A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO


 

 

At 5.3,4 “Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Porque formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

 


É essencial que os crentes reconheçam a importância do Espírito Santo no plano divino da redenção. Sem a presença do Espírito Santo neste mundo, não haveria a criação, o universo, nem a raça humana (Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4; Sl 104.30). Sem o Espírito Santo, não teríamos a Bíblia (2Pe 1.21), nem o Novo Testamento (Jo 14.26, 1Co 2.10) e nenhum poder para proclamar o evangelho. Sem o Espírito Santo, não haveria fé, nem novo nascimento, nem santidade e nenhum cristão neste mundo. Este estudo examina alguns dos ensinamentos básicos a respeito do Espírito Santo.

A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

Através da Bíblia, o Espírito Santo é revelado como Pessoa, com sua própria individualidade (2Co 3.17,18; Hb 9.14; 1Pe 1.2). Ele é uma Pessoa divina como o Pai e o Filho (5.3,4). O Espírito Santo não é mera influência ou poder. Ele tem atributos pessoais, a saber: Ele pensa (Rm 8.27), sente (Rm 15.30), determina (1Co 12.11) e tem a faculdade de amar e de deleitar-se na comunhão. Foi enviado pelo Pai para levar os crentes à íntima presença e comunhão com Jesus (Jo 14.16-18,26;) À luz destas verdades, devemos tratá-lo como pessoa, que é, e considerá-lo Deus vivo e infinito em nosso coração, digno da nossa adoração, amor e dedicação

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

A revelação do Espírito Santo no Antigo Testamento. Para uma exposição da operação do Espírito Santo no Antigo Testamento, ver o estudo O ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO.

A revelação do Espírito Santo no Novo Testamento

O Espírito Santo é o agente da salvação. Nisto Ele convence-nos do pecado (Jo 16.7,8), revela-nos a verdade a respeito de Jesus (Jo 14.16,26), realiza o novo nascimento (Jo 3.3-6), e faz-nos membros do corpo de Cristo (1Co 12.13). Na conversão, nós, crendo em Cristo, recebemos o Espírito Santo (Jo 3.3-6; 20.22) e nos tornamos co-participantes da natureza divina (2Pe 1.4).

O Espírito Santo é o agente da nossa santificação. Na conversão, o Espírito passa a habitar no crente, que começa a viver sob sua influência santificadora (Rm 8.9; 1Co 6.19). Note algumas das coisas que o Espírito Santo faz, ao habitar em nós. Ele nos santifica, purifica, dirige e leva-nos a uma vida santa, libertando-nos da escravidão ao pecado (Rm 8.2-4; Gl 5.16,17; 2Ts 2.13). Ele testifica que somos filhos de Deus (Rm 8.16), ajuda-nos na adoração a Deus (At 10.45,46; Rm 8.26,27) e na nossa vida de oração, e intercede por nós quando clamamos a Deus (Rm 8.26,27). Ele produz em nós as qualidades do caráter de Cristo, que O glorificam (Gl 5.22,23;  1Pe 1.2). Ele é o nosso mestre divino, que nos guia em toda a verdade (Jo 16.13; 14.26; 1Co 2.10-16) e também nos revela Jesus e nos guia em estreita comunhão e união com Ele (Jo 14.16-18; 16.14). Continuamente, Ele nos comunica o amor de Deus (Rm 5.5) e nos alegra, consola e ajuda (Jo 14.16; 1Ts 1.6).

O Espírito Santo é o agente divino para o serviço do Senhor, revestindo os crentes de poder para realizar a obra do Senhor e dar testemunho dEle. Esta obra do Espírito Santo relaciona-se com o batismo ou com a plenitude do Espírito. Quando somos batizados no Espírito, recebemos poder para testemunhar de Cristo e trabalhar de modo eficaz na igreja e diante do mundo.

Recebemos a mesma unção divina que desceu sobre Cristo (Jo 1.32,33) e sobre os discípulos, e que nos capacita a proclamar a Palavra de Deus (At 1.8; 4.31) e a operar milagres (At 2.43; 3.2-8; 5.15; 6.8; 10.38). O plano de Deus é que todos os cristãos atuais recebam o batismo no Espírito Santo (At 2.39). Para realizar o trabalho do Senhor, o Espírito Santo outorga dons espirituais aos fiéis da igreja para edificação e fortalecimento do corpo de Cristo (1Co 12-14). Estes dons são uma manifestação do Espírito através dos santos, visando ao bem de todos (1Co 12.7-11).

O Espírito Santo é o agente divino que batiza ou implanta os crentes no corpo único de Cristo, que é sua igreja (1Co 12.13) e que permanece nela (1Co 3.16), edificando-a (Ef 2.22), e nela inspirando a adoração a Deus (Fp 3.3), dirigindo a sua missão (At 13.2,4), escolhendo seus obreiros (At 20.28) e concedendo-lhe dons (1Co 12.4-11), escolhendo seus pregadores (2.4; 1Co 2.4), resguardando o evangelho contra os erros (2Tm 1.14) e efetuando a sua retidão (Jo 16.8; 1Co 3.16; 1Pe 1.2).

As diversas operações do Espírito são complementares entre si, e não contraditórias. Ao mesmo tempo, essas atividades do Espírito Santo formam um todo, não havendo plena separação entre elas. Alguém não pode ter (a) a nova vida total em Cristo,  um santo viver, o poder para testemunhar do Senhor ou a comunhão no seu corpo, sem exercitar estas quatro coisas.

Por exemplo: uma pessoa não pode conservar o batismo no Espírito Santo se não vive uma vida de retidão, produzida pelo mesmo Espírito, que também quer conduzir esta mesma pessoa no conhecimento das verdades bíblicas e sua obediência às mesmas.

 

Fonte: Biblia de Estudo Pentecostal

 

 


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O ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO


Jl 2.28,29 “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne,e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito.”

O Espírito Santo é a terceira pessoa do Deus Eterno, Trino e Uno. Embora a plenitude do seu poder não tivesse sido revelada antes do ministério de Jesus e, posteriormente, no Pentecoste, há trechos do Antigo Testamento que se referem a Ele e à sua obra. Este estudo examina os ensinamentos do Antigo Testamento a respeito do Espírito Santo.

TERMO EMPREGADO. A palavra hebraica para “Espírito” é ruah que, às vezes, é traduzida por “vento” e “sopro”. Sendo assim, as referências no Antigo Testamento ao sopro de Deus e ao vento da parte de Deus (e.g., Gn 2.7; Ez 37.9,10,14) também podem referir-se à obra do Espírito de Deus.

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO

A Bíblia descreve várias atividades do Espírito Santo no Antigo Testamento.

O Espírito Santo desempenhou um papel ativo na criação. O segundo versículo da Bíblia diz que “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2), preparando tudo para que a palavra criadora de Deus desse forma ao mundo. Tanto o Verbo de Deus (i.e., a segunda pessoa da Trindade) quanto o Espírito de Deus, foram agentes na criação (ver Jó 26.13; Sl 33.6; ). O Espírito também é o autor da vida. Quando Deus criou Adão, foi indubitavelmente o seu Espírito quem soprou no homem o fôlego da vida (Gn 2.7; cf. Jó 27.3). O Espírito Santo continua a dar vida às criaturas de Deus (Jó 33.4; Sl 104.30).

O Espírito estava ativo na comunicação da mensagem de Deus ao seu povo. Era o Espírito, por exemplo, quem instruía os israelitas no deserto (Ne 9.20). Quando os salmistas de Israel compunham seus cânticos, faziam-no mediante o Espírito do Senhor (2Sm 23.2; cf. At 1.16,20; Hb 3.7-11). Semelhantemente, os profetas eram inspirados pelo Espírito de Deus a declarar sua palavra ao povo (Nm 11.29; 1Sm 10.5,6,10; 2Cr 20.14; 24.19,20; Ne 9.30; Is 61.1-3; Mq 3.8; Zc 7.12; cf. 2Pe 1.20,21).

Ezequiel ensina que os falsos profetas “seguem o seu próprio espírito” ao invés de andarem segundo o Espírito de Deus (Ez 13.2,3). Era possível, entretanto, o Espírito de Deus vir sobre alguém que não tinha um relacionamento genuíno com Deus para levá-lo a entregar uma mensagem verdadeira ao povo (ver Nm 24.2 nota).

A liderança do povo de Deus no Antigo Testamento era fortalecida pelo Espírito do Senhor. Moisés, por exemplo, estava em tão estreita harmonia com o Espírito de Deus que compartilhava dos próprios sentimentos de Deus; sofria quando Ele sofria, e ficava irado contra o pecado quando Ele se irava (ver Êx 33.11 nota; cf. Êx 32.19). Quando Moisés escolheu, em obediência à ordem do Senhor, setenta anciãos para ajudá-lo a liderar os israelitas, Deus tomou do Espírito que estava sobre Moisés, e o colocou sobre eles (Nm 11.16,17; ). Semelhantemente, quando Josué foi comissionado para que sucedesse Moisés como líder, Deus indicou que “o Espírito” (i.e., o Espírito Santo) estava nele (Nm 27.18 ). O mesmo Espírito veio sobre Gideão (Jz 6.34), Davi (1Sm 16.13) e Zorobabel (Zc 4.6). Noutras palavras, no AT a maior qualificação para a liderança era a presença do Espírito de Deus.

O Espírito de Deus também vinha sobre indivíduos a fim de equipá-los para serviços especiais. Um exemplo notável, no Antigo Testamento, era José, a quem fora outorgado o Espíritopara capacitá-lo a agir de modo eficaz na casa de Faraó (Gn 41.38-40). Note, também, Bezalel e Ooliabe, aos quais Deus concedeu a plenitude do seu Espírito para que fizessem o trabalho artístico necessário à construção do Tabernáculo, e também para ensinarem aos outros (ver Êx 31.1-11; 35.30-35).

A plenitude do Espírito Santo, aqui, não é exatamente a mesma coisa que o batismo no Espírito Santo no Novo Testamento. No AT, o Espírito Santo vinha sobre uns poucos indivíduos selecionados para servirem a Deus de modo especial, e os revestia de poder (ver Êx 31.3 nota). O Espírito do Senhor veio sobre muitos dos juízes, tais como Otniel (Jz 3.9,10). Gideão (Jz 6.34), Jefté (Jz 11.29) e Sansão (Jz 14.5,6; 15.14-16). Estes exemplos revelam o princípio divino que ainda perdura: quando Deus opta por usar grandemente uma pessoa, o seu Espírito vem sobre ela.

Havia, ainda, uma consciência no AT de que o Espírito desejava guiar as pessoas no terreno da retidão. Davi dá testemunho disto em alguns dos seus salmos (Sl 51.10-13; 143.10). O povo de Deus, que seguia o seu próprio caminho ao invés de ouvir a voz de Deus, recusava-se a seguir o caminho do Espírito (ver Gn 16.2 nota). Os que deixam de viver pelo Espírito de Deus experimentam, inevitavelmente, alguma forma de castigo divino (ver Nm 14.29; Dt 1.26).

Note que, nos tempos do AT, o Espírito Santo vinha apenas sobre umas poucas pessoas, enchendo-as a fim de lhes dar poder para o serviço ou a profecia. Não houve nenhum derramamento geral do Espírito Santo sobre Israel. O derramamento do Espírito Santo de forma mais ampla (cf. 2.28,29; At 2.4,16-18) começou no grande dia de Pentecoste.

A PROMESSA DO PLENO PODER DO ESPÍRITO SANTO

O Antigo Testamento antegozava a era vindoura do Espírito, na era do Novo Testamento

Em várias ocasiões, os profetas falaram a respeito do papel que o Espírito desempenharia na vida do Messias. Isaías, em especial, caracterizou o Rei vindouro, o Servo do Senhor, como uma pessoa sobre quem o Espírito de Deus repousaria de modo especial (ver Is 11.1-4; 42.1; 61.1-3). Quando Jesus leu as palavras de Isaías 61, em Nazaré, cidade onde morava, terminou dizendo: “Hoje, se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21).

Outras profecias do Antigo Testamento anteviam o período do derramamento geral do Espírito Santo sobre a totalidade do povo de Deus. Entre esses textos, o de maior destaque é  citado por Pedro no dia de Pentecoste (At 2.17,18). Mas a mesma mensagem também se acha em Is 32.15-17; 44.3-5; 59.20,21; Ez 11.19,20; 36.26,27; 37.14; 39.29. Deus prometeu que, quando a vida e o poder do seu Espírito viessem sobre o seu povo, os seus seriam capacitados a profetizar, ver visões, ter sonhos proféticos, viver uma vida em santidade e retidão, e a testemunhar com grande poder. Por conseguinte, os profetas do Antigo Testamento previram a era messiânica. E, a respeito dela, profetizaram que o derramamento e a plenitude do Espírito Santo viriam sobre toda a humanidade.

E foi o que aconteceu no domingo de Pentecoste (dez dias depois de Jesus ter subido ao céu), com uma subseqüente gigantesca colheita de almas (cf. 2.28,32;At 2.41; 4.4; 13,44,48,49).

 

Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal

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A CRIAÇÃO

Gn 1.1 “No princípio, criou Deus os céus e a terra.

O DEUS DA CRIAÇÃO.

Deus se revela na Bíblia como um ser infinito, eterno, auto-existente e como a Causa Primária de tudo o que existe. Nunca houve um momento em que Deus não existisse. Conforme afirma Moisés: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” Sl 90.2.  Noutras palavras, Deus existiu eterna e infinitamente antes de criar o universo finito. Ele é anterior a toda criação, no céu e na terra, está acima e independe dela.

Deus se revela como um ser pessoal que criou Adão e Eva “à sua imagem”. Porque Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, podiam comunicar-se com Ele, e também com Ele ter comunhão de modo amoroso e pessoal.

Deus também se revela como um ser moral que criou tudo bom e, portanto, sem pecado. Ao terminar Deus a obra da criação, contemplou tudo o que fizera e observou que era “muito bom” .

Posto que Adão e Eva foram criados à imagem e semelhança de Deus, eles também não tinham pecado . O pecado entrou na existência humana quando Eva foi tentada pela serpente, ou Satanás (Gn 3; Rm 5.12; Ap 12.9).

A ATIVIDADE DA CRIAÇÃO.

Deus criou todas as coisas em “os céus e a terra” (1.1; Is 40.28; 42.5; 45.18; Mc 13.19; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2; Ap 10.6). O verbo “criar” (hb.“bara”) é usado exclusivamente em referência a uma atividade que somente Deus pode realizar. Significa que, num momento específico, Deus criou a matéria e a substância, que antes nunca existiram.

A Bíblia diz que no princípio da criação a terra estava informe, vazia e coberta de trevas. Naquele tempo o universo não tinha a forma ordenada que tem agora. O mundo estava vazio, sem nenhum ser vivente e destituído do mínimo vestígio de luz. Passada essa etapa inicial, Deus criou a luz para dissipar as trevas, deu forma ao universo e encheu a terra de seres viventes.

O método que Deus usou na criação foi o poder da sua palavra. Repetidas vezes está declarado: “E disse Deus…” (1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Noutras palavras, Deus falou e os céus e a terra passaram a existir. Antes da palavra criadora de Deus, eles não existiam (Sl 33.6,9; 148.5; Is 48.13; Rm 4.17; Hb 11.3).

Toda a Trindade, e não apenas o Pai, desempenhou sua parte na criação.  O próprio Filho é a Palavra (“Verbo”) poderosa, através de quem Deus criou todas as coisas. No prólogo do Evangelho segundo João, Cristo é revelado como a eterna Palavra de Deus (Jo 1.1). “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).

Semelhantemente, o apóstolo Paulo afirma que por Cristo “foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis… tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16). Finalmente, o autor do Livro de Hebreus afirma enfaticamente que Deus fez o universo por meio do seu Filho (Hb 1.2).

Semelhantemente, o Espírito Santo desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como “pairando” (“se movia”) sobre a criação, preservando-a e preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus. A palavra hebraica traduzida por “Espírito” (ruah) também pode ser traduzida por “vento” e “fôlego”. Por isso, o salmista testifica do papel do Espírito, ao declarar: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito (ruah) da sua boca” (Sl 33.6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e sustentar a criação (Jó 33.4; Sl 104.30).

O PROPÓSITO E O ALVO DA CRIAÇÃO.

Deus tinha razões específicas para criar o mundo.

Deus criou os céus e a terra como manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1; cf. 8.1). Ao olharmos a totalidade do cosmos criado  desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador.

Deus criou os céus e a terra para receber a glória e a honra que lhe são devidas. Todos os elementos da natureza, o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98.7,8; 148.1-10; Is 55.12). Quanto mais Deus deseja e espera receber glória e louvor dos seres humanos!

Deus criou a terra para prover um lugar onde o seu propósito e alvos para a humanidade fossem cumpridos. Deus criou Adão e Eva à sua própria imagem, para comunhão amorável e pessoal com o ser humano por toda a eternidade. Deus projetou o ser humano como um ser trino e uno (corpo, alma e espírito), que possui mente, emoção e vontade, para que possa comunicar-se espontaneamente com Ele como Senhor, adorá-lo e servi-lo com fé, lealdade e gratidão.

Deus desejou de tal maneira esse relacionamento com a raça humana que, quando Satanás conseguiu tentar Adão e Eva a ponto de se rebelarem contra Deus e desobedecer ao seu mandamento, Ele prometeu enviar um Salvador para redimir a humanidade das conseqüências do pecado. Daí Deus teria um povo para sua própria possessão, cujo prazer estaria nEle, que o glorificaria, e que viveria em retidão e santidade diante dEle (Is 60.21; 61.1-3; Ef 1.11,12; 1Pe 2.9).

A culminação do propósito de Deus na criação está no livro do Apocalipse, onde João descreve o fim da história com estas palavras: “…com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3).

CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO

A evolução é o ponto de vista predominante, proposto pela comunidade científica e educacional do mundo atual, em se tratando da origem da vida e do universo. Quem crê, de fato, na Bíblia deve atentar para estas quatro observações a respeito da evolução.

A evolução é uma tentativa naturalista para explicar a origem e o desenvolvimento do universo. Tal intento começa com a pressuposição de que não existe nenhum Criador pessoal e divino que criou e formou o mundo; pelo contrário, tudo veio a existir mediante uma série de acontecimentos que decorreram por acaso, ao longo de bilhões de anos. Os postulantes da evolução alegam possuir dados científicos que apóiam a sua hipótese.

O ensino evolucionista não é realmente científico. Segundo o método científico, toda conclusão deve basear-se em evidências incontestáveis, oriundas de experiências que podem ser reproduzidas em qualquer laboratório. No entanto, nenhuma experiência foi idealizada, nem poderá sê-lo, para testar e comprovar teorias em torno da origem da matéria a partir de um hipotético “grande estrondo”, ou do desenvolvimento gradual dos seres vivos, a partir das formas mais simples às mais complexas. Por conseguinte, a evolução é uma hipótese sem “evidência” científica, e somente quem crê em teorias humanas é que pode aceitá-la. A fé do povo de Deus, pelo contrário, firma-se no Senhor e na sua revelação inspirada, a qual declara que Ele é quem criou do nada todas as coisas (Hb 11.3).  É inegável que alterações e melhoramentos ocorrem em várias espécies de seres viventes.

Por exemplo: algumas variedades dentro de várias espécies estão se extinguindo; por outro lado, ocasionalmente vemos novas raças surgindo dentre algumas das espécies. Não há, porém, nenhuma evidência, nem sequer no registro geológico, a apoiar a teoria de que um tipo de ser vivente já evoluiu doutro tipo.

Pelo contrário, as evidências existentes apóiam a declaração da Bíblia, que Deus criou cada criatura vivente “conforme a sua espécie” (1.21,24,25).

Os crentes na Bíblia devem, também, rejeitar a teoria da chamada evolução teísta. Essa teoria aceita a maioria das conclusões da evolução naturalista; apenas acrescenta que Deus deu início ao processo evolutivo. Essa teoria nega a revelação bíblica que atribui a Deus um papel ativo em todos os aspectos da criação. Por exemplo, todos os verbos principais em Genesis 1 têm Deus como seu sujeito, a não ser em 1.12 (que cumpre o mandamento de Deus no v. 11) e a frase repetida “E foi a tarde e a manhã”. Deus não é um supervisor indiferente, de um processo evolutivo; pelo contrário, é o Criador ativo de todas as coisas (Cl 1.16).


Fonte: Biblia de Estudo Pentecostal

 

 

 


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Brasil deve tornar-se sexta maior economia, à frente do Reino Unido

Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das consultorias EIU (Economist Intelligence Unit) e BMI (Business Monitor International) apontam que a Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve passar o do Reino Unido. A situação acontece depois que os países desenvolvidos apresentaram crises em suas economias.

O PIB brasileiro deve alcançar os US$ 2,44 trilhões. O britânico fica em US$ 2,41 trilhões, de acordo com a EIU. Desta forma, o Brasil passa a ocupar o sexto lugar no ranking de maiores economias do mundo.

As projeções apontam para a seguinte trajetória da economia brasileira: em 2013, o sexto lugar deve ser da Índia, rebaixando o Brasil. Porém, a recuperação deve acontecer em 2014, com a Copa do Mundo.

O EIU ainda diz que até o final da década o PIB brasileiro se tornará maior que o de qualquer país da Europa. No ano de 2020, até mesmo a Alemanha ficará atrás do Brasil.

Esse panorama reforça a ideia de especialistas que acreditavam na ascensão dos emergentes.

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Os dons cessaram ?

Isaias Andrade Lins Filho
I Co. 12:1-11

Não há como negar, seja o povo batista ou não, o Senhor Deus está realizando uma grande obra, e, de algum tempo para cá, estamos vivendo um grande “mover do Espírito Santo”, isto porque, não tenham dúvidas, o Senhor, à luz da Sua Palavra, está promovendo no meio do seu povo “um grande avivamento espiritual”.

Numa época como esta, nada mais justo do que exercermos atitudes cautelosas em muitas e determinadas coisas.

Como Pastor desde meus 20 anos de idade, ordenado na Igreja Batista da Encruzilhada em Recife, hoje com 53 anos de idade, portanto, 33 anos de Ministério, ouví, estudei e aprendí dos grandes mestres e professores, livros e estudos dirigidos, etc., muitas coisas que foram ministradas e ensinadas, e, principalmente sempre lí as lições dos “Pontos Salientes” da Escola Bíblica Dominical, que eram ministradas nas nossas igrejas e, uma das coisas que se ensinava e escrevia, é que:



1) “os dons cessaram”;
2) “não mais haveria a necessidade de manifestações dos dons” e,
3) “as manifestações dos dons eram necessárias naquela época apostólica para o povo poder crer …”

Todavia, queridos leitores, nós sabemos que não é nada disto, os dons do Espírito Santo são uma evidência clara no meio do povo de Deus e, os dons do Espírito Santo, não são propriedades exclusivas de nossos amados irmãos em Cristo, pentecostais ou assembleianos (a quem amamos e respeitamos), ou dos néo-pentecostais (os quais também amamos), hoje tantos, mas, os “dons do Espírito Santo” são também uma clara evidência no meio do povo batista, no Brasil e no mundo, numa demonstração inequívoca, de que a Palavra do senhor é a mesma de ontem e será eternamente, pois o Senhor assim ministrou: “Passarão os céus e a terra, mas, as minhas palavras não haverão de passar …” Mateus 24:35.

Não sei por que, tanta gente tem medo de tratar deste assunto e de ministrar ao povo batista, a grande verdade, de que o Senhor está a realizar grandes maravilhas e, que o “mover do seu Espírito” é, hoje, uma realidade que ninguém pode negar.

Não tenham dúvidas, que é por causa desta omissão do líder batista de não querer se expor, e dizer claramente ao povo que nós os batistas CREMOS NOS DONS DO ESPÍRITO SANTO e, sabemos que, como diz a Bíblia Sagrada, “o Espírito Santo opera todas essa coisas, repartindo particularmente a cada um como quer …” (I Co. 12:11) e, que, a “manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil …” (I Co. 12:7), portanto, se não for para ser útil, não será dada a manifestação nem será dado o Dom, é por causa desta omissão que estamos vendo tanta distorção doutrinária no meio do povo batista.

Humilde e submisso à vontade do Senhor é que pretendo escrever uma série de estudos sobre o assunto Dons do Espírito Santo, e, para tanto, tenho orado e pedido as orações dos irmãos da Igreja Batista dos Mares da qual sou o Pastor, para que orem por mim, pois, o que desejo, nada mais é do que a vontade da Palavra de Deus, e, nos próximos estudos adentrarei de maneira direta numa análise à luz da Bíblia, sobe os “dons espirituais” e, pasmem, até sobre os “dons de línguas” incontestavelmente um tabu no meio do povo batista mas, uma realidade insofismável na vida do povo de Deus, contudo, ensinaremos que ao ser exercido, mediante a dádiva do Espírito Santo, o é, para edificação própria, pois o que “fala em língua estranha edifica-se a si mesmo” (I Co.14:4) e, este texto, fala mesmo da “variedade de línguas, isto é, línguas que não correspondem a nenhuma língua conhecida por aquele que fala…” , conforme está explicado no rodapé da (Bíblia de Estudos Almeida, da Sociedade Bíblica do Brasil, às páginas 252, do Novo Testamento, edição recente de 1999, Baurerí, São Paulo), mas, ninguém se espante, porque também iremos dizer que “o amor” além de ser superior aos dons, é sem dúvida o elemento legitimador do uso dos dons na edificação do povo de Deus, e, o amor não deixa o crente presunçoso, orgulhoso, achando que é superior aos demais e, nem “orando para que os outros crentes se convertam”, pois, quem recebeu a Jesus e permanece fiél ao Senhor, dia após dia, não tem que se converter de novo, nem, porque foi a um “encontro tremendo” é que agora se converteu. Cuidado! É bom ter calma, prudência, mas, que Deus está fazendo uma grande obra, está !

Até ao próximo estudo !

Pr. Isaias Andrade Lins Filho, Pastor da Igreja Batista dos Mares. Teólogo, Mestre em Ciências da Religião, Doutor em Teologia e Advogado.
E-Mail: ielins@e-net.com.br

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Dicas para obter motivação

William Douglas

A primeira atitude de que alguém precisa mudar de vida, melhorar sua situação ou realizar algum objetivo é a motivação. Uma pessoa motivada é mais feliz e produtiva. Motivação é a disposição para agir, podendo ser entendida simplesmente como “motivo para a ação” ou “motivos para agir”. Você precisa de motivação. Ela é quem nos anima e ela é quem nos faz “segurar a barra” nas horas mais difíceis e recomeçar quando algo dá errado. Porém… isto você já sabe. O que todo mundo quer saber é: Como conseguir motivação?

A motivação é pessoal: só você pode dizer o que lhe dá ânimo para trabalhar, prosseguir, crescer. As outras pessoas podem ajudar na motivação, mas não nos dá-la de presente. A primeira motivação é você cuidar bem de si mesmo, ser feliz. Costumo dizer que você vai passar o resto da vida “consigo”, que pode se livrar de quem quiser, de qualquer coisa, menos de você mesmo. Por isso, deve cuidar bem de sua mente, corpo e projetos, sonhos, futuro. Mas existem outras motivações.

Deus – Deus pode ser uma fonte de ânimo e consolo, de força para viver e prosseguir. Além disto, se você for uma pessoa com sucesso profissional e capaz, poderá servir mais ao trabalho para sua divindade.

Família – Ajudar a família, ter dinheiro e tempo para o parceiro amoroso, filhos, pais, irmãos, é uma das mais fortes injeções de disposição para o estudo e o trabalho. Riqueza – Existem muitas formas de riqueza, sendo o dinheiro a menor delas. Paz, saúde, equilíbrio, família, sucesso, fama, ser benquisto e admirado, tudo isto são formas de riqueza, que podem ser escolhidas por você e servirem como estímulo.

Dinheiro – O dinheiro nunca deve ser o motivo principal de uma escolha, mas é perfeitamente lícito e digno a pessoa querer ganhar dinheiro. Basta que seja dinheiro honesto. O dinheiro serve para comprar muitas coisas úteis e prazerosas. Assim, se você quer estudar para ter mais dinheiro para gastar, tudo bem, é um bom motivo.

Tempo – Quanto melhor você estudar e quanto mais resultado tiver, mais tempo você terá para fazer outras coisas. E as fará com mais tranqüilidade e segurança.

Resolver problemas – Conheço amigos para os quais o concurso serviu para resolver problemas. Um deles, o Professor Carlos André Tamez, do Curso Aprovação, estudou para ser Auditor da Receita, pois morava no Rio de Janeiro e sua amada, em Curitiba. O concurso serviu para ele poder trabalhar na cidade que desejava. E conheço uma amiga para quem o concurso serviu para poder se separar sem depender de pensão do ex-marido. Para outro, o concurso foi a fonte de dinheiro para montar seu consultório dentário.

Segurança – O estudo e o concurso trazem segurança, seja a de ter alternativas, seja a de ter emprego, dinheiro, aposentadoria etc. São bons motivos.

Motivação é tarefa de todos os dias!
Entenda que todo projeto de longo prazo terá momentos de grande ânimo, momentos normais e momentos de desânimo, e vontade de desistir. Sabendo disso de antemão, procure se preparar para os dias de baixa: eles virão e você vai precisar aprender a lidar com eles.

A motivação deve ser trabalhada diariamente. Todos os dias você pode e deve lembrar dos motivos que o estão fazendo estudar, ter planos, persistir.

A motivação deve ser redobrada nos momentos de crise, de desânimo e cansaço. Em geral, ela vai segurá-lo. Algumas vezes, você vai “surtar”, ter uma crise e parar um tempo. Tudo bem, tenha a crise, faça o que quiser, mas volte a estudar o mais rápido possível. De preferência, recomece no dia seguinte.

Dicas de motivação

1) Você pode criar técnicas para se animar. Eu usava uma xerox do contraqueche (hollerith) de um amigo que já tinha sido aprovado. Quando eu começava a querer parar de estudar antes da hora, olhava o contracheque que eu queria para mim e conseguia continuar estudando mais um tempo. Conheço gente que tem a foto de um carro, de uma casa, uma nota de 100 dólares, a foto de onde quer passar as férias de seus sonhos. E tem gente com foto da esposa, do marido, dos filhos.

2) Outra dica importante: esteja perto de pessoas com alto astral, animadas, otimistas, e de pessoas com objetivos semelhantes. Evite muito contato com pessoas que não estejam trabalhando por seus sonhos, que vivam reclamando de tudo, que não queiram nada. Escolha as pessoas com as quais você estará em contato e sintonizado. O canarinho aprende a cantar, ouvindo outro canário. E canários juntos cantam melhor. Esteja perto de quem cante ou goste de cantar.

Motivação: dor ou prazer
O ser humano age basicamente por duas motivações primárias: obtenção de prazer ou fuga da dor. Quando alguém deixa de saborear uma apetitosa sobremesa, pode estar querendo evitar a dor de engordar; quando a saboreia, está buscando o prazer do paladar. Há pessoas que estudam para evitar dor (nota baixa, reprovação, fracasso) e pessoas que estudam para obter prazer (aprender, saber, acertar, crescer, ter sucesso na prova etc).

Embora o objetivo seja o mesmo (estudar), a motivação pode ser completamente diferente. Acontece que, comprovado em 23 anos de estudo e experiência, mesmo com um objetivo idêntico (por exemplo, passar no vestibular ou concurso público), o desempenho de quem tem motivação positiva (buscar prazer) é bastante superior ao daquele que atua por motivação negativa (evitar dor).

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Raul Seixas e a Bíblia

Luiz Sayão

É fato conhecido que um dos pioneiros do rock nacional, que fez muito sucesso há cerca de três décadas, foi o controvertido Raul Seixas. Numa mistura de protesto e busca por respostas para a vida, o conhecido “Raulzito” causou a mais diversificada reação em todo o país.

Pouca gente sabe que o falecido roqueiro conheceu o Evangelho de Cristo. Chegou até mesmo a ter um filho com sua primeira companheira, que era filha de um missionário norte-americano. Todavia, a perspectiva panteísta e agnóstica de Raul Seixas mostrou que o famoso cantor não abriu o coração para a mensagem do Evangelho. Sua morte não deixa dúvidas sobre isso!

Por incrível que pareça, se Raul Seixas não se deixou influenciar pelas boas novas de Jesus, parece-me que suas idéias estão cada vez mais presentes na realidade evangélica contemporânea. Será possível que estamos caminhando para uma “teologia do Raul Seixas”? Será que teremos um evangelho “maluco beleza”? O amigo leitor pode dar sua própria opinião.

Enquanto as Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus verdadeiro, que está acima de sua criação (Is 44.6; Rm 1.18-21), a perspectiva panteísta aparece expressa na música “Gita”, de Raul. Ele afirmava: “Eu sou a luz das estrelas / A mãe, o pai e o avô / O filho que ainda não veio / O início, o fim e o meio.” Este enfoque tenta tirar de Deus a glória que só Ele tem e merece. De modo geral, o panteísmo que deifica a natureza acaba definindo como categoria suprema o fluxo do movimento. Heráclito sorriria no túmulo. Tais idéias, muito presentes nos filmes norte-americanos mais populares, parecem emergir do conceito de que Deus é uma energia, “um fluir” (unção?). Em certos redutos evangélicos já se pode perceber que Deus se tornou “um poder manipulável” por “comandos determinadores”. Além disso, o enfoque da teologia do processo, que já nos influencia com todos os seus desdobramentos específicos, também diminui Deus e o coloca sob o domínio do “fluxo do tempo”, sugerindo que Ele é apenas nosso sócio na construção da história.

METAMORFOSE AMBULANTE

A idéia da supremacia do fluxo do tempo desemboca na rejeição de outras categorias fixas. A única categoria é o próprio tempo, o novo senhor absoluto. Com esse pressuposto, já não podemos ter teologia e ética definidas e claras. Embora a Bíblia seja um livro de orientações muito cristalinas sobre Deus, a salvação e o propósito da vida (2 Tm 3.16,17; 2 Pe 1.19-21), para muitos evangélicos, a teologia “maluco beleza” é preferível. Como diria Raul: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” Se uma opinião for antiga, deve ser rejeitada! Há uma crise doutrinária e teológica em boa parte do meio evangélico. Muitas pessoas adotam hoje idéias liberais, místicas e extremistas sem a devida avaliação. Nesse caso, não importa sua fundamentação teológica, histórica e lógica. Viva a metamorfose!

Tal sensação de indefinição, presente no pensamento do roqueiro tupiniquim, ajudou a formar seu perfil estranho, controvertido e até mesmo bizarro. Não é que um grupo significativo de evangélicos também já tem se aproximado do esdrúxulo?! Há um certo desprezo pela reflexão, pela teologia, e o crescimento de práticas risíveis e simplesmente inacreditáveis. Será que podemos ouvir o eco da música de Raul ao contemplar grande parte do chamado meio evangélico atual? Será que estamos diante do “Contemplando a minha maluquez / Misturada com minha lucidez”? Até onde vai a nossa “maluquez”? Será que voltaremos à lucidez? Será que muitas reuniões religiosas de hoje estão nos deixando, “com certeza, maluco beleza”? Espero que essa sensação seja um exagero! Todavia, temo que não seja!

Não faz tanto tempo assim, os cristãos evangélicos entendiam que um culto de adoração a Deus tinha, de fato, Deus como o centro do culto. Muitos cânticos tinham letra elaborada, teologia saudável e enfatizavam os atributos e os atos de Deus. No entanto, em algumas reuniões dominicais de hoje, temo que o foco esteja sendo mudado. Novas canções falam de um amor quase romântico e indefinido, divertem a massa, exaltam unção, montanhas, Jerusalém, guerra etc. O conceito de dedicar o domingo para uma diversão sem propósito e finalidade bíblica é manifesta na teologia do Raul Seixas. Como ele mesmo dizia: “Eu devia estar contente pelo Senhor ter me concedido o domingo para ir ao jardim zoológico dar pipocas aos macacos”. Será que já podemos observar “uma fauna evangélica com suas macaquices litúrgicas”? Tomara que não! Espero que tudo que escrevo não passe de uma análise exagerada! Todavia, temo que não.

Como todo enfoque teológico, o pensamento do “teólogo-músico pós-ortodoxo” nacional, também possui as suas decorrências de ordem prática. Não há como fugir da realidade. A forma de pensar e ver o mundo influencia e determina a vida prática de qualquer pessoa. A verdade é que se adotarmos uma base panteísta, um pensamento relativista, uma ética indefinida e práticas místicas emocionalistas sem conteúdo, não chegaremos a lugar nenhum. E não é que o “grande teólogo-roqueiro” já sabia disso! Quem pode lembrar de sua “perspectiva teleológica” que determinou seu trágico fim? “Este caminho que eu mesmo escolhi / É tão fácil seguir/ Por não ter onde ir.”

Se a igreja evangélica brasileira desvalorizar a doutrina bíblica, desprezar a teologia, deixar de lado a ética e afundar-se no misticismo e nas novidades ideológicas frágeis, logo ela descobrirá que esse é um caminho “tão fácil de seguir”. O grande problema é que no final das contas “não teremos para onde ir”.

Mais do que nunca, precisamos desesperadamente voltar nossa atenção para as Escrituras Sagradas, com o verdadeiro desejo de obedecer a Deus e à sua verdade. Que Deus nos abençoe.

http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=64&materia=596

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O Último Avivamento

Por: David Wilkerson / 11 de abril de 1988

O que aguarda a igreja de Jesus Cristo? Essa é uma pergunta de muito interesse aos crentes de todo o mundo. Com acontecimentos cataclísmicos ocorrendo por todo o globo, muitos se perguntam: “Será que o Espírito Santo irá avivar a igreja antes de Jesus voltar? Será que o corpo de Cristo vai deixar esse mundo com lamúrias ou gritando?”.

O Novo Testamento está cheio de previsões quanto à uma apostasia nos últimos dias. Falsos profetas se levantarão e irão levar muitos a se desviar; lobos virão em pele de cordeiro, trazendo poderosos esquemas “para enganar, se possível, os próprios eleitos” de Deus. Irá abundar a iniquidade, fazendo com que crentes antes fervorosos percam o seu primeiro amor. Com a inundação de impiedade que virá, o amor de muitos esfriará.

Jesus profetizou especificamente estas coisas. E suas advertências têm o objetivo de desafiar a nossa fé. Com sufocante iniquidade inundando a terra, Ele pergunta: “Quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18:8).

Pense no seguinte: Cristo sabia tudo que estaríamos testemunhando atualmente, desde os horrorizantes tiroteios nas escolas, até o crescimento do homossexualismo militante, ou os atos terroristas tendo lugar por todo o mundo. E meio à estas coisas, Ele nos pergunta, “Você vai continuar crendo – mesmo com as coisas piorando? Você vai desfalecer em sua confiança quando as coisas não acontecerem como esperava? Ou vai continuar confiando em Mim?”.

Veja, a despeito da expansão da iniquidade e das grandes calamidades, Jesus sabia que haveria um grande avivamento nos últimos dias. O Espírito Santo inspirou as profecias de Isaías, e ele conhecia plenamente a predição de um avivamento na aproximação do fim.

Isaías diz que haveria um grande despertamento mundial pouco antes da volta de Cristo

Essa profecia é encontrada em Isaías 54 e está resumida nestes versículos: “Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas” (54:3).

Creio, junto com inúmeros estudiosos da Bíblia, que a profecia de Isaías tem dupla aplicação. Ela fala não só do Israel natural após o cativeiro na Babilônia, mas também sobre o Israel espiritual que viria no futuro: o corpo de Jesus Cristo, a igreja da Nova Jerusalém. Paulo cita Isaías 54 quando se refere à “Jerusalém lá de cima… a qual é nossa mãe” (Gálatas 4:26). Paulo viu a profecia de Isaías como dirigida aos “filhos da promessa”, os que estão em Cristo pela fé.

Se Isaías dirigisse sua profecia somente ao Israel natural, isso significaria que suas promessas ainda não teriam sido cumpridas. Resumindo, não teria ainda ocorrido o fato de que “a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas” (Isaías 54:3). Porém essa palavra foi claramente cumprida em Cristo, na cruz e no Pentecostes. Pense no seguinte: quando Isaías trouxe essa mensagem, cerca de 42.000 israelitas haviam saído do cativeiro babilônico. Na época de Jesus, o seu número havia crescido apenas para cerca de 3 milhões.

Isaias refere-se à sua profecia como promessa de Deus, um juramento dos céus. Vemos o Senhor jurando pelas montanhas e até se referindo à aliança feita com Noé. Ele diz, basicamente, “Tão certo quanto não permitirei outro dilúvio sobre a terra, vos digo que haverá um despertamento da Minha igreja nos últimos dias”.

Nestes últimos dias, os olhos do Senhor não estão fixados nos poderes do mundo mas na igreja de Jesus Cristo

Deus não está se concentrando na economia, no surgimento de religiões mundanas, na expansão da iniquidade. Segundo Isaías, as nações para Deus são “como um pingo que cai de um balde” (Isaías 40:15).

Ele conhece tudo a respeito das ameças terroristas, das guerras e rumores de guerras. A Sua palavra avisa que o ímpio se enfurecerá, os poderes seculares tentarão proibir o cristianismo, e os movimentos anti-Cristo em rápido crescimento vão se gabar de que governarão o mundo, e destruirão os seguidores de Jesus. A Bíblia diz o seguinte quanto a isso: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Salmo 2: 2-3); em resumo, “Vamos acabar com todos estes impedimentos morais, com esses padrões do passado”.

Eis a reação de Deus a estes poderes terrenos, a estes homens influenciados por demônios: “Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles” (2:4). Não importa o quão desesperadoras as coisas aparentem estar, tudo se mantém sob o pleno controle de Deus.

Fico grato por essa palavra dos Salmos. Mais e mais ouvimos relatos do secularismo devastando as igrejas evangélicas na Europa, do Islamismo sendo a religião de mais rápido crescimento no mundo, dos homossexuais submetendo denominações inteiras, de a igreja de Cristo estar crescendo tão pouco que deixou de ter qualquer impacto na sociedade. Porém a palavra de Deus declara, “Sobre a Rocha Deus construirá a Sua igreja”.

“E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Nada nas entranhas do inferno pode esperar destruir a igreja de Cristo. Os olhos dEle estão sempre sobre o Seu povo, e por meio de tudo Ele avisa Satanás e suas hordas, “Não toque na menina dos Meus olhos”. “Se alguém a atacar, não será por obra minha; todo aquele que a atacar se renderá a você” (Isaías 54:15). Você vê o que o Senhor está dizendo aqui? “O Diabo irá sobre você. Inimigos vindos do inferno se juntarão contra ti. Mas Satanás não irá ter sucesso”.

Deixe que o Diabo faça o que quiser. Que o inferno abra suas entranhas e vomite toda imundície. Isso não terá qualquer tipo de impacto sobre o plano que nos últimos dias Deus tem para o Seu povo. Glória a Deus, a Sua igreja não pode ser destruída!

1. Para onde olharmos nos últimos dias, veremos a glória de Deus irrompendo num último avivamento

A igreja de Cristo se alargará além de quaisquer limitações anteriores para espalhar as boas novas: “Alarga o espaço de tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas” (Isaías 54:2-3). Simplificando, a igreja irá ganhar força e levantar multidões em Cristo.

Olhando mais de perto a profecia de Isaías, vemos que ela é dirigida não só para o corpo da igreja mas também para membros individuais. Conheço piedosos servos, amigos meus, que se apropriaram desta profecia como palavra pessoal vinda do Espírito Santo. E edificaram sua fé a partir de suas promessas: “Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez” (Isaías 54:4). Isaías deixa claro nesse versículo: “A igreja de Deus não marchará envergonhada”.

Porém poucos versos antes, lemos esse aviso à igreja dos últimos dias: “Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada! Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras” (54:11). Lemos que seremos afligidos, agitados em tempestades; mas também nos são prometidos alicerces construídos por safiras. O que isso quer dizer, exatamente?

Como crentes, podemos estar sob aliança com Deus, carregando em nossos corações Suas preciosas promessas de ausência de medo, de envergonhamento, de perplexidade, de reprimenda. No entanto, ainda é possível para nós sermos agitados por tormentas pessoais, experimentar a solidão, não ter quem nos conforte. Resumindo, é nos permitido sermos esbofeteados por Satanás.

No verso 16, Isaías dá um retrato de nosso adversário em ação. Deus diz, “Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo e que produz a arma para o seu devido fim; também criei o assolador, para destruir” (54:16). Eis uma imagem de um ferreiro insuflando o fole no fogo para provocar calor branco. Ele então usa esse calor para moldar armas de guerra na bigorna. Esse ferreiro representa Satanás, que constantemente inventa novas armas contra a igreja e membros individualmente.

Que incrível retrato. É como se Deus estivesse dizendo, “Eis o Diabo inflando o fogo, fazendo armas que usa para destruir o Meu povo. Eu fiz o ferreiro, criando-o como um anjo. Ele tinha poder e autoridade, mas foi lançado fora devido à rebelião. Eu o criei, e então o posso acorrentar. Ele pode ir só até onde permito”.

Note a surpreendente promessa de Deus exatamente no verso seguinte: “Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim procede, diz o Senhor” (54:17). Em outras palavras, “Deixe que o inimigo construa suas armas; ele que arme legiões de demônios. Nem uma arma sequer que ele formar contra ti irá te derrubar”. Que promessa gloriosa!

Satanás está usando a arma de desesperança contra o povo de Deus, tempestades muito duras de serem suportadas sem a consolação do Espírito Santo. Mesmo assim Deus declara: “te fundarei sobre safiras” (54:11). A mensagem aqui é, “Quando tudo no mundo estiver sendo abalado, você não será sequer movido. O alicerce que estou estabelecendo por baixo de ti é tão sólido quanto essas rochas. O que estou promovendo em ti não pode ser abalado”.

Estas safiras representam conhecimento e sabedoria espiritual, percepção da natureza íntima do coração de Deus. Sabemos que os que suportam sofrimento emergem armados com percepção maior quanto à misericórdia de Deus. Você pode ser tentado, pressionado, afligido e deixado só, mas em meio a tudo isso Ele está formando sob você um alicerce com a solidez da rocha. Tudo é assim para que você possa confortar os outros em suas horas de provação.

2. Paulo ressoa Isaías quando diz que o Senhor cuida da igreja como o marido amoroso cuida da esposa

Muitos estão familiarizados com a passagem quando Paulo compara o casamento ao relacionamento de Deus com a igreja: “Eis por que deixará o homem a seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à Igreja” (Efésios 5: 31-32).

Agora note o que Isaías diz: “Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra” (Isaías 54:5). Quem é o Criador aqui? É Cristo, criador dos céus e da terra. E Isaías diz que Ele é o nosso marido. Contudo, a esposa separou-se de seu marido: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (59:2).

Onde vemos essa separação hoje entre a igreja e Deus? Eu a vejo de maneira mais óbvia nas grandes denominações que fazem concessões. Mas também a vejo no evangelho frágil das igrejas pós-modernas. É evidente que houve uma separação da presença manifesta de Deus. Na verdade, aconteceu exatamente como Jesus e Paulo profetizaram: muitos se tornaram amantes dos prazeres mais do que de Deus… tendo forma de religião mas sem poder… desprezando o evangelho dos pais… rompendo os antigos padrões morais… mudando a infalível palavra de Deus para se adequar aos tempos.

Eu lhe desafio a ir à qualquer cidade, de igreja à igreja de qualquer confissão evangélica. Tente achar uma onde você reconheça a tremenda e manifesta presença de Jesus, onde você encontre o Seu convencimento que derrete corações. Quando o Senhor está verdadeiramente presente, você reconhece isso, seja nos cânticos, na pregação ou na comunhão. Algo mexe com a sua alma, e provoca respeito e reverência. Na minha experiência, isso é raramente encontrado.

Não estou condenando a igreja moderna; que Deus me livre disso. Mas que o Senhor nos ajude caso não tenhamos Sua manifesta presença nestes últimos dias. E devido às concessões de tais igrejas, Ele tem tido de ocultar Sua presença delas por um tempo. Porém Deus não se divorciou da igreja com a qual se comprometeu. Isaías diz que Ele a chama para que volte: “Assim diz o Senhor: Onde está a carta de divórcio… pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor, a quem eu vos tenha vendido?” (Isaías 50:1). Deus basicamente está dizendo, “Você Me deixou. Você amou o mundo e as coisas do mundo, e Me deixou por elas. Eu não te abandonei; você Me abandonou. Mostre os papéis do divórcio! Me mostre onde Eu te vendi para outro”.

“Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis resgatados” (52:3). Ele continua, como dizendo: “Lhe digo que esse casamento não acabou, apesar de você ter se prostituído. Você se cansou de Mim, mas apesar de tudo isso Eu te amo. Quero-te de volta”.

“Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor” (54:6-8).

Eis um juramento prometido por Deus para trazer de volta a Ele uma esposa meretriz. Em resumo, o último avivamento será um avivamento unicamente de misericórdia. O Senhor está dizendo à Sua igreja, “Quando você voltar para Mim, não vou te condenar ou repreender. Antes, vou te ungir com o Meu Espírito. Vou lhe dar poder onde não tinhas poder antes”.

Alguns ainda dizem, “Isaías 54 se aplica só ao Israel natural”

Ofereço prova indiscutível de que a promessa de Isaías 54 é dirigida à igreja de Deus hoje. Isaías claramente fala de Cristo em 53:10: “verá a sua posteridade” (itálicos meus). Simplificando, o trabalho árduo e o sacríficio de Cristo trarão muitos filhos: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (53:11). Tudo isso é para ser cumprido após a cruz.

Os pregos que perfuraram as mãos e os pés de Jesus foram preparados na bigorna do Diabo; a espada que penetrou o Seu lado foi forjada nessa oficina do inferno. Mas o sangue que foi derramado de Seu corpo jamais perdeu o poder. Isaías está dizendo: “Deus jurou que o sangue de Seu Filho será aspergido sobre os transgressores de toda nação sobre a terra. Ele tem poder em todos os países árabes, em Israel, na África, na Europa. Ele verá a Sua descendência se espalhando por muitas multidões, de todas as tribos e línguas”. Um grande despertamento continuará nos tempos do fim.

Pode ser desencorajador se ver falsas religiões crescendo em grande número enquanto a igreja de Cristo parece tão pequena em números; mas Isaías está dizendo, “É hora de cantar, ó esposa estéril. Alargue as habitações de adoração, alongue e expanda a tua visão. Tu verás avanços para a esquerda e para a direita”. ‘“Cante, ó estéril, você que nunca teve um filho; irrompa em canto, grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto; porque mais são os filhos da mulher abandonada do que os daquela que tem marido’, diz o Senhor” (54:1).

3. Como sucederá esse último avivamento?

Como acontecerá esse último avivamento? Requer-se algo poderoso, algo capaz de abalar o mundo para precipitá-lo. Isaías diz que esse abalo acontecerá num dia. No capítulo 47, ele diz que tem de se tratar com o espírito de Babilônia. Por todas as escrituras, Babilônia sempre representou um espírito de prosperidade, bem estar e prazer. E o espírito de Babilônia é o mesmo em todas as épocas.

Em resumo, Isaías diz que não pode haver um avivamento final disseminado enquanto o espírito de ganância e de falsa segurança não for derrubado. Podemos orar por reavivamento, podemos clamar para Deus derramar o Seu Espírito, mas isso será impossível a menos que o Senhor antes abale todas as coisas: “Ouve isto, pois, tu que és dada a prazeres, que habitas segura, que dizes contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra… Pelo que sobre ti virá o mal que por encantamentos não saberás conjurar; tal calamidade cairá sobre ti, da qual por expiação não te poderás livrar; porque sobre ti, de repente, virá tamanha desolação, como não imaginavas” (Isaías 47:8,11, itálicos meus).

Deus não vai subestimar o pecado, mas derrubará as fortalezas do Diabo. Ele vai fazer soar um chamado de despertamento à igreja “de repente com desolação”. Na verdade esse será um grande ato de amor da parte do Senhor. Ele ama a igreja de tal maneira que se recusa a permitir que o bem estar, o prazer e a apostasia ceguem e arruinem o objeto de Seu amor.

“Ainda que se tenha compaixão do ímpio, ele não aprenderá a justiça; na terra da retidão ele age perversamente, e não vê a majestade do Senhor” (26:10). Eis a prova de que o avivamento é impossível quando há bem estar e prosperidade. Isaías diz em termos simples, “Em épocas de bênçãos as pessoas não mudam o rumo”. Nada vai acontecer enquanto o bolso não for afetado. Somente “quando se vêem na terra as tuas ordenanças, os habitantes do mundo aprendem a justiça” (26:9).

Isaías oferece prova final de que um último avivamento virá depois de um abalo: “’Conforme o que fizeram lhes retribuirá: aos seus inimigos, ira; aos seus adversários, o que merecem; às ilhas, a devida retribuição. Desde o poente os homens temerão o nome do Senhor, e desde o nascente, a sua glória. Pois ele virá como uma inundação impelida pelo sopro do Senhor. ‘O Redentor virá a Sião, aos que em Jacó se arrependerem dos seus pecados’, declara o Senhor. ‘Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles’, diz o Senhor. ‘O meu Espírito que está em você e as minhas palavras que pus em sua boca não se afastarão dela, nem da boca dos seus filhos e dos descendentes deles, desde agora e para sempre’, diz o Senhor” (Isaías 59:18-21).

O espírito de Babilõnia está prestes a ser quebrado através da desolação. Porém, não interprete mal a profecia de Isaías como sendo uma mensagem sombria e de maldição. Pelo contrário, Jesus diz: “Ao começarem estas cousas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lucas 21:28).

Agora mesmo, estamos vendo o começo do último avivamento, com Atos 2:17 sendo cumprido

“E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos” (Atos 2:17). Em todos os meus anos de ministério, nunca fui capaz de antever essa profecia acontecendo em nossos dias. Agora eu creio que ela esteja sendo cumprida.

Em nações por todos os lados, Cristo está se revelando à multidões em sonhos e visões. Na China, Índia, nações árabes, as pessoas estão relatando suas experiências com Jesus em sonhos. Mesmo aqui em nossa Igreja de Times Square está acontecendo.

Um dos seguranças de nossa igreja já foi o terceiro na escala dos alto sacerdotes do culto Santeria de adoração aos demônio em Nova York. O seu território era o Bronx, e seu apartamento estava cheio de ossos humanos. Ele havia vendido corpo e alma para Satanás. Mas o seu coração foi movido pelo Espírito Santo. Se tornou inquieto, e uma noite ele desafiou Jesus: “Se és mais forte do que o Diabo a quem sirvo, me mostre isso em sonho hoje”.

Essa noite em sonho, o homem viu-se num trem se dirigindo para o inferno. Após passar por um túnel, do outro lado estava Satanás em pé. O Diabo disse a esse homem, “Você foi fiel a mim. Agora estou te levando ao seu lugar de repouso eterno”. Então de repente, apareceu uma cruz. Nesse momento, ele acordou.

Ele saiu da experiência fervendo de entusiasmo por Jesus, livrou seu apartamento de qualquer traço do mal, e entregou sua vida ao Senhor. Hoje, ele é um doce e consagrado homem de Deus e está ativo em nossa igreja. Parei para falar com ele um dia desses e lhe disse, “Vejo Jesus em ti”. Ele respondeu, “Irmão Dave, você não tem idéia do significado dessas palavras para mim após vinte e cinco anos servindo o Diabo”. A sua vida nova milagrosa veio toda a partir daquele sonho dado por Deus.

Prezado santo, está chegando o dia em que o mundo todo verá Jesus. O apóstolo João anteviu “grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas na mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Apocalipse 7:9-10).

Isso não é um pequeno remanescente, mas uma multidão incontável, exatamente como Isaías profetizou. E todos estão adorando o Senhor. Louvado seja Deus por esse dia prometido!

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Crescer no conhecimento sem esquecer o poder do Alto

Por: Pastor Antonio Gilberto

Antes crescei na graça e conhecimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A Ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém”, 2 Pe 3.18. O apóstolo Pedro teve suas dificuldades no início da sua fé em Cristo, e também ao longo dela, como registra o Novo Testamento. Jesus, antes do calvário, chegou a adverti-lo de que Satanás estava a tramar contra os Doze, inclusive ele, Pedro, para arruinar a sua fé. “Disse-lhe também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos”, Lc 22.31,32. O texto bíblico que abre este artigo mostra-nos que na vida espiritual, do crente mais simples ao líder cristão mais destacado, o elemento basilar é a fé em Cristo, priorizada, mantida, fortalecida, purificada, renovada e, ao mesmo tempo, seguida do conhecimento de Deus.

“Crescei na graça e conhecimento”, diz o texto sagrado. Essa ordem jamais deve ser invertida. Cuidar da nossa fé é cuidar do nosso crescente relacionamento e comunhão com Deus. Estamos falando da fé como elemento da natureza divina, como atributo de Deus (Atos 16: “…a fé que é por Ele…”; Gálatas 5.5: “…pelo Espírito da fé…”). 

A fé em Deus, basilar e primacial como é na vida do cristão, deve ser seguida do conhecimento espiritual. “Criado com as palavras da fé e da boa doutrina”, 1 Tm 4.6. Veja também 2 Pedro 1.5, onde o conhecimento deve seguir-se à fé. Fé sem conhecimento, segundo as Escrituras, leva ao descontrole, ao exagero, ao misticismo, ao sectarismo e ao fanatismo final e fatal. Sobre isso adverte-nos o versículo 17, anterior ao que abre o presente artigo, que os leitores farão bem em lê-lo. É oportuno observarmos que o dito versículo remete-nos claramente ao versículo 18, que estamos destacando. “Antes” é um termo conclusivo; refere-se a uma conclusão à qual se chega. 

“Antes crescei” – A vida cristã normal deve ser um crescer constante para a maturidade espiritual, como mostra 2 Coríntios 3.18: “Somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” Esse crescimento transformador deve ser homogêneo, uniforme, simétrico; caso contrário virão as anormalidades com suas consequências. Lembremo-nos do testemunho do apóstolo Paulo sobre si mesmo em 1 Coríntios 13.11, e o comparemos com o depoimento bíblico de Atos 9.19-30 e 11.25-30. Um crente sempre imaturo na graça e conhecimento de Deus é também um problema contínuo para ele mesmo, para outros à sua volta e para a sua congregação como um todo. E pior ainda é quando o cristão desavisado cuida apenas de seu conhecimento secular, terreno, humano, social, e também quando cuido do conhecimento bíblico e teológico sem antes e ao mesmo tempo renovar-se no poder do Alto, o poder do Espírito Santo, que nos vem pela imensurável graça de Deus em suas riquezas (Ef 2.7). Tudo mediante Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

Crescimento do crente na graça de Deus – A graça de Deus é seu grandioso favor imerecido por todos nós pecadores. Essa maravilhosa graça divina é multiforme e abundante (1Pe 4.10; Ef 2.7). Nosso Deus é “o Deus de toda a graça” (1Pe 5.10). Menosprezar essa inefável graça divina é insultar o Espírito Santo, “o Espírito da graça” (Hb. 10.29). Só haverá crescimento na graça de Deus por parte do crente se este invocá-la, apoderar-se dela pela fé e cultivá-la em sua vida. “Minha graça te basta”, disse o Senhor a Paulo quando este orava por livramento (2 Co 12.8-10). 

Crescimento do crente no conhecimento – Esse conhecimento do crente na esfera da salvação, de que nos fala a Escritura, nos vem pelo Espírito Santo (Ef. 1.17, 18; Cl 1.9; 1Co 12.8). Cristo é a fonte e manancial da graça de Deus (Jo. 1.16, 17) e também o alvo do nosso conhecimento (Fp. 1.8,10). O conhecimento de Deus nos vem também pela comunhão com Ele, é óbvio, sendo um meio de usufruirmos mais de Sua graça (2Pe 1.2). Quem está crescendo na graça e no conhecimento de Deus ainda tem muito a crescer. Afirma o texto de João 1.17 “…e graça por graça…”. Se alguém estacionar no desenvolvimento de seu andar com Deus, virá o colapso. É como alguém sabiamente disse: “A verdadeira vida cristã é como andar de bicicleta; se você parar de avançar, você cai!”.

O Senhor Jesus ensinou, dizendo: “Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, Jo. 8.31,32. Não é, portanto, o conhecimento em si que liberta; ele é um meio provido por Deus para chegarmos à verdade. Há muitos na igreja com vasto conhecimento secular, teológico e bíblico, contudo repletos de dúvidas, interrogações, suposições e enganos quanto a Deus, quanto à salvação, quanto às Sagradas Escrituras etc. 

Como pode o crente crescer na graça e no conhecimento de Deus – Primeiro, orando sem cessar (1Ts 5.17; 2Co 12.8, 9; Jr 33.3). A oração é um precioso e eficaz meio de comunhão com Deus. Segundo, lendo e estudando a Bíblia continuamente (At 17.11; 1Pe 2.2; Sl 1.2, 3), e obedecendo a Deus, a partir da Sua Palavra (Sl 119.9. 11; Jo 14.21, 23). E também vivendo de modo agradável a Deus (e não somente em obediência a Deus) (Cl 1.10; 1Jo 3.22); testemunhando de Cristo e de Sua salvação (At 1.8; 5.42); permanecendo na doutrina do Senhor (At 2.42; Rm 6.17; 3Jo vv.3,4); frequentando a Casa de Deus (Hb 10.25; Lc 2.37; Sl 27.4); sendo ativo no serviço do Senhor (Mt 21.28); vivendo continuamente em santidade (Lc 1.75; 2Co 7.1); mantendo-se renovado espiritualmente (2Co 4.17; Ef 5.18) e experimentando a progressiva transformação espiritual pelo Espírito Santo, tendo Ele em nós plena liberdade para isso (2Co 3.18). 

Sinais de “meninice” (não-crescimento) espiritual – Os cristãos da igreja de corinto tiveram este problema (1 Co 3.1, 2). Ver também Hebreus 5.12- 14. Crianças, no sentido físico, são fáceis de detectar; no sentido espiritual, também – havendo exceções, é evidente. A criança fala muito, mas não diz nada ou quase nada. A criança, por natureza, é egoísta. Tudo sou “eu” e o todo é “meu”. A criança brinca muito e também “briga” muito. A criança normal dorme muito – e dorme em qualquer lugar! A criança gosta muito de ruído, de barulho, e geralmente no momento e no lugar impróprios para os adultos. Quanto mais barulho, mais a criança gosta! A criança gosta muito de doces (Ler Provérbios 25.16,27 e Levítico 2.11). Doces engordam, mas engordar não é crescer, e nem sempre é sinal de saúde. 

A criança é muito sentimentalista. Ela vive pelo que sente. Por coisa mínima, a criança chora, amua-se e some da cena. A criança é muito crédula. Ela não discute nem questiona as coisas da vida em geral. Ela crê em tudo, sem argumentar. Ela aceita praticamente tudo sem averiguar, sem filtrar, sem discutir. 

A criança não gosta de disciplina. Ela não gosta de obedecer. Também a criança é fantasiosa. Ela exagera as coisas. Ela cria o seu próprio mundo de fantasia para si e vive esse seu mundo. A criança pequena não tem equilíbrio. Não tem firmeza. Com facilidade, ela tropeça, escorrega, cai e levanta-se. A criança é imitadora. Ela, se puder, imita tudo, inclusive o ato de trabalhar dos adultos, mas tudo imitação, e às vezes machuca-se por isso. A criança, em geral, é fraca; ela não tem a resistência dos adultos. Finalmente, a criança não entende coisas difíceis, coisas de gente grande. 

Essas verdades e realidades devem ser aplicadas à nossa vida cristã para vermos se estamos crescendo para a maturidade ou se ainda permanecemos quais criancinhas incipientes e crédulas. O procedimento correto para o crente evitar um colapso na sua vida espiritual é “crescer na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. 

Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz – Número 1513 – Junho de 2011, CPAD

 

 

 

 


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Lição 5 – EBD Editora Betel – Barnabé, um líder comprometido com a obra social

O que são obras sociais?

Geralmente são trabalhos realizados ou a realizar em prol do social, isto é em prol da sociedade ou comunidades mais carentes ou potencialmente menos favorecidas.

O cristão e as boas obras

“Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tg 2.26

Fé e obras

Um dos assuntos mais polêmicos que envolvem o livro de Tiago é o confronto entre fé e obras. Tiago valoriza tanto uma coisa (1.6) quanto a outra (2.14). Porém, sua carta fala mais das obras, já que o autor observou a gravidade da ausência das mesmas na vida religiosa do povo. É como um médico que está indicando um reforço alimentar para suprir a falta de determinado nutriente, sem, contudo, menosprezar os outros. A fé é tão importante quanto fica demonstrado em Romanos e em Hebreus. Entretanto, se essa fé não produzir evidências visíveis, ela será como um plano que nunca foi realizado e seremos como árvores infrutíferas. Obra é fruto (Tg. 3.13,17). O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22). Não obstante, tais virtudes precisam se manifestar através de atos e fatos. O fruto não pode ser abstrato. Precisa ser concreto. De que adianta um amor não revelado, não transmitido por meio de ações? (I João 3.18). A fé opera pelo amor (Gálatas 5.6). O amor é o canal por onde flui a fé. O resultado é obra. A fé se mostra superior nessa questão porque a nossa salvação depende dela. “Pela graça sois salvos mediante a fé” (Ef. 2.8). “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Mc. 16.16). Crer é fé. Batismo é obra, ato físico. Observe que ninguém será condenado pela falta do batismo e sim pela falta de fé. Entretanto, aquele que tem fé deverá manifestá-la através de atos de obediência, inclusive batizando-se. As obras devem ocorrer de acordo com os recursos e o tempo que Deus tiver nos concedido. Por exemplo, o ladrão que se converteu na cruz ao lado de Cristo, não teve tempo de se batizar nem fazer obra alguma. Contudo, foi salvo. Nós, porém, que temos tempo e recursos devemos fazer boas obras, não para sermos salvos, mas como fruto natural da nossa fé.  A fé é superior porque produz as obras e não o contrário. Tiago diz: “… se alguém disser que tem fé e não tiver as obras… porventura a fé pode salvá-lo?” (Tg. 2.14). O autor não está condicionando a salvação à prática de boas obras. O sentido é o seguinte: se a fé de alguém não produz obras, pode-se concluir que essa mesma fé não produzirá salvação, pois é ineficaz ou inexistente.

Conflito entre Thiago e Paulo

Vedes então que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.” – Tiago 2.24.”Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” – Paulo, em Romanos 3.28.Lendo estes dois versículos, podemos pensar que Tiago e Paulo estão se contradizendo. Alguns comentaristas afirmam que a contradição existe e que é inexplicável. O próprio reformador Martinho Lutero tinha essa posição e chegou a usar a expressão “epístola de palha” para se referir ao livro de Tiago. Há quem diga que Tiago tenha escrito para atacar Paulo e seus ensinamentos. Tais hipóteses atentam contra a inspiração divina das Sagradas Escrituras. Outros teólogos apresentam a seguinte solução: Ao escrever aos Romanos, Paulo apresentou argumentos que tinham por objetivo combater a tese judaizante daqueles que exigiam dos gentios o cumprimento da lei mosaica. Diante disso, o apóstolo deixou claro que a salvação não depende das obras da lei, não depende dos rituais judaicos. Em sua exposição, Paulo lembra aos leitores que Abraão não foi justificado pelas obras da lei nem mesmo pela circuncisão, já que o patriarca teve sua experiência com Deus num tempo em que a lei mosaica não existia e até mesmo antes de ser circuncidado. Portanto, sua experiência foi baseada na fé. Paulo não estava falando de boas obras, de modo geral. Ele estava se referindo especificamente àquelas obras exigidas pela lei. Por sua vez, Tiago está preocupado com “o outro lado da moeda”. Muitos cristãos estavam reduzindo o cristianismo a uma religião teórica, apenas espiritual, sem efeitos visíveis. A estes, Tiago diz que as obras são importantes. Abraão é usado novamente como exemplo. Depois de ter sua experiência pela fé, Abraão não cruzou os braços. Abraão agiu. Ele saiu da sua terra, se dispôs a oferecer Isaque, e fez tudo aquilo que Deus queria que ele fizesse. Imagine que alguém entra no prédio de uma escola e queira logo apresentar trabalhos de pesquisa, fazer provas e exercícios. Será que a direção acadêmica aceitará tudo isso? De maneira nenhuma. S e o indivíduo não está matriculado, ainda não é aluno da escola. Então, não tem nenhum valor qualquer trabalho apresentado por ele. O que é necessário? A matrícula, o compromisso, o vínculo. Então, depois de matriculado, imagine que esse novo aluno resolva ficar em casa, totalmente alheio aos seus deveres escolares. Então a direção da escola irá procurá-lo para cobrar tudo o que Ele deveria estar fazendo. Assim, antes de sermos cristãos, de nada adiantam as nossas boas obras. “Paulo está dispensando”. Entretanto, agora que estamos salvos pela fé, precisamos executar as obras como fruto normal de um cristianismo autêntico e sadio. “Tiago está cobrando”.Em Romanos 3, Paulo está apresentado a futilidade das obras da lei no plano de salvação. Em outros escritos seus, o apóstolo deixa claro o quanto valoriza as boas obras de modo geral. Não que elas possam nos salvar. “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9). Entretanto, devemos fazer boas obras, porque este é um dos motivos da nossa permanência neste mundo. Caso contrário, poderíamos ter sido arrebatados no momento da conversão. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2.10).Observe que são palavras de Paulo, na continuação do texto mencionado anteriormente.Quando escreveu a Tito, Paulo colocou nas boas obras a maior ênfase da carta (Tito 2.7,14;3.1,8,14). Contudo, no mesmo texto, o apóstolo deixa claro que as obras não salvam (Tito 3.4-5).Considerando suas epístolas de modo geral, Paulo enfatiza a fé, sem desvalorizar as obras. Tiago enfatiza as obras, sem desvalorizar a fé. De fato, ambas as coisas são importantes. A fé sem as obras é morta. Da mesma forma, as obras sem fé são obras mortas (Hb. 6.1).

Sendo assim, qualquer suposto conflito doutrinário entre esta carta e a de Romanos é puramente imaginário. Paulo, acossado por mestres do judaísmo nas igrejas, naturalmente deu grande ênfase à justificação pela fé sem as observâncias cerimonias. Todavia, quando ele escreveu a Tito, o tema principal de sua carta foi: a importância das boas obras, mostrando deste modo uma perfeita harmonia com os ensinos de Tiago. É evidente que este último, quando parece depreciar a fé, se refere apenas ao assentimento intelectual da verdade e não à “fé salvadora a que se refere Paulo”.

·         Para começarmos nesta lição devemos situar-nos sobre o local da igreja e também nos adiantarmos um pouco na próxima lição.

A cidade de Antioquia

A cidade de Antioquia da Síria foi fundada por volta de 300 a.C. Tornou-se um rico centro comercial e cultural, pois nela a influência grega estava presente. A população era composta por sírios, gregos e judeus. Os judeus exerciam uma boa influência na cidade, propagando a fé judaica e fazendo prosélitos para a religião judaica. Nesta cidade foi fundada uma igreja cristã composta por judeus e gentios, que veio a ser o ponto de partida para a expansão missionária no império romano. Antioquia foi considerada a 3ª metrópole do império romano, vindo depois de

Roma (Itália) e Alexandria (Egito). A Igreja em Antioquia demonstrou uma sensibilidade para com a missão da Igreja. Enviou auxílio para Jerusalém quando a fome assolou esta cidade – Atos 11.27-30 e enviou seus principais obreiros para o trabalho missionário – Atos 13.1.

A fundação da Igreja em Antioquia

A Fundação da igreja deu-se através dos dispersos por causa da perseguição e morte de Estevão em Jerusalém (Atos 7.54 a 8.2). Eles foram até a Fenícia, Ilha de Chipre e Antioquia, evangelizando especialmente os judeus.

Alguns convertidos em Fenícia e Chipre se dirigiram para Antioquia e lá anunciaram o evangelho em grego. Estes missionários gregos de Chipre e Fenícia eram comerciantes e artesãos que viajavam muito pelo mundo da época. Nesta ocasião foram até Antioquia, que era um importante centro comercial, para vender seus produtos e, enquanto faziam isto, anunciavam as maravilhas que haviam presenciado em Jerusalém. A mão do Senhor era com eles (Atos 11.21) de tal maneira que muitos se converteram ao Senhor.

Vamos dividir o texto da seguinte forma:

1. Evangelismo e Proclamação – 11.19-24

2. Edificação através do Ensino – 11.25-26

3. Serviço e Solidariedade – 11.27-30

4. Envio Missionário – 13.1-3

A igreja em Antioquia e o trabalho de Barnabé

1. Evangelismo e Proclamação – Os versículos 19 a 24 contam sobre o crescimento que a Igreja experimentou numa grande metrópole da época. Agora já não eram os missionários vindos de fora, mas a igreja já possuía esta característica de evangelização. O crescimento, especialmente entre os gregos, foi tal que os apóstolos em Jerusalém enviaram um emissário para ver o que estava acontecendo em Antioquia e assim criar um vínculo com a igreja de Jerusalém. Barnabé, enviado pelos apóstolos, ficou entusiasmado pela maneira como os cristãos viviam naquela cidade e reconheceu que era obra da Graça e do Amor de Deus. O impacto que causavam era tão grande que os discípulos passaram a ser chamados de “cristãos”. A Igreja de Antioquia tinha esta marca distinta de uma Igreja Missionária que é a PROCLAMAÇÃO. Proclamavam as Boas Novas de Jesus Cristo. Os comerciantes que foram a Antioquia, saídos da Fenícia e Chipre, nos fazem perceber que a rota a ser usada posteriormente pela Igreja de Antioquia para a evangelização em outros lugares, era a rota comercial e militar, o que facilitava o tráfego de pessoas e mercadorias. Esta rota comercial fazia ligação com as principais cidades da Ásia Menor, entre elas Éfeso; cidades da Macedônia, tais como Filipos, Tessalônica; além de outros grandes centros como Corinto, Roma, etc.

2. Edificação através do Ensino – Na segunda parte (11.25-26) percebemos que Barnabé decidiu permanecer em Antioquia e ajudar na consolidação e organização daquela comunidade cristã. A Proclamação em Antioquia atraiu Barnabé e ele desejou permanecer na cidade. Para realizar seu intento de pastorear aquele rebanho, foi procurar aquele que anos antes havia apresentado aos apóstolos: o perseguidor convertido, Paulo. Paulo era um homem de uma boa formação e teria condições de ensinar aos judeus e aos gregos convertidos. O v. 26 afirma que Paulo e Barnabé dedicaram muito tempo a instruir a igreja. Depois de um ano o trabalho estava consolidado e, pelo que parece, havia respeito na convivência entre judeus e não-judeus. Esta marca também caracterizava a Igreja de Antioquia como uma Igreja Missionária, ou seja, o ENSINO, a instrução, o doutrinamento, tão necessário para a Edificação da Comunidade Cristã. A palavra mestre ou ensino vem de um termo grego que quer dizer “professor”, “mestre” ou “aquele/a que transmite um conhecimento”. Em I Coríntios 12:28, mestre aparece como o terceiro dom espiritual de um grupo de três. Era o ofício na Igreja Primitiva de explicar aos outros a fé cristã e providenciar uma exposição clara e compreensível do Antigo Testamento.

3. Serviço e Solidariedade – A terceira parte (11.27-30) mostra a sensibilidade da Igreja para com os problemas dos cristãos de outros lugares. Sabendo que a Judéia passava por um período de fome, decidiram enviar donativos para os irmãos de Jerusalém. Estes donativos não eram esmolas, e sim sinal de solidariedade e serviço entre os irmãos. Provavelmente o exemplo de solidariedade e liberalidade no contribuir foi dada por Barnabé. Ele já havia feito isto quando estava em Jerusalém (Atos 4.36), quando o mundo da época enfrentava um período de fome, sobretudo a cidade de Jerusalém sofria muito. Havia falta de emprego e carência de muitos alimentos. Todos sofreram, inclusive os cristãos de Jerusalém. Neste ambiente surgiu Barnabé, que vendeu uma propriedade e colocou aos pés dos apóstolos para aliviar a dor dos mais necessitados. Este seu exemplo influenciou a Igreja de Antioquia, que já era sensível às necessidades do povo.

4. Envio Missionário – A grande ênfase da Igreja de Antioquia era sua preocupação com a evangelização. Desde o início esta característica está de forma clara na vida dos cristãos daquela cidade. O apelo missionário falava mais alto, a ponto de abrirem mão daqueles que por 1 ano ensinaram uma multidão: Paulo e Barnabé. O capítulo 13 de Atos conta esta história. O Texto de Atos 13.1-3 conta que a Igreja de Antioquia era presidida por profetas e doutores: os profetas tinham a função de exortar e fortalecer os membros da igreja e os doutores tinham a responsabilidade de ensinar. Tudo indica que os cinco líderes da Igreja fossem pessoas cultas e bem formadas e que colocaram a disposição de Deus seus dons e talentos. Dois destes líderes serão enviados em missão, prioritariamente para evangelizar judeus dispersos por várias cidades. Após o Concílio de Jerusalém (cap. 15), os grupos de missionários enviados pela Igreja de Antioquia vão também em busca dos gentios. Como vimos anteriormente, a rota usada por Paulo e seus companheiros são as rotas comerciais e militares, bem como os navios que carregavam mercadorias e passageiros de um porto ao outro. Nestas viagens entrava-se em contato com muita gente: entre elas podemos mencionar as seguintes: funcionários do governo romano, comerciantes e artesãos, peregrinos, turistas, carteiros, prisioneiros de guerras, escravos fugitivos, atletas, mestres, estudantes, filósofos, etc. Esta gente toda ia para os grandes centros, muitos levando a mensagem que ouviram de Paulo e seus companheiros durante as viagens. Como as rotas comerciais passavam, obrigatoriamente, pelos grandes centros e cidades portuárias, para estas Paulo se dirigiu, evangelizando e estabelecendo comunidades. Um estudioso do Novo Testamento calculou a distância que era possível de ser percorrida por dia e chegou aos seguintes números: Um navio antigo comum podia fazer 160 km por dia; a cavalo percorria-se cerca de 35 a 40 km por dia e a pé de 25 a 30 km. Provavelmente Antioquia tenha sido o berço do Evangelho de Mateus, segundo alguns especialistas. O Evangelho de Mateus pode ser considerado um manual de missões, especialmente o capítulo 10, intitulado “sermão missionário”. O Evangelho de Mateus é escrito num período de ruptura dentro da sinagoga judaica, o que provocou a saída dos judeus cristãos das sinagogas. A tendência inicial da Igreja de Mateus (Antioquia?) foi a de fechar-se, como uma sinagoga, mas logo o apelo missionário fez com que esta Igreja abrisse suas portas para a saída de missionários e a recepção de novos membros. Podemos concluir dizendo que o projeto da igreja cristã de Antioquia estava relacionado com a sua experiência, ou seja, uma comunidade aberta para receber os novos convertidos, seja qual for a nacionalidade; aberta também para enviar seus líderes em busca de outros povos, gente que precisava conhecer as Boas Novas.

 

 

 


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