectativa de que haja um redirecionamento sexual. Mas ele reconhece que se trata de uma questão polêmica.

    A Câmara dos Deputados realizará audiências públicas para discutir o assunto.

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  • Lição 9 – Central Gospel – Josué Um Homem de Coragem

    Texto bíblico: Josué 1 1,2.6-9

    Texto áureo

    Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda.

    Êxodo 33.11

    Biografia

    Antes de ser chamado de Josué, que significa “Jeová é Salvação” seu nome era Oséias cujo significado era “salvação”. Moisés foi quem mudou o seu nome, o que já evidenciava o que Deus faria através dele para todo o povo de Israel.

    Porque a mudança de nome?

    Quase sempre somos levados a seguir a direção do mais capaz, aquele que possui habilidades, talento para uma determinada função ou até mesmo experiência secular a qual pode ajudar a desempenhar melhor a função. Ai então chegamos a conclusão que o Oséias caiu do céu, foi enviado por Deus, realmente é a “salvação” para aquele ministério. E realmente o nome Oséias significa no hebraico “SALVAÇÃO”.

    Mas Deus pode mudar o nome de qualquer um, ou até mesmo pode mudar o nome de Oséias para JOSUÉ para que ele saiba que “JEOVÁ É A SALVAÇÃO”,

    Era filho de Num da tribo de Efraim, descendente de José – Gn 41.50-52; 1 Cr 7.27

    Sabemos que José os descendentes de José deram origem a duas tribos Manassés e Efraim.

    De certa maneira, Jacó adotou os filhos de José. Cada um dos dois netos de Jacó se tornaria uma tribo em Israel, assim como os outros filhos de Jacó. Através deles José recebeu a porção dobrada da herança que normalmente era destinada ao filho mais velho. Rúben perdeu o direito por causa do seu pecado [I Crônicas 5:1]. Ele e Simeão foram mencionados em virtude do grande desgosto que causaram a Jacó.

    As palavras do versículo 6 foram proferidas para eliminar qualquer futuro mal entendido. Se José viesse a ter outros filhos, eles não se tornariam tribos separadas, mais teriam parte da tribo de Manassés e Efraim. José teria uma porção dobrada, mas nada além disso.

    Considere a fé que Jacó manifesta aqui nas promessas de Deus. Ele começou a dividir a terra muito antes que Israel a possuísse. A fé verdadeiramente é a vitória [I João 5:4; Hebreus 11:13]. Considere também o valor que a fé colocou nas promessas de Deus. José era um príncipe no Egito, mas a sua verdadeira herança era uma porção dobrada na terra de Canaã.

    Destacou-se com um dos mais fiéis companheiros de Moisés (Ex. 24.13; 32.17)

    Provou o seu chamado em Ex. 17 9-16

    Sua primeira experiência de guerra foi contra os amalequitas Êxodo 17: 8-16 onde Josué pelejou contra Amaleque no vale de Refidim e prevaleceu contra ele, Josué desbaratou Amaleque e a seu povo ao fio da espada. Isso aconteceu com a ajuda sobrenatural de Deus, os amalequitas eram fortes guerreiros, descendentes de Esaú e foi assim que Josué obteve sua primeira vitória.

    Essa experiência ajudou Josué a se preparar para maiores desafios em sua vida. Josué em seu chamado recebeu duas importantes promessas. Primeira: Josué 1: 5 “Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como foi com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei.”, o Senhor lhe promete que estaria sempre com ele, tal como foi com Moisés. Segunda: Josué 1: 3-4 “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés. Desde o deserto e o Líbano até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus e até ao mar Grande para o poente do sol será o vosso termo.”

    Josué caminhava para suas conquistas, sempre lembrando das promessas que recebeu do Senhor. Cada vitória de Josué foi conquistada passo a passo, Josué só tinha que andar para que mais terras fossem conquistadas.

    Escolhido por Deus para ser o sucessor de Moisés (Dt. 31.14,23) sendo revestido para tal missão (Js. 1.1).

    Principais qualidades de Josué

    1. Um líder chamado (Dt 31.7,14,23).

    Josué surgiu de repente no confronto que Israel enfrentou no deserto de Refidim. Sua primeira aparição sob a tutela de quando Moisés escolheu homens capazes para o espiar a Terra. (Êx 17.8). Seus pais eram cativos e ele nasceu na escravidão no Egito. Nasceu cativo portanto. Mas DEUS o libertou e o fez um colaborador de Moisés. Sempre se revelou valente capitão. Quase foi apedrejado, se não é a intervenção da nuvem da glória, porque insistiu com os filhos de Israel que avançassem através do deserto para Canaã quarenta anos (Nm 14.6­10). Originalmente, o nome de Josué era Oséias que significa “salvação” (Nm 13.16; Dt 32.44). Josué significa “a salvação de DEUS”. Parece que teve seu nome mudado quando se mostrou fiel à DEUS ao lado de Calebe (Nm 14.30). Ele é chamado “servo de Jeová” aquele por meio de quem DEUS transmitiu suas ordens e mediante quem Ele realiza seus propósitos – o primeiro ministro de DEUS. Esteve com Moisés no monte (Ex 24.13). Parece ter jejuado quarenta dias e quarenta noites a exemplo de Moisés (cf. Ex 24.13-18; 32.15-19).

    2. Sua vida e seu trabalho.

    Josué, além do episódio que marcou sua coragem na guerra com Amaleque, esteve envolvido em outras missões importantes. Era tido como sendo um “dos escolhidos” de Moisés (Nm 11.28). Foi um dos doze espias enviados por Moisés a espiar a terra de Canaã (Nm I 3.8- I 6). Parece que ele tinha 85 anos quando recebeu a liderança de Moisés. Julga-se que levou uns 6 anos na subjugação da terra; o resto de sua vida passou estabelecendo e governando as doze tribos.

    Seu governo sobre Israel, ao todo durou uns 25 anos. Morreu aos 110 anos e foi sepultado em Timnate­Sera que está no monte de Efraim (Js 24.29.30). Foi guerreiro notável; disciplinou suas tropas; enviou espias; como sempre, o encontramos orando e confiando em DEUS.

    3. Josué era um líder capaz (Êx 17.9-13).

    Em nossos dias conforme sabemos já existem até cursos intensivos de liderança espiritual. Não sou contra estes cursos. Entretanto um verdadeiro líder de nível  tão abençoado como o de Josué, tecnicamente falando, tem que ser levantado por DEUS como o apóstolo Paulo que foi um verdadeiro líder e declarou:

    “Não que sejamos capazes por nós de pensar alguma coisa como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de DEUS, o qual nos fez também capazes de ser ministro dum novo testamento. não da letra, mas do espírito …” (2 Co 3.5,6). É comum em nossos dias ver-se pessoas exercendo certas funções sem a devida capacidade. Estas pessoas são dignas, mas não são capazes. Uma coisa é ser digna, a outra é ser capaz. O sábio conselho de Jetro, sogro de Moisés foi: “Tu dentre o povo procura homens capazes …” (Ex 18.21-25). Este padrão não mudou e não deve mudar. (Gn 41.38,39; I Sm 16.16-19; Dn 1.3,4; At 6.3).

    JOSUÉ ERA UM LÍDER CHEIO DE SABEDORIA

    1. A sabedoria divina o capacitou (Dt 34.9).

    No texto em foco, nesta seção, diz que: “Josué. filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria, quanto Moisés tinha posto sobre ele suas mãos” Josué, portador agora desta sabedoria do alto, tomou-se um líder com função dupla: Cuidava do povo e ao mesmo tempo fazia as guerras do Senhor. Era, portanto, necessário ser, de fato, um capitão inteligente e acima de tudo temente a DEUS. As Escrituras falam com exclusividade sobre certos homens que foram capacitados por DEUS com “o dom da sabedoria” . Por exemplo: José (Gn 41); Moisés e Arão (Êx 4.12,-15); Bezaleel e Aoliabe (Êx 31.2,3,6); Davi (SI 45.1); Salomão (l Rs 3.12,28; 4.29­34); Eliú (Jó 32.27); Isaías (Is 50.4); Jeremias (Jr 1.9). E muitos outros, tanto no Antigo como do Novo Testamento.

    2. A sabedoria é excelente para dirigir (Ec 10.10).

    Um líder cheio de sabedoria entende todos os fatos e circunstâncias, leis e princípios, todas as tendências, influências e possibilidades. Ele possui tudo que é preciso no sentido de matéria prima (celestial, humana e natural), poder e perícia (l Rs 3.12; Ec 8.5). Tomando-se assim um homem capacitado para: governar (Gn 41.33-39), criar (invenção) (Ex 30.1-6), comandar (Dt 34.9), julgar (2 Rs 3.16-28), entender coisas difíceis (2 Sm 14.20), edificar a Igreja (1 Co 14.12,etc). De fato, a Bíblia afirma que “a sabedoria é coisa principal” (Pv 4.7a)Josué foi um líder possuidor desta graça divina, porque o temor do Senhor estava com ele (Js 2o.5; SI 111.10).

    Não é debalde que o primeiro dom relacionado na lista dos dons espirituais em 1 Co 12 é a “palavra da sabedoria” (v.8), não se referindo apenas à sabedoria humana, mas à sabedoria do DEUS que vê o futuro.

    3. Josué, um líder vitorioso (v.8).

    Josué prosperava em tudo o que fazia. (SH) Era sempre vitorioso, ele sabia que sua vitória não vinha dele mesmo, mas sim de DEUS. O apóstolo Paulo e outros escritores do Novo Testamento, afirmam que vivemos num mundo espiritual em que se movimentam milhões de seres hostis tanto a DEUS como a seus servos. Então Paulo conclama as forças de DEUS a se posicionarem para tal batalha. (Ef 6.12,13). Josué e o povo dependiam de DEUS que lhes assegurava a vitória. Dependemos de CRISTO.

    “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Efésios 6:12)”.

    JOSUÉ, UM LÍDER FORTE E CORAJOSO

    1. Forte e Corajoso:

    Muitos têm se precipitado naquilo que falam e realizam, esse tem sido o caminho do fracasso para muitas pessoas. Entretanto, ser forte e corajoso tem sido uma virtude para muitos servos de DEUS. A ordem divina neste campo é sempre esta: “Diga o fraco: Eu sou forte!” (Jl 3.10). O crente somente deve dizer que é fraco na presença de DEUS” (S16), mas na presença do Diabo, porém, deve se apresentar como um guerreiro forte (FI 4.13). Na seleção de DEUS para o grande duelo entre os israelitas e as forças confederadas dos midianitas e amalequitas, a ordem divina foi: “Quem for covarde e medroso, volte. Que surpresa! “Voltaram do povo vinte e dois mil” (Jz 7.3). No combate da fé precisamos do auxílio de DEUS. Os tímidos ficarão fora do céu (Ap 21.8). Acreditamos que os tais sejam os apóstatas que, por covardia, viraram as costas à “batalha da fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd v.3b),são aqueles que em tempo de tribulação, abandonaram a CRISTO e Seu testemunho, a fim de salvarem sua própria pele.

    Para fazer a obra de DEUS é preciso esforçar-se e ter bom ânimo, também é necessário ser forte e corajoso.

    Por seis vezes Josué ouviu este conselho e exortação de DEUS:

    “Esforça-te e tem bom ânimo. Sê forte e corajoso”

    Deuteronômio 31:7 E chamou Moisés a Josué, e lhe disse aos olhos de todo o Israel: Esforça-te e anima-te; porque com este povo entrarás na terra que o SENHOR jurou a teus pais lhes dar; e tu os farás herdá-la.

    Deuteronômio 31:23 E ordenou a Josué, filho de Num, e disse: Esforça-te e anima-te; porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que lhes jurei; e eu serei contigo.

    Josué 1:6 Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria.

    Josué 1:7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

    Josué 1:9 Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ánimo; não temas, nem te espantes; porque o SENHOR teu DEUS é contigo, por onde quer que andares.

    Josué 1:18 Todo o homem, que for rebelde às tuas ordens, e não ouvir as tuas palavras em tudo quanto lhe mandares, morrerá. Tão-somente esforça-te, e tem bom ánimo.

    2. Josué era um líder laborioso (v.6,9).

    No Salmo 89.19 há uma promessa de DEUS para aquele que trabalha: “Socorri um que é esforçado, exaltei a um eleito do povo”. A inatividade na vida espiritual especialmente tratando-se de um líder é condenada por DEUS e repugnada pelo povo em geral. No livro de Provérbios fala-se do preguiçoso cerca de 17 vezes, por isso é evidente que o ESPÍRITO SANTO prepara pessoas dispostas para a obra, tanto jovens como pessoas mais Idosas. O preguiçoso é reprovado já primeiro estágio por covardia (Pv 21.25; 26.13), por negligenciar as oportunidades (Pv 12.27), os deveres (Pv20.4),por desperdício (P’v 18.9), por indolência (Pv 6.6,7), por fazer-se sábio a seus próprios olhos. (Pv 26.16). O apóstolo Paulo era rigoroso com isto, ele diz: “

    Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também”. (1Ts 3:10).

    Muitas pessoas não chegam a prosperar na vida, porque se esquecem deste método tão eficaz. As oportunidades seguem uma seqüência: “quem se adianta passa e quem se atrasa fica” .

    4. Nossa vitória depende de CRISTO.

    Nossa vitória, a exemplo do povo eleito depende de CRISTO, não se prende à luta física, pois necessariamente, se assim fosse, seria então fracasso e não vitória. Somente em CRISTO e por CRISTO é que nossa vitória estará assegurada. CRISTO nos faz triunfar, porque Ele é vitorioso em tudo quanto é e faz. Sempre há uma promessa de vitória a dizer: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho … ” (Ap 12.11).

    SUBSÍDIOS PARA O PROFESSOR – SUBSÍDIO CRONOLÓGICO

    Como já dissemos na lição anterior, a tomada de Jericó ocorreu por volta de 1422 a.C. Conforme opinam alguns eruditos, os filisteus ainda não haviam chegado a Canaã, pois, entre os inimigos de Israel, eles não são mencionados.

    Para se entender o livro de Josué é necessário, antes de mais nada, ter­se uma clara visão do Pentateuco. Doutra forma, seríamos induzidos a considerar desnecessárias as implacáveis campanhas militares desencadeadas pelo grande general contra os habitantes de Canaã. Em outras palavras, há que se situar historicamente a tomada da Palestina por Israel para se compreender a ânsia dos peregrinos hebreus por uma terra que mana leite e mel.
    O livro vai da morte de Moisés à morte de Josué. Como sucessor do grande homem de DEUS, o general ficou com a árdua missão de liderar Israel na travessia do Rio Jordão e na tomada de Canaã. A maior parte do relato é dedicada a conquista de Canaã e a divisão da terra entre as tribos de Israel.
    Para que Josué fosse bem sucedido em seu ministério, havia uma condição. Com a palavra, o pastor Antonio Neves Mesquita: “Havia uma lei para ser observada: a lei do servo Moisés, a pedra de toque. Em torno dos postulados de Moisés giraria toda a iniciativa da conquista e até mesmo a história posterior. “A lei de meu servo Moisés” era para o tempo e para a eternidade. Os que tanto têm lutado para destruir essa lei e suas conquistas não pensaram a sério no significado da lei dada por DEUS. Josué aceitou o desafio proposto e se preparou para a partida. O caminho não seria tão longo, mas deslocar uma multidão de milhões, com crianças e animais. era um problema que precisava ser ordenado com antecipação. Por isso enviou pregões a todos os cantos do arraial, mandando o povo se preparar. Conclamou os rubenitas, gaditas e a meia tribo de Manassés a que os acompanhassem, e de bom grado o fizeram. Ressaltamos aqui o espírito de honra demonstrado por essas duas e meia tribos. Já instaladas em boas terras, as terras do amoritas, de Seom e Ogue, com suas casas, seus filhos, tudo bem preparado, se aprestaram para unir sua sorte à dos seus irmãos, do outro lado do rio. Essa era a ordem deixada por Moisés, e não poderia ser de outro modo; pois estariam lutando por vencer os inimigos e não seria justo que os outros permanecessem tranqüilos em suas casas e fazendas. É a prova da solidariedade bem exemplificada. A resposta a Josué, dada pelas tribos é é exemplar e merece destaque. “Tudo quanto nos ordenaste faremos, e onde quer que nos enviares iremos. Como em tudo ouvi os a Moisés, assim te ouviremos a Ti … ”

    SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

    Escrevendo a Timóteo, alertou o apóstolo Paulo que estes últimos dias seriam difíceis e trabalhosos. E, de fato, assim tem sido! Por isso, necessitamos de obreiros verdadeiramente vocacionados, pois, doutra forma, a Igreja de DEUS não suportará as lutas destes derradeiros tempos. Precisamos de homens como Josué. Escreve José Deneval Mendes: “Josué é fruto de discipulado. Ele esteve ao lado de Moisés desde o inicio da jornada no deserto. A primeira missão que lhe coube foi selecionar homens para guerrear contra Amaleque (Ex 17.9). Em seguida, ele aparece como servidor de Moisés (Êx 24.13; 32.17; 33; 11; Nm 11.28). Esteve presente em todos os momentos críticos da jornada pelo deserto. Com isso, no serviço e na obediência prática, ele se transformou em um grande líder: “E Josué, filho de Num, estava cheio de espírito de sabedoria, porquanto Moisés tinha posto sobre ele as suas mãos; assim os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés” (Dt 34.9).
    “Continua o mesmo autor: “Grandes homens de DEUS aprenderam o discipulado com seus lideres espirituais. Durante anos, tiveram a oportunidade de demonstrar obediência, fidelidade e submissão. Quando foram chamados a ocupar a liderança, estavam preparados, e DEUS Ihes falou, e confirmou a chamada para sua obra. O grande empecilho hoje é que muitos não querem esperar, obedecer, e submeter-se. Por isso são rejeitados.”

    NO FUTURO DE JOSUÉ, COMO VEMOS NA BÍBLIA:

    Como sucessor de Moisés, Josué cruza o rio Jordão e dá combate aos cananeus, que então habitavam a terra prometida. Vencidos os cananeus, os israelitas se estabelecem na Palestina. Tem de travar luta contra os povos vizinhos permanentemente. Devido as lutas pelas conquistas de Canaã ou Terra Prometida, surgiu necessidade do poder e do comando estarem nas mãos de chefes militares. Estes chefes passaram a ser conhecidos como Juízes. Período dos Juízes, Com a concentração do poder em suas mãos, os juízes procuraram a união das doze tribos, pois ela possibilitaria a realização do objetivo comum: O domínio da Palestina.
    As principais lideranças deste período foram os juízes: Sansão, Otoniel, Gideão e Samuel, todos eram considerados enviados de Jeová, para comandar os Hebreus.
    A união das doze tribos era difícil de ser conseguida e mantida, pois os juízes tinham um poder temporário e mesmo com a unidade cultural, (língua, costumes, e, principalmente religião), havia muita divisão política entre as tribos. Assim foi preciso estabelecer uma unidade política. Isto foi conseguido através da centralização do poder nas mãos de um monarca (Rei), o qual teria sido escolhido por Jeová para governar, segundo o desejo do povo, mas o desejo de DEUS era governar atravéz de um profeta como Samuel que em tudo ouvia a DEUS e O obedecia.

    APLICAÇÃO PESSOAL


    DEUS chama os homens e os capacita para serem líderes de seu povo na terra. Ele não os escolhe pelos seus atributos físicos, mas espirituais e morais. O Senhor não convoca os soberbos, porém estende as mãos aos humildes. Ele não arregimenta o ancião por sua experiência, nem o jovem por sua força, mas o servo por sua obediência. O Eterno não precisa de um guerreiro para vencer um gigante, mas de um pastor que o adore. Ele faz com que uma anciã estéril se torne mãe de reis e príncipes. Tudo o que ‘Elõhim pede ao homem ou mulher a quem torna líder é: “Esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei, dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares” (Js 1.7).

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  • Lição 9 – Editora Betel – Jacó sobe a Betel e edifica um altar a Deus

    Texto Áureo

    “E edificou ali um altar, e cha­mou aquele lugar El-Betel; porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado, quando fugia da face de seu irmão”. Gn 35.7

    Verdade Aplicada

    Não haverá nenhuma virtude em nosso despertamento se ele não nos levar a obedecer a Deus.

    Objetivos da Lição

    ?      Ensinar o poder da Palavra de Deus;

    ?      Mostrar que Deus sempre alcança seu objetivo; e

    ?      Acrescentar o desejo da busca do avivamento.

    Textos de Referência

    Gn 35.1 Depois, disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugiste diante da face de Esaú, teu irmão.

    Gn 35.2 Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.

    Gn 35.3 E levantemo-nos e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respon­deu no dia da minha angústia e que foi comigo no caminho que tenho andado.

    Gn 35.4 Então, deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos e as ar­recadas que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.

    Gn 35.5 E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Jacó.

     

    Jacó Volta a Betel (35.1-15)

    Jacó tinha permanecido por alguns anos em Siquém como vimos na lição anterior, talvez por causa de vantagens econômicas. Mas parece que foi preciso outra profunda experiên­cia (mística) espiritual, para fazê-lo voltar à sua terra, Hebrom (Gn 37.1). Voltaria para casa, mas antes faria uma parada em Betel, onde edificaria outro altar e receberia mais instruções divinas. Quase trinta anos antes, Jacó tinha feito um voto e uma promessa em Betel (Gn 28.20,21). Agora, ele deveria renovar seus votos e seus propósitos espirituais. Jacó havia comple­tado um ciclo, indo de Berseba a Padã-Arã, e, então, voltou à área de Berseba ou Hebrom, lugares esses onde Abraão e Isaque tinham residido, os quais ficavam a cerca de sessenta quilômetros um do outro. Ver Gn 28.10 quanto à partida de Jacó de Berseba. Jacó havia completado suas peregrinações pelo estrangeiro, e agora era instruído a voltar para casa, cena de uma nova missão.

    “Dois temas percorrem o capítulo trinta e cinco: término e correção. Temos aqui uma história de término, porque Jacó estava de volta à Terra Prometida, com sua família e com todas as suas riquezas; a vitória tinha sido ganha, o alvo tinha sido atingido, e a promessa divina tinha tido cumprimento. Mas também temos aqui uma história de correção, porquanto seus familiares não se tinham apegado completamente ao andar de acordo com a fé: ídolos tiveram de ser enterrados, e Rúben precisou ser disciplinado” (Allen P. Ross, in loc.).

    Parece que Betel se tinha tornado um santuário, um lugar de peregrinação, e que era um dos centros da crescente nova fé, o Yahwismo.

    35.1 Disse Deus. Isso pode ter ocorrido de várias maneiras: 1. por meio de um sonho; 2. mediante algum tipo de experiência mística ou extática, como uma visão; 3. através de uma experiência intuitiva; 4. ele vira o Anjo do Senhor; 5. ou como uma manifestação do Logos, no Antigo Testamento. Por diversas vezes, no decorrer da vida de Jacó, a orientação divina lhe foi dada sob a forma de uma intervenção, por estar ele na linha do Pacto Abraâmico (ver em Gn 15.18). Depois dele, Judá (filho de Lia) tornar-se-ia o próximo elo na corrente que resultou no Messias. O que sucedia a Jacó, pois, era importante para o surgimento da nação de Israel e da linhagem messiânica. Daí por que ele foi homem de muitas visões e de uma iluminação divina específica, alguém que recebia uma orientação toda especial.

    As palavras-chave, “disse Deus”, são reiteradas por muitas vezes no livro de Gênesis, provendo um dos motivos mais centrais desse livro, o qual destaca continuamente a providência divina. O nome divino, aqui usado, é Elohim.

    Uma Obediência Tardia. Jacó tinha descido de Padã-Arã a fim de voltar para sua terra. Mas acabou demorando-se em Siquém, talvez por razões pecuniárias vantajosas. Então ocorreu o infeliz episódio que envolveu Diná, bem como a horrenda matança dos súditos de Hamor, pelos filhos de Jacó. Jacó poderia ter evitado esse triste lance de sua vida, se tivesse obedecido prontamente, voltando diretamente para sua terra, depois que deixara o territó­rio de Labão.

    De Volta a Betel. Ver Gn 12.8; 13.3; 28.19 e 31.13 quanto a referências anteriores a Betel, neste primeiro livro da Bíblia. Jacó tivera uma poderosa experiência mística ali, quando deixava sua terra para ir ter com Labão (Gn 28.11 ss.). Talvez o lugar se tivesse tornado um santuário e lugar de peregrinações. A volta de Jacó ao lugar foi uma espécie de volta às suas raízes espirituais. Foi ali que ele recebeu a confirma­ção do Pacto Abraâmico, e agora haveria de receber outra confirmação desse pacto. Mui provavelmente, Betel se tinha tornado um centro de promoção da nova fé, o Yahwismo. A fé messiânica estava em desenvolvimento, juntamente com a nação de Israel.

    Agora, Jacó corria perigo em Siquém, motivo pelo qual era sábio, mesmo à parte de qualquer diretiva divina, abandonar aquele lugar. Jacó havia feito um voto solene em Betel, e embora já se tivessem passado quarenta e dois anos desde então, ele não o esquecera (Gn 31.13). Jacó pode ter caído em um lapso em Siquém, mas nem por isso abandonara o seu propósito. Betel ficava a apenas vinte e quatro quilômetros de distância de Siquém. A indiferença de Jacó para com seu voto (pelo menos por algum tempo) pode ter sido a causa espiritual do incidente que envolveu Diná (Gn 34).

    Jacó Tinha Fugido de Esaú. Jacó tinha deixado o lar paterno, em Berseba, por ter furtado de Esaú a bênção de Isaque, e correra o perigo de ser assassinado pelo indignado Esaú (Gn 27.43 ss.). Aquela tinha sido uma crise da qual Jacó escapara sem sofrer represálias, porquanto a presença do Senhor estava com ele. Cada marco importante de sua vida ficou assinalada pela presença de Deus.

    35.2 Disse Jacó à sua família. Foi o patriarca, sob orientação do Senhor, que exigiu que houvesse mudanças para melhor. E também foi ele quem disse: “Va­mos a Betel”. Deus estava transformando cada vez mais Jacó, para que ele pudesse avançar espiritualmente.

    Lançai fora os deuses estranhos. Terá, pai de Abraão, tinha sido um ho­mem idólatra (Js 24.2). Raquel furtara os terafins ou ídolos do lar de Labão (Gn 31.19). Assim, formas de idolatria prosseguiram paralelamente à adoração a Elohim, a despeito do surgimento gradual da nova fé, o Yahwismo. Porém, haveria de chegar o tempo de romper definitivamente com os costumes antigos. Esses costumes só morrem aos poucos, lentamente. A Reforma Protestante foi uma época em que certos segmentos da Igreja abandonaram certas formas de idolatria, embora novas formas não tivessem demorado a tomar o lugar das mais antigas.

    Purificai-vos, e mudai as vossas vestes. Isso serviu de símbolo da renova­ção espiritual que estava prestes a ocorrer. Houve um novo começo em Betel. Todo ser humano, sem importar quão espiritual já seja, e sem importar seus empreendi­mentos espirituais, precisa de renovações ocasionais, de novos votos, de um zelo renovado, de uma nova determinação, de novos projetos, de novos costumes e de novas ideias. É fácil para o homem ficar estagnado em velhos costumes, velhas ideias, velhas bases, velhas realizações. Algumas vezes, o que é novo requer uma mudança de localização geográfica, conforme foi o caso de Jacó, neste passo bíblico. Declarou Sêneca: “O que precisamos é de uma mudança de mentalidade, e não de uma mudança de ares (ou seja, de uma nova localização geográfica)”. Todavia, algumas vezes o que é novo também requer uma mudança de ares.

    Purificai-vos. Talvez indicando a necessidade de alguma espécie de rito puri­ficador, o que, sem dúvida, fazia parte das práticas religiosas de Jacó. Um costu­me do hinduísmo é que as pessoas devem mudar de roupa antes de adorarem. As roupas de trabalho são trocadas por roupas de adoração.

    As coisas aqui mencionadas foram institucionalizadas sob a legislação mosaica. Ver Êx 19.10; Jz 8.24.

    A renúncia aos deuses estranhos (Js 24.14-18,23) incluía os terafins ou ído­los do lar (Gn 31.19). É natural que incorporemos costumes e ideias à nossa religião. O sincretismo sempre fará parte da fé religiosa, e todos estamos envolvidos nessa prática, reconheçamos ou não esse fato. A fé religiosa no Brasil é um exem­plo significativo de várias formas de sincretismo. Mas fatalmente chega o dia em que os estrangeirismos, injetados em nossa fé religiosa, precisam fenecer. As roupas precisam ser trocadas. Corpo, alma e espírito (mente) precisam ser purificados.

    35.3 Subamos a Betel. Ver Gn 28.11 ss. quanto às experiências passadas de Jacó naquele lugar. Fora em Betel, nos dias de sua pior aflição, que ele teve o sonho-visão da escada cujo topo chegava ao céu (veja na ajuda 1), por onde subiam e desciam anjos de Deus. Jacó tinha erigido ali um altar naquele dia, jurando que se dedicaria ao Senhor. Mas isso havia acontecido muitos anos atrás. As primeiras intenções tinham-se tornado vagas. Ele tinha ido residir no território de Labão; mas, apesar disso, segundo se supõe, não havia abandonado a sua fé. Contudo, não se importara muito com a pureza da fé entre seus familiares, a ponto de tolerar a existência de ídolos. “E quando voltou à sua terra, não foi para Betel, e, sim, para Siquém, um lugar mais ameno” (Walter Russell Bowie, in loc.). Mas agora ele partia para Betel; agora partia para casa; agora haveria purificação e mudança. Se isso tivesse acontecido sete ou oito anos antes, talvez Diná tivesse sido poupada da desgraça pela qual passou, e nunca tivesse havido a matança de Hamor e sua gente, uma desgraça para Jacó e toda a sua família.

    No dia da minha angústia. Uma alusão aos dias em que Esaú queria matá-lo, se tivesse permanecido em Berseba, por haver-lhe furtado a bênção de Isaque, por meio de um golpe astucioso (Gn 27.6 ss.). Jacó tinha fugido de Berseba em grande angústia de alma, mas não demorou a ser encorajado por meio de seu encontro com a presença divina, em Betel (Gn 28.11 ss.).

    35.4 Os deuses estrangeiros… e as argolas. Ou seja, os terafins que Raquel havia furtado (Gn 31.19), juntamente com os amuletos, os objetos mágicos (as argolas faziam parte da coleção). Alguns estudiosos dizem que não se tratava de argolas usadas pelas mulheres (e por alguns homens hoje em dial), pois seriam argolas para serem postas nas imagens, ou então argolas especiais, usadas pelos idólatras quando se ocupavam em suas cerimônias, mediante as quais honravam a certas divindades. O Targum de Jonathan alude às “argolas usadas nas orelhas dos habitantes da cidade de Siquém, que tinham formas parecidas com os seus ídolos”. Nesse caso, na casa de Jacó tinham sido adotadas essas formas de idolatria. Alguns eruditos incluem aqui cartas astrológicas, mas a astro­logia pertencia mais ao Egito e à Babilônia, requerendo habilidades matemáticas que a família de Jacó dificilmente possuiria.

    Agostinho (Epist. 73) mencionou brincos (argolas) tanto de homens quanto de mulheres, que eram usados em certas formas de idolatria e de demonismo.

    Aarão fabricou o bezerro de ouro a partir de brincos (e, sem dúvida, de outros objetos), segundo se lê em Êxodo 32.2-4, e a idolatria, eliminada em uma época, é renovada em outra. Israel nunca se viu inteiramente livre, nem está livre a Igreja atual, nem mesmo os crentes individuais.

    Debaixo do carvalho. O próprio carvalho (ou um carvalhal) fora transforma­do em lugar de adoração idolátrica, onde presumivelmente se reuniam as divinda­des e onde poderiam ajudar os homens a resolver os seus problemas. É provável que esteja em pauta o carvalho ou carvalhal de Moré, ver em Gn 12.7. Ver também Dt 11.30. Alguns estudiosos não identifi­cam os carvalhos de Gn 12.6,7 com o deste texto. Não há como ter certeza sobre a questão. O carvalho era uma árvore que “com frequência permanecia por muitos anos, antes de ser cortado e usado com propósitos religiosos; pois, como eram tidos em grande veneração, raramente eram cortados” (John Gill, in loc.).

    35.5 O terror de Deus. Jacó e seus familiares fugiram, como que para poupar a vida, por haverem os filhos de Israel liquidado os heveus de Siquém. O trecho de Gn 34.30 mostra-nos que Jacó temia ataques, por ter-se tornado “odioso” aos olhos de seus vizinhos. Mas a providência de Deus havia trazido alguma forma de terror sobrenatural que impunha temor aos habitantes da região, os quais também não atacavam a Jacó. Cf. Gn 23.6 e 30.8. Quão frequentemente precisamos de jornadas misericordiosas, mediante a proteção de Deus.

    O terror de Deus é “uma expressão derivada da guerra santa (Êx 23.27; Js 10.10), e era um pânico misterioso que paralisava o inimigo” (Oxford Annotated Bible).

    35.6 Luz. Esse era o nome antigo de Betel.

    Terra de Canaã. Ver Gn 23.19 quanto à experiência anterior de Jacó naquele lugar. O trecho de Juízes 1.26 mostra que os hititas ou heteus tinham ali um centro seu.

    Em Betel, Jacó fora livrado de ataques por parte de seus inimigos, e agora estava passando para uma nova fase de sua vida. A obediência aos seus votos haveria de produzir um novo dia.

    35.7 E edificou ali um altar. Essa questão de altares tem grande importância no Gênesis. Ver Gn 8.20; 12.7,8; 13.4,18; 22.9; 26.25; 33.20; 35.1,3,7. Mais de quarenta anos antes, Jacó havia erigido um altar naquele lugar. Teria ele soerguido o mesmo altar, ou erigido um novo altar? Tal pergunta fica sem resposta.

    El-Betel. No hebraico, Ei-Beth-el, ou seja, “o Deus da casa de Deus”. Jacó havia sido admitido à casa de Deus, e ali viu as maravilhas de Sua graça e providência, além de ter recebido os alicerces para a nova fé. Esse título Deus adotara para Si mesmo (Gn 31.13).

    Deus. No hebraico, Elohim. Ali o Senhor tinha aparecido a Jacó. Temos aqui um plural de majestade, que não tem por intuito apontar para o politeísmo.

    35.8 Morreu Débora. Ela figura pela primeira vez na Bíblia, sem a menção de seu nome, em Gn 24.59. Ela foi uma escrava de Rebeca, que lhe fora dada para acompanhá-la, desde que viera para casar-se com Isaque. A história de Débora tinha começado em algum ponto não mencionado. Vinha acompanhando a jovem Rebeca, talvez desde o nascimento desta. Nunca se separaram. E, então, ela acompanhou a família patriarcal à Terra Prometida, e, talvez, tivesse sido incorporada à casa de Jacó. É estranho que não tenha sido registrada a morte de Rebeca (embora o seja o seu sepultamento, em Gn 49.31). No entanto, o autor sacro inseriu esta nota sobre a morte de Débora na história da segunda visita de Jacó a Betel. Por quê? Porque ela era amada por todos, porquanto era grande em sua posição humilde.

    Débora esteve com a família patriarcal por nada menos de duas gerações completas. Assim, fizera sua contribuição e cumprira a sua missão. Se Débora estivesse presente, talvez Raquel não tivesse morrido no parto de Benjamim.

    A ama de Rebeca. Uma ama cuidava das mulheres e de seus filhos.

    Uma ama ou enfermeira treinada é o coração mesmo dos cuidados médicos; elas recebem ordens e cuidam dos enfermos e dos moribundos. Essa ocupação tem-se profissionalizado, mas o espírito de serviço humilde (por muitas vezes com pagamento insuficiente) faz-se presente até hoje. Cuidar das pessoas, quando estão doentes e até infectadas, é um ato de amor, de obediência à lei do amor.

    Alom-Bacute. No hebraico, esse nome significa “carvalho do pranto”. Era a árvore ao pé da qual Débora, a ama de Rebeca, foi sepultada (Gn 35.8), e, depois, Raquel. Alguns eruditos pensam que temos aqui alguma deslocação de material, e que a juíza Débora é que estaria em foco, ou seja, que o memorial era dela. Mas esse seria um erro grosseiro demais para um compilador ter feito. Pessoas humildes também têm um papel humilde a desempenhar no registro sacro. A fidelidade delas é relembrada, embora não trouxessem as marcas que os homens pensam que os grandes devem ter.

    Betel Novamente (35.9-15)

    Alguns críticos veem aqui alguma “mistura de tradições”, supondo que a história original de Betel (Gn 28.11 ss.) teria sido combinada (neste ponto) com elementos do relato sobre a luta de Jacó com o anjo (Gn 32.24 ss.), quando seu nome foi mudado de Jacó para Israel. Os estudiosos conservadores não veem por que novas experiências não poderiam conter elementos de antigas experiên­cias. Seja como for, o material desta pequena seção é uma duplicação essencial de coisas sobre as quais já tínhamos comentado, incluindo certas provisões do Pacto Abraâmico (ver em Gn 15.18). “Em Betel, Deus confirmou a promessa que tinha feito antes (Gn 32.28). A mudança do nome de Jacó serviu de prova da bênção prometida” (Allen P. Ross, in loc.).

    35.9 Vindo Jacó de Padã-Arã. Ou seja, a caminho de volta para casa, especificamen­te, em Betel (vss. 14 e 15). Sua experiência anterior em Betel teve lugar quando ele estava indo para Padã-Arã. E esta experiência ocorreu quando ele estava saindo dali. Ambas as ocasiões foram marcos em sua vida.

    Outra vez lhe apareceu Deus. Jacó era homem de muitas experiênci­as místicas. A presença de Deus guiava Jacó em todos os marcos importantes de sua vida. A providência de Deus acompanhava Jacó de uma maneira especial.

    35.10 E lhe chamou Israel. Ver Gênesis 32.28 quanto à mudança do nome de Jacó para Israel.

    35.11 O Deus Todo-poderoso. El-Shaddai é aquele que nos supre quanto a todas as necessidades, conforme parece ser uma das implicações desse nome. A primeira parte do nome, El, mostra que há poder capaz de fornecer um suprimento abundante. “O Senhor é meu Pastor; nada me faltará.” As promessas são confirmadas. O nome divino, El-Shaddai, é aquele que prefacia a repetição do Pacto Abraâmico a Abraão (Gn 17.1 ss.). Esse mesmo Deus garantia agora, a Jacó, a continuação do pacto.

    Multiplicação e Grandeza. Uma companhia de nações descenderia de Abraão, o que é dito por diversas vezes nas repetições do Pacto Abraâmico. Ver Gênesis 28.3, onde a expres­são usada é “uma multidão de povos”. Ali, a declaração faz parte da bênção dada a Jacó por Isaque. Além disso, reis descenderiam de Jacó, como Saul, Davi, Salomão etc. (cf. Gn 17.6), culminando no Rei-Messias, descendente de Judá, através de Lia, uma das esposas de Jacó. Nesse ponto, seria atingida a dimensão espiritual do pacto, de tal modo que aquilo que era bênção material tornar-se-ia em bênção espiritual, incluindo a questão da salvação da alma (Gl 3.14).

    35.12 A terra. A aquisição de um território pátrio era necessária para que se desen­volvesse a nação de Israel, o que levaria ao cumprimento maior do próprio pacto. As notas em Gn 15.18 mostram as dimensões desse território.

    35.13 Elevando-se do lugar. Provavelmente devemos pensar no “céu”, em algum lugar acima da terra, como se vê em Gn 11.4; 21.17; 22.11,15; 28.12. Tendo-se manifestado, vindo dali, Deus agora para ali voltava. A presença divina algumas vezes manifesta-se aos homens de uma maneira que eles são capazes de com­preender, pelo menos em parte, e de uma forma que possam suportá-la. Isso sucede mediante as experiências místicas como as visões, os sonhos, as visitas angelicais etc.

    Os trechos de Gn 17.22 e 18.33 têm a mesma expressão que se vê neste versículo. Deus “elevou-se de onde estava Abraão”. Mas Gn 18.33 diz algo levemente diferente: “retirou-se o Senhor”.

    35.14 Este versículo é parecido com o de Gn 28.18, exceto pelo fato de que aqui temos a primeira menção a uma libação na Bíblia. Provavelmente foram empregados vinho, água ou mesmo ambas as coisas. Mas alguns eruditos pensam que foi usado azeite. Também é possível que o “azeite” entornado em Gn 28.18 fosse uma libação, embora isso não seja dito especificamente. As oferendas, como as deste versículo, reconheci­am o poder divino e a visitação da presença divina. Era uma espécie de participa­ção dos bens materiais de alguém, em reconhecimento da graça e do suprimento divino, na esperança de maior recebimento dessa graça e suprimento.

    As libações eram algo comum em muitos países. As libações originais eram feitas com água, mas depois passou-se a usar o vinho. Ver Lv 7.1. Gratidão e devoção eram expressas por meio desses atos. Ademais, sem dúvida, essas oferendas serviam de pedidos quanto à continuação do suprimento e do poder divinos junto ao adorador, por estar sendo reconhecida, por este, a presença divina. As libações, acima de tudo, eram atos de adoração que reconheciam a providência de Deus.

    Colunas Memoriais. Naturalmente, essas colunas tornaram-se objetos vene­rados pelos descendentes dos patriarcas, motivo pelo qual a legislação mosaica veio a proibir tal prática. Ver Lv 26.1 e Dt 16.22. Cerca de quarenta anos separavam as duas colunas erigidas por Jacó. Ele continuava a ser um homem de altares e de devoção espiritual.

    35.15

    Esse lugar chamava-se Betel, pois o trecho é paralelo a Gn 28.17-19. Betel tornou-se um dos santuários da nova religião, a fé de Abraão, um lugar de pere­grinação do Yahwismo. Estava sendo formada a fé religiosa distintiva da nação de Israel.

    Bibliografia R. N. Champlin

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  • Lição 8 – Editora Betel – Jacó em Siquém

    Texto Áureo

    “E vieram os filhos de Jacó do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os homens, e iraram-se muito, porquanto Siquém cometera uma insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Jacó; o que não se devia fa­zer assim”. Gn 34.7

    Verdade Aplicada

    Diante do perigo, o que nos leva a vencer o medo e a ansiedade e permanecer firme, é a con­fiança nas promessas de Deus.

    Objetivos da Lição

    ?      Ensinar que quando confia­mos em Deus não precisamos temer ao homem;

    ?      Lembrar que temos que cumprir os votos que fazemos a Deus; e

    ?      Mostrar o perigo das amiza­des com os ímpios.

    Textos de Referência

    Gn 33.17 Jacó, porém, partiu para Sucote, e edificou para si uma casa, e fez cabanas para o seu gado; por isso, chamou o nome daquele lugar Sucote.

    Gn 33.18 E chegou Jacó salvo à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e fez o seu assento diante da cidade.

    Gn 33.19 E comprou uma par­te do campo, em que estendera a sua tenda, da mão dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.

    Gn 33.20 E levantou ali um al­tar e chamou-lhe Deus, o Deus de Israel.

    Gn 34.1 E saiu Diná, filha de Léia, que esta dera a Jacó, a ver as filhas da terra.

    Gn 34.2 E Siquém, filho de Ha­mor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a.

     

    Jacó Encontra-se com Esaú (33.1-15)

    Conforme os críticos pensam, a continuação do uso do nome Jacó, em vez de Israel (Gn 32,28), deve-se a fontes múltiplas, uma ou outra das quais não levou em conta a mudança de nome.

    Chegamos agora ao mui longamente esperado e temido encontro de Jacó com Esaú. O coração de Jacó havia sido transformado, e agora ele anelava por reconciliar-se com seu irmão. Ele havia preparado restituição, porque havia prejudicado a Esaú (os ricos presentes que lhe ofereceria; ver Gn 32.13 ss.). Mas Esaú não se mantive­ra rancoroso; e aquilo que Jacó tanto havia temido terminou por se tomar uma alegre reunião em família, com muito amor e respeito mútuo. Oh, Senhor, concede-nos tal graça! A providência de Deus continuava a cuidar de Jacó.. Esse é um tema central ao longo do livro de Gênesis.

    33.1 Esaú se aproximava. Jacó levantou os olhos e viu a figura temida. Ali estavam Esaú e seu ameaçador exército de quatrocentos homens. A maior parte do que tememos nunca se materializa. Durante a Segunda Guerra Mundial, declarou o presi­dente Roosevelt, dos Estados Unidos da América: “Nada temos que temer, exceto o próprio temor”. Talvez os homens de Esaú tivessem chegado armados. Mas o próprio texto nada diz. No entanto, se tinham vindo armados, foi porque Esaú não sabia o que poderia esperar da parte de Jacó. Mas vendo que não havia perigo algum, e tendo passado pelos três rebanhos que Jacó havia preparado como um presente (Gn 32.13 ss.), abandonou de vez a ideia de atacar a Jacó e a seu grupo.

    Mostrando-se à altura da transformação de Jacó, devido às experiências espirituais deste, Esaú sempre demonstrou um caráter superior. Assim sendo, por que ele foi aviltado? Simplesmente porque assim os livros pseudoepígrafos o avali­aram, o que acabou sendo uma forma padronizada de os judeus o avaliarem. E isso foi transferido para o Novo Testamento (Rm 9.13; Hb 12.16). Mas se nos ativermos ao relato veterotestamentário a seu respeito, chegaremos à conclusão de que ele teve momentos de insensatez, como quando vendeu por quase nada o seu direito de primogenitura, mas também que, excetuando esses maus momen­tos, ele sempre se mostrou uma pessoa honrada. Esaú voltou a encontrar-se com Jacó quando os dois sepultaram a seu pai, Isaque (Gn 35.29), e assim os dois cumpriram os seus deveres filiais até o fim.

    As Quatro Divisões. Temendo ainda o pior, Jacó tinha dividido seus filhos sob os cuidados de suas quatro mulheres. Ele haveria de enviar seus familiares em grupos distintos até a presença de Esaú, tal como havia feito com seus rebanhos (Gn 32.16). Parece que essa foi outra tentativa de aplacar a Esaú, mediante adiamento. Ou talvez ele tenha pensado que, se Esaú chegasse a dizimar o primeiro grupo (liderado por uma de suas concubinas), então os outros três gru­pos pelo menos poderiam tentar escapar.

    33.2 Uma Hierarquia. Em primeiro lugar apresentaram-se Bila e Zilpa, com seus respectivos filhos. Em seguida, Lia, com seus seis filhos e uma filha. Depois, Raquel e José, como escreve o comentarista da nossa lição. E, finalmente, Jacó. E isso pelas razões esclarecidas acima. E a sequência de apresentação, sem dúvida, evidenciava o amor e a preocupação variegados de Jacó por cada grupo. Os mais chegados ele guardou para o fim, Raquel e José. Posteriormente, os filhos de José tornaram-se os favoritos de Jacó, Despedaçava o coração enviar um filho a uma situação de perigo, ao mesmo tempo em que retinha um filho mais amado para evitar aquele mesmo perigo, durante algum tempo. Essa foi a agonia que Jacó precisou enfrentar. “Ele mandou à frente a quem estimava menos” (Adam Clarke, in loc.).

    33.3 Jacó Mostra-se Humilde. Subitamente, encorajando-se, Jacó não obedeceu a todos os passos de seu plano, de ir apresentando aos poucos os seus entes queridos. Mas foi diretamente ao encontro de Esaú. Jacó aproximou-se dele humilde e contrito. Prostrou-se diante de seu irmão por sete vezes, embora ainda na noite anterior tivesse enfrentado o Anjo do Senhor, lutando com Ele a noite inteira e prevalecendo. Submeteu-se ao perigo, com fé no coração e uma oração nos lábios. Somente a ajuda de Deus poderia livrá-lo agora. Não tinha justificativa, e nenhuma virtude que pudesse apresentar como motivo para con­tinuar vivo.

    “Esse ato de prostrar-se, no Oriente, é feito dobrando o corpo para a frente, com os braços cruzados, a mão direita sobre o peito” (Ellicott, in loc.).

    Prostrando-se, Jacó aproximou-se. De tantos em tantos passos, ele se prostrava. O orgulhoso suplantador, o enganador, o fugitivo, agora enfrentava os seus pecados, a situação que ele mesmo havia criado fazia muitos anos. Todos nós acabamos por nos encontrar conosco mesmos.

    O Símbolo. Jacó era como um pecador contrito que se lança à misericórdia de Deus. E, tal como Jacó, o pecador é acolhido com um caloroso abraço, seus pecados perdoados. A comunhão tomara o lugar do temor.

    33.4 A Magnanimidade de Esaú. Esaú não hesitou, mas correu ao encontro de Jacó. Quem tomou a iniciativa foi Esaú. Ele abraçou Jacó; e ambos choraram. Passaram-se cerca de vinte anos, desde que se tinham visto pela última vez. “Quão sincera e genuína foi essa conduta de Esaú, e, ao mesmo tempo, quão magnânimo! Ele sepultara todo o seu ressentimento e esquecera todas as ofen­sas” (Adam Clarke, in loc.). “Já tínhamos recebido antes (Gn 27.38) uma prova de que Esaú era homem de sentimentos calorosos; e agora vemos, de novo, como ele foi dominado por seus impulsos amorosos” (Ellicott, in loc.). Os antigos manuscritos dos hebreus tinham marcas aqui, para que o leitor notasse que algo de maravilhoso havia sucedido. Isso era interpretado positivamente por alguns, e negativamente por outros (como se Esaú tivesse sido um hipócrita nessa de­monstração de afeto). Mas como é óbvio, seu amor era genuíno, e é bem possível que aquele sinal servisse para mostrar ao leitor um tão notável exemplo de amor fraternal, inesperado por parte de Jacó. Bastava de temor; bastava de medo. A graça de Deus havia resolvido o problema da maneira mais extraordinária. O amor é a essência mesma e a prova da espiritualidade (I Jo 4.7 ss.).

    33.5 Quanta Gente! “Quem são todas estas pessoas?”, indagou Esaú. Embora separados por cerca de setecentos e cinquenta quilômetros apenas, parece que nunca houvera intercomunicação entre os dois ramos da família de Isaque. Havia quatro mulheres e doze filhos (incluindo Diná), e Esaú estava querendo uma explicação. Os filhos eram reputados uma bênção do Senhor, a fertilidade era tida como grande vantagem, e famílias numerosas eram algo desejável (Sl 127.3). Em consequência, o grande número de filhos de Jacó mostrava a Esaú que o Senhor estava com seu irmão.

    33.6 As servas. Ou seja, Bila e Zilpa, cada qual com seus dois filhos, foram apresentadas a Esaú. Elas cumprimentaram respeitosamente o irmão de seu marido, de quem eram cunhadas. Os filhos de Bila eram Dã e Naftali, e os de Zilpa eram Gade e Aser, todos os quatro destinados a tornar-se patriarcas de Israel, cabeças de tribos.

    33.7 Lia e seus filhos. A primeira esposa de Jacó, Lia, a irmã mais velha de Raquel, apresentou-se com seus filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (seis filhos) e Diná (a filha). Esses filhos estavam destinados a ser chefes de outras tantas tribos que formariam uma parte da nação de Israel.

    José e Raquel. Raquel tinha apenas um filho. Tempos depois, ela teria Benjamim, mas morreria do parto. José seria o filho favorito, e seus filhos seriam altamente estimados por Jacó. Por esse tempo, José estaria com sete anos de idade. Não houve tribo de José, em Israel, mas Efraim e Manassés, filhos de José, tornaram-se cabeças de tribos, porquanto tinham sido adotados por Jacó como se fossem seus filhos (Gn 48.5). Estritamente falando, isso formaria treze tribos, mas apenas doze são formal­mente consideradas (Êx 24.4; Js 4.2). Levi, embora filho, ocupou posição de medianeiro entre Yahweh e a nação de Israel, e não dispunha de território próprio.

    Lia e Raquel, além de serem cunhadas de Esaú, eram também suas primas, pois Jacó, Raquel e Lia eram primos. Todos demonstraram o devido respeito por Esaú, cada grupo por sua vez, conforme Jacó os tinha disposto em ordem (ver Gn 33.1,2).

    33.8 Os Presentes. Jacó havia exagerado. Tinha separado quinhentos e oitenta animais dos tipos mais valiosos para alimento, vestuário e viagens (Gn 32.14,15). Ele havia dividido esses animais em três grupos (Gn 32.19), cada um dos quais deveria aproximar-se em separado, dando tempo para Esaú esfriar a sua indigna­ção (se ele continuasse irado e estivesse disposto a atacar). Foi preciso muito tempo para fazer passarem os presentes diante de Esaú. Tudo era um tanto misterioso. Por isso, agora Esaú desejava saber a razão daquilo tudo. O próprio Jacó explicou que se tratava de um presente para “lograr mercê” na presença de seu irmão, a pessoa a quem ele tanto havia ofendido. “Nos países orientais era comum levar presentes a amigos e, especialmente, a grandes homens, sempre que houvesse visitas. E todos os viajantes em geral testificam que assim continua sendo o costume, até estes nossos dias” (John Gill, in loc.).

    33.9 Guarda o que tens. Essas palavras de Esaú mostram o desinteresse de Esaú pelos bens materiais. Sem importar quais fossem os defeitos de Esaú, ele não era ganancioso como Labão. Ele tinha o bastante. O Senhor Deus também o havia abençoado, podemos ter certeza. Os presentes de Jacó mostraram-se des­necessários. Esaú não precisava ser subornado, porquanto havia amor fraternal em seu coração.

    Os judeus e os árabes conferenciam interminavelmente, mas há entre eles matanças e vinganças de parte a parte, ao passo que um pouco de amor poderia resolver esses problemas em um único dia.

    “No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo” (I Jo 4.18).

    33.10 Mas Jacó insistiu. É um erro supormos aqui que Esaú queria receber os presentes, mas que, de acordo com a polidez e a maneira de barganhar dos orientais, foi obrigado a permitir que Jacó primeiro o convencesse. Esaú realmen­te não queria os bens materiais. Por outra parte, teria sido uma bofetada no rosto de Jacó não aceitar o que lhe era oferecido tão generosamente. Portanto, deixou-se convencer.

    Vi o teu rosto. Jacó disse que a fisionomia de Esaú lhe parecera o semblan­te de Deus, como se tivesse visto o próprio Elohim. E, em certo sentido, isso era uma verdade. A bênção, os cuidados e a proteção de Elohim transpareciam no rosto de Esaú, e o coração de Jacó saltava-lhe no peito ao entender que suas orações haviam sido respondidas; e assim os seus temores chegaram ao fim. Quando amamos, não motivos para termos medo de Deus. Antes, Ele é o grande Benfeitor de toda a humanidade, e Seus decretos resultam em prosperida­de e bem-estar. O texto fala sobre a providência de Deus, uma mensagem constantemente reiterada no livro de Gênesis.

    Talvez tenha havido alguma hipérbole na exclamação de Jacó sobre o sem­blante de Elohim, mas podemos estar certos de que o seu coração estava invadi­do pela alegria naquele momento.

    O amor estampado no rosto de uma pessoa é um reflexo do semblante de Deus, porquanto Deus é a fonte de todo amor, seu manancial e garantia. Quan­do alguém ama e é amado, há algo de divino nisso; e quando buscamos o amor, buscamos a Deus, mesmo que não tenhamos consciência disso. O amor é, virtualmente, o único princípio que todas as filosofias e religiões aprovam de forma unânime. Nas religiões e filosofias mais avançadas, o amor é o princípio controlador e a grande inspiração. Não obstante, é mais fácil odiar. E muitos, embora donos de uma teoria correta, odeiam em nome do amor ou da espiritualidade.

    33.11 Aceitar Era Forçoso. Naquele tempo, no Oriente, rejeitar um presente era um ato de hostilidade. Já a aceitação era um ato de amizade. A última dúvida se Esaú queria causar dano ou não, e se Jacó havia achado mercê ou não, seria removida quando Esaú recebesse o presente de Jacó. Por isso, apesar de não querer o presente nem dele precisar, acabou por aceitá-lo. Nisso há toda uma lição espiri­tual. Deus oferece a Sua salvação por meio da graça, mas ela não é eficaz enquanto a pessoa não a aceita. E, então, evapora-se a hostilidade entre o homem e Deus.

    Ter Sorte. Ainda havia o envolvimento de outro fator. Era considerado um golpe de sorte receber um presente, e Deus era considerado a fonte de toda boa sorte. Ver I Sm 25.27; 30.26.

    Compartilhando as Riquezas. A generosidade é um grande princípio ético. Ser generoso com os próprios bens é uma maneira de viver segundo a lei do amor. A generosidade faz parte da espiritualidade. O cristianismo de Tiago enfatiza a generosidade (Tg 2.14 ss.). Deus é a fonte de toda boa dádiva (Tg 1.17). Jacó, pois, queria compartilhar seus bens. Elohim, que lhe havia dado tantas bênçãos, jamais mostrar-se-ia pobre com ele. Continuaria a abençoar a Jacó, para que este pudesse continuar compartilhando seus bens.

    “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu...” (Jo 3.16).

    33.12 Eu seguirei junto de ti. Agora, Esaú e Jacó eram amigos, e Esaú propôs que viajassem juntos, até Seir (vs. 16). Mas suas veredas, que se tinham cruzado por tão pouco tempo, só haveriam de cruzar-se de novo até que os dois sepultassem Isaque, pai deles (Gn 35.29). Esaú, o mais extrovertido dos dois irmãos, queria prolongar o encontro. Mas Seir ficava fora da rota de Jacó. Ele estava seguindo em direção a Hebrom. E embora talvez tencionasse seguir após Esaú e visitá-lo em Seir (vs. 16), acabou não cumprindo a sua intenção. Se os dois homens tivessem exami­nado juntos os seus itinerários, teriam verificado que poderiam descer de Peniel a Hebrom (cerca de cento e sessenta quilômetros), permanecer ali por algum tempo (que é um lugar bem fora da rota), e, então, Esaú poderia ter ido sozinho até Seir, talvez viajando mais cento e sessenta quilômetros. Mas parece que Jacó não compartilhava do entusiasmo de Esaú quanto a uma viagem juntos. Além disso, ele estava ansioso por chegar em casa, após cerca de vinte anos “fora” de sua terra.

    33.13 As crianças e os animais novos não estavam fisicamente preparados para caminhar cento e sessenta quilômetros extras até Seir, e depois mais cento e sessenta quilômetros de volta a Hebrom. Era ótimo estar novamente com um irmão amigo, todos os antigos ferimentos cicatrizados; mas as crianças tinham prioridade. As razões de Jacó eram boas. Por outra parte, talvez seja verdade, conforme disse Cuthbert A. Simpson (in loc.), que Jacó “soltou um suspiro de alívio”, quando Esaú dirigiu-se novamente ao deserto, sem que ninguém saísse prejudicado ou ferido. Seja como for, já tinha havido excitação suficiente para aquele dia, e Jacó, agora livre, tanto de Labão quanto de Esaú, sentia-se capaz de completar sua viagem de volta para casa. Estava apenas a cerca de cento e sessenta quilômetros dali. Quando um homem está voltando para casa, depois de uma longa ausência, é melhor não complicar o quadro.

    O filho mais velho de Jacó, Rúben, deveria estar com treze anos de idade, e José deveria ter sete anos. Já estavam sofrendo muita tensão. A preocupação com os filhos é característica de um bom pai.

    33.14 Eu seguirei. . . no passo do gado. . . e no passo dos meninos. Esaú poderia marchar rapidamente com seus homens armados. Mas Jacó seguiria lentamente com seus meninos e seus animais novos. E Jacó se encontraria com Esaú em Seir. Mas o encontro em Seir nunca aconteceu. “Poste­riormente, ocorreram circunstâncias que tornaram impraticável ou mesmo impró­prio o encontro. E descobrimos que posteriormente Esaú mudou-se para Canaã, e que ele e Jacó habitaram ali, juntos, por vários anos. Ver Gn 36.6-7” (Adam Clarke, in loc.). Depois de ter habitado em Canaã por algum tempo, Esaú regres­sou a Seir, porque ele e Jacó tinham ficado ricos demais para que a região pudesse suportar seus muitos animais.

    “…ele se propôs a movimentar-se lentamente, como faria tanto um pai sábio, cuidadoso e terno com a sua família, quanto faria um pastor com o seu rebanho” (John Gill, in loc.).

    33.15 Esaú Oferece Ajuda. Ele tinha homens fortes consigo. Queria deixar alguns deles para que ajudassem Jacó pelo caminho. Mas Jacó não via necessidade dessa ajuda, e deu-se por excusado. Jacó conhecia o caminho e não precisava de guias. As coisas estavam sob controle. Ele tinha encontrado graça diante de seu irmão. Feridas tinham sido curadas. Tinha havido uma completa reconcilia­ção. Para ele, isso era suficiente, por isso declinou do oferecimento de ajuda por parte de Esaú. A benevolência de Esaú tinha sido suficiente para aquele encon­tro.

    33.16 Assim voltou Esaú… a Seir, esperando ver Jacó ali. Mas isso não suce­deu. Todavia, passaram juntos alguns anos em Canaã, sempre em um bom relacionamento (Gn 36.6-7). É bom quando antigas ofensas são reparadas e restituição é feita. Quantas disputas em família nunca são solucionadas, e os respectivos membros morrem com ódio no coração!

    “Assim sendo, houve milagres na vida de Jacó e de Esaú. Em Jacó, Deus injetou o espírito de humildade e de generosidade. E Esaú foi transformado de um homem que buscava vingar-se para um homem que desejava reconciliar-se. Es­sas mudanças serviram de prova de que Deus havia dado a Jacó uma resposta à sua oração (32.11)” (Allen P. Ross, in loc.).

    Jacó em Siquém (33.17-20)

    Sucote (vs. 17) ainda não foi descoberta pela arqueologia, e o local é desconhecido, mas Juízes 9.28 indica que os filhos de Hamor formavam um dos clãs mais importantes de Siquém. Um terreno foi ali comprado e finalmente tornou-se o local do sepultamento de José (Js 24.32). Um santuário a Yahweh (para promover o Yahwismo) foi construído ali (vs. 20), razão pela qual evidentemente tornou-se outro centro da crescente nova fé. Jacó deve ter ficado ali por algum tempo, visto que lemos que ele se deu ao trabalho de construir ali uma casa, com acomoda­ções para os seus animais (vs. 17). Finalmente, mudou-se para Hebrom, seu lar.

    33.17 Sucote. Outra cidade com esse nome, no Egito, também apare­ce em Êx 12.37. Esse termo significa tendas. Embora nada se saiba com certeza acerca da localização dessa cidade, em Canaã, ela tem sido tentativamente identificada com o Tell Akhsos ou com o Tell Deifalla.

    Nesse lugar, Jacó edificou uma casa, além de acomodações para seus ani­mais. E com base nessa circunstância foi que o local recebeu sua designação. Isso indica que Jacó tencionava permanecer ali por algum tempo (não designado). Finalmente, porém, mudou-se para Hebrom, seu lar e seu alvo original. Não se sabe com certeza por que Jacó armou as tendas para seu gado, o que sem dúvida era algo incomum. Talvez quisesse protegê-los, de animais predadores ou do mau tempo.

    O Targum de Jerusalém diz que ele ficou ali por um ano; e Jarchi fala em dezoito meses. Mas ambas as informações são meras conjecturas.

    33.18 Chegou Jacó são e salvo à cidade de Siquém. Algumas traduções falam aqui em “Salém, uma cidade de Siquém”. Mas a tradução correta é aquela que temos em nossa versão portuguesa. Aquelas traduções seguem a Septuaginta, a versão Siríaca Peshitta e a Vulgata. Se houve mesmo uma cidade chamada “Salém”, então ela perdeu-se totalmente para nós, e nenhuma informação existe.

    Siquém. Era uma cidade que Hamor tinha construído, chamando-a pelo nome de seu filho. Trata-se da mesma Sicar de Jo 4.5. Jacó precisou atravessar o Jordão para chegar ao lugar, embora o texto não mencione o fato. O lugar ficava perto de Samaria. A palavra “Siquém” significa ombro. Não se sabe por que Hamor deu tal nome a um de seus filhos. Há informações sobre esse nome e sobre sua família em Gn 34; Js 24.32 e Jz 9.28. A cidade ficava a cerca de trinta e dois quilômetros do rio Jordão, na terra de Canaã.

    Jacó, a caminho de casa, foi conservado em segurança. Ele passou por Siquém (talvez tendo ficado ali por alguns anos), durante os quais Diná cresceu e se tornou donzela casadoura (Gn 34). Ele havia descido de Padã-Arã (Gn 25.20), lugar da residência de Labão. Tinha feito uma viagem de cerca de setecentos e cinquenta quilômetros, e agora estava bem perto de casa. Mas antes de chegar, teria de passar pela mui desagradável experiência que envolveu a filha de Lia, Diná, única filha de Jacó mencionada em todo o Antigo Testamento. O relato figura no capítulo trinta e quatro do Gênesis. O incidente maculou tremendamente uma viagem que em tudo mais foi excelente, cheia de segurança e de alegria.

    33.19 A parte do campo. . . ele a comprou. A exemplo do que Abraão tinha feito (que comprara o campo de Macpela), um incidente narrado com detalhes no capítulo vinte e três. Foi em Macpela que Sara e outros membros da família patriarcal foram sepultados. E o terreno agora comprado por Jacó tornou-se o lugar de sepultamento de José (Js 24.32). A compra feita por Jacó teve lugar cem anos após a compra feita por Abraão. Abraão tinha comprado seu terreno dos filhos de Hete ou hititas, e Jacó, dos filhos de Hamor.

    Por cem peças de dinheiro. Não devemos pensar em moedas, uma inven­ção posterior, mas em um peso. Não há como traduzir o valor para termos moder­nos. O termo hebraico aqui usado é qesitah, talvez, fosse um lingote de prata com valor suficiente para comprar um cordeiro. Os amigos de Jó, quando ele se recuperou, deram-lhe cada qual uma quesita e um anel de ouro (Jó 42.11). Alguns intérpretes judeus supunham que Jacó tenha pago o terreno com cem cordeiros, embora não haja respaldo bíblico para isso. Estêvão (At 7.16) menciona o dinheiro dessa transação. Curiosamente, no livro de Atos, Abraão aparece como quem comprou esse terreno.

    Hamor. Ver Gn 34.2.

    33.20 Levantou ali um altar. Apesar de suas boas qualidades, não se lê que Esaú tenha edificado algum altar. Abraão era um homem que levantava altares; e Jacó lhe seguia de perto as pisadas. Ver Gn 12.7; 13.4,18; 22.9; 26.25; 33.20; 35.1,3,7. O indivíduo voltado para as coisas materiais, ou mesmo o indivíduo bom que se satisfaz com sua vida comum, negligencia o lado espiritual de sua vida. Jacó, tal como seu avô, Abraão, distinguia-se por seu interesse espiritual e por suas expe­riências místicas. Ele havia erigido um altar em Betel, após sua profunda experiência espiritual naquele lugar. Ver Gn 28.18 ss.

    Deus, o Deus de Israel. No hebraico, El-Elohe-Israel. Isso antecedeu ao estabelecimento da confederação das doze tribos de Israel em Siquém, quando El (o nome semítico para Deus) foi substituído por Yahweh, o Deus de Israel (Js 20). Portanto, o Yahwismo estava em pleno desenvolvimento, e formava-se uma fé distintiva dos hebreus, o que é parcialmente indicado pelo uso de vários nomes divinos.

    A Permanência de Jacó em Siquém. Uma leitura casual do texto parece indicar que Jacó ficou em Siquém somente por uns poucos meses, mas, visto que Diná cresceu ali até chegar à idade própria de casar-se, devemos pensar antes em termos de alguns anos.

    Diná é Seduzida com Graves Consequências (34.1-31)

    Diante de nós temos uma história de culpa e de insensatez. A culpa foi de Siquém, filho de Hamor; a insensatez foi de dois dos filhos de Jacó, que preferi­ram o homicídio ao casamento. Esta turbulenta história é uma daquelas estranhas mesclas de bem e de mal. Há muita comoção na violação de uma garota; e também há terror, assassínio e violência. Essa é a vida “crua”, que a Bíblia nunca esconde de nós. Siquém cometeu um grande mal, mas procurou corrigir seu ato mediante o amor e o casamento. Mas a ira de dois dos irmãos de Diná transfor­mou uma tragédia em uma tragédia maior ainda. As teias do pecado apanharam todos eles, causando desgraças para todos os lados. Temos nisso uma triste lição acerca do poder do pecado, o qual tratamos com tanta negligência. Dificilmente pecamos sozinhos. De alguma maneira, outras pessoas são envolvidas em nos­sos pecados ou em seus resultados. Duas tribos sofreram nessa oportunidade, porque um jovem permitiu-se ser arrebatado por suas paixões. A vida humana diária é repleta de paixões que avassalam, e a destruição torna-se descontrolada.

    Havia fortes sentimentos contra casamentos com os cananeus, o que é ilus­trado no capítulo vinte e quatro do Gênesis, onde o servo de Abraão viajou por cerca de mil e quinhentos quilômetros (ida e volta), a fim de buscar uma noiva para Isaque. Outro tanto sucedeu a Jacó, o qual foi até Padã-Arã (por ordem de sua mãe, Rebeca), a fim de obter uma noiva dentre a família de Labão (Gn 29). Assim, se os irmãos de Diná continuaram com o espírito de Abraão acerca dessa questão (também ficaram indignados diante da violação de Diná), parece que o problema poderia ter sido solucionado sem a necessidade de apelar para o homicídio. Até Jacó ficou profundamente perturbado diante da “solução” violenta de Simeão e Levi (vs. 30).

    A Amarga Colheita. “Jacó estava colhendo o que tinha plantado em seus anos maus (Gl 6.7,8)” (Scofield Reference Bible, in loc.).

    34.1 Diná. Ela era a única filha de Jacó (por meio de Lia), de que se tem notícia na Bíblia. Sendo filha única, sem dúvida era muito amada por seu pai, por sua mãe e por seus irmãos. E esse sentimento sem dúvida foi um dos ingredientes na violência que resultou do defloramento da jovem.

    Talvez Jacó e sua família já estivessem agora em Siquém por cerca de oito anos, conforme pensam alguns eruditos. Pelo menos Diná havia chegado à idade de casar-se, estando talvez com catorze anos.

    Uma Visita Amigável. Diná saíra para visitar amigas. Foi um ato inocente. Os intérpretes imaginam daí mil coisas. Alguns chegam a objetar à visita, pensando que a família de Jacó deveria tê-la guardado melhor. Mas o registro do Gênesis mostra-nos que Abraão mantivera relacionamento amistoso com aqueles vizi­nhos, não havendo indicação alguma de que os patriarcas se separavam de seus vizinhos, exceto no tocante à questão do casamento. Alguns intérpretes (como Josefo) supõem que Diná tenha ido a uma festa dos cananeus, embora o texto faça silêncio a esse respeito. O Targum de Jonathan diz que ela estava curiosa para saber que tipos de vestes e de costumes as mulheres das circunvizinhanças usavam. Aben Ezra ajunta que ela foi sem o consentimento de seus pais, embora tais detalhes sejam meras conjecturas.

    34.2 Siquém, filho do heveu Hamor. Não dispomos de informes sobre esse homem, exceto o que podemos depreender do texto sagrado, embora as tradi­ções adicionem detalhes duvidosos. Ele era “filho de Hamor, o heveu que desvirginou Diná, filha de Jacó e Lia, e foi morto por Simeão e Levi” (Gn 34; Js 24.32; Jz 9.28). Siquém viveu por volta de 1730 A. C. Hamor era um príncipe, portanto temos aqui o filho de um príncipe que se aproveitou de uma menina inocente, um ato de violência e sensualidade pelo qual ele precisou pagar muito caro. Seu pai era um chefe, e por isso Siquém pensava que poderia fazer o que bem entendesse, com impunidade.

    Hamor. No hebraico, asno. Esse era o nome de um príncipe de Siquém, pai do jovem Siquém (nome que, de acordo com Josefo, significa rei). Siquém desvirginou Diná. Ela era a filha única de Jacó (Gn 34.2). Desse homem, Jacó tinha comprado um campo (Gn 33.19), que posteriormente serviu de lugar do sepultamento de José (Js 24.32). Atos 7.16 diz que a compra foi feita por Abraão. Hamor era um heveu. O povo assim chama­do descendia de Canaã, constituindo uma das várias populações que ocupavam o território de Canaã. Não temos nenhuma outra informação sobre Hamor além do que este texto nos sugere, exceto alguns poucos detalhes tradicionais duvidosos.

    Humilhação e aflição era uma descrição judaica comum para a violação sexual de uma mulher.

    34.3 Sua alma se apegou a Diná. Não foi alguma paixão trivial. Siquém fez algo que não devia, mas quis corrigir o seu erro. Esse será sempre um sinal autêntico de arrependimento, requerido sempre que possível. Siquém quis reparar seu ato errado mediante casamento. Ele estava apaixonado por Diná. Sua alma se tinha apegado a ela. Tinha errado gravemente, mas agora queria reparar o seu erro. Implorou que seu pai conseguisse Diná como sua esposa. Procurou corrigir seu erro falando ternamente com ela, na esperança de eliminar a desgraça dela e obter o seu amor. Ele tinha usado a força, mas agora tentava obter amor.

    34.4 Um Pedido Especial. Siquém não estava apenas tentando melhorar uma situação errada, nem fingia amar a jovem Diná. Seus sentimentos eram tão pro­fundos por Diná como os de Jacó por Raquel. Poderia ser outra grande história de amor, mas o pecado havia estragado tudo de forma irreparável.

    “Siquém, como fazem muitos homens em qualquer tempo, havia cometido uma grande maldade, não de forma deliberada, mas através de um im­pulso súbito e da falta de autocontrole, que podem transformar um homem em um desvairado moral” (Walter Russell Bowie, in loc.). Conheci o filho de um pastor que, em uma súbita paixão, violentou uma mulher em um hospi­tal, onde ele trabalhava. Em resultado de seu ato tresloucado, passou vári­os anos em uma prisão, enquanto seus familiares agonizavam por causa da questão.

    O versículo vinte e seis deste capítulo indica que houve algum progresso nas negociações, parecendo que ia haver casamento. Diná chegou a ficar na casa de Hamor, não se sabe dizer por quanto tempo.

    34.5 Quando soube Jacó. De coração confrangido, ele ouviu a notícia estarrecedora. E então transmitiu a péssima notícia a seus filhos. Naquele mo­mento, Siquém era um homem morto, para todos os efeitos práticos.

    Jacó poderia tentar vingar-se ou poderia mostrar-se moderado. Mas ele não era adversário à altura para os heveus. Aos irmãos de Diná caberia o dever de efetuar a vingança. Pacientemente, Jacó suportou sozinho toda a dor, sem acusar Lia por haver permitido que sua filha andasse à vontade pela vizinhança, e sem se deixar arrebatar pela ira.

    34.6 Hamor. Ver sobre esse homem em Gn 34.2. Na qualidade de pai de Siquém, ele tomou sobre si o dever de tentar acalmar as coisas, buscando conseguir Diná como esposa para seu filho. E tentou arranjar o casamento com Jacó, pai de Diná, conforme era costumeiro. E Hamor tomou a iniciativa, atenden­do ao pedido de seu filho (vs. 4).

    34.7 A Ira dos Filhos de Jacó. O costume dizia que os irmãos de uma jovem violentada deveriam vingar-se por ela; e agora eles ansiavam por cumprir o seu papel. Estavam revoltados e consternados, uma combinação de emoções que facilmente desandaria em violência.

    Siquém praticara um desatino em Israel. Uma expressão muito usada no Antigo Testamento para indicar pecados de natureza sexual. Ver Dt 22.21; Jz 19.23,24; 20.6,10; II Sm 13.12,13; Jr 29.23. A expressão é usada em Js 7.15 para aludir à impiedade de Acã, ao ficar com certos objetos, por ocasião da captura de Jericó, contra uma estrita proibição divina.

    Em Israel. O pessoal de Jacó, assim chamado, porque estes registros foram compilados quando Israel já era uma nação, e esse vocábulo foi aqui inserido como um anacronismo. Quanto tempo depois que Israel se tornara uma nação, não se sabe dizer. Os eruditos liberais escolhem uma data posterior, de acordo com a teoria das fontes múltiplas do Pentateuco, chamada J.E.D.P.(S.).

    O que se não devia fazer. De acordo com qualquer julgamento da razão, da moralidade ou da civilidade, Siquém havia praticado algo grosseiro e cruel.

    ‘Tolo é aquele que se recusa a reconhecer suas obrigações para com a comunidade à qual pertence. A insensatez, ato de um insensato, por conseguinte, é um ato criminosamente irresponsável, que contribui para a desintegração social e individual” (Cuthbert A. Simpson, in loc.).

    34.8 A alma de meu filho… está enamorada. Portanto, que Siquém e Diná se casassem, e todos ficassem em paz. Essa foi a mensagem simples e direta de Hamor. Mas havia obstáculos que ele não antecipara, sobretudo que o mal tinha de ser punido. Ademais, a família de Jacó não se casava com os cananeus, e essa atitude dificilmente se modificaria. Hamor tentou simplificar um problema complexo. Alguns problemas não têm solução fácil.

    Peço-vos. Estão aqui em foco Jacó e seus filhos. Na antiguidade, os casa­mentos eram contratados entre os chefes das famílias, o que já vimos em Gn 24.50,51,55,59.

    34.9 Aparentai-vos conosco. Hamor pensava que era boa a ideia de casamen­tos entre os filhos de Israel e os cananeus. Ele estava propondo uma mescla de tribos, e não somente um casamento. Este seria apenas um começo. Haveria então uma cooperação de recursos, de natureza social e comercial, e todos se beneficiariam daí. Ele estava simplificando um problema complexo. Em primeiro lugar, deveria haver vingança pelo erro cometido; em segundo lugar, a família de Jacó, desde duas gerações atrás, não se casava com cananeus. Quando Esaú fizera isso, caíra em desfavor. Gn 26.34,35. Abraão fizera um grande esforço para evitar que Isaque se casasse com alguma donzela das tribos locais (Gn 24.3,4), e Jacó e Raquel e Lia tinham seguido esse exemplo (Gn 28.1 ss.). Posteriormente, tentando corrigir seu erro, Esaú casou-se com uma neta de Abraão, uma filha de Ismael.

    Essa forma de exclusivismo passou para o povo de Israel, quando este se organizou como nação, ainda que a regra tenha sido violada por muitas vezes. Isso também tornou-se parte da lei de Moisés (Dt 7.3). No cristianismo prosse­gue o princípio, embora não sobre bases raciais. Deve haver compatibilidade espiritual entre os crentes (II Co 6.14 ss.). Antigas distinções raciais e nacionais foram obliteradas no cristianismo (Gl 3.28,29).

    Filha Única. Por essa altura, Diná era filha única de Israel (Jacó). E teria sido um mau precedente se essa única filha se tornasse esposa de um cananeu.

    34.10 Paz e Comércio. Quando duas tribos habitam um mesmo território mas se hostilizam, os negócios e a prosperidade não somente empacam, como até são destruídos. A paz produz a prosperidade, pois as energias vitais de uma pessoa não são dilapidadas em atos violentos. Hamor sabia do que estava falando. A história das tribos daquela região era continuamente coalhada por sangue e vio­lência. O vs. 23 mostra uma certa duplicidade. Hamor estava querendo vantagens para si mesmo e para sua gente, e não apenas um benefício mútuo para cananeus e israelitas. Ou, então, falou como falou a fim de garantir um acordo, na esperan­ça de que ele redundasse em benefício mútuo, por fim.

    Fim do Nomadismo. A família de Abraão seguia um regime de seminomadismo. O oferecimento de Hamor permitiria uma maneira de vida estável, voltada para a agricultura, as artes e as ciências. Eles seriam donos de propriedades, e não apenas criadores de gado, sempre vagueando. O esforço por obter uma propriedade sempre foi um dos principais motivos da vida humana. O fato de que a maioria dos homens nunca é capaz de prover casa própria para seus familiares (ou que precisam trabalhar por trinta anos para conseguirem essa provisão) demonstra a pobreza em que se debate a raça humana. As propostas de Hamor eram aparentemente honrosas, sábias e generosas. Ele estava oferecendo uma boa barganha, que operaria mediante casa­mentos mistos; mas também estava querendo simplificar um problema muito complexo.

    34.11 E o próprio Siquém disse. Portanto, o próprio Siquém fez adições ao que seu pai já havia proposto. Seu pai havia prometido muita coisa. Agora o próprio Siquém fez sugestões, aproveitando o ensejo para falar com Jacó e seus filhos. Ele compraria Diná por meio de um vultoso dote, tal como Jacó havia feito, porquanto havia trabalhado por catorze anos a fim de adquirir Lia e Raquel (Gn 29.20,27; 31.15). As atitudes de Siquém demonstraram o quanto ele amava Diná. Ele não estava negando coisa alguma.

    34.12 Majorai de muito o dote. No hebraico, dote é mohar. Esse era o preço pago por uma noiva aos seus pais. Outros parentes da noiva também podiam esperar ganhar alguma coisa (Gn 24.53). Além disso, era usual que o noivo desse um ou mais presentes (no hebraico, matthan) à noiva. E, em outras ocasiões, o dote era dado inteiramente à noiva. Esse dote podia ser pago sob a forma de trabalho, o que ficou demonstrado no caso de Jacó.

    A questão da sedução de donzelas foi regulamentada sob a legislação mosaica. Ver Êx 22.16,17.

    34.13 Responderam com dolo. Concordaram dos lábios para fora, mas em seu coração eles já haviam planejado o assassinato em massa. Esse plano estava baseado na ira e no desgosto, diante do estupro de Diná. A maioria dos homens de pouco precisa para sentir-se inspirada a enganar ao próximo. Basta um pouco de vantagem própria. As palavras “com dolo”, aqui usadas foram traduzidas por com sabedoria, por Onkelos, Jonathan e Jarchi, mas isso é uma distorção do texto sagrado.

    34.14 A Circuncisão é Exigida. Esse era o sinal externo do Pacto Abraâmico (ver Gn 17.10)

    Isso nos seria ignomínia. Não ter sido circuncidado era não fazer parte do Pacto Abraâmico, e era desobedecer à aliança que Deus fizera com Abraão sobre essa questão. Nisso os filhos de Abraão estavam com a razão. “Mas fazer desse princípio santo uma capa para seus propósitos dolosos e assassinos era o cúmulo da iniquidade” (Adam Clarke, in Ioc.).

    34.15 Circuncidando-se todo macho entre vós. Essa foi a condição imposta pelos filhos de Jacó aos homens da tribo de Hamor. Isso não lhes conferiria a fé de Abraão, mas removeria deles o estigma da incircuncisão. Mas talvez, na mente dos filhos de Jacó, isso nada lhes conferiria, pois, desde o começo, a questão inteira era um artifício.

    34.16 Seremos um só povo. Os casamentos mistos, depois de algum tempo, criariam um único povo. Todavia, a última coisa que os filhos de Jacó queriam era ser um só povo com os cananeus. Os filhos de Jacó falavam em tom razoável (vs. 18), mas a violência ocultava-se por trás de palavras agradáveis. Somente em Cristo é que todas as nações tomam-se uma só (Gl 3.28,29). O rito da circunci­são não pode fazer isso, nem casamentos mistos. Para que dois sejam um, é mister que haja unidade de alma, e não só de condições externas. Podemos entender, todavia, que os filhos de Jacó queriam dizer que, mediante a circunci­são, os cananeus tornar-se-iam religiosamente orientados, o que os prepararia para aceitar as doutrinas e as práticas de Abraão, mas o próprio texto não aponta para nenhuma revolução dessa natureza. Mas para que entrar em detalhes sobre um plano ardiloso, que visava a enganar?

    34.17 E nos retiraremos embora. “Se vocês não concordarem, partiremos daqui”, ameaçaram eles. A ameaça era somente levar Diná dali; mas isso constituía uma grande ameaça, por causa do grande amor de Siquém por ela. O vs. 26 mostra-nos que Diná estava na casa de Siquém. Por que ela não havia retomado, não é explicado. É difícil crer que ela tivesse ficado ali retida à força. Talvez ela tivesse concordado em casar-se com Siquém, dependendo de negociações com seu pai, pelo que estava hospedada na casa de seu futuro sogro, até que as negociações tivessem sido concluídas.

    “E retiraremos nossa filha à força.” Esse é o fraseado do Targum de Jonathan, o que talvez indique que Diná estava sendo retida na casa de Hamor contra a sua vontade.

    34.18 Tais palavras agradaram. Hamor e Siquém não fizeram exigências descabi­das, mas somente aquilo que contribuía para seu próprio interesse, não impondo condições impossíveis ou mesmo difíceis de cumprir.

    E provável que o rito da circuncisão não fosse desconhecido à tribo de Hamor, e que até fosse encarado de modo favorável, embora não praticado por eles. Pelo menos, eles não se ofenderam nem sentiram repugnância. A circuncisão era prati­cada por muitos povos antigos.

    34.19 Não tardou o jovem. Siquém não perdeu tempo. Mais tarde haveria necessi­dade de a tribo inteira concordar em receber o rito. Isso seria conseguido median­te um apelo indireto à cobiça deles (vs. 2), o que pode ter sido dito com seriedade ou não. Mas tudo não passava de outro ardil.

    Era o mais honrado. Em um momento de desvario, ele havia desvirginado Diná. Mas fora de certos impulsos desastrosos, ele era, normalmente, o mais honrado elemento da tribo de seu pai. Portanto, ele cumpriu prontamente a parte que lhe cabia, começando a corrigir o erro para poder casar-se com Diná, por causa do grande amor que lhe votava.

    34.20 À porta da sua cidade. Hamor e Siquém reuniram os anciãos da cidade a fim de discutir sobre a questão, exortando outros a concordar com o trato que tinham acabado de firmar com Jacó. Quanto a consultas e a negócios efetuados na porta de uma cidade, ver Gn 19.1 e 23.10. Ver também II Sm 15.2; Ne 8.1; Sl 69.12.

    À porta. “Era ali que se efetuavam os tribunais de julgamento, bem como se resolviam todas as questões públicas acerca do interesse comum dos habitantes da cidade” (John Gill, in Ioc.).

    34.21 Estes homens são pacíficos. Até ali, Jacó com seus familiares e os habi­tantes da região tinham sido bons vizinhos. Eram criadores de gado, seminôma­des, e não guerreiros. Coisa alguma tinham jamais furtado, nem provocado con­tenção alguma. Isso os recomendava para que se fizesse com eles um pacto de amizade e casamentos mistos, a fim de que os dois povos, os heveus e Israel (este ainda em formação), pudessem tornar-se um só povo. O território era espa­çoso o bastante para ambos, fazendo contraste com o caso de Abraão e Ló, que precisaram separar-se (Gn 13.8 ss.), e também em contraste com a situação que, ainda recentemente, surgira entre Jacó e Esaú (Gn 36.7 ss.).

    A Troca de Filhas. Ver os vs. 9 e 16 deste capítulo, quanto à questão dos casamentos mistos, que inclui a relutância dos membros da família de Abraão em misturar-se por casamento com as tribos cananeias, que viviam à sua volta. Nem os heveus nem a família de Jacó eram numerosas na época, e, conforme parecia a Hamor e a Siquém, seria benéfico para ambos os grupos que eles fortalecessem seus recursos humanos e materiais.

    34.22 Consentirão os homens em habitar conosco. Mas o acordo dependia da circuncisão dos homens heveus, sinal do Pacto Abraâmico. Pode-se presumir (embora o próprio texto sagrado nada diga a esse respeito) que os heveus have­riam de seguir a nova fé, que se estava desenvolvendo no Yahwismo. Ver os vss. 14 e 15 quanto a essa condição, que foi proposta de modo ardiloso. O assassina­to em massa estava no coração dos filhos de Jacó, e não as ideias de incorpora­ção e de unificação.

    34.23 Seus animais não serão nossos? Os heveus estabeleceriam com os filhos de Israel uma aliança e, sendo mais numerosos que eles, haveriam de absorvê-los, incorporando Jacó e sua família. Desse modo, eles se tornariam heveus, e não israelitas. Assim, a barganha, que começara como estrada de duas mãos, terminaria favorável a eles. Este versículo mostra-nos que os heveus também estavam promovendo uma armadilha, tal como o tinham feito os filhos de Jacó, embora segundo um método pacífico, e não violento. Alguns eruditos, porém, pensam que essa declaração servia apenas de isca, para obter a cooperação de toda a comunidade dos heveus, não envolvendo nenhuma proposta séria de incorporação e dominação. Não há como saber o que eles, realmente, pretendi­am. Mas se este versículo não contém um ardil, então as ideias do vs. 21 são aqui contraditas.

    Consintamos. Com a dupla finalidade de manter a paz e de agradar o jovem Siquém, o mais honrado dentre os heveus, ao qual todos os heveus respeitavam (vs. 19).

    34.24 Houve Cooperação Geral. Todos os varões foram circuncidados, sem nenhu­ma exceção. O poder dos chefes asiáticos era quase absoluto, e os povos da região estavam acostumados a prestar obediência passiva. Além disso, haviam sido apresentados argumentos convincentes, e todos queriam honrar Siquém. Ninguém entre os heveus haveria de desapontá-lo.

    34.25 E mataram os homens todos. Foi uma matança completa. Lemos que so­mente Simeão e Levi estiveram ocupados nessa tarefa sangrenta. Isso indica que os heveus não eram numerosos. Os homicídios foram cometidos quando os súditos de Hamor mais estavam sofrendo. Portanto, o ardil foi seguido por traição. Muitos estudiosos pensam que só Simeão e Levi são mencionados por terem agido como líderes na matança, e não porque somente eles usaram da espada. Essa ideia é razoável, embora o texto sacro não explicite isso. Simeão, Levi e Diná tinham a mesma mãe (Lia); e foram eles dois, naturalmente, que assumiram a liderança no massacre. Rúben, que também era irmão de Diná, opunha-se ao derramamento de sangue (Gn 37.22), e provavelmente por isso mesmo não participou do morticínio. Em uma ocasião posterior, Jacó manifestou-se sobre o que acontecera naquele dia, em termos da mais decisiva desaprovação (Gn 49.5-7).

    “Ainda que a provocação tenha sido muito grave (e sem dúvida assim foi), esse foi um ato sem paralelo de traição e de crueldade” (Adam Clarke, in loc.).

    Josefo retrata os heveus como quem não só estava sofrendo por causa da recente operação da circuncisão, mas também como quem sofria devido às suas muitas festas e pesada ingestão de vinho. Nesse caso, mostraram-se vítimas fáceis.

    “Assim, Siquém havia praticado um desvario, e tornara-se culpado do fato. Merecia ser castigado, e os filhos de Jacó estavam resolvidos a ser os agentes castigadores. Mas o que fizeram foi pior do que a ofensa original, mais cruel, mais odioso e mais arruinador. Seus detalhes feios ficaram registrados no relato bíbli­co, incluindo as palavras de ludibrio calculado, e então a traição, e, finalmente, a matança sem dó” (Walter Russell Bowie, in loc.).

    Simeão e Levi mostraram como homens carnais costumam defender o seu alegado direito de maneiras violentas e destrutivas, e também como homens radicais pretendem defender Deus e a verdade usando métodos irracionais e pecaminosos. Esses homens, estribando-se em uma alegada superioridade espi­ritual, golpeiam e queimam outros seres humanos.

    34.26

    Os Alvos Centrais da Violência. Siquém merecia ser punido. Mas que dizer sobre o pai dele? E mereceria ele esse tipo de punição? O texto bíblico não esclarece por que Diná continuava na casa de Siquém. Também não há nenhum indício de que estivesse sendo forçada a isso. Talvez ela continuasse ali, espe­rando pelo resultado das negociações. Talvez estivesse envergonhada e temero­sa de voltar à casa paterna. Ou, então, fora até ali, após ter sido feito o acordo em torno da circuncisão dos homens heveus.

    “Siquém era o principal ofensor, e seu crime fora hediondo. Mas considerando que, em seguida, fez o quanto pôde para corrigir seu erro e para recompensar pela injúria causada, ele merecia outro tratamento; pelo menos, deveria ter-lhe sido de­monstrada misericórdia” (John Gill, in loc.). Hamor talvez se tenha mostrado por demais indulgente com seu filho, mas dificilmente o ato era passível de morte.

    34.27 Os filhos de Jacó. Talvez isso aponte para todos os filhos de Jacó que tinham idade suficiente. Nem todos participaram do homicídio, mas todos partici­param do saque.

    Saquearam a cidade. A mente criminosa geralmente ofende de três manei­ras: a. ela atenta contra a integridade física de outra pessoa; b. rouba; e c. o que não consegue roubar, destrói insensatamente. Simeão e Levi agiram como crimi­nosos comuns. O saque sempre foi um corolário da guerra. Neste caso, fez parte da vingança. O autor sacro precisou de três versículos (vss. 27-29) para narrar os horrendos detalhes dos atos covardes e criminosos dos dois irmãos. E eles haveriam de tornar-se patriarcas de Israel!

    Aos mortos. Somente um deles, Siquém, tinha cometido o crime de estupro, mas todos os heveus, indistintamente, foram considerados culpados pelos filhos de Jacó.

    34.28 Levaram Tudo. A pilhagem foi completa. Moisés enumerou as várias coisas que eram tidas como valiosas, ou seja, as riquezas dos antigos, que se compu­nham principalmente de animais, vestes, terras, metais preciosos, vinhas e outras plantações. O que pôde ser levado, os filhos de Jacó levaram. Provavelmente também confiscaram suas terras, plantações e vinhas. O vs. 29 diz, “todos os seus bens”.

    34.29

    O Terror. Não somente apossaram-se de todos os bens” dos heveus, mas também levaram suas mulheres e suas crianças, e “limparam” as suas casas. O autor sagrado retratou os feios detalhes desse ato condenável em que se envol­veram os patriarcas de Israel!

    “Assim como Jacó desaprovou os atos injustos, cruéis, sanguinolentos e pérfidos de seus filhos, assim também, sem dúvida, deixou os cativos em liberda­de, devolvendo-lhes seu gado e seus bens” (John Gill, in loc., que assim expres­sou uma nobre esperança, da qual o texto sagrado nada fala).

    34.30 Jacó sob Suspeita. Quem confiaria nele de novo? Quem haveria de que­rer residir perto dele novamente? As pessoas nunca parariam de falar sobre Jacó e seus filhos traiçoeiros. Outros haveriam de querer tirar vingança. Jacó ver-se-ia apertado por todos os lados. Seus filhos haviam reagido exageradamente, para dizer o mínimo. E outros haveriam de reagir com exa­gero e em termos iguais.

    “…por causa de sua ira desenfreada, eles [Simeão e Levi] haveriam, mais tarde, de ser deixados para trás, na bênção de Jacó (Gn 49.5-7)” (Allen P. Ross, in loc.).

    Declarou Jacó: “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura”. (Gn 49.7)

    Esses filhos de Jacó e seus descendentes, ao que parece, continuaram com seus atos violentos. O incidente que envolveu Siquém não foi um ato isolado. Jacó avaliou corretamente os seus atos, e corretamente falou contra eles, negan­do-lhes a sua bênção maior.

    “Aquele ato de violência, que ameaçou as boas relações entre a família de Jacó e os cananeus, reflete eventos que forçaram Simeão e Levi a abandonar a área, e que levaram ao seu declínio em poder (Gn 49.5-7) (Notas da Oxford Annotated Bible, in loc.)”.

    34.31

    Responderam. Os filhos de Jacó tinham um motivo justo para tirarem vin­gança. Mas não para aquela vingança que tinham efetuado.

    Prostituta. Essa é a primeira menção à palavra, na Bíblia. Não há que duvidar de que a prostituição é uma das mais antigas profissões humanas, exce­tuando talvez a agricultura. O termo hebraico zonah indica uma mulher que se prostitui por dinheiro ou por alguma vantagem material. O trecho de Pv 7.10 ss. adverte contra esse mal. Diná era uma donzela inocente, e não deveria ter sido tratada como uma mulher de má vida. Talvez, conforme têm pensado alguns intérpretes judeus, ela tivesse ido a uma festividade pagã, estando deslocada de seu lugar apropriado. Ou, então, conforme têm pensado alguns escritores, Jacó e Lia não deveriam tê-la autorizado a ir. Fosse como fosse, ela não merecia o tratamento que recebeu da parte de Siquém. Ainda assim, a vingança praticada por seus irmãos foi diabólica e não há argumento que a possa justificar.

    Bibliografia R. N. Champlin

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