Categoria: Escola Dominical

  • Subsídio – Lição 1 – Central Gospel – 4º Trimestre 2013

    Subsídio – Lição 1 – Central Gospel – 4º Trimestre 2013

    são-joao-batista

    João Batista, o precursor do Nazareno

    Esboço

    1. Caracterização Geral
    2. Família e Começo de Vida
    3. Fontes Informativas
    4. Ministério e Mensagem de João Batista
    5. Elias Redivivo
    6. João Batista e Jesus
    7. Seguidores de João Batista
    8. Morte de João Batista

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  • Lição 1 – Introdução ao Pentateuco

    Lição 1 – Introdução ao Pentateuco

    Pentateuco

    Introdução

    A primeira seção do Antigo Testamento composta dos cinco livros de Moisés é conhecida como Pentateuco. Ela é composta dos seguintes livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Este foi o primeiro grupo dos livros do Antigo Testamento que foi reconhecido como canônico, inclusive, está presente nas mais variadas versões das diversas religiões (Judeus, Samaritanos, Cristãos, etc).

    No Pentateuco, estão registrados os mais antigos acontecimentos da história, dentre os quais se destacam: A origem do mundo, do povo Judeu, suas tradições, seus costumes, a entrega da lei, o culto divino, até a entrada do povo de Deus na terra prometida de Canaã. Para os judeus, o Pentateuco sempre foi considerado como sagrado, pois contém os dez Mandamentos e a história da origem de sua nação.

    I – CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O PENTATEUCO

    1 – A Origem do “Pentateuco”.
    O Pentateuco é um grupo composto de cinco livros individuais, contudo, ao mesmo tempo, estão ligados entre si através de uma narrativa contínua e ininterrupta de uma história completa, que vai da criação até a morte de Moisés, mostrando-nos assim a sua unidade.
    Para os judeus, esses livros são chamados e conhecidos como “Torah” ou “Lei”. O nome Pentateuco vem da versão grega “Septuaginta” que remota do século III a. C.. A expressão vem de duas Palavras gregas: Penta, “cinco”, e teuchos, “instrumento, ferramenta”. O termo veio depois a simbolizar “um invólucro para rolos de papiro”, depois, os próprios rolos. Disto o seu sentido: “cinco volumes, cinco livros”.
    O Pentateuco, tem no Antigo Testamento vários nomes:

    * A lei (Js 8.34; Ed10.3; Ne 8.2,7,14; 10.34,36;12.44; 13.3; 2 Cr 14.4; 31.21).
    * O livro da Lei (
    Js 1.8; 8.34; 2 Cr 22.8; Ne8.3).
    * A lei do Senhor (
    Ed 7.10; 1 Cr16.40; 2 Cr 25.4).
    * A lei de Deus (
    Ne 10.28,29).
    * O livro da lei de Deus (
    Js 24.26; Ne8.18).
    * O livro da lei do Senhor (
    2 Cr 17.9; 34.14).
    * O livro da lei do Senhor, seu Deus (
    Ne 9.3).

    2 – Texto Original.
    Aquilo que temos hoje denominados de os cinco primeiros livros da Bíblia, para os judeus da antiguidade, era um conjunto que formava um só volume, denominado, como já foi dito, de “Lei” ou “Torah”. Porém, com o passar do tempo, o desejo de obter-se cópias manejáveis da Torah, lenvou os israelitas a dividirem a mesma em cinco rolos de tamanho quase igual. Contudo, apesar de dividido, estes livros permanecem conforme o texto original em seu conteúdo, mostrando assim a sua unidade.

    3 – O Pentateuco na Bíblia Hebraica.
    Os livros do Pentateuco, na Bíblia hebraica, receberam os seus nomes de acordo com sua primeira palavra ou frase nele existente. O primeiro chama-se “Bereshit” (no princípio); o segundo, “Shemót” (nomes); O terceiro “Vayikrá” (e ele chamou); o quarto, “Bamidbar” (no deserto); o quinto, “Devarim” (palavras).

    4 – Nome universal dos livros do Pentateuco.
    “Quando as Escrituras foram traduzidas para o grego, os tradutores deram um título a cada um dos livros, conforme a mensagem preponderante neles contidas. Ao primeiro livro, por tratar das origens de todas as coisas, deram o nome de “Gênesis” (palavra grega, que significa “origem”); ao segundo livro, cujo assunto principal é a saída do povo de Israel do Egito, denominaram de “Êxodo” (palavra grega que significa “saída”); ao terceiro livro, cujo principal tema são as regras a serem observadas pelos sacerdotes nos sacrifícios e demais ritos estabelecidos pela lei, denominaram “Levítico” (referente aos levitas); ao quarto livro, que tem seus pontos mais importantes referentes aos dois grandes recenseamentos feitos no povo de Israel por Moisés, denominaram de “Números” e ao quinto e último livro, que era uma repetição da lei por Moisés antes de sua morte, denominaram de “Deuteronômio” (palavra grega que significa “segunda lei” ou “a lei pela segunda vez”). Estes nomes da Septuaginta acabam se universalizando, até porque diziam respeito ao tema dos livros e eram nomes gregos, sendo o grego a língua mais difundida neste período da história, tendo, ademais, sido os títulos acolhidos pela versão latina das Escrituras, o que tornou estes nomes universalmente aceitos” (Caramuru Afonso).

    II – A AUTORIA DO PENTATEUCO.

    Há milhares de anos a opinião tanto dos judeus como dos cristãos, sempre foi unânime em afirmar que Moisés foi o autor, ou seja, o escritor do Pentateuco. Contudo, a partir do ano 1650, começaram a aparecer diversos críticos sugerindo que Moisés jamais escreveu-o. Estas primeiras dúvidas foram levantadas por homens como: Hobbes, Peyrerivs, Spinosa, Richard Simon, Le Clerc e outros. Vejamos agora que, tanto o testemunho interior (os livros canônicos) como exterior (os livros não canônicos) indicam que Moisés é o autor do Pentateuco:

    1 – Evidências no próprio Pentateuco.
    Em Êxodo 17.14 diz: “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro (inglês, “O livro”) e relata-o aos ouvidos de Josué: que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus”. Este texto mostra que Moisés foi escolhido pelo Senhor tanto a escrever a profecia divina, como também seu fundo histórico. Mais adiante vemos o seguinte relato: “E Moisés escreveu todas as palavras do Senhor…” (Êx24.4). Ver ainda (Êx 34.10-27). Em Números 33.1-2, vemos Moisés registrando todos os acampamentos durante toda viagem no deserto, desde o Egito até Moabe. Esta lista forma um argumento forte da literatura de Moisés e toda a história do Pentateuco, pois se ele registrou o próprio plano da viagem, descreveu sem dúvida, também, os acontecimentos em torno da viagem de um lugar para outro. Em Deuteronômio também narra quando Moisés escreveu a lei e deu-a aos sacerdotes(Dt 31.9,24,25). Ver(Dt 31.24-26), estes textos demonstram também que o Pentateuco atesta que Moisés foi seu escritor.
    Tanto em Levítico como em Número repete-se muitas vezes a frase: “Como o Senhor falou a Moisés e disse”.
    O livro de Deuteronômio inicia com a seguinte frase: “Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel…”(
    1.1).

    2 – Evidências em toda a Bíblia.
    Outros livros do Antigo Testamento nos mostra que o Pentateuco ou a Lei é uma obra de Moisés:

    * O livro da Lei de Moisés (Js 8.31; 23.6; 2 Rs 14.6; Ne8.1).
    * Livro de Moisés (
    Ed 6.18; Ne13.1; 2 Cr 25.4; 35.12).
    * A lei de Moisés, servo de Deus (
    Dn 9.11).
    * A lei de Moisés (
    1 Rs 2.3; 2 Rs21.8; 2 Cr 23.18; Dn9.13; Ne 4.4).

    Além destes textos, há ainda no Antigo Testamento outros textos que confirmam a autoria Mosaica do Pentateuco(Jz 3.4; 1 Rs8.54-56; 2 Cr 34.14).
    Os personagens bíblicos do Novo Testamento também consideram Moisés como o escritor do Pentateuco. O primeiro deles é o próprio Cristo que participa e considera o conceito geral entre os judeus, de que Moisés escreveu os cinco livros que têm o seu nome (ver
    Mt 19.8; Mc10.4,5. Comp. Também Mt 8.4; Mc1.44; 7.10; 12.26; Lc 5.14; 20.37;16.31; 24.27,44; Jo 5.46,47;7.19; etc). Os apóstolos e os outros escritores do Novo Testamento, mostraram a mesma convicção(At 3.22; 13.39;15.5-21,25; 26.22;28.23; Rm10.5,19; 1 Co 9.9; 2 Co3.15; Ap 15.3).
    Além das confirmações bíblicas temos também o testemunho do historiado Judeu Flávio Josefo, que viveu durante o primeiro século da era cristã e que também reconhece Moisés como sendo o escritor do Pentateuco.
    Reforçando também esta tese temos o testemunho de dois respeitados livros judaicos: O Talmude e a Mishná, que faz o comentário da Torá e a interpretação das leis rabínicas, estes também reconhecem como sendo o Pentateuco de autoria Mosaica, com exceção dos últimos versículos de Deuteronômio que é atribuído a Josué.


    III – A COMPLEXIDADE DO PENTATEUCO

    1 – O Pentateuco e a Crítica literária.
    A crítica do Pentateuco é algo que todo estudante do Antigo Testamento enfrenta, o que não é fácil, pois exige de cada um de nós paciência, fé, conhecimento e habilidade para saber pesar os prós e os contra e no final poder dar o valor real daquilo que é correto. A chamada Alto crítica ou Crítica literária durante séculos tem procurado colocar em dúvida a paternidade mosaica do Pentateuco, chegando a afirmar que os cinco primeiros livros do Antigo Testamento são uma compilação de documentos registrados, em sua maior parte, no período de Esdras (444 a. C.). Para esses críticos, o documento mais antigo que se encontra no Pentateuco data do tempo de Salomão. Insinuam ainda que o livro de Deuteronômio é uma “fraude piedosa” escrito pelos sacerdotes no reinado de Josias tendo como objetivo, promover um avivamento. Chegam inclusive a afirmar que o livro do Gênesis consiste em lendas nacionais de Israel. Contudo, é importante lembrarmos que o Antigo Testamento, especialmente o Pentateuco, foi revisado e compilado na forma como hoje o conhecemos, por Esdras, que era escriba(Ed 7.6), isto a Bíblia não nega. Inclusive, Esdras tinha como grande responsabilidade ensinar a Lei de Deus ao povo que havia saído do cativeiro babilônico. Porém isto não é motivo para negarmos a autoria mosaica do Pentateuco. Isto são afirmações que não merece o mínimo de credibilidade.

    2 – A produção dos textos bíblicos.
    A produção de cada versículo do Pentateuco, especialmente dos primeiros versículos do livro de Gênesis, foi passada diretamente de Deus ao homem, visto que, havia uma relação muito estreita entre os nossos primeiros pais e o criador. E isto foi passado para as raças descendentes, inclusive, era um costume que foi recomendado pelo próprio Deus(Gn 18.17-19; Êx13.14). Isto tornou-se possível principalmente por causa da longevidade dos homens da antiguidade. Por isso não foi difícil de uma transmissão verbal da revelação original de nossos primeiros pais até Moisés.
    Conforme já vimos, a arte da escrita é de uma época muito antiga. No tempo de Moisés foi comum uma forma alfabética de escrever, que, inclusive, foi provado nas descobertas da literatura religiosa em Ras Shamra (antiga Ugarit). O dialeto de Ugarit é “parente chegado” do hebraico, e Moisés pode ter escrito o Pentateuco no hebraico antigo. Talvez tenha sido essa a grande necessidade sentida por Esdras de compilar o Pentateuco, visto que, o hebraico antigo passou por uma grande reforma.

    3 – O processo da revelação divina.
    A Bíblia defende-se mostrando-nos que toda profecia é um processo de revelação e inspiração divina(2 Pe 1.21). Ao analisar-se o Pentateuco, percebe-se que suas leis e mandamentos não foi algo advindo do pensamento humano, mas, diretamente de Deus, em cuja origem destaca-se a figura de Moisés, o grande legislador, que, na formação do Pentateuco foi inspirado para esse tão importante trabalho. Podemos vê-lo como um instrumento de Deus no processo da revelação divina.

    IV – A IMPORTÂNCIA DO PENTATEUCO

    1 – Para os Judeus.
    “Entre os judeus, o Pentateuco é a parte de maior autoridade nas Escrituras, tanto que consideram que a Torah está acima dos demais escritos, preocupando-se em lê-las anualmente na íntegra, servindo os demais escritos, ainda que considerados divinamente inspirados, como complementação, explicação e ilustração do Pentateuco. Mesmo os saduceus, que negavam a existência de uma espiritualidade, reconheciam a autoridade divina do Pentateuco, ainda que somente do Pentateuco, mas isto revela que, mesmo um segmento religioso fortemente influenciado pelo materialismo, como eram os saduceus, não conseguiam, dentro do ambiente cultural hebraico, deixar de reconhecer a validade e a autoridade dos livros da Lei de Moisés” (Caramurú Afonso).

    2 – Para os Cristãos.
    O cristianismo sem o Pentateuco estaria desprovido de uma base sólida, pois é nele onde é revelado a história profética da redenção, e o redentor que virá através da descendência da mulher (Gn 3.15).
    “Uma leitura cristã do Pentateuco deve seguir antes de tudo a ordem dos relatos: O gênesis, depois de haver oposto às bondades de Deus Criador as infidelidades do homem pecador, mostra, nos Patriarcas, a recompensa concedida à fé; o Êxodo é o esboço de nossa redenção; Números representa o tempo de provação em que Deus instrui e castiga seus filhos, preparando a congregação dos eleitos. O Levítico poderá ser lido com mais proveito em conexão com os últimos capítulos de Ezequiel ou depois dos livros de Esdras e Neemias; o sacrifício único de Cristo tornou caduco o cerimonial do Antigo Templo, mas suas exigências de pureza e de santidade no serviço de Deus continuam sendo uma lição sempre válida. A leitura do Deuteronômio acompanhará bem a de Jeremias, o profeta de que ele está mais próximo pelo tempo e pelo espírito” (Bíblia de Jerusalém).
    O próprio autor do Cristianismo, ao ser tentado pelo diabo utilizou os textos do Pentateuco (Ver
    Mt 4.4-10; comparar com Dt6.13,16; 8.3; 10.20). Numa clara demonstração que não veio destruir a lei (Pentateuco), mas cumprir(Mt 5.17). Em certa ocasião, Jesus falou aos judeus quê Moisés escreveu a respeito d’Ele(Jo 5.46).

    3 – O Pentateuco na Bíblia.
    “A revelação do Pentateuco está, por fim, no fato de que tudo que se origina ali tem seu complemento e termino no Novo Testamento. A correlação entre o Gênesis e o Apocalipse é algo que tem admirado os estudiosos da Bíblia através dos séculos e uma comprovação inequívoca de que são estes os momentos inicial e terminal de toda a revelação divina para a humanidade. Daí porque podemos afirmar que toda a argumentação que foi criada contra a autenticidade do Pentateuco nada mais é que uma artimanha, uma cilada do inimigo de nossas almas para tentar desacreditar a Bíblia Sagrada, pois o adversário tem plena consciência que é no Pentateuco que está construído o alicerce de todas as Escrituras” (Caramurú Afonso).


    Conclusão

    O Pentateuco é uma dádiva divina a toda humanidade. Ele é o fundamento para todos os livros da Bíblia, inclusive os do Novo Testamento. Contém história, orientação moral e leis primordiais de Israel, sem as quais o povo, sua história, sua religião e sua existência não fazem sentido algum. O cristianismo também, sem o Pentateuco estaria desprovido de uma base sólida, porque o cristianismo nasceu dentro do judaismo.

    Colaboração: Roberto José da Silva (Autor) e José Roberto da Silva (Aux)

    Bibliografia:
    Comentário de Caramurú Afonso; Revista Ensinador Cristão, CPAD;
    A Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas; O Pentateuco, VIDA; Intro-
    dução ao Velho Testamento, JUERP; Síntese bíblica do Velho Testa
    mento, CPAD; Revista da Bíblia, IBB; Bíblia de Estudo Almeida, SBB
    Bíblia de Estudo Genebra, Editora Cultura Cristã

  • Lição 12 – Autoridade das Armas Espirituais

    Lição 12 – Autoridade das Armas Espirituais

    armadura de Deus

    Efésios 6:11

    Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.

    É imprescindível a necessidade que o cristão tem de vestir-se com a armadura de Deus, na batalha contra o mal.

    Nesta lição abordaremos a realidade da existência do mundo espiritual mais especificamente os espíritos maus os demônios. Essa doutrina, apesar de ser posta de lado por muitos estudiosos modernos, nos países mais civilizados, tem sido comprovada por vários estudos no campo da parapsicologia e em manifestações desses espíritos nas igrejas, que mostram a existência de forças estranhas e poderosas, de natureza negativa, e que operam no mundo. Aqueles que rejeitam tais ideias, mui provavelmente o fazem por terem um ponto de vista limitado sobre a formação do universo, supondo inutilmente que o homem, em sua mente pervertida, pode explicar quaisquer fenômenos que de outro modo são classificados como demonismo. Todavia, vários fenômenos ultrapassam em muito a essa maneira de ver as coisas, e males de tipo grotesco e poderoso realmente existem, inteiramente à parte da própria mente humana pervertida, a qual, segundo estamos prontos por admitir, já é bastante maldosa.

    O dualismo no mundo espiritual é ideia antiquíssima, alicerçada na experiência humana, que não pode ser abafada pela psicologia moderna, embora seja verdade que esse estudo tem aberto para nós a caverna proibida da mente humana, demostrando que muitos demônios, por muitas vezes, ali habitam. A tentativa de modernização do texto presente, como se Paulo estivesse querendo falar apenas sobre as forças em oposição do bem e do mal, sob o simbolismo de espíritos bons e espíritos maus, furta essa advertência de seu sentido óbvio.

    O simbolismo envolve guerra; mas essa guerra ultrapassa em muito aos limites da mente humana, porquanto penetra até mesmo nos lugares celestiais, habitação dos espíritos bons e maus. O próprio homem é um ser espiritual, existindo outros seres de menor poder, como também de poder mais alto, até mesmo de poderes elevadíssimos. E alguns usam seu poder para o bem, mas outros dentre eles fazem-no para o mal.

    Nosso propósito é de conferir algumas exortações para nossa vida cristã, que é definida como uma guerra espiritual. Esta lição servirá  para sumariar a vida piedosa e prática, em vista das grandes bênçãos espirituais e eternas que nos pertencem por intermédio de Cristo. Ef 1:3 -23.

    Em nossa vida cristã, somos forçados a tomar sobre nós os poderes e as virtudes cristãs para a batalha, que é intensa e cheia de perigos. Nas primeiras epístolas de Paulo, parte desse pensamento como é apresentado (ver I Ts 5:8-9 e Rm 13:12); mas aqui ele é  completamente desenvolvido.

    Ao escrever a presente epístola, Paulo se encontrava em meio à tempestade que se armava, a fim de intensificar a batalha entre o bem e o mal. Ele via que o firmamento se enegrecia, e já podia ouvir o choque de exércitos hostis, ante a aproximação do exército do mal. Não estamos em tempo de descanso, de lassitude, de preguiça. Por isso é que a Palavra de Deus nos conclama às armas espirituais. Pois armas espirituais comuns não bastam. Somente os crentes supridos de armas pelo General celeste podem dar-se bem e serem vitoriosos nessa luta e nenhuma peça da armadura nos foi dada para proteger as costas. Portanto, o inimigo precisa ser enfrentado de frente, sendo derrotado por um esforço e por uma resolução firmes.

    Paulo queria que soubéssemos que a vitória sobre o pecado não é coisa pequena. E também não devemos imaginar que é a derrota provocada pelas más influências que podem destruir nossa experiência cristã. Para tanto, é mister o pleno desenvolvimento dos poderes espirituais e da vigilância; e aqueles que negligenciam sobre esses pontos não demorarão a cair vítimas do pecado e suas horrendas consequências. Toda a experiência cristã serve de comprovação disso. E é assim que aprendemos quão intensa e séria é a vida. O homem se desviou para longe de Deus, e somente o poder do próprio Deus pode trazê-lo de volta com sucesso, ao seu legítimo lar celestial, às suas possessões eternas, dentro das quais participará da própria natureza de Cristo.

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  • Lição 11 – Autoridade do Cristão

    Lição 11 – Autoridade do Cristão

    Batalha_Espiritual

    A partir do momento em que o cristão entrega sua vida a Jesus, ele passa a ser uma nova criatura, e ele também se torna cooperador de Deus e recebe autoridade do Alto para cumprir a missão de proclamar o Evangelho, conforme vemos quando ele envia os discípulos e depois envia mais setenta.

    Lucas 9 1:6 – E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos. E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. E em qualquer casa em que entrardes, ficai ali, e de lá saireis. E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles. E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho, e fazendo curas por toda a parte.

    Lucas 10:1-20- E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa. E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus. Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós .E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade. Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida. Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou. E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.

    Outra passagem que demostra a autoridade do cristão  é o texto de  Apocalipse 1:6 -“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a Ele glória e poder, para todo o sempre! Amém”

    É meu amado irmão para podermos desempenhar esta Missão, Deus equipou-nos com Poder (Dinamus) e Autoridade (Exusios)

    Toda autoridade do cristão está fundamentada no nome de Jesus.

    1- Guerra Espiritual

    Também é conhecida como “batalha espiritual”. O que muitos estão chamando de guerra espiritual é um logro do inimigo, e não a verdadeira guerra ou luta espiritual de que fala Paulo em Efésios 6.10-18, e muitas outras passagens correlatas da Bíblia.

    De nada adianta o uso de uniformes especiais, palavras de ordem (como “queimar” ou “pisar” Satanás e seus demônios), certos cânticos repetidos indefinidamente, jejuns encomendados, locais especiais de reuniões (como orar em montes etc), convidados especiais para falar, barulho ensurdecedor e gritos estridentes, se não estivermos biblicamente em Cristo, segundo a Palavra de Deus, e no poder do Espírito Santo (Jo 15.7).

    Quanto aos demônios, o que os inovadores da doutrina estão a fazer é:

    a) Impor as mãos sobre os endemoninhados (!?!)

    b) Chamar endemoninhados à frente (!?!)

    c) Dialogar com demônios em público (!?!)

    O demônio pode até sair, mas volta; ou entra noutra pessoa, ou ainda entra em muitas outras pessoas.

    Qual a razão desses inovadores quererem dialogar com demônios? Para ouvirem confissões tétricas de demônios (ou supostos demônios). Isso equivale a divulgar os demônios, e é isso o que eles querem.

    Jesus mandou-nos chamar os pecadores e expulsar os demônios. Hoje estamos vendo certos pregadores chamando os demônios e expulsando os pecadores. Sim, porque estes saem das reuniões confusos, sem saber se estavam num culto legítimo ao Senhor ou numa sessão espírita.

    A chamada guerra espiritual, como está no momento caracterizada, é uma falsa operação divina. Há libertação de demônios, profecias e milagres falsos.

    Sobre falsas profecias, o Mestre já nos advertiu. Em Mateus 7.22-23, encontramos Jesus fazendo referência a pessoas que não serão aceitas pelo Senhor apesar de colocarem: “Não profetizamos nós em teu nome?” Isso também tem a ver com falsos pregadores. Sobre falsa libertação de demônios, no mesmo texto encontramos: “E em teu nome não expulsamos demônios?” A resposta do Senhor foi a mesma (Mt 7.23). O evangelista deve atentar para isso. Sobre falsos milagres, no mesma porção bíblica temos: “E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” A resposta foi idêntica (Mt 7.23). Sobre isso podemos também ver 2 Tessalonicenses 2.9-11 e Apocalipse 13.13-14.

    Vida cristã não é colônia de férias, mas campo de batalha. Quem não é um guerreiro é uma vítima. Nesta luta ninguém pode ficar neutro. Trata-se de uma guerra espiritual.

    Quanto a essa matéria há dois perigos, dois extremos, ambos nocivos à vida da igreja:

    a. SUBESTIMAR O INIMIGO. Hoje, muitas pessoas incautas negam a existência do diabo, desconhecem seu poder, suas armas, seus agentes e suas estratégias. Acham que o diabo é apenas uma energia negativa que está dentro do próprio homem ou um ser mítíco que apenas existe na mente fraca daqueles que não alcançaram a plena luz da razão.

    b. SUPERESTIMAR O INIMIGO. Há aqueles que falam mais do diabo do que de Deus. Falam tanto do seu poder, de suas armas e estratégias, que subestimam o poder de Deus.

    1. CONTRA QUEM É NOSSA LUTA

    1.1. Quem não é o inimigo

    Em primeiro lugar precisamos entender contra quem não é a nossa luta. “A nossa luta não é contra a carne ou sangue” (Ef 6.12), ou seja, a nossa luta não é contra pessoas. Muitas vezes o povo de Deus sofre terrivelmente por não entender contra quem está lutando. É um grande perigo alguém detonar suas armas sem ter um alvo certo. Há muitos crentes que estão entrando na batalha, mas estão ferindo os próprios irmãos.

    1.2. Quem é o inimigo

    Em segundo lugar, precisamos saber contra quem é a nossa luta. Em Efésios 6.11 Paulo diz precisamos estar firmes contra as ciladas do diabo. Ele é o nosso inimigo. Contra ele é que devemos lutar. A Bíblia atribui diversos nomes a esse terrível ser totalmente corrompido e mau: Satanás, diabo, Abadom, Apoliom, antiga serpente, dragão, assassino, pai da mentira, tentador, maligno, acusador, adversário, deus deste século, príncipe da potestade do ar, Belzebu, demônio, espírito imundo etc. Contudo, esse anjo caído, já foi vencido e despojado por Cristo (Cl 2.12-15) e não tem poder para destruir aqueles que estão em Deus (1 Jo 5.18).

    2. AS ESTRATÉGIAS DO DIABO

    Efésios 6.11 nos fala que o diabo usa ciladas. Aqui precisamos entender algo muito importante: o diabo não precisa usar cilada para quem já é dele. Vamos ilustrar. Há um quadro muito conhecido que circula no meio evangélico como ornamento de templos, casas, chamado OS DOIS CAMINHOS. Esse quadro retrata a realidade do céu e do inferno. O caminho largo que conduz ao inferno e o caminho estreito que leva ao céu. Mas, esse quadro, também apresenta uma heresia: ele mostra um grupo de pessoas que está antes dos dois caminhos, ou seja, um grupo que não está nem no caminho largo nem no estreito, como se fosse possível ficar neutro ou à parte desses dois caminhos. Isso não é possível.

    Você está no caminho estreito ou no caminho largo. Você está indo para o céu, ou para o inferno. Não há meio-termo.

    Quem não está debaixo do senhorio de Cristo, está vivendo sob a potestade de Satanás. É isso que Paulo diz em Atos 26.18, pois, converter-se é uma pessoa sair debaixo da potestade de Satanás para sujeitar-se a Deus. O apóstolo ensina o mesmo em Colossenses 1.13, quando afirma que a nossa salvação é como ser transportado do império das trevas para o Reino da luz. Ninguém está equidistante desses dois caminhos.

     

     

  • Lição 10 – Autoridade dos Dons do Espírito

    Lição 10 – Autoridade dos Dons do Espírito

    Espírito Santo

    Por: Pr. Altair Germano

    “Os Dons Espirituais” (que trata dos Dons de Manifestação do Espírito, assim classificados teologicamente), está muito rica em informações conceituais, históricas e descritivas. Desta forma, optei (mais uma vez) por uma abordagem exclusivamente prática sobre o assunto.

    Conforme podemos entender pela Palavra de Deus:

    1. É o Espírito Santo quem realiza as manifestações sobrenaturais dos dons (1 Co 12.11a). Os dons não podem ser “usados” quando bem queremos. É Deus, por seu Espírito, que nos usa, e isto quando bem quer. Há muitos que tentam usar a Deus. Fico surpreso quando pregadores e ensinadores cristãos “mandam” que os seus ouvintes falem em línguas. Falamos em línguas quando queremos, ou nos é concedido falar pelo Espírito (1 Co 12.7)? Certa vez um irmão me falou que tinha recebido o dom de línguas. Para comprovar o fato me disse: “recebi sim o dom de línguas, olha aqui…” e começou a falar em línguas (um negócio realmente muito estranho). Numa igreja batista em J. Pessoa-PB, apareceu uma certa irmã tentando dar aulas de como falar em novas línguas. Tem até um padre na internet que ensina a falar em língua. Demos aqui o exemplo do dom de línguas, mas nenhum outro pode ser manipulado por quem quer que seja. Pode-se manipular pessoas, mas não os verdadeiros dons espirituais aqui tratados, que manifestam-se eventualmente, inesperadamente e imprevisivelmente;

    2. A concessão dos dons espirituais não está fundamentada nos méritos humanos (1 Co 12.11b, 18). É o Espírito que distribui os dons, a cada um, como bem quer (soberanamente). Cargos e funções na igreja podem ser concedidos pelos líderes por amizade, paternalismo, politicagem, interesses pessoais etc., mas o Espírito não age assim. Ele é santo e reto. Não se barganha com o Espírito, nem ninguém pode comprá-lo;

    3. Os dons espirituais não nos tornam melhores do que ninguém (1 Co 12.10-27). O dons espirituais não são um atestado de boa conduta, nem transforma o caráter cristão. Apesar da manifestação dos dons na igreja de Corinto, uma série de problemas de ordem moral, familiar, eclesial etc. lá aconteciam. Os portadores dos dons espirituais não são crentes de primeira classe, nem devem se vangloriar pelos dons, pois são concedidos para a edificação pessoal e da igreja (1 Co 14.4) mediante a graça e a misericórdia de Jesus;

    4. O dom de línguas (assim como os demais) não é concedido pelo Espírito a todos (1 Co 12.30). Resolvi enfatizar a concessão do dom de línguas, pela importância extremada que ele recebeu no meio pentecostal assembleiano. Temos pelo menos três maneiras de entender o que Paulo quiz dizer com: “Falam todos em outras linguas?”. A primeira, é afirmar que nem todos poderão ser batizados com o Espírito Santo e por isso não falarão em outras línguas. A segunda, é dizer que as pessoas que falaram em línguas por ocasião do batismo e não mais voltaram a falar, negligenciaram o dom (é a forma mais comum de interpretar o fato). A terceira, entende que todos poderão ser batizados com o Espírito Santo, evidenciando-se tal batismo pela manifestação de línguas (At 2.1-13, 37-39; 8.14-19; 10.44-48). Neste caso, muitos só falaram (ou falarão) em línguas por ocasião do batismo, mas por não terem simultaneamente ou posteriormente recebido o dom de “variedade de línguas”, nunca mais falarão. Particularmente, prefiro essa terceira hipótese por entender que se alinha melhor ao contexto da concessão dos dons.

    5. O dom de profecia é mais útil e superior ao dom de línguas (1 Co 14.1-5). Deixemos que o próprio texto bíblico no fale: “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando. O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.” É triste e lamentável ver na igreja irmãos serem tidos por “menos” espirituais por não falarem em línguas, ou não falarem em público. Haja ignorância e desconhecimento dos ensinamentos bíblicos! Por outro lado, há milhares de crentes que falam em línguas, ou manifestam algum outro dom do Espírito, que tratam mal a mulher e os filhos, são arrogantes, caloteiros, invejosos, maldizentes, com terríveis falhas de caráter e etc. Parecem ser espirituais, mais é somente “fachada”. Não se espante. Saul, mesmo reprovado por Deus ainda profetizou (1 Sm 15.22-28; 19.20-24). Muitos que aparentam ter algum nível de espiritualidade, não são, nem serão conhecidos do Senhor (Mt 7.22-23);

    6. O batismo com o Espírito Santo não é prerrogativa para se receber todos os dons espirituais (1 Co 1.1-7). A não ser no caso do dom de variedade de línguas (por questões lógicas e óbvias da Teologia Pentecostal), os demais dons de manifestação do Espírito não necessitam do batismo com o Espírito Santo para atuarem na vida do crente salvo (alguns afirmam que para interpretar as línguas é necessário ser batizado com o Espírito Santo). Na vida de milhares de servos de Deus os dons de manifestação do Espírito estão presentes por se crer em sua atualidade, sem que todos estes sejam batizado com o Espírito Santo. O próprio comentarista da lição bíblica, pastor Antonio Gilberto, consultor doutrinário e teológico, afirma que Daniel tinha o dom da palavra da sabedoria (Dn 1.17; 5.11, 12; 10.1), em Eliseu operava o dom da palavra da ciência (2 Rs 5.25, 26) e em Aías (1 Rs 14.1-8), Moisés, Elias, Eliseu e inúmeros outros servos de Deus tinham o dom de operação de maravilhas (Jo 6; At 8.6, 13; 19.11; Js 10.12-14). Eram Moisés, Daniel, Elias, e Eliseu batizados com o Espírito Santo, para que estes fenômenos através de suas vidas se manifestassem? Certamente você conhece irmãos e irmãs, servos e servas de Deus (das mais variadas igrejas, inclusive tradicionais) que manifestam em suas vidas alguns dos dons de manifestação do Espírito, sem serem batizados com o Espírito Santo (revestimento de poder evidenciado pelo falar em outras línguas).

    Nenhuma tradição, credo ou teologia está acima da verdade revelada nas Santas Escrituras. Nenhum ensino doutrinário e teológico dever ser recebido passivamente, sem a devida análise e investigação (At 17.11).

    Nenhuma denominão evangélica é detentora dos direitos e privilégios exclusivos da manifestação do Espírito (1 Co 12.4-6).

    Nenhum crente salvo deve se privar destas bençãos e de ser uma benção, antes, deve buscar com zelo os melhores dons (1 Co 13.31 e 14.1).

    Fonte: Blog do Pr. Altair Germano

  • Lição 9 – Autoridade do Fruto do Espírito

    Lição 9 – Autoridade do Fruto do Espírito

    Fruto do espirito

    INTRODUÇÃO

    A Bíblia chama de “fruto do Espírito Santo” ao conjunto de ações que fazem o homem que aceita Cristo como seu Senhor e Salvador diferente dos que não tomaram esta decisão.

    A salvação é um processo que traz o homem à comunhão com Deus, pois retira o pecado do homem, que era o que fazia separação entre ele e Deus (Is.59:2). Este processo é uma verdadeira transformação, que muda o homem completamente, atingindo o homem como um todo: corpo, alma e espírito. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(II Co.5:17).

    A transformação radical que alcança uma pessoa que é salva foi bem ilustrada pelo Senhor Jesus, que afirmou que quem nEle crer passa da morte para a vida (Jo.5:24), das trevas para a luz (Jo.3:21). Assim sendo, a salvação, necessariamente, vem acompanhada de uma mudança de atitudes, de uma mudança de hábitos, de uma mudança de práticas. O homem que alcança a salvação passa a ter um novo conjunto de qualidades, um novo conjunto de atitudes, “não anda mais segunda a carne, mas, segundo e Espírito”(Rm 8:1).Este novo conjunto de ações, que estão de acordo com a vontade de Deus, é o que o apóstolo Paulo denominou de “o fruto do Espírito” (Gl.5:22) e que será o assunto de todo este trimestre.

    CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

    Sabemos que cada ser humano é diferente do outro, que não existe um indivíduo idêntico a outro, porque Deus não produz homens em série, como costumamos ver nas indústrias, mas, sim, dentro de seu supremo poder, cria cada homem individualmente. Esta individualidade do homem, conhecida como personalidade, deve ser dividida, basicamente, em dois elementos básicos: o temperamento e o caráter. O caráter define uma forma definida de conduta, que não é inata, mas constituída pela história de vida de cada sujeito, considerando a condição social, ambiente familiar, educação e todos os aspectos importantes para a construção das características de cada um. O caráter é influenciado pelo ambiente. O caráter é construído ao decorrer da vida do indivíduo e pode ser modificado. O temperamento define atitudes e atividades espontâneas, sendo inato. As influências do temperamento dos seres humanos são do sistema nervoso, composição bioquímica, hereditariedade. Estas características definem o temperamento como algo imutável, embora possa ser controlado e dominado.

    As pessoas quando aceitam a Cristo, não deixam de ser indivíduos, não perdem a sua individualidade: o caráter muda, mas não o temperamento, que passa a ser controlado pelo Espírito Santo.

    I – O PRINCÍPIO DO FRUTO DO ESPÍRITO

    Sabemos que, para nos ensinar as realidades espirituais, que só podem ser discernidas espiritualmente (I Co.2:12-15), Deus, através da sua Palavra, usou de figuras naturais, de realidades terrestres, a fim de que nossa mente pudesse bem entender a sua revelação (Jo.3:12).Uma destas figuras foi a do fruto, conceito que foi amplamente utilizado nas Escrituras Sagradas e que é o objeto de nossa lição presente, pois se trata da base do conceito de ” fruto do Espírito Santo”. A primeira vez que a palavra “fruto” é utilizada na Bíblia foi em Gn.1:11, na narrativa da criação dos vegetais terrestres, no terceiro dia da criação. Naquela oportunidade, Deus mandou que surgissem na terra ervas verdes que dessem semente, como também árvores frutíferas que dessem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra.

    Podemos dizer que Fruto é o órgão dos vegetais cuja função é fornecer nutrição para as sementes, que são resultado da fecundação das células reprodutoras dos vegetais.

    Lições espirituais do conceito de fruto:

    Em primeiro lugar, o fruto forma-se após a fecundação – ou seja, o fruto é resultante da transformação do ovário da flor. Em termos espirituais, a fecundação, ou geração, ocorre no momento do novo nascimento. Somente poderemos falar em fruto do Espírito Santo se tiver havido o novo nascimento. O Novo Nascimento significa uma mudança completa, total, absoluta –“…se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(2 Co 5:17). No exato momento da Conversão o “velho homem” é transformado num “novo homem”. O homem carnal, ou natural, é transformado num homem espiritual, e de forma simultânea, recebe a Regeneração, ou seja, é gerado de novo; a Justificação, pela qual é declarado como se nunca tivesse pecado; é galardoado com a Adoção, tornando-se filho de Deus, recebendo, ainda, a Santificação. Este processo denomina-se Salvação. É por isso que Jesus dá tanto valor à frutificação, porque ela é uma demonstração de que houve o novo nascimento, que lhe antecede necessariamente.

    Em segundo lugar, o fruto é uma estrutura que tem a finalidade de guardar(proteger) a semente até que ela tenha condições de se desenvolver dando origem a um novo ser –Espiritualmente falando, como o fruto guarda a semente para que ela possa se tornar uma nova planta, da mesma maneira o fruto doEspírito Santo permite que o crente possa crescer espiritualmente, pois os hábitos e qualidades que irá ter, a partir de então, são instrumentos para a contínua aproximação do crente a Deus, fazendo-o refletir, cada vez mais, a glória do Senhor (II Co.3:17,18). Não é, aliás, por outro motivo que nosso Senhor afirmou que, através das nossas boas obras, os homens glorificam a Deus (Mt.5:16).

    Em terceiro lugar, o fruto tem uma função de nutrição, ou seja, o fruto foi feito para alimentar não só a semente, que é um novo ser em desenvolvimento, como também os outros seres, entre os quais o homem, como Deus deixou bem claro na parte final da criação (Gn.1:29,30). Espiritualmente falando, o fruto do Espírito Santo em nossas vidas tem esta função de proporcionar alimento espiritual para a humanidade. É através do fruto do Espírito por nós produzido que o mundo poderá reconhecer Jesus, o pão da vida (Jo.6:35,48), que é o único alimento que pode sustentar o homem espiritual. Por este motivo, Jesus disse que nos escolheu, para que tenhamos fruto e um fruto permanente (Jo.15:16).

    Em quarto lugar, o fruto é uma demonstração de que existe vida depois da fecundação – O fato de ter surgido um novo ser, que está na semente, não significa que a planta-mãe tenha morrido, mas, bem ao contrário, porque ela está viva, o ovário da flor transforma-se em fruto, para guardar e alimentar a semente até que ela tenha condições de germinar.Espiritualmente falando, a frutificação do crente é, também, a demonstração de que nele há vida, de que ele está vivo, de que ele está em comunhão com o Senhor. Jesus deixou-nos bem claro que Ele é a vida (Jo.1:4;11:25) e que, se não estivermos em comunhão com Ele, não poderemos dar fruto (Jo.15:2-6).

    Em quinto lugar, o fruto tem como centro a semente, ou seja, existe em função da semente, para guardá-la e alimentá-la, até que ela tenha condições de germinar e dar origem a um novo ser.Espiritualmente falando,o fruto do Espírito Santo tem como centro a Palavra de Deus (a semente também simboliza a Palavra do Senhor, como vemos em Mc.4:14). Todas as ações e atitudes que caracterizam o fruto do Espírito estão em plena consonância com as Escrituras, são o cumprimento da Bíblia Sagrada na vida de cada crente. Não é possível que alguém produza o fruto do Espírito e não seja um cumpridor da Palavra de Deus, pois o fruto existe em função da semente.

    Em sexto lugar, o fruto é o resultado de uma transformação. O ovário da flor transforma-se em fruto.Espiritualmente falando, o fruto do Espírito Santo é conseqüência de uma transformação, que é a salvação do homem que aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador. O fruto do Espírito Santo não é o resultado de uma reforma, de uma deformação, nem de uma formação, mas é produto de uma transformação, de um novo nascimento, nascimento da água e do Espírito.

    II – A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO

    1) Vida Frutífera – Quando o crente não se submete em tudo ao controle do Espírito Santo, ele não consegue resistir e neutralizar os desejos da natureza pecaminosa. Mas quando o Espírito tem esse controle, o crente torna-se igual um solo fértil para o Espírito produzir o seu bendito fruto descrito no versículo 22(vide item “a”). Somente pelo poder do Espírito o crente consegue sempre vencer os desejos, a cobiça e as inclinações da carne e viver uma vida frutífera. Um aspecto importante que observamos na botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico, é o resultado de todo um ciclo vital. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. O fruto, como se vê, portanto, é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do fruto do Espírito Santo. Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação deste fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que vamos, demos fruto e o nosso fruto permaneça (Jo.15:16).

    Somos de Cristo para que demos frutos para Deus(Rm 7:4). Quem não dá fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele(Jo 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha(Lc 13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor(Mt 21:18-22;Mc 11:12-14). Aliás, é esta a única oportunidade do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do seu povo. Para agradar a Deus em tudo é indispensável que frutifiquemos em toda a boa obra(Cl 1:10).

    a) Segredo da batalha espiritual – Para o cristão ser vencedor nesta batalha espiritual, o segredo éandar no Espírito –“Andais em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne”(Gl 5:16) – “Mas se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”(Rm 8:13). Não se trata, pois, da extinção da “carne” na vida do crente, mas da sua mortificação; de torna-la inoperante, inativa, sem ação, sem capacidade de agir, crucificada juntamente com as suas paixões, como está escrito em Gl 5:24. Somente em Cristo e mediante o “andar no Espírito”o crente vive vitoriosamente quanto às obras da carne, descritas como estão em Gl 5:24(vide item b), e daí viver uma vida cristã abundante e frutífera. Mas, como se dá isso na vida do crente? Ouvindo a voz do Espírito atentamente; seguindo-O inseparavelmente; Obedecendo às suas ordens; Não O entristecendo com rebeldia, mundanismo, irreverência e descaso com as coisas do Senhor; Confiando nEle continuamente.

    b) Fruto e Obras – O apóstolo Paulo põe o paradoxo das possibilidades de vida em duas expressões: o cristão na deve produzir as obras da carne, mas, o fruto do Espírito Santo.

    Ao colocar as manifestações da carne no plural, o escritor bíblico quis deixar claro que elas são múltiplas. Além disso, ele termina a frase, acrescentando um “e coisas semelhantes a estas”, o que mostra a amplitude das possibilidades no erro, diante das quais devemos estar vigilantes. A lista não poderia mesmo ser limitada porque a criatividade humana é ilimitada.

    Quando o apóstolo passa a recomendar como o cristão deve viver, ele usa a expressão “fruto do Espírito” no singular. Cada arvore só dá um tipo de fruto, segundo a sua espécie. Esta ênfase paulina indica que essas virtudes não são para ser escolhidas no balcão do Espírito Santo, mas que devem compor a bagagem de todo cristão.A árvore de quem vive no Espírito Santo deve dar este fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. É um fruto só. Observe que Paulo não coloca um “e” na última parte do fruto, o que vem a reforçar a unidade deste fruto.

    Gl 5.19-23 “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.”

    Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que estes versículos.

    OBRAS DA CARNE –“Carne”, é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal(Leia Rm 8:6-8, 13; Gl 5:17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus(Gl 5:21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e modificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo(ver Rm 8:4-14).

    1) “Prostituição” – significa imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de filmes ou publicações pornográficas(cf Mt 5:32; 19:9, At 15:20,29; 21:25; 1Co 5:1).

    2) “Impureza” – significa pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração(Ef 5:3; Gl 3:6).

    3) “Lascívia” – significa sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e decência(2 Co 12:21).

    4) “Idolatria” – significa adorar espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra(Cl 3:5).

    5) “Feitiçarias” – significa praticar o espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria(Ex 7:11,22; 8:18; Ap 9:21; 18:23).

    6) “Inimizades” – significa intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.

    7) “Porfias” – significa brigas, oposição, luta por superioridade(Rm 1:29; 1Co 1:11; 3:3).

    8) “Emulações” – significa ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros(Rm 13:13; 1Co 3:3).

    9) “Iras” – significa ira ou fúria explosiva que brota através de palavras e ações violentas( Cl 3:8).

    10) “Pelejas” – significa ambição egoísta e a cobiça do poder(2Co 12:20; Fp 1:16,17).

    11) “Dissensões” –significa grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da Igreja (Rm 16:17).

    12) “Heresias” – significa introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (1Co 11:19).

    13) “Invejas” – significa antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos.

    14) “ Homicídios” – significa matar o próximo por perversidade.

    15) “Bebedices” – significa descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.

    16) “ Glutonarias” – significa diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.

    As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, isto é, não terá salvação(5:21; ver 1Co 6:9,10).

    FRUTO DO ESPÍRITO – Os dons representam a capacidade ou poder no crente, e o fruto é a representação do caráter: os dois se completam. O fruto do Espírito Santo é um só, mas se manifesta em cada vida, de nove formas diferentes. Imagine uma laranja com nove gomos- o Fruto do Espírito Santo é um só(uma laranja), como nove qualidades(gomos).

    Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver integro e honesto que a Bíblia chama “O Fruto do Espírito”. Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele(o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus(ver Rm 8:5-14).

    1) “Caridade”(gr. Ágape) – significa o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada quer em troca(1Co 13).

    2) “Gozo” – significa a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo(2Co 12:9).

    3) “Paz” – significa a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial(1Ts 5:23).

    4) “Longanimidade” – significa perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero(Ef 4:2).

    5) “Benignidade” – significa não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor(Ef 4:32).

    6) “Bondade” – <significa zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade(veja a história da mulher pecadora – Lc 7:37-50) ou na presença e na correção do mal(Mt 21:12,13 – quando Jesus expulsou os vendedores do Templo).

    7) “Fé” – significa lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidelidade e honestidade(Tt 2:10; 1Tm 6:12; 2Tm 2:2).

    8) “Mansidão” – significa moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com equidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso(1Pe 3:15; para a mansidão de Jesus, confira Mt 11:29 com 23 e Mc 3:5; para a de Paulo, confira 2Co 10:1 com 10:4-6; Gl 1:9; a de Moisés, confira Nm 12:3 com Ex 32:19,20).

    9) “Temperança” – significa o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza(Tt 1:8; 2:5).

    O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.

    c) Fruto conforme a espécie – Não é apenas na sua função que o fruto nos traz preciosas lições espirituais. Também na sua estrutura, o fruto apresenta-se como uma figura das mais eloqüentes das ilustrações bíblicas das realidades eternas. A botânica ensina-nos que o fruto possui uma cobertura, denominada pericarpo, constituída por três camadas. Esta cobertura pode ser seca e fina, o que faz com que o fruto seja seco (o que ocorre com o trigo, a noz, a avelã e a semente de girassol), como também pode ser suculenta, o que faz com que o fruto seja carnoso. São muitas as variedades de frutos carnosos: as bagas (tomate, uva), as drupas (pêssego, ameixa, azeitona) e os pomos (pêra, maçã, marmelo). Espiritualmente falando, temos que o fruto do Espírito Santo tem a mesma natureza da sua cobertura, ou seja, o fruto é de acordo com a sua espécie. O Espírito Santo somente produz fruto digno de arrependimento, fruto consonante com a sua natureza, com as qualidades evidenciadas em Gl.5:22. Já se a cobertura do fruto não for o Espírito Santo, não adianta querer enganar os homens, pois se saberá, claramente, através da qualidade, que o fruto não é o do Espírito, mas, sim, teremos evidentes frutos pecaminosos e ruins.

    2) Maturidade e equilíbrio cristãos – A Palavra de Deus fala claramente da recompensa que o crente tem ao dar liberdade ao Espírito Santo para que produza as características de Cristo no seu interior. Em 2Pedro 1, a Bíblia nos fala da necessidade de o crente desenvolver as dimensões espirituais da sua nova vida em Cristo. Com este desenvolvimento vem a maturidade, a firmeza e a perseverança, que permitem ao crente viver vitoriosamente no tocante à velha e pecaminosa natureza adâmica – “ Porque fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”(2Pe 1:10,11).

    III – A SINGULARIDADE DO CARATER CRISTÃO

    1) A pessoa é identificada pelo seu fruto – O Caráter é o traço distintivo de uma pessoa; é a sua marca. Por mais que seja melhorada pelos processos educacionais e éticos, ele será a marca distintiva da natureza do homem.

    Do ponto de vista humano, Nicodemos era um homem de bom caráter, um homem de bem. Contudo, do ponto de vista de Jesus, como homem natural, ele não estava habilitado a produzir bons frutos. Ele continuava sendo um “espinheiro”. Para produzir “uvas”, precisava de uma mudança em sua natureza. Esta mudança só é possível através do Novo Nascimento. Depois disto, então, o homem poderá produzir “frutos bons”.

    É preciso mudar a natureza do fruto, e, não apenas a sua qualidade – “… toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons”(Mt 7:17-18). O Senhor Jesus afirmou que “ O que é nascido da carne é carne…”(Jo 3:6). Nesta condição só poderá produzir “…as obras da carne…”(Gl 5:19). Nele terá que ser formado “… o Fruto do Espírito…”(Gl 5:22). Assim, segundo Jesus, é pela qualidade dos frutos produzidos que se conhece a árvore: “Por seus frutos os conhecereis…”(Mt 7:6).

    Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto…”, segundo afirmou Jesus.

    2) Os sinais contestados – O crente tem um comportamento, uma conduta diferente dos demais homens, porque tem uma natureza diferente, é de uma espécie diferente. Enquanto o crente é filho de Deus, o ímpio é filho do diabo (Jo.8:44); enquanto o crente é luz, o ímpio é treva; enquanto o crente tem vida, o ímpio está morto. Portanto, não pode, mesmo, haver comunhão entre o crente e o descrente. Assim, não podemos admitir o discurso de que o crente deve assumir a forma do descrente, até para “ter maior facilidade na evangelização”. Não temos, em absoluto, que tomar a forma do mundo. A Bíblia diz que não devemos nos conformar com o mundo (Rm.12:2), mas buscar transformá-lo.

    Não devemos nos impressionar com a aparência, mas, sim, com a reta justiça (Jo.7:24). Devemos analisar as pessoas pelos frutos que produzem, ou seja, devemos verificar quais são as suas atitudes, qual é o seu caráter, não simplesmente o que está aparecendo em torno delas. Não nos preocupemos com os sinais, prodígios e maravilhas que alguém venha a fazer, mas, sim, com a presença do caráter cristão na sua vida. Não nos preocupemos com a vestimenta que alguém está usando, mas com a presença do caráter cristão na sua vida. É pelos frutos que reconheceremos quem é crente e quem não o é, pois Jesus disse que aquele que não produzisse fruto seria lançado fora da videira verdadeira. O caráter cristão permite-nos vislumbrar quem tem, ou não, comunhão com o Senhor e isto é que é importante, pois a comunhão com Deus representa a libertação do pecado e a conseqüente aceitação por Deus.

    IV – OS PROPÓSITOS DA FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

    1) Expressar o caráter de Cristo -A partir do novo nascimento, o homem passa a ter um novo ambiente, que é o ambiente da comunhão com o Senhor, pois o próprio Senhor vem habitar no crente (Rm.8:9, Jo.14:23) e isto fará com que seja modificado o seu caráter. Ao adquirimos um novo caráter, o caráter cristão, que é o que Paulo denomina de “o fruto do Espírito”, que é idêntico a todos os crentes,pois resultado da atuação do mesmo Espírito que habita em cada um deles, não devemos nos esquecer de que cada crente tem seu temperamento, que o faz diferente um do outro, mas que, necessariamente,tem de estar sob o controle do Espírito Santo. Assim, cada crente é diferente um do outro, pois tem um temperamento distinto do de cada irmão em Cristo.

    O segredo, portanto, de apresentarmos um caráter cristão e de controlarmos o nosso temperamento para que este caráter se forme e, portanto, que produzamos o fruto do Espírito, é o de nascermos de novo, de realmente crermos em Jesus e deixarmos que o Espírito Santo domine a nossa vida, que submetamos o nosso espírito ao Espírito Santo e, desta forma, apesar de nosso temperamento, produziremos o fruto do Espírito. Por isso, não podemos concordar com pessoas que querem servir a Deus “do jeito que são”, que “Deus respeita o meu modo de ser”, pois não é isto que dizem as Escrituras. Embora reconheçamos a individualidade de cada um e de que ninguém é igual a ninguém, não podemos concordar com a teoria de que “ninguém é de ninguém”. Somos de Cristo e a Ele pertencemos, se é que realmente cremos nEle como nosso Salvador. Somos sua propriedade, porque fomos comprados por Ele por bom preço (I Co.6:20a).

    2) Evidenciar o discipulado – O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”(Jo 15:8). Dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Deus não pede o que não temos para dar e que Deus não exige o que não podemos fazer. Assim, se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito frutopara poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por sis só, cumprir suas condições. Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceita-lo como seu Salvador, precisa nascer de novo, precisa tornar-se um homem espiritual. Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: “ Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade , ele vos guiará em toda a verdade…”(Jo 16:13). Paulo complementou dizendo: “ E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas…”(Ro 8:26).

    Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito, nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus.

    3) Abençoar outras pessoas – Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que freqüenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está. A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (Jo.7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, mal cheirosa e produtora de doenças (Jr.2:13).

    4) Glorificar a Deus(Jo 15:8) – Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt.5:16). A Igreja, aqui, em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (Jo.16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (Jo.17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras.

     

     

    Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD/Assembléia de Deus –Ministério Bela Vista/Fortaleza-CE.

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    Bibliografia: Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco, Roberto José da Silva e Profº Antonio Sebastião da Silva;O Fruto do Espírito – Antonio Gilberto.

  • Lição 8 – Autoridade da Igreja

    Lição 8 – Autoridade da Igreja

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    Introdução

    O significado básico da palavra igreja (gr.ekklesia) é “chamado para fora”. Em grego clássico, ekklesia se referia a uma assembleia de qualquer tipo, religiosa ou secular, legal ou ilegal. As palavras hebraicas qahal e edhah, frequentemente traduzidas como ekklesia no Antigo Testamento grego significavam uma reunião ou assembleia, como as que o judaísmo tinha na sinagoga. No NT, ekklesia veio significar uma assembleia de crentes, especificamente seguidores de Cristo.

    Embora, terrena mente, a igreja tenha começado depois do tempo de Cristo, o Antigo Testamento fez preparativos para ela. A igreja, ordenada por Deus desde a eternidade, também começou de maneira pré-determinada (Gl.4.4,5).

    Várias interpretações foram propostas sobre quando se originou a igreja. No entanto, inúmeras linhas de evidencia sustentam que a igreja de Cristo teve inicio no dia de Pentecostes, diversas semanas depois que Cristo morreu e ressuscitou, e não no AT, com Adão, Abrão, Moises, nem mesmo durante a vida terrena de Jesus. A Igreja não começou até depois que Jesus veio, morreu, ressuscitou e a estabeleceu sobre o fundamento dos apóstolos.

    1- O Embasamento da Fé

    Toda a vida do cristão está baseada na sua fé ou seja naquilo que ele acredita, portanto temos que desenvolver uma fé sadia, e para tal devemos manter a simplicidade contida nos evangelhos como nossa prática de vida diária.

    “ Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. 2 Co 11:3

    1.1   – A Confissão de Pedro

    A base sobre a qual a igreja está firmada, é uma declaração de fé dada pelo Espirito Santo a Pedro conforme lemos em Mateus 16:16-18 –  16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. 18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;

    A igreja católica romana usa esse texto para afirmar, que Pedro é a pedra ou fundamento para criação e manutenção da igreja e logo ele e o representante da igreja. Isso é um ledo engano pois uma análise cuidadosa do texto revela que o fundamento da igreja e de nossa fé foi a declaração de Pedro que Jesus é o Cristo o Filho do Deus Vivo.

    E Jesus faz apenas um trocadilho dizendo que Pedro que no original é  πετρος Petros  que significa Pedra ou uma pedra, e que sobre a outra pedra que no original quer disser πετρα petrarocha, penhasco ou cordilheira de pedra , rocha projetada (angular), penhasco, solo rochoso ,rocha, grande pedra.

    Logo significa que Pedro é uma pedra e sua declaração é uma rocha.

    Então a nossa fé está fundamentada em Cristo Jesus e nos Evangelhos.

    1.2 – A confirmação do Espírito.

    Tudo que o evangelho ensina, o Espirito confirma e dirige aqueles que se submetem a ele. É o Espirito que matem a igreja viva e atuante, realizando as mesmas obras que Jesus realizou aqui na terra, curando, libertando, batizando, salvando e levando pro céu.

    Portanto devemos estar dispostos a oferecer nossa vida como sacrifício vivo no altar do Senhor para que através do Espírito Santo ele opere tanto no nosso querer como no efetuar.

    Nesses últimos dias mais do que nunca o mundo deve reconhecer que o que nós fazemos pelo Reino não vem de nós mais do Espírito de Deus.

    2. Ministérios Eclesiásticos

    Dons Ministeriais

    Muitos dizem que os dons ministeriais de Efésios 4.11 cessaram, mas o versículo catorze desse mesmo capítulo diz que eles existem “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”, e isso ainda não ocorreu.

    Sobre o assunto, duas coisas básicas devem ser ditas de antemão. A primeira é que é Deus quem concede os dons ministeriais (Ef 4.11; Nm 18.7). A segunda é que é o dom ministerial recebido de Deus que determina o ministério ou o ofício do ministro. Em 1 Timóteo 4.14 e 2 Timóteo 1.6, vemos o dom ministerial. Em 2 Timóteo 4.5, o ministério resultante do dom. Os dons e seus ministérios podem ser vistos em 1 Coríntios 12.8-10, 27-30.

    Esses dois pontos básicos acerca do ministério podem ser vistos em Atos 13.1-4. No primeiro versículo, vemos que os candidatos à ordenação já tinham o dom ministerial concedido por Deus: “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão, chamado Níger, e Lúcio cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo”. Nos dois versículos seguintes, vemos que foi a igreja, sob a orientação do Espírito Santo, que ordenou esses irmãos para exercerem o ministério: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram”. No versículo quatro, fica claro que foi o Espírito Santo que os enviou: “E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”.

    A igreja ordena o obreiro como ministro do Evangelho, e não como apóstolo, profeta, evangelista, pastor ou mestre. Esses são ministérios dados por Deus. A igreja convencionou por si mesma chamar todos os ministros ora como pastores, ora como evangelistas, mas precisamos encarar o assunto dos dons ministeriais apresentados em Efésios 4.11 à luz da doutrina bíblica do ministério.

    A soberania de Deus na distribuição dos dons ministeriais

    Os dons do ministério são recebidos de Deus, segundo a sua soberania e no seu tempo. A uns Deus chama e capacita quando ainda estão no ventre de suas mães: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei: às nações te dei por profeta”, Jr 1.5. “E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir a face do Senhor, a preparar os seus caminhos”, Lc 1.76. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue”, Gl 1.15-16. Outros Deus chama na infância: “O Senhor chamou a Samuel, e disse ele: Eis-me aqui”, 1Sm 3.4. Samuel ainda era uma criança quando Deus o chamou.

    Há alguns a quem Deus chama e capacita na idade adulta: “E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar”, Mc 3.13-14. “também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meola, ungirás profeta em teu lugar”, 1Rs 19.16. “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim”, Is 6.8.

    Há também aqueles recebem o dom por imposição de mãos, por profecia: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério”, 1Tm 4.14. “Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos”, 2Tm 1.6.

    Deus é soberano quanto ao exercício dos dons ministeriais na vida do obreiro. Timóteo era evangelista (2Tm 4.5), mas cuidou de igrejas por algum tempo (1Tm 1.3; 4.13). João Batista era profeta e cheio do Espírito Santo, mas não operava milagres (Jo 10.41).

    2.1 Autoridade Apostólica

    O termo apóstolo significa literalmente enviado. No original, o verbo e o substantivo aparecem em passagens como Hebreus 3.1, João 20.21, Mateus 10.15, Lucas 6.13, Atos 13.4 e 14.14, Gálatas 1.1,19, Romanos 16.7, 2 Coríntios 8.23 e Filipenses 2.25. Nos dois últimos textos, o termo não aparece no sentido ministerial.

    O apóstolo é a mais alta ordem na escala de ofícios do ministério no Novo Testamento (1Co 12.28; Ef 3.5 e 4.11). A diferença de ministério entre o apóstolo e o evangelista está bem definida em Atos 8, na evangelização de Samaria. No ministério de Felipe como evangelista, destaca-se a pregação e a conversão dos pecadores (At 8.5-13). No ministério de Pedro e João como apóstolos, destacam-se o estabelecimento firme da obra e a consolidação dos resultados da evangelização (At 8.14,25). De fato, em Gálatas 2.9, Pedro e João (apóstolos) são tidos como colunas.

    Os apóstolos têm sua liderança espiritual confirmada por provas e sinais (2 Co 12.12). Eles lançam os fundamentos iniciais de uma obra através da doutrina e da liderança (1Co 3.10; Ef 2.20). São eles que estabelecem, no início do trabalho, os fundamentos da doutrina (At 2.42) e provêem a adequada liderança espiritual.

    O apóstolo vela com cuidado pela obra, no sentido geral e coletivo (2Co 11.28 e At 15.16). Esse cuidado geral e coletivo inclui viagens e comunicação constante com a obra. Vemos isso no livro de Atos, nas epístolas e através da História da Igreja. Os apóstolos, em virtude de sua missão, eram móveis. Não se fixavam em um lugar. Eram embaixadores de Deus.

    O ministério apostólico também é caracterizado pela elevada autoridade conferida pelo Senhor (At 1.2 e 2Pe 3.2). A autoridade apostólica está sobre todos os demais ministérios (1Co 12.28). Nesse sentido, os apóstolos são “livres” para executarem serviços especiais de grande importância na igreja (1Co 9.11).

    Os doze apóstolos do Cordeiro formam um grupo distinto (Jd 17). Eles colocaram o alicerce da Igreja (Ef 2.20 e Ap 21.14). São apóstolos num sentido único. Alguns exemplos de apóstolos da Igreja independentes do grupo dos doze chamados apóstolos do Senhor são Paulo e Barnabé (At 14.14), Andrônico e Júnias (Rm 16.7), e Tiago, irmão do Senhor (Gl 1.19). O próprio Paulo se declara apóstolo em Romanos 1.1 e 1 Coríntios 1.1.

    2.2. Pastores, bispos e presbíteros.

    O verdadeiro pastorado é um dom de Deus para ser exercido, e não primeiramente um cargo para ser ocupado. O pastor pode também vir a exercer o cargo de presidente da igreja. Se realmente o Senhor lhe concedeu o dom ministerial de pastor, e ele também for colocado por Deus para presidir a igreja, o seu ministério vem do Dom e o seu cargo através da sua eleição.

    As atividades do pastor englobam as funções de pastoreio, pregador, mestre, administrador e conselheiro.

    Como pastor, entendesse que esse ministério é um encargo ligado às ovelhas. O termo pastor, no original, significa aquele que cuida e guarda as ovelhas. Esse é o ministério que está mais relacionado a elas. O profeta “traz” Deus ao povo; o pastor “leva” o povo a Deus (Ex 19.17).

    A função do pastor, como ministério recebido de Deus, compreende:

    a) Dirigir, presidir e administrar o rebanho do Senhor: Sem isso, as ovelhas se desviarão.

    b) Doutrinar: Para isso, o pastor precisa ser um estudante dedicado da Palavra de Deus, especialmente no que concerne à Teologia Sistemática. Um grande segredo do progresso no ministério pastoral está em doutrinar. Aqui, é preciso cuidado para não instituir “doutrinas de homens” (Cl 2.22). O pastor, pela natureza do seu trabalho, está muito ligado ao ensino bíblico (At 21.15-17).

    c) Proteger: Se o pastor não fizer essa parte, muitas ovelhas cairão vítimas de todo tipo de males.

    d) Tratar das ovelhas: Muitas caem doentes espiritualmente.

    e) Alimentar as ovelhas: Uma ovelha faminta segue qualquer outro líder, além de outros males que lhe atingem.

    f) Visitar: É outra função, exercida diretamente ou através de comissões.

    g) Disciplinar: O termo disciplina envolve primeiramente o sentido de instrução, admoestação e correção, e não o de castigo e punição. Para fazer tudo isso, o pastor precisa estar sempre cheio do amor de Deus pelas ovelhas, pelos perdidos, pelos fracos e faltosos, por todos.

    Como pregador, entendesse que o ministério pastoral também está ligado aos pecadores. Pregar é um encargo do pastor relacionado aos pecadores. Como mestre, compreendesse que o ministério pastoral inclui o encargo de educador, doutrinador e ensinador. Como administrador, o pastor tem o encargo de dirigir e presidir. Como conselheiro, um encargo de ordem pessoal.

    Um exemplo de pastor no Novo Testamento é Tiago (At 15.13 e 21.18). Diz a tradição que seus joelhos eram calejados como os de um camelo, de tanto orar ajoelhado.

    As necessidades do pastor estão bem resumidas em Jeremias 3.15: “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência”. Jesus foi o maior exemplo de pastor. Sobre esse seu ministério, Isaías profetizou: “Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço: as que amamentam, ele guiará mansamente”, Is 40.11. Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”, Jo 10.11.

    2.3 – Profetas e Evangelistas

    Profetas

    O termo profeta significa literalmente porta-voz (Lc 1.70 e Ex 7.2-3). Se quisermos entender esse ministério, é preciso antes compreendermos a diferença entre o dom de profecia e o ofício ou ministério profético.

    O dom de profecia é para todos: “Todos podereis profetizar”, 1Co 14.31. O ministério profético, não: “São todos profetas?”, 1Co 12.29.

    O ministério profético é exercido através de um ministro dado por Deus à Igreja. O dom de profecia é uma capacitação sobrenatural do Espírito Santo concedida a uma pessoa do povo para transmitir a mensagem divina. No ministério profético, Deus usa principalmente a mente do profeta; no dom de profecia, Deus usa principalmente o aparelho fonador da pessoa.

    O profeta é um pregador especial, com mensagem especial. Sua mensagem apela à consciência da pessoa em relação a Deus, a si própria, ao pecado e à santidade. Vemos isso nos profetas do Antigo Testamento. É só conferirmos as mensagens dos livros proféticos. No Novo Testamento, podemos ver isso em profetas como Silas (At 15.32) e Ágabo (At 21.10).

    O profeta de Deus é também um intercessor diante de Deus pelos homens, pela obra etc (Gn 20.7). O forte do profeta de Deus é expor os padrões da justiça divina para o povo. Ele é um arauto da santidade de Deus. Com autoridade e unção divinas, está sempre a condenar o pecado (Is 58.1). Seu espírito ferve com isso e ele geme por isso, pois para isso foi chamado. A Igreja precisa muito desse ministério para os dias atuais.

    A Palavra de Deus sai da boca do profeta como flechas de fogo divino! João 5.35 diz de João Batista, o profeta: “Ele era a candeia que ardia”. O profeta de Deus faz o homem carnal estremecer, parar e considerar o seu mau caminho.

    A profecia, como estamos tratando aqui, é uma mensagem sobrenaturalmente inspirada ou revelada da parte de Deus. A mensagem profética vem do Espírito Santo através das fé (Rm 12.6). Portanto, o ministério profético é um ministério de fé.

    Duas curiosidades sobre os profetas de Deus na Bíblia: dois deles no Novo Testamento eram também apóstolos: Barnabé e Saulo (At 13.1); e há um alerta de Deus para o povo a respeito deles: “Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas”, Sl 105.15.

    Nos tempos bíblicos havia falsos profetas: “E veio a mim a Palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que são profetizadores, e dize aos que só profetizam o que vê o seu coração: Ouvi a Palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e coisas que não viram”, Ez 13.1-3. Como naqueles tempos, ainda há falsos profetas.

    Evangelistas

     O vocábulo evangelista significa no original mensageiro de boas-novas. O autêntico ministro evangelista, chamado por Deus e colocado por Ele no ministério, não deve exercer o apostolado. Seu ministério deve ser itinerante. É só atentarmos para Felipe em Atos 8, principalmente para o último versículo: “E Felipe se achou em Azoto, e, indo passando, anunciava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia”, v40.

    O professor de Escola Dominical tem a visão de uma classe de alunos; o pastor tem a visão de sua congregação, seu campo; o evangelista tem a visão regional e mundial. Sua paixão é o mundo para Cristo!

    A mensagem do evangelista é “Vinde ao Senhor”; a do profeta é “Permanecei no Senhor”. Veja o exemplo de Barnabé como profeta: “O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor com propósito do coração”, At 11.23.

    Em síntese, as diferenças entre profeta, evangelista e mestre são as seguintes: O profeta move o coração, a consciência do povo. Ele apela ao sentimento. O evangelista leva o povo a uma decisão diante de Deus. Ele apela à vontade. O mestre instrui o povo, a congregação, no caminho do Senhor, na Palavra de Deus, na doutrina bíblica. Ele apela à mente. Deus pode conceder a um mesmo ministro mais de um ministério ou dom ministerial.

    O evangelista não deve ser um obreiro neófito, como se o ministério de evangelista fosse um início de “carreira”. Veja o exemplo de Felipe mais uma vez. Em Atos 8.5-8,13-40, no começo de seu ministério, o encontramos em pleno exercício. Em Atos 21.8, encontramos Felipe em plena atividade ainda.

    O evangelista deve ter um conhecimento sistemático das doutrinas da Bíblia, especialmente aquelas ligadas ao exercício do seu ministério. Algumas das doutrinas e ensinos que o evangelista precisa conhecer são a doutrina da salvação, que por sua vez abrange em si um grupo de doutrinas; a doutrina da fé; o discipulado cristão, começando com a integração dos novos convertidos; milagres, sinais e prodígios, como em Atos 2.22; o batismo no Espírito Santo; e os dons e o fruto do Espírito. Ele também deve estudar muito homilética, exegese e hermenêutica. Tanto o profeta como o evangelista, como mensageiros de Deus, usam muito a imaginação. Jeremias e Ezequiel são exemplos. Jeremias com o cinto (Jr 13) e Ezequiel com o tijolo e a panela (Ez 4.1 e 24.3).

    O tema principal do evangelista é a salvação dos perdidos e a volta dos desviados. Ele também promove o avivamento espiritual dos crentes. Onde não vemos nada na Bíblia sobre Salvação, o evangelista vê pelo Espírito, e ali prega! Para ele, parece que a Bíblia só contém a mensagem da Salvação. É interessante como o ministério evangelístico e a música são tão relacionados.

    O autêntico ministério de evangelista é concedido por Jesus, nunca imposto pelos homens. Pelo fato de certos “evangelistas” não terem esse ministério, os tais usam de malabarismos, trejeitos, mecanicismo, emocionalismo e até truques diante do povo. Se bem que pode haver muito disso em um evangelista imaturo.
    Paulo também era evangelista (1Co 1.17). Até a inscrição de uma placa serviu de tema de sermão para ele (At 17.23)!

    2.4 – Doutores e Mestres

    O termo mestre, como aparece em Efésios 4.11, significa literalmente ensinador. O próprio termo implica ensinar segundo os processos e métodos didáticos, apelando para as faculdades lógicas da mente, da razão.

    Deus usa a mente do mestre. O mestre bíblico ocupa-se da doutrina, do ensino bíblico, portanto necessita dos dons da ciência e da sabedoria. Outro detalhe sobre esse ministério é que ele é, biblicamente falando, itinerante como o de evangelista.

    É importante explicar aqui a má compreensão de 1 João 2.20,27, quanto ao ministério do mestre. Esses textos dizem: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo(…) E a unção, que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”. A explicação da suposta dificuldade está no versículo 26: “Estas coisas vos escrevi acerca dos que vos enganam”. O que João está querendo dizer é que o crente não precisa dos que ensinam doutrinas extrabíblicas. Esse “alguém que vos ensine” trata-se “dos que vos enganam”.

    A Bíblia é, acima de tudo, um livro de doutrinas que precisam ser estudadas, compreendidas e expostas sob a unção do Espírito Santo, que inspirou essas doutrinas.

    A doutrina bíblica trata-se de um ensino bíblico sistematizado. Nenhuma só doutrina aparece sistematizada na Bíblia. Isto é, organizada, desdobrada, esboçada. Nem aparece isolada em um só lugar. Essa sistematização vem por catalogação textual e conceptual desse ensino ou princípio bíblico. Quanto mais completa for essa sistematização, mais completo será o estudo dessa doutrina.

    O mestre deve aprofundar-se nas ciências bíblicas da exegese e da hermenêutica, sem jamais deixar de depender do Espírito Santo para capacitá-lo e dirigi-lo no preparo de estudos e sermões, e na exposição da Palavra.

    Não se conhece entre nós uma igreja que sustente um mestre para exercer o ministério de ensino, assim como sustentam seus pastores, se bem que todo pastor também tem que ensinar pela natureza do seu cargo. O resultado disso é crise, pobreza e problemas na área do ensino da Palavra.

    O estudo bíblico

    O mestre deve enfatizar em seu modo de ministrar o estudo temático da Bíblia. Agora, há vários tipos de estudo bíblico conforme a necessidade da ocasião. Há o devocional, o doutrinário, o auxiliar, o de treinamento e o de orientação.

    Vejamos alguns passos no preparo de um estudo bíblico. Mas, antes, é importante atentarmos para o que diz Lucas na introdução de seu Evangelho: “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da Palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado”, Lc 1.1-4. Lucas fala que consultou fontes e que preocupou-se em transmitir o que ouvira com exatidão e em ordem.

    Os passos de preparação de um estudo bíblico são:
    a) Orar, orar e orar!
    b) Estudar o assunto na Bíblia, fazendo apontamentos pessoais.
    c) Consultar fontes auxiliares (de confiança), como os próprios apontamentos pessoais.
    d) Ordenar o material de estudo coletado.
    e) Esboçar o estudo. Para isso é preciso saber fazer esboços.
    f) Preparar finalmente o estudo. É dar-lhe sua redação final.
    g) Conferir cuidadosamente o estudo, tanto o texto com as referências bíblicas. Saber mesmo a diferença entre uma referência real e uma referência verbal.

    Dois alertas aos mestres

    Agora, é importante darmos dois alertas para os que ensinam na Igreja. O primeiro está em 1 Coríntios 8.1: “A ciência incha, mas o amor edifica”. É preciso que o mestre seja humildade. Apolo era mestre erudito, mas humilde: “E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus”. Apolo, mesmo sendo erudito, se dispôs a aprender.

    O segundo alerta diz respeito aos cismas. Os cismas que vêm dividindo a cristandade desde a fundação da Igreja são quase sempre originados pelos mestres, teólogos, escritores e professores. A Palavra de Deus adverte que o julgamento do trabalho do mestre perante o tribunal de Cristo será mais rigoroso e mais exigente: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo”, Tg 3.1.

    Concluindo

    Os dons ministeriais operando em Jesus

    Jesus é o maior exemplo de obreiro em toda a Bíblia Sagrada e em todos os tempos. Ele deve ser o nosso modelo, o padrão a ser seguido.
    Jesus como apóstolo: Hb 3.1; Jo 12.3).
    Jesus como profeta: Lc 24.19; At 3.22.
    Jesus como evangelista: Lc 4.18-19; Lc 20.1; Is 61.1.
    Jesus como pastor: Jo 10.10; Hb 13.20; 1Pe 5.4.
    Jesus como mestre: Jo 13.13; Mt 26.55.

  • Lição 9 – A teologia da Prosperidade e o Evangelho puro e simples

    Lição 9 – A teologia da Prosperidade e o Evangelho puro e simples

    mamon

    INTRODUÇÃO

    Testemunhamos, nessas últimas décadas, a expansão de um movimento teológico denominado de Teologia da Prosperidade.

    1. O que é Teologia da Prosperidade

    Nascida nos Estados Unidos, a Teologia da Prosperidade espalhou-se com extrema rapidez pelo Brasil. Seus defensores não se encontram apenas entre os neopentecostais. Tem conquistado adeptos também entre os evangélicos tradicionais seu alastramento representam sérios desafios à Igreja Evangélica Brasileira. Com ênfase nas “bênçãos” e indisfarçável aversão à Cruz (metáfora do sofrimento, dor e perseguição que acompanham os verdadeiros seguidores de Cristo), a Teologia da Prosperidade coloca em xeque a herança protestante.

    1.1.    Seu conteúdo

    Uma fórmula pregada com exagerada ênfase por esse novo credo afirma ser o crente uma pessoa “especial”, subtraída quase às leis da vida e para quem não existiria pobreza e doença. Experimentá-las seria sinal de falta de fé. Saúde e riqueza tornam-se, por assim dizer, sinais genuínos da salvação, do estado de graça do fiel. Daí esse movimento também ser conhecido como Wealth and Health Gospel(Evangelho da Riqueza e Saúde)

    Numa inversão de valores, os profetas da prosperidade colocam a conquista da felicidade no plano terreno como  um super bônus da bem-aventurança cristã, quando a Bíblia exorta-nos a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça (Mt 6.33). A posse das bênçãos deixa de ser uma promessa dada por Deus para ser um direito, exigido pelo fiel com quem pleiteia uma herança ou reclama um bem.

    Além de apresentar ensinos questionáveis sobre a fé, a oração, e as prioridades da vida cristã, e de relativizar a importância das Escrituras por meio de novas revelações, a teologia da prosperidade, através dos escritos de seus expoentes, apresenta outras ênfases preocupantes no seu entendimento de Deus, Jesus, ser humano e salvação.

    1.2 O Seu Espirito

    O Espirito de Mamon , e o espirito que está por trás da teologia da prosperidade.

    A nota da Bíblia King James (Mt 6.24) comenta o que segue sobre o termo Mamom: “Jesus escolhe uma palavra aramaica Mamom para personificar um dos mais poderosos deuses de todos os tempos: o Dinheiro. O adjetivo Mamom, deriva do verbo aramaico aman (sustentar) e significa amor às riquezas e dedicação avarenta aos interesses mundanos.

    Jesus orienta seus seguidores a investir suas vidas na conquista de bens espirituais agradáveis ao Senhor e adverte para a impossibilidade de servir com lealdade a Deus e ao mesmo tempo amar o deus Dinheiro. Isso não quer dizer que Jesus seja contra os ricos e prósperos, mas sim que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. O dinheiro é para ser usado e as pessoas,  amadas. A inversão desses valores tem sido a razão de muitas desgraças.

    1.3 A mentira da confissão positiva

    Confissão Positiva é como funciona a teologia que prega prosperidade e saúde através do poder da palavra.
    A confissão positiva nos leva aos princípios esotéricos que norteiam todas as seitas holísticas. Baseados em textos bíblicos isolados, esses teólogos afirmam que há poder em nossas palavras pra tudo.

    Veja o que eles pregam:

    1-Deus criou as coisas pela fé
    2-O homem é um deus um pouco menor
    3-Deus perdeu o controle do mundo na queda do homem
    4-O homem assumiu a natureza satânica na queda
    5-Jesus assumiu a natureza satânica na cruz
    6-Jesus precisou morrer espiritualmente
    7-Deus não pode agir sem que autorizemos
    8-A fé nas palavras traz as coisas à existência
    9-Voltamos a natureza divina quando nascemos de novo
    10-Como pequenos deuses, devemos ter do bom e do melhor nesta Terra

    2.A Ignorância, dinheiro e Consumismo.

    “Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. “Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos.” Oséias 4:6
    As pessoas têm sido e estão sendo destruídas, não só por falta de conhecimento, mas porque rejeitam conhecimento. Portanto, o que estava acontecendo com Israel está acontecendo com o mundo inteiro hoje também.
    Precisamos entender que a falta de conhecimento da Palavra de Deus com relação a qualquer assunto pode nos fazer viver na mais profunda ignorância, e é triste ver cristãos que não apreendem as noções e princípios de economia bíblia.
    A Bíblia ensina-nos como enfrentar muitas situações diferentes na vida, incluindo como lidar com o dinheiro. Jesus falou muito sobre esse assunto e a Bíblia refere-se muitas vezes às riquezas (Ec 10.19). O dinheiro pode ser bênção ou maldição, dependendo do uso que dele fazemos. Como administramos o dinheiro afeta a nossa comunhão com o Senhor. O dinheiro é um rival de Cristo pelo senhorio da nossa vida (Lc 16.13,14), além de moldar o nosso caráter.
    Como devemos agir com as finanças?
    Devemos evitar:

    • Dívidas fora do seu alcance (Rm 13.8). O crente não deve fazer dívida. Devemos fazer uma previsão de gastos para não perder o controle. Não devemos nos comparar com os outros, nem cairmos no consumismo desenfreado (1 Tm 6.8-10). Evitar a todo custo, contrair mais dívidas para pagar dívidas; Não aceitar propostas de credores fora de suas reais possibilidades de pagamento; Não dever a agiotas. Dicas: gastar menos, ganhar mais, vender algo que não seja essencial.
    • Ficar por fiador (Pv 17.18; 11.15; 6.1-5; 22.26)
    • Desonestidade. A pessoa que promete pagar é obrigada cumprir a promessa. Aquele que promete e não paga está pecando. (Lc 16.12; Sl 15.4,5; Hb 2.9; Ef 4.1,25; Mt 5.37). A honestidade é parte do caráter cristão (2 Co 8.21; Tt 2.5; Pv 11.1; Jr 17.11). O nome de Deus é blasfemado, quando somos desonestos (Rm 2.21-24).
    • Fazer do objetivo da vida o enriquecimento (1 Tm 6.9; Pv 23.4)

    O que fazer com o dinheiro?

    • Seja “rico para com Deus” (Mt 6.33).
    • Viva dentro dos limites de seu orçamento (Pv 22.7)
    • Pague os impostos e obedeça às leis do governo (Mt 22.17-21).
    • Não ser ganancioso, nem oprimir outros (Tg 2.6-7).
    • Ore pedindo ajuda a Deus (Tg 4.2). Deus supre a necessidade (Mt 5.45). É preciso distinguir entre necessidade e cobiça (Tg 4.3)
    • Procure orientação (Cl 3.16).
    • Não invejar a prosperidade do ímpio (Sl 73).
    • Desfrute sem comprar (Praia, biblioteca, museu, parques públicos).

    Existem coisas que o dinheiro não pode comprar, como uma espiritualidade genuína (At 8.18-20)

    Muitos crêem que a riqueza é um sinal de benção e a pobreza de falta de fé ou pecado.

    Os fariseus escarneciam de Jesus por causa da sua pobreza (Lc 16.14). Essa idéia falsa é desmentida por Cristo (Lc 6.20).

    3.    O Evangelho puro e Simples

    O evangelho que está em voga hoje em dia oferece uma falsa esperança aos pecadores. Promete-lhes que terão a vida eterna apesar de continuarem a viver em rebeldia contra Deus. Na verdade, encoraja as pessoas a reivindicarem Jesus como Salvador, mas podendo deixar para mais tarde o compromisso de obedecê-Lo como Senhor. Promete livramento do inferno mas não necessariamente libertação da iniquidade. Oferece uma  falsa segurança  às pessoas que folgam nos pecados da carne e desprezam o caminho da santidade. Ao fazer separação entre fé e fidelidade, deixa a impressão de que a aquiescência intelectual é tão válida quanto a obediência de todo coração à verdade. Dessa forma, as boas novas de Cristo deram lugar às más novas  de uma  fé  fácil e  traiçoeira, que não faz  qualquer exigência moral para a vida dos pecadores. Não se trata da mesma mensagem proclamada por Jesus!
    Este novo evangelho tem  produzido uma  geração de  cristãos professos cujo comportamento raramente se distingue da rebeldia em que vive o não-regenerado.

    Estatísticas recentes revelam que 1.6 bilhão da população da terra são considerados cristãos. Uma bem conhecida pesquisa de opinião pública indicou que quase um terço de todos os norte-americanos  se declaram nascidos de  novo. Tais números, com  certeza, representam milhões de  pessoas  que  estão tragicamente enganadas. O que eles têm é uma falsa garantia, passível de condenação eterna.

    O testemunho da igreja para o mundo tem sido sacrificado no altar da graça barata. Formas chocantes de imoralidade aberta têm se tornado coisa trivial entre professos cristãos. E por que não? A promessa de vida eterna, sem uma rendição à autoridade divina, alimenta a mesquinhez do coração  não-regenerado.

    Os  entusiásticos convertidos a este novo evangelho crêem que o seu comportamento nada tem a ver com o seu status espiritual — mesmo que permaneçam libertinamente apegados aos tipos mais grosseiros de pecado e de formas de depravação humana.

    Parece que a igreja de nossa geração será lembrada principalmente por causa de uma série de escândalos horripilantes que trouxeram a público as mais indecentes exibições de depravação na vida de alguns dos mais populares televangelistas. E o pior de tudo é a dolorosa consciência de que muitos cristãos olham para esses homens como parte do rebanho,  e não  como  lobos e  falsos  profetas  que  se imiscuíram entre as ovelhas (Mt 7.15). Por que deveríamos crer que pessoas que vivem na prática do adultério, fornicação, homossexualismo, fraude, e todo tipo de intemperança são nascidas de novo?

    O  que  se  precisa  é  de  um  completo  reexame  do  que  seja  o evangelho. Temos de voltar ao fundamento de todo o ensino neotestamentário sobre a salvação — ao evangelho proclamado por Jesus. Penso que muitos ficarão  surpresos ao  descobrir como a mensagem de  Jesus é  radicalmente diferente daquela  que por ventura  tenham aprendido.

    Esboço do Verdadeiro Evangelho

    Ele ensina a Adoração
    Ele salva Pecadores
    Ele cura os enfermos
    Ele desafia as Pessoa
    Ele Busca e Salva o Perdido
    Ele Condena um Coração Endurecido
    Ele Oferece um Jugo Suave
    Ele Chama ao Arrependimento
    Ele Mostra Natureza da Fé Verdadeira
    Ele Ensina o Caminho da Salvação
    Ele Dá a Certeza da Vida ou do Juizo Eterno
    Ele Auxilia no Discipulado
    Ele Mostra o Senhorio de Cristo

  • Lição 8 – O legado de Jesus Cristo para a sua Igreja

    Introdução

    A palavra legado vem do (latim legatum, -i, doação por testamento)

    1. Aquilo que se deixa por testamento a quem não é herdeiro forçoso ou principal.
    2. O que é transmitido a outrem que vem a seguir.

    Estudaremos qual o legado o que Jesus Cristo, o que ele deixou para sua igreja. E que marcas a igreja deve transmitir hoje ao mundo.

    1. O legado histórico

    Visite qualquer parte do mundo hoje em dia. Fale com pessoas de qualquer religião. Não importa o quão comprometidas estejam com a sua religião em particular, se elas conhecem alguma coisa sobre a história terão de admitir que nunca houve um homem como Jesus de Nazaré.

    Ele é a personalidade mais singular de todos os tempos. Jesus Cristo mudou a direção da história.

    Em sua curta existência, apenas 33 anos de idade, foi um homem que mudou os paradigmas da humanidade. Hoje, a história se conta a partir do ano de seu nascimento. E se divide em antes de Cristo (a. C.) e depois de Cristo (d. C).. Reconhecimento inegável do seu papel histórico, independente de crenças e religiões.

    Cristo mudou a história, com seu comportamento manso e amoroso, bem como com suas mensagens de esperança numa vida eterna plena da presença de Deus, para aqueles que o aceitarem como sendo o Filho de Deus.

    Pode-se estudar a personalidade de grandes homens e pensadores da história, através de suas obras, biografias, da vida e fruto de seus discípulos, mas, ninguém teve uma personalidade tão complexa, misteriosa e difícil de ser compreendida, como a de Jesus Cristo. Ele não apenas causou perplexidade nos homens mais cultos de sua época, mas, ainda hoje, suas mensagens são capazes de perturbar a mente de qualquer um que queira estudá-lo livre de dogmas e julgamentos preconcebidos.

    1.1 A história de Jesus nos Evangelhos

    As principais fontes de informação sobre a vida de Jesus são os quatro Evangelhos Canônicos, pertencentes ao Novo Testamento. Escritos originalmente em grego, em diferentes épocas, pelos discípulos  Mateus, Marcos, João e Lucas. Mateus : O intuito de Mateus e apresentar o Senhor Jesus Cristo como sendo o Messias. Jesus Cristo e o cumprimento das profecias do AT no que concerne ao Messias. Marcos: Marcos teve o intuito de apresentar o sofrimento do Homem que na verdade era o Filho de Deus o Senhor Jesus Cristo.  Lucas teve o intuito de apresentar o Senhor Jesus Cristo como o salvador do mundo, ou seja aquele que veio trazer as boas novas da salvação a toda a humanidade.  E João teve a intenção de apresentar o Senhor Jesus Cristo como aquele que veio trazer o conhecimento de Deus através da fé no Senhor Jesus Cristo.

    1.2. A doutrina de Jesus no Novo Testamento

    Nos evangelhos encontramos a doutrina de Jesus, que é superior ao ensinos judaicos orais, tradições ou leis, a doutrina de Cristo pode ser vista no sermão do monte que é bem didático e explicativo daquilo que o Mestre nos ensinou, o padrão do Reino de Deus.

    1.3. A tradição evangélica herdada

    Sera que hoje estamos vivendo os ensinos de Jesus, vivendo como Jesus, falando como Jesus, agindo como Jesus. Todo cristão devia se fazer esta pergunta diariamente, pois se formos honestos nas respostas veremos o quão distante estamos dos ensinos de Cristo.

    2. O legado espiritual

    O legado espiritual que Jesus nos despertou para as coisas espirituais, pois até antes do seu nascimento, o homem estava distanciado de Deus, e Jesus veio para reconciliarmo-nos com Deus, e com Cristo hoje estamos assentados nas regiões celestiais e temos todas as bênçãos espirituais em Cristo a nosso dispor.

    Paulo diz, “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo” (Efésios 1:3). Paulo está nos dizendo, em essência, “Todos os que seguem a Jesus são bem–aventurados, com bênçãos nos lugares celestiais, onde Cristo está”. Que promessa incrível para o povo de Deus.Entretanto, esta promessa torna–se meras palavras se não soubermos o que são estas bênçãos espirituais. Como podemos gozar destas bênçãos que Deus nos promete se não as compreendermos.

    2.1. A justificação pela fé

     

    Visto que a lei não pode justificá-lo, a única esperança do homem é receber “justiça sem lei” (isto, entretanto, não significa injustiça ilegal, nem tampouco religião que permita o pecado; significa sim, uma mudança de posição e condição). Essa é a “justiça de Deus”, isto é, a justiça que Deus concede, sendo também um dom, pois o homem é incapaz de operar a justiça. (Efés. 2:8-10.)

    Mas um dom tem que ser aceito. Como, então, será aceito o dom da justiça? Ou, usando a linguagem teológica: qual é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo? A resposta é: “pela fé em Jesus Cristo.” A fé é a mão, por assim dizer, que recebe o que Deus oferece. Que essa fé é a causa instrumental da justificação prova-se pelas seguintes referências: Rom. 3:22; 4: 11; 9:30; Heb. 11:7; Fil. 3:9.

    Os méritos de Cristo são comunicados e seu interesse salvador é assegurado por certos meios. Esses meios necessariamente são estabelecidos por Deus e somente ele os distribui. Esses meios são a fé — o princípio único que a graça de Deus usa para restaurar-nos à sua imagem e ao seu favor. Nascida, como é, no pecado, herdeira da miséria, a alma carece duma transformação radical, tanto por dentro como por fora; tanto diante de Deus como diante de si própria. A transformação diante de Deus denomina-se justificação; a transformação interna espiritual que se segue, chama-se regeneração pelo Espírito Santo. Esta fé é despertada no homem pela influência do Espírito Santo, geralmente em

    conexão com a Palavra. A fé lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao descanso em Cristo como Salvador e Sacrifício pelos pecados; concede paz à consciência e dá esperança consoladora do céu. Sendo essa fé viva e de natureza espiritual, e cheia de gratidão para com Cristo, ela é rica em boas obras de toda espécie.

    “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efés. 2:8,9). O homem nenhuma coisa possuía com que comprar sua justificação. Deus não podia condescender em aceitar o que o homem oferecia; o homem também não tinha capacidade para cumprir a exigência divina. Então Deus graciosamente salvou o homem, sem pagar este coisa alguma —”gratuitamente pela sua graça” (Rom. 3:24). Essa graça gratuita é recebida pela fé. Não existe mérito nessa fé, como não cabem elogios ao mendigo que estende a mão para receber uma esmola. Esse método fere a dignidade do homem, mas perante Deus, o homem decaído não tem mais dignidade; o homem não tem possibilidades de acumular bondade suficiente para adquirir a sua salvação. “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei” (Rom. 3:20).

    A doutrina da justificação pela graça de Deus, mediante a fé do homem, remove dois perigos: primeiro, o orgulho de autojustiça e de auto-esforço; segundo, o medo de que a pessoa seja fraca demais para conseguir a salvação.

    Se a fé em si não é meritória, representando apenas a mão que se estende para receber a livre graça de Deus, que é então que lhe dá poder, e que garantia oferece ela à pessoa que recebeu esse dom gratuito, de que viverá uma vida de justiça? Importante e poderosa é a fé porque ela une a alma a Cristo, e é justamente nessa união que se descobre o motivo e o poder para a vida de justiça. “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo”(Gál. 3:27). “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gál. 5:24).

    A fé não só recebe passivamente mas também usa de modo ativo aquilo que Deus concede. É assunto próprio do coração (Rom. 10:9,10; vide Mat. 15:19; Prov. 4:23), e quem crê com o coração, crê também com suas emoções, afeições e seus desejos, ao aceitar a oferta divina da salvação. Pela fé, Cristo mora no coração (Efés. 3:17). A fé opera pelo amor (a “obra da fé”… 1Tess. 1:3), isto é, representa um princípio enérgico, bem como uma atitude receptiva. A fé, por conseguinte, é poderoso motivo para a obediência e para todas as boas obras. A fé envolve a vontade e está ligada a todas as boas escolhas e ações, pois “tudo que não é de fé é pecado” (Rom. 14:23).Ela inclui a escolha e a busca da verdade (2 Tess. 2:12) e implica sujeição à justiça de Deus (Rom. 10:3).

    O que se segue representa o ensino bíblico concernente à relação entre fé e obras. A fé se opõe às obras quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz com o intuito de merecer a salvação. (Gál. 3:11.) Entretanto, uma fé viva produzirá obras (Tia. 2:26), tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e aprovada pelas obras (Tia. 2:18), assim como o estado de saúde das raízes duma boa árvore é indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tia. 2:22), assim como a flor se completa ao desabrochar. Em breves palavras, as obras são o resultado da fé, a prova da fé, e a consumação da fé.

    Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé, o último que ela é justificada pelas obras. (Vide Rom. 3:20 e Tia. 2:14-16.) Contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregaram os termos, rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor; Tiago está denunciado uma fé morta e formal que representa, apenas, um consentimento mental. Paulo está rejeitando as obras mortas da lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a conduta da pessoa, uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados da mesma linha de combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções opostas.

    2.2. Bênçãos da salvação
    A primeira benção é a salvação seguida do recebimento do espírito santo.

    Vejamos outras bênçãos:

    1.    Vitória sobre o pecado
    2.    Vitória sobre o diabo e vida abundante
    3.    Viver em santidade.
    4.    Ter comunhão com Deus
    5.    Acesso ao Pai através da Oração.
    6.    Somos habilitados a fazer parte da obra de Deus (Igreja)

    E muitas outra que nós possamos aproveitarmos as bênçãos que estão a nossa disposição, trabalhemos na seara do mestre, a recompensa será maravilhosa e a veremos na posteridade de glória, junto ao Senhor.

    2.3. Um novo padrão ético-moral

    Toda a moral de Jesus, assim, se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade.

    3. O legado de autoridade

    Conforme registra Mateus 20.25-28, após o pedido da mãe de Tiago e João para que seus filhos se assentassem, um à direita e o outro à esquerda de Jesus em seu Reino, o Mestre ensinou que entre os seus o padrão a ser seguido é: quem quiser tornar-se grande, seja o servo dos demais; e quem quiser ser o primeiro, seja o último.

    Jesus explica que o padrão por Ele adotado em sua missão redentora: Ele veio ao mundo para servir e não para ser servido e, por isso mesmo, Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo o nome. Um padrão completamente oposto do que temos visto ultimamente, segundo o qual homens autodenominados líderes se valem do poder e autoridade em benefício próprio, almejando serem servidos pelos liderados, enquanto deveriam se dedicar a servi-los.

    Se o próprio Deus deixou a sua glória e se humilhou para se tornar homem, que direito tem o homem de se considerar superior aos seus semelhantes, mesmo que tenha recebido do próprio Deus uma posição proeminente de liderança e autoridade?

    No Reino, não há um homem no centro do poder, mas unicamente o Senhor Jesus, a quem todos devem desejar servir. Qualquer ação diferente é abuso de autoridade e poder e desprezo ao exemplo de humildade deixado por Cristo.

  • Lição 7 – A intituição do discípulado

    Lição 7 – A intituição do discípulado

    DISCIPULADO

    INTRODUÇÃO

    A “missão educadora” da Igreja, o discipulado, é, ao lado da evangelização, um dos dois pilares fundamentais da Igreja. São duas tarefas indissociáveis, impostas por ordem de nosso Senhor Jesus e que está exarado na passagem de Mateus 28:19,20. O Senhor Jesus disse aos seus discípulos que eles deveriam ir e “ensinar todas as nações”, expressão esta que, em algumas versões, é traduzida por “fazei discípulos”.

    A Igreja deve pregar o Evangelho, mas é preciso, também, que ela “ensine às nações”, “faça discípulos”, cuidado este que era patente nos tempos apostólicos, a ponto de os apóstolos terem chamado para si esta tarefa, considerando, inclusive, não ser razoável deixar de se dedicar à oração e ao ensino da Palavra (At.6:2,4), sem falar no zelo de Barnabé com relação à primeira igreja gentílica, a de Antioquia (At.11:25,26) e dos conselhos que Paulo dá a Timóteo no sentido de jamais se descuidar com o ensino junto aos crentes (I Tm.4:12-16).

    Quando alguém se converte a Cristo e nasce de novo, é um recém-nascido, é uma pessoa que não tem conhecimento algum a respeito das coisas de Deus, a respeito da vida com o Senhor Jesus. Embora tenha recebido uma nova natureza, embora seu espírito tenha se ligado novamente a Deus, ante a remoção dos pecados, é um ser humano e, como tal, precisa ser ensinado a respeito do Senhor, ensino este que deve ser proporcionado pela Igreja, que é a quem o Senhor cometeu esta tarefa sobre a face da Terra. Jesus é quem salva, mas é a Igreja quem deve “fazer discípulos”, quem deve “ensinar”.

    I. A TAREFA DA IGREJA NO DISCIPULADO

    1. A visão da igreja quanto ao discipulado. Criada para ser a agência do reino de Deus aqui na Terra, a Igreja, ao mesmo tempo em que, para os que se encontram fora do reino de Deus, precisa ser a anunciadora da salvação, pregando o Evangelho, deve, para os que já viram e entraram no reino de Deus (Jo.3:3,5), ser a instruidora, aquela que ensina a Palavra de Deus aos que se converteram, a fim de que possam eles crescer espiritualmente e alcançar a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13).

    A evangelização (o ato de semear o evangelho) e o discipulado (integração do novo crente) requerem tempo, pelo fato de que ambas as atividades envolvem um processo contínuo e, não apenas, um ato isolado. Além disso, demandam muita oração, esforço, paciência, fé e perseverança para alcançar os resultados desejados.

    A maturidade espiritual do cristão não ocorre de modo rápido e instantâneo, mas progressivamente em Cristo (Cl 1.28, 29). Para que conservemos em nossas igrejas os novos convertidos em Cristo, precisamos trabalhar com amor, dedicação e objetividade. Muito da imaturidade espiritual dos membros da igreja local é resultado da ignorância destes em relação às doutrinas básicas da Bíblia. É o que se denota nos destinatários da carta aos Hebreus -“Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal”(Hb 5.12-14).

    2. O quadriforme método de Jesus.  Mateus 28:19,20 – “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. Observe que neste texto é apresentado o método quadriforme, ordenado por Jesus: indo, fazendo discípulo, batizando e ensinando.  O texto sagrado destaca os verbos em sua forma imperativa. Nota-se que não é uma recomendação ou um conselho, mas uma ordem do nosso Senhor. Assim se destaca o método quadriforme imperativo:

    a) Ide. No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho. Esta determinação verbal está combinada com a do texto de Marcos 16:15: “…Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura”.

    A ordem do Senhor é que devemos ir por todo o mundo. Ir ao encontro do mundo, ir ao encontro dos pecadores, levar-lhes a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O homem não tem condições de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo(II Co.4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

    A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo. Deve-se pregar a toda a criatura, mesmo que seja a pior pessoa que exista sobre a face da Terra. Não cabe à Igreja julgar os homens e dizer a quem deve, ou não, ser pregada a Palavra. O Senhor foi enfático em dizer que toda criatura deve ouvir a mensagem do Evangelho, seja esta pessoa quem for. É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Jonas teve de pregar para todos, sem exceção, ainda que muitos, pela sua extrema crueldade e maldade, fossem, na verdade, verdadeiras “bestas-feras”, verdadeiros “animais” (Jn.3:8), que, mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus – Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo, e nós, o que estamos a fazer?

    b) Fazer discípulos. Este imperativo tem o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo; a tarefa exige que o discipulador acompanhe e conviva com o aprendiz.

    c) Batizar. É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor.

    O batismo nas águas é uma ordem a ser cumprida por quem se arrependeu dos seus pecados – “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”(At.2:38. Deste modo, não podem ser batizadas crianças recém-nascidas, vez que não têm o discernimento do que é, ou não, pecado e, portanto, não podem se arrepender dos seus pecados, como também não podem ser batizadas pessoas que não tenham demonstrado que, efetivamente, creram no Evangelho e nasceram de novo. Só é lícito o batismo daquele que realmente creu de todo o seu coração – “E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco:Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?; E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”. (At.8:36,37).

    d) Ensinar as doutrinas da Bíblia. Este imperativo denota o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã. Ensinar aos homens e ensinar-lhes a Palavra de Deus foi o que o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos, quando lhes disse: “… ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado..”(Mt 28:20).

    O pastor Oséas Macedo, na obra Manual de Missões (CPAD, 1997:13), afirma que a tarefa de salvar o mundo não pode ser desassociada do enviar crentes para alcançá-lo. O processo de salvar o mundo começa com enviar. Enviar pessoas capacitadas por Deus para pregar, a fim de que todos possam ouvir, crer e invocar o nome de Jesus para serem salvos. No entanto, a tarefa da igreja não estará completa enquanto o novo crente não for integrado à vida da igreja e tornar-se capaz de ganhar outros para Cristo.

     

    II. DISCIPULADO E DISCÍPULO

    1. Que é discipulado? – O discipulado nada mais é que ensinar a Palavra de Deus aos novos convertidos, àqueles que aceitaram a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador de suas vidas e fazer com que eles, que foram escolhidos por Deus, possam viver de tal maneira que dêem o fruto do Espírito, ou seja, tenham um novo caráter, uma nova maneira de viver que leve as pessoas a glorificar ao nosso Pai que está nos céus, ou seja, vivam de tal maneira que suas ações os transformem em testemunhas de Jesus, em prova de que Jesus salva e, por isso, outras pessoas reconheçam o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, ou seja, o Evangelho (Rm.1:16).

    Quando uma pessoa nasce de novo, encontra-se na mesma posição de Lázaro ressuscitado. Jesus, depois de quatro dias, quando o corpo de Lázaro já estava em decomposição, mostrou o seu poder sobre a morte, fazendo-o ressurgir dos mortos. Milagrosamente, Lázaro saiu da sepultura com vida. Entretanto, é interessante notar que Lázaro foi para fora da sepultura, mas se encontrava ainda todo enfaixado, conforme os costumes judaicos de preparação do cadáver. Jesus não determinou que Lázaro fosse daquele jeito para casa nem tampouco se incumbiu de desligar o ex-defunto. Mandou que aquelas pessoas que estavam ali vendo o milagre tratassem de tirar as faixas de Lázaro, de modo que ele próprio (Lázaro) fosse para a sua casa (Jo.11:44). Assim ocorre com o novo convertido: só Jesus poderia trazê-lo à vida, ou seja, salvá-lo; mas cabe a nós que estamos com Jesus neste mundo tomar as providências necessárias para que o novo crente se desligue de tudo aquilo que estava relacionado com a vida sem Cristo, ou seja, com a morte espiritual, para que ele, individualmente, siga em direção à sua casa, onde já o aguarda o Salvador.

    Foi exatamente isto que Barnabé e Paulo fizeram na igreja de Antioquia, a primeira igreja formada por gentios na história da Cristandade. Barnabé, ao verificar que havia conversão autêntica, tratou de buscar a Paulo e, durante todo um ano, houve o discipulado, ou seja, o ensino da Palavra àqueles novos crentes. O resultado daquele ano de ensino não poderia ser melhor: os novos convertidos passaram a ter uma vida muito semelhante à de Jesus, passaram a ser diferentes dos demais moradores de Antioquia, passaram a ser provas vivas da transformação que o Evangelho produz nas pessoas. Após terem sido ensinados na Palavra e terem mudado de vida, os moradores de Antioquia passaram a notar a diferença e, cumprindo o que disse Jesus a respeito do efeito das boas obras dos seus discípulos, passaram a chamar os discípulos de “cristãos”, isto é, “parecidos com Cristo”, “semelhantes a Cristo”(At.11:26). Eram os homens glorificando ao Pai que está nos céus (Mt.5:16). Era o resultado do ensino da Palavra.

    O “discipulado” não é uma tarefa somente dos novos convertidos, não. Embora muitos considerem que o “discipulado” seja uma tarefa destinada somente aos novos convertidos, ou seja, um período de ensino da Palavra de Deus até o batismo nas águas, temos que a realidade bíblica é bem diferente. Não resta dúvida de que é necessário um discipulado específico para o novo convertido, como, aliás, vimos no episódio da igreja em Antioquia. Entretanto, o discipulado não se encerra com o batismo nas águas do novo convertido que, tendo dado frutos dignos de arrependimento, desce às águas e é inserido na igreja local. O discipulado tem como finalidade o de nos fazer cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus; é uma tarefa incessante, que não tem fim.

    Discipular é ensinar a Palavra, é aperfeiçoar os santos, é disciplinar em um caminho. É colocar o Caráter de Cristo em outra pessoa, através do ensino e do exemplo. Assim, somente pode ser considerada encerrada quando alguém tiver atingido a perfeição, pois só alguém perfeito não necessita ser aperfeiçoado. Tanto assim é que o apóstolo Paulo afirma que os dons ministeriais devem ser exercidos até que cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13). Quem, porventura, chegou a este estágio durante os quase dois mil anos de Igreja? Alguém já chegou à estatura completa de Cristo? Alguém já atingiu a perfeição? Evidentemente que não! Se formos para a história dos grandes homens de Deus, sem dúvida que diríamos que, nos tempos apostólicos, o apóstolo Paulo se encontrava entre aqueles que poderiam ter chegado a este nível. No entanto, o próprio Paulo afirmou que não havia chegado a tal condição (Fp.3:12). Se Paulo que foi mero imitador de Cristo(1 Co 11:1), com recomendação para imitá-lo(Fp 3:17), que  teve uma revelação especial de Jesus, não chegou a esta estatura, quem somos nós para dizer que o fizemos? Por isso, indubitavelmente, o discipulado é uma tarefa que nunca há de terminar na Igreja, visto que seu alvo é inatingível. Podemos, mesmo, afirmar que, ao dizer que o objetivo do discipulado é nos levar à estatura completa de Cristo, estamos aqui diante de uma expressão bíblica cujo significado é um só: “devemos aprender sempre”.

    2. Que significa ser discípulo?  – “Discípulo” significa “aluno”, “aquele que aprende”. A palavra “discípulo”, do grego mathetés, é usada 269 vezes nos Evangelhos e em Atos.  Jesus, a exemplo dos mestres judeus do seu tempo (os chamados “rabis”, hoje denominados de “rabinos”), era seguido pelos seus “alunos”, ou seja, por aqueles que queriam aprender as lições do mestre, por aqueles que esperavam aprender do mestre o conteúdo das Escrituras. João tinha os seus discípulos (Mt.9:14), assim como Jesus. Estes “discípulos” eram pessoas que, fundamentalmente, queria aprender com Jesus, tinham interesse em tomar conhecimento daquilo que Jesus lhes queria transmitir e, por causa deste interesse, recebiam a revelação daquilo que estava oculto às demais pessoas (Mt.13:10,11).

    Ser “discípulo” de Jesus é querer aprender de Jesus e o próprio Jesus enfatizou que é necessário que aprendamos dEle se quisermos encontrar descanso para as nossas almas (Mt.11:29). Somente sendo “discípulo”, ou seja, querendo aprender a respeito de Jesus, que nada mais é que aprender a respeito das Escrituras (Mt.22:29; Jo.5:39), é que teremos acesso à verdade e, por isso, seremos santificados (Jo.17:17), daremos fruto a ponto de sermos reconhecidos como filhos de Deus (At.11:26) e, por causa disto, desfrutaremos da vida eterna com o Senhor(Mt.13:23,43).

    “O discípulo não é mero aprendiz, mas alguém que segue as pisadas de seu Mestre e possui íntimo relacionamento com Ele”.

    Nos Evangelhos, Jesus define a palavra discípulo de cinco maneiras:

    1) Discípulo é um crente que está envolvido com a Palavra de Deus de maneira contínua – “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos” (Jo 8.31).

    2) Discípulo é aquele que ama sacrificialmente, sem medir esforços – “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35); “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos”(1 Jo 3.16).

    3) Discípulo é alguém que permanece diariamente em união frutífera com Cristo – “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15.8).

    4) Discípulo é aquele que assume a sua cruz e segue a Cristo –“ Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27).

    5) Discípulo é aquele que renuncia tudo que tem – “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33).

    III. A IGREJA REALIZANDO O DISCIPULADO

    O discipulado, ou seja, o ensino da Palavra de Deus, é uma tarefa fundamental e ininterrupta da Igreja. Observe que “fazer discípulos”, “ensinar as nações” é uma ordem de Jesus, exarada no mesmo texto que diz respeito ao batismo nas águas (que estudamos na lição anterior).

    O ensino da Palavra de Deus, portanto, é uma necessidade, necessidade esta de que deve a igreja local estar sempre consciente, assim  como a de evangelizar. Entretanto, é com tristeza que vemos que, assim como a Igreja está dispersa com respeito à evangelização, como vimos na lição 02, também o está, e até com maior intensidade ainda, com respeito ao ensino da Palavra de Deus.

    1. A Igreja deve selecionar pessoas para o discipulado. Para cumprir a tarefa do ensino da Palavra, é preciso, em primeiro lugar, que a Igreja se veja dotada de homens e mulheres preparados para ensinar. Na igreja de Antioquia, Barnabé ao notar a salvação daqueles crentes, imediatamente viajou para Tarso, para trazer a Paulo, pessoa que ele sabia ser preparada e capaz de ensinar aqueles novos convertidos(At 11:25,26).

    Um dos grandes problemas que temos visto nas igrejas locais da atualidade é o despreparo das pessoas para ensinarem a Palavra de Deus. Quando falamos em preparo, não estamos nos referindo a escolaridade ou a conhecimento secular de alguém, mas, sobretudo, a seu conhecimento bíblico, a sua capacidade de manejar bem a Palavra da Verdade (I Tm.2:15).

    Infelizmente, as atividades de ensino são, quase sempre, as mais desprezadas nas igrejas locais na atualidade. O termômetro desta situação é a Escola Bíblica Dominical, que, segundo pesquisa, apenas 10% dos membros da igreja tem interesse em aprender a Palavra de Deus. Isto é lamentável! Esta situação leva-nos a inferir que é uma das principais razões da frieza espiritual, da influencia mundana e da total desinformação que tem tomado conta do nosso povo nos últimos anos, sem falar nas milhares de vidas que se encontram completamente aprisionados por heresias e falsos ensinos, que têm tomado conta dos nossos púlpitos.

    O descaso com a Escola Bíblica Dominical por parte de muitos pastores e dirigentes de igrejas locais, eles próprios eternos ausentes destas reuniões, leva, muitas vezes, à entrega das classes a pessoas despreparadas, que mal sabem para si, que dirá para os outros. Estamos muito longe do modelo bíblico, em que os apóstolos, apesar de serem os principais nomes da igreja, tomavam para si a responsabilidade do ensino da Palavra, ensino este que era prioritário, tanto que a primeira coisa que Lucas faz notar na igreja primitiva é de que eles “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At.2:42).

    O ensino da Palavra deve ser a atividade interna prioritária, primordial na igreja local. Depois da evangelização, que é voltada para ganhar almas para o Senhor, que é voltada para os que estão fora da igreja local, para a comunidade, a igreja local deve se preocupar é com o aprendizado de seus membros, com o ensino da Palavra. Assim, as reuniões voltadas para os salvos devem ser, prioritariamente, de ensino da Palavra, de ensino doutrinário. Entretanto, o que se tem visto é uma simples leitura da Palavra de Deus em algumas reuniões, quando o é, sem qualquer exposição ou ensino a respeito dela. Não são poucos, aliás, os crentes que nem mesmo levam suas Bíblias para tais reuniões, pois sabem que nem sequer tais Bíblias serão lidas ou abertas. Estamos, lamentavelmente, a viver os tempos tristes anunciados pelo profeta Amós, tempos de fome e de sede da Palavra de Deus (Am.8:11).

    2. A igreja deve concentrar sua atenção sobre os discipuladores. Na força do Senhor, a igreja precisa investir o máximo na preparação de discipuladores, a fim de fazer mais discípulos, e o pastor da igreja é o ponto de partida para a dinâmica do ministério do discipulado.

    O progresso do trabalho do discipulador depende muito da visão do pastor da igreja local. Deve partir dele a tarefa do discipulado; ele deve ser o primeiro a ter prazer em ensinar e a se esmerar no ensino da Palavra. Deve ser alguém sempre pronto a elucidar dúvidas doutrinárias dos irmãos, um assíduo freqüentador da Escola Bíblica Dominical, alguém que demonstra esforço e profundidade doutrinária nos cultos de ensino, como também na pregação da Palavra nas reuniões públicas. Não precisa ser um “doutor em Divindade”, um “erudito”, mas precisa, isto sim, demonstrar conhecimento bíblico, intimidade com as Escrituras, precisa ser um obreiro aprovado, que maneja bem a palavra da verdade, e deve exigir de seus auxiliares este mesmo perfil.

    O dirigente deve incentivar os seus auxiliares no estudo da Bíblia, inclusive, se necessário, fazendo reuniões de estudos bíblicos com eles, a fim de estimulá-los a manejar bem a palavra da verdade. Deve dar atenção especial ao superintendente da Escola Bíblica Dominical e aos professores da EBD, participando das reuniões preparatórias deles sempre que possível, além de assistir às aulas da EBD, verificando, assim, como está sendo ensinada a Palavra na igreja local.

    Com relação aos novos convertidos, é preciso haver um segmento especial da igreja local para deles cuidar. Eles devem ser acompanhados de perto pelos evangelistas da igreja local, que deverão lhes tirar todas as dúvidas que tenham e dar prioridade a que eles aprendam os fundamentos doutrinários, as bases da doutrina cristã. Tais bases estão elencadas pelo escritor aos Hebreus, a saber: arrependimento de obras mortas, fé em Deus, doutrina dos batismos, da imposição das mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno (Hb.6:1,2). Tais ensinamentos devem ser dados, de forma sistemática, preferencialmente na Escola Bíblica Dominical, em classe específica para os novos convertidos, a fim de que eles possam, a um só tempo, ter conhecimento das verdades bíblicas essenciais, como também se acostumar a freqüentar a EBD.

    3. A igreja deve treinar os seus membros para a tarefa do discipulado. A igreja precisa, no discipulado cristão, de uma visão celestial multiplicadora, selecionando e treinando homens e mulheres para que, por suas vidas santas e ungidas e, pelo ensino das verdades cristãs, possam educar os novos discípulos e torná-los aptos para fazer outros. Mas, para se fazer o discipulado, é indispensável que demos o devido valor à Palavra de Deus, Palavra que o próprio Deus engrandeceu a tal ponto de a pôr acima de Si mesmo (Sl.138:2). Sem esta atitude, de nada adiantará desenvolver “cursos teológicos”, “cursos bíblicos”, “cursos de preparação de obreiros” e tantas outras coisas que têm sido inventadas e postas em prática na atualidade. Se as pessoas não se conscientizarem de que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus (Mt.4:4), um discipulado não terá êxito em qualquer igreja local. Foi isto que os apóstolos sempre fizeram, a ponto de terem arrogado para si esta tarefa e tê-la posto como prioridade absoluta em seus ministérios.

    O ministério de Jesus é o exemplo para a Igreja, que é o seu corpo: Ele pregou o evangelho às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt.10:6;15:24), como também preparou homens e mulheres que pudessem prosseguir a sua obra (Mt.11:1). Se seu ministério se resumisse tão somente na pregação, ante a rejeição de Israel (Jo.1:11), teria havido um fracasso. Entretanto, o Senhor formou um grupo de discípulos que, revestidos de poder, seriam suas testemunhas até os confins da terra (At.1:8).

    CONCLUSÃO

    A Igreja que não ensinar a Palavra de Deus aos seus integrantes, a começar dos novos convertidos, não estará cumprindo a sua tarefa sobre a face da Terra. Não basta pregar o Evangelho, também é necessário que os novos convertidos a Cristo sejam  devidamente instruídas na Palavra do Senhor, tenham conhecimento das Escrituras, sem o que não se tornarão discípulos de Jesus e quem não for discípulo de Jesus não entrará no céu, pois só aqueles que assim se comportarem poderão dar fruto e, portanto, ser considerados como justos e resplandecerem no reino do Senhor, como o Senhor deixou claro na interpretação que deu da parábola do joio e do trigo.

    “Centenas de pecadores convertem-se anualmente, experimentam o novo nascimento, mas não chegam à maturidade espiritual, pois lhes faltam pais espirituais. Muitos daqueles que permanecem se desenvolvem com anomalias e atrofias éticas e doutrinárias.  Onde estão os discipuladores? Você está disposto a “fazer discípulos”?

    Assim como o recém-nascido necessita de cuidados para desenvolver-se de modo saudável, o novo convertido precisa de cuidados espirituais para chegar à maturidade na fé. Isso só é possível se cada crente assumir o inalienável compromisso de ser um discipulador cristão.

    Alguém em certo lugar afirmou que a igreja é um hospital. Mas perguntamos: “Será que é uma geriatria?” — uma vez que não há renovação de seus membros. “Será que é uma ortopedia?” — uma vez que o corpo está atrofiado. “Será que é uma pediatria?” — pois todos os que nascem recebem os cuidados espirituais necessários. Façamos de nossas igrejas um hospital geral, que trate do ser humano em todas as suas necessidades espirituais”