Autor: Eduardo Melo

  • Lição 4 – Abraão – O amigo de Deus

    Todo ser humano possui aspirações. Uns almejam a fortuna, outros a fama, outros o poder, outros paz, outros uma bela família, e assim por diante.

    Estou plena e completamente convencido de que a maior aspiração que um ser humano pode ter nesta existência é a amizade do próprio Deus, e assim como Abraão, poder chamar Deus de amigo e ser por Deus assim também chamado. Digam-me o céu e a terra se pode haver aspiração mais empolgante, magnífica e grandiosa do que esta? Ser amigo íntimo do Criador!

    Estamos aqui falando de um mistério, de um assunto acessível somente aos que a Bíblia chama de crentes, justos e fiéis. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

    Deus nos chama em Cristo para dele nos tornarmos filhos pela fé no Evangelho do Filho, pelo novo nascimento, pela operação do Espírito Santo. E sabemos que em uma grande casa, há filhos mais chegados aos pais, assim como há outros menos chegados, menos íntimos. Estamos aqui nos referindo à santa intimidade de Deus. Examinemos, pois, dois trechos das Escrituras, os quais, para os sem entendimento aparenta ser contraditório, todavia nenhuma contradição há entre eles, muito pelo contrário, mas sim doce, bela e magnífica harmonia.

    “Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.” Romanos 4:1-5

    Antes de passarmos ao segundo trecho bíblico que mencionei, citarei outro que corrobora o que acima está escrito:

    “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” Romanos 3:28

    Agora o segundo trecho bíblico, o que para alguns pode aparentar apresentar alguma contradição com os dois trechos bíblicos acima citados:

    “Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus. Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente.” Tiago 2:21-24

    Não somente não há contradição alguma entre estes trechos bíblicos assim como são estes mesmos trechos bíblicos que nos ensinam como nos tornarmos amigos íntimos de Deus, ou seja, sermos seus amigos.

    O Caso de Abraão

    Abraão era um homem temente a Deus, e diante do Senhor se expunha e externava sua tristeza por não ter um filho e ,consequentemente, não poder deixar descendência.

    “Depois destes acontecimentos, veio a palavra do SENHOR a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. Respondeu Abrão: SENHOR Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro. A isto respondeu logo o SENHOR, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça.” Gênesis 15:1-6

    “Visitou o SENHOR a Sara, como lhe dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome de Isaque.” Gênesis 21:1-3

    Certamente Abraão se alegrou muitíssimo com o fato de o Senhor lhe ter concedido um filho, assim como havia prometido, Isaque, e este era seu único filho. Algum tempo se passou e algo surpreendente acontece, Deus pede que Abraão mate seu único filho que Deus lhe dera, que o ofereça como holocauso ao Senhor.

    “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.” Gênesis 22:1,2

    Imaginemo-nos nos lugar de Abraão. Somente aos cem anos de idade foi que Deus lhe concedeu um único filho e a quem Abraão tanto amava. Era a sua grande alegria, uma indescritível motivação para viver, e é justamente a ele, a Isaque, que o Senhor Deus requereu que Abraão matasse, oferecendo-o ao Senhor em holocauso.

    Diante disso, Abraão bem que poderia ter dito a Deus algo mais ou menos assim: “O que?! Mas que história é essa?! Então eu passo cem anos aguardando por um filho, o Senhor me dá esse filho, eu com ele me alegro, e agora o Senhor requer de mim que eu o mate, oferecendo-te meu único filho em holocausto?! Nunca! Jamais farei tal coisa! Isto é um absurdo, uma crueldade!”

    Porém, diz a Escritura:

    “Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós. Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos.” Gênesis 22:3-6

    Abraão não discutiu com Deus, não questionou o Senhor, por mais terrível que fosse a tal prova com a qual Deus estava provando a fé de Abraão. Abraão obedeceu o Senhor.

    “Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho. Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar—O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá. Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” Gênesis 22:7-18

    A fé de Abraão foi provada, e de que maneira! Porém, o resultado final de toda essa situação foi a grande vitória de Abraão e de cuja descendência, segundo a carne, veio o Messias, Jesus Cristo, ainda que não tenha sido o Senhor Jesus gerado por gametas humanos, mas foi gerado pelo Espírito Santo, no ventre de uma virgem casada com José, o qual era da descendência de Isaque, filho de Abraão.

    Abraão foi, e é até hoje, honrado por todos os lados, todavia todas estas honras lhe sobrevieram por ter crido em Deus e por ter consumado de modo grandioso a sua fé.

    O Significado da Fé

    A fé é um dom de Deus, é um posicionamento espiritual através do qual nosso espírito e alma se alinham em harmonia, em adoração, em honra, temor, respeito e amor para com Deus. É o meio pelo qual nos relacionamos com Deus e dizemos a todos que estamos posicionados ao lado de Deus, negando e rejeitando todos os princípios de Satanás. É também o modo pelo qual proclamamos ao céu e à terra, diante de anjos e diante de homens, que Jesus Cristo é Senhor absoluto sobre nossas vidas, aceitando deste modo tudo o que o Filho nos ensina a respeito do Pai e, consequentemente, rejeitando todas as mentiras que Satanás diz a respeito de Deus.

    A fé é o meio, o único meio, a fim de que possamos escapar da ira vindoura, pois Deus, o Criador, está prester a falar ao mundo em grande ira, tomando vingança contra todas as maldades praticadas pelos filhos dos homens ao longo de toda a história. Muitos haverá que sofrerão a ira de Deus ainda neste mundo, e por fim, serão lançados no inferno eterno, onde, segundo nos diz o Senhor:

    “Ali haverá choro e ranger de dentes.” Mateus 13:42

    Mas aos que são da fé, sobre estes diz a Escritura:

    “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.” Hebreus 10:39

    A Fé não é Igual em Todos

    Não é verdade que o homem já nasça com fé. A fé é concedida ao homem por Deus. E um dos trechos bíblicos que evidencial isto é o seguinte:

    “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.” 2 Tessalonicenses 3:1,2

    Ora, se a fé não é de todos, como afirmam as Escrituras, como dizer que os homens nascem com fé, como afirmam alguns?

    Em suas próprias palavras, o Senhor Jesus Cristo nos mostra como há diferenças entre fé e fé. Vejamos.

    “E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.” Mateus 15: 22-28

    “E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado. Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Mateus 17:14-20

    Vemos, pois, que na primeira situação o Senhor Jesus Cristo claramente manifestou sua apreciação ao ver a grande fé daquela mulher, e o resultado disso foi que a mulher, após ter recebido do Senhor honra e aprovação lhe disse:

    “Faça-se contigo como queres” Mateus 15:28

    Diferentemente, o Senhor expressou seu desagrado diante da pequenez da fé de alguns de seus discípulos, razão pela qual exclamou:

    “Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?” Mateus 17:17

    Todavia, no mesmo trecho bíblico, o Senhor Jesus Cristo nos ensina que esta não é uma situação estanque, mas sim passível de mudança, pois ele disse, ensinando:

    “Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Mateus 17:20

    Isto nos mostra que não somente podemos, como também devemos, buscar o aprefeiçoamento da nossa fé, o que se dá através da aceitação submissa da vontade de Deus, em momento algum nos permitindo colocar em resistência diante da vontade de Deus, mas à semelhança de Abraão, darmos ao Senhor seja lá o que for que ele nos solicite. E isto quer o compreendamos ou não, pois a fé está acima da lógica, é superior à razão e por mais poderoso que seja o intelecto humano, a fé não é por ele acessível. A fé se encontra no território espiritual, nesse mesmo território onde Deus habita. A fé transcende a razão, pois é superior a ela, pois ninguém pode conhecer a Deus pela capacidade humana, mas tão somente pela fé, como está escrito:

    “Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” Mateus 16:13-17

    Agradou-se o Senhor Jesus da grande fé daquela mulher, porém se desagradou ao ver a pequenez da fé de alguns de seus discípulos, como está escrito:

    “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus.”  Hebreus 11:6

    Há, ainda, os que não possuem fé alguma, são indigentes espirituais, autênticos desgraçados, os quais permanecerão na vaidade de seus próprios pensamentos e concatenações mentais, julgando-se sábios, mas esquecendo-se de seu próprios pecados e não podendo atentar para a monstruosidade de sua incredulidade, e é sobre esses que está escrito:

    “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” Apocalipse 21:8

    Murmuração, a Contraposição à Fé

    Focando-nos nas atitudes de fé que teve Abraão diante de Deus, e por causa delas tendo sido chamado de amigo de Deus, e isto até hoje, bem podemos entender como nos tornarmos amigos de Deus também nós. Abraão obedeceu a Deus sem questioná-lo, foi-lhe submisso e temente, razão pela qual grandemente se alegrou Deus com a fé de Abraão, pois que pela fé Abraão tornou-se semelhante ao Autor e Consumador da Fé, Jesus Cristo, o qual jamais discutiu com Deus, seu Pai, nunca jamais dele discordou, mas foi obediente até à morte, e morte de cruz.

    “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” Hebreus 12:1-3

    E a respeito do Filho, do céu disse o Pai:

    “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Mateus 3:17

    O objetivo do Evangelho é a nossa salvação, e esta se dá pela fé em Jesus Cristo, na imagem de quem somos transformados, pelo Espírito Santo, mediante a fé.

    “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” 2 Coríntios 3:17-18

    Por outro lado, a incredulidade é a expressão da rejeição da verdade e da inimizade contra Deus. E Deus expressou, de modo terrível, seu descontentamento com a incredulidade dos que, a despeito de terem visto a grandeza de Deus, a ele não se renderam em submissão, mas questionaram-no, dele duvidaram e contra ele se rebelaram, razão pela qual não puderam entrar no descanso de Deus. E a manifestação maior de sua incredulidade foi a murmuração.

    “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.” Hebreus 3:12-19

    E prossegue a Escritura:

    “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.” Hebreus 4:1-3

    Estes incrédulos de quem nos fala a Escritura foram aqueles judeus que, mesmo tendo presenciado a majestade de Deus, o qual com mão poderosa os tirou da escravidão do Egito, tendo visto as maravilhas de Deus, murmuraram contra ele, manifestando sua incredulidade e rebelião, foram considerados inimigos de Deus, para sempre.

    “Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias e foram rebeldes junto ao mar, o mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder. Repreendeu o mar Vermelho, e ele secou; e fê-los passar pelos abismos, como por um deserto. Salvou-os das mãos de quem os odiava e os remiu do poder do inimigo. As águas cobriram os seus opressores; nem um deles escapou. Então, creram nas suas palavras e lhe cantaram louvor. Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma. Tiveram inveja de Moisés, no acampamento, e de Arão, o santo do SENHOR. Abriu-se a terra, e tragou a Datã, e cobriu o grupo de Abirão. Ateou-se um fogo contra o seu grupo; a chama abrasou os ímpios. Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que, no Egito, fizera coisas portentosas, maravilhas na terra de Cam, tremendos feitos no mar Vermelho. Tê-los-ia exterminado, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se houvesse interposto, impedindo que sua cólera os destruísse. Também desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra; antes, murmuraram em suas tendas e não acudiram à voz do SENHOR.” Salmos 106: 7-25

    E o que lhes sucedeu foi deixado registrado por nossa causa, para nos servir de exemplo, a nós os que, neste final dos tempos, estamos sendo chamados à amizade de Deus. Temos pois o belíssimo exemplo da fé de Abraão, amigo de Deus, e também temos o exemplo dos que murmuraram contra Deus, tendo se tornado seus inimigos, separados de Deus, para sempre.

    Vemos, pois, que a fé se expressa por obras, e a incredulidade também. E assim como os atos de obediência e de submissão de Abraão foram a expressão de sua grande fé, não tendo ele negado a Deus aquilo o que lhe era mais precioso, a saber a vida de seu próprio filho Isaque, a murmuração daqueles judeus foi a evidência de sua incredulidade. O homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei, todavia a fé de cada um de nós será posta à prova, como está escrito:

    “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. 1 Pedro 1:3-9

    Não basta crer em Deus, mas é necessário que a fé que nele depositamos seja posta à prova a fim de que possamos ser aprovados por Deus, pois a fé genuína só pode habitar em corações verdadeiramente submissos a Deus e em espíritos humildes.

    “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Mateus 5:3

    “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” Tiago 2:17-20

    “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Mateus 7:21-23

    “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” Senhor Jesus Cristo, João 15:14

    Fonte: http://intellectus-site.com/site1/artigos/Abraao-amigo-de-Deus-o-significado-da-fe.html

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  • Lição 2 – Enoque – O homem que andou com Deus

    Você está disposto a ouvir a Deus?

    No tempo de Enoque a revelação especial não era escrita, como a temos hoje na Bíblia. Deus falava diretamente, e o ensino era transmitido de pai para filho.
    Enoque, através dos seus país, recebeu o conhecimento de Deus e aprendeu a amá-lo. Transmitiu este conhecimento aos seus filhos, ensinando-os a viver piedosamente e em íntima comunhão com Deus, como ele mesmo viveu.

    Deus falava, e ainda fala, àqueles que estão dispostos a ouvir e a obedecer. Ele falou com Caim, mas ele não estava disposto a obedecer, então Deus parou de falar com ele. Deus quer falar com você, encontrará receptividade e obediência?

    Como foi nos dias de Noé

    Talvez você argumente que naquele tempo fosse mais fácil obedecer a Deus. Nada disto! Lembra-se que após alguns anos Deus enviou o dilúvio para destruir toda a raça humana? Sabe porque? Devido ao nível de perversão e depravação que os homens haviam chegado, tal a maldade, crueldade, impureza e toda sorte de corrupção e violência que cometiam.

    Foi neste ambiente que viveu Enoque, foi neste ambiente que ele criou os seus muitos filhos, manteve comunhão com Deus e fez a sua vontade.

    Fazendo a diferença

    Enoque fez diferença no meio de uma geração pervertida e má. E tanto o mundo não o mereceu que Deus decidiu levá-lo para si, sem que ele experimentasse a morte. Ele ficaria melhor juntinho do Pai celestial.

    Como precisamos de homens e mulheres que façam diferença em nossa geração como Enoque fez na sua. Homens consagrados ao Senhor, que busquem ter comunhão diária com Ele; que vivam na dependência dele. Isso certamente significará desafiar e se opor à moral, a cultura e ao espírito da nossa época.


    Neste ponto te desafio com a seguinte reflexão: A nossa geração está melhor do que a de Enoque? Certamente que não! Os dias de hoje estão muito semelhantes aos dias dele. Mas, lá havia um Enoque a ser usado, e hoje, quem Deus vai usar?

    Enoque viveu trezentos e sessenta e cinco anos antes de ser arrebatado e isso nos capacita a extrair algumas lições desta preciosa vida. Dependência de Deus

    Primeira lição: Enoque pecou? A Bíblia diz que “todos pecaram” e que “não há um justo sequer”. Certamente ele pecou. Se entendermos que ele viveu trezentos e sessenta e cinco anos, e sua vida é resumida em apenas quatro versos, percebemos que o autor identifica apenas os aspectos mais importantes da vida dele e dos demais que aparecem.

    Moisés, em apenas cinco capítulos, narra dois mil anos aproximados de história. Não dá para entrar em detalhes, entende? Somente Adão e Jesus foram perfeitos. Adão, é claro, falhou. Portanto, só Jesus foi perfeito e imaculado.
    Então, andar com Deus, fazer a vontade de Deus, agradar a Deus, não é viver sem pecar, isto seria impossível. Mas um elemento se destaca na vida de Enoque: A fé e a dependência de Deus no dia a dia, isso fez toda a diferença em relação aos demais.

    Enquanto os outros faziam a sua própria vontade, Enoque procurava ouvir a Deus e ter comunhão diária com Ele. Isto com certeza significou sacrifícios, luta contra os desejos carnais e contra as paixões que dominavam a sua época, os seus contemporâneos. Mas desta forma ele agradou a Deus.


    Fazer a vontade de Deus é ter uma vida de fé e dependência continua nele, é lutar contra os desejos e paixões carnais, esta atitude leva a pessoa a ter uma vida diferente da dos demais. Cada dia com Deus

    Segunda lição: Enoque andou com Deus, trezentos e sessenta e cinco anos. É certo que não dá para viver tanto tempo nos dias atuais não é mesmo? Mas dá para viver trezentos e sessenta e cinco dias do ano com Deus, firmes, sem vacilar. Isto é um desafio matematicamente interessante. Este é o desafio de Enoque, viver, a cada dia do ano, com Deus. Ao encontro de Deus


    Terceira lição: Somente a fé pode nos levar ao encontro de Deus. A trasladação de Enoque é uma figura do arrebatamento da Igreja de Jesus, quando ele, um dia, nos levará para si, eternamente.

    Jesus afirmou: “Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e os destruiu a todos.” (Lucas 17:26-27).


    Enoque viveu dias que antecederam ao dilúvio, portanto esta declaração se aplica aos seus dias. Jesus disse que os acontecimentos que antecederão a sua vinda seriam idênticos aos que ocorreram antes do dilúvio. E os nossos dias estão extremamente semelhantes aos de Enoque e Noé, portanto, a vinda de Cristo se aproxima, quando ele irá arrebatar e levar para si os que lhe pertencem, os que vivem uma vida de fé e fazem a sua vontade.
    Por isso, já em seu tempo, Enoque pregava com veemência: “Vede, o Senhor vem com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos.” (Judas v. 14, 15). Conclusão

    Precisamos pregar contra a impiedade e viver com Deus, pois a segunda vinda de Cristo é iminente e muitos precisam ser alcançados pela sua graça salvadora.


    Somente dois homens tiveram o privilégio de ser trasladados sem provar a morte: Enoque e Elias. Entretanto, todos podem ter o privilégio de, pela fé, se encontrarem um dia com o Senhor Jesus, isso é, todos os que fazem a vontade de Deus. Seja um destes, vivendo como um Enoque de Deus em nossa geração.

    Texto extraído e adaptado do livro “4 Homens e Um Segredo” de Jair Souza Leal. Contatos: jairsouzaleal@hotmail.com.
    Fonte: http://www.crentes.net/

    VÍDEO COMPLEMENTAR

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  • Lição 05 – Editora Betel – Jacó se casa com Raquel

     

    Texto Áureo

    “E Jacó beijou a Raquel, e levantou a sua voz e chorou”. Gn 39.11

    Verdade Aplicada

    “O casamento é uma bênção que homem e mulher rece­beram de Deus no Jardim do Éden, e deve ser constituído na vontade do Senhor”.

    Objetivos da Lição

    • Mostrar que Deus se interessa pelo relacionamento do casal;
    • Ensinar que o casamento é uma bênção divina; e
    • Demonstrar que as nossas ex­periências estão sob a direção do Espírito Santo.

    Textos de Referência

    Gn 29.20 Assim, serviu Jacó sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava.

    Gn 29.22 Então, ajuntou Labão todos os varões daquele lugar e fez um banquete.

    Gn 29.23 E aconteceu, à tarde, que tomou Léia, sua filha, e trouxe-lha. E entrou a ela.

    Gn 29.25 E aconteceu pela manhã ver que era Léia; pelo que disse a Labão: Por que me fizeste isso? Não te tenho ser­vido por Raquel? Por que, pois, me enganaste?

    Gn 29.27 Cumpre a semana desta; então te daremos tam­bém a outra, pelo serviço que ainda outros sete anos servires comigo.

    Gn 29.28 E Jacó fez assim e cumpriu a semana desta; então, lhe deu por mulher Raquel, sua filha.

     

    Os Casamentos de Jacó em Arã (Gn 29.1-30)

    Os críticos veem um entretecido de tradições neste capítulo, atribuindo os vss. 1-14 à fonte informativa J, a maior parte dos vss. 15-30, à fonte E, e os vss. 29.31-30.24, a uma mescla das fontes J e E, com vários comentários e emendas editoriais.

    Jacó conheceu Raquel, sua esposa querida, no Oriente (vs. 1), a parte norte do deserto da Arábia, em Arã, terra natal de Labão, pai de Lia e Raquel. Labão era um arameu seminômade, neto de Naor, irmão de Abraão. Abraão havia deixado o lar da família, em Arã, e tinha entrado na Terra Prometida (Gn 12.4 ss.). Parte da família (oriunda de Ur) permaneceu em Arã, a saber, Naor e seus descendentes. Havia algum contato entre os dois ramos da família. O servo de Abraão fora até Arã, que ficava cerca de setecentos e cinquenta quilômetros de distância, o que requeria uma viagem de cerca de trinta dias, a fim de ali obter uma noiva para Isaque (cap. 24). Rebeca, a noiva, viajou até Berseba e foi absorvida na família de Abraão. Agora era a vez de Jacó entrar em contato com o ramo da família que ficara em Arã. Mas estava destinado a permanecer ali por cerca de vinte anos. Cada homem tem seu destino; cada pessoa tem seu cronograma. Jacó moveu-se em várias direções, durante a sua vida: para o sul, até Hebrom; para oeste, até Betel e Siquém; para o norte, até Arã; e, então, de volta para o sul. Em Siquém, ele se tomou o pai de José, e assim foi continuando a história dos patriarcas.

    Tal como o servo de Abraão, Jacó encontrou-se com sua futura esposa perto de um poço, e ali teve início uma das mais inspiradoras histórias de amor de todos os tempos. Dessa vez, foi Jacó quem se ocupou em servir água, e não a mulher (Rebeca), conforme se vê na história paralela anterior. Jacó, tomado de grande emoção, osculou imediatamente a sua prima e, por ter tal mulher nos braços, chorou em voz alta.

    O diálogo revelou o fato de que ela era sua prima (tal como na história anterior, Gn 24.47 ss.). Pormenores da história que se segue são similares ao relato do capítulo vinte e quatro. Houve muito júbilo, e Jacó foi regiamente recebi­do. Isso armou o palco para os casamentos de Jacó, e para ele ser enganado, para variar. Sempre nos encontramos conosco mesmos, apesar de nossos peca­dos nos serem perdoados.

    29.1

    Pôs-se Jacó a caminho. Ou seja, de Betel a Harã, cerca de setecentos e cinquenta quilômetros. Ele deve ter gasto uns vinte dias, ou algo mais, para cobrir essa distância.

    Oriente. Ou seja, a parte norte do deserto da Arábia. Mas tendo como ponto de partida a sua terra, era a direção nordeste. Já eram terras da Mesopotâmia, a leste da terra de Canaã (ver Is 9.11), pelo que é dada essa direção. O território para além do Eufrates era chamado kedem (oriental), nos escritos sagrados. Algumas vezes o território dos árabes também era assim designado.

    29.2

    Eis um poço. Presumivelmente, o mesmo diante do qual chegara o servo de Abraão, na missão para obter noiva para Isaque. Mas alguns estudiosos preferem pensar em outro poço. Poços e cisternas revestem-se de capital importância nas áreas desérticas. Há boa chance de que tenha sido feita, de modo positivo, a identificação do poço em pauta, veja Gn 24.11. O capítulo vinte e quatro do Gênesis é uma espécie de tratado sobre a liderança divina. Neste capítulo vinte e nove a ênfase sobre isso é atenuada, mas compreendemos essa verdade sem termos de ser continuamente lembra­dos a respeito.

    Grande pedra. Não visava a impedir a saída da água da fonte perene. Antes, servia para impedir que alguma pessoa ou animal caísse no poço. Ou, então, impedia que entulho ou areia caísse na água, sujando-a.

    29.3

    Como Era Removida a Pedra? Vários homens rolavam a pedra para um lado. Aos animais dava-se água. Então a pedra era reposta em seu lugar. Uma tarefa laboriosa, mas necessária. Um homem rico como Labão, sem dúvida, dispunha de vários homens que fizessem esse trabalho. Era preciso mais de um homem para remover a pesada pedra. Talvez por isso as mulheres estivessem isentas desse trabalho. O relato do capítulo vinte e quatro não menciona uma pedra assim, além do que, ali, parece que Rebeca fez todo o trabalho, observada pelo servo de Abraão. Isso dá a entender que seria um poço diferente.

    29.4

    Os Estranhos da Cidade de Labão. Não eram amigos de Jacó nem da família de Labão. Mas eram pastores, e, portanto, “irmãos de profissão”. Jacó chamou-os de “irmãos” por querer ser amigável. E procurou saber se lhe poderiam dar algu­ma informação sobre Labão. De fato, eles conheciam Labão, além do fato de que em breve chegaria Raquel, filha de Labão, para dessedentar primeiro às suas ovelhas. Talvez isso não se devesse ao fato de que Raquel fosse mulher, mas sim de que Labão tivesse alguma prioridade sobre o uso do poço.

    O Problema do Idioma. A família de Jacó era de Ur e falava um idioma semítico (o caldaico). Os habitantes de Arã também eram semitas, e havia muita intercomunicação entre os dois lugares. Isso posto, não há razão para pensarmos que houve entre Jacó e os naturais da região algum problema sério de linguagem. Talvez já existisse um hebraico primitivo, mas não era muito diferente dos outros idiomas semíticos. Ver Gn 31.47 quanto a alguma diferença de linguagem entre os dois ramos da família. Nossa versão portuguesa e outras dizem aqui Harã.

    29.5

    Labão. Ele era sobrinho de Abraão, filho de Betuel, e pai de Raquel. O texto chama-o aqui de “filho de Naor”, mas isso indica uma designação frouxa para “neto”. Talvez Betuel já tivesse falecido, e Naor fosse o mais bem conhecido patriarca da família. Seja como for, Labão era bem conhecido em Arã, e foi fácil para Jacó descobri-lo. Naor era o fundador daquele ramo da família, e o imigrante original chegado de Ur (da família de Terá). Portanto, seu nome continuava em evidência, e um seu neto podia ser chamado de filho.

    29.6

    Ele está bom? Labão estava em boa saúde, e o diálogo tocou primeiro em questões como essa, tal como em tempos modernos. Talvez esse termo também significasse próspero. Labão estava bem e estava em boa situação. No hebraico, temos hashalom, “em paz”, que tem essas conotações.

    Raquel. Esse nome significa ovelha. Devia ser seu nome original, e não algum apelido adquirido em face de sua ocupação. Por pura sorte, enquanto Jacó falava com os homens, Raquel chegou. Naturalmente, nada sucede por acaso. No trecho paralelo de Gn 24.42 ss.; temos uma história elaborada e dramática sobre como Deus trouxera Rebeca para vir ao encontro do servo de Abraão. Se isso não aconteceu aqui, estamos acompanhando a mesma providência divina.

    29.7

    É ainda pleno dia. O sol ainda estava alto no céu. Os animais abrigavam-se na pouca sombra que havia, esperando pela hora de receber água. Jacó pensou que era chegado o momento certo de tirar água, e indagou por que aquela demora. Mas é que havia uma rotina que os pastores costumavam observar. Reuniam-se os diversos rebanhos, incluindo o de Labão (guiado por Raquel). Ela tirava água para seus animais primeiro, e, então, os outros faziam a mesma coisa. Ou Labão era o proprietário do poço ou tinha alguma prioridade sobre eles, embora isso não seja explicado. Primeiro dessedentavam-se os animais, e então estes podiam ir pastar nos campos.

    29.8

    Seja removida a pedra da boca do poço. Os pastores com os quais Jacó se encontrou não tinham autoridade para remover a pedra. Havia uma certa sequência de atos. É provável que eles fossem servos ou pastores de Labão, e tivessem de esperar por Raquel, a pastora. Ou, então, para evitar que a água se sujasse, a pedra era rolada quando todos os rebanhos se reuniam. E, então, começava o processo.

    29.9

    Chegou Raquel. Um grande momento pelo qual Jacó tanto esperara, e que foi divinamente arranjado para ele. Parece que ele cairá bem no meio dos aconteci­mentos, mas Deus providenciara o encontro. Raquel seria uma das matriarcas da nação de Israel. O versículo mostra-nos que Jacó não a conhecia ainda, mas o diálogo com os pastores (mencionado no vs. 6) permitiu que ele a reconhecesse quando ela chegou. E também é possível que um dos pastores tenha dito: “Eis aí Raquel”.

    As mulheres, ao que parece, não eram mantidas em reclusão e tão abrigadas como hoje se vê naquela parte do mundo, graças à influência do islamismo. Note-se também que, apesar de Labão ser um homem rico, não estava abaixo da dignidade de sua filha cuidar de ovelhas. Todo trabalho honesto é digno. “O trabalho honesto, longe de ser um descrédito, é uma honra para grandes e pequenos… que todo filho e toda filha aprendam que não é um descrédito manter-se alguém ativo, sempre que isso for mister, ainda que seja no labor mais humilde, mediante o qual os interesses da família sejam honestamente promovidos” (Adam Clarke, in ioc.). Homero (lliad. vol. 1, vs. 313, 2:6 vs. 2) diz algo similar sobre os filhos do rei de Tebas, que cuidavam dos rebanhos dele.

    29.10

    Tendo visto Jacó a Raquel. Ele a amou desde o começo, e imediatamente começou a trabalhar em favor dela, sem que tivesse sido feito qualquer pedido nesse sentido. Assim começou uma das mais comoventes histórias de amor de toda a literatura mundial.

    Removeu a pedra. É provável que o texto signifique que ele, ao tomar a iniciativa, com a ajuda de outros, fez rolar a pedra. Ali estava Jacó, o irmão gêmeo mais fraco (não Esaú, o rapaz do campo), a rolar sozinho a grande pedra, se tivermos de entender literalmente a passagem. Como ele conseguiu esse feito? Ele simplesmente viu Raquel, e qualquer tarefa dali por diante tornar-se-ia fácil. A partir do instante em que a viu, tornou-se um homem diferente. Começou imedia­tamente a servir, por amor.

    Casamentos dentro da Família de Abraão. Abraão casara-se com sua meia-irmã (Gn 20.12). Naor, irmão dele, casara-se com uma sobrinha (Gn 11.29). Isaque casara-se com uma prima. E agora, Jacó casar-se-ia com duas primas. As proibições da legislação mosaica, de tem­pos posteriores, não tinham aplicação durante os dias dos patriarcas hebreus. Ver Levítico 18 e 20. Rebeca era neta-sobrinha de Abraão (Gn 22.20 ss.). Portanto, temos aí uma família com bem apertados laços de parentesco, onde apenas Esaú fugiu da norma.

    O Targum de Jonathan diz que Jacó rolou a pedra do lugar com um só braço, fazendo um trabalho que usualmente requeria vários homens. Jarchi diz que ele fez a tarefa com facilidade, como uma pessoa que removesse a tampa de uma panela. O amor realiza grandes coisas!

    29.11

    Primos que se Beijaram. John Gill (in Ioc.), escreveu: “o que ele fez com cortesia e civilidade”. Um beijo em família. Mas qual homem que beijasse uma prima por mera cortesia levantaria sua voz e choraria? Houve no momento profun­da emoção, resultante de um imediato e grande amor.

    Jacó sentiu-se feliz ao término de sua jornada. Feliz diante da providência divina; feliz por estar entre seus parentes, visto que se encontrava tão longe de casa. Mas sua maior felicidade era ter conhecido Raquel. Adam Clarke comen­tou sobre o antigo costume social de oscularem-se as pessoas, como uma forma de saudação, além de mostrar quão iníquos e hipócritas são os homens corruptos, para quem o beijo se tornou algo sensual.

    29.12

    Revelação dos Laços de Família. O filho de Rebeca encontra-se com a filha de Labão. Jacó e Raquel — uma das maiores histórias de amor que já foi conta­da. Raquel saiu correndo para contar a seu pai da chegada de Jacó. Isso é paralelo ao afeto demonstrado por Rebeca, em Gn 24.28.

    Parente. Algumas versões dizem aqui, “irmão”. Mais especificamente, ele era “sobrinho” de Labão. Ver Gn 13.8 e 29.5,15, quanto a esse uso frouxo do termo. Não há menção à mãe de Raquel, a qual talvez já tivesse falecido. Ou uma mulher mais jovem esteve envolvida, mas não foi mencionada.

    29.13

    Labão. Labão veio correndo ao encontro de seu sobrinho, Jacó. Na ocasião, nenhum deles ainda sabia, mas Jacó haveria de servir fielmente a seu tio por cerca de vinte anos. Estes versículos antecipam os capítulos 30 e 31 do Gênesis. Os rebanhos de Labão seriam pastoreados pelo hábil Jacó. Sem importar seus defeitos, Jacó nunca foi um preguiçoso. Em contraste com os preguiçosos pastores de Labão (Gn 29.7,8), Jacó era ativo, zeloso e consciente.

    Este versículo tem paralelo em Gn 24.29, onde Labão também correu até o poço, para saudar ao servo de Abraão. Naquele caso, ele primeiro vira e admirara as joias que o servo de Abraão havia trazido para Rebeca. Neste caso, ele admirava a Jacó, que seria um seu excelente empregado.

    Fazia setenta anos que Rebeca, irmã de Labão, tinha partido de casa para ser integrada à família de Abraão. Dessa vez, sua família é que integraria um membro da família de Abraão. Parece que Labão tinha filhos e filhas mais jovens que Ra­quel, apesar de ser homem já de idade avançada. Talvez ele se tivesse casado com uma esposa mais jovem, não especificada. Há menção a filhos dele, em Gn 31.1.

    Jarchi diz que Labão correu na esperança de receber outros presentes: di­nheiro, joias etc., conforme sucedera por ocasião do noivado de Rebeca. Mas acolher Jacó para que este o servisse por vinte anos foi um ótimo presente. Não há razão para duvidarmos da sinceridade de sua hospitalidade. Todos os homens têm seus pontos fortes e fracos.

    29.14

    És meu osso e minha carne. Um parente próximo, que ficou a descansar por trinta dias, algum trabalho a fazer, mas abundante e bom alimento, um bom lugar para dormir, um leito confortável etc. Mas terminados aqueles trinta dias, Labão resolveu pô-lo a trabalhar (vs. 15), assalariado, naturalmente. Jacó fez a sua contraproposta. “Servirei, trabalharei, labutarei por sete anos, por Raquel” (vs. 18). Provavelmente ele já estava ocupado em sua profissão, cuidando das ove­lhas de Labão, mas agora assumiria maiores responsabilidades, tornando-se um empregado assalariado, apesar do fato de ser parente próximo.

    29.15

    Irás servir-me de graça? Labão não era tão egoísta assim. Jacó já estava trabalhando, em troca de nada, excetuando cama e mesa. Labão propôs um salário. Mas Jacó respondeu: “Não um salário, mas Raquel”. Podemos supor que ainda assim foi oferecido um salário pelos sete anos de trabalho, mas Raquel era o principal prêmio. Aquele mês dera a Labão oportunidade de observar Jacó a trabalhar. E ficou satisfeito com o que vira. E agora queria garantir seus serviços indefinidamente. É bom quando o serviço de um homem é apreciado. A tendência dos homens é depreciar e degradar, mas não foi o que Labão fez com Jacó.

    Meu parente. Essa questão já foi comentada no vs. 12.

    A Oportunidade de Jacó. A providência de Deus incluiu um emprego para Jacó, com um salário justo.

    29.16

    Duas filhas. Jacó, o enganador, estava a caminho de sofrer um tremendo logro. Por outra parte, visto que ele se casou com Lia e com Raquel quase ao mesmo tempo (ele teve de trabalhar por Raquel por mais sete anos, mas pôde casar-se com ela, uma semana após ter-se casado com Lia, vs. 28), em certo sentido, Jacó saiu ganhando. Naturalmente, ele precisou trabalhar durante cator­ze anos, pelo que Labão também recebeu uma boa vantagem. Lia era uma mulher de aparência comum, mas de belos olhos; e era uma pessoa digna. Não devemos esquecer que ela estava destinada a ser uma das matriarcas de Israel (um de seus filhos, Judá, é ancestral de Jesus). Raquel, por sua vez, era bonita e vivaz, uma mulher muito bonita, para dizermos o mínimo. E também estava desti­nada a ser uma das matriarcas de Israel. Portanto, Jacó nada tinha para queixar-se, ao mesmo tempo em que o propósito de Deus atuava sobre ele quanto a ambos os seus casamentos.

    Lia. O nome dela significa “labor” ou “cansaço”, por razões desconhecidas. Mas, na antiguidade, tal como entre nós, os nomes eram, com frequência, escolhidos sem que se desse atenção ao seu significado.

    29.17

    Os olhos baços. O adjetivo, no hebraico, significa suaves, delicados, bonitos ou envergonhados (rak). Poderíamos dizer apenas “bonitos”. Lia tinha olhos boni­tos, mas Raquel tinha tudo mais, bem feita de corpo, natureza vivaz, alguém que, naturalmente, atraía a atenção de todos, mormente dos homens que dão valor à beleza feminina. Lia tinha a personalidade um tanto apagada. Raquel brilhava. Onkelos supunha que a beleza de Lia se resumia a seus olhos, mas a beleza de Raquel manifestava-se em tudo. Ben Melech referiu-se aos belos cabelos negros de Raquel, e de sua pele branca e de textura suave. Ela era o prêmio, o bem de que nos falou Salomão (ver Pv 18.22). Adam Clarke (in loc.), exagerou quanto a esse ponto, ao falar sobre a vaidade das mulheres modernas, estragadas por demasiada educação e atenção, ao passo que as mulheres antigas seriam, invari­avelmente, o bem aludido por Salomão.

    Ellicott reverte o sentido do adjetivo acerca dos olhos de Lia, fazendo-os “baços” (conforme faz nossa versão portuguesa) e sem graça, supondo que ela teria sofrido alguma forma de doença ocular na infância, por causa dos desertos arenosos. E outros intérpretes concordam com essa avaliação negativa da pala­vra hebraica envolvida, a qual pode ter tanto um sentido positivo quanto um sentido negativo. A julgar por um dos significados possíveis desse adjetivo hebraico, talvez o olhar de Lia fosse “pudico”, “modesto”. O contexto parece estar dizendo: “Lia tinha esta característica boa e notável — seus belos olhos. Mas Raquel tinha muitas características de beleza feminina”.

    O Messias é descendente de Lia, e não de Raquel.

    Formosa de porte e de semblante. Nossa versão destaca mais a impres­são visual que se tinha de Raquel. Mas há intérpretes que opinam que o original hebraico diz que todos se sentiam atraídos por ela devido à sua personalidade atrativa. As traduções estão divididas quanto a essa questão.

    29.18

    Jacó amava Raquel. Naqueles dias em que já passara na casa de Labão, seu amor por Raquel se acentuara.

    A Linhagem do Messias. Entre os filhos de Lia devemos destacar Judá, ancestral de Jesus. Assim, o Messias descendia não da bela Raquel, mas da comum Lia. A decisão divina sobre a questão, porém, nada teve que ver com o amor romântico de Jacó por Raquel, nem com a relativa negligência dele para com Lia. As decisões divinas dependem de coisas superiores a essas.

    Trabalhando para Ganhar uma Esposa. A arqueologia e a literatura antiga confirmam o fato de que um homem podia obter esposa através do seu traba­lho, de conformidade com um acordo que se fizesse entre o homem e o pai da jovem. Os estudiosos dizem que esse costume prevalece até hoje entre os árabes, embora apenas ocasionalmente. Uma esposa também podia ser com­prada, conforme se vê em Gn 24.53. Essa venda era com frequência velada (de acordo com as sutilezas orientais), como se algum presente estivesse en­volvido, que é o caso destacado no capítulo vinte e quatro. O trecho de Gn 31.15 mostra-nos que Raquel e Lia consideravam-se vendidas por seu pai a Jacó. Assim, o trabalho efetuado por Jacó, durante catorze anos, não visou apenas a agradar a Labão, para obter as suas filhas como esposas, mas, antes, foi uma forma de compra.

    29.19

    Labão Não Demonstrou Entusiasmo. Pelo menos não abertamente, embora talvez a proposta lhe tenha agradado. O negócio era-lhe favorável. Mas ele ocultou o seu entusiasmo, se é que se entusiasmou. E disse: “Antes tu que outro homem!”. Estou imaginando que foi um preço tremendo em troca de uma mulher. Contraste-se isso com os presentes que o servo de Abraão trouxera para obter Rebeca. Teria ele trazido joias e presentes equivalentes a sete anos de trabalho?

    A arqueologia e as referências literárias antigas indicam que os povos daque­la região preferiam ter casamentos entre parentes, o que sem dúvida estava acontecendo à família de Abraão.

    29.20

    Serviu Jacó sete anos. Um longo tempo, de fato, mas, na mente e nos sentimentos de Jacó, tudo foi como um dia, porque a mulher por quem ele estava trabalhando era muito valiosa para ele. Assim acontece também com aqueles que têm algum grande projeto a realizar. O entusiasmo faz toda a diferença. Alguns dizem que a perseverança faz a diferença, mas é o entusiasmo que sempre está por trás da verdadeira perseverança.

    Os eruditos supõem que Jacó estivesse com cinquenta e sete anos de idade na época. Mas os patriarcas casavam-se tarde, por razões difíceis de precisar. Por certo não atingiam logo a maturidade e, devido à sua longa vida, não tinham pressa para casar, e nem os costumes sociais da época os pressio­navam nessa direção. Assim, não temos regras fixas que guiem nosso raciocí­nio a respeito.

    Sete anos. Para Jacó, esses anos passaram-se com rapidez, por amor a Raquel. Tudo quanto ele tinha passado era como “nada”. Além disso, ele passava muitas “horas agradáveis” em conversa com Raquel. Assim, o tempo “passou-se rapidamente” (conforme comentou John Gill, in loc.).

    29.21

    Já venceu o prazo. “Dá-me minha mulher”, e assim, “cumpre a tua parte na negociação”. Jacó havia dado por sua esposa um dote não com forma de dinhei­ro, mas com forma de trabalho. Mas aqueles anos de trabalho valiam muito, do ponto de vista monetário.

    “Era chegado o tempo de ele ficar com ela” (John Gill, in loc.). Alguns intér­pretes judeus pensam que ele estaria então com oitenta e quatro anos de idade; mas a estimativa mais baixa é de cinquenta e sete anos. Fosse como fosse, era chegado o tempo do casamento, de acordo com o negociado entre Jacó e Labão. O amor fez esse tempo parecer “poucos dias” (vs. 20). Mas acordos são acordos.

    “É interessante que as esposas dos três primeiros patriarcas eram mulheres bonitas: Sara (Gn 12.11), Rebeca (Gn 24.15,16) e Raquel (29.17)” (Allen P. Ross, in loc.). A paixão de Jacó por Raquel não permitiria maior prazo.

    29.22

    A Festa e a Farsa. Jacó encontrou em seu tio quem pudesse enganá-lo. Foi preparada uma grande festa, mas estava sendo planejada uma grande farsa. Lia, e não Raquel, é quem estava esperando casamento. Um costume local prevale­ceria sobre o acordo feito. Labão tivera o cuidado de não revelar que seguiria esse costume local de dar, em casamento, primeiro a filha mais velha, nesse caso, Lia.

    Uma festa assinalava ocasiões solenes, como pactos e casamentos, além de servir de ponto de contato social, mesmo que só estivesse em pauta uma questão de amizade, sem outro motivo especial. Os banquetes também faziam parte das principais festividades religi­osas dos judeus.

    Com frequência, sacrifícios e ofertas acompanhavam os banquetes de casa­mento, visto que o matrimônio era considerado um contrato solene.

    Todos os homens do lugar. Ou seja, de Padã-Arã. Foram convidados os homens de maior importância, além de seus amigos pessoais. Portanto, a festa foi um grande momento público, não envolvendo apenas a família imediata de Labão.

    29.23

    Lia Toma o Lugar de Raquel. Labão levou sua filha Lia, e não Raquel. De acordo com os costumes locais, ele agiu acertadamente. Mas também poderia ter feito a coisa certa da maneira certa, ou seja, com honestidade. Teria Jacó feito objeção, desde o princípio, se tivesse sabido que teria de trabalhar por duas mulheres, sete anos por cada uma? Provavelmente, não; mas também é possível que, quando a barganha fora feita, Labão não tivera a intenção de ser tão generoso. Todavia, repreendido por Jacó, também acabou entregando Raquel, uma semana mais tarde (vs. 27). De qualquer modo, o véu oriental usado pelas mulheres e a falta de iluminação no interior da tenda permitiram que Labão enganasse Jacó com sucesso. A noiva era trazida velada ao noivo (ver também Gn 24.65).

    Cf. o caso de Jacó com o de Isaque. Isaque pôde ser enganado por estar cego, como se estivesse às escuras. Jacó também foi enganado devido às trevas. Onde houver ludibrio, aí haverá também trevas espirituais.

    O costume da época determinava que o noivo fosse deitar-se primeiro. Então a noiva era trazida até ele, usando véu. Somente no escuro o véu era tirado.

    29.24

    Para serva. As mulheres de círculos mais abastados recebiam uma “ser­va”. conforme se viu no caso de Hagar e Sara. Na maior parte dos casos, essa serva era uma escrava. Por assim dizer, não se separava da dona da casa, acompanhando-a enquanto esta vivesse. Ela não tinha direitos próprios, exceto aqueles dados por sua senhora. Tão próxima era ela de sua senhora que poderia ter filhos do marido desta última, embora esses filhos, legalmente, fos­sem considerados filhos da senhora. Essa jovem, dada à senhora da casa, não era governada pelo homem. Todos os direitos sobre ela pertenciam à esposa conforme se vê em Gn 16.6). Sara mostrou-se cruel com Hagar, mas Abraão não interveio, porque não tinha autoridade sobre a questão. Betuel tinha dado a Rebeca uma companhia dessas, Débora, além de outras escravas (Gn 24.61). A tradição judaica diz que Zilpa fora concubina de Labão. Mas isso é altamente improvável.

    Zilpa. No hebraico, terra baixa. Era uma jovem escrava que foi dada por Labão a Lia, por ocasião do casamento desta com Jacó. Posteriormente, a pedido da própria Lia, tornou-se esposa secundária ou concubina de Jacó. Zilpa foi mãe de dois filhos, Gade e Aser (Gn 29.24; 30.9-13; 35.26; 37.2; 46.18). Ela viveu em tomo de 1730 A. C. Assim, aquela humilde jovem tornou-se uma das matriarcas de Israel. Se as tradições judaicas estão certas, então Zilpa e Lia eram meias-irmãs, embora não haja como averiguar essa teoria. Parece improvável, contudo, que uma concubina de Labão tivesse vindo a ser uma concubina de Jacó, posto que sucedem coisas estranhas, e que o incesto não era algo que perturbava os antigos dos dias de Abraão.

    29.25

    Ao amanhecer viu que era Lia. A luz do dia revelou a fraude, mas era tarde demais. Agora chegara a vez de Jacó protestar veementemente por ter sido iludido, tal como Esaú reclamara ao ser enganado (Gn 27.35 ss.). Esaú se enchera de ódio e de vontade de matar seu irmão (Gn 27.41 ss.), o que dera azo para que Jacó fosse para o exílio. Jacó não pensou em assassinato, mas podemos estar certos de que bradou ao máximo, manifestando a sua indignação. O acordo havia sido desrespeitado. Jacó fizera a sua parte, mas Labão falhara. A luz do dia sempre revela as fraudes. A luz faz o pecado dispersar-se. John Gill pensa que o que sucedeu foi adultério (e também incesto), visto que Jacó se deitara com uma mulher que não era sua esposa, além de ser irmã da mulher com quem ele se casara. Mas Labão não via as coisas por esse ângulo. As pessoas definem as coisas de diferentes maneiras, mas isso não faz do pecado uma questão relativa. Jacó estava colhendo o que tinha semeado.

    29.26

    Um Costume Local. O conservantismo frustrou o bom senso. O costume foi observado, à revelia de qualquer outro fator. John Gill negou que houvesse algum costume assim, e nenhuma de minhas fontes informativas revela qualquer coisa. Mas este versículo o menciona, embora a arqueologia nada tenha descoberto, Adam Clarke encontrou um costume hindu dessa natureza, que ele chamou de “lei positiva”. Se havia tal costume entre o povo de Labão, então ele enganou Jacó (no tocante a Raquel) desde o começo; ou, talvez, no decurso dos anos, pensou no golpe astucioso, tirando proveito de um costume, que ele valorizou mais que seu acordo com Jacó. E também enganou seus convidados, porque eles viram o casa­mento de Jacó e Raquel. Podemos supor que Lia também fez parte do conluio, ou, peto menos, obedeceu à voz de seu pai, tal como Jacó havia obedecido à palavra de sua mãe, Rebeca, cooperando com o engano pespegado contra Isaque (Gn 31.15 ss.). Lia amava Jacó (Gn 30.15), e deve ter cooperado com satisfação.

    Os Costumes Prevalecem. O conservantismo nem sempre está com a razão. novas ideias, ainda que úteis, com frequência são tabus. As escolhas são limitadas por mentes limitadas. Alguns costumes precisam ser desafiados e alterados. Outros precisam ser testados e aprovados; novos costumes precisam ser introdu­zidos. O tempo permite crescimento, não meramente preservação.

    29.27

    A Solução Fácil. Raquel também seria dada a Jacó, mas isso custaria a Jacó mais sete anos de serviço. Mas que significavam catorze anos de serviço, se ele veio a servi-la a vida toda?

    Decorrida a semana desta. Ou seja, os sete dias de banquete do casamen­to (Jz 14.12 e Tobias 11.18). É difícil ver como aquela semana poderia ser de Lia, se todos os convidados tinham vindo para o casamento de Raquel. Mas a semana foi de Lia. Talvez não houvesse votos formais, como nas cerimônias de matrimônio modernas, e a jovem que entrasse na tenda de um homem, essa seria a sua esposa. Nesse caso, não houve nem adultério nem incesto. Nossa falta de conhecimento não nos permite dizer alguma coisa indiscutível sobre esse casa­mento de Jacó. “Infelizmente, Jacó não é o único crente que tem precisado de um Labão a fim de discipliná-lo” (Allen P. Ross, in loc.).

    29.28

    Labão lhe deu… Raquel. Esta custou a Jacó um dote maior (sob a forma de sete anos de trabalho), mas ele também não reclamou por essa parte. Ade­mais, de súbito ele tinha ganho quatro mulheres, que seriam as matriarcas da nação de Israel (vs. 29). A legislação mosaica proibia o casamento com uma irmã da primeira esposa (Lv 18.18), mas isso já pertenceu a uma época posterior. Se um homem podia casar-se com sua meia-irmã, como foi o caso de Abraão (Gn 20.12), então casar-se com duas mulheres que eram irmãs entre si, e primas do noivo, não pareceria coisa estranha.

    A Grande Vitória. Jacó havia obtido uma grande vitória, pela qual também muito se tinha esforçado, com toda a paciência e perseverança, durante sete longos anos. O segredo da vitória é a perseverança inspirada pelo entusiasmo, bem como a paciência para esperar uma grande realização, mediante o trabalho árduo.

    29.29

    Bila. Juntamente com Lia, Jacó obtivera Zilpa; e agora, com Raquel, obtinha Bila. As duas servas não se tornaram de imediato suas concubinas, mas isso não demoraria muito. Abraão tinha ganho Hagar como concubina, pelo que vemos que estava envolvido um costume arraigado.

    Bila era, nas páginas do Antigo Testamento, o nome tanto de uma pessoa quanto de uma cidade. Esse nome significa tema ou timidez. Ela veio a ser mãe de Dã e de Naftali (Gn 30.1-8; 35.25; 46.25; I Cr 7.13). Embora fosse apenas uma serva, tornou-se uma das matriarcas da nação de Israel.

    Visto que o Messias procedeu da tribo de Judá, Lia foi a escolhida para dar continuidade à linhagem espiritual direta do Pacto Abraâmico.

    29.30

    Jacó amava mais Raquel. As mulheres daquele tempo não pareciam ter ciúmes relativos aos privilégios sexuais. Mas mostravam-se sensíveis acerca de qual mulher era mais amada, conforme vemos em Gn 29.32. Ademais, era muito importante para a mulher que ela fosse fértil, pelo que havia competição quanto ao número de filhos que uma mulher desse a seu marido (Gn 30.1 ss.). O capítulo trinta mostra uma vivida competição entre Lia e Zilpa, por um lado, e Raquel e Bila, por outro lado. Qual das duas mulheres seria capaz de produzir mais filhos? Essa competição deu origem aos doze filhos, alistados no capítulo trinta, os quais vieram a ser os patriarcas de Israel. Vemos aqui um drama comum da humanidade — o anelo humano por amor e reconhecimento. Esse reconhecimento inclui a questão de posição, motivo pelo qual essas questões sempre envolvem o orgulho. As pessoas dispõem-se a pagar um alto preço por essas coisas. Sementes amargas estavam sendo plantadas no seio da família patriarcal, devido à forte competição prevalente. É triste quando isso macula uma família. Neste mundo já há bastante dessa desgraça.

    Raquel foi o primeiro amor de Jacó. Mas não foi a primeira a ficar grávida dele. Ademais, Lia teve seis filhos, ao passo que Raquel só teve dois. Mas Raquel sempre ocuparia o primeiro lugar no coração de Jacó. Ela morreu de parto, ao ter seu segundo filho, Benjamim. José, seu primeiro filho, seria o favorito de Jacó. E José teria uma carreira ilustre, posto que muito acidentada.

    Bibliografia R. N. Champlin

     

    Fonte: http://www.ebdareiabranca.com/

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  • Lição 3 – Editora Betel – A trama de Jacó para enganar seu pai

    Trama – Intriga, enredo: a trama de uma tragédia. / Conjunto emaranhado: a trama dos acontecimentos.

    Intriga – Maquinação secreta para obter alguma vantagem ou para prejudicar alguém. / Insídia, cilada. / Encadeamento de fatos e ações que formam a trama

    Resumo

    O mandamento bíblico é “honra a teu pai e a tua mãe…” Ex. 20.12/Dt 5.16, citado até por Jesus em Mt 15.4/Mc 7.10 e lembrado pelo Apóstolo Paulo em Ef 6.2, destacando a promessa advinda pelo cumprimento desse dever. O sábio conselho de Salomão, inspirado por Deus, é “Ouve a teu pai, que te gerou; e não desprezes a tua mãe, quando ela envelhecer.” Pv 23.22

    O pai, especialmente na tradição do Antigo Testamento, era detentor da benção, tal o simbolismo e reverência que havia na figura do patriarca. Eles abençoavam seus filhos com o desejo de prosperidade moral, espiritual e social, e os dotava de bens conforme suas posses (Gn 27.7, 27-28…, 28.1, 48.15,20 e 49). Os primogênitos eram mais recompensados.

    Era também o pai quem repassava as experiências com Deus e mais tarde os ensinamentos da Lei a seus filhos. Veja o que disse o rei Davi, já velho e cansado, a seu filho e futuro rei Salomão: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-o com coração perfeito e espírito voluntário; porque o Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos. Se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre.” I Cronicas 29.29
    Gênesis 27

    Versículos 1-5

    As promessas do Messias e da terra de Canaã tinham passado a Isaque. Agora tinha uns 135 anos de idade e seus filhos, por volta de 75. não tendo considerado devidamente a palavra divina referida a seus dois filhos de que o maior serviria o menor, resolveu dar toda a honra e o poder que havia na promessa a Esaú, seu filho mais velho. Nós somos muito bons para tomar medidas conforme a nosso próprio arrazoar mais que segundo a revelação divina e, por isso, perdemos freqüentemente nosso caminho.

    Versículos 6-17

    Rebeca sabia que a bênção estava preparada para Jacó e esperava que ele a obtivesse. Porém, fez mal a Isaque ao enganá-lo; fez mal a Jacó ao tentá-lo para que agisse errado. Pôs uma pedra de tropeço no caminho de Esaú e lhe deu um pretexto para odiar a Jacó e aborrecer a religião. Todos eram culpáveis. Era uma daquelas medidas retorcidas que amiúde se adotam para fazer progredir as promessas divinas; como se o fim justificasse os meios, ou escusasse os médios incorretos. Assim, pois, muitos têm agido errado com a idéia de serem úteis para fomentar a causa de Cristo. A resposta a todas essas coisas é a que Deus dirigiu a Abraão: “Eu sou o Deus Todo Poderoso; anda diante de mim e sé perfeito”.
    Foi um dizer muito apressado de Rebeca: “Filho meu, seja sobre mim tua maldição”. Cristo tem carregado a maldição da lei por todos os que se amarram ao jugo do mandamento, o mandamento do evangelho. Mas é demasiado ousado que uma criatura diga: “seja sobre mim tua maldição”.

    Jacó e Esaú. 27:1-46.1-17. Tendo-se envelhecido Isaque .. . chamou a Esaú.

    É difícil imaginar todo o sofrimento, agonia e cruel desapontamento envolvidos nesta narrativa pitoresca. O velho patriarca, cego e trôpego, fez planos de transmitir as sagradas bênçãos ao seu filho primogênito. Mas a astuciosa Rebeca, que ouviu as instruções dadas a Esaú, imediatamente resolveu subverter e frustrar seus planos. Jacó, seu filho predileto, já tinha o direito de primogenitura; ela determinou que ele também receberia a bênção oral, dos lábios do representante do Senhor, para que tudo ficasse em ordem com a herança divina. Ela não podia arriscar-se esperando que Deus realizasse Seus planos à Sua maneira. Por isso apelou para a mais desprezível mentira a fim de assegurar-se da bênção para o seu filho mais moço.
    Versículos 18-29
    Com certa dificuldade, Jacó conseguiu seu propósito e obteve a bênção. Esta bênção é em termos muito gerais. Não se mencionam as misericórdias distintivas da aliança com Abraão. Isto poderia ser devido à forma em que Esaú tinha desprezado as melhores coisas. Além disso, sua inclinação por Esaú, a ponto de não levar em conta a vontade de Deus, deve ter enfraquecido enormemente sua própria fé nessas coisas. Portanto, poderia esperar-se que a escassez estivesse em sua bênção, concordemente com seu estado mental.

    18-29. Respondeu Jacó . . . Sou Esaú, teu primogênito.

    Apoiado por sua mãe, Jacó compareceu diante de seu velho pai com enganos e mentiras. Chegou até a declarar que Jeová o ajudara nos rápidos preparativos. Depois de mentir a seu pai, depositou um beijo falso sobre o rosto do velho homem.

    34-40. E, levantando Esaú a voz, chorou

    Quando Esaú compreendeu que Jacó tinha obtido a bênção, clamou com um muito grande e amargo choro. Vem o dia em que os que assumem com volubilidade as bênçãos da aliança e trocam seu direito às bênçãos espirituais pelo que carece de valor, em vão as pedirão com urgência. Isaque tremeu muito quando percebeu o engano que lhe fizeram. Os que seguem a opção de seus próprios afetos mais que a vontade divina, acabam em confusão. Porém ele logo se recuperou e confirmou a bênção que tinha dado a Jacó dizendo: Eu o abençoei e será bendito.
    Os que se afastam de sua sabedoria e de sua graça, de sua fé e da boa consciência, em aras das honras, as riquezas ou os prazeres deste mundo, por mais que finjam zelo pela bênção, tem sido julgados indignos dela e sua condenação será a que lhes corresponda.
    Uma bênção comum foi dada a Esaú. Era o que desejava. Os desejos fracos de felicidade sem a eleição correta do fim, e o uso correto dos médios, enganam a muitos levando-os a sua própria ruína. As multidões vão para o inferno com suas bocas cheias de bons desejos.
    A grande diferença é que não há nada na bênção de Esaú que aponte a Cristo; e sem isso, a gordura da terra e o produto do campo valem de bem pouco. Assim, pois, por fé Isaque abençoou a seus dois filhos, segundo o que devia ser sua sorte.

    (v. 38). A tragédia de Esaú era que ele estava completamente ignorante da santidade da bênção, e só desejava as vantagens que esta lhe proporcionaria. A dor profunda que sentia por Jacó ter-lhe passado a perna da obtenção da primogenitura, Seu amargo desapontamento, seus soluços patéticos e ardente vergonha que logo se transformaram em ódio intenso e desejo de vingança são profundamente comoventes.

    Rebeca

    A Bíblia mostra Rebeca como sendo uma mulher com as seguintes características:
    1)       Bela – “E a donzela era mui formosa à vista, virgem, a quem homem não havia conhecido; e desceu à fonte, e encheu o seu cântaro e subiu” (Gn 24.16).
    2)        Trabalhadora – “E, acabando ela de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber” (Gn 14.19).
    3)         Hospitaleira – “Disse-lhe mais: Também temos palha, e muito pasto, e lugar para passar a noite” (Gn 24.25).
    4)       Decidida – “E chamaram Rebeca e disseram-lhe: Irás tu com este varão? Ela respondeu: Irei” (Gn 24.58).
    5)        Modesta – “E disse ao servo: Quem é aquele varão que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então, tomou ela o véu e cobriu-se” (Gn 24.65).
    Apesar de todas estas características, sua precipitação e falta de confiança no Senhor acabou por trazer problemas em seu lar e assim, não somente ela, mas também Jacó acabaram colhendo as conseqüências de seus atos.

    Jacó

    Perceberemos que até este incidente Jacó ainda não era transformado realmente…
    1) Naturalmente astucioso (Gn 25.31-33)
    2) Enganador (Gn 27.18-29)
    3) Colheu resultado do
    seu próprio pecado (Gn 27.42.43)
    4) Tornou-se religioso (Gn 26.10,20,21)
    5) Afetuoso (Gn 29.18)
    6) Industrioso (Gn 31.40)
    7) Habituado a orar (Gn 32.9-12)
    8) Disciplinado pela aflição (Gn 37.28; 42.36)
    9) Homem de fé (Hb 11.21)

    Ajudas Adicionais

    a) Jacó na casa paterna (Gn 27.1-46)

    1. JACÓ CONSEGUE A BÊNÇÃO DE SEU PAI POR MEIO DE ENGANO (27.1-29). Isaque envelheceu (1). Comparando-se #Gn 25.26 com #Gn 26.34, parece que então Isaque já tinha mais de cem anos de idade, mas ele viveu até os 180 anos (ver #Gn 35.28). Isaque deve ter pensado que estava prestes a morrer (4,41) mas parece ter-se recuperado. Para que minha alma te abençoe (4). A despeito da profecia (#Gn 25.23), parece que Isaque estava determinado a dar a bênção a Esaú. Diante da face do Senhor (7). Essas palavras, proferidas por Rebeca, eram cheias de significado para Jacó, dotado de mente religiosa, e sua adição, por sua habilidosa mãe, não deixaram de ter seu desígnio. Emprestaram uma solenidade a mais. Vestidos de gala (15). Provavelmente aqui é indicada uma veste oficial como a que seria usada pelo primogênito de uma família nas ocasiões festivas ou solenes. Porque o Senhor teu Deus a mandou ao meu encontro (20). O enganoso plano de Jacó não foi habilidoso bastante. Não era costume de Esaú apelar para frases pias daquela espécie, e Isaque, que conhecia o caráter geral de Esaú, ficou incerto e preocupado em sua mente (21,22). Sirvam-te povos (29). A essência da bênção da primogenitura consiste justamente nesse domínio.
    Gn-27.30
    2. ENTREVISTA DE ESAÚ COM ISAQUE (#Gn 27.30-40). Abençoei-o: também será bendito (33). A bênção patriarcal era irrevogável. Essa é a significação de #Hb 12.17: “não achou lugar de arrependimento”. Por mais que o tentasse, Esaú não podia conseguir uma mudança na atitude da mente de seu pai. Isaque percebeu que, a despeito de seus esforços para torcê-la, a vontade de Jeová tinha sido feita, e que a bênção certamente deveria permanecer sobre Jacó. Me enganou (36). Mais apropriadamente “conseguiu primeiro”: ver 25.26n. Quando te libertares (40). A despeito dessa frase hebraica incerta, tem havido dúvidas, mas aqui está razoavelmente bem traduzida. Haveria de haver ocasiões quando Edom se livraria temporariamente do jugo do domínio de Israel.

    O pecado dos quatro participantes:
    1)       A parcialidade teimosa de Isaque
    2)       A Negligência de Esaú ao querer andar por seu próprio caminho
    3)       O engano de Rebeca
    4)       A Ambição de Jacó

    Os elementos da bênção

    1)       A promessa de fartura , que presumia possessão da terra (veja Gn 17.8) e bênção da fertilidade
    2)       A promessa de domínio, repetindo a promessa feita a Abraão (Gn 22.17) acrescida de que aquele que estava sendo abençoado reinaria sobre o restante de sua família;
    3)       Um contraste entre bênção e maldição, que repetia a primeira chamada de Abraão (Gn 12.3)

    No capítulo 27 de Genesis ensina – nos claramente que:

    1)       Não é da vontade de Deus que façamos o mal, esperando que isso advenha o bem (Rm 6.1,2)
    2)       Esteja-se certo de que o pecado acha o pecador (Nm 32.23), pois todos os envolvidos que pecaram sofreram amargamente;
    3)       Andemos na luz como Ele na luz está (1 Jo 1.7)
    4)       O Senhor reina (Is 40.25-28)

    Bibliografia
    O novo comentário da Bíblia – F Davidson
    Comentário Bíblico do AT 1 – Gênesis a Neemias  – Matthew Henry
    Comentário Bíblico Moody

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  • ATÉ QUANDO SEREMOS LUZ DO MUNDO ?

    Duas das mais fascinantes declarações de Jesus quando pronunciou o imortal Sermão da montanha foram estas: “Vós sois a luz do mundo” e “vós sois o sal da terra”, Mt 5.15,16.

    É interessante observar que Jesus chamou os Seus discípulos de luz do mundo, mas em outra ocasião Ele declarou ser pessoalmente a luz do mundo, Jo 8.12.
    Para que não se cometa erros na interpretação das duas assertivas, Ele esclareceu ser a Luz do mundo enquanto estivesse aqui na Terra.

    Ou seja, após o fim do Seu ministério terreno e conseqüentemente Sua ascensão de volta ao Céu, a Igreja assumiria essa posição e essa função.

    Todos sabemos que existem vários tipos de luz. As mais conhecidas e/ou populares são:
    (a) Luz cósmica, Gn 1.5;
    (b) Luz solar, Jr 31.36;
    (c) Luz artificial, Mt 25.6 e
    (d) Luz espiritual, Sl 4.8; Is 2.6;II Co 4.4,6.

    A partir do primeiro capítulo da Bíblia, Deus esclarece e determina os propósitos básicos da luz, a saber:

    (a) Separação, Gn 1.14; Ex 10.23; Jó 18.6; 38.15.
    (b) Iluminação, Gn 1.15; Fp 2.15;
    (c) Sinalização, Gn 1.14;
    (d) Governo, Gn 1.16.

    A Igreja tem compromissos múltiplos a cumprir na condição de luz do mundo. Ele deve manter-se separada do mundo, estabelecendo um limite que não deve ser transposto.
    Ela deve fazer brilhar a luz do Evangelho, através da proclamação do Evangelho em suas diferentes dimensões: pessoal, familiar, comunitária, coletiva e mundial; deve sinalizar para o mundo os seus deveres, na condição de voz profética de Deus e, finalmente, deve impor sua autoridade sobre as impiedosas e destruidoras trevas que assolam o mundo.

    Ela deve atentar para as características fundamentais da luz espiritual:

    (a) Ela é divina, Sl 47.3; I Jo 1.5. Como luz do mundo, Jesus é SOL, Ml 4.12. Mas, também como luz, a Igreja é LUA, Ct 6.10, ou seja, a luz não lhe é inerente. Ela a recebe do Sol da justiça e a transmite para o mundo;
    (b) Ela é permanente, Jó 18.5; Pv 18.9;
    (c) Ela é outorgada, ou seja, a Igreja é despenseira da Luz divina, I Co 4.2; Sl 118.27. Precisamos ser zelosos, a fim de não deixarmos nossa luz no velador.
    (d) Ela é regeneradora, I Ts 5.5; Ef 6.6. Quando os pecadores se encontram com a LUZ, é-lhes aberta a porta da transformação e da liberdade, , II Co 5.17; Jo 8.36.

    A Igreja deve manter-se fiel aos seus compromissos com a LUZ, claramente estabelecidos na Palavra de Deus.

    Não devemos compactuar com a escuridão moral e espiritual que tomou conta do mundo, mas manter-nos como o farol de Deus, todos os momentos e sempre.

    Eis alguns de nossos compromissos:

    (a) Andar na luz, I Jo 1.7; Jo 11.9;Sl 89.15; Is 2.5;
    (b) Estar na luz, I Jo 2.9;
    (c) Vestir as armas da luz, Rm 13.12.
    (d) Trabalhar na luz, Jo 3.21; etc.

    Ultimamente algumas ilustres figuras do meio evangélico parecem estar esquecidas de sua natureza e responsabilidade cristã, de modo que estão se aproximando excessivamente do ambiente de trevas.

    Milhares de pessoas estão aplaudindo o fato de alguns segmentos da mídia nacional, antes totalmente contrários ao Evangelho, estarem agora abrindo espaço para cantores evangélicos, etc.

    Mas há um grupo fiel que não fechou seus olhos e está conseguindo ver além da cortina. Já houve casos de cantores do Rei se exibirem ao lado de hostes de adoradores de demônios. Num desses casos, a cena foi presenciada por milhares, quase milhões. Foi deprimente saber que os que aplaudiram o hino sagrado tiveram de engolir as canções de Baal, que se lhe seguiram.

    Quem pode assegurar que foi um ato evangelístico, evangelizante ou evangelizador?

    Quem garante que algumas centenas de miseráveis pecadores se encontraram com Cristo naquela ocasião? Ou minha ótica estaria totalmente fora de foco?

    Não estará em desenvolvimento uma perniciosa estratégia de Satanás, visando a confusão e a mistura do Evangelho de luz com o reino das trevas?

    Será que nossos cantores realmente estão precisando de levar sua lâmpada para grandes palcos e depois permitirem que se ponha nelas um vinagre de Belial, ao invés do azeite do Espírito?

    Já não basta a omissão do nome cristão (ou evangélico)?

    Nós falamos a língua portuguesa e em português claro Evangelho é EVANGELHO (e não gospel). Não está sendo orquestrado um disfarce muito sutil, para nele, com ele e através dele começarmos a maquiar, a macular, e depois a perder a nossa identidade?
    Seria isto o prelúdio de novos dias de Constantino? Se assim for, algum tempo mais tarde precisaremos de novos luteros.

    Que a Luz da Igreja continue a ser luz. Que os pregadores do Evangelho preguem a Palavra. Que os cultos não sejam shows e sim cultos. Que os cantores sejam identificados como cristãos, como evangélicos e como representantes da Igreja do Senhor Jesus Cristo, e não meramente como representantes da música gospel.

    Que a Igreja seja luz e não a deixe NEM SE DEIXE escurecer.

    Que ela seja sal e não se deixe apodrecer.

    Pr Geziel Gomes

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  • Torturado Por Cristo – Richard Wurmbrand

    O Pastor Richard Wurmbrand foi o pastor evangélico que passou quatorze anos como prisioneiro dos comunistas, torturado em sua própria terra natal, a Romênia.

    1937-1938

    Em uma das muitas aldeias montanhosas da Roménia vive um carpinteiro idoso e religioso chamado Christian Wolfkes, o qual tem um amor fervoroso pelos judeus. Ele deseja ganhar um judeu para Cristo, mas não há nenhum na sua aldeia e ele está demasiado doente para viajar à procura de um, com quem possa compartilhar o Evangelho. Um jovem judeu e a sua esposa chegam à aldeia de Christian Wolfkes. Durante horas, o velho carpinteiro ora por esses estrangeiros judeus e procura, de todas as maneiras possíveis, levá-los ao Salvador. O maduro carpinteiro dá-lhes um Novo Testamento. Os estrangeiros judeus, Richard e Sabina Wurmbrand, finalmente dedicam as suas vidas a Jesus Cristo.

    1941
    A Roménia apoia a Alemanha na guerra contra a União Soviética e integra as forças alemãs. Richard Wurmbrand, agora Pastor, vê uma nova oportunidade entre os soldados e inicia atividades evangelísticas. Durante o terror do Nazismo, Richard e Sabina são repetidamente espancados e presos. A família da senhora Wurmbrand perece na exterminação em massa, nos campos de concentração de judeus.

    1944
    Os comunistas obtêm o poder na Roménia e um milhão de tropas russas são convidadas a invadir todo o país. O Pastor Wurmbrand inicia um duplo ministério: com os seus compatriotas oprimidos e com os russos. Ele aborda comboios e usa as longas viagens para pregar o Evangelho; disfarçado, entra nos campos do exército russo e expõe a Palavra de Deus.

    1945
    Richard e Sabina Wurmbrand assistem ao “Congresso dos Cultos” promovido pelo governo comunista romeno. Como vários líderes religiosos juram lealdade ao novo regime, Sabina diz ao seu marido para “limpar a vergonha da face de Jesus”. Richard, sabendo do resultado de tal ato, foi à frente. Os delegados acreditam que ele irá louvar a nova liderança, mas, para sua surpresa, Richard diz aos 4.000 delegados que o seu dever como cristão é apenas glorificar a Deus e a Cristo.

    1947

    Richard organiza grupos de cristãos para contrabandear Evangelhos russos para a Rússia. Em 30 de Dezembro, a República da Roménia é proclamada.

    1948
    Num Domingo de manhã, a 29 de Fevereiro, o Pastor Wurmbrand sai da Igreja. Um pequeno grupo da polícia secreta raptam Richard e fecham-no numa cela solitária, nomeando-o “Prisioneiro número Um”.

    1950
    Sabendo do trabalho de Sabina na Igreja secreta, os comunistas prendem-na e colocam-na em trabalhos forçados no Canal do Danúbio. O seu filho de 9 anos, Mihai, é deixado abandonado nas ruas.

    1953
    Sabina Wurmbrand é libertada e continua o seu trabalho na Igreja secreta. Contam-lhe que o marido tinha morrido na prisão. Recusando-se a acreditar no relatório, Sabina mantém a sua esperança de um dia ver Richard novamente.

    1956

    Richard Wurmbrand é libertado após servir 8 anos e meio na prisão. Ele sofreu torturas horríveis e foi avisado para nunca voltar a pregar. Apesar do tratamento dos seus raptores, Richard trata-os apenas com amabilidade. Depois da sua libertação, Richard recomeça o seu trabalho na Igreja secreta.

    1959
    Richard volta a prisão através de um dos seus próprios associados da Igreja secreta. É novamente preso e condenado a 25 anos.

    1964
    O Pastor Wurmbrand é libertado da prisão e recomeça o seu trabalho. Chegam a Bucareste os Reverendos W. Stuart Harris e John Moseley, da Missão para os Milhões da Europa. Dirigem-se cuidadosamente ao sótão onde moram os Wurmbrands, onde o Pastor conta novamente algumas das suas experiências na prisão. No dia seguinte, encontram-se num parque em Bucareste e têm a sua conversa final. Trata-se do primeiro contacto dos Wurmbrands com missionários de fora desde as suas prisões.

    1965

    A familia Wurmbrand é resgatada da Roménia por $10.000 e Richard é novamente avisado pela polícia secreta para manter silêncio. Os Wurmbrands viajam para a Escandinávia e Inglaterra antes de chegarem aos Estados Unidos. Em Maio, o Pastor testemunha em Washington D.C., antes do Sub-comité de Segurança Interna do Senado, desnudar a sua cintura e revelar dezoito feridas profundas no seu corpo. Esta história espalha-se rapidamente pelo país e pelo mundo, e centenas de convites para testemunhar chegam a sua casa.

    1966
    Richard e Sabina iniciam a sua viagem de pregação internacional, revelando as atrocidades cometidas contra os seus irmãos e irmãs nos países comunistas. O Pastor Wurmbrand sabe que a polícia secreta romena está a planejar a sua morte. Todavia, o pastor não podia ser silenciado. Ele continua a sua viagem de pregação e começa a ser conhecido como “a Voz da Igreja Secreta”
    1967
    Com o desejo de servir a sua Família perseguida de uma forma melhor, os Wurmbrands iniciam oficialmente um ministério de compromisso com esse serviço. Em Abril, é formada a “Jesus para o Mundo Comunista”, mais tarde chamada por “A Voz dos Mártires”. O livro “Torturado para Cristo”, que conta a experiência do Pastor Wurmbrand na prisão, é lançado. Em Outubro, é lançado o primeiro número do jornal mensal de “A Voz dos Mártires”.

    Anos 70 até meio dos anos 80

    Apesar da Guerra Fria dos anos 80, A Voz dos Mártires permanece verdadeira ao seu chamado para servir a Igreja perseguida. O trabalho desenvolve-se com cinco objectivos principais e liga mais de 80 nações.

    1989
    Uma falha da democracia mostra a brutalidade dos comunistas chineses quando massacram aproximadamente mil protestantes em Tianamen Square, Beijing. Iniciam-se manifestações na Europa de Leste e em 9 de Novembro cai o Muro de Berlim. Um Pastor romeno prega em Timisoara. Logo depois, milhares de romenos começam a protestar contra o regime opressivo de Elena e Nicolae Ceausescu. Muitos soldados, convencidos pelas pessoas, tornaram-se polícia secreta. Em 25 de Dezembro, dia de Natal, a paz vem para a nação oprimida da Roménia.

    1990
    Em apenas alguns dias na nova Roménia de fronteiras abertas, colaboradores da Voz dos Mártires trazem camilhões com auxílio à Roménia e a outros países libertados. Richard e Sabina voltam à Roménia, depois de 25 anos de exílio. Richard é bem recebido por muitas Igrejas e até prega na televisão pública. Ele lamenta a execução dos tiranos romenos e prega uma mensagem de amor e perdão. Uma gráfica cristã e uma livraria são abertas em Bucareste. O governo local oferece um armazém para os livros cristãos, precisamente no mesmo local onde Richard foi preso em prisão solitária. Uma segunda gr

  • Abraão, o amigo de Deus

    Abraão é um dos principais personagens do Antigo Testamento. Ainda hoje, as três principais religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo) consideram-se, natural ou espiritualmente, descendentes do patriarca. Não obstante às suas fraquezas, Abraão foi chamado de “O Amigo de Deus”. O versículo-chave da biografia desse personagem é: “E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus” (Tg 2.23; Gn 15.6).

    Deus chamou Abraão de Ur dos Caldeus para usá-lo num elevadíssimo projeto: ser o pai de uma grande nação. Não sabemos qual critério o Eterno utilizou para esse chamamento. Poderia ter escolhido Enoque, o que fora transladado; ou Noé, o justo (Gn 7.1). Todavia, preferiu Abraão. Resgatou-o de uma cultura idólatra, perversa e imoral a fim de que lhe servisse por toda a vida.

    I. ABRAÃO ANTES DO SEU CHAMADO

    1. Ur dos Caldeus. Fundada cerca de 2.800 a.C, foi o centro de uma grande cultura pagã. Era avançada nas ciências e proporcionava aos seus habitantes, excelente estabilidade sócio-econômica. Além disso, Ur exerceu forte influência religiosa, social e comercial em toda a região mesopotâmica e fora dela.

    2. Harã e Siquém (Gn 12.4-8). A despeito de acumular muitas riquezas em Harã, o coração do patriarca não estava ali. Ele sabia que a vontade de Deus deveria ser cumprida, por isso decidiu partir de Harã para Canaã, passando por Siquém. Além disso, seu pai já estava morto, não havia nada que pudesse detê-lo. Sua obediência e firme confiança em Deus fê-lo perseverar na jornada.
    Em Siquém, o Senhor aparecera a seu servo, reafirmou-lhe as promessas, mostrando toda a terra de Canaã.

    3. Disposição para mudar. Abraão teve de ter fé e muita disposição para sair de uma cidade tão rica e desenvolvida, e peregrinar numa terra totalmente ignorada. O cristão que deseja fazer a vontade de Deus deve estar preparado para mudanças profundas em todas as áreas da sua vida. Isso aconteceu com Jonas, o profeta; com o apóstolo Paulo, Pedro e com muitos outros ao longo da história. Você tem se colocado à disposição de Deus?

    O patriarca Abraão habitava na cosmopolita Ur dos Caldeus. Quando Deus o chamou, deixou todas as vantagens da metrópole a fim de cumprir a vontade do Senhor.

    II. CONSEQÜÊNCIAS DA PARCIALIDADE

    Deus ordenou a Abraão que se separasse de seus parentes. Exceto Sara, sua esposa, nenhum outro membro da família deveria acompanhá-lo. Todavia, o patriarca, certamente constrangido pela idade avançada de seu pai, e a presença de seu sobrinho Ló, decidiu levá-los.

    1. Desgaste espiritual. Abraão, na verdade, confrontou a ordem divina (Gn 12.1,5; 13.1b). Ele devia ter evitado que os laços familiares atrapalhassem o caminho que o Senhor lhe havia preparado. Escrevendo aos Romanos no capítulo 12, versículos 1 e 2, o apóstolo Paulo nos apresenta um princípio infalível de bem-estar espiritual para todo o crente: descobrir a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Este princípio, quando posto em prática, garante permanente comunhão com o Altíssimo.

    2. Desgaste afetivo (Gn 13.1-18). Abraão teve de apaziguar uma desavença entre seus pastores e os de Ló. Em razão de haver rebanho demais para pouca terra, eles constantemente disputavam os pastos para seus bois e ovelhas. A situação ficou tão insuportável que o patriarca precisou, inclusive, separar-se de seu sobrinho.

    3. Desgaste econômico. Sendo inevitável a separação, Abraão deu a Ló o privilégio de escolher seu território. Ló não teve dúvida, escolheu aparentemente a melhor parte: uma campina fértil à beira do rio Jordão (Gn 13.10,11). Este episódio nos mostra que o homem em desobediência a Deus pode sofrer conseqüências desastrosas em qualquer área de sua vida.
    A parcialidade na vida de Abraão resultou em desgaste espiritual, econômico e afetivo.

    III. A CHEGADA EM CANAÃ

    1. Ratificando as promessas. Assim que Abraão chegou a Canaã, Deus lhe apareceu mais uma vez a fim de ratificar a promessa feita em Harã: “à tua semente darei esta terra” (Gn 12.7a). Era tudo que precisava para saber que estava no centro da vontade de Deus, uma vez que há tantos anos o Senhor não lhe aparecia.
    Esse episódio nos faz concluir que o silêncio de Deus não tira o crente do rumo certo. Compete a este permanecer firme nas promessas imutáveis do Senhor.

    2. O testemunho público. A entrada de Abraão em Canaã foi marcada por um culto de adoração e ações de graças a Deus. O patriarca mostrou aos cananeus que ali estava um homem comprometido com a adoração de um único e verdadeiro Deus. Todos ficaram cientes de que Abraão era um homem de fé logo no primeiro momento de sua chegada. Esta deve ser a conduta do crente: demonstrar que serve a Deus em todo lugar e em qualquer circunstância (Mt 10.32; Lc 12.8).
    Quando Abraão chegou em Canaã edificou um altar ao Senhor. Ali Deus ratificou a promessa a seus descendentes.

    IV. ASPECTOS POSITIVOS DO CARÁTER DE ABRAÃO

    1. Generosidade. Abraão demonstrou nobreza ao resgatar seu sobrinho. Ló fora capturado e preso com o seu povo. Assim que Abraão soube do fato, imediatamente saiu em perseguição dos invasores até Dã, ao norte do território israelita. Aliado com seus três vizinhos, Aner, Escol e Manre (Gn 14.24), o patriarca lutou bravamente e venceu a peleja. Esta atitude mostra o aspecto nobre do caráter de Abraão.
    O que mais chama a atenção não é a derrota dos inimigos, mas sim a generosidade do patriarca para com seu sobrinho. Ele não demonstrou nenhum indício de ressentimento ou animosidade contra aquele que um dia lhe prejudicara.
    O “amigo de Deus” deixou-nos uma grande lição sobre como devemos proceder com aqueles que direta ou indiretamente nos causam danos. Ponhamos em prática os ensinos de Jesus (Lc 6.27b,28b).

    2. Firmeza. Abraão revelara este aspecto de seu caráter quando aguardava o cumprimento da Palavra do Senhor. A despeito de viver em Canaã, a promessa que Deus lhe fizera não havia se cumprido integralmente. Faltava-lhe um legítimo herdeiro. Contudo, Abraão permaneceu fiel, aguardando a concretização dos planos divinos em sua vida (At 7.2; Gn 12.1,2).

    3. Fidelidade. A fidelidade de Abraão é demonstrada no momento em que se encontrou com Melquisedeque (Gn 14.18,19), rei e sacerdote do Deus Altíssimo. O fiel servo do Senhor entregou-lho o dízimo de todos os seus bens.

    4. Integridade. Ao regressar da batalha dos quatro reis contra cinco, Abraão recebeu uma tentadora proposta do líder de Sodoma. O patriarca ficaria com todos os despojos da peleja, enquanto ele (o rei de Sodoma) teria direito sobre os prisioneiros de guerra. É claro que o servo do Senhor não aceitou esse acordo (Gn 14.22,23). Ele não queria riquezas que o prendesse a Sodoma. E, além disso, aqueles bens tinham procedência mundana e profana. O cristão deve ser vigilante quanto à origem do que vem às suas mãos para que sua adoração não seja rejeitada (Sl 24.1-5).

    5. Submissão. Abraão foi duramente provado quando Deus lhe pediu Isaque em holocausto (Gn 22.3). Certo de que o Senhor poderia ressuscitá-lo, não titubeou: partiu para o lugar do sacrifício, levando consigo seu único filho e dois criados (Gn 22.1-3; Hb 11.17,18). O caráter submisso de Abraão é uma referência para todos que desejam viver em santa obediência ao Senhor. Submissão e fé são imprescindíveis à vida cristã (Rm 1.5; At 5.32). Urge vivermos em constante oração para que a vontade de Deus esteja sempre diante de nossos olhos (Rm 12.1,2). Os que confiam no Senhor recebem dele o necessário provimento, a exemplo de Abraão, que encontrou um cordeiro para o holocausto (Gn 22.13).
    Os aspectos positivos do caráter de Abraão são: a generosidade, a firmeza, a fidelidade, a integridade e a submissão.

    V. ASPECTOS NEGATIVOS DO CARÁTER DE ABRAÃO

    1. Medo. Nenhum homem de Deus está livre de sentir-se inseguro em determinadas situações. Isso aconteceu com Abraão após o resgate de Ló. Deus, porém, lhe apareceu em uma visão, à noite, dizendo: “Não temas, eu sou o teu escudo” (Gn 15.1). O mesmo ocorreu com Gideão (Jz 7.10), com os discípulos (Mc 6.49,50) e ainda hoje com diversos servos de Deus. Em todos os casos, o Senhor se faz presente.

    2. Fingimento. Abraão propôs a Sara que fingisse ser sua irmã. Por ser muito formosa, o patriarca pensou que se ela se passasse por sua irmã, os egípcios não o matariam (Gn 12.11-13). Abraão omitiu a verdade absoluta, usando de subterfúgios. A palavra do crente deve ser sim, sim e não, não (Mt 5.37). O fingimento é uma forma de mentira, e a Bíblia o condena taxativamente (1 Pe 2.1; Pv 25.23).

    Os aspectos negativos do caráter de Abraão são: o medo e o fingimento.

    CONCLUSÃO

    Por seu íntimo relacionamento com o Senhor, Abraão recebeu o título de “amigo de Deus” (2 Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23). Foi o único a conquistar tamanho privilégio. Tendo saído de uma terra carregada de idolatria, Deus o honrou sobremaneira. Sua submissão ao Senhor foi o ponto forte de toda sua vida, como lemos no texto áureo desta lição.
    Não obstante todas as falhas humanas, Abraão tornou-se o maior modelo de fé e obediência a Deus. Sigamos, pois, o seu exemplo.

    Subsidio Teológico

    “História de Abraão

    Abraão iniciou sua vida em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Dali, Terá, seu pai, mudou-se com a família para Harã. Tanto Ur como Harã eram centros de adoração da lua. O nome de seu pai, Terá, provavelmente significasse ‘Ter é (o divino) irmão’. Acredita-se que ‘Ter’ seja uma variação dialética para o deus lua e era especialmente popular no distrito de Harã como foi confirmado pelos registros assírios. Mas Abraão foi convocado pela voz de Deus a deixar o seu cenário pagão, para ir a uma terra divinamente prometida à sua semente.
    Após sua chegada à Palestina, Abraão passou muitos dias principalmente nas proximidades de três centros no sul, Betel, Hebrom (Manre) e Berseba. Entretanto, nas proximidades de Betel, Abraão construiu o seu segundo altar (Gn 12.8; 13.3) e invocou o nome do Senhor Jeová […]”.
    (PFEIFFER, C. F. Dicionário bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006, p.11.)

    APLICAÇÃO PESSOAL

    Abraão peregrinou por terras longínquas e inóspitas. Enfrentou todas as dificuldades comuns aos viajantes nômades. Para as caravanas que cruzavam a estrada, lá estava mais um pastor nômade vagando pelo ermo. Porém, Abraão via o invisível e conhecia o incognoscível! Ele caminhava em direção à Terra Prometida – ao seu lar de inefável alegria! O ardor do estio que crestava-lhe a tez, não era mais forte do que a fé rubra que incendiava-lhe a alma! Assim também peregrinamos pelos vales desse mundo. Os que atravessam o caminho não vêem o que vemos; não discernem o que conhecemos!

    Estamos caminhando em direção ao nosso lar celeste. As chamas das vicissitudes não são maiores do que a nossa esperança no Sol da Justiça. Permaneça firme até o encontro celestial.

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  • Abraão era judeu?

    Pergunta: “Recentemente alguém me disse que Abraão não era judeu, mas caldeu. Também Isaque e Jacó não teriam sido judeus. Somente depois do filho de Jacó, Judá, eles teriam se tornado judeus (tribo de Judá). Tenho outra opinião, porque em Gênesis 11.10ss são mencionadas as gerações de Sem, onde aparece também Abraão. Pois os judeus vêm da descendência de Sem (semitas). E Abraão, em geral, é tido como patriarca dos judeus. Minha opinião está correta ou estou enganado?”

    Resposta: Na verdade Abraão ou Abrão, como ele se chamava inicialmente, não era judeu de berço. Gênesis 11.26-28 diz em relação à sua origem: “Viveu Tera setenta anos e gerou a Abrão, a Naor e a Harã. São estas as gerações de Tera. Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló. Morreu Harã, na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo.” Sobre Ur lemos num dicionário bíblico: “Cidade muito antiga no sul da Babilônia, que se indentifica como Tell el-Muqayyar; ela estava situada na margem direita do rio Eufrates, a meio caminho entre Bagdá e o Golfo Pérsico. Tera e seus filhos – entre eles Abrão – nasceram em Ur e de lá se mudaram para Harã”. Portanto, a pátria de Abraão ficava na Babilônia. Josué também salienta isso no seu “discurso à nação”: “…Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses” (Js 24.2). Abraão de fato descendia de Sem, portanto era um semita, mas ele servia a quaisquer outros deuses babilônicos. Ter origem semítica ainda não significava ser o patriarca de Israel, mas simplesmente que Canaã lhe seria submisso, seria seu servo (Gn 9.26).

    A mudança só ocorreu em Gênesis 12. Ali houve um acontecimento que não apenas desestruturou o pequeno mundo de Abraão, mas que teve conseqüências que vão perdurar até o fim dos tempos. O Deus Soberano, o Criador dos céus e da terra, chamou um único homem, ordenou-lhe que deixasse sua terra e partisse para uma terra distante que Ele lhe mostraria. O Senhor não lhe disse o nome dessa terra. Por isso, Abraão não sabia em que se envolveria, mas creu na promessa que lhe foi dada a seguir: “de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” (Gn 12.2). Embora somente seu neto Jacó tenha recebido o nome de Israel (Gn 32.28), isto não muda o fato de Abraão ser o patriarca do povo de Israel. Pois Abraão, Isaque e Jacó sempre são mencionados em conjunto, por exemplo, em Gênesis 50.24; Êxodo 33.1; Levítico 26.42; Números 32.11; Deuteronômio 1.8; Mateus 1.2; Lucas 13.28; Hebreus 11.8-9 e assim por diante. A base para isso é e continuará sendo a aliança de Deus com Abraão.

    O nome “judeus” muitas vezes é usado como sinônimo de Israel, mas deveríamos lembrar que isso não é historicamente exato, pois o reino de Davi se dividiu depois da morte de Salomão (930 a.C.). Formou-se, por um lado, o Reino do Norte (as dez tribos de Israel) e, por outro lado, o Reino do Sul (as duas tribos de Judá, os descendentes de Judá e Benjamim – veja 1 Reis 12). Depois do cativeiro babilônico, o nome “judeus” é usado de modo geral para os habitantes da Judéia. É interessante que no Novo Testamento Jesus é chamado de “Rei dos judeus” pelos estrangeiros (Mt 2.2; Mt 27.11, etc.), enquanto os próprios judeus o chamaram de “rei de Israel” (Mt 27.42). Atualmente não importa mais se um judeu ou uma judia descende de Judá, de Benjamim ou de qualquer uma das outras dez tribos. Usa-se a designação “judeus” genericamente para uma comunidade étnica que sobreviveu apesar de séculos de perseguição, porque Deus confirmou Sua aliança com Israel através de um juramento e conduzirá Seu povo para o alvo! (Elsbeth Vetsch)

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  • Alerta Apostaia

    Atualmente, existem espíritos no mundo físico agindo, diligentemente, em todas as facetas do que é chamado “Cristianismo”. O espírito do Anticristo é o principal agente nesse contexto, conforme profetizado para a igreja dos últimos dias, cujo destino final é se tornar um sistema religioso mundial, sob o controle do Diabo encarnado. [N.T. – Cristo se fez homem para salvar os pecadores. Satanás vai se encarnar, com o objetivo de destruí-la].

    Nossa frustração, a do remanescente fiel ao Senhor Jesus Cristo, é saber que não podemos deter um movimento, cujo tempo é chegado. Foi o próprio Deus quem colocou a cegueira naqueles que O adoram somente com os lábios, mas o seu coração está longe dEle. O máximo que podemos fazer é “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”, tentando “arrebatar alguns do fogo” (Judas 3,23).
    A maneira de localizar onde o Diabo está agindo é no seu ataque à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Isso está acontecendo em todas as direções – tanto no lado conservador como no lado liberal da igreja visível. “Nada há de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9). Satanás sempre tem lançado dúvidas sobre a Palavra de Deus, esforçando-se para enganar o Seu povo, como, por exemplo, em Gênesis 3:1: “É assim que Deus disse?”   

    PARÁFRASES MODERNAS
    – A criação das falsas traduções da Bíblia é a maneira mais óbvia pela qual a Palavra de Deus tem estado, ultimamente, sob ataque. A Bíblia “The Message” (A Mensagem) é vendida como uma tradução, sendo uma paráfrase com a pretensão de ser lida amistosamente. Contudo, ela  distorce a significação da Escritura. Um ministro assim observou as deficiências na Bíblia “The Message”, a qual ele nomeia como “uma mentira parafraseada”.

    O Anticristo é simplesmente um anarquista. Palavras como “apostasia”, o “que resiste”; e outras estão em falta; o julgamento do Anticristo é uma “piada”; não há referência alguma sobre a volta de Cristo; os maus são banidos, em vez de condenados. Além disso, em vez de denunciar o autor, nesse assalto à Bíblia, muitos líderes da igreja atual emprestam os seus nomes como um endosso a este livro: “Amy Grant, Benny Hinn, Bill Hybels, Bill and Gloria Gaither, Billy Graham, Chuck Swindoll, Cynthia Heald, Gary Smalley, Gordon MacDonald, J.I. Packer, Jack Hayford, Jerry Jenkins, Jerry Savelle, Jimmy and Rosalyn Carter, John Maxwell, Joni Eareckson Tada, Joyce Meyer, Keith Miller, Kenneth Copeland, Madeleine L’Engle, Max Lucado, Michael Card, Michael W. Smith, Newsboys, Rebecca St. James, Richard Foster, Rick Warren, Rod Parsley, Stuart and Jill Briscoe, Tony Campolo, Vernon Grounds, Walter Kaiser Jr., Warren Wiersbe.

    EVANGÉLICOS – Um correto barômetro da igreja evangélica, para os dias de hoje, são as populares revistas “Christianity Today” e “Charisma”. Para ver como o Evangelicalismo tem se distanciado da verdade bíblica, basta que se pesquisem as páginas da última edição destas duas publicações, a fim de verificar quais os ministérios que estão sendo promovidos e quais as conferências que estão sendo anunciadas. [N.T. – Há alguns anos, a edição da C.T. aqui no Brasil, pediu-me para escrever um artigo sobre a Igreja Emergente. Como escrevi um texto denunciando-a, claro que a revista não o publicou).

    Por exemplo, a C.T. publicou um artigo sobre o controverso autor católico – Brennan Manning – cujos artigos mostram uma mentalidade novaerense e ecumênica. Embora muitos ministérios  apologéticos tenham denunciado este fato, a C.T. o ignorou e numa entrevista de 06/10/2005,  ela se referiu ao livro de Manning, “The Ragamuffin Gospel” como sendo um clássico espiritual, mesmo estando este livro repleto de perigosos ensinos espirituais. “A Coward Who Stayed to Help”  é a estória [furada] em que Manning contou a sua ajuda às vitimas do furacão Katrina. Numa inversão dos eventos, a C.T. precisou editar uma correção da tal estória, uns cinco dias após sua publicação. Acontece que Manning havia exagerado em tudo e por isso os editores da C.T. colocaram um adendo à estória, conforme abaixo:

    “Dos editores – “Lamentamos informar nossos leitores que, após nossa conversa gravada, Brennan Manning telefonou ao nosso escritório, a fim de se desculpar. Ele reiterou que ficara ‘desorientado, confuso e deprimido’; ele disse, em seguida, que certos detalhes que e havia entregue não eram verídicos. Ele não conseguiu identificar a criança do seu prédio de apartamentos, nem ajudou uma senhora idosa a se livrar da tragédia. Conquanto ele tenha sido o último a sair do prédio, ‘a verdade é que não havia pessoa alguma, ali,  que eu pudesse ajudar’”. Ele concluiu, numa mensagem verbal à C.T.: ‘A pura verdade é que eu menti’”.

    Apesar de tantas mentiras, a C.T. arquivou a entrevista sem editar e anexou a  antiga estória de Manning, à edição de junho 2004, a qual mostrava todos os líderes evangélicos que abraçaram esse ex-padre franciscano.  A lista dos seus admiradores consta de “Quem é Quem” dos líderes evangélicos, como Eugene Peterson, autor da Bíblia parafraseada – “The Message” – e do popular consultor, Larry Crab. Manning também é endossado por muitos músicos populares, tais como o falecido Rich Mullins, Michael Card, Michael W. Smith e os membros da U2.  Tais endossos têm permitido a este herege a entrada nos círculos e revistas evangélicos.

    Brennan Manning tem popularizado a ideia de que a Bíblia não deve ser aceita literalmente e qualquer pessoa que enaltece os seus valores não passa de um fariseu e hipócrita. Ela precisa ser separada da Palavra de Deus, como sendo um livro contendo palavras de homens misturadas às palavras de Deus, a fim de que a verdade ecumênica possa ser alcançada pelos católicos & protestantes. Tanto a C.T.  como a Charisma aprovam esta agenda.

    DENOMINAÇÕES TRADICIONAIS – Os cristãos crentes na Bíblia há muito têm ficado chocados e horrorizados com a retórica antibíblica expressada pelos movimentos e organizações protestantes, que antes acreditavam na verdade da Escritura. “Teólogos” do Seminário de Jesus, como o bispo episcopal John Spung, têm sido aceitos pelo mundo secular como sendo porta-vozes do Cristianismo. O último livro de Spung é intitulado “The Sins of Scripture: Exposing the Bible Texts of Hate to Reveal The God’s Love”. Nele, Spung afirma que “a Bíblia está repleta de conceitos tribais e de amantes do sexo, do tempo antigo”. Mesmo assim, ele apanha as coisas de que gosta na Escritura, descartando o resto – ou seja,  a maior parte da Bíblia.

    Quando ele denuncia a  Bíblia desta maneira, poder-se-ia imaginar que a Igreja Episcopal iria renegá-lo, mas, em vez disso, ela o apoia, permitindo que o seu veneno se espalhe através de uma denominação já morta.

    O mesmo acontece na Igreja Metodista, a qual também apoia os que odeiam a Bíblia. Uma dessas pessoas é Susan Cady, co-autora da obra “Sophia, The Future of Feminine Spirituality”, a qual pastoreia uma das mais antigas igrejas metodistas na Filadélfia. Ela é quase uma bruxa, denunciando a Bíblia, pelo que ela chama desvio patriarcal. Pois, em vez de ser disciplinada pelos males que tem espalhado contra o Cristianismo e a Palavra de Deus, [essa bruxa] é enaltecida a uma posição de destaque. O que John Wesley iria pensar disso?

    Contudo, são os denunciadores da Bíblia, na Cristandade,  que têm predominado na imprensa. Eles são os mais apresentados nos documentários da TV secular, tais como na série “Os Mistérios da Bíblia”. Quem melhor do que um erudito de seminário (como os do Seminário de Jesus, os quais negam a divindade de Cristo), ou algum ministro ordenado por uma denominação tradicional, para ser citado como afirmando que a separação do Mar Vermelho, de fato,  jamais aconteceu? Esses homens e mulheres eclesiásticos são uma verdadeira desgraça para o Cristianismo Bíblico, fornecendo munição aos que odeiam a Bíblia, substituindo-a pela cultura popular. [N.T. Eles ignoram completamente o que Paulo ensina na 1 Coríntios 1:18-20: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?”]

    Muitas denominações tradicionais abandonaram a Bíblia, substituindo-a pela cultura popular. Homossexuais ativos são bem-vindos a essas denominações e os que se opõem são marginalizados. Igrejas como a UCC (United Church of  Christ), a Igreja Luterana, a Igreja Metodista Unida, a Igreja Discípulos de Cristo e a Sociedade dos Amigos (quakers)  não mais acatam os ensinos dos seus fundadores. A batalha pela Bíblia já foi perdida nas denominações principais.

    TELEEVANGELISMO PENTECOSTAL/CARISMÁTICO – A maior rede de TV “cristã” do mundo – TBN (Trinity Broadcasting Network) costuma enaltecer frequentemente o seu chamado “profeta” Kim Clement. Este, e outro visionário de uma igreja nova, Tommy Tenney, foram entrevistados  pelos anfitriões – Matthew e Laurie Crouch – no programa “Praise The Lord”, há uns cinco anos. Clement compartilhou um vídeo clip de uma de suas reuniões, na qual ele entrou num frenesi profético, tendo “profetizado” um lampejo de como a igreja gostaria de parecer no futuro.       “Vai acontecer um mover mundial de Deus”, Clement bradou, dirigindo-se a um batedor de rock de sua banda, na retaguarda. “Vai acontecer um mover do meu espírito [N.T. – O visionário escreve tudo em minúsculo mesmo] no mundo inteiro e o espírito do Senhor diz: ‘Eles vão preparar o maior reino que já existiu, o reino do meu filho. Mudarei as leis deste país. Colocarei favor, favor, favor na igreja do Deus vivo. E durante sete anos, vocês entrarão na maior prosperidade com que já sonharam. Ela é de vocês… de vocês. Diz o Senhor. Vejam bem”. Enquanto isso, a multidão grita e extravasa a sua agitação) [N.T. – Francamente, o Inglês desse visionário é pior do que o meu, uma cearense do Crato. Foi difícil traduzir o seu péssimo Inglês, repleto de gíria pentecostal. Ach Du, Mein Gott].

    De volta ao estúdio, o anfitrião Matt Crouch comentou: “Esta é a igreja como deveria ser!” Com o que Laurie concordou: “Toda agitada!”  Matt completou: “Absolutamente caótica nas mãos de Kim Clement.  Foi um culto assombroso, o último do Ano 2000… E ele esteve  profetizando para a América. É assim que as coisas devem ser. Vocês sabem quando estamos falando de uma igreja pobre, a qual não depende do dinheiro (Matt fala zombeteiramente). Ali se podem ver pessoas rindo, absolutamente histéricas, e dançando na presença do Senhor. Essas pessoas estão famintas e apaixonadas pelo louvor e adoração em suas reuniões”.

    Tommy Tenney fungou: “Acho que ele vai receber uma unção para matar os espíritos religiosos. Eles já estão mortos, há, há, há”. Com isso Matt concordou.

    Num programa anterior, com os mesmo anfitriões e convidados, Clement criticou acerbamente a liderança da igreja, conforme a percebia: “Podemos ser jovens, podemos ter ótima aparência, podemos ser prósperos e ricos; estamos apenas provocando-os. E não vamos precisar de 20 anos para conseguir a mudança de todas as coisas. Aparentemente, isso não difere muito em cada geração”. Em seguida, ele voltou ao seu ataque contra a Bíblia: “Saibam que eu não estou pensando agora a respeito da Tribulação de sete anos, nem em pré, mid ou pós, nesse tipo de coisa. Não nos preocupamos com isso. Só queremos ver os reinos deste mundo se tornarem reinos de Deus. Não perdemos tempo com isso…. Estamos vivendo o melhor tempo da igreja que já existiu. Já estamos dentro dele, agora mesmo. Só que uma porção de gente não quer ver, preferindo ir para casa, a fim de estar com o Senhor. Não queremos isso!”

    O ódio à igreja demonstra uma visão do que acontece com a Bíblia. Clement não carrega uma Bíblia, preferindo apresentar suas próprias ideias e espantosas “profecias”, como sendo a Palavra de Deus para hoje. Seu amigo Tommy Tenney, que escreveu o livro “The God Chassers”, concorda e revela ainda mais a atitude da TBN em relação à Palavra de Deus.
    “Um caçador de Deus  poderia ficar excitado sobre alguma verdade empoeirada”, Tommy escreveu, “uma coisa que aconteceu no passado e há quanto tempo. Este é o problema. Há quanto tempo ela existiu? Um verdadeiro caçador de Deus não se sente feliz apenas estudando páginas mostrando o que Deus fez; ele quer ver o que Deus está fazendo. Existe uma vasta diferença entre a verdade atual e a verdade do passado. Temo que a maior parte do que a igreja tem estudado seja do passado e muito pouco do que sabemos se relacione com a verdade atual”.
    Exemplos de recentes ataques à Palavra de Deus no campo da TBN são numerosos demais para serem registrados. A TBN prossegue em sua tendência de enaltecer o ecumenismo, rebaixando a Bíblia e enaltecendo os mestres com escândalos associados aos seus ministérios. Sua rede virtual pode ser vista em qualquer parte do planeta, dando fôlego à Mãe das Prostituições.

    IGREJA CATÓLICA ROMANA
    – Um serviço de notícias on-line registrou, recentemente: “A hierarquia da Igreja Católica Romana, que escreveu um documento dizendo que algumas partes da Bíblia não são verdadeiras, infelizmente são mal direcionadas’. Assim diz o bestselling Ray Comfort… Os bispos católicos da Inglaterra, Gales e Escócia, admoestaram na semana passada, seus milhões de adoradores, bem como outros que se entregaram ao estudo da Escritura, que eles não deveriam esperar uma ‘exatidão total’ da Bíblia”.
    Ora, isso não é novidade na ICAR. Roma jamais teve a Escritura em alta estima, como sendo a Palavra de Deus. A Tradição da ICAR, através dos escritos dos “pais da igreja”, sempre tem seguido nesta mesma direção.

    UNIDADE ECUMÊNICA NA DIVERSIDADE – Os que acreditam nos ensinos da Bíblia  e defendem a fé que uma vez foi dada à igreja, há 2.000 anos, têm sido marginalizados. Eles recebem rótulos, dependendo do seu grupo: caçadores de heresias, fariseus, legalistas, etc.  Isto mantém a maioria dos cristãos em silêncio, temendo ser desgostados.

    A convocação atual nos ramos da Cristandade é no sentido de permitir que a cultura popular dite como devemos interpretar o viver conforme a Escritura, com os que se autodenominam cristãos. Estes afirmam que precisamos mudar, a fim de nos tornarmos importantes, e denunciam, como dogmáticos e retrógrados, os que permitem que a Bíblia dite sua crença e comportamento. A teologia pós-moderna não tem absolutos e seus inimigos são os que aceitam a Bíblia, literalmente.

    Tais ideias jamais conseguiriam invadir uma igreja cristã bíblica com um ataque frontal. Não, elas entram pelos fundos e vão, aos poucos, introduzindo-se [N. T. – Ela começa com a igreja aceitando a música cristã contemporânea]. A Bíblia adverte sobre essa tática, em Judas 4: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”.

    A pergunta que não pode calar é a seguinte: Para onde isso vai nos conduzir? A resposta pode ser a seguinte:

    • A uma volta aos ídolos.
    • A uma celebração dos ritos pagãos cristianizados.
    • A uma mistura de ideais sagradas e profanas.
    • A uma renúncia à autoridade da Bíblia por algo como a tolerância.
    • A cambiar as histórias antigas (da Bíblia)  pelas novas lorotas sobre o que Deus está fazendo agora, em todas as denominações religiosas.
    • Ao Espiritualismo – Toda e qualquer expressão espiritual é aceitável, se parecer positiva.
    • Ao Panenteísmo – a crença de que tudo na criação faz parte da essência divina.
    • A nenhuma doutrina sobre o pecado, a queda, a redenção, o inferno, adotando o universalismo – ou seja – que todos os homens são filhos de Deus.
    • A uma aceitação do estilo de vida homossexual, como igualzinho ao heterossexual.
    • Ao pensamento de que tudo se torna um e ao de transformar o planeta num lugar pacífico, onde todas as religiões têm a verdade, podendo celebrar juntas.

    CONCLUSÃO – Este ecumênico ataque à Palavra de Deus está resultando em prejuízo ao corpo de Cristo, num tempo de tremenda pandemia de mornidão espiritual. Ele se deve, em parte, a uma apatia pós “riso santo”, nas igrejas, quando ela esteve buscando emocionantes experiências espirituais, tendo ficado insatisfeita, quando estas não a conduziram ao ápice.  Toda a conversa a respeito dos maiores reavivamentos espirituais dos tempos finais não aconteceu; portanto, os crentes que buscaram esses “moveres de Deus” ficaram decepcionados. Agora, Eles estão preparados para algo novo. Gostam de escutar que “Deus está fazendo coisas novas”. O que Ele fez nos tempos do Velho e do Novo Testamento não é importante para as pessoas de hoje. Agora, elas querem algo que possam escutar, provar, cheirar e tocar. Elas querem novidades. [N. T. – A Igreja Emergente deveria se chamar Igreja de S. Tomé]. Paulo falou sobre isso, em Atos 17:16-21: “E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria. -De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam. E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição. E tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser isto. (Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade)”.

    Contudo, “nada existe de novo sob o sol”. Esses desejos carnais têm conduzido o povo de Deus à urgência, como os israelitas, de fabricar um bezerro de ouro. As exigências carnais levaram os judeus, no tempo de Jesus, a buscar um sinal, ao que Jesus respondeu: “Uma geração maligna e perversa busca um sinal” (Mateus 12:49. Ele os mandou de volta aos escritos dos profetas e  ao sinal de Jonas. [N.T. – Este é o conselho que os pastores modernos, infelizmente, esquecem de dar aos crentes]. Os cristão salvos do Novo  Testamento devem andar por fé (Habacuque 2:20; Romanos 1:17). Enquanto isso, o homem carnal só adora o que ele pode ver.

    O que está emergindo é um lodaçal maligno, nestes tempos finais, o qual não se pode deter. Deus cegou as mentes dos que não amam a Palavra da Verdade. O máximo que se pode fazer é resgatar alguns dos que tropeçam acidentalmente, apontando-lhes o caminho verdadeiro, antes que sejam tragados pela Mãe das Prostituições. Ela está se formando, exatamente diante dos nossos olhos, para que vejamos que a nossa redenção está próxima.

    Jackie Alnor (jalnor@yahoo.com) – “Apostasy Alert”
    http://www.apostasyalert.org/bible_under_attack.htm
    Tradução e adaptação de Mary Schultze, em 20/01/2012. www.maryschultze.com

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