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  • Raul Seixas e a Bíblia

    Luiz Sayão

    É fato conhecido que um dos pioneiros do rock nacional, que fez muito sucesso há cerca de três décadas, foi o controvertido Raul Seixas. Numa mistura de protesto e busca por respostas para a vida, o conhecido “Raulzito” causou a mais diversificada reação em todo o país.

    Pouca gente sabe que o falecido roqueiro conheceu o Evangelho de Cristo. Chegou até mesmo a ter um filho com sua primeira companheira, que era filha de um missionário norte-americano. Todavia, a perspectiva panteísta e agnóstica de Raul Seixas mostrou que o famoso cantor não abriu o coração para a mensagem do Evangelho. Sua morte não deixa dúvidas sobre isso!

    Por incrível que pareça, se Raul Seixas não se deixou influenciar pelas boas novas de Jesus, parece-me que suas idéias estão cada vez mais presentes na realidade evangélica contemporânea. Será possível que estamos caminhando para uma “teologia do Raul Seixas”? Será que teremos um evangelho “maluco beleza”? O amigo leitor pode dar sua própria opinião.

    Enquanto as Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus verdadeiro, que está acima de sua criação (Is 44.6; Rm 1.18-21), a perspectiva panteísta aparece expressa na música “Gita”, de Raul. Ele afirmava: “Eu sou a luz das estrelas / A mãe, o pai e o avô / O filho que ainda não veio / O início, o fim e o meio.” Este enfoque tenta tirar de Deus a glória que só Ele tem e merece. De modo geral, o panteísmo que deifica a natureza acaba definindo como categoria suprema o fluxo do movimento. Heráclito sorriria no túmulo. Tais idéias, muito presentes nos filmes norte-americanos mais populares, parecem emergir do conceito de que Deus é uma energia, “um fluir” (unção?). Em certos redutos evangélicos já se pode perceber que Deus se tornou “um poder manipulável” por “comandos determinadores”. Além disso, o enfoque da teologia do processo, que já nos influencia com todos os seus desdobramentos específicos, também diminui Deus e o coloca sob o domínio do “fluxo do tempo”, sugerindo que Ele é apenas nosso sócio na construção da história.

    METAMORFOSE AMBULANTE

    A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível. Como diria Raul: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” Se uma opinião for antiga, deve ser rejeitada! Há uma crise doutrinária e teológica em boa parte do meio evangélico. Muitas pessoas adotam hoje idéias liberais, místicas e extremistas sem a devida avaliação. Nesse caso, não importa sua fundamentação teológica, histórica e lógica. Viva a metamorfose!

    Tal sensação de indefinição, presente no pensamento do roqueiro tupiniquim, ajudou a formar seu perfil estranho, controvertido e até mesmo bizarro. Não é que um grupo significativo de evangélicos também já tem se aproximado do esdrúxulo?! Há um certo desprezo pela reflexão, pela teologia, e o crescimento de práticas risíveis e simplesmente inacreditáveis. Será que podemos ouvir o eco da música de Raul ao contemplar grande parte do chamado meio evangélico atual? Será que estamos diante do “Contemplando a minha maluquez / Misturada com minha lucidez”? Até onde vai a nossa “maluquez”? Será que voltaremos à lucidez? Será que muitas reuniões religiosas de hoje estão nos deixando, “com certeza, maluco beleza”? Espero que essa sensação seja um exagero! Todavia, temo que não seja!

    Não faz tanto tempo assim, os cristãos evangélicos entendiam que um culto de adoração a Deus tinha, de fato, Deus como o centro do culto. Muitos cânticos tinham letra elaborada, teologia saudável e enfatizavam os atributos e os atos de Deus. No entanto, em algumas reuniões dominicais de hoje, temo que o foco esteja sendo mudado. Novas canções falam de um amor quase romântico e indefinido, divertem a massa, exaltam unção, montanhas, Jerusalém, guerra etc. O conceito de dedicar o domingo para uma diversão sem propósito e finalidade bíblica é manifesta na teologia do Raul Seixas. Como ele mesmo dizia: “Eu devia estar contente pelo Senhor ter me concedido o domingo para ir ao jardim zoológico dar pipocas aos macacos”. Será que já podemos observar “uma fauna evangélica com suas macaquices litúrgicas”? Tomara que não! Espero que tudo que escrevo não passe de uma análise exagerada! Todavia, temo que não.

    Como todo enfoque teológico, o pensamento do “teólogo-músico pós-ortodoxo” nacional, também possui as suas decorrências de ordem prática. Não há como fugir da realidade. A forma de pensar e ver o mundo influencia e determina a vida prática de qualquer pessoa. A verdade é que se adotarmos uma base panteísta, um pensamento relativista, uma ética indefinida e práticas místicas emocionalistas sem conteúdo, não chegaremos a lugar nenhum. E não é que o “grande teólogo-roqueiro” já sabia disso! Quem pode lembrar de sua “perspectiva teleológica” que determinou seu trágico fim? “Este caminho que eu mesmo escolhi / É tão fácil seguir/ Por não ter onde ir.”

    Se a igreja evangélica brasileira desvalorizar a doutrina bíblica, desprezar a teologia, deixar de lado a ética e afundar-se no misticismo e nas novidades ideológicas frágeis, logo ela descobrirá que esse é um caminho “tão fácil de seguir”. O grande problema é que no final das contas “não teremos para onde ir”.

    Mais do que nunca, precisamos desesperadamente voltar nossa atenção para as Escrituras Sagradas, com o verdadeiro desejo de obedecer a Deus e à sua verdade. Que Deus nos abençoe.

    http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=64&materia=596

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  • O Último Avivamento

    Por: David Wilkerson / 11 de abril de 1988

    O que aguarda a igreja de Jesus Cristo? Essa é uma pergunta de muito interesse aos crentes de todo o mundo. Com acontecimentos cataclísmicos ocorrendo por todo o globo, muitos se perguntam: “Será que o Espírito Santo irá avivar a igreja antes de Jesus voltar? Será que o corpo de Cristo vai deixar esse mundo com lamúrias ou gritando?”.

    O Novo Testamento está cheio de previsões quanto à uma apostasia nos últimos dias. Falsos profetas se levantarão e irão levar muitos a se desviar; lobos virão em pele de cordeiro, trazendo poderosos esquemas “para enganar, se possível, os próprios eleitos” de Deus. Irá abundar a iniquidade, fazendo com que crentes antes fervorosos percam o seu primeiro amor. Com a inundação de impiedade que virá, o amor de muitos esfriará.

    Jesus profetizou especificamente estas coisas. E suas advertências têm o objetivo de desafiar a nossa fé. Com sufocante iniquidade inundando a terra, Ele pergunta: “Quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18:8).

    Pense no seguinte: Cristo sabia tudo que estaríamos testemunhando atualmente, desde os horrorizantes tiroteios nas escolas, até o crescimento do homossexualismo militante, ou os atos terroristas tendo lugar por todo o mundo. E meio à estas coisas, Ele nos pergunta, “Você vai continuar crendo – mesmo com as coisas piorando? Você vai desfalecer em sua confiança quando as coisas não acontecerem como esperava? Ou vai continuar confiando em Mim?”.

    Veja, a despeito da expansão da iniquidade e das grandes calamidades, Jesus sabia que haveria um grande avivamento nos últimos dias. O Espírito Santo inspirou as profecias de Isaías, e ele conhecia plenamente a predição de um avivamento na aproximação do fim.

    Isaías diz que haveria um grande despertamento mundial pouco antes da volta de Cristo

    Essa profecia é encontrada em Isaías 54 e está resumida nestes versículos: “Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas” (54:3).

    Creio, junto com inúmeros estudiosos da Bíblia, que a profecia de Isaías tem dupla aplicação. Ela fala não só do Israel natural após o cativeiro na Babilônia, mas também sobre o Israel espiritual que viria no futuro: o corpo de Jesus Cristo, a igreja da Nova Jerusalém. Paulo cita Isaías 54 quando se refere à “Jerusalém lá de cima… a qual é nossa mãe” (Gálatas 4:26). Paulo viu a profecia de Isaías como dirigida aos “filhos da promessa”, os que estão em Cristo pela fé.

    Se Isaías dirigisse sua profecia somente ao Israel natural, isso significaria que suas promessas ainda não teriam sido cumpridas. Resumindo, não teria ainda ocorrido o fato de que “a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas” (Isaías 54:3). Porém essa palavra foi claramente cumprida em Cristo, na cruz e no Pentecostes. Pense no seguinte: quando Isaías trouxe essa mensagem, cerca de 42.000 israelitas haviam saído do cativeiro babilônico. Na época de Jesus, o seu número havia crescido apenas para cerca de 3 milhões.

    Isaias refere-se à sua profecia como promessa de Deus, um juramento dos céus. Vemos o Senhor jurando pelas montanhas e até se referindo à aliança feita com Noé. Ele diz, basicamente, “Tão certo quanto não permitirei outro dilúvio sobre a terra, vos digo que haverá um despertamento da Minha igreja nos últimos dias”.

    Nestes últimos dias, os olhos do Senhor não estão fixados nos poderes do mundo mas na igreja de Jesus Cristo

    Deus não está se concentrando na economia, no surgimento de religiões mundanas, na expansão da iniquidade. Segundo Isaías, as nações para Deus são “como um pingo que cai de um balde” (Isaías 40:15).

    Ele conhece tudo a respeito das ameças terroristas, das guerras e rumores de guerras. A Sua palavra avisa que o ímpio se enfurecerá, os poderes seculares tentarão proibir o cristianismo, e os movimentos anti-Cristo em rápido crescimento vão se gabar de que governarão o mundo, e destruirão os seguidores de Jesus. A Bíblia diz o seguinte quanto a isso: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Salmo 2: 2-3); em resumo, “Vamos acabar com todos estes impedimentos morais, com esses padrões do passado”.

    Eis a reação de Deus a estes poderes terrenos, a estes homens influenciados por demônios: “Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles” (2:4). Não importa o quão desesperadoras as coisas aparentem estar, tudo se mantém sob o pleno controle de Deus.

    Fico grato por essa palavra dos Salmos. Mais e mais ouvimos relatos do secularismo devastando as igrejas evangélicas na Europa, do Islamismo sendo a religião de mais rápido crescimento no mundo, dos homossexuais submetendo denominações inteiras, de a igreja de Cristo estar crescendo tão pouco que deixou de ter qualquer impacto na sociedade. Porém a palavra de Deus declara, “Sobre a Rocha Deus construirá a Sua igreja”.

    “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Nada nas entranhas do inferno pode esperar destruir a igreja de Cristo. Os olhos dEle estão sempre sobre o Seu povo, e por meio de tudo Ele avisa Satanás e suas hordas, “Não toque na menina dos Meus olhos”. “Se alguém a atacar, não será por obra minha; todo aquele que a atacar se renderá a você” (Isaías 54:15). Você vê o que o Senhor está dizendo aqui? “O Diabo irá sobre você. Inimigos vindos do inferno se juntarão contra ti. Mas Satanás não irá ter sucesso”.

    Deixe que o Diabo faça o que quiser. Que o inferno abra suas entranhas e vomite toda imundície. Isso não terá qualquer tipo de impacto sobre o plano que nos últimos dias Deus tem para o Seu povo. Glória a Deus, a Sua igreja não pode ser destruída!

    1. Para onde olharmos nos últimos dias, veremos a glória de Deus irrompendo num último avivamento

    A igreja de Cristo se alargará além de quaisquer limitações anteriores para espalhar as boas novas: “Alarga o espaço de tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas” (Isaías 54:2-3). Simplificando, a igreja irá ganhar força e levantar multidões em Cristo.

    Olhando mais de perto a profecia de Isaías, vemos que ela é dirigida não só para o corpo da igreja mas também para membros individuais. Conheço piedosos servos, amigos meus, que se apropriaram desta profecia como palavra pessoal vinda do Espírito Santo. E edificaram sua fé a partir de suas promessas: “Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez” (Isaías 54:4). Isaías deixa claro nesse versículo: “A igreja de Deus não marchará envergonhada”.

    Porém poucos versos antes, lemos esse aviso à igreja dos últimos dias: “Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada! Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras” (54:11). Lemos que seremos afligidos, agitados em tempestades; mas também nos são prometidos alicerces construídos por safiras. O que isso quer dizer, exatamente?

    Como crentes, podemos estar sob aliança com Deus, carregando em nossos corações Suas preciosas promessas de ausência de medo, de envergonhamento, de perplexidade, de reprimenda. No entanto, ainda é possível para nós sermos agitados por tormentas pessoais, experimentar a solidão, não ter quem nos conforte. Resumindo, é nos permitido sermos esbofeteados por Satanás.

    No verso 16, Isaías dá um retrato de nosso adversário em ação. Deus diz, “Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo e que produz a arma para o seu devido fim; também criei o assolador, para destruir” (54:16). Eis uma imagem de um ferreiro insuflando o fole no fogo para provocar calor branco. Ele então usa esse calor para moldar armas de guerra na bigorna. Esse ferreiro representa Satanás, que constantemente inventa novas armas contra a igreja e membros individualmente.

    Que incrível retrato. É como se Deus estivesse dizendo, “Eis o Diabo inflando o fogo, fazendo armas que usa para destruir o Meu povo. Eu fiz o ferreiro, criando-o como um anjo. Ele tinha poder e autoridade, mas foi lançado fora devido à rebelião. Eu o criei, e então o posso acorrentar. Ele pode ir só até onde permito”.

    Note a surpreendente promessa de Deus exatamente no verso seguinte: “Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim procede, diz o Senhor” (54:17). Em outras palavras, “Deixe que o inimigo construa suas armas; ele que arme legiões de demônios. Nem uma arma sequer que ele formar contra ti irá te derrubar”. Que promessa gloriosa!

    Satanás está usando a arma de desesperança contra o povo de Deus, tempestades muito duras de serem suportadas sem a consolação do Espírito Santo. Mesmo assim Deus declara: “te fundarei sobre safiras” (54:11). A mensagem aqui é, “Quando tudo no mundo estiver sendo abalado, você não será sequer movido. O alicerce que estou estabelecendo por baixo de ti é tão sólido quanto essas rochas. O que estou promovendo em ti não pode ser abalado”.

    Estas safiras representam conhecimento e sabedoria espiritual, percepção da natureza íntima do coração de Deus. Sabemos que os que suportam sofrimento emergem armados com percepção maior quanto à misericórdia de Deus. Você pode ser tentado, pressionado, afligido e deixado só, mas em meio a tudo isso Ele está formando sob você um alicerce com a solidez da rocha. Tudo é assim para que você possa confortar os outros em suas horas de provação.

    2. Paulo ressoa Isaías quando diz que o Senhor cuida da igreja como o marido amoroso cuida da esposa

    Muitos estão familiarizados com a passagem quando Paulo compara o casamento ao relacionamento de Deus com a igreja: “Eis por que deixará o homem a seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à Igreja” (Efésios 5: 31-32).

    Agora note o que Isaías diz: “Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra” (Isaías 54:5). Quem é o Criador aqui? É Cristo, criador dos céus e da terra. E Isaías diz que Ele é o nosso marido. Contudo, a esposa separou-se de seu marido: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (59:2).

    Onde vemos essa separação hoje entre a igreja e Deus? Eu a vejo de maneira mais óbvia nas grandes denominações que fazem concessões. Mas também a vejo no evangelho frágil das igrejas pós-modernas. É evidente que houve uma separação da presença manifesta de Deus. Na verdade, aconteceu exatamente como Jesus e Paulo profetizaram: muitos se tornaram amantes dos prazeres mais do que de Deus… tendo forma de religião mas sem poder… desprezando o evangelho dos pais… rompendo os antigos padrões morais… mudando a infalível palavra de Deus para se adequar aos tempos.

    Eu lhe desafio a ir à qualquer cidade, de igreja à igreja de qualquer confissão evangélica. Tente achar uma onde você reconheça a tremenda e manifesta presença de Jesus, onde você encontre o Seu convencimento que derrete corações. Quando o Senhor está verdadeiramente presente, você reconhece isso, seja nos cânticos, na pregação ou na comunhão. Algo mexe com a sua alma, e provoca respeito e reverência. Na minha experiência, isso é raramente encontrado.

    Não estou condenando a igreja moderna; que Deus me livre disso. Mas que o Senhor nos ajude caso não tenhamos Sua manifesta presença nestes últimos dias. E devido às concessões de tais igrejas, Ele tem tido de ocultar Sua presença delas por um tempo. Porém Deus não se divorciou da igreja com a qual se comprometeu. Isaías diz que Ele a chama para que volte: “Assim diz o Senhor: Onde está a carta de divórcio… pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor, a quem eu vos tenha vendido?” (Isaías 50:1). Deus basicamente está dizendo, “Você Me deixou. Você amou o mundo e as coisas do mundo, e Me deixou por elas. Eu não te abandonei; você Me abandonou. Mostre os papéis do divórcio! Me mostre onde Eu te vendi para outro”.

    “Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis resgatados” (52:3). Ele continua, como dizendo: “Lhe digo que esse casamento não acabou, apesar de você ter se prostituído. Você se cansou de Mim, mas apesar de tudo isso Eu te amo. Quero-te de volta”.

    “Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor” (54:6-8).

    Eis um juramento prometido por Deus para trazer de volta a Ele uma esposa meretriz. Em resumo, o último avivamento será um avivamento unicamente de misericórdia. O Senhor está dizendo à Sua igreja, “Quando você voltar para Mim, não vou te condenar ou repreender. Antes, vou te ungir com o Meu Espírito. Vou lhe dar poder onde não tinhas poder antes”.

    Alguns ainda dizem, “Isaías 54 se aplica só ao Israel natural”

    Ofereço prova indiscutível de que a promessa de Isaías 54 é dirigida à igreja de Deus hoje. Isaías claramente fala de Cristo em 53:10: “verá a sua posteridade” (itálicos meus). Simplificando, o trabalho árduo e o sacríficio de Cristo trarão muitos filhos: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (53:11). Tudo isso é para ser cumprido após a cruz.

    Os pregos que perfuraram as mãos e os pés de Jesus foram preparados na bigorna do Diabo; a espada que penetrou o Seu lado foi forjada nessa oficina do inferno. Mas o sangue que foi derramado de Seu corpo jamais perdeu o poder. Isaías está dizendo: “Deus jurou que o sangue de Seu Filho será aspergido sobre os transgressores de toda nação sobre a terra. Ele tem poder em todos os países árabes, em Israel, na África, na Europa. Ele verá a Sua descendência se espalhando por muitas multidões, de todas as tribos e línguas”. Um grande despertamento continuará nos tempos do fim.

    Pode ser desencorajador se ver falsas religiões crescendo em grande número enquanto a igreja de Cristo parece tão pequena em números; mas Isaías está dizendo, “É hora de cantar, ó esposa estéril. Alargue as habitações de adoração, alongue e expanda a tua visão. Tu verás avanços para a esquerda e para a direita”. ‘“Cante, ó estéril, você que nunca teve um filho; irrompa em canto, grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto; porque mais são os filhos da mulher abandonada do que os daquela que tem marido’, diz o Senhor” (54:1).

    3. Como sucederá esse último avivamento?

    Como acontecerá esse último avivamento? Requer-se algo poderoso, algo capaz de abalar o mundo para precipitá-lo. Isaías diz que esse abalo acontecerá num dia. No capítulo 47, ele diz que tem de se tratar com o espírito de Babilônia. Por todas as escrituras, Babilônia sempre representou um espírito de prosperidade, bem estar e prazer. E o espírito de Babilônia é o mesmo em todas as épocas.

    Em resumo, Isaías diz que não pode haver um avivamento final disseminado enquanto o espírito de ganância e de falsa segurança não for derrubado. Podemos orar por reavivamento, podemos clamar para Deus derramar o Seu Espírito, mas isso será impossível a menos que o Senhor antes abale todas as coisas: “Ouve isto, pois, tu que és dada a prazeres, que habitas segura, que dizes contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra… Pelo que sobre ti virá o mal que por encantamentos não saberás conjurar; tal calamidade cairá sobre ti, da qual por expiação não te poderás livrar; porque sobre ti, de repente, virá tamanha desolação, como não imaginavas” (Isaías 47:8,11, itálicos meus).

    Deus não vai subestimar o pecado, mas derrubará as fortalezas do Diabo. Ele vai fazer soar um chamado de despertamento à igreja “de repente com desolação”. Na verdade esse será um grande ato de amor da parte do Senhor. Ele ama a igreja de tal maneira que se recusa a permitir que o bem estar, o prazer e a apostasia ceguem e arruinem o objeto de Seu amor.

    “Ainda que se tenha compaixão do ímpio, ele não aprenderá a justiça; na terra da retidão ele age perversamente, e não vê a majestade do Senhor” (26:10). Eis a prova de que o avivamento é impossível quando há bem estar e prosperidade. Isaías diz em termos simples, “Em épocas de bênçãos as pessoas não mudam o rumo”. Nada vai acontecer enquanto o bolso não for afetado. Somente “quando se vêem na terra as tuas ordenanças, os habitantes do mundo aprendem a justiça” (26:9).

    Isaías oferece prova final de que um último avivamento virá depois de um abalo: “’Conforme o que fizeram lhes retribuirá: aos seus inimigos, ira; aos seus adversários, o que merecem; às ilhas, a devida retribuição. Desde o poente os homens temerão o nome do Senhor, e desde o nascente, a sua glória. Pois ele virá como uma inundação impelida pelo sopro do Senhor. ‘O Redentor virá a Sião, aos que em Jacó se arrependerem dos seus pecados’, declara o Senhor. ‘Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles’, diz o Senhor. ‘O meu Espírito que está em você e as minhas palavras que pus em sua boca não se afastarão dela, nem da boca dos seus filhos e dos descendentes deles, desde agora e para sempre’, diz o Senhor” (Isaías 59:18-21).

    O espírito de Babilõnia está prestes a ser quebrado através da desolação. Porém, não interprete mal a profecia de Isaías como sendo uma mensagem sombria e de maldição. Pelo contrário, Jesus diz: “Ao começarem estas cousas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lucas 21:28).

    Agora mesmo, estamos vendo o começo do último avivamento, com Atos 2:17 sendo cumprido

    “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos” (Atos 2:17). Em todos os meus anos de ministério, nunca fui capaz de antever essa profecia acontecendo em nossos dias. Agora eu creio que ela esteja sendo cumprida.

    Em nações por todos os lados, Cristo está se revelando à multidões em sonhos e visões. Na China, Índia, nações árabes, as pessoas estão relatando suas experiências com Jesus em sonhos. Mesmo aqui em nossa Igreja de Times Square está acontecendo.

    Um dos seguranças de nossa igreja já foi o terceiro na escala dos alto sacerdotes do culto Santeria de adoração aos demônio em Nova York. O seu território era o Bronx, e seu apartamento estava cheio de ossos humanos. Ele havia vendido corpo e alma para Satanás. Mas o seu coração foi movido pelo Espírito Santo. Se tornou inquieto, e uma noite ele desafiou Jesus: “Se és mais forte do que o Diabo a quem sirvo, me mostre isso em sonho hoje”.

    Essa noite em sonho, o homem viu-se num trem se dirigindo para o inferno. Após passar por um túnel, do outro lado estava Satanás em pé. O Diabo disse a esse homem, “Você foi fiel a mim. Agora estou te levando ao seu lugar de repouso eterno”. Então de repente, apareceu uma cruz. Nesse momento, ele acordou.

    Ele saiu da experiência fervendo de entusiasmo por Jesus, livrou seu apartamento de qualquer traço do mal, e entregou sua vida ao Senhor. Hoje, ele é um doce e consagrado homem de Deus e está ativo em nossa igreja. Parei para falar com ele um dia desses e lhe disse, “Vejo Jesus em ti”. Ele respondeu, “Irmão Dave, você não tem idéia do significado dessas palavras para mim após vinte e cinco anos servindo o Diabo”. A sua vida nova milagrosa veio toda a partir daquele sonho dado por Deus.

    Prezado santo, está chegando o dia em que o mundo todo verá Jesus. O apóstolo João anteviu “grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas na mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Apocalipse 7:9-10).

    Isso não é um pequeno remanescente, mas uma multidão incontável, exatamente como Isaías profetizou. E todos estão adorando o Senhor. Louvado seja Deus por esse dia prometido!

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  • Crescer no conhecimento sem esquecer o poder do Alto

    Por: Pastor Antonio Gilberto

    Antes crescei na graça e conhecimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A Ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém”, 2 Pe 3.18. O apóstolo Pedro teve suas dificuldades no início da sua fé em Cristo, e também ao longo dela, como registra o Novo Testamento. Jesus, antes do calvário, chegou a adverti-lo de que Satanás estava a tramar contra os Doze, inclusive ele, Pedro, para arruinar a sua fé. “Disse-lhe também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos”, Lc 22.31,32. O texto bíblico que abre este artigo mostra-nos que na vida espiritual, do crente mais simples ao líder cristão mais destacado, o elemento basilar é a fé em Cristo, priorizada, mantida, fortalecida, purificada, renovada e, ao mesmo tempo, seguida do conhecimento de Deus.

    “Crescei na graça e conhecimento”, diz o texto sagrado. Essa ordem jamais deve ser invertida. Cuidar da nossa fé é cuidar do nosso crescente relacionamento e comunhão com Deus. Estamos falando da fé como elemento da natureza divina, como atributo de Deus (Atos 16: “…a fé que é por Ele…”; Gálatas 5.5: “…pelo Espírito da fé…”). 

    A fé em Deus, basilar e primacial como é na vida do cristão, deve ser seguida do conhecimento espiritual. “Criado com as palavras da fé e da boa doutrina”, 1 Tm 4.6. Veja também 2 Pedro 1.5, onde o conhecimento deve seguir-se à fé. Fé sem conhecimento, segundo as Escrituras, leva ao descontrole, ao exagero, ao misticismo, ao sectarismo e ao fanatismo final e fatal. Sobre isso adverte-nos o versículo 17, anterior ao que abre o presente artigo, que os leitores farão bem em lê-lo. É oportuno observarmos que o dito versículo remete-nos claramente ao versículo 18, que estamos destacando. “Antes” é um termo conclusivo; refere-se a uma conclusão à qual se chega. 

    “Antes crescei” – A vida cristã normal deve ser um crescer constante para a maturidade espiritual, como mostra 2 Coríntios 3.18: “Somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” Esse crescimento transformador deve ser homogêneo, uniforme, simétrico; caso contrário virão as anormalidades com suas consequências. Lembremo-nos do testemunho do apóstolo Paulo sobre si mesmo em 1 Coríntios 13.11, e o comparemos com o depoimento bíblico de Atos 9.19-30 e 11.25-30. Um crente sempre imaturo na graça e conhecimento de Deus é também um problema contínuo para ele mesmo, para outros à sua volta e para a sua congregação como um todo. E pior ainda é quando o cristão desavisado cuida apenas de seu conhecimento secular, terreno, humano, social, e também quando cuido do conhecimento bíblico e teológico sem antes e ao mesmo tempo renovar-se no poder do Alto, o poder do Espírito Santo, que nos vem pela imensurável graça de Deus em suas riquezas (Ef 2.7). Tudo mediante Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

    Crescimento do crente na graça de Deus – A graça de Deus é seu grandioso favor imerecido por todos nós pecadores. Essa maravilhosa graça divina é multiforme e abundante (1Pe 4.10; Ef 2.7). Nosso Deus é “o Deus de toda a graça” (1Pe 5.10). Menosprezar essa inefável graça divina é insultar o Espírito Santo, “o Espírito da graça” (Hb. 10.29). Só haverá crescimento na graça de Deus por parte do crente se este invocá-la, apoderar-se dela pela fé e cultivá-la em sua vida. “Minha graça te basta”, disse o Senhor a Paulo quando este orava por livramento (2 Co 12.8-10). 

    Crescimento do crente no conhecimento – Esse conhecimento do crente na esfera da salvação, de que nos fala a Escritura, nos vem pelo Espírito Santo (Ef. 1.17, 18; Cl 1.9; 1Co 12.8). Cristo é a fonte e manancial da graça de Deus (Jo. 1.16, 17) e também o alvo do nosso conhecimento (Fp. 1.8,10). O conhecimento de Deus nos vem também pela comunhão com Ele, é óbvio, sendo um meio de usufruirmos mais de Sua graça (2Pe 1.2). Quem está crescendo na graça e no conhecimento de Deus ainda tem muito a crescer. Afirma o texto de João 1.17 “…e graça por graça…”. Se alguém estacionar no desenvolvimento de seu andar com Deus, virá o colapso. É como alguém sabiamente disse: “A verdadeira vida cristã é como andar de bicicleta; se você parar de avançar, você cai!”.

    O Senhor Jesus ensinou, dizendo: “Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, Jo. 8.31,32. Não é, portanto, o conhecimento em si que liberta; ele é um meio provido por Deus para chegarmos à verdade. Há muitos na igreja com vasto conhecimento secular, teológico e bíblico, contudo repletos de dúvidas, interrogações, suposições e enganos quanto a Deus, quanto à salvação, quanto às Sagradas Escrituras etc. 

    Como pode o crente crescer na graça e no conhecimento de Deus – Primeiro, orando sem cessar (1Ts 5.17; 2Co 12.8, 9; Jr 33.3). A oração é um precioso e eficaz meio de comunhão com Deus. Segundo, lendo e estudando a Bíblia continuamente (At 17.11; 1Pe 2.2; Sl 1.2, 3), e obedecendo a Deus, a partir da Sua Palavra (Sl 119.9. 11; Jo 14.21, 23). E também vivendo de modo agradável a Deus (e não somente em obediência a Deus) (Cl 1.10; 1Jo 3.22); testemunhando de Cristo e de Sua salvação (At 1.8; 5.42); permanecendo na doutrina do Senhor (At 2.42; Rm 6.17; 3Jo vv.3,4); frequentando a Casa de Deus (Hb 10.25; Lc 2.37; Sl 27.4); sendo ativo no serviço do Senhor (Mt 21.28); vivendo continuamente em santidade (Lc 1.75; 2Co 7.1); mantendo-se renovado espiritualmente (2Co 4.17; Ef 5.18) e experimentando a progressiva transformação espiritual pelo Espírito Santo, tendo Ele em nós plena liberdade para isso (2Co 3.18). 

    Sinais de “meninice” (não-crescimento) espiritual – Os cristãos da igreja de corinto tiveram este problema (1 Co 3.1, 2). Ver também Hebreus 5.12- 14. Crianças, no sentido físico, são fáceis de detectar; no sentido espiritual, também – havendo exceções, é evidente. A criança fala muito, mas não diz nada ou quase nada. A criança, por natureza, é egoísta. Tudo sou “eu” e o todo é “meu”. A criança brinca muito e também “briga” muito. A criança normal dorme muito – e dorme em qualquer lugar! A criança gosta muito de ruído, de barulho, e geralmente no momento e no lugar impróprios para os adultos. Quanto mais barulho, mais a criança gosta! A criança gosta muito de doces (Ler Provérbios 25.16,27 e Levítico 2.11). Doces engordam, mas engordar não é crescer, e nem sempre é sinal de saúde. 

    A criança é muito sentimentalista. Ela vive pelo que sente. Por coisa mínima, a criança chora, amua-se e some da cena. A criança é muito crédula. Ela não discute nem questiona as coisas da vida em geral. Ela crê em tudo, sem argumentar. Ela aceita praticamente tudo sem averiguar, sem filtrar, sem discutir. 

    A criança não gosta de disciplina. Ela não gosta de obedecer. Também a criança é fantasiosa. Ela exagera as coisas. Ela cria o seu próprio mundo de fantasia para si e vive esse seu mundo. A criança pequena não tem equilíbrio. Não tem firmeza. Com facilidade, ela tropeça, escorrega, cai e levanta-se. A criança é imitadora. Ela, se puder, imita tudo, inclusive o ato de trabalhar dos adultos, mas tudo imitação, e às vezes machuca-se por isso. A criança, em geral, é fraca; ela não tem a resistência dos adultos. Finalmente, a criança não entende coisas difíceis, coisas de gente grande. 

    Essas verdades e realidades devem ser aplicadas à nossa vida cristã para vermos se estamos crescendo para a maturidade ou se ainda permanecemos quais criancinhas incipientes e crédulas. O procedimento correto para o crente evitar um colapso na sua vida espiritual é “crescer na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. 

    Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz – Número 1513 – Junho de 2011, CPAD

     

     

     

     


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  • Lição 5 – EBD Editora Betel – Barnabé, um líder comprometido com a obra social

    O que são obras sociais?

    Geralmente são trabalhos realizados ou a realizar em prol do social, isto é em prol da sociedade ou comunidades mais carentes ou potencialmente menos favorecidas.

    O cristão e as boas obras

    “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tg 2.26

    Fé e obras

    Um dos assuntos mais polêmicos que envolvem o livro de Tiago é o confronto entre fé e obras. Tiago valoriza tanto uma coisa (1.6) quanto a outra (2.14). Porém, sua carta fala mais das obras, já que o autor observou a gravidade da ausência das mesmas na vida religiosa do povo. É como um médico que está indicando um reforço alimentar para suprir a falta de determinado nutriente, sem, contudo, menosprezar os outros. A fé é tão importante quanto fica demonstrado em Romanos e em Hebreus. Entretanto, se essa fé não produzir evidências visíveis, ela será como um plano que nunca foi realizado e seremos como árvores infrutíferas. Obra é fruto (Tg. 3.13,17). O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22). Não obstante, tais virtudes precisam se manifestar através de atos e fatos. O fruto não pode ser abstrato. Precisa ser concreto. De que adianta um amor não revelado, não transmitido por meio de ações? (I João 3.18). A fé opera pelo amor (Gálatas 5.6). O amor é o canal por onde flui a fé. O resultado é obra. A fé se mostra superior nessa questão porque a nossa salvação depende dela. “Pela graça sois salvos mediante a fé” (Ef. 2.8). “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Mc. 16.16). Crer é fé. Batismo é obra, ato físico. Observe que ninguém será condenado pela falta do batismo e sim pela falta de fé. Entretanto, aquele que tem fé deverá manifestá-la através de atos de obediência, inclusive batizando-se. As obras devem ocorrer de acordo com os recursos e o tempo que Deus tiver nos concedido. Por exemplo, o ladrão que se converteu na cruz ao lado de Cristo, não teve tempo de se batizar nem fazer obra alguma. Contudo, foi salvo. Nós, porém, que temos tempo e recursos devemos fazer boas obras, não para sermos salvos, mas como fruto natural da nossa fé.  A fé é superior porque produz as obras e não o contrário. Tiago diz: “… se alguém disser que tem fé e não tiver as obras… porventura a fé pode salvá-lo?” (Tg. 2.14). O autor não está condicionando a salvação à prática de boas obras. O sentido é o seguinte: se a fé de alguém não produz obras, pode-se concluir que essa mesma fé não produzirá salvação, pois é ineficaz ou inexistente.

    Conflito entre Thiago e Paulo

    Vedes então que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.” – Tiago 2.24.”Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” – Paulo, em Romanos 3.28.Lendo estes dois versículos, podemos pensar que Tiago e Paulo estão se contradizendo. Alguns comentaristas afirmam que a contradição existe e que é inexplicável. O próprio reformador Martinho Lutero tinha essa posição e chegou a usar a expressão “epístola de palha” para se referir ao livro de Tiago. Há quem diga que Tiago tenha escrito para atacar Paulo e seus ensinamentos. Tais hipóteses atentam contra a inspiração divina das Sagradas Escrituras. Outros teólogos apresentam a seguinte solução: Ao escrever aos Romanos, Paulo apresentou argumentos que tinham por objetivo combater a tese judaizante daqueles que exigiam dos gentios o cumprimento da lei mosaica. Diante disso, o apóstolo deixou claro que a salvação não depende das obras da lei, não depende dos rituais judaicos. Em sua exposição, Paulo lembra aos leitores que Abraão não foi justificado pelas obras da lei nem mesmo pela circuncisão, já que o patriarca teve sua experiência com Deus num tempo em que a lei mosaica não existia e até mesmo antes de ser circuncidado. Portanto, sua experiência foi baseada na fé. Paulo não estava falando de boas obras, de modo geral. Ele estava se referindo especificamente àquelas obras exigidas pela lei. Por sua vez, Tiago está preocupado com “o outro lado da moeda”. Muitos cristãos estavam reduzindo o cristianismo a uma religião teórica, apenas espiritual, sem efeitos visíveis. A estes, Tiago diz que as obras são importantes. Abraão é usado novamente como exemplo. Depois de ter sua experiência pela fé, Abraão não cruzou os braços. Abraão agiu. Ele saiu da sua terra, se dispôs a oferecer Isaque, e fez tudo aquilo que Deus queria que ele fizesse. Imagine que alguém entra no prédio de uma escola e queira logo apresentar trabalhos de pesquisa, fazer provas e exercícios. Será que a direção acadêmica aceitará tudo isso? De maneira nenhuma. S e o indivíduo não está matriculado, ainda não é aluno da escola. Então, não tem nenhum valor qualquer trabalho apresentado por ele. O que é necessário? A matrícula, o compromisso, o vínculo. Então, depois de matriculado, imagine que esse novo aluno resolva ficar em casa, totalmente alheio aos seus deveres escolares. Então a direção da escola irá procurá-lo para cobrar tudo o que Ele deveria estar fazendo. Assim, antes de sermos cristãos, de nada adiantam as nossas boas obras. “Paulo está dispensando”. Entretanto, agora que estamos salvos pela fé, precisamos executar as obras como fruto normal de um cristianismo autêntico e sadio. “Tiago está cobrando”.Em Romanos 3, Paulo está apresentado a futilidade das obras da lei no plano de salvação. Em outros escritos seus, o apóstolo deixa claro o quanto valoriza as boas obras de modo geral. Não que elas possam nos salvar. “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9). Entretanto, devemos fazer boas obras, porque este é um dos motivos da nossa permanência neste mundo. Caso contrário, poderíamos ter sido arrebatados no momento da conversão. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2.10).Observe que são palavras de Paulo, na continuação do texto mencionado anteriormente.Quando escreveu a Tito, Paulo colocou nas boas obras a maior ênfase da carta (Tito 2.7,14;3.1,8,14). Contudo, no mesmo texto, o apóstolo deixa claro que as obras não salvam (Tito 3.4-5).Considerando suas epístolas de modo geral, Paulo enfatiza a fé, sem desvalorizar as obras. Tiago enfatiza as obras, sem desvalorizar a fé. De fato, ambas as coisas são importantes. A fé sem as obras é morta. Da mesma forma, as obras sem fé são obras mortas (Hb. 6.1).

    Sendo assim, qualquer suposto conflito doutrinário entre esta carta e a de Romanos é puramente imaginário. Paulo, acossado por mestres do judaísmo nas igrejas, naturalmente deu grande ênfase à justificação pela fé sem as observâncias cerimonias. Todavia, quando ele escreveu a Tito, o tema principal de sua carta foi: a importância das boas obras, mostrando deste modo uma perfeita harmonia com os ensinos de Tiago. É evidente que este último, quando parece depreciar a fé, se refere apenas ao assentimento intelectual da verdade e não à “fé salvadora a que se refere Paulo”.

    ·         Para começarmos nesta lição devemos situar-nos sobre o local da igreja e também nos adiantarmos um pouco na próxima lição.

    A cidade de Antioquia

    A cidade de Antioquia da Síria foi fundada por volta de 300 a.C. Tornou-se um rico centro comercial e cultural, pois nela a influência grega estava presente. A população era composta por sírios, gregos e judeus. Os judeus exerciam uma boa influência na cidade, propagando a fé judaica e fazendo prosélitos para a religião judaica. Nesta cidade foi fundada uma igreja cristã composta por judeus e gentios, que veio a ser o ponto de partida para a expansão missionária no império romano. Antioquia foi considerada a 3ª metrópole do império romano, vindo depois de

    Roma (Itália) e Alexandria (Egito). A Igreja em Antioquia demonstrou uma sensibilidade para com a missão da Igreja. Enviou auxílio para Jerusalém quando a fome assolou esta cidade – Atos 11.27-30 e enviou seus principais obreiros para o trabalho missionário – Atos 13.1.

    A fundação da Igreja em Antioquia

    A Fundação da igreja deu-se através dos dispersos por causa da perseguição e morte de Estevão em Jerusalém (Atos 7.54 a 8.2). Eles foram até a Fenícia, Ilha de Chipre e Antioquia, evangelizando especialmente os judeus.

    Alguns convertidos em Fenícia e Chipre se dirigiram para Antioquia e lá anunciaram o evangelho em grego. Estes missionários gregos de Chipre e Fenícia eram comerciantes e artesãos que viajavam muito pelo mundo da época. Nesta ocasião foram até Antioquia, que era um importante centro comercial, para vender seus produtos e, enquanto faziam isto, anunciavam as maravilhas que haviam presenciado em Jerusalém. A mão do Senhor era com eles (Atos 11.21) de tal maneira que muitos se converteram ao Senhor.

    Vamos dividir o texto da seguinte forma:

    1. Evangelismo e Proclamação – 11.19-24

    2. Edificação através do Ensino – 11.25-26

    3. Serviço e Solidariedade – 11.27-30

    4. Envio Missionário – 13.1-3

    A igreja em Antioquia e o trabalho de Barnabé

    1. Evangelismo e Proclamação – Os versículos 19 a 24 contam sobre o crescimento que a Igreja experimentou numa grande metrópole da época. Agora já não eram os missionários vindos de fora, mas a igreja já possuía esta característica de evangelização. O crescimento, especialmente entre os gregos, foi tal que os apóstolos em Jerusalém enviaram um emissário para ver o que estava acontecendo em Antioquia e assim criar um vínculo com a igreja de Jerusalém. Barnabé, enviado pelos apóstolos, ficou entusiasmado pela maneira como os cristãos viviam naquela cidade e reconheceu que era obra da Graça e do Amor de Deus. O impacto que causavam era tão grande que os discípulos passaram a ser chamados de “cristãos”. A Igreja de Antioquia tinha esta marca distinta de uma Igreja Missionária que é a PROCLAMAÇÃO. Proclamavam as Boas Novas de Jesus Cristo. Os comerciantes que foram a Antioquia, saídos da Fenícia e Chipre, nos fazem perceber que a rota a ser usada posteriormente pela Igreja de Antioquia para a evangelização em outros lugares, era a rota comercial e militar, o que facilitava o tráfego de pessoas e mercadorias. Esta rota comercial fazia ligação com as principais cidades da Ásia Menor, entre elas Éfeso; cidades da Macedônia, tais como Filipos, Tessalônica; além de outros grandes centros como Corinto, Roma, etc.

    2. Edificação através do Ensino – Na segunda parte (11.25-26) percebemos que Barnabé decidiu permanecer em Antioquia e ajudar na consolidação e organização daquela comunidade cristã. A Proclamação em Antioquia atraiu Barnabé e ele desejou permanecer na cidade. Para realizar seu intento de pastorear aquele rebanho, foi procurar aquele que anos antes havia apresentado aos apóstolos: o perseguidor convertido, Paulo. Paulo era um homem de uma boa formação e teria condições de ensinar aos judeus e aos gregos convertidos. O v. 26 afirma que Paulo e Barnabé dedicaram muito tempo a instruir a igreja. Depois de um ano o trabalho estava consolidado e, pelo que parece, havia respeito na convivência entre judeus e não-judeus. Esta marca também caracterizava a Igreja de Antioquia como uma Igreja Missionária, ou seja, o ENSINO, a instrução, o doutrinamento, tão necessário para a Edificação da Comunidade Cristã. A palavra mestre ou ensino vem de um termo grego que quer dizer “professor”, “mestre” ou “aquele/a que transmite um conhecimento”. Em I Coríntios 12:28, mestre aparece como o terceiro dom espiritual de um grupo de três. Era o ofício na Igreja Primitiva de explicar aos outros a fé cristã e providenciar uma exposição clara e compreensível do Antigo Testamento.

    3. Serviço e Solidariedade – A terceira parte (11.27-30) mostra a sensibilidade da Igreja para com os problemas dos cristãos de outros lugares. Sabendo que a Judéia passava por um período de fome, decidiram enviar donativos para os irmãos de Jerusalém. Estes donativos não eram esmolas, e sim sinal de solidariedade e serviço entre os irmãos. Provavelmente o exemplo de solidariedade e liberalidade no contribuir foi dada por Barnabé. Ele já havia feito isto quando estava em Jerusalém (Atos 4.36), quando o mundo da época enfrentava um período de fome, sobretudo a cidade de Jerusalém sofria muito. Havia falta de emprego e carência de muitos alimentos. Todos sofreram, inclusive os cristãos de Jerusalém. Neste ambiente surgiu Barnabé, que vendeu uma propriedade e colocou aos pés dos apóstolos para aliviar a dor dos mais necessitados. Este seu exemplo influenciou a Igreja de Antioquia, que já era sensível às necessidades do povo.

    4. Envio Missionário – A grande ênfase da Igreja de Antioquia era sua preocupação com a evangelização. Desde o início esta característica está de forma clara na vida dos cristãos daquela cidade. O apelo missionário falava mais alto, a ponto de abrirem mão daqueles que por 1 ano ensinaram uma multidão: Paulo e Barnabé. O capítulo 13 de Atos conta esta história. O Texto de Atos 13.1-3 conta que a Igreja de Antioquia era presidida por profetas e doutores: os profetas tinham a função de exortar e fortalecer os membros da igreja e os doutores tinham a responsabilidade de ensinar. Tudo indica que os cinco líderes da Igreja fossem pessoas cultas e bem formadas e que colocaram a disposição de Deus seus dons e talentos. Dois destes líderes serão enviados em missão, prioritariamente para evangelizar judeus dispersos por várias cidades. Após o Concílio de Jerusalém (cap. 15), os grupos de missionários enviados pela Igreja de Antioquia vão também em busca dos gentios. Como vimos anteriormente, a rota usada por Paulo e seus companheiros são as rotas comerciais e militares, bem como os navios que carregavam mercadorias e passageiros de um porto ao outro. Nestas viagens entrava-se em contato com muita gente: entre elas podemos mencionar as seguintes: funcionários do governo romano, comerciantes e artesãos, peregrinos, turistas, carteiros, prisioneiros de guerras, escravos fugitivos, atletas, mestres, estudantes, filósofos, etc. Esta gente toda ia para os grandes centros, muitos levando a mensagem que ouviram de Paulo e seus companheiros durante as viagens. Como as rotas comerciais passavam, obrigatoriamente, pelos grandes centros e cidades portuárias, para estas Paulo se dirigiu, evangelizando e estabelecendo comunidades. Um estudioso do Novo Testamento calculou a distância que era possível de ser percorrida por dia e chegou aos seguintes números: Um navio antigo comum podia fazer 160 km por dia; a cavalo percorria-se cerca de 35 a 40 km por dia e a pé de 25 a 30 km. Provavelmente Antioquia tenha sido o berço do Evangelho de Mateus, segundo alguns especialistas. O Evangelho de Mateus pode ser considerado um manual de missões, especialmente o capítulo 10, intitulado “sermão missionário”. O Evangelho de Mateus é escrito num período de ruptura dentro da sinagoga judaica, o que provocou a saída dos judeus cristãos das sinagogas. A tendência inicial da Igreja de Mateus (Antioquia?) foi a de fechar-se, como uma sinagoga, mas logo o apelo missionário fez com que esta Igreja abrisse suas portas para a saída de missionários e a recepção de novos membros. Podemos concluir dizendo que o projeto da igreja cristã de Antioquia estava relacionado com a sua experiência, ou seja, uma comunidade aberta para receber os novos convertidos, seja qual for a nacionalidade; aberta também para enviar seus líderes em busca de outros povos, gente que precisava conhecer as Boas Novas.

     

     

     


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  • Subsidio lição 6 EBD Editora Central Gospel – IGREJA Membros em um só corpo

    Texto Bíblico – Efésios 4:4-13

    Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens.Ora, isto-ele subiu-que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,.Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

    Texto Áureo

    Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Efésios 4.3

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  • Filme pró-vida “October Baby” procura mudar corações, em Hollywood

     

    Em Hollywood o aborto é um assunto intocável.

    Mais uma equipe de cineastas, atores e produtores estão assumindo o risco e que através de “October Baby”, se comece a mudar isso.

     

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  • Subsidio EBD Lição 5 – Entraves à Unidades – Revista Central Gospel

    Texto Bíblico Básico – Neemias 4:1-8

    E sucedeu que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito; e escarneceu dos judeus. E falou na presença de seus irmãos, e do exército de Samaria, e disse: Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isto? Sacrificarão? Acabá-lo-ão num só dia? Vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas? E estava com ele Tobias, o amonita, e disse: Ainda que edifiquem, contudo, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra. Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados, e torna o seu opróbrio sobre a sua cabeça, e dá-los por presa, na terra do cativeiro. E não cubras a sua iniqüidade, e não se risque de diante de ti o seu pecado, pois que te irritaram na presença dos edificadores. Porém edificamos o muro, e todo o muro se fechou até sua metade; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar. E sucedeu que, ouvindo Sambalate e Tobias, e os árabes, os amonitas, e os asdoditas, que tanto ia crescendo a reparação dos muros de Jerusalém, que já as roturas se começavam a tapar, iraram-se sobremodo, E ligaram-se entre si todos, para virem guerrear contra Jerusalém, e para os desviarem do seu intento.

    Texto Áureo

    Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo,
    Filipenses 3:18

    Introdução

    Desde que a humanidade existe, sempre houve aqueles que querem fazer objeção a obra  o relato de quando Neemias estava reedificando os muros, Sambalate (ou Sambalá) heronita que era governador de Samaria ardeu em ira e se indigna e juntou com Tobias que era um ex-escravo que se tornou governador de Amonn.

    Sambalate era governador de Samaria por isso pretendia governar a Judéia também, mas a vinda de Neemias teria prejudicado seus planos. Ele põe em dúvida a autoridade de Neemias. E Tobias e os demais tinham interesses políticos e econômicos para que Jerusalém não fosse reerguida.

    Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão? Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras que foram queimadas?Estava com ele Tobias, o amonita, e disse: Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará o seu muro de pedra”. (Ne. 4.1-3).

    E sempre assim se você se levantar para fazer a obra do Senhor, se prepare para a oposição, nem Jesus escapou deste tipo de oposição, os reis, governantes, os religiosos judaicos da época, Pedro certa vez declarou algo que era contra os propósitos de Deus e Jesus o repreendeu e um dos seus próprios discípulos e não era um qualquer era um discípulo de confiança tanto que cuidava do dinheiro, então hoje em dia não podemos nos enganar achando que fazendo algo para Deus vai dar tudo certo, tudo vai correr as mil maravilhas.

    No texto áureo lemos a lamentação de Paulo, falando dos inimigos da cruz de Cristo, que eram Judeus, que não aceitavam a vergonha da cruz, e pregavam um sistema judaizante, fazendo prosélitos e desfiando o povo do caminho reto do Senhor.

    Engraçado que hoje em dia esse povo ainda está por ai são alguns não generalizando, Judeus Messiânicos, que querem a todo custo evangelizar e levar prosélitos os cristão no mundo todo a abrasarem todo ritual judaico, a internet está cheia deles, pregam a circuncisão, a observância da lei e outras coisitas mais.

    Como já dizia Salomão não há nada novo debaixo do Sol, o que já foi agora é de novo parafraseando.

    Mais vamos analisar alguns entraves quanto a nossa relação com Deus, Jesus, família e igreja.

    1- O Primeiro grande inimigo e o Pecado

    O pecado do homem vem sempre como grande vilão da vida cristão, porque o pecado nos separa de Deus.
    Quando o primeiro casal pecou, foi expulso do jardim, onde Deus andava (Gênesis 3:23; 2:17; 3:8). Isaías viu este problema em relação ao povo de Israel:
    “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59:1-2).

    1.1 A falta de Submissão

    Submissão não é mera obediência externa, nem tão pouco quando controlado. Submissão é prestar obediência inteligente a uma autoridade delegada. É exteriorizar um espírito submisso, mesmo quando ninguém está por perto. É renunciar à opinião própria quando se opõe à orientação daqueles que exercem autoridade sobre nós.

    Quando é que aprendemos o que é a submissão? Quando é que nos convertemos? Quando aceitamos o senhorio de Cristo sobre nossas vidas. Quando verdadeiramente renuncio a tudo o que tenho, nego a mim mesmo , tomo a cruz e sigo ao Senhor. Sigo submisso às direções e orientações que recebo das autoridades delegadas. “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, “antes a si mesmo se esvaziou”… “a si mesmo se humilhou”, “tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2 5-8). Só existe um caminho para a submissão, andar como Cristo andou (1Jo 2.6). Ele é o nosso modelo. E, “embora sendo Filho (Jesus homem), aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8).

    Sem submissão jamais chegaremos ao alvo. Nem estaremos sendo cooperadores do Senhor. Se alguém é independente, rebelde, não é membro do corpo, pois sendo membro será sempre dependente, submisso. Como pode um membro subsistir no corpo se não se submeter às ordens da cabeça? Assim também nós não podemos subsistir no corpo de Cristo se não formos sujeitos as autoridades delegadas. Quando uma mulher não se submete ao seu marido, ou quando um filho não obedece ao seu pai, ou quando o empregado não acata a ordem de seu chefe, ou quando o discípulo não se submete as autoridades, é porque estão cheios de si mesmos. Quem está cheio de Cristo está cheio de obediência. O evangelho do reino aniquila com a independência do homem, bem como com a rebeldia: faz do homem um Ser submisso.
    Quando o homem vive no princípio de submissão às autoridades delegadas por Deus, ele desfruta de benefícios desejados por todos os homens, a saber:

    1. Paz, ordem e harmonia no corpo de Cristo;
    2. Edificação e formação de vidas;
    3. Unidade e saúde na igreja;
    4. Cobertura e proteção espiritual.

    1.1.1 – O Pecado na família

    Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); 1 Timóteo 3:4-5

    Na qualificação bíblica para pessoa ser ordenada, na obra de Deus, tem o requesito basico que é de que o candidato tenha sua casa toda em ordem, Não há provavelmente uma área tão importante na nossa vida e na vida da igreja cristã quanto à família. Cremos que não há muita dúvida a respeito desta afirmação. Todos nós concordamos que famílias sadias e equilibradas formam o esteio de igrejas e sociedades equilibradas.

    Agora afirmar hoje que a família é a base e a célula mater da sociedade, me parece afirmar mais uma verdade do que uma realidade vivida e aceita.

    O que quero dizer é que como verdade absoluta essa afirmação é imutável e que como realidade ela já não está tão arraigada nos conceitos e convicções de nossa sociedade, visto a própria situação de sociedade em que vivemos. Ao menos, de maneira implícita essa verdade hoje não é aceita, já que, em seu conceito básico a família é uma instituição Divina, e Deus hoje parece estar entre parênteses para a maioria das pessoas e famílias e à margem da educação familiar.

    A unidade da família é importante para a pessoa e para a sociedade, é no âmbito da família que o homem recebe as primeiras noções do bem e da verdade, aprende a amar e ser amado e o significado de ser pessoa, tanto que a bíblia aponta como a terceira prioridade a Família, logo após Deus e o Conjugue e antes do trabalho e igreja.

    1.1.2 – O Pecado Social

    Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos. Juízes 17:6

    Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos. Juízes 21:25

    Nos estamos em nossos tempos a pos-modernidade, onde artistas, pensadores e historiadores (chamados formadores de opinião), defendem que a ascensão do ceticismo e do relativismo na nossa forma de pensar.

    Ceticismo – Afirma que não se pode obter nenhuma certeza absoluta a respeito da verdade. Os seus adeptos questionam, Por que há tanto sofrimento no mundo? Como pode um Deus amoroso deixar seus filhos irem para o inferno? Um Deus cristão não deveria ser um Deus de amor? São algumas resposta que a igreja e os cristãos tem que dar aos céticos de plantão.

    Relativismo – É a teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Ela parte do pressuposto de que todo ponto de vista é válido.

    Essa filosofia afirma ainda que todas as posições morais, todos sistemas religiosos, todos movimentos políticos, etc., são verdades que são relativas ao indivíduo.

    Infelizmente, a filosofia do relativismo é penetrante em nossa cultura hodierna. Com a rejeição de Deus, e do Cristianismo, a verdade absoluta particular está sendo praticamente abandonada. Nossa sociedade pluralista deseja evitar a idéia que há realmente o certo e o errado. Isto é demonstrável através de nosso ambiente social: do sistema judicial deteriorado que possui cada vez mais dificuldades em punir os criminosos, da mídia que continua a nos empurrar o seu pacote particular do que seja moralidade e decência, de nossas escolas que ensinam a evolução e a “tolerância social”, etc. Como conseqüência, o relativismo moral está cada vez mais ganhando espaço no sentido de encorajar a todos em aceitar o homossexualismo, a pornografia na TV, a fornicação, e uma avalanche de outros pecados que outrora foram considerados errados e perniciosos, mas que agora estão sendo aceitos e até mesmo encorajados em nossa sociedade. Isto se infiltrou tanto em nossa moderna maneira de pensar que se você falar algo contra o relativismo e sua vã filosofia, então prontamente te rotulam como fanático intolerante.

    “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (João 14:6).

    Para serem salvas, as pessoas se esforçam, procuram ser pessoas boas, honestas, íntegras mas … nada disso poderá levá-las para o céu, pois a Palavra de Deus nos diz claramente que somente JESUS é … O ÚNICO CAMINHO, A ÚNICA PORTA e o ÚNICO MEIO de nos dar a vida eterna.

    1.1.3 – O Pecado da falta de zelo para casa do Senhor

    Este profeta tem uma palavra muito forte ao afirmar em seu livro que a pobreza e as más colheitas são uma censura à letargia espiritual dos repatriados do exílio da Babilônia e o desleixo com as coisas de Deus. Por isso, Ageu clama ao povo que renove sua fé no Senhor e construa uma casa digna dEle, da Sua grandeza, e, as bênçãos sobre o povo se multiplicarão. E realmente isso acontece! O final do livro de Ageu – poderíamos dizer assim: O final desta história – termina com a benção do Senhor para aqueles que obedecem à sua voz:“Estai bem atentos, a partir de hoje e no futuro… desde o dia que foi fundado o Templo do Senhor, estai atentos… A partir de hoje, eu vou abençoar”. (2: 18-19).

    Fico pensando: temos tanto prazer e orgulho em receber visitas em nossas casas. Deixamos tudo arrumadinho, cortinas novas, iluminação boa, sofás confortáveis. Nos incomoda a parede suja ou a pintura antiga e desbotada. Queremos um bom microsystem para ouvir nossas músicas “com qualidade digital”. Servimos o cafezinho às nossas visitas nas melhores louças que possuímos. Tudo para nosso conforto, e, bem-estar dos nossos convidados. Investimos na nossa habitação. E isso é muito bom! É ordem, é zelo! Mas, e quanto a Casa do Senhor?

    1.2 – O pecado da auto-suficiência humana.

    O exemplo mais claro é a vida de Moises, ele viveu no palácio como príncipe real durante seus primeiros 40 anos (At 7.23). Os próximos 40 anos ele viveu no deserto, não muito longe do Sinai, por onde mais tarde conduziria o povo de Deus (At 7.29,30). Seus últimos 40 anos foram dedicados a liderança do povo de Deus, tirando-os da servidão do Egito e conduzindo-os a entrada de Canaã (Nm 14.33). Ele viveu 120 anos (Dt 34.7), divididos em três períodos de 40 anos cada.

    No palácio de Faraó, ele viveu cercado de luxo e se preparou sob a direção dos melhores professores e líderes da época, na corte mais adiantada do mundo de então. Humanamente ele estava preparado, mas espiritualmente ele aprendeu as primeiras lições com Deus, na solidão do deserto. Era Deus guiando os seus passos e preparando na sua escola da experiência para a grande obra que ele deveria executar.
    Isso ocorreu para que Moisés depois não se orgulhasse, mas desse toda glória a Deus. Foi no deserto que Moisés libertou-se de sua auto-suficiência que tanto complicou a sua vida quando ele prematuramente agiu na sua força no sentido de querer libertar o seu povo, pensando que tinha capacidade para isso, Ex 2.11-15.

    40 anos ele levou para aprender toda ciência humana e mais 40 para descobri que não sabia de nada. E nós por mais que saibamos nunca chegaremos a plenitude do saber esta pertence a Deus.

    Moises e a rocha

    Então disse o SENHOR a Moisés: Passa diante do povo, e toma contigo alguns dos anciãos de Israel; e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel. Êxodo 17.5,6

    E o SENHOR falou a Moisés dizendo: Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais. Então Moisés tomou a vara de diante do SENHOR, como lhe tinha ordenado. E Moisés e Arão reuniram a congregação diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a sua mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água; e bebeu a congregação e os seus animais. E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado. Números 207-12

    Por causa da falta de água, o povo contendeu contra Moisés – foi sua sétima murmuração contra este servo de Deus, novamente em Cades. A terra de Canaã, com fartura de tudo, estava próxima, mas eles ainda não haviam chegado. É bom nos lembrarmos que não estamos aqui permanentemente: somos peregrinos neste mundo e um dia vamos sair daqui. Portanto não percamos o nosso tempo em lamentações sobre as condições do meio em que vivemos.

    Novamente, como acontecia sempre que o povo contendia com Moisés, a glória do SENHOR apareceu, para resolver a situação. Ele mandou que Moisés tomasse a vara (de Arão), ajuntasse o povo e, com Arão, falasse à rocha para dela obter água.

    Agora sabemos que a rocha era uma figura de Cristo (1 Coríntios 10:4). Muitos anos antes a rocha havia sido ferida por Moisés para obter água (Êxodo 17:5,6); para se manter o simbolismo, a rocha não deveria ser ferida novamente, pois Cristo iria ser ferido, ou crucificado, uma única vez pelos nossos pecados (Hebreus 10:12). A água abundante simboliza o derramamento do Espírito Santo, que satisfaz a sede espiritual e fortalece com Seu poder.

    A ação de Moisés, declarando “porventura faremos sair água desta rocha”, e ferindo a rocha duas vezes com a vara resultou de:

    Incredulidade: Da outra vez obteve água ao bater na rocha; ele não cria que apenas falar à rocha daria resultado, e a sua incredulidade aparecia na palavra porventura.

    Petulância: Não santificou (obedeceu) o SENHOR diante dos filhos de Israel, mas, dizendo faremos ele se arrogou autoridade que pertencia somente ao SENHOR, e feriu a rocha.

    Exaltação: Moisés não somente prejudicou o simbolismo da rocha com a sua desobediência, mas exaltou-se a si próprio.

    Assim mesmo, o SENHOR fez o milagre, e saíram muitas águas (fontes) da rocha. Mas Moisés foi castigado por sua incredulidade (o mesmo pecado que o povo havia cometido 37 anos antes) com a proibição de entrar na terra prometida (o mesmo castigo que o povo sofreu).

    2- As Divisões Internas

    Os inimigos de Deus não dão trégua, além de perseguir a igreja externamente, também ataca a unidade da igreja internamente. Temos os falsos mestres e falsos pastores e falsos irmãos que a bíblia apresenta com joio, e não adianta você se revoltar e sair e tentar procurar outra igreja, porque não existe igreja perfeita e a partir do momento que você chegar lá já estragou tudo. Costumo disser que a igreja está cheia de doentes e problemáticos que estão sobre cuidado do bom pastor.
    Vejamos alguns casos que causam divisão na igreja, ou em qualquer instituição.

    2.1 – O entrave da preferência

    Apesar de ser uma igreja que se via como espiritual (1 Coríntios 3.1) e de ser voltada para a busca de dons  (1 Coríntios 12.31; 14.1; 14.12), a igreja de Corinto estava na iminência de dividir-se em pelo menos quatro pedaços. Paulo, ao escrever-lhes, menciona que tem conhecimento de quatro grupos dentro da comunidade que ameaçavam a sua unidade: os de Paulo, os de Pedro, os de Apolo e os de Cristo (1 Coríntios 1.11-12). A igreja de Corinto, com seu espírito faccioso e divisionista, a despeito de sua pretensa espiritualidade, ficou na história como um alerta às igrejas cristãs de todo o mundo, registrado na carta que Paulo lhes escreveu para aprendermos a lição.

    O problema tinha a ver com a tendência comum de alguns crentes de venerar líderes cristãos reconhecidos. Com exceção de Cristo, os nomes escolhidos pelos coríntios são de um apóstolo (Pedro e Paulo) ou de alguém associado com eles (Apolo): Paulo era o fundador apostólico da igreja (4.15); Apolo, por sua vez, embora não considerado no Novo Testamento como um apóstolo, era um pregador eloqüente e tinha desenvolvido um ministério frutífero entre os coríntios, depois da partida de Paulo (3.6, cf. At 18.24-28, 19.1); E Pedro era o conhecido líder dos apóstolos, e muitos possivelmente teriam sido atraídos a ele, embora não seja certo que alguma vez ele haja visitado a igreja de Corinto.

    Embora haja momentos em que uma divisão seja necessária (quando, por exemplo, uma denominação abandona as Escrituras como regra de fé e prática), no entanto percebemos que as causas do intenso divisionismo evangélico no Brasil são intrinsecamente corintianas.

    Os “de Cristo” eram os mesmos “espirituais”, um grupo na igreja que se considerava “espiritual” (cf. 3.1; 12.1; 14.37). Para eles, o conceito de ser “espiritual” estava relacionado com o uso dos dons espirituais, principalmente de línguas e de profecia. Este grupo, por causa do acesso direto que julgava ter a Deus, através dos dons, teria considerado desnecessário o ministério de Paulo, tinham-no em pouca conta, e mesmo queriam julgar a sua mensagem (1 Coríntios 4.3; 4.18-21; 8.1-2; 9.3). Esse seria o grupo “de Cristo,” cujos membros (em sua própria avaliação) não dependiam de homem algum, mas somente e diretamente do Senhor, através dos dons. Paulo faz pouco caso das suas reivindicações, e considera a igreja toda como sendo “de Cristo” (cf. 3.23; 2 Coríntios 10.7).

    2.2 – O entrave do monopólio da verdade

    Durante a Idade Média, e até início do século XVI, milhares de pessoas morreram porque uma igreja tinha o poder absoluto, alegando ter autoridade dada por Deus. E em nome de Deus, crendo serem seus representantes, os dirigentes, chefes dessa igreja monopolizavam a verdade, impondo aos seus membros, (ou não membros) sob pena de tortura, excumunhão e morte, aquilo que eles determinavam como a única verdade.

    Com as igrejas reformadas não foi muito diferente. Alguma coisa mudou, havia que mudar, ou não surgiriam novas organizações com novos dirigentes; mas o princípio era o mesmo: monopólio da verdade, hierarquia, imposição de doutrinas, e o exercício do poder abusivo. Algumas lições do Evangelho são seguidas apenas para satisfazer seus próprios interesses. Os interesses dos guias, dos chefes, chamados de pastores, reverendos, ministros, que atuam como donos da igreja, donos da verdade. E também, como a igreja-mãe, julgam, condenam, castigam, aqueles que da membresia, discordam de alguma forma de doutrina ou dogma.
    Portanto Jesus na sua infinita sabedoria não deu o monopólio a ninguém e o apostolo Paulo, nos chama a atenção para a multiforme graça de Deus, que pode ser comparado a uma colcha de retalho que possuem vários retalhos diferentes uns dos outros são as diversas igrejas cristãs que contribuem para o reio de Deus e para proclamação do evangelho de Cristo entre os homens.

    2.3 – O entrave da palavra

    A falta de ensinamento bíblico correto tem gerado vários entraves  a unidade do corpo de cristo por desconhecimento pregam um evangelho superficial, um evangelho sem a cruz, um evangelho legalista, onde o homem aparece como o grande astro e Deus um mero figurante ou marca para ser usada.
    O ensino da palavra e a pregação principalmente em nossos dias em que há carência da palavra verdadeira têm que ter como base os seguintes requisitos:

    1. Bíblica (Respeitando a hermenêutica a própria bíblia se explica )
    2. Cristocêntrica .(“A natureza nos forma, a ciência nos informa , mas, somente a Bíblia através de Cristo nos transforma”).
    3. Dependente do Espírito .( Tanto no preparo como na apresentação).
    4. Isenta do Eu. ( A habilidade impressiona, mas, não transforma).
    5. Fervorosa e Entusiasta. (Deus dentro convicção). O entusiasmo faz a mentira parecer verdade e a falta dele faz a verdade parecer mentira.
    6. Clara e Precisa. (Muitos pregam sermões que poderiam ser intitulados: “um dia compreenderás”).
    7. Que revele o Amor de Deus. (Nenhum sermão deve ser apresentado sem ter esta  ênfase).

    3- Antídotos contra os entraves

    Os antídotos e soluções eficientes são os recursos que são providenciados por nosso Deus.

    3.1- Um único Deus o verdadeiro

    Nada pode ocupar o lugar de Deus em seu coração todo seu corpo, alma e mente tem que estar voltada para o único e verdadeiro Deus.

    3.2- Um único Senhor: Jesus

    Olhemos, seguimos somente a Cristo, o autor e consumador da nossa fé, andando em fé a exemplo de Pedro que andou sobre o mar representando todas as nossas tribulações na vida e lutas para preservar a unidade enquanto ele olhava para Cristo estava andando por fé sobre as águas e quando ele tirou os olhos de Jesus, ele naufragou e teve que ser socorrido por Jesus.

    3.3- Um único Espírito: O do Senhor

    A unidade da Igreja como obra do Espírito Santo, e não de uma autoridade exterior.  Porque o Espírito Santo ele  “desce sobre todos os que ouvem a Palavra” (At 10,44), mas também testifica: “O que nasceu do Espírito é espírito” (Jo 3,6). 5 O Espírito Santo vivifica, portanto, e faz verdadeiramente com que os membros vivam. Mas o Espírito vivifica unicamente os membros que se encontram no corpo que ele vivifica.

    1- No pensamento – Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. Filipenses 4:8. A igreja precisa entender que quando há unidade de pensamentos o caminhar fica mais tranqüilo e abençoado. A igreja que tem unidade de pensamentos avança na mesma direção e amplia seus espaços.

    2- Nas atitudes – E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Atos 4:33
    A forma como agimos provoca uma reação coletiva que traz um nível de transformação tremendo para a igreja. As pessoas precisam ver em nós as mesmas atitudes.

    3- Na concordância – Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. 1 Coríntios 1:10 Quando dois de nós concordamos acerca de alguma coisa na terra Deus terá prazer em nos abençoar e fazer com que a prosperidade nos alcance.

    4- Na divisão de tarefas – Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano.E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; At. 6:1-6 A seara realmente é grande e os trabalhadores são poucos, mas para isso é preciso que tenhamos sensibilidade na divisão de tarefas, não querer abraçar todas as atividades sozinho. A divisão de tarefas é uma mostra de que estamos em unidade e não centralizando tudo numa só pessoa.

    5- Nas conquistas – E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais. Atos 5:14. Toda conquista só se consolida se tivermos unidade dada pelo Espírito Santo. Devemos querer conquistar pela unidade e não na individualidade.

    3.4 – Uma só palavra: a que dá vida

    A bíblia e a nossa única fonte de vida espiritual, são muitos os ensinos errados que circulam por ai mais devemos sempre ficar com que a bíblia diz não importa a experiência pessoal ou revelação, até se uma anjo descer do céu, não acredite, e ela diz que nos últimos dias apareceram homens fazendo sinas e prodígios de mentira e enganarão a muitos.

    Conclusão

    A solução para todos os problemas da humanidade, só econtram soluções em Deus.

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  • A Unidade Observada na Bíblia – Lição 4

     

    Texto Áureo:  Sm 119.18 – Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.

    A paz do Senhor amado(a), está aqui uma sugestão para você ministrar sua aula ou aprender mais:

    Palavra introdutória

    Algumas dicas inicias:

    Querido(a) professor(a), antes de começar se lembre de coisas importantes:

    Busque a participação de todos, com perguntas e debates;

    Torne a aula interessante, com ilustrações e exemplos;

    Torne a aula prática, mostrando aos alunos como eles poderão aplicar em
    suas vidas o que aprenderam;

    Professor(a) após a leitura desse início, comente explique que a Palavra escrita é o conteúdo bíblico e a Palavra viva é a revelaçãode Jesus.

    Recomendo que você pergunte: O que é a unidade da Bíblia?

    Peça para cada um responder com suas palavras.

    R: É característica que a Bíblia tem de ser única, centrada em torno de um tema, coesa, em acordo consigo mesma e sem contradições.

    I. NECESSIDADES DE SE ESTUDAR A BÍBLIA

    Diga aos alunos que o povo de Deus só passou a cumprir efetivamente esse mandamento após o cativeiro, quando foi instituída as sinagogas.

    1.1 Por que devemos estudar a Bíblia.

    Professor(a) o fariseu tinha um conhecimento amplo da Palavra, mas não era profundo na revelação da vinda de Cristo, por arrogância eles não Creram em Jesus como o Cristo, porque só se preocupavam com a lei, e por inveja o entregaram para ser morto.

    1.1.1 A Bíblia é o único manual para o cristão.

    Grande parte dos crentes preferem servir a Deus com o conhecimento superficial de sua divindade, mas Deus quer se revelar muito mais ao homem e essa revelação está expressa na sua Palavra.

    1.1.2 A Palavra alimenta nossa alma.

    Leia e explique se for o caso, se puder apresente algo a mais sobre  essa analogia da Palavra como alimento.

    1.1.3. A Bíblia é o instrumento usado pelo Espírito.

    Comente que é preciso ler a Bíblia diariamente.

    Não deixe de ler essa referência de João 14.26 e diga que o  Espírito Santo só nos faz lembrar daquilo que estudamos.

    1.1.4. A Palavra enriquece a vida do Cristão.

    É interessante perguntar, se a Bíblia fala sobre tudo?

    Ouça as respostas dos alunos, depois digo a resposta certa.

    R: Obviamente não! Ex: A Bíblia não fala sobre pirataria, nem eutanásia, nem redes sociais, e diversos outros problemas.

    O motivo é o seguinte: O tema central da Bíblia é Cristo e a obra de salvação da humanidade, por isso ela não se ocupa de muitos temas  que não interferem nisso.

    1.2. Considerações úteis sobre a leitura da Bíblia.

    Recomende cada uma dessas orientações, são excelentes.

    fazendo apontamentos: significa fazer pequenas anotações nas margens ou em folha separada, para estudo posterior ou ajudar a memória.

    II. A BÍBLIA COMO LIVRO

    2.1 Formato original da Bíblia.

    Essa parte está muito simples de se explicar.

    prelo de tipos móveis – aparelho inventado no século XV para a impressão  de tipos (letras) no papel. (fig.1).

     

    Prelo de tipos ( máquina em exposição no museu da Bíblia - Barueri,SP)

    Explique o que era o papiro (fig 2) e o pergaminho (fig 4), com o texto da revista do professor.

     

    Folha de papiro fabricado da planta chamada papiro originária do Nilo.

     

    Comente que o pergaminho tem esse nome por ser originário da cidade  de Pérgamo.

    Planta chamada papiro, originária das margens do rio Nilo no Egito.

    Rolo feito com folhas de pergaminho, a partir do couro de animais.

    2.2 A estrutura da Bíblia.

    Apresente essa característica fundamental da Bíblia, ela mostra a unidade da Palavra de Deus.

    Foi o Espírito Santo que inspirou os homens de Deus a escreverem sua santa Palavra.

    2.3 Nomes mais comuns dados a Bíblia.

    III. A BÍBLIA COMO PALAVRA DE DEUS

    3.1 A própria Bíblia reivindica inspiração.

    Vimos aqui que muitas partes são registradas as próprias palavras  da boca de Deus, como os Dez Mandamentos.

    3.1.1 A Bíblia é a Palavra de Deus.

    Deus não ditou no ouvido de cada escritor o que deveria escrever, mas  inspirou suas mentes a registrar o que era importante, tanto que cada  usou seu estilo próprio e linguajar da sua época.

    3.2. Diferença entre revelação e inspiração.

    Deus  deixa tanta revelação na Palavra e a maior de todas as revelações, Jesus o Filho de Deus.

    É estranho que as pessoas procurem revelações fora da Palavra de Deus.

    3.2.1 Alguns exemplos de revelação da Bíblia.

    Interessantes esses exemplos de revelação dentro da Palavra  de Deus.

    3.3 Aprovação da Bíblia.

    Cite esses exemplos de Cristo.

    Lembre-se de controlar o tempo da aula, não precisa ler todas  as referências.

    IV. A PERFEITA UNIDADE E HARMONIA DA BÍBLIA

    4.1. Os escritores.

    Lembre que esses homens escreveram cada com seu estilo próprio, os 66 livros da Bíblia e todos trataram do mesmo assunto  sem entrar em contradição um com o outro.

    4.2. Diferentes condições.

    Sem acréscimo.

    4.3. A Razão da humanidade.

    Sem acréscimo.

    4.4. O tema central da Bíblia.

    Interessante esse tópico, se houver tempo aborde a revelação  de Cristo em cada livro.

    CONCLUSÃO

    Amado(a) professor(a) após ler essa conclusão relembre alguns   pontos estudados, pelo menos os mais importantes.

    Tenha uma boa aula!

    Graça e Paz.

    (mais…)

  • Lição 4 – Barnabé e a liderança sinérgica

     

    Sinergia

    Sinergia ou sinergismo deriva do grego synergía, cooperação sýn, juntamente com érgon, trabalho. É definida como o efeito ativo e retroativo do trabalho ou esforço coordenado de vários subsistemas na realização de uma tarefa complexa ou função.

    Quando se tem a associação concomitante de vários dispositivos executores de determinadas funções que contribuem para uma ação coordenada, ou seja o somatório de esforços em prol do mesmo fim, tem-se sinergia. O efeito resultante da ação de vários agentes que atuam de forma coordenada para um objetivo comum pode ter um valor superior ao valor do conjunto desses agentes, se atuassem individualmente sem esse objetivo comum previamente estabelecido. O mesmo que dizer que “o todo supera a soma das partes”.

    É a ação combinada de dois ou mais medicamentos que produzem um efeito biológico, cujo resultado pode ser simplesmente a soma dos efeitos de cada composto ou um efeito total superior a essa soma.

    Sinergia, de forma geral, pode ser definida como uma combinação de dois elementos de forma que o resultado dessa combinação seja maior do que a soma dos resultados que esses elementos teriam separadamente.

    Eclesiastes 4:9-12
    Interlúdio: Algumas reflexões, máximas e verdades

    Companheirismo

    4: 9  Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.

    10  Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.

    11  Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?

    12  Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.

    Tendo examinado a pobreza do “solitário”, por maior que seja o seu sucesso exterior, agora vamos refletir sobre algo melhor; e melhor aqui será uma palavra-chave (4:9,13; 5:1,5), o que acontece com muita freqüência na avaliação de valores pelos escritores da Sabedoria.

    As idéias são simples e diretas; aplicam-se a muitas formas de companheirismo, inclusive (embora não explicitamente) ao casamento. Com uma brevidade graciosa elas descrevem o proveito, a elasticidade, o conforto[1] e a força que existem em uma verdadeira aliança; e por isso vale a pena aceitar suas exigências. Embora tais exigências não estejam explícitas aqui, dificilmente teríamos de expor os benefícios do companheirismo se este não envolvesse algum custo. Um preço óbvio é a independência da pessoa: uma vez comprometida, ela tem de consultar os interesses e a conveniência da outra, ouvir-lhe as idéias, ajustar-se ao seu modo de andar e estilo de vida, e cumprir com as promessas. Quanto às recompensas, são todas benefícios conjuntos: um parceiro nunca haverá de explorar o outro.

    O cordão de três dobras talvez seja um lembrete de que o verdadeiro companheirismo tem mais de uma forma. Embora os números, quando erradamente entendidos, possam ser divisivos e desastrosos (veja o versículo 11), na sua forma certa, além de acrescentarem algo aos benefícios da união, também se multiplicam. Um exemplo óbvio deste enriquecimento, e o predileto dos pregadores, é a força de um casamento, ou de qualquer aliança humana, quando Deus é o fio mestre que faz com eles o cordão triplo. Mas talvez o escritor estivesse pensando mais nesta metáfora em termos puramente humanos, de modo que, se aplicada ao casamento, o terceiro fio seria mais apropriadamente os filhos, com tudo o que eles acrescentam á qualidade e à força do laço original. Mesmo assim provavelmente estejamos sendo mais específicos do que ele pretendia que fôssemos.

    Barnabé, Um homem que formou sucessores e não seguidores

    Para que todos sejam um, como tu, ó Tai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 1721)

    Ao orar ao Pai pela unidade, Jesus fala de algo muito maior do que reuniões, conferências, congressos até mesmo cultos de adoração. Em primeiro lugar, Jesus não está orando pela unidade entre denominações, porque estas ainda não existiam em Sua época. Seu alvo é a igreja como um todo. Ele não fala de uma união artificial, mas espiritual, que vem do coração. Algo que somente o Espírito Santo pode realizar porque vem direto do coração de Deus.

    A Bíblia de estudos Pentecostal faz o seguinte comentário sobre a unidade pela qual Jesus orou: Diz que Ele não ora para que todos tornem “um” mas para que todos sejam “um“. Trata-se do subjuntivo presente e significa “continuamente ser um”. Essa união está baseada no relacionamento que todos eles têm com o Pai e o Filho, e na mesma atitude basilar que para com o mundo, a Palavra e a necessidade de alcançar os perdidos.

    Em segundo lugar precisamos observar por em Jesus está orando. Ele ora “por aqueles que pela Sua Palavra hão de crer“, o que inclui cada um de nós. A divisão traz contendas e desgraças, mas a unidade traz progresso. O reinado de Salomão é um grande exemplo para cada um de nós. En­quanto era o “Reino Unido” havia paz, prosperi­dade e progresso. Mas, com o pecado, o reino tornou-se “dividido” e logo em seguida: “reino dis­perso“.

    Em terceiro lugar, Jesus orou para que todos fossem perfeitos em unidade e que essa unida­de por si só, sem qualquer meio artificial, produ­zisse fé salvífica e desejo ardente naqueles que a observassem. “Para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.21). No bom sentido da palavra, o evangelho deveria ser como uma virose que se propaga pelo simples contato com as pessoas.

    Não podemos esquecer que o grande suces­so da Igreja Apostólica nasceu após a descida do Espírito Santo e não existe outro meio de haver unidade se Ele não for o Senhor da igreja e o Se­nhor na igreja. Ele é a fonte geradora que nos ins­pira, nos movimenta e nos capacita a desenvolver os propósitos eternos de Deus. É digno de nota observar que os discípulos só passaram a cumprir a Grande Comissão quando foram revestidos de poder no dia de pentecostes (Lc 24.49; At 1.8; 2. 1-35).

    Após a inauguração da igreja no dia pentecostes, cada discípulo de Jesus e cada membro que estava agregado, conhecia muito bem qual era a sua responsabilidade. Infelizmente, muitos célebres personagens de nossa época têm arreba­nhado um povo para si mesmo. Eles até os cha­mam de “meu público“. Alguns tornaram-se ver­dadeiros artistas de palco, esqueceram, ou talvez nunca realmente conheceram, o porquê de terem sido escolhidos por Deus.

    Quando Jesus estava sendo julgado por Pôncio Pilatos fez a seguinte afirmação: “Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo” (Jo 18.37). Ele co­nhecia o propósito de ter vindo ao mundo. Sabia muito bem qual era a sua missão. Não brincava de cristianismo, não usava seu poder para ficar famoso, não estava preocupado com o reconheci­mento humano, não buscava seus interesses, mas priorizava, mesmo com sofrimento, a vontade daquele que o enviou (Lc 22.42; Jo 4.34). Seria maravilhoso, se encarássemos a vida como Jesus o fez. Conheceríamos nossa missão, compreen­deríamos nossas limitações e trabalharíamos em conjunto como Ele trabalhou.

    Um engenheiro desenha um projeto, mas precisa de um mestre de obras para executá-lo. O mestre de obras vê o projeto, mas precisa contratar funcionários para que esse projeto se torne realidade. Ninguém constrói sozinho. Todos pre­cisam de alguém. Ninguém é extremamente bom em tudo. Todos precisam uns dos outros e cada um tem uma participação. Isso se chama unida­de. Embora todos sejam diferentes e trabalhem em diferentes funções, todos trabalham para um só propósito. Foi exatamente por isso que Jesus orou em João 17.

    VENCENDO O INDIVIDUALISMO

    Você sabe o que é Durepox? Parece até que estou fazendo comercial de algum produto, mas não é esta a minha intenção. Essa massa chamada Durepox é usada para unir partes de utensílios que estão quebrados e alguns até usam esse pro­duto para fazer emendas em tubulações de água. Durepox vem em uma caixa com dois pedaços de massa que ligados entre si tornam-se rígidos e capazes de unir peças quebradas.

    Uma parte é cinza e a outra é branca, que se­paradas nada representam. Mas juntas se tornam eficazes no que foram constituídas para fazer. O interessante é que, ao serem misturadas, as duas partes, se tornam de uma mesma cor e não se consegue mais separá-las. Esse é o grande misté­rio da unidade, juntar peças diferentes e torná-las poderosas para que possam consertar o que Satanás quebrou no universo.

    O individualismo faz com que tudo seja pas­sageiro. Ele causa no ser humano aquela sensação de superioridade, de sentir-se uma personalidade isolada e pensar que “sem ele nada se pode fazer“. Pessoas tomadas por esse sentimento logo des­cobrem dois grandes companheiros: “o fracasso e a solidão”. Elas não conseguem dividir o brilho, sentem-se ameaçadas quando estão ao lado de pessoas do mesmo potencial. Não compreendem que em grupo tudo fica mais fácil e o poder de produção é maior, e mais eficaz. Não conseguem entender que, em grupo, podem aprender e durar mais.

    Por que você acha que Pelé fez mil gols? Você acha que ele criou todas as jogadas sozi­nho? Você não é daqueles que esquecem que com ele estavam outros atletas extraordinários, não é? Você já pensou na hipótese de que se os outros jogadores não funcionassem, ele se tornaria tão inócuo quanto eles? Muito bem. Agora você sabe que ele tem muitos méritos, mas não todos os méritos. Sabe também que se os outros não de­sempenhassem bem as suas funções ele jamais seria o artilheiro que o mundo conhece. A isto chamamos conjunto, unidade.

    Pergunte aos grandes empresários de suces­so qual é a característica mais desejável em car­gos de liderança, e eles certamente afirmarão que é a capacidade de trabalhar com outras pessoas. Eles dirão que o que separa o sucesso do fracasso é a habilidade nos relacionamentos. Eles sabem que se uma pessoa não é capaz de alcançar su­cesso junto com outras, então nunca o alcançará. Quando Jesus falou de unidade, falou em relacio­namento, em convivência.

    É incrível como vemos pessoas que não se suportam, mas que pertencem a um mesmo mi­nistério, um mesmo coral, um mesmo departa­mento… Você já se imaginou chegando à eterni­dade e, ao cruzar o portão de entrada, ter que cumprimentar as pessoas que você menos supor­ta? Ainda bem que isso não acontecerá. Porque se aqui não existe convivência, Deus poupará algu­mas pessoas de tal constrangimento deixando-as por aqui mesmo. “Segui a paz com todos, e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

    PREPARANDO CAMINHOS

    Roberto Goizueta, era presidente e princi­pal executivo da Coca-Cola Company. A missão desse homem era fazer da Coca-Cola a melhor empresa do mundo, missão que ele buscava cum­prir com diligência quando morreu de forma re­pentina e inesperada em 1997. A respeito de sua morte, observou o presidente Jimmy Carter:

    Talvez nenhum outro líder empresarial dos tempos modernos tenha exemplificado tão belamente o sonho ame­ricano. Ele acreditava que, nos Estados Unidos, todas as coisas são possíveis. Ele viveu esse sonho. E em virtude de sua extraordinária capacidade de liderança, ajudou milha­res de outras pessoas a realizar também os seus sonhos“.

    Quando Goizueta assumiu a Coca-Cola em 1981, a empresa valia quatro bilhões de dólares. Sob sua liderança, esse valor subiu para 150 bi­lhões. Houve um impressionante e assustador aumento de 3.500% durante sua gestão e a Coca-Cola transformou-se na segunda empresa mais valiosa dos Estados Unidos, à frente de monta­doras de automóveis, de companhias petrolíferas, da Microsoft, do Wal-mart e de todas as outras.

    A única companhia que a superava era a General Eletric. A gestão de Goizueta fez com que muitos acionistas da Coca-Cola se tornassem milionários. A Universidade Emory, em Atlanta, cuja carteira de investimentos compreende grande quantidade de ações da Coca-Cola, hoje tem renda comparável à de Harvard. A virtude de Goizueta foi além do alto valor das ações da Coca-Cola. Ele era um homem de visão e sempre pensou no futuro da companhia.

    É comum algumas empresas enfrentarem o caos quando perdem seus presidentes, ainda mais quando eles morrem de forma repentina como Goizueta. Todavia, quando foi anunciada sua morte, não houve pânico entre os acionistas, pois Goizueta já havia passado seu legado para um homem que, durante sua gestão, havia se pre­parado para esse momento. Goizueta fortaleceu ao máximo possível a empresa. Logo em seguida preparou um sucessor para a presidência, um ho­mem chamado Douglas Invester.

    Goizueta vinha lapidando Invester para seguir as suas pegadas desde a indicação desse executivo da Geórgia, em 1994, para o segundo posto da empresa.Invester era um contador, um homem muito prático que iniciou sua careira na Coca-Cola em 1979, como auxiliar de contador. Quatro anos mais tarde, assumiu o cargo de dire­tor financeiro. Ficou famoso pela sua excepcional criatividade financeira, e foi um importante arrimo da capacidade de Goizueta, de revolucionar o estilo de investimento e de administração de dívi­das da empresa.

    Vendo que Invester possuía um potencial ainda não explorado, Goizueta o tirou de sua fun­ção e o enviou à Europa para que adquirisse experiência internacional e em operações. Um ano mais tarde, Goizueta o trouxe de volta e o fez presidente da Coca-Cola dos EUA, cargo em que supervisionava os gastos e o marketing da empre­sa. Goizueta continuou a lapidar Invester, e em 1994 já não havia dúvidas de que ele seria seu sucessor no cargo mais alto da Coca-Cola. Ele o fez presidente e diretor de operações da empresa.

    O que Roberto Goizueta fez foi bastante incomum. Poucos executivos de empresas hoje desenvolvem líderes fortes e os preparam para assumir as organizações. John S. Wood, consultor da Egon Zehnder Inc., observou que “as empre­sas não têm investido muito pesadamente nos últimos anos em aperfeiçoar as pessoas. Mas quem não consegue aperfeiçoar o seu pessoal tem de procurar bons profis­sionais no mercado”. Então por que Roberto Goi­zuetaera diferente? Ele foi treinado por alguém e passou adiante a mesma coisa que aprendeu.

    Ele nasceu em Cuba e estudou em Yale, onde se formou em engenharia química. Quando voltou para Havana em 1954, candidatou-se a um emprego, anunciado em jornal, de químico bilíngue. A empresa contratante era a Coca-Cola. Em 1966, ele já era vice-presidente de pesquisa téc­nica e desenvolvimento na sede da empresa em Atlanta. Foi o homem mais jovem a assumir esse cargo na empresa.

    Mas, no início dos anos 70, algo ainda mais importante aconteceu. Robert W Woodruff, o patriarca da Coca-Cola, apadrinhou Goizueta e começou a treiná-lo. Em 1975, ele se tornou vi­ce-presidente executivo da divisão técnica da em­presa e assumiu outras responsabilidades, como a supervisão das questões legais. E em 1980, com as bênçãos de Woodruff, tornou-se presidente e diretor de operações.

    Um ano mais tarde já era presidente e prin­cipal executivo. E por que Goizueta foi seleciona­do, moldado e lapidado com tanta confiança para ser o homem forte na Coca-Cola nos anos 90? Porque ele se aperfeiçoou com base no legado que recebeu nos anos 70. Assim como no esporte o técnico precisa de uma equipe de bons jogado­res para vencer, as organizações precisam de uma equipe de bons líderes para alcançar sucesso.

    Goizueta disse certa vez: “Liderança é uma das coisas que você não pode delegar. Ou você a exerce, ou abdica dela”. Penso que há uma terceira opção: você pode passá-la ao sucessor. Mas, por que estamos falando de Roberto Goizueta? É simples. Esse homem fez em uma empresa o que nós fomos chamados para fazer no Reino de Deus e não fazemos.

    Você se lembra qual foi o estilo de liderança de Jesus? Lembra quais foram suas últimas ins­truções na Grande Comissão? Jesus hoje não está presente em corpo físico, não está assentado em um trono aqui na terra, mas seu legado continua. Antes de subir aos céus, Ele formou onze ho­mens capazes de dar continuidade a tudo o que fazia nesta Terra.

    Ao escolher o décimo segundo apóstolo, este não fez outra coisa a não ser humanizá-lo. Ele mesmo disse: “sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Co 11.1). Jesus se foi, mas todos aqueles que ensinou conheciam per­feitamente suas responsabilidades. Isto era auto­mático em suas vidas. Você já se perguntou onde estão os sucessores dos grandes pastores e prega­dores de nossa geração?

    Já imaginou que se por um momento eles se forem deste mundo não deixarão nada para sua posteridade a não ser uma pilha de DVDs de congressos, livros escritos e talvez um saldo na conta bancária? Seria esse o ensino de Jesus sobre como fazer discípulos? (Mt 28.18-20). Goizueta tinha visão porque a recebera de alguém. Ele foi observado por alguém que investiu em seu talen­to e esse alguém pensou no bem estar da empre­sa. Você não acha que deveríamos fazer o mesmo já que pensamos no bem estar e no crescimento da igreja?

    Procure ler um pouco a respeito da His­tória das Assembleias de Deus no Brasil e você verá que Daniel Berg e seu companheiro Gunnar Vingrer possuíam uma indescritível unidade. En­quanto um trabalhava, o outro estudava. O que trabalhava pagava os estudos do outro. Quando o que trabalhava chegava emcasa seu companhei­ro lhe ensinava tudo o que aprendera na escola. São histórias como estas que nos fazem ficar im­pressionados, tornam-se sensíveis à voz de Deus e nos fazem meditar em que tipo de vida ou quali­dade de evangelho estamos disseminando por aí.

    O PODER DA SINERGIA

    E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; Tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia” (At 11.25).

    Sinergia é o efeito resultante da ação de vá­rios agentes que atuam da mesma forma, cujo va­lor é superior ao valor do conjunto desses agentes se atuasse individualmente. Uma ilustração famo­sa acerca da sinergia foi feita com dois cavalos. O primeiro conseguia puxar quatro mil e quinhen­tos quilos em um trenó. O segundo conseguia puxar seis mil e trezentos quilos.

    O que você acha que os dois conseguiriam puxar arreados juntos e puxando na mesma dire­ção? A maioria das pessoas talvez estimasse cerca de dez mil e oitocentos quilos, mas a resposta é vinte mil duzentos e cinquenta quilos! Assim, ob­servamos que o princípio ensinado por Moisés em Deuteronômio Dt 32.30 não é mirabolante, mas real. “Como poderia um só perseguir mil, e dois fazerem fugir dez mil, se a sua Rocha lhos não vendera, e o Senhor lhos não entregara?”.

    Não encontramos explicitamente o peso sentido por Barnabé em Antioquia. Mas, o fato de ele ter ido pessoalmente buscar a Saulo nos faz presumir que ele reconheceu o peso de uma grande responsabilidade. Está claro que Barnabé foi em busca de Saulo porque desejava unir forças para que o Reino de Deus pudesse avançar, e, de fato, havia muitas vantagens na associação entre ambos. Embora Barnabé reunisse qualidades im­pressionantes, tinha plena certeza de que sozinho não conseguiria alcançar tanto sucesso.

    A grandeza do trabalho e as nossas limi­tações pessoais devem nos conduzir a uma condição de humildade. Ninguém é completo sozinho, menos ainda quando se trata de lide­rança. Somos cheios de limitações pessoais e nem sempre nos damos conta disso. Felizes são aqueles que podem conhecer seus próprios li­mites e são capazes de abrir o espaço para que alguém mais capacitado faça aquilo que não so­mos capazes de fazer sozinhos. Visto que nin­guém é completo, devemos assumir a realidade de que precisamos uns dos outros.

    Por isso, devemos ser cooperativos se qui­sermos ter a cooperação dos outros na conquista dos objetivos comuns. Isso se chama sinergia. Por exemplo, Barnabé era um homem espontâneo e cooperador dos apóstolos tendo ampla entrada e saída entre eles. Agora era a sua vez de liderar e supervisionar a comunidade cristã de Antioquia. Para isso, ele precisaria de um ou mais elementos capazes, que o ajudassem nesse mister (At 11.25).

    Barnabé e Saulo tinham uma perfeita har­monia. Poderíamos até nos perguntar se a ami­zade entre Barnabé e Saulo foi o fator preponde­rante na escolha de Barnabé. Na verdade não foi. Mas, a aliança que formaram em prol da obra e as qualidades que uniram, tornaram Saulo um asso­ciado importante o suficiente para agregar valor ao trabalho de Barnabé, à liderança eclesiástica e à própria igreja em Antioquia.

    Quando Barnabé e Saulo retornaram juntos e se puseram a trabalhar, houve uma conciliação perfeita, tanto de afinidade quanto de qualificação e resultados. Barnabé era o líder geral citado em primeiro lugar na listagem de profetas e doutores de Atos 13.1 Paulo aparece como o último da lista. Esse é outro requisito que jamais deve ser despre­zado. Ao fazermos a obra do Senhor ou outra ati­vidade de liderança, precisamos de afinidade com os que trabalham conosco, para que somemos es­forços que produzam resultados concretos, não importando quem seja o primeiro ou o último no sistema hierárquico de nossas organizações.

    Mesmo com todo o fogo que havia em An­tioquia, Barnabé visualizava algo mais sólido para a vida dos crentes de lá. Saulo certamente se tornou conhecedor dos fatos e uniu forças com Bar­nabé, para juntos proporcionarem àquela igreja o alicerce necessário para um crescimento maduro e frutífero.

    Essa liderança associada deu tão certo, que mesmo havendo outros doutores, o trabalho con­tinuou tomando vulto naquela grande metrópole a ponto de, pela primeira vez, os discípulos serem chamados de cristãos. Note a importância do en­sino, e a sua prática em qualquer tempo pela igre­ja. Eles não se autodenominaram cristãos, mas assim foram chamados pelos de fora da igreja.

    Gosto muito da passagem de 2 Reis 4.9 quando a mulher de Suném fala com seu mari­do a respeito de Eliseu. Ela diz: “tenho observado, que este homem que passa sempre por nós é um santo homem de Deus“. Entenda! Ninguém testemunhou a respeito de Eliseu para ela, ele tampouco lhe disse algo. Observe que Eliseu é reconhecido por ela sob dois aspectos diferentes. Primeiro, ela vê que Eliseu é um homem de Deus. Ela conseguiu perceber nele a presença de Deus enquanto ele passava; segundo, ela reconheceu sua qualidade espiritual: “santo“.

    Amados, muitas vezes pensamos que ser lí­der ou pastor de uma igreja é juntar muitas pes­soas dentro de quatro paredes, e a isso chamamos de sucesso ministerial. Mas, a grande pergunta que gostaria de fazer é: “quando essas pessoas estão fora das quatro paredes o que representam para a so­ciedade? Que impacto elas produzem fora do aprisco?”. Sabe, dentro da igreja todos são leões, mas fora dela as coisas estão de mal a pior, não somente no Brasil, mas em muitas nações por onde tenho passado.

    As vezes observo pessoas trabalhando, es­forçando-se muito nas igrejas, como se fosse um mero ritual de vida, no qual acabam se desgas­tando, se cansando, e vivendo sem alegria. Seria isso o cristianismo? Será que, como líderes, não estamos tolhendo pessoas melhores que nós na missão de fazer a igreja avançar? Será que não precisamos de novas ideias, de mais ajuda, de ca­beças pensantes? Muitas vezes, para afirmar que somos crentes temos que fazer camisetas com dizeres, logomarcas de igrejas, nomes de grupos, uniformes para corais. Tudo isso é valido, mas ser reconhecidos como cristãos sem a necessidade de palavras, rótulos ou camisetas, sem que nada se fale sobre religião, é saber demostrar o quanto há de Cristo em nós.

    Você acha que os crentes de Antioquia pos­suíam alguma camiseta com o slogan da igre­ja? Não. Mas como foram identificados? Como cristãos. A palavra significa: “pequenos Cristos ou semelhantes a Cristo”. Desculpe a colocação que vou fazer agora, mas ser semelhante a Cris­to é o estágio final do trabalhar de Deus em nós ao longo de toda uma vida. Mas, de forma sur­preendente, os crentes de Antioquia foram vis­tos como semelhantes a Cristo em apenas dois anos de vida e ensino cristão.

    Como será que estão nos vendo quando pas­samos? Será que as pessoas identificam a nossa qualidade espiritual como a mulher de Suném? Amados, não há outra explicação para o que aconteceu em Antioquia senão a qualidade dos líderes que lá haviam. Eles impregnaram aquele povo, não com religiosidade, ou com “não use isso”, “não toque naquilo”, “não faça isso”, “não entre ali”. Eles apresentaram Jesus Cristo, eles fizeram o povo se unir a Ele, eles passaram a visão.

    A SINERGIA MULTIPLICA AS VANTAGENS

    O esforço associado de duas pessoas sempre gera uma maior produção. Pensamos em termos de soma, mas o que acontece é uma multiplica­ção de forças. Isso parece fantasia, entretanto, é realidade ensinada não só em Eclesiastes, mas em vários outros pontos das Escrituras (Lv 26.8; Dt 32.30; Js 23.10). Quando Barnabé assumiu a su­pervisão da igreja em Antioquia ela cresceu. Mas a unidade de forças entre Saulo e ele produziu tanta qualidade, que ela cresceu ainda mais e se popularizou a ponto dos crentes receberem o tí­tulo de “semelhantes a Cristo”.

    A figura de Barnabé não saiu por acaso da pena do sábio escritor Lucas. Ele foi notável ao buscar fazer as coisas para Deus com um cora­ção inteiro e agregar junto a si pessoas capazes de trabalhar por um mesmo propósito. Barnabé não somente levou Antioquia a um padrão elevado ao lado de Saulo. Ele foi também o principal degrau da vida deste grande apóstolo do Senhor. Afinal, quem seria Saulo sem o amigo Barnabé?

    Barnabé cooperou sobremodo na formação de Saulo e na liderança local de Antioquia. Quando ambos precisaram deixar Antioquia, segundo a or­dem do Espírito Santo, para outro campo de ação missionária, eles não deixaram apenas saudades, mas uma igreja que pôde continuar crescendo sem a presença deles, e ficou servindo-lhes de ponto de partida e base posterior.

    Por que isso aconteceu? Porque eles não fi­caram apenas criando programações com nomes pomposos como nós fazemos, não ficaram enxertando os cultos com campanhas sem funda­mento, eles instruíram o povo, formaram líderes, fortaleceram ministérios, deram oportunidades às pessoas. É um caos quando um líder deixa a sua igreja, equipe ou departamento estes sofrem queda ou deixam de existir, por não terem um sucessor.

    Paulo e Barnabé eram dois homens comple­tamente diferentes que se uniram em um mesmo propósito. É engano nosso acreditar que as pessoas que trabalham ao nosso lado devem pensar como pensamos. Paulo era extremamente zeloso, Barnabé totalmente flexível; Paulo era inteligente, sábio eficaz, Barnabé era gracioso, compassivo e acima de tudo possuía uma visão futurista.

    Existe uma diferença entre lealdade e fideli­dade. A lealdade é horizontal (lado a lado) e, mes­mo não concordando com alguns princípios, não significa que não possamos andar juntos e traba­lhar por um mesmo fim. Já a fidelidade é vertical (de cima para baixo), ela é prestada a alguém que está acima de nós. Assim, por serem fiéis ao mes­mo Deus, eles conviveram em lealdade mesmo sendo diferentes. Disse o rabino Harold Kushner: “O propósito da vida não é ganhar. O propósito da vida é compartilhar“.

    UM GRANDE LÍDER SEMPRE ESTÁ DISPOSTO A ARRISCAR-SE

    As vezes, ajudar uma pessoa pode ser um negócio arriscado, porém, isso não deve nos im­pedir de estender a mão a alguém. Ao contar uma história passada nos jogos olímpicos de 1936, em Berlim, Ken Sutterfield ilustra o impacto que se pode causar ao correr esse tipo de risco. Antes das olimpíadas, o corredor americano Jesse Owens estabeleceu três recordes mundiais em um dia, incluindo um salto de 8,13 metros na prova de salto a distância, recorde que não seria quebrado por 25 anos.

    Porém, Owens sofreu uma grande pressão durante os jogos. Hitler e seus camaradas nazis­tas queriam usar a competição para consagrar a superioridade ariana, e Owens, negro, podia sen­tir a hostilidade que o cercava. Durante os saltos classificatórios para as finais, ele ficou inquieto ao ver um alemão alto, louro e de olhos azuis dando saltos de reconhecimento na casa dos 7,9 metros.

    Em sua primeira tentativa, Owens passou vá­rios centímetros da tábua de salto. Também quei­mou na segunda vez. Tinha mais uma chance. Se falhasse, seria eliminado. O alemão alto se apro­ximou de Owens. Seu nome era Luz Long. Sob os olhos dos nazistas, Long incentivou Owens e lhe deu um conselho: como a distância classificatória era de apenas 7,15 metros, ele sugeriu que o concorrente pulasse vários centímetros antes da tábua para não queimar o salto.

    Owens se classificou no terceiro salto. Nas finais, ele estabeleceu um recorde olímpico e ga­nhou quatro medalhas de ouro. E quem foi o primeiro a lhe dar os parabéns? Luz Long! Owens nunca se esqueceu da ajuda de Long, embora ja­mais o tenha encontrado novamente. “Poderia derreter todas as medalhas e taças que ganhei’ ele escreveu, “mas elas não bastariam para revestir a amizade de 24 quilates que sinto por Luz Long”.

    Sempre que olharmos para trás, para tudo o que realizamos na vida, encontraremos mais sa­tisfação nas alegrias que trouxemos à vida de outras pessoas do que nas ocasiões em que às supe­ramos. As pessoas sempre irão apreciar e admirar alguém que é capaz de ajudá-las a alcançar outro nível, alguém que se lhes faça sentirem importan­tes e capacite-lhes para alcançar êxito. O rendi­mento das pessoas é o reflexo das expectativas daqueles a quem respeitam.

    Precisamos aprender uma coisa. Crer no ser humano como uma criatura tratável, capaz de mudar e responder positivamente ao bom senso, ainda que nem sempre, é assumir grandes riscos. Investir de diferentes maneiras sob o risco de sofrer decepções, é algo que só será tentado por alguém capaz de pensar grande e que não tem medo de perder.

    Barnabé pensava grande. Pelos olhos da fé assumiu grandes riscos, assim como o seu Mestre de Nazaré também o fez. Somente alguém com a visão do Reino, e não de si mesmo, poderia ir a Tarso para unir-se com alguém muito superior como Saulo, pô-lo a seu lado e ajudá-lo a cres­cer (At 11.25). Barnabé se tornou um homem inesquecível porque fez o que Deus mandou, do modo que precisava ser feito. Todavia, com uma abrangência de alcance universal. Isso só foi pos­sível porque procurou fazer tudo com excelência para Deus e não para si próprio.

     

    Bibliografia

    Wikipédia

    A Mensagem de Eclesiastes – Derek Kidner

    Barnabé , O filho da Consolação – Pr Abner Ferreira

     

     

    (mais…)

  • Lição 3 – Barnabé, um líder no campo missionário

    A CIDADE DE ANTIOQUIA

    A cidade de Antioquia da Síria foi fundada por volta de 300 a.C. Tornou-se um rico centro comercial e cultural, pois nela a influência grega estava presente. A população era composta por sírios, gregos e judeus. Os judeus exerciam uma boa influência na cidade, propagando a fé judaica e fazendo prosélitos para a religião judaica. Nesta cidade foi fundada uma igreja cristã composta por judeus e gentios, que veio a ser o ponto de partida para a expansão missionária no império romano. Antioquia foi considerada a 3ª metrópole do império romano, vindo depois de

    Roma (Itália) e Alexandria (Egito). A Igreja em Antioquia demonstrou uma sensibilidade para com a missão da Igreja. Enviou auxílio para Jerusalém quando a fome assolou esta cidade – Atos 11.27-30 e enviou seus principais obreiros para o trabalho missionário – Atos 13.1.

    A FUNDAÇÃO DA IGREJA EM ANTIOQUIA

    A Fundação da igreja deu-se através dos dispersos por causa da perseguição e morte de Estevão em Jerusalém (Atos 7.54 a 8.2). Eles foram até a Fenícia, Ilha de Chipre e Antioquia, evangelizando especialmente os judeus.

    Alguns convertidos em Fenícia e Chipre se dirigiram para Antioquia e lá anunciaram o evangelho em grego. Estes missionários gregos de Chipre e Fenícia eram comerciantes e artesãos que viajavam muito pelo mundo da época. Nesta ocasião foram até Antioquia, que era um importante centro comercial, para vender

    seus produtos e, enquanto faziam isto, anunciavam as maravilhas que haviam presenciado em Jerusalém. A mão do Senhor era com eles (Atos 11.21) de tal maneira que muitos se converteram ao Senhor.

    Vamos dividir o texto da seguinte forma:

    1. Evangelismo e Proclamação – 11.19-24

    2. Edificação através do Ensino – 11.25-26

    3. Serviço e Solidariedade – 11.27-30

    4. Envio Missionário – 13.1-3

    CARACTERÍSTICAS DESTA IGREJA MISSIONÁRIA

    1. Evangelismo e Proclamação – Os versículos 19 a 24 contam sobre o crescimento que a Igreja experimentou numa grande metrópole da época. Agora já não eram os missionários vindos de fora, mas a igreja já possuía esta

    característica de evangelização. O crescimento, especialmente entre os gregos, foi tal que os apóstolos em Jerusalém enviaram um emissário para ver o que estava acontecendo em Antioquia e assim criar um vínculo com a igreja de Jerusalém. Barnabé, enviado pelos apóstolos, ficou entusiasmado pela maneira

    como os cristãos viviam naquela cidade e reconheceu que era obra da Graça e do Amor de Deus. O impacto que causavam era tão grande que os discípulos passaram a ser chamados de “cristãos”. A Igreja de Antioquia tinha esta marca distinta de uma Igreja Missionária que é a PROCLAMAÇÃO. Proclamavam as Boas Novas de Jesus Cristo. Os comerciantes que foram a Antioquia, saídos da Fenícia e Chipre, nos fazem perceber que a rota a ser usada posteriormente pela Igreja de Antioquia para a evangelização em outros lugares, era a rota comercial e militar, o que facilitava o tráfego de pessoas e mercadorias. Esta rota comercial fazia ligação com as principais cidades da Ásia Menor, entre elas Éfeso; cidades da Macedônia, tais como Filipos, Tessalônica; além de outros grandes centros como Corinto,Roma, etc.

    2. Edificação através do Ensino – Na segunda parte (11.25-26)

    percebemos que Barnabé decidiu permanecer em Antioquia e ajudar na consolidação e organização daquela comunidade cristã. A Proclamação em Antioquia atraiu Barnabé e ele desejou permanecer na cidade. Para realizar seu intento de pastorear aquele rebanho, foi procurar aquele que anos antes havia apresentado aos apóstolos: o perseguidor convertido, Paulo. Paulo era um homem de uma boa formação e teria condições de ensinar aos judeus e aos gregos convertidos. O v. 26 afirma que Paulo e Barnabé dedicaram muito tempo a instruir a igreja. Depois de um ano o trabalho estava consolidado e, pelo que parece, havia respeito na convivência entre judeus e não-judeus. Esta marca também caracterizava a Igreja de Antioquia como uma Igreja Missionária, ou seja, o ENSINO, a instrução, o doutrinamento, tão necessário para a Edificação da Comunidade Cristã.

    A palavra mestre ou ensino vem de um termo grego que quer dizer “professor”, “mestre” ou “aquele/a que transmite um conhecimento”. Em I Coríntios 12:28, mestre aparece como o terceiro dom espiritual de um grupo de três. Era o ofício na Igreja Primitiva de explicar aos outros a fé cristã e providenciar uma exposição clara e compreensível do Antigo Testamento.

    3. Serviço e Solidariedade – A terceira parte (11.27-30) mostra a sensibilidade da Igreja para com os problemas dos cristãos de outros lugares. Sabendo que a Judéia passava por um período de fome, decidiram enviar donativos para os irmãos de Jerusalém. Estes donativos não eram esmolas, e sim sinal de solidariedade e serviço entre os irmãos. Provavelmente o exemplo de solidariedade e liberalidade no contribuir foi dada por Barnabé. Ele já havia feito isto quando estava em Jerusalém (Atos 4.36), quando o mundo da época enfrentava um período de fome, sobretudo a cidade de Jerusalém sofria muito. Havia falta de emprego e carência de muitos alimentos. Todos sofreram, inclusive os cristãos de Jerusalém. Neste ambiente surgiu Barnabé, que vendeu uma propriedade e colocou aos pés dos apóstolos para aliviar a dor dos mais necessitados. Este seu exemplo influenciou a Igreja de Antioquia, que já era sensível às necessidades do povo.

    4. Envio Missionário – A grande ênfase da Igreja de Antioquia era sua preocupação com a evangelização. Desde o início esta característica está de forma clara na vida dos cristãos daquela cidade. O apelo missionário falava mais alto, a ponto de abrirem mão daqueles que por 1 ano ensinaram uma multidão: Paulo e Barnabé. O capítulo 13 de Atos conta esta história. O Texto de Atos 13.1-3 conta que a Igreja de Antioquia era presidida por profetas e doutores: os profetas tinham a função de exortar e fortalecer os membros da igreja e os doutores tinham a responsabilidade de ensinar. Tudo indica que os cinco líderes da Igreja fossem pessoas cultas e bem formadas e que colocaram a disposição de Deus seus dons e talentos. Dois destes líderes serão enviados em missão, prioritariamente para evangelizar judeus dispersos por várias cidades. Após o Concílio de Jerusalém (cap. 15), os grupos de missionários enviados pela Igreja de Antioquia vão também em busca dos gentios.

    Como vimos anteriormente, a rota usada por Paulo e seus companheiros são as rotas comerciais e militares, bem como os navios que carregavam mercadorias e passageiros de um porto ao outro. Nestas viagens entrava-se em contato com muita gente: entre elas podemos mencionar as seguintes: funcionários do governo romano, comerciantes e artesãos, peregrinos, turistas, carteiros, prisioneiros de guerras, escravos fugitivos, atletas, mestres, estudantes, filósofos, etc. Esta gente toda ia para os grandes centros, muitos levando a mensagem que ouviram de

    Paulo e seus companheiros durante as viagens. Como as rotas comerciais passavam, obrigatoriamente, pelos grandes centros e cidades portuárias, para estas Paulo se dirigiu, evangelizando e estabelecendo comunidades. Um

    estudioso do Novo Testamento calculou a distância que era possível de ser percorrida por dia e chegou aos seguintes números: Um navio antigo comum podia fazer 160 km por dia; a cavalo percorria-se cerca de 35 a 40 km por dia e a pé de 25 a 30 km. Provavelmente Antioquia tenha sido o berço do Evangelho de Mateus, segundo alguns especialistas. O Evangelho de Mateus pode ser considerado um manual de missões, especialmente o capítulo 10, intitulado “sermão missionário”. O Evangelho de Mateus é escrito num período de ruptura dentro da sinagoga judaica, o que provocou a saída dos judeus cristãos das sinagogas. A tendência inicial da Igreja de Mateus (Antioquia?) foi a de fechar-se, como uma sinagoga, mas logo o apelo missionário fez com que esta Igreja abrisse suas portas para a saída de missionários e a recepção de novos membros. Podemos concluir dizendo que o projeto da igreja cristã de Antioquia estava relacionado com a sua experiência, ou seja, uma comunidade aberta para receberos novos convertidos, seja qual for a nacionalidade; aberta também para enviarseus líderes em busca de outros povos, gente que precisava conhecer as BoasNovas.

    NOSSA IGREJA HOJE

    O estudo da Igreja de Antioquia nos apresenta alguns aspectos da Missão da Igreja que são fundamentais para os dias que estamos vivendo. Estamos sob o impacto do final do século e início de um novo milênio. Muitas coisas estão acontecendo e numa velocidade impressionante. Isto cria um desequilíbrio e ansiedade na sociedade. Neste contexto a Igreja é chamada a ser missionária.

    • Dentre estes aspectos há que se destacar o ENSINO. O movimento neoliberal da sociedade tem influenciado as Igrejas, que acabam assimilando o sistema de massificação. Com sistema de massificação queremos dizer que não há preocupação com a pessoa, com sua identidade, sua família, sua história e seus sonhos. Mas enfatizando o ensino e o discipulado, a Igreja tende a desenvolver um relacionamento mais “humano” e afetivo entre seus membros.

    • Há que se valorizar nos dias de hoje a PREGAÇÃO. Tanto pastores e pastoras, como os membros da Igreja, precisam priorizar os “púlpitos”. Queremos dizer com isto, que o ponto central do culto é a pregação e não os cânticos, os testemunhos ou outros elementos da liturgia. A pregação é a parte principal porque nela anuncia-se a Palavra de Deus. Os pastores e as pastoras devem ter zelo pela pregação e dedicar o tempo necessário para preparar o seu sermão. Osmembros da Igreja devem dar a atenção devida e ouvir a “voz de Deus”.

    • Somos desafiados a agir solidariamente para com as pessoas que sofrem. As pessoas estão machucadas e cansadas, pois os problemas que afligem a sociedade brasileira são muitos. No ato de pastorear, os cristãos oferecem consolo, orientação, calor humano e cuidado pastoral.

    • Finalmente, as igrejas locais são chamadas para sair de dentro das quatro paredes e cumprir com sua vocação missionária. Muitos lares podem abrir se para receber outras famílias para o evangelismo, ensino e pastoreio. Muitos bairros podem ser contemplados no programa de visitação e evangelismo da Igreja.

    Mais ajudas em:

    http://www.ebdareiabranca.com/2011/4trimestre/licao03.htm

    http://portadesiao.blogspot.com/

     

     

     

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