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  • O segredo de uma vida transformada

    Eu desejava ser feliz. Queria ser a pessoa mais feliz do mundo. Eu também desejava ter significado na vida. Estava procurando respostas para perguntas como:

    “Quem sou eu?”

    “Por que estou aqui no mundo?”

    “Pra onde eu vou?”

    Mais do que isso, eu também desejava ser livre. Queria ser a pessoa mais livre do mundo. Liberdade pra mim não era simplesmente fazer aquilo que quero fazer — qualquer um pode fazer isso. Para mim, liberdade significava ter o poder de fazer aquilo que você sabe que deve fazer. A maioria das pessoas sabe o que deve fazer, mas não tem o poder para fazer. Então eu comecei a buscar respostas.

    Onde se pode encontrar mudanças positivas?

    Parecia que quase todo mundo estava envolvido em algum tipo de religião, então fiz o que era óbvio e fui para a igreja. Eu devo ter escolhido a igreja errada, no entanto, porque só fez me sentir pior. Eu ia à igreja de manhã, à tarde e à noite, mas não adiantava. Sou uma pessoa muito prática, e quando algo não funciona, eu deixo de lado. Então, desisti de religião.

    Comecei a imaginar que prestígio era a resposta. Ser um líder, aceitar alguma causa, me dedicar a ela e ser popular devem resolver, pensei. Na universidade que estudava, os líderes estudantis tinham o controle e tiravam vantagem disso. Então me candidatei a representante da turma dos calouros e fui eleito. Era incrível ser conhecido por todos, tomar decisões e gastar o dinheiro da universidade para trazer os palestrantes que eu queria. Era incrível, mas se esgotou como todas as outras coisas que tentei. Eu acordava segunda-feira de manhã (geralmente com uma grande dor de cabeça por causa da noite anterior) e minha atitude era: “Bem, aí vêm mais cinco dias”. De segunda à sexta eu sobrevivia. A felicidade girava em torno de três noites por semana – sexta, sábado e domingo. Então o ciclo vicioso começava de novo.

    Buscando mudança de vida, mudança positiva

    Suspeito que poucas pessoas nas universidades e faculdades deste país eram mais sinceras sobre tentar encontrar significado, verdade, e propósito na vida do que eu.

    Durante aquele tempo eu notei um pequeno grupo de pessoas — oito estudantes e dois membros da faculdade. Havia alguma coisa diferente na vida deles. Eles pareciam saber porque acreditavam no que acreditavam. Também pareciam saber que rumo estavam seguindo na vida.

    As pessoas que comecei a observar não só falavam sobre amor — elas se envolviam. Pareciam estar vivendo além das circunstâncias da vida universitária. Enquanto todo mundo parecia sufocado, percebia um estado de contentamento e paz neles que não era movido pelas circunstâncias. Parecia que possuíam algum tipo de fonte interior e constante de alegria. Eles tinham uma felicidade repugnante. Tinham algo que eu não tinha.

    Como a maioria dos estudantes, quando alguém tinha alguma coisa que eu não tinha, eu queria. Então, resolvi fazer amizade com estas pessoas intrigantes. Duas semanas depois que tomei essa decisão estávamos todos sentados em volta da mesa na reunião dos estudantes — seis estudantes e dois membros da faculdade. E a conversa começou a girar em torno do assunto Deus.

    Questionando sobre mudança de vida, mudança positiva

    Eles estavam me incomodando, quando finalmente me virei para um dos estudantes, uma moça muito bonita (costumava pensar que todos os cristãos eram feios), e me reclinei na minha cadeira (não queria que os outros pensassem que estava interessado nela) e disse “me conte, o que transformou a vida de vocês? Por que vocês são tão diferentes dos outros no campus?”

    Aquela jovem devia ter muita convicção. Ela me olhou diretamente nos olhos e disse duas palavras que eu nunca pensei ouvir como parte de uma solução na universidade: “Jesus Cristo”.

    Eu disse: “Oh, pelo amor de Deus, não me venha com bobagens. Já estou cheio de religião. Já estou cheio de igreja. Já estou cheio da Bíblia. Não me venha com essas bobagens sobre religião”.

    Ela respondeu: “Ei, eu não disse religião, eu disse Jesus Cristo”. Ela me mostrou algo que eu nunca tinha parado pra pensar antes: o Cristianismo não é uma religião. Religião é quando seres humanos tentam, por seus próprios esforços, chegar até Deus através de boas obras; Cristianismo é Deus tomando a iniciativa de vir até homens e mulheres através de Jesus Cristo para lhes oferecer um relacionamento com Ele.

    Provavelmente, existem mais pessoas nas universidades com conceitos errados sobre o Cristianismo do que em qualquer outro lugar. Algum tempo atrás conheci um professor assistente que ressaltou, num seminário da graduação, que “qualquer um que entra numa igreja se torna um cristão”. Eu respondi: “entrar numa garagem transforma você num carro?” Falaram pra mim que cristão é alguém que genuinamente acredita em Cristo.

    Como eu levava o Cristianismo em consideração, meus novos amigos me desafiaram a examinar a vida de Jesus intelectualmente. Descobri que Buda, Maomé e Confúcio nunca declararam ser Deus, mas Jesus sim. Meus amigos me disseram para observar as evidências da divindade de Jesus. Eles estavam convencidos que Jesus era Deus na forma humana; que morreu numa cruz pelos pecados da humanidade; que foi sepultado; ressuscitou três dias depois e que era capaz de transformar a vida de uma pessoa hoje.

    Eu achava que isso era uma farsa. De fato, pensava que a maioria dos cristãos eram completos idiotas. Tinha conhecido alguns assim. Eu costumava esperar um cristão se levantar para falar na sala de aula para que eu pudesse discordar dele e depois detonava com ele, e tomava a frente do professor. Eu imaginava que se um cristão tivesse um neurônio, este morreria de solidão. Era tudo o que eu sabia.

    Mas essas pessoas me desafiavam continuamente. Finalmente, aceitei o desafio. Deixei meu orgulho de lado e aceitei para refutá-los, pensando que não existiam fatos. Eu presumi que não havia nenhuma evidência que alguém pudesse avaliar.

    Depois de muitos meses de estudo, minha mente chegou à conclusão que Jesus Cristo devia ser quem ele declarou ser. Isso se tornou para mim um grande problema. Minha mente me dizia que tudo isso era verdade, mas a minha vontade própria me puxava para a direção oposta.

    Descobri que se tornar cristão era, na verdade, quebrantamento de ego. Jesus Cristo fez um desafio direto a minha vontade própria para confiar Nele. Deixe-me parafraseá-lo: “Olhe! Eu tenho estado à porta e estou continuamente batendo. Se alguém me ouvir chamar e abrir a porta, eu entrarei” (Apocalipse 3:20). Eu não me importava se Cristo realmente andou sobre as águas ou se transformou a água em vinho, eu não queria nenhum estraga-prazeres por perto. Não conseguia pensar numa maneira mais rápida de arruinar um bom momento. Então aqui minha mente estava me dizendo que o cristianismo era verdadeiro e a minha vontade era de sair correndo.

    Mais ciente de que odeio a minha vida

    Em qualquer momento que estivesse perto daqueles entusiasmados cristãos, o conflito começava. Se você já esteve perto de pessoas felizes quando você se acha miserável, você pode entender como isso pode te incomodar. Eles estavam tão felizes e eu tão miserável que literalmente levantava e saía correndo das suas reuniões. Chegou ao ponto em que eu ia pra cama às dez horas da noite, e não dormia até as quatro da manhã. Eu sabia que tinha de tirar aquilo da minha cabeça antes que enlouquecesse!

    Finalmente minha mente e meu coração se conectaram no dia 19 de dezembro de 1959, às 20:30. Durante meu segundo ano na universidade, eu me tornei um cristão.

    Naquela noite eu orei quatro coisas para estabelecer um relacionamento com Jesus Cristo que desde então transformou a minha vida. Primeiro eu disse: “Senhor Jesus, obrigado por morrer na cruz por mim.” Segundo: “Eu confesso aquelas coisas na minha vida que não agradam a você e peço que me perdoe e me limpe”. Terceiro: “Neste momento, da melhor maneira que eu sei fazer, eu abro a porta da minha vida e confio em você como meu Salvador e Senhor. Toma o controle da minha vida. Me mude de dentro pra fora. Me faz o tipo de pessoa que você me criou pra ser”. A última coisa que orei foi: “Obrigado por entrar na minha vida pela fé”. Não era uma fé baseada na ignorância mas nas evidências históricas e na Palavra de Deus.

    Tenho certeza que você já ouviu várias pessoas religiosas falando sobre suas experiências sobrenaturais. Bem, depois que orei, nada aconteceu. Realmente nada. E eu ainda não criei asas. Na verdade, depois que tomei esta decisão, me senti pior. Eu literalmente senti que ia vomitar. Ah, não, pensei, no que foi que você se meteu agora? Eu realmente achei que tinha enlouquecido (e tenho certeza que algumas pessoas pensaram assim!).

    Deus e mudança de vida, mudança positiva

    Mas de uns seis meses a um ano e meio depois, eu descobri que não tinha enlouquecido. Minha vida foi mudada. Eu estava uma vez num debate com o chefe de departamento de história na Universidade Midwestern, e eu disse que a minha vida tinha sido transformada. Ele me interrompeu com “McDowell, você está querendo me dizer que Deus realmente transformou a sua vida em pleno século 20? Em que áreas?” Depois de 45 minutos ele disse: “Ok, é o bastante.” Deixe-me contar um pouco do que contei a ele e àquela audiência naquele dia.

    Uma área que Deus mudou em mim foi a inquietação. Tinha que estar sempre ocupado. Eu andava pelo campus e a minha mente era como um redemoinho girando em torno de conflitos. Eu sentava e tentava estudar, mas não podia. Poucos meses depois que me decidi por Cristo, um tipo de paz mental me invadiu. Não me entenda errado. Não estou falando sobre ausência de conflitos. O que encontrei neste relacionamento com Jesus não foi ausência de conflitos, mas a habilidade de lidar com eles. Eu não trocaria isto por nada no mundo.

    Outra área que começou a mudar foi o meu péssimo temperamento. Eu costumava estourar bastava alguém me olhar torto. Ainda tenho as cicatrizes de quando quase matei um rapaz no meu primeiro ano na universidade. Meu temperamento fazia tanta parte de mim que eu nem tentava mudá-lo. Cheguei ao ponto crítico de perder o controle do meu temperamento somente para ver se tinha realmente perdido o controle! Depois, explodi somente uma vez em 14 anos (e quando explodi desta vez, me arrependi por cerca de seis anos!)

    Mudança positiva quanto a sentimentos de ódio

    Existe outra área da qual não me orgulho. Mas eu menciono porque muitas pessoas também precisam da mesma mudança em suas vidas, e eu encontrei o motivo da transformação: um relacionamento com Jesus Cristo. Esta área era o ódio. Eu tinha muito ódio na minha vida. Não era algo manifestado exteriormente, mas era um tipo de ranger no meu interior. Eu me irritava com as pessoas, com as coisas, com os assuntos.

    Mas eu odiava um homem mais do que qualquer coisa no mundo: meu pai. Eu tinha um ódio tremendo dele. Para mim ele era o alcoólatra da cidade. Todo mundo sabia que meu pai era um bêbado. Meus amigos faziam piadas sobre meu pai cambaleando pelo centro da cidade. Eles não achavam que aquilo me incomodava. Eu era como as outras pessoas – dando risadas pelo lado de fora. Mas na verdade, eu chorava por dentro. Algumas vezes, ia até o celeiro e encontrava minha mãe tão espancada que mal podia se levantar, deitada em cima do estrume atrás das vacas. Quando tinha amigos em casa, eu levava meu pai pro lado de fora, o amarrava no celeiro e estacionava o carro perto do armazém. Contávamos aos nossos amigos que ele precisou sair. Não acho que alguém possa ter odiado alguém mais do que eu odiei meu pai.

    Depois que me decidi por Cristo, Ele entrou na minha vida e Seu amor foi tão forte que tirou o ódio e transformou em amor. Fui capaz de olhar para o meu pai com sinceridade nos olhos e dizer “pai, eu te amo.” E eu realmente sentia isso. Depois de algumas coisas que fiz, isso o balançou.

    Quando me transferi para uma universidade privada sofri um grave acidente de carro. Com meu pescoço tracionado, fui levado pra casa. Nunca vou esquecer do meu pai entrando no meu quarto. Ele me perguntou: “Filho, como você pode amar um pai como eu?” Eu disse: “Pai, há seis meses atrás eu te desprezava”. Então compartilhei com meu pai as conclusões que tinha chegado a respeito de Cristo: “Pai, eu deixei que Jesus entrasse na minha vida. Não posso explicar completamente, mas como resultado deste relacionamento eu encontrei capacidade de amar e aceitar não só a você mas também outras pessoas da maneira que elas são”.

    Quarenta e cinco minutos depois uma das maiores emoções da minha vida aconteceu. Alguém da minha própria família, alguém que me conhecia tão bem que eu não poderia enganar, me disse: “Filho, se Deus pode fazer na minha vida o que eu vi Ele fazer na sua, então eu quero dar a Ele a oportunidade”. Bem ali, meu pai orou comigo e confiou em Cristo para o perdão de seus pecados.

    Geralmente, a transformação acontece depois de alguns dias, semanas, meses ou até mesmo um ano. A vida do meu pai foi transformada bem diante dos meus olhos. Foi como se alguém tivesse se esticado e ligado o interruptor da luz. Eu nunca tinha visto uma mudança tão rápida antes ou desde então. Meu pai tocou num uísque somente uma vez depois daquele dia. Ele somente levou aos seus lábios mas não bebeu. Cheguei a uma conclusão: um relacionamento com Jesus Cristo transforma vidas.

    A mudança de vida, mudança positiva

    Você pode rir do Cristianismo. Pode zombar e ridicularizar. Mas funciona. Transforma vidas. Se você confiar em Cristo, procure observar as suas atitudes e ações porque Jesus Cristo está no ramo de transformação de vidas.

    Mas o Cristianismo não é algo que se pode enfiar garganta abaixo de alguém. Tudo o que eu posso fazer é contar o que aprendi. Depois, a decisão é sua.

    Talvez a oração que fiz possa ajudar você: “Senhor Jesus, eu preciso de você. Obrigado por morrer na cruz por mim. Me perdoe e me limpe. Neste momento eu confio em você como Salvador e Senhor. Me transforma no tipo de pessoa que você me criou pra ser. No nome de Cristo, Amém.”

    Josh McDowell é palestrante e autor internacionalmente conhecido, e representante itinerário da Cruzada estudantil e profissional para Cristo. Ele escreveu mais de 50 livros, incluindo os clássicos, Mais que um CarpinteiroEvidências que Exigem um Veredito.

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  • CPEC (Curso de Preparação de Educadores Cristãos).

    Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. 2ª Timóteo 2.15

    Acontecerá nos dias 23, 24 e 25, na Assembleia de Deus na Ilha do Governador (ADIG), o CPEC (Curso de Preparação de Educadores Cristãos).

    A Escola Dominical carece de professores bem treinados para desenvolver com excelência o seu papel.

    Os professores utilizarão o manual com as disciplinas do curso publicado pela Central Gospel.

    As aulas serão desenvolvidas pelo método expositivo e com o uso de multimídias.

    Disciplinas

    • Teologia Sistemática
    • Didática
    • Aconselhamento Cristão
    • Escola Dominical
    • Agendamento


    Se você deseja o curso do CPEC em sua igreja, devem entrar em contato com o Setor Educacional da Central Gospel para uma programação de datas.

    Para maiores informações, entre em contato conosco:

    Pr. Gilmar V. Chaves (21) 2448-1221
    Email – gr1.editorial@editoracentralgospel.com

    Pr. Sóstenes Cavalcante (21) 2448-1101
    Email – sostenes@ministeriosilasmalafaia.com.br

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  • Um Apelo Urgente a Oração

    Mais uma vez, o país onde Esther, Daniel, Neemias e Esdras viveram, e onde partos, medos e elamitas receberam o Evangelho em Atos 2, é o mais alto apelo de oração em nossos corações.Orem pelos iranianos para que Cristo possa manter viva essa nação, apesar do preço colossal que os convertidos ao Evangelho têm que pagar: são constantemente vigiados, discriminados, e mortos.

     

    Orem pelos cristãos no Irã, para que sejam protegidos em seus corpos, mentes e espíritos, e para que essas práticas horríveis de perseguição, sejam levadas a um fim. Lembre-se de orar por aqueles que estão envolvidos com programas de evangelismo no Irã, muitos estão enfrentando uma guerra espiritual enorme.

     

    Orem pelo presidente Barack Obama, ministros e líderes que estão envolvidos com as questões politicas no Irã. A guerra secreta contra a missão nuclear iraniana continua implacável. Além do vírus cibernético Stuxnet que visou seu programa nuclear em 2010, outro físico nuclear iraniano foi assassinado em 11 de Janeiro desse ano.

    Crença em Madhi

     

    O governo iraniano e todos os que são nomeados para seu gabinete,  estão completamente comprometidos com o retorno do Madhi. Madhi é o redentor profetizado para governar por sete, oito ou dezenove anos (de acordo com as várias interpretações), antes do dia do julgamento final, literalmente para eles, o dia da ressurreição. O Madhi é quem vai livrar o mundo da injustiça e tirania. No islamismo xiita, a crença no Madhi é uma idéia religiosa central. Eles acreditam que esse Madhi será um governante, um homem comum.

     

    Para os muçulmanos, tanto xiitas como sunitas:

     

    ” o mundo não chegará ao fim até que os árabes sejam governados por um homem descendente de Maomé. Madhi aparecerá e Deus vai conceder-lhes chuva, a terra produzirá os seus frutos e os montes jorrarão dinheiro. O gado aumentará e Madhi se tornará grande. Ele encherá a terra de justiça”.

     

    Não é de se surpreender que o atual lider iraniano Ahmadinejad seja exaltado a ponto de tornar-se um outro Hitler. Ele está cotado para ser o Madhi. Essa crença, contudo não chega a ser citada nas relações internacionais. Ninguém faz qualquer referência ao Madhi, porque não é interesse nacional fazê-lo.

     

    Oremos para que Deus use um dos Hadits islâmicos para dizer a nação que o Único que vai retornar à terra em poder e glória é Jesus. Não há Madhi, exceto Jesus.

     

    Apesar de tudo, o povo iraniano é desesperadamente faminto pela realidade espiritual. Deus está fazendo algo maravilhoso no mundo de língua persa, por favor, mantenham suas orações!

     

    O Senhor pode muito bem está levando você a orar por temas completamente diferentes, o importante é ouvir o que Deus está colocando em seu coração. Deixe que temas diferentes venham à sua mente, não lhe custara senão mais que alguns minutos em oração que darão frutos eternos! Como diz um velho provérbio japonês: “você nunca vai ver o sol nascer, se você continuar olhando para o Ocidente”.O Senhor ouve e presta atenção nas intenções dos corações. Que Ele o abençoe e inspire nessa aventura.

     

    Ministério 222: ” Queremos ver o Irã transformado em um país que ostenta a imagem de Cristo”.

     

    O pastor cristão Yousef Nadarkhani recebeu sentença de morte no Irã, por não negar sua fé em Jesus. A execução por enforcamento,  repercutiu em todo o mundo mobilizando orgãos governamentais e eclesiásticos. Advogados de Yousef se pronunciaram a agência de notícias Fox News, informando que o governo iraniano voltou atrás na sentença, depois de receber pressão internacional: “a ordem de execução havia sido anunciada, ele seria condenado por estupro e outros crimes, não por apostasia. O governo atenuou sua retórica em resposta a protestos internacionais. A ordem de execução, contudo permanece.”

     

    Há rumores de que Nadarkhani esteja sendo usado em amplas negociações politicas, visto que o Irã sofre pressão internacional em resposta a sua agenda nuclear. O número de execuções aumentou consideravelmente no último mês.

     

    Jordan Sekulow, diretor executivo do Centro Americano para lei e Justiça, grupo em defesa dos direitos humanos, se pronunciou sobre o caso Yousef: ” seres humanos tornam-se moeda de troca para aiatola. Quando é um caso de alto perfil, testam a reação da comunidade internacional para gerar mudanças geopolitica” Persecution International Christian
    Oremos enquanto é tempo. Como disse o ministério 222, no apelo inicial do artigo: “não lhe custara senão mais que alguns minutos em oração que darão frutos eternos!”

    Deus nos abençoe.

    Por: Wilma Rejane.

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  • D. Robinson Cavalcanti e esposa são assassinados

    E com grande pesar que noticiamos que o pastor da Igreja Anglicana, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal Rual de Pernambuco (UFRPE), Edward Robison Cavalcanti, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, também de 64 anos foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda.

    De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. O rapaz morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Brasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos.
    Segundo o reverendo Hermany Soares, amigo da família, quando Eduardo chegou ao Brasil, ele foi buscá-lo no aeroporto e ainda no desembarque teria perguntado onde compraria uma arma.
    Ontem pela manhã, o rapaz saiu de casa, foi beber na praia e voltou à tarde. À noite ele foi visto amolando uma faca na frente do portão de  casa. Por volta das 22 horas da noite, Eduardo começou a discutir com o pai, pegou a faca e começou a golpear o idoso. A mãe foi defender o marido e também foi esfaqueada.
    O bispo Robison morreu no quarto. Já a mãe ainda foi levada para o Hospital Tricentenário, em Olinda, com uma facada no peito esquerdo, mas já chegou morta. Após o crime, Eduardo tentou cometer suicídio ingerindo uma substância não identificada e aplicando vários golpes de faca no próprio peito. Ele foi levado para o Hospital da Restauração (HR) em uma viatura da Polícia Militar. Eduardo estava passando por um processo de deportação.
    Segundo informações de parentes, o bispo Robinson foi o coordenador regional da primeira campanha do ex-presidente Lula para presidente da República, que o teria visitado em casa depois de eleito. O bispo também foi candidato a deputado federal e proferiu palestras na ONU.

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  • Projeto propõe legalizar 'cura gay'

    Um projeto de decreto legislativo de deputados quer sustar dois artigos instituídos em 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia que proíbem os psicólogos de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno. Segundo o projeto do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

    O conselho de psicologia questiona se o projeto pode interferir na sua autonomia. Para o presidente do órgão, Humberto Verona, estão lá normas éticas para combater “uma intolerância histórica”.

    Deve-se curar a “síndrome de patinho feio”, e não “a homossexualidade em si”, diz Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

    O pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), relator do projeto, disse que os pais que estejam preocupados com a homossexualidade de seus filhos têm o direito de encaminhá-los a um psicólogo na expectativa de que haja um redirecionamento sexual. Mas ele reconhece que se trata de uma questão polêmica.

    A Câmara dos Deputados realizará audiências públicas para discutir o assunto.

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  • Lição 9 – Central Gospel – Josué Um Homem de Coragem

    Texto bíblico: Josué 1 1,2.6-9

    Texto áureo

    Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda.

    Êxodo 33.11

    Biografia

    Antes de ser chamado de Josué, que significa “Jeová é Salvação” seu nome era Oséias cujo significado era “salvação”. Moisés foi quem mudou o seu nome, o que já evidenciava o que Deus faria através dele para todo o povo de Israel.

    Porque a mudança de nome?

    Quase sempre somos levados a seguir a direção do mais capaz, aquele que possui habilidades, talento para uma determinada função ou até mesmo experiência secular a qual pode ajudar a desempenhar melhor a função. Ai então chegamos a conclusão que o Oséias caiu do céu, foi enviado por Deus, realmente é a “salvação” para aquele ministério. E realmente o nome Oséias significa no hebraico “SALVAÇÃO”.

    Mas Deus pode mudar o nome de qualquer um, ou até mesmo pode mudar o nome de Oséias para JOSUÉ para que ele saiba que “JEOVÁ É A SALVAÇÃO”,

    Era filho de Num da tribo de Efraim, descendente de José – Gn 41.50-52; 1 Cr 7.27

    Sabemos que José os descendentes de José deram origem a duas tribos Manassés e Efraim.

    De certa maneira, Jacó adotou os filhos de José. Cada um dos dois netos de Jacó se tornaria uma tribo em Israel, assim como os outros filhos de Jacó. Através deles José recebeu a porção dobrada da herança que normalmente era destinada ao filho mais velho. Rúben perdeu o direito por causa do seu pecado [I Crônicas 5:1]. Ele e Simeão foram mencionados em virtude do grande desgosto que causaram a Jacó.

    As palavras do versículo 6 foram proferidas para eliminar qualquer futuro mal entendido. Se José viesse a ter outros filhos, eles não se tornariam tribos separadas, mais teriam parte da tribo de Manassés e Efraim. José teria uma porção dobrada, mas nada além disso.

    Considere a fé que Jacó manifesta aqui nas promessas de Deus. Ele começou a dividir a terra muito antes que Israel a possuísse. A fé verdadeiramente é a vitória [I João 5:4; Hebreus 11:13]. Considere também o valor que a fé colocou nas promessas de Deus. José era um príncipe no Egito, mas a sua verdadeira herança era uma porção dobrada na terra de Canaã.

    Destacou-se com um dos mais fiéis companheiros de Moisés (Ex. 24.13; 32.17)

    Provou o seu chamado em Ex. 17 9-16

    Sua primeira experiência de guerra foi contra os amalequitas Êxodo 17: 8-16 onde Josué pelejou contra Amaleque no vale de Refidim e prevaleceu contra ele, Josué desbaratou Amaleque e a seu povo ao fio da espada. Isso aconteceu com a ajuda sobrenatural de Deus, os amalequitas eram fortes guerreiros, descendentes de Esaú e foi assim que Josué obteve sua primeira vitória.

    Essa experiência ajudou Josué a se preparar para maiores desafios em sua vida. Josué em seu chamado recebeu duas importantes promessas. Primeira: Josué 1: 5 “Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como foi com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei.”, o Senhor lhe promete que estaria sempre com ele, tal como foi com Moisés. Segunda: Josué 1: 3-4 “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés. Desde o deserto e o Líbano até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus e até ao mar Grande para o poente do sol será o vosso termo.”

    Josué caminhava para suas conquistas, sempre lembrando das promessas que recebeu do Senhor. Cada vitória de Josué foi conquistada passo a passo, Josué só tinha que andar para que mais terras fossem conquistadas.

    Escolhido por Deus para ser o sucessor de Moisés (Dt. 31.14,23) sendo revestido para tal missão (Js. 1.1).

    Principais qualidades de Josué

    1. Um líder chamado (Dt 31.7,14,23).

    Josué surgiu de repente no confronto que Israel enfrentou no deserto de Refidim. Sua primeira aparição sob a tutela de quando Moisés escolheu homens capazes para o espiar a Terra. (Êx 17.8). Seus pais eram cativos e ele nasceu na escravidão no Egito. Nasceu cativo portanto. Mas DEUS o libertou e o fez um colaborador de Moisés. Sempre se revelou valente capitão. Quase foi apedrejado, se não é a intervenção da nuvem da glória, porque insistiu com os filhos de Israel que avançassem através do deserto para Canaã quarenta anos (Nm 14.6­10). Originalmente, o nome de Josué era Oséias que significa “salvação” (Nm 13.16; Dt 32.44). Josué significa “a salvação de DEUS”. Parece que teve seu nome mudado quando se mostrou fiel à DEUS ao lado de Calebe (Nm 14.30). Ele é chamado “servo de Jeová” aquele por meio de quem DEUS transmitiu suas ordens e mediante quem Ele realiza seus propósitos – o primeiro ministro de DEUS. Esteve com Moisés no monte (Ex 24.13). Parece ter jejuado quarenta dias e quarenta noites a exemplo de Moisés (cf. Ex 24.13-18; 32.15-19).

    2. Sua vida e seu trabalho.

    Josué, além do episódio que marcou sua coragem na guerra com Amaleque, esteve envolvido em outras missões importantes. Era tido como sendo um “dos escolhidos” de Moisés (Nm 11.28). Foi um dos doze espias enviados por Moisés a espiar a terra de Canaã (Nm I 3.8- I 6). Parece que ele tinha 85 anos quando recebeu a liderança de Moisés. Julga-se que levou uns 6 anos na subjugação da terra; o resto de sua vida passou estabelecendo e governando as doze tribos.

    Seu governo sobre Israel, ao todo durou uns 25 anos. Morreu aos 110 anos e foi sepultado em Timnate­Sera que está no monte de Efraim (Js 24.29.30). Foi guerreiro notável; disciplinou suas tropas; enviou espias; como sempre, o encontramos orando e confiando em DEUS.

    3. Josué era um líder capaz (Êx 17.9-13).

    Em nossos dias conforme sabemos já existem até cursos intensivos de liderança espiritual. Não sou contra estes cursos. Entretanto um verdadeiro líder de nível  tão abençoado como o de Josué, tecnicamente falando, tem que ser levantado por DEUS como o apóstolo Paulo que foi um verdadeiro líder e declarou:

    “Não que sejamos capazes por nós de pensar alguma coisa como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de DEUS, o qual nos fez também capazes de ser ministro dum novo testamento. não da letra, mas do espírito …” (2 Co 3.5,6). É comum em nossos dias ver-se pessoas exercendo certas funções sem a devida capacidade. Estas pessoas são dignas, mas não são capazes. Uma coisa é ser digna, a outra é ser capaz. O sábio conselho de Jetro, sogro de Moisés foi: “Tu dentre o povo procura homens capazes …” (Ex 18.21-25). Este padrão não mudou e não deve mudar. (Gn 41.38,39; I Sm 16.16-19; Dn 1.3,4; At 6.3).

    JOSUÉ ERA UM LÍDER CHEIO DE SABEDORIA

    1. A sabedoria divina o capacitou (Dt 34.9).

    No texto em foco, nesta seção, diz que: “Josué. filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria, quanto Moisés tinha posto sobre ele suas mãos” Josué, portador agora desta sabedoria do alto, tomou-se um líder com função dupla: Cuidava do povo e ao mesmo tempo fazia as guerras do Senhor. Era, portanto, necessário ser, de fato, um capitão inteligente e acima de tudo temente a DEUS. As Escrituras falam com exclusividade sobre certos homens que foram capacitados por DEUS com “o dom da sabedoria” . Por exemplo: José (Gn 41); Moisés e Arão (Êx 4.12,-15); Bezaleel e Aoliabe (Êx 31.2,3,6); Davi (SI 45.1); Salomão (l Rs 3.12,28; 4.29­34); Eliú (Jó 32.27); Isaías (Is 50.4); Jeremias (Jr 1.9). E muitos outros, tanto no Antigo como do Novo Testamento.

    2. A sabedoria é excelente para dirigir (Ec 10.10).

    Um líder cheio de sabedoria entende todos os fatos e circunstâncias, leis e princípios, todas as tendências, influências e possibilidades. Ele possui tudo que é preciso no sentido de matéria prima (celestial, humana e natural), poder e perícia (l Rs 3.12; Ec 8.5). Tomando-se assim um homem capacitado para: governar (Gn 41.33-39), criar (invenção) (Ex 30.1-6), comandar (Dt 34.9), julgar (2 Rs 3.16-28), entender coisas difíceis (2 Sm 14.20), edificar a Igreja (1 Co 14.12,etc). De fato, a Bíblia afirma que “a sabedoria é coisa principal” (Pv 4.7a)Josué foi um líder possuidor desta graça divina, porque o temor do Senhor estava com ele (Js 2o.5; SI 111.10).

    Não é debalde que o primeiro dom relacionado na lista dos dons espirituais em 1 Co 12 é a “palavra da sabedoria” (v.8), não se referindo apenas à sabedoria humana, mas à sabedoria do DEUS que vê o futuro.

    3. Josué, um líder vitorioso (v.8).

    Josué prosperava em tudo o que fazia. (SH) Era sempre vitorioso, ele sabia que sua vitória não vinha dele mesmo, mas sim de DEUS. O apóstolo Paulo e outros escritores do Novo Testamento, afirmam que vivemos num mundo espiritual em que se movimentam milhões de seres hostis tanto a DEUS como a seus servos. Então Paulo conclama as forças de DEUS a se posicionarem para tal batalha. (Ef 6.12,13). Josué e o povo dependiam de DEUS que lhes assegurava a vitória. Dependemos de CRISTO.

    “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Efésios 6:12)”.

    JOSUÉ, UM LÍDER FORTE E CORAJOSO

    1. Forte e Corajoso:

    Muitos têm se precipitado naquilo que falam e realizam, esse tem sido o caminho do fracasso para muitas pessoas. Entretanto, ser forte e corajoso tem sido uma virtude para muitos servos de DEUS. A ordem divina neste campo é sempre esta: “Diga o fraco: Eu sou forte!” (Jl 3.10). O crente somente deve dizer que é fraco na presença de DEUS” (S16), mas na presença do Diabo, porém, deve se apresentar como um guerreiro forte (FI 4.13). Na seleção de DEUS para o grande duelo entre os israelitas e as forças confederadas dos midianitas e amalequitas, a ordem divina foi: “Quem for covarde e medroso, volte. Que surpresa! “Voltaram do povo vinte e dois mil” (Jz 7.3). No combate da fé precisamos do auxílio de DEUS. Os tímidos ficarão fora do céu (Ap 21.8). Acreditamos que os tais sejam os apóstatas que, por covardia, viraram as costas à “batalha da fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd v.3b),são aqueles que em tempo de tribulação, abandonaram a CRISTO e Seu testemunho, a fim de salvarem sua própria pele.

    Para fazer a obra de DEUS é preciso esforçar-se e ter bom ânimo, também é necessário ser forte e corajoso.

    Por seis vezes Josué ouviu este conselho e exortação de DEUS:

    “Esforça-te e tem bom ânimo. Sê forte e corajoso”

    Deuteronômio 31:7 E chamou Moisés a Josué, e lhe disse aos olhos de todo o Israel: Esforça-te e anima-te; porque com este povo entrarás na terra que o SENHOR jurou a teus pais lhes dar; e tu os farás herdá-la.

    Deuteronômio 31:23 E ordenou a Josué, filho de Num, e disse: Esforça-te e anima-te; porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que lhes jurei; e eu serei contigo.

    Josué 1:6 Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria.

    Josué 1:7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

    Josué 1:9 Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ánimo; não temas, nem te espantes; porque o SENHOR teu DEUS é contigo, por onde quer que andares.

    Josué 1:18 Todo o homem, que for rebelde às tuas ordens, e não ouvir as tuas palavras em tudo quanto lhe mandares, morrerá. Tão-somente esforça-te, e tem bom ánimo.

    2. Josué era um líder laborioso (v.6,9).

    No Salmo 89.19 há uma promessa de DEUS para aquele que trabalha: “Socorri um que é esforçado, exaltei a um eleito do povo”. A inatividade na vida espiritual especialmente tratando-se de um líder é condenada por DEUS e repugnada pelo povo em geral. No livro de Provérbios fala-se do preguiçoso cerca de 17 vezes, por isso é evidente que o ESPÍRITO SANTO prepara pessoas dispostas para a obra, tanto jovens como pessoas mais Idosas. O preguiçoso é reprovado já primeiro estágio por covardia (Pv 21.25; 26.13), por negligenciar as oportunidades (Pv 12.27), os deveres (Pv20.4),por desperdício (P’v 18.9), por indolência (Pv 6.6,7), por fazer-se sábio a seus próprios olhos. (Pv 26.16). O apóstolo Paulo era rigoroso com isto, ele diz: “

    Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também”. (1Ts 3:10).

    Muitas pessoas não chegam a prosperar na vida, porque se esquecem deste método tão eficaz. As oportunidades seguem uma seqüência: “quem se adianta passa e quem se atrasa fica” .

    4. Nossa vitória depende de CRISTO.

    Nossa vitória, a exemplo do povo eleito depende de CRISTO, não se prende à luta física, pois necessariamente, se assim fosse, seria então fracasso e não vitória. Somente em CRISTO e por CRISTO é que nossa vitória estará assegurada. CRISTO nos faz triunfar, porque Ele é vitorioso em tudo quanto é e faz. Sempre há uma promessa de vitória a dizer: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho … ” (Ap 12.11).

    SUBSÍDIOS PARA O PROFESSOR – SUBSÍDIO CRONOLÓGICO

    Como já dissemos na lição anterior, a tomada de Jericó ocorreu por volta de 1422 a.C. Conforme opinam alguns eruditos, os filisteus ainda não haviam chegado a Canaã, pois, entre os inimigos de Israel, eles não são mencionados.

    Para se entender o livro de Josué é necessário, antes de mais nada, ter­se uma clara visão do Pentateuco. Doutra forma, seríamos induzidos a considerar desnecessárias as implacáveis campanhas militares desencadeadas pelo grande general contra os habitantes de Canaã. Em outras palavras, há que se situar historicamente a tomada da Palestina por Israel para se compreender a ânsia dos peregrinos hebreus por uma terra que mana leite e mel.
    O livro vai da morte de Moisés à morte de Josué. Como sucessor do grande homem de DEUS, o general ficou com a árdua missão de liderar Israel na travessia do Rio Jordão e na tomada de Canaã. A maior parte do relato é dedicada a conquista de Canaã e a divisão da terra entre as tribos de Israel.
    Para que Josué fosse bem sucedido em seu ministério, havia uma condição. Com a palavra, o pastor Antonio Neves Mesquita: “Havia uma lei para ser observada: a lei do servo Moisés, a pedra de toque. Em torno dos postulados de Moisés giraria toda a iniciativa da conquista e até mesmo a história posterior. “A lei de meu servo Moisés” era para o tempo e para a eternidade. Os que tanto têm lutado para destruir essa lei e suas conquistas não pensaram a sério no significado da lei dada por DEUS. Josué aceitou o desafio proposto e se preparou para a partida. O caminho não seria tão longo, mas deslocar uma multidão de milhões, com crianças e animais. era um problema que precisava ser ordenado com antecipação. Por isso enviou pregões a todos os cantos do arraial, mandando o povo se preparar. Conclamou os rubenitas, gaditas e a meia tribo de Manassés a que os acompanhassem, e de bom grado o fizeram. Ressaltamos aqui o espírito de honra demonstrado por essas duas e meia tribos. Já instaladas em boas terras, as terras do amoritas, de Seom e Ogue, com suas casas, seus filhos, tudo bem preparado, se aprestaram para unir sua sorte à dos seus irmãos, do outro lado do rio. Essa era a ordem deixada por Moisés, e não poderia ser de outro modo; pois estariam lutando por vencer os inimigos e não seria justo que os outros permanecessem tranqüilos em suas casas e fazendas. É a prova da solidariedade bem exemplificada. A resposta a Josué, dada pelas tribos é é exemplar e merece destaque. “Tudo quanto nos ordenaste faremos, e onde quer que nos enviares iremos. Como em tudo ouvi os a Moisés, assim te ouviremos a Ti … ”

    SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO

    Escrevendo a Timóteo, alertou o apóstolo Paulo que estes últimos dias seriam difíceis e trabalhosos. E, de fato, assim tem sido! Por isso, necessitamos de obreiros verdadeiramente vocacionados, pois, doutra forma, a Igreja de DEUS não suportará as lutas destes derradeiros tempos. Precisamos de homens como Josué. Escreve José Deneval Mendes: “Josué é fruto de discipulado. Ele esteve ao lado de Moisés desde o inicio da jornada no deserto. A primeira missão que lhe coube foi selecionar homens para guerrear contra Amaleque (Ex 17.9). Em seguida, ele aparece como servidor de Moisés (Êx 24.13; 32.17; 33; 11; Nm 11.28). Esteve presente em todos os momentos críticos da jornada pelo deserto. Com isso, no serviço e na obediência prática, ele se transformou em um grande líder: “E Josué, filho de Num, estava cheio de espírito de sabedoria, porquanto Moisés tinha posto sobre ele as suas mãos; assim os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés” (Dt 34.9).
    “Continua o mesmo autor: “Grandes homens de DEUS aprenderam o discipulado com seus lideres espirituais. Durante anos, tiveram a oportunidade de demonstrar obediência, fidelidade e submissão. Quando foram chamados a ocupar a liderança, estavam preparados, e DEUS Ihes falou, e confirmou a chamada para sua obra. O grande empecilho hoje é que muitos não querem esperar, obedecer, e submeter-se. Por isso são rejeitados.”

    NO FUTURO DE JOSUÉ, COMO VEMOS NA BÍBLIA:

    Como sucessor de Moisés, Josué cruza o rio Jordão e dá combate aos cananeus, que então habitavam a terra prometida. Vencidos os cananeus, os israelitas se estabelecem na Palestina. Tem de travar luta contra os povos vizinhos permanentemente. Devido as lutas pelas conquistas de Canaã ou Terra Prometida, surgiu necessidade do poder e do comando estarem nas mãos de chefes militares. Estes chefes passaram a ser conhecidos como Juízes. Período dos Juízes, Com a concentração do poder em suas mãos, os juízes procuraram a união das doze tribos, pois ela possibilitaria a realização do objetivo comum: O domínio da Palestina.
    As principais lideranças deste período foram os juízes: Sansão, Otoniel, Gideão e Samuel, todos eram considerados enviados de Jeová, para comandar os Hebreus.
    A união das doze tribos era difícil de ser conseguida e mantida, pois os juízes tinham um poder temporário e mesmo com a unidade cultural, (língua, costumes, e, principalmente religião), havia muita divisão política entre as tribos. Assim foi preciso estabelecer uma unidade política. Isto foi conseguido através da centralização do poder nas mãos de um monarca (Rei), o qual teria sido escolhido por Jeová para governar, segundo o desejo do povo, mas o desejo de DEUS era governar atravéz de um profeta como Samuel que em tudo ouvia a DEUS e O obedecia.

    APLICAÇÃO PESSOAL


    DEUS chama os homens e os capacita para serem líderes de seu povo na terra. Ele não os escolhe pelos seus atributos físicos, mas espirituais e morais. O Senhor não convoca os soberbos, porém estende as mãos aos humildes. Ele não arregimenta o ancião por sua experiência, nem o jovem por sua força, mas o servo por sua obediência. O Eterno não precisa de um guerreiro para vencer um gigante, mas de um pastor que o adore. Ele faz com que uma anciã estéril se torne mãe de reis e príncipes. Tudo o que ‘Elõhim pede ao homem ou mulher a quem torna líder é: “Esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei, dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares” (Js 1.7).

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    (mais…)

  • Lição 9 – Editora Betel – Jacó sobe a Betel e edifica um altar a Deus

    Texto Áureo

    “E edificou ali um altar, e cha­mou aquele lugar El-Betel; porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado, quando fugia da face de seu irmão”. Gn 35.7

    Verdade Aplicada

    Não haverá nenhuma virtude em nosso despertamento se ele não nos levar a obedecer a Deus.

    Objetivos da Lição

    ?      Ensinar o poder da Palavra de Deus;

    ?      Mostrar que Deus sempre alcança seu objetivo; e

    ?      Acrescentar o desejo da busca do avivamento.

    Textos de Referência

    Gn 35.1 Depois, disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugiste diante da face de Esaú, teu irmão.

    Gn 35.2 Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.

    Gn 35.3 E levantemo-nos e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respon­deu no dia da minha angústia e que foi comigo no caminho que tenho andado.

    Gn 35.4 Então, deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos e as ar­recadas que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.

    Gn 35.5 E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Jacó.

     

    Jacó Volta a Betel (35.1-15)

    Jacó tinha permanecido por alguns anos em Siquém como vimos na lição anterior, talvez por causa de vantagens econômicas. Mas parece que foi preciso outra profunda experiên­cia (mística) espiritual, para fazê-lo voltar à sua terra, Hebrom (Gn 37.1). Voltaria para casa, mas antes faria uma parada em Betel, onde edificaria outro altar e receberia mais instruções divinas. Quase trinta anos antes, Jacó tinha feito um voto e uma promessa em Betel (Gn 28.20,21). Agora, ele deveria renovar seus votos e seus propósitos espirituais. Jacó havia comple­tado um ciclo, indo de Berseba a Padã-Arã, e, então, voltou à área de Berseba ou Hebrom, lugares esses onde Abraão e Isaque tinham residido, os quais ficavam a cerca de sessenta quilômetros um do outro. Ver Gn 28.10 quanto à partida de Jacó de Berseba. Jacó havia completado suas peregrinações pelo estrangeiro, e agora era instruído a voltar para casa, cena de uma nova missão.

    “Dois temas percorrem o capítulo trinta e cinco: término e correção. Temos aqui uma história de término, porque Jacó estava de volta à Terra Prometida, com sua família e com todas as suas riquezas; a vitória tinha sido ganha, o alvo tinha sido atingido, e a promessa divina tinha tido cumprimento. Mas também temos aqui uma história de correção, porquanto seus familiares não se tinham apegado completamente ao andar de acordo com a fé: ídolos tiveram de ser enterrados, e Rúben precisou ser disciplinado” (Allen P. Ross, in loc.).

    Parece que Betel se tinha tornado um santuário, um lugar de peregrinação, e que era um dos centros da crescente nova fé, o Yahwismo.

    35.1 Disse Deus. Isso pode ter ocorrido de várias maneiras: 1. por meio de um sonho; 2. mediante algum tipo de experiência mística ou extática, como uma visão; 3. através de uma experiência intuitiva; 4. ele vira o Anjo do Senhor; 5. ou como uma manifestação do Logos, no Antigo Testamento. Por diversas vezes, no decorrer da vida de Jacó, a orientação divina lhe foi dada sob a forma de uma intervenção, por estar ele na linha do Pacto Abraâmico (ver em Gn 15.18). Depois dele, Judá (filho de Lia) tornar-se-ia o próximo elo na corrente que resultou no Messias. O que sucedia a Jacó, pois, era importante para o surgimento da nação de Israel e da linhagem messiânica. Daí por que ele foi homem de muitas visões e de uma iluminação divina específica, alguém que recebia uma orientação toda especial.

    As palavras-chave, “disse Deus”, são reiteradas por muitas vezes no livro de Gênesis, provendo um dos motivos mais centrais desse livro, o qual destaca continuamente a providência divina. O nome divino, aqui usado, é Elohim.

    Uma Obediência Tardia. Jacó tinha descido de Padã-Arã a fim de voltar para sua terra. Mas acabou demorando-se em Siquém, talvez por razões pecuniárias vantajosas. Então ocorreu o infeliz episódio que envolveu Diná, bem como a horrenda matança dos súditos de Hamor, pelos filhos de Jacó. Jacó poderia ter evitado esse triste lance de sua vida, se tivesse obedecido prontamente, voltando diretamente para sua terra, depois que deixara o territó­rio de Labão.

    De Volta a Betel. Ver Gn 12.8; 13.3; 28.19 e 31.13 quanto a referências anteriores a Betel, neste primeiro livro da Bíblia. Jacó tivera uma poderosa experiência mística ali, quando deixava sua terra para ir ter com Labão (Gn 28.11 ss.). Talvez o lugar se tivesse tornado um santuário e lugar de peregrinações. A volta de Jacó ao lugar foi uma espécie de volta às suas raízes espirituais. Foi ali que ele recebeu a confirma­ção do Pacto Abraâmico, e agora haveria de receber outra confirmação desse pacto. Mui provavelmente, Betel se tinha tornado um centro de promoção da nova fé, o Yahwismo. A fé messiânica estava em desenvolvimento, juntamente com a nação de Israel.

    Agora, Jacó corria perigo em Siquém, motivo pelo qual era sábio, mesmo à parte de qualquer diretiva divina, abandonar aquele lugar. Jacó havia feito um voto solene em Betel, e embora já se tivessem passado quarenta e dois anos desde então, ele não o esquecera (Gn 31.13). Jacó pode ter caído em um lapso em Siquém, mas nem por isso abandonara o seu propósito. Betel ficava a apenas vinte e quatro quilômetros de distância de Siquém. A indiferença de Jacó para com seu voto (pelo menos por algum tempo) pode ter sido a causa espiritual do incidente que envolveu Diná (Gn 34).

    Jacó Tinha Fugido de Esaú. Jacó tinha deixado o lar paterno, em Berseba, por ter furtado de Esaú a bênção de Isaque, e correra o perigo de ser assassinado pelo indignado Esaú (Gn 27.43 ss.). Aquela tinha sido uma crise da qual Jacó escapara sem sofrer represálias, porquanto a presença do Senhor estava com ele. Cada marco importante de sua vida ficou assinalada pela presença de Deus.

    35.2 Disse Jacó à sua família. Foi o patriarca, sob orientação do Senhor, que exigiu que houvesse mudanças para melhor. E também foi ele quem disse: “Va­mos a Betel”. Deus estava transformando cada vez mais Jacó, para que ele pudesse avançar espiritualmente.

    Lançai fora os deuses estranhos. Terá, pai de Abraão, tinha sido um ho­mem idólatra (Js 24.2). Raquel furtara os terafins ou ídolos do lar de Labão (Gn 31.19). Assim, formas de idolatria prosseguiram paralelamente à adoração a Elohim, a despeito do surgimento gradual da nova fé, o Yahwismo. Porém, haveria de chegar o tempo de romper definitivamente com os costumes antigos. Esses costumes só morrem aos poucos, lentamente. A Reforma Protestante foi uma época em que certos segmentos da Igreja abandonaram certas formas de idolatria, embora novas formas não tivessem demorado a tomar o lugar das mais antigas.

    Purificai-vos, e mudai as vossas vestes. Isso serviu de símbolo da renova­ção espiritual que estava prestes a ocorrer. Houve um novo começo em Betel. Todo ser humano, sem importar quão espiritual já seja, e sem importar seus empreendi­mentos espirituais, precisa de renovações ocasionais, de novos votos, de um zelo renovado, de uma nova determinação, de novos projetos, de novos costumes e de novas ideias. É fácil para o homem ficar estagnado em velhos costumes, velhas ideias, velhas bases, velhas realizações. Algumas vezes, o que é novo requer uma mudança de localização geográfica, conforme foi o caso de Jacó, neste passo bíblico. Declarou Sêneca: “O que precisamos é de uma mudança de mentalidade, e não de uma mudança de ares (ou seja, de uma nova localização geográfica)”. Todavia, algumas vezes o que é novo também requer uma mudança de ares.

    Purificai-vos. Talvez indicando a necessidade de alguma espécie de rito puri­ficador, o que, sem dúvida, fazia parte das práticas religiosas de Jacó. Um costu­me do hinduísmo é que as pessoas devem mudar de roupa antes de adorarem. As roupas de trabalho são trocadas por roupas de adoração.

    As coisas aqui mencionadas foram institucionalizadas sob a legislação mosaica. Ver Êx 19.10; Jz 8.24.

    A renúncia aos deuses estranhos (Js 24.14-18,23) incluía os terafins ou ído­los do lar (Gn 31.19). É natural que incorporemos costumes e ideias à nossa religião. O sincretismo sempre fará parte da fé religiosa, e todos estamos envolvidos nessa prática, reconheçamos ou não esse fato. A fé religiosa no Brasil é um exem­plo significativo de várias formas de sincretismo. Mas fatalmente chega o dia em que os estrangeirismos, injetados em nossa fé religiosa, precisam fenecer. As roupas precisam ser trocadas. Corpo, alma e espírito (mente) precisam ser purificados.

    35.3 Subamos a Betel. Ver Gn 28.11 ss. quanto às experiências passadas de Jacó naquele lugar. Fora em Betel, nos dias de sua pior aflição, que ele teve o sonho-visão da escada cujo topo chegava ao céu (veja na ajuda 1), por onde subiam e desciam anjos de Deus. Jacó tinha erigido ali um altar naquele dia, jurando que se dedicaria ao Senhor. Mas isso havia acontecido muitos anos atrás. As primeiras intenções tinham-se tornado vagas. Ele tinha ido residir no território de Labão; mas, apesar disso, segundo se supõe, não havia abandonado a sua fé. Contudo, não se importara muito com a pureza da fé entre seus familiares, a ponto de tolerar a existência de ídolos. “E quando voltou à sua terra, não foi para Betel, e, sim, para Siquém, um lugar mais ameno” (Walter Russell Bowie, in loc.). Mas agora ele partia para Betel; agora partia para casa; agora haveria purificação e mudança. Se isso tivesse acontecido sete ou oito anos antes, talvez Diná tivesse sido poupada da desgraça pela qual passou, e nunca tivesse havido a matança de Hamor e sua gente, uma desgraça para Jacó e toda a sua família.

    No dia da minha angústia. Uma alusão aos dias em que Esaú queria matá-lo, se tivesse permanecido em Berseba, por haver-lhe furtado a bênção de Isaque, por meio de um golpe astucioso (Gn 27.6 ss.). Jacó tinha fugido de Berseba em grande angústia de alma, mas não demorou a ser encorajado por meio de seu encontro com a presença divina, em Betel (Gn 28.11 ss.).

    35.4 Os deuses estrangeiros… e as argolas. Ou seja, os terafins que Raquel havia furtado (Gn 31.19), juntamente com os amuletos, os objetos mágicos (as argolas faziam parte da coleção). Alguns estudiosos dizem que não se tratava de argolas usadas pelas mulheres (e por alguns homens hoje em dial), pois seriam argolas para serem postas nas imagens, ou então argolas especiais, usadas pelos idólatras quando se ocupavam em suas cerimônias, mediante as quais honravam a certas divindades. O Targum de Jonathan alude às “argolas usadas nas orelhas dos habitantes da cidade de Siquém, que tinham formas parecidas com os seus ídolos”. Nesse caso, na casa de Jacó tinham sido adotadas essas formas de idolatria. Alguns eruditos incluem aqui cartas astrológicas, mas a astro­logia pertencia mais ao Egito e à Babilônia, requerendo habilidades matemáticas que a família de Jacó dificilmente possuiria.

    Agostinho (Epist. 73) mencionou brincos (argolas) tanto de homens quanto de mulheres, que eram usados em certas formas de idolatria e de demonismo.

    Aarão fabricou o bezerro de ouro a partir de brincos (e, sem dúvida, de outros objetos), segundo se lê em Êxodo 32.2-4, e a idolatria, eliminada em uma época, é renovada em outra. Israel nunca se viu inteiramente livre, nem está livre a Igreja atual, nem mesmo os crentes individuais.

    Debaixo do carvalho. O próprio carvalho (ou um carvalhal) fora transforma­do em lugar de adoração idolátrica, onde presumivelmente se reuniam as divinda­des e onde poderiam ajudar os homens a resolver os seus problemas. É provável que esteja em pauta o carvalho ou carvalhal de Moré, ver em Gn 12.7. Ver também Dt 11.30. Alguns estudiosos não identifi­cam os carvalhos de Gn 12.6,7 com o deste texto. Não há como ter certeza sobre a questão. O carvalho era uma árvore que “com frequência permanecia por muitos anos, antes de ser cortado e usado com propósitos religiosos; pois, como eram tidos em grande veneração, raramente eram cortados” (John Gill, in loc.).

    35.5 O terror de Deus. Jacó e seus familiares fugiram, como que para poupar a vida, por haverem os filhos de Israel liquidado os heveus de Siquém. O trecho de Gn 34.30 mostra-nos que Jacó temia ataques, por ter-se tornado “odioso” aos olhos de seus vizinhos. Mas a providência de Deus havia trazido alguma forma de terror sobrenatural que impunha temor aos habitantes da região, os quais também não atacavam a Jacó. Cf. Gn 23.6 e 30.8. Quão frequentemente precisamos de jornadas misericordiosas, mediante a proteção de Deus.

    O terror de Deus é “uma expressão derivada da guerra santa (Êx 23.27; Js 10.10), e era um pânico misterioso que paralisava o inimigo” (Oxford Annotated Bible).

    35.6 Luz. Esse era o nome antigo de Betel.

    Terra de Canaã. Ver Gn 23.19 quanto à experiência anterior de Jacó naquele lugar. O trecho de Juízes 1.26 mostra que os hititas ou heteus tinham ali um centro seu.

    Em Betel, Jacó fora livrado de ataques por parte de seus inimigos, e agora estava passando para uma nova fase de sua vida. A obediência aos seus votos haveria de produzir um novo dia.

    35.7 E edificou ali um altar. Essa questão de altares tem grande importância no Gênesis. Ver Gn 8.20; 12.7,8; 13.4,18; 22.9; 26.25; 33.20; 35.1,3,7. Mais de quarenta anos antes, Jacó havia erigido um altar naquele lugar. Teria ele soerguido o mesmo altar, ou erigido um novo altar? Tal pergunta fica sem resposta.

    El-Betel. No hebraico, Ei-Beth-el, ou seja, “o Deus da casa de Deus”. Jacó havia sido admitido à casa de Deus, e ali viu as maravilhas de Sua graça e providência, além de ter recebido os alicerces para a nova fé. Esse título Deus adotara para Si mesmo (Gn 31.13).

    Deus. No hebraico, Elohim. Ali o Senhor tinha aparecido a Jacó. Temos aqui um plural de majestade, que não tem por intuito apontar para o politeísmo.

    35.8 Morreu Débora. Ela figura pela primeira vez na Bíblia, sem a menção de seu nome, em Gn 24.59. Ela foi uma escrava de Rebeca, que lhe fora dada para acompanhá-la, desde que viera para casar-se com Isaque. A história de Débora tinha começado em algum ponto não mencionado. Vinha acompanhando a jovem Rebeca, talvez desde o nascimento desta. Nunca se separaram. E, então, ela acompanhou a família patriarcal à Terra Prometida, e, talvez, tivesse sido incorporada à casa de Jacó. É estranho que não tenha sido registrada a morte de Rebeca (embora o seja o seu sepultamento, em Gn 49.31). No entanto, o autor sacro inseriu esta nota sobre a morte de Débora na história da segunda visita de Jacó a Betel. Por quê? Porque ela era amada por todos, porquanto era grande em sua posição humilde.

    Débora esteve com a família patriarcal por nada menos de duas gerações completas. Assim, fizera sua contribuição e cumprira a sua missão. Se Débora estivesse presente, talvez Raquel não tivesse morrido no parto de Benjamim.

    A ama de Rebeca. Uma ama cuidava das mulheres e de seus filhos.

    Uma ama ou enfermeira treinada é o coração mesmo dos cuidados médicos; elas recebem ordens e cuidam dos enfermos e dos moribundos. Essa ocupação tem-se profissionalizado, mas o espírito de serviço humilde (por muitas vezes com pagamento insuficiente) faz-se presente até hoje. Cuidar das pessoas, quando estão doentes e até infectadas, é um ato de amor, de obediência à lei do amor.

    Alom-Bacute. No hebraico, esse nome significa “carvalho do pranto”. Era a árvore ao pé da qual Débora, a ama de Rebeca, foi sepultada (Gn 35.8), e, depois, Raquel. Alguns eruditos pensam que temos aqui alguma deslocação de material, e que a juíza Débora é que estaria em foco, ou seja, que o memorial era dela. Mas esse seria um erro grosseiro demais para um compilador ter feito. Pessoas humildes também têm um papel humilde a desempenhar no registro sacro. A fidelidade delas é relembrada, embora não trouxessem as marcas que os homens pensam que os grandes devem ter.

    Betel Novamente (35.9-15)

    Alguns críticos veem aqui alguma “mistura de tradições”, supondo que a história original de Betel (Gn 28.11 ss.) teria sido combinada (neste ponto) com elementos do relato sobre a luta de Jacó com o anjo (Gn 32.24 ss.), quando seu nome foi mudado de Jacó para Israel. Os estudiosos conservadores não veem por que novas experiências não poderiam conter elementos de antigas experiên­cias. Seja como for, o material desta pequena seção é uma duplicação essencial de coisas sobre as quais já tínhamos comentado, incluindo certas provisões do Pacto Abraâmico (ver em Gn 15.18). “Em Betel, Deus confirmou a promessa que tinha feito antes (Gn 32.28). A mudança do nome de Jacó serviu de prova da bênção prometida” (Allen P. Ross, in loc.).

    35.9 Vindo Jacó de Padã-Arã. Ou seja, a caminho de volta para casa, especificamen­te, em Betel (vss. 14 e 15). Sua experiência anterior em Betel teve lugar quando ele estava indo para Padã-Arã. E esta experiência ocorreu quando ele estava saindo dali. Ambas as ocasiões foram marcos em sua vida.

    Outra vez lhe apareceu Deus. Jacó era homem de muitas experiênci­as místicas. A presença de Deus guiava Jacó em todos os marcos importantes de sua vida. A providência de Deus acompanhava Jacó de uma maneira especial.

    35.10 E lhe chamou Israel. Ver Gênesis 32.28 quanto à mudança do nome de Jacó para Israel.

    35.11 O Deus Todo-poderoso. El-Shaddai é aquele que nos supre quanto a todas as necessidades, conforme parece ser uma das implicações desse nome. A primeira parte do nome, El, mostra que há poder capaz de fornecer um suprimento abundante. “O Senhor é meu Pastor; nada me faltará.” As promessas são confirmadas. O nome divino, El-Shaddai, é aquele que prefacia a repetição do Pacto Abraâmico a Abraão (Gn 17.1 ss.). Esse mesmo Deus garantia agora, a Jacó, a continuação do pacto.

    Multiplicação e Grandeza. Uma companhia de nações descenderia de Abraão, o que é dito por diversas vezes nas repetições do Pacto Abraâmico. Ver Gênesis 28.3, onde a expres­são usada é “uma multidão de povos”. Ali, a declaração faz parte da bênção dada a Jacó por Isaque. Além disso, reis descenderiam de Jacó, como Saul, Davi, Salomão etc. (cf. Gn 17.6), culminando no Rei-Messias, descendente de Judá, através de Lia, uma das esposas de Jacó. Nesse ponto, seria atingida a dimensão espiritual do pacto, de tal modo que aquilo que era bênção material tornar-se-ia em bênção espiritual, incluindo a questão da salvação da alma (Gl 3.14).

    35.12 A terra. A aquisição de um território pátrio era necessária para que se desen­volvesse a nação de Israel, o que levaria ao cumprimento maior do próprio pacto. As notas em Gn 15.18 mostram as dimensões desse território.

    35.13 Elevando-se do lugar. Provavelmente devemos pensar no “céu”, em algum lugar acima da terra, como se vê em Gn 11.4; 21.17; 22.11,15; 28.12. Tendo-se manifestado, vindo dali, Deus agora para ali voltava. A presença divina algumas vezes manifesta-se aos homens de uma maneira que eles são capazes de com­preender, pelo menos em parte, e de uma forma que possam suportá-la. Isso sucede mediante as experiências místicas como as visões, os sonhos, as visitas angelicais etc.

    Os trechos de Gn 17.22 e 18.33 têm a mesma expressão que se vê neste versículo. Deus “elevou-se de onde estava Abraão”. Mas Gn 18.33 diz algo levemente diferente: “retirou-se o Senhor”.

    35.14 Este versículo é parecido com o de Gn 28.18, exceto pelo fato de que aqui temos a primeira menção a uma libação na Bíblia. Provavelmente foram empregados vinho, água ou mesmo ambas as coisas. Mas alguns eruditos pensam que foi usado azeite. Também é possível que o “azeite” entornado em Gn 28.18 fosse uma libação, embora isso não seja dito especificamente. As oferendas, como as deste versículo, reconheci­am o poder divino e a visitação da presença divina. Era uma espécie de participa­ção dos bens materiais de alguém, em reconhecimento da graça e do suprimento divino, na esperança de maior recebimento dessa graça e suprimento.

    As libações eram algo comum em muitos países. As libações originais eram feitas com água, mas depois passou-se a usar o vinho. Ver Lv 7.1. Gratidão e devoção eram expressas por meio desses atos. Ademais, sem dúvida, essas oferendas serviam de pedidos quanto à continuação do suprimento e do poder divinos junto ao adorador, por estar sendo reconhecida, por este, a presença divina. As libações, acima de tudo, eram atos de adoração que reconheciam a providência de Deus.

    Colunas Memoriais. Naturalmente, essas colunas tornaram-se objetos vene­rados pelos descendentes dos patriarcas, motivo pelo qual a legislação mosaica veio a proibir tal prática. Ver Lv 26.1 e Dt 16.22. Cerca de quarenta anos separavam as duas colunas erigidas por Jacó. Ele continuava a ser um homem de altares e de devoção espiritual.

    35.15

    Esse lugar chamava-se Betel, pois o trecho é paralelo a Gn 28.17-19. Betel tornou-se um dos santuários da nova religião, a fé de Abraão, um lugar de pere­grinação do Yahwismo. Estava sendo formada a fé religiosa distintiva da nação de Israel.

    Bibliografia R. N. Champlin

    (mais…)

  • Lição 8 – Editora Betel – Jacó em Siquém

    Texto Áureo

    “E vieram os filhos de Jacó do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os homens, e iraram-se muito, porquanto Siquém cometera uma insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Jacó; o que não se devia fa­zer assim”. Gn 34.7

    Verdade Aplicada

    Diante do perigo, o que nos leva a vencer o medo e a ansiedade e permanecer firme, é a con­fiança nas promessas de Deus.

    Objetivos da Lição

    ?      Ensinar que quando confia­mos em Deus não precisamos temer ao homem;

    ?      Lembrar que temos que cumprir os votos que fazemos a Deus; e

    ?      Mostrar o perigo das amiza­des com os ímpios.

    Textos de Referência

    Gn 33.17 Jacó, porém, partiu para Sucote, e edificou para si uma casa, e fez cabanas para o seu gado; por isso, chamou o nome daquele lugar Sucote.

    Gn 33.18 E chegou Jacó salvo à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e fez o seu assento diante da cidade.

    Gn 33.19 E comprou uma par­te do campo, em que estendera a sua tenda, da mão dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.

    Gn 33.20 E levantou ali um al­tar e chamou-lhe Deus, o Deus de Israel.

    Gn 34.1 E saiu Diná, filha de Léia, que esta dera a Jacó, a ver as filhas da terra.

    Gn 34.2 E Siquém, filho de Ha­mor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a.

     

    Jacó Encontra-se com Esaú (33.1-15)

    Conforme os críticos pensam, a continuação do uso do nome Jacó, em vez de Israel (Gn 32,28), deve-se a fontes múltiplas, uma ou outra das quais não levou em conta a mudança de nome.

    Chegamos agora ao mui longamente esperado e temido encontro de Jacó com Esaú. O coração de Jacó havia sido transformado, e agora ele anelava por reconciliar-se com seu irmão. Ele havia preparado restituição, porque havia prejudicado a Esaú (os ricos presentes que lhe ofereceria; ver Gn 32.13 ss.). Mas Esaú não se mantive­ra rancoroso; e aquilo que Jacó tanto havia temido terminou por se tomar uma alegre reunião em família, com muito amor e respeito mútuo. Oh, Senhor, concede-nos tal graça! A providência de Deus continuava a cuidar de Jacó.. Esse é um tema central ao longo do livro de Gênesis.

    33.1 Esaú se aproximava. Jacó levantou os olhos e viu a figura temida. Ali estavam Esaú e seu ameaçador exército de quatrocentos homens. A maior parte do que tememos nunca se materializa. Durante a Segunda Guerra Mundial, declarou o presi­dente Roosevelt, dos Estados Unidos da América: “Nada temos que temer, exceto o próprio temor”. Talvez os homens de Esaú tivessem chegado armados. Mas o próprio texto nada diz. No entanto, se tinham vindo armados, foi porque Esaú não sabia o que poderia esperar da parte de Jacó. Mas vendo que não havia perigo algum, e tendo passado pelos três rebanhos que Jacó havia preparado como um presente (Gn 32.13 ss.), abandonou de vez a ideia de atacar a Jacó e a seu grupo.

    Mostrando-se à altura da transformação de Jacó, devido às experiências espirituais deste, Esaú sempre demonstrou um caráter superior. Assim sendo, por que ele foi aviltado? Simplesmente porque assim os livros pseudoepígrafos o avali­aram, o que acabou sendo uma forma padronizada de os judeus o avaliarem. E isso foi transferido para o Novo Testamento (Rm 9.13; Hb 12.16). Mas se nos ativermos ao relato veterotestamentário a seu respeito, chegaremos à conclusão de que ele teve momentos de insensatez, como quando vendeu por quase nada o seu direito de primogenitura, mas também que, excetuando esses maus momen­tos, ele sempre se mostrou uma pessoa honrada. Esaú voltou a encontrar-se com Jacó quando os dois sepultaram a seu pai, Isaque (Gn 35.29), e assim os dois cumpriram os seus deveres filiais até o fim.

    As Quatro Divisões. Temendo ainda o pior, Jacó tinha dividido seus filhos sob os cuidados de suas quatro mulheres. Ele haveria de enviar seus familiares em grupos distintos até a presença de Esaú, tal como havia feito com seus rebanhos (Gn 32.16). Parece que essa foi outra tentativa de aplacar a Esaú, mediante adiamento. Ou talvez ele tenha pensado que, se Esaú chegasse a dizimar o primeiro grupo (liderado por uma de suas concubinas), então os outros três gru­pos pelo menos poderiam tentar escapar.

    33.2 Uma Hierarquia. Em primeiro lugar apresentaram-se Bila e Zilpa, com seus respectivos filhos. Em seguida, Lia, com seus seis filhos e uma filha. Depois, Raquel e José, como escreve o comentarista da nossa lição. E, finalmente, Jacó. E isso pelas razões esclarecidas acima. E a sequência de apresentação, sem dúvida, evidenciava o amor e a preocupação variegados de Jacó por cada grupo. Os mais chegados ele guardou para o fim, Raquel e José. Posteriormente, os filhos de José tornaram-se os favoritos de Jacó, Despedaçava o coração enviar um filho a uma situação de perigo, ao mesmo tempo em que retinha um filho mais amado para evitar aquele mesmo perigo, durante algum tempo. Essa foi a agonia que Jacó precisou enfrentar. “Ele mandou à frente a quem estimava menos” (Adam Clarke, in loc.).

    33.3 Jacó Mostra-se Humilde. Subitamente, encorajando-se, Jacó não obedeceu a todos os passos de seu plano, de ir apresentando aos poucos os seus entes queridos. Mas foi diretamente ao encontro de Esaú. Jacó aproximou-se dele humilde e contrito. Prostrou-se diante de seu irmão por sete vezes, embora ainda na noite anterior tivesse enfrentado o Anjo do Senhor, lutando com Ele a noite inteira e prevalecendo. Submeteu-se ao perigo, com fé no coração e uma oração nos lábios. Somente a ajuda de Deus poderia livrá-lo agora. Não tinha justificativa, e nenhuma virtude que pudesse apresentar como motivo para con­tinuar vivo.

    “Esse ato de prostrar-se, no Oriente, é feito dobrando o corpo para a frente, com os braços cruzados, a mão direita sobre o peito” (Ellicott, in loc.).

    Prostrando-se, Jacó aproximou-se. De tantos em tantos passos, ele se prostrava. O orgulhoso suplantador, o enganador, o fugitivo, agora enfrentava os seus pecados, a situação que ele mesmo havia criado fazia muitos anos. Todos nós acabamos por nos encontrar conosco mesmos.

    O Símbolo. Jacó era como um pecador contrito que se lança à misericórdia de Deus. E, tal como Jacó, o pecador é acolhido com um caloroso abraço, seus pecados perdoados. A comunhão tomara o lugar do temor.

    33.4 A Magnanimidade de Esaú. Esaú não hesitou, mas correu ao encontro de Jacó. Quem tomou a iniciativa foi Esaú. Ele abraçou Jacó; e ambos choraram. Passaram-se cerca de vinte anos, desde que se tinham visto pela última vez. “Quão sincera e genuína foi essa conduta de Esaú, e, ao mesmo tempo, quão magnânimo! Ele sepultara todo o seu ressentimento e esquecera todas as ofen­sas” (Adam Clarke, in loc.). “Já tínhamos recebido antes (Gn 27.38) uma prova de que Esaú era homem de sentimentos calorosos; e agora vemos, de novo, como ele foi dominado por seus impulsos amorosos” (Ellicott, in loc.). Os antigos manuscritos dos hebreus tinham marcas aqui, para que o leitor notasse que algo de maravilhoso havia sucedido. Isso era interpretado positivamente por alguns, e negativamente por outros (como se Esaú tivesse sido um hipócrita nessa de­monstração de afeto). Mas como é óbvio, seu amor era genuíno, e é bem possível que aquele sinal servisse para mostrar ao leitor um tão notável exemplo de amor fraternal, inesperado por parte de Jacó. Bastava de temor; bastava de medo. A graça de Deus havia resolvido o problema da maneira mais extraordinária. O amor é a essência mesma e a prova da espiritualidade (I Jo 4.7 ss.).

    33.5 Quanta Gente! “Quem são todas estas pessoas?”, indagou Esaú. Embora separados por cerca de setecentos e cinquenta quilômetros apenas, parece que nunca houvera intercomunicação entre os dois ramos da família de Isaque. Havia quatro mulheres e doze filhos (incluindo Diná), e Esaú estava querendo uma explicação. Os filhos eram reputados uma bênção do Senhor, a fertilidade era tida como grande vantagem, e famílias numerosas eram algo desejável (Sl 127.3). Em consequência, o grande número de filhos de Jacó mostrava a Esaú que o Senhor estava com seu irmão.

    33.6 As servas. Ou seja, Bila e Zilpa, cada qual com seus dois filhos, foram apresentadas a Esaú. Elas cumprimentaram respeitosamente o irmão de seu marido, de quem eram cunhadas. Os filhos de Bila eram Dã e Naftali, e os de Zilpa eram Gade e Aser, todos os quatro destinados a tornar-se patriarcas de Israel, cabeças de tribos.

    33.7 Lia e seus filhos. A primeira esposa de Jacó, Lia, a irmã mais velha de Raquel, apresentou-se com seus filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (seis filhos) e Diná (a filha). Esses filhos estavam destinados a ser chefes de outras tantas tribos que formariam uma parte da nação de Israel.

    José e Raquel. Raquel tinha apenas um filho. Tempos depois, ela teria Benjamim, mas morreria do parto. José seria o filho favorito, e seus filhos seriam altamente estimados por Jacó. Por esse tempo, José estaria com sete anos de idade. Não houve tribo de José, em Israel, mas Efraim e Manassés, filhos de José, tornaram-se cabeças de tribos, porquanto tinham sido adotados por Jacó como se fossem seus filhos (Gn 48.5). Estritamente falando, isso formaria treze tribos, mas apenas doze são formal­mente consideradas (Êx 24.4; Js 4.2). Levi, embora filho, ocupou posição de medianeiro entre Yahweh e a nação de Israel, e não dispunha de território próprio.

    Lia e Raquel, além de serem cunhadas de Esaú, eram também suas primas, pois Jacó, Raquel e Lia eram primos. Todos demonstraram o devido respeito por Esaú, cada grupo por sua vez, conforme Jacó os tinha disposto em ordem (ver Gn 33.1,2).

    33.8 Os Presentes. Jacó havia exagerado. Tinha separado quinhentos e oitenta animais dos tipos mais valiosos para alimento, vestuário e viagens (Gn 32.14,15). Ele havia dividido esses animais em três grupos (Gn 32.19), cada um dos quais deveria aproximar-se em separado, dando tempo para Esaú esfriar a sua indigna­ção (se ele continuasse irado e estivesse disposto a atacar). Foi preciso muito tempo para fazer passarem os presentes diante de Esaú. Tudo era um tanto misterioso. Por isso, agora Esaú desejava saber a razão daquilo tudo. O próprio Jacó explicou que se tratava de um presente para “lograr mercê” na presença de seu irmão, a pessoa a quem ele tanto havia ofendido. “Nos países orientais era comum levar presentes a amigos e, especialmente, a grandes homens, sempre que houvesse visitas. E todos os viajantes em geral testificam que assim continua sendo o costume, até estes nossos dias” (John Gill, in loc.).

    33.9 Guarda o que tens. Essas palavras de Esaú mostram o desinteresse de Esaú pelos bens materiais. Sem importar quais fossem os defeitos de Esaú, ele não era ganancioso como Labão. Ele tinha o bastante. O Senhor Deus também o havia abençoado, podemos ter certeza. Os presentes de Jacó mostraram-se des­necessários. Esaú não precisava ser subornado, porquanto havia amor fraternal em seu coração.

    Os judeus e os árabes conferenciam interminavelmente, mas há entre eles matanças e vinganças de parte a parte, ao passo que um pouco de amor poderia resolver esses problemas em um único dia.

    “No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo” (I Jo 4.18).

    33.10 Mas Jacó insistiu. É um erro supormos aqui que Esaú queria receber os presentes, mas que, de acordo com a polidez e a maneira de barganhar dos orientais, foi obrigado a permitir que Jacó primeiro o convencesse. Esaú realmen­te não queria os bens materiais. Por outra parte, teria sido uma bofetada no rosto de Jacó não aceitar o que lhe era oferecido tão generosamente. Portanto, deixou-se convencer.

    Vi o teu rosto. Jacó disse que a fisionomia de Esaú lhe parecera o semblan­te de Deus, como se tivesse visto o próprio Elohim. E, em certo sentido, isso era uma verdade. A bênção, os cuidados e a proteção de Elohim transpareciam no rosto de Esaú, e o coração de Jacó saltava-lhe no peito ao entender que suas orações haviam sido respondidas; e assim os seus temores chegaram ao fim. Quando amamos, não motivos para termos medo de Deus. Antes, Ele é o grande Benfeitor de toda a humanidade, e Seus decretos resultam em prosperida­de e bem-estar. O texto fala sobre a providência de Deus, uma mensagem constantemente reiterada no livro de Gênesis.

    Talvez tenha havido alguma hipérbole na exclamação de Jacó sobre o sem­blante de Elohim, mas podemos estar certos de que o seu coração estava invadi­do pela alegria naquele momento.

    O amor estampado no rosto de uma pessoa é um reflexo do semblante de Deus, porquanto Deus é a fonte de todo amor, seu manancial e garantia. Quan­do alguém ama e é amado, há algo de divino nisso; e quando buscamos o amor, buscamos a Deus, mesmo que não tenhamos consciência disso. O amor é, virtualmente, o único princípio que todas as filosofias e religiões aprovam de forma unânime. Nas religiões e filosofias mais avançadas, o amor é o princípio controlador e a grande inspiração. Não obstante, é mais fácil odiar. E muitos, embora donos de uma teoria correta, odeiam em nome do amor ou da espiritualidade.

    33.11 Aceitar Era Forçoso. Naquele tempo, no Oriente, rejeitar um presente era um ato de hostilidade. Já a aceitação era um ato de amizade. A última dúvida se Esaú queria causar dano ou não, e se Jacó havia achado mercê ou não, seria removida quando Esaú recebesse o presente de Jacó. Por isso, apesar de não querer o presente nem dele precisar, acabou por aceitá-lo. Nisso há toda uma lição espiri­tual. Deus oferece a Sua salvação por meio da graça, mas ela não é eficaz enquanto a pessoa não a aceita. E, então, evapora-se a hostilidade entre o homem e Deus.

    Ter Sorte. Ainda havia o envolvimento de outro fator. Era considerado um golpe de sorte receber um presente, e Deus era considerado a fonte de toda boa sorte. Ver I Sm 25.27; 30.26.

    Compartilhando as Riquezas. A generosidade é um grande princípio ético. Ser generoso com os próprios bens é uma maneira de viver segundo a lei do amor. A generosidade faz parte da espiritualidade. O cristianismo de Tiago enfatiza a generosidade (Tg 2.14 ss.). Deus é a fonte de toda boa dádiva (Tg 1.17). Jacó, pois, queria compartilhar seus bens. Elohim, que lhe havia dado tantas bênçãos, jamais mostrar-se-ia pobre com ele. Continuaria a abençoar a Jacó, para que este pudesse continuar compartilhando seus bens.

    “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu...” (Jo 3.16).

    33.12 Eu seguirei junto de ti. Agora, Esaú e Jacó eram amigos, e Esaú propôs que viajassem juntos, até Seir (vs. 16). Mas suas veredas, que se tinham cruzado por tão pouco tempo, só haveriam de cruzar-se de novo até que os dois sepultassem Isaque, pai deles (Gn 35.29). Esaú, o mais extrovertido dos dois irmãos, queria prolongar o encontro. Mas Seir ficava fora da rota de Jacó. Ele estava seguindo em direção a Hebrom. E embora talvez tencionasse seguir após Esaú e visitá-lo em Seir (vs. 16), acabou não cumprindo a sua intenção. Se os dois homens tivessem exami­nado juntos os seus itinerários, teriam verificado que poderiam descer de Peniel a Hebrom (cerca de cento e sessenta quilômetros), permanecer ali por algum tempo (que é um lugar bem fora da rota), e, então, Esaú poderia ter ido sozinho até Seir, talvez viajando mais cento e sessenta quilômetros. Mas parece que Jacó não compartilhava do entusiasmo de Esaú quanto a uma viagem juntos. Além disso, ele estava ansioso por chegar em casa, após cerca de vinte anos “fora” de sua terra.

    33.13 As crianças e os animais novos não estavam fisicamente preparados para caminhar cento e sessenta quilômetros extras até Seir, e depois mais cento e sessenta quilômetros de volta a Hebrom. Era ótimo estar novamente com um irmão amigo, todos os antigos ferimentos cicatrizados; mas as crianças tinham prioridade. As razões de Jacó eram boas. Por outra parte, talvez seja verdade, conforme disse Cuthbert A. Simpson (in loc.), que Jacó “soltou um suspiro de alívio”, quando Esaú dirigiu-se novamente ao deserto, sem que ninguém saísse prejudicado ou ferido. Seja como for, já tinha havido excitação suficiente para aquele dia, e Jacó, agora livre, tanto de Labão quanto de Esaú, sentia-se capaz de completar sua viagem de volta para casa. Estava apenas a cerca de cento e sessenta quilômetros dali. Quando um homem está voltando para casa, depois de uma longa ausência, é melhor não complicar o quadro.

    O filho mais velho de Jacó, Rúben, deveria estar com treze anos de idade, e José deveria ter sete anos. Já estavam sofrendo muita tensão. A preocupação com os filhos é característica de um bom pai.

    33.14 Eu seguirei. . . no passo do gado. . . e no passo dos meninos. Esaú poderia marchar rapidamente com seus homens armados. Mas Jacó seguiria lentamente com seus meninos e seus animais novos. E Jacó se encontraria com Esaú em Seir. Mas o encontro em Seir nunca aconteceu. “Poste­riormente, ocorreram circunstâncias que tornaram impraticável ou mesmo impró­prio o encontro. E descobrimos que posteriormente Esaú mudou-se para Canaã, e que ele e Jacó habitaram ali, juntos, por vários anos. Ver Gn 36.6-7” (Adam Clarke, in loc.). Depois de ter habitado em Canaã por algum tempo, Esaú regres­sou a Seir, porque ele e Jacó tinham ficado ricos demais para que a região pudesse suportar seus muitos animais.

    “…ele se propôs a movimentar-se lentamente, como faria tanto um pai sábio, cuidadoso e terno com a sua família, quanto faria um pastor com o seu rebanho” (John Gill, in loc.).

    33.15 Esaú Oferece Ajuda. Ele tinha homens fortes consigo. Queria deixar alguns deles para que ajudassem Jacó pelo caminho. Mas Jacó não via necessidade dessa ajuda, e deu-se por excusado. Jacó conhecia o caminho e não precisava de guias. As coisas estavam sob controle. Ele tinha encontrado graça diante de seu irmão. Feridas tinham sido curadas. Tinha havido uma completa reconcilia­ção. Para ele, isso era suficiente, por isso declinou do oferecimento de ajuda por parte de Esaú. A benevolência de Esaú tinha sido suficiente para aquele encon­tro.

    33.16 Assim voltou Esaú… a Seir, esperando ver Jacó ali. Mas isso não suce­deu. Todavia, passaram juntos alguns anos em Canaã, sempre em um bom relacionamento (Gn 36.6-7). É bom quando antigas ofensas são reparadas e restituição é feita. Quantas disputas em família nunca são solucionadas, e os respectivos membros morrem com ódio no coração!

    “Assim sendo, houve milagres na vida de Jacó e de Esaú. Em Jacó, Deus injetou o espírito de humildade e de generosidade. E Esaú foi transformado de um homem que buscava vingar-se para um homem que desejava reconciliar-se. Es­sas mudanças serviram de prova de que Deus havia dado a Jacó uma resposta à sua oração (32.11)” (Allen P. Ross, in loc.).

    Jacó em Siquém (33.17-20)

    Sucote (vs. 17) ainda não foi descoberta pela arqueologia, e o local é desconhecido, mas Juízes 9.28 indica que os filhos de Hamor formavam um dos clãs mais importantes de Siquém. Um terreno foi ali comprado e finalmente tornou-se o local do sepultamento de José (Js 24.32). Um santuário a Yahweh (para promover o Yahwismo) foi construído ali (vs. 20), razão pela qual evidentemente tornou-se outro centro da crescente nova fé. Jacó deve ter ficado ali por algum tempo, visto que lemos que ele se deu ao trabalho de construir ali uma casa, com acomoda­ções para os seus animais (vs. 17). Finalmente, mudou-se para Hebrom, seu lar.

    33.17 Sucote. Outra cidade com esse nome, no Egito, também apare­ce em Êx 12.37. Esse termo significa tendas. Embora nada se saiba com certeza acerca da localização dessa cidade, em Canaã, ela tem sido tentativamente identificada com o Tell Akhsos ou com o Tell Deifalla.

    Nesse lugar, Jacó edificou uma casa, além de acomodações para seus ani­mais. E com base nessa circunstância foi que o local recebeu sua designação. Isso indica que Jacó tencionava permanecer ali por algum tempo (não designado). Finalmente, porém, mudou-se para Hebrom, seu lar e seu alvo original. Não se sabe com certeza por que Jacó armou as tendas para seu gado, o que sem dúvida era algo incomum. Talvez quisesse protegê-los, de animais predadores ou do mau tempo.

    O Targum de Jerusalém diz que ele ficou ali por um ano; e Jarchi fala em dezoito meses. Mas ambas as informações são meras conjecturas.

    33.18 Chegou Jacó são e salvo à cidade de Siquém. Algumas traduções falam aqui em “Salém, uma cidade de Siquém”. Mas a tradução correta é aquela que temos em nossa versão portuguesa. Aquelas traduções seguem a Septuaginta, a versão Siríaca Peshitta e a Vulgata. Se houve mesmo uma cidade chamada “Salém”, então ela perdeu-se totalmente para nós, e nenhuma informação existe.

    Siquém. Era uma cidade que Hamor tinha construído, chamando-a pelo nome de seu filho. Trata-se da mesma Sicar de Jo 4.5. Jacó precisou atravessar o Jordão para chegar ao lugar, embora o texto não mencione o fato. O lugar ficava perto de Samaria. A palavra “Siquém” significa ombro. Não se sabe por que Hamor deu tal nome a um de seus filhos. Há informações sobre esse nome e sobre sua família em Gn 34; Js 24.32 e Jz 9.28. A cidade ficava a cerca de trinta e dois quilômetros do rio Jordão, na terra de Canaã.

    Jacó, a caminho de casa, foi conservado em segurança. Ele passou por Siquém (talvez tendo ficado ali por alguns anos), durante os quais Diná cresceu e se tornou donzela casadoura (Gn 34). Ele havia descido de Padã-Arã (Gn 25.20), lugar da residência de Labão. Tinha feito uma viagem de cerca de setecentos e cinquenta quilômetros, e agora estava bem perto de casa. Mas antes de chegar, teria de passar pela mui desagradável experiência que envolveu a filha de Lia, Diná, única filha de Jacó mencionada em todo o Antigo Testamento. O relato figura no capítulo trinta e quatro do Gênesis. O incidente maculou tremendamente uma viagem que em tudo mais foi excelente, cheia de segurança e de alegria.

    33.19 A parte do campo. . . ele a comprou. A exemplo do que Abraão tinha feito (que comprara o campo de Macpela), um incidente narrado com detalhes no capítulo vinte e três. Foi em Macpela que Sara e outros membros da família patriarcal foram sepultados. E o terreno agora comprado por Jacó tornou-se o lugar de sepultamento de José (Js 24.32). A compra feita por Jacó teve lugar cem anos após a compra feita por Abraão. Abraão tinha comprado seu terreno dos filhos de Hete ou hititas, e Jacó, dos filhos de Hamor.

    Por cem peças de dinheiro. Não devemos pensar em moedas, uma inven­ção posterior, mas em um peso. Não há como traduzir o valor para termos moder­nos. O termo hebraico aqui usado é qesitah, talvez, fosse um lingote de prata com valor suficiente para comprar um cordeiro. Os amigos de Jó, quando ele se recuperou, deram-lhe cada qual uma quesita e um anel de ouro (Jó 42.11). Alguns intérpretes judeus supunham que Jacó tenha pago o terreno com cem cordeiros, embora não haja respaldo bíblico para isso. Estêvão (At 7.16) menciona o dinheiro dessa transação. Curiosamente, no livro de Atos, Abraão aparece como quem comprou esse terreno.

    Hamor. Ver Gn 34.2.

    33.20 Levantou ali um altar. Apesar de suas boas qualidades, não se lê que Esaú tenha edificado algum altar. Abraão era um homem que levantava altares; e Jacó lhe seguia de perto as pisadas. Ver Gn 12.7; 13.4,18; 22.9; 26.25; 33.20; 35.1,3,7. O indivíduo voltado para as coisas materiais, ou mesmo o indivíduo bom que se satisfaz com sua vida comum, negligencia o lado espiritual de sua vida. Jacó, tal como seu avô, Abraão, distinguia-se por seu interesse espiritual e por suas expe­riências místicas. Ele havia erigido um altar em Betel, após sua profunda experiência espiritual naquele lugar. Ver Gn 28.18 ss.

    Deus, o Deus de Israel. No hebraico, El-Elohe-Israel. Isso antecedeu ao estabelecimento da confederação das doze tribos de Israel em Siquém, quando El (o nome semítico para Deus) foi substituído por Yahweh, o Deus de Israel (Js 20). Portanto, o Yahwismo estava em pleno desenvolvimento, e formava-se uma fé distintiva dos hebreus, o que é parcialmente indicado pelo uso de vários nomes divinos.

    A Permanência de Jacó em Siquém. Uma leitura casual do texto parece indicar que Jacó ficou em Siquém somente por uns poucos meses, mas, visto que Diná cresceu ali até chegar à idade própria de casar-se, devemos pensar antes em termos de alguns anos.

    Diná é Seduzida com Graves Consequências (34.1-31)

    Diante de nós temos uma história de culpa e de insensatez. A culpa foi de Siquém, filho de Hamor; a insensatez foi de dois dos filhos de Jacó, que preferi­ram o homicídio ao casamento. Esta turbulenta história é uma daquelas estranhas mesclas de bem e de mal. Há muita comoção na violação de uma garota; e também há terror, assassínio e violência. Essa é a vida “crua”, que a Bíblia nunca esconde de nós. Siquém cometeu um grande mal, mas procurou corrigir seu ato mediante o amor e o casamento. Mas a ira de dois dos irmãos de Diná transfor­mou uma tragédia em uma tragédia maior ainda. As teias do pecado apanharam todos eles, causando desgraças para todos os lados. Temos nisso uma triste lição acerca do poder do pecado, o qual tratamos com tanta negligência. Dificilmente pecamos sozinhos. De alguma maneira, outras pessoas são envolvidas em nos­sos pecados ou em seus resultados. Duas tribos sofreram nessa oportunidade, porque um jovem permitiu-se ser arrebatado por suas paixões. A vida humana diária é repleta de paixões que avassalam, e a destruição torna-se descontrolada.

    Havia fortes sentimentos contra casamentos com os cananeus, o que é ilus­trado no capítulo vinte e quatro do Gênesis, onde o servo de Abraão viajou por cerca de mil e quinhentos quilômetros (ida e volta), a fim de buscar uma noiva para Isaque. Outro tanto sucedeu a Jacó, o qual foi até Padã-Arã (por ordem de sua mãe, Rebeca), a fim de obter uma noiva dentre a família de Labão (Gn 29). Assim, se os irmãos de Diná continuaram com o espírito de Abraão acerca dessa questão (também ficaram indignados diante da violação de Diná), parece que o problema poderia ter sido solucionado sem a necessidade de apelar para o homicídio. Até Jacó ficou profundamente perturbado diante da “solução” violenta de Simeão e Levi (vs. 30).

    A Amarga Colheita. “Jacó estava colhendo o que tinha plantado em seus anos maus (Gl 6.7,8)” (Scofield Reference Bible, in loc.).

    34.1 Diná. Ela era a única filha de Jacó (por meio de Lia), de que se tem notícia na Bíblia. Sendo filha única, sem dúvida era muito amada por seu pai, por sua mãe e por seus irmãos. E esse sentimento sem dúvida foi um dos ingredientes na violência que resultou do defloramento da jovem.

    Talvez Jacó e sua família já estivessem agora em Siquém por cerca de oito anos, conforme pensam alguns eruditos. Pelo menos Diná havia chegado à idade de casar-se, estando talvez com catorze anos.

    Uma Visita Amigável. Diná saíra para visitar amigas. Foi um ato inocente. Os intérpretes imaginam daí mil coisas. Alguns chegam a objetar à visita, pensando que a família de Jacó deveria tê-la guardado melhor. Mas o registro do Gênesis mostra-nos que Abraão mantivera relacionamento amistoso com aqueles vizi­nhos, não havendo indicação alguma de que os patriarcas se separavam de seus vizinhos, exceto no tocante à questão do casamento. Alguns intérpretes (como Josefo) supõem que Diná tenha ido a uma festa dos cananeus, embora o texto faça silêncio a esse respeito. O Targum de Jonathan diz que ela estava curiosa para saber que tipos de vestes e de costumes as mulheres das circunvizinhanças usavam. Aben Ezra ajunta que ela foi sem o consentimento de seus pais, embora tais detalhes sejam meras conjecturas.

    34.2 Siquém, filho do heveu Hamor. Não dispomos de informes sobre esse homem, exceto o que podemos depreender do texto sagrado, embora as tradi­ções adicionem detalhes duvidosos. Ele era “filho de Hamor, o heveu que desvirginou Diná, filha de Jacó e Lia, e foi morto por Simeão e Levi” (Gn 34; Js 24.32; Jz 9.28). Siquém viveu por volta de 1730 A. C. Hamor era um príncipe, portanto temos aqui o filho de um príncipe que se aproveitou de uma menina inocente, um ato de violência e sensualidade pelo qual ele precisou pagar muito caro. Seu pai era um chefe, e por isso Siquém pensava que poderia fazer o que bem entendesse, com impunidade.

    Hamor. No hebraico, asno. Esse era o nome de um príncipe de Siquém, pai do jovem Siquém (nome que, de acordo com Josefo, significa rei). Siquém desvirginou Diná. Ela era a filha única de Jacó (Gn 34.2). Desse homem, Jacó tinha comprado um campo (Gn 33.19), que posteriormente serviu de lugar do sepultamento de José (Js 24.32). Atos 7.16 diz que a compra foi feita por Abraão. Hamor era um heveu. O povo assim chama­do descendia de Canaã, constituindo uma das várias populações que ocupavam o território de Canaã. Não temos nenhuma outra informação sobre Hamor além do que este texto nos sugere, exceto alguns poucos detalhes tradicionais duvidosos.

    Humilhação e aflição era uma descrição judaica comum para a violação sexual de uma mulher.

    34.3 Sua alma se apegou a Diná. Não foi alguma paixão trivial. Siquém fez algo que não devia, mas quis corrigir o seu erro. Esse será sempre um sinal autêntico de arrependimento, requerido sempre que possível. Siquém quis reparar seu ato errado mediante casamento. Ele estava apaixonado por Diná. Sua alma se tinha apegado a ela. Tinha errado gravemente, mas agora queria reparar o seu erro. Implorou que seu pai conseguisse Diná como sua esposa. Procurou corrigir seu erro falando ternamente com ela, na esperança de eliminar a desgraça dela e obter o seu amor. Ele tinha usado a força, mas agora tentava obter amor.

    34.4 Um Pedido Especial. Siquém não estava apenas tentando melhorar uma situação errada, nem fingia amar a jovem Diná. Seus sentimentos eram tão pro­fundos por Diná como os de Jacó por Raquel. Poderia ser outra grande história de amor, mas o pecado havia estragado tudo de forma irreparável.

    “Siquém, como fazem muitos homens em qualquer tempo, havia cometido uma grande maldade, não de forma deliberada, mas através de um im­pulso súbito e da falta de autocontrole, que podem transformar um homem em um desvairado moral” (Walter Russell Bowie, in loc.). Conheci o filho de um pastor que, em uma súbita paixão, violentou uma mulher em um hospi­tal, onde ele trabalhava. Em resultado de seu ato tresloucado, passou vári­os anos em uma prisão, enquanto seus familiares agonizavam por causa da questão.

    O versículo vinte e seis deste capítulo indica que houve algum progresso nas negociações, parecendo que ia haver casamento. Diná chegou a ficar na casa de Hamor, não se sabe dizer por quanto tempo.

    34.5 Quando soube Jacó. De coração confrangido, ele ouviu a notícia estarrecedora. E então transmitiu a péssima notícia a seus filhos. Naquele mo­mento, Siquém era um homem morto, para todos os efeitos práticos.

    Jacó poderia tentar vingar-se ou poderia mostrar-se moderado. Mas ele não era adversário à altura para os heveus. Aos irmãos de Diná caberia o dever de efetuar a vingança. Pacientemente, Jacó suportou sozinho toda a dor, sem acusar Lia por haver permitido que sua filha andasse à vontade pela vizinhança, e sem se deixar arrebatar pela ira.

    34.6 Hamor. Ver sobre esse homem em Gn 34.2. Na qualidade de pai de Siquém, ele tomou sobre si o dever de tentar acalmar as coisas, buscando conseguir Diná como esposa para seu filho. E tentou arranjar o casamento com Jacó, pai de Diná, conforme era costumeiro. E Hamor tomou a iniciativa, atenden­do ao pedido de seu filho (vs. 4).

    34.7 A Ira dos Filhos de Jacó. O costume dizia que os irmãos de uma jovem violentada deveriam vingar-se por ela; e agora eles ansiavam por cumprir o seu papel. Estavam revoltados e consternados, uma combinação de emoções que facilmente desandaria em violência.

    Siquém praticara um desatino em Israel. Uma expressão muito usada no Antigo Testamento para indicar pecados de natureza sexual. Ver Dt 22.21; Jz 19.23,24; 20.6,10; II Sm 13.12,13; Jr 29.23. A expressão é usada em Js 7.15 para aludir à impiedade de Acã, ao ficar com certos objetos, por ocasião da captura de Jericó, contra uma estrita proibição divina.

    Em Israel. O pessoal de Jacó, assim chamado, porque estes registros foram compilados quando Israel já era uma nação, e esse vocábulo foi aqui inserido como um anacronismo. Quanto tempo depois que Israel se tornara uma nação, não se sabe dizer. Os eruditos liberais escolhem uma data posterior, de acordo com a teoria das fontes múltiplas do Pentateuco, chamada J.E.D.P.(S.).

    O que se não devia fazer. De acordo com qualquer julgamento da razão, da moralidade ou da civilidade, Siquém havia praticado algo grosseiro e cruel.

    ‘Tolo é aquele que se recusa a reconhecer suas obrigações para com a comunidade à qual pertence. A insensatez, ato de um insensato, por conseguinte, é um ato criminosamente irresponsável, que contribui para a desintegração social e individual” (Cuthbert A. Simpson, in loc.).

    34.8 A alma de meu filho… está enamorada. Portanto, que Siquém e Diná se casassem, e todos ficassem em paz. Essa foi a mensagem simples e direta de Hamor. Mas havia obstáculos que ele não antecipara, sobretudo que o mal tinha de ser punido. Ademais, a família de Jacó não se casava com os cananeus, e essa atitude dificilmente se modificaria. Hamor tentou simplificar um problema complexo. Alguns problemas não têm solução fácil.

    Peço-vos. Estão aqui em foco Jacó e seus filhos. Na antiguidade, os casa­mentos eram contratados entre os chefes das famílias, o que já vimos em Gn 24.50,51,55,59.

    34.9 Aparentai-vos conosco. Hamor pensava que era boa a ideia de casamen­tos entre os filhos de Israel e os cananeus. Ele estava propondo uma mescla de tribos, e não somente um casamento. Este seria apenas um começo. Haveria então uma cooperação de recursos, de natureza social e comercial, e todos se beneficiariam daí. Ele estava simplificando um problema complexo. Em primeiro lugar, deveria haver vingança pelo erro cometido; em segundo lugar, a família de Jacó, desde duas gerações atrás, não se casava com cananeus. Quando Esaú fizera isso, caíra em desfavor. Gn 26.34,35. Abraão fizera um grande esforço para evitar que Isaque se casasse com alguma donzela das tribos locais (Gn 24.3,4), e Jacó e Raquel e Lia tinham seguido esse exemplo (Gn 28.1 ss.). Posteriormente, tentando corrigir seu erro, Esaú casou-se com uma neta de Abraão, uma filha de Ismael.

    Essa forma de exclusivismo passou para o povo de Israel, quando este se organizou como nação, ainda que a regra tenha sido violada por muitas vezes. Isso também tornou-se parte da lei de Moisés (Dt 7.3). No cristianismo prosse­gue o princípio, embora não sobre bases raciais. Deve haver compatibilidade espiritual entre os crentes (II Co 6.14 ss.). Antigas distinções raciais e nacionais foram obliteradas no cristianismo (Gl 3.28,29).

    Filha Única. Por essa altura, Diná era filha única de Israel (Jacó). E teria sido um mau precedente se essa única filha se tornasse esposa de um cananeu.

    34.10 Paz e Comércio. Quando duas tribos habitam um mesmo território mas se hostilizam, os negócios e a prosperidade não somente empacam, como até são destruídos. A paz produz a prosperidade, pois as energias vitais de uma pessoa não são dilapidadas em atos violentos. Hamor sabia do que estava falando. A história das tribos daquela região era continuamente coalhada por sangue e vio­lência. O vs. 23 mostra uma certa duplicidade. Hamor estava querendo vantagens para si mesmo e para sua gente, e não apenas um benefício mútuo para cananeus e israelitas. Ou, então, falou como falou a fim de garantir um acordo, na esperan­ça de que ele redundasse em benefício mútuo, por fim.

    Fim do Nomadismo. A família de Abraão seguia um regime de seminomadismo. O oferecimento de Hamor permitiria uma maneira de vida estável, voltada para a agricultura, as artes e as ciências. Eles seriam donos de propriedades, e não apenas criadores de gado, sempre vagueando. O esforço por obter uma propriedade sempre foi um dos principais motivos da vida humana. O fato de que a maioria dos homens nunca é capaz de prover casa própria para seus familiares (ou que precisam trabalhar por trinta anos para conseguirem essa provisão) demonstra a pobreza em que se debate a raça humana. As propostas de Hamor eram aparentemente honrosas, sábias e generosas. Ele estava oferecendo uma boa barganha, que operaria mediante casa­mentos mistos; mas também estava querendo simplificar um problema muito complexo.

    34.11 E o próprio Siquém disse. Portanto, o próprio Siquém fez adições ao que seu pai já havia proposto. Seu pai havia prometido muita coisa. Agora o próprio Siquém fez sugestões, aproveitando o ensejo para falar com Jacó e seus filhos. Ele compraria Diná por meio de um vultoso dote, tal como Jacó havia feito, porquanto havia trabalhado por catorze anos a fim de adquirir Lia e Raquel (Gn 29.20,27; 31.15). As atitudes de Siquém demonstraram o quanto ele amava Diná. Ele não estava negando coisa alguma.

    34.12 Majorai de muito o dote. No hebraico, dote é mohar. Esse era o preço pago por uma noiva aos seus pais. Outros parentes da noiva também podiam esperar ganhar alguma coisa (Gn 24.53). Além disso, era usual que o noivo desse um ou mais presentes (no hebraico, matthan) à noiva. E, em outras ocasiões, o dote era dado inteiramente à noiva. Esse dote podia ser pago sob a forma de trabalho, o que ficou demonstrado no caso de Jacó.

    A questão da sedução de donzelas foi regulamentada sob a legislação mosaica. Ver Êx 22.16,17.

    34.13 Responderam com dolo. Concordaram dos lábios para fora, mas em seu coração eles já haviam planejado o assassinato em massa. Esse plano estava baseado na ira e no desgosto, diante do estupro de Diná. A maioria dos homens de pouco precisa para sentir-se inspirada a enganar ao próximo. Basta um pouco de vantagem própria. As palavras “com dolo”, aqui usadas foram traduzidas por com sabedoria, por Onkelos, Jonathan e Jarchi, mas isso é uma distorção do texto sagrado.

    34.14 A Circuncisão é Exigida. Esse era o sinal externo do Pacto Abraâmico (ver Gn 17.10)

    Isso nos seria ignomínia. Não ter sido circuncidado era não fazer parte do Pacto Abraâmico, e era desobedecer à aliança que Deus fizera com Abraão sobre essa questão. Nisso os filhos de Abraão estavam com a razão. “Mas fazer desse princípio santo uma capa para seus propósitos dolosos e assassinos era o cúmulo da iniquidade” (Adam Clarke, in Ioc.).

    34.15 Circuncidando-se todo macho entre vós. Essa foi a condição imposta pelos filhos de Jacó aos homens da tribo de Hamor. Isso não lhes conferiria a fé de Abraão, mas removeria deles o estigma da incircuncisão. Mas talvez, na mente dos filhos de Jacó, isso nada lhes conferiria, pois, desde o começo, a questão inteira era um artifício.

    34.16 Seremos um só povo. Os casamentos mistos, depois de algum tempo, criariam um único povo. Todavia, a última coisa que os filhos de Jacó queriam era ser um só povo com os cananeus. Os filhos de Jacó falavam em tom razoável (vs. 18), mas a violência ocultava-se por trás de palavras agradáveis. Somente em Cristo é que todas as nações tomam-se uma só (Gl 3.28,29). O rito da circunci­são não pode fazer isso, nem casamentos mistos. Para que dois sejam um, é mister que haja unidade de alma, e não só de condições externas. Podemos entender, todavia, que os filhos de Jacó queriam dizer que, mediante a circunci­são, os cananeus tornar-se-iam religiosamente orientados, o que os prepararia para aceitar as doutrinas e as práticas de Abraão, mas o próprio texto não aponta para nenhuma revolução dessa natureza. Mas para que entrar em detalhes sobre um plano ardiloso, que visava a enganar?

    34.17 E nos retiraremos embora. “Se vocês não concordarem, partiremos daqui”, ameaçaram eles. A ameaça era somente levar Diná dali; mas isso constituía uma grande ameaça, por causa do grande amor de Siquém por ela. O vs. 26 mostra-nos que Diná estava na casa de Siquém. Por que ela não havia retomado, não é explicado. É difícil crer que ela tivesse ficado ali retida à força. Talvez ela tivesse concordado em casar-se com Siquém, dependendo de negociações com seu pai, pelo que estava hospedada na casa de seu futuro sogro, até que as negociações tivessem sido concluídas.

    “E retiraremos nossa filha à força.” Esse é o fraseado do Targum de Jonathan, o que talvez indique que Diná estava sendo retida na casa de Hamor contra a sua vontade.

    34.18 Tais palavras agradaram. Hamor e Siquém não fizeram exigências descabi­das, mas somente aquilo que contribuía para seu próprio interesse, não impondo condições impossíveis ou mesmo difíceis de cumprir.

    E provável que o rito da circuncisão não fosse desconhecido à tribo de Hamor, e que até fosse encarado de modo favorável, embora não praticado por eles. Pelo menos, eles não se ofenderam nem sentiram repugnância. A circuncisão era prati­cada por muitos povos antigos.

    34.19 Não tardou o jovem. Siquém não perdeu tempo. Mais tarde haveria necessi­dade de a tribo inteira concordar em receber o rito. Isso seria conseguido median­te um apelo indireto à cobiça deles (vs. 2), o que pode ter sido dito com seriedade ou não. Mas tudo não passava de outro ardil.

    Era o mais honrado. Em um momento de desvario, ele havia desvirginado Diná. Mas fora de certos impulsos desastrosos, ele era, normalmente, o mais honrado elemento da tribo de seu pai. Portanto, ele cumpriu prontamente a parte que lhe cabia, começando a corrigir o erro para poder casar-se com Diná, por causa do grande amor que lhe votava.

    34.20 À porta da sua cidade. Hamor e Siquém reuniram os anciãos da cidade a fim de discutir sobre a questão, exortando outros a concordar com o trato que tinham acabado de firmar com Jacó. Quanto a consultas e a negócios efetuados na porta de uma cidade, ver Gn 19.1 e 23.10. Ver também II Sm 15.2; Ne 8.1; Sl 69.12.

    À porta. “Era ali que se efetuavam os tribunais de julgamento, bem como se resolviam todas as questões públicas acerca do interesse comum dos habitantes da cidade” (John Gill, in Ioc.).

    34.21 Estes homens são pacíficos. Até ali, Jacó com seus familiares e os habi­tantes da região tinham sido bons vizinhos. Eram criadores de gado, seminôma­des, e não guerreiros. Coisa alguma tinham jamais furtado, nem provocado con­tenção alguma. Isso os recomendava para que se fizesse com eles um pacto de amizade e casamentos mistos, a fim de que os dois povos, os heveus e Israel (este ainda em formação), pudessem tornar-se um só povo. O território era espa­çoso o bastante para ambos, fazendo contraste com o caso de Abraão e Ló, que precisaram separar-se (Gn 13.8 ss.), e também em contraste com a situação que, ainda recentemente, surgira entre Jacó e Esaú (Gn 36.7 ss.).

    A Troca de Filhas. Ver os vs. 9 e 16 deste capítulo, quanto à questão dos casamentos mistos, que inclui a relutância dos membros da família de Abraão em misturar-se por casamento com as tribos cananeias, que viviam à sua volta. Nem os heveus nem a família de Jacó eram numerosas na época, e, conforme parecia a Hamor e a Siquém, seria benéfico para ambos os grupos que eles fortalecessem seus recursos humanos e materiais.

    34.22 Consentirão os homens em habitar conosco. Mas o acordo dependia da circuncisão dos homens heveus, sinal do Pacto Abraâmico. Pode-se presumir (embora o próprio texto sagrado nada diga a esse respeito) que os heveus have­riam de seguir a nova fé, que se estava desenvolvendo no Yahwismo. Ver os vss. 14 e 15 quanto a essa condição, que foi proposta de modo ardiloso. O assassina­to em massa estava no coração dos filhos de Jacó, e não as ideias de incorpora­ção e de unificação.

    34.23 Seus animais não serão nossos? Os heveus estabeleceriam com os filhos de Israel uma aliança e, sendo mais numerosos que eles, haveriam de absorvê-los, incorporando Jacó e sua família. Desse modo, eles se tornariam heveus, e não israelitas. Assim, a barganha, que começara como estrada de duas mãos, terminaria favorável a eles. Este versículo mostra-nos que os heveus também estavam promovendo uma armadilha, tal como o tinham feito os filhos de Jacó, embora segundo um método pacífico, e não violento. Alguns eruditos, porém, pensam que essa declaração servia apenas de isca, para obter a cooperação de toda a comunidade dos heveus, não envolvendo nenhuma proposta séria de incorporação e dominação. Não há como saber o que eles, realmente, pretendi­am. Mas se este versículo não contém um ardil, então as ideias do vs. 21 são aqui contraditas.

    Consintamos. Com a dupla finalidade de manter a paz e de agradar o jovem Siquém, o mais honrado dentre os heveus, ao qual todos os heveus respeitavam (vs. 19).

    34.24 Houve Cooperação Geral. Todos os varões foram circuncidados, sem nenhu­ma exceção. O poder dos chefes asiáticos era quase absoluto, e os povos da região estavam acostumados a prestar obediência passiva. Além disso, haviam sido apresentados argumentos convincentes, e todos queriam honrar Siquém. Ninguém entre os heveus haveria de desapontá-lo.

    34.25 E mataram os homens todos. Foi uma matança completa. Lemos que so­mente Simeão e Levi estiveram ocupados nessa tarefa sangrenta. Isso indica que os heveus não eram numerosos. Os homicídios foram cometidos quando os súditos de Hamor mais estavam sofrendo. Portanto, o ardil foi seguido por traição. Muitos estudiosos pensam que só Simeão e Levi são mencionados por terem agido como líderes na matança, e não porque somente eles usaram da espada. Essa ideia é razoável, embora o texto sacro não explicite isso. Simeão, Levi e Diná tinham a mesma mãe (Lia); e foram eles dois, naturalmente, que assumiram a liderança no massacre. Rúben, que também era irmão de Diná, opunha-se ao derramamento de sangue (Gn 37.22), e provavelmente por isso mesmo não participou do morticínio. Em uma ocasião posterior, Jacó manifestou-se sobre o que acontecera naquele dia, em termos da mais decisiva desaprovação (Gn 49.5-7).

    “Ainda que a provocação tenha sido muito grave (e sem dúvida assim foi), esse foi um ato sem paralelo de traição e de crueldade” (Adam Clarke, in loc.).

    Josefo retrata os heveus como quem não só estava sofrendo por causa da recente operação da circuncisão, mas também como quem sofria devido às suas muitas festas e pesada ingestão de vinho. Nesse caso, mostraram-se vítimas fáceis.

    “Assim, Siquém havia praticado um desvario, e tornara-se culpado do fato. Merecia ser castigado, e os filhos de Jacó estavam resolvidos a ser os agentes castigadores. Mas o que fizeram foi pior do que a ofensa original, mais cruel, mais odioso e mais arruinador. Seus detalhes feios ficaram registrados no relato bíbli­co, incluindo as palavras de ludibrio calculado, e então a traição, e, finalmente, a matança sem dó” (Walter Russell Bowie, in loc.).

    Simeão e Levi mostraram como homens carnais costumam defender o seu alegado direito de maneiras violentas e destrutivas, e também como homens radicais pretendem defender Deus e a verdade usando métodos irracionais e pecaminosos. Esses homens, estribando-se em uma alegada superioridade espi­ritual, golpeiam e queimam outros seres humanos.

    34.26

    Os Alvos Centrais da Violência. Siquém merecia ser punido. Mas que dizer sobre o pai dele? E mereceria ele esse tipo de punição? O texto bíblico não esclarece por que Diná continuava na casa de Siquém. Também não há nenhum indício de que estivesse sendo forçada a isso. Talvez ela continuasse ali, espe­rando pelo resultado das negociações. Talvez estivesse envergonhada e temero­sa de voltar à casa paterna. Ou, então, fora até ali, após ter sido feito o acordo em torno da circuncisão dos homens heveus.

    “Siquém era o principal ofensor, e seu crime fora hediondo. Mas considerando que, em seguida, fez o quanto pôde para corrigir seu erro e para recompensar pela injúria causada, ele merecia outro tratamento; pelo menos, deveria ter-lhe sido de­monstrada misericórdia” (John Gill, in loc.). Hamor talvez se tenha mostrado por demais indulgente com seu filho, mas dificilmente o ato era passível de morte.

    34.27 Os filhos de Jacó. Talvez isso aponte para todos os filhos de Jacó que tinham idade suficiente. Nem todos participaram do homicídio, mas todos partici­param do saque.

    Saquearam a cidade. A mente criminosa geralmente ofende de três manei­ras: a. ela atenta contra a integridade física de outra pessoa; b. rouba; e c. o que não consegue roubar, destrói insensatamente. Simeão e Levi agiram como crimi­nosos comuns. O saque sempre foi um corolário da guerra. Neste caso, fez parte da vingança. O autor sacro precisou de três versículos (vss. 27-29) para narrar os horrendos detalhes dos atos covardes e criminosos dos dois irmãos. E eles haveriam de tornar-se patriarcas de Israel!

    Aos mortos. Somente um deles, Siquém, tinha cometido o crime de estupro, mas todos os heveus, indistintamente, foram considerados culpados pelos filhos de Jacó.

    34.28 Levaram Tudo. A pilhagem foi completa. Moisés enumerou as várias coisas que eram tidas como valiosas, ou seja, as riquezas dos antigos, que se compu­nham principalmente de animais, vestes, terras, metais preciosos, vinhas e outras plantações. O que pôde ser levado, os filhos de Jacó levaram. Provavelmente também confiscaram suas terras, plantações e vinhas. O vs. 29 diz, “todos os seus bens”.

    34.29

    O Terror. Não somente apossaram-se de todos os bens” dos heveus, mas também levaram suas mulheres e suas crianças, e “limparam” as suas casas. O autor sagrado retratou os feios detalhes desse ato condenável em que se envol­veram os patriarcas de Israel!

    “Assim como Jacó desaprovou os atos injustos, cruéis, sanguinolentos e pérfidos de seus filhos, assim também, sem dúvida, deixou os cativos em liberda­de, devolvendo-lhes seu gado e seus bens” (John Gill, in loc., que assim expres­sou uma nobre esperança, da qual o texto sagrado nada fala).

    34.30 Jacó sob Suspeita. Quem confiaria nele de novo? Quem haveria de que­rer residir perto dele novamente? As pessoas nunca parariam de falar sobre Jacó e seus filhos traiçoeiros. Outros haveriam de querer tirar vingança. Jacó ver-se-ia apertado por todos os lados. Seus filhos haviam reagido exageradamente, para dizer o mínimo. E outros haveriam de reagir com exa­gero e em termos iguais.

    “…por causa de sua ira desenfreada, eles [Simeão e Levi] haveriam, mais tarde, de ser deixados para trás, na bênção de Jacó (Gn 49.5-7)” (Allen P. Ross, in loc.).

    Declarou Jacó: “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura”. (Gn 49.7)

    Esses filhos de Jacó e seus descendentes, ao que parece, continuaram com seus atos violentos. O incidente que envolveu Siquém não foi um ato isolado. Jacó avaliou corretamente os seus atos, e corretamente falou contra eles, negan­do-lhes a sua bênção maior.

    “Aquele ato de violência, que ameaçou as boas relações entre a família de Jacó e os cananeus, reflete eventos que forçaram Simeão e Levi a abandonar a área, e que levaram ao seu declínio em poder (Gn 49.5-7) (Notas da Oxford Annotated Bible, in loc.)”.

    34.31

    Responderam. Os filhos de Jacó tinham um motivo justo para tirarem vin­gança. Mas não para aquela vingança que tinham efetuado.

    Prostituta. Essa é a primeira menção à palavra, na Bíblia. Não há que duvidar de que a prostituição é uma das mais antigas profissões humanas, exce­tuando talvez a agricultura. O termo hebraico zonah indica uma mulher que se prostitui por dinheiro ou por alguma vantagem material. O trecho de Pv 7.10 ss. adverte contra esse mal. Diná era uma donzela inocente, e não deveria ter sido tratada como uma mulher de má vida. Talvez, conforme têm pensado alguns intérpretes judeus, ela tivesse ido a uma festividade pagã, estando deslocada de seu lugar apropriado. Ou, então, conforme têm pensado alguns escritores, Jacó e Lia não deveriam tê-la autorizado a ir. Fosse como fosse, ela não merecia o tratamento que recebeu da parte de Siquém. Ainda assim, a vingança praticada por seus irmãos foi diabólica e não há argumento que a possa justificar.

    Bibliografia R. N. Champlin

    (mais…)

  • Lição 7 – Editora Betel – Jacó no vau de Jaboque

    Texto Áureo

    “Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu”. Gn 32.24

    Verdade Aplicada

    Buscar em Deus a mudança ra­dical de nossa vida, é a decisão mais sábia que devemos tomar.

    Objetivos da Lição

    ?      Ensinar que os planos dos homens sem Deus nada valem;

    ?      Mostrar que Deus quer nos ensinar a depender dele; e

    ?      Demonstrar o valor que é ser tocado pelo Senhor.

    Textos de Referência

    Gn 32.24 Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um varão, até que a alva subia.

    Gn 32.26 E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares.

    Gn 32.27 E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.

    Gn 32.28 Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os ho­mens e prevaleceste.

    Gn 32.30 E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.

    Gn 32.32 Por isso, os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a jun­tura da coxa, até o dia de hoje, porquanto ele tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo en­colhido.

     

    O Drama de Jacó e Esaú

    Jacó Teme a Esaú e Prepara-se para o Encontro

    Continuando Jacó o caminho de casa, como vimos na lição 06, Jacó teria de atravessar o território de Esaú, e não pensava que poderia evitar esse encontro. Haveria de tomar a rota comum, e não desviaria caminho para o deserto. Havia comunidades ao longo dessa rota. Daí o seu dilema. Jacó traçou planos de acordo com a razão humana, e esperou que sucedesse o melhor. Recebeu outra visita angelical que preparou a sua mente para a viagem e para o encontro, mas seu temor não parece ter sido aliviado por causa disso. Enviou mensageiros que preparassem o caminho. Mas eis que Esaú, com quatrocentos homens (um verdadeiro exército, para a época), estava vindo ao seu encontro. Ao ouvir isso, Jacó ficou angustiado. Seus pecados o estavam alcançando de novo. O que um homem semear, isso haverá de colher. Ele deve­ria ter-se descontraído, porém. Esaú não era homem que pudesse manter uma inimizade por mais de vinte anos. De fato, assim como as dificuldades de Jacó com Labão tinham terminado com tristes despedidas de membros de uma mesma família, assim seu encontro com Esaú terminaria como uma daquelas felizes reuniões familiares. A bênção do Senhor acompanhava a Jacó por onde quer que ele fosse. Senhor, concede-nos tal graça!

    32.1

    Anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo. Admiramo-nos das vezes em que os anjos acompanharam Jacó. Eu mesmo levo a sério a realidade desses seres invisíveis. Há muitas evidências em prol da existência dos anjos. Provavelmente, na época de Jacó, eles não eram considerados seres imateriais, mas certamente eram tidos como seres de outra dimensão. Não são uma variedade diferente de seres humanos, nem mesmo aparentados.

    Seja como for, os anjos sempre estavam prontos a proteger Jacó, a fim de tranquilizar lhe a mente e infundir-lhe senso de segurança. Ele estava de volta para casa. Coisa alguma poderia impedi-lo ou prejudicá-lo ao longo do caminho. Ver Sl 91.11,12 quanto às grandes promessas associadas aos seres angelicais. Eles são espíritos ministradores (Hb 1.14). Ver as seguintes referências às atividades dos anjos no Gênesis, até este ponto: 16.7,9-11; 19.1; 21.17; 22.11,15; 24.7,8,12 ss.,40; 31.11. Ver também Gn 32.24. Jacó passou por muitas experiências místicas, com ou sem a presença visível de anjos. Conside­remos a sua experiência em Betel (Gn 28.12 ss.), acompanhada por anjos. Ao que parece, todas as grandes mudanças em sua vida foram ajudadas pelo ministério angelical. De quanto carecemos da manifestação da presença divina para ajudar-nos! Não basta ler a Bíblia e orar. Precisamos do toque místico, mormente em períodos de crise e de decisão. Oh, Senhor, confere-nos tal graça!

    “Neste ponto, o mundo invisível de Deus tocou abertamente no mundo visível de Jacó” (Allen P. Ross, in loc.).

    32.2

    Maanaim. No hebraico significa acampamento duplo. Esse foi o nome dado ao lugar quando Jacó, ao retornar de Padã-Arã, teve um encontro com anjos. Ao vê-los, Jacó exclamou: “Este é o acampamento de Deus”. Literalmente, a palavra significa “dois exércitos”. Talvez fossem compostos pelo grupo humano, que Jacó encabeçava, e pelo grupo dos anjos. Ou, talvez, o número dos anjos fosse tão grande que eles pareciam ser não um só, mas dois exércitos. O propósito do relato foi mostrar quão bem Jacó estava sendo acompanhado. Muito poder acompanhava Jacó. Ele mesmo avan­çava em fraqueza e temor. Esaú em breve haveria de encontrar-se com ele, levando-o a temer. Mas Deus estava controlando a situação. Jacó não sofreria dano, pois estava destinado a voltar para casa e iniciar ali uma nova missão. O Pacto Abraâmico garantia a sua segurança e o cumprimento de mais cinquenta anos de vida, prenhes de propósito. Assim também, os propósitos de Deus garantem a nossa vida e guiam-nos de um drama para outro. Jacó ainda tinha mais de um terço de sua vida para viver. Sua volta à Terra Prometida estava garantida.

    “Quão frequentemente os anjos são mencionados na história da vida de Jacó! Anjos no sonho-visão da escada, em Betel; o sonho de um anjo que lhe dissera para deixar o território de Labão; anjos agora, que lhe saíram ao encontro, no caminho; a memória de um anjo quando, finalmente, ele impôs as mãos sobre os filhos de José, e disse: ‘O Anjo que me tem livrado de todo mal abençoe estes rapazes’ (Gn 48.16)” (Walter Russell Bowie, in loc).

    O nome Maanaim foi posteriormente dado a uma cidade que veio a pertencer à tribo de Gade. Ver II Sm 2.8; 17.24; I Rs 4.14.

    32.3

    Enviou mensageiros… a Esaú. Quando Jacó enganou seu pai, Isaque, e furtou a bênção (e então já havia arrebatado o direito de primogenitura), estava tratando somente com uma pessoa. Mas agora Esaú avançava contra ele à testa de um pequeno exército de quatrocentos homens. Jacó tinha muita razão para temer; mas ao mesmo tempo, nada tinha para temer, visto que todas as coisas estavam cooperando em conjunto para o seu bem. Antigos atritos tinham desapa­recido. Esaú estava avançando de coração e de braços abertos. E assim, pode­mos dar graças, pois muitos de nossos piores temores na realidade nada repre­sentam, Deus já tomou conta das coisas. Os mensageiros nem tiveram tempo de entregar a mensagem reconciliadora de Jacó. Mas Deus já havia reconciliado os dois irmãos, um com o outro.

    Terra de Seir. Essa palavra significa peludo, cabeludo. Provavelmente havia ali muita vegetação, embora não mais atualmente. Seir ficava a muitos quilômetros de Maanaim, mas parece que Esaú, já por vários dias, avançava para onde estava Jacó; e assim, quando os mensageiros partiram, ele já não estava muito longe. Esse lugar ficava ao sul do mar Morto, e estendia-se até o golfo da Arábia (I Rs 9.26). Era um nome alternativo para Edom.

    Edom. Essa pala­vra significa vermelho, uma alusão ao repasto vermelho que Jacó vendeu a Esaú, em troca do direito de primogenitura. Essa alcunha foi dada a Esaú (Gn 25.30) e passou dele para a terra em que fora habitar. Tornou-se um nome alternativo para Seir e para a Iduméia, além de designar a terra e seus habitantes, os descenden­tes de Esaú (Gn 25.20, 21, 30 e 32.3), ou, coletivamente, todos os idumeus (Nm 20.18,20,21; Am 1.6,11; Ml 1.4).

    32.4

    Uma Breve História. Os mensageiros foram enviados para contar a Esaú uma breve história da vida e dos atos de Jacó, desde que se tinham visto pela última vez, cerca de vinte anos antes. A linha central do recado dizia: “Sê amigá­vel para comigo”, ou seja, Jacó buscava as boas graças de seu irmão gêmeo (vs. 5). Era um apelo em favor de paz e de boas relações.

    Jacó, o homem de muitas experiências místicas, homem de destino e de poder, o vaso central, em sua geração, do Pacto Abraâmico, por outra parte, era também aquele homem que havia cometido certos erros que ainda o perseguiam. Esse homem teria de sofrer as consequências de sua insensatez anterior. Ele havia defraudado seu irmão e, então, se afastara para uma distância segura de sua vítima. O passado, contudo, não poderia ser esquecido. Ele teria de se encontrar consigo mesmo, o “eu” que ele deixara para trás fazia muitos anos. A lei da colheita segundo a semeadura é muito poderosa. Mas Esaú, o irmão defraudado, mostrou-se moral­mente superior a Jacó, e deixara de odiar. Agora, só queria ver de novo o seu amado irmão gêmeo. A graça de Deus estava atuando em seu coração.

    Como peregrino morei. Jacó não havia residido com Labão de forma per­manente. Fora ali apenas um peregrino. Agora estava voltando para casa. Os patriarcas de Israel foram peregrinos e forasteiros na terra (Hb 11.13). Jacó parece ter transmitido a ideia de que já havia sofrido o bastante às mãos de Labão, pelo que, por assim dizer, já havia pago a sua dívida. Isso posto, muito apreciaria se recebesse um tratamento bondoso às mãos de Esaú. Todos acaba­mos pagando as nossas dívidas, de uma maneira ou de outra.

    32.5

    Volto Rico. Trabalhei muito; enriqueci; tenho vivido bem. Talvez isso indicas­se que ele presentearia Esaú, a fim de suavizar a indignação deste. E acabou dando-lhe mesmo presentes (vss. 14 e 15). Seus presentes foram deveras gene­rosos, mesmo porque seu temor era grande. Algumas vezes, os presentes são peitas disfarçadas, o que por certo ocorreu nesta ocasião.

    Jacó não merecia a amizade de seu irmão, mas tinha esperança de poder comprá-lo. Bens materiais serviriam para corrigir as contas? Esaú também havia enriquecido, e por que se importaria com coisas materiais? Só queria oferecer perdão a seu irmão, como também acenar-lhe com a paz. A graça de Deus estava atuando.

    32.6

    Quatrocentos homens com ele. Fracassara a missão dos mensageiros enviados por Jacó. Esaú passara por eles com pressa, aparentemente de testa franzida, decidido a fazer o mal. A única informação que os mensageiros puderam captar fora que Esaú se encaminhava na direção de Jacó, com um pequeno exército de quatrocentos homens. Talvez ele tenha reunido tal força sem saber o que poderia esperar da parte de Jacó. Afinal, Jacó nunca fora conhecido como homem de negociações justas. Talvez Jacó estivesse atacando com um poderoso batalhão armado. Qual não deve ter sido a surpresa de Esaú ao averiguar que Jacó estava acompanhado somente de mulheres e crianças! (Gn 33.2).

    “. . .uma consciência culpada não precisa de acusador. Mais cedo ou mais tarde, ela dirá a verdade” (Adam Clarke, in loc.).

    32.7

    Teve medo e se perturbou. Jacó trazia muitos bens, mas não estava equi­pado para a guerra. Por outra parte, Esaú parecia bem munido para guerrear. Conforme costumavam dizer os gregos quando as circunstâncias eram impossí­veis de contornar: “Lança tudo ao cuidado dos deuses, e ora”. E foi isso que Jacó fez.

    A divisão de sua gente em dois grupos teve o propósito de diminuir as perdas e o derramamento de sangue. Enquanto um grupo fosse massacrado, o outro tentaria escapar. Jacó preparou-se para o pior, ao mesmo tempo que Deus o tinha preparado para receber o melhor. É grandioso quando Deus age além e acima do que esperamos.

    “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quan­to pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós. . . (Ef 3.20).

    A angústia de Jacó era grande, apesar da visão dos anjos que ele tinha recebido. Deus o tinha encorajado, mas ele estava muito aflito, pois sua fé era fraca. Ele era um quadro do crente comum, conforme sucede à maioria de nós. E então, cada vez que Deus nos dá uma grande vitória, isso nos surpreende de novo.

    32.8

    Minimizando as Perdas. Jacó havia virtualmente abandonado a esperança de paz e amor. Agora só procurava diminuir as perdas inevitáveis. Um de seus grupos talvez fosse massacrado, mas, enquanto isso, o outro grupo teria a oportu­nidade de escapar. Ele se havia olvidado do amor de Deus, o qual pode (e ocasionalmente assim realmente faz) mudar o coração dos homens. Estamos sempre em dificuldades e apertos, quando deixamos de lado o amor de Deus. A intenção de Jacó era apenas aplacar; mas Deus já havia aplicado o Seu amor. “Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga” (Pv 28.1).

    Na mente de Jacó, todos os quatrocentos homens de Esaú vinham de espa­da desembainhada na mão. Na mente divina, entretanto, todos vinham de cora­ção amistoso e de braços abertos, acolhedores. Eles eram uma comissão de boas-vindas, e não um exército destruidor.

    A Aflita Oração de Jacó (32.9-12)

    32.9

    Deus de meu pai. Jacó havia traçado os seus planos, e esperava salvar parte de seu grupo. Na sua oração, porém, seu alvo foi mais alto do que isso. Todavia, esse alvo mais elevado só poderia ser atingido mediante o poder divino. Deus já havia feito o trabalho, mas como não sabia disso, Jacó orava insistentemente para que houvesse algum acontecimento especial. Ele teria de esperar até o dia seguinte, a fim de ver o resultado de suas orações, pois ainda teria de passar-se uma noite (vs. 13). Quanto à fórmula por muitas vezes repetida, “Deus de Abraão e de Isaque”, à qual foi acrescentado mais tarde o nome de “Jacó”. O acúmulo de nomes patriarcais, atrelados ao nome de Deus, compunha uma fórmula de monoteísmo e de poder. Era o Deus de Israel, conforme passou a ser chamado mais tarde. Esse acúmulo também emprestava apoio tradicional à nova fé, que se ia formando.

    Deus dera ordens a Jacó para que retomasse à sua terra. E Jacó estava obedecendo. Portanto, Jacó estava recebendo a proteção divina, em face de sua obediência. Ademais, como poderia ter cumprimento o Pacto Abraâmico, se Jacó e seus filhos fossem dizimados em campo aberto? Ver Gn 31.13 quanto à ordem divina que lhe fora dada: “volta para a terra de tua parentela”.

    “A oração de Jacó… foi notável por sua combinação de grande intensidade com simplicidade de termos. Depois de dirigir-se a Deus como o Elohim de seus pais, ele se aproximou mais Dele, chamando-0 de Yahweh, o qual lhe havia ordenado pessoalmente que voltasse ao lugar onde nascera (Gn 31.13)” (Ellicott, in loc.).

    E te farei bem. Deus daria proteção a Jacó, abençoando-o e conferindo-lhe poder, a fim de que fosse o elo que levasse avante a cadeia do Pacto Abraâmico, até que a nação de Israel se tornasse uma realidade. Uma vez mais, pois, é enfatizada a providência de Deus, algo que é tão conspícuo no livro de Gênesis.

    32.10

    Sou indigno. A maioria das orações pode ser iniciada por uma confissão de indignidade, pois essa é a condição humana geral. A Jacó já havia sido conferida, por repetidas vezes, a misericórdia divina, de mescla com alguma revelação da verdade. Grande propósito divino estava atuando em sua vida. Ele tinha visto muita coisa; esperava ver mais ainda, e, especificamente, a presença protetora de Deus, naquele instante, para que tudo não viesse a perder-se desnecessariamente.

    O homem espiritual reconhece essas coisas. Quão frequentemente oramos, baseando nossas petições sobre as bênçãos passadas e sobre o poder já experi­mentado! Como foi o passado, tal será o futuro! Jacó tinha tido ricas experiências. Agora, orava fervorosamente, pedindo forças espirituais e a intervenção divina na sua presente emergência.

    Atravessei este Jordão. Isso tinha acontecido cerca de vinte anos antes. Jacó reconheceu que, naquela ocasião, embora não tivesse companhia humana, Deus estivera com ele. E agora, considerasse Deus como ele se tornara dois grupos de pessoas e de animais. “É tudo devido à Tua bênção, ó Senhor. Não permitas que agora tudo se acabe!”

    “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça…” (Ef 3.8). Mas, a despeito de sua indignidade, Jacó recebeu uma grande bênção. Tal como lhe acontecera no passado, assim continuaria a ser no futuro!

    32.11

    Livra-me… e as mães com os filhos. Em sua mente, Jacó imaginava a pior de todas as cenas: as mães impotentes a quererem salvar freneticamente seus filhinhos preciosos, do bronze sem misericórdia das armas de guerra.

    “. . .Salmã destruiu Bete-Arbel no dia da guerra: as mães ali foram despedaçadas com seus filhos” (Os 10.14). Essa é a pior possibilidade em uma guerra — as mães e seus filhos sofrendo às mãos de homens ímpios e desarrazoados. O ódio é capaz de liberar a pior crueldade, a destruição inútil de famílias, em meio à barbárie e à selvageria.

    32.12

    O Pacto Abraâmico, aqui relembrado por Jacó, conferia-lhe esperança na­quela hora. Ver Gn 28.3,4,14 e 31.3 quanto aos elementos reiterados, no que se aplicavam a Jacó. Quanto à metáfora da areia do mar, ver Gn 22.17 (a promes­sa feita a Abraão), que aqui Jacó reivindica com uma promessa feita a ele mes­mo. Em Gn 22.17, exponho o acúmulo de metáforas sobre a multiplicação que poderia ser esperada em resultado daquele pacto. Ver as notas sobre esse pacto, em Gn 15.18. Ora, não poderia haver tal multiplicação dos descendentes de Abraão se agora Jacó e seus filhos fossem mortos. Jacó aplicou essa lógica em sua oração. A fidelidade de Deus faz-nos atravessar as horas mais terríveis.

    32.13

    Tendo passado ali aquela noite. Jacó prepara-se para o encontro com Esaú, confiando em Deus e nos seus presentes, que haveria de dar a seu irmão no dia seguinte. Era um presente deveras generoso. Mas é melhor perder alguma propriedade do que perder a vida. Esaú havia ameaçado matá-lo (Gn 27.41), e agora parecia estar prestes a poder executar a ameaça. No entanto, outra noite haveria de intervir, antes do fatídico encontro (ver o vs. 21).

    Onde Jacó Passou a Noite? Por certo, em Maanaim (vs. 1). “O presente que o homem faz alarga-lhe o caminho…(Pv 18.16).

    32.14,15

    Um Magnífico Presente. Quinhentos e oitenta animais devem ter formado uma dádiva impressionante. Eram os melhores animais para alimentação, vestes e viagens. Animais domesticados formavam um aspecto importante das riquezas na antiguidade. E aquele que tivesse uma bela esposa e alguns animais conside­rava-se feliz. Jacó mostrou-se realmente generoso. A generosidade era uma ma­neira de alguém preservar a própria vida. No dizer de Adam Clarke (in ioc.), foi um “presente principesco”. Os animais presenteados poderiam ter sustentado uma família durante muito tempo, servindo de virtual pensão vitalícia para um criador de gado. O leite de camela era considerado uma delícia pelos habitantes de todas aquelas regiões. Uma camela produz leite continuamente durante muitos anos. Plínio explana que esse leite era misturado com três partes de água, tornando-se uma bebida muito saudável e saborosa (Hist. Nat. lib. xi cap. 41).

    O Princípio Moral. Os erros praticados contra alguém precisam ser corrigidos por meio de restituição, sempre que isso estiver ao nosso alcance. E aquele que assim não o fizer, não terá o direito de invocar a misericórdia divina, chegado o momento de necessidade. A restituição pode e deve ser um ato que demonstre um arrependimento genuíno. Ver Ef 4.28.

    Presentes

    Mais bem-aventurado é dar que receber. (As 20.35)

    O que há de mais importante, em qualquer relacionamento, não é o que se obtém, mas o que se dá. (Eleanor Roosevelt)

    Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra. (Mt 7.9)

    O amor é o melhor de todos os presentes.

    32.16

    Os Três Rebanhos. Ver os versículos imediatamente anteriores, quanto ao número e às espécies desses rebanhos. Há várias razões pelas quais os animais podem ser divididos em três rebanhos:

    1º      Seria mais fácil guiar os animais separados, do que se estivessem misturados uns com os outros.

    2º      Separados assim, formariam um presente mais impressionante, devido à sua boa ordem.

    3º      Acima de tudo, isso fazia parte de uma tática da parte de Jacó. Se Esaú continuasse irado, depois de falar com os servos de Jacó (divididos em sucessi­vos grupos), sua ira teria mais oportunidade de esfriar. Um esquema assim por certo teria abrandado um homem como Labão, que ficaria ocupado em contar os animais, na esperança de receber mais ainda. Esaú, porém, não era desse tipo (Gn 33.9). Antes, ele disse: ‘Tenho o bastante; não quero os teus animais.”

    Deixai espaço entre rebanho e rebanho. Isso faria com que os animais dessem a impressão de ser mais do que quinhentos e oitenta. Assim, a ira de Esaú iria abater-se cada vez mais.

    32.17,18

    Perguntas e Respostas. Por sua vez, a mesma coisa iria acontecendo aos líderes de cada rebanho. Haveria saudações; haveria perguntas acerca da razão daquele rebanho; haveria reafirmações do fato de que Esaú era o senhor de Jacó. Isso iria desgastando a indignação de Esaú. Depois das três séries de animais, viriam as mulheres com seus filhos, Raquel, e, finalmente, o próprio Jacó. Por essa altura, o caminho estaria preparado para o reencontro dos dois irmãos. “A ironia de tudo é que todas aquelas precauções eram desnecessárias” (Walter Russell Bowie, in Ioc.).

    32.19

    O terceiro sentido provável de os animais terem sido divididos em três reba­nhos é que estes devem ter sido formados, o máximo possível, pela mesma espécie de animais. Ver o vs. 16 quanto às razões possíveis dessa divisão dos rebanhos. Os três rebanhos atuariam como uma introdução à chegada de Jacó (Gn 33.2,3). Mas antes dele mesmo, as mulheres e as crianças deveriam apare­cer. Em seguida, Raquel, a esposa favorita, cuja vida Jacó queria preservar o máximo possível (Gn 33.2).

    32.20

    Jacó vem vindo atrás de nós. Em outras palavras, Jacó não estava tentan­do evitar o encontro com Esaú. Ele estava chegando. Que Esaú tivesse paciên­cia. Mas antes que houvesse seu encontro com Esaú, Jacó ainda teria de passar por outra poderosa experiência espiritual: a luta com o anjo. E isso haveria de alterar seu nome de Jacó (suplantador) para Israel (Deus Luta, ou Príncipe de Deus). Esaú haveria de encontrar um novo homem. Jacó, pois, haveria de prevalecer, apesar de seus truques e de suas manipulações. O melhor de tudo é que ele seria transformado mais ainda em conhecimento e em progresso espiritual. Jacó seria humilhado e castigado, antes que seu passivo pudesse ser eliminado. Esaú, homem superior a Jacó quanto a vários aspectos, haveria de esquecer-se do passado. E então, haveria unidade e harmonia.

    Eu o aplacarei com o presente. Jacó confiava em seus presentes a fim de aplacar a Esaú. Somente depois disso apareceria diante dele. Esperava ver um sorriso naquele rosto, o que lhe daria a entender que tudo estava bem. Mas tudo aconteceu melhor do que ele esperava. Ambos se atiraram um nos braços do outro, chorando comovidos. O amor fraternal mostrou ser mais forte do que o ódio. O hebraico diz aqui, literalmente, “eu cobrirei o rosto dele”, uma expressão idiomática de difícil tradução. Não apareceriam as rugas de indignação no rosto de Esaú; o presente haveria de encobri-las, alterando a sua fisionomia. O amor cobre “multidão de pecados” (Tg 5.20).

    32.21

    Ficou aquela noite no acampamento. Isso mostra que a apresentação dos presentes a Esaú tomou um dia inteiro. Veio outra noite. Ver o vs. 13 quanto à primeira noite, desde que o reencontro começara a ser preparado, Jacó tinha-se instalado perto do ribeiro do Jaboque, conforme vemos no vs. 22. Ele não sabia ainda, mas nesse local ele passaria por outra grande experiência espiritual. O Anjo do Senhor o guiava, passo a passo. Oh, Senhor, concede-nos tal graça!

    32.22

    As Preciosas Poucas Vidas. O círculo íntimo de Jacó, aqueles que lhe eram mais chegados, consistia em Lia, Raquel, as duas concubinas, Bila e Zilpa, e os seus onze filhos. Eram esses que faziam parte de sua família imediata, que estavam ao seu lado o tempo todo. Diná sem dúvida também estava presente, embora ela não seja especificamente mencionada. Isso posto, as preciosas pou­cas vidas totalizavam dezessete pessoas, incluindo Jacó. Cada homem tem seu círculo mais interior, e aí o amor doméstico deve manifestar-se mais forte.

    O vau de Jaboque. Ou seja, o lugar onde o ribeiro podia ser atravessado. Esse ribeiro, quase um filete de água, descia dos montes da Arábia, passava perto da fronteira com os amonitas, regava a cidade de Rabá, e, então, passava entre Filadélfia e Gerasa, e, finalmen­te, desembocava no rio Jordão, perto do lago ou mar da Galiléia, que ficava a quase cinco quilômetros dali, mais para o sul. Atualmente esse ribeiro chama-se wady Zerqa, nome que significa “torrente azul”. Posteriormente, formou a fronteira entre as tribos de Manassés e Gade. No hebraico, o nome desse rio significa fluir fora ou fluir adiante.

    Jacó tinha tido a sua Betel; mas agora teria o seu Jaboque, lugares associa­dos a significativas experiências espirituais que lhe haviam transformado a vida. A transformação espiritual é um processo gradual e eterno. Ninguém chega a atin­gir, nesta vida, todo o seu potencial, mas estará sempre avançando nessa dire­ção.

    32.23

    E fê-los passar o ribeiro. Do outro lado, o destino esperava por Jacó. O encontro fatídico com Esaú não poderia ser evitado. Jacó enviou à sua frente tudo quanto lhe era precioso. E, então, ele mesmo avançou. Confiando em Deus e nos seus presentes a Esaú, ele prosseguiu, o coração batendo forte, mas com espe­rança. Ansioso, mas sem desesperar. Havia feito tudo quanto podia, de acordo com a razão. E confiava em que Deus faria o resto.

    Jacó tinha enviado suas esposas e rebanhos para a segurança, para o alto da serra ao sul. O profundo vale estava destinado a ser o palco de seu conflito solitário. Naquele ponto, a ravina tem entre 6,5 e 9,5 km de largura.

    32.24

    Ficando ele só; e lutava. Para outros, foram momentos seguros. Mas Jacó tinha ficado sozinho. E, de súbito, viu-se mergulhado em outra profunda experiên­cia espiritual. Oséias 12.4 mostra-nos que sua luta não foi apenas física, mas também espiritual. Como é óbvio, o vs. 26 deste capítulo indica a mesma coisa. Jacó pediu uma bênção antes de permitir que o “homem” se fosse. O vs. 28 mostra-nos que o homem era divino, e lemos no vs. 30: “Vi a Deus face a face”.

    A Identidade do Homem. Alguns eruditos creem que temos aí uma aparição do Logos, no Antigo Testamento, o qual, séculos depois, manifestar-se-ia como Jesus de Nazaré, em uma fusão da natureza divina com a natureza humana. Mas quase todos os estudiosos concordam em que esteve envolvido um anjo do Senhor. Notemos que em Gn 18.2 os três homens foram logo identificados como anjos (Gn 19.1). A experiência de Jacó incluiu vários encontros com anjos. Quanto a encontros com anjos, no livro de Gênesis, até este ponto, ver 16.7,9-11; 19.1; 21.17; 22.11; 24.7; 28.12 ss.; 31.11; 32.1.

    A Luta às Margens do Jaboque. No hebraico, “luta” (abaK) e “Jaboque” têm sons similares. Parece que abak deriva-se do termo hebraico que significa poeira, porquanto os lutadores logo se veem envolvidos em uma nuvem de poeira. Na Grécia, os lutadores passavam pó no corpo.

    Corporal ou Não-corporal? Os críticos dizem que todo o incidente foi apenas alegórico ou mitológico. Alguns eruditos conservadores debatem-se em torno da ideia de como um anjo pode assumir corpo físico, mesmo temporariamente, ou fingir ter um corpo que pode ser tocado e parece sólido. Nos tempos de Jacó, isso não constituía problema, já que os anjos não eram, provavelmente, concebidos como seres imateriais, embora fossem vistos como seres de outra dimensão, não sendo outra ordem de seres humanos. Apesar de haver muita evidência em favor de seres imateriais, e de esses seres poderem assumir corpo sólido, ou nos fazerem pensar que eles possuem corpos sólidos, restam ainda muitos mistérios em torno da questão, tal como há mistérios que circundam a própria vida. Logo, é inútil indagarmos quanto a essa questão. Simplesmente não sabemos como re­solver tais problemas. Há um intercâmbio de energia e de matéria, sendo provável que essa realidade esteja por trás de tais fenômenos de uma maneira que não sabemos explicar.

    Os intérpretes judeus explicavam de forma variegada este texto: Foi uma visão (Maimônides); foi um fantasma (Josefo); foi tudo imaginário ou um anjo (Targum de Jônatas, que chama esse anjo de Miguel).

    32.25

    Vendo este que não podia com ele. Jacó era forte demais, e o anjo não conseguia prevalecer sobre ele, motivo pelo que lhe infligiu uma injúria física. Algum golpe mais violento deixou-o capenga, embora a natureza do golpe não seja determinado no texto. Poderia um homem continuar a lutar, com o osso da coxa fora de sua junta? Nesse caso, havia muita coragem em Jacó. Ellicott opinou que se tratava de uma luxação. Mas a despeito de seu tendão fora de lugar, ele continuava lutando. Ele não somente continuou lutando, mas também prevaleceu. Lembremo-nos de que isso tinha não somente um aspecto físico, mas também um aspecto espiritual. Assim, Jacó estava sendo transformado, e obteria uma bênção especial, acompanhada pela mudança de seu nome. Ele prevaleceu con­tra um anjo; mas não demoraria a prostrar-se até o chão, por sete vezes, diante de seu irmão, Esaú (Gn 33.3)!

    Embora incapacitado, ele continuou lutando. Isso mostrava a determinação de Jacó. A perseverança é o mais importante elemento no sucesso em qualquer atividade. Mas por trás da perseverança deve haver entusiasmo. No grego, essa palavra significa, literalmente, “estar cheio de Deus”.

    32.26

    Já rompeu o dia. Um novo dia estava raiando na vida de Jacó, um dia muito abençoado, ou, talvez, o mais abençoado de sua vida. A luta se prolongara por boa parte da noite; Jacó estava chegando à vitória; o alvorecer trouxe-lhe o triunfo. O lutador celeste desejou ir-se embora, mas Jacó era forte demais para ele, e só lhe permitiria ir-se se lhe desse uma bênção divina. Desse modo ficamos sabendo que Jacó acabou por entender que nada havia de ordinário naquela luta. Ele estava envolvido em outra poderosa experiência mística. Ao romper a alva, surgiu também um novo Jacó, agora chamado Israel. Ele ainda tinha temores. Haveria de prostrar-se diante de Esaú. Mas um grande marco espiritual havia sido atingido. O passado ficara no passado.

    “Na combinação de bem e de mal que havia em Jacó, havia dois fatores de nobreza que o salvavam. O primeiro desses fatores era a consciência de que a vida tem um significado divino... e o segundo era a sua… determinação” (Walter Russell Bowie, in loc.).

    É provável que o texto dê a entender que Jacó, para enfrentar essa luta, recebeu uma força sobre-humana. Foi-lhe permitido ultrapassar as suas próprias forças, uma provisão divina,

    A pessoa derrotada precisava ceder diante das exigências da pessoa vitorio­sa. Isso assegurou a bênção pedida por Jacó. Ele havia conseguido um extraordi­nário triunfo, por ter vencido um extraordinário adversário.

    32.27

    Jacó. Esse fora seu nome, até aquele instante. Tal nome o havia caracterizado no passado. Ele havia sido o enganador, o astuto manipulador, o suplantador. Esse era o Jacó natural e carnal. Ele tinha sido um homem superficial, que ignorava a espiritualidade mais elevada, ao mesmo tempo que cultivava sua natureza mais baixa. Até ali ele tinha ignorado o impacto de seus pecados. Tinha prosperado materialmen­te, e até havia obtido alguma espiritualidade, mas continuava a ser apenas Jacó. “O agarrador de calcanhares fora apanhado” (Allen P. Ross, in loc.). Desse modo, fora envolvido em uma transação divina, e recebeu uma nova expressão de vida.

    32.28

    Israel. O novo nome de Jacó. Os antigos, com frequência, mudavam de nome quando havia alguma profunda mudança na vida, ou quando esperavam que houvesse tal mudança. No livro de Gênesis já vimos os casos de Abrão (nome mudado para Abraão, ver Gn 17.5) e de Sarai (nome mudado para Sara, ver Gn 17.15).

    Israel. É admirável o grande número de possíveis sentidos que os intérpretes dão a esse nome. Apresento abaixo apenas uma amostra:

    1.      “Deus luta”. Essa é a etimologia popular, que também pode indicar o verdadei­ro sentido do nome.

    2.      “Deus governa”.

    3.      “Aquele que luta com Deus” (Os 12.3,4).

    4.      “Aquele que prevalece com Deus” (Os 12.3, de acordo com outra interpreta­ção).

    5.      “Príncipe de Deus”. Ver o termo hebraico sar (como se vê no nome de Sara), que significa “príncipe”.

    6.      Por extensão, “príncipe de Deus que tem poder diante de Deus”.

    7.      “Príncipe que prevalece diante de Deus”.

    Todos esses nomes têm aplicações espirituais e morais. Se os estudiosos do idioma hebraico não nos podem fornecer uma resposta única, pelo menos fica claro um ponto: o fraco Jacó tornou-se o poderoso Israel, aquele que lutara com um ser angelical e vencera, mediante um poder miraculoso; agora era um príncipe de Deus que poderia prevalecer diante de Deus e dos homens; tinha lutado contra disparidades impossíveis e tinha vencido. Deus lutaria por meio dele na futura nação de Deus, e essa nação venceria. O Messias viria ao mundo por intermédio dele, a fim de abençoar todas as nações, em consonância com o Pacto Abraâmico. Por meio desse pacto, todos os povos haverão de ter poder diante de Deus e de prevalecer.

    O novo nome indica aquela transformação em nós que nos torna capazes de atingir toda a nossa potencialidade espiritual, para sermos conformados segundo a imagem de Cristo de uma maneira especial e ímpar. Isso faz de nós aquilo que poderemos vir a ser espiritualmente, o que nos confere tremendas potencialidades.

    O crente torna-se participante da natureza divina (II Pd 1.4).

    “Os ideais que embalamos, os propósitos que mantemos, a capacidade que sentimos de atingir qualquer coisa mais excelente do que já pudemos atingir — todas essas coisas estão contidas naquele novo homem escrito sobre a pedra branca que todo homem tem o privilégio de usar sobre o seu peito” (Charles R. Brown, em seu livro, “What Is Your Name?” referindo-se ao trecho de Ap 2.17).

    32.29

    0 Poder dos Nomes. Uma antiga superstição diz que há uma espécie de poder mágico nos nomes próprios. Até hoje, os exorcistas parecem obter maior êxito se conseguirem fazer o demônio proferir (e revelar) o seu nome. Parece que isso ajuda no exorcismo. Se isso pode ser exagerado, e se não sabemos o que Jacó tinha exatamente em sua mente, pelo menos neste versículo há provas de uma verdade eterna. Deus tem muitos nomes. Cada nome revela ou um atributo de Deus, ou alguma obra especial ou operação do Ser divino. Jacó pensava que poderia obter maior poder se soubesse o nome daquele ser divino (o anjo, ver o vs. 24), obtendo grandes bênçãos, eficiência e poder em sua vida. Talvez até, em outras ocasiões, pudesse ter maior poder em suas orações ou encantamentos, mediante o uso desse nome. Os nomes eram concebidos como essência da personalidade e do caráter de uma pessoa, e não meros rótulos de pessoas.

    O poder divino apossara-se de Jacó, e Jacó apoderara-se do poder divino. Agora, queria saber como deveria chamar esse poder. Queria preservá-lo e usá-lo. A Bíblia conta a história de como Deus vai sendo descoberto pelo homem. As experiências místicas trazem até nós a presença divina. Há poder nessa presen­ça. Precisamos estudar a Bíblia e orar, mas também precisamos de experiências pessoais com Deus. Aquele que tem essas experiências está em vantagem em relação ao que só tem argumentos.

    Reversão da Idolatria. O anjo não revelou o Seu nome, tal como, em outra ocasião, o mesmo Ser recusou-se a dizer Seu nome a Manoá (Jz 13.18). Agora Jacó tornara-se Israel, e estava progredindo espiritualmente. Ele conhecia Elohim e Yahweh. Isso lhe bastava. Alguns pensam que não deveria ser-lhe revelado o nome de um anjo, o que poderia acrescentar um falso deus à sua teologia. Bastava-lhe saber que tinha lutado com o anjo e tinha vencido um poder divino, e que esse poder o havia abençoado. O anjo era divino, mas não Deus. Outros pensam que o nome do anjo não lhe foi revelado para que Jacó não pudesse dispor do poder de um anjo. Cf. Êx 3.13,14 e Jz 13.17.

    32.30

    Peniel. Esse termo hebraico signi­fica “face de Deus” (ou “forma de Deus”). No Antigo Testamento, figura como nome de duas pessoas e de uma cidade. O local é o que aparece no presente texto. A sua localização exata ainda não foi identificada. Ficava em algum ponto a leste do rio Jordão, não longe de Sucote (Gn 33.17 e Jz 8.5,8). Posteriormen­te, foi edificada uma cidade com esse nome (Jz 8.8; I Rs 12.25). Alguns afirmam que ficava a seis quilômetros e meio de Maanaim.

    Jacó temia ver o rosto de Esaú, mas acabou vendo a face de Deus, por meio do anjo que lhe trouxe inesperada bênção e vitória. Esse tipo de visão era tido como potencialmente fatal, e, no entanto, Jacó recebeu permissão de viver e também de crescer espiritualmente em resultado da experiência. Ver Gn 16.13 e Êx 33.20 quanto a algo similar. Ver também Gn 28.19; 31.47 e 32.2. Ninguém jamais poderá ver Deus em sua verdadeira essência (Jo 1.18), mas Ele tem sido visto de maneiras secundárias, figuradas e visionárias.

    Penuel é uma forma alternativa do nome. Ele deixou o lugar onde lutara com Deus. Agora era Israel, e não mais Jacó. Alguns estudiosos pensam que foi nesse ponto que Jacó se converteu. Ele era um novo homem a caminho de um novo lar. Mas antes disso teria de encontrar-se com Esaú. Deus, porém, também cuidaria disso. Agora Jacó estava aleijado, e andava capengando. A marca da luta tinha ficado nele. Alguns supõem que Jacó tenha ficado permanentemente aleijado como lembrete. Talvez, mas não dispomos de informações sobre o assunto. Con­tava-se na família de meu pai (que trabalhava em uma estrada de ferro) a história de um empregado da estrada de ferro que vivia longe de Deus. Em um acidente, ele perdeu uma perna. Isso transformou a sua vida, e acabou produzindo a sua conversão. Seu aleijão tornou-se um lembrete permanente de sua “vitória”.

    32.31

    “Após o toque deformador, a luta de Jacó tomou uma nova direção. Agora aleijado em suas forças naturais, tornou-se ousado na fé” (Allen P. Ross, in loc.).

    32.32

    O nervo do quadril. Para os judeus tornou-se proibido comer dessa parte de um animal, porque ali o Anjo do Senhor tocara em Jacó e o deixara aleijado. Assim, essa parte do corpo sempre foi considerada um tanto sagrada; e esse sentimento foi transferido até para os animais que servissem de alimento. A proibição celebrava a experiência de Jacó, que era considerada uma importante experiência para Israel; pois a Israel é que Deus se tinha manifestado, tornando-o um Príncipe de Deus. Essa porção dos animais tornou-se um memorial da pre­sença divina. “O que seria esse nervo, nem judeu e nem cristão são capazes de dizer, e isso nada acrescenta ao nosso conhecimento e nem a uma verdadeira compreensão do texto, além de multiplicar conjecturas” (Adam Clarke, in loc.). Esse erudito pensa que a parte que foi injuriada foi a virilha. A Vulgata diz que o nervo encolheu, o que é refletido em algumas traduções. Provavelmente isso indica que houve uma injúria permanente no caso de Jacó. Mas a Septuaginta diz aqui “amortecido”, o que talvez indique uma injúria temporária.

    Uma Espécie de Ordenança. No caso de Abraão, Deus impôs a circuncisão. No caso de Israel, certa parte do corpo de animais a serem consumidos foi vedada na alimentação, porquanto Deus havia infligido outro tipo de operação física em Jacó, por assim dizer.

    John Gill pensa que a questão inteira envolve apenas uma superstição, além de informar-nos que na Mishna todo um capítulo foi dedicado a tratar da questão, proibindo que certa parte de um animal morto fosse comida. Em certos círculos houve tanto exagero quanto à questão que os judeus se negavam a comer qualquer nervo da parte posterior do corpo de um animal, visto ser difícil identificar exatamente qual nervo estaria envolvido. Outros chegaram ao extremo de comer qualquer porção dos quartos traseiros de um animal, e não apenas os nervos daquela porção.

    Bibliografia R. N. Champlin

    (mais…)

  • LIÇÃO 6 – A PROSPERIDADE DOS BEM-AVENTURADOS

    INTRODUÇÃO

    – Na continuidade do estudo a respeito de distorções sobre a noção bíblica de prosperidade, analisaremos o sermão das bem-aventuranças, o introito do sermão do monte, onde Jesus nos explica qual o significado da felicidade dos Seus discípulos.

    O sermão das bem-aventuranças mostra claramente que a prosperidade bíblica nunca se confundiu com bem-estar material.

    I – O DISCÍPULO DE JESUS É BEM-AVENTURADO

    – Na continuidade do estudo deste segundo bloco do trimestre letivo, em que se procura desfazer diversos ensinos distorcidos sobre a prosperidade bíblica à luz das Escrituras, analisaremos o que o Senhor Jesus entende por bem-aventurança, ou seja, por um estado maior que a felicidade.

    – Russell Norman Champlin conceitua as bem-aventuranças como promessas feitas aos discípulos fiéis do reino dos céus” (Bem-aventuranças. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.1, p.488). Segundo o mesmo teólogo, “…As bem-aventuranças mostram como seremos abençoados se fizermos disso a regra de nossas vidas. Os crentes seriam oprimidos pelo mundo…Mas os oprimidos haverão de obter, finalmente, a vitória, embora nunca sem uma clara lealdade ao seu Senhor…” (op.cit., pp.488-9).

    – A palavra “bem-aventurado” , usada com suas cognatas cerca de cinquenta vezes em o Novo Testamento, é tradução do grego “makarismós” (??????????), cujo significado é “felicidades”. Para os gregos antigos, ser “makários” (????????), i.e., “bem-aventurado”, era viver livre de sofrimentos e de preocupações, ideia pagã que foi completamente apropriada pela “teologia da prosperidade”.

    –  Por isso, os estudiosos entendem que a raiz da palavra grega esteja vinculada à ideia de “grande” e, por isso, usada como sinônimo de “rico”, no seu sentido predominantemente material, sendo, por vezes, aplicada aos deuses, como num contraste com a situação medíocre do ser humano.

    Os próprios judeus entendiam que a “bem-aventurança” era, principalmente, um estado de bem-estar material, ainda que como recompensa pela observância fiel da lei. Este significado, entretanto, era, talvez, fruto da influência das ideias da cultura helenística sobre os judeus, visto que, se formos verificar a utilização do termo no Antigo Testamento, a palavra hebraica “ ‘esher” (?????), não tenha esta conotação, mas apenas a de “quão feliz”, o que é, quase sempre, utilizada com um significado senão totalmente, predominantemente espiritual.

    – Tanto assim é que o professor judeu David Flusser (1917-2000), um dos grandes pesquisadores do cristianismo primitivo e suas origens judaicas, demonstrou que, entre os essênios (um das seitas judaicas existentes nos dias de Jesus), como mostram os Manuscritos do Mar Morto, a ideia de “bem-aventurança” era muito próxima a que Jesus apresentou no sermão do monte, ideia esta despida de conotações materialistas, mas embebidas de forte conotação social e espiritual.

    – Na abertura do sermão do monte, considerado um verdadeiro resumo da doutrina cristã, o Senhor Jesus apresenta as “bem-aventuranças”, ou seja, indica, de pronto, que o objetivo de Deus ao homem é proporcionar a este homem a “felicidade”. Deus quer que o homem seja feliz e a característica dos que resolvem obedecer-Lhe e viver em comunhão com Ele é a “felicidade”. Estas bem-aventuranças também são mencionadas em Lucas, no chamado “sermão da planície” (Lc.6:17-49).

    – Esta “felicidade” ou “mais que felicidade”, entretanto, não se apresenta, como entendiam alguns segmentos judaicos, influenciados pelas ideias pagãs, em um estado de bem-estar material. Conforme já tivemos ocasião de estudar neste trimestre, o Senhor Jesus mostrou, claramente, que os ricos não são as pessoas mais propícias à salvação, logo após o encontro com o “mancebo de qualidade”, tendo também mostrado, na parábola do rico insensato, que a vida de qualquer não consiste na abundância do que se possui.

    – No início deste Seu sermão, o Senhor Jesus mostra quem é “bem-aventurado”, ou seja, quais são as características daqueles que são os Seus discípulos, que têm recebida a “felicidade” que Deus quer dar aos que Lhe servem com fidelidade e obediência.

    As “bem-aventuranças” são nove qualidades, nove características que têm aqueles que servem a Cristo Jesus e não é nenhuma coincidência que o número de características seja o mesmo das qualidades que o apóstolo Paulo elenca como sendo “o fruto do Espírito” (Gl.5:22).

    O propósito primeiro de Deus para com o homem é a “frutificação” (Gn.1:28), expressão que não deve ser entendida como “reprodução biológica”, pois, se assim fosse, não haveria a expressão seguinte, “multiplicai”. A “frutificação” mencionada por Deus como primeiro propósito para o homem é a “frutificação espiritual”. Como “imagem e semelhança de Deus”, o homem deveria produzir “o fruto do Espírito”, cujas qualidades foram descritas pelo apóstolo Paulo

    – Cada uma das qualidades apresentadas pelo apóstolo como demonstração de que o Espírito Santo habita no servo de Cristo Jesus nada mais é que uma “bem-aventurança” mencionada pelo Senhor no sermão do monte. A comunhão com Deus, por meio de Cristo Jesus, que nos faz com que sejamos habitação do Espírito Santo (Jo.14:17), faz com que sejamos “bem-aventurados”, que apresentemos as características que nos permitem dizer que somos “discípulos de Jesus”, que somos “filhos e herdeiros de Deus” bem como “coerdeiros de Cristo” (Rm.8:17), porque “não mais andamos segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm.8:1 “in fine”).

    – Antes de apresentar o Seu ensino para os Seus discípulos, o Senhor Jesus quis identificar quem eram os Seus discípulos, quis mostrar a quem estava se dirigindo, para que não houvesse qualquer dúvida a respeito do que é ser cristão, do que é ser súdito do reino de Deus.

    – É importante aqui mostrar que muitos dos estudiosos das Escrituras entendem que o sermão do monte é destinado aos judeus, tratar-se-ia de uma descrição de que como serão os súditos de Israel no reino milenial de Cristo. Tal interpretação, profundamente escatológica, porém, como bem ensina Russell Norman Champlin, não pode impedir que haja a aplicação do texto à Igreja. “…Apesar de Jesus ter proferido essas palavras originalmente a Israel, não há que duvidar que ele queria que se aplicassem plenamente ao Novo Israel, a igreja. O evangelho de Mateus foi escrito quando a era cristã já tinha cinquenta anos e não tem sentido supor que não tencionava ser um documento inteiramente ‘cristão’. Os discípulos de Cristo devem aprender a apegar-se a ele, confiar nele e em suas palavras explicitamente. Não pode haver reservas na dedicação a ele e às suas palavras…” (op.cit., p.488).

    Ao fazer esta descrição das “bem-aventuranças”, o Senhor Jesus mostra-nos, com absoluta clareza, o que é ser “feliz”, “mais do que feliz”, o que é ser “abençoado” segundo o ponto-de-vista divino, o que, certamente, mostra quão distante das Escrituras estão os ensinos falsos da “teologia da prosperidade”.

    – As nove bem-aventuranças, assim como as nove qualidades do “fruto do Espírito” estão também umbilicalmente relacionadas com os “dois grandes mandamentos da lei”, que se resumiram no “mandamento novo” de Cristo, que são as diretrizes, as regras essenciais para que o homem mantenha comunhão com Deus.

    – Como de todos nós é sabido, ao ser indagado por um doutor da lei a respeito de quais seria o grande mandamento da lei, Jesus respondeu que o grande mandamento da lei era “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt.22:37), acrescentando ainda que havia um segundo mandamento, semelhante àquele, a saber: “Amarás o próximo como a ti mesmo”, sendo que a lei dependeria destes dois mandamentos (Mt.22:38-40).

    – Dirigindo-Se aos Seus discípulos, porém, o Senhor Jesus lhes deu um novo mandamento, qual seja: “Que vos amei uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo.15:12), mandamento que sintetiza n’Ele e em Seu exemplo os dois grandes mandamentos da lei mosaica, pois, se amarmos uns aos outros como Jesus nos amou, estaremos amando a Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso pensamento, como também o próximo a nós mesmos, pois foi assim que Jesus fez, visto que, pela vontade do Pai, deu a Sua vida pelos homens.

    – Neste novo mandamento, que sintetiza os dois grandes mandamentos da lei e, portanto, não é inovação alguma, mas a própria concretização da lei na pessoa de Cristo, o único ser humano que a cumpriu, temos três dimensões que são, precisamente, as três dimensões das bem-aventuranças ou das qualidades do fruto do Espírito, a saber:

    a) a dimensão vertical – o relacionamento entre Deus e o homem – a “bem-aventurança” é um novo patamar de um relacionamento entre Deus e o homem sem a separação proporcionada pelo pecado e que nos traz comunhão com o Senhor pelo sangue de Cristo.

    b) a dimensão horizontal – o relacionamento entre os homens – a “bem-aventurança” é um novo patamar de um relacionamento entre os homens que, libertos do pecado, podem amar o próximo e querer-lhe bem.

    c) a dimensão interna – o relacionamento do homem consigo mesmo – a “bem-aventurança” é um novo patamar do relacionamento do homem consigo mesmo, pois a mortificação da natureza pecaminosa permite que haja uma harmonia e equilíbrio entre corpo, alma e espírito.

    – Por isso, as “bem-aventuranças” podem, também, ser divididas em três grupos, conforme expressam os efeitos da salvação em Cristo Jesus seja no relacionamento com Deus, seja no relacionamento com os demais homens, seja no relacionamento consigo mesmo. Vejamos, pois, cada uma destas dimensões e as correspondentes “bem-aventuranças”.

    II – AS BEM-AVENTURANÇAS ATINENTES AO RELACIONAMENTO ENTRE DEUS E O HOMEM

    A primeira bem-aventurança, e por muitos considerada a primordial, é a “bem-aventurança dos pobres de espírito”. Disse o Senhor Jesus: “bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt.5:3), ou, na versão de Lucas: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc.6:20 “in fine”)..

    – Esta bem-aventurança, ao falar em “pobre de espírito” (ou “humilde de espírito”), fala-nos da absoluta necessidade de se entender dependente de Deus, mera criatura, de se reconhecer fraco e incapaz de ter qualquer sucesso espiritual sem que se renda ao Senhor.

    OBS: Esta expressão “pobres de espírito”, segundo David Flusser, encontra um paralelo em um pergaminho essênio encontrado entre os Manuscritos do Mar Morto, que foi chamado de “Pergaminho de Ação de Graças”, onde o autor essênio agradece a Deus por ter permitido ao “de espírito contrito” vir a uma salvação de fonte eterna (Cfr. O judaísmo e as origens do Cristianismo, p.124).

    – “Ser pobre de espírito” é assumir a necessidade de Deus, é compreender que, por primeiro, o essencial da vida de alguém é o seu lado espiritual, que é eterno e que não está preso às coisas desta vida.  Ser “pobre de espírito” é reconhecer que se é criatura e que, como tal, há uma dependência total junto ao Criador. Ser “pobre de espírito” é reconhecer que se é “imagem e semelhança de Deus” e, como tal, não pode haver real existência sem que se esteja em comunhão com Deus, assim como a sombra não pode existir se não houver a luz.

    – Ser “pobre de espírito” é rejeitar a oferta satânica de independência em relação a Deus que fez com que o primeiro casal caísse em pecado (Gn.3:4,5), mesmo mal sofrido pelo próprio diabo, que quis ser maior do que Deus e, com isso, assinou a sua própria ruína (Is.14:14).

    – David Flusser, o professor judeu já mencionado, faz interessante estudo em que relaciona a expressão “pobre de espírito” a duas passagens bíblicas do livro do profeta Isaías, a saber, Is.61:1,2 e Is.66:2, a última das quais fala em “contritos de coração”, precisamente a mesma expressão que, numa passagem muito semelhante ao sermão das bem-aventuranças, é utilizada num pergaminho essênio encontrado entre os Manuscritos do Mar Morto.

    – Tem-se, pois, que, ser “pobre de espírito” é ter “o espírito contrito”, o “espírito quebrantado”, ser “contrito de coração”, o que significa que o “pobre de espírito” é aquele que admitiu a sua incapacidade, a sua pecaminosidade e clama pela misericórdia do Senhor, reconhece a sua necessidade de salvação e, deste modo, pede perdão pelos seus pecados.

    – Notamos, pois, que a primeira bem-aventurança tem a ver com o reconhecimento da necessidade espiritual, do reconhecimento da eternidade, da necessidade de prévio arrependimento dos pecados e pedido de perdão a Deus, algo que nada tem que ver, pois, com bem-estar material. Antes, pelo contrário, é o reconhecimento de que “as coisas desta vida” são passageiras, que o principal é o reconhecimento de que há uma eternidade e que, por causa do pecado, esta eternidade será vivida sem Deus se as coisas permanecerem do jeito que estão.

    – Para ser bem-aventurado, pois, é necessário que a pessoa se reconheça pecadora e incapaz de retirar o seu pecado e, assim, peça a Deus, que não despreza um espírito quebrantado e a um coração contrito (Sl.51:17), o perdão e aceita submeter-se à Sua vontade. Como é diferente esta atitude que o Senhor Jesus considera uma bem-aventurança, uma característica de Seus discípulos da arrogância e petulância ensinada pelos pregadores da confissão positiva…

    Esta bem-aventurança é correspondente à qualidade do amor, a primeira das qualidades que compõem o “fruto do Espírito” na descrição feita pelo apóstolo Paulo (Gl.5:22). Este amor, que é o amor de Deus derramado em nós pelo Espírito Santo quando nos entregamos a Cristo (Rm.5:1,5), faz com que passemos a ter uma conduta diferente dos demais homens, um comportamento distinto, pois passamos a guardar a Palavra de Deus, a cumprir e fazer a vontade do Senhor (Jo.14:23,24). Passamos a não ter vontade própria, passamos a agradar a Deus em todas as coisas, a fazer o que Ele quer e, por isso, podemos orar: Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu (Mt.6:10).

    – Ser “pobre de espírito” não é, portanto, nem ser rico nem pobre materialmente falando. Não há qualquer confusão entre “pobreza de espírito” e posse ou não de bens materiais. Trata-se de uma atitude de reconhecimento do pecado e submissão a Deus, nada mais, nada menos que isso. Por isso nem a pobreza material, nem a riqueza material são critérios para verificação se alguém é, ou não, discípulo de Jesus Cristo.

    – A versão de Lucas, preferida por aqueles que defendem uma “teologia da pobreza”, não apresenta a expressão “pobres de espírito”, mas, somente, “pobres”, o que faz com que alguns estudiosos entendam que o médico evangelista estaria dando ênfase ao caráter social da mensagem. David Flusser, entretanto, entende que houve apenas uma abreviação, o que, inclusive, parece ter sucedido também em relação à segunda bem-aventurança. Não se pode, porém, a partir dessa abreviação, retirar o sentido espiritual, até porque, quando vemos o paralelo da bem-aventurança com os “ais”, que somente são mencionados por Lucas, observamos que os “ricos” são aqueles que “já têm consolação” (Lc.6:24), ou seja, se está repetindo a mesma noção que o Senhor Jesus empregará ao falar da “riqueza” dos crentes de Laodiceia, ou seja, a sensação de independência em relação a Deus (Ap.3:17).

    A segunda bem-aventurança é a “bem-aventurança dos que choram” (Mt.5:4; Lc.6:21). Aqui não está o Senhor Jesus a falar de “choro de alegria”, pois completa a bem-aventurança dizendo que “eles serão consolados”, ou seja, trata-se, efetivamente, de um choro de tristeza, a mostrar que os discípulos de Cristo não estão imunes a situações adversas que os levem ao choro e ao lamento.

    – Na verdade, ao indicar esta segunda bem-aventurança, Jesus como que antecipa o que revelaria aos Seus discípulos nas últimas instruções, quando diria a ele que, no mundo, teriam eles aflições (Jo.16:33). Jesus não prometeu saúde, riqueza, alegrias a todos os Seus discípulos, pois muitos não teriam isto, mas, ao fazer uma promessa geral a todos os Seus servos, disse-lhes que teriam aflições, pois não há qualquer discípulo de Cristo que, nesta vida, não passe por aflições.

    – Jesus, ao dizer que “os que choram seriam bem-aventurados”, mostrou, de forma cabal, que a vida cristã sobre a face da Terra é uma vida cheia de tristezas e de adversidades, visto que o Seu discípulo estaria na contracorrente do mundo (Ef.2:1-3), lutando contra as hostes espirituais da maldade (Ef.6:12), numa batalha sem trégua até o dia em que, pela morte física ou pelo arrebatamento da Igreja, tivermos chegado ao fim e perseverado, concluindo o nosso processo de salvação (Mt.24:13).

    – David Flusser menciona que no já mencionado pergaminho essênio também está dito que “os que pranteiam teriam alegria eterna”, a indicar que, nos dias de Jesus, já havia a ideia de que o sofrimento nesta vida não é para comparar com o que está reservado àquele que resolve obedecer e viver em comunhão com o Senhor, como, aliás, declararia mais tarde o apóstolo Paulo (Rm.8:18).

    – Ao dizer que quem chora é bem-aventurado, o Senhor Jesus não está a defender um “sadismo divino” nem tampouco um “masoquismo cristão”, como, infelizmente, alguns incautos têm entendido ao longo da história da Igreja, tendo criado diversos rituais de autoflagelação e de sofrimento tolo e insensato. Deus não quer que ninguém sofra, mas o sofrimento é inevitável para o filho de Deus neste mundo de pecado que está no maligno (I Jo.5:19).

    A bem-aventurança não está no choro, mas, sim, no fato de que este choro, este lamento, esta tristeza é consolada por Deus, pois o discípulo de Cristo Jesus tem o Espírito Santo, o Consolador, tem em seu interior, por causa da salvação, o Deus de toda a consolação (II Co.1:3-5).

    – A tristeza, as tribulações, as adversidades podem nos abater, mas jamais nos destroem, visto que o Consolador está conosco e, apesar de tudo, somos consolados, não só para prosseguirmos em nossa jornada de fé, mas, também, para consolar os irmãos quando estiverem também passando por problemas. Aleluia!

    – A consolação divina, a companhia divina ao nosso lado, pois “Consolador” em grego é “Paráclito”, ou seja, aquele que está ao lado, permite que nós caminhemos ao longo de nossa vida, sem medo de errarmos, pois o Senhor nos orienta, nos conduz e, por isso, podemos chegar até onde Ele chegou em Sua peregrinação terrena, ou seja, até à direita do Pai (Ap.3:21).

    – Assim, já na segunda bem-aventurança, o Senhor Jesus mostra que o Evangelho não promete nem poderia jamais prometer que alguém vai “parar de sofrer”, mas promete que, em meio ao sofrimento, o Senhor estará conosco, não nos abandonará, não nos deixará. Como é diferente esta verdade bíblica daquilo que apregoam os falsos mestres da “teologia da prosperidade”…

    – De nada adianta, como diz o evangelista Lucas ao relatar o “ai” correspondente a esta bem-aventurança, ter motivos para risos e alegrias passageiras nesta vida se, na eternidade, houver lamentos e choros eternos (Lc.6:25), como vemos no caso do rico da história contada pelo Senhor a respeito do rico e de Lázaro (Lc.16:24,25).

    A segunda bem-aventurança está relacionada com a qualidade da alegria ou gozo, uma das nove qualidades indicadas pelo apóstolo Paulo para o “fruto do Espírito”. Todo discípulo de Jesus é alegre, ainda que esteja a padecer, por necessário, algumas provações ao longo de sua jornada terrestre (I Pe.1:6,7).

    – Esta alegria, portanto, é algo que vem de dentro para fora, é algo que nasce no espírito do discípulo de Cristo, nada tendo que ver com as circunstâncias externas, tampouco com a saúde física ou com a situação econômico-financeira. Fazer depender a nossa salvação destas circunstâncias externas é negar, completamente, a operação redentora operada por Cristo Jesus na vida de quem é salvo por Ele.

    A terceira bem-aventurança atinente ao relacionamento entre Deus e o homem é a “bem-aventurança dos mansos” (Mt.5:5), que não é mencionada por Lucas.  Por primeiro, é interessante notar que as palavras “pobre” e “manso” em hebraico são muito semelhantes (???- pobre e ??? – manso). Por segundo, é importante constatar que a tradição judaica diz que Moisés, o homem mais manso que houve sobre a Terra (Nm.12:3), teria adquirido esta mansidão ao se aproximar de Deus na nuvem da escuridade no monte Sinai (Ex.20:21), o que explica bem o sentido com que Jesus afirmou que era “manso e humilde de coração” e que as pessoas deveriam aprender com Ele esta mansidão (Mt.11:29), mais uma afirmação em que Jesus revelava a Sua deidade.

    – A mansidão, considerada aqui como uma humildade de coração, é uma atitude de submissão a Deus, de obediência ao Senhor, de espera em Deus, de renúncia a todos os instintos que nos levam a tomar atitudes baseadas única e exclusivamente na consideração do nosso “eu”, da nossa própria vontade. O “manso” aguarda, aquieta-se, pois sabe que só o Senhor é Deus (Sl.46:10).

    – A mansidão está, assim, relacionada com a atitude que o Senhor Jesus denominou de “negar-se a si mesmo”, a primeira providência que tem de tomar aquele que quer seguir ao Senhor (Mc.8:34; Lc.9:23). A abnegação, a negação de si mesmo é um traço característico de quem se diz discípulo do Senhor Jesus.

    – Moisés, o homem mais manso que houve sobre a Terra, não mais tomava providências por si só (com exceção do seu grande erro que o impediu de entrar na Terra Prometida), mas apesar de toda a dificuldade, de todas as situações extremamente embaraçosas por que passava, aguardava pacientemente a orientação divina, tendo, por causa disso, sido vitorioso sempre que ouviu a voz do Senhor. Assim, também, deve ser o discípulo de Cristo Jesus, alguém acostumado a ouvir a voz do Senhor, a ponto de conhecê-la muito bem (Jo.10:14,27).

    – Como isto é diferente do que ensinam os “teólogos da prosperidade” que, ao revés, estão sempre a ensinar que as pessoas devem dizer o que querem e que Deus é obrigado a atendê-las. Aqui, neste falso ensino, não seria o discípulo que ouviria a voz de Deus, mas Deus que teria de ouvir a voz do discípulo. Onde está a mansidão? Onde está a disposição de aguardar a revelação da vontade do Senhor?

    – Os “teólogos da prosperidade” gostam muito da segunda parte da bem-aventurança, ou seja, “a herança da terra”. Por primeiro, mais uma vez trazendo os estudos de David Flusser, tem-se que o significado de “terra” aqui é espiritual. Diz o estudioso: “…Jesus parafraseia as palavras do Sl.37:11 ‘eles herdarão a terra’(…) na maneira corrente do midrash (ou pesher) [comentários dos mestres da lei que explicavam as Escrituras para o povo, observação nossa] com “deles é o reino do céu”; de acordo com essa interpretação, a palavra ‘terra’ tem um sentido espiritual e simboliza a ‘terra’ da escatologia — a saber, o reino do céu…” (op.cit., p.127).

    – Por segundo, esta “herança da terra”, ainda que seja interpretada em sentido literal, primeiro exige de nós uma atitude de mansidão, ou seja, de abnegação. A herança da terra, necessariamente uma terra nova onde habite a justiça e não o pecado (II Pe.3:13), somente virá como consequência de uma vida de submissão à vontade de Deus, ou seja, uma vida completamente diferente da defendida pelos “teólogos da confissão positiva”.

    – Por terceiro, esta “herança da terra”, por ser de uma nova terra e não a presente, nada tem que ver com os tesouros materiais que os “teólogos da prosperidade” desejam para si, pois são “tesouros” da atual terra, que não é o objeto da promessa divina nem tampouco da bem-aventurança mencionada por Nosso Senhor. Como é diferente este falso evangelho da prosperidade do que encontramos na Bíblia Sagrada…

    – Esta bem-aventurança da mansidão está explicitamente mencionada pelo apóstolo Paulo como uma das qualidades do “fruto do Espírito” em Gl.5:22.

    III – AS BEM-AVENTURANÇAS ATINENTES AO RELACIONAMENTO ENTRE OS HOMENS

    – Vistas as bem-aventuranças atinentes ao relacionamento entre Deus e o homem, vejamos agora as que dizem respeito ao relacionamento entre os homens.

    A primeira bem-aventurança que diz respeito ao relacionamento entre os homens é a quinta bem-aventurança do sermão de Cristo, qual seja, a “bem-aventurança dos misericordiosos”. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt.5:7), disse Jesus no sermão do monte, não a tendo mencionado no “sermão da planície”.

    – A misericórdia é a ação de fazer bem. Deus é misericordioso, tanto que, apesar de nossos pecados, Ele não nos consome, porque nos quer fazer bem (Lm.3:22). Jesus andou fazendo bem enquanto esteve entre os homens (At.10:38) e, portanto, todos os filhos de Deus devem, também, fazer o bem (II Ts.3:13).

    – Somente pode fazer o bem quem tenha alcançado a salvação em Cristo Jesus e, arrependido de seus pecados, passa a ser uma “nova criatura” (II Co.5:17), passando a ser participante da natureza divina (II Pe.1:4), pois só Deus é bom e ninguém mais (Mt.19:17).

    – Deixar de fazer o bem é uma característica do ímpio (Sl.36:3), daquele que apostatou da fé (Jr.13:23). Por isso, quando o Senhor repreendeu o povo de Judá pela boca do profeta Isaías, mandou que eles aprendessem a fazer o bem (Is.1:17). Quem sabe fazer o bem e não o faz, diz Tiago, comete pecado (Tg.4:17).

    – Por isso, uma das características do discípulo de Cristo Jesus e a razão de ser de sua bem-aventurança é a prática do bem, o exercício da misericórdia, motivo por que uma das qualidades do “fruto do Espírito” é a bondade (Gl.5:22). Não nos esqueçamos, aliás, que um dos pontos que serão levados em conta pelo Senhor Jesus no julgamento, na separação entre “bodes” e “ovelhas” será, precisamente, a prática de boas obras (Mt.25:31-46).

    – Não foi por outro motivo que o apóstolo Paulo, trazendo à memória um ensino de Cristo que nem sequer constou dos Evangelhos, disse que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At.20:35), expressão que disse quando se despedia dos efésios, falando da necessidade que temos de exercer as chamadas “obras de misericórdia”, onde se incluem a visita aos enfermos e aos encarcerados, como também a provisão aos famintos e sedentos, do ponto-de-vista material, como também o consolo, o aconselhamento, o conforto e a instrução, do ponto-de-vista espiritual.

    OBS: O Catecismo da Igreja Romana tem uma clássica disposição a respeito das chamadas “obras de misericórdia”, “in verbis”: “As obras de misericórdia são as ações caritativas pelas quais socorremos o próximo em suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar são obras de misericórdia espiritual, como também perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporal consistem sobretudo em dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar moradia aos desabrigados, vestir os maltrapilhos, visitar os doentes e prisioneiros, sepultar os mortos.…” (§ 2447 CIC).

    – Recentemente, em uma reportagem a respeito do trabalho voluntário, que tem crescido em nosso país, vimos que a grande maioria das pessoas prestadoras deste tipo de serviço afirmou que se sentem bem melhor no exercício da misericórdia do que os próprios beneficiários de seus serviços, a demonstrar que, mesmo entre os que não são salvos, há uma clara demonstração de que fazer o bem faz bem.

    – No entanto, quando observamos o discurso dos “pregadores de prosperidade”, notamos a grande ausência da beneficência. Até mesmo o famoso bordão “receba”, tão insistentemente repetido por tais falsos mestres, dá a mostra clara de que o que se ensina é diametralmente oposto ao que está nas Escrituras. A “teologia da prosperidade” incentiva tão somente o egoísmo, a avareza, as pessoas querem enriquecer para ter uma vida regalada, tratando os necessitados como o rico tratou o mendigo Lázaro, ou seja, com o mais absoluto desprezo. Fujamos disto, amados irmãos!

    Outra bem-aventurança atinente ao relacionamento entre os homens é a “bem-aventurança dos limpos de coração”. Diz Nosso Senhor que “os limpos de coração verão a Deus” (Mt.5:8). Esta bem-aventurança também não é mencionada no “sermão da planície”.

    – Ver a Deus é uma das grandes recompensas que terá o “bem-aventurado”. Como, de modo bíblico, afirma o Catecismo da Igreja Romana, “…A promessa de ver a Deus ultrapassa todas as bem-aventuranças. Na Escritura, ver é possuir. Aquele que vê a Deus obteve todos os bens que podemos imaginar.…” (§ 2548 CIC). Para “ver a Deus”, Jesus nos ensina que temos de ser “limpos de coração”.

    – Ser “limpo de coração” ou “puro de coração” é ter um coração sem qualquer mácula, qualquer mancha. É tornar-se inocente, o que somente é possível ante a purificação operada pelo sangue de Cristo Jesus, pelo perdão dos nossos pecados. Quando recebemos o perdão do Senhor, somos lavados no sangue do Cordeiro e, assim, passados a ser puros, a ser limpos de coração.

    – Quem é limpo de coração quer bem às demais pessoas. Não age mais com malícia nem engano, não quer o mal do próximo, mas lhe deseja o bem. Logo se percebe, portanto, que o “limpo de coração” é benigno, pois benignidade é querer bem a outrem. Quando somos salvos por Cristo, recebemos o amor de Deus e uma das características do amor divino é a benignidade (I Co.13:4), que não por outro motivo é uma das qualidades do “fruto do Espírito” (Gl.5:22).

    – Quem é “puro de coração”, portanto, não tem inveja, pois a inveja é o sentimento nascido do querer mal ao próximo, do desejar mal ao próximo, de ficar incomodado e descontente com o sucesso do outro. Ora, quando observamos os “pregadores da prosperidade”, vemos que um dos seus principais estímulos, um dos principais fatores que fazem mover o povo a crer em suas falsas promessas é a inveja. Através da prosperidade material dos ímpios, encontram eles o móvel para levar os seus incautos ouvintes a crer em suas lorotas.

    – A Bíblia seguidamente fala para que não tenhamos inveja da prosperidade material dos ímpios (Sl.37:1; Pv.3:31; 23:17; 24:19; Ec.4:4; Rm.13:13; Tg.3:16) e chama, mesmo, a presença deste sentimento de indício de desvio espiritual (Sl.73:2,3). Por isso, quem estimula a inveja, como afirma Tiago, é um agente do inimigo, pois a inveja é produto de perturbação maligna (Tg.3:14,16). Fujamos disto, amados irmãos!

    A terceira bem-aventurança que diz respeito ao relacionamento com o próximo é a “bem-aventurança dos pacificadores”, que Jesus chama de “filhos de Deus” (Mt.5:9). Jesus é o Príncipe da Paz (Is.9:6) e nos prometeu dar a verdadeira paz (Jo.14:27), o que começou a fazer já no domingo da ressurreição (Jo.20:21). Esta bem-aventurança também não é mencionada no “sermão da planície”.

    – Paz, entre os israelitas, como já temos visto neste trimestre, dentro do significado da palavra “shalom” (???), é um estado de integridade, ou seja, um estado em que a pessoa se sente completa, se sente amparada, se sente segura, se sente inteira, o que somente é possível quando o homem está em comunhão com o seu Criador.

    – Embora o sentido bíblico da paz seja o de integridade, o de completude, as Escrituras nos falam, de três ou quatro aspectos da paz. Como afirma Lewis Sperry Chafer, “…a paz é o oposto da ansiedade no coração ou da discórdia ou inimizade entre indivíduos e nações. Quatro aspectos da paz devem ser considerados: com Deus (Rm.5:1)(…), de Deus (Fp.4:7; Cl.3:15; cf. Hb.13:20) (…) No reino vindouro (Is.9:6,7)(…) Em um só corpo (Ef.2:14-18; Cl.1:20)…” (Teologia sistemática. t.4. v.7, p.197).

    – Quando somos salvos por Cristo, recebemos a paz com Deus e, por isso, passamos a ter comunhão com Ele, mas, também, passamos a ter a “paz de Deus”, mediante a qual nós podemos ser “pacificadores”, levando a paz aos que nos cercam. O salvo leva paz aos lugares que frequenta, a começar da igreja local onde congrega, pois ali todos devem viver em paz.

    – No entanto, os falsos pregadores da prosperidade estimulam e incentivam a divisão, a competição, pois, na ganância para se ganhar cada vez mais as coisas desta vida e no estímulo à inveja, não há como se proliferar, no meio do povo de Deus, o sentimento faccioso e o individualismo, a completa negação da paz de Cristo.

    A paz é apresentada explicitamente pelo apóstolo Paulo como uma das qualidades do fruto do Espírito (Gl.5:22). O verdadeiro e genuíno servo do Senhor Jesus tem paz e lev a paz aonde vai.

    IV – AS BEM-AVENTURANÇAS ATINENTES AO RELACIONAMENTO DO HOMEM CONSIGO MESMO

    – Por fim, temos as três últimas bem-aventuranças mencionadas pelo Senhor Jesus no sermão do monte e que dizem respeito ao relacionamento do homem consigo mesmo.

    A primeira delas, que é a quarta bem-aventurança do sermão do monte, é a “bem-aventurança dos que têm fome e sede de justiça” (Mt.5:6), mencionada em Lucas como “a bem-aventurança dos que têm fome” (Lc.6:21). Aqui o Senhor Jesus mostra que os Seus discípulos são aqueles que sabem suportar as carências, tendo esperança que, um dia, serão elas supridas por Deus, pois o Senhor diz que estes bem-aventurados “serão fartos”.

    – Cumpre observar que o Senhor Jesus mostra que os Seus discípulos têm necessidade de “justiça”, ou seja, não estão atrás de coisas desta vida, de coisas materiais, mas, sim, de coisas espirituais. Do que eles sentem falta? De dinheiro? De saúde? Não, não e não! Eles sentem falta de “justiça”. Por isso, a exemplo de Ló em Sodoma, os salvos se afligem dia após dia com as obras injustas dos pecadores (II Pe.2:7,8), pois quem tem o amor de Deus não folga com a injustiça (I Co.13:6).

    – O íntimo do salvo em Cristo Jesus, do discípulo de Nosso Senhor clama por justiça, alegra-se com a justiça, deseja a justiça. Não está interessado na posse de bens materiais, mas na realização da justiça.

    – David Flusser, já tantas vezes mencionado neste estudo, mostra que a expressão de Cristo nesta bem-aventurança faz alusão a uma antiga oração judaica, onde se diz: “Teu povo e Tua herança, que têm fome de Tua bondade, que têm sede de Tua graça e que almejam a Tua salvação, reconhecerão e saberão que ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia e o perdão” (op.cit., p.142). Como se percebe, a fome é da “bondade de Deus”; a sede, da “graça de Deus”. O que o povo e a herança de Deus mais querem é a realização da bondade e da graça de Deus.

    – Ora, num mundo de pecado e sabemos que o pecado é iniquidade, ou seja, injustiça (I Jo.3:4), ter esta carência é, necessariamente, ter de ter fé e esperança de que um dia virão novos céus e nova terra onde habita a justiça (II Pe.3:13) e isto leva o cristão a ser comedido, equilibrado, a ter autocontrole, pois sabe que “não pode fazer justiça com as suas próprias mãos”, embora a anseie grandemente. Daí advém que a bem-aventurança da fome e sede de justiça nos remete à qualidade do “fruto do Espírito” denominada “temperança” (Gl.5:22).

    – Os pregadores da confissão positiva, no entanto, assim não agem nem pregam. Não estão interessados na justiça, mas no bem próprio, no seu bem-estar. Pouco importa que haja injustiça, se eles estiverem “por cima”, tudo bem. Eles folgam com o próprio bem, não se importam se a injustiça perdura, o importante é que “sejam cabeça, não cauda”.

    – A “teologia da prosperidade” não prega a “temperança”, muito pelo contrário, são insaciáveis, gananciosos, querendo sempre cada vez mais, não sabendo controlar seus instintos, que estão tão fora de controle que acham, inclusive, que “comandam” e “obrigam” Deus a saciá-los. Aliás, a cobiça do homem é insaciável (Ec.6:7). Como isto é diferente do que ensina o Senhor Jesus a respeito de Seus discípulos…

    – A propósito, para os que se sentem bem apesar de toda a injustiça na Terra, há, da parte do Senhor Jesus, um “ai”, como fez questão de registrar o evangelista Lucas: “Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome” (Lc.6:25). Uma vez mais, lembramos a situação de carência irremediável que sofreu o rico no Hades (Lc.16:24-26). Que Deus nos livre disto, amados irmãos!

    A segunda bem-aventurança atinente ao relacionamento do homem consigo mesmo é a “bem-aventurança dos perseguidos por causa da justiça”, que deles é o reino dos céus (Mt.5:10), não mencionada por Lucas. Flusser entende que esta expressão de Jesus está relacionada com Is.51:1, que fala daqueles que “perseguem a justiça”, que “buscam ao Senhor”. “…A palavra ‘justiça’ em Mt.5:10 é explicada, em geral, como se referindo àqueles que forma perseguidos por sua devoção à religião, por sua obediência aos mandamentos de Deus, ou aos justos que se opõem às causas iníquas.(…). Desse modo, uma das explicações da frase em Mt.5:10 é: Bem-aventurados são aqueles que perseguem a justiça e que, por conseguinte, são perseguidos.…” (op.cit., p.143).

    – Mais uma vez percebemos que o salvo em Cristo Jesus tem, em seu interior, uma necessidade de justiça, sabendo que ela se encontra em Deus e, por isso, vai ao encontro d’Ele, quer encontrá-l’O, pois sabe que somente tendo intimidade com Ele poderá colaborar, cooperar para que a injustiça deste mundo diminua, enquanto não vêm os novos céus e a nova terra.

    – O “perseguido por causa da justiça” busca a Deus e, por buscar a Deus, acaba sendo perseguido neste mundo. Assim, vemos, com absoluta clareza, que o bem-aventurado é aquele que dá prioridade às coisas espirituais, que busca primeiramente o reino de Deus e a sua justiça (Mt.6:33), que não está atrás da comida, da bebida e do vestido, como fazem os gentios (Mt.6:31,32).

    – Mas o que ensinam os falsos pregadores da prosperidade? Ensinam os crentes a serem gentios, a se comportarem como os incrédulos, pois querem que eles corram atrás da comida, da bebida e do vestido, deixando de buscar primeiramente o reino de Deus e a sua justiça. Estão no caminho oposto ao previsto pelo Senhor Jesus. Acordemos, amados irmãos, e deixemos de seguir estes falsos e diabólicos ensinos!

    – O “perseguido por causa da justiça” está atrás das bênçãos espirituais, de uma intimidade com Deus e sabe que a perseguição que está a sofrer é resultado desta busca e aguarda, pacientemente, que novos céus e nova terra sejam estabelecidos onde, então, haverá a justiça para todos, justiça de que já desfruta em sua comunhão com Deus. É, pois, completamente refratário a estímulos de “impaciência” que são trazidos pelos “teólogos da prosperidade”, que conclamam o povo a não esperar, a exigir isto ou aquilo de Deus, a “não aceitar a situação”. Como este ensino é totalmente diverso do que nos ensinou o Senhor Jesus.

    – O “perseguido por causa da justiça” sabe esperar com paciência no Senhor (Sl.40:1) e não tem ilusão a respeito deste mundo, pois sabe que não haverá justiça plena nesta Terra. O melhor é buscar a justiça em Deus, pois Ele é a nossa justiça (Jr.23:6). Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo elenca entre as qualidades do “fruto do Espírito” a longanimidade (Gl.5:22).

    A última bem-aventurança, que é também atinente ao relacionamento do homem consigo mesmo, é a “bem-aventurança dos injuriados e perseguidos por causa do nome de Jesus”, que têm um galardão nos céus (Mt.5:11,12), que, na versão de Lucas, é a “bem-aventurança dos aborrecidos, dos que sofrem separação, dos injuriados e rejeitados” (Lc.6:22).

    – Muito relacionada com a bem-aventurança anterior, temos aqui, porém, como que uma especificação, visto que aqui não se tem apenas perseguição, mas a injúria, ou seja, a ofensa, o aviltamento por causa do nome de Jesus. Tem-se um degrau a mais de sofrimento por se ter ido buscar o reino de Deus e a sua justiça.

    – Pelo que se verifica, o discípulo de Cristo tem perdas neste mundo, exatamente por tê-lo rejeitado, por tê-lo desprezado por algo melhor, que é o próprio Jesus. E, para estes bem-aventurados, é prometido um galardão, uma recompensa, que não é aqui neste mundo, mas, sim, no céu. A recompensa por se manter leal a Jesus, por não esmorecer diante da injúria e da ofensa é no céu e não aqui.

    – Tem-se, pois, que um dos requisitos para se ter esta bem-aventurança é a lealdade, a manutenção do compromisso assumido de servir a Cristo Jesus até a morte, motivo por que a qualidade do “fruto do Espírito” correspondente a esta bem-aventurança é a fé, pois aqui a palavra “fé” significa “fidelidade, lealdade”. Não foi por outro motivo que o Senhor Jesus prometeu dar “a coroa da vida” a quem for fiel até a morte (Ap.2:10).

    – Os “pregadores da prosperidade”, no entanto, ensinam exatamente o contrário, pois afirmam que uma das demonstrações da salvação seria, precisamente, o reconhecimento dos outros, o estar “por cima” nos conceitos da sociedade, o ter poder econômico, o ter poder político, enfim, o ter poder segundo os padrões mundanos. Como isto é diferente do que ensinou o Senhor Jesus…

    – Os “pregadores da prosperidade”, também, insistem que o galardão por servir a Jesus é obtido nesta Terra, mas o Senhor Jesus disse que o galardão está nos céus, não sendo, pois, saúde física, nem tampouco riquezas materiais a demonstrar que alguém é salvo, ou não, na pessoa de Cristo Jesus. Não se pode trocar a fidelidade a Cristo pelas coisas desta vida. Não se deve esperar recompensa neste mundo por servirmos a Cristo. Lembremos disto, amados irmãos!

    – Pelo contrário, na versão de Lucas, a esta bem-aventurança está associado um “ai” que se refere precisamente ao reconhecimento da sociedade, ao reconhecimento do mundo. “Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas” (Lc.6:26). Estar “de bem com o mundo”, gozando da fama e de prestígio segundo os conceitos mundanos é ser um “falso profeta”, é negar a sua própria salvação. Quantos que estão correndo atrás deste “ai” em nossos dias…

    Como se pôde perceber, pois, na análise do sermão das bem-aventuranças, nada, absolutamente coisa alguma do que é propalado pela “teologia da prosperidade” está entre as características e qualidades que o Senhor Jesus deu para os Seus discípulos, para os “bem-aventurados”. Por que, então, confiarmos nestas mentiras? Fiquemos com a Palavra de Deus, fiquemos com o Senhor Jesus, que é a verdade (Jo.14:6)!!

    Ev. Prof. Dr.Caramuru Afonso Francisco

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