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  • EMÍLIO CONDE, O APÓSTOLO DA IMPRENSA PENTECOSTAL NO BRASIL

    Naquele edifício residencial no bairro de Santa Tereza, aquela janela acesa em um dos seus apartamentos; aquela lâmpada amarela que avança nítida no tempo, através das horas frias e silenciosas da noite, não representa a vigília angustiada de algum enfermo, nem a insônia de um coração intranqüilo, ou o próprio guardião da madrugada a velar o sono das criaturas.

    Não é apenas um homem que escreve, um trabalhador intelectual solitário que, sob o olhar terno e sereno de Cristo, prepara artigos que serão divulgados no meio evangélico.

    No final de cada um deles o leitor lerá as iniciais E.C. – Emílio Conde.

    Enquanto esse homem solitário escreve, sua fronte se ilumina em enlevos de visitação ao Céu; sua mente percorre “as ruas de ouro e cristal da formosa Jerusalém”, e, sobre o papel, seu punho se agita, e a página branca, ao toque da tinta negra, torna-se mais branca ainda, alva como a neve, porque nela estão sendo escritas palavras pronunciadas na Cruz.

    Emílio Conde nasceu no dia 8 de outubro de 1901, em São Paulo. Seus pais, João Batista Conde e Maria Rosa eram de origem italiana.

    Consequentemente, o primeiro contato de Emílio com o Evangelho foi na Congregação Cristã do Brasil, fundada por italianos. Ali, o futuro escritor evangélico creu em Jesus Cristo e se tornou membro da igreja no dia 21 de abril de 1919, sendo em seguida batizado com o Espírito Santo.

    Transferindo-se para o Rio de Janeiro, passou a frequentar a Assembleia de Deus na Rua Figueira de Melo, 232, em São Cristóvão, pastoreada na época pelo missionário Samuel Nyströn.

    Entusiasmado com o calor espiritual dos que ali se reuniam para cultuar a Deus, Emílio Conde transferiu-se de sua denominação e tornou-se membro dessa igreja.

    Os anos que se sucederam foram empregados na busca incansável dos meios, os melhores que fossem, de agradar a Cristo. Era necessário servi-lo com toda integridade de coração e amplitude de espírito. Emílio Conde passou a empregar as suas horas vagas no estudo e meditação dos conhecimentos bíblicos e humanos.

    Eram necessárias bases sólidas para a construção do edifício espiritual que iria surgir de suas mãos.

    Principiou pelo conhecimento de sua língua, e depois de dominá-la satisfatoriamente, passou ao aprendizado de outras.

    Aprendeu o italiano, o inglês e o francês, sendo-lhe assim fácil o acesso à literatura desses idiomas, tão ricos em livros de inspiração evangélica. Leu boas obras ainda não traduzidas para o português.

    Foi um perfeito autodidata. Sua curiosidade abrangia vários ramos da cultura humana. Cabe porém salientar que estas leituras não o desviaram da Bíblia, pois era do seu conhecimento que “por abundantes que sejam os regatos, mais agradável é beber na fonte”.

    Deste modo, dia a dia ele perseverava na oração e na leitura da Palavra de Deus, fazendo grandes progressos nos caminhos do Espírito. Era costume seu isolar-se para meditar e sentir “a largura, o comprimento, a altura, e a profundidade do amor de Cristo que excede todo o entendimento” (Efésios 3.18,19).

    Aonde chegava, dava seu testemunho de crente. E assim, pela intensidade de vezes que subiu ao púlpito, sua palavra foi pouco a pouco se delineando, tomando feições amplas, tanto pela soma de conhecimentos que apresentava, como pelo evidente toque do Espírito.

    “Era agradável ouvi-lo” – disse um antigo pastor acerca do seu testemunho – “pois ele somava à unção espiritual e ao profundo conhecimento bíblico, uma vasta cultura secular”.

    Em 1937, o missionário Nils Kastberg encontrou-o trabalhando como intérprete em um restaurante do Rio de Janeiro. A Casa Publicadora começava a surgir nesse ano.

    “Irmão Conde, necessitamos de alguém para atender ao expediente da redação de nosso periódico, o ‘Mensageiro da Paz’. Sabemos que o irmão reúne em si todas as qualificações necessárias para tal cargo. O irmão aceita ser nosso redator?”

    Surpreso, antevendo a intervenção divina que se sobressaía naquele convite tão simples, e sentindo-se tocado em um dos pontos fundamentais de sua vida, a sua vocação, aceitou. Era o amanhecer do ministério do apóstolo da imprensa evangélica pentecostal no Brasil.

    Emílio Conde tratou de reunir então todo o material que havia acumulado durante anos e anos de estudos e pesquisas. Seus livros, seus cadernos de notas, trechos extraídos de muitas leituras, comentários feitos às margens das páginas dos inúmeros volumes que lera, esboços de obras em fase de conclusão, e, sobretudo, as revelações do Espírito Santo anotadas durante suas leituras bíblicas pela madrugada – tudo isso seria empregado na composição dos artigos que sairiam de suas mãos.

    Sua missão dali para frente seria produzir uma genuína literatura pentecostal, uma fonte de onde jorrassem as cristalinas palavras ditadas pelo Espírito Santo, fundamentadas em Cristo, aprovadas pelo Senhor dos senhores.

    Sua admissão oficial como funcionário da CPAD data de 15 de março de 1940. Desde o convite do missionário Nils Kastberg até aquela data, fora apenas colaborador do Mensageiro da Paz. Daí por diante, por mais de trinta anos Emílio Conde dedicaria à CPAD seu talento, sua cultura, sua impressionante capacidade de trabalho, sua mente clara e fecunda.
    Era um homem humilde, simples. Não costumava ostentar os conhecimentos que possuía. Entre os amigos, sua palavra despretensiosa e amena, dosada pelo bom humor e pela sinceridade, descontraía a todos os que a ele se achegassem.

    Para os que se viam angustiados ou confusos, procurá-lo era encontrar nele um apoio, uma palavra amiga, esclarecida, experimentada, confortadora.

    Seu trabalho na imprensa evangélica não foi uma profissão: foi um sacerdócio.

    Trabalhou para levar a semente da Palavra de Deus aos corações, e nisto empregou toda a sua vida. Deu-se a si mesmo, como está em 2 Coríntios 8.5: “… mas a si mesmo se deram, primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.”

    E era tão grande seu amor por esse trabalho, que chegou a rejeitar muitas propostas de empregos extra-evangélicos, pois se os aceitasse, tornar-se-ia inepto para o desempenho da função que exercia.

    Agindo assim, sempre esteve à altura da posição que ocupava, e sempre pronto a cooperar com a causa das Assembléias de Deus no Brasil.

    Graças à sua maneira sóbria e digna de se conduzir, foi, entre nós, uma espécie de representante mor do movimento pentecostal em todos os meios sociais e evangélicos.

    De 1946 a 1958 representou oficialmente as Assembleias de Deus do Brasil nas Conferências Mundiais Pentecostais, havendo estado em Estocolmo, Londres e Toronto.

    E foi também, durante muitos anos, nosso representante, não só na Diretoria, mas também em Comissões da Sociedade Bíblica do Brasil.

    Quando principiou a escrever em benefício do Evangelho, eram poucos os que entre nós podiam e se prestavam a tal ofício.

    Portanto, foi de sua caneta que fluiu a maioria dos artigos, das notícias e das reportagens usadas no jornal O Mensageiro da Paz, nas revistas, e também nos livros da CPAD e tudo mais que ia do Sul ao Norte do Brasil para as nossas igrejas – as mensagens escritas para edificação dos fiéis.

    Seu conhecimento e sua visão espiritual abrangiam toda a comunidade evangélica brasileira. Empenhou-se a fundo em obter dados do Movimento Pentecostal no Brasil e no mundo e, como resultado, escreveu os livros: O Testemunho dos Séculos e História das Assembléias de Deus no Brasil (este último, reescrito e ampliado pela CPAD). Escreveu também os seguintes livros
    : Asas do Ideal, O Homem, Pentecoste para Todos, Igrejas sem Brilho, Nos Domínios da Fé, Caminhos do Mundo Antigo, Flores do meu Jardim, Tesouro de Conhecimentos Bíblicos, e Estudos da Palavra.

    Era, sobretudo, um homem de oração. Foi orando que recebeu de Deus inspiração para compor 25 hinos da Harpa Cristã, e outros, sendo dois em parceria com o missionário Nils Kastberg, e cinco com a missionária Eufrosine Kastberg. Integrou, durante muitos anos, o Coral da Assembleia de Deus em São Cristóvão, tendo sido também organista e acordeonista.

    Gostava muito de cantar, e todos quantos o ouviam, sentiam vibrar as cordas de seu coração, pois ele estava sempre desejando “as ruas de ouro e cristal da formosa Jerusalém”.

    Considerando o imenso e relevante trabalho por ele prestado à Assembleia de Deus no Brasil, foi-lhe oferecido certa vez, por um grupo de pastores, o acesso ao Ministério do Evangelho, através de ordenação, mas ele recusou definitivamente.

    Em janeiro de 1971, acometido de uma já antiga enfermidade, oriunda de complicações pós-operatórias, foi internado no Hospital Evangélico, na Tijuca. Uma semana antes a irmã Didi, enfermeira que cuidou dele nos seus últimos meses de vida, o encontrara dormindo com a caneta entre os dedos, debruçado totalmente sobre o trabalho inacabado. Seria sua última página escrita.

    Aplicadas todas as forças da alma e do corpo para servir a Cristo, toda sua vida não lhe fora suficiente; era-lhe necessário passar para a eternidade e continuar servindo “Àquele que é mais sutil que o ar, mais ligeiro que o relâmpago, e cujo olhar é mais belo que um alvorecer de primavera, e mais suave que a claridade das estrelas”.

    “Vinde ver o mais egrégio espetáculo que pode haver na terra: Vinde ver como morre um justo.” A noite lentamente se apossara do hospital, e as sombras, crescendo nos recantos menos favorecidos pela claridade desmaiada e última do crepúsculo, escalaram pouco a pouco as paredes externas do edifício, e, silenciosas e irreversíveis, foram-no revestindo de uma tonalidade cinza.

    Invadindo as vidraças, penetraram no quarto de Emílio Conde, que, deitado no seu leito de morte, pesava a sua vida, o que tinha sido, o que fizera, o que deixara de fazer.

    Ele não se sentia só, pois desde o dia em que o Senhor se apossara mansamente do seu coração e nele fizera morada, sua alma nunca mais fora presa do angustioso sentimento de solidão. O “Não te deixarei, nem te desampararei” cumprira-se fielmente em sua vida.

    Às 13.00 horas do dia 5 de janeiro de 1971, Emílio Conde dormiu no Senhor. Às 17.00 horas do mesmo dia seu corpo saía do Hospital Evangélico para ser velado no Templo da Assembléia de Deus em São Cristóvão, ficando próximo ao púlpito, aquele mesmo púlpito onde pregara tantas vezes e onde tantas vezes cantara.

    A Rádio Nacional, a Tupi e a Globo noticiaram com detalhes o seu falecimento.
    O seu compacto “Águas Vivas” foi tocado durante toda a noite, nos intervalos dos muitos que usaram da palavra.

    Pela manhã, às 9.30 horas, chegou o Vice-Governador do Rio de Janeiro, o doutor Erasmo Martins Pedro. No seu breve discurso, ele disse que Emílio Conde em vida “fazia o trabalho do acendedor de lampiões: entrava numa rua escura e ia deixando luz atrás de si”.

    Representantes de instituições batistas disseram que Emílio Conde não pertencia somente às Assembléias de Deus, mas aos evangélicos de todo o Brasil.

    O pastor Túlio Barros pediu que todos os presentes abrissem suas harpas e cantassem juntos o hino 202: “Junto ao trono de Deus preparado…”

    Em seguida, o pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos leu Apocalipse 14.13, e, enquanto falava, um ancião aproximou-se lentamente do corpo e contemplou aquela face pálida e serena, transfigurada pela beleza sagrada e espiritual da morte, afastando-se mansamente depois.

    Era o irmão Adrião Nobre, um dos pioneiros da obra pentecostal no Brasil, e o membro número um de São Cristóvão.

    Às 10.00 horas, os pastores Túlio Barros Ferreira, Alcebíades P. Vasconcelos, Geziel Nunes Gomes e o irmão Catarino Varjão empunharam as alças do caixão e se dirigiram à porta de saída do templo. No cemitério do Caju, o pastor Geziel Gomes, em nome de todos os obreiros do Campo de São Cristóvão, usou da palavra, despedindo-se de Emílio Conde.

    Ao concluir, disse: “Ele não gerou filhos materiais, mas os seus filhos na fé são tantos que não se podem contar.”

    Em seguida os presentes cantaram o hino: “Pensa na celestial melodia.” Por último, o pastor Túlio Barros orou. A multidão se afastou deixando atrás de si, na tumba 81.011, da quadra 81-A, do Cemitério do Caju, o corpo de um justo, o homem que soube honrar a Deus e servi-lo durante toda a sua vida.

    A tudo que é transitório soubeste dar,
    com a tua grave melancolia,
    a densidade do eterno.
    Mais de uma vez fizeste aos homens
    advertências terríveis.
    Mas a tua glória maior foi ser
    aquele que soube falar a Deus
    nos ritmos de sua Palavra.

    (Do livro de minha autoria Eles Andaram com Deus, publicado em 1985 pela CPAD, e atualmente esgotado).

    Jefferson Magno Costa

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  • Lição 05 – A Bençãos De Israel E O Que Cabe A Igreja

    As bênçãos e promessas de Deusconstantes da Bíblia não são indistintas a todas as pessoas,devem ser analisadas dentro do seu contexto.

    INTRODUÇÃO

    – Na sequência do estudo sobre a prosperidade bíblica, passaremos a analisar os principais pontos do ensino bíblico sobre o tema, refutando as distorções feitas pela “teologia daprosperidade”.

    – O primeiro ponto a ser analisado é de que as promessas e bênçãos de Deus constantes nas Escrituras não podem ser aplicadas indistintamente a todas as pessoas, mas devem serexaminadas no contexto em que aparecem.

    I – DEUS É UM DEUS DE BÊNÇÃOS E DE PROMESSAS

    – Após termos visto o que é a prosperidade na Bíblia, tanto no Antigo como em o Novo Testamento, oportunidade em que observamos o forte conteúdo espiritual que o tema apresenta nas Escrituras, passamos ao segundo bloco de nosso estudo deste trimestre, em que analisaremos alguns pontos da doutrina bíblica da prosperidade a fim de refutarmos as distorções constantes da “teologia da prosperidade”.

    – O primeiro destes pontos é a realidade de que, embora o nosso Deus seja um Deus de bênçãos e de promessas, tais bênçãos epromessas não são indistintas para todos os homens. Uma das principais artimanhas dos “teólogos da prosperidade” é, precisamente, a de “pinçar” das páginas da Bíblia “bênçãos” e “promessas” e aplicá-las, fora do contexto em que foram feitas, para a Igreja.

    – O nosso Deus, que ama o homem e quer que todos os seres humanos se salvem, tem prazer em abençoar o homem. Já no relato da criação, vemos o Senhor abençoando o homem, tendo, sido, aliás, a primeira atitude que a Bíblia registra que Deus fez em relação ao homem (Gn.1:28).

    – Não há porque, então, duvidarmos deste caráter abençoador primordial de Deus em relação ao homem, mas isto não pode, em absoluto, fazer-nos crer que todas as bênçãos constantes na Bíblia são dirigidas à Igreja, a este povo de Deus formado por judeus e gentios por força do sacrifício vicário de Cristo Jesus na cruz do Calvário (Ef.2:13,14).

    – A bênção é definida, pelo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, como sendo “graça concedida por Deus”, ou seja, é um favor imerecido que Deus dá ao homem por força do Seu amor para com o ser humano. Deus, assim que criou o homem, o abençoou (Gn.1:28), pois queria o seu bem, bem este que é concretizado pela comunhão que o próprio Deus estabeleceu com o homem, feito à Sua imagem e semelhança.

    – Além de ser um Deus de bênçãos, o Senhor também é um Deus de promessas. “Promessa”, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “ato ou efeito de prometer”, “afirmativa de que se dará ou fará alguma coisa”, “compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação”, palavra que vem do latim “promissa”, que, por sua vez, era o plural de uma forma verbal “promissum”, do verbo “promittere” cujo significado é “’lançar, atirar longe; deixar crescer para diante (barba); oferecer; propor, apresentar; prometer, dar a sua palavra, obrigar-se”.

    – No Antigo Testamento, não há uma palavra específica para “promessa”. Como diz o J.W.L. Hoad, em o Novo Dicionário da Bíblia, conforme a tradução de João Bentes, “…onde nossas versões portuguesas dizem que alguém prometeu alguma coisa, o hebraico simplesmente afirma que alguém disse ou proferiu (‘amar – ???, dabhar- ???) alguma palavra com referência ao futuro…” (Promessa. In: DOUGLAS, J.D. O novo dicionário da Bíblia, t.II, p.1330).

    – Em o Novo Testamento, a palavra “promessa” é a palavra grega “epangelia” (?????????), cujo significado também tem a ver com “anúncio”, “mensagem”, tanto que a palavra é da mesma raiz que “evangelho”.

    – A promessa é o ato de prometer e prometer, pelo que vimos, é uma afirmação que se faz para frente, tanto que, no latim, o verbo “promittere” significa “lançar, atirar longe, deixar crescer para diante a barba”. Trata-se, portanto, de uma afirmação que diz respeito a um fato futuro, a algo que ainda não ocorreu. Como afirma J.W.L. Hoad, “…promessa é uma palavra que se prolonga por um tempo indeterminado. Estende-se para além daquele que a faz e daquele que a recebe, assinalando um encontro entre os dois no futuro…” (HOAD, J.W.L., op.cit., p.1330).

    – A promessa é a afirmação de que se fará ou se dará alguma coisa, é um anúncio, uma palavra que diz respeito ao futuro. A nós, seres humanos limitados no tempo, temos que a promessa exige uma espera, pois a sua afirmação não coincide com o acontecimento. A promessa implica, sempre, numa espera, pois há um lapso temporal entre o seu pronunciamento e o acontecimento que ela prevê. Há um intervalo temporal entre o seu anúncio e a sua realização.

    – Não é por outro motivo que a primeira vez que a palavra “promessa” surge na Versão Almeida Revista e Corrigida seja numa “cobrança” do salmista Asafe, como vemos no Sl.77:8: “Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se já a promessa que veio de geração em geração?” O salmista, angustiado e espiritualmente enfermo (cfr. Sl.77:10), cansa-se da espera e “cobra” a promessa divina.

    OBS: Segundo David J. Stewart, webmaster do site www.jesus-is-savior.com, há 1.260 promessas em toda a Bíblia Sagrada (God keeps His promises. Disponível em: http://www.jesus-is-savior.com/Basics/gods_promises.htm Acesso em 16 ago. 2007) (tradução nossa do título: Deus vela pelas Suas promessas). Já o pastor e teólogo batista norte-americano Dr. Sam Storms (1951- ) afirma que o número de promessas de Deus na Bíblia é de 7.487, o que corresponde a 85% das promessas registradas no texto sagrado (há, ainda, 991 promessas feitas de uma pessoa para outra, 290 promessas humanas para Deus, 29 promessas feitas por anjos,  9 promessas do diabo, 2 promessas feitas por demônios e 2 promessasfeitas por Deus Pai a Deus Filho) (cfr. THE SERMON NOTEBOOK. Acts 27:14-49: four strong anchors for life’s stormy seas. Disponível em:http://www.sermonnotebook.org/new%20testament/Acts%2027_14-29.htm Acesso em 16 ago. 2007) (tradução nossa do título – CADERNO DE SERMÕES. Atos 27:14-49: quatro âncoras fortes para os mares tempestuosos da vida).

    – Na Versão Almeida Revista e Corrigida, ainda, o verbo “prometer” aparece, pela vez primeira, em Js.22:4, numa fala de Josué, quando o patriarca se dirigiu às duas tribos e meia que haviam pedido para ficar com terras do lado de cá do Jordão, ocasião em que Josué, ao despedi-los, disse-lhes que o Senhor “…como lhes tinha prometido…”, havia dado repouso às outras dez tribos e meia. No texto original, o verbo utilizado é “dabhar”, que, como já se disse, corresponde a “falar algo que somente se realizará no futuro”. No texto em análise, Josué confirma que o que Deus havia dito antes do início das conquistas, havia se realizado, havia se cumprido.

    – Promessa é o compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação. A promessa é, portanto, uma declaração que, embora diga respeito a fatos que irão ocorrer no futuro, gera, no presente, um compromisso, ou seja, um vínculo, uma obrigação. A promessa é um ato de vontade, é uma declaração de um querer que, entretanto, quando dirigido a outras pessoas, uma vez aceito, gera uma obrigação da parte de quem prometeu.

    – Mesmo os homens, tão falhos e perversos, prescrevem em suas leis que a declaração proferida por alguém gera obrigação, a menos que as circunstâncias do caso não permitam concluir que haja este compromisso, não, porém, estando obrigado aquele que prometeu se não houver aceitação por parte da pessoa a quem se prometeu ou se, antes da aceitação, tiver havido retratação por parte de quem prometeu (artigos 427 e 428 do Código Civil Brasileiro).

    – Vemos, portanto, que a promessa, embora seja algo que se fará no futuro, já no presente gera implicações, cria obrigações. Por isso, enquanto servos do Senhor, devemos ter muito cuidado com relação às promessas, pois não podemos ser infiéis nos contratos (Rm.1:31,32), visto que temos de ser imitadores do Senhor, que é fiel (Dt.7:9; Is.49:7). O Senhor espera de nós que sejamos cumpridores estritos de tudo quanto temos falado e prometido, pois nosso falar deve ser sim, sim, não, não (Mt.5:37). Por isso, o servo fiel jamais promete aquilo que não pode cumprir.

    II – AS PROMESSAS DE DEUS

    – Elucidativo que a primeira referência a “promessa” nas Escrituras Sagradas esteja relacionada a Deus. Nenhum outro ser poderia ser o primeiro a fazer promessas a não ser o próprio Criador dos céus e da terra, cuja palavra tudo criou (Gn.1:1; Ap.4:11) e tem sustentado todas as coisas (Hb.1:3).

    – Com efeito, sendo Deus o primeiro a fazer pronunciamentos, o primeiro a fazer declarações, pois antes d’Ele nenhum outro ser havia, nãosurpreende que a primeira referência a “promessa” seja, precisamente, em relação a Deus.

    – Também diferente não é com respeito ao verbo “prometer”, pois, como vimos, a sua primeira incidência se dá em Josué, quando o patriarca, ao despedir as duas tribos e meia (Ruben, Gade e meia tribo de Manassés), fala do cumprimento de uma promessa da parte de Deus para o Seu povo, qual seja, o repouso deles na Terra Prometida.

    – Se formos adotar o critério cronológico das Escrituras e não o da ordem do cânon, nem assim teremos conclusão diferente. Se o livro de Jó é, como dizem os estudiosos das Escrituras, o mais antigo livro da Bíblia Sagrada, também ali a primeira referência a “prometer” se dá com relação a Deus. Em Jó 17:3, quando o patriarca, angustiado, clama a Deus para que lhe desse um árbitro com o qual poderia contender com Deus, há um pedido da parte daquele homem: “Promete agora, e dá-me um fiador para conTigo; quem há que me dê a mão?” Nesta expressão do patriarca, vemos que a garantia dele estava em uma promessa da parte de Deus. Já sabia que o seu Deus era um Deus de promessas.

    – Advém daí, então, mais uma demonstração de quepromessa é algo peculiar a Deus, algo que Lhe é próprio. Isto porque é de Deus a primeira promessa surgida no mundo. Ao criar o homem, Deus prometeu ao homem que este frutificaria, multiplicar-se-ia e encheria a terra, sujeitando-a e dominando os demais seres criados sobre a face da Terra (Gn.1:28), promessa que teve seu cumprimento já no fato de Adão ter dado nome aos seres (Gn.2:19,20), numa clara indicação de que era ele dominador sobre ele.

    – Deus, também, havia dito ao homem, ao pô-lo no jardim, que, se ele comesse da árvore da ciência do bem e do mal, certamente morreria (Gn.2:16,17), promessa que encontrou seu literal cumprimento quando o homem pecou, não dando crédito às palavras do Senhor. Nesta oportunidade, porém, Deus, mostrando o Seu amor para com o homem, trouxe a grande promessa, qual seja, a de que o homem teria oportunidade de se salvar, mediante a vinda de um Redentor (Gn.3:15).

    – Percebemos, portanto, que, desde os primórdios da existência humana sobre a face da Terra, foi o homem alvo de promessas da parte de Deus, pois sendo Deus um ser que fala, que faz pronunciamentos, é próprio de Sua natureza fazer promessas, até porque, se promessa é a afirmação de um fato futuro, temos que, para Deus, não há futuro, mas, sim, um eterno presente e, portanto, quando faz uma declaração, para nós ela é futura, mas para o Senhor é mera constatação, é uma mera observação da realidade que, para Ele, é sempre presente.

    – Destarte, quando falamos em promessa de Deus estamos a falar sobre Seus pronunciamentos, Suas declarações que, para nós, dizem respeito a fatos futuros, mas que, para Ele, são a plena constatação do que há, do que existe, pois, para Deus, não há o tempo. Por isso, não há como pensarmos em que a promessa de Deus não se realizará, pois ela já é, aos olhos do Senhor, um acontecimento. O intervalo entre a promessa e a sua realização é uma realidade que só existe para nós, seres humanos, não para Deus, pois para o Senhor querer e efetuar são a mesma coisa (Fp.2:13).

    – A Bíblia nos diz que Deus é fiel, ou seja, cumpre todas as Suas promessas, os Seus compromissos. Paulo, mesmo, ao dissertar sobre a fidelidade divina, é bem enfático ao dizer que Ele é fiel porque não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13). O próprio Senhor, em diálogo com o profeta Jeremias, fez questão de dizer que velava sobre a Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12), numa garantia de que Suas promessas são de cumprimento certo e inevitável.

    – Assim, se na lei dos homens, temos que, para que uma promessa obrigue, vincule alguém, já no presente, para algo que ocorrerá no futuro, com relação às regras estabelecidas por Deus, temos algo muito mais sublime: quem promete é Deus que, por não poder negar-Se a Si mesmo, é fiel e, desta maneira, cumprirá inevitavelmente tudo o que prometeu e isto em função da Sua própria natureza, do Seu próprio ser.

    – Na lei dos homens, como vimos, existem duas possibilidades de a promessa não obrigar: a não aceitação por parte do beneficiário e a retratação do promitente. Na lei divina, esta segunda alternativa é impossível: Deus não é homem para que minta nem filho do homem para que Se arrependa (Nm.23:19), de sorte que não pode Se retratar. Não é por outro motivo, aliás, que o Senhor diz, por intermédio do profeta Isaías, “…a palavra que sair da Minha boca; ela não voltará para Mim vazia; antes, fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is.45:18).

    – A promessa de Deus é de cumprimento certo e inevitável, porque o seu autor é o Deus fiel, o Deus que não muda (Ml.3:6), o Deus em que nãose encontra sombra de variação (Tg.1:17). Por isso, Jesus disse que os céus e a terra passarão, mas as Suas palavras não hão de passar (Mt.24:35; Lc.21:33).

    – Muitas das coisas que vemos na atualidade nos afligem. A maldade cada vez maior, a apostasia e a sequência de escândalos no meio dito evangélico também se avolumam e está cada vez mais difícil servir a Deus neste mundo tão tenebroso. Entretanto, amados irmãos, tudo isto é cumprimento da Palavra de Deus. A Palavra de Deus tem de se cumprir, pois o que Deus disse, acontecerá inevitavelmente. Pensemos nisto e, das agruras e angústias que nos sobrevêm pelo cumprimento do que está escrito, glorifiquemos a Deus, pois, apesar de tudo, isto é uma clarevidente demonstração de que Deus é fiel e que Suas palavras se cumprem inevitavelmente.

    – Se as promessas de Deus se cumprem inevitavelmente, porque o seu autor não pode se retratar, não podemos, porém, deixar de observar que aspromessas de Deus que se encontram na Bíblia Sagrada não são dirigidas indistintamente a todas as pessoas e reside aí uma das falácias da“teologia da prosperidade”. Se, de um lado, temos, nas promessas de Deus, o mesmo promitente, que é o Senhor, do outro lado não temos os mesmos beneficiários. A promessa é sempre uma declaração dirigida a alguém e Deus, na Sua excelência, nada faz sem algum propósito.

    – Observemos, aliás, o dito do Senhor através do profeta Isaías. Ali, o Senhor não só garante que a Sua Palavra se cumpre integralmente, como também que toda palavra proferida por Deus tem um propósito, uma finalidade, um objetivo: “antes fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (destaques nossos).

    – Deus, ao fazer uma promessa, ou seja, uma declaração de que fará algo, o que, para nós é um fato futuro mas para Ele é tão presente quanto a Sua afirmação, sempre o faz com algum propósito, algum objetivo e não podemos nos esquecer disto. Muitos, na atualidade, têm procurado servir ao “Deus de promessas”, ao “Deus que não é homem para mentir”, mas tentam se apoderar de promessas que não lhes dizem respeito, que nãoforam pronunciadas para elas, ou, mesmo, promessas que, embora lhes digam respeito, não estão sendo buscadas para os propósitos delineados pelo Senhor.

    – Deus, ao fazer promessas, dirige-Se a pessoas certas, bem como estabelece propósitos para que isto ocorra e somente dentrodesta perspectiva é que as promessas se cumprirão e de modo inevitável. Muitos, hoje em dia, creem em promessas que não foram, em absoluto, dirigidas a elas, nem tampouco estão de acordo com o propósito de Deus. Tentam tomar aquilo que não é deles e o resultado nãopoderia ser outro: a decepção, indevida decepção, visto que Deus é fiel e não pode negar-Se a Si mesmo, de sorte que não serão caprichos ou invencionices humanas que mudarão o Seu caráter.

     

    – Tudo que se disse com relação às promessas, é válido também para as bênçãos de Deus, já que as promessas nada mais são quebênçãos que se realizarão no futuro, demonstrações da graça de Deus para com os homens, sempre lembrando que esta ideia de futuro existe somente em relação a nós, seres humanos, visto que Deus é atemporal.

    III – AS DIFERENTES ESPÉCIES DE BÊNÇÃOS E PROMESSAS

    – Ao analisarmos as promessas e as bênçãos de Deus, portanto, devemos verificar que, se de um lado, Deus não pode Se retratar e Suas bênçãos epromessas são sempre sim e por Ele amém (II Co.1:20), de outro, temos de observar para quem se dirigem estas bênçãos e promessas e com que propósito elas foram feitas. Só assim teremos condição de aplicar esta ou aquela bênção ou promessa a nós, pois o compromisso de Deus é com a Sua natureza, com a Sua fidelidade, com a Sua Palavra (Jr.1:12).

    – Existem bênçãos e promessas que são “gerais”, ou seja, dirigidas a todos os homens. Deus as proferiu para todo o ser humano e, por isso, se aplicam a toda a humanidade. As bênçãos e promessas feitas a Noé após o dilúvio, por exemplo, são desta espécie (Gn.8:22; 9:1-17). Deus prometeu não cessar, enquanto a terra durar, sementeira e sega, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. Eis porque, como disse o Senhor Jesus, Deus, até o dia de hoje, continua a dar o sol e a chuva tanto sobre justos quanto sobre injustos (Mt.5:45), o que, à primeira vista, pareceria um contrassenso, mas que é cumprimento de uma promessa geral, de uma promessa feita a todos os homens, indistintamente.

    – Existem bênçãos e promessas que são “nacionais”, ou seja, dirigidas a uma nação em especial. Neste ponto, aliás, é bom que relembremos que, para Deus, a Terra é composta de três povos diferentes: os gentios, os judeus e a Igreja (I Co.10:32 ARA).

    – Os gentios são os homens que pertencem a todas as nações do mundo, nações estas que se originaram da comunidade única dissolvida com o juízo de Babel (Gn.11:1-9), com exceção de Israel, que foi formado por Deus a partir da chamada de Abraão. Os gentios rebelaram-se contra Deus e se mantêm rebelados contra o Senhor. Estão destinados a sofrerem o juízo da Grande Tribulação e a serem governados pelo Anticristo e, por fim, serem encaminhados à eterna perdição por se recusarem a servir a Deus.

    – Os israelitas (chamados de judeus o texto mencionado, porque são os que se mantiveram separados das demais nações, pois as dez tribos, que compunham o reino do norte, chamado Israel, se misturaram com outros povos – II Rs.17:6,18) são os homens que pertencem à nação de Israel, descendência de Abraão, Isaque e Jacó. Foi a nação escolhida por Deus para ser aquela que demonstraria a soberania de Deus e o Seu grande amor para todas as demais nações da Terra. Foi a nação escolhida para ser o instrumento da salvação da humanidade, tanto que o Messias veio a este mundo por meio dela. Deus tem um pacto com Israel (Ex.19:3-20:26). Israel está a destinado a ser salvo (Rm.11:26,27), a ter sua transgressão extinta e ser dado um fim aos seus pecados (Dn.9:24), conforme a profecia das setenta semanas de Daniel. Israel rejeitou a Jesus e, por causa disso, foi espalhado entre as nações, mas, desde 1948, ressurgiu como nação, mas ainda está reservado a ele o sofrimento durante a Grande Tribulação e a perseguição que lhe será empreendida pelo Anticristo, que chegará a apoiar, para só então reconhecer a Cristo como Messias e ser completamente restaurado e por Ele governado no Seu reino milenial.

    – A Igreja são os homens que pertencem à Igreja, a “nação santa” (I Pe.2:9), formada por gente de toda tribo, língua, povo e nação (Ap.5:9), que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap.22:14), ou seja, aceitaram a Cristo como seu Senhor e Salvador e perseveraram até a morte ou o arrebatamento da Igreja. A Igreja, formada a partir da morte de Cristo no Calvário, tem por missão a pregação do Evangelho nesta dispensação, estando destinada ao arrebatamento, que ocorrerá antes do início da Grande Tribulação, da ira futura que Deus tem reservado para gentios e israelitas.

    – Como se pode perceber, portanto, tendo criado três povos distintos, Deus reservou a eles destinos também distintos, de modo que o propósito existente para cada um destes povos não pode ser o mesmo, até porque Deus é justo. Assim, bênçãos e promessas há que dizem respeito especificamente a uma destas nações, não podendo, pois, ser aplicadas a outros.

    – Assim, quando Deus prometeu a Israel que ele seria Seu reino sacerdotal e propriedade peculiar dentre os povos (Ex.19:5,6), estamos diante de uma promessa “nacional”, de uma promessa relacionada com os israelitas e tão somente com eles. É por este motivo que Deus tem sempre tido um cuidado especial para a preservação da nação israelita e para a retomada da Palestina para ela. Nunca na história da humanidade se soube de uma nação que tivesse sido preservada ao longo dos séculos como foi Israel e, mais, que tenha retornado a ocupar um pedaço de terra de que tinham sido expulsos há quase dois mil anos antes. Entretanto, o Estado de Israel é, hoje em dia, uma realidade, única e exclusivamente porque isto faz parte da promessa que Deus fez a Israel.

    OBS: O renascimento de Israel como nação estabelecida na Palestina é um dos fatos mais impressionantes da história e uma demonstração cabalda fidelidade divina em Suas promessas. O espanto foi tanto que, inclusive, não deixou de ficar registrado quase 2.700 anos de sua ocorrência, pelo profeta Isaías: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos.”(Is.66:8). Podemos, então, duvidar do cumprimento das promessas de Deus feitas a nós?

    – Mas, também, há bênçãos e promessas que dizem respeito somente à Igreja. O Senhor prometeu à Igreja, assim que revelou sua existência, a promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt.16:18). À Igreja, também, prometeu o derramamento do Espírito Santo (Lc.24:49), como, ainda, o arrebatamento antes da hora da tentação que há de vir sobre o mundo (Ap.3:10). Tais bênçãos e promessas não sãoaplicáveis aos israelitas nem aos gentios, como também à Igreja não se aplicam as promessas relacionadas com a posse da Palestina, por exemplo.

    – Mas também temos as “promessas a nações específicas”, ou seja, promessas que Deus fez a determinadas nações, já não mais consideradas as três nações sob o ponto-de-vista divino, mas, sim, as nações consoante a divisão ocorrida após o episódio de Babel. Em virtude de um comportamento por parte de um determinado povo, o Senhor fez promessas dirigidas a determinadas sociedades nacionais.

    – Foi, por exemplo, o que ocorreu com relação a Amaleque. Por ter ido pelejar contra Israel em Refidim (Ex.17:8), Deus prometeu destruí-la por completo (Ex.17:14), o que se cumpriu literalmente, pois não há mais memória alguma de Amaleque sobre a face da Terra. Mas, também, vemos a promessa de Deus com relação ao Egito, que se converterá ao Senhor e passará a ser considerado por Ele como Seu povo (Is.19:18-25). Esta promessa, ainda não cumprida, não pode ser estendida a ninguém mais senão aos que descendem dos egípcios da época de Isaías, desta nação, porque a ela é dirigida e tão somente a ela.

    – Mas há, ainda, as bênçãos e promessas “grupais”, ou seja, dirigidas a grupos que não chegam a constituir uma nação, mas que sãoagrupamentos de pessoas que estão ligados ou por laços de parentesco (tribos, clãs) ou, ainda, por vínculos de outra natureza (profissionais, gênero etc.). É o que se observa, por exemplo, na promessa feita aos recabitas (Jr.35:18,19), uma tribo que descendia de Recabe, que, por sua vez, era da descendência de Jetro, o sogro de Moisés, que vieram a habitar junto com os israelitas (Nm.10:29; Jz.4:11).

    – Por fim, temos as chamadas bênçãos e promessas “individuais”, bênçãos e promessas feitas por Deus a indivíduos, única e exclusivamente a eles, e que, logicamente, não podem ser aplicadas a ninguém mais. Muitas são as bênçãos e promessas deste tipo na Bíblia. É o caso da promessa feita a Abrão, de que ele se faria uma grande nação (Gn.12:2), como também a promessa feita a Moisés de que ele faria sinais e prodígios no Egito para a libertação do povo (Ex.4:1-17) ou, ainda, a promessa feita a Davi de que Sua descendência reinaria para sempre sobreIsrael (II Sm.7:16), como a promessa a Ebede-Meleque de que teria sua vida poupada quando da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor (Jr.39:16).

    – Estas bênçãos e promessas “individuais” não podem, em absoluto, ser apropriadas por outras pessoas. Eram promessas específicas, que demonstram o poder, a benignidade e a fidelidade de Deus e que para o nosso ensino foram registradas, para aprendamos qual é o caráter do Senhor (Rm.15:4). Entretanto, não podemos transportar estes episódios para as nossas vidas, pois não são bênçãos e promessas “gerais”, nem tampouco bênçãos e promessas feitas para a Igreja.

    – Hoje, lamentavelmente, a falta de conhecimento da Palavra de Deus por muitos crentes tem ocasionado a destruição de muitas vidas espirituais. Por não conhecerem a Bíblia, ouvem estes falsos pregadores que transportam muitas promessas individuais para a vida de cada um de seus ouvintes. Fazem aquilo que, muito sabiamente, o consultor doutrinário da CPAD, o pastor Antonio Gilberto, denominou de “…transformação indevida de fatos e eventos bíblicos em doutrina…” (A Palavra de Deus é o padrão do genuíno avivamento. Mensageiro da paz, ano 77, n. 1466, jul. 2007, p.21). O resultado tem sido a decepção, porque o que ocorreu na vida daquelas personagens bíblicas, não ocorreu na vida destes incautos que, sentindo-se ludibriados, afastam-se do Evangelho. Entretanto, quando vemos a realidade bíblica, vemos que tais ocorrências nãoiriam jamais acontecer, pois Deus vela pela Sua Palavra para a cumprir e, de modo algum, alteraria a Sua fidelidade, extrapolando promessasindividuais para terceiros.

    – Torna-se indispensável que saibamos as bênçãos e promessas de Deus. Elas existem para a fortificação da nossa fé, o combustível pelo qual poderemos chegar até o final da nossa jornada rumo ao céu. Entretanto, precisamos conhecer corretamente as bênçãos e promessas de Deus, tal qual se encontram na Bíblia Sagrada, a inerrante Palavra de Deus, pois o compromisso do Senhor é com a Sua Palavra e nada mais.

    – Mas há, ainda, um outro aspecto relevante a verificarmos nas bênçãos e promessas de Deus. Trata-se da circunstância de que não apenas se deve levar em conta a quem o Senhor dirigiu a promessa, mas, ainda, quais as condições estabelecidas para o cumprimento. Como vimos, na lei dos homens, a promessa somente obriga quando há aceitação do beneficiário, ou seja, promessas há que dependem da aceitação daquele que se beneficia desta promessa. Por isso, temos dois tipos de bênçãos e promessas de Deus: as condicionais e as incondicionais.

    – A bênção ou promessa de Deus é incondicional quando o Senhor faz uma declaração cujo cumprimento independe da vontade humana. Taisbênçãos e promessas derivam de um ato de vontade do Senhor que o próprio Deus quis manter acima da própria vontade humana, porquanto os pensamentos de Deus são mais altos que os pensamentos do homem (Is.55:8,9).

    – Assim, retornando à promessa de Deus feita a Noé de que não faltaria chuva, semeadura, sega, sol enquanto a terra durasse, estamos diante de uma promessa incondicional, pois o Seu cumprimento não foi deixado pelo Senhor à vontade dos homens. Fossem justos ou injustos, obedientes ou rebeldes, o Senhor, por um ato de Sua soberana vontade, resolveu não deixar de dar chuva, sol, semeadura, sega, verão e inverno aos homens enquanto durar esta terra.

    – Promessas há, entretanto, em que o Senhor quis que o cumprimento se desse em virtude da vontade humana. Assim, embora não dependa do homem, quis, por Sua soberana vontade, que a promessa dependesse do homem para que se realizasse. Assim, por exemplo, a promessa dasalvação, que depende de o homem aceitar a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador. “Quem crer e for batizado, será salvo; quem nãocrer, será condenado” (Mc.16:16). A salvação é uma bênção ou promessa de Deus, geral, porque dirigida a todos os homens, mas depende davontade humana para se tornar algo real na vida de cada um dos seres humanos. É uma promessa que depende da aceitação do homem, uma promessa condicional.

    – Destarte, na análise das promessas de Deus nas Escrituras, além de termos de observar a quem se dirige esta promessa, fundamental também que consideremos se a promessa é condicional ou incondicional.

    – Uma boa demonstração destas várias espécies de promessas de Deus vemos no capítulo 55 do livro do profeta Isaías. Já no versículo 3, vemos uma promessa condicional do Senhor, onde se promete a vida da alma desde que ela ouça o Senhor. O concerto perpétuo prometido por Deus ao Seu povo, em que se darão as firmes beneficências de Davi, depende de o povo ouvir o Senhor. Tem-se, portanto, uma promessa condicional.

    – Em seguida, em Is.55:4, vemos uma promessa incondicional. Deus diz que deu a Davi como testemunha aos povos, como príncipe e governador dos povos. Esta promessa independe de os povos aceitarem, ou não, a Deus. O fato é que o Senhor, da descendência de Davi, levantará um que governará a todo o mundo, promessa que se cumprirá quando o Senhor Jesus instaurar o Seu reino milenial.

    – Em Is.55:5, temos outra promessa incondicional da parte do Senhor, onde Deus afirma que se chamará uma nação que Israel não conhecia, uma nação que correrá para Israel por amor do Senhor e Santo de Israel, por causa da glorificação de Israel pelo Senhor. Quisesse Israel, ou não, esta nação surgiria e, como sabemos, já apareceu, que é a Igreja, este novo povo santo do Senhor, que se levantou por causa de todas as promessasque Deus cumpriu para com Israel, máxime a de ter enviado o Messias, que por Israel foi rejeitado.

    – Em Is.55:6,7, temos uma outra promessa condicional. O Senhor convida o povo ao arrependimento, a buscá-l’O, a invocá-l’O, pois haveria compaixão de Deus para aquele que deixasse o ímpio o seu caminho e o homem maligno os seus pensamentos. O perdão de Deus dependeria, portanto, do arrependimento do pecador. Trata-se de uma promessa condicional. O homem maligno que não deixasse os seus pensamentos nem o ímpio que deixasse o seu caminho não receberiam a compaixão e o perdão do Senhor.

    – Ao analisarmos estas promessas, não sob o aspecto da condicionalidade, mas pelo prisma dos seus beneficiários, perceberemos que se tratam depromessas dirigidas a Israel, de “promessas nacionais”, mas que, notadamente no que se refere a seu propósito, extrapolam a dimensão nacional, na medida em que há a promessa de surgimento de um novo povo, que serviria a Deus por causa da fidelidade divina a Israel. Por causa disto, notadamente a promessa constante de Is.55:6,7 não se restringe apenas aos israelitas, mas a todos os homens, é uma “promessa geral”, porquanto diz respeito ao próprio caráter divino de imparcialidade no perdão e compaixão. Tem-se, pois, validamente, um texto que se pode aplicar aos gentios e à própria Igreja.

    – Por fim, como as promessas mencionadas em Is.55 dizem respeito ao perdão do homem pelos seus pecados, não devemos nos esquecer de que Deus é “grandioso em perdoar”, tudo fez para perdoar os pecados do homem, é Seu propósito trazer a salvação, salvação esta que, em Is.55, fica bem claro que se dá por intermédio da “benevolência que o Eterno concedeu a David” (Is.55:5 “in fine” na Bíblia Hebraica), ou seja, por meio de Jesus Cristo, o Filho de Davi. Desta maneira, a alegria e a paz mencionados em Is.55:12,13 estão relacionadas com a salvação, não com qualquer enriquecimento de ordem material ou com acontecimentos felizes no cotidiano da vida debaixo do sol.

    – Como em todo o estudo da Bíblia, as bênçãos e promessas devem ser analisadas de acordo com o contexto interno e externo, em harmonia com demais textos bíblicos e devem ser confirmadas em duas ou três passagens. Jamais nos deixemos levar por promessas criadas em textos isolados das Escrituras e que não têm qualquer fundamento nem sequer no texto de onde são extraídas.

    – Por isso, devemos ter muito cuidado com as chamadas “caixinhas de promessas”, textos bíblicos selecionados e que são retirados aleatoriamente pelos crentes, quando desejosos de “ter uma palavra” da parte de Deus, agindo como aqueles que buscam mensagens de ânimo e de bem-estar seja nos velhos realejos, seja nos “pensamentos” em “biscoitos da sorte”, tão comuns hoje em atividades que procuram reproduzir o misticismo oriental. As promessas de Deus fazem parte da Bíblia Sagrada e devem ser analisadas e cridas enquanto tal, o que nos impede de recorrer a tais subterfúgios, que, embora sirvam de um bom estímulo psicológico, nenhum valor espiritual têm.

    – Por fim, devemos lembrar que nosso Deus continua a falar e, portanto, continua a fazer promessas ao Seu povo. Cada um de nós pode ser alvo de uma promessa de Deus. Tal promessa, em sendo individual, somente terá cumprimento para nós, faz parte de nossa intimidade para com Deus. Se foi efetivamente Deus quem o prometeu, ela se cumprirá, podendo, ademais, ser condicional ou incondicional, tudo dependendo davontade do Senhor. Ao recebermos promessa da parte de Deus, se vier ela por intermédio de sonho, visão, profecia, deve tal promessa sersubmetida ao crivo da Palavra de Deus, pois tudo deve ser submetido à Bíblia Sagrada. Se tal promessa estiver de acordo com as Escrituras, devemos, então, se se tratar de promessa condicional, fazer a nossa parte para demonstrar aceitação do prometido pelo Senhor e, no mais, aguardar, porque nosso Deus é fiel e o que prometeu, Ele certamente cumprirá.

    – As promessas de Deus são importantíssimas para fortalecer a nossa fé, mas devem ser cridas conforme a revelação que Deus nos deu, sem quaisquer subterfúgios, diminuições ou acréscimos. Deu é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), a Sua Palavra é a verdade (Jo.17:17) e somente pela verdade alcançaremos a glória eterna. As promessas de Deus não falham, estão aí para que creiamos nelas e as vivenciemos, mas tudo de acordo com a Palavra do Senhor.

    IV – AS BÊNÇÃOS DE ABRAÃO, ISRAEL E DA IGREJA

    – Já vimos que, para Deus, há três povos na face da Terra: os gentios, os judeus e a Igreja. Vimos, também, que os gentios rejeitaram a Deus e, por isso, o Senhor quis formar um povo Seu para ser Sua “propriedade peculiar dentre os povos”, a saber, Israel, cuja formação se iniciou com Abrão, depois tornado em Abraão.

    – Por ser o pai desta nação escolhida para ser a testemunha divina dentre os povos, Abraão é chamado de “patriarca”os filhos de Israel gostavam de se denominar como “filhos de Abraão” (Mt.3:9; Jo.8:33). Esta filiação, ainda que em termos espirituais, é reafirmada pelo apóstolo Paulo em relação à Igreja (Gl.3:29).

    – Por causa desta vinculação entre Abraão e Israel e entre Abraão e a Igreja, os “teólogos da prosperidade”, de forma sutil, buscam trazer asbênçãos e promessas que Deus deu a Abraão para a Igreja, indistintamente, afirmando que como a Igreja é “filha de Abraão”, tudo quanto o Senhor deu e prometeu a Abraão se aplica aos que são salvos em Cristo Jesus.

    – Temos aqui, aliás, por parte dos “teólogos da prosperidade”, o mesmo erro que havia entre os judeus e que foi severamente denunciado tanto por João Batista quanto por Jesus, que mostraram aos judeus que o fato de eles serem descendentes biológicos do patriarca não os fazia “filhos de Abraão”. João chamou este pensamento de “presunção”, dizendo que Deus poderia das pedras “suscitar filhos a Abraão”, mandando que eles, primeiramente, produzissem frutos dignos de arrependimento (Mt.4:8,9).

    – Já o Senhor Jesus, também respondendo à presunção dos judeus em se considerarem “filhos de Abraão”, mostrou-lhes que somente pode ser“filho de Abraão”, quem praticar as obras de Abraão (Jo.8:39), apesar de reconhecer a descendência biológica, que nada significava em termos espirituais (Jo.8:37).

    – Notamos, pois, de pronto, que a “filiação de Abraão” que tanto se busca demonstrar no discurso da “teologia da prosperidade” é uma “filiação espiritual”, um relacionamento que a pessoa tem com Deus do mesmo modo que teve Abraão, relacionamento este firmado na fé e na prática de obras que demonstrem a fidelidade a Deus e à Sua Palavra.

    – O apóstolo Paulo, ao apontar esta “filiação abraâmica” para a Igreja, fez questão de ressaltar que se tratava de uma filiação decorrente do fato de “sermos de Cristo” (Gl.3:29), ou seja, “sermos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, por estarmos batizados em Cristo e já revestidos de Cristo” (Gl.3:26,27).

    – Deste modo, o que se aplica de Abraão à Igreja é algo estritamente espiritual. Somos “filhos de Abraão”, porque “somos de Cristo” e “Cristo é a posteridade de Abraão” (Gl.3:16). Portanto, o que temos recebemos como crentes é “a promessa pela fé em Jesus Cristo” (Gl.3:22), ou seja, a mesma justificação pela fé que recebeu Abraão (Rm.4).

    – Destarte, não se pode dizer que como Abraão era rico, também os crentes serão ricos por serem “filhos de Abraão”, até porque, quando Abraão foi chamado, já era rico, pois saiu de Ur com “toda a sua fazenda” (Gn.12:5), prova de que as bênçãos materiais não faziam parteda promessa dada quando de sua chamada (Gn.12:2), o que ainda mais se confirma quando saiu do Egito muito rico, apesar de sua estada ali ter sido contra a vontade de Deus (Gn.13:1,2).

    – As bênçãos recebidas por Abraão e que também, por Cristo, se destinam à Igreja, pois, são as bênçãos espirituais, a saber, a justificação pela fé (Gn.15:6), a capacitação para a realização de boas obras, visto que Deus prometeu que Abraão seria “uma bênção” (Gn.12:2), o que se cumpriu, quando ele foi o instrumento de libertação dos sodomitas e de Ló (Gn.14:14-16); o bom testemunho diante dos gentios (Gn.23:6); o discernimento espiritual, inclusive para saber quando as riquezas provêm, ou não, de Deus (Gn.14:22-24); o gozo por causa da salvação dahumanidade em Cristo Jesus (Jo.8:56).

    – Não se aplicam à Igreja, as bênçãos de Abraão relacionadas com a posse da terra de Canaã, visto que isto se referia à nação escolhida e formada a partir do patriarca (Gn.12:2,7; 13:14-17; 15:18-21).

    – De igual forma, as bênçãos e promessas destinadas a Israel não podem ser aplicadas automaticamente à Igreja. Os “teólogos daprosperidade” gostam muito de citar os quatorze primeiros versículos do capítulo 28 do livro de Deuteronômio para os crentes, “esquecidos”, entretanto, que são bênçãos relacionadas com o papel de Israel como “propriedade peculiar de Deus dentre os povos”.

    – Como já vimos em outra lição, as bênçãos mencionadas no referido capítulo dizem respeito à “exaltação de Israel pelo Senhor sobre todas as nações da terra” (Dt.28:1 “in fine”). Trata-se, pois, de bênçãos “nacionais”, que não podem ser transferidas para a Igreja, como, lamentavelmente, vemos sendo pregado pelos “teólogos da prosperidade”.

    – A “benção dos celeiros”, por exemplo, tão propalada pelos “teólogos da prosperidade”, tem como local de sua incidência, como vemos claramente em Dt.28:8, “a terra que te der o Senhor teu Deus”, ou seja, trata-se, nitidamente, de uma bênção “nacional”, vinculada à posse daterra de Canaã.

    – Se quisermos, pois, fazer uma “aplicação” à Igreja, teremos de, em relação à “bênção dos celeiros”, por exemplo, interpretarmos do ponto-de-vista espiritual, ou seja, de que o Senhor nos promete “celeiros espirituais”, já que a nossa terra de Canaã não é literal, mas, sim, “a Canaã espiritual”, a “Nova Jerusalém” (Ap.21:2), “ a nossa cidade que está nos céus” (Fp.3:20), aplicação mais do que adequada, já que o apóstolo Paulo diz que devemos ser “despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co.4:1).

    – É evidente que as bênçãos espirituais prometidas a Israel são aplicáveis à Igreja, visto que ambos são “povos santos e sacerdotais” (Ex.19:5,6; I Pe.2:9,10), mas, como sabemos, não é a estas bênçãos que se referem os “teólogos da prosperidade”.

    – Notemos, ainda, que, na quase totalidade das vezes, os “teólogos da prosperidade” sempre se referem a passagens do Antigo Testamento, procurando dali extrair elementos para a sua apologia da ganância e do materialismo. Não podemos, porém, nos iludir, devendo sempre lembrar que devemos verificar estas “bênçãos” e “promessas” dentro do contexto em que foram feitas nas Escrituras, pois “nenhuma Escritura é de particular interpretação” (II Pe.1:20) e que nenhuma doutrina bíblica se firma em um texto isolado, pois a verdade é sempre confirmada “por duas ou três testemunhas” (Dt.17:6; 19:15; Mt.18:16; II Co.13:1).

    – Não podemos, também, nos esquecer que, em se tratando de bênçãos referentes a Israel, na antiga aliança, no tempo da lei, devemos sempre estar atentos para o fato de que a lei era a “sombra dos bens futuros” (Cl.2:16,17; Hb.10:1) e que, portanto, muito do que é material na antiga aliança era sinal e símbolo de uma realidade espiritual, o que também se aplica às bênçãos e promessas materiais, que devem ser entendidas, em sua relação com a Igreja, do ponto-de-vista espiritual.

    – Não estamos, obviamente, a eliminar toda e qualquer bênção material para a Igreja, pois a bênção espiritual tem seus reflexos materiais, mas, como já também estudamos em outra lição, a bênção material está vinculada à suficiência e à beneficência, ou seja, nada tem que ver com a abundância egocêntrica defendida pelos “teólogos da prosperidade”, mas como uma forma de criação de condições para a realização da obra de Deus e para a demonstração do amor ao próximo.

    – Estejamos, pois, sempre vigilantes para que as falsas interpretações dos “teólogos da prosperidade” venham a nos iludir e a esperar bênçãos epromessas que Deus jamais fez à Sua Igreja.

    Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Prof. Dr.Caramuru Afonso Francisco

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  • Lição 3 – Noé, o homem que obedeceu a Deus

    INTRODUÇÃO

    Noé é um dos maiores personagens da Bíblia. Sua vida íntegra e reta diante de Deus, fez com que ele e sua família fossem salvos do dilúvio. Mesmo vivendo em meio a uma geração corrompida e perversa, Noé achou graça diante do Senhor, e alcançou testemunho de que era justo e reto, e andava com Deus (Gn 6.9).

    I – QUEM FOI NOÉ?

    • Noé era filho de Lameque, o décimo descendente de Adão (Gn 5.28,29);
    • O nome Noé vem de um termo hebraico que significa “alívio”, “descanso” ou “consolo”;
    • Teve três filhos: Sem, Cão e Jafé (Gn 5.32; 9.18,19);
    • Construiu uma arca por ordem divina (Gn 6.11-22);
    • Reuniu os animais na arca e entrou nela com sua família;
    • Após o dilúvio, saiu da arca com sua família, edificou um altar e ofereceu holocaustos a Deus (Gn 8. 16-20);
    • Tornou-se o segundo pai da raça humana (Gn 9.18,19);
    • Sua história é mencionada em Gn 5.28-10.32;
    • É um dos integrantes da galeria dos heróis da fé (Hb 11.7);
    • Ele é mencionado nas Escrituras como pregador da justiça (II Pe 2.5).

    II – CONTEXTO SOCIAL DO TEMPO DE NOÉ

    Os dias de Noé não eram muito diferentes dos dias atuais. Vejamos o que as Escrituras descrevem acerca daquela geração:

    1. Uma geração caracterizada pela Maldade: Desde que o pecado entrou no mundo, a maldade passou a fazer parte da história da humanidade. No entanto, à medida que a humanidade ia se multiplicando, multiplicava-se também a maldade: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5).

    2. Uma geração caracterizada pela Corrupção: Outra característica daquela geração era a corrupção. As Escrituras afirmam que A terra estava corrompida diante da face de Deus…” (Gn 6.11). O homem perdeu o poder de fazer o bem e, a geração antediluviana vivia mergulhada em práticas pecaminosas e imorais.

    3. Uma geração caracterizada pela Violência: A maldade e a corrupção daquela geração abriram as portas para a violência. Os homens dos dias de Noé viviam agredindo-se mutuamente, pois as Escrituras afirmam que “… encheu-se a terra de violência” (Gn 6.11 b).

    4. Uma geração caracterizada pela Incredulidade: Como se não bastasse a maldade, a corrupção e a violência, aquela geração também era caracterizada pela incredulidade, pois não deram crédito à pregação de Noé “pregoeiro da justiça” (II Pe 2.5). Nem mesmo a observação do milagre da entrada dos animais na arca, fez com que eles tomassem a iniciativa de arrepender-se dos seus pecados e entrar na arca para salvar as suas vidas.

    Tudo isto fez com que Deus tomasse a iniciativa de destruir a sua criação e, através de Noé, dar início a uma nova geração.

    III – ASPECTOS DO CARÁTER DE NOÉ

    Apesar de viver em meio a uma geração cheia de corrupção e maldade, Noé teve uma vida reta e íntegra diante de Deus. Vejamos alguns aspectos do seu caráter:

    1. Noé era Justo e Reto: Não é à toa que Moisés, inspirado por Deus, declara que Noé era varão justo e reto em suas gerações (Gn 6.9). Esta declaração foi feita exatamente para revelar o contraste entre o comportamento de Noé e o dos seus contemporâneos, que, com certeza, praticavam injustiça. Ele também é descrito como justo em Ez 14.14,20.

    2. Noé andava com Deus: Tal qual Enoque, Noé também é descrito como um homem que andou com Deus (Gn 5.24; 6.9). A expressão “andar com Deus” aponta para a sua conduta, caracterizada pela vida de comunhão e obediência a Deus.

    3. Fé: Noé é um dos integrantes da Galeria dos Heróis da Fé. O escritor aos hebreus diz: Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.” (Hb 11.7). Quando avisado sobre o dilúvio, Noé não hesita e nem questiona. Ele crê! E foi por causa de sua fé, que, tanto ele como a sua família, foram salvos da destruição.

    4. Obediência: A obediência de Noé, era, sem dúvidas, uma das principais características do seu caráter. Podemos ver isto, pelo fato de que Noé obedeceu a voz de Deus: Ao construir a arca (Gn 6.22); Ao entrar na arca juntamente com sua família (Gn 7.13); Ao colocar os animais na arca (Gn 7.8,9,14); Ao sair da arca, junto com os seus (Gn 8.15-18). Por duas vezes as Escrituras afirmam que Noé fez conforme a tudo o que o SENHOR lhe ordenara” (Gn 6.22; 7.5).

    5. Devoção: Ao sair da arca com sua família, Noé edificou um altar e ofereceu holocaustos ao Senhor (Gn 8.20). Isto demonstra que Noé cultivava uma vida de devoção à Deus, pois, altar e holocausto representam oração, adoração e consagração a Deus.

    IV- NOÉ, UM HOMEM FALÍVEL COMO NÓS

    A bíblia é um livro imparcial. Ela nos revela tanto as virtudes e qualidades dos personagens, bem como suas falhas e defeitos. Isto também pode ser visto na vida de Noé. Apesar de ser um homem justo, reto e de andar com Deus, Noé, após o dilúvio, plantou uma vinha, embriagou-se e mostrou a sua nudez (Gn 9.20-27), perdendo momentaneamente a sua reputação. Com este incidente na vida de Noé, aprendemos sobre a necessidade de sermos vigilantes em todo o tempo, pois, as tentações nos sobrevem durante toda a nossa vida (I Co 10.12; I Pe 5.8; Ap 3.11).

    V – UM NOVO RECOMEÇO

    O propósito divino era fazer com que o dilúvio fosse, tanto destrutivo como construtivo, pois, através do dilúvio Deus estaria destruindo aquela geração e estabelecendo um novo começo para a humanidade. Três coisas novas acontecem:

    1º Uma nova geração: Tendo em vista que aquela geração ímpia pereceu nas águas do dilúvio, a raça humana começa a multiplicar-se, através de Noé e de seus filhos. De certo modo, Noé tornou-se o segundo pai da raça humana (Gn 9.18,19);

    2º Um novo estilo de vida: Ao sair da arca, Deus abençoou Noé e sua família e lhes deu orientações sobre o modo de vida que eles deveriam ter, apartir de então (Gn 9.1-8);

    3º Um novo pacto: Deus estabelece um pacto com Noé, e lhe promete que nunca mais haveria dilúvio para destruir a terra (Gn 9.11). Um arco, então, foi colocado nas nuvens, como sinal daquele pacto (Gn 9.13,17).

    CONCLUSÃO

    A história de Noé nos leva a refletir sobre o nosso viver de maneira íntegra, em meio a uma geração má e perversa. Noé não se deixou ser levado pelas práticas pecaminosas de sua geração. Por isso, achou graça diante de Deus e foi poupado, juntamente com sua família daquela inundação.

    Semelhantemente, aqueles que forem fiéis à Deus, e “entrarem na arca”, serão, no futuro, poupados do juízo vindouro.

    INFORMAÇÃO SUPLEMENTAR: CRONOLOGIA DO DILÚVIO

    Acontecimento

    Data

    Referência

    Entrada na arca

    Mês 2, dia 10

    Gn 7.7-9

    Depois de sete dias, começa a chover

    Mês 2, dia 17

    Gn 7.10,11

    Depois de 40 dias, as chuvas cessam

    Mês 3, dia 27

    Gn 7.12

    Depois de 110 dias, a arca pousa no Monte Ararate

    Mês 7, dia 17

    Gn 7.24; 8.4

    Depois de 74 dias, os picos montanhosos ficam visíveis

    Mês 10, dia 1

    Gn 8.5

    Depois de 40 dias, um corvo e uma pomba foram soltos

    Mês 11, dia 11

    Gn 8.6-9

    Depois de 7 dias, a pomba foi solta novamente e retornou com uma folha

    Mês 11, dia 11

    Gn 8.10

    Depois de 7 dias, a pomba voou, mas não voltou

    Mês 11, dia 25

    Gn 8.12

    Terra seca à vista

    Mês 1, dia 1

    Gn 8.13

    A terra ficou totalmente seca. Saída de Noé, sua família e dos animais da arca.

    Mês 2, dia 27

    Gn 8.14-19

    OBS: Total de tempo na arca: 1 ano e 17 dias

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  • Lição 5 – Isaque – O filho da promessa

    O nome Isaque significa “riso”. Ele era o único filho de Abraão com sua esposa, Sara. Assim, um elo vital na linhagem que levava a Cristo. (1Cr 1:28, 34; Mt 1:1, 2; Lu 3:34) Isaque foi desmamado com cerca de 5 anos; quase que foi oferecido como sacrifício, quando tinha talvez 25 anos; casou-se aos 40; tornou-se pai de gêmeos aos 60 e morreu com 180 anos. — Gên 21:2-8; 22:2; 25:20, 26; 35:28.

    O nascimento de Isaque ocorreu sob circunstâncias bem incomuns. Tanto o pai como a mãe dele já eram bem idosos, já tendo há muito cessado a menstruação de sua mãe. (Gên 18:11) Assim, quando Deus disse a Abraão que Sara daria à luz um filho, ele se riu dessa perspectiva, perguntando: “Nascerá um filho a um homem de cem anos de idade, e dará à luz Sara, sim, uma mulher de noventa anos de idade?” (Gên 17:17) Ao saber o que ocorreria, Sara também riu. Daí, “no tempo designado” do ano seguinte, nasceu o menino, provando que nada é ‘extraordinário demais para Yehowah’. (Gên 18:9-15) Sara então exclamou: “Deus me preparou riso”, acrescentando: “Todo aquele que ouvir isso há de se rir de mim.” E assim, exatamente como Deus dissera, o menino foi apropriadamente chamado de Isaque, que significa “Riso”. — Gên 21:1-7; 17:19.

    Pertencendo à casa de Abraão, e sendo o herdeiro das promessas, Isaque foi devidamente circuncidado, no oitavo dia. — Gên 17:9-14, 19; 21:4; At 7:8; Gál 4:28.

    I. Idade em que Isaque foi desmamado

    No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão preparou um grande banquete. Aparentemente, nessa ocasião, Sara observou que Ismael “fazia caçoada” de Isaque, seu meio-irmão mais novo. (Gên 21:8, 9) Algumas traduções (BJ; IBB) dizem que Ismael estava apenas “brincando” com Isaque, isto é, no sentido duma brincadeira de criança. No entanto, a palavra hebraica tsa•hháq também pode ter uma conotação ofensiva. Assim, quando esta mesma palavra ocorre em outros textos (Gên 19:14; 39:14, 17), estas traduções vertem-na por ‘zombar’, ‘gracejar’ e ‘insultar’.

    Certos Targuns, bem como a Pesito siríaca, em Gênesis 21:9, dão às observações de Ismael o sentido de “escarnecer”. Sobre tsahháq, o Commentary (Comentário), de Cook, diz: “Provavelmente significa, neste trecho, como em geral se tem entendido, ‘riso zombeteiro’. Assim como Abraão rira de alegria por causa de Isaque, e Sara rira incredulamente, Ismael agora ria em escárnio, e, provavelmente, com espírito de perseguição e de tirania.” Decidindo o assunto, o inspirado apóstolo Paulo mostra claramente que o tratamento que Ismael dispensou a Isaque foi uma aflição, uma perseguição, e não uma brincadeira de criança. (Gál 4:29) Certos comentaristas, em vista da insistência de Sara, no versículo seguinte (Gên 21:10), em que ‘o filho desta escrava não venha a ser herdeiro junto com o meu filho, Isaque’, sugerem que Ismael (14 anos mais velho que Isaque) talvez altercasse e escarnecesse de Isaque com respeito à condição de herdeiro.

    Yehowah dissera a Abraão que, como residentes forasteiros, os da descendência dele seriam atribulados por 400 anos, aflição esta que findou com a libertação de Israel do Egito, em 1513 AEC. (Gên 15:13; At 7:6) Calculando 400 anos para trás, chegamos a 1913 AEC como o início dessa aflição. Por conseguinte, isto também fixa 1913 como o ano em que Isaque foi desmamado, visto que, com relação ao tempo, os dois eventos — o ser desmamado e o ser maltratado por Ismael — estão intimamente ligados no relato. Isto significa que Isaque tinha cerca de 5 anos ao ser desmamado, tendo nascido em 1918 AEC. Incidentalmente, o seu nascimento marcou o início dos 450 anos mencionados em Atos 13:17-20, período este que findou por volta de 1467 AEC, quando foi concluída a campanha de Josué em Canaã e a terra foi distribuída às várias tribos.

    Atualmente, quando são tantas as mulheres no mundo ocidental que se recusam a amamentar ao peito seus bebês, ou os amamentam apenas por seis a nove meses, um período de cinco anos talvez pareça inconcebivelmente longo. Mas o Dr. D. B. Jelliffe mostra que, em muitas partes do mundo, as crianças só são desmamadas ao atingirem de um ano e meio a dois anos de idade, e que, na Arábia, é costumeiro a mãe amamentar a criança por um período que vai de 13 a 32 meses. Clinicamente falando, a amamentação ou aleitamento pode normalmente continuar até a gravidez seguinte já ter alguns meses. — Infant Nutrition in the Subtropics and Tropics (Nutrição de Bebês nos Subtrópicos e nos Trópicos), Genebra, 1968, p. 38.

    Na Idade Média, na Europa, o desmame se dava quando a criança tinha, em média, dois anos, e, no tempo dos macabeus (primeiro e segundo séculos AEC), as mulheres amamentavam seus filhos homens por três anos. (2 Macabeus 7:27) Há 4.000 anos, quando as pessoas levavam uma vida sem pressa, e não havia as pressões ou as necessidades hodiernas de fazer tanta coisa num período de vida mais curto, é fácil entender por que Sara podia ter amamentado Isaque por cinco anos. Ademais, era o único filho de Sara, depois de muitos anos de esterilidade.

    II. Disposto a Ser Sacrificado.

    Depois de Isaque ter sido desmamado, nada mais se diz sobre a sua infância. A próxima menção que se faz dele é quando Deus disse ao pai dele, Abraão: “Toma, por favor, teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaque, e faze uma viagem à terra de Moriá e oferece-o ali como oferta queimada.” (Gên 22:1, 2) Após uma jornada de três dias, chegaram ao local escolhido por Deus. Isaque carregava a lenha; o pai dele, o fogo e o cutelo. “Mas onde está o ovídeo para a oferta queimada?”, perguntou Isaque. “Deus providenciará para si o ovídeo”, foi a resposta. — Gên 22:3-8, 14.

    Chegando ao lugar, construíram um altar e dispuseram devidamente a lenha. Daí, Isaque foi amarrado pelas mãos e pelos pés, e colocado sobre a lenha. Quando Abraão ergueu o cutelo, o anjo de Yehowah deteve a sua mão. A fé demonstrada por Abraão não fora depositada erroneamente; Deus forneceu um carneiro, que estava preso ali, numa moita daquele monte, para que pudesse ser apresentado como oferta queimada em lugar de Isaque. (Gên 22:9-14) Abraão, portanto, reconhecendo “que Deus era capaz de levantá-lo até mesmo dentre os mortos”, deveras recebeu Isaque “em sentido ilustrativo” de volta de entre os mortos. — He 11:17-19.

    Este episódio dramático provava a fé e a obediência não só de Abraão, mas também de seu filho, Isaque. A tradição judaica, registrada por Josefo, diz que Isaque tinha 25 anos naquela época. Seja como for, ele tinha idade e força suficientes para carregar, montanha acima, considerável quantidade de lenha. De modo que podia ter resistido a seu pai, de 125 anos, quando chegou a hora para ser amarrado, caso tivesse preferido rebelar-se contra os mandamentos de Deus. ( Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], I, 227 [xiii, 2]) Em vez disso, Isaqu
    e permitiu submissamente que seu pai passasse a oferecê-lo em sacrifício, em harmonia com a vontade de Deus. Graças a esta demonstração de fé de Abraão, Yehowah repetiu e ampliou Seu pacto com Abraão, pacto este que foi transferido por Deus a Isaque, depois da morte de seu pai. — Gên 22:15-18; 26:1-5; Ro 9:7; Tg 2:21.

    O mais importante é que foi encenado ali um grande quadro profético, representando como Cristo Jesus, o Isaque Maior, no devido tempo ofereceria voluntariamente sua vida humana, como Cordeiro de Deus, para a salvação da humanidade. — Jo 1:29, 36; 3:16.

    III. Casamento e Família.

    Depois da morte da mãe de Isaque, seu pai concluiu que já era hora de seu filho se casar. Abraão, contudo, estava decidido a que Isaque não se casasse com uma cananéia pagã. Assim, de acordo com o sistema patriarcal, Abraão mandou seu servo de confiança aos seus parentes, na Mesopotâmia, para escolher uma jovem de origem semítica que também adorasse a Yehowah, o Deus de Abraão. — Gên 24:1-9.

    Esta missão tinha de ser bem-sucedida, pois, desde o princípio, tudo que envolvia a questão de escolha fora entregue às mãos de Yehowah. Revelou-se que Rebeca, prima de Isaque, era a escolhida por Deus, e ela, por sua vez, deixou voluntariamente seus parentes e sua família para acompanhar a caravana que retornou à terra do Negebe, onde morava Isaque. O relato nos fala sobre o primeiro encontro dos dois, e daí diz: “Isaque levou-a depois à tenda de Sara, sua mãe. Tomou assim Rebeca e ela se tornou sua esposa; e ele se enamorou dela, e Isaque encontrou consolo depois da perda de sua mãe.” (Gên 24:10-67) Tendo Isaque 40 anos, o casamento se deu em 1878 AEC. — Gên 25:20.

    Pela história de Isaque, ficamos sabendo que Rebeca continuou estéril por 20 anos. Isto deu a Isaque a oportunidade de mostrar se ele também, como seu pai, tinha fé na promessa de Yehowah de abençoar todas as famílias da terra através dum descendente seu que ainda não tinha nascido, e ele fez isso por suplicar continuamente um filho a Deus. (Gên 25:19-21) Como no caso dele próprio, novamente se demonstrou que o descendente prometido não viria no curso natural dos eventos, mas somente pelo poder interventor de Deus. (Jos 24:3, 4) Por fim, em 1858 AEC, quando Isaque tinha 60 anos, recebeu a bênção dupla de ter gêmeos, Esaú e Jacó. — Gên 25:22-26.

    Devido a uma fome, Isaque mudou-se com a família para Gerar, em território filisteu, Deus lhe ordenando que não descesse ao Egito. Foi então que Yehowah confirmou seu propósito de cumprir a promessa abraâmica mediante Isaque, repetindo seus termos: “Vou multiplicar a tua descendência como as estrelas dos céus e vou dar à tua descendência todas estas terras; e todas as nações da terra certamente abençoarão a si mesmas por meio de tua descendência.” — Gên 26:1-6; Sal 105:8, 9.

    Neste território filisteu não muito amigável, Isaque, como Abraão, seu pai, usou de estratégia afirmando que sua esposa era sua irmã. Depois de certo tempo, a bênção de Deus sobre Isaque tornou-se uma fonte de inveja para os filisteus, sendo preciso que ele se mudasse, primeiro para o vale da torrente de Gerar, e daí para Berseba, à beira da árida região do Negebe. Enquanto ali, os filisteus, anteriormente hostis, vieram tentar obter “um juramento de obrigação”, ou um tratado de paz com Isaque, pois, como reconheceram: “Tu és agora o abençoado de Yehowah.” Neste local, os homens de Isaque acharam água, e Isaque o chamou de Siba. “É por isso que o nome da cidade é Berseba [que significa “Poço do Juramento; ou: Poço de Sete”], até o dia de hoje.” — Gên 26:7-33.

    Isaque sempre gostou muito de Esaú, porque este era do tipo que apreciava a vida ao ar livre, sendo caçador e homem do campo, e isto significava caça para a boca de Isaque. (Gên 25:28) Assim, com vista cada vez mais fraca, e sentindo que talvez não vivesse por muito mais tempo, Isaque preparou-se para dar a Esaú a bênção do primogênito. (Gên 27:1-4) Não se sabe se ele estava a par de que Esaú vendera sua primogenitura a seu irmão, Jacó, e se não lhe ocorreu o decreto divino, emitido antes do nascimento dos dois meninos, de que ‘o mais velho ia servir ao mais jovem’. (Gên 25:23, 29-34) Seja como for, Deus se lembrava disso, e também Rebeca, que rapidamente cuidou de que Jacó recebesse a bênção. Quando Isaque soube da artimanha que fora usada para conseguir isto, recusou-se a modificar o que era, inequivocamente, a vontade de Yehowah sobre o assunto. Isaque também profetizou que Esaú e seus descendentes residiriam bem longe dos campos férteis, que viveriam pela espada, e que, por fim, quebrariam do seu pescoço o jugo de servidão a Jacó. — Gên 27:5-40; Ro 9:10-13.

    Em seguida, Isaque mandou Jacó a Padã-Arã, para certificar-se de que não se casasse com uma cananéia, como fizera seu irmão, Esaú, para desgosto de seus pais. Quando Jacó retornou, muitos anos depois, Isaque residia em Quiriate-Arba, isto é, Hébron, na região colinosa. Foi ali, em 1738 AEC, o ano anterior àquele em que seu neto, José, tornou-se primeiro-ministro do Egito, que Isaque morreu, com 180 anos, “idoso e saciado de dias”. Isaque foi enterrado na caverna de Macpela, onde foram sepultados seus pais e sua esposa, e onde, mais tarde, seria sepultado seu filho Jacó. — Gên 26:34, 35; 27:46; 28:1-5; 35:27-29; 49:29-32.

    IV. Significado de Outras Referências Feitas a Isaque.

    Por toda a Bíblia, Isaque é mencionado dezenas de vezes na conhecida expressão “Abraão, Isaque e Jacó”. Às vezes, o ponto que se quer frisar relaciona-se com Yehowah, como sendo o Deus a quem estes patriarcas adoravam e serviam. (Êx 3:6, 16; 4:5; Mt 22:32; At 3:13) Outras vezes, a referência é ao pacto que Deus fizera com eles. (Êx 2:24; De 29:13; 2Rs 13:23) Jesus também empregou esta expressão de modo ilustrativo. (Mt 8:11) Em certo caso, Isaque, o antepassado patriarcal, é mencionado num paralelismo hebraico, junto com seus descendentes, a nação de Israel. — Am 7:9, 16.

    Isaque, como o descendente de Abraão, simbolizava Cristo, por meio de quem vêm as bênçãos eternas. Como está escrito: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. Não diz: ‘E a descendentes’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente’, que é Cristo.” E, por extensão, Isaque também simbolizava aqueles que ‘pertencem a Cristo’, que ‘são realmente o descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa’. (Gál 3:16, 29) Ademais, os dois meninos, Isaque e Ismael, junto com suas mães, “são como que um drama simbólico”. Ao passo que o Israel natural (como Ismael) “nasceu realmente na maneira da carne”, os que constituem o Israel espiritual ‘são filhos pertencentes à promessa, assim como Isaque foi’. — Gál 4:21-31.

    Isaque também está incluído entre a ‘tão grande nuvem de testemunhas que nos rodeiam’, pois também ele se achava entre os que ‘aguardavam a cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo co
    nstrutor e fazedor é Deus’. — He 12:1; 11:9, 10, 13-16, 20.

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  • Lição 4 – Abraão – O amigo de Deus

    Todo ser humano possui aspirações. Uns almejam a fortuna, outros a fama, outros o poder, outros paz, outros uma bela família, e assim por diante.

    Estou plena e completamente convencido de que a maior aspiração que um ser humano pode ter nesta existência é a amizade do próprio Deus, e assim como Abraão, poder chamar Deus de amigo e ser por Deus assim também chamado. Digam-me o céu e a terra se pode haver aspiração mais empolgante, magnífica e grandiosa do que esta? Ser amigo íntimo do Criador!

    Estamos aqui falando de um mistério, de um assunto acessível somente aos que a Bíblia chama de crentes, justos e fiéis. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

    Deus nos chama em Cristo para dele nos tornarmos filhos pela fé no Evangelho do Filho, pelo novo nascimento, pela operação do Espírito Santo. E sabemos que em uma grande casa, há filhos mais chegados aos pais, assim como há outros menos chegados, menos íntimos. Estamos aqui nos referindo à santa intimidade de Deus. Examinemos, pois, dois trechos das Escrituras, os quais, para os sem entendimento aparenta ser contraditório, todavia nenhuma contradição há entre eles, muito pelo contrário, mas sim doce, bela e magnífica harmonia.

    “Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.” Romanos 4:1-5

    Antes de passarmos ao segundo trecho bíblico que mencionei, citarei outro que corrobora o que acima está escrito:

    “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” Romanos 3:28

    Agora o segundo trecho bíblico, o que para alguns pode aparentar apresentar alguma contradição com os dois trechos bíblicos acima citados:

    “Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus. Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente.” Tiago 2:21-24

    Não somente não há contradição alguma entre estes trechos bíblicos assim como são estes mesmos trechos bíblicos que nos ensinam como nos tornarmos amigos íntimos de Deus, ou seja, sermos seus amigos.

    O Caso de Abraão

    Abraão era um homem temente a Deus, e diante do Senhor se expunha e externava sua tristeza por não ter um filho e ,consequentemente, não poder deixar descendência.

    “Depois destes acontecimentos, veio a palavra do SENHOR a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. Respondeu Abrão: SENHOR Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro. A isto respondeu logo o SENHOR, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça.” Gênesis 15:1-6

    “Visitou o SENHOR a Sara, como lhe dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome de Isaque.” Gênesis 21:1-3

    Certamente Abraão se alegrou muitíssimo com o fato de o Senhor lhe ter concedido um filho, assim como havia prometido, Isaque, e este era seu único filho. Algum tempo se passou e algo surpreendente acontece, Deus pede que Abraão mate seu único filho que Deus lhe dera, que o ofereça como holocauso ao Senhor.

    “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.” Gênesis 22:1,2

    Imaginemo-nos nos lugar de Abraão. Somente aos cem anos de idade foi que Deus lhe concedeu um único filho e a quem Abraão tanto amava. Era a sua grande alegria, uma indescritível motivação para viver, e é justamente a ele, a Isaque, que o Senhor Deus requereu que Abraão matasse, oferecendo-o ao Senhor em holocauso.

    Diante disso, Abraão bem que poderia ter dito a Deus algo mais ou menos assim: “O que?! Mas que história é essa?! Então eu passo cem anos aguardando por um filho, o Senhor me dá esse filho, eu com ele me alegro, e agora o Senhor requer de mim que eu o mate, oferecendo-te meu único filho em holocausto?! Nunca! Jamais farei tal coisa! Isto é um absurdo, uma crueldade!”

    Porém, diz a Escritura:

    “Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós. Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos.” Gênesis 22:3-6

    Abraão não discutiu com Deus, não questionou o Senhor, por mais terrível que fosse a tal prova com a qual Deus estava provando a fé de Abraão. Abraão obedeceu o Senhor.

    “Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho. Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar—O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá. Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” Gênesis 22:7-18

    A fé de Abraão foi provada, e de que maneira! Porém, o resultado final de toda essa situação foi a grande vitória de Abraão e de cuja descendência, segundo a carne, veio o Messias, Jesus Cristo, ainda que não tenha sido o Senhor Jesus gerado por gametas humanos, mas foi gerado pelo Espírito Santo, no ventre de uma virgem casada com José, o qual era da descendência de Isaque, filho de Abraão.

    Abraão foi, e é até hoje, honrado por todos os lados, todavia todas estas honras lhe sobrevieram por ter crido em Deus e por ter consumado de modo grandioso a sua fé.

    O Significado da Fé

    A fé é um dom de Deus, é um posicionamento espiritual através do qual nosso espírito e alma se alinham em harmonia, em adoração, em honra, temor, respeito e amor para com Deus. É o meio pelo qual nos relacionamos com Deus e dizemos a todos que estamos posicionados ao lado de Deus, negando e rejeitando todos os princípios de Satanás. É também o modo pelo qual proclamamos ao céu e à terra, diante de anjos e diante de homens, que Jesus Cristo é Senhor absoluto sobre nossas vidas, aceitando deste modo tudo o que o Filho nos ensina a respeito do Pai e, consequentemente, rejeitando todas as mentiras que Satanás diz a respeito de Deus.

    A fé é o meio, o único meio, a fim de que possamos escapar da ira vindoura, pois Deus, o Criador, está prester a falar ao mundo em grande ira, tomando vingança contra todas as maldades praticadas pelos filhos dos homens ao longo de toda a história. Muitos haverá que sofrerão a ira de Deus ainda neste mundo, e por fim, serão lançados no inferno eterno, onde, segundo nos diz o Senhor:

    “Ali haverá choro e ranger de dentes.” Mateus 13:42

    Mas aos que são da fé, sobre estes diz a Escritura:

    “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.” Hebreus 10:39

    A Fé não é Igual em Todos

    Não é verdade que o homem já nasça com fé. A fé é concedida ao homem por Deus. E um dos trechos bíblicos que evidencial isto é o seguinte:

    “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.” 2 Tessalonicenses 3:1,2

    Ora, se a fé não é de todos, como afirmam as Escrituras, como dizer que os homens nascem com fé, como afirmam alguns?

    Em suas próprias palavras, o Senhor Jesus Cristo nos mostra como há diferenças entre fé e fé. Vejamos.

    “E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.” Mateus 15: 22-28

    “E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado. Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Mateus 17:14-20

    Vemos, pois, que na primeira situação o Senhor Jesus Cristo claramente manifestou sua apreciação ao ver a grande fé daquela mulher, e o resultado disso foi que a mulher, após ter recebido do Senhor honra e aprovação lhe disse:

    “Faça-se contigo como queres” Mateus 15:28

    Diferentemente, o Senhor expressou seu desagrado diante da pequenez da fé de alguns de seus discípulos, razão pela qual exclamou:

    “Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?” Mateus 17:17

    Todavia, no mesmo trecho bíblico, o Senhor Jesus Cristo nos ensina que esta não é uma situação estanque, mas sim passível de mudança, pois ele disse, ensinando:

    “Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Mateus 17:20

    Isto nos mostra que não somente podemos, como também devemos, buscar o aprefeiçoamento da nossa fé, o que se dá através da aceitação submissa da vontade de Deus, em momento algum nos permitindo colocar em resistência diante da vontade de Deus, mas à semelhança de Abraão, darmos ao Senhor seja lá o que for que ele nos solicite. E isto quer o compreendamos ou não, pois a fé está acima da lógica, é superior à razão e por mais poderoso que seja o intelecto humano, a fé não é por ele acessível. A fé se encontra no território espiritual, nesse mesmo território onde Deus habita. A fé transcende a razão, pois é superior a ela, pois ninguém pode conhecer a Deus pela capacidade humana, mas tão somente pela fé, como está escrito:

    “Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” Mateus 16:13-17

    Agradou-se o Senhor Jesus da grande fé daquela mulher, porém se desagradou ao ver a pequenez da fé de alguns de seus discípulos, como está escrito:

    “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus.”  Hebreus 11:6

    Há, ainda, os que não possuem fé alguma, são indigentes espirituais, autênticos desgraçados, os quais permanecerão na vaidade de seus próprios pensamentos e concatenações mentais, julgando-se sábios, mas esquecendo-se de seu próprios pecados e não podendo atentar para a monstruosidade de sua incredulidade, e é sobre esses que está escrito:

    “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” Apocalipse 21:8

    Murmuração, a Contraposição à Fé

    Focando-nos nas atitudes de fé que teve Abraão diante de Deus, e por causa delas tendo sido chamado de amigo de Deus, e isto até hoje, bem podemos entender como nos tornarmos amigos de Deus também nós. Abraão obedeceu a Deus sem questioná-lo, foi-lhe submisso e temente, razão pela qual grandemente se alegrou Deus com a fé de Abraão, pois que pela fé Abraão tornou-se semelhante ao Autor e Consumador da Fé, Jesus Cristo, o qual jamais discutiu com Deus, seu Pai, nunca jamais dele discordou, mas foi obediente até à morte, e morte de cruz.

    “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” Hebreus 12:1-3

    E a respeito do Filho, do céu disse o Pai:

    “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Mateus 3:17

    O objetivo do Evangelho é a nossa salvação, e esta se dá pela fé em Jesus Cristo, na imagem de quem somos transformados, pelo Espírito Santo, mediante a fé.

    “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” 2 Coríntios 3:17-18

    Por outro lado, a incredulidade é a expressão da rejeição da verdade e da inimizade contra Deus. E Deus expressou, de modo terrível, seu descontentamento com a incredulidade dos que, a despeito de terem visto a grandeza de Deus, a ele não se renderam em submissão, mas questionaram-no, dele duvidaram e contra ele se rebelaram, razão pela qual não puderam entrar no descanso de Deus. E a manifestação maior de sua incredulidade foi a murmuração.

    “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.” Hebreus 3:12-19

    E prossegue a Escritura:

    “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.” Hebreus 4:1-3

    Estes incrédulos de quem nos fala a Escritura foram aqueles judeus que, mesmo tendo presenciado a majestade de Deus, o qual com mão poderosa os tirou da escravidão do Egito, tendo visto as maravilhas de Deus, murmuraram contra ele, manifestando sua incredulidade e rebelião, foram considerados inimigos de Deus, para sempre.

    “Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias e foram rebeldes junto ao mar, o mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder. Repreendeu o mar Vermelho, e ele secou; e fê-los passar pelos abismos, como por um deserto. Salvou-os das mãos de quem os odiava e os remiu do poder do inimigo. As águas cobriram os seus opressores; nem um deles escapou. Então, creram nas suas palavras e lhe cantaram louvor. Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma. Tiveram inveja de Moisés, no acampamento, e de Arão, o santo do SENHOR. Abriu-se a terra, e tragou a Datã, e cobriu o grupo de Abirão. Ateou-se um fogo contra o seu grupo; a chama abrasou os ímpios. Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que, no Egito, fizera coisas portentosas, maravilhas na terra de Cam, tremendos feitos no mar Vermelho. Tê-los-ia exterminado, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se houvesse interposto, impedindo que sua cólera os destruísse. Também desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra; antes, murmuraram em suas tendas e não acudiram à voz do SENHOR.” Salmos 106: 7-25

    E o que lhes sucedeu foi deixado registrado por nossa causa, para nos servir de exemplo, a nós os que, neste final dos tempos, estamos sendo chamados à amizade de Deus. Temos pois o belíssimo exemplo da fé de Abraão, amigo de Deus, e também temos o exemplo dos que murmuraram contra Deus, tendo se tornado seus inimigos, separados de Deus, para sempre.

    Vemos, pois, que a fé se expressa por obras, e a incredulidade também. E assim como os atos de obediência e de submissão de Abraão foram a expressão de sua grande fé, não tendo ele negado a Deus aquilo o que lhe era mais precioso, a saber a vida de seu próprio filho Isaque, a murmuração daqueles judeus foi a evidência de sua incredulidade. O homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei, todavia a fé de cada um de nós será posta à prova, como está escrito:

    “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. 1 Pedro 1:3-9

    Não basta crer em Deus, mas é necessário que a fé que nele depositamos seja posta à prova a fim de que possamos ser aprovados por Deus, pois a fé genuína só pode habitar em corações verdadeiramente submissos a Deus e em espíritos humildes.

    “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Mateus 5:3

    “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” Tiago 2:17-20

    “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Mateus 7:21-23

    “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” Senhor Jesus Cristo, João 15:14

    Fonte: http://intellectus-site.com/site1/artigos/Abraao-amigo-de-Deus-o-significado-da-fe.html

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  • Lição 2 – Enoque – O homem que andou com Deus

    Você está disposto a ouvir a Deus?

    No tempo de Enoque a revelação especial não era escrita, como a temos hoje na Bíblia. Deus falava diretamente, e o ensino era transmitido de pai para filho.
    Enoque, através dos seus país, recebeu o conhecimento de Deus e aprendeu a amá-lo. Transmitiu este conhecimento aos seus filhos, ensinando-os a viver piedosamente e em íntima comunhão com Deus, como ele mesmo viveu.

    Deus falava, e ainda fala, àqueles que estão dispostos a ouvir e a obedecer. Ele falou com Caim, mas ele não estava disposto a obedecer, então Deus parou de falar com ele. Deus quer falar com você, encontrará receptividade e obediência?

    Como foi nos dias de Noé

    Talvez você argumente que naquele tempo fosse mais fácil obedecer a Deus. Nada disto! Lembra-se que após alguns anos Deus enviou o dilúvio para destruir toda a raça humana? Sabe porque? Devido ao nível de perversão e depravação que os homens haviam chegado, tal a maldade, crueldade, impureza e toda sorte de corrupção e violência que cometiam.

    Foi neste ambiente que viveu Enoque, foi neste ambiente que ele criou os seus muitos filhos, manteve comunhão com Deus e fez a sua vontade.

    Fazendo a diferença

    Enoque fez diferença no meio de uma geração pervertida e má. E tanto o mundo não o mereceu que Deus decidiu levá-lo para si, sem que ele experimentasse a morte. Ele ficaria melhor juntinho do Pai celestial.

    Como precisamos de homens e mulheres que façam diferença em nossa geração como Enoque fez na sua. Homens consagrados ao Senhor, que busquem ter comunhão diária com Ele; que vivam na dependência dele. Isso certamente significará desafiar e se opor à moral, a cultura e ao espírito da nossa época.


    Neste ponto te desafio com a seguinte reflexão: A nossa geração está melhor do que a de Enoque? Certamente que não! Os dias de hoje estão muito semelhantes aos dias dele. Mas, lá havia um Enoque a ser usado, e hoje, quem Deus vai usar?

    Enoque viveu trezentos e sessenta e cinco anos antes de ser arrebatado e isso nos capacita a extrair algumas lições desta preciosa vida. Dependência de Deus

    Primeira lição: Enoque pecou? A Bíblia diz que “todos pecaram” e que “não há um justo sequer”. Certamente ele pecou. Se entendermos que ele viveu trezentos e sessenta e cinco anos, e sua vida é resumida em apenas quatro versos, percebemos que o autor identifica apenas os aspectos mais importantes da vida dele e dos demais que aparecem.

    Moisés, em apenas cinco capítulos, narra dois mil anos aproximados de história. Não dá para entrar em detalhes, entende? Somente Adão e Jesus foram perfeitos. Adão, é claro, falhou. Portanto, só Jesus foi perfeito e imaculado.
    Então, andar com Deus, fazer a vontade de Deus, agradar a Deus, não é viver sem pecar, isto seria impossível. Mas um elemento se destaca na vida de Enoque: A fé e a dependência de Deus no dia a dia, isso fez toda a diferença em relação aos demais.

    Enquanto os outros faziam a sua própria vontade, Enoque procurava ouvir a Deus e ter comunhão diária com Ele. Isto com certeza significou sacrifícios, luta contra os desejos carnais e contra as paixões que dominavam a sua época, os seus contemporâneos. Mas desta forma ele agradou a Deus.


    Fazer a vontade de Deus é ter uma vida de fé e dependência continua nele, é lutar contra os desejos e paixões carnais, esta atitude leva a pessoa a ter uma vida diferente da dos demais. Cada dia com Deus

    Segunda lição: Enoque andou com Deus, trezentos e sessenta e cinco anos. É certo que não dá para viver tanto tempo nos dias atuais não é mesmo? Mas dá para viver trezentos e sessenta e cinco dias do ano com Deus, firmes, sem vacilar. Isto é um desafio matematicamente interessante. Este é o desafio de Enoque, viver, a cada dia do ano, com Deus. Ao encontro de Deus


    Terceira lição: Somente a fé pode nos levar ao encontro de Deus. A trasladação de Enoque é uma figura do arrebatamento da Igreja de Jesus, quando ele, um dia, nos levará para si, eternamente.

    Jesus afirmou: “Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e os destruiu a todos.” (Lucas 17:26-27).


    Enoque viveu dias que antecederam ao dilúvio, portanto esta declaração se aplica aos seus dias. Jesus disse que os acontecimentos que antecederão a sua vinda seriam idênticos aos que ocorreram antes do dilúvio. E os nossos dias estão extremamente semelhantes aos de Enoque e Noé, portanto, a vinda de Cristo se aproxima, quando ele irá arrebatar e levar para si os que lhe pertencem, os que vivem uma vida de fé e fazem a sua vontade.
    Por isso, já em seu tempo, Enoque pregava com veemência: “Vede, o Senhor vem com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos.” (Judas v. 14, 15). Conclusão

    Precisamos pregar contra a impiedade e viver com Deus, pois a segunda vinda de Cristo é iminente e muitos precisam ser alcançados pela sua graça salvadora.


    Somente dois homens tiveram o privilégio de ser trasladados sem provar a morte: Enoque e Elias. Entretanto, todos podem ter o privilégio de, pela fé, se encontrarem um dia com o Senhor Jesus, isso é, todos os que fazem a vontade de Deus. Seja um destes, vivendo como um Enoque de Deus em nossa geração.

    Texto extraído e adaptado do livro “4 Homens e Um Segredo” de Jair Souza Leal. Contatos: jairsouzaleal@hotmail.com.
    Fonte: http://www.crentes.net/

    VÍDEO COMPLEMENTAR

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  • Lição 05 – Editora Betel – Jacó se casa com Raquel

     

    Texto Áureo

    “E Jacó beijou a Raquel, e levantou a sua voz e chorou”. Gn 39.11

    Verdade Aplicada

    “O casamento é uma bênção que homem e mulher rece­beram de Deus no Jardim do Éden, e deve ser constituído na vontade do Senhor”.

    Objetivos da Lição

    • Mostrar que Deus se interessa pelo relacionamento do casal;
    • Ensinar que o casamento é uma bênção divina; e
    • Demonstrar que as nossas ex­periências estão sob a direção do Espírito Santo.

    Textos de Referência

    Gn 29.20 Assim, serviu Jacó sete anos por Raquel; e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo muito que a amava.

    Gn 29.22 Então, ajuntou Labão todos os varões daquele lugar e fez um banquete.

    Gn 29.23 E aconteceu, à tarde, que tomou Léia, sua filha, e trouxe-lha. E entrou a ela.

    Gn 29.25 E aconteceu pela manhã ver que era Léia; pelo que disse a Labão: Por que me fizeste isso? Não te tenho ser­vido por Raquel? Por que, pois, me enganaste?

    Gn 29.27 Cumpre a semana desta; então te daremos tam­bém a outra, pelo serviço que ainda outros sete anos servires comigo.

    Gn 29.28 E Jacó fez assim e cumpriu a semana desta; então, lhe deu por mulher Raquel, sua filha.

     

    Os Casamentos de Jacó em Arã (Gn 29.1-30)

    Os críticos veem um entretecido de tradições neste capítulo, atribuindo os vss. 1-14 à fonte informativa J, a maior parte dos vss. 15-30, à fonte E, e os vss. 29.31-30.24, a uma mescla das fontes J e E, com vários comentários e emendas editoriais.

    Jacó conheceu Raquel, sua esposa querida, no Oriente (vs. 1), a parte norte do deserto da Arábia, em Arã, terra natal de Labão, pai de Lia e Raquel. Labão era um arameu seminômade, neto de Naor, irmão de Abraão. Abraão havia deixado o lar da família, em Arã, e tinha entrado na Terra Prometida (Gn 12.4 ss.). Parte da família (oriunda de Ur) permaneceu em Arã, a saber, Naor e seus descendentes. Havia algum contato entre os dois ramos da família. O servo de Abraão fora até Arã, que ficava cerca de setecentos e cinquenta quilômetros de distância, o que requeria uma viagem de cerca de trinta dias, a fim de ali obter uma noiva para Isaque (cap. 24). Rebeca, a noiva, viajou até Berseba e foi absorvida na família de Abraão. Agora era a vez de Jacó entrar em contato com o ramo da família que ficara em Arã. Mas estava destinado a permanecer ali por cerca de vinte anos. Cada homem tem seu destino; cada pessoa tem seu cronograma. Jacó moveu-se em várias direções, durante a sua vida: para o sul, até Hebrom; para oeste, até Betel e Siquém; para o norte, até Arã; e, então, de volta para o sul. Em Siquém, ele se tomou o pai de José, e assim foi continuando a história dos patriarcas.

    Tal como o servo de Abraão, Jacó encontrou-se com sua futura esposa perto de um poço, e ali teve início uma das mais inspiradoras histórias de amor de todos os tempos. Dessa vez, foi Jacó quem se ocupou em servir água, e não a mulher (Rebeca), conforme se vê na história paralela anterior. Jacó, tomado de grande emoção, osculou imediatamente a sua prima e, por ter tal mulher nos braços, chorou em voz alta.

    O diálogo revelou o fato de que ela era sua prima (tal como na história anterior, Gn 24.47 ss.). Pormenores da história que se segue são similares ao relato do capítulo vinte e quatro. Houve muito júbilo, e Jacó foi regiamente recebi­do. Isso armou o palco para os casamentos de Jacó, e para ele ser enganado, para variar. Sempre nos encontramos conosco mesmos, apesar de nossos peca­dos nos serem perdoados.

    29.1

    Pôs-se Jacó a caminho. Ou seja, de Betel a Harã, cerca de setecentos e cinquenta quilômetros. Ele deve ter gasto uns vinte dias, ou algo mais, para cobrir essa distância.

    Oriente. Ou seja, a parte norte do deserto da Arábia. Mas tendo como ponto de partida a sua terra, era a direção nordeste. Já eram terras da Mesopotâmia, a leste da terra de Canaã (ver Is 9.11), pelo que é dada essa direção. O território para além do Eufrates era chamado kedem (oriental), nos escritos sagrados. Algumas vezes o território dos árabes também era assim designado.

    29.2

    Eis um poço. Presumivelmente, o mesmo diante do qual chegara o servo de Abraão, na missão para obter noiva para Isaque. Mas alguns estudiosos preferem pensar em outro poço. Poços e cisternas revestem-se de capital importância nas áreas desérticas. Há boa chance de que tenha sido feita, de modo positivo, a identificação do poço em pauta, veja Gn 24.11. O capítulo vinte e quatro do Gênesis é uma espécie de tratado sobre a liderança divina. Neste capítulo vinte e nove a ênfase sobre isso é atenuada, mas compreendemos essa verdade sem termos de ser continuamente lembra­dos a respeito.

    Grande pedra. Não visava a impedir a saída da água da fonte perene. Antes, servia para impedir que alguma pessoa ou animal caísse no poço. Ou, então, impedia que entulho ou areia caísse na água, sujando-a.

    29.3

    Como Era Removida a Pedra? Vários homens rolavam a pedra para um lado. Aos animais dava-se água. Então a pedra era reposta em seu lugar. Uma tarefa laboriosa, mas necessária. Um homem rico como Labão, sem dúvida, dispunha de vários homens que fizessem esse trabalho. Era preciso mais de um homem para remover a pesada pedra. Talvez por isso as mulheres estivessem isentas desse trabalho. O relato do capítulo vinte e quatro não menciona uma pedra assim, além do que, ali, parece que Rebeca fez todo o trabalho, observada pelo servo de Abraão. Isso dá a entender que seria um poço diferente.

    29.4

    Os Estranhos da Cidade de Labão. Não eram amigos de Jacó nem da família de Labão. Mas eram pastores, e, portanto, “irmãos de profissão”. Jacó chamou-os de “irmãos” por querer ser amigável. E procurou saber se lhe poderiam dar algu­ma informação sobre Labão. De fato, eles conheciam Labão, além do fato de que em breve chegaria Raquel, filha de Labão, para dessedentar primeiro às suas ovelhas. Talvez isso não se devesse ao fato de que Raquel fosse mulher, mas sim de que Labão tivesse alguma prioridade sobre o uso do poço.

    O Problema do Idioma. A família de Jacó era de Ur e falava um idioma semítico (o caldaico). Os habitantes de Arã também eram semitas, e havia muita intercomunicação entre os dois lugares. Isso posto, não há razão para pensarmos que houve entre Jacó e os naturais da região algum problema sério de linguagem. Talvez já existisse um hebraico primitivo, mas não era muito diferente dos outros idiomas semíticos. Ver Gn 31.47 quanto a alguma diferença de linguagem entre os dois ramos da família. Nossa versão portuguesa e outras dizem aqui Harã.

    29.5

    Labão. Ele era sobrinho de Abraão, filho de Betuel, e pai de Raquel. O texto chama-o aqui de “filho de Naor”, mas isso indica uma designação frouxa para “neto”. Talvez Betuel já tivesse falecido, e Naor fosse o mais bem conhecido patriarca da família. Seja como for, Labão era bem conhecido em Arã, e foi fácil para Jacó descobri-lo. Naor era o fundador daquele ramo da família, e o imigrante original chegado de Ur (da família de Terá). Portanto, seu nome continuava em evidência, e um seu neto podia ser chamado de filho.

    29.6

    Ele está bom? Labão estava em boa saúde, e o diálogo tocou primeiro em questões como essa, tal como em tempos modernos. Talvez esse termo também significasse próspero. Labão estava bem e estava em boa situação. No hebraico, temos hashalom, “em paz”, que tem essas conotações.

    Raquel. Esse nome significa ovelha. Devia ser seu nome original, e não algum apelido adquirido em face de sua ocupação. Por pura sorte, enquanto Jacó falava com os homens, Raquel chegou. Naturalmente, nada sucede por acaso. No trecho paralelo de Gn 24.42 ss.; temos uma história elaborada e dramática sobre como Deus trouxera Rebeca para vir ao encontro do servo de Abraão. Se isso não aconteceu aqui, estamos acompanhando a mesma providência divina.

    29.7

    É ainda pleno dia. O sol ainda estava alto no céu. Os animais abrigavam-se na pouca sombra que havia, esperando pela hora de receber água. Jacó pensou que era chegado o momento certo de tirar água, e indagou por que aquela demora. Mas é que havia uma rotina que os pastores costumavam observar. Reuniam-se os diversos rebanhos, incluindo o de Labão (guiado por Raquel). Ela tirava água para seus animais primeiro, e, então, os outros faziam a mesma coisa. Ou Labão era o proprietário do poço ou tinha alguma prioridade sobre eles, embora isso não seja explicado. Primeiro dessedentavam-se os animais, e então estes podiam ir pastar nos campos.

    29.8

    Seja removida a pedra da boca do poço. Os pastores com os quais Jacó se encontrou não tinham autoridade para remover a pedra. Havia uma certa sequência de atos. É provável que eles fossem servos ou pastores de Labão, e tivessem de esperar por Raquel, a pastora. Ou, então, para evitar que a água se sujasse, a pedra era rolada quando todos os rebanhos se reuniam. E, então, começava o processo.

    29.9

    Chegou Raquel. Um grande momento pelo qual Jacó tanto esperara, e que foi divinamente arranjado para ele. Parece que ele cairá bem no meio dos aconteci­mentos, mas Deus providenciara o encontro. Raquel seria uma das matriarcas da nação de Israel. O versículo mostra-nos que Jacó não a conhecia ainda, mas o diálogo com os pastores (mencionado no vs. 6) permitiu que ele a reconhecesse quando ela chegou. E também é possível que um dos pastores tenha dito: “Eis aí Raquel”.

    As mulheres, ao que parece, não eram mantidas em reclusão e tão abrigadas como hoje se vê naquela parte do mundo, graças à influência do islamismo. Note-se também que, apesar de Labão ser um homem rico, não estava abaixo da dignidade de sua filha cuidar de ovelhas. Todo trabalho honesto é digno. “O trabalho honesto, longe de ser um descrédito, é uma honra para grandes e pequenos… que todo filho e toda filha aprendam que não é um descrédito manter-se alguém ativo, sempre que isso for mister, ainda que seja no labor mais humilde, mediante o qual os interesses da família sejam honestamente promovidos” (Adam Clarke, in ioc.). Homero (lliad. vol. 1, vs. 313, 2:6 vs. 2) diz algo similar sobre os filhos do rei de Tebas, que cuidavam dos rebanhos dele.

    29.10

    Tendo visto Jacó a Raquel. Ele a amou desde o começo, e imediatamente começou a trabalhar em favor dela, sem que tivesse sido feito qualquer pedido nesse sentido. Assim começou uma das mais comoventes histórias de amor de toda a literatura mundial.

    Removeu a pedra. É provável que o texto signifique que ele, ao tomar a iniciativa, com a ajuda de outros, fez rolar a pedra. Ali estava Jacó, o irmão gêmeo mais fraco (não Esaú, o rapaz do campo), a rolar sozinho a grande pedra, se tivermos de entender literalmente a passagem. Como ele conseguiu esse feito? Ele simplesmente viu Raquel, e qualquer tarefa dali por diante tornar-se-ia fácil. A partir do instante em que a viu, tornou-se um homem diferente. Começou imedia­tamente a servir, por amor.

    Casamentos dentro da Família de Abraão. Abraão casara-se com sua meia-irmã (Gn 20.12). Naor, irmão dele, casara-se com uma sobrinha (Gn 11.29). Isaque casara-se com uma prima. E agora, Jacó casar-se-ia com duas primas. As proibições da legislação mosaica, de tem­pos posteriores, não tinham aplicação durante os dias dos patriarcas hebreus. Ver Levítico 18 e 20. Rebeca era neta-sobrinha de Abraão (Gn 22.20 ss.). Portanto, temos aí uma família com bem apertados laços de parentesco, onde apenas Esaú fugiu da norma.

    O Targum de Jonathan diz que Jacó rolou a pedra do lugar com um só braço, fazendo um trabalho que usualmente requeria vários homens. Jarchi diz que ele fez a tarefa com facilidade, como uma pessoa que removesse a tampa de uma panela. O amor realiza grandes coisas!

    29.11

    Primos que se Beijaram. John Gill (in Ioc.), escreveu: “o que ele fez com cortesia e civilidade”. Um beijo em família. Mas qual homem que beijasse uma prima por mera cortesia levantaria sua voz e choraria? Houve no momento profun­da emoção, resultante de um imediato e grande amor.

    Jacó sentiu-se feliz ao término de sua jornada. Feliz diante da providência divina; feliz por estar entre seus parentes, visto que se encontrava tão longe de casa. Mas sua maior felicidade era ter conhecido Raquel. Adam Clarke comen­tou sobre o antigo costume social de oscularem-se as pessoas, como uma forma de saudação, além de mostrar quão iníquos e hipócritas são os homens corruptos, para quem o beijo se tornou algo sensual.

    29.12

    Revelação dos Laços de Família. O filho de Rebeca encontra-se com a filha de Labão. Jacó e Raquel — uma das maiores histórias de amor que já foi conta­da. Raquel saiu correndo para contar a seu pai da chegada de Jacó. Isso é paralelo ao afeto demonstrado por Rebeca, em Gn 24.28.

    Parente. Algumas versões dizem aqui, “irmão”. Mais especificamente, ele era “sobrinho” de Labão. Ver Gn 13.8 e 29.5,15, quanto a esse uso frouxo do termo. Não há menção à mãe de Raquel, a qual talvez já tivesse falecido. Ou uma mulher mais jovem esteve envolvida, mas não foi mencionada.

    29.13

    Labão. Labão veio correndo ao encontro de seu sobrinho, Jacó. Na ocasião, nenhum deles ainda sabia, mas Jacó haveria de servir fielmente a seu tio por cerca de vinte anos. Estes versículos antecipam os capítulos 30 e 31 do Gênesis. Os rebanhos de Labão seriam pastoreados pelo hábil Jacó. Sem importar seus defeitos, Jacó nunca foi um preguiçoso. Em contraste com os preguiçosos pastores de Labão (Gn 29.7,8), Jacó era ativo, zeloso e consciente.

    Este versículo tem paralelo em Gn 24.29, onde Labão também correu até o poço, para saudar ao servo de Abraão. Naquele caso, ele primeiro vira e admirara as joias que o servo de Abraão havia trazido para Rebeca. Neste caso, ele admirava a Jacó, que seria um seu excelente empregado.

    Fazia setenta anos que Rebeca, irmã de Labão, tinha partido de casa para ser integrada à família de Abraão. Dessa vez, sua família é que integraria um membro da família de Abraão. Parece que Labão tinha filhos e filhas mais jovens que Ra­quel, apesar de ser homem já de idade avançada. Talvez ele se tivesse casado com uma esposa mais jovem, não especificada. Há menção a filhos dele, em Gn 31.1.

    Jarchi diz que Labão correu na esperança de receber outros presentes: di­nheiro, joias etc., conforme sucedera por ocasião do noivado de Rebeca. Mas acolher Jacó para que este o servisse por vinte anos foi um ótimo presente. Não há razão para duvidarmos da sinceridade de sua hospitalidade. Todos os homens têm seus pontos fortes e fracos.

    29.14

    És meu osso e minha carne. Um parente próximo, que ficou a descansar por trinta dias, algum trabalho a fazer, mas abundante e bom alimento, um bom lugar para dormir, um leito confortável etc. Mas terminados aqueles trinta dias, Labão resolveu pô-lo a trabalhar (vs. 15), assalariado, naturalmente. Jacó fez a sua contraproposta. “Servirei, trabalharei, labutarei por sete anos, por Raquel” (vs. 18). Provavelmente ele já estava ocupado em sua profissão, cuidando das ove­lhas de Labão, mas agora assumiria maiores responsabilidades, tornando-se um empregado assalariado, apesar do fato de ser parente próximo.

    29.15

    Irás servir-me de graça? Labão não era tão egoísta assim. Jacó já estava trabalhando, em troca de nada, excetuando cama e mesa. Labão propôs um salário. Mas Jacó respondeu: “Não um salário, mas Raquel”. Podemos supor que ainda assim foi oferecido um salário pelos sete anos de trabalho, mas Raquel era o principal prêmio. Aquele mês dera a Labão oportunidade de observar Jacó a trabalhar. E ficou satisfeito com o que vira. E agora queria garantir seus serviços indefinidamente. É bom quando o serviço de um homem é apreciado. A tendência dos homens é depreciar e degradar, mas não foi o que Labão fez com Jacó.

    Meu parente. Essa questão já foi comentada no vs. 12.

    A Oportunidade de Jacó. A providência de Deus incluiu um emprego para Jacó, com um salário justo.

    29.16

    Duas filhas. Jacó, o enganador, estava a caminho de sofrer um tremendo logro. Por outra parte, visto que ele se casou com Lia e com Raquel quase ao mesmo tempo (ele teve de trabalhar por Raquel por mais sete anos, mas pôde casar-se com ela, uma semana após ter-se casado com Lia, vs. 28), em certo sentido, Jacó saiu ganhando. Naturalmente, ele precisou trabalhar durante cator­ze anos, pelo que Labão também recebeu uma boa vantagem. Lia era uma mulher de aparência comum, mas de belos olhos; e era uma pessoa digna. Não devemos esquecer que ela estava destinada a ser uma das matriarcas de Israel (um de seus filhos, Judá, é ancestral de Jesus). Raquel, por sua vez, era bonita e vivaz, uma mulher muito bonita, para dizermos o mínimo. E também estava desti­nada a ser uma das matriarcas de Israel. Portanto, Jacó nada tinha para queixar-se, ao mesmo tempo em que o propósito de Deus atuava sobre ele quanto a ambos os seus casamentos.

    Lia. O nome dela significa “labor” ou “cansaço”, por razões desconhecidas. Mas, na antiguidade, tal como entre nós, os nomes eram, com frequência, escolhidos sem que se desse atenção ao seu significado.

    29.17

    Os olhos baços. O adjetivo, no hebraico, significa suaves, delicados, bonitos ou envergonhados (rak). Poderíamos dizer apenas “bonitos”. Lia tinha olhos boni­tos, mas Raquel tinha tudo mais, bem feita de corpo, natureza vivaz, alguém que, naturalmente, atraía a atenção de todos, mormente dos homens que dão valor à beleza feminina. Lia tinha a personalidade um tanto apagada. Raquel brilhava. Onkelos supunha que a beleza de Lia se resumia a seus olhos, mas a beleza de Raquel manifestava-se em tudo. Ben Melech referiu-se aos belos cabelos negros de Raquel, e de sua pele branca e de textura suave. Ela era o prêmio, o bem de que nos falou Salomão (ver Pv 18.22). Adam Clarke (in loc.), exagerou quanto a esse ponto, ao falar sobre a vaidade das mulheres modernas, estragadas por demasiada educação e atenção, ao passo que as mulheres antigas seriam, invari­avelmente, o bem aludido por Salomão.

    Ellicott reverte o sentido do adjetivo acerca dos olhos de Lia, fazendo-os “baços” (conforme faz nossa versão portuguesa) e sem graça, supondo que ela teria sofrido alguma forma de doença ocular na infância, por causa dos desertos arenosos. E outros intérpretes concordam com essa avaliação negativa da pala­vra hebraica envolvida, a qual pode ter tanto um sentido positivo quanto um sentido negativo. A julgar por um dos significados possíveis desse adjetivo hebraico, talvez o olhar de Lia fosse “pudico”, “modesto”. O contexto parece estar dizendo: “Lia tinha esta característica boa e notável — seus belos olhos. Mas Raquel tinha muitas características de beleza feminina”.

    O Messias é descendente de Lia, e não de Raquel.

    Formosa de porte e de semblante. Nossa versão destaca mais a impres­são visual que se tinha de Raquel. Mas há intérpretes que opinam que o original hebraico diz que todos se sentiam atraídos por ela devido à sua personalidade atrativa. As traduções estão divididas quanto a essa questão.

    29.18

    Jacó amava Raquel. Naqueles dias em que já passara na casa de Labão, seu amor por Raquel se acentuara.

    A Linhagem do Messias. Entre os filhos de Lia devemos destacar Judá, ancestral de Jesus. Assim, o Messias descendia não da bela Raquel, mas da comum Lia. A decisão divina sobre a questão, porém, nada teve que ver com o amor romântico de Jacó por Raquel, nem com a relativa negligência dele para com Lia. As decisões divinas dependem de coisas superiores a essas.

    Trabalhando para Ganhar uma Esposa. A arqueologia e a literatura antiga confirmam o fato de que um homem podia obter esposa através do seu traba­lho, de conformidade com um acordo que se fizesse entre o homem e o pai da jovem. Os estudiosos dizem que esse costume prevalece até hoje entre os árabes, embora apenas ocasionalmente. Uma esposa também podia ser com­prada, conforme se vê em Gn 24.53. Essa venda era com frequência velada (de acordo com as sutilezas orientais), como se algum presente estivesse en­volvido, que é o caso destacado no capítulo vinte e quatro. O trecho de Gn 31.15 mostra-nos que Raquel e Lia consideravam-se vendidas por seu pai a Jacó. Assim, o trabalho efetuado por Jacó, durante catorze anos, não visou apenas a agradar a Labão, para obter as suas filhas como esposas, mas, antes, foi uma forma de compra.

    29.19

    Labão Não Demonstrou Entusiasmo. Pelo menos não abertamente, embora talvez a proposta lhe tenha agradado. O negócio era-lhe favorável. Mas ele ocultou o seu entusiasmo, se é que se entusiasmou. E disse: “Antes tu que outro homem!”. Estou imaginando que foi um preço tremendo em troca de uma mulher. Contraste-se isso com os presentes que o servo de Abraão trouxera para obter Rebeca. Teria ele trazido joias e presentes equivalentes a sete anos de trabalho?

    A arqueologia e as referências literárias antigas indicam que os povos daque­la região preferiam ter casamentos entre parentes, o que sem dúvida estava acontecendo à família de Abraão.

    29.20

    Serviu Jacó sete anos. Um longo tempo, de fato, mas, na mente e nos sentimentos de Jacó, tudo foi como um dia, porque a mulher por quem ele estava trabalhando era muito valiosa para ele. Assim acontece também com aqueles que têm algum grande projeto a realizar. O entusiasmo faz toda a diferença. Alguns dizem que a perseverança faz a diferença, mas é o entusiasmo que sempre está por trás da verdadeira perseverança.

    Os eruditos supõem que Jacó estivesse com cinquenta e sete anos de idade na época. Mas os patriarcas casavam-se tarde, por razões difíceis de precisar. Por certo não atingiam logo a maturidade e, devido à sua longa vida, não tinham pressa para casar, e nem os costumes sociais da época os pressio­navam nessa direção. Assim, não temos regras fixas que guiem nosso raciocí­nio a respeito.

    Sete anos. Para Jacó, esses anos passaram-se com rapidez, por amor a Raquel. Tudo quanto ele tinha passado era como “nada”. Além disso, ele passava muitas “horas agradáveis” em conversa com Raquel. Assim, o tempo “passou-se rapidamente” (conforme comentou John Gill, in loc.).

    29.21

    Já venceu o prazo. “Dá-me minha mulher”, e assim, “cumpre a tua parte na negociação”. Jacó havia dado por sua esposa um dote não com forma de dinhei­ro, mas com forma de trabalho. Mas aqueles anos de trabalho valiam muito, do ponto de vista monetário.

    “Era chegado o tempo de ele ficar com ela” (John Gill, in loc.). Alguns intér­pretes judeus pensam que ele estaria então com oitenta e quatro anos de idade; mas a estimativa mais baixa é de cinquenta e sete anos. Fosse como fosse, era chegado o tempo do casamento, de acordo com o negociado entre Jacó e Labão. O amor fez esse tempo parecer “poucos dias” (vs. 20). Mas acordos são acordos.

    “É interessante que as esposas dos três primeiros patriarcas eram mulheres bonitas: Sara (Gn 12.11), Rebeca (Gn 24.15,16) e Raquel (29.17)” (Allen P. Ross, in loc.). A paixão de Jacó por Raquel não permitiria maior prazo.

    29.22

    A Festa e a Farsa. Jacó encontrou em seu tio quem pudesse enganá-lo. Foi preparada uma grande festa, mas estava sendo planejada uma grande farsa. Lia, e não Raquel, é quem estava esperando casamento. Um costume local prevale­ceria sobre o acordo feito. Labão tivera o cuidado de não revelar que seguiria esse costume local de dar, em casamento, primeiro a filha mais velha, nesse caso, Lia.

    Uma festa assinalava ocasiões solenes, como pactos e casamentos, além de servir de ponto de contato social, mesmo que só estivesse em pauta uma questão de amizade, sem outro motivo especial. Os banquetes também faziam parte das principais festividades religi­osas dos judeus.

    Com frequência, sacrifícios e ofertas acompanhavam os banquetes de casa­mento, visto que o matrimônio era considerado um contrato solene.

    Todos os homens do lugar. Ou seja, de Padã-Arã. Foram convidados os homens de maior importância, além de seus amigos pessoais. Portanto, a festa foi um grande momento público, não envolvendo apenas a família imediata de Labão.

    29.23

    Lia Toma o Lugar de Raquel. Labão levou sua filha Lia, e não Raquel. De acordo com os costumes locais, ele agiu acertadamente. Mas também poderia ter feito a coisa certa da maneira certa, ou seja, com honestidade. Teria Jacó feito objeção, desde o princípio, se tivesse sabido que teria de trabalhar por duas mulheres, sete anos por cada uma? Provavelmente, não; mas também é possível que, quando a barganha fora feita, Labão não tivera a intenção de ser tão generoso. Todavia, repreendido por Jacó, também acabou entregando Raquel, uma semana mais tarde (vs. 27). De qualquer modo, o véu oriental usado pelas mulheres e a falta de iluminação no interior da tenda permitiram que Labão enganasse Jacó com sucesso. A noiva era trazida velada ao noivo (ver também Gn 24.65).

    Cf. o caso de Jacó com o de Isaque. Isaque pôde ser enganado por estar cego, como se estivesse às escuras. Jacó também foi enganado devido às trevas. Onde houver ludibrio, aí haverá também trevas espirituais.

    O costume da época determinava que o noivo fosse deitar-se primeiro. Então a noiva era trazida até ele, usando véu. Somente no escuro o véu era tirado.

    29.24

    Para serva. As mulheres de círculos mais abastados recebiam uma “ser­va”. conforme se viu no caso de Hagar e Sara. Na maior parte dos casos, essa serva era uma escrava. Por assim dizer, não se separava da dona da casa, acompanhando-a enquanto esta vivesse. Ela não tinha direitos próprios, exceto aqueles dados por sua senhora. Tão próxima era ela de sua senhora que poderia ter filhos do marido desta última, embora esses filhos, legalmente, fos­sem considerados filhos da senhora. Essa jovem, dada à senhora da casa, não era governada pelo homem. Todos os direitos sobre ela pertenciam à esposa conforme se vê em Gn 16.6). Sara mostrou-se cruel com Hagar, mas Abraão não interveio, porque não tinha autoridade sobre a questão. Betuel tinha dado a Rebeca uma companhia dessas, Débora, além de outras escravas (Gn 24.61). A tradição judaica diz que Zilpa fora concubina de Labão. Mas isso é altamente improvável.

    Zilpa. No hebraico, terra baixa. Era uma jovem escrava que foi dada por Labão a Lia, por ocasião do casamento desta com Jacó. Posteriormente, a pedido da própria Lia, tornou-se esposa secundária ou concubina de Jacó. Zilpa foi mãe de dois filhos, Gade e Aser (Gn 29.24; 30.9-13; 35.26; 37.2; 46.18). Ela viveu em tomo de 1730 A. C. Assim, aquela humilde jovem tornou-se uma das matriarcas de Israel. Se as tradições judaicas estão certas, então Zilpa e Lia eram meias-irmãs, embora não haja como averiguar essa teoria. Parece improvável, contudo, que uma concubina de Labão tivesse vindo a ser uma concubina de Jacó, posto que sucedem coisas estranhas, e que o incesto não era algo que perturbava os antigos dos dias de Abraão.

    29.25

    Ao amanhecer viu que era Lia. A luz do dia revelou a fraude, mas era tarde demais. Agora chegara a vez de Jacó protestar veementemente por ter sido iludido, tal como Esaú reclamara ao ser enganado (Gn 27.35 ss.). Esaú se enchera de ódio e de vontade de matar seu irmão (Gn 27.41 ss.), o que dera azo para que Jacó fosse para o exílio. Jacó não pensou em assassinato, mas podemos estar certos de que bradou ao máximo, manifestando a sua indignação. O acordo havia sido desrespeitado. Jacó fizera a sua parte, mas Labão falhara. A luz do dia sempre revela as fraudes. A luz faz o pecado dispersar-se. John Gill pensa que o que sucedeu foi adultério (e também incesto), visto que Jacó se deitara com uma mulher que não era sua esposa, além de ser irmã da mulher com quem ele se casara. Mas Labão não via as coisas por esse ângulo. As pessoas definem as coisas de diferentes maneiras, mas isso não faz do pecado uma questão relativa. Jacó estava colhendo o que tinha semeado.

    29.26

    Um Costume Local. O conservantismo frustrou o bom senso. O costume foi observado, à revelia de qualquer outro fator. John Gill negou que houvesse algum costume assim, e nenhuma de minhas fontes informativas revela qualquer coisa. Mas este versículo o menciona, embora a arqueologia nada tenha descoberto, Adam Clarke encontrou um costume hindu dessa natureza, que ele chamou de “lei positiva”. Se havia tal costume entre o povo de Labão, então ele enganou Jacó (no tocante a Raquel) desde o começo; ou, talvez, no decurso dos anos, pensou no golpe astucioso, tirando proveito de um costume, que ele valorizou mais que seu acordo com Jacó. E também enganou seus convidados, porque eles viram o casa­mento de Jacó e Raquel. Podemos supor que Lia também fez parte do conluio, ou, peto menos, obedeceu à voz de seu pai, tal como Jacó havia obedecido à palavra de sua mãe, Rebeca, cooperando com o engano pespegado contra Isaque (Gn 31.15 ss.). Lia amava Jacó (Gn 30.15), e deve ter cooperado com satisfação.

    Os Costumes Prevalecem. O conservantismo nem sempre está com a razão. novas ideias, ainda que úteis, com frequência são tabus. As escolhas são limitadas por mentes limitadas. Alguns costumes precisam ser desafiados e alterados. Outros precisam ser testados e aprovados; novos costumes precisam ser introdu­zidos. O tempo permite crescimento, não meramente preservação.

    29.27

    A Solução Fácil. Raquel também seria dada a Jacó, mas isso custaria a Jacó mais sete anos de serviço. Mas que significavam catorze anos de serviço, se ele veio a servi-la a vida toda?

    Decorrida a semana desta. Ou seja, os sete dias de banquete do casamen­to (Jz 14.12 e Tobias 11.18). É difícil ver como aquela semana poderia ser de Lia, se todos os convidados tinham vindo para o casamento de Raquel. Mas a semana foi de Lia. Talvez não houvesse votos formais, como nas cerimônias de matrimônio modernas, e a jovem que entrasse na tenda de um homem, essa seria a sua esposa. Nesse caso, não houve nem adultério nem incesto. Nossa falta de conhecimento não nos permite dizer alguma coisa indiscutível sobre esse casa­mento de Jacó. “Infelizmente, Jacó não é o único crente que tem precisado de um Labão a fim de discipliná-lo” (Allen P. Ross, in loc.).

    29.28

    Labão lhe deu… Raquel. Esta custou a Jacó um dote maior (sob a forma de sete anos de trabalho), mas ele também não reclamou por essa parte. Ade­mais, de súbito ele tinha ganho quatro mulheres, que seriam as matriarcas da nação de Israel (vs. 29). A legislação mosaica proibia o casamento com uma irmã da primeira esposa (Lv 18.18), mas isso já pertenceu a uma época posterior. Se um homem podia casar-se com sua meia-irmã, como foi o caso de Abraão (Gn 20.12), então casar-se com duas mulheres que eram irmãs entre si, e primas do noivo, não pareceria coisa estranha.

    A Grande Vitória. Jacó havia obtido uma grande vitória, pela qual também muito se tinha esforçado, com toda a paciência e perseverança, durante sete longos anos. O segredo da vitória é a perseverança inspirada pelo entusiasmo, bem como a paciência para esperar uma grande realização, mediante o trabalho árduo.

    29.29

    Bila. Juntamente com Lia, Jacó obtivera Zilpa; e agora, com Raquel, obtinha Bila. As duas servas não se tornaram de imediato suas concubinas, mas isso não demoraria muito. Abraão tinha ganho Hagar como concubina, pelo que vemos que estava envolvido um costume arraigado.

    Bila era, nas páginas do Antigo Testamento, o nome tanto de uma pessoa quanto de uma cidade. Esse nome significa tema ou timidez. Ela veio a ser mãe de Dã e de Naftali (Gn 30.1-8; 35.25; 46.25; I Cr 7.13). Embora fosse apenas uma serva, tornou-se uma das matriarcas da nação de Israel.

    Visto que o Messias procedeu da tribo de Judá, Lia foi a escolhida para dar continuidade à linhagem espiritual direta do Pacto Abraâmico.

    29.30

    Jacó amava mais Raquel. As mulheres daquele tempo não pareciam ter ciúmes relativos aos privilégios sexuais. Mas mostravam-se sensíveis acerca de qual mulher era mais amada, conforme vemos em Gn 29.32. Ademais, era muito importante para a mulher que ela fosse fértil, pelo que havia competição quanto ao número de filhos que uma mulher desse a seu marido (Gn 30.1 ss.). O capítulo trinta mostra uma vivida competição entre Lia e Zilpa, por um lado, e Raquel e Bila, por outro lado. Qual das duas mulheres seria capaz de produzir mais filhos? Essa competição deu origem aos doze filhos, alistados no capítulo trinta, os quais vieram a ser os patriarcas de Israel. Vemos aqui um drama comum da humanidade — o anelo humano por amor e reconhecimento. Esse reconhecimento inclui a questão de posição, motivo pelo qual essas questões sempre envolvem o orgulho. As pessoas dispõem-se a pagar um alto preço por essas coisas. Sementes amargas estavam sendo plantadas no seio da família patriarcal, devido à forte competição prevalente. É triste quando isso macula uma família. Neste mundo já há bastante dessa desgraça.

    Raquel foi o primeiro amor de Jacó. Mas não foi a primeira a ficar grávida dele. Ademais, Lia teve seis filhos, ao passo que Raquel só teve dois. Mas Raquel sempre ocuparia o primeiro lugar no coração de Jacó. Ela morreu de parto, ao ter seu segundo filho, Benjamim. José, seu primeiro filho, seria o favorito de Jacó. E José teria uma carreira ilustre, posto que muito acidentada.

    Bibliografia R. N. Champlin

     

    Fonte: http://www.ebdareiabranca.com/

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  • Lição 3 – Editora Betel – A trama de Jacó para enganar seu pai

    Trama – Intriga, enredo: a trama de uma tragédia. / Conjunto emaranhado: a trama dos acontecimentos.

    Intriga – Maquinação secreta para obter alguma vantagem ou para prejudicar alguém. / Insídia, cilada. / Encadeamento de fatos e ações que formam a trama

    Resumo

    O mandamento bíblico é “honra a teu pai e a tua mãe…” Ex. 20.12/Dt 5.16, citado até por Jesus em Mt 15.4/Mc 7.10 e lembrado pelo Apóstolo Paulo em Ef 6.2, destacando a promessa advinda pelo cumprimento desse dever. O sábio conselho de Salomão, inspirado por Deus, é “Ouve a teu pai, que te gerou; e não desprezes a tua mãe, quando ela envelhecer.” Pv 23.22

    O pai, especialmente na tradição do Antigo Testamento, era detentor da benção, tal o simbolismo e reverência que havia na figura do patriarca. Eles abençoavam seus filhos com o desejo de prosperidade moral, espiritual e social, e os dotava de bens conforme suas posses (Gn 27.7, 27-28…, 28.1, 48.15,20 e 49). Os primogênitos eram mais recompensados.

    Era também o pai quem repassava as experiências com Deus e mais tarde os ensinamentos da Lei a seus filhos. Veja o que disse o rei Davi, já velho e cansado, a seu filho e futuro rei Salomão: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-o com coração perfeito e espírito voluntário; porque o Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos. Se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre.” I Cronicas 29.29
    Gênesis 27

    Versículos 1-5

    As promessas do Messias e da terra de Canaã tinham passado a Isaque. Agora tinha uns 135 anos de idade e seus filhos, por volta de 75. não tendo considerado devidamente a palavra divina referida a seus dois filhos de que o maior serviria o menor, resolveu dar toda a honra e o poder que havia na promessa a Esaú, seu filho mais velho. Nós somos muito bons para tomar medidas conforme a nosso próprio arrazoar mais que segundo a revelação divina e, por isso, perdemos freqüentemente nosso caminho.

    Versículos 6-17

    Rebeca sabia que a bênção estava preparada para Jacó e esperava que ele a obtivesse. Porém, fez mal a Isaque ao enganá-lo; fez mal a Jacó ao tentá-lo para que agisse errado. Pôs uma pedra de tropeço no caminho de Esaú e lhe deu um pretexto para odiar a Jacó e aborrecer a religião. Todos eram culpáveis. Era uma daquelas medidas retorcidas que amiúde se adotam para fazer progredir as promessas divinas; como se o fim justificasse os meios, ou escusasse os médios incorretos. Assim, pois, muitos têm agido errado com a idéia de serem úteis para fomentar a causa de Cristo. A resposta a todas essas coisas é a que Deus dirigiu a Abraão: “Eu sou o Deus Todo Poderoso; anda diante de mim e sé perfeito”.
    Foi um dizer muito apressado de Rebeca: “Filho meu, seja sobre mim tua maldição”. Cristo tem carregado a maldição da lei por todos os que se amarram ao jugo do mandamento, o mandamento do evangelho. Mas é demasiado ousado que uma criatura diga: “seja sobre mim tua maldição”.

    Jacó e Esaú. 27:1-46.1-17. Tendo-se envelhecido Isaque .. . chamou a Esaú.

    É difícil imaginar todo o sofrimento, agonia e cruel desapontamento envolvidos nesta narrativa pitoresca. O velho patriarca, cego e trôpego, fez planos de transmitir as sagradas bênçãos ao seu filho primogênito. Mas a astuciosa Rebeca, que ouviu as instruções dadas a Esaú, imediatamente resolveu subverter e frustrar seus planos. Jacó, seu filho predileto, já tinha o direito de primogenitura; ela determinou que ele também receberia a bênção oral, dos lábios do representante do Senhor, para que tudo ficasse em ordem com a herança divina. Ela não podia arriscar-se esperando que Deus realizasse Seus planos à Sua maneira. Por isso apelou para a mais desprezível mentira a fim de assegurar-se da bênção para o seu filho mais moço.
    Versículos 18-29
    Com certa dificuldade, Jacó conseguiu seu propósito e obteve a bênção. Esta bênção é em termos muito gerais. Não se mencionam as misericórdias distintivas da aliança com Abraão. Isto poderia ser devido à forma em que Esaú tinha desprezado as melhores coisas. Além disso, sua inclinação por Esaú, a ponto de não levar em conta a vontade de Deus, deve ter enfraquecido enormemente sua própria fé nessas coisas. Portanto, poderia esperar-se que a escassez estivesse em sua bênção, concordemente com seu estado mental.

    18-29. Respondeu Jacó . . . Sou Esaú, teu primogênito.

    Apoiado por sua mãe, Jacó compareceu diante de seu velho pai com enganos e mentiras. Chegou até a declarar que Jeová o ajudara nos rápidos preparativos. Depois de mentir a seu pai, depositou um beijo falso sobre o rosto do velho homem.

    34-40. E, levantando Esaú a voz, chorou

    Quando Esaú compreendeu que Jacó tinha obtido a bênção, clamou com um muito grande e amargo choro. Vem o dia em que os que assumem com volubilidade as bênçãos da aliança e trocam seu direito às bênçãos espirituais pelo que carece de valor, em vão as pedirão com urgência. Isaque tremeu muito quando percebeu o engano que lhe fizeram. Os que seguem a opção de seus próprios afetos mais que a vontade divina, acabam em confusão. Porém ele logo se recuperou e confirmou a bênção que tinha dado a Jacó dizendo: Eu o abençoei e será bendito.
    Os que se afastam de sua sabedoria e de sua graça, de sua fé e da boa consciência, em aras das honras, as riquezas ou os prazeres deste mundo, por mais que finjam zelo pela bênção, tem sido julgados indignos dela e sua condenação será a que lhes corresponda.
    Uma bênção comum foi dada a Esaú. Era o que desejava. Os desejos fracos de felicidade sem a eleição correta do fim, e o uso correto dos médios, enganam a muitos levando-os a sua própria ruína. As multidões vão para o inferno com suas bocas cheias de bons desejos.
    A grande diferença é que não há nada na bênção de Esaú que aponte a Cristo; e sem isso, a gordura da terra e o produto do campo valem de bem pouco. Assim, pois, por fé Isaque abençoou a seus dois filhos, segundo o que devia ser sua sorte.

    (v. 38). A tragédia de Esaú era que ele estava completamente ignorante da santidade da bênção, e só desejava as vantagens que esta lhe proporcionaria. A dor profunda que sentia por Jacó ter-lhe passado a perna da obtenção da primogenitura, Seu amargo desapontamento, seus soluços patéticos e ardente vergonha que logo se transformaram em ódio intenso e desejo de vingança são profundamente comoventes.

    Rebeca

    A Bíblia mostra Rebeca como sendo uma mulher com as seguintes características:
    1)       Bela – “E a donzela era mui formosa à vista, virgem, a quem homem não havia conhecido; e desceu à fonte, e encheu o seu cântaro e subiu” (Gn 24.16).
    2)        Trabalhadora – “E, acabando ela de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber” (Gn 14.19).
    3)         Hospitaleira – “Disse-lhe mais: Também temos palha, e muito pasto, e lugar para passar a noite” (Gn 24.25).
    4)       Decidida – “E chamaram Rebeca e disseram-lhe: Irás tu com este varão? Ela respondeu: Irei” (Gn 24.58).
    5)        Modesta – “E disse ao servo: Quem é aquele varão que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então, tomou ela o véu e cobriu-se” (Gn 24.65).
    Apesar de todas estas características, sua precipitação e falta de confiança no Senhor acabou por trazer problemas em seu lar e assim, não somente ela, mas também Jacó acabaram colhendo as conseqüências de seus atos.

    Jacó

    Perceberemos que até este incidente Jacó ainda não era transformado realmente…
    1) Naturalmente astucioso (Gn 25.31-33)
    2) Enganador (Gn 27.18-29)
    3) Colheu resultado do
    seu próprio pecado (Gn 27.42.43)
    4) Tornou-se religioso (Gn 26.10,20,21)
    5) Afetuoso (Gn 29.18)
    6) Industrioso (Gn 31.40)
    7) Habituado a orar (Gn 32.9-12)
    8) Disciplinado pela aflição (Gn 37.28; 42.36)
    9) Homem de fé (Hb 11.21)

    Ajudas Adicionais

    a) Jacó na casa paterna (Gn 27.1-46)

    1. JACÓ CONSEGUE A BÊNÇÃO DE SEU PAI POR MEIO DE ENGANO (27.1-29). Isaque envelheceu (1). Comparando-se #Gn 25.26 com #Gn 26.34, parece que então Isaque já tinha mais de cem anos de idade, mas ele viveu até os 180 anos (ver #Gn 35.28). Isaque deve ter pensado que estava prestes a morrer (4,41) mas parece ter-se recuperado. Para que minha alma te abençoe (4). A despeito da profecia (#Gn 25.23), parece que Isaque estava determinado a dar a bênção a Esaú. Diante da face do Senhor (7). Essas palavras, proferidas por Rebeca, eram cheias de significado para Jacó, dotado de mente religiosa, e sua adição, por sua habilidosa mãe, não deixaram de ter seu desígnio. Emprestaram uma solenidade a mais. Vestidos de gala (15). Provavelmente aqui é indicada uma veste oficial como a que seria usada pelo primogênito de uma família nas ocasiões festivas ou solenes. Porque o Senhor teu Deus a mandou ao meu encontro (20). O enganoso plano de Jacó não foi habilidoso bastante. Não era costume de Esaú apelar para frases pias daquela espécie, e Isaque, que conhecia o caráter geral de Esaú, ficou incerto e preocupado em sua mente (21,22). Sirvam-te povos (29). A essência da bênção da primogenitura consiste justamente nesse domínio.
    Gn-27.30
    2. ENTREVISTA DE ESAÚ COM ISAQUE (#Gn 27.30-40). Abençoei-o: também será bendito (33). A bênção patriarcal era irrevogável. Essa é a significação de #Hb 12.17: “não achou lugar de arrependimento”. Por mais que o tentasse, Esaú não podia conseguir uma mudança na atitude da mente de seu pai. Isaque percebeu que, a despeito de seus esforços para torcê-la, a vontade de Jeová tinha sido feita, e que a bênção certamente deveria permanecer sobre Jacó. Me enganou (36). Mais apropriadamente “conseguiu primeiro”: ver 25.26n. Quando te libertares (40). A despeito dessa frase hebraica incerta, tem havido dúvidas, mas aqui está razoavelmente bem traduzida. Haveria de haver ocasiões quando Edom se livraria temporariamente do jugo do domínio de Israel.

    O pecado dos quatro participantes:
    1)       A parcialidade teimosa de Isaque
    2)       A Negligência de Esaú ao querer andar por seu próprio caminho
    3)       O engano de Rebeca
    4)       A Ambição de Jacó

    Os elementos da bênção

    1)       A promessa de fartura , que presumia possessão da terra (veja Gn 17.8) e bênção da fertilidade
    2)       A promessa de domínio, repetindo a promessa feita a Abraão (Gn 22.17) acrescida de que aquele que estava sendo abençoado reinaria sobre o restante de sua família;
    3)       Um contraste entre bênção e maldição, que repetia a primeira chamada de Abraão (Gn 12.3)

    No capítulo 27 de Genesis ensina – nos claramente que:

    1)       Não é da vontade de Deus que façamos o mal, esperando que isso advenha o bem (Rm 6.1,2)
    2)       Esteja-se certo de que o pecado acha o pecador (Nm 32.23), pois todos os envolvidos que pecaram sofreram amargamente;
    3)       Andemos na luz como Ele na luz está (1 Jo 1.7)
    4)       O Senhor reina (Is 40.25-28)

    Bibliografia
    O novo comentário da Bíblia – F Davidson
    Comentário Bíblico do AT 1 – Gênesis a Neemias  – Matthew Henry
    Comentário Bíblico Moody

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  • ATÉ QUANDO SEREMOS LUZ DO MUNDO ?

    Duas das mais fascinantes declarações de Jesus quando pronunciou o imortal Sermão da montanha foram estas: “Vós sois a luz do mundo” e “vós sois o sal da terra”, Mt 5.15,16.

    É interessante observar que Jesus chamou os Seus discípulos de luz do mundo, mas em outra ocasião Ele declarou ser pessoalmente a luz do mundo, Jo 8.12.
    Para que não se cometa erros na interpretação das duas assertivas, Ele esclareceu ser a Luz do mundo enquanto estivesse aqui na Terra.

    Ou seja, após o fim do Seu ministério terreno e conseqüentemente Sua ascensão de volta ao Céu, a Igreja assumiria essa posição e essa função.

    Todos sabemos que existem vários tipos de luz. As mais conhecidas e/ou populares são:
    (a) Luz cósmica, Gn 1.5;
    (b) Luz solar, Jr 31.36;
    (c) Luz artificial, Mt 25.6 e
    (d) Luz espiritual, Sl 4.8; Is 2.6;II Co 4.4,6.

    A partir do primeiro capítulo da Bíblia, Deus esclarece e determina os propósitos básicos da luz, a saber:

    (a) Separação, Gn 1.14; Ex 10.23; Jó 18.6; 38.15.
    (b) Iluminação, Gn 1.15; Fp 2.15;
    (c) Sinalização, Gn 1.14;
    (d) Governo, Gn 1.16.

    A Igreja tem compromissos múltiplos a cumprir na condição de luz do mundo. Ele deve manter-se separada do mundo, estabelecendo um limite que não deve ser transposto.
    Ela deve fazer brilhar a luz do Evangelho, através da proclamação do Evangelho em suas diferentes dimensões: pessoal, familiar, comunitária, coletiva e mundial; deve sinalizar para o mundo os seus deveres, na condição de voz profética de Deus e, finalmente, deve impor sua autoridade sobre as impiedosas e destruidoras trevas que assolam o mundo.

    Ela deve atentar para as características fundamentais da luz espiritual:

    (a) Ela é divina, Sl 47.3; I Jo 1.5. Como luz do mundo, Jesus é SOL, Ml 4.12. Mas, também como luz, a Igreja é LUA, Ct 6.10, ou seja, a luz não lhe é inerente. Ela a recebe do Sol da justiça e a transmite para o mundo;
    (b) Ela é permanente, Jó 18.5; Pv 18.9;
    (c) Ela é outorgada, ou seja, a Igreja é despenseira da Luz divina, I Co 4.2; Sl 118.27. Precisamos ser zelosos, a fim de não deixarmos nossa luz no velador.
    (d) Ela é regeneradora, I Ts 5.5; Ef 6.6. Quando os pecadores se encontram com a LUZ, é-lhes aberta a porta da transformação e da liberdade, , II Co 5.17; Jo 8.36.

    A Igreja deve manter-se fiel aos seus compromissos com a LUZ, claramente estabelecidos na Palavra de Deus.

    Não devemos compactuar com a escuridão moral e espiritual que tomou conta do mundo, mas manter-nos como o farol de Deus, todos os momentos e sempre.

    Eis alguns de nossos compromissos:

    (a) Andar na luz, I Jo 1.7; Jo 11.9;Sl 89.15; Is 2.5;
    (b) Estar na luz, I Jo 2.9;
    (c) Vestir as armas da luz, Rm 13.12.
    (d) Trabalhar na luz, Jo 3.21; etc.

    Ultimamente algumas ilustres figuras do meio evangélico parecem estar esquecidas de sua natureza e responsabilidade cristã, de modo que estão se aproximando excessivamente do ambiente de trevas.

    Milhares de pessoas estão aplaudindo o fato de alguns segmentos da mídia nacional, antes totalmente contrários ao Evangelho, estarem agora abrindo espaço para cantores evangélicos, etc.

    Mas há um grupo fiel que não fechou seus olhos e está conseguindo ver além da cortina. Já houve casos de cantores do Rei se exibirem ao lado de hostes de adoradores de demônios. Num desses casos, a cena foi presenciada por milhares, quase milhões. Foi deprimente saber que os que aplaudiram o hino sagrado tiveram de engolir as canções de Baal, que se lhe seguiram.

    Quem pode assegurar que foi um ato evangelístico, evangelizante ou evangelizador?

    Quem garante que algumas centenas de miseráveis pecadores se encontraram com Cristo naquela ocasião? Ou minha ótica estaria totalmente fora de foco?

    Não estará em desenvolvimento uma perniciosa estratégia de Satanás, visando a confusão e a mistura do Evangelho de luz com o reino das trevas?

    Será que nossos cantores realmente estão precisando de levar sua lâmpada para grandes palcos e depois permitirem que se ponha nelas um vinagre de Belial, ao invés do azeite do Espírito?

    Já não basta a omissão do nome cristão (ou evangélico)?

    Nós falamos a língua portuguesa e em português claro Evangelho é EVANGELHO (e não gospel). Não está sendo orquestrado um disfarce muito sutil, para nele, com ele e através dele começarmos a maquiar, a macular, e depois a perder a nossa identidade?
    Seria isto o prelúdio de novos dias de Constantino? Se assim for, algum tempo mais tarde precisaremos de novos luteros.

    Que a Luz da Igreja continue a ser luz. Que os pregadores do Evangelho preguem a Palavra. Que os cultos não sejam shows e sim cultos. Que os cantores sejam identificados como cristãos, como evangélicos e como representantes da Igreja do Senhor Jesus Cristo, e não meramente como representantes da música gospel.

    Que a Igreja seja luz e não a deixe NEM SE DEIXE escurecer.

    Que ela seja sal e não se deixe apodrecer.

    Pr Geziel Gomes

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