Autor: Eduardo Melo

  • S.O.P.A. PERIGO

    Nossas liberdades estão sendo sistematicamente destruídas e tudo em nome da segurança e conveniência.

    Veja a nova cartada do governo americano.

    Os projetos de lei antipirataria norte-americanos Stop Online Piracy Act (Sopa) e  Protect IP Act (Pipa) do Senado, causaram uma onda de protestos de vários sites e empresas de internet dos Estados Unidos. Cerca de sete mil sites acessaram seus serviços na quarta-feira (18/01) (como foi o caso da versão inglesa do Wikipedia) ou alteraram seu design para demonstrar sua oposição (como fizeram o Google e o Mozilla).

    Parece que o movimento surtiu efeito e agora os projetos perdem força entre os políticos. Mesmo assim, com a oposição tomando forma, vamos ver como se encontram os projetos de lei:

    1. Sopa ainda vive: estariam agora a Sopa e a Pipa parados? Na verdade, o principal relator do Sopa, Deputado Lamar Smith (Texas), disse na terça-feira (17/01) que esperava levar o projeto de lei para uma audição na House Judiciary Committee (Comitê Judiciário da Câmara) em fevereiro. Nessas audiências, os legisladores podem debater os projetos de lei e propor alterações, bem como votar se o projeto deve ou não ser passado para o plenário da Câmara. “Para aprovar uma legislação que protege os consumidores, empresas e empregos de estrangeiros que roubam propriedade intelectual dos Estados Unidos, vamos continuar a reunir representantes da indústria para encontrar formas de combater a pirataria online”, afirmou Smith na terça-feira (17/01) por meio de um comunicado.
    2. Cooperação do provedor de pagamento é exigida: a SOPA encorajará – não exigirá – que provedores de pagamento como o Visa e PayPal não facilitem as transações comerciais com qualquer site que o governo tenha considerado como tendo conteúdo de pirataria.  Segundo Smith, “o projeto de lei mantém provisões que ‘seguem o dinheiro’ e cortam as fontes principais de receitas para sites estrangeiros ilegais. E isso fornece meios de fazer reclamações contra esses portais que roubam e vendem a sua tecnologia, produtos e propriedade intelectual”.
    3. SOPA perde ordens judiciais: um ponto de discórdia para a SOPA foi que os provedores de serviço deveriam cumprir uma ordem judicial, obtida pelo governo, obrigando-os a bloquear o acesso a sites estrangeiros desonestos e que indenizariam suas ações. Mas em resposta às criticas do fornecimento, Smith recentemente removeu a ordem judicial. Como resultado, não está claro como as ordens de bloqueio aos sites podem ser obtidas ou policiadas.
    4. Os projetos de lei continuam em desenvolvimento: tanto a SOPA quanto a PIPA continuam em desenvolvimento. Notavelmente, o autor da PIPA, senador Patrick Leahy, admitiu que os provedores de serviço não apoiarão qualquer projeto de lei que filtre domain-name servers (DNS) para propósitos antipirataria. Da mesma forma, para ajudar a prevenir abusos, os autores do projeto de lei adicionaram itens à legislação que impõem danos – incluindo custos e honorário advocatícios – em qualquer um que faz uma alegação falsa.
    5. Mexer com DNS não é popular: como técnica antipirataria, o filtro de domínio está se provando impopular. De fato, o Google – que ganha receita com publicidade por meio de impressões de páginas – afirmou que resistirá a essas medidas. Da mesma forma, tanto a SOPA quanto a PIPA são ridicularizadas pelos provedores de serviços, por especialistas em tecnologia e pela Business Software Alliance por sua abordagem muito ampla.
    6. A reclamação dos críticos à censura: os críticos dos projetos afirmam que a legislação poderia servir como uma arma de censura de direitos autorais, já que afirmam que qualquer site que o governo dos Estados Unidos entenda como distribuidor de conteúdo pirata pode ser bloqueado.
    7. A indústria de filmes ainda gosta do projeto de lei: se as empresas de tecnologia estão contra a SOPA, o mesmo não acontece com os produtores de música e com a indústria de filmes, que continuam a buscar sanções legais para aumentar sua receita e reduzir a pirataria.
    8. A Casa Branca criticou os projetos de leis: durante o fim de semana, três especialistas em tecnologia da administração Obama divulgaram um comunicado em que reconhecem a necessidade de controlar a pirataria online, mas criticam a SOPA e a PIPA por serem muito amplas.
    9. Marketing Legislativo versus realidade: o projeto de lei é uma tentativa dos legisladores de dizerem: “Olhem, eu propus um projeto de lei para acabar com a pirataria online”. Mas sua abordagem realmente acaba com o problema? O bloqueio a sites é deselegante do ponto de vista da tecnologia e complicado do ponto de vista da liberdade de expressão.
    10. Ainda é difícil barrar sites: além do filtro DNS, as autoridades federais usam ordens judiciais para para rastrear centenas de sites que distribuem conteúdo pirata. Mas não há muito a fazer para evitar que os operadores desses sites transfiram suas operações para um novo domínio ou – em alguns casos – processem o governo por acusar injustamente seu portal.

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  • Deputada que obrigar TV Brasil a transmitir proselitismo religioso

    A deputada Liliam Sá (foto), do PSD-RJ, apresentou um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que, se aprovado, acaba com a autonomia da TV Brasil, obrigando-a transmitir programas de proselitismo religioso.

    O PDL 406/11 é uma retaliação à decisão dos conselheiros da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), a responsável pela  da TV estatal, de acabar com dois programas, um católico e outro batista, para substituí-los por apresentações sobre os aspectos históricos e culturais de todas as crenças praticadas no Brasil.

    Os programas ainda continuam no ar por força de uma liminar (decisão judicial provisória) obtida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro.

    Liliam apresentou o projeto com o argumento de que os programas se justificam porque a maioria da população brasileira é cristã.

    O Conselho Curador da EBC está tentando acabar com os programas religiosos para cumprir a determinação constitucional de que o Estado brasileiro é laico, não podendo, portanto, ter qualquer envolvimento com as religiões, mesmo em relação à hegemônica.

    O Conselho vem sofrendo fortes pressões de parlamentares, como o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal, para não só manter a programação como também para franqueá-la a outras denominações religiosas.

    O PDL, para ser votado no plenário, terá de ser aprovado pelas comissões da Câmara.

     

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  • Pastor Joel Osteen afirma que gays serão aceitos no céu mas precisam se arrepender

    Em uma entrevista ao programa televisivo de Oprah Winfrey, o pastor Joel Osteen respondeu a perguntas sobre homossexualidade e prosperidade. Osteen é líder da mega igreja de Lakewood, que possui centenas de templos espalhados pelos Estados Unidos.

    A apresentadora questionou Osteen sobre sua opinião acerca dos homossexuais. Oprah perguntou se ele acreditava que os homossexuais poderiam ir para o céu e ganhar a salvação. “Acredito que uma pessoa gay será aceita no céu” disse o pastor que afirmou também que Deus acolhe a todos que se arrependem de seus pecados.

    “A acredito que você tem que ter o perdão pelos seus pecados, mas às vezes nós [cristãos] olhamos o homossexualismo como sendo um pecado maior do que o dos orgulhosos ou dos que não dizem a verdade”, disse o pastor, ressaltando que Deus não classifica níveis de pecado.

    Osteen disse também que a Bíblia mostra claramente a homossexualidade como sendo pecado, mas que ninguém teria uma chance no céu se não pudesse ser perdoado.

    Questionado sobre a crítica recorrente de que suas mensagens falam muito em prosperidade e pouco a respeito de Cristo, o pastor respondeu que qualquer fortuna que possa possuir é uma bênção de Deus, que o capacita a ser uma bênção para os outros. Segundo o The Christian Post ele afirmou também que sua renda é derivada principalmente dos livros que escreve e não de dinheiro proveniente da congregação.

    Ainda falando sobre prosperidade o líder religioso disse discordar da ideia de que alguns seriam menos afortunados por não orarem o suficiente. Segundo ele “Deus tem um plano para vida de todo mundo e todos são capazes de alcançar grandes coisas. Há algumas pessoas que simplesmente não romperam as barreiras”. O pastor completou dizendo que o sentido bíblico para prosperidade não seria uma referência apenas para bens materiais, mas também para a paz para a mente e o corpo.

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  • Lição 2 – Jacó compra a primogenitura de Esaú

    A Primogenitura

    Primogenitura é a tradição comum de herança de toda a riqueza, estado ou função dos pais pelo primeiro filho; ou, na falta de uma criança, por parentes próximos, de forma a manter o status da linhagem familiar.

    Segundo a Bíblia, tanto a primeira cria de um animal, como os primeiros frutos das árvores deviam ser oferecidos ao Senhor no santuário, em agradecimento pelo dom da vida. A mesma lei se aplicava ao primeiro filho do casal: ele era considerado propriedade do Senhor (Ex 13,2; 22,29). Mas como sacrifícios humanos eram severamente proibidos, os pais, depois de oferecer o menino no templo, o resgatavam mediante uma oferta material. Esse costume devia lembrar aos israelitas a noite do êxodo, quando Deus fez morrer os primogênitos dos egípcios, ao passo que preservou os filhos dos israelitas (Ex 12,29). Também Jesus, ao completar os oito dias para ser circuncidado , foi levado ao templo por seus pais, oferecido ao Senhor e em seguida resgatado (Lc 2,28s; cf. Ex 13,12s e nota).

    Ao filho primogênito cabiam os direitos de primogenitura, como dupla herança (Dt 21,17), supremacia entre os irmãos e chefia da família (Gn 27,29.40; 49,8). Mas às vezes, como no caso de Jacó e de Judá (27,30-37; 49,4-8), este direito não foi respeitado.

    Jesus é chamado “primogênito de toda criatura” (Cl 1,15; Hb 1,6) em razão da supremacia que o Pai lhe concedeu entre os homens (Rm 8,29).

    Esaú e Jacó

    Não havia harmonia entre os gêmeos de Rebeca. Mesmo antes de nascerem, eles já estavam lutando entre si. Sua mãe, perplexa, indagou do SENHOR a razão e Ele esclareceu que os dois seriam os progenitores de dois povos distintos, que um seria mais forte que o outro, e que o mais velho serviria o mais novo. Esaú e Jacó uma analogia entre o bem e o mal Esaú era o primogênito. Na cultura hebraica esta posição garantia o direito à maior parte da herança (Deut. 21:17), à esperança messiânica e ao sacerdócio da família. (I Cron. 5:1-2). Em termos de hoje, a primogenitura correspondia à posição do crente em Cristo, incluindo: a salvação, a santificação, o serviço e o galardão. Algo, portanto, para ninguém jogar fora.

    Os gêmeos diferentes

    Certamente que a inveja tem sua origem no pecado, mas indiretamente o meio em que vivemos também é propicio a isto, digo não apenas ao fato de sermos atraídos pela propaganda do mundo em oferecer bens de consumo, mas uma educação espiritual de pouca qualidade também pode fazer com haja este sentimento pecaminoso.

    Aqui fica claro que Deus quando determina que alguém seja abençoado; a sua palavra se cumpre no seu devido tempo. Embora o direito de primogenitura fosse algo destinado ao mais velho, vemos que o Senhor alterou o curso das coisas, isto por seu propósito.

    Logo os filhos de Isaque foram crescendo se distinguiram um do outro, em muitos aspectos conforme descrito no comentário da revista, mas no campo espiritual ambos eram “desviados” afirmo porque eles nasceram em um “berço evangélico” mas não andavam conforme a vontade de Deus, ao lermos a historia completa vemos claramente isto, ainda mais quando seus pais não procediam corretamente, pois Isaque dava preferência a um filho e Rebeca a outro filho

    É uma figura da luta constante entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, entre o Espírito e a carne. Como o SENHOR revelou ao profeta Malaquias, Ele amou a Jacó e aborreceu a Esaú (Malaquias 1:2-3), pois Esaú era de caráter profano (Hebreus 12:16).

    Ao que parece, Isaque era um homem piedoso, caseiro, de vida relativamente tranqüila, que não passou por muitas aventuras e provações. Ele é mencionado como parte do relato sobre a vida de seu pai Abraão, e no relato sobre seus filhos.

    Herdeiro da promessa de Deus a Abraão, Isaque não se apressou em casar: casou aos quarenta anos, após as providências tomadas por seu pai. Ele depois verificou que Rebeca era estéril e após muitos anos ele orou ao SENHOR sobre isso, e suas orações foram respondidas: ela concebeu um par de gêmeos, que nasceram vinte anos depois de seu casamento.

    Mas, não havia harmonia entre eles. Mesmo antes de nascerem, eles já estavam lutando entre si. Sua mãe, perplexa, indagou do SENHOR a razão e Ele esclareceu que os dois seriam os progenitores de dois povos distintos, que um seria mais forte que o outro, e que o mais velho serviria o mais novo.

    É uma figura da luta constante entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, entre o Espírito e a carne. Como o SENHOR revelou ao profeta Malaquias, Ele amou a Jacó e aborreceu a Esaú (Malaquias 1:2-3), pois Esaú era de caráter profano (Hebreus 12:16). O SENHOR, onisciente, sabia o que haveria de suceder mais tarde.

    Esaú nasceu primeiro, e era ruivo, por isso o chamaram de Esaú, que significa cabeludo, mais tarde recebendo o apelido de Edom, vermelhocor-da-terra (o mesmo que Adão). O segundo estava segurando-o pela perna, levando então o nome de Jacó (traduzido Tiago no Novo Testamento) que significa o suplantadoro que segue imediatamente após o outro. Abraão ainda estava vivo, com cento e sessenta anos.

    Os dois gêmeos eram não só fisicamente diferentes, mas também em seu caráter:

    • Esaú cresceu para se tornar um perito caçador (como Ninrode – capítulo 10:9), enquanto Jacó era pacato (amistoso, piedoso, refinado), habitando em tendas.
    • Esaú vivia para os prazeres materiais, Jacó ambicionava as bênçãos do SENHOR.
    • Esaú gozava da preferência de seu pai, por causa de sua caça. Jacó era o preferido da sua mãe, por ser manso e caseiro.

    Sua natureza foi provada no incidente aqui relatado: Jacó, bom cozinheiro, havia preparado um ensopado grosso de lentilhas. Esaú acabara de voltar do campo, e estava cansado e com fome: o ensopado, de cor avermelhada, estava pronto para ser comido. Esaú então pediu para Jacó lhe dar um pouco desse vermelho (conforme o original).

    Jacó, vendo uma oportunidade para fazer um bom negócio, propôs que Esaú lhe vendesse primeiro seu direito à primogenitura; aqui vemos que Jacó ressentia o fato que Esaú nascera primeiro, e ambicionava as vantagens que isso lhe dava: ser o principal da família, depois do pai, e o principal herdeiro.

    Notemos que Jacó não estava propondo a troca por um prato do ensopado, mas a venda: Jacó dava muito valor ao direito de primogenitura e decerto pagaria bastante por ele, se fosse necessário.

    Mas, sem dúvida para sua surpresa, Esaú declarou que estava a ponto de morrer (um grande exagero, pois nenhum filho do abastado Isaque iria morrer de fome), e que de nada le  valia o direito à primogenitura, ou seja, considerava-o sem valor algum.

    Sem perda de tempo, Jacó o fez jurar que abdicava desse direito, em favor dele. Feito isso, Jacó, feliz, deu-lhe pão e o cozinhado de lentilhas.

    Jacó

    Jacó está entre as pessoas mais importantes do Antigo Testamento, apesar do seu nome significar “enganador”, esse fato não implica no relacionamento de Deus. Sua mãe Rebeca o primeiro caso de gêmeos da bíblia, nasce Esaú e Jacó. Gn 25.25 “Esaú saiu primeiro, ruivo e todo como uma veste cabeluda, por isso, chamaram o seu nome Esaú” em Gn 25.26 “…saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú, por isso chamou o seu nome Jacó.

    Quem tinha direito a primogenitura era o primeiro filho, nesse caso Esaú um desinteressado, porém Jacó esperto, compra a primogenitura do seu irmão, depois desse acontecido Jacó engana seu pai Isaque, com apoio de sua mãe, Esaú percebe que foi enganado procura mata  Jacó, mas tarde de mais seu percebe a fúria de seu filho Esaú e orienta Jacó à fugir da presença dele e manda para Padã-Arã onde morava Labão seu tio.

    Uma proposta

    Moises no livro de Deuteronômio ratifica que o direito de primogenitura seria do filhos mais velho, a primogenitura se consistia no fato de que o filho primogênito possuía o direito de receber uma porção dobrada no caso de herança. Este direito portanto pertencia a Esaú, visto que ele foi o primogênito. Mas ele perdeu porque não dava importância a isso, o livro de gênesis afirma que ele desprezou a primogenitura.

     

    E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura? E Jacó deu pão a Esaú e o guisado das lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou se, e foi se. Assim, desprezou Esaú a sua primogenitura. (Gn 25.32,34)

     

    Isto se deu também porque Jacó induzido por sua mãe enganaram a Isaque em um momento de fragilidade, este episodio também nos deixa um exemplo.

     

    Jacó certamente possuía um desejo pela primogenitura, mas isto não poderia ter sido alcançado por meio do engano. Quando o Senhor afirmou que o maior serviria o menor, certamente que por meios justos isto se cumpriria.

    A forma usada foi uma troca, Jacó aproveitou a ocasião em que Esaú retornará de uma caça com muita fome, Jacó aproveita a situação e propõe uma troca. Jacó lhe daria comida pelo direito de primogenitura, o que Esaú logo aceitou.

     

    Conseqüência da má escolha

     

    E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura.Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou. (Hb 12.16,17)

     

    Assim definiu a Bíblia a situação final de Esaú, ele perdeu o direito a benção proveniente da sua primogenitura. Isaque seu pai antes de morrer pretende abençoar o filho primogênito, tendo o chamado Isaque lhe pede que saia a busca de uma caça afim de preparar um guisado saboroso, mas Jacó instruído pela mãe usa de astúcia e prepara um guisado e instrui Jacó a se passar por seu irmão Esaú.

     

    Como Isaque era avançado em idade não possui ema visão perfeita, não notou a diferença. Ao retornar da caça, Esaú descobre que foi enganando por Jacó, ali se iniciou uma grande rixa entre os irmãos. Para aplacar sua ira Esaú máquina acabar com a vida de seu irmão logo Isaque falecesse.

     

    Este sentimento vingativo de Esaú nos faz lembrar de Caim e Abel, sendo que neste caso a tragédia aconteceu, pois movido de inveja Caim matou seu irmão, Ele sentiu inveja porque Deus atentou mais para oferta de Abel. Estas duas historias bíblicas são exemplos de como a inveja é prejudicial, pois além de promover um desajuste de moral de conduta, pode levar a algo mais grave, como nestes casos. O homicídio e o desprezo.

     

    As conseqüências dos pecados de Jacó: ÓDIO, BRIGAS NA FAMÍLIA, SEPARAÇÃO, TRISTEZA E MORTE.

     

    Gn 27.41 “E Esaú odiou a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão.”

    O pecado sempre traz conseqüências, ainda que não sejam imediatas.

     

    MORTE (Três tipos) – Gn 2.17“…porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”

    ·         Morte Moral – I Tm 5.6 “Mas o que vive em deleites, vivendo está morta” Aparentemente a pessoa está viva, mas moralmente ela está morta, Adão e Eva quando pecaram moralmente eles estavam destruídos, bem vimos que eles fugiram da presença do Senhor, Jacó também estava destruído e fugiu da presença de seu irmão, viver no deleites que é os prazeres desse mundo levou à morte moral, no caso da mulher adultera moralmente ela estava morta, não tinha moral pra nada. Jacó também não tinha moral nenhuma, mas o Senhor o ressuscita no caso da mulher adultera ele disse eu te perdôo, vai-te e não peques mais. Rm 8.1 “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…”. No caso de Jacó, Deus mudou seu nome de enganador para Israel que significa “ele luta por Deus”

    ·         Morte Espiritual – Ef 2.1 “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” Essa morte é a separação do homem com Deus, Adão não só morreu moralmente mas também espiritualmente, aquela comunhão que era constante dia a dia não existia mais o pecado fez essa divisão, a morte espiritual também pode acontecer na Ceia do Senhor por não saber discernir o corpo de Cristo e por isso há muitos que dormem. Outra passagem se encontra em Ez 18.4 “Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá” aqui se trata da morte no sentido espiritual, pois há possibilidade da

    própria pessoa reverter o quadro. Ez 18.21 “ Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá e não morrerá

    ·         Morte Física – Hb 9.27 “… aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo.” Essa morte é o grande enigma para todos, mas não gostamos de falar sobre a morte física, ela é real. Logo após a queda do homem, ao pecar, Deus disse: Gn 3.19 “ No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás”. Porém a morte eterna é a expansão e continuação da morte espiritual, a morte física fundida à morte espiritual resulta na morte eterna é compreendida como a eterna separação de Deus. Isso se dará após o juízo final, que é o julgamento dos mortos sem Cristo. João declara isso com a “Segunda Morte” Ap 20.6 “ Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tempoder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos”.

     

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  • Princípios Norteadores da Educação Cristã no Século XXI

    Gabriele Greggersen

    I. VIDA E OBRA DE C. S. LEWIS
    Nascido em Belfast, Irlanda, C. S. Lewis (1897-1963) é considerado um dos maiores pensadores, escritores e apologetas cristãos do século XX, com grande capacidade de projeção para o futuro. Sua vastíssima obra, mais conhecida no meio cristão pelos seus livros teológicos, também ficou famosa por outro gênero, o do romance ou ficção. O sucesso imediato de Cartas de um Diabo a seu Aprendiz foi reconhecido pela celebrada revista Time. Lewis também ficou famoso por sua ficção científica (da sua trilogia espacial, Longe do Planeta Silencioso e Perelandra já estão traduzidos para o português) e pelas histórias tão preciosas para o público infantil (e também para os adultos) narradas nas Crônicas de Nárnia.1

    Mas a melhor idéia que se pode ter da história desse catedrático e crítico literário de Oxford (Magdalene College, 1925-1954) e Cambridge (como professor de literatura inglesa medieval e renascentista) pode ser obtida da leitura de sua autobiografia Surprised by Joy,2 recentemente traduzida e lançada, com muito sucesso, no mercado nacional. Esse livro explica a total coerência do autor, em meio à grande variedade de gêneros literários utilizados, sendo os princípios fundamentais da doutrina cristã também sintetizados nas suas quatro principais obras apologéticas: Cristianismo Puro e Simples, O Problema do Sofrimento, Milagres e O Grande Abismo.3

    As obras de Lewis são constantemente reeditadas no exterior,4 inspirando muitos estudiosos a elaborar compilações, revisões, estudos e palestras a respeito desse autor e de seu pensamento. Atualmente existe até uma lista de discussão na Internet em torno de suas idéias, além de sociedades fundadas a partir de uma visão cristã do mundo inspirada por ele. Há ainda um filme cinematográfico de Richard Attenborough, Shadowlands (“Terra das Sombras”), em sua homenagem, que pode ser encontrado em videotecas e é freqüentemente visto na programação da TV por assinatura.

    II. CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA
    Para se ter uma noção do potencial de projeção das idéias desse autor para a educação do século XXI (e particularmente para a educação cristã), é preciso mencionar que, nos Estados Unidos, por exemplo, as Crônicas de Nárnia foram recentemente recomendadas no currículo das escolas e universidades de alguns estados, como leitura obrigatória em diversos cursos oferecidos por reconhecidas instituições de ensino, despertando o interesse de estudantes e intelectuais de todos os níveis e áreas. A ampla popularidade conquistada pelo autor, através de educadores e da grande diversidade de sua obra, é um indício da importância da sua mensagem para o campo educacional.

    A sua autobiografia, que teve sucesso quase que imediato no mercado brasileiro, confessional ou não, revela a ênfase dada pelo autor à educação. Embora a sua experiência escolar não tivesse sido das melhores (ou quem sabe precisamente por isso), Lewis levou até o fim o seu projeto pedagógico cristão de resgate do sentido que pode haver nas escolas, e que pode ser alcançado através da literatura e, particularmente, dos contos-de-fada, como explica um dos especialistas nas idéias do autor:

    …o sentido está intimamente relacionado com o papel da imaginação e com o fato de que todo o universo é uma criação dependente de Deus. Costumamos ver a razão como o veículo da verdade, e a imaginação, do sentido. A razão e a imaginação têm, ambos, a sua própria autonomia … A ficção é, para Lewis, a construção do sentido. Ela reflete a criatividade maior de Deus, quando deu origem ao seu universo e o relacionou a nós mesmos. O sentido é o cerne das coisas e dos fatos.5

    Nos capítulos a seguir procuraremos explicitar melhor os princípios acima sintetizados, aplicando-os à Educação Cristã.

    III. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ DE C. S. LEWIS

    A. Apre(e)nder pelo sofrimento
    Se considerarmos a vastidão das obras de Lewis, perguntar-nos-emos o que o teria impelido a escrever tantos livros (sem falar das milhares de cartas que escrevia a seus leitores) e de forma tão diversificada! E como poderíamos tornar acessível a sua contribuição ao educador brasileiro, no limiar de um novo século? Para responder em parte a essa questão, devemos considerar a história de vida do autor, marcada pela dor desde menino, com a morte de sua mãe, o que deu inicio à sua insistente e contínua busca de “alegria” (curiosamente também o nome de sua futura esposa, Joy). Assim, por exemplo, em O Problema do Sofrimento, Lewis aborda diretamente a questão clássica que o mundo secular levanta contra o cristianismo: “Se Deus existe, como pode haver tanta injustiça, fome e miséria no mundo?”

    Não há dúvida de que a vida muitas vezes é cruel e, se quisermos ser realistas, teremos que contar com obstáculos constantes, muitas vezes dolorosos, que nos trazem de volta à vida concreta, destruindo nossas fantasias a respeito de um mundo idealizado e abstrato, como se vê nesse exemplo, citado por Lewis:

    Móveis feitos de sonho são o único tipo em que nunca tropeçamos ou esbarramos com o joelho. Nós todos conhecemos um casamento feliz. Mas como a esposa é diferente daquela donzela imaginária dos sonhos da nossa adolescência! Tão pouco adaptada a todos os nossos desejos extravagantes e por esta mesma razão (entre outras) tão incomparavelmente melhor.6

    O próprio Deus, que é um ser real e concreto, escolheu manifestar-se ao homem em forma material e concreta, apesar de ser igualmente capaz de usar um sonho para nos comunicar algo. Assim, para os cristãos, uma das primeiras lições a serem aprendidas é que o ser humano não pode viver de sonhos e devemos aprender a lidar com as nossas limitações, que muitas vezes implicam em dor e sofrimento:

    É lógico que fomos instruídos em como lidar com o sofrimento — oferecendo-o a Deus em Cristo como mui singela, modesta mesmo, participação no sofrimento de Cristo; por outro lado, como é duro praticá-lo, não é mesmo?7

    Devido a essa dureza da vida é que autores como Kreeft procuram ajudar-nos a enxergar o outro lado do sofrimento, já quase esquecido pela maioria dos seres humanos. Isso pode vir a tornar-se uma excelente oportunidade para aprender, como ele expressa no seguinte trecho de uma de suas primorosas obras, na qual busca uma interação com o leitor:

    Leitor: Então, prazer sem sofrimento é possível para Deus. Por que não nos é possível?

    Autor: Boa pergunta.

    Leitor: Você tem uma boa resposta?

    Autor: Acho que sim. Mesmo no Jardim do Éden, antes que houvesse pecado, morte e sofrimento, estávamos sujeitos ao tempo, tínhamos de crescer, de aprender. Mas aquilo era um prazer. Depois que pecamos, aprender tornou-se doloroso, porque aprender significa submeter a mente à realidade.8

    A missão prioritária do educador, portanto, é a de “resgate” (por mais desgastado que o termo possa estar) da realidade, “doa a quem doer,” da forma mais “didática” possível, abrindo portas que permitam enfocá-la e interpretá-la mais adequadamente. A realidade da “dureza da vida” deve ser levada em conta, certamente. Mas a vida não se limita a isso. Como observa Lewis, devemos ajudar o educando a superar esse nível da desilusão e animá-lo para uma nova aventura em busca do sentido mais profundo das coisas.

    De acordo com Kreeft, o sofrimento pode, nesse sentido, adquirir uma feição totalmente nova para nós:

    O outro significado do mistério — positivo — é o encontrado em Jó. Deus tem seus motivos para deixar que coisas ruins aconteçam a pessoas boas. Mas ele não diz isso a Jó, que não consegue descobrir nada. Aqui, o obscuro é subjetivo, não objetivo. Aqui, nossas mentes estão no escuro, mas Deus é a luz… No mistério das Escrituras, a realidade é a luz e nós estamos no escuro. De fato, estamos no escuro precisamente porque realidade é luz, muita luz. Assim como Agostinho e Tomás de Aquino gostavam de repetir, somos como morcegos ou corujas: enxergamos bem as sombras, mas não o sol. Pelo excesso de luz, o sol nos cega.9

    Hoje, mais do que nunca, é necessário lembrar aos que se queixam da dureza da vida que as coisas não são obscuras por si mesmas, mas porque, de fato, perderam algo e sofrem as conseqüências dessa falta. E, como nós mesmos temos essa carência, somos vulneráveis às preocupações cotidianas. De acordo com as cartas de Lewis a uma amiga americana, um dos maiores desafios é aprender a viver as preocupações do dia, sem transferi-las do passado ou do futuro:

    Suponho que viver a vida a cada dia (…) é precisamente o que nós temos que aprender — mesmo quando o velho Adão em mim às vezes alega que, se Deus quisesse me fazer viver como os lírios do campo, por que não me deu a mesma dose de nervos e imaginação que eles! Ou será esse precisamente o ponto, o propósito exato deste paradoxo divino e audacioso chamado ser humano — fazer, dotado de razão, tudo aquilo que outros seres fazem sem ela?10

    Então, para aprendermos a enfrentar o desafio de viver a vida, temos a necessidade de compreendê-la, de apreender a sua lógica interna, sua ratio (a tradução latina de logos) ou razão de ser mais profunda, “aplicando corretamente a inteligência” a ela (que é um dos conceitos de “estudar” no Dicionário Aurélio). A razão, longe de ser um empecilho à fé, pode vir a se tornar um grande instrumento para o homem perceber o lado bom que há nas coisas e assim viver de modo menos depressivo, desesperançoso e auto-depreciativo do que vem vivendo neste final de século. E o grande desafio do educador do presente e do futuro é o de ponderar todas essas coisas e descobrir meios criativos para representar o seu sentido mais profundo de forma perceptível ao educando, transformando a sala-de-aula numa aula viva, e a qualidade do ensino em qualidade de vida.

    B. Apre(e)nder pela razão
    Uma das melhores formas de lidar com as coisas é explaná-las ou explicá-las, ou seja, tirar as suas plicas (prega, dobra, vinco, em latim), como se aplaina um papel todo amarrotado (daí também derivam-se complicar, replicar, aplicar, duplicar, etc.), exprimindo-as por meio da linguagem. Essa é uma das razões pelas quais Lewis escrevia tanto: para, aplicando o método da simplicidade, clareza e gratidão (que é o estilo distintivo dos autores “clássicos” da filosofia cristã como George MacDonald, Tolkien, Chesterton, etc.) traduzir a experiência viva em literatura e, assim, representar as coisas como elas são, que é o primeiro passo para aprender a lidar com elas. Dessa forma, Lewis também realiza o sentido profundo do imperativo de Paulo de “considerar todas as coisas e reter o que é bom” (ver 1 Ts 5.21).

    Em The Allegory of Love,11 Lewis denuncia o mau uso que se pode fazer da mente e da imaginação de que ela se vale para representar a realidade. É interessante notar, a partir da literatura medieval e renascentista, os extremos em que cai o homem quando busca a felicidade onde ela não pode ser encontrada. Um desses extremos pode ser chamado de simbolismo, que é uma espécie de dualismo reducionista que exalta o símbolo da mulher amada como uma divindade capaz de eliminar todo tipo de mal e de substituir a própria realidade.

    No capítulo 2 desse livro, Lewis explica que o simbolismo ou sacramentalismo é a tentativa de interpretar ou enxergar um modelo visível por detrás do que é invisível. Trata-se de uma espécie de “ocultismo” ou vontade de desvendar tudo o que está oculto atrás das coisas, como podemos observar no seguinte exemplo da literatura: “Todo o transitório é apenas uma metáfora” (Goethe).

    Por outro lado, há os que, quando percebem que embaixo da casca da cebola podemos encontrar apenas outra casca de cebola, passam a duvidar até mesmo do conceito de cebola, recaindo no irracionalismo, que nega até o eterno: “Todo o eterno é apenas uma metáfora” (Nietzsche).

    Acontece que o invisível não pode ser interpretado em nada que seja visível. Na verdade, as coisas materiais é que são símbolos ou imagens de uma realidade mais concreta, que não deixamos de enxergar porque se escondem, mas porque vão além da nossa capacidade de visão. Por isso é que toda tentativa de interpretação humana das imagens sempre continuará sendo uma tentativa, e toda linguagem humana, uma metáfora. O problema, então, não está nas coisas que se ocultam, mas no olho do ser humano, que não as vê, e na sua capacidade de expressão imperfeita. E isso não muda em nada o fato de que a cebola é uma cebola.

    O verdadeiro sabor do texto medieval não é nada simbolista (como grande parte dos textos renascentistas, por exemplo) nesse ponto:

    Tipicamente o homem medieval não era um sonhador ou aventureiro espiritual; ele era um organizador, um codificador, um ser sistemático. Seu ideal poderia ser resumido com nada mais do que a velha e familiar máxima: “Um lugar para cada coisa e cada coisa no seu (devido) lugar.”12

    O homem moderno, ao contrário, é capaz de se perder em meio a infinitas redes de significados éticos e sociais metafóricos. É certo que o homem medieval não tinha tanta ciência, mas tinha muito maior transcendência, a partir da astronomia antiga de um Ptolomeu e, principalmente, de um Aristóteles, com seu pressuposto de que qualquer movimento ou espaço só pode existir se partir de um Primum Mobile ou Motor Imóvel, o primeiro impulso, a força de ignição do Universo. Antes mesmo de Newton, os antigos já discutiam a questão einsteiniana do “ovo de colombo,” que, em termos de Newton, encontra-se na 2ª lei do movimento: “Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou Movimento Uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças impressas nele.”13

    Segundo Lewis, para além do homem antigo e do renascentista, quando o homem medieval olha para o céu estrelado depois de uma festa, não imagina as camadas ou misturas de gases que poderiam estar separando a terra da lua; ele não vê um grande e silencioso vazio, mas um mundo invisível repleto de almas.

    O homem medieval vê um Mundo para além dos muros da catedral, do castelo ou da cidadela, que também chamamos de céu (heavens). Ele vive, por assim dizer, como quem está do lado de fora dos muros da grande cidadela.

    Do lado de fora do muro — é este o ponto. Voltando por um pouco à experiência que eu mencionava no início, de olhar para as estrelas após uma ópera ou festa:

    Todo o contraste entre a experiência medieval e a nossa própria só aparece agora. Pois, o que quer que sintamos, certamente sentimos que estamos olhando para fora; para fora de algum lugar quente e iluminado e para uma desolação escura, fria e indiferente; para fora de uma casa, em direção ao mar escuro e solitário. Mas o homem medieval sentia que estava olhando para dentro. Aqui é o lado de fora. A órbita da lua é a parede da cidade. A noite abre as portas por alguns instantes e nós pegamos alguns lances da pompa que está ocorrendo do lado de dentro; ficamos só olhando, como animais ficam de olho no fogo daquele acampamento em que não podem entrar, como os bárbaros ficam de olho naquela cidade…14

    A título de contraste, entre outras obras renascentistas (de Spencer e de Milton, no qual se especializou), Lewis destaca a grande obra de Dante sob três aspectos: o significado “metafísico” do sorriso, o imaginário da Divina Comédia e a apreciação de alguns epígonos, corretores de certos equívocos por ele cometidos.

    O sentido medieval é, novamente, o mais fácil de ser reconhecido:

    É fácil reconhecer em que sentido os sorrisos de Dante eram “metafísicos.” A relação entre estes dois elementos é real, ontológica, inteligível e o material não precisa ser, em si mesmo, belo; pode até vir a ser grotesco – como, por exemplo, quando o tempo é representado por uma árvore que cresce para baixo em um vaso que representa o Primum Mobile (Paradiso, XXVII, 118).15

    Em sua detalhada análise das imagens usadas por Dante nesta obra, não é complicado reconhecer o predomínio dos frutos do jardim (garden) em relação às paisagens (landscape):

    Talvez esta seja uma característica da Idade Média antes de ser de Dante. Os poetas medievais interessam-se por árvores, flores, feras, pássaros e rios e não muito freqüentemente, penso eu, por paisagens. E quando alguns se mostram interessados, são geralmente de origem alemã.16

    E, de fato, as imagens usadas na Divina Comédia, por exemplo, são de grande concretude, luminosidade, movimento ou peso, o que sugere um estilo medieval extremamente concreto e metafórico, ao invés do romântico, intrínseco a autores renascentistas.17

    Para Lewis, os símbolos são referenciais indicadores de uma realidade muito mais concreta e maravilhosa do que eles podem ser — signos não valem nada por si mesmos (o que não tira sua importância e utilidade). Por isso é que ele “joga” tanto com as imagens nas Crônicas de Nárnia, fazendo uma verdadeira “miscelânea” de personagens mitológicos, lendários, realistas, etc.

    Ao contrário dos que simplesmente descartam toda imaginação, exaltando uma espécie de literatura dos “fatos,” insossa e enfadonha, Lewis pretende mostrar quão ridículo é o tipo de inversão da realidade e, conseqüentemente, dos valores que o homem cultiva, exaltando os meios em lugar dos fins (que são, na verdade, a real fonte de inspiração dos símbolos).

    Como ele comenta no prefácio (infelizmente não incluído na edição brasileira) das Cartas do Diabo ao seu Aprendiz, a tática do diabo é precisamente provocar-nos com suas acrobacias, ou a temê-lo ou a desprezá-lo, para desviar-nos do Ser onipotente: Há dois erros acerca dos demônios, nos quais nossa espécie pode cair. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar e nutrir um interesse excessivo e doentio por eles. Os próprios diabos ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros e saúdam o materialista ou o mágico, com o mesmo deleite.18

    A leitura da primeira carta desse fascinante livro já basta para compreendermos a diabólica jogada da inversão dos valores (que nos deixa estarrecidos diante de atrocidades cometidas por crianças e adolescentes, nas escolas de hoje): convencer o “paciente” de que as coisas boas não são, na verdade, tão boas assim e as ruins não são totalmente ruins ou já foram ruins um dia, mas hoje é diferente… Dessa forma, instauram-se dualismos que procuram substituir ou confundir coisas boas e ruins. O relativo passa a ser posto como absoluto (recaindo num falso “moralismo”), enquanto que o absoluto é relativizado. Veja como o diabo velho Screwtape19 em pessoa, das Cartas do Diabo a seu Aprendiz, procura explicar ao seu “ingênuo” aprendiz essa manobra:

    Parece que supões que a argumentação é a maneira de mantê-lo longe das garras do Inimigo. Isto poderia ser assim se ele vivesse há alguns séculos. Nesta época, os humanos ainda sabiam muito bem quando uma coisa era comprovada e quando não era; e se era comprovada, acreditavam nela. Eles ainda relacionavam o pensar com o fazer, e estavam preparados para alterar seu modo de vida como resultado de uma sucessão de pensamentos. Mas, com a imprensa semanal e outras armas do gênero, conseguimos alterar isto em grande medida. Teu homem foi acostumado, desde garoto, a ter uma dezena de filosofias incompatíveis dançando em sua cabeça. Ele não pensa em doutrinas como prioritariamente “verdadeiras” ou “falsas,” mas como “acadêmicas” ou “práticas”, “superadas” ou “contemporâneas”, “convencionais” ou “desumanas.” Jargão, não argumento, é o teu melhor aliado em mantê-lo longe da Igreja.20

    Stott nos mostra como esta tática diabólica de evitar toda argumentação lógica se traduz em algumas igrejas:

    O espírito do anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno multiplicam-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?,” mas sim: “Será que funciona?” Os jovens têm a tendência de ser ativistas, dedicados na defesa de uma causa, todavia nem sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou se o modo como procedem é o melhor meio para alcançá-lo… Este mesmo espectro de anti-intelectualismo surge freqüentemente para perturbar a Igreja Cristã. Considera a teologia com desprazer e desconfiança.21

    A prática anti-intelectualista de muitas igrejas de hoje receberia certamente, assim, muitos elogios da parte do monstruosamente “racionalista,” mas ao mesmo tempo irracional, personagem de Lewis. Apesar dos medos e receios que isso possa levantar, é fundamental e urgente resgatarmos as práticas do debate saudável e livre de idéias e a argumentação dentro de algumas comunidades cristãs, pois é isso precisamente que o diabo mais teme, já que sabe muito bem que não tem razão alguma. As coisas estão completa e radicalmente separadas de Deus, desde a queda, mas não há nada na criação que seja essencialmente mau, pelo simples fato de o mal não possuir a essência ou a lógica (ratio) interna das coisas criadas por Deus, que foram cuidadosamente pensadas e projetadas por ele através do Logos (Cristo). A natureza do mal é outra. Por isso é que o castor de O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa insiste em explicar às crianças que a natureza da feiticeira não é humana, apesar das aparências que mantém. Graças a Deus, o mal é impotente para destruir o reflexo do Criador nas coisas. Por isso é que Deus, de certa forma, é ainda mais “assustador” do que o diabo.

    A partir da visão equilibrada de Lewis e autores correlatos, é preciso considerar que o extremo oposto do racionalismo, o anti-intelectualismo (monstruosidade não menos nefasta do que o racionalismo), tem tido livre acesso às salas-de-aula de certas comunidades, como tem sido constatado por alguns educadores cristãos e equipes sérias, preocupadas e empenhadas em garantir o nível de ensino das escolas dominicais na atualidade e para o futuro.22 Pois, quando ocorre de simplesmente ignorarmos a necessidade humana de compreender as coisas através da razão, considerando “suspeito” todo e qualquer questionamento ou argumentação nos encontros dominicais, recaímos no maniqueísmo, correndo um sério risco de nos tornarmos “presas fáceis” de qualquer “vento de doutrina.” A melhor maneira de evitarmos esse tipo de perigo é aprender a empregar a mente da forma correta, nem que, para isso, tenhamos que quebrar certos paradigmas há muito assentados.

    É precisamente no sentido de manter ilesos os paradigmas estéreis, aparentemente “bem comportados,” que evitam a renovação ou reforma das idéias anacrônicas nos meios cristãos, que o diabo velho Screwtape procura instruir o seu aprendiz a sempre manter seu paciente humano longe de debates mais sérios. E explica por que:

    O problema com a argumentação é que ela leva toda a batalha para o campo do Inimigo. Ele também pode argumentar; enquanto que no campo da propaganda realmente prática, do tipo que estou sugerindo, ele tem se mostrado há séculos muito inferior a Nosso Pai Cá Embaixo. Pelo próprio fato de argumentar, tu despertas a razão do paciente; e uma vez desperta, quem pode prever o resultado? Mesmo se uma determinada série de pensamentos possa ser desvirtuada para terminar nos favorecendo, tu perceberás que tens reforçado no teu paciente o hábito fatal de prestar atenção a questões universais e afastado sua atenção do fluxo das experiências imediatas dos sentidos. Tua obrigação é fixar sua atenção no fluxo.23

    Uma das estratégia prediletas do diabo é, assim, desviar a atenção do paciente das coisas essenciais e evitar que ele procure compreendê-las; não deixá-lo refletir sobre as coisas como realmente são, fazendo-o prestar atenção somente nas manifestações externas ou na forma como ele mesmo as percebe subjetivamente. A percepção da realidade objetiva ou concreta das coisas é, em suma, o grande “perigo” do qual o diabo foge a todo custo (pois é precisamente esta experiência concreta, totalmente humana e existencial que Deus e os homens têm em comum, e que pode, de repente, aproximá-los):

    Ensine-o a chamar-lhe “vida real” e não o deixe perguntar o que se quer dizer com “real”… Tu não percebes o quanto são presos pela pressão da experiência comum… Uma vez tive um paciente, um bom ateísta, que costumava ler no Museu Britânico. Um dia, enquanto lia, vi um encadeamento de pensamentos em sua mente começando a ir no caminho errado. O Inimigo, é claro, estava no seu calcanhar num instante. Antes de perceber o que sucedia, vi meus vinte anos de trabalho começarem a ruir. Se tivesse perdido o sangue-frio e começado uma defesa por meio de argumentação, estaria perdido. Mas não fui idiota. Ataquei imediatamente na parte do homem que estava sob meu maior controle e sugeri que já era tempo de comer algo. O Inimigo presumivelmente fez a contra-sugestão (tu sabes que nunca se consegue escutar tudo o que ele diz a eles?) de que isto era mais importante do que um lanche. Pelo menos acho que foi isto que ele sugeriu, pois quando eu disse: “Bem, na verdade algo demasiadamente importante para tratar no final de uma manhã,” o paciente animou-se consideravelmente; e quando acrescentei: “muito melhor voltar depois do lanche e abordar o tema com a mente descansada,” ele já estava a meio caminho da porta. Assim que chegou à rua, a batalha estava ganha. Mostrei-lhe um garoto gritando as manchetes do jornal do dia… e, antes que ele chegasse ao fim dos degraus, eu lhe havia fixado numa convicção inalterável de que, sejam quais forem as idéias esquisitas que possam vir à mente de uma pessoa quando está sozinha com seus livros, uma saudável dose de “vida real” (…) é o bastante para mostrar que todo “aquele tipo de coisa” simplesmente não poderia ser verdade… Hoje ele está salvo na casa de Nosso Pai.24

    Essa mesma lógica do desvio e do engano, da substituição do real por algo aparentemente mais importante, é empregada no último trecho da carta, que é quase um tributo a Whitehead, inventor do sábio provérbio: às vezes não se enxerga o bosque, de tantas árvores:

    Graças a passos que pusemos em funcionamento há séculos, eles acham quase impossível acreditar no não-familiar, enquanto que o familiar está diante dos olhos. Insista sobre o caráter comum das coisas com ele. Acima de tudo, não tente usar a ciência (quero dizer, as autênticas ciências) como uma defesa contra o cristianismo. Elas certamente o encorajarão a pensar acerca de realidades que ele não pode tocar nem ver. Tem havido casos tristes entre os físicos modernos. Se tiver de dedicar-se superficialmente à ciência, mantenha-o ocupado com economia e sociologia; não o deixe afastar-se daquela inestimável “vida real.” Mas o melhor de tudo é não deixá-lo ler sobre ciências, mas sim dar-lhe uma idéia geral de que conhece tudo, e que tudo que captou em conversas e leituras casuais é “resultado da moderna investigação.” Lembra que tu estás aí para confundi-lo. Pela maneira que alguns de teus jovens demônios falam, suporíamos que nosso trabalho é ensinar! Teu afetuoso tio…25

    C. Apre(e)nder contemplativo
    Para os clássicos da literatura, “ver a vida como ela é” não significa olhá-la com ceticismo, como para algum corpo morto, mas olhá-la com admiração (que é um dos sentidos da paixão), ou seja, contemplar o reflexo do Criador, dirigindo o olhar (mirar no espanhol) do leitor para o que vai “além” dos fatos nus e crus.

    Apesar de defensor da “lógica das coisas” e da argumentação, é preciso deixar claro que Lewis não é um racionalista que rejeita qualquer tipo de contemplação ou conhecimento pela fé. Pelo contrário, todo o seu esforço concentrou-se em mostrar aos racionalistas a importância da abertura para a totalidade do real, que muitas vezes não é tão “lógica” quanto gostaríamos, exigindo mais fé do que notamos ou admitimos, como comentam Odero & Odero, parafraseando Chesterton:

    Segundo Chesterton, a fonte de erros mais freqüente do mundo está no fato de que as coisas são “quase razoáveis,” sem chegar a sê-lo completamente. A vida não é ilógica em si, mas assim acaba parecendo ser para os lógicos, porque aparenta ter mais regularidade matemática do que, de fato, possui. Daí a importância de contrastar o pensamento com a realidade para buscar a verdade. Como podemos ver, este é um tema que freqüentemente aparece nas obras de Lewis. Em seu livro Ortodoxia, Chesterton trata de forma genial desse mesmo e tão importante assunto: O homem de hoje sempre se tem preocupado mais com a verdade do que com a coerência.26

    A falta de consistência e coerência entre o que se professa e o que se vive é apontada por Lewis como um dos grandes obstáculos à criação literária da atualidade. O consumismo, o individualismo egocêntrico e a falta de consideração, tanto das limitações da natureza humana quanto do seu lado positivo, são obstáculos que precisam ser combatidos pelo crítico literário:

    A maior arte do crítico é a de sair de si mesmo e deixar que a humanidade decida. Nosso dever é mostrar aos outros a obra que eles alegam admirar ou desprezar, como realmente é, descrevendo, quase que definindo seu caráter, para depois deixar que eles mesmos julguem (agora muito melhor informados). A certa altura, o crítico é até avisado para não adotar um rígido perfeccionismo. Ele deve manter sua idéia de excelência, de perfeição, mas, ao mesmo tempo, estar disposto e acessível ao segundo melhor que se oferece. Ele deve, em uma palavra, ter o caráter que [George] MacDonald atribuía a Deus, e Chesterton, seguindo-o, ao crítico; aquele que é “fácil de agradar, mas difícil de satisfazer.”27

    D. Apre(e)nder imaginativo
    Como dizíamos, parafraseando Chesterton, o melhor método para se apreender a realidade das coisas, que tão freqüentemente nos escapa numa abordagem direta, é o contraste (por exemplo, não podemos dizer o que é e no que implica a luz ou a energia, mas podemos constatar e determinar o que é o conceito e implicação da sua falta). Para o que não podemos captar pela razão, resta-nos a aceitação pela fé, ou a procura por uma via alternativa de aproximação, a via da imaginação. Na literatura não há melhor método de contraste do que os contos-de-fada, que consideram as coisas não diretamente como elas são ou se explicam, mas indiretamente, como elas não são, ou como foram vocacionadas a ser. Os contos-de-fada, longe de representar uma infantilização ou banalização da realidade, revelam-se como um poderoso recurso didático, capaz de ensinar verdades “éticas” muito mais adultas do que podemos supor. Por isso é que todo bom crítico e educador amadurecido sabe apreciá-los:

    Nós que ainda apreciamos os contos-de-fada temos menos razões para querermos voltar às atitudes infantis. Conservamos o bom da infância, sem abrir mão de certos prazeres adultos.28

    Lewis mesmo confessa que o seu lado “imaginativo” era, de fato, o mais amadurecido:

    O homem imaginativo em mim é mais velho, mais continuamente operativo e, neste sentido, mais fundamental do que qualquer um dos outros, o religioso e o crítico. Ele me fez, pela primeira vez, aventurar-me como poeta. Ele é que, numa réplica à poesia dos outros, tornou-me um crítico e, em defesa a esta réplica, tornou-me muitas vezes um crítico paradoxal. Foi ele que, após a minha conversão, levou-me a encarnar minha fé religiosa em formas simbólicas ou mitopoéticas de um Screwtape, até um tipo de ficção científica teológica. E é claro que foi ele que me levou, nos últimos anos, a escrever a série de contos narnianos, destinados a crianças; não porque eu estivesse preocupado com o que elas queriam ouvir, o que me comprometeria a fazer adaptações (o que felizmente não foi necessário…), mas porque o conto-de-fadas foi o melhor gênero literário que eu encontrei para expressar o que pretendia dizer.29

    Por outro lado, quem é que hoje em dia ainda se dá ao luxo de ler “contos da carochinha” (que já adquiriram um forte sentido pejorativo)? A falta de um realismo equilibrado predominante deve-se em parte à falta de leitura ou à limitação à literatura insossa “dos fatos,” que nos leva à inversão de valores. Essa inversão, por sua vez, gera uma alienação e desarticulação da teoria e da prática, que, justificando-se cada qual a si mesma, perde o seu efetivo valor, recaindo alternadamente nos extremos do dogmatismo e do ativismo:

    Lembre-se de que acreditar na virtude do “fazer pelo fazer” é um traço (…) do espírito moderno: o sentimento de preocupação pode não passar de inquietações ou oscilações auto-afirmativas da nossa auto-imagem. Como (George) MacDonald já dizia, “o sagrado pode ter um viés do profano.” E, ao nos empenharmos em cumprir deveres desnecessários, podemos estar nos tornando menos dispostos para cumprir com os nossos verdadeiros compromissos, cometendo, assim, um tipo de injustiça. Temos que dar uma chance não somente a Maria, mas também a Marta!30

    Se observarmos as práticas de ensino nas escolas de hoje, veremos o império do exagero e da falta de moderação (o inchaço de currículos, o fazer pelo fazer, a falta de continuidade, organicidade, integração entre as práticas educacionais e o faz-de-conta). O realismo, a objetividade e a coerência no planejamento do ensino (na seleção de conteúdos, procedimentos metodológicos e atividades educacionais para cada fim proposto) são virtudes em franca extinção nos meios educacionais de hoje. Mesmo nas igrejas podemos observar práticas pedagógicas de pouco nexo com a filosofia cristã de vida. Nesse sentido, Lewis é duro, direto e enfático em sua exortação contra os chamados “educadores cristãos”:

    Quando os educadores cristãos fazem questão de lembrar a seus irmãos a importância da constituição do lar cristão — e penso que a lembrança é perfeitamente pertinente — a primeira coisa a se fazer é acabar com o “faz-de-conta” em torno da vida do lar…: 1. Nenhuma organização ou modo de vida, não importa qual seja, tem uma tendência natural para o bem, e isso desde a queda do homem… 2. É preciso considerar com cuidado o conceito de “conversão” ou “consagração da vida em família,” que deve significar algo além da preservação do “amor,” no sentido de afeição natural. 3. Devemos reconhecer os perigos eminentes contidos na principal característica da vida doméstica, que é, no senso comum, colocada como sua atração principal: de ser o lugar onde “nos revelamos como realmente somos.” 4. Como as pessoas devem, então, comportar-se em casa? 5. Finalmente, podemos ensinar que, se o lar é para ser um instrumento da graça, deve ser também um lugar que mantém certas regras? Não pode haver vida em comum sem regras. A única alternativa à regra não é a liberdade, mas uma ilegítima (e muitas vezes inconsciente) tirania do membro mais egoísta sobre os outros.31

    Sendo uma filosofia do sentido da vida, o cristianismo é a mais didática de todas as teologias, pois para fazermos frente aos desafios da vida e das mudanças históricas, o melhor meio é, partindo dos “fatos nus e crus,” abrir portas para o sentido mais profundo das coisas, para o seu verdadeiro destino e vocação.

    Assim, o que se espera do educador cristão autêntico é que pare de queixar-se da falta de tempo e recursos e busque a coerência entre o que professa e as práticas concretas do seu cotidiano. Pois:

    se nós realmente acreditamos naquilo em que dizemos crer — se realmente cremos que o nosso lar está em outro lugar e que esta vida é uma “peregrinação em sua busca,” por que não olhamos para frente, rumo à chegada?32

    Foi quando Lewis parou de correr atrás da sua concepção de felicidade e olhou para a realidade, que deu a chance que Deus esperava para surpreendê-lo com algo ainda maior do que era capaz de sonhar: o amor verdadeiro, do qual esteve fugindo todo o tempo.

    Nesse sentido é que grandes psicanalistas, como Bruno Bettelheim, têm insistido em afirmar que os contos-de-fada, longe de ser uma mera forma de “escapismo” ou meio de fuga diante dos problemas da vida real, são altamente didáticos e até terapêuticos.33 Aliás, a literatura, particularmente a imaginativa, tem este misterioso e aparentemente contraditório poder de captar a essência da experiência humana (permeada pela dor e o sofrimento) e transformá-la em sabedoria de vida. É isso que se pode constatar, ao menos, nas parábolas bíblicas. A educação pela imaginação, exemplificada nos contos-de-fada e nas parábolas, abriga um poderoso potencial pedagógico ainda pouco explorado ou mal aplicado nos meios educacionais.

    Não se trata, entretanto, de uma receita mágica. Para se obter bons resultados com essa metodologia, principalmente no mundo atual, dominado pelo imediatismo e consumismo (é perfeitamente possível, por exemplo, que uma criança ouça um provérbio, ou uma parábola como a do O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa sem chegar a nenhuma conclusão mais profunda!), é preciso que se adote uma postura didática adequada. Nesse sentido é que a imagem de Cristo é tão ilustrativa. Nas palavras do tão simpático personagem, o castor, ele não fica exibindo toda a sua glória a todo instante, nem fica a explicar as coisas nos seus mínimos detalhes a todo o mundo. Ele escolhe muito bem os momentos e as palavras certas para dar o seu recado. Assim, tudo que está relacionado ao nome de Aslan permanece coberto de uma aura de mistério. Trata-se de um animal realmente feroz, um ser selvagem, caçador, que não é domesticável. Por outro lado, Aslan é, ao mesmo tempo “Bom, muito bom!” Essa imagem contém todos os elementos essenciais de Cristo na doutrina cristã. Não é para menos que Lewis diz, em uma de suas cartas, que O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é a sua obra principal e mais amadurecida.

    Nessa linha de pensamento, G. K. Chesterton diz que a postura certa é a que, com moderação, considera os dois lados, da razão e bom senso e da imaginação e criatividade, deixando Deus iluminar ambos com sua mente. Esta é a moral dos contos-de-fada (e é nessa filosofia que se fundamenta igualmente a “filosofia da educação” narniana), que não passam do “país ensolarado do senso comum,” onde não há “leis,” regras ou classificações. Estas, de fato, são generalizações totalmente anti-intelectuais, de tão raramente que ocorrem na realidade (se é que ocorrem), nas quais não é o homem que cria a ciência, elaborando juízos sobre a natureza, mas a ciência é que cria o homem, julgando a natureza a partir de um pressuposto sobrenatural. No mundo das fadas, as palavras de ordem são “charme”, “magia”, “encanto,” expressando o princípio da incerteza e do mistério, que nos torna mais humildes e gratos pela vida, trazendo-nos de volta ao chão da realidade, que é o da ignorância e do esquecimento até de nós mesmos:

    Ame o Senhor nosso Deus, mas não tente conhecer-se a si mesmo. Somos todos vítimas da mesma calamidade intelectual; todos nós esquecemos nossos nomes; todos nós esquecemos o que realmente somos. Tudo o que chamamos de bom senso, racionalidade, praticidade e positivismo justifica-se pelo simples fato de que, devido a certos pontos mortos da nossa história de vida, esquecemos que esquecemos… Conforme explicava, os contos-de-fada fundaram em mim duas convicções: em primeiro lugar, este mundo é um lugar selvagem e chocante, que poderia ter sido muito diferente, mas que doravante é bastante prazeroso; em segundo lugar, antes desta selvageria e prazer, devemos ser modestos o suficiente para nos submeter, com simplicidade, aos limites do mistério. Sempre acreditei que o mundo envolvesse magia; hoje penso que é mais provável que envolva um mágico.34

    Em síntese, o que Chesterton diz é: a babá que narra os contos-de-fadas é a guardiã da tradição e da própria democratização da sabedoria e do conhecimento. Nada há de mais plausível e confiável do que os contos-de-fadas, que nos fazem ver as coisas como realmente são: encantadoras demais para podermos racionalizá-las, restando-nos apenas admirá-las, glorificando o Criador.

    E. Apre(e)nder pela literatura
    O segredo da didática de Lewis, então, parece encontrar-se nessa tentativa de traduzir em literatura imaginativa e bem humorada, que também apela para a razão, o que aprendeu por experiência: que, embora possa vir a tornar-se um caminho enganoso, se perdermos a moderação, admirando a criatura em lugar do Criador (vaidade das vaidades), a literatura tem o potencial ainda pouco explorado pelos educadores de motivar o educando a buscar algo que vai além da letra morta, e nos conduzir de volta ao caminho rumo ao nosso lar esquecido.

    A maior prova disso encontra-se na própria conversão de Lewis. Depois de cair no ceticismo ou anti-intelectualismo, após a descoberta de que a felicidade não se encontrava nas coisas que buscava, de repente acabou fazendo uma descoberta ainda maior: que a felicidade encontra-se para além dessas coisas, que não passam de sinais (daí vem ensinar) indicativos do caminho que leva a ela. Por esse exemplo de vida podemos notar que, precisamente por não ser “domesticável,” Deus se manifesta, sem pedir licença, a quem ele quiser e da forma que ele escolher.

    F. Aprendendo a aprender
    A metodologia proposta por Lewis na sua literatura, que parte sempre da experiência viva e real, traduzida e capturada pela linguagem imaginativa, visa abrir mais e mais caminhos ou vias de comunicação do evangelho ao ser humano. Essa metodologia das “portas abertas” tem o potencial de alcançar tanto cristãos desmotivados ou amortecidos pelo desânimo, quanto não cristãos, que esqueceram que Cristo é a única fonte da alegria verdadeira, capaz de preencher os vazios da natureza caída, reconciliando o homem com Deus e consigo mesmo. Evidentemente, essa felicidade, que podemos esperançosamente manter em mira através da literatura, nunca será totalmente realizada neste mundo, que, por isso mesmo, não passa de uma “terra das sombras” da verdadeira realidade que ainda está por vir.

    Assim, podemos dizer, em síntese, que, de acordo com Lewis, a melhor maneira de o educador cristão preparar-se para o século XXI é “ver as coisas como são,” aplicando a literatura, método ainda pouco desenvolvido na educação cristã, como meio para abrir oportunidades à discussão de conceitos fundamentais, tais como realidade, razão, fé e imaginação. Dessa maneira, se poderá construir um projeto pedagógico capaz de nortear todos os educadores cristãos interessados em aprender a fazer frente aos desafios futuros, equipando-se com fé, razão, coragem e muita imaginação.

  • As Crônicas de Nárnia, lançadas pela Editora Martins Fontes na bienal do livro de 1997, é uma série de contos infantis que inclui: O Sobrinho do Mago, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (que se encontra em desenho animado pela Reborn Vídeo), O Cavalo e seu Menino, Príncipe Caspian, A Viagem do Peregrino da Alvorada, A Cadeira de Prata e A Última Batalha. C. S. Lewis, Surprised by Joy (Nova York: Harcourt Brace, 1954), traduzido como Surpreendido pela Alegria (São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1998). Da coleção de “Pensadores Clássicos” da Editora Mundo Cristão. Dessa coleção podemos citar ainda O Grande Abismo, além da coleção das Crônicas de Nárnia, hoje editadas pela Editora Martins Fontes. Outras obras de Lewis são Cristianismo Puro e Simples (ABU Editora) e O Peso da Glória (Vida Nova). Ainda que isso não seja bem verdade no Brasil, onde grande parte desses livros já se encontram esgotados, eles continuam bastante citados e aplicados, tanto nas Escolas Dominicais e reuniões diversas nas igrejas, quanto nos meios estudantis cristãos ou não. Colin Duriez, The J. R. R. Tolkien Handbook: A Comprehensive Guide to His Life, Writings, and World of Middle-Earth (Grand Rapids: Baker, 1992), 130. C. S. Lewis, Letters to Malcolm (Nova York: Harcourt Brace, 1963), 76. C. S. Lewis, Letters to an American Lady, ed. Clyde S. Kilby (Grand Rapids: Eerdmans, 1971), 55. A carta é de 26/4/56. Peter Kreeft, Buscar Sentido no Sofrimento (São Paulo: Edições Loyola, 1995), 100. Ibid., 61. Lewis, Letters to an American Lady, 79 (carta de 30/10/58). C. S. Lewis, The Allegory of Love (Oxford: Clarendon Press, 1936). C. S. Lewis, Studies in Medieval & Renaissance Literature (Cambridge: Cambridge University Press, 1996; 4a. edição), 44. Tomás de Aquino, Summa Contra Gentiles, em Os Pensadores, Vol VIII (São Paulo: Abril Cultural, 1973). Lewis, Studies in Medieval & Renaissance Literature, 59. Ibid., 72. Ibid., 82. Guilherme de Lorris (1200-40), poeta francês autor dos primeiros quatro mil versos de 22.000 do poema Le roman de la rose. A segunda parte foi escrita pelo poeta também francês Jean de Meun. C. S. Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz (Petrópolis: Vozes, 1996), 9. A Loyola manteve o nome original em inglês Screwtape. De fato, é difícil expressar a totalidade do significado desse nome em português, que lembra “verme”, “lombriga,” enfim, um parasita asqueroso que vai se enrolando em torno de si mesmo. Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz, 11. John R. Stott, Crer é também Pensar (São Paulo: ABU Editora, 1978), 7-8. Somente para citar um exemplo, devemos mencionar a excelente revista Didaquê, usada como material didático em escolas dominicais de diversas denominações, por todo o Brasil. Lewis, Cartas do Diabo a seu Aprendiz, 12 Ibid., 12-13. Ibid., 13-14. Odero & Odero, Imagen del Hombre (Pamplona: EUNSA, 1993), 369. C. S. Lewis, An Experiment in Criticism (Cambridge: Cambridge University Press, 1961), 120. Lewis, Letters to an American Lady, 16 (carta de 22/6/53). Walter Hooper, C. S. Lewis, A Companion and Guide (São Francisco: Harper Collins, 1996). Ibid., 53 (carta de 19/3/56). C. S. Lewis, God in the Dock: Essays on Theology and Ethics, ed. W. Hooper (Grand Rapids: Eerdmans, 1970), 284ss. Lewis, Letters to an American Lady, 84 (carta de 7/6/59). Os relatos completos das experiências impressionantes de Bruno Bettelheim com o tratamento de crianças deficientes mentais a partir dos contos-de-fadas pode ser lido na sua obra: A Psicanálise dos Contos de Fadas (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980). Ele diz: “É uma característica dos contos de fadas colocar um dilema existencial de forma breve e categórica. Isto permite à criança aprender o problema em sua forma mais essencial, onde uma trama mais complexa confundiria o assunto para ela. O conto-de-fadas simplifica todas as situações” (p. 15). G. K. Chesterton, “Orthodoxy,” texto eletrônico disponível na internet no endereço: http://www.dur.ac.uk/~dcs0mpw/gkc/books/ortho14.txt Fonte: Revista Fides Reformata


  • Pr. Gabriele Greggersen, fez mestrado e doutorado (tese: “A Antropologia Filosófica de ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’ e a Pedagogia de C. S.Lewis”) na área de História e Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Atualmente é professora de Didática e Metodologia no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper e em outras faculdades, além de fazer palestras e prestar consultoria pedagógica por todo o Brasil.

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  • CARACTERÍSTICAS DE UM BOM PROFESSOR

    por Cristina Mellin

    As características do professor estão muito ligadas à sua personalidade e ao seu caráter.
    Estas características são também individuais e dependem da situação e da matéria.
    Sugerimos que você faça uma lista que contenha 5 (cinco) características de um bom e experiente professor.

    Geralmente os educadores estão de acordo com respeito às qualidades necessárias.
    Como resultado de um seminário, professores elaboram uma lista que contém as características (importantes) de um bom professor, a saber:

    1. Conhece profundamente a matéria a ser ensinada.
    2. Prepara cada aula de forma específica, identificando claramente o objetivo de cada lição e aula.
    3. Explica aos alunos o objetivo da lição.
    4. Explica o motivo da tarefa a ser realizada.
    5. Cria um ambiente agradável para o aprendizado.
    6. Gosta de trabalhar com os alunos.
    7. Dá instruções claras e é bem organizado.
    8. Apresenta o conteúdo da matéria com modelos ou exemplos.
    9. Mantém-se dentro dos limites do objetivo.
    10. Exige muito dos alunos, treina-os para que sejam responsáveis quanto ao estudo.
    11. Atua de maneira constante.
    12. É dedicado e responsável, exige muito de si mesmo.
    13. É criativo, versátil na maneira de ensinar, possui novas idéias e novos materiais.
    14. É entusiasta e enérgico, porém aceita idéias dos alunos.
    15. Notifica o aluno quanto ao seu aproveitamento.
    16. É flexível, está sempre disposto a dar e receber (aconselhar e escutar).
    17. Provê oportunidades de aprendizagem para os alunos atrasados ou avançados sem causar embaraços, isto é, adapta o ensino segundo as necessidades individuais dos alunos.
    18. Estimula a sala de aula para que haja respeito mútuo e cooperação (lições e pesquisas em grupo).
    19. Trata os alunos como indivíduos.
    20. Respeita as opiniões dos alunos, reagindo sempre de maneira construtiva.
    21. Encoraja os alunos a melhorar e ter um bom conceito de si mesmos.
    22. Tem senso de humor, expressa seus sentimentos e atitudes.
    23. Tem um relacionamento amigável com os alunos, mantendo a disciplina.
    24. Coopera com os outros professores.
    25. Veste-se de forma adequada.
    26. Usa métodos de ensino comprovados.
    27. Continua seu desenvolvimento profissional.
    28. Conhece a vida pessoal dos alunos.
    29. Importa-se em conhecer a comunidade e os recursos locais.

    Várias pesquisas indicam cinco pontos essenciais que descrevem um bom professor. São eles:

    1) Conhecer bem a matéria.
    2) Tratar os alunos como indivíduos e ser amigável.
    3) Ser criativo, entusiasta e inovador no preparo das aulas.
    4) Ser exigente e manter a disciplina.
    5) Manter-se dentro dos limites do objetivo.

    CARACTERÍSTICAS DOS ALUNOS DESSES PROFESSORES

    1. Demonstram conhecimento da aula.
    2. Têm uma atitude amigável uns para com os outros e para com o professor.
    3. São responsáveis quanto ao aprendizado.
    4. Respeitam o currículo e a escola.
    5. Aprendem conceitos, habilidades e atitudes conforme o currículo, segundo os resultados dos testes correspondentes.
    6. Demonstram um comportamento que indica uma atitude positiva para com os outros alunos e para consigo mesmos.
    7. Geralmente não existe nenhum problema de comportamento em sala de aula.
    8. Aprendem muito mais e melhor.

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  • AS TRÊS PALAVRAS QUE TRANSFORMAM UM RELACIONAMENTO

    Por: Edmilson Cerqueira

    Louvado seja Deus porque um dia Ele nos deu uma família e um lar. Louvado seja Deus porque mesmo com as lutas, dificuldades e tribulações, Ele também nos dá força e resistência para superarmos todas as crises e prosseguirmos a nossa vida em família, com amor e esperança de um futuro melhor.

    Nossa oração é que o amor, a graça e a paz do Senhor Jesus estejam reinando plenamente em sua vida e em seu lar.

    Você já pensou que muitas vezes falamos coisas que magoam e entristecem a Deus e ao nosso semelhante?

    Por causa disto, quantos vivem mal relacionados porque não conseguem se expressar positivamente, isto é, sem agressividades!

    Vivem sempre brigando, discutindo, sempre com palavras duras e ríspidas, que só trazem à tona coisas amargas, produzindo confusão e criando situações bastante desagradáveis.

    O apóstolo Tiago, irmão de Nosso Senhor Jesus Cristo, aprendeu muitas coisas com relação ao uso da palavra e ele mesmo nos ensina, dizendo o seguinte:

    (Ler Tiago 3.1-10)

    Conta-se que um rei muito poderoso iria receber um grande amigo em seu palácio. Então ele foi ao chefe da cozinha e ordenou que preparasse a melhor comida. No dia da visita o cozinheiro serviu “língua ao molho madeira”, para muitos um prato muito saboroso e apreciadíssimo.

    Passado algum tempo o rei recebeu a visita de um terrível inimigo. Então ordenou ao cozinheiro que fizesse a pior comida.

    Qual foi a surpresa de Sua Majestade ao observar que o cozinheiro preparara o mesmo prato! “Língua ao molho madeira”.

    Indignado o rei chamou o cozinheiro e perguntou-lhe:

    Como pode, cozinheiro, servir a mesma comida ao melhor amigo e ao pior inimigo? Eu pedi a melhor refeição para o amigo e a pior para o inimigo e você trouxe a mesma comida: “Língua”?!

    O humilde vassalo respondeu:

    É que a língua meu rei, num momento pode trazer paz, alegria, felicidade para aqueles a quem queremos bem e, em seguida, a mesma língua pode trazer guerra, tristeza e infelicidade a quem não queremos bem.

    Realmente, a Bíblia nos ensina e recomenda que é muito bom conviver com as pessoas que têm boas palavras em suas bocas. A Bíblia diz no livro de Provérbios 16.24: “Favos de mel são as palavras suaves, doces para a alma, saúde para os ossos”.

    Nada custa uma boa e sincera palavra, principalmente se vem antecipada por um alegre sorriso.

    Até ao receberem um gracioso “olá!”, “bom dia!”, “como vai?”, as pessoas se sentem felizes e têm um sentimento que estão sendo valorizadas.

    Quantos casais têm trocado palavras ríspidas e ofensivas, quebrando um relacionamento e trazendo conseqüências desagradáveis para a família e para o lar?

    Quantos pais têm ofendido seus filhos, humilhando-os com palavras duras, às vezes até mesmo diante de seus amigos?

    Quantos filhos, preocupados apenas consigo mesmos, entristecem e desonrando seus pais deixando um rastro de dor e lágrimas?

    Quando isto acontecer, devemos, humildemente reconhecer nosso erro e confessá-lo e, a seguir, pedir perdão.

    Daí então transmitir para o semelhante o amor que Deus coloca em nossos corações, o qual deve ser caracterizado pelas nossas atitudes diárias.

    Finalmente, as três palavras que transformam um relacionamento tênue, enfraquecido pelo rancor, apodrecido pelas mágoas, ofensas e tristezas, as três palavras que transformam uma inimizade contrária à vontade de Deus por um relacionamento saudável, carinhoso, amoroso, que se baseia na vontade soberana de Deus, são:

    ERREI!
    POR FAVOR, ME PERDOE!
    EU TE AMO!

    Por que não experimentar estas atitudes ainda hoje?

    Pr. Edmilson Cerqueira ,
    Pastor da Primeira Igreja Batista do Anil, RJ

     

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  • A PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

    As características físicas, mentais, sociais, emocionais e espirituais dos alunos; o que ensinar e como ensiná-los


    Minha professora de psicologia da educação da faculdade de filosofia costumava dizer que “de médico, louco e psicólogo todo mundo tem um pouco”. Menciono esse fato somente para salientar que a psicologia apresentada neste artigo (uma adaptação nossa do livreto O Bom Professor Conhece Os Seus Alunos) não é a psicologia no sentido técnico do termo (apesar de reconhecermos a importância da ciência psicológica). Trata-se apenas da psicologia da sala de aula. Daquela aprendida, principalmente, na convivência com os alunos.
    Neste artigo tentaremos ajudar você a conhecer melhor os alunos de sua classe de escola dominical. Possuir um conhecimento profundo das características e necessidades de seus alunos é imprescindível para um ensino eficaz e bem sucedido.

    AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 1 A 3 ANOS

    A construção começa pelo alicerce. Como nosso alvo é construir Cristo na vida das pessoas, começamos pelo alicerce, que são as crianças de 1 a 3 anos. Neste artigo, gostaríamos de ver suas características, e as maneiras como conseguiremos alcançá-las, usando a Palavra de Deus.
    Isto talvez soa estranho aos ouvidos de alguns, porém a verdade é que a criança nesta idade pode captar muitas verdades acerca de Deus, por causa do instinto de busca de Deus que existe em todo ser humano. Damos muita importância a esta idade porque dela Deus pode receber muito louvor.

    Fisicamente
    Estão crescendo rapidamente. Seus músculos exigem ação, por isso são turbulentas. Elas se cansam com facilidade e necessitam de longos períodos de descanso.

    1 a 2 anos: a criança age impulsionada pelos músculos maiores mas cai quando tenta andar rapidamente. Quebra tudo que tenta alcançar porque os músculos menores não se desenvolveram e não há uma perfeita coordenação motora. Por isso, todos os brinquedos devem ser fortes, grandes e leves.
    Aos dois anos gosta de enfileirar objetos: cadeiras, brinquedos, etc. É hora de ensiná-la a usar o vasinho para suas necessidades físicas. Paciência e calma são essenciais nessa fase.

    3 anos: os músculos menores estão mais desenvolvidos. Tem uma coordenação motora mais equilibrada. Consegue equilibrar-se e controlar o próprio corpo. Por isso, com freqüência, ela pula de um lugar mais alto; pendura-se na mesa, na maçaneta e até no seu braço. Não fique bravo por isso. Sob sua supervisão, deixe-a dependurar-se e balançar-se, pois isto faz parte de seu crescimento normal. Não seja um empecilho para o seu crescimento.
    Gosta de brincar com argolas de plástico, latinhas, etc., mas além de enfileirar já consegue também empilhar os brinquedos.
    As crianças de um a três anos adoecem com facilidade – o ambiente da sala deve ser o mais sadio possível para evitar contágios.

    Mentalmente
    São curiosas e investigadoras, por estarem começando a conhecer as maravilhas que Deus criou.

    1 a 2 anos: sua atenção é limitada – um minuto a dois, no máximo; a mente cansa-se logo; fala pouco, mas entende quase tudo. Não tem a habilidade de fazer perguntas, nem observações engenhosas. Devemos nos lembrar de variar as atividades, contar histórias ou falar rapidamente sem entrar em detalhes, e não esperar que ela participe ativamente da aula, respondendo a todas as perguntas e nem perguntando. Ela entende mais do que fala.

    3 anos: “O que é isso?”. É a pergunta mais comum entre elas. Não tem noção dos dias da semana; gosta de repetições; falam mais palavras. Gosta de explorar o desconhecido – quebra a asa do avião para ver o que tem dentro. Arranca a perninha dos bichinhos para ver de que é feita. Para aproveitar essa curiosidade aguçada, prepare uma mesa com as coisas que Deus fez e vá sempre acrescentando mais objetos. Deixe a mesa sempre coberta com plástico para evitar estragos.
    A criança fala através de frases, mas sua mente está, geralmente, adiante do que diz. Não a ajude nem a apresse para encontrar palavras. Ouça pacientemente, custe o que custar. Por causa da infiltração da TV e sua maneira marcante de comunicar, as crianças dessa idade, hoje, falam muito mais que no passado. MESMO ASSIM NUNCA SE ESQUEÇA DE QUE ELA TEM APENAS TRÊS ANOS E É UMA CRIANÇA.

    Social e emocionalmente
    São sensíveis. Gostam de falar, de agradar e de serem agradadas. Precisam da atenção de todo mundo. Chamam a atenção de todos, sendo ou muito boas ou rebeldes de mais: gritam, choram, são egoístas ao extremo, etc. Conseguem perceber o humor do professor pelo timbre de voz, sorriso e contato corporal.

    1 a 2 anos: certos incidentes ficam gravados na memória da criança para sempre. Ela pode não querer ir à escola dominical porque um coleguinha bateu nela na saída, ou porque teve uma impressão má da professora. Todas às vezes que sabe que terá de ir à igreja começa a chorar. Demora muito para se ambientar em uma nova situação. Ela se retrai e torna-se agressiva. Ex.: quando se separa da mãe, pela primeira vez, para ir à sua classe, chora porque pensa que vai perdê-la ou que ela vai embora. Leve-a até à classe da mãe e mostre-lhe que ela ainda está lá. Após várias tentativas, se não se acostumar com a idéia de separar-se da mãe, traga um guarda-chuva ou capa ou bolsa da mãe e deixe-a na sua classe. Assim a criança vai sentir que ela não foi embora. Nunca diga: “Você é um menino grande e ainda está chorando? Veja todas as crianças ao seu redor olhando. Você não tem vergonha?”. Antes, abrace a criança que tem o nariz escorrendo e os olhos cheios de lágrimas, limpe-os com um lenço, mostre a ela um brinquedo, figura ou livro. Ela precisa de segurança. Ela se sente mais segura e ajustada na escola dominical quando é saudada todos os domingos pela mesma ou mesmas professoras.
    Não consegue ainda brincar com o grupo. Ela brinca sozinha no meio do grupo. Nunca espere que todos brinquem com ela. Ela não sabe brincar em conjunto.

    3 anos: gosta de estar entre outras pessoas. Não tem muito problema para ficar longe da mãe, se conseguir se ajustar ao meio ambiente. Também gosta de brincar sozinha no meio de todos, mas já consegue brincar com os outros. É egoísta – pode derrubar os blocos empilhados por outro menino, para aumentar sua própria construção. Pode pegar as bolachas e colocar a maioria na boca, só para não dar para os outros. Por outro lado, gosta de ajudar os outros e sente alegria em fazê-lo. Ex.: dá sua boneca para a menina que está chorando e diz palavras de consolo.
    Não gosta de ser mandada, mas fará muitas coisa se você as sugerir de maneira clara e diretiva. Ex.: “Olhem o relógio; está na hora de guardar as
    bonecas na cama, os blocos dentro das caixas. Tique-taque, tique-taque, vamos todos trabalhar. Tique-taque, tique-taque, um pouco mais, um pouco mais e descansar. Tique-taque, tique-taque, um pouco ali, um pouco aqui, e terminar. Obrigada, obrigada, e até outro dia começar”.
    Espiritualmente
    Por causa do instinto de busca que existe no ser humano ela deseja e tem sede de conhecer o Deus vivo e atuante. Ela aprende a conhecer a Deus através das palavras e ações das pessoas que a cercam.

    1 a 2 anos: tem capacidade para entender e experimentar o amor de Deus. A criança aprende essa verdade ouvindo, vendo e experimentando. Leva tempo para ela ganhar noção de uma verdade, mas um pouco aqui, um pouco ali, e ela consegue aprender. (Is 28.10,13). Aos dois anos de idade gosta de orar e dizer palavras simples para Deus; aprende a agradecer a Deus quando as pessoas ao seu redor assim o fazem, dando graças a Deus por todas as coisas. (Ef 5.20). Ex.: “Vamos agradecer a Deus porque João está só resfriado e não precisou ir para o hospital, e porque no próximo ele já estará aqui para aprender das coisas de Deus”. A prova de que ela aprende é que, durante a semana, ela tenta cantarolar os cânticos aprendidos. Desafina e inventa palavras, mas canta com alegria.

    3 anos: seu interesse por Deus continua crescendo. Gosta de ouvir contar que Deus criou tudo: flores, frutos, sol, chuva, noite e dia, e os animais. Nessa época, comece a ensinar que Deus criou o corpo. Ex.: “Deus não foi bom de nos dar mãos fortes para podermos colocar os blocos dentro da caixa? Deus nos deu ouvidos e por isso podemos ouvir esta bonita música que fala de Jesus, não é?”. Mesmo olhar pela janela num domingo chuvoso pode dar ocasião para uma conversa: “Deus é bom de dar esta chuva tão boa que ajuda as plantas a crescerem. Vamos agradecer a Deus por esta chuva”.

    O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 1 A 3 ANOS
    1 a 2 anos: a melhor maneira de ensinar uma criança nesta idade é usar a conversação dirigida, isto é, conduzir cuidadosamente a conversa e o pensamento da criança na direção de uma verdade bíblica ou do objetivo da lição. Ex.: quando ela conseguir virar a página de um livro, diga que Deus fez suas mãos e é por isso que ela consegue mexer naquele livro. Quando uma criança aparecer com uma blusa bonita diga: “Como Deus é bom de ter feito um pano tão macio e quentinho. Vamos agradecer a Deus por esta blusa”. Se ela desejar tirar a blusa porque ficou com calor, aproveite para dizer: “Você já imaginou se Deus não tivesse feito o sol? Morreríamos de frio”.
    A Bíblia se tornará um livro especial para ela se a professora e os pais assim lhe ensinarem, falando-lhe sobre a Bíblia ou deixando que ela a carregue com cuidado e respeito. Ex.: diga: “Eu vou segurar seu dedinho e colocá-lo sobre a Bíblia no lugar que diz: ‘Deus me fez’. – Jó 33.4”. Assim ela vai aprendendo as coisas de Deus.

    3 anos: use cânticos com gestos que ela possa participar livremente. Ex.: história da criação: Deus fez a lua – as crianças fazem um círculo com as mãos. Deus fez as estrelas – mexer com os dedinhos. Deus fez tudo isso e colocou no céu – apontar o dedinho indicador para o céu. Deus fez o sol – fazer o círculo com as mãos; as árvores – erguer as duas mãos para cima; as flores – abaixar até o chão. Os passarinhos voam no céu que Deus fez – usando as mãos, fazer de conta que estão voando.

    AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS
    É nessa fase, entre 4 e 6 anos, que as impressões mais profundas, provindas do ambiente em que a criança vive, estão se interiorizando nela, para depois serem externadas através de ações e reações, inclusive na fase adulta. É uma idade propícia para se entender a realidade de Cristo e Sua atuação na vida diária. A criança poderá entender, sentir e viver Cristo se isso lhe for ensinado através de palavras e atitude. Procuremos então conhecê-la para ajudá-la a se encontrar com Cristo e ter uma vida que agrade a Deus.

    Fisicamente
    Crescimento muito rápido. Os músculos estão se desenvolvendo, dando-lhe assim um melhor controle motor. Consiga equipamentos adequados como, por exemplo: cadeiras baixas, para que os pezinhos não fiquem balançando, mesas de altura apropriada para que a criança não tenha que ficar pendurada ou de pé para escrever, desenhar ou brincar. Materiais como figuras ilustrativas e objetos de borracha devem ser grandes. As tesouras pequenas e sem ponta são mais aconselháveis.
    É ativa e, como conseqüência disso, cansa-se facilmente. Seus olhos ficam ardendo e os ouvidos cansados quando ouve ou vê algo por muito tempo. Apesar de ser tão ativa e aparentar saúde inabalável, é sensível e sujeita a doenças. Deve-se providenciar atividades variadas e incluir um período de descanso ou de atividades que exijam menos esforço. Mantenha a sala sempre bem iluminada, fale pouco e de maneira clara; modifique o tom e a entonação da voz, dependendo dos personagens e circunstâncias. Para evitar que a criança transmita ou contraia alguma doença, esteja sempre alerta e verifique se algum aluno está com alguma doença contagiosa como catapora, sarampo, rubéola ou com qualquer outro sintoma que revele possível doença.

    Mentalmente
    Responda a todas as perguntas de maneira simples e verdadeira pois a criança dessa idade é indagadora, curiosa e está pronta a aprender.
    Como sua atenção é limitada, variando de 5 a 10 minutos, diversifique as atividades: jogos, descanso, cânticos, lanche, limpeza da sala, guardar os brinquedos na caixa, etc.
    Tem boa memória mas não tem noção exata de tempo nem de distância. Sua mente é ativa e quer expressar o que pensa, mas não sabe como.

    Socialmente
    Gosta de estar com os outros e é capaz de brincar em conjunto. Promova então atividades nas quais todos brinquem juntos. Não utilize atividades de grupo, em que seja preciso construir algo definido. Raramente dará resultado pois ela não consegue continuar o que o outro já começou. A tendência é de destruir.
    Nesta idade muitos já estão demonstrando qualidades de liderança, enquanto outros só agem baseados em sugestões. Encoraje os líderes a tomarem a liderança, mas não egoisticamente, e proporcione oportunidades para que outros liderem também.
    É egoísta e pensa que tudo lhe pertence. Procure ensinar-lhe a importância de ser cordial e amável com os outros, e também os princípios bíblicos de posse. Deixe claro que Deus se agrada quando dividimos nossas coisas com os outros. (Exemplo do menino que deu os pães e peixes a Jesus). Proporcione oportunidades de dar e receber.
    Deseja a aprovação do grupo e dos adultos. Elogie-a sinceramente quando fizer coisas certas. Se fizer algo errado ou mal feito, em vez de dizer: “Eu s

    abia que você iria fazer isso…”, diga: “Não está tão bom como os que você costuma fazer, mas sei que consegue fazer melhor. Gostei muito do verde da grama”, ou “Gostei de ver como você caprichou no telhado”.
    Gosta de palavras e piadas tolas. Ria se forem inocentes ou sem afetação pessoal. Discipline, se não forem, mas sem alterar a voz nem o gesto. Se acontecer de se divertirem às custas de defeitos físicos de outras pessoas, ou da dificuldade de alguém aprender a língua do país, chame-as, uma a uma, à parte e explique-lhes, com amor, sem tom de recriminação que aquilo fere a outra pessoa. Pode dar uma explicação, dependendo do caso, de como aquele menino ficou daquele jeito. Converse com uma criança de cada vez. Em casos de disciplina, isso dá mais resultado do que falar ao grupo.

    Emocionalmente
    Proporcione um ambiente calmo. Não grite, nem crie uma atmosfera carregada, com imposições e antagonismo (resultado de uma disciplina muito rígida), pois a criança é sensível e suas emoções são intensas.
    É capaz de controlar o choro. Encoraje-a, quando esfolar o joelho em conseqüência de uma queda, simplesmente colocando a mão na cabeça dela e dizendo: “Puxa! Como você cresceu!”.
    Muitas de suas ações são permeadas de uma atitude egoísta, invejosa e ciumenta. Evite mostrar favoritismo, elogiando sempre o trabalho de uma criança só, ou dando oportunidades apenas para algumas fazerem determinadas coisas.
    É explosiva. Nunca lhe peça algo que esteja além de sua capacidade, pois quando não consegue realizar a tarefa, ou chora ou fica desanimada, e fica com um gostinho amargo de derrota.
    É bondosa. Gosta de ajudar os outros, desde que isto não traga ameaça para si. Ensine-a a repartir as coisas e a mostrar amor e simpatia pelos outros, orando, dando ou fazendo algo.
    É teimosa, e bate o pé quando as coisas não saem como ela quer, ou quando é obrigada a fazer algo que não quer fazer. Aprenda a boa arte de sugerir as coisas firmemente, mas sem rispidez. Ex.: Em vez de dizer: “Guarde os brinquedos, porque já vamos ouvir a história”, diga: “Chegou a hora de ouvirmos mais uma parte da história de Jesus. Quem gosta de ouvir a história de Jesus? Então vamos todos guardar os brinquedos na caixa, antes de ouvir a história”.
    É medrosa demais. Evite dizer: “Se você não ficar quieto, vou falar com sua mãe”. Evite histórias que causem medo: “… então veio um homem baixinho, de bigode, com um chapéu preto na cabeça. Ele veio devagarzinho… e zup! Agarrou o missionário, e ele gritou: “Ahhh!”. Além de ficar com medo, ela vai pensar que todo homem baixinho é um bandido que agarra as pessoas.

    Espiritualmente
    Pensa em Deus de um modo pessoal e consegue dar-Lhe verdadeiro louvor. Leve-a a ter um contato pessoal com o Senhor através da oração de agradecimento, de petição, e pelas histórias da Bíblia. Diga-lhe repetidas vezes que Deus odeia seus pecados mas a ama muito.
    Ela pergunta com freqüência sobre a morte, porque tem dúvidas. Responda com simplicidade, sem mostrar mistério ou cinismo.
    Acredita nos adultos e está pronta a ouvir de Cristo. Seja verdadeiro e fale de Cristo de maneira bem simples. Faça um apelo após contar a história, ou em qualquer ocasião propícia. Depois que ela tomar a decisão, verifique se entendeu e fale sobre a certeza da salvação, caso tenha mesmo se decidido.
    O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS
    Use recursos visuais simples mas significativos para ela. Faça-a participar da aula, dramatizando, recortando a história, respondendo perguntas, ou fazendo algum trabalho manual. Não use comparações nem palavras figuradas na história. Esta deve ter seqüência lógica e ser curta. Fale pouco e de maneira clara. Modifique o tom e a entonação da voz, dependendo dos personagens e circunstâncias. Toda palavra nova deve ser explicada para evitar que a criança memorize coisas sem sentido. Cada verdade básica deve ser repetida muitas vezes, de várias maneiras. Evite dar duas explicações a uma mesma lição, pois pode causar confusão. Faça perguntas que a ajude a expressar suas idéias naturalmente, sem forçá-la, também sem depreciá-la quando não conseguir explicar aquilo que quer falar.

    Planos de salvação
    1. Eu pequei – Rm 3.23 – Sabe que você é pecador? Você diz mentiras, tem raiva do irmãozinho e desobedece? Isto tudo é pecado. O pecado separa você de Deus.
    2. Deus me ama – Jo 3.16 – Deus odeia o pecado que você comete, mas Ele o ama tanto que fez uma coisa para você não ficar longe dEle: deu Jesus.
    3. Cristo morreu por mim – Rm 5.8 – Cristo morreu em seu lugar para que você não fique mais separado de Deus.
    4. Eu O aceito – Jo 1.12 – Se você receber Cristo em seu coração, você se torna filho de Deus, e seus pecados são perdoados. Quer orar a Jesus e pedir-Lhe para vir morar com você para sempre e limpar seu coração?
    5. Estou salvo – Jo 1.12 ou Jo 5.24 – O que você fez? Isto: abriu o coração para Jesus entrar. Onde Ele mora agora? A Bíblia diz que Jesus nunca mais vai abandoná-lo. Você está seguro nas mãos de Deus.

    AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 7 A 9 ANOS
    Na idade de 7 a 9 anos a criança tem uma personalidade vibrante e curiosa, mas que também oferece momentos de frustração para o professor. Cada uma dessas idades – 7, 8 e 9 – tem suas características, necessidades e habilidades próprias. Não há dois alunos iguais; no entanto, há traços comuns a todos eles. Um bom conhecimento desses pontos análogos dará ao professor mais base para enfrentar e solucionar os problemas e necessidades de cada um.
    Nessa idade, as crianças descobriram um mundo novo e estão vivendo intensamente dentro dele: é a escola secular – aulas, horários, responsabilidades, concorrência em notas, brigas durante o recreio, disciplina, hostilidade sem a proteção dos pais, coleguismo, realizações, recompensa, etc. Gostam da escola, da professora, dos seus cadernos de tarefa, enfim, do seu novo mundo. Sabem fazer comparações e descobrir se uma coisa é boa ou não, organizada ou não. E a escola dominical pode ficar em segundo plano se você, professor(a) dessa faixa etária, não levar a sério o trabalho de ensino.
    As crianças nessa idade são parecidas entre si, porém, se formos analisar com cuidado cada idade, perceberemos que há diferenças bem visíveis na maneira de agir, de pensar e de aprender de cada idade, como iremos ver agora:

    Características mentais
    Estão aprendendo a raciocinar. Não lhes dê tudo mastigado. Não solucione os problemas deles, mas ajude-os a achar as soluções por si mesmos.
    O período de atenção é mais prolongado do que o dos alunos de 4 a 6 anos; varia mais ou menos de 10 a 15 minutos.
    Sete anos: estão aprendendo a ler e escrever, pois entraram para o primeiro ano.
    Gostam de fatos reais mas também de fantasias, e já conseguem distingui

    r um do outro. Use ambos, mas com mais freqüência os fatos reais, para evitar o pensamento de que o cristianismo é algo imaginado.
    Sua capacidade de expressão é limitada, mas têm boa memória. Ajude-os a se expressar em grupo, mas nunca force ninguém a participar contra a vontade. Se prometer algo, cumpra, pois eles se lembram sempre e vão deduzir que você é mentiroso, se não cumprir.
    Oito anos: gostam de ler, de aprender e de responder e de responder rapidamente. Leve-os a participar o máximo da aula.
    Gostam de pesquisar, de perguntar sobre o passado e o futuro, sobre outros povos, etc.
    Nove anos: gostam de expor suas idéias, de discutir, de perguntar, de ouvir histórias e de dizer coisas engraçadas. Saiba ouvi-los e dê respostas simples e claras. Saiba aceitar certas brincadeiras inofensivas.
    Gostam de ser desafiados. Desafie-os a trabalhar para Cristo. Evite pensar que são muito pequenos e não entendem nada sobre consagração.
    São pensadores, críticos e têm boa memória. Não se espante com certas perguntas profundas que venham a fazer. Ajude-os a ver a parte boa das coisas e das pessoas. Dê-lhes oportunidade para memorizar versículos da Bíblia e princípios gerais.

    Características físicas
    Os músculos menores estão se desenvolvendo vagarosamente, e eles se cansam muito quando têm que realizar algo com muitos detalhes; portanto, não exija deles perfeição.
    Sete anos: estão aprendendo a escrever. Colabore em seu desenvolvimento físico dando-lhes oportunidade de escrever versículos fáceis, palavras importantes, pintar figuras, etc.
    Oito anos: gostam de se mostrar, fazendo coisas perigosas, como: sentar apoiando a cadeira num pé só, andar sobre um muro coberto de cacos de vidro; pegar bichinhos venenosos com garrafas ou brincar com bombinhas ou espingardas. Não mostre aprovação, nem grite para que parem, e nem mostre cuidado excessivo: porém, seja enérgico e faça-os parar quando estiverem fazendo algo muito perigoso. Chegue mais cedo para que a classe não vire uma confusão.
    Nove anos: sua coordenação motora já está quase perfeita, mas não é perfeita. Gostam muito de projetos de mesa: construir, armar, recompor uma cena, etc.

    Características sociais
    Necessitam de companhia; são comunicativos e gostam de ser considerados alguém. Respeitam autoridade e são cooperadores.
    Sete anos: gostam de agradar a professora dando-lhe presentes, e com conversas ou piadas. Mostre que você realmente se agrada dos presentes, porém deixe claro que isso não vai lhes trazer benefícios especiais nem vantagem sobre os outros.
    Não gostam do sexo oposto; são antagônicos. Evite colocar meninos e meninas juntos em qualquer atividade de grupo.
    Ficam acanhados em ambientes novos. Crie na classe um ambiente familiar e afetuoso.
    Oito anos: são egoístas e egocêntricos. Incentive-os a ajudar outras pessoas.
    Nove anos: desejam amizades sólidas. Apresente-lhes Cristo como Aquele que nunca muda. Gostam de atividades competitivas ou cooperativas. Proporcione-lhes ambos os tipos de atividades.

    Características emocionais
    Imaturos. São imprevisíveis e se desanimam com a mesma facilidade com que se animam a fazer alguma coisa: fogo de palha.
    Não se impressione com suas reações. Não espere demais deles só por já estarem mais desenvolvidos. Incentive-os a continuar o que começaram. Instrua-os dentro de sua própria capacidade de ação.
    Rebelam-se contra exigências pessoais, quando se sentem magoados. Ensine a obediência através de sugestões e com amor, e nunca dando ordens. O ambiente os influencia muito e podem estourar com facilidade. Aja com calma, sorria sempre, mas nunca ria deles.
    Sete anos: dependem muito do ambiente. O ambiente é que vai determinar o aprendizado. Proporcione um ambiente bem sugestivo que contribua para o aprendizado.
    Oito anos: criam seu próprio ambiente e fazem com que outros dependam dele. Cuidado com as panelinhas, pois podem destruir a classe. Seja um guia bem sensível às reações dos alunos e procure perceber se certo grupo está reagindo contra você, contra a classe ou contra o ambiente. Quando descobrir a causa, faça tudo para solucionar o problema.
    Nove anos: são capazes de cooperar para manter um ambiente muito agradável. Incentive-os a cooperarem para o bom funcionamento da classe. Vibram quando a classe toda se envolve num projeto ou quando há competição entre sua classe e outra. Tome cuidado para que a competição em si não seja mais importante do que o propósito dela. Ficam arrasados quando o seu grupo perde uma competição.

    Características espirituais
    Sete anos: são impacientes e querem saber tudo agora.
    Gostam da escola dominical e têm fé em Deus. Nessa idade já podem entender que Cristo os comprou com o Seu sangue, e que já não pertencem a si mesmos, mas a Ele.
    Oito anos: gostam de um cristianismo exclusivo. Ajude-os a conhecer a Cristo, e a andar com Ele em sua vida diária. Procure entender bem suas reações e mostre-se compreensivo.
    Nove anos: estão saindo do seu exclusivismo e o mundo à sua volta os preocupa; querem trabalhar para Cristo.

    O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 7 A 9 ANOS
    Sete anos: Estimule-os a ler o livro do aluno e versículos simples, na própria Bíblia ou escritos no quadro-negro. Dê a eles versículos para copiarem na classe e em casa, como tarefa. Faça-os participar bastante da classe deixando que segurem cartazes com cânticos, recontem histórias, armem quebra-cabeças de versículos, etc. Evite contar histórias em capítulo por muito tempo, pois podem ficar desinteressados. Ensine-lhes a pedir a Deus a solução de qualquer problema.
    Oito anos: Conte-lhes histórias interessantes, use ilustrações atuais, faça-os pesquisar sobre costumes e histórias dos tempos antigos. Dê a eles tarefas difíceis e desafie-os a realizá-las. Ensine-os a pensar nos outros, que Jesus é o melhor amigo que existe e está pronto a ajudá-los em qualquer situação.
    Nove anos: Conte histórias bíblicas de uma forma atual, interessante, prática, relacionando as lições bíblicas com os fatos atuais. Como nesta idade eles desejam amizades sólidas, apresente Cristo como Aquele que nunca muda. Dê-lhes bastante trabalho prático: dobrar e distribuir folhetos, fazer evangelismo individual, dar o testemunho pessoal, participar de um conjunto musical, etc.

    AS CARACTERÍSTICAS DOS PRÉ-ADOLESCENTES
    O pré-adolescente não é mais uma criança, mas também não preenche plenamente as qualificações de um adolescente. Age como criança muitas vezes, porém fica zangado quando o consideram como tal. Ele vive as mais fantásticas aventuras e expe

    riências, e sente necessidade de ser liderado por uma pessoa que o compreenda e o ajude a se conhecer a si mesmo. Por causa da atitude crítica, insinuosa e até marginalizadora, própria dos pré-adolescentes, muitos são chamados por alguns adultos de “moleques”, “pestinhas” e “endiabrados”. Contudo, vale a pena conhecê-los e ajudá-los nessa fase tão difícil e tão decisiva da vida.

    Fisicamente
    Estão ganhando força, apesar de haver um estacionamento no desenvolvimento físico. Gostam de lutar e de fazer bagunça. Chegue à classe antes dos alunos e distribua algo atrativo e útil para fazerem até o início da lição.
    Há uma diferença muito grande entre o desenvolvimento físico das meninas e o dos meninos. Muitas garotas estão um ano na frente dos garotos. Algumas já entraram na fase menstrual e sentem que não são mais crianças, ao passo que os garotos agem e pensam como crianças. Enquanto os meninos se divertem com atividades brutas, as meninas são mais reservadas e preferem atividades mais calmas. Você deve levar em conta estas grandes diferenças, ao fazer o planejamento de quaisquer atividades.

    Mentalmente
    São vivos e gostam de fazer perguntas. Têm boa memória, porém não pensam em profundidade. Têm consciência de tempo e distância. Gostam de colecionar “coisas”. Lêem muito. Têm grande interesse em conhecer pessoalmente ou ler e ouvir a respeito de heróis.

    Socialmente
    Sentem uma necessidade grande de pertencer a um grupo que lhes dê segurança. Preferem o seu grupo mais que a família. Lutam pelos direitos do grupo. Gostam de organizar grupos do mesmo sexo. As meninas pensam mais em namoro que os meninos. Ocasião propícia para aconselhamento; evite classes mistas. Adoram heróis e são perfeccionistas. Odeiam fraquezas pessoais. Gostam de ter responsabilidades. Rebelam-se contra a autoridade. Seja um guia, um líder e não um ditador. Sempre peça sugestão à classe, mas não de maneira que demonstre insegurança. Crie um ambiente de liberdade, mas controlado por você.

    Emocionalmente
    São instáveis emocionalmente. O desequilíbrio é demonstrado em todas as ocasiões: são alegres ou fechados demais; mostram amizade em excesso e, de repente, voltam-se contra o melhor amigo. Ora estão calmos; ora preocupados, e assim por diante. Seja amigo constante, sincero e que inspire confiança e segurança. Não gostam de manifestações de afeto. Evite abraçar ou colocar a mão nos seus ombros. Ame-os não com palavras e gestos, mas de verdade. São dados a valentias, pois gostam de participar de coisas empolgantes. Mostre que muitas vezes é melhor fugir de um perigo inútil do que enfrentá-lo e sofrer conseqüências graves. São sensíveis ao desprezo, à falta de amor e à hipocrisia. Fale de Cristo e leve-os a viver Cristo.

    Espiritualmente
    Eles possuem padrões elevados para si mesmos. Reconhecem o pecado como algo que desagrada a Deus e a si mesmos. Têm fome de Deus. Sua fé é simples e sua cabeça está cheia de dúvidas sobre a Bíblia. Gostam de encontrar resposta por si mesmos na Bíblia. Estão começando a compreender melhor os simbolismos. Querem a Cristo como Salvador e Senhor.

    O QUE E COMO ENSINAR AOS PRÉ-ADOLESCENTES
    Tenha um programa ativo, envolvendo-os ao máximo em alguma atividade onde possam usar as suas forças. Dê-lhes oportunidade de pensarem, perguntarem e se expressarem. Encoraje e motive a memorização de versículos, hinos e fatos bíblicos. Ensine-lhes cronologia e geografia bíblica. Use mapas e gráficos em seu ensino. Encoraje-os a ter passatempos úteis. Ensine-os a escolher boa literatura; ajude-os na formação de bons hábitos de leitura; apresente a Bíblia como sendo o melhor livro que existe. Apresente histórias de heróis bíblicos e também de outros como: Carey, Simonton, José Manoel da Conceição, Robert e Sarah Kalley, etc. Será bom, algumas vezes, levar à classe missionários que estão na obra e cujas experiências sirvam para despertá-los para o serviço do Senhor.
    Promova reuniões sociais e passeios para a classe, com o intuito de preencher as necessidades sociais deles, dentro de um ambiente cristão. Aproveite para motivar a classe a estudar a lição da escola dominical, através de uma competição não individual, mas entre grupos. Deve tomar muito cuidado para que o espírito de “só os do meu grupo” não leve à marginalização de outros de fora do grupo. Ensine-lhes padrões bíblicos através de princípios bíblicos. Dê-lhes oportunidades de acordo com as suas capacidades e gostos. E como gostam de humorismo, ensine-os a cultivar o humorismo são e evitar o mal.
    Explique-lhes o valor do sangue de Cristo (1 Jo 1.9). Proporcione oportunidades de conhecerem melhor a Deus. Desafie-os a orar, fazendo pedidos específicos e, pela resposta de Deus, vão saber da realidade de Deus e Sua atuação hoje na vida diária. Envolva-os em diversos ministérios e responda a todas as perguntas de maneira simples e objetiva. Ofereça-lhes as ferramentas próprias para descobrir soluções para seus problemas; por exemplo, um método de estudo bíblico. Use simbolismo, mas certifique-se de que estão entendendo. Leve-os aos pés do Salvador e ajude-os a entender a importância de colocar a Cristo como líder de suas vidas. Nessa fase o professor deve nutri-los, mais do que lançar desafio após desafio, pois, como disse alguém, “O que o indivíduo aprende na idade de 10 a 12 anos leva consigo até o túmulo”.

    AS CARACTERÍSTICAS DOS ADOLESCENTES

    Queremos apresentar-lhe uns indivíduos suspeitos, desajeitados, problemáticos, rebeldes e inconstantes, que freqüentam a nossa escola dominical: são os adolescentes.
    Creio que ninguém apresentaria uma pessoa dessa maneira, mas quantos já pensaram nestes termos, ao depararem com os alunos na faixa de idade entre 13 e 16 anos, que mal respondem ao seu tão cordial “bom dia”?
    Por que agem dessa maneira? A causa é terem descoberto a existência de dois mundos: um, que é o seu, interior, e outro, exterior, o mundo dos adultos. Sentem o peso e a pressão vindos tanto de dentro de si quanto do mundo exterior. Na tentativa de se adaptarem a esses dois mundos tão conflitantes entre si é que surge a rebelião, que pode ser expressa de várias maneiras. Você terá mais condições de ajudá-los, conhecendo-os melhor.

    Fisicamente
    Estão se desenvolvendo rapidamente e tanto podem estar muito bem dispostos quanto não querendo fazer absolutamente nada. O adolescente é desajeitado por causa da súbita transformação física. Seja paciente e procure compreender seus atos abrutalhados. Sua voz está mudando. Principalmente a do rapaz. Não o embarace pedindo que declame ou cante diante da igreja, pois sua voz pode mudar de tom várias vezes e ele teme o vexame.
    Freqüentemente, a razão pela qual um adolescente não
    quer ir à escola dominical são as espinhas que, para seu tormento, começam a surgir e enfear seu rosto.
    Peça a Deus discernimento para descobrir as causas dos problemas do adolescente, pois estes algumas vezes parecem tolos aos olhos dos adultos, mas são terríveis para ele.

    Mentalmente
    Sua capacidade de raciocínio está se desenvolvendo e ele está em busca de novidades. Sua imaginação adquiriu mais vida e recebe sugestões até demais! Quer saber para que serve o que está fazendo. Por exemplo, a memorização de versículos.

    Socialmente
    Quer ser adulto e independente e pertencer a uma comunidade. Gosta de grupos fechados. Mostre-lhe a alegria que temos em poder pertencer a Cristo, pois Ele nos possibilita uma comunhão genuína com outros cristãos. Faça-o sentir que é querido pela sua classe, que você o considera importante e que sua ausência é sentida por todos. Pouco vai adiantar convencê-lo de que os crentes são melhores do que os seus amigos do mundo, ou explicar-lhe as vantagens de freqüentar a escola dominical. O que realmente o prenderá ao meio evangélico será a certeza de que é realmente querido e que a sua opinião é ouvida e valorizada.
    Fica encabulado com facilidade e tem consciência de seus problemas. Mostre-lhe que outras pessoas têm os mesmos problemas, mas que a vitória é pessoal. Incentive-o a ter Cristo como o seu melhor amigo. Ele cultua heróis mais sofisticados. Às vezes sonha que é campeão de Fórmula 1 correndo nas pistas internacionais; em outras fala, anda e age como o galã que viu “naquele filme”. Quando se sente frustrado por não poder comprar “aquela mota” ou qualquer outra coisa, tem desejo de ser rico, rico… riquíssimo. É profundamente leal ao seu grupo. Incentive-o a ser leal também à sua escola, igreja, grupo de amigos evangélicos, família, etc. Tem interesse pelo sexo oposto. Providencie reuniões sociais mistas. É sempre bom ter comes e bebes nessas reuniões, pois nessa fase de crescimento o adolescente sente muita necessidade de comer.

    Emocionalmente
    Seus sentimentos são inconstantes e suas emoções são intensas.

    Espiritualmente
    Está pronto para a salvação. Quer uma fé que seja prática. Está cheio de dúvidas sobre o cristianismo. Quer fazer algo e está procurando um ideal. Aproveite suas aptidões, após um bom treinamento.

    O QUE E COMO ENSINAR AOS ADOLESCENTES

    Varie os métodos de instrução para manter o nível de interesse. Faça com que participem ativamente da aula. Ajude seu aluno adolescente a descobrir verdades bíblicas por si próprio, deixando-o procurá-las na classe e em casa. Aproveite a imaginação deles para dar colorido aos textos bíblicos. Estimule-os a contribuir com idéias e sugestões. Recomende-lhes bons livros evangélicos e traga preletores cristãos para falar sobre sexo e drogas, pois a curiosidade é tamanha nessas áreas que muitos vão querer conhecer mais sobre o assunto através de livros ou colegas, caso a igreja não a satisfaça. Quando responder perguntas, explicar ou aconselhar sobre sexo, dê respostas corretas e sinceras, sem dar a impressão de que o sexo é algo sujo ou proibido. Esteja atento para descobrir por que seu aluno está fazendo aquela pergunta. Tenha sempre ilustrações práticas, claras e reais em mente, para que ele não venha a pensar que é a primeira pessoa a lhe fazer pergunta sobre o assunto e que você está embaraçado…
    Nunca o mande fazer algo sem explicar-lhe o seu objetivo; inculca em sua mente o poder da Palavra de Deus na vida prática. Cristo venceu a tentação usando versos bíblicos. O Salmo 119.9 seria um bom versículo para memorizarem. Tenha o cuidado de não dar aulas em um nível inferior àquele em que o adolescente se encontra. Delegue responsabilidades, ensine-o a respeitar os pais e outros adultos em geral. Não indague insistentemente quando lhe delegar responsabilidades. Saiba perguntar sobre o andamento do projeto e, se for preciso, dê sugestões práticas, sem contudo fazer imposições. Ele detesta ser mandado por adultos.
    Procure conduzir seus pensamentos em direção a Cristo. Tenha o cuidado para não dar a idéia de que o apóstolo Paulo foi melhor do que Cristo ou que Paulo era tão perfeito quanto Cristo. Apresente o evangelho de maneira positiva. Seja um professor equilibrado. Tenha calma quando for aconselhá-lo. Dirija seus pensamentos para Cristo. Explique-lhe a importância de se ter autocontrole.
    Leve-o a Cristo. Caso seja crente, ajude-o no seu crescimento, ensinando-lhe as coisas básicas da vida cristã: oração, hora devocional, estudos bíblicos… Aplique as verdades bíblicas à vida de cada aluno. Faça sempre uma aplicação geral e outra específica, usando perguntas: como você pode aplicar isto à sua vida diária? Por que isto é importante? Esta verdade vai fazer alguma diferença em sua vida? Dê-lhes oportunidades de fazerem perguntas. Responda sempre apontando os princípios bíblicos. É importante que o adolescente saiba, com suas próprias palavras, dar a razão de sua fé em Cristo.

    AS CARACTERÍSTICAS DOS JOVENS
    Apesar de alguns adultos se preocuparem com a insensibilidade dos jovens para com as coisas espirituais, existem muitos deles que estão ansiosos por conhecer a verdade. Não se pode mais ignorar o fato de que os jovens se despertaram para Jesus. Mais do que nunca, eles estão interessados não só em ouvir o que Deus tem a lhes dizer em Sua Palavra, como também em praticar o que ouvem. Será que a escola dominical os está ajudando positivamente? Está encorajando e sustentando esta onda de avivamento? Será que sua vida, professor, poderá motivar seus alunos a crescer? Certamente poderá, se você, em vez de levantar barreiras de preconceitos, incompreensão e indiferença, construir pontes de comunicação, compreensão e respeito. E o primeiro passo para isso é conhecer bem quem está do outro lado da ponte.

    Fisicamente
    Muitos jovens têm problemas sérios na questão da auto-aceitação. Cada um gostaria de mudar alguma coisa no modo como Deus o criou. Como líder, você deve enfatizar o fato de que a verdadeira beleza é a interior, que surge quando aprendemos a agradecer a Deus pela maneira como Ele nos fez. Deve também mostrar a diferença entre o julgamento de Deus e o dos homens (1 Sm 16.7).
    Boa parte deles já são donos de sua vida, e por isso tem a tendência de se descuidar da saúde. Você deve alertá-los para o fato de que o corpo necessita de repouso, higiene e alimentação adequada.

    Mentalmente
    Sua capacidade de raciocínio já está bem desenvolvida. Querem ter liberdade para discutir assuntos que provoquem polêmica, e os mais preferidos são os de ordem mundial, filosófica e ideológica. Gostam também de conversar sobre pessoas do sexo oposto. Sentem ne

    cessidade de conversar sobre assuntos práticos que estejam relacionados com a sua vida e carreira. Pensam muito e fazem perguntas desejando obter respostas bem pensadas. Não aceitam nada sem explicação ou motivo justo ou lógico.

    Socialmente
    Sentem muita necessidade de ter comunhão fraternal com os irmãos em Cristo. Gostam de ter contato com o sexo oposto. Há perigo de o jovem ser descuidado e precipitado na escolha do cônjuge. A solidão e a necessidade de ser amado muitas vezes levam o jovem a tomar decisões que trazem conseqüências trágicas: casamento misto, gravidez prematura, amor livre, etc. Os jovens devem aprender a esperar em Deus, para experimentar a vontade de Deus em cada área da sua vida, vontade que é boa, agradável e perfeita. Devem se conscientizar do fato de que, se estiverem dentro do plano de Deus, nada sairá errado.

    Emocionalmente
    Geralmente são controlados emocionalmente. Já aprenderam a substituir as explosões de temperamento por demonstrações de cinismo e chacota. Muitos, porém, têm dificuldade em controlar as emoções.

    Espiritualmente

    Eles gostariam que a igreja, ao invés de ser uma organização com regrinhas para serem cumpridas, funcionasse como um organismo vivo e atendesse mais diretamente às suas necessidades pessoais. Almejam ver funcionando na prática muitos dos princípios bíblicos pregados do púlpito, tais como: amor, compreensão, respeito, etc. Estão interessados em dar uma resposta mais adequada e menos mística, quando questionados a respeito de sua fé.

    O QUE E COMO ENSINAR AOS JOVENS

    Geralmente os jovens têm problemas com a mente. O professor poderá ajudá-los nesta área recomendando a memorização de versículos (como por exemplo o Salmo 119.11) e a meditação neles durante o dia, a fim de se apropriarem do ensinamento aprendido. Em oração particular devem colocar diante do Senhor suas dificuldades nesta área e o desejo sincero de uma renovação mental (Rm 12.1,2).
    Os jovens têm muitas dúvidas quanto à sua vocação, a escolha da cara metade e a vontade de Deus. O professor deve procurar relacionar Cristo aos problemas da vida usando tópicos como: “O que é serviço cristão?”, “O que é consagração verdadeira?”, “O casamento do ponto-de-vista de Deus”, “Como Deus revela sua vontade”, etc. Uma experiência pessoal do professor, contada com sinceridade e amor, vale muito mais do que muitos princípios de teoria.
    O professor deve ensiná-los o que é verdadeiro e bíblico, para evitar a formação de conceitos falsos acerca do caráter cristão. É necessário gastar bastante tempo com eles estudando sobre o Corpo de Cristo e seus aspectos práticos: unidade da Igreja, diversidade dos membros através dos dons e a interdependência dos membros. O ideal seria que cada jovem pudesse descobrir seu dom específico, o seu ministério e como atuar nele. Assim evitaria gastar o resto da vida em atividades e lugar não determinados pelo Senhor.

    A CLASSE DE ADULTOS

    Os adultos também têm necessidades mentais, sociais, emocionais e espirituais. A Igreja, como Corpo de Cristo, tem a tarefa de suprir essas necessidades. A escola dominical, como agência da igreja local, pode e deve colaborar muito nesse sentido. Uma das maneiras é:
    Estudo bíblico dinâmico

    1. Desperte o interesse
    Sem o interesse da pessoa não se conseguirá muita coisa. Como despertar o interesse? Apresente um desafio à pessoa, pois os adultos aceitam desafios e querem ser desafiados com coisas que realmente sejam importantes. A maneira mais prática é dar uma tarefa que eles tenham condições de executar.

    2. Interaja
    Na escola dominical deve-se dar aos alunos a chance de escolher alguns temas de maior necessidade pessoal. Exemplos: lar cristão, finanças, segunda vinda de Cristo, como estudar a Bíblia (métodos de estudo bíblico), etc.

    Estudo bíblico prático
    Uma característica marcante dos adultos: sabem mais do que fazem. São inimigos do trivial. Têm as preocupações do dia-a-dia, como, por exemplo, finanças e família. Desejam servir e ser úteis ao Senhor e desejam desenvolver uma filosofia cristã prática, para a vida. Falando em estudo bíblico, é bom ressaltar que o professor deve ensinar com seriedade, dando alimento espiritual sólido, pois os adultos não gostam de coisas superficiais.
    Dê oportunidades para as pessoas contarem suas vitórias e derrotas
    Entre outras coisas, isso ajuda a satisfazer certas necessidades sociais do adulto: o desejo de companheirismo, desejo de aprovação do grupo e o senso de valor pessoal. Muitos enfrentam problemas quanto às relações humanas e alguns experimentam solidão. Temos necessidade de falar e de ouvir.
    Não adianta querer ministrar à pessoa, com matérias, se ela não externar aquelas coisas que estão lhe causando problemas. Mas cuidado para a aula não virar um bate-papo sem finalidade. O uso de certas perguntas ajuda a dirigir a conversa para um fim proveitoso. Por exemplo: “O que Deus fez por você nesta semana? Como Deus o usou para ajudar outras pessoas? Como você colocou em prática os princípios da Palavra de Deus, estudados na semana passada?”.
    Leve os participantes a se interessarem uns pelos outros

    1. Oração mútua
    Incentive cada aluno (ou participante) a orar diariamente pelos outros componentes do grupo, de maneira pessoal, citando seus nomes. Nunca devem se esquecer de orar pela obra missionária em geral e pelos missionários em particular.

    2. Prestação de serviço e hospitalidade
    O professor deve mostrar com exemplos bíblicos que quando alguém precisa de ajuda, o grupo todo tem a responsabilidade de se interessar e fazer alguma coisa por ele.
    Estabeleça alvos em conjunto e desafie o grupo a alcançá-los
    Quantas novas pessoas vão ser alcançadas nos próximos 6 meses? E no próximo ano? Quantas vão passar adiante o que estão recebendo? Para que os alunos possam edificar outros, eles precisam de uma edificação sólida. E se você é professor, então esta é sua tarefa.
    (Uma adaptação de “O Bom Professor Conhece Os Seus Alunos” por Josivaldo de França Pereira)

    Pr. Josivaldo de França Pereira é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil em Santo André-SP. Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição-SP. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Associada do Ipiranga-SP. Mestre em Missiologia pela Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina-PR. rev.p@ig.com.br

    (mais…)

  • A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

    BÊNÇÃO DE DEUS, RESPONSABILIDADE NOSSA
    Rev. Josivaldo de França Pereira

    O objetivo deste artigo é chamar a atenção para o valor e importância que devemos dar à escola dominical.

    Fundada na Inglaterra pelo jornalista evangélico Robert Raikes, em 1780, a escola dominical foi uma criação que deu certo. Tão certo que os primeiros missionários que aqui chegaram procuraram organizá-la imediatamente. O casal Robert e Sarah P. Kalley fundou a primeira escola dominical no Brasil em 19 de agosto de 1855. E a escola dominical existe até hoje!

    Não é por acaso que a escola dominical existe até hoje. Ela é parte integrante da Igreja do Senhor Jesus Cristo, de quem temos a promessa de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A escola dominical é uma bênção de Deus com características próprias, isto é, por mais que uma pessoa participe dos cultos e das atividades da semana de sua igreja, tem coisa que só será aprendida na escola dominical.

    Infelizmente não são poucas as pessoas que fazem opções em detrimento da escola dominical. Será que essas pessoas sabem o quanto estão perdendo? Pense bem: Ausentando-se da escola dominical quem perde as bênçãos de Deus é você.

    A ESCOLA DOMINICAL
    E A RESPONSABILIDADE DO ALUNO


    O segredo de uma escola dominical dinâmica e eficaz depende, e muito, do aluno. E como deve ser o aluno da escola dominical? Qual o perfil do aluno ideal? Antes de respondermos essas perguntas, é importante dizer que por aluno ideal não nos referimos, propriamente, a um ser extraordinário: brilhante, gênio, super intelectual. Não, o aluno ideal é antes de tudo uma pessoa bem intencionada. Como assim? Ele é dedicado: Assíduo, pontual, responsável. Vai à escola dominical com prazer e não para dizer simplesmente “estou aqui”, “cheguei” ou “agora o superintendente não vai pegar no meu pé”. O verdadeiro aluno da escola dominical não pensa assim. Ele faz a lição de casa. Lê a Bíblia e sua revista; anota suas dúvidas e vem disposto a colaborar seriamente na sala de aula.

    É lamentável quando o aluno vai à escola dominical sem ter estudado durante a semana; sem sua Bíblia e/ou sem revista. E olha que eu não estou falando dos pequeninos, e sim, de gente grande mesmo! Pode parecer grosseiro de minha parte, mas muitas vezes eu me ponho a pensar: “O que alguém que não leva Bíblia, revista (ou algo semelhante), e que não estuda em casa vai fazer na escola dominical?”. Aprender? Duvido! Não se pode aprender quando o básico é menosprezado.

    De uma coisa precisamos estar cientes: 50% ou mais do bom desempenho do professor numa sala de aula depende de seus alunos. É o que eu costumo dizer aos meus alunos, sem querer jogar sobre eles a responsabilidade que cabe a mim.

    Quando o aluno não se prepara em casa, conforme já mencionamos acima, ele perde a oportunidade de contribuir com algo mais. Contribuindo ganha a classe e o professor também. Muitos dos alunos que ficam calados durante a exposição do professor cometem o erro (para não dizer “pecado”) da negligência semanal. É preciso que você aluno reverta esse quadro se porventura está sendo negligente; pois quantas vezes a culpa de uma aula má dada recai sobre o professor quando na realidade o culpado é outro. É claro que o professor tem suas responsabilidades, como veremos adiante, mas nenhum professor, a menos que esteja doido, teria coragem de se colocar diante de uma classe sem que estivesse adequadamente preparado.

    Seja professor, ou seja aluno, ambos devem fazer tudo para a glória de Deus.

    A ESCOLA DOMINICAL
    E A RESPONSABILIDADE DO PROFESSOR


    O bom professor é aquele que almeja a excelência do ensino e se empenha em alcançá-la. Tem que ser como o apóstolo Paulo exortou: “…o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7). Paulo recomenda àquele que ensina a dedicação total desse ministério. Dedicação que resultará num progresso constante do professor, quer seja em relação à habilidade no ensino e crescimento espiritual de seus alunos; quer seja em relação a sua própria vida cristã.

    O professor da escola dominical deve ser o primeiro a viver o que ensina. A classe nunca deve ser subestimada (muito menos a dos pequeninos). Ela saberá se o professor está sendo sincero no que diz. Como também saberá se o professor se preparou adequadamente para a aula. Fazer pesquisas de última hora e preparar a aula às pressas nunca dá certo. Quando o professor não se esforça para fazer o melhor, ele não apenas desrespeita seus alunos como peca contra Deus.

    Além de viver o que ensina, o bom professor conhece seus alunos. Ele nunca deve acreditar que basta, por exemplo, pegar a revista e ensinar o que está ali, por melhor que seja o seu trabalho de pesquisa. O professor da escola dominical deve conhecer a sua classe, cada um de seus alunos. É importante que o professor conheça seus alunos, até mesmo para uma transmissão mais natural e eficaz de sua aula.

    Quanto ao preparo e a exposição da aula propriamente dito, os editores dos Estudos Bíblicos Didaquê apresentam sugestões preciosas que ajudarão em muito os professores da escola dominical. Com ligeiras adaptações passo a transcrevê-las:

    • Utilizar sempre a Bíblia como referencial absoluto.
    • Elaborar pesquisas e anotações, buscando noutras fontes subsídios para a complementação das lições.
    • Planejar a ministração das aulas, relacionando-as entre si para que haja coerência e se evite a antecipação da matéria.
    • Evitar o distanciamento do assunto proposto na lição.
    • Dinamizar a aula sem monopolizar a palavra oferecendo respostas prontas.
    • Relacionar as mensagens ao cotidiano dos alunos, desafiando-os a praticar as verdades aprendidas.
    • No final da aula, despertar os alunos quanto ao próximo assunto a ser estudado, mostrando-lhes a possibilidade de aprenderem coisas novas e incentivando-os a estudar durante a semana.
    • Depender sempre da iluminação do Espírito Santo, orando, estudando e colocando-se diante de Deus como instrumento para a instrução de outros.
    • Verificar a transformação na vida dos alunos, a fim de avaliar o êxito de seu trabalho.

    Duas coisas, pelo menos, têm levado muita gente a perder o interesse pela escola dominical hoje em dia, ou seja, a falta de criatividade do professor e dinâmica das aulas. Professor: Faça de sua aula algo interessante; seja criativo, gaste tempo nisso. Criatividade e dinamismo são, em boa parte, o segredo do sucesso do professor eficaz.

    É necessário que o professor da escola dominical veja seu trabalho como o ministério que Deus lhe deu e que, por isso mesmo, precisa ser realizado da melhor maneira possível. “… o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7).

    A ESCOLA DOMINICAL
    E A RESPONSABILIDADE DOS PAIS


    A responsabilidade dos pais crentes com a escola dominical é dupla. Em primeiro lugar, os pais precisam ser assíduos e freqüentes na escola dominical. Os pais que vão somente ao culto vespertino, achando que faltar na escola dominical não tem tanto problema, certamente deixarão de progredir como deveriam na vida cristã. A presença dos pais na escola dominical é imprescindível, pois, afinal de contas, nós pais somos (bem ou mal) modelos para os nossos filhos.

    Em segundo lugar, os pais precisam levar seus filhos à escola dominical. Gostaria de dar a esse segundo ponto uma atenção especial, visto que está diretamente relacionado ao anterior. Portanto, vamos entender a coisa da seguinte maneira: por que os pais precisam estar na escola dominical? De um lado, porque todos precisam aprender mais e mais das verdades do Senhor; por outro lado, por causa dos filhos. Perdoe-me a batida na mesma tecla mas isso é importante. Os filhos desejam e precisam ver nos pais a seriedade no trato com a escola dominical. E isso, por si só, deve ser motivo de reflexão para os pais , pois os pais precisam, pela vida e pela palavra, mostrar aos filhos que a escola dominical é um importante veículo de crescimento espiritual.

    Geralmente as crianças não apreciam levantar cedo para ir à escola dominical. Boa parte delas já faz isso durante a semana. Porém, os pais devem passar para os filhos que a escola de domingo também é especial por uma série de razões. Erra o pai ou a mãe que acha que não deve levar sua criança à escola dominical, apenas porque ela está cansada por estudar durante a semana, ou porque brincou demais no sábado ou foi dormir tarde por causa daquela festa na igreja. Esse é um tipo de compaixão que não procede. É nessa hora que os pais, amigavelmente, devem mostrar aos filhos que a escola dominical é especial para toda a família.

    Lembro-me de um fato ocorrido em uma igreja da qual fui pastor. Quando perguntei a uma irmã porque não trouxe o filho, que na época devia ter cinco anos de idade, ela me respondeu: “Ele não quis vir”. Eu não sei como está ou por onde anda aquele que agora é um rapaz. Receio que ele tenha seguido o caminho de seus irmãos mais velhos que abandonaram a igreja porque a mãe comodamente aceitava o fato de que eles não quiseram vir.

    Papai e mamãe, levem seus filhos à escola dominical, tenham eles vontade ou não. Cumpram as suas responsabilidades como um dia prometeram a Deus quando levaram seus filhos para serem batizados ou apresentados. Pois, como no caso daquela mãe, amanhã poderá ser tarde de mais para chorar o que podia ser evitado ontem.

    A ESCOLA DOMINICAL
    E A RESPONSABILIDADE DO SUPERINTENDENTE


    O superintendente da escola bíblica dominical é muito mais que uma simples pessoa que faz a abertura e encerramento da escola dominical e promove a comemoração de algumas datas importantes e eventos especiais. O superintendente ou diretor(a) da EBD é o irmão ou irmã em Cristo designado(a) pela igreja para administrar a escola dominical com competência e seriedade, visando a edificação e a maturidade do corpo de Cristo.

    Antes de tudo, o superintendente deve ser alguém verdadeiramente compromissado com Deus e a igreja. Deve ser exemplo dos fiéis, não neófito, mas pessoa qualificada para comandar o corpo de Cristo. Deve ser assíduo e pontual no cumprimento de seus deveres, irrepreensível na moral, são na fé, prudente no agir, discreto no falar e exemplo de santidade de vida. Qualidades que devem acompanhar, no mínimo, todo crente, e principalmente aquele que recebeu a graça da liderança; a saber: pastor, presbítero, diácono, professor, etc.

    Além disso, o superintendente deve ser uma pessoa preparada academicamente. Destaco a palavra “academicamente” de propósito. O que isso quer dizer? Quer dizer que o superintendente não precisa necessariamente ser um expert em educação cristã, mas precisa ter noção do que ela significa e representa. Afinal de contas, é com professores que o superintendente está lidando e é a qualidade do bom ensino que ele estará supervisionando. Pensando nisso, um experiente diretor de escola dominical escreveu aos superintendentes: “Os seus professores ensinam com qualidade? Ou estão se repetindo diante da classe? Preparam devidamente a lição, ou já se acostumaram aos improvisos?”. E continua: “Que os seu professores não se contentem com o preparo já conseguido. Incentive-os a ler, a estudar, a pesquisar, a descobrir novas metodologias, a se tornarem especialistas não apenas no currículo e na aula a ser ministrada, como também na pedagogia e na didática”.

    Como eu disse, o superintendente não precisa ser um especialista, mas é necessário que tenha algum conhecimento pedagógico. Se tiver experiência como professor, melhor ainda.

    Some-se a isto a visão do superintendente. Se o superintendente pensar administrativa e pedagogicamente, o que é ideal, ele não apenas saberá conduzir a igreja bem, no sentido de unidade de propósitos, mas também zelará pelo aperfeiçoamento de seus professores. Promoverá encontros, congressos e uma série de eventos que ajudarão na formação e reciclagem dos professores.

    O superintendente é o carro-chefe da escola dominical que, em comum acordo com o pastor, melhorará toda a escola dominical quando melhorar seus professores. Quando se investe na liderança da escola dominical todo mundo sai ganhando.

    Finalmente, mas não menos importante, o superintendente precisa ser dinâmico a fim de dinamizar sua escola dominical. Para isso precisa se atualizar e se inteirar do trabalho de outros superintendentes. Deve ser uma pessoa inovadora, com idéias saudáveis que revigoram a escola dominical. Eu acredito na escola dominical porque, como dissemos no início deste artigo, é uma bênção de Deus e por isso deu certo. Entretanto, a escola dominical precisa passar por um processo constante de revitalização. Meu irmão superintendente: torne a sua escola dominical dinâmica, criativa, bíblica e funcional. Algo que dá gosto de se vê e participar. Promova, juntamente com seu pastor e professores, o vigor e a saúde da escola dominical através da motivação de seus alunos. Evite a rotina, a monotonia e aquela mesmice insuportável. As aulas da escola dominical devem ser prazerosas. Da criança ao adulto que levantam cedo para ir à igreja, a escola dominical deve ser algo que valha a pena por causa do conteúdo e didática do ensino e (por que não?) por causa do agradável local de estudo. Olhe com carinho para tudo isso e Deus, com certeza, o recompensará.

    A ESCOLA DOMINICAL
    E A RESPONSABILIDADE DO PASTOR

    Como ministro do evangelho, sei que não são poucas e nem pequenas as responsabilidades do pastor. Comecemos com algumas de suas atribuições. Compete ao pastor: orar com o rebanho e por este; apascentá-lo na doutrina cristã; exercer as suas funções com zelo; orientar e superintender as atividades da igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus; prestar assistência pastoral; instruir os neófitos, dedicar atenção à infância e à mocidade, bem como aos necessitados, aflitos, enfermos e desviados; governar.

    Escrevendo aos efésios, diz o grande pastor e apóstolo Paulo: “E ele mesmo (Jesus) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.11-15).

    Pelo que podemos perceber das atribuições e vocação do pastor, o ensino (no mais amplo sentido do termo) é a característica prioritária do ministério pastoral. O zelo e a responsabilidade doutrinária do pastor o tornam necessariamente ligado à escola dominical. Ele é o superintendente ex-officio da escola dominical. Por isso mesmo, ao pastor nunca jamais deve faltar a informação necessária acerca do que está sendo ensinado na escola dominical. Para isso, o superintendente deve ser seu maior aliado. Um verdadeiro braço direito na condução da igreja. O superintendente que não estiver disposto a andar com o seu pastor não conseguirá promover a paz e a unidade no corpo de Cristo. Enfim, o pastor precisa saber o que os professores ensinam ao seu rebanho, quem ensina e como se ensina. Esta informação ele adquirirá primeiramente com o superintendente e através das constantes reuniões com o conselho de ensino.

    O pastor deve ser um verdadeiro conselheiro no meio de seus auxiliadores. Diálogo é fundamental. É imprescindível que o pastor e a liderança da escola dominical falem uma só língua e se ajudem mutuamente, conforme recomenda Paulo em 1 Coríntios 1.10: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma cousa, e que não haja entre vós divisões; antes sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no parecer”. A escola dominical agradece!

    Ademais, pela experiência e formação pastoral que tem, o pastor precisa estar atento às carências de seus professores e superintendente. Ele deve zelar pelo aprimoramento de sua escola dominical investindo pesado em sua liderança. Precisa indicar e sugerir bons livros, mostrando a importância e valor da leitura. Também, é necessário que o pastor incentive a sua liderança a participar de e a promover eventos educacionais. Acredite: O pastor é a chave que abre a porta do sucesso da escola dominical. Se você, pastor, tiver visão pedagógica, além de administrativa é claro, ninguém segurará sua escola dominical. O Espírito Santo gosta de pessoas assim e quer usar pessoas assim.

    Além disso, é necessário que o pastor tenha propósitos permanentes e bem definidos para a escola dominical. Quais devem ser os objetivos do pastor para a escola bíblica dominical? São basicamente estes: 1) promover a edificação da igreja na Palavra para o serviço, 2) ganhar vidas para Cristo e discipulá-las e 3) formar líderes capacitadores.

    Pr. Rev. Josivaldo de França Pereira – Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (I.P.B.) em Santo André – SP. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição (J.M.C. – SP), Licenciado em filosofia pela F.A.I. (Faculdades Associadas Ipiranga – SP) e mestrando em missiologia pelo Seminário Teológico Sul Americano (S.T.S.A.) em Londrina – PR.
    E-Mail: rev.p@ig.com.br

    Fonte: bibliaworld

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