Categoria: Escola Dominical

  • Lição 1 – Princípios de Autoridade

    Lição 1 – Princípios de Autoridade

    autoridade

    1.    O que é Autoridade :

    O termo autoridade  vem do latim, auctoritas, derivada de auctor, causa, patrocinador, promotor, ou seja aquele que promove a cooperação ou submissão do grupo em prol de um objetivo maior.

    A autoridade pode se de alguns tipos:

    A autoridade pessoal: deriva-se do reconhecimento de que alguém sabe e tem realizações em um campo especifico.

    Autoridade oficial :é aquela dada a uma pessoa em razão de uma função ou poder que lhe tenha sido conferido por outros, de acordo com a lei, com os costumes ou com outras convenções sociais.

    Autoridade de objetos (como um livro): podem tomar-se autoritários pelo consensos de muitos.

    Ou podemos usar os termos autoridade externa ou autoridade interna.

    A externa é aquela conferida a uma pessoa que se tornou oficial, nomeada por outros, como um governador.  Um policial, um professor, etc.

    A interna é aquela residente em um argumento convincente ou em um importante exemplo ou em uma experiência moral ou espiritual.

    A autoridade é o direito de influir sobre os outros a autoridade quase sempre nos é delegada.

    Exercício de poder delegado

    Toda a fonte de autoridade existente emana de Deus, portanto não há nenhuma autoridade existente, que não esteja sujeita a Deus; Deus é a fonte de toda a autoridade. Ele detém o poder supremo. Ele é Aquele que está sentado no trono do universo e é Ele quem tem completo controle sobre todas as coisas. Consequentemente, podemos deduzir que qualquer outra autoridade que exista no universo foi estabelecida por Ele ou, pelo menos, só existe com a Sua permissão.  Sem o Seu consentimento, não seria possível a  sobrevivência de  qualquer outra autoridade.  Entretanto, não importa onde encontremos autoridade neste mundo de hoje (seja ela boa ou má), sabemos que é algo  que  provém  legalmente de  Deus.  Isto é exatamente o que as Escrituras ensinam.  Governos humanos, Forças Armadas, juízes, etc., são instituições que são estabelecidas por Deus para inibir as forças do mal neste mundo (Rom 13:1-7).

    João 19 -10-11 “Você se nega a falar comigo?”, disse Pilatos. “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?”

    Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim se esta não te fosse dada de cima…

    O nosso Deus reina ele destitui governantes, lideres em todos os graus e  lugares.

    Deus de Israel é ‘Senhor de toda a terra‘ (cf. Mq 4.13), que controla a história e o destino das nações (Am 9.7). De acordo com Amós 9.12, as nações ‘são chamadas’ pelo ‘nome’ do Senhor. A expressão aponta a propriedade e autoridade do Senhor sobre as nações como deixa claro o uso constante em outros textos bíblicos (cf. 2 Sm 12.28; Is 4.1).

    Quem delega da liberdade e exerce controle

    Que delega tem o controle é e importante, que seja dada liberdade de atuação para quem está revestido de autoridade, se não houver liberdade de ação o que foi revestido de autoridade se torna uma marionete.

    Exemplo: Deus que nós servimos está no controle de todas as coisas.

    A primeira, estar no controle, não significa manipular o processo 24 horas por dia, 7 dias na semana, 30 dias no mês, 365 dias no ano, e toda a vida. Estar no controle não significa manipular o processo o tempo todo.

    A segunda, completa a primeira, estar no controle é você ter o poder, e a autoridade para intervir na hora que você quer, do jeito que você quer, e como você quiser, exemplo micro para você entender o macro que eu estou falando, que é Deus.

    Um exemplo micro, por exemplo, existem várias empresas, que são empresas mundiais, que tem presidente no Brasil, na Argentina, na África do Sul, na Alemanha, na Itália, na França, ela tem uma presidência mundial, ou um conselho de administração que comanda a empresa no mundo todo, mas cada presidente da empresa no país, tem a sua autonomia, para colocar os planos da empresa, só que aqui por cima tem um presidente mundial, que pode a qualquer hora intervir, O presidente mundial está numa posição superior, e portanto ele pode a qualquer hora ele intervir em qualquer uma destas empresas, mas ele que está dirigindo aqui no Brasil, ou na Argentina ou na França, ele tem autonomia para gerenciar e gerir.

    Assim é Deus. Deus está no controle de tudo, mas ele permite o homem escrever história, ele permite você e eu fazermos escolhas e ele respeita as nossas escolhas. Ele permite você e eu tomarmos nossas decisões, mas Deus, a hora que ele quiser, do jeito que ele quiser, ele pode interferir na vida de qualquer um de nós, porque afinal de contas o Deus que nós servimos está no controle de Todas as coisas . Mensagem Pastor Silas Malafaia – Deus está no controle.

    Agora se aquele que recebeu a autoridade, pode muito bem perde-la quando, subleva a autoridade maior, ou não seque as normas e princípios daquele que o revestiu de autoridade. E passa a governar para si próprio e não em prol do bem estar da comunidade ou grupo sobre o qual se tem autoridade, e é de Deus o juízo sobre estas autoridades.

    Lembram o que Deus falou para Nabucodonosor: “Passou de ti o teu reino” (v. 31). E na mesma hora ele foi tirado dentre os homens, e foi humilhado, zombado e escarnecido por todos. Quem diria, o “grande” rei Nabucodonosor virou um bicho! É assim que Deus faz: abate os soberbos que de alguma maneira sublevam a sua autoridade.

    1.1.  Autoridade pressupõe legalidade

    Uma pessoa que tem ou esta numa posição de autoridade, há um ato legal legitimando aquela autoridade, ela recebeu legalmente este direito, e muito tristes ver alguns nos nossos dias caindo de paraquedas por ai dizendo que receberam a autoridade de Deus sem mesmo conhecer a deus, ou adquirindo autoridade “títulos, nomes e diplomas”, totalmente de modo ilegal está autoridade não é reconhecida por deus, e falsa e mentirosa e só pode ter sido aprovada no inferno.

    1.2.  Ato que implica legitimidade

    Quem exerce autoridade deve seguir as leis pré-existentes estabelecidas, seja ela humana ou bíblica, ela não pode simplesmente passar por cima dos princípios que regem a autoridade constituída. Nem entrar em choque com as demais autoridades. Já diz o ditado cada macaco no seu galho.

    Exemplo: Um policial não pode interferir na autoridade de um médico.

    2.    Exercício da Autoridade

    2.1.  Deus ordenou a existência das autoridades.

    Para o bem do convívio social Deus estabeleceu a existência de instituições e quem seria a autoridade sobre estás instituições.

    Toda instituição que tem a aprovação de Deus tem como líder o cabeça a pessoa de Jesus Cristo ele é a pedra fundamental de tudo. E quando digo tudo é tudo mesmo do planeta terra ele é o principal, por ele, para ele é que nós existimos.

    2.2.  Tipos de autoridade

    Vamos definir alguns tipos de autoridade que a bíblia nos apresenta.

    2.2.1.     Autoridade do Governo

    Os Governos e as autoridades constituídas para governo dos países, são instituídas para o bem estar da população e são agentes de Deus para garantir a ordem como vemos em Rm 13,4 e Lc 22.25.

    As escrituras nos orientam a sermos submissos às autoridades e, consequentemente, às leis de nosso país. Pagar imposto ou regularizar um imóvel na prefeitura, por exemplo, são obrigações que não ferem a Palavra de Deus. Deixar de cumprir alguma dessas obrigações é mais do que se rebelar contra o governo: é se rebelar contra Deus.

    Portanto, como cristãos, devemos dar o bom testemunho, sendo submissos à autoridade de nossa região. Devemos obedecer às leis, contanto que estas não atrapalhem nosso relacionamento com Deus. Por exemplo, se um governo decretar que é proibido ler a Bíblia, não deixe de lê-la, pois Deus deseja que façamos isto: proibir a leitura da Bíblia seria um ato que prejudicaria nosso relacionamento com Deus. Não se esqueça que é Deus quem permite uma pessoa chegar ao poder.

    Porém, não devemos obedecer cegamente a tudo o que as autoridades determinam. Em Romanos 13:3, Paulo fala que “os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal.”. Devemos sempre lembrar que Deus é a autoridade máxima. Logo, se alguma lei ou solicitação for contra o que a Bíblia diz, devemos obedecer primeiramente a Deus. Um exemplo disso está em Atos 4:18:20.

    É importante também estarmos atentos para não confundir qualquer fiscalização com perseguição. Estão perseguindo cristãos quando, por exemplo, não permitem que seja realizado algum evento somente por ser um evento cristão. Agora, se esta proibição é devida à falta de alguma documentação, a situação é bem diferente: trata-se de uma punição, e não uma perseguição. Devemos ser submissos às autoridades não apenas para evitarmos punições, mas também para mantermos nossa consciência limpa. Rm 13:5.

    Outro ponto importante a se observar é a maneira como confrontar um decreto que discorde da Bíblia. Sair promovendo “quebra-quebras” ou atitudes violentas exageradas não colaboram com nada. Não devemos retribuir o mal com o mal. Precisamos ser firmes em nosso posicionamento e, ao mesmo tempo, ser um bom testemunho. Um exemplo disto é Jesus que, por vezes, agiu de forma mais “pesada”, como no caso da expulsão dos mercadores do templo ou na repreensão aos fariseus, mas nunca exagerando na rigidez. Caso o fizesse, Ele estaria sendo um mau testemunho. Do mesmo modo, um cristão deve manter-se firme no seu posicionamento, porém, sem deixar de agir coerentemente.

    2.2.2.    Autoridade na Família

    No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos.

    A palavra de Deus diz: como Cristo é a cabeça ou autoridade sobre o homem, o homem é  cabeça sobre sua esposa (1 Coríntios 11.3). A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Coríntios 11.8-12; 1 Timóteo 2.11-15). Por isso a esposa deve se submeter ao marido. A palavra de Deus dignifica tanto o casamento, que compara o marido com Cristo e a esposa com a igreja. Assim como Cristo é o cabeça da igreja, o homem é o cabeça da sua mulher; e assim como a igreja (noiva de Cristo) é submissa a Cristo, a esposa deve ser submissa ao homem (revelado especialmente em Efésios 5.22-33). Porém, a mulher só será submissa ao seu marido se tiver revelação da autoridade de Deus em sua vida; do contrário, será muito difícil submeter-se, principalmente aos maridos de difícil convivência. Por isso a palavra diz para ela ser submissa ao seu marido “como ao Senhor” (Efésios 5.22). Isto significa que quando a mulher se submete ao seu marido, na verdade está se submetendo ao Senhor.

    A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família, o que dá à mulher:

    a) cobertura espiritual;

    b) proteção;

    c) cuidados.

    Quanto à submissão da mulher, em relação a Deus, diz a palavra: “isto é de grande valor” (1 Pedro 3.4); e em relação a ela, resulta: “espírito manso e tranqüilo”(1 Pedro3.4,6).

    As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pedro 3.1-6). Quem assim procede, diz Pedro, se torna filha de Sara.

    Abraão é exemplo de fé; ele é chamado de pai dos que creem. Sara é exemplo de submissão. Com isto concluímos que a fé em Cristo resgata no homem e na mulher sua submissão à autoridade direta – a Deus – e delegada – aos homens. Fé e submissão andam juntas na experiência do homem com Deus.

    A submissão torna-se mais prática quando a palavra diz do “respeito” que a mulher deve ter pelo esposo (Efésios 5.33).

    Interessante observar a atitude de Eva quando pecou contra Deus. Ao atender a sugestão do diabo ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Por isso a palavra de Deus nos exorta a nos colocar debaixo da autoridade do Senhor para então obedecermos a sua autoridade delegada.

    Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos: “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (1 Pedro 3.1). Qual procedimento? Submissão ao próprio marido!

    Aos maridos a palavra de Deus responsabiliza de amar suas esposas. Chama mais o marido ao amor do que a mulher à submissão (Efésios 5.25,28,33). Não podemos esquecer que Deus, ao criar a mulher do homem, tirou-a do lado do seu coração, para ser amada e tratada com consideração (Colossenses 3.19; 1 Pedro 3.7).

    Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Efésios 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar.

    Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde, como a caracterizada, principalmente nestes últimos dias (Romanos 1.30; 1 Timóteo 3.2).

    Se os filhos forem submissos aos pais, em relação a Deus, diz a Palavra: “assim fazê-lo é grato diante de Deus” (Colossenses 3.20); e em relação ao discípulo há duas promessas: tudo irá bem e terá longa vida (Efésios 6.2,3).

    Quanto à submissão da esposa e dos filhos ao cabeça do lar, deve ser absoluta, mas sua obediência deve ser relativa, quando vai de encontro à palavra de Deus.

    A palavra de Deus responsabiliza os pais, por um lado, de não provocar seus filhos e nem irritá-los, para que não fiquem desanimados; e por outro lado, criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor (Efésios 6.4; Colossenses 3.21).

    Quando os membros de uma família entendem a autoridade, muitas dificuldades no lar desaparecem.

    Que nossas famílias sejam um lugar em que resplandeça a glória de Deus, através do qual os discípulos sejam edificados e os incrédulos sejam salvos.

    Que nossos lares sejam um encontro vivo e dinâmico da igreja nas casas, tal como vemos nos Atos dos Apóstolos.

    2.2.3.    Autoridade Eclesiástica

    Há, certamente, necessidade de autoridade  na   Igreja. Não há dúvida de que Deus usa os homens para  serem  ambos, líderes  e exemplos para outros e para  atraí-los para  um  relacionamento com Cristo.

    A  genuína autoridade  espiritual emana do  próprio Deus.  Aqueles que exercem tal  autoridade  são  vasos   preparados que transmitem os pensamentos e desejos de Deus para  o Seu povo.  É este tipo de autoridade que deveríamos estar  exercendo na Igreja hoje. Precisamos desesperadamente de homens que  falem  quando Deus  fala com eles, que liderem de acordo com Sua direção  e que  manifestem Suas revelações. A grande necessidade atual  não  é daqueles que  foram  treinados, eleitos  ou indicados para  posições  de  autoridade, mas  daqueles que  são  íntimos de Deus e através dos quais  Ele pode  transmitir livremente Sua vontade.

    A genuína autoridade espiritual não  vem  por  uma  indicação para uma “posição” ou “diaconato”. Embora certos  homens tenham adquirido no  Novo Testamento rótulos como  “ancião”, “diácono” ou  “apóstolo”, a autoridade deles  não  veio  por  causa  de  alguma “posição”. A verdade é exatamente  o  contrário.   Tais  designações  vieram   como   resultado  do profundo trabalho espiritual que Deus fez interiormente neles.  Elas eram uma  maneira de  descrever suas  funções  especiais  no  corpo.  Em alguma área  específica  Deus  preparou esses  homens  para serem  canais  de  Sua autoridade. Esses  nomes foram   usados para  identificar  essas  áreas   de serviço,  não para  qualificá-los para  elas.

    Sim, a Bíblia diz que os Apóstolos “ordenaram” presbíteros em cada Igreja (Atos  14:23). Mas o que  este termo  realmente significa?  W. E. Vine, em  seu  Dicionário Expositor  das  Palavras do  Novo  Testamento, diz  o seguinte:  “não  se  trata   de  uma  ordenação  eclesiástica formal,   mas   a escolha,  para  o reconhecimento das  Igrejas,  daqueles que  já tinham sido levantados e qualificados pelo  Santo  Espírito e dado evidência disso  em suas  vidas   e  em  suas  obras.” Você  vê  que  os  Apóstolos não  estavam arbitrariamente selecionando homens que preenchessem certas qualificações ou que,  talvez,  estivessem mais  desejosos de prosseguir com a programação deles  ou  que,  possivelmente, tivessem muito dinheiro ou influência   na   comunidade.  Ao  contrário,  com   olhos   espirituais,  eles estavam  indicando,  para   benefício   daqueles  que   não   podiam  ver  tão claramente, aqueles  que  Deus  havia  selecionado e preparado para  usar  como Seus vasos.

    Por  favor,  não  compreendam mal  isto:  esforços  humanos movidos pela autoridade natural podem  ser capazes de realizar  coisas  notáveis no mundo   religioso.  Campanhas de “reavivamento,” acionamento   de membros, levantamento de fundos e projetos de construção, podem todos ser  executados  por   forte   liderança  humana.   Mas, lembremo-nos  que “sucesso”  não é a medida para  nossas realizações espirituais. Não importa quão  grandiosos ou impressionantes nossos  trabalhos possam parecer, se eles   tiverem  sido   construídos  com   substâncias  erradas  –  elementos terrenos  em   vez   de  sobrenaturais  –  eles  serão   destruídos  no  dia   do julgamento.

    3 – Função da Autoridade

    “No aspecto do evangelho,  ter a “Autoridade” não significa o direito de agir como ditador, ordenar ou comandar. Pelo contrário, significa guiar, proteger, indicar o caminho, dar exemplo, dar segurança, inspirar e criar o desejo de apoiar e seguir.

     

     

     

     

  • Lição 2 – A importância do ensino cristão

    Lição 2 – A importância do ensino cristão

    ensino cristão

    Texto Áureo

    “Estes, pois, são os mandamen­tos, os estatutos e os juízos que mandou o Senhor, vosso Deus, para se vos ensinar, para que os fizésseis na terra a que passais a possuir”. Dt 6.1

    Verdade Aplicada

    A educação cristã deve promo­ver entusiasmo, ânimo e vida cristã em abundância.

    Objetivos da Lição

    • Mostrar que não existe genu­íno cristianismo senão através do ensino prático de Jesus Cristo;
    • Indicar quais as esferas em que o ensino cristão deve ser aplicado;
    • Revelar a necessidade de desenvolvermos um caráter, à semelhança de Jesus mediante o ensino.

    Textos de Referência

    Dt 6.6        E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;

    Dt 6.7        e as intimarás a teus filhos e delas falarás assen­tado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.

    Dt 6.8        Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.

    Dt 6.9        E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

    Javé é nosso Deus, Javé é Único (6:4-9)

    Este grande livro prossegue agora para dar expressão ao que era o coração da confissão israelita, ou seja, que Javé não era um panteão de deuses, mas Único. Devia, portanto, ser o objeto único da fé e obediência de Israel. A nação não deveria esquecer Javé nem dividir sua lealdade entre outros deuses nos dias de prosperidade. Além do mais, deveria assegurar a continuidade de tal lealdade e da fé revelada na aliança através do ensino diligente às crianças.

    4. Ouve Israel. Israel é convidado a responder a Javé com a mesma plenitude de amor demonstrada por Javé em favor de Seu povo. No Novo Testamento o versículo 5 é apresentado por Jesus como o primeiro e grande mandamento (Mt 22: 36-38. Cf. Mc 12: 29-34; Lc 10: 27, 28). Esta breve passagem (4-9) tem sido conhecida pelos judeus durante sécu­los como o Shema (sema’, ouve em hebraico) e é recitada junto com Deuteronômio 11: 13-21 e Números 15: 37-41 como oração diária. A refe­rência à colocação das leis de Deus como frontal entre os olhos é comen­tada em 6: 8. A prescrição do versículo 4 tem sido considerada como uma maneira positiva de enunciar as ordens negativas dos dois primeiros man­damentos do Decálogo (5: 7-10). Esta confissão central da fé israelita consiste de apenas quatro palavras, Javé, nosso Deus, Javé, Um (A doutrina cristã da Trindade não contradiz este texto, embora envolva uma compreensão diferente do conceito de trindade na Pessoa Divina.). A ex­pressão tem sido entendida de várias maneiras. Traduções possíveis são: Javé nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé somente”. Seja qual for a tradução escolhida, o signi­ficado essencial é claro. Javé deveria ser o único objeto da adoração, lealdade e amor de Israel. A palavra “um” ou “Único” implica em monoteísmo, mesmo que não o afirme com todas as sutilezas da formulação teoló­gica. O monoteísmo bíblico tinha uma expressão prática e existencial que levaria ao abandono de pontos de vista como a monolatria. Mesmo que alguém em Israel admitisse a existência de outros deuses, a afirmação de que somente Javé era Soberano e único objeto da obediência de Israel fazia soar o toque fúnebre para quaisquer posições inferiores ao monoteísmo.

    5. Amarás a Javé teu Deus. A obediência de Israel não deveria sur­gir de um legalismo estéril baseado na necessidade e no dever. Deveria surgir de um relacionamento baseado em amor. É interessante notar que em alguns tratados de suserania uma palavra semelhante é usada para expressar o relacionamento entre o vassalo e seu suserano. O equivalente hebraico deste uso da palavra “amar” ocorre em 1 Reis 5: 1, onde a SBB traduz “Hiram sempre fora amigo de Davi”. Mesmo em tratados se­culares sentia-se a necessidade de um relacionamento mais profundo que o meramente legal. O termo bíblico “amar”, entretanto, tem uma cono­tação muito mais profunda. Oséias usa o verbo para expressar a afeição de Javé por Israel, fazendo uso de poderosas metáforas, extraídas da vi­da doméstica, do relacionamento entre marido e esposa (Os 3: 1) e do relacionamento entre pai e filho (Os 11:1). A extensão do amor do ho­mem a Deus deveria ser total. Israel deveria amar a Deus com todo o seu ser. A expressão de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força é uma das favoritas em Deuteronômio (4: 29; 10: 12; 11: 13; 13: 3; 26: 16; 30: 2, 6, 10), e nos oferece uma percepção parcial da anti­ga psicologia hebraica. O coração era considerado a sede da mente e da vontade bem como de uma vasta gama de emoções. O termo alma é de difícil definição, mas parece ser referir à fonte de vida e vitalidade, ou mesmo do próprio “ser”. Em Gênesis 2: 7 e 19 homens e animais são apresentados como “seres” viventes. * Os dois termos, coração e alma en­tre si indicam que o homem deve amar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. Para dar mais força à ordem, uma terceira expressão é acres­centada, de toda a tua força.

    6. A necessidade de ter a lei de Deus no teu coração ao invés de em simples tábuas de pedra é aqui apresentada (çf 11: 18; Jr 31: 33). A comparação com o Novo Testamento é interessante. O teste do amor de um indivíduo ao Senhor Jesus Cristo é a observância de Seus mandamen­tos; “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14: 21; cf 1 Jo 5: 2). Tais passagens mostram que a obediência ao mandamento é um subproduto do amor. À objeção de que o amor não pode ser ordenado (5) mas tem que ser espontâneo, deve-se dar a res­posta de que o amor flui da gratidão e da devoção. Amor é uma expressão de lealdade. O homem que ama alegremente ama com todo o seu ser. A presente injunção foi feita para deixar claro a Israel qual era o caráter de seu relacionamento com Javé, seu Senhor. Qualquer coisa menos que ab­soluta devoção e lealdade levaria a uma lealdade dividida, que teria sido impossível. A ordem do amor não pode ser interpretada como prova de que o amor seja menos que espontâneo, mas como prova de que apenas um amor que não é dividido pode ser chamado amor em seu sentido mais verdadeiro.

    7-9. Quando um homem ama a Deus de maneira total, obedece alegremente às Suas palavras que estão gravadas no coração. A exigência do amor a Deus implica em todas as outras, e a disposição de amar a Deus abrange tanto a disposição de obedecer os Seus mandamentos quanto a disposição de comunicar tais mandamentos às gerações seguintes, de mo­do a preservar uma atitude de amor e obediência entre o povo de Deus em todas as épocas (7a, 20ss.). O livro de Deuteronômio dá importância es­pecial à tarefa de ensinar a família (4: 9b; 6: 20-25; 11: 19). As exigên­cias da aliança de Javé devem ser o assunto da conversa a todo o tempo, em casa, no caminho, de noite e de dia. Israel deve ensiná-las diligente­mente, falar delas constantemente, atá-las como sinal em várias partes do corpo, e escrevê-las. O amor de Deus e as exigências de Sua aliança deve­riam ser o interesse central e absorvente de toda a vida do homem.

    8,9. O que fora originariamente dado como uma metáfora tor­nou-se, mais tarde, para os judeus, uma ordem literal. Esta passagem, juntamente com Deuteronômio 11: 13-21 e Êxodo 13: 1-10, 11-16, era escri­ta em pequenos rolos colocados em pequenos invólucros de couro atados à testa e ao braço esquerdo quando o Shema era recitado. A origem dos filactérios (cf. Mt 23: 5) se encontra neste literalismo. Os filactérios eram usados por todos os judeus homens durante o período da ora­ção matutina, exceto aos sábados e dias de festa, que já eram sinais em si mesmos. Posteriormente, outra prática se desenvolveu, a de colocar estas quatro passagens em pequenos recipientes que eram afixados no portal de entrada da casa (a mezüzâ). Cópias antigas de tais documentos foram encontradas nas cavernas de Qumran e em outros lugares. É óbvio que tais práticas devem ter tido significado profundo para algumas pessoas. As breves passagens da Escritura eram “sinais” que representavam todo o conteúdo da lei, que deveria ser ensinado e observado. Quando, porém a prática se reduziu a mero legalismo, o espírito da antiga ordem foi destruí­do. O que movia homens à obediência era o amor de Deus e a lembran­ça de Suas misericórdias passadas. Tais sinais já eram suficientes em si mesmos, sem quaisquer lembretes físicos. A recordação dos atos salva­dores de Deus e a declaração das exigências de Sua aliança seriam suficien­tes para manter vivas a fé e a lealdade.

    A importância de recordar (6:10-25).

    Na fé bíblica a recordação das misericórdias e atos de libertação passados efetuados por Deus é fundamental. Na hora da prosperidade, ou em ocasiões em que tudo vai bem, os homens esquecem a Deus e podem até mesmo abandonar sua lealdade a Javé. Dois aspectos da importância do recordar são agora levantados. Em primeiro lugar há uma declaração negativa: os israelitas são exortados a não esquecer (10-19). Em segun­do lugar, Israel é desafiado a transmitir a seus filhos os grandes fatos da libertação do Egito.

    O perigo do esquecimento (6: 10-19).

    10-13. Em várias passa­gens de Deuteronômio enfatiza-se o fato de que uma civilização agrária estabelecida aguardava Israel quando de sua chegada à terra prometida. Tudo aquilo seria seu sem qualquer esforço de sua parte. Numa terra de pouca irrigação natural, com uma longa estação seca, as reservas de água eram essenciais à vida. Israel, entretanto, já encontraria cisternas cavadas, vinhas e olivais florescendo, cidades e casas construídas, tudo esperando apenas que os israelitas viessem tomar posse (cf 8:7-11; 11: 13-17; 26: 10; 32: 14). Devotar-se a tais tesouros terrenos e esquecer que eram a dádiva do amor de Deus e o cumprimento de Sua promessa aos patriarcas (10) era uma forte tentação para os israelitas. Por isso, Israel não deveria esquecer Javé e seus grandes atos de livramento que haviam resgatado seus antepassados da escravidão do Egito (12). Antes, suas vidas deveriam ser caracterizadas por um santo temor ou reverên­cia — que é a raiz da obediência e a base de atitudes corretas na vida, por um serviço leal surgido dessa reverência, e por fazer de Javé o penhor de sua integridade e honestidade em todas as suas atividades, fazendo votos somente em Seu nome. A história posterior de Israel é cheia de incidentes em que o povo deixou de dar ouvidos a esta admoestação. Por exemplo, durante os prósperos anos do oitavo século AC, Deus era honra­do apenas por cerimônias exteriores; as questões mais importantes de Sua lei eram esquecidas (Am 5:4, 5, 14; 6:1, 4-6; Os 2:5, 8; Is 1:4, 21-23). Numerosos exemplos poderiam ainda ser colhidos na história do povo de Israel e na história da Igreja cristã. Em nossos dias, o nominalismo da igreja na afluente sociedade ocidental dá testemunho eloquente do fato de que em seus dias de prosperidade a Igreja se esquece de Deus.

    14. A tragédia do esquecimento é que Israel viria a se voltar para os deuses das nações vizinhas que, na verdade, nem deuses eram. Eram divindades da natureza e da fertilidade, cujas exigências morais normais nem de longe se podiam comparar com as severas exigências éticas impos­tas por Javé.

    15. Negligenciar deliberadamente a Javé era equivalente a um desa­fio ao grande e soberano Senhor de toda a vida. No terreno secular um vassalo rebelde era castigado por seu suserano. No terreno em que Javé reinava, “maldições” sobrevinham àquele que quebrava a aliança. Javé, que era um Deus zeloso (5: 9), visitaria Seu povo em juízo. A presen­ça de Javé entre seu povo era um estímulo à boa conduta e oferecia um forte incentivo a que Israel andasse em Seus caminhos.

    16. O incidente em Massá (Êx 17: 1-7), no qual Israel tentou a Deus é agora recordado como outra advertência. Tentar a Deus é impor condições a Ele e fazer de Sua resposta à exigência do povo na hora da crise a condição para que Israel continuasse a segui-lo. No deserto, quando o povo precisou de água, os israelitas propuseram a Moisés que o apareci­mento de água fosse um teste para determinar se Javé estava ou não em seu meio (Êx 17: 7). Tal ato, entretanto, é uma impertinência e é oposto à fé, pois recusa os sinais oferecidos por Deus e propõe em seu lugar sinais que sejam aceitáveis aos homens. Ao duvidarem da soberania de Deus na hora da crise ou da necessidade, os israelitas procuraram tomar a inicia­tiva e obrigar Deus a dar provas de Si próprio diante deles por meio de feitos espetaculares que eles mesmos houvessem proposto (cf. 1: 19- 46). Em seus dias, Jesus recusou-Se a oferecer sinais aos escribas e fariseus (Mt 12:38, 39; 16: 1-4; Mc 8: 11, 12; Lc 11: 16, 29, 30; cf 1 Co 1:22).

    17-19. Mais uma vez Israel é exortado a guardar diligentemente as estipulações da aliança, e a fazer aquilo que é reto aos olhos de Javé (17, 18a). Mais uma vez as bênçãos decorrentes da obediência são menciona­das; prosperidade, posse da terra e expulsão de todos os seus inimigos (18b, 19; cf Êx 23:27-32).

    O ensino da fé da aliança (6:20-25).

    20. Mais cedo ou mais tarde, os filhos fatalmente iriam perguntar por que seus pais levavam um tipo de vida diferente daquela vivida pelas nações vizinhas. Prevendo o futuro, Moisés exortou o povo a ter sua resposta pronta quando seus filhos per­guntassem por que razão observavam as estipulações da aliança (testemu­nhos), estatutos e decisões judiciais (juízos) que Javé dera a Israel.

    21-25. A resposta apropriada à pergunta dos filhos seria recitar a narrativa da atividade redentora de Deus na libertação dos antepassados da escravidão no Egito. A crença de Israel em Deus era expressa, assim, não em termos de uma formulação abstrata, mas em termos da atividade dinâmica de Deus. Mesmo as crianças poderiam entender aquela história, pois seu conteúdo era simples: escravidão no Egito (21a), os atos mila­grosos de Deus contra Faraó e o Egito, pelos quais Israel foi liberto (21b, 22), a direção cuidadosa e segura de Deus desde o Egito até à terra prome­tida (23) e finalmente a chegada à terra que Javé jurara dar a seus pais. Este recitativo tem íntima semelhança com outras confissões de fé no Ve­lho Testamento (26: 5-9; Js 24: 2-13) (Este recitativo tem sido chamado por Gerhard von Rad e outros de “Credo Cultual” e tem sido usado para argumentar que o evento do Sinai, que não aparece em Dt 26: 5-9, não era parte da mais primitiva fé israelita. O fato de um elemento de um credo ser omitido, contudo, não significa que não tenha existido. Outra forma li­terária bem conhecida que aparece especialmente em Êxodo liga o evento do êxodo com o evento do Sinai do mesmo modo pelo qual os tratados de suserania ligam o contexto histórico do tratado com as suas estipulações. A verdade completa sobre a crença de Israel só é descoberta por meio da combinação de vários credos diferentes.). Sem dúvida os frequentes recitativos dessa narrativa deram origem a uma formulação litúrgica. Foi à luz de tais atos de livramento que Javé pôde convidar Israel a entrar em aliança consigo e a impor sobre a nação, para seu próprio bem, as obrigações da aliança que Israel presentemente observava e que o distinguia de seus vizi­nhos. Tudo isto seria objeto de inquirição por sucessivas gerações de fi­lhos israelitas. Os mandamentos deveriam ser não um peso a ser carrega­do mas a provisão graciosa de um guia para uma vida feliz, feita por um Soberano benevolente. Assim Javé preservaria a existência de Israel. A obediência à lei divina seria por justiça (sedãqâ) para Israel. Esse con­ceito é de difícil definição. Em algumas passagens do Velho Testamento denota uma norma a ser adotada numa área qualquer. No plural indica “atos salvadores” (Jz 5: 11; 1 Sm 12: 7; Sl 103: 6; Mq 6: 5, etc.). Em ou­tras passagens sedãqâ se refere a uma atitude certa, ou um relacionamen­to certo, para com Javé. Quando Abraão creu em Deus, adotou uma atitude correta que o colocou num relacionamento correto com Deus. No contexto que agora observamos o padrão proposto é conformidade à aliança divina, que resultaria no desfrute das bênçãos da aliança. Tal tipo de raciocínio era tacitamente aceito no mundo secular em relação aos tratados da época, quando vassalos fiéis e leais desfrutavam do favor de seus suseranos. Comparar Salmo 24: 3-5, onde o homem que guarda a lei de Deus recebe bênção do Senhor e a vindicação ou “justiça” (fdàqâ) de seu Deus salvador (Deus da sua salvação). Alternativamente, o termo pode denotar “libertação” ou “salvação”, co­mo em várias passagens do Velho Testamento (Is 41: 10; 46: 13; 51: 1, 5, etc.).

     

    Bibliografia J. A. Thompson

  • Lição 01 – O retorno ao primeiro amor

    betel 

    Texto Áureo

    “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Ap 2.5

    Verdade Aplicada

    O amor era um assunto mui­to importante para a igreja primitiva. Sua ausência era encarada como decadência na vida cristã.

    Objetivos da Lição

    Relembrar as primeiras obras como motivação para uma vida renovada;

    Mostrar que a doutrina e o zelo pela ortodoxia não po­derão substituir o amor de Cristo;

    Ensinar como o cristão pode voltar ao primeiro amor.

    Textos de Referência

    Ap 2.1        Escreve ao anjo da igre­ja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:

    Ap 2.2        Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;

    Ap 2.3        e sofreste e tens paci­ência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.

    Ap 2.4        Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.

    A carta a Éfeso — a igreja apostólica (Ap 2:1-7).

    2:1    Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:

    A cidade de Éfeso representa, historicamente, uma das mais vigorosas comunidades cristãs do N.T. Em sua função profética, pois, representa a igreja da era apostólica, dotada de sucesso e poder especiais, embora tivesse caído em vários erros, antes do fim de seu período histórico, o principal dos quais foi o resfriamento de seu amor a Cristo, com o declínio subsequente no serviço e no poder espiritual. As epístolas de Paulo mostram-nos que ela estava longe de ser perfeita; e o livro de Atos mostra-nos que ela estava longe de ser unida, conforme se evidencia nas epístolas aos Gálatas e I e II Coríntios. Contudo, quanto a esses aspectos, a igreja se manteve superior ao que ela mesma foi em épocas posteriores.

    Quando o vidente João escreveu a essa igreja, fê-lo sob as perseguições movidas por Domiciano, embora alguns pensem que a seção deste livro que encerra as sete cartas, tenha sido escrita antes do resto, tendo sido incorporada ao restante. Porém, a carta à igreja de Esmirna quase certamente reflete as perseguições do tempo de Domiciano, o qual foi chamado de «segundo Nero»; e pode-se supor que todas as demais cartas foram escritas ao mesmo tempo.

    «…ao anjo…» Já encontramos a menção a esses seres em Ap 1:16 e 20, onde são chamados de «sete estrelas». O trecho de Ap 1:16 nos fornece explicações detalhadas que são sumariadas aqui, nos pontos abaixo discriminados:

    1. Há aqui certa alusão astrológica (ver 1:16).

    2. São grandes poderes espirituais associados às igrejas, visando a sua proteção e orientação. São instrumentos nas mãos de Cristo, seres angelicais literais, que ministram à igreja, controlando seus ministros, e, pelo menos em alguns casos, servindo de mediadores dos dons espirituais. Por extensão dessa ideia, podemos supor que todas as comunidades locais dos crentes contam com seus próprios anjos guardiões, tal e qual sucede no casos das nações e dos crentes individuais.

    3. Alguns pensam que estariam em foco os «pastores» humanos das igrejas, e não seres sobrenaturais. Apesar disso ser uma interpretação comum, não é provável. Os «pastores», entretanto, provavelmente seriam tidos como instrumentos especiais desses seres angelicais, seus representan­tes, nas assembleias locais.

    4. Também há quem pense que seriam delegados especiais, enviados às sete comunidades cristãs, levando-lhes cópias do livro de Apocalipse. Mas isso é altamente improvável. Antes, devem ser membros «fixos» das igrejas locais ou seres permanentemente vinculados a elas, e não visitantes ocasionais de qualquer espécie.

    5. Não são «bispos» de regiões diversas, que representariam o desenvolvimento «eclesiástico» da igreja.

    6. Não são «missionários itinerantes» ou «instrutores», que exerceriam autoridade especial sobre as comunidades cristãs, atendendo às suas necessidades espirituais.

    7. E nem são essas estrelas meros «símbolos místicos» das igrejas, como se seu intuito fosse apresentar seres vivos de qualquer modalidade. A posição ou posições mais prováveis são a primeira e a segunda, ou mesmo a combinação dessas duas posições.

    O ensinamento que aqui temos, pois, é profundo—a igreja cristã não fica sozinha. Conta com a ajuda de grandes protetores espirituais, guardiães e instrutores angelicais. Isso faz parte da promessa de Cristo, em seu cumprimento: «De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei» (Hb 13:5); e: «E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século» (Mt 28:20). Isso, entretanto, não os transforma em mediadores da «salvação», pois somente Cristo Jesus pode ser tal mediador (ver I Tm 2:5). Contudo, são mediadores de sua presença e de seu poder, enviados para ministrar às assembleias locais, bem como aos crentes individuais (ver Hb 1:14). Cada um desses anjos tem seus «representantes» nas igrejas locais, a saber, pastores, mestres, etc.

    «…igreja…» Elementos comuns nas sete cartas. Cada uma dessas missivas contém os seguintes elementos:

    1. A ordem de escrever, ao anjo de cada assembleia local.

    2. A algum título sublime do Senhor Jesus Cristo, dotado de significado particular, com elementos instrutivos, importante para a igreja local para a qual foi escrita a carta em questão.

    3. Um recado direto ao «anjo» da igreja, com as palavras, «conheço tuas obras», o que lhe assegura que Cristo vigia e se preocupa com conhecimento completo acerca das condições de cada comunidade local.

    4. Promessas aos vencedores; advertências aos seus membros indiferentes, ou que caem em algum erro específico, do qual se recusam a recuperar-se.

    5. O solene refrão: Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça. Isso tenciona fixar a atenção sobre o que é dito, para que se dê plena obediência à instrução assim transmitida.

    6. É o «Espírito» quem profere as palavras de cada carta; pelo que não se trata de meras mensagens humanas.

    7. Cada uma delas envolve uma mensagem profética, que se adapta a um período especial da história da igreja.

    Interpretação acerca do significado do intuito das sete cartas às sete igrejas.

    Consideremos sobre isso os pontos abaixo:

    1. Essas cartas foram enviadas a igrejas locais reais da Ásia Menor, que havia naquela época, e nas quais imperavam as condições ali descritas. Essas cartas, pois, são «historicamente» orientadas, pois as «coisas que são» foram escritas do ponto de vista do autor sagrado.

    2. Essas cartas representam condições que se verificam em qualquer época da história da igreja, pelo que elas são «universalmente» orientadas.

    3. Essas cartas expõem os erros, os triunfos e as condições morais que caracterizam a igreja em qualquer de suas épocas, em suas assembleias locais. São instruções «desligadas da passagem do tempo». Tais instruções são tanto «eclesiásticas» (aplicáveis à «igreja local», em suas necessidades e condições) como «pessoais» (no que se aplica às necessidades dos crentes individuais).

    4. Essas cartas são proféticas quanto a sete estágios da história da igreja, que talvez se devam arrumar como segue:

    a.       Éfeso, a igreja apostólica (século I d.C).

    b.      Esmirna, a igreja perseguida (séculos II e III d.C.)

    c.       Pérgamo, a igreja sob favor imperial (312 a 500 d.C.)

    d.      Tiatira, a igreja da Idade das Trevas (500 d.C. ao século XVI)

    e.       Sardes, a igreja da Reforma e da renascença (séculos XVI a XVIII)

    f.       Filadélfia, a igreja das missões modernas (séculos IX até primórdios do século XXI).

    g.       Laodicéia, a igreja do tempo do fim (meados do século XXI até à vinda de Cristo —sendo essa a igreja morna).

    Por que razão são salientadas 7 igrejas locais em particular? Na Ásia Menor, havia cidades e igrejas mais importantes, nos dias do vidente João, do que algumas das que são aqui alistadas. Por que o autor sagrado selecionou essas sete, excluindo as outras? É possível que não tenha havido qualquer razão específica, ou pode ser que elas tivessem necessidades especiais, que exigiam atenção, mais do que as igrejas locais de outras áreas. Ou então foram escolhidas porque, dentro da ordem em que foram mencionadas, começando e retornando a Éfeso, como que, no mapa, fica formado um círculo geográfico, pelo que elas representariam a igreja inteira. Seriam elas o «círculo perfeito» da igreja, por assim dizer. Naturalmente, além desses raciocínios, supomos que o Espírito Santo orientou nessa escolha, porque as condições ali existentes eram particularmente instrutivas para todas as épocas, ao passo que outra espécie de condições não seria tão «universal» e impressionante. O próprio número «sete»; sugere «perfeição». Trata-se de uma perfeita e completa mensagem de Cristo às suas igrejas.

    «…Éfeso…» Essa cidade fora erguida próximo do mar, no vale do rio Caister, sob as sombras das montanhas Coressos. Nos dias de Paulo, era a maior cidade da província romana da Ásia. Plínio a chamava de «a luz da Ásia». Fica na costa ocidental do que atualmente se chama Turquia Asiática. No tempo dos apóstolos havia uma magnificente estrada de vinte e um metros de largura, ladeada por colunas, que atravessava a cidade até ao porto. Esse porto era importante centro de exportação e importação, no fim da rota de caravanas vindas da Ásia, sendo uma escala natural para quem viajasse do continente asiático até à capital do império, Roma.

    O povoado original parece ser datado do século XII A.C., tendo sido iniciado por colonos jônicos. No ano de 560 A.C., Éfeso foi conquistada pelo rei Croeso. No ano de 557 A.C. foi conquistada pelos persas. Em 133 A.C., tornou-se parte do império de Atalo II, que então doou a Roma. Pérgamo continuou sendo a cabeça titular da província romana assim formada; mas Éfeso, na realidade, era a principal cidade daquela região. Evidentemente tinha uma população de cerca de um terço de milhão de habitantes, na época apostólica.

    Éfeso era um centro religioso, tanto quanto comercial e político. O templo de Diana, erigido antes de 356 A.C, mas restaurado naquele ano, após ter sido destruído por um incêndio, figurava como uma das maravilhas do mundo antigo, até que, finalmente, foi destruído pelos godos, em 260 D.C. Esse templo continha a «imagem» de Diana, a qual, mui provavelmente, era apenas um meteorito que foi esculpido para formar tal imagem. Isso explica sua suposta origem «celestial». Sabemos que nos templos antigos havia «meteoritos», sempre que possível, pois eram considerados sagrados, por terem «caído do céu». O templo de Diana, descoberto por J. T. Wood, no ano de 1870, era quatro vezes mais espaçoso que o Partenon de Atenas, adornado por obras de grandes mestres, como Fídias, Praxíteles e Apeles.

    Nos tempos neotestamentários, havia numerosa colônia de judeus em Éfeso, e esses desfrutavam de posição privilegiada, durante o começo do império. (Ver Josefo, Antiq. xiv.10,12,25). A fé cristã chegou a Éfeso em cerca de 52 D.C. (ver Atos, em seus capítulos dezoito e dezenove, quanto a descrições sobre isso). Paulo esteve ali, durante sua segunda viagem missionária; e então permaneceu mais tarde ali, por cerca de três anos, a mais longa permanência de Paulo em um lugar só, durante todas as suas viagens missionárias. O cristianismo fez de Éfeso um de seus centros mais poderosos. Porém, em oposição à fé cristã, floresciam ali os cultos mágicos; e, antes dos fins do primeiro século de nossa era, foi imposto ali o «culto ao imperador», com as consequentes perseguições contra aqueles que se recusavam a adorar ao imperador romano.

    Por ocasião de sua partida de Éfeso, o apóstolo dos gentios deixou ali a Timóteo, embora não saibamos por quanto tempo este último ali permaneceu. É comum identificar Timóteo com o «anjo» mencionado em Ap 2:1; mas isso é altamente improvável. O «anjo» referido neste livro é bem real, guardião e instrutor da igreja de Éfeso, ainda que seja perfeitamente possível que Timóteo fosse o seu principal instrumento naquela localidade.

    Irineu e Eusébio chamavam Éfeso de lar do idoso apóstolo João; e embora existam tradições em conflito a seu respeito, é, bem provável que o próprio apóstolo João e suas tradições tivessem estado associados ao lugar, de tal modo que o quarto evangelho, as epístolas de João e o livro de Apocalipse tivessem provindo daquela área em geral. Inácio, uma geração depois da era apostólica, escreveu à igreja dali em termos candentes (ver Inácio, Efésios 11). E o lugar tornou-se a sede de longa sucessão de bispos orientais. O terceiro concilio geral teve lugar em Éfeso, no ano de 431 D.C, com o propósito específico de condenar as heresias de Nestório. A igreja de Santa Maria, onde a conferência foi efetuada, conta com ruínas que podem ser vistas até hoje. Pouco depois disso, a cidade começou a declinar, sobretudo por causa da praga de malária. Suas excelentes esculturas foram levadas para outros lugares, principalmente para Constantinopla. E no século XIV, o que restava, foi levado dali pelos turcos, que também dispensaram os seus habitantes que ainda restavam.

    A região anteriormente ocupada por Éfeso, nos nossos dias, é desabitada. O mar, atualmente, fica a mais de onze quilômetros de distância do local original, devido ao acúmulo de detritos e de lama, em seu porto, no decorrer dos séculos. A ilha de Patmos, onde foi desvendado ao vidente João este o livro de Apocalipse, fica cerca de cento e vinte quilômetros de distância.

    «…estas cousas…», isto é, a carta que se segue.

    «…diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas… » Essa declaração já fora feita a respeito de Cristo, em Ap 1:16. As «sete estrelas» são os «sete anjos». Por conseguinte, Cristo: 1. protege às igrejas; 2. guia-as e controla-as; 3. usa-as em seu serviço; e 4. conforme isso é aplicado, todas essas coisas podem ser ditas às igrejas servidas por esses anjos. Portanto, tanto os anjos (ou «estrelas») como as próprias igrejas locais estão inteiramente sujeitos a Cristo, servindo de instrumentos do poder e da glória do Senhor. As «estrelas» estão na «mão» de Cristo, — não em seus «dedos», pois não são meros elementos decorativos, apesar de também serem tais, não tenhamos dúvidas.

    O titulo de Cristo: Cada uma dessas sete comunidades locais recebeu um título ou descrição especial da parte de Cristo, que lhe foi particularmente aplicado. Visto que a carta à comunidade cristã de Éfeso figura em primeiro lugar, o título aqui empregado é mais amplo, porque assim são apresentadas as cartas às sete igrejas. Portanto, a «característica geral» de Jesus Cristo, no que concerne às igrejas locais, o que também figura em Ap 1:16, é reiterado neste ponto. Mas Éfeso contava com poderosa igreja cristã, pelo que, de modo todo especial, era protegida por Cristo, para que o evangelho tivesse um início realmente triunfal naquela região.

    «…anda no meio dos sete candeeiros de ouro…» Notemos que, em Ap 1:20, os sete candeeiros são as «sete igrejas». Portanto, uma vez mais, a descrição de Cristo, no tocante a Éfeso, também se aplica às cartas enviadas a todas as sete igrejas, —o que equivale dizer que essa primeira carta serve de introdução para todas as demais.

    O fato que Cristo «andava» entre os candeeiros simboliza as seguintes verdades:

    1. A presença de Cristo e de seu poder, na igreja, o que tanto se verificou na era apostólica.

    2. A sua cuidadosa vigilância sobre essa época e todas as épocas da igreja, «conhecendo» suas fortalezas e fraquezas.

    3. Esse andar é judicial. Cristo não está satisfeito com a condição da igreja e terá de baixar juízo, se não houver arrependimento.

    4. Sem a «presença» de Cristo, a igreja é apenas uma pilha de pedras, frequentada por não-espirituais. Mas com sua presença, a igreja se torna um templo vivo para habitação do próprio Deus (ver Ef 2:22; ver também 1 Pe 2:5, acerca das «pedras vivas» que compõem a «casa espiritual», o «novo templo»).

    5. Temos aqui o «teísmo», ao invés do «deísmo». Este último ensina que há um Deus, um Criador, uma força superior, mas crê que ele deixou as leis naturais encarregadas do governo de sua criação, não tendo qualquer contato pessoal com a mesma; pelo que também não faz intervenção na história humana, para julgar ou galardoar. O teísmo, em contraste com isso, ensina quê Deus está conosco, particularmente na pessoa de Cristo; que Deus faz interferência na história da humanidade; que recompensa e pune. Cristo é o exemplo supremo da presença de Deus entre os homens, pelo que é a maior prova do teísmo, embora existam outras provas.

    6. É o «Senhor» quem assim guarda à sua igreja e a observa.

    7. Aqueles que aceitam a Cristo como Senhor, são transformados segundo a sua imagem e natureza (ver II Co 3:18).

    O nome de Cristo: Em cada uma das sete cartas do Apocalipse, Cristo dá a si mesmo um nome e uma descrição específicos, aplicável à circunstância particular e à posição espiritual da igreja sob discussão. No caso da igreja em Éfeso, Cristo aparece como aquele que «sustem» na mão os ministros angelicais que ajudam à igreja. É patente que, por meio deles, sustem à própria igreja. Isso alude ao poder de Cristo entre as igrejas, apontando para a sua capacidade de ajudar. Consideremos ainda os pontos abaixo:

    1. Essa circunstância frisa o «senhorio» de Cristo. Pois ninguém tem a Cristo como Salvador, se também não o tem como Senhor.

    2. E isso, por sua vez, fala de «segurança» da igreja. Cristo não permitirá que a igreja, finalmente, pereça.

    3. Cristo «anda entre as igrejas», o que nos assegura a sua presença e comunhão, algo que é típico da igreja apostólica, que exibia a presença e o poder de Cristo acima do que sucedeu à igreja de séculos posteriores.

    4. Isso dá a entender a «atividade divina» na igreja, o que a assiste em sua propagação, mas também em sua operação interna de santificação pessoal.

    5. Os candeeiros exigem constante atenção, a fim de funcionarem corretamente, a fim de darem a luz apropriada, e Cristo dá essa atenção às igrejas. Se não fora assim, a luz da igreja desde há muito ter-se-ia apagado. A igreja apostólica, todavia, foi poderosíssima luz em favor da verdade.

    6. Cristo é tudo para todos (ver Ef 1:23). Esse é o imenso alvo do «mistério da vontade de Deus» (ver Ef 1:10). Cristo demonstrou, na igreja apostólica, como isso pode funcionar.

    2:2    Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos;

    «…Conheço as tuas obras…» Consideremos aqui os pontos seguintes:

    1. É salientada assim a onisciência de Cristo. Essa declaração é reiterada no caso de todas as sete igrejas.

    2. O interesse de Cristo por sua igreja é focalizado, porque ele «conhece» as suas condições, a fim de louvar ou de repreender à mesma, tudo o que visa produzir modificações espirituais favoráveis.

    3. As «obras» que Jesus «conhece» representam as «condições espirituais em geral» da igreja, e não apenas aquilo que chamamos de «serviço ativo». Portanto, a palavra «obra» neste caso, indica o «caráter geral», a natureza da pessoa que age, mas também aquilo que ela faz. Equivale à expressão vetotestamentária «temor do Senhor», expressão usada a fim de exprimir as condições «espirituais em geral» daquele que professava tentar agradar a Deus, reconhecendo o seu senhorio. O termo geral, «obra» é desdobrado, neste mesmo versículo, para que tenha os seguintes significados:

    a. Labor (serviço ativo, prestado sob pressão).

    b. Paciência (resistência nesse labor, e sob as perseguições).

    c. Ódio e oposição ao mal e aos atos malignos, de homens que pervertem o evangelho e promovem a impiedade em nome de Cristo.

    d. Cristo, que é o Senhor, vê através de todos os disfarces e pretensões, apresentando autêntica avaliação da condição de cada indivíduo, bem como a condição geral de cada assembleia local.

    Ele não vê o que «esperamos ser», nem o que «temos feito», nem o que «pensamos que podemos fazer», e, sim, as nossas condições reais, o nosso caráter. O seu poder, que «tudo vê e tudo sabe», é, ao mesmo tempo, uma ameaça e um conforto. É uma ameaça aos hipócritas e pretensiosos; é uma ameaça para aqueles que brincam com a fé religiosa. Mas é um conforto aos fiéis, que são perseguidos e desprezados por outros, dentro ou fora da igreja. Isso nos promete uma recompensa justa, bem como a contínua ajuda para a concretização dos ideais espirituais do cristianismo.

    «Nossas tristezas, que talvez não possamos relatar, nossas tribulações, que ninguém mais conhece, nossas dificuldades, os ais e as dores que jazem ocultas em nossas almas, nossas fraquezas e nossas lutas íntimas, nossos temores e dúvidas ocultos, nossa honestidade quanto a coisas que outros censuram e criticam, nossos verdadeiros motivos e esforços, que os outros não entendem, tudo é conhecido por nosso amoroso Salvador, o qual pode ser tocado com o senso de nossa debilidade, ordenando-nos que tenhamos bom ânimo, porque a sua graça nos será suficiente». (Seiss, in loc.).

    «O verniz de uma fé formal talvez impressionasse ao mundo, mas não pôde escapar a seu escrutínio (ver At 1:24). Ele também conhece, e aceita amorosamente, os atos não-exibidos e nem requisitados de verdadeiro amor (ver Mt 10:42 e 26:13), e aparecia, em meio a todas as suas falhas, a lealdade genuína a ele (ver Jo 2:17)». (Carpenter, in loc.)

    «…o teu labor…» No grego temos o vocábulo «kopos», que indica «labor até à exaustão», «labuta». A forma verbal, «kopiao», significa «exaurir-se», «trabalhar arduamente», «lutar». Essa palavra descreve os prodigiosos labores da igreja apostólica. Notemos que o trabalho árduo é aqui recomendado. Até mesmo os ímpios veem algo de «nobre» no labor árduo, o que, necessariamente, inclui abnegação, em favor de alguma causa esperançosa e altruísta.

    «Não existe riqueza real senão o labor do homem. Se os montes fossem de ouro e os vales de prata, o mundo não seria mais rico nem um grão de trigo a mais; nenhum conforto isso adicionaria à raça humana». (Percy B. Shelley, Queem Mab).

    «As ações de um homem são apenas um quadro pictórico de seu credo» (Ralph Waldo Emerson).

    «Os atos falam mais alto que as palavras». (Um provérbio popular).

    «Os céus nunca ajudam ao homem que não trabalha». (Sófocles, fragmento).

    «Uma hora de vida, carregada de ações gloriosas e prenhe de nobres riscos, vale mais que anos inteiros daquelas tolas observâncias do decoro comum». (Sir Walter Scott, Count Robert of Paris).

    «A ação nem sempre produz felicidade; mas não há felicidade sem ação». (Benjamim Disraeli).

    «Um homem sem ambição é como uma mulher sem beleza». (Frank Harris).

    O «labor» aqui mencionado, no caso da igreja de Éfeso, alude particularmente aos labores daqueles crentes no evangelho, o qual tomou conta de todos os centros de civilização então conhecidos. (Ver Cl 1:6 quanto a esse fato). Essa intensíssima expressão espiritual fazia parte das «obras gerais» ou caráter cristão daqueles crentes. (Ver Rm 16:12; I Co 16:10 e Gl 4:11 quanto aos labores apostólicos e ministeriais, referidos neste versículo com o termo «labor»). Os crentes efésios eram intensos quanto à sua fé espiritual, o que ficava claramente demonstrado pela magnitude de sua dedicação, produtiva de imensos labores em favor da causa de Cristo.

    «…perseverança…» Isso é mencionado de novo no versículo seguinte. Significa bem mais do que o que se entende pela palavra «paciência», isto é, o «suportar tudo estoicamente». Pelo contrário, significa «constância» sob circunstâncias adversas. Com frequência, nas páginas do N.T., indica fidelidade sob a perseguição. O termo grego é «upomone», «resistência», «permanência», «constância». (Ver II Pe 1:6; Tg 5:7 e II Tm 2:25,26). No dizer de Ellicott (in loc): «Não assinala meramente a resistência, mas também a fraca paciência com que o crente luta contra os vários empecilhos, perseguições e tentações, que lhe sobrevêm em seu conflito contra o mundo interno e externo». Isso esse autor dizia, comentando sobre o trecho de I Ts 1:3. Sabemos que a igreja da era apostólica foi tremendamente perseguida. O livro de Atos deixa isso bem claro. Mas aquela igreja tinha «resistência», em meio mesmo às aflições que lhe foram impostas, pelas autoridades civis e religiosas. As dificuldades daqueles crentes não os levaram a perder a coragem ou a negar a própria fé. Eles labutavam e suportavam firmemente as circunstâncias, sem «se deixarem esmorecer», conforme se sabe no versículo seguinte. Eles participavam dos sofrimentos do evangelho, «como bons soldados de Cristo Jesus», conforme se aprende em II Tm 2:3.

    «…não podes suportar homens maus…» Aqueles crentes podiam «suportar» condições e testes difíceis, mas se recusavam a mostrar «tolerância» em favor de homens que tentavam mudar a natureza «moral» da igreja, tirando do evangelho o seu «imperativo moral». Esses «homens maus», mui provavelmente, são os «nicolaítas», mencionados no sexto versículo deste capítulo, e onde o tema é desenvolvido. Não há que duvidar que havia boa variedade de «falsos apóstolos» e de «falsos mestres», que serviam de praga para a igreja apostólica; mas é razoável supormos que estamos tratando, especialmente, de alguma forma de gnosticismo incipiente. Oito livros do N.T.—Colossense, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas—foram escritos contra as diversas formas da primitiva heresia gnóstica; porque essa foi a heresia que assediou a igreja por cerca de cento e cinquenta anos, no começo de sua história. De modo bem geral, pode-se dizer que eles procuravam combinar a filosofia grega, a mitologia e as religiões orientais misteriosas com o cristianismo, além de terem tomado por empréstimo elementos do judaísmo. Alguns deles eram extremamente libertinos (como aqueles contra quem o sexto versículo foi escrito); mas outros eram ascetas extremados. Criam eles que a matéria é o princípio mesmo do mal, pelo que o corpo seria totalmente incapaz de redenção, pois o mesmo participa da matéria. Não faria, diferença, pois, aquilo que os homens fizessem com seus corpos. De fato, poderiam estes até ajudar ao desígnio da mente cósmica, que seria o de destruir, finalmente, à matéria, abusando dos seus próprios corpos. Isso podia ser feito mediante a licenciosidade ou mediante o ascetismo. A maioria desses hereges preferia a licenciosidade, e chegavam até a imaginar, mui loucamente, que os anjos se postavam, invisíveis, a seu lado, influenciando-os a participar de toda a forma de deboche, porque precisavam de ter «experiências», e porque assim degradavam ao princípio do pecado, associado a seus próprios seres. Pensavam eles que tudo isso podia ser praticado, sem que a alma em nada fosse prejudicada, pois seria esse o princípio espiritual no homem, livre do pecado, já que não participa da «matéria». O que tudo isso significa é que a imoralidade de muitas modalidades, mas especialmente aquela praticada com o corpo, se tornou a «doutrina oficial» de algumas igrejas, onde os mestres gnósticos mantinham domínio. Por conseguinte, o evangelho deles desconhecia o «imperativo moral»; o evangelho deles não os tornava espiritualmente melhores.

    No tocante a outras doutrinas, os gnósticos repeliam a fusão da natureza divina com a humana em Jesus, crendo que o Espírito-Cristo (uma emanação angelical) tenha vindo possuir o corpo de Jesus em seu batismo, tendo-o abandonado por ocasião de sua crucificação. As duas pessoas, Jesus e o Espírito-Cristo, pois, não eram a mesma «entidade». Portanto, a «morte» não foi a do Cristo, e sim apenas a do homem Jesus, não tendo, por isso mesmo, qualquer valor «expiatório». Cristo não poderia mesmo ter-se encarnado, diziam os gnósticos, pois, se o fizesse, teria ficado contaminado com a matéria, o princípio mesmo do mal. Aparentemente, os gnósticos eram os homens «maus» que a igreja em Éfeso não permitiu que tivessem acesso a posições de mando e influência.

    Notemos que são virtudes cristãs não só o «amor a Deus» e a «perseverança na prática do bem», mas também o «ódio ao mal» e a recusa de permitir a contaminação dos membros de uma comunidade cristã. Os anciãos de Éfeso não estendiam «cortesia ministerial» a falsos mestres conhecidos. Conta-se a história do apóstolo João, em Éfeso, que se recusava a entrar nos banhos públicos quando Cerinto (um mestre gnóstico) estava presente. Alguém poderia indagar se essa seria uma atitude correta. Sem dúvida estamos na obrigação de procurar conquistar homens como os gnósticos, amando a eles como Deus ama a todos os homens (ver Jo 3:16); mas os crentes de Éfeso estavam com a razão, pelo menos quando não permitiam que tais homens ocupassem posições de autoridade na igreja, e nem os encorajavam em seus caminhos ímpios através de uma «falsa aceitação».

    «…puseste à prova…» Essa «prova» era parcialmente «doutrinária», conforme se vê em I Jo 4:1 e ss. Eles «testavam aos espíritos». Aqueles indivíduos que rejeitavam a doutrina da «encarnação» e o valor subsequente da «expiação», com facilidade eram tidos por mentirosos e falsos apóstolos. Além disso, era aplicado o teste prático. O evangelho anunciado por alguém transformava moralmente a tal pessoa? Em caso negativo, então tal evangelho era falso. O evangelho de alguém incluía o imperativo moral? Em outras palavras, requeria a santidade, já que sem a santificação ninguém jamais verá a Deus (ver Hb 12:14)? Em caso contrário, então tal evangelho era falso. Pode-se observar, em II Ts 2:13, que a «santificação» é elemento absolutamente necessário para a salvação. Jamais poderemos chegar à vida eterna, exceto pelo caminho da santificação. Os mestres gnósticos pensavam que o «conhecimento» é o caminho para a salvação, degradando à fé, ao mesmo tempo que eliminavam totalmente a necessidade de santidade no corpo. Este versículo pode ser comparado com II Jo 10, que proíbe o acolhimento a hereges conhecidos e persistentes na própria casa. Os mestres gnósticos também são focalizados nessa passagem. A «rejeição» aos mesmos, por parte dos crentes autênticos, visava ensinar aos falsos que eles não eram parte legítima da comunidade cristã, já que suas ações e suas doutrinas eram basicamente contrárias às dessa comunidade, tendendo por solapá-las. O presente versículo talvez subentenda alguma forma de «teste eclesiástico», com a subsequente exclusão. Pelo menos, quando os falsos mestres manifestadamente falhavam em mostrar-se cristãos e ajudadores genuínos da igreja, os crentes de Éfeso exerciam pressão sobre os mesmos, para que se retirassem da comunidade dos santos.

    «…e os achaste mentirosos…» Essas palavras podem ser comparadas com I Jo 2:22. O «mentiroso» é aquele que nega a identidade das naturezas divina e humana em Jesus, aquele que «nega ao Filho» e à sua «expiação». O «mentiroso» é aquele que «odeia» a seu irmão, que não tem parte real na comunidade cristã, e é adversário da mesma (ver I Jo 4:20). É também aquele que não aceita o testemunho de Deus Pai concernente ao Filho (isto é sobre a realidade da encarnação do Filho, em Jesus de Nazaré, com identidade de pessoas), o qual, subsequentemente, cumpriu a sua missão expiatória (ver I Jo 5:10).

    «…apóstolos…» A presunção daquela gente era grande, porquanto queriam compartilhar da autoridade dos próprios apóstolos; mas tratava-se de uma reivindicação falsa, pois falavam de modo errôneo e maligno acerca do verdadeiro Jesus Cristo, e suas vidas eram um opróbrio para o seu evangelho.

    Qual seria a identidade desses mentirosos?

    1. Seriam os judaizantes? Essa ideia não é muito provável. Pois os judaizantes pelo menos eram «morais», procurando seguir estritamente a lei de Moisés, embora não estivessem certos em sua teologia.

    2. Alguns supõem que fossem discípulos de Pedro ou de Paulo que tinham assumido grande autoridade para si mesmos; mas isso está completamente fora de consonância com o caráter geral daqueles homens, conforme é sugerido no texto sagrado.

    3. Antes, eram os «nicolaítas», referidos no sexto versículo deste mesmo capítulo, membros prováveis de alguma seita antiga, semelhante à dos gnósticos, e corruptos em sua doutrina e vida diária. Paulo já havia advertido acerca de homens desse naipe. Isso pode ser visto em At 20:20,30, onde se lê: «Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles».

    Notemos que a defesa da verdade, por parte dos crentes efésios, bem como a sua recusa por permitir que aqueles falsos mestres corrompessem à igreja, é classificada como suas «obras» (como seu caráter cristão geral), juntamente com o seu «labor» e «constância».

    2:3    e tens perseverança e por amor do meu nome sofrestes, e não desfaleceste.

    «…tens perseverança…» Isso já fora dito sobre aqueles crentes, no versículo anterior, onde é usado o mesmo vocábulo grego, Crê-se que, o livro de Apocalipse foi escrito durante a perseguição de Domiciano, o qual foi chamado de «segundo Nero». Muitos cristãos vinham sendo encarcerados, havendo torturas e mortes, por se recusarem eles a adorar ao imperador, o qual se proclamara uma divindade. A igreja apostólica já sofrerá sob as ordens de Nero. O nome desse imperador veio a traduzir «degradação», «crueldade» e «perversão». Ele costumava torturar e queimar aos cristãos até à morte, em seus jardins, somente para entretenimento de seus convivas. Tudo isso a igreja cristã suportou pacientemente e com constância, confiando em Cristo quanto à vitória «final», ainda que esta só se verificasse nas dimensões espirituais da alma. Mas, em última análise, ali é que haverá a verdadeira vida, não sendo coisa de somenos que a vitória seja conquistada somente então. O culto do imperador impunha sua adoração insana aos homens de todos os recantos do império romano. Alguns dos imperadores romanos chegaram mesmo a imaginar-se divinos e, por conseguinte, merecedores de adoração. E os súditos romanos que se recusassem a adorar ao imperador, eram considerados traidores, tendo de sofrer as consequências de seu ato.

    «Todos os homens louvam à paciência, embora poucos se disponham a praticá-la». (Thomas à Kempis, Imitação de Cristo).

    «É na vossa perseverança que ganhareis as vossas almas» (Lc 21:19).

    «Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas» (Hb 12:3).

    «…suportastes provas por causa do meu nome…» O mesmo vocábulo grego é usado para indicar os «testes» e as «tribulações» suportados, tal como no segundo versículo, e não para indicar que devemos «suportar» a homens malignos. No grego não há objeto para «suportar provas», pois o termo grego «bastadzo» significa «carregar», «suportar», «tolerar», ficando entendido qualquer coisa levada ou suportada. Estão em foco «todas as formas de tribulação», pois o autor sagrado não se referiu, especificamente, ao tipo de fardo que aqueles crentes suportavam, por amor ao nome de Cristo. A perseguição, entretanto, provavelmente é a questão especifica­mente salientada.

    «…por causa do meu nome…» Tudo suportavam porque se apegavam a Cristo como seu Senhor e Salvador, sendo ele o único Rei que tinha o direito de ser adorado. Identificavam-se como «cristãos», leais ao único Rei, Jesus. Por essa razão é que sofriam perseguições. Não observavam às exigências do culto ao imperador.

    «…não te deixaste esmorecer… » Não se «cansavam». Notemos que encontramos aqui a forma verbal de «kopos», a palavra usada, no segundo versículo, para indicar «labor». Aqui indica um «labor até à exaustão».

    2:4    Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.

    Nunca teríamos imaginado que uma comunidade cristã que acabara de ser descrita como leal nas perseguições sofridas e nos labores, prodigiosa em suas obras, opositora da malignidade, também poderia aparecer como quem «abandonara» o seu primeiro amor a Cristo. Por conseguinte, temos de supor uma das seguintes possibilidades:

    1       A perda do amor, por parte deles, ainda não começara a modificar a conduta deles; mas sem dúvida começaria a fazê-lo em breve, e isso de maneira necessária.

    2       Continuariam a ter grande amor por Cristo, embora não tão grande como antes, e nem tão espontâneo.

    3       Finalmente, grandes coisas, do ponto de vista cristão, poderiam ser motivadas por outras coisas que não o amor, embora certamente essa não seja a condição ideal. O décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios, mostra-nos que todas as ações cristãs, bem como o exercício de todos os dons espirituais, devem ser inspirados pelo amor, deste recebendo o impulso. Em caso contrário, o valor de todas essas manifestações deve ser posto em dúvida.

    «….contra ti… » Assim como é espantoso que o Senhor Jesus Cristo encontre em nós algo que elogie, assim também é um pensamento solene que ele pode ver em nós muito de condenável. Notemos que a condenação se «segue» ao elogio. Isso faz parte de uma «avaliação honesta». Certamente que precisamos de ambos esses elementos. Se criticarmos aos outros, mas também os elogiarmos pelo que de bom há neles, as nossas críticas se mostrarão carregadas de um poder que transforma os homens para o melhor. Porém, se tão-somente criticarmos aos nossos semelhantes, ignorando qualquer coisa de bom que há neles, poderemos apenas feri-los, piorando o estado deles e adicionando opróbrio a quaisquer vícios que porventura tenham. Por outro lado, se não fizermos outra coisa senão elogiá-los, então eles ficarão estragados e mimados, tendo uma ideia falsa sobre aquilo que realmente são, nada vendo que deva ser modificado, ao passo que, na vida de qualquer indivíduo, sempre haverá coisas que precisam de modificação e aprimoramento.

    «…abandonaste…» No grego é «aphekas», o aoristo de «aphiemi», que significa «partir», «ir-se embora», «relaxar», «dispensar». Essa mesma palavra era usada para indicar o «repúdio» ou divórcio. Os crentes efésios se tinham divorciado do seu primeiro e nobre amor emocional. Contudo, o amor verdadeiro é mais do que emoção. Antes, é um dos aspectos do «fruto do Espírito» (ver Gl 5:22); ou seja, é um produto do desenvolvimento espiritual, sendo esse o solo onde medram todas as demais virtudes espirituais. Os labores dos efésios ainda não se tinham diluído; não se tinham ainda divorciado de seus labores prodigiosos, e nem de sua lealdade a Jesus Cristo, embora sob a perseguição. No entanto, em seus corações, já se tinham divorciado daquela devoção a Cristo que é a real base de todo o trabalho e lealdade cristãos, e que é um autêntico poder espiritual. O quinto versículo deste capítulo contém a ameaça que o «candeeiro» que representava aquela comunidade cristã poderia ser removida, se não se arrependessem. Isso mostra que não poderiam prosseguir por muito tempo, antes que sua falta de devoção a Cristo resultasse na perda da razão mesma de continuarem sendo uma igreja, razão essa que é a de ser uma igreja iluminada para iluminar a este mundo tenebroso. Por esse motivo, todas as suas grandes obras de lealdade seriam reduzidas a nada. A cidade de Éfeso, que já foi capital do cristianismo no mundo gentílico, finalmente perdeu essa distinção. A história mostra-nos que o cristianismo se afastou de Éfeso, do oriente para o ocidente. Hoje em dia, pouquíssimos crentes podem ser encontrados ali.

    A advertência contra o divórcio espiritual: É possível a um crente ter sido cheio do Espírito Santo, mas no entanto, gradualmente, ir cedendo aos apelos da carne, do orgulho pessoal e dos desejos mundanos. Nesse caso, o crente se divorcia daquilo que anteriormente lhe era precioso, não menos do que se dá no caso do homem que perde paulatinamente o amor pela mulher que, antes, era sua «noiva querida», e mais algum tempo percebe que deseja separar toda a vinculação que tem com ela, usualmente com a finalidade de buscar outra mulher. Acabará por encontrar alguém ou alguma coisa com que satisfaça ao seu desejo, porém, isso sucederá tão-somente porque ele se divorciou, no coração, daquela a quem antes amava realmente.

    «…amor…» Existem variedades e níveis diversos de amor, conforme se vê nos seguintes pontos:

    1.      Há o amor de Deus (veja em Jo 3:16), o qual é a fonte de todo outro amor, até mesmo aquele manifestado pelos incrédulos. O Espírito de Deus, atuando no mundo, impede-o de transformar-se em floresta completa, porquanto propaga ao redor o seu amor, e muitas pessoas fazem o que fazem por motivos puramente altruístas.

    2.      Há o amor de Cristo pelo homem, o qual é uma extensão do amor de Deus; e, em sua essência, é a mesma coisa. (Ver II Co 5:14 sobre esse amor, que nos constrange a atitudes que expressam o cristianismo).

    3.      Há o amor do indivíduo por si mesmo, num afeto inteiramente egoísta, pois só se preocupa consigo mesmo.

    4.      Há o amor de um homem por outro ser humano. Quando alguém ama outrem, deseja para o próximo o que deseja para si mesmo, ou transfere o cuidado por si mesmo para outra pessoa, desejando o seu bem-estar, tal como deseja o seu próprio bem-estar. Pode-se imaginar quase qualquer homem a amar um filho ou filha predileto. Por causa de seus cuidados por seu filho, ele fará sacrifícios e procurará protegê-lo. Pensará em como suprir às suas necessidades, e desejará a felicidade de seu filho. Em outras palavras, fará em prol de outra pessoa (sem importar quão mau seja, quanto a outras questões) aquilo que faria por si mesmo. O amor-próprio é fácil; não é muito difícil a transferência desse amor pelo menos a uma outra pessoa. Mas aqueles que amam verdadeiramente são os que descobriram como transferir o amor-próprio para um grande número de pessoas. Aqueles que assim fazem são a isso impelidos pelo Espírito de Deus, sem importar se são ou não discípulos de Cristo, no sentido tradicional.

    5.      Há o amor dirigido a Cristo, o Filho de Deus, ou então a Deus Pai, o que se verifica quando amamos aos nossos semelhantes. (Ver sobre esse conceito em Mt 25:35 e ss.).

    6.      Há o amor do homem a Cristo, ou a Deus Pai, diretamente expresso. Essa modalidade de amor requer um senso altamente desenvolvido, e normalmente se expressa por meios místicos, mediante a ascensão da alma, que passa a contemplar a Deus. Certamente essa foi a forma de amor que o escritor sagrado tinha em mente, neste versículo, embora o contexto contemple muitos resultados «diários» e «práticos» da mesma, como o evangelismo dos perdidos, a vida santa, a lealdade a Cristo e as ações de caridade em favor do próximo.

    Cristo como uma figura distante. Para aqueles crentes efésios, Cristo fora reduzido a uma figura distante, a despeito de continuarem a fazer prodígios espirituais e apesar de seu poder no Espírito. Quantas pessoas hoje em dia, quando pregam, somente atacam várias formas de males, como o mundanismo, o modernismo, o comunismo, embora suas mensagens reflitam pouquíssimo do amor conquistador de Cristo. Tornaram-se polemistas profissionais, mas pouco ou nada sabem do amor construtivo. Perderam a visão do Cristo, em meio à batalha.

    Há um caminho melhor do que esse. Ê o caminho do amor. O amor à semelhança da morte, transforma a tudo quanto toca. Os homens são atraídos pelo amor. As coisas semelhantes se atraem mutuamente. Os homens amam quando são amados. E odeiam quando são odiados.

    Pois limites de pedra não podem conter ao amor,

    E o que o amor pode fazer, isso ousa tentar.

    («Romeu e Julieta», Shakespeare).

    «As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo…» (Ct 8:7).

    «O amor é um símbolo da eternidade. Elimina todo o senso de tempo, destruindo toda a memória de um começo e todo o temor do fim». (Corinne, Madame de Stael).

    O amor concede em um momento O que o labor dificilmente obtém em um século.

    («Torquato Tasso», Goethe)

    «Os estóicos definem o amor como a tentativa de estabelecer uma amizade inspirada pela beleza». (Cícero).

    O amor é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo.

    Aprendemos a amar aos outros, a cuidar deles como cuidamos de nós mesmos, na medida em que nos vamos desenvolvendo espiritualmente. Esse desenvolvimento espiritual consiste da nossa transformação segundo a imagem de Cristo, o qual possui amor absoluto, bem como todas as demais virtudes espirituais com perfeição. Quando Cristo vai sendo formado em nós, mediante a comunhão mística com o Espírito Santo, também vamos assumindo a sua própria natureza, moral e metafísica, como também a própria divindade (ver II Pe 1:4). Esse é o nosso mais elevado conceito, o qual jamais é divorciado da ideia do amor. Nesse desenvolvimento espiritual, mui naturalmente aprendemos a amar ao nosso Irmão mais velho, tal como amamos a outros irmãos; e o Espírito Santo o torna real para nós, como uma pessoa. Esses princípios estão acima das realizações humanas, sem a ajuda do Espírito de Deus. (Ver Gl 5:22). Pode-se supor, portanto, que os crentes de Éfeso, embora fossem obreiros cristãos extraordinários, tinham procurado menor e menor comunhão com o Espírito. Suas mentes e suas almas se haviam desviado para coisas menos importantes. A formação de Cristo neles se estagnara, e talvez até tenha revertido, até certo ponto.

    A devoção daqueles crentes se debilitara no período de teste por que passavam. É verdade que a lealdade deles não diminuíra; suas doutrinas não se tinham modificado; suas obras continuavam grandes como antes; mas sua devoção a Cristo empalidecera. A edificação parecia tão boa quanto antes, mas fora atacada por térmitas espirituais, que a tinham esburacado.

    Outras ideias sobre o quarto versículo:

    1.      Consideremos o caso de Maggie. O emprego dela era enfadonho, em uma fábrica. Finalmente ela se casou e começou a trabalhar em sua própria casa, numa ocupação talvez não menos árdua e enfadonha. Após longo tempo, aconteceu-lhe de encontrar-se com uma amiga, na rua. E esta lhe perguntou: «Maggie, você continua trabalhando?» «Não», replicou Maggie, «eu me casei». Ela continuava trabalhando, mas o amor fizera seu trabalho parecer reduzido a nada. O trabalho árduo torna-se uma mera circunstância, quando o amor nos serve de força motivadora.

    2.      O «divórcio», produzido pelo amor que enfraquece, finalmente leva uma comunidade cristã à condição morna e sem interesse espiritual que caracterizava a igreja de Laodicéia. Isso termina em total apostasia. Quão importante, pois, é a devoção a Cristo, inspirada pelo ministério do Espirito Santo em nossas vidas.

    3.      «A religião cristã pode tomar o lugar da devoção pessoal ao Noivo». (Newell, in loc.).
    4.      «O aspecto externo da árvore continuava belo e bem proporcionado como sempre, mas mofo e decadência se tinham instaurado no âmago». (Seiss, in loc.).

    5.      «Primeiro amor… comparar com Jr 2:2. A devoção entusiasta inicial da Igreja por seu Senhor, sob a figura simbólica do amor conjugal». (Vincent, in loc.).

    6.      «A referência óbvia é a perda daquele amor resplendente e todo-absorvente por Jesus, como nosso Salvador pessoal, o qual, no princípio, impelira-os a um serviço consagrado (comparar com Ef 3:16-19 e 4:15,16). Essa ideia é confirmada pelo versículo seguinte, onde a decadência do amor é seguida pela decadência nas obras de justiça. (Ver também Jer. 2:2 e ss.)».

    7.      «Temos aqui o clamor lamentável do Noivo, a relembrar os primeiros dias do amor de sua Noiva, a gentileza de sua juventude, o amor de seus esposórios… É impossível não ver nisso alguma alusão à linguagem do apóstolo Paulo (que deveria ser familiar para os crentes de Éfeso), em Éf 5:23-33, onde o amor humano é apresentado como tipo simbólico do amor divino». (Carpenter, in loc.).

    8.      «Os calorosos sentimentos deles tinham dado lugar a uma ortodoxia sem vida». (Fausset, in loc.).

    9.      «…o amor se esfriará de quase todos» (Mt 24:12).

    10.    «Consideração ciumenta pela pureza moral e doutrinária, lealdade íntima sob os testes, longe da manutenção necessária do espirito de amor, podem coexistir com o espirito de censura, suspeita e contenda. Dai se origina a negligência ao amor fraternal, o que era uma das faltas cardeais do gnosticismo contemporâneo (ver I Jo 2:9 e I Tm 1:5 e ss.)». (Moffatt, in loc.).

    2:5    Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeira obra; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, te não te arrependem.

    O lembrete divino e piedoso:

    «…Lembra-te…» Exortação à memória piedosa acerca dos dias anteriores, quando a devoção intensa a Cristo era a força motivadora de uma vida piedosa e de um imenso serviço. Notemos a progressão: «relembrar-se», «arrepender-se» e «praticar», os elos dourados da restauração e do progresso da igreja.

    «A verdadeira piedade põe em ação todas as nossas faculdades. Um dos poderes humanos consiste de olharmos para trás, revivendo os acontecimentos e o curso da vida, através da memória. E essa capacidade é a primeira coisa que precisa ser posta em ação, para curar a decadência da vida e do fervor religiosos. As pessoas precisam pensar em seu passado, comparando aquilo que são agora com o que foram. A memória deve relembrar o passado, para que seja posto lado a lado com o presente.

    Quando os apóstolos desejaram levar os crentes judeus à firmeza e constância contínua na fé, ordenavam-lhes que se lembrassem «…dos dias anteriores em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens…» (Hb 10:32). O Salvador fez a mesma coisa, com alusão aos membros da igreja efésia; e outro tanto deve dar-se no caso de todos nós». (Seiss, in loc.).

    Lembremo-nos de nosso plano mais elevado de realização espiritual. Que tal é a comparação entre aquela condição e a condição de nossa atual vida espiritual? Como primeiro passo de recuperação, procuremos reter a altura antes obtida, e então subamos dali para uma realização espiritual totalmente nova.

    «A percepção de que tem havido declínio, a admissão de que tem havido um lapso, é o primeiro passo de volta ao estado original». (João Bunyan, Graça Abundante).

    «Sempre haverá aguilhões na memória sobre um passado melhor e mais nobre, a espicaçar-nos quando nos temos adaptado a coisas piores e inferiores, a impulsionar-nos a retomar aquilo que perdemos». (Arcebispo Trench).

    «…de onde caístes…» Consideremos estes pontos:

    1. Aqueles crentes tinham caído de sua primeira ardente devoção a Cristo.

    2. Tinham caído de maiores elevações espirituais.

    3. Tinham caído do serviço motivado pelo princípio do amor.

    4. Tinham caído apesar de sua ortodoxia.

    5. Tinham caído a despeito de continuarem a defender a verdade.

    6. Tinham caído apesar de seus labores prodigiosos.

    7. Tinham caído apesar de sua lealdade debaixo da perseguição.

    Percebe-se, através de tais fatos, quão grandes coisas o Senhor espera de nós, e quão profunda pode ser a nossa espiritualidade, embora, ainda assim, possamos ser descritos como quem caiu.

    «…arrepende-te…» O termo grego «metanoeo» significa «mudança de mente», presumivelmente com a correspondente mudança de conduta diária.

    A Natureza Do Arrependimento

    1. Apesar de que esse vocábulo nada mais significa em si mesmo, que uma «mudança-de-mente», nas páginas do N.T., ele adquire muito mais o sentido de «mudança-de-alma», o que se evidencia por meio de atitudes e ações novas.

    2. O arrependimento faz parte da «conversão», e está vinculado ao problema do pecado. (Ver At 20:21, onde a conversão é aludida como algo composto de «arrependimento e fé»). Quando nos convertemos, nos arrependemos. O arrependimento reconhece a natureza prejudicial do pecado, e se rebela contra o mesmo. O Espírito Santo faz essa rebelião tornar-se bem-sucedida. A alma passa a odiar o pecado, embora não possa livrar-se inteiramente do mesmo, senão por ocasião da «parousia» (segunda vinda de Cristo; ver I Jo 1:8). O arrependimento, entretanto, nos conduz a uma santificação de natureza tal que é conseguida a vitória sobre o pecado de maneira que a alma é libertada da servidão a seus vícios. (Ver I Jo 3:9 acerca desse conceito).

    3. O arrependimento é um ato divino: é concedido pelo próprio Deus (ver At 11:18); torna-se realidade por operação do Espírito (ver Zc 12:10), e veio a lume através da missão de Cristo (ver Mt 9:13).

    4. Também é uma reação humana, porquanto os homens são convocados a se arrependerem (ver At 17:30).

    5. Quando genuíno, o arrependimento terá frutos patentes (ver Mt 3:8). É necessariamente acompanhado pela fé (ver At 20:21).

    6. A negligência quanto ao arrependimento resulta no juízo condenatório (ver Ap 2:5,16).

    7. O arrependimento nos leva à vida eterna, pois a conversão resulta na santificação, e a santificação resulta na glorificação e na salvação final (ver II Ts 2:13).

    É o amor divino que nos conclama ao arrependimento, porque grandes são os benefícios do arrependimento, chegando mesmo a deixar a mente humana ofuscada, já que a totalidade da salvação vem por meio dessa atitude, porquanto é do arrependimento que se inicia a salvação. O arrependimento dos perdidos tem prosseguimento no arrependimento dos remidos. A fruição espiritual é o alvo, em ambos os casos; e a fruição espiritual é o desdobramento de nossa grande salvação.

    «O arrependimento não consiste de mera tristeza (embora a tristeza segundo Deus engendre o arrependimento; ver II Co 7:10); mas o arrependimento consiste da mudança de alma. Trata-se do ‘julgamento que temos passado, na presença de Deus, debaixo de sua graça, contra nós mesmos, e contra tudo quanto temos praticado e sido’». (Newell, in loc.).

    Confessemos o mal; tenhamos consciência de sua destrutibilidade; busquemos a mudança positiva no íntimo, a transformação na direção da imagem santa de Jesus Cristo.

    «…volta à prática das primeiras obras…» Literalmente traduzido, o verbo grego seria «faz», e isso no aoristo, o que dá ideia de uma atitude definitiva, a fim de que tais obras sejam constantemente praticadas. As «primeiras obras» não são novas e diferentes modalidades de ação; antes, são as mesmas obras, mas motivadas pelo amor original, de tal maneira que até pareçam novas obras. Mui provavelmente, o vidente João tinha em mente todas as formas diferentes de obras cristãs, como a do evangelismo, a do ensino e a do exercício dos dons espirituais no seio da igreja, que visam a sua edificação; e certamente também estão em foco os atos de bondade, de amor, as práticas altruístas que beneficiam ao próximo. Aqueles irmãos de Éfeso continuavam a praticar todas essas coisas, mas se tinham tornado «diferentes» por serem impelidos por «motivos diferentes». Nada de «ritualista» está aqui em foco. Nenhum «novo» batismo está em pauta, e nem alguma nova confirmação. Antes, é recomendada uma nova devoção, equiparada à devoção original; então, tudo em geral, deverá ser motivado por esse amor rejuvenescido.

    Essa atitude de arrependimento e boas obras pode ser confrontada com a atitude recomendada no Talmude (ver Sanhedrin 32): «Os dois consoladores do homem são o arrependimento e as boas obras».

    «…se não…» A opção nos pertence. A graça divina pode ser acolhida ou repelida. Não podemos subestimar o caos que a vontade pervertida poderá efetuar nas nossas vidas, tal como não podemos subestimar tal atitude da parte dos incrédulos, quanto ao evangelho. Podemos desviar-nos, esfriar na fé, tornar-nos indiferentes, inúteis, ser rejeitados, naufragar e tornar-nos incrédulos e apóstatas. A experiência humana comprova tal possibilidade.

    «…venho a ti…» Consideremos os dois pontos seguintes:

    1. A visitação de Cristo, na igreja de Éfeso (ou em qualquer outra comunidade cristã), para efeito de juízo, está aqui em foco, embora cada caso de visitação seja diferente dos demais casos. Porém, qualquer julgamento severo tende por «remover o testemunho» da pessoa ou da igreja envolvida.

    2. Fica subentendida aqui a «parousia» Quando Cristo voltar, encontrará alguns crentes e igrejas locais despreparados, o que significa que, necessariamente, haverá certo juízo contra os tais. (Ver II Co 5:10 acerca do «julgamento dos crentes verdadeiros»). Cada qual receberá segundo tiver praticado de «bem» ou de «mal».

    «…e removerei do seu lugar o teu candeeiro…» É um fato histórico que o testemunho cristão, antes tão poderoso em Éfeso, desapareceu. O «candeeiro» é a «igreja» e o «testemunho da igreja». A igreja cristã foi removida de Éfeso, e, juntamente com ela, o seu testemunho cristão. Éfeso foi a capital da igreja no mundo gentílico, um poderoso centro de propagação para larga área de atividades. Essa capital foi mudada para o ocidente, e o oriente praticamente se acomodou novamente em suas trevas originais. O escritor de certo comentário, ao descrever uma época cerca de setenta e cinco anos passados, diz-nos que visitou Éfeso, e que ali achou somente três crentes, os quais eram muito ignorantes.

    «Seu candeeiro foi removido do seu lugar por séculos; a esquálida vila islamita mais próxima do antigo sítio da cidade não conta com um único crente, em sua insignificante população; seu templo é uma massa de ruínas disformes; seu porto é uma poça tomada pelos juncos; a galinhola real abunda em meio a seus charcos estagnados e pestilentos; e a malária e o olvido reinam supremos sobre aquele lugar, onde uma antiga civilização resplandeceu, em meio a cenas das mais grosseiras superstições e dos pecados mais degradantes». (Farrar, Life and Work of Paul, ii.43,44).

    Éfeso foi a sede de uma longa linha de bispos orientais. O terceiro concilio geral teve lugar ali, em 431 D.C., a fim de condenar a cristologia de Nestor. Esse concilio se reuniu na igreja de Sta Maria, cujas ruinas até hoje podem ser vistas. Imediatamente em seguida, a cidade entrou em um período de declínio, parcialmente devido a surtos descontrolados de malária. Suas excelentes esculturas foram removidas para outros lugares, principalmente para Constantinopla. No século XIV, os turcos retiraram dali os seus habitantes restantes. Agora a região é escassamente populada, e essa é inteiramente da fé islâmica. No local exato da antiga cidade de Éfeso, restam apenas uma estação de trens e algumas poucas cabanas esparsas.

    Todavia, a igreja original de Éfeso, deu ouvidos à advertência de Cristo, conforme se fica sabendo através da epístola de Inácio aos Efésios, na qual ele os tacha de «dignos de serem bem-aventurados». Em xi.2 dessa epístola, ele expressou o desejo que ele mesmo se achasse «na companhia dos crentes de Éfeso, os quais, outrossim, tinham a mesma atitude mental dos apóstolos, no poder de Cristo». Essa atitude, entretanto, não se manteve, pelo que tiveram lugar as condições acima descritas.

    «Infelizmente, o candeeiro foi removido! O inigualável privilégio de exibir o Cristo, perante este mundo moribundo, perdeu-se para sempre. Diante de mim tenho uma fotografia da atual cidade de Éfeso—um arco arruinado, uma habitação islamita, em um castelo inatingível, em meio a colinas desoladas. Nenhum candeeiro em favor de Cristo, onde Cristo trabalhara por três anos, dia e noite, com lágrimas!»

    «…caso não te arrependas…» Já que somos chamados ao arrependimento, fica entendido que somos capazes de fazê-lo. Deus não impede homem algum de arrepender-se. O intuito inteiro da mensagem do evangelho é contrário a esse conceito. Assim sendo, se alguém busca lugar de arrependimento, sincera e honestamente, haverá de arrepender-se. É conforme disse Moffatt (in loc.): «Fica subentendido que o homem possui o poder de voltar-se e de retornar». O poder da cruz é tão grande que capacita a todos ao arrependimento. (Ver Jo 12:32). Existe uma «graça geral», administrada através da missão remidora de Cristo; há uma «graça específica», que a segue; e ambos esses elementos são poderosos.

    2:6    Tem, porém, isto, que aborreces as obra» dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.

    Agora somos levados de volta ao segundo versículo, que fala sobre a «resistência» contra os falsos apóstolos, homens «maus» e «mentirosos», conforme são ali chamados. O segundo versículo apresenta os «líderes» da seita desviada; e este versículo aponta para os «discípulos» deles, ou para a seita em geral. Seja como for, o mais provável é que as pessoas, referidas nos versículos segundo e sexto, sejam as mesmas.

    «…nicolaítas…» Não há certeza absoluta quanto à identidade dessa seita, embora abaixo apresentemos as ideias centrais a respeito:

    1.      O próprio vocábulo, no grego, significa «dominadores do povo». Na opinião de alguns, o povo seriam os «leigos». E daí tiram a suposição que está em foco a manifestação inicial das «ordens sacerdotais» ou «clero». Nesse caso, seria aqui combatida a formação de um clero profissional; e, no décimo quinto versículo deste mesmo capítulo, estão em foco vários desvios da doutrina, em associação a essa circunstância. Mas essa interpretação dificilmente se adapta à situação histórica em que as heresias sérias surgiram. Essa «seita» era de natureza libertina, que procurava solapar o imperativo moral do evangelho. Dificilmente poderíamos dizer que esteja em foco o clero, em seus primeiros passos.
    2. Alguns estudiosos associam essa seita a Nicolau, prosélito de Antioquia, um dos sete discípulos originais de Jerusalém (ver At 6:5). Isso supõe que assim como os doze tiveram um apóstata dentre seu número, que outro tanto sucedeu aos sete. Em favor dessa interpretação há passagens em Irineu i.26 e iii.l 1.1 e em Hipólito (Philos. vii.36). Mas este último dependeu de Irineu. Outros eruditos pensam que o Nicolau original foi meramente indiscreto, pois, possuindo uma bela esposa, e sentindo que outros lhe tinham inveja por essa razão, chamou os apóstolos e outros líderes e ofereceu-a a qualquer deles que a quisesse. No entanto, a maioria dos estudiosos o tem como um apóstata franco. Apesar de ser possível que Nicolau tenha estado associado à Ásia Menor, e com Éfeso em particular, também é possível que o próprio Irineu estava «esclarecendo» este versículo mediante uma conjectura, não havendo, portanto, qualquer confirmação histórica para tal ideia. O apóstolo Nicolau, conforme diz a própria narrativa, tornou-se líder de uma seita gnóstica antinomiana. Parece terem participado de festas idólatras, incorporando imoralidade e sensualidade em suas práticas, no que seguiam à comum tradição gnóstica.

    3. Em época posterior, houve uma seita gnóstica conhecida por «os nicolaítas», a qual é mencionada por Tertuliano (ver Praesc. Haer. 33; Adv. Marc. i.29 e De Pudicitia, 19), que também era de índole gnóstica. Clemente de Alexandria ii.20.118; iii.4.25 e as Constituições Apostólicas vi.8, juntamente com Vitorisino, fizeram a tentativa de mostrar que essas duas seitas não tinham nenhuma vinculação entre isso, e essa posição quase certamente é a correta, ainda que alguns intérpretes tenham imaginado a identificação das duas. O livro de Apocalipse foi escrito muito antes desse tempo, para referir-se à segunda dessas seitas do mesmo nome.

    4. Ou então poderíamos pensar que o Nicolau em foco foi um personagem histórico, que residia em Éfeso ou naquela área em geral, embora não deva ser identificado com o homem do mesmo nome, que era de Jerusalém. Nesse caso, quase certamente, ele foi líder de uma forma de seita gnóstica, de tendências libertinas, embora ele mesmo não seja conhecido na atualidade, fora do presente contexto.

    5. Finalmente, há aqueles que supõem que não devemos imaginar que «Nicolau» fosse o nome de alguma pessoa real e viva, mas que tudo não passa de um título—«dominador do povo» ou «destruidor do povo»— escolhido para representar a heresia que havia em Éfeso e que ameaçava à igreja cristã dali. Até mesmo nesse caso, é quase certo que alguma forma de gnosticismo esteja sob consideração.

    Muitos intérpretes identificam os nicolaítas com os seguidores de Balaão, aludidos no décimo quarto versículo deste capítulo, ou supõem que ambos os grupos eram apenas representantes locais de uma mesma heresia gnóstica. Provavelmente essa posição é a correta. E algo que é quase fora de dúvida é que a heresia da Ásia Menor, quando foi escrito o livro de Apocalipse, e que era uma praga para as igrejas locais, era uma forma de gnosticismo, sem importar o que devemos pensar acerca dos títulos específicos dados a seus ramos. O segundo versículo explica alguns aspectos do gnosticismo, e o trecho de Cl 2:18 tem a nota de sumário sobre essa heresia. Nada menos de oito livros do N.T. foram escritos para combater ao gnosticismo, a saber: Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas. Os gnósticos criam que a matéria é o princípio mesmo do mal, e que o «sistema deste mundo» visa destruir finalmente à matéria. Poderíamos ajudar nesse processo, mediante o abuso contra o corpo, efetuado através do ascetismo (o tipo de gnosticismo combatido na epístola aos Colossenses), ou através da licenciosidade extrema (o tipo combatido nos outros sete livros mencionados, e que também é a variedade aqui focalizada). Os gnósticos removeram do evangelho o «imperativo moral», não vendo no mesmo nenhuma função «santificadora». Em sua suposta elevada «sabedoria» (mediada pelas artes mágicas, pelo cerimonialismo e por um falso misticismo), imaginavam-se «isentos» das exigências morais. Não há que duvidar que muitos deles usavam passagens de escritos paulinos, como o décimo quarto capítulo da epístola aos Romanos ou o oitavo capítulo da primeira epístola aos Coríntios, para ensinarem que tudo era questão «indiferente», e não meramente a observância externa de dias santificados, carnes, bebidas, etc., conforme Paulo ensinara. Portanto, tinham tendências «antinominianas» extremas. Em outras palavras, não havia lei moral no evangelho deles. Os gnósticos levaram a tal extremo as suas perversões que chegaram a declarar que os anjos vinham assisti-los e influenciá-los a que participassem de todas as formas de deboche, a fim de ganharem «experiência», mediante a qual obteriam «conhecimento». O termo grego «gnosis» significa «conhecimento»; e desse termo é que o nome deles se derivava.

    O evangelho autêntico, naturalmente, se caracteriza por exigências morais mui rígidas. De fato, sem a santificação «…ninguém verá o Senhor» (Hb 12:14). E a «santificação» é uma necessidade imprescindível para a salvação (ver II Ts 2:13). O gnosticismo contava com muitos erros doutrinários, além de erros morais. Se porventura o gnosticismo houvesse ganho a batalha, o cristianismo ter-se-ia tornado apenas em uma outra religião misteriosa, greco-romana oriental.

    «…odeias as obras dos nicolaítas…» Essas «obras» eram suas ações pervertidas e imorais. (Ver Ap 2:14,20). Provavelmente, também devemos compreender aqui o fato que procuravam «solapar» a unidade da igreja, sendo essa uma das obras abominadas. A verdade é que essa heresia continuou solapando à igreja por cento e cinquenta anos. Eles semearam a contenda e a confusão na igreja. (Quanto a evidências acerca disso, na era apostólica, ver I Jo 2:18 ss.).

    Notemos a atitude correta para com o pecado. Os verdadeiros crentes «odeiam» à imoralidade, conforme aqueles crentes odiavam os ataques da citada seita. Portanto, no versículo segundo deste capítulo, lemos que os efésios não podiam «suportar homens maus». Quando somos fiéis a alguém, precisamos repreender seus pecados e erros; mas isso deve ser feito com o intuito de conquistar tal pessoa, e não de afastá-la, pelo que não se pode usar de espírito orgulhoso e altivo, conforme, com frequência, se verifica.

    «Vós, que amais o Senhor, detestai o mal…» (Sl 97:10).

    «Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade». (Sl 119:104).

    «Seis coisas o Senhor aborrece, é a sétima a sua alma abomina… o que semeia contendas entre irmãos» (Pv 6:16-19).

    Outras ideias sobre este sexto versículo:

    1. Dizem alguns que os nicolaítas eram idênticos aos seguidores de Balaão, porque Nicolau seria a tradução de Balaão, para o grego. Vários eruditos têm mantido esse ponto de vista, mas a maioria dos estudiosos modernos rejeita o mesmo. Contudo, não pode haver dúvidas razoáveis que tanto os seguidores de Balaão como os nicolaítas eram ramos representativos do gnosticismo. Não há motivo para duvidarmos da historicidade de tais seitas. Não são mencionadas neste capitulo meramente como símbolos com propósitos didáticos. A história mostra-nos a realidade histórica de variegadas seitas gnósticas.

    2. «É possível que um mesmo ramo antinominiano se tenha dividido em três formas: a. uma forma doutrinária (os nicolaítas); b. uma forma mundanizada (os seguidores de Balaão); e c. uma forma espiritualista (os seguidores de Jezabel)». (Comentário de Lange). Embora talvez não tenhamos motivo para fazer tal divisão, é provável que os vários problemas enfrentados pelas igrejas da Ásia Menor tenham tido uma raiz comum.

    3. A identificação de Nicolau, aludido em Atos 6:6, com a seita aqui mencionada, pode ter sido meramente uma conjectura, da parte de alguns dos primeiros pais da igreja. Por outro lado, poder-se-ia argumentar, logicamente, que não era do interesse da tradição posterior destruir a reputação de qualquer crente neotestamentário revestido de autoridade na igreja. É possível que o próprio Nicolau não fosse culpado de sensualidade, mas apenas indiscreto, porque seu oferecimento de sua própria esposa, a qualquer que quisesse possuí-la, pode ter sido interpretado como uma tentativa de estabelecer uma «comunidade de esposas». (Ver Clemente de Alexandria, Strom. 1.3, Pág. 436 e Eusébio, História Eclesiástica 1.3, cap. 29; quanto à narrativa do ato indiscreto de Nicolau). Algumas seitas gnósticas, na realidade, tinham esposas em comum.

    2:7    Quem tom ouvidos, ouço o que o Espirito diz as igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei o comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.

    «…Quem tem ouvidos, ouça…» Essa fórmula introduz as «promessas» feitas às igrejas, nesta e nas próximas duas cartas do Apocalipse. Nas outras quatro cartas, porém, a fórmula segue-se às promessas feitas. Sem importar a ordem, trata-se de uma solene chamada, para que se aplique o que se acaba de ouvir. Já que Cristo Jesus é apresentado como quem fala, não admira que a forma de expressão seja similar a declarações genuínas de Jesus, nos evangelhos. (Ver Mc 4:9,23; 7:16; Mt 11:15; 13:9,43; Lc 8:8 e 14:35). A expressão, no dizer de Vincent (in loc.): «…é usada sempre acerca de verdades radicais, grandes princípios básicos e grandes promessas». As sete cartas deveriam ser «lidas» nas igrejas (ver Ap 1:3). Poucas pessoas poderiam «lê-las» pessoalmente. Mas todos poderiam «ouvir» a leitura dessas instruções. Portanto, já que eram capazes de ouvir, porque seu aparelho auditivo estava em funcionamento, então deveriam ter a sabedoria de dar ouvidos e de pôr em prática o que lhes era dito, o que evitaria que fossem condenados.

    O ouvido que ouve. «Um dos mais solenes estudos da Bíblia inteira é aquele concernente ao ‘ouvido que ouve’. No fim dos quarenta anos que passou no deserto, Moisés diz a Israel que embora tivessem visto tantos prodígios, Jeová não lhes dera, como nação, olhos para verem e ouvidos para ouvirem! (Ver Dt 29:4). E quando já se achavam na terra de Canaã, também não deram ouvidos aos mensageiros de Deus, os profetas; e a Isaías foi ordenado que ordenasse judicialmente a que tornasse ‘…insensível o coração deste povo…’, endurecendo lhe os ouvidos e fechando-lhe os olhos, a fim de que não vissem com os olhos, ouvissem com os ouvidos, se convertessem e fossem curados’ (Is 6:10). E Jeremias clama: ‘Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem entendimento, que tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis’. E continuou ele ainda a dizer que o coração daquela gente engordara devido à prosperidade, que seus ouvidos se embotaram para ouvir (literalmente, ouviam pesadamente, ou seja, de forma lenta e imperfeita), e seus olhos se tinham fechado (no hebraico, ‘ficaram lambuzados’). Essa citação de Isaías não dá lugar à interpretação fatalista sobre esta passagem, mas põe toda a culpa sobre o endurecimento de coração e o despreparo dos ouvintes, motivo por que a pregação da Palavra, neste mundo, serve apenas para maior obscurecimento e condenação dos tais». (Alford, in loc.). Jeová dissera a Ezequiel (12:2): «Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver, e não vê, tem ouvidos para ouvir, e não ouves…» O ouvir sem a devida reação positiva produz a ilusão fatal—a capacidade dos homens se esquecerem do que diz Tg 1:22,24. «Não me quiseram ouvir» é a constante queixa de Deus, através dos profetas.

    Nosso Senhor chegou até a dizer para seus discípulos, no barco (ver Mc 8:17,18): «…ainda não considerastes, nem compreendestes? tendes o coração endurecido? tendo olhos, não vedes? e, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais…» Sim, a verdade divina nos entra pelos ouvidos; e aquele ato da vontade, que dá acolhida à Palavra, se chama «dar ouvidos», o que, algumas vezes, envolve a «inclinação» do ouvido (para longe de tudo o mais).

    Ora, por nada menos de sete vezes nos evangelhos, e por oito vezes neste livro de Apocalipse—sete vezes para essas igrejas! reboa aquela chamada vital, aberta e particular, para quem quisesse ter ouvidos abertos: ‘Quem tem ouvidos, que ouça!’

    Não sabeis que a maioria dos leitores e ouvintes do livro de Apocalipse não ‘ouvirá’ realmente, no sentido tencionado pelo Senhor—um deixar cair no ouvido, pessoal, separando’ palavra por palavra?

    «Seiss observou como segue: ‘Pescadores e cobradores de impostos, ao darem ouvidos a Jesus, terminaram sentados em tronos apostólicos, ministrando quais sacerdotes e ministros da dispensação, ampla como o mundo e duradoura como o tempo’» (Newell, in loc.).

    «…O Espírito diz…» No livro de Apocalipse, tal como no N.T., inteiro, o Espírito Santo é o «alter ego de Cristo», o seu porta-voz, o poder divino que dá prosseguimento à sua obra, dentro e fora da igreja. O «Espírito Santo» não é a mesma coisa que os «sete espíritos». (Ver acerca dos «sete espíritos», em Ap 1:4).

    «…às igrejas…» Quais? As sete igrejas da Ásia Menor, para onde foi originalmente enviado o livro de Apocalipse, em que cada delas recebeu uma «carta», constante nos capítulos dois e três deste livro. Naturalmente, elas representam a «igreja universal».

    «…ao vencedor…» Consideremos os pontos seguintes, a esse respeito:

    1. O vencedor seria o que permanecesse fiel a Cristo, opondo-se aos hereges gnósticos.

    2. Seria aquele que desse ouvidos à admoestação de retornar ao «primeiro amor» e à prática das «primeiras obras».

    3. Seria aquele que repelisse a mensagem sem moral dos nicolaítas (gnósticos), mantendo a pureza de fé e de prática.

    4. Seria aquele que permanecesse constante, sob as perseguições.

    5. Seria aquele que, conforme se vê em todas essas cartas, fizesse o que lhe é dito que faça, opondo-se ao que lhe fosse ordenado opor-se.

    Todo Crente Genuíno É Um Vencedor

    1. Com base em Ef 6:11 e ss., aprendemos que não existe crente verdadeiro que também não seja um soldado. Ora, o soldado está envolvido em uma guerra, não sendo mero espectador dos lances. Conta com a armadura de Deus e a usa. Domina e vence o mal.

    2. Coisa alguma foi prometida àqueles que não se mostrarem vencedores nessa luta. Cada uma das sete epístolas do Apocalipse promete algo ao «vencedor». Nenhuma promessa é oferecida a qualquer outra qualidade de pessoa.

    3. Cristo é o vencedor-mor. Ele é o nosso exemplo. Ver Ap 3:21; 5:5 e 17:14 quanto a esse título, que lhe é aplicado. Ver acerca da metáfora baseada na vida militar, em Ef 6:10-20.

    «…dar-lhe-ei…» Temos aqui, no original grego, o tempo futuro do verbo «didomi», o que se repete em Ap 2:10,17,23,26,28; 3:8,21; 6:4; 11:3 e 21:6, onde há várias promessas feitas por Cristo. A Cristo foi dado todo o «poder» ou «autoridade» (ver Mt 28:18). Cristo pode dar esse galardão agora, mas certamente o fará quando de sua segunda vinda (ver I Ts 4:15), ou quando do juízo final (ver II Co 5:10).

    «…se alimente da árvore da vida…» A promessa. João, o vidente, leva-nos de volta ao jardim do Éden, e assegura-nos que aquilo que foi «espiritualmente perdido» através do pecado, pode ser recuperado em Cristo, e, de fato, será recuperado por todos os «vencedores». A questão do «comer» é simbólica, apontando para a obtenção da vida eterna e da nutrição espiritual, com satisfação de toda e cada necessidade. Comparemos com o comer do Pão da vida, em João 6:48. Aquele que se alimenta desse Pão, assume a própria forma de vida e a própria natureza do Filho, porquanto seus efeitos alimentares são transformadores. Espiritualiza ao ser inteiro, de tal modo que este vem a participar de toda a plenitude de Deus, de sua modalidade de vida (ver Jo 5:25,26 e 6:57), de sua natureza e atributos (ver Ef 3:19). Isso, naturalmente, envolve muito mais que a restauração do que se perdera no «Éden». Obteremos certa forma da «imortalidade», aquele tipo de vida que possui o próprio Deus Pai. Naturalmente, não há neste ponto qualquer alusão a alguma árvore literal. Essa «árvore» simboliza a transmissão da vida eterna aos homens. (Ver Jo 3:15 quanto a esse conceito). Nos capítulos vigésimo primeiro e vigésimo segundo deste capítulo, é descrito o «novo paraíso». Portanto, neste ponto, nos é assegurado que, nesse novo Paraíso, na qualidade de cidadãos do mundo eterno e celestial, teremos uma imensa vida espiritual, a própria vida «independente» e «necessária», a vida que tem em si mesma a origem da vida, que não pode deixar de existir.

    Portanto, se Adão tornou-se um ser mortal, embora, antes do pecado fosse um imortal de baixa categoria, em Cristo, tornamo-nos imortais da mais elevada categoria, participantes da própria vida de Deus Pai; assim sendo, seremos mais altos do que os próprios anjos, tal como o Filho de Deus é muito mais elevado do que eles, os quais são referidos apenas como fumaça ou chamas, em comparação com Cristo. (Ver Hb 1:7).

    É deveras lamentável que, na igreja evangélica de hoje em dia, a «salvação» é reduzida apenas ao perdão de pecados e à futura mudança de endereço para os céus. Na verdade, a salvação consiste daquilo que acontece conosco, a espiritualização dos nossos próprios seres, mediante a qual assumimos, mui literalmente, a própria espécie da natureza de Cristo, ou seja, compartilharemos de seus atributos e de sua glória. Isso é o que está envolvido no fato que nos alimentaremos da árvore da vida, nos mundos eternos. (Pode-se ver o simbolismo místico da «árvore», em Pv 3:18; 13:12; 11:30 e 15:4).

    «O comer da árvore da vida expressa a participação na vida eterna. O simbolismo da árvore da vida aparece em todas as mitologias, desde a índia até à Escandinávia. Os rabinos judeus e islamitas chamavam o vinho de ‘árvore da provação’. O Zend Avasta tem a sua própria árvore da vida, chamada de ‘Destruidora da Morte’. Ela medraria próximo às águas da vida, e o beber de sua seiva conferiria a imortalidade. A árvore da vida dos hindus é retratada como árvore que medra de dentro de um grande mar, em meio à expansão das águas. Teria três galhos, cada um coroado por um sol, denotando os três poderes da criação, da preservação e da renovação, após a destruição. Em uma outra apresentação, Buda aparece a meditar, assentado debaixo de uma árvore com três galhos, cada um dos quais, por sua vez, tem três ramos. Um dos cilindros babilônicos, descobertos por Layard, representa três sacerdotisas a juntarem o fruto do que parece ser uma palmeira, com três ramos de cada lado. Ator, a Vênus dos egípcios, aparece meio oculta nos ramos do pessegueiro sagrado, entregando o seu fruto às almas que partem, bem como a dar-lhes a bebida do céu, mediante um vaso, de onde as correntes da vida descem sobre o espírito, uma figura ao pé da árvore, como se fora um falcão, com uma cabeça humana e com mãos estendidas. Na mitologia norueguesa, há uma figura proeminente, Igdrasil, a árvore-cinza da existência; suas raízes estão no reino de Hela, ou Morte, seu tronco atinge os céus, e sua copa se espalha pelo universo inteiro. A seus pés, no reino de Morte, estão assentadas três Noms ou Sortes, o Passado, o Presente e o Futuro, a regarem suas raízes com água retirada do poço sagrado. Comparar com Ap 12:2,14,19. Virgílio, dirigindo-se a Dante, ao terminar a descida no monte do Purgatório, diz:

    Aquela doce maçã, embora com tantos ramos,

    E que os mortais perseguem com zelo,

    Hoje satisfará aos teus desejos.

    (Purgatório, xxvii.115-117) (Vincent, in loc.).

    «A narrativa do livro de Gênesis fala de uma árvore, cujo fruto foi proibido. A mensagem aos crentes de Éfeso fala de uma ‘árvore da vida’, que os crentes vitoriosos receberão permissão de comer. Após a provação vem a satisfação. Existem certas coisas que só podem ser dadas aos homens, em segurança, depois de haverem sido disciplinados, mediante firmeza, sob as pressões da vida, quando chegam à força autêntica. O crente deseja satisfazer às condições para comer da árvore da vida. Essa árvore sugere uma disciplina nobre, e não a concupiscência desregrada. Francis Thompson, em um poema intitulado ‘Her Portrait’, fala sobre:

    Um triste músico…

    A tocar a ouvidos alheios, que não davam valor

    À música não-compreendida do firmamento.

    «É um pensamento que nos faz meditar sobre aquele que mostra que o ou­vido precisa ser treinado para a música celestial, da mesma maneira que o paladar deve ser treinado para o alimento celestial». (Hough, in loc.).

    «A vitória pessoal sobre o mal é o condição sem a qual ninguém comerá da árvore da vida». (Charles, in loc.). Trata-se da mesma verdade, declarada sob outros termos, em Hb 12:14: «Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor». A santificação é absolutamente necessária à salvação, conforme se aprende em II Ts 2:13 e Rm 6:22.

    Aqueles que evitassem as libertinagens dos nicolaítas, eventualmente ficariam plenamente satisfeitos com a abundância da árvore da vida. (Isso pode ser comparado ao trecho de Ap 22:2,14, quanto a sobre a «árvore da vida»). Foi o madeiro da árvore da cruz que possibilitou a realidade da árvore da vida (ver Cl 1:20). Mas essa vitória deve ser aplicada, mediante a lealdade a Cristo, na batalha contra o mal e na aquisição de sua própria santidade, através do poder do Espírito Santo. O pecado humano terminou a possibilidade de chegarmos naturalmente à árvore da vida (ver Gn 3:24). Mas Cristo, em sua missão terrena, reverteu essa derrota. Todavia, a sua vitória só será compartilhada pelos vencedores, no sentido que participarão de sua própria vida e natureza. O primeiro capítulo da epístola aos Efésios mostra que todos, de alguma maneira, em uma grande restauração geral, tendo a Cristo como Senhor e Cabeça, haverão de receber benefícios do que ele realizou.

    O paraíso de Deus. Tal como sucede a muitos conceitos que foram elaborados através dos séculos, o do paraíso não tem um único sentido simples, e, sim, diversos significados, dependendo do autor, a saber:

    1. O próprio vocábulo vem do persa, e tem o sentido de «jardim», terreno ou celestial, ou seja, um «lugar de deleite», de «descanso», de «refrigério». Na Septuaginta grega, o termo foi aplicado ao Jardim do Éden. (Ver Gn 2 e ss.; Filo; Josefo. Antiq. 1,37; Oráculos Sibilinos 1,24; 26,30).

    2. Foi apenas natural que o termo viesse a ser aplicado aos conceitos do após-vida, quando as almas justas encontrarem um lugar de descanso dotado de magnificente beleza, riquezas, e vida eterna. Por isso, os rabinos faziam dele um equivalente ao «seio de Abraão»; ou seja, a porção boa do hades. Esse uso se reflete em Lc 16:22, e talvez também em Lc 23:43. Outro tanto figura em En. 32,3; Testamento de Levi 18:10; Sib. or. fgm. 3,48, e muitas passagens das pseudoepígrafes do A.T.

    3. Os judeus supunham que existem sete céus, e, presumivelmente, tudo, com exceção da própria habitação de Deus, poderia ser chamado de «paraíso». Seja como for, o «paraíso» indicava um estado «intermediário», e não a habitação mesma da divindade. Portanto, em II Co 12:2,4, é quase certo que Paulo identifica o «terceiro» céu (dentre muitos níveis celestes), com o «paraíso».

    4. Mas, sendo muito flexível essa palavra, não é de estranhar que seja usada para indicar a presença de Deus, os céus mais elevados, mui provavelmente o que está em foco no presente versículo. (Ver as descrições sobre a «Nova Jerusalém», a capital dos novos céus e da nova terra, nos capítulos vinte e um e vinte e dois do presente livro, podendo-se observar que a «árvore da vida» estará localizada ali. Portanto, a «Nova Jerusalém» é identificada com o «paraíso», pelo vidente João.

    Os únicos empregos desse vocábulo, nas páginas do N.T., são aqueles sobre os quais já fizemos alusão, na discussão acima, Lc 23:43; II Co 12:4 e Ap 2:7. E, em todos esses três casos, os usos são diferentes.

    Para o vidente João, o paraíso é o Éden celestial, onde os remidos participarão da vida eterna, o que chamamos de «céus» ou «lugares celestiais», embora, em outros trechos, mais adiante, ele identifique esse paraíso com a Nova Jerusalém, a qual será um lugar específico dos lugares celestiais. Ali é que se encontrará o paraíso «de Deus», o que dá a entender que ali os homens serão conduzidos à presença de Deus, ou seja, à sua própria habitação, com suas bênçãos prodigiosas, o que não poderá ser atingido, a não ser mediante a vitória que obtemos por meio de Cristo.

    Bibliografia R. N. Champlin

  • LIÇÃO 8 – APRENDENDO A GUARDAR A PALAVRA COM JESUS

    LIÇÃO 8 – APRENDENDO A GUARDAR A PALAVRA COM JESUS

    guardar a palavra

    Texto Bíblico

    João 14.21,23,24

    21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

    23 Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.  24 Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.

    Mateus 7.24-27

    24 Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.  25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

    Introdução

    A atitude de desprezar a palavra de Deus, é a causa e sempre foi de todos os malefícios e derrotas que o ser humano sofre. Desde principio vimos Adão e Eva desprezando a Palavra de Deus, e como efeito a morte, dor, angustias tudo de mal entrou no mundo, porque eles escolheram desprezar a palavra de Deus. E você hoje que atitude você vem tendo com relação a Palavra de Deus? Tome muito cuidado e atente para não menosprezar a Palavra de Deus.

    Se você analisar a historia do povo de Deus no tempo do Êxodo, Profetas, Reis e Salmos, você observará a advertências de Deus ao homem dizendo: Se guardares a Palavra se preservares a Palavra, se reteres a palavra se atentares para a palavra e obedecerem a palavra. Então desfrutarás de bênçãos, alegrias, vitorias, prosperidade. Mas se negligenciarem, não derem valor a palavra e nem obedecê-la, Então a maldição virá sobre vós.

    Guardar a Palavra nos torna Sábios e Inteligente

    Deuteronomio 4.1-2 5-6

    1 Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR, Deus de vossos pais, vos dá.  2 Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando.

    5Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar.  6 Guardai-os, pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que ouvirão todos estes estatutos e dirão: Só este grande povo é gente sábia e inteligente.

    Ninguém pode dar aquilo que não tem.

    Deuteronômio 4 6-9

    6E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;  7 e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.

    O apostolo Paulo já dizia: O que eu recebi primeiro do Senhor isso vos ensinei.

     8 Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.  9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

    Na tua mão

    Mão fala de labor, ajuda, trabalho, atitude, obra edificação, todas as minhas ações obra, trabalho e atitude devem ser dirigidos pela Palavra.

    Testeira entre seus olhos

    Fala de visão, fala de direção a nossa vida deve ser regida e dirigida pelo principio da Palavra

    Umbrais de tua casa e nas tuas portas

    Minha casa deve ter a marca da Palavra, a família vai ser abençoada, os vizinhos olharam para as portas da tua casa e verão a palavra, escutaram louvores a Deus. Se não for assim é bom você rever seus conceitos com relação a Palavra de Deus dentro do seu lar.

    E em Deuteronômio 28 temos a lista das bênçãos e em seguida a lista de maldição. Mas nós que amamos a Palavra teremos a benção de Deus.

    O Segredo de Josué

    Josué o primeiro grande guerreiro e líder de Israel através de Josué eles alcançaram grandes vitórias e foram bem sucedidos. Mas qual o segredo de Josué.

    Josué 1 8-9

    8 Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás.

    9 Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares.

    Quer ser bem sucedido e ter vitória siga o exemplo de Josué.

    O Salmo que exalta a Palavra

    Salmo 119 com 150 versos é conhecido como o salmo da Palavra e tem lições tremendas para orarmos a Deus para sermos cheios da Palavra.

    Sl 119:1 Bem-aventurados os que trilham com integridade o seu caminho, os que andam na lei do Senhor!

    Sl 119:9 Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra.

    Sl 119:11 Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.

    Sl 119:33 Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e eu o guardarei até o fim.

    Sl 119:34 Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei, e a observe de todo o meu coração.

    Sl 119:67 Antes de ser afligido, eu me extraviava; mas agora guardo a tua palavra.

    Sl 119:71 Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.

    No Novo Testamento

    Cl 3:16 A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.

    Paulo também orienta a reter a palavra para no dia do arrebatamento estar certo diante do Senhor que andou e viveu segundo a sua palavra.

    Fp 2:16 retendo a palavra da vida; para que no dia de Cristo eu tenha motivo de gloriar-me de que não foi em vão que corri nem em vão que trabalhei.

    O Apostolo João o Apostolo do amor, chama de mentiroso, sabe aquele que anda na igreja mais….

    1 João 2 4-5

    4 Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; 5 mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele;

    Estudo completo no vídeo abaixo:

    http://youtu.be/Tr9jYH8mUK4

     

     

     

  • Lição 7 – Apreendendo a Suportar uns aos Outros

    Lição 7 – Apreendendo a Suportar uns aos Outros

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    Texto bíblico Básico:

    Mateus  5. 38-48

    38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

    O propósito de Deus ao dar esta Lei era oferecer misericórdia. E diziam os juízes: “que o castigo seja de acordo com o delito”. Não era uma regra para a vingança pessoal (Ex 21:23-25; Lv 24:19-20; Dt 19:21).

    Seu propósito era limitar a vingança e ajudar ao juiz a aplicar castigos que não fossem nem pesados nem leves. Algumas pessoas, entretanto, estavam usando esta frase para justificar a vingança. As pessoas se desculpavam de seus atos de vingança dizendo: “Estou cobrando o que ele me fez”.

    39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

    Bater a face direita –  Todo judeu no tempo de Jesus sabia o que significava bater na face direita de alguém, a saber, era o injurioso golpe com o lado exterior da mão, desferido com a mão direita contra a face direita do outro. De acordo com o código civil judaico, punia-se a pessoa que feria desse modo a honra de outra, com 400 sus (cerca de 160 dólares).

    Ora, segundo a lei rabínica, bater com o dorso da mão era duplamente insultante que fazê-lo com a palma. Há certa arrogância insultante que se soma ao fato de dar um reverso ou golpe com o dorso da mão.

    Assim, pois, o que Jesus diz é o seguinte: “Mesmo que alguém lhes dirija o insulto mais calculado e traidor, não devem responder com outro insulto do mesmo tipo, nem devem sentir-se ofendidos por sua ação.”

    Não nos ocorrerá com muita frequência encontrar-nos com alguém que nos dê bofetadas, mas uma e outra vez no curso de nossa vida receberemos insultos de maior ou menor proporção; Jesus nos está dizendo aqui que o cristão precisa ter aprendido a não experimentar ressentimento, seja qual for o insulto que receber, e a não procurar vingar-se de maneira alguma.

    De acordo com os psicólogos, a violência nasce da fraqueza, não da força. O homem forte é capaz de amar e de sofrer, enquanto o fraco pensa apenas em si mesmo e fere os outros para se defender. Depois, foge para se proteger.

    Não resistais (opor-se, colocar contra) ao homem mal, isso significa: que somos orientados a não revidar ao homem mal, Ao mal devemos responder com o bem. Quando somos ofendidos, com frequência nossa primeira reação é procurar desforra. Jesus nos diz que devêssemos fazer o bem aos que nos causam dano. Não devemos guardar ressentimentos, a não ser amar e perdoar. Isto não é natural: é sobrenatural, e só Deus pode nos dar a força para amar. Em lugar de procurar vingança, ore pelos que o ferem.

    É importante frisar que Jesus não está discutindo a obrigação do governo de manter ordem

    40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

    Jesus segue dizendo que se alguém tenta nos tirar a túnica em um litígio ante os tribunais, não somente devemos deixar que se leve o que quer, mas também lhe oferecer a capa. Novamente, há aqui muito mais do que pode perceber-se superficialmente. A túnica, chiton, era uma espécie de camisa que se usava debaixo da roupa, e em geral era feita de algodão ou linho.

    Até o homem mais pobre possuía habitualmente mais de uma muda deste objeto. A capa era a vestimenta exterior, de forma retangular e de consideráveis dimensões, que se usava como toga durante o dia e como telha durante a noite. Os judeus em geral tinham somente uma capa ou manta deste tipo.

    A lei judia estabelecia que a túnica de um devedor era confiscável, mas não a capa. “Se do teu próximo tomares em penhor a sua veste, lha restituirás antes do pôr-do-sol; porque é com ela que se cobre, é a veste do seu corpo; em que se deitaria?” (Êxodo 22:26-27).

    41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.

    Te obrigar. Uma palavra de origem persa, descrevendo o costume dos correios e soldados  romanos que tinham autoridade de obrigar pessoas a prestarem serviços sempre quando fosse necessário (confira o caso de Simão Cireneu, Mt. 27:32).  Os soldados romanos que ocupavam o país podiam obrigar a qualquer transeunte a lhes levar sua carga até por uma milha (como 1.5 km).

     42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.

    Ver Lucas 6:30 sejam judeus ou gentios; amigo ou inimigo; crente ou descrente, um bom ou um homem mau; digno ou indigno, merecendo ou não, que pede ajuda, seja comida ou dinheiro, dá-lo livremente, prontamente, alegremente, de acordo com suas habilidades, e como a necessidade dom momento, devem ser consideradas, e uma atenção especial  para com os da família da fé.

    43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. 

    Amarás o teu próximo (Lv. 19:18, 34) resume toda a segunda tábua da Lei (confira com Mt. 22:39).

    Odiarás o teu inimigo. Esta adição que não é das Escrituras desvia-se da lei do amor; mas deveria ser uma interpretação popular. O Manual de Disciplina de Qumran contém a seguinte regra: “. . . amar todos os que Ele escolheu e odiar a todos os que Ele rejeitou” (1 QS 1.4).

    Amai a vossos inimigos. O amor (agapao) prescrito é o amor inteligente que compreende a dificuldade e esforça-se em libertar o inimigo do seu ódio. Tal amor é parente da atitude amorosa de Deus para com os homens rebeldes (Jo. 3:16) e portanto é uma prova de que aqueles que agem assim são verdadeiros filhos do seu Pai

    46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?  47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo?

    Publicanos. Os coletores judeus dos impostos romanos, odiados por seus patrícios por causa de suas flagrantes extorsões e sua associação com os conquistadores desprezados.

    48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

    Como podemos ser perfeitos?

    (1) Em caráter. Nesta vida não podemos ser impecáveis, mas podemos aspirar a ser mais semelhantes a Cristo.

    (2) Em santidade. Como os fariseus, devemos nos separar dos valores pecaminosos do mundo.

    (3) Em maturidade. Não podemos conseguir ter o caráter de Cristo e viver em santidade de repente , mas podemos lutar pela perfeição. Assim como esperamos uma conduta diferente de um bebê, de um menino, de um adolescente e de um adulto, Deus espera atitudes diferentes de nós, segundo nosso nível de desenvolvimento espiritual.

    (4) Em amor. Podemos procurar amar a outros como Deus nos ama. A gente é se sua conduta é apropriada para seu nível de maturidade: perfeitos, mas ainda com muito espaço para crescer. Nossa tendência a pecar nunca deve nos deter no empenho de ser cada vez mais semelhantes a Cristo. O chama a todos seus discípulos à excelência, a superar o nível de mediocridade e a maturar em tudo, até chegar a ser como O é. Os que se esforçam por chegar à perfeição um dia conseguirão ser perfeitos como O é perfeito (1Jo 3:2).

     

     

     

     

     

     

     

  • Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    tentaçãoTENTAÇÃO

    Esboço:

    I. Definição

    lI. O Dilema Humano

    Ill, Deus é Fiel

    IV. A Vitória é Possivel

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação?

    VI. Meios para Escapar

    1 Cor. 10: 13: Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.

    I. Definição

    Há uma palavra hebraica e duas palavras gregas, envolvidas neste verbete, a saber:

    1. Massah, “teste”. “provação”. Palavra hebraica usada por cinco vezes. Deu. 4:34; 7:19; 29:3;, SaL 95:8; Jó 9:23.

    2.    Peirasmôs, “teste”, “prova”. Palavra grega usada por vinte vezes: Mal. 6:13; 26:41; Mar. 14:38; Luc. 4:13; 8:13; 11:4; 22:28,40,46; Atos 20:19; 1 Cor. 10:13; Gál. 4:14; 1, Tim. 6:9; Heb. 18; Tiago.1:2,12; 1 Ped. 1:6; 11 Ped. 2:9 e Apo.3:10.

    3. Peirázo, ”testar”, “submeter à prova”. Vocábulo grego que ocorre por trinta e seis vezes: Mal. 4:1,3; 16:1; 19:3; 22:18,35; Mar. 1:13; 8:11; 10:2; 12:15; Luc. 4:2; 11:16; João 6:6; 8:6; Atos 5:9; 9:26; 15:10; 16:7; 24:6; 1 Cor. 7:5; 10:9,13; 11 Cor. 115; GáI. 6:1; 1 Tes. 3:5; Heb. 2:18; 3:9

    (citando Sal. 95:9); 4:15; 11:17,37; Tia. 1:13,14; Apo.12,10; 3:10.

    4.    No original grego, tentação é “peirasmos”, que significa “teste”, “provação”, “tentação para a prática do mal”. Esse vocabulário pode incluir ou não a idéia de alguma questão moral envolvida. Pode simplesmente indicar um teste difícil, uma prova, e não alguma tentação tendente à prática

    do mal, uma incitação ao pecado. Por outro lado, essa palavra pode envolver a idéia de incitação ao pecado. Essa foi exatamente a palavra utilizada pelo Senhor Jesus, em sua oração, no trecho de Mat. 6:13, onde ele diz: ” … e não nos deixeis cair em tentação…”. É também o mesmo termo usado para indicar as tentações que Satanás lançou contra o Senhor Jesus, no deserto (ver Luc. 4: 13). Na passagem de Tiago. 1:12 essa mesma palavra é empregada para indicar, bem definidamente, a tentação à prática do mal.

    É lógico acreditarmos, por conseguinte, que a tentação referida neste versículo tem por intuito incluir questões tanto “morais” como “amorais”, isto é, tentações para a prática do pecado (o que é evidente no próprio contexto), mas igualmente, certos períodos de dificuldades, o que também se evidencia quando consideramos, no contexto, o que Paulo mesmo esperava para o fim desta era, refletindo uma doutrina judaica comum, de que haveria um período geral de tribulações, em todos os sentidos, quando se aproximasse o fim da presente dispensação (ver 1 Ped. 4: 12 e Apo. 3: 10 quanto a essa mesma idéia, nas páginas do N.T.).

    Deus não tenta a homem algum para a prática do mal (ver Tiago. 1:12), embora ele permita que as tribulações nos sobrevenham (ver Mal. 6: 13), e destas últimas o Senhor Jesus orou pedindo livramento. Satanás foi capaz de tentar ao Senhor Jesus com o mal; nada disso o diabo jamais teria podido  fazer, sem a permissão divina.

    11.O Dilema Humano

    Condição humana. As tentações (induções) à prática do mal ou “tribulações” são “humanas”. Isso significa apenas que pertencem aos homens, comuns a seu nível, comuns à sua experiência terrena, pelo que também não podem ser algo extraordinário e avassalador para nós. Desde o princípio da história humana, os homens têm sofrido das mesmas formas de testes; não existem tribulações novas,

    que nos surpreendam devido à sua novidade. Os homens da antiguidade foram atingidos por toda a sorte de desastres. Outro tanto sucede conosco. Os homens antigos foram vitimados por todas essas calamidades; e outro tanto pode suceder conosco. As tentações vitimaram os homens antigos; e podem vitimar-nos se não exercermos a autodisciplina. Contudo, as tentações que nos assediam são

    adaptadas para as forças humanas, para as condições humanas. Temos sido armados com os meios que nos capacitem a derrotar tais tentações; e assim poderemos fazê-lo, se nos valermos dos meios postos à nossa disposição. Podemos ser vitoriosos ou totalmente derrotados elas tentações; podemos ser até mesmo destruídos, espiritualmente falando, ou podemos usá-las como degraus que nos elevam a um desenvolvimento espiritual mais elevado. Podemos encontrar homens pertencentes a ambas as categorias, na Igreja cristã. Não parece que Paulo estivesse contrastando duas formas de tentação, a humana e a demoníaca, porquanto até mesmo as tentações demoníacas assaltam os crentes, conforme aprendemos em Efé, 6:12 e ss.

    Não obstante, sem importar a fonte de onde elas provêm, continuam sendo humanas, no sentido que são comuns à experiência humana, não transcendendo ao poder da vontade humana, contanto que o homem seja ajudado pelo Espirito Santo.

    O apóstolo dos gentios, portanto, dizia que podemos triunfar; mas que esse triunfo não é necessariamente

    inevitável ou fácil. A experiência humana mostra-nos que tal vitória não é fácil.

    111. Deus é Fiel

    Ele é fiel pelas razões expostas; em seguida Ele exerce controle sobre todas as tentações que sobrevêm ao crente em sua vida, Ele permite somente aquelas tentações que podem ser toleradas, sem importar se essas assumem a forma de testes, de sofrimentos, de perseguições ou de incitações para a prática do mal. Além disso, Deus provê sempre um meio de escape, quando somos assediados pelas tentações, desviando aquelas outras que, de modo algum, poderíamos suportar. Sim, Deus é fiel no sentido de “digno de confiança”, como alguém em quem se pode confiar, no que diz respeito a essa questão das tentações.

    IV. A Vitória é Possível

    Não sejais tentados além das vossas forças. Um crente conta com reservas de forças até mesmo para enfrentar os poderes espirituais malignos. Não obstante, compete-lhe utilizar-se de certos meios para desenvolver esses recursos, a fim de que possa usá-los prontamente quando isso se tomar necessário.

    Precisa ter certo nível de espiritualidade, desenvolvido mediante a oração, a meditação, a comunhão com o Espírito Santo, a transformação segundo a imagem moral de Cristo. O próprio Cristo é o exemplo supremo das reservas de forças espirituais que resguardam o homem de Deus contra qualquer modalidade de tentação. As passagens de Heb. 2: 18 e 4: 15 mostram-nos que Jesus foi tentado em todos os pontos em que também o somos, embora jamais tivesse cedido ao pecado. Cristo Jesus não pecou, não porque não pudesse fazê-lo; pois, nesse caso, não serviria de exemplo e de consolo para nós. Mas não pecou porque o seu desenvolvimento espiritual, através da presença do Espírito Santo, era tão grande que foi capaz de resistir às formas mais variegadas e difíceis de tentação, incluindo a “incitação ao pecado”, as tribulações”, as “perseguições”, e os “momentos difíceis”.

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação

    1. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral. Mas, uma vez que lhe oferecemos resistência, isso melhora a qualidade moral do nosso ser. Aquele hino que diz: “Cada vitória te ajudará a outra vitória conquistar”, encerra grande verdade.

    2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a “coroa da vida”, e isso por promessa de Deus (ver Tia. 1: 12).

    3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mal. 5:48 eliTes. 2:13). Por conseguinte, a transformação moral é que nos leva à transformação metafisica, dentro da qual chegamos a compartilhar da própria natureza do Filho (ver li Cor. 3:18).

    4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudam em nosso desenvolvimento espiritual, Tiago expressou essa mesma idéia de maneira um tanto mais poética, ao dizer: Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam (Tia. I: 12). Sim, a verdadeira bem-aventurança espiritual é conferida ao homem digno de receber a coroa da vida, isto é, o dom da vida eterna, com a consequente participação em tudo quanto Cristo é e tem, a glorificação em Cristo. A resistência às tentações, em suas variegadas formas, aumenta o poder do crente. Mas ceder ante as mesmas destrói as defesas espirituais dos remidos.

    VI. Meios para Escapar

    No original grego temos “o livramento”, com o artigo definido, o que certamente indica o meio de escape. Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza. O “meio de escape” é sempre adaptado a cada circunstância. O pecado se faz presente e é poderoso; nenhum indivíduo escapa à tentação à prática do mal. Mas esse não é o “escape” prometido. Testes de ordem física e espiritual, grandes tragédias, são acontecimentos poderosos, debilitadores, desencorajadores, algumas vezes avassaladores; mas Deus sempre se mantém próximo do crente. Paulo promete aqui alguma ajuda divina em cada caso, embora não especifique exatamente o que devemos esperar. E essa ajuda será tão variegada como as tribulações.

    “Ele (Deus) conhece os poderes que nos conferiu, bem como quanta pressão somos capazes de resistir”. Deus ordena as provações de tal modo que ‘sejamos capazes de suportá-las’. O ‘poder’ é conferido paralelamente com a tentação, embora a resistência não nos seja proporcionada; essa resistência depende de nós mesmos”, (Robertson e Plummer,).

    A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o ‘escape’ só aparece através da ‘resistência’ e da persistência do crente.

    ” … de sorte que a possais suportar….”. Notemos que não nos é dado o “escape” por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o “escape” porque estamos livres da tribulação. Antes, esse “escape” nos é proporcionado ‘porque’ temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial.

    “Com freqüência, o único ‘escape’ se verifica através da ‘resistência’. Ver Tia. I: 12”. (Vincent, in loc.).

    Fechem-se em um ‘cul de sac’ os desesperos de um homem; mas que ele veja uma porta aberta para sua saída; e ele continuará lutando, levando a sua carga.

    A palavra grega ekbasis (escape) significa saída, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece upengkein (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira.

    Fonte: Norman Champlin

     

     

     

  • Lição 5 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Lição 5 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Texto Bíblico

    Lucas 4 1-12

    E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;

    Nós nos enganamos quase sempre achando que o Espírito Santo, sempre nos guiará para junto de águas e nos dará repouso, conforme  o salmo 23.2: Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Mas como podemos observar neste versículo quem levou Jesus ao deserto foi o Espirito Santo.

    Por desertos todos nós passamos mais o importante e como e o que te levou ao deserto.

    E quarenta dias  foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.

    A bíblia relata que Jesus foi tentado no deserto por quarenta dias, e os evangelhos só narram o final destes, sabemos pelas escrituras que Jesus foi tentado em tudo, apesar de não há relatos específicos de todas as tentações que o Mestre passou o autor aos Hebreus nos afirma: Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Hb 4.15 .

    E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.

    O Diabo agiu onde Jesus tinha necessidade, veja no final do versículo anterior diz claramente que Jesus teve fome. Nos momentos de dificuldades e necessidades e o momento propício para o inimigo atacar.

     Outra estratégia do inimigo e usar a dúvida quanto a Deus e ao nosso posicionamento em Cristo. Repetindo a primeira tentação, feita  no paraíso (Gn 3.1) Ele questiona: ‘Se tu és”.

    E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.

    Aqui Jesus usa Dt. 8:3, E nos ensina que homem precisa de alimento, mas o alimento não serve para todas as necessidades. A gratificação material dos apetites não pode nunca satisfazer os mais profundos anseios do espírito humano.  

    A expressão o homem nos lábios de Jesus lembra Satanás de que Jesus, embora seja o Filho de Deus, está decidido a cumprir integralmente as condições da existência humana. Como todos os seres humanos, ele deseja rogar diariamente ao Pai pelo pão, esperando-o da mão Dele.

    Conhecer e obedecer a Palavra de Deus é arma eficaz contra a tentação, a única ofensiva provida na “armadura” de Deus (Ef 6:17)

    E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu

    O tentador afirma que toda a esfera de poder e glória terrestre lhe foram entregue. Por isso também poderia passá-la adiante segundo seu bel-prazer. O diabo exige de Jesus que o adore e em troca oferece esta glória. Aqui vemos novamente ele usar uma meia verdade como lá no princípio ele também usou, e continua a usar através das seitas e heresias que são camufladas de meias verdades. De fato o Diabo, naquele momento tinha o domínio do mundo, pois havia tomado do homem este domínio, quando o homem se sujeitou a sua vontade em rebelião a Deus. Mas está era a missão de Cristo resgatar o mundo para Deus, então aqui o tentador mostra um atalho, sem passar pela cruz, para Cristo resgatasse o mundo. E quantos hoje também não abandonam a cruz em busca de um Evangelho de facilidades?

    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorará ao SENHOR teu Deus e só a ele servirá.

    Jesus aqui não chamou o Diabo de mentiroso, e deixa explicitamente o propósito de seu ministério que é o de glorificar o Pai e fazer toda a vontade do Pai, custe o que custar, citando Dt. 6:13.

    Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.

    Aqui Satanás utiliza as Escrituras no  Salmo 91 preferidos por muitos cristãos  que mostrar o cuidado de Deus para com o seu povo, e então usa o para  incitá-lo a usar o poder de Deus em demonstrações sensacionalista, pois se Jesus pulasse, e descesse flutuando no meio do povo ele seria aclamando, o Messias segundo os parâmetros judaicos, que esperavam o Messias em grande glória.

    Mas Jesus o repreende  e chama a intenção do diabo de tentar a Deus. Aqui o idioma grego apresenta um termo mais intenso do que simplesmente peirázein = tentar (como no v. 2). Aqui aparece ekpeirázein. Talvez possamos reproduzir a intensificação com “desafiar insolentemente a Deus”.

     Mas o sensacionalismo nunca perdura. O duro caminho do serviço e do sofrimento leva à cruz, mas depois da cruz à coroa.

    A Tentação

    A palavra tentação segundo o dicionário Strong  πειραζω peirazo. Significa:  tentar para ver se algo pode ser feito, tentar, fazer uma experiência como teste: com o propósito de apurar sua quantidade, ou o que ele pensa, ou como ele se comportará, ou testar alguém maliciosamente; pôr à prova seus sentimentos ou julgamentos com astúcia , tentar ou testar a fé de alguém, virtude, caráter, pela incitação ao pecado e instigar ao pecado.

    A condição do homem ser tentado, não veio após a queda pois já na criação, Adão e Eva foram tentados, e foram tentados numa condição em que não hávia pecado eles eram puros, e teriam condições suficientes para rejeitar a tentação, assim como nós temos essa mesma condição de resistirmos a tentação.

    A tentação no Éden foi permitida para prover um teste pelo qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a Deus e dessa maneira desenvolver seu caráter. Sem vontade livre o homem teria sido meramente uma máquina.

    Portanto todos nós somos tentados e ser tentado não é pecado, pecado e gerado quando se cede a tentação, e todo ser humando tem condições de resistir as tentações, e muito mais os cristãos nascidos de novo que possuem o Espírito de Deus, habitando em seu corpo.

    Alguns principios sobre a Tentação

    1 – Deus não é o agente tentador

    Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Tg 1:13,14.

    Frequentemente as pessoas que vivem para Deus se perguntam por que ainda têm que suportar as tentações. Deus prova às pessoas mas não as prova para as conduzir ao pecado. Permite que Satanás as tente a fim de refinar sua fé e as ajudar a crescer  em sua dependência de . Podemos suportar a tentação do pecado se pedirmos a Deus fortaleça e decidimos atuar em obediência a sua Palavra.

    Tiago provavelmente tinha em mente a doutrina judia do Yetzer ha ra’, “impulso do mal”. Alguns judeus arrazoavam que tendo Deus criado tudo, devia também ter criado o impulso do mal. E considerando que é o impulso do mal que tenta o homem ao pecado, em última análise é Deus, que o criou, o responsável pelo mal. Tiago aqui refuta a idéia. Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta.

    É muito fácil e cômodo  condenar a outros e nos desculpar pelos maus pensamentos e pela conduta equivocada. Algumas desculpa podem ser: (1) é a culpa da outra pessoa; (2) não o pude resistir; (3) todos o fazem; (4) foi sozinho um engano; (5) ninguém é perfeito; (6) o diabo me obrigou a fazê-lo; (7) fui pressionado; (8) não sabia que era mau; (9) Deus me estava tentando. Uma pessoa que apresenta desculpas procura passar sua culpa a algo ou a alguém. Um cristão, entretanto, aceita sua responsabilidade por seus enganos, confessa-os e pede o perdão de Deus.

    Em vez de acusar Deus pelo mal, o homem deve assumir a responsabilidade pessoal dos seus pecados. É a sua própria cobiça que o atrai e seduz. Estas são, no seu sentido primário, palavras usadas na caça e na pesca que foram empregadas aqui metaforicamente.

    Necessidade de vigiar e orar.

    E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Mateus 6:13

    Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.  Marcos 14:38

    E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação. Lucas 22:40

    Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. 1 Coríntios 10:13

    Recompensa

    Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Tiago 1:12

    Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; 2 Pedro 2:9

    Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. Apocalipse 3:10

     

    Por: Dc. Eduardo Melo

     

  • Lição 04 – Aprendendo a confiar em Jesus

    Texto Bíblico Básico

    Mateus 6.25,28-34

    Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos(ansiosos) quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo [mais] do que o vestuário?E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos [vestirá] muito mais a vós, [homens] de pouca fé?  Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas [coisas] vos serão acrescentadas.Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a [cada] dia o seu mal.

    Analisando o Texto Bíblico Básico

    Aqueles que não possuem recursos podem acabar sendo vítimas da preocupação causada pela falta de fé então o   Senhor Jesus nos orienta a não estarmos demasiadamente preocupados (ansiosos e angustiados) com as coisas básicas para a vida. Entre elas ele destaca vestes e alimentos e afirma que Deus irá suprir estas nossas necessidades, até por que ficar preocupado com estas coisas pode  1º danificar sua saúde,  2º dar lugar para que o objeto de sua angústia consuma seus pensamentos, 3º diminuir sua produtividade, 4º afetar negativamente a forma em que você trata a outros, e 5º reduzir sua capacidade de confiar em Deus.

    E bom ressaltar que aqui também não há uma proibição de previdência ou planejamento (confira com I Tm. 5:8; Pv. 6:6-8; 30:25), mas de ansiedade sobre necessidades básicas e diárias.

    Paulo tem uma palavra tranquilizadora: “Meu Deus suprira cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4:19).

    O antidoto de Deus para a preocupação, ansiedade, amor as coisas materiais, e muito simples confiar num Deus fiel. Deus ainda não falhou com seus filhos. Portanto, nao se escravize aos bens materiais de tal maneira que o amor a eles produza ansiedade em sua vida. Antes, confie em que o Pai amoroso cumprira o que prometeu. “Meu Deus, segundo a sua riqueza em gloria, ha de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4:19).

    “Procurar o reino de Deus e sua justiça” significa procurar sua ajuda em primeiro lugar, saturar nossos pensamentos com seus desejos, tomar seu caráter como modelo e lhe servir e lhe obedecer em tudo. O que é o mais importante para você? Haverá pessoas, objetos, metas e outros desejos que compitam quanto a prioridade. Qualquer destes pode tirar Deus do primeiro lugar se você não decidir enfaticamente lhe dar o primeiro lugar em todos os aspectos de sua vida.

    Texto Áureo

     

    1Pe 5:7 …lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

    A ansiedade é considerada pelos psicólogos como um dos grandes males que assolam a nossa sociedade contemporânea. Como o maior psicólogo da história Jesus em seu sermão no monte analisa a origem, a causa e como enfrentar e vencer está inquietude da alma humana. Somos sempre convidados pela Escritura Sagrada a pensar para depois agir.

    I)COMPREENDENDO A ANSIEDADE

    A palavra Ansiosos usada por Jesus em Mt 6.25, vem do grego “ME MERIMNATE”, que significa “Estar indevidamente preocupado, ter ansiedade ou estar em ansiedade desnecessária”. Originalmente tem o sentido de “Distrair”, ficando subentendido a idéia de “Duplicidade”. A idéia básica é que a mente procura seguir em duas direções ao mesmo tempo, resultando em confusão e certa dose de sofrimento. Está palavra originalmente também foi usada quando Marta estava distraída com o seu serviço e não valorizou a presença de Jesus em sua casa (Lc 10.40). Na parábola do semeador quando a semente e abafada com os cuidados, riquezas e deleites da vida (Lc 8.14). O apóstolo Paulo finalizando a sua epistola aos cristãos em Filipos os exorta a fugir da ansiedade (Fp 4.6). No dicionário de medicina, a ansiedade é o termo usado para definir apreensão de perigo e temor, acompanhada por inquietude, tensão, taquicardia e dispnéia não ligada a um estímulo claramente identificável. No idioma inglês é “WORRY” que tem origem no anglo saxônico e significa “Estrangular ou Sufocar”. A ansiedade é a sensação desagradável e sufocante que experimentamos em momentos de medo, aborrecimentos ou problemas.

    II) ALGUNS TIPOS DE ANSIEDADES:

    2.1. ANSIEDADE AGUDA – Aparece de repente, vem com grande intensidade, mas de pequena intensidade.

    2.2. ANSIEDADE CRÔNICA – É persistente e de longa duração, mas de pequena intensidade.

    2.3. ANSIEDADE NORMAL – Manifesta-se quando existe uma ameaça real ou uma situação de perigo. Ela pode ser controlada e reduzida, quando as circunstâncias exteriores se modificam.

    2.4. ANSIEDADE NEURÓTICA – Sentimentos exagerados de desespero e medo, mesmo quando o perigo é pequeno ou inexistente.

    2.5. ANSIEDADE MODERADA – É desejável e sadia. Motiva e ajuda as pessoas a evitarem situações de perigo, levando a um aumento da eficiência.

    2.6. ANSIEDADE INTENSA – Pode diminuir o período de atenção, dificultar a concentração, afetar negativamente a memória, prejudicar a capacidade de realização, interferir na solução de problemas, bloquear a comunicação eficaz, despertar o sentimento de pânico e algumas vezes causar sintomas físicos desagradáveis, tais como paralisia ou terrível dor de cabeça.

    III) ALGUMAS CAUSAS POSSIVEIS DA ANSIEDADE:

    3.1. SOCIAIS – Cuidado excessivo com a vida, acumulo de bens, dividas, ameaças, separação, guerra e violência.

    3.2. EMOCIONAIS – Medo, insegurança, desesperança, preocupações excessivas, baixa auto-estima.

    3.3. DROGAS – Licitas ou ilícitas.

    3.4. ESPIRITUAIS – Fé vacilante.

    3.5. PROFISSIONAL – Questionamento da sua competência, desemprego, etc…

    IV) ALGUNS SINTOMAS DA ANSIEDADE:

    4.1. FISICOS – Sudorese, fadiga, cefaléia, taquicardia e nervosismo.

    4.2. EMOCIOMAIS – Medo, gagueira, tremores, tiques faciais, palpitações, confusão mental

    Dificuldade para relaxar e insônia.

    4.3. ESPIRITUAIS – Dificuldade para orar e estudar a Bíblia.

    V) TRATAMENTO PARA ANSIEDADE:

    Em alguns casos procurar um especialista, usar remédio, caminhada, leitura de bons livros.

    VI) DIAGNÓSTICO DE JESUS SOBRE A ANSIEDADE:

    6.1. AS CAUSAS DA ANSIEDADE:

    6.1.1. A ansiedade é gerada por causa da preocupação com as necessidades básicas da vidaPor isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir” (Mt 6.25). Isto é uma verdade comprovada no dia a dia da nossa sociedade as pessoas ficam densas, preocupadas e amedrontadas diante das suas necessidades. O Mestre não ensina o descuido com a vida, mas o perigo excessivo com as necessidades que rouba o prazer de desfrutar da vida. A ansiedade segundo as Escrituras Sagradas é um mal que afetaria a humanidade nos últimos dias (Lc 21.25,26; 17.26-28).

    6.1.2. A ansiedade é a preocupação com o futuro “Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã” (Mt 6.34). Toda a ansiedade esta relacionada com o amanhã, mas é experimentada no hoje. Ficamos preocupados no hoje sobre alguma coisa que pode acontecer no futuro. Precisamos aprender a viver o hoje confiando na infinita misericórdia de Deus para com a nossa vida amanhã.

    6.1.3. A ansiedade pode estar fundamentada em uma impossibilidade “Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida?” (Mt 6.27). A ansiedade nos leva ao nosso limite de acharmos que podemos alterar uma situação que se apresenta diante das nossas vidas. O evangelista Lucas acrescenta que Jesus ensinou que o homem não pode fazer nada para mudar as coisas mínimas em sua vida (Lc 12.25,26), sendo necessário procurar uma vida com Deus. A ansiedade não altera as condições da vida e nem aumenta a sua duração. O côvado era usado como medida linear, mas também como medida de tempo, nesta passagem está relacionada ao tempo.

    6.1.4. A ansiedade é uma emoção que precisamos aprender a não aceitar “Portanto, não andeis ansiosos, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: com que nos vestiremos?” (Mt 6.31). Jesus não ensina uma simples negação de palavra, mas nos inspira a atitudes que nos levarão a triunfar sobre a nossa inquietação, começando no esforço de não aceitar a ansiedade.

    6.2. COMO ENFRENTAR A ANSIEDADE:

    6.2.1. A ansiedade se vence com a fénão vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé” (Mt 6.30). A fé triunfa sobre as preocupações que querem nos sufocar. Observe que ela pode ser pequena mais deve se desenvolver até possuirmos muita fé (Mt 8.10) e chegarmos a possuir uma grande fé (Mt 15.28).

    6.2.2. Mudando o nosso hábito (Mt 6.33,34). Nestes versículos Jesus nos ensina a mudar os nossos hábitos, o ansioso busca as suas necessidades enquanto os servos de Deus aprenderam a buscar em primeiro lugar o Reino e a sua justiça e descansar na provisão diária de Deus para a sua vida. Na verdade não seremos omissos com os nossos deveres e necessidades, mas não permitiremos que a nossa vida gire em torno das nossas necessidades, mas em Deus.

    6.2.3. Aprendendo a confiar no cuidado de Deus por nossas vidas (Mt 6.26-30). Jesus usa o método áudio visual para trazer um profundo ensino sobre o cuidado de Deus para com a sua criação. Deus cuida de todos os animais providenciando sustento (Sl 104.10-30), sustenta as estrelas com o seu poder (Is 40.26) e tudo que vive nos céus, mares e terra com vida (Ne 9.6). Assim todo o salvo pode descansar na provisão de Deus para a sua vida (Sl 37.25; Fp 4.19).

    6.2.4. Nunca esquecer que servimos a Deus que é o nosso Pai (Mt 6.30,32). A nossa preocupação nunca pode roubar a nossa convicção que não estamos sozinhos, mas que estamos protegidos pelo nosso Pai que conhece as nossas necessidades (Mt 6.8), que por estar no céu supre o nosso pão de cada dia (Mt 6.9,10) e assim é poderoso para dar o melhor para os seus filhos (Mt 7.9-11). Ainda hoje podemos ouvir a doce voz de Jesus dizendo “Não temas, ó pequeno rebanho, pois a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lc 12.32).

    6.2.5. Mudança de foco na vida (Mt 6.25,31,33) – Jesus deixa evidente que o foco errado pode nos desgastar e estressar produzindo o medo em relação ao futuro. Quando aprendemos a focar naquilo que produzirá descanso então as pressões da vida serão controladas e viveremos triunfantemente.

    6.2.6. Somos igreja e não gentiosPois os gentios procuram todas estas coisas. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas” (Mt 6.32). O termo gentio era usado em relação a pessoas de outras nacionalidades que não fosse à israelita. Nesta passagem corresponde a todas as pessoas que não servem a Deus, sendo comparadas por Isaias como o mar agitado que não possui paz (Is 57.20,21). Como igreja precisamos vigiar, pois estamos na última hora para o glorioso enlace matrimonial e não podemos deixar que a ansiedade venha nos controlar como o Mestre nos alertou (Lc 21.34).  Precisamos compreender que estamos debaixo do amor e provisão divina e não precisamos como os ímpios vivermos oprimidos pelas necessidades da vida.

    6.2.7. Precisamos contemplar aquilo que Deus tem feito em nosso favor (Mt6.26,28).  Jesus chama a atenção para que nunca venhamos tirar os nossos olhos das suas gloriosas provisões e assim leva os seus discípulos a visualizar com cuidado as suas provisões no dia a dia na natureza.

    3. PERIGOS DA ANSIEDADE:

    3.1. A preocupação que produz dor e sofrimento – Mt 6.34.

    3.2. Rouba e impede o desenvolvimento da nossa fé – Mt 6.30,31; Lc 8.14.

    3.3. Ficamos distraídos – Mt 6.25,28,31; Lc 10.40,41.

    3.4. Perda de tempo – Mt 6.27; Ef 5.15,16.

    3.5. Inquietação – Lc 12.29; Jó 30.27.

    3.6. Confusão diante do amanhã – Mt 6.34; Is 30.15.

    3.7. Abatimento e doenças – Mt 6.25; Pv 12.25; 17.22.

    VII) PRINCIPIOS BÍBLICOS PARA TRIUNFAR SOBRE A ANSIEDADE:

    7.1. Pratique a oração – Fp 4.6.

    7.2. Cultive a alegria – Fp 4.4; Pv 15.13,15; 17.22.

    7.3. Pratique a moderação na vida – Fp 4.5.

    7.4. Viva em paz- Fp 4.7.

    7.5. Cultive pensamentos virtuosos – Fp 4.8.

    7.6. Aprenda a viver com as situações adversas – Fp 4.11-13.

    7.7. Confie em Deus – Sl 37.3.

    7.8. Agrada-te do Senhor – Sl 37.4.

    7.9. Entregue o teu caminho ao Senhor – Sl 37.5.

    7.10. Descansa no Senhor – Sl 37.7.

    7.11. Centralizar o pensamento em Deus – Is 26.3.

    7.12. Cultive a esperança – Lm 3.19-21.

    7.13. Entregue a Deus toda a sua ansiedade – 1Pe 5.7; Sl 55.22.

    7.14. Concentre-se na solução e não no problema – Mt 14.22,23.

    7.15. Vença o medo com Deus – Is 41.10.

    7.16. Glorifique a Deus em tudo – Cl 3.17.

    7.17. Precisamos confiar os nossos projetos a Deus – Tg 4.13-17.

    7.18. Confie no sustento do Senhor – Dt 8.

    7.19. Escolha a melhor parte estar com Jesus – Lc 10.41,42; Sl 27.4.

    7.20. Uma mente abundante com a Palavra de Deus – Cl 3.16.

    CONCLUSÃO: Somos bem aventurados porque podemos pautar a nossa caminhada diária nos gloriosos ensinos de Jesus.

     

  • Lição 3 – Aprendendo a perdoar com Jesus

    1. Palavras Envolvidas

    No hebraico, temos a considerar quatro palavras, e,no grego, também quatro, a saber: ”

    1. Salach , perdoar… Verbo “hebraico usado por quarenta e seis vezes, conforme se vê, por exemplo, em Núm. 30:5,8,12; I Reis 8:30,34,35,39,50; 11 c-e. 6:21,25,27,30,39; Sal. 103:3; Jer. 31:34; 36:3; Dan.9:19; Amôs 7:2.

    2. Sallach, perdão. Substantivo hebraico usado por uma vez: Sal. 86:5.

    3. Kaphar, cobrir. Palavra hebraica usada por cerca de dez vezes com o sentido de “perdoar.., embora seja palavra traduzida, principalmente, por  expiar… Ver, por exemplo, Sal. 78:38; ler. 18:23;Deut. 21:8; II c-e. 30:18; Lev. 8:15; Eze. 45:15,17; Dan.9:24.

    4. Nasa, levantar.., perdoar. Palavra hebraica usada por cerca de treze vezes com o sentido de «perdoar..: Gên, 50:17; Êxo, 10:17; 32:32; 34:7; Núm. 14:18,19; I Sam.25:28; Sal. 25:18; 85:2; Isa. 2:9.

    5. Apbiemi, deixar ir.., «perdoar… Termo grego usado por cento e quarenta e cinco vezes no NT, desde Mat. 3:15 até Apo. 11:9.

    6. Âphesis, perdão.  Substantivo grego empregado por dezessete vezes: Mat. 26:28; Mar. 1:4; 3:29; Luc.1:77; 3:3; 4:18 (citando Isa. 61:1); 4:18 (citando Isa, 58:6); 24:7; Atos 2:38; 5:31; Efe. 1:7; Cal. 1:14; Heb.9:22; 10: 18.

    7. Charizomai, ser gracioso com.., uma palavra grega utilizada por vinte e duas vezes: Luc. 7:21,42,43; Atos 3:14; Rom, 8:32; I Cor. 2:12; 11 Cor. 2:7,10; Gál. 3:18; Efé. 4:32; Fil. 2:9; Col. 2:13; 3: 13; File. 22.

    8. Apolúo; soltar.., perdoar… Verbo grego que ocorre por apenas urna vez com o claro sentido de perdoar, em Luc. 6:37. Significa em outros lugares soltar, deixar, dívorciar-se, etc.

    2. Características Gerais

    O perdão pode ser um ato Divino, que resulta no perdão do transgressor humano. Por igual modo, um ser humano pode perdoar a outro. O perdão dos pecados é uma prerrogativa divina (Sal. 130:4). Jesus Cristo recebeu o poder de perdoar da parte do Pai (Mat. 2:5) Um perdão pleno, gratuito e eterno é oferecido a todos quantos se arrependerem e crerem no evangelho, contanto que disso resulte uma verdadeira mudança na vida e na alma, e não apenas uma profissão de fé. Ver Atos 13:38,39; I João 2:12.

    Os crentes devem perdoar àqueles que os ofendem, de modo imediato, abundante, definitivo, porque esse perdão deve imitar o ato divino (Luc. 17:3,4). Isso precisa ser feito, pois, de outra forma, não podemos esperar que o  Senhor nos perdoe (Mat. 6:12-15; 18:15-35). Alguns chamam isso de base legal; mas aquele que retém o ódio em seu coração está longe de ter endireitado os seus caminhos diante de Deus, e, assim, continua levando o seu pecado.

    Por outro lado, aquele que foi verdadeiramente regenerado possui a  atitude de perdão, como uma de suas qualidades essenciais. Se assim não for, é que aquele individuo  nunca  foi, realmente, regenerado.

    O perdão é um ato da alma mediante o qual a pessoa ofendida permite que o seu ofensor fique livre, esquecendo-se então da ofensa. Deus requer, na maioria dos casos, embora nem sempre, que o ofensor se arrependa, que haja perdão e que haja reparação pelos danos causados, sempre que isso for possível. Essa é uma condição básica; mas o puro amor de Deus cobre uma multidão de pecados quando o individuo não é capaz de corrigir o erro praticado ou de restaurar o danificado (Rom, 5:5-8).

    Mesmo quando essas condições não podem ser preenchidas, o perdão divino é dado somente se o indivíduo, em imitação ao Senhor, for gracioso, amoroso, disposto a perdoar a seus ofensores. Textos como os de Mal. 6:12; 18:23-35; Mar. 11:26 contêm esses ensinamentos, enfaticamente.

    3. A Ênfase da Fé Cristã

    A fé cristã é supremamente destacada por sua ênfase sobre o perdão, mais do que as outras grandes religiões do mundo. Assim sucede porque o grande Profeta do Cristianismo, o Cristo, em sua morte e ressurreição forneceu aos homens os próprios meios do perdão. Esse elemento faz parte do significado da missão do Filho. A fé cristã também salienta que o perdão nos é dado da parte de um Pai misericordioso, quem é a fonte de toda vida e existência. Quanto a referências bíblicas sobre esse oficio de Cristo, ver Efé. 4:32; Atos 5:31; 13:38; Mar. 2:10; I João 1:9 e, especialmente, Efé. 1: 7. Este último trecho ensina: …no qual (Amado, Cristo) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça.

    4. Ensino Bíblico Sobre o Perdão

    A. No Antigo Testamento.

    1. O elaborado sistema de sacrifícios do Antigo Testamento estava diretamente vinculado à ideia de expiação e, consequentemente, de perdão. Apesar de certos trechos do Novo Testamento, como Rom. 3:25, darem a entender que o perdão divino, no Antigo Testamento, estava condicionado ao futuro ministério de Cristo, não há que duvidar que os israelitas, nos dias do Antigo Testamento, pensavam que seus sacrifícios eram eficientes para o perdão de seus pecados, mediante a expiação.

    2. As ofensas são vistas como perdoadas, e o perdão é encarado como um ato da graça divina, que deve ser recebido com profunda gratidão. O pecado merece ser punido, e o perdão é uma medida da graça e da misericórdia divinas. O recebimento desse beneficio deveria criar o senso de temor no coração dos homens, ver Sal. 130:4; Deu. 29:20; 11 Reis 24:4; Jer. 5:7 e Lam. 3:42, quanto às ideias aqui expressas.

    3. Somente Deus tem a prerrogativa de perdoar aos homens (Deu. 9:9). A única maneira como o homem pode perdoar é indiretamente, mediante a pregação do evangelho. Os que aceitarem a mensagem cristã serão perdoados por Deus. Ver João 20:23. Mas os apóstolos nunca perdoaram pessoalmente senão a alguma ofensa pessoal contra eles, como qualquer crente pode fazer. No caso de pecados contra o Senhor eles deixavam a questão nas mãos de Deus.

    “Arrepende-te, pois, da tua maldade, e roga ao Senhor; talvez que te seja perdoado o intento do coração” (Atos 8:22).

    4. O perdão divino está alicerçado sobre a misericórdia, a bondade e a veracidade de Deus (Êxo, 34:6). O perdão torna-se impossível se Deus não se mostrar gracioso. E essa graciosidade divina, como é óbvio, manifesta-se exclusivamente através de Cristo e sua palavra.

    5. O perdão dado por Deus é completo. Ele afasta de nós os nossos pecados tanto quanto o Oriente se distância do Ocidente (Sal. 103:12). Ele lança para trás de suas

    costas as nossas transgressões, sem mais considerá-las (Isa. 38:17). Ele apaga as transgressões dos perdoados (Isa, 43:25; Sal. 51:1,9) e nunca mais relembra os seus pecados (Miq. 7:19).

    B. No Novo Testamento

    1. O pecador é perdoado, por sua vez deve perdoar aos que o ofendem (Luc. 3:37)

    2. O perdão depende diretamente da expiação de Cristo (Efé. 1:7; Rom. 3:25; 4:25; Mat. 26:28).

    3. A validade da expiação cerimonial, no Antigo Testamento, dependia do indivíduo considerar a sua participação espiritual na futura missão e expiação de Cristo (Rom, 3:25). No Novo Testamento, os povos gentílicos também são beneficiados, mediante a fé em Cristo, e não somente o povo de Israel (Atos 17:30,31). A descida de Cristo ao hades O Ped. 3:18 – 4:6) estende o beneficio da expiação de Cristo a todos os homens, oferecendo-lhes a salvação através do evangelho, conforme I Pedro 4:6 deixa claro:

    “… pois, para este fim foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus”.

    4. O continuo perdão dos pecados dos crentes, também depende diretamente da obra expiatória de Cristo (I João 1:9).

    5. O perdão está diretamente vinculado ao arrependimento (Miq. 1:4; Atos 2:38; Luc, 24:47).

    6. O perdão também está ligado à fé ou à confiança em Cristo (Atos 10:43; Tia. 5:15). O arrependimento e a fé servem de meios para o perdão. O mérito nunca é humano, mas somente em Cristo. Apesar disso, sem aqueles meios (arrependimento e fé = conversão) não haverá perdão, porquanto o mérito de Cristo precisa ser apropriado pelo homem.

    7. Visto que Deus perdoa gratuita e abundantemente, outro tanto deveriam fazer os crentes, sem nunca limitarem o número de vezes em que eles perdoam a seus ofensores (Mal. 18:22). Esse ensino, naturalmente, está muito acima da capacidade da maioria das pessoas e serve como um elevado ideal.

    8. O perdão repousa sobre a completa missão de Cristo, sobre a sua morte e ressurreição (Heb. 9:26; Rom.4:25).

    5- Reflexões sobre o Perdão

    A- Perdão não é esquecimento

    Se algum dia você foi traído em um relacionamento, ou se envolveu em uma briga familiar, ou até mesmo um amigo o deixou na mão, é impossível que tais fatos marcantes estejam esquecidos na memória do leitor, não é verdade?

    – Perdoar não é como se escrever em um quadro-negro e depois passar um apagador, e logo tudo está do mesmo modo que antes;

    – ou depois de redigir um longo texto no computador, simplesmente “deletar”.

    B -Perdão não é viver com mágoas

    – Não sendo esquecimento, o perdão também não se codifica no que diz respeito a mágoas. Do mesmo modo não adianta fingir que está “tudo bem”. Você pode tentar, mas uma hora a “bomba explode”.

    – Imaginemos uma calça. Você sem querer rasga um pedacinho, então com um pedaço de pano simplesmente remenda-a. Não muito tempo depois outro rasgo; outro remendo. Irá chegar um momento que não será mais possível remendar, você “explode”e joga a calça no lixo.

    – Assim é tentar reter mágoas e fingir que está tudo bem. Somente em um Ser você poderá superar esse vil sentimento, é buscar naquELE que “perdoa-me segundo o Seu grande amor”.Ne.13:22

    ORA,O QUE É PERDÃO?

    Perdão é a capacidade de você lembrar de uma ofensa, e mesmo assim não ter afetado o seu relacionamento mútuo.
    Para que isso aconteça, você deve observar as seguintes sugestões.

    A -Nunca use do assunto passado como arma de discussão

    – Acontece isso quando você guarda uma mágoa e finge tudo bem e quando você se vê apertado e sem nenhum argumento em uma discussão, “perde a cabeça”, e usa do assunto ( que você tinha esquecido) como arma.

    – discuta somente sobre o acontecimento atual.

    – não deixe de esclarecer todos os detalhes.

    – Para controlar seus impulsos emocionais, busque sempre a comunhão no doce e santo Espírito de Deus

    B-Não desconfiar que irá acontecer novamente

    – não é fácil, mas é o ideal a buscar.

    – Depois de perdoar, você não deve ficar desconfiado que ele(a) permanecerá no erro, e a qualquer momento o fará novamente. Essa desconfiança será um obstáculo no “processo do perdão”.

    – Dê à pessoa nova chance, dê voto de confiança.

    – Jesus deu o exemplo com Pedro.

    – Ele pode te ajudar.

    C-Não esperar que tudo se resolva de uma vez

    – Perdão é um ato instantâneo e ao mesmo tempo um processo.

    – instantâneo no sentido de consideração, mas exige tempo para a restauração.

    – Entenda melhor: Um ônibus desgovernado atinge um muro de concreto. É possível levantá-lo de uma só vez? Será necessário repor tijolo, quebrar algumas pontas e pedaços que sobraram, e construir gradualmente tudo de novo. Do mesmo modo, se preciso for, teremos que quebrar “alguns pedaços” do relacionamento para reconstrui-lo novamente.

    – Deus perdoou Adão e Eva no momento, mas a culminação só se dará no juízo final. Deus teve que quebrar até uns “tijolos” (não falaria mais face a face e até os expulsou do Jardim), mas para dar o perdão final.

     

  • Lição 2 – Aprendendo a orar com Jesus

    Os discípulos viram o Senhor em oração e reconheceram que como filhos de Deus, tinham a responsabilidade de orar. Mas não sabiam como fazê-lo. Assim, podiam ter procurado aprender a orar no ambiente que os cercava. Em vez de recorrer ao Senhor corno exemplo de uma vida vivida em comunhão com Deus, podiam ter recorrido ao mundo religioso para aprenderem a orar. Podiam ter voltado sua atenção para o fariseus, que eram grandes na oração. Podiam, inclusive, ter-se voltado para os devotos dos deuses pagãos para aprenderem algo deles sobre a oração.

    Ao instruir os discípulos numa vida de piedade, o Senhor devia desviar a atenção deles dos fariseus, que fixavam padrões religiosos para os judeus; devia desviá-la dos sacerdotes pagãos que serviam de modelo para muitos, e atraí-la para ele. Os fariseus eram mestres em usar Deus.

    Haviam descoberto como usá-lo para promover-se. Os fariseus eram egoístas e deleitavam-se em atrair as atenções sobre si. Não estavam interessados em fazer caridade para atender às necessidades do homem, mas usavam tal prática como oportunidade de exibir sua própria piedade de modo que os homens os estimassem.

    Os fariseus, baseados nos conhecimentos que tinham do Antigo Testamento, reconheciam a responsabilidade de orar. Entretanto, não se davam ao trabalho de examinar as Escrituras para ver como se devia orar, e por quê. Distorceram as formas e prática da oração de sorte que orar tornou-se outro meio de promover-se diante dos homens. Por isso o Senhor disse: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa”(Mateus 6:5). Ao condenar as falsas práticas dos fariseus, ele os chamou de “hipócritas”.

    A palavra hipócrita, no original, relaciona-se com o teatro. Significa “falar de sob uma máscara”. Os atores usavam uma máscara para que os espectadores pudessem identificar o personagem que estava sendo representado. Um ator desempenhava diversos papéis numa peça, e se equipava com um bom número de máscaras diferentes. Quando ele representava o papel de alguém, segurava essa máscara diante do rosto; quando desempenhava outro papel, trocava de máscara. Não se podia ver a face do ator; só se via a máscara. O auditório não conhecia a pessoa; conhecia apenas o papel que ela desempenhava. Hipócritas eram, portanto, indivíduos que falavam “de sob uma máscara”.

    Os fariseus hipócritas eram corruptos, e seus corações uma fonte de perversidade; mas traziam a máscara de piedade diante do rosto para enganar os homens e fazê-los crer que eram algo que realmente não eram.

    Isto era singularmente verdadeiro quando oravam, pois não o faziam para honrar a Deus. Não oravam para humilhar-se. Oravam para crescer no favor dos homens. E não buscavam a Deus quando oravam. Para eles a oração não tinha objetivo, a não ser que houvesse uma grande audiência que eles pudessem impressionar com sua piedade, oratória e longas orações. Lá estavam eles em pé, com seus mantos esplendentes, os olhos voltados não para os céus para honrar a Deus nem para a terra, significando sua desvalia. Muitos ficavam em pé, olhando para a multidão e, obtida a aprovação desta, consideravam-se bem-sucedidos na oração.

    Aos que pudessem modelar seu relacionamento com Deus segundo a hipocrisia dos fariseus, o Senhor disse: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças [isto é, onde os homens se ajuntavam], para serem vistos dos homens.” Os fariseus estavam usando a religião. Estavam usando Deus para fins egoístas, de modo que pudessem crescer na estima das pessoas.

    Uma vez que este era o motivo de suas orações, tinham seu desejo satisfeito. Queriam a estima dos homens, a aprovação, o elogio da multidão e por sua oratória recebiam tudo isso. Recebiam o que buscavam, já tinham sua recompensa. Não a de Deus, porque ele não aprovava tal hipocrisia.

    Não tinham recompensa no coração ou contentamento por haverem gozado da relação com Deus. Sua única recompensa eram os parabéns ao término da oração. Quão fácil é cumprir aparentemente nossa responsabilidade para com Deus a fim de obter a aprovação dos homens, e não para modelar nossas ações segundo a Palavra e a vontade de Deus.

    Embora a fé que o homem tem em Deus se manifeste em seu relacionamento com os homens, ela é um assunto entre o homem e Deus somente. Quando alguém usa a religião para impressionar os homens, Deus repudia esse gesto como provedor de qualquer base para sua aprovação. As multidões se congregam nas igrejas, não movidas por um coração de amore devoção a Deus, nem porque reconheçam um senso de obrigação de reunir-se com o povo de Deus em torno de sua Palavra para comungar com o Pai. Reúnem-se para manter uma imagem, uma reputação perante os homens. Praticam formas vazias de adoração, destituídas de realidade. Estão ali para impressionar os homens, e o Senhor disse que conseguem o que desejam. Recebem galardão, mas não de Deus.

    Os fariseus, em geral, não tinham a mínima idéia da oração em secreto. Era-lhes totalmente estranha. Consideravam-na um desperdício de tempo porque, se entrassem num quarto, fechassem a porta e orassem, a quem impressionariam? Por isso nosso Senhor instruiu os discípulos sobre o padrão de piedade na oração. Após mencionar a oração pública dosfariseus, ele disse: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto [teu lugar secreto], e, fechada a porta [de modo que nenhum olho veja o que tu fazes a sós com Deus], orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará” (v. 6).

    O Senhor procurou impressionar seus ouvintes com a verdade de que a oração é, em essência, uma comunicação particular entre um filho e o Pai. Duas pessoas que se amam precisam de privacidade para comunicar-se adequadamente. Em público há pouca possibilidade de verdadeira comunicação. Muita coisa se pode comunicar em momentos de intimidade. No burburinho da vida é impossível a comunicação com o Pai, a menos que haja momentos a sós com ele. Por isso o Senhor disse que se a pessoa deseja comunicar-se com o Pai é preciso entrar no quarto e fechar a porta. Um olho curioso pode estragar a comunicação. Tão logo percebamos alguém a observar-nos, lá se vai a comunicação íntima, e nos preocupamos com o observador e não com o Pai, com quem falamos. Portanto, os fariseus não podiam comunicar-se com o Pai quando reuniam um auditório para ouvi-los a orar.

    Muitos podem tornar-se em um só quando os corações se unem em sujeição a Deus e se juntam em adoração. Se, porém, alguns não se unem, então a oração está prejudicada. A razão é que se precisa dar séria atenção à oração em público para que não conversemos uns com os outros em vez de fazê-lo com Deus.

    Os homens tinham não só o padrão estabelecido pelos fariseus que acreditavam na oração em público, mas também o padrão fixado pelos devotos dos deuses pagãos; para eles, a eficácia da oração dependia da repetição. Os pagãos pensavam que seus deuses estavam banqueteando e tinham de ser induzidos a deixar a mesa do banquete; ou estavam ocupados na busca do prazer e não tinham tempo para ouvir os que oravam a eles; ou estavam dormindo e tinham de ser despertados. Pensavam, pois, que deviam repetir e repetir suas orações porque nalgum momento, quando seus deuses não estivessem comendo, bebendo, divertindo-se ou dormindo, poderiam ouvir. Os pagãos nunca sabiam quando seus deuses ouviriam os seus clamores.

    No entender de alguns, Deus estava preocupado com seus próprios problemas e não tinha tempo para seus filhos; portanto, era melhor que orassem repetitivamente, porque em algum momento inesperado, podiam atrair a atenção divina. O Senhor disse: “E, orando, não useis de vãs [vazias] repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (v. 7).

    A falácia do conceito gentio de Deus é tão evidente que Jesus disse: “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (v. 8).

    Um pai fiel pressente as necessidades dos filhos. Um pai experiente não precisa ser informado da necessidade do filho porque ele a previu. A oração não se destina a informar a Deus de nossas necessidades; como Pai fiel, ele as conhece. A oração é para dizer a Deus que nós conhecemos nossa necessidade, e que confiamos nele para a devida providência. Uma vez que Deus já conhece a necessidade de seus filhos e está disposto a supri-la, não é preciso informá-lo pela repetição interminável. A oração não precisa ser pública, porque a comunicação se faz em secreto. Não há necessidade de repetições, porque Deus já sabe.

    Então, depois que Jesus criticou as falsas práticas dos fariseus, passou (vv. 9-13) a dar-nos um modelo de oração, embora não destinada a ser repetitória.

    Nosso Senhor mostrou aos discípulos as áreas da vida que devem ser objeto de oração. As palavras de nosso Senhor definiram cinco áreas de interesse de nosso Pai, com as quais devemos ocupar-nos.

    Primeiro, o crente está interessado na pessoa de Deus. “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado [santo, honrado, respeitado] seja o teu nome” (v. 9). Deus é nosso Pai. Ele é o soberano Criador (“que estás nos céus”). Ele é exaltado sobre todas as coisas. É um Pai cujo nome está acima de tudo, e sobre todos, perante quem seus filhos se curvam em reverência, respeito, amor e confiança (“santificado seja o teu nome”). Estamos ocupados, antes de tudo, com uma Pessoa.

    Segundo, devemos estar interessados no programa de Deus. “Venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.” No Antigo Testamento Deus havia prometido a vinda do Senhor Jesus Cristo. Como Salvador e Rei, ele estabeleceria um reino na terra sobre o qual governaria. O programa de Deus concentrava-se numa Pessoa que ele pretendia entronizar de modo que governasse como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Tal era a esperança de Israel. O filho de Deus preocupa-se não tanto com seus próprios planos e desejos quanto com o definido plano de Deus de entronizar a Jesus Cristo. Toda a história até ao fim dos tempos encaminha-se para a entronização de Jesus Cristo, que se assentará no trono de Davi. O cristão preocupa-se não com suas próprias circunstâncias e necessidades, mas com aquilo que ocupa o coração de Deus: a exaltação de seu Filho.

    Terceiro, o filho de Deus está interessado na provisão de Deus para suas necessidades. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.” O filho confia no Pai dia a dia. Para manter-nos confiantes, Deus não enche nossa despensa e nosso “freezer” de modo que vamos a ele uma ou duas vezes por ano para reabastecer. “Dá-nos hoje o pão para hoje.” Nossas necessidades podem variar de um dia para o outro. Podemos ter necessidades físicas, mentais, emocionais ou espirituais. A graça de Deus prove quando confiamos, mas apenas um dia por vez. Por isso, o filho de Deus, em sua comunicação com o Pai, está interessado nas necessidades do dia.

    Quarto, o filho de Deus preocupa-se com a pureza pessoal: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.” Uma vez que Deus proporcionou o perdão para o filho pecador, esse filho beneficia-se do perdão para os pecados diários.  Se perdoamos aos que nos ofendem, quanto mais não perdoará Deus aos filhos que buscam seu perdão? O filho de Deus está interessado na santidade pessoal.

    Quinto, o cristão está interessado na proteção de Deus. “Não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.” Segundo promessa do Antigo Testamento, Deus ordenaria a seus anjos que nos sustentassem em suas mãos para não tropeçarmos nalguma pedra. Os olhos de Deus estão sobre nós e nos protegem enquanto andamos neste mundo e nos tornamos coerdeiros com Cristo. Confiamos em que ele nos guarde de cair em pecado quando assediados pela tentação, e que nos livre quando atacados pelo maligno.

    Essas são questões com as quais o filho de Deus deve ocupar-se. Um indivíduo em cuja vida a oração não desempenha papel importante está em desarmonia com o coração de Deus. Pois, como Pai, ele deseja o amor dos filhos; se o amor não é comunicado, o coração daquele que ama não fica satisfeito. Oração é comunicação entre o filho e o Pai concernente à pessoa de Deus, ao programa de Deus, à provisão de Deus, à proteção de Deus, e à nossa pureza. Que Deus faça de nós pessoas que aprendam a orar.