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  • Lição 2 – Autoridade Soberana de Deus

    Lição 2 – Autoridade Soberana de Deus

    Deus

    INTRODUÇÃO

    Em parte alguma as Escrituras tratam de provar a existência de Deus mediante provas formais.

    Hebreus   1 1:6   “…   é   necessário   que aquele   que   se   aproxima   de   Deus  creia   que   ele   existe  e   que   se   torna   galardoador   dos   que   o buscam”

    O que se chega a Deus, creia que há Deus”, é o ponto inicial na relação entre o homem e Deus.

    Resposta ao Ateismo – “Eu quero crer em Deus; mostra-me que seja razoável crer nele.”

    1) O universo deve ter uma Primeira Causa ou um Criador. (Argumento cosmológico, da palavra grega “cosmos”, que significa “mundo”.)

    2) O desígnio evidente no universo aponta para uma Mente Suprema. (Argumento teleológico, de “Teleos”, que significa “desígnio ou propósito”.)

    3) A natureza do homem, com seus impulsos e aspirações, assinala a existência de um Governador pessoal. (Argumento antropológico, da palavra grega “anthropos”, que significa “homem”.)

    4) A história humana dá evidências duma providência que governa sobre tudo. (Argumento histórico.)

    5) A crença é universal. (Argumento do consenso comum.)

    1. AUTORIDADE REVELADA NOS SEUS NOMES

    Quem é, e que é Deus? A melhor definição é a que se encontra no Catecismo de Westminster:

    “Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.” A definição bíblica pode formular-se pelo estudo dos nomes de Deus. O “nome” de Deus, nas Escrituras, significa mais do que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome. (Êxo. 6:3; 33:19; 34:5, 6.) Adorar a Deus é invocar seu nome (Gên. 12:8); temê-lo (Deut. 28:58); louvá-lo (2 Sam. 22:50); glorificá-lo (Sal. 86:9); é sacrilégio tomar seu nome em vão. (Êxo. 20:7), ou profaná-lo ou blasfemá-lo (Lev. 18:21; 24:16). Reverenciar a Deus é santificar ou bendizer seu nome (Mat. 6:9). O nome do Senhor defende o seu povo (Sal. 20:1), e por amor do seu nome não os abandonará (1 Sam. 12:22).

    Os seguintes nomes de Deus são os mais comuns que encontramos nas Escrituras:

    Y AHWEH   e   Y AHWEH   TSEBHAOTH.   É   especialmente   no   nome  Yahweh,  que gradativamente  superou  os  nomes  anteriores,  que  Deus  se   revela   o  Deus  da  graça.   Sempre  foi tido   como   o  mais  sagrado  e  o  mais  distintivo  nome  de  Deus,  o   nome   incomunicável.   Os  judeus temiam supersticiosamente usá-lo, visto que liam Lv 24.16 como segue: “Aquele que mencionar o nome   de  Yahweh  será   morto”.   Daí,   ao   lerem   as   Escrituras,   substituíram-no   por  ‘Adonai  ou   por ‘Elohim;

    Elohim (traduzido “Deus”.) Esta palavra emprega-se sempre que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e a onipotência de Deus. Elohim é o Deus-Criador. A forma plural significa a plenitude de poder e representa a trindade.

    Jeová (traduzido “Senhor” na versão de Almeida.) Elohim, o Deus-Criador, não permanece alheio às suas criaturas. Observando Deus a necessidade entre os homens, desceu para ajudá-los e salvá-los; ao assumir esta relação, ele revela-se a si mesmo como Jeová , o Deus da Aliança. O nome JEOVÁ tem sua origem no verbo SER e inclui os três tempos desse verbo — passado, presente e futuro. O nome, portanto significa: Ele que era, que é e que há de ser; em outras palavras, o Eterno. Visto que Jeová é o Deus que se revela a si mesmo ao homem, o nome significa: Eu me manifestei, me manifesto, e ainda me manifestarei.

    O que Deus opera a favor de seu povo acha expressão nos seus nomes, e ao experimentar o povo a sua graça, desse povo então pode dizer-se: “conhecem o seu nome.” A relação entre Jeová e Israel resume-se no uso dos nomes encontrados nos concertos entre Jeová e seu povo. Aos que jazem em leitos de doença manifesta-se-lhes como JEOVÁ-RAFA, “o Senhor que cura” (Êxo. 15:26). Os oprimidos pelo inimigo invocam a JEOVÁ-NISSI, “o Senhor nossa bandeira” Êxo. 17:8-15). Os carregados de cuidados aprendem que ele é JEOVÁ-SHALOM, “o Senhor nossa paz” (Jui. 6:24). Os peregrinos na terra sentem a necessidade de JEOVÁ-RA’AH, “o Senhor meu pastor” (Sal. 23:1). Aqueles que se sentem sob condenação e necessitados da justificação, esperançosamente invocam a JEOVÁ-TSIDKENU, “o Senhor nossa justiça” (Jer. 23:6). Aqueles que se sentem desamparados aprendem que ele é JEOVÁ-JIREH, “o Senhor que provê” (Gên. 22:14). E quando o reino de Deus se houver concretizado na terra, será ele conhecido como JEOVÁ-SHAMMAH, “o Senhor está ali” (Ezeq. 48:35).

    El (Deus) é usado em certas combinações: EL-ELYON (Gên. 14:18-20), o “Deus altíssimo”, o Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses. EL-SHADDAI, “o Deus que é suficiente para as necessidades do seu povo” (Êxo. 6:3). EL-OLAM, “o eterno Deus” (Gên. 21:33).

    Adonai significa literalmente “Senhor” ou “Mestre” e dá a idéia de governo e domínio. (Êxo. 23:17; Isa. 10:16, 33.) Por causa do que Deus é e do que tem feito, ele exige o serviço e a lealdade do seu povo.Este nome no Novo Testamento aplica-se ao Cristo glorificado.

    Pai, emprega-se tanto no Antigo como no Novo Testamento. Em significado mais amplo o nome descreve a Deus como sendo a Fonte de todas as coisas e Criador do homem; de maneira que, no sentido criativo, todos podem considerar-se geração de Deus. (Atos 17:28.) Todavia, esta relação não garante a salvação. Somente aqueles que foram vivificados e receberam nova vida pelo seu Espírito são seus filhos no sentido intimo da salvação. (João 1:12, 13.).

    1. A AUTORIDADE REVELADA EM SEUS ATRIBUTOS

    Sendo Deus um ser infinito, é impossível que qualquer criatura o conheça exatamente como ele é. No entanto, ele bondosamente revelou-se mediante linguagem compreensível a nós. São as Escrituras essa revelação. Por exemplo, Deus diz acerca de si mesmo: “Eu sou Santo”; portanto, podemos afirmar: Deus é Santo. A santidade, então, é um atributo de Deus, porque a santidade é uma qualidade que podemos atribuir ou aplicar a ele. Dessa forma, com a ajuda da revelação que Deus deu de si mesmo, podemos regular os nossos pensamentos acerca de Deus. Qual a diferença entre os nomes de Deus e os seus atributos? Os nomes de Deus expressam as qualidades do seu ser inteiro, enquanto os seus atributos indicam vários aspectos do seu caráter. Muito se pode dizer de um ser tão grande como Deus, mas facilitaremos a nossa tarefa se classificar os seus atributos.

    Compreender a Deus em sua plenitude seria tão difícil como encerrar o Oceano Atlântico numa xícara; mas ele se tem revelado a si mesmo o suficiente para esgotar a nossa capacidade. A classificação seguinte talvez nos facilite a compreensão: 1. Atributos sem relação entre si, ou seja, o que Deus é em si próprio, à parte da criação. Estes respondem à pergunta: quais são as qualidades que caracterizavam a Deus antes que alguma coisa existisse? 2. Atributos ativos, ou seja, o que Deus é em relação ao universo. 3. Atributos morais, ou seja, o que Deus é em relação aos seres morais por ele criados.

    1. Atributos não relacionados (a natureza íntima de Deus).

    Espiritualidade. Deus é Espírito. (João 4:24). Deus é Espírito com personalidade; ele pensa, sente e fala; portanto, pode ter comunhão direta com suas criaturas feitas à sua imagem.

    Sendo Espírito, Deus não está sujeito as limitações às quais estão sujeitos os seres humanos dotados de corpo físico. Ele não possui partes corporais nem está sujeito às paixões; sua pessoa não se compõe de nenhum elemento material, e não está sujeito às condições de existência natural. Portanto, não pode ser visto com os olhos naturais nem apreendido pelos sentidos naturais. Isto não implica que Deus leve uma existência sombria e irreal, pois Jesus se referiu à “forma” de Deus. (João 5:37; vide Fil. 2:6.) Deus é uma Pessoa real, mas de natureza tão infinita que não se pode apreendê-lo plenamente pelo conhecimento humano, nem tampouco satisfatoriamente descrevê-lo em linguagem humana. “Ninguém jamais viu a Deus”, declara o apóstolo João (João 1:18; vide Êxo. 33:20); no entanto, em Êxo. 24:9,10 lemos que Moisés, e certos anciãos, “viram a Deus”. Nisto não há contradição; João quer dizer que nenhum homem jamais viu a Deus como ele é. Mas sabemos que o Espírito pode manifestar-se em forma corpórea (Mat. 3:16); portanto, Deus pode manifestar-se duma maneira perceptível ao homem. Deus também descreve a sua personalidade infinita em linguagem compreensível às mentes finitas; portanto, a Bíblia fala de Deus como ser que tem mãos, braços, olhos e ouvidos, e descreve-o como vendo, sentindo, ouvindo, arrependendo-se, etc. Mas Deus também é insondável e inescrutável. “Porventura… chegarás à perfeição do Todo-poderoso?” (Jo 11:7) — e nossa resposta só pode ser: “não temos com que tirar, e o poço é fundo” (João 4:11), usando a expressão da mulher samaritana.

    Infinitude. Deus é Infinito, isto é, não está sujeito às limitações naturais e humanas. A sua infinitude é vista de duas maneiras: (1) em relação ao espaço. Deus caracteriza-se pela imensidade (1 Reis 8:27); isto é, a natureza da Divindade está presente de modo igual em todo o espaço infinito e em todas as suas partes. Nenhuma parte existente está separada da sua presença ou de sua energia, e nenhum ponto do espaço escapa à sua influência. “Seu centro está em toda parte e sua circunferência em parte nenhuma.” Mas, ao mesmo tempo, não devemos esquecer que existe um lugar especial onde sua presença e glória são reveladas duma maneira extraordinária; esse lugar é o céu. (2) Em relação ao tempo, Deus é eterno. (Êxo. 15:18; Deut. 33:27; Nee. 5:5; Sal. 90:2; Jer. 10:10; Apoc. 4:8-10.) Ele existe desde a eternidade e existirá por toda a eternidade. O passado, o presente e o futuro são todos como o presente à sua compreensão. Sendo eterno, ele é imutável — “o mesmo ontem, hoje, e eternamente”. Esta é para o crente uma verdade confortadora, podendo assim descansar na confiança de que “O Deus da antiguidade é uma morada, e por baixo estão os braços eternos” (Deut. 33:27).

    Unidade. Deus é o único Deus. (Êxo. 20:3; Deut. 4:35,39; 6:4; 1 Sam. 2:2; 2 Sam. 7:22; 1 Reis 8:60; 2 Reis 19:15; Nee. 9:6; Isa. 44:6-8; 1 Tim. 1:17.) “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” Era esse um dos fundamentos da religião do Antigo Testamento, sendo também essa a mensagem especial a um mundo que adorava a muitos deuses falsos. Haverá contradição entre este ensino da unidade de Deus e o ensino da Trindade do Novo Testamento? É necessário distinguir entre duas qualidades de unidade — unidade absoluta e unidade composta. A expressão “um homem” traz a idéia de unidade absoluta, porque se refere a uma só pessoa. Mas quando lemos que homem e mulher serão “uma só carne” (Gên. 2:24), essa é uma unidade composta, visto que se refere à união de duas pessoas. Vide também Esd. 3:1; Ezeq. 37:17; estas referências bíblicas empregam a mesma palavra para significar “um só” (“echad” na língua hebraica) como se usa em Deut. 6:4. Existe outra palavra (“yachidh” no hebraico) que se usa para exprimir a idéia de unidade absoluta. (Gên. 22:2, 12; Amós 8:10; Jer. 6:26; Zac. 12:10; Prov. 4:3; Jui. 11:34.) A qual classe de unidade se refere Deut. 6:4? Pelo fato de a palavra “nosso Deus” estar no plural (ELOHIM no hebraico), concluímos que se refere à unidade composta. A doutrina da Trindade ensina a unidade de Deus como unidade composta, inclusive de três Pessoas Divinas unidas na essencial unidade eterna.

    2. Atributos ativos (Deus e o universo).

    Onipotência. Deus é onipotente. (Gên. 1:1; 17:1; 18:14; Êxo. 15:7; Deut. 3:24; 32:39; 1 Crôn. 16:25; Jo 40:2; Isa. 40:12-15; Jer. 32:17; Ezeq. 10:5; Dan. 3:17;4:35; Amós 4:13; 5:8; Zac. 12:1; Mat. 19:26; Apoc. 15:3; 19:6.) A onipotência de Deus significa duas coisas:

    1) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com a sua natureza. “Pois para Deus nada será impossível.” Isto naturalmente não significa que ele possa ou queira fazer alguma coisa contrária à sua própria natureza — por exemplo, mentir ou roubar; ou que faria alguma coisa absurda ou contraditória em si mesma, tal como fazer um circulo triangular, ou fazer água seca.

    2) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir. Mas sendo assim, por que se pratica o mal neste mundo? É porque Deus dotou o homem de livre arbítrio, cujo arbítrio Deus não violará; portanto, ele permite os atos maus, mas com um sábio propósito de, finalmente, dominar todo o mal. Somente Deus é Todo-poderoso e até mesmo Satanás nada pode fazer sem a sua permissão. (Vide Jó caps. 1 e 2.) Toda a vida é sustentada por Deus. (Heb. 1:3; Atos 17:25, 28; Dan. 5:23.) A existência do homem é qual som de nota de harmônio que soa enquanto os dedos comprimem as teclas. Assim, sempre que a pessoa peca, está usando o poder do próprio Criador para ultrajá-lo. Todo pecado é um insulto contra Deus.

    Onipresença. Deus é onipresente, isto é, o espaço material não o limita em ponto algum. (Gên. 28:15, 16; Deut. 4:39; Jos. 2:11; Sal. 139:7-10; Prov. 15:3,11; Isa. 66:1; Jer. 23:23,24; Amós 9:2-4,6; Atos 7:48,49; Efés. 1:23.)

    Qual a diferença entre imensidade e onipresença? Imensidade é a presença de Deus em relação ao espaço, enquanto onipresença é sua presença considerada em relação às criaturas. Para suas criaturas ele está presente nas seguintes maneiras:

    1) Em glória, para as hostes adoradoras do céu. (Isa. 6:1-3.)

    2) Eficazmente, na ordem natural. (Naúm 1:3.)

    3) Providencialmente, nos assuntos relacionados com os homens. (Sal. 68:7, 8.)

    4) Atentamente, àqueles que o buscam. (Mat. 18:19, 20; Atos 17:27.)

    5) Judicialmente, às consciências dos ímpios. ( Gên. 3:8; Sal. 68:1, 2.) O homem não deve iludir-se com o pensamento de que existe um cantinho no universo onde possa escapar à lei do seu Criador. “Se o seu Deus está em toda parte, então deve estar também no inferno”, disse um chinês a um cristão na China. “Sua ira sim está no inferno”, foi a pronta resposta.

    6) Corporalmente em seu Filho. “Deus conosco” (Col. 2:9).

    7) Misticamente na igreja. (Efés. 2:12-22.)

    8) Oficialmente, com seus obreiros. (Mat. 28:19, 20.) Embora Deus esteja em todo lugar, ele não habita em todo lugar. Somente ao entrar em relação pessoal com um grupo ou com um indivíduo se diz que ele habita com eles.

    Onisciência. Deus é onisciente, porque conhece todas as coisas. (Gên. 18:18,19; 2 Reis 8:10,13; 1 Crôn. 28:9; Sal. 94:9; 139:1-16; 147:4-5; Prov. 15:3; Isa. 29:15,16; 40:28; Jer. 1:4-5; Ezeq. 11:5; Dan.2:22,28; Amós 4:13; Luc. 16:15; Atos 15:8, 18; Rom. 8:27, 29; 1 Cor. 3:20; 2 Tim. 2:19; Heb. 4:13; 1 Ped. 1:2; 1 João 3:20.) O conhecimento de Deus é perfeito, ele não precisa arrazoar, ou pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente — seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo.

    Há grande conforto na consideração deste atributo. Em todas as provas da vida o crente tem a certeza de que “vosso Pai celestial sabe” (Mat. 6:8). A seguinte dificuldade se apresenta a alguns: sendo Deus conhecedor de todas as coisas, ele sabe quem se perderá; portanto, como pode essa pessoa evitar o perder-se? Mas a presciência de Deus sobre o uso que a pessoa fará do livre arbítrio não obriga a escolher este ou aquele destino. Deus prevê sem intervir.

    Sabedoria. Deus é sábio. (Sal. 104:24; Prov. 3:19; Jer. 10:12; Dan. 2:20,21; Rom. 11:33; 1 Cor. 1:24, 25, 30; 2:6, 7; Efés. 3:10; Col. 2:2, 3.) A sabedoria de Deus reúne a sua onisciência e sua onipotência. Ele tem poder para levar a efeito seu conhecimento de tal maneira que se realizem os melhores propósitos possíveis pelos melhores meios possíveis. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo. “Ele fez tudo bem.” Esta ação da parte de Deus, de organizar todas as coisas e executar a sua vontade no curso dos eventos com a finalidade de realizar o seu bom propósito, chama-se Providência. A divina providência geral relaciona-se com o universo como um todo; sua providência particular relaciona-se com os detalhes da vida do homem.

    Soberania. Deus é soberano, isto é, ele tem o direito absoluto de governar suas criaturas e delas dispor como lhe apraz. (Dan. 4:35; Mat. 20:15; Rom. 9:21.) Ele possui esse direito em virtude de sua infinita superioridade, de sua posse absoluta de todas as coisas, e da absoluta dependência delas perante ele para que continuem a existir. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão, censurar os seus caminhos. Observa D. S. Clarke: A doutrina da soberania de Deus é uma doutrina muito útil e animadora. Se fosse para escolher, qual seria preferível — ser governado pelo fatalismo cego, pela sorte caprichosa, pela lei natural irrevogável, pelo “eu” pervertido e de curta visão, ou ser governado por um Deus sábio, santo, amoroso e poderoso? Quem rejeita a soberania de Deus, pode escolher ser governado dentre o que sobra.

    3. Atributos morais (Deus e as criaturas morais).

    Passando em revista o registro das obras de Deus para com os homens, aprendemos que:

    Santidade. Deus é santo. (Êxo. 15:11; Lev. 11:44, 45; 20:26; Jos. 24:19; l Sam. 2:2; Sal. 5:4; 111:9; 145:17; Isa. 6:3; 43:14,15; Jer. 23:9; Luc. 1:49; Tia. 1:13; 1 Ped. 1:15, 16; Apoc. 4:8; 15:3, 4.) A santidade de Deus significa a sua absoluta pureza moral; ele não pode pecar nem tolerar o pecado. O sentido original da palavra “santo” é “separado”. Em que sentido está Deus separado? Ele está separado do homem no espaço — ele está no céu, o homem na terra. Ele está separado do homem quanto à natureza e caráter — ele é perfeito, o homem é imperfeito; ele é divino, o homem é humano; ele é moralmente perfeito, o homem é pecaminoso. Vemos, então, que a santidade é o atributo que mantém a distinção entre Deus e a criatura. não denota apenas um atributo de Deus, mas a própria natureza divina. Portanto, quando Deus se revela a si mesmo de modo a impressionar o homem com a sua Divindade, diz-se que ele se santificou (Ezeq. 36:23; 38:23), isto é, “revela-se a si mesmo como o Santo”. Quando os serafins descrevem o resplendor divino que emana daquele que está sentado sobre o trono, exclamam: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” (Isa. 6:3). Diz-se que os homens santificam a Deus quando o honram e o reverenciam como Divino. (Num. 20:12; Lev. 10:3; Isa. 8:13.) Quando o desonram, pela violação de seus mandamentos, se diz que “profanam” seu nome — que é o contrário de santificar seu nome. (Mat. 6:9.) Somente Deus é santo em si mesmo. Descrevem-se desta maneira o povo, os edifícios, e objetos santos porque Deus os fez santos e os tem santificado. A palavra “santo”, quando se aplica a pessoas ou a objetos, é termo que expressa relação com Jeová — pelo fato de estar separado para o seu serviço. Sendo separados, os objetos precisam estar limpos; e as pessoas devem consagrar-se e viver de acordo com a lei da santidade. Esses fatos constituem a base da doutrina da santificação.

    Justiça. Deus é justo. Qual a diferença entre a santidade e a justiça? “A justiça é santidade em ação”, esta é uma das respostas. A justiça é a santidade de Deus manifesta no tratar retamente com suas criaturas. “não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gên. 18:25). A justiça é obediência a uma norma reta; é conduta reta em relação a outrem. Quando é que Deus manifesta este atributo?

    1) Quando livra o inocente, condena o ímpio e exige que se faça justiça. Deus julga, não como o fazem os juízes modernos, que baseiam seu julgamento sobre a evidência apresentada perante eles por outrem. Deus mesmo descobre a evidência. Desta maneira o Messias, cheio do Espírito Divino, não julgará “segundo a vista dos seus olhos, nem reprovar segundo o ouvir dos seus ouvidos”, mas julgará com justiça. (Isa. 11:3.)

    2) Quando perdoa o penitente. (Sal. 51:14; 1 João 1:9; Heb. 6:10.)

    3) Quando castiga e julga seu povo. (Isa. 8:17; Amós 3:2.)

    4) Quando salva seu povo. A interposição de Deus a favor do seu povo se chama sua justiça. (Isa. 46:13; 45:24,25.) A salvação é o lado negativo, a justiça é o positivo. Ele livra seu povo dos seus pecados e de seus inimigos, e o resultado é a retidão de coração. (Isa. 51:6; 54:13; 60:21; 61:10.)

    5) Quando dá vitória à causa de seus servos fiéis. (Isa. 50:4-9.) Depois de Deus haver libertado seu povo e julgado os ímpios então teremos “novos céus e uma nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). Deus não somente trata justamente como também requer justiça. Mas que sucederá no caso de o homem haver pecado? Então ele graciosamente justifica o penitente. (Rom. 4:5.) Esta é a base da doutrina da justificação.Notar-se-á que a natureza divina é a base das relações de Deus para com os homens. Como ele é, assim ele opera. O Santo santifica, o Justo justifica.

    Fidelidade. Deus é fiel. Ele é absolutamente digno de confiança; as suas palavras não falharão. Portanto, seu povo pode descansar em suas promessas. (Êxo. 34:6; Num. 23:19; Deut. 4:31; Jos. 21:43-45; 23:14; 1 Sam. 15:29; Jer. 4:28; Isa. 25:1; Ezeq. 12:25; Dan. 9:4; Miq. 7:20; Luc. 18:7,8; Rom. 3:4; 15:8; 1 Cor. 1:9; 10:13; 2 Cor. 1:20; 1Tess. 5:24; 2 Tess. 3:3; 2 Tim. 2:13; Heb. 6:18; 10:23; 1 Ped. 4:19; Apoc. 15:3.)

    Misericórdia. Deus é misericordioso. “A misericórdia de Deus é a divina bondade em ação com respeito às misérias de suas criaturas, bondade que se comove a favor deles, provendo o seu alivio, e, no caso de pecadores impenitentes, demonstrando paciência longânima” (Hodges). (Tito 3:5; Lam. 3:22; Dan. 9:9; Jer. 3:12; Sal. 32:5; Isa. 49:13; 54:7.) Uma das mais belas descrições da misericórdia de Deus encontra-se no Salmo 103:8-18. O conhecimento de sua misericórdia toma-se a base da esperança (Sal. 130:7) como também da confiança (Sal. 52:8). A misericórdia de Deus manifestou-se de maneira eloqüente ao enviar Cristo ao mundo. (Luc. 1:78.)

    Amor. Deus é amor. O amor é o atributo de Deus em razão do qual ele deseja relação pessoal com aqueles que possuem a sua imagem e, mui especialmente, com aqueles que foram santificados em caráter, feitos semelhantes a ele. Notamos a descrição do amor de Deus (Deut. 7:8; Efés. 2:4; Sof. 3:17; Isa. 49:15, 16; Rom. 8:39; Osé. 11:4; Jer. 31:3); notamos a quem é manifestado (João 3:16; 16:27; 17:23; Deut. 10:18); notamos como foi demonstrado (João 3:16; 1 João 3:1; 4:9, 10; Rom. 9:11-13; Isa. 38:17; 43:3, 4; 63:9; Tito 3:4-7; Efés. 2:4, 5; Osé. 11:4; Deut. 7:13; Rom. 5:5).

    Bondade. Deus é bom. A bondade de Deus é o atributo em razão do qual ele concede vida e outras bênçãos às suas criaturas. (Sal. 25:8; Naúm 1:7; Sal. 145:9;Rom. 2:4; Mat. 5:45; Sal. 31:19; Atos 14:17; Sal. 68:10; 85:5.)

  • Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    tentaçãoTENTAÇÃO

    Esboço:

    I. Definição

    lI. O Dilema Humano

    Ill, Deus é Fiel

    IV. A Vitória é Possivel

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação?

    VI. Meios para Escapar

    1 Cor. 10: 13: Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.

    I. Definição

    Há uma palavra hebraica e duas palavras gregas, envolvidas neste verbete, a saber:

    1. Massah, “teste”. “provação”. Palavra hebraica usada por cinco vezes. Deu. 4:34; 7:19; 29:3;, SaL 95:8; Jó 9:23.

    2.    Peirasmôs, “teste”, “prova”. Palavra grega usada por vinte vezes: Mal. 6:13; 26:41; Mar. 14:38; Luc. 4:13; 8:13; 11:4; 22:28,40,46; Atos 20:19; 1 Cor. 10:13; Gál. 4:14; 1, Tim. 6:9; Heb. 18; Tiago.1:2,12; 1 Ped. 1:6; 11 Ped. 2:9 e Apo.3:10.

    3. Peirázo, ”testar”, “submeter à prova”. Vocábulo grego que ocorre por trinta e seis vezes: Mal. 4:1,3; 16:1; 19:3; 22:18,35; Mar. 1:13; 8:11; 10:2; 12:15; Luc. 4:2; 11:16; João 6:6; 8:6; Atos 5:9; 9:26; 15:10; 16:7; 24:6; 1 Cor. 7:5; 10:9,13; 11 Cor. 115; GáI. 6:1; 1 Tes. 3:5; Heb. 2:18; 3:9

    (citando Sal. 95:9); 4:15; 11:17,37; Tia. 1:13,14; Apo.12,10; 3:10.

    4.    No original grego, tentação é “peirasmos”, que significa “teste”, “provação”, “tentação para a prática do mal”. Esse vocabulário pode incluir ou não a idéia de alguma questão moral envolvida. Pode simplesmente indicar um teste difícil, uma prova, e não alguma tentação tendente à prática

    do mal, uma incitação ao pecado. Por outro lado, essa palavra pode envolver a idéia de incitação ao pecado. Essa foi exatamente a palavra utilizada pelo Senhor Jesus, em sua oração, no trecho de Mat. 6:13, onde ele diz: ” … e não nos deixeis cair em tentação…”. É também o mesmo termo usado para indicar as tentações que Satanás lançou contra o Senhor Jesus, no deserto (ver Luc. 4: 13). Na passagem de Tiago. 1:12 essa mesma palavra é empregada para indicar, bem definidamente, a tentação à prática do mal.

    É lógico acreditarmos, por conseguinte, que a tentação referida neste versículo tem por intuito incluir questões tanto “morais” como “amorais”, isto é, tentações para a prática do pecado (o que é evidente no próprio contexto), mas igualmente, certos períodos de dificuldades, o que também se evidencia quando consideramos, no contexto, o que Paulo mesmo esperava para o fim desta era, refletindo uma doutrina judaica comum, de que haveria um período geral de tribulações, em todos os sentidos, quando se aproximasse o fim da presente dispensação (ver 1 Ped. 4: 12 e Apo. 3: 10 quanto a essa mesma idéia, nas páginas do N.T.).

    Deus não tenta a homem algum para a prática do mal (ver Tiago. 1:12), embora ele permita que as tribulações nos sobrevenham (ver Mal. 6: 13), e destas últimas o Senhor Jesus orou pedindo livramento. Satanás foi capaz de tentar ao Senhor Jesus com o mal; nada disso o diabo jamais teria podido  fazer, sem a permissão divina.

    11.O Dilema Humano

    Condição humana. As tentações (induções) à prática do mal ou “tribulações” são “humanas”. Isso significa apenas que pertencem aos homens, comuns a seu nível, comuns à sua experiência terrena, pelo que também não podem ser algo extraordinário e avassalador para nós. Desde o princípio da história humana, os homens têm sofrido das mesmas formas de testes; não existem tribulações novas,

    que nos surpreendam devido à sua novidade. Os homens da antiguidade foram atingidos por toda a sorte de desastres. Outro tanto sucede conosco. Os homens antigos foram vitimados por todas essas calamidades; e outro tanto pode suceder conosco. As tentações vitimaram os homens antigos; e podem vitimar-nos se não exercermos a autodisciplina. Contudo, as tentações que nos assediam são

    adaptadas para as forças humanas, para as condições humanas. Temos sido armados com os meios que nos capacitem a derrotar tais tentações; e assim poderemos fazê-lo, se nos valermos dos meios postos à nossa disposição. Podemos ser vitoriosos ou totalmente derrotados elas tentações; podemos ser até mesmo destruídos, espiritualmente falando, ou podemos usá-las como degraus que nos elevam a um desenvolvimento espiritual mais elevado. Podemos encontrar homens pertencentes a ambas as categorias, na Igreja cristã. Não parece que Paulo estivesse contrastando duas formas de tentação, a humana e a demoníaca, porquanto até mesmo as tentações demoníacas assaltam os crentes, conforme aprendemos em Efé, 6:12 e ss.

    Não obstante, sem importar a fonte de onde elas provêm, continuam sendo humanas, no sentido que são comuns à experiência humana, não transcendendo ao poder da vontade humana, contanto que o homem seja ajudado pelo Espirito Santo.

    O apóstolo dos gentios, portanto, dizia que podemos triunfar; mas que esse triunfo não é necessariamente

    inevitável ou fácil. A experiência humana mostra-nos que tal vitória não é fácil.

    111. Deus é Fiel

    Ele é fiel pelas razões expostas; em seguida Ele exerce controle sobre todas as tentações que sobrevêm ao crente em sua vida, Ele permite somente aquelas tentações que podem ser toleradas, sem importar se essas assumem a forma de testes, de sofrimentos, de perseguições ou de incitações para a prática do mal. Além disso, Deus provê sempre um meio de escape, quando somos assediados pelas tentações, desviando aquelas outras que, de modo algum, poderíamos suportar. Sim, Deus é fiel no sentido de “digno de confiança”, como alguém em quem se pode confiar, no que diz respeito a essa questão das tentações.

    IV. A Vitória é Possível

    Não sejais tentados além das vossas forças. Um crente conta com reservas de forças até mesmo para enfrentar os poderes espirituais malignos. Não obstante, compete-lhe utilizar-se de certos meios para desenvolver esses recursos, a fim de que possa usá-los prontamente quando isso se tomar necessário.

    Precisa ter certo nível de espiritualidade, desenvolvido mediante a oração, a meditação, a comunhão com o Espírito Santo, a transformação segundo a imagem moral de Cristo. O próprio Cristo é o exemplo supremo das reservas de forças espirituais que resguardam o homem de Deus contra qualquer modalidade de tentação. As passagens de Heb. 2: 18 e 4: 15 mostram-nos que Jesus foi tentado em todos os pontos em que também o somos, embora jamais tivesse cedido ao pecado. Cristo Jesus não pecou, não porque não pudesse fazê-lo; pois, nesse caso, não serviria de exemplo e de consolo para nós. Mas não pecou porque o seu desenvolvimento espiritual, através da presença do Espírito Santo, era tão grande que foi capaz de resistir às formas mais variegadas e difíceis de tentação, incluindo a “incitação ao pecado”, as tribulações”, as “perseguições”, e os “momentos difíceis”.

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação

    1. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral. Mas, uma vez que lhe oferecemos resistência, isso melhora a qualidade moral do nosso ser. Aquele hino que diz: “Cada vitória te ajudará a outra vitória conquistar”, encerra grande verdade.

    2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a “coroa da vida”, e isso por promessa de Deus (ver Tia. 1: 12).

    3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mal. 5:48 eliTes. 2:13). Por conseguinte, a transformação moral é que nos leva à transformação metafisica, dentro da qual chegamos a compartilhar da própria natureza do Filho (ver li Cor. 3:18).

    4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudam em nosso desenvolvimento espiritual, Tiago expressou essa mesma idéia de maneira um tanto mais poética, ao dizer: Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam (Tia. I: 12). Sim, a verdadeira bem-aventurança espiritual é conferida ao homem digno de receber a coroa da vida, isto é, o dom da vida eterna, com a consequente participação em tudo quanto Cristo é e tem, a glorificação em Cristo. A resistência às tentações, em suas variegadas formas, aumenta o poder do crente. Mas ceder ante as mesmas destrói as defesas espirituais dos remidos.

    VI. Meios para Escapar

    No original grego temos “o livramento”, com o artigo definido, o que certamente indica o meio de escape. Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza. O “meio de escape” é sempre adaptado a cada circunstância. O pecado se faz presente e é poderoso; nenhum indivíduo escapa à tentação à prática do mal. Mas esse não é o “escape” prometido. Testes de ordem física e espiritual, grandes tragédias, são acontecimentos poderosos, debilitadores, desencorajadores, algumas vezes avassaladores; mas Deus sempre se mantém próximo do crente. Paulo promete aqui alguma ajuda divina em cada caso, embora não especifique exatamente o que devemos esperar. E essa ajuda será tão variegada como as tribulações.

    “Ele (Deus) conhece os poderes que nos conferiu, bem como quanta pressão somos capazes de resistir”. Deus ordena as provações de tal modo que ‘sejamos capazes de suportá-las’. O ‘poder’ é conferido paralelamente com a tentação, embora a resistência não nos seja proporcionada; essa resistência depende de nós mesmos”, (Robertson e Plummer,).

    A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o ‘escape’ só aparece através da ‘resistência’ e da persistência do crente.

    ” … de sorte que a possais suportar….”. Notemos que não nos é dado o “escape” por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o “escape” porque estamos livres da tribulação. Antes, esse “escape” nos é proporcionado ‘porque’ temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial.

    “Com freqüência, o único ‘escape’ se verifica através da ‘resistência’. Ver Tia. I: 12”. (Vincent, in loc.).

    Fechem-se em um ‘cul de sac’ os desesperos de um homem; mas que ele veja uma porta aberta para sua saída; e ele continuará lutando, levando a sua carga.

    A palavra grega ekbasis (escape) significa saída, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece upengkein (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira.

    Fonte: Norman Champlin

     

     

     

  • Lição 04 – Aprendendo a confiar em Jesus

    Texto Bíblico Básico

    Mateus 6.25,28-34

    Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos(ansiosos) quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo [mais] do que o vestuário?E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos [vestirá] muito mais a vós, [homens] de pouca fé?  Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas [coisas] vos serão acrescentadas.Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a [cada] dia o seu mal.

    Analisando o Texto Bíblico Básico

    Aqueles que não possuem recursos podem acabar sendo vítimas da preocupação causada pela falta de fé então o   Senhor Jesus nos orienta a não estarmos demasiadamente preocupados (ansiosos e angustiados) com as coisas básicas para a vida. Entre elas ele destaca vestes e alimentos e afirma que Deus irá suprir estas nossas necessidades, até por que ficar preocupado com estas coisas pode  1º danificar sua saúde,  2º dar lugar para que o objeto de sua angústia consuma seus pensamentos, 3º diminuir sua produtividade, 4º afetar negativamente a forma em que você trata a outros, e 5º reduzir sua capacidade de confiar em Deus.

    E bom ressaltar que aqui também não há uma proibição de previdência ou planejamento (confira com I Tm. 5:8; Pv. 6:6-8; 30:25), mas de ansiedade sobre necessidades básicas e diárias.

    Paulo tem uma palavra tranquilizadora: “Meu Deus suprira cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4:19).

    O antidoto de Deus para a preocupação, ansiedade, amor as coisas materiais, e muito simples confiar num Deus fiel. Deus ainda não falhou com seus filhos. Portanto, nao se escravize aos bens materiais de tal maneira que o amor a eles produza ansiedade em sua vida. Antes, confie em que o Pai amoroso cumprira o que prometeu. “Meu Deus, segundo a sua riqueza em gloria, ha de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4:19).

    “Procurar o reino de Deus e sua justiça” significa procurar sua ajuda em primeiro lugar, saturar nossos pensamentos com seus desejos, tomar seu caráter como modelo e lhe servir e lhe obedecer em tudo. O que é o mais importante para você? Haverá pessoas, objetos, metas e outros desejos que compitam quanto a prioridade. Qualquer destes pode tirar Deus do primeiro lugar se você não decidir enfaticamente lhe dar o primeiro lugar em todos os aspectos de sua vida.

    Texto Áureo

     

    1Pe 5:7 …lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

    A ansiedade é considerada pelos psicólogos como um dos grandes males que assolam a nossa sociedade contemporânea. Como o maior psicólogo da história Jesus em seu sermão no monte analisa a origem, a causa e como enfrentar e vencer está inquietude da alma humana. Somos sempre convidados pela Escritura Sagrada a pensar para depois agir.

    I)COMPREENDENDO A ANSIEDADE

    A palavra Ansiosos usada por Jesus em Mt 6.25, vem do grego “ME MERIMNATE”, que significa “Estar indevidamente preocupado, ter ansiedade ou estar em ansiedade desnecessária”. Originalmente tem o sentido de “Distrair”, ficando subentendido a idéia de “Duplicidade”. A idéia básica é que a mente procura seguir em duas direções ao mesmo tempo, resultando em confusão e certa dose de sofrimento. Está palavra originalmente também foi usada quando Marta estava distraída com o seu serviço e não valorizou a presença de Jesus em sua casa (Lc 10.40). Na parábola do semeador quando a semente e abafada com os cuidados, riquezas e deleites da vida (Lc 8.14). O apóstolo Paulo finalizando a sua epistola aos cristãos em Filipos os exorta a fugir da ansiedade (Fp 4.6). No dicionário de medicina, a ansiedade é o termo usado para definir apreensão de perigo e temor, acompanhada por inquietude, tensão, taquicardia e dispnéia não ligada a um estímulo claramente identificável. No idioma inglês é “WORRY” que tem origem no anglo saxônico e significa “Estrangular ou Sufocar”. A ansiedade é a sensação desagradável e sufocante que experimentamos em momentos de medo, aborrecimentos ou problemas.

    II) ALGUNS TIPOS DE ANSIEDADES:

    2.1. ANSIEDADE AGUDA – Aparece de repente, vem com grande intensidade, mas de pequena intensidade.

    2.2. ANSIEDADE CRÔNICA – É persistente e de longa duração, mas de pequena intensidade.

    2.3. ANSIEDADE NORMAL – Manifesta-se quando existe uma ameaça real ou uma situação de perigo. Ela pode ser controlada e reduzida, quando as circunstâncias exteriores se modificam.

    2.4. ANSIEDADE NEURÓTICA – Sentimentos exagerados de desespero e medo, mesmo quando o perigo é pequeno ou inexistente.

    2.5. ANSIEDADE MODERADA – É desejável e sadia. Motiva e ajuda as pessoas a evitarem situações de perigo, levando a um aumento da eficiência.

    2.6. ANSIEDADE INTENSA – Pode diminuir o período de atenção, dificultar a concentração, afetar negativamente a memória, prejudicar a capacidade de realização, interferir na solução de problemas, bloquear a comunicação eficaz, despertar o sentimento de pânico e algumas vezes causar sintomas físicos desagradáveis, tais como paralisia ou terrível dor de cabeça.

    III) ALGUMAS CAUSAS POSSIVEIS DA ANSIEDADE:

    3.1. SOCIAIS – Cuidado excessivo com a vida, acumulo de bens, dividas, ameaças, separação, guerra e violência.

    3.2. EMOCIONAIS – Medo, insegurança, desesperança, preocupações excessivas, baixa auto-estima.

    3.3. DROGAS – Licitas ou ilícitas.

    3.4. ESPIRITUAIS – Fé vacilante.

    3.5. PROFISSIONAL – Questionamento da sua competência, desemprego, etc…

    IV) ALGUNS SINTOMAS DA ANSIEDADE:

    4.1. FISICOS – Sudorese, fadiga, cefaléia, taquicardia e nervosismo.

    4.2. EMOCIOMAIS – Medo, gagueira, tremores, tiques faciais, palpitações, confusão mental

    Dificuldade para relaxar e insônia.

    4.3. ESPIRITUAIS – Dificuldade para orar e estudar a Bíblia.

    V) TRATAMENTO PARA ANSIEDADE:

    Em alguns casos procurar um especialista, usar remédio, caminhada, leitura de bons livros.

    VI) DIAGNÓSTICO DE JESUS SOBRE A ANSIEDADE:

    6.1. AS CAUSAS DA ANSIEDADE:

    6.1.1. A ansiedade é gerada por causa da preocupação com as necessidades básicas da vidaPor isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir” (Mt 6.25). Isto é uma verdade comprovada no dia a dia da nossa sociedade as pessoas ficam densas, preocupadas e amedrontadas diante das suas necessidades. O Mestre não ensina o descuido com a vida, mas o perigo excessivo com as necessidades que rouba o prazer de desfrutar da vida. A ansiedade segundo as Escrituras Sagradas é um mal que afetaria a humanidade nos últimos dias (Lc 21.25,26; 17.26-28).

    6.1.2. A ansiedade é a preocupação com o futuro “Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã” (Mt 6.34). Toda a ansiedade esta relacionada com o amanhã, mas é experimentada no hoje. Ficamos preocupados no hoje sobre alguma coisa que pode acontecer no futuro. Precisamos aprender a viver o hoje confiando na infinita misericórdia de Deus para com a nossa vida amanhã.

    6.1.3. A ansiedade pode estar fundamentada em uma impossibilidade “Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida?” (Mt 6.27). A ansiedade nos leva ao nosso limite de acharmos que podemos alterar uma situação que se apresenta diante das nossas vidas. O evangelista Lucas acrescenta que Jesus ensinou que o homem não pode fazer nada para mudar as coisas mínimas em sua vida (Lc 12.25,26), sendo necessário procurar uma vida com Deus. A ansiedade não altera as condições da vida e nem aumenta a sua duração. O côvado era usado como medida linear, mas também como medida de tempo, nesta passagem está relacionada ao tempo.

    6.1.4. A ansiedade é uma emoção que precisamos aprender a não aceitar “Portanto, não andeis ansiosos, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: com que nos vestiremos?” (Mt 6.31). Jesus não ensina uma simples negação de palavra, mas nos inspira a atitudes que nos levarão a triunfar sobre a nossa inquietação, começando no esforço de não aceitar a ansiedade.

    6.2. COMO ENFRENTAR A ANSIEDADE:

    6.2.1. A ansiedade se vence com a fénão vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé” (Mt 6.30). A fé triunfa sobre as preocupações que querem nos sufocar. Observe que ela pode ser pequena mais deve se desenvolver até possuirmos muita fé (Mt 8.10) e chegarmos a possuir uma grande fé (Mt 15.28).

    6.2.2. Mudando o nosso hábito (Mt 6.33,34). Nestes versículos Jesus nos ensina a mudar os nossos hábitos, o ansioso busca as suas necessidades enquanto os servos de Deus aprenderam a buscar em primeiro lugar o Reino e a sua justiça e descansar na provisão diária de Deus para a sua vida. Na verdade não seremos omissos com os nossos deveres e necessidades, mas não permitiremos que a nossa vida gire em torno das nossas necessidades, mas em Deus.

    6.2.3. Aprendendo a confiar no cuidado de Deus por nossas vidas (Mt 6.26-30). Jesus usa o método áudio visual para trazer um profundo ensino sobre o cuidado de Deus para com a sua criação. Deus cuida de todos os animais providenciando sustento (Sl 104.10-30), sustenta as estrelas com o seu poder (Is 40.26) e tudo que vive nos céus, mares e terra com vida (Ne 9.6). Assim todo o salvo pode descansar na provisão de Deus para a sua vida (Sl 37.25; Fp 4.19).

    6.2.4. Nunca esquecer que servimos a Deus que é o nosso Pai (Mt 6.30,32). A nossa preocupação nunca pode roubar a nossa convicção que não estamos sozinhos, mas que estamos protegidos pelo nosso Pai que conhece as nossas necessidades (Mt 6.8), que por estar no céu supre o nosso pão de cada dia (Mt 6.9,10) e assim é poderoso para dar o melhor para os seus filhos (Mt 7.9-11). Ainda hoje podemos ouvir a doce voz de Jesus dizendo “Não temas, ó pequeno rebanho, pois a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lc 12.32).

    6.2.5. Mudança de foco na vida (Mt 6.25,31,33) – Jesus deixa evidente que o foco errado pode nos desgastar e estressar produzindo o medo em relação ao futuro. Quando aprendemos a focar naquilo que produzirá descanso então as pressões da vida serão controladas e viveremos triunfantemente.

    6.2.6. Somos igreja e não gentiosPois os gentios procuram todas estas coisas. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas” (Mt 6.32). O termo gentio era usado em relação a pessoas de outras nacionalidades que não fosse à israelita. Nesta passagem corresponde a todas as pessoas que não servem a Deus, sendo comparadas por Isaias como o mar agitado que não possui paz (Is 57.20,21). Como igreja precisamos vigiar, pois estamos na última hora para o glorioso enlace matrimonial e não podemos deixar que a ansiedade venha nos controlar como o Mestre nos alertou (Lc 21.34).  Precisamos compreender que estamos debaixo do amor e provisão divina e não precisamos como os ímpios vivermos oprimidos pelas necessidades da vida.

    6.2.7. Precisamos contemplar aquilo que Deus tem feito em nosso favor (Mt6.26,28).  Jesus chama a atenção para que nunca venhamos tirar os nossos olhos das suas gloriosas provisões e assim leva os seus discípulos a visualizar com cuidado as suas provisões no dia a dia na natureza.

    3. PERIGOS DA ANSIEDADE:

    3.1. A preocupação que produz dor e sofrimento – Mt 6.34.

    3.2. Rouba e impede o desenvolvimento da nossa fé – Mt 6.30,31; Lc 8.14.

    3.3. Ficamos distraídos – Mt 6.25,28,31; Lc 10.40,41.

    3.4. Perda de tempo – Mt 6.27; Ef 5.15,16.

    3.5. Inquietação – Lc 12.29; Jó 30.27.

    3.6. Confusão diante do amanhã – Mt 6.34; Is 30.15.

    3.7. Abatimento e doenças – Mt 6.25; Pv 12.25; 17.22.

    VII) PRINCIPIOS BÍBLICOS PARA TRIUNFAR SOBRE A ANSIEDADE:

    7.1. Pratique a oração – Fp 4.6.

    7.2. Cultive a alegria – Fp 4.4; Pv 15.13,15; 17.22.

    7.3. Pratique a moderação na vida – Fp 4.5.

    7.4. Viva em paz- Fp 4.7.

    7.5. Cultive pensamentos virtuosos – Fp 4.8.

    7.6. Aprenda a viver com as situações adversas – Fp 4.11-13.

    7.7. Confie em Deus – Sl 37.3.

    7.8. Agrada-te do Senhor – Sl 37.4.

    7.9. Entregue o teu caminho ao Senhor – Sl 37.5.

    7.10. Descansa no Senhor – Sl 37.7.

    7.11. Centralizar o pensamento em Deus – Is 26.3.

    7.12. Cultive a esperança – Lm 3.19-21.

    7.13. Entregue a Deus toda a sua ansiedade – 1Pe 5.7; Sl 55.22.

    7.14. Concentre-se na solução e não no problema – Mt 14.22,23.

    7.15. Vença o medo com Deus – Is 41.10.

    7.16. Glorifique a Deus em tudo – Cl 3.17.

    7.17. Precisamos confiar os nossos projetos a Deus – Tg 4.13-17.

    7.18. Confie no sustento do Senhor – Dt 8.

    7.19. Escolha a melhor parte estar com Jesus – Lc 10.41,42; Sl 27.4.

    7.20. Uma mente abundante com a Palavra de Deus – Cl 3.16.

    CONCLUSÃO: Somos bem aventurados porque podemos pautar a nossa caminhada diária nos gloriosos ensinos de Jesus.

     

  • Lição 3 – Aprendendo a perdoar com Jesus

    1. Palavras Envolvidas

    No hebraico, temos a considerar quatro palavras, e,no grego, também quatro, a saber: ”

    1. Salach , perdoar… Verbo “hebraico usado por quarenta e seis vezes, conforme se vê, por exemplo, em Núm. 30:5,8,12; I Reis 8:30,34,35,39,50; 11 c-e. 6:21,25,27,30,39; Sal. 103:3; Jer. 31:34; 36:3; Dan.9:19; Amôs 7:2.

    2. Sallach, perdão. Substantivo hebraico usado por uma vez: Sal. 86:5.

    3. Kaphar, cobrir. Palavra hebraica usada por cerca de dez vezes com o sentido de “perdoar.., embora seja palavra traduzida, principalmente, por  expiar… Ver, por exemplo, Sal. 78:38; ler. 18:23;Deut. 21:8; II c-e. 30:18; Lev. 8:15; Eze. 45:15,17; Dan.9:24.

    4. Nasa, levantar.., perdoar. Palavra hebraica usada por cerca de treze vezes com o sentido de «perdoar..: Gên, 50:17; Êxo, 10:17; 32:32; 34:7; Núm. 14:18,19; I Sam.25:28; Sal. 25:18; 85:2; Isa. 2:9.

    5. Apbiemi, deixar ir.., «perdoar… Termo grego usado por cento e quarenta e cinco vezes no NT, desde Mat. 3:15 até Apo. 11:9.

    6. Âphesis, perdão.  Substantivo grego empregado por dezessete vezes: Mat. 26:28; Mar. 1:4; 3:29; Luc.1:77; 3:3; 4:18 (citando Isa. 61:1); 4:18 (citando Isa, 58:6); 24:7; Atos 2:38; 5:31; Efe. 1:7; Cal. 1:14; Heb.9:22; 10: 18.

    7. Charizomai, ser gracioso com.., uma palavra grega utilizada por vinte e duas vezes: Luc. 7:21,42,43; Atos 3:14; Rom, 8:32; I Cor. 2:12; 11 Cor. 2:7,10; Gál. 3:18; Efé. 4:32; Fil. 2:9; Col. 2:13; 3: 13; File. 22.

    8. Apolúo; soltar.., perdoar… Verbo grego que ocorre por apenas urna vez com o claro sentido de perdoar, em Luc. 6:37. Significa em outros lugares soltar, deixar, dívorciar-se, etc.

    2. Características Gerais

    O perdão pode ser um ato Divino, que resulta no perdão do transgressor humano. Por igual modo, um ser humano pode perdoar a outro. O perdão dos pecados é uma prerrogativa divina (Sal. 130:4). Jesus Cristo recebeu o poder de perdoar da parte do Pai (Mat. 2:5) Um perdão pleno, gratuito e eterno é oferecido a todos quantos se arrependerem e crerem no evangelho, contanto que disso resulte uma verdadeira mudança na vida e na alma, e não apenas uma profissão de fé. Ver Atos 13:38,39; I João 2:12.

    Os crentes devem perdoar àqueles que os ofendem, de modo imediato, abundante, definitivo, porque esse perdão deve imitar o ato divino (Luc. 17:3,4). Isso precisa ser feito, pois, de outra forma, não podemos esperar que o  Senhor nos perdoe (Mat. 6:12-15; 18:15-35). Alguns chamam isso de base legal; mas aquele que retém o ódio em seu coração está longe de ter endireitado os seus caminhos diante de Deus, e, assim, continua levando o seu pecado.

    Por outro lado, aquele que foi verdadeiramente regenerado possui a  atitude de perdão, como uma de suas qualidades essenciais. Se assim não for, é que aquele individuo  nunca  foi, realmente, regenerado.

    O perdão é um ato da alma mediante o qual a pessoa ofendida permite que o seu ofensor fique livre, esquecendo-se então da ofensa. Deus requer, na maioria dos casos, embora nem sempre, que o ofensor se arrependa, que haja perdão e que haja reparação pelos danos causados, sempre que isso for possível. Essa é uma condição básica; mas o puro amor de Deus cobre uma multidão de pecados quando o individuo não é capaz de corrigir o erro praticado ou de restaurar o danificado (Rom, 5:5-8).

    Mesmo quando essas condições não podem ser preenchidas, o perdão divino é dado somente se o indivíduo, em imitação ao Senhor, for gracioso, amoroso, disposto a perdoar a seus ofensores. Textos como os de Mal. 6:12; 18:23-35; Mar. 11:26 contêm esses ensinamentos, enfaticamente.

    3. A Ênfase da Fé Cristã

    A fé cristã é supremamente destacada por sua ênfase sobre o perdão, mais do que as outras grandes religiões do mundo. Assim sucede porque o grande Profeta do Cristianismo, o Cristo, em sua morte e ressurreição forneceu aos homens os próprios meios do perdão. Esse elemento faz parte do significado da missão do Filho. A fé cristã também salienta que o perdão nos é dado da parte de um Pai misericordioso, quem é a fonte de toda vida e existência. Quanto a referências bíblicas sobre esse oficio de Cristo, ver Efé. 4:32; Atos 5:31; 13:38; Mar. 2:10; I João 1:9 e, especialmente, Efé. 1: 7. Este último trecho ensina: …no qual (Amado, Cristo) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça.

    4. Ensino Bíblico Sobre o Perdão

    A. No Antigo Testamento.

    1. O elaborado sistema de sacrifícios do Antigo Testamento estava diretamente vinculado à ideia de expiação e, consequentemente, de perdão. Apesar de certos trechos do Novo Testamento, como Rom. 3:25, darem a entender que o perdão divino, no Antigo Testamento, estava condicionado ao futuro ministério de Cristo, não há que duvidar que os israelitas, nos dias do Antigo Testamento, pensavam que seus sacrifícios eram eficientes para o perdão de seus pecados, mediante a expiação.

    2. As ofensas são vistas como perdoadas, e o perdão é encarado como um ato da graça divina, que deve ser recebido com profunda gratidão. O pecado merece ser punido, e o perdão é uma medida da graça e da misericórdia divinas. O recebimento desse beneficio deveria criar o senso de temor no coração dos homens, ver Sal. 130:4; Deu. 29:20; 11 Reis 24:4; Jer. 5:7 e Lam. 3:42, quanto às ideias aqui expressas.

    3. Somente Deus tem a prerrogativa de perdoar aos homens (Deu. 9:9). A única maneira como o homem pode perdoar é indiretamente, mediante a pregação do evangelho. Os que aceitarem a mensagem cristã serão perdoados por Deus. Ver João 20:23. Mas os apóstolos nunca perdoaram pessoalmente senão a alguma ofensa pessoal contra eles, como qualquer crente pode fazer. No caso de pecados contra o Senhor eles deixavam a questão nas mãos de Deus.

    “Arrepende-te, pois, da tua maldade, e roga ao Senhor; talvez que te seja perdoado o intento do coração” (Atos 8:22).

    4. O perdão divino está alicerçado sobre a misericórdia, a bondade e a veracidade de Deus (Êxo, 34:6). O perdão torna-se impossível se Deus não se mostrar gracioso. E essa graciosidade divina, como é óbvio, manifesta-se exclusivamente através de Cristo e sua palavra.

    5. O perdão dado por Deus é completo. Ele afasta de nós os nossos pecados tanto quanto o Oriente se distância do Ocidente (Sal. 103:12). Ele lança para trás de suas

    costas as nossas transgressões, sem mais considerá-las (Isa. 38:17). Ele apaga as transgressões dos perdoados (Isa, 43:25; Sal. 51:1,9) e nunca mais relembra os seus pecados (Miq. 7:19).

    B. No Novo Testamento

    1. O pecador é perdoado, por sua vez deve perdoar aos que o ofendem (Luc. 3:37)

    2. O perdão depende diretamente da expiação de Cristo (Efé. 1:7; Rom. 3:25; 4:25; Mat. 26:28).

    3. A validade da expiação cerimonial, no Antigo Testamento, dependia do indivíduo considerar a sua participação espiritual na futura missão e expiação de Cristo (Rom, 3:25). No Novo Testamento, os povos gentílicos também são beneficiados, mediante a fé em Cristo, e não somente o povo de Israel (Atos 17:30,31). A descida de Cristo ao hades O Ped. 3:18 – 4:6) estende o beneficio da expiação de Cristo a todos os homens, oferecendo-lhes a salvação através do evangelho, conforme I Pedro 4:6 deixa claro:

    “… pois, para este fim foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus”.

    4. O continuo perdão dos pecados dos crentes, também depende diretamente da obra expiatória de Cristo (I João 1:9).

    5. O perdão está diretamente vinculado ao arrependimento (Miq. 1:4; Atos 2:38; Luc, 24:47).

    6. O perdão também está ligado à fé ou à confiança em Cristo (Atos 10:43; Tia. 5:15). O arrependimento e a fé servem de meios para o perdão. O mérito nunca é humano, mas somente em Cristo. Apesar disso, sem aqueles meios (arrependimento e fé = conversão) não haverá perdão, porquanto o mérito de Cristo precisa ser apropriado pelo homem.

    7. Visto que Deus perdoa gratuita e abundantemente, outro tanto deveriam fazer os crentes, sem nunca limitarem o número de vezes em que eles perdoam a seus ofensores (Mal. 18:22). Esse ensino, naturalmente, está muito acima da capacidade da maioria das pessoas e serve como um elevado ideal.

    8. O perdão repousa sobre a completa missão de Cristo, sobre a sua morte e ressurreição (Heb. 9:26; Rom.4:25).

    5- Reflexões sobre o Perdão

    A- Perdão não é esquecimento

    Se algum dia você foi traído em um relacionamento, ou se envolveu em uma briga familiar, ou até mesmo um amigo o deixou na mão, é impossível que tais fatos marcantes estejam esquecidos na memória do leitor, não é verdade?

    – Perdoar não é como se escrever em um quadro-negro e depois passar um apagador, e logo tudo está do mesmo modo que antes;

    – ou depois de redigir um longo texto no computador, simplesmente “deletar”.

    B -Perdão não é viver com mágoas

    – Não sendo esquecimento, o perdão também não se codifica no que diz respeito a mágoas. Do mesmo modo não adianta fingir que está “tudo bem”. Você pode tentar, mas uma hora a “bomba explode”.

    – Imaginemos uma calça. Você sem querer rasga um pedacinho, então com um pedaço de pano simplesmente remenda-a. Não muito tempo depois outro rasgo; outro remendo. Irá chegar um momento que não será mais possível remendar, você “explode”e joga a calça no lixo.

    – Assim é tentar reter mágoas e fingir que está tudo bem. Somente em um Ser você poderá superar esse vil sentimento, é buscar naquELE que “perdoa-me segundo o Seu grande amor”.Ne.13:22

    ORA,O QUE É PERDÃO?

    Perdão é a capacidade de você lembrar de uma ofensa, e mesmo assim não ter afetado o seu relacionamento mútuo.
    Para que isso aconteça, você deve observar as seguintes sugestões.

    A -Nunca use do assunto passado como arma de discussão

    – Acontece isso quando você guarda uma mágoa e finge tudo bem e quando você se vê apertado e sem nenhum argumento em uma discussão, “perde a cabeça”, e usa do assunto ( que você tinha esquecido) como arma.

    – discuta somente sobre o acontecimento atual.

    – não deixe de esclarecer todos os detalhes.

    – Para controlar seus impulsos emocionais, busque sempre a comunhão no doce e santo Espírito de Deus

    B-Não desconfiar que irá acontecer novamente

    – não é fácil, mas é o ideal a buscar.

    – Depois de perdoar, você não deve ficar desconfiado que ele(a) permanecerá no erro, e a qualquer momento o fará novamente. Essa desconfiança será um obstáculo no “processo do perdão”.

    – Dê à pessoa nova chance, dê voto de confiança.

    – Jesus deu o exemplo com Pedro.

    – Ele pode te ajudar.

    C-Não esperar que tudo se resolva de uma vez

    – Perdão é um ato instantâneo e ao mesmo tempo um processo.

    – instantâneo no sentido de consideração, mas exige tempo para a restauração.

    – Entenda melhor: Um ônibus desgovernado atinge um muro de concreto. É possível levantá-lo de uma só vez? Será necessário repor tijolo, quebrar algumas pontas e pedaços que sobraram, e construir gradualmente tudo de novo. Do mesmo modo, se preciso for, teremos que quebrar “alguns pedaços” do relacionamento para reconstrui-lo novamente.

    – Deus perdoou Adão e Eva no momento, mas a culminação só se dará no juízo final. Deus teve que quebrar até uns “tijolos” (não falaria mais face a face e até os expulsou do Jardim), mas para dar o perdão final.

     

  • SALMO 23

    SALMO 23

    Salmo 23
    O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta.
    Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranqüilas; restaura-me o vigor.
    Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem.
    Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice.
    Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver.

    • Debaixo de mim – Verdes pastos.

    • Ao meu lado — Águas tranqüilas.

    • Comigo – Meu Pastor.

    • Perante mim – Uma mesa.

    • Em redor de mim – Meus inimigos.

    • Sobre mim – Unção.

    • Seguindo-me – Bondade e misericórdia.

    • Esperando-me — A casa do Senhor.

    • Decisão – Senhor, meu Pastor.

    • Segurança – Nada faltará.

    • Descanso — Deitar-me faz.

    • Restauração — Refrigerar.

    • Direção – Veredas da justiça.

    • Coragem — Andar pelo vale.

    • Comunhão — Tu estás comigo.

    • Consolo – Vara e cajado.

    • Previsão – Mesa.

    • Revestido – Óleo.

    • Satisfação – Cálice transborda.

  • Chaves para a leitura do Apocalipse

    Chaves para a leitura do Apocalipse

     

    Chaves para a leitura do Apocalipse

    Texto Áureo 

    “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João seu servo”. Ap 1.1

    Verdade Aplicada

    O Apocalipse é um livro aberto, cheio de símbolos, profecias, juízos e condenações, mas re­levante, majestoso e apoteótico.

    Objetivos da Lição

    •  Introduzir de modo provei­toso e prazeroso o estudo do Apocalipse.
    • Oferecer informação à identi­ficação correta de personagens e fatos do Apocalipse.
    • Corrigir possíveis erros de interpretação.

    Textos de Referência

    Ap 1.3        Bem-aventurado aque­le que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guar­dam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

    Ap 1.12      E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro;

    Ap 1.13      E, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até os pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro.

    Ap 1.14      E a sua cabeça e ca­belos eram brancos como lã branca, como a neve, e os olhos, como chama de fogo;

    Ap 1.15      E os seus pés, seme­lhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas.

    Ap 1.16      E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.

    Prólogo 1:1-8

    A Relevância do Apocalipse

    “Sobe para aqui”, diz-lhe a misteriosa voz (Ap 4:1); e João é transportado para dentro de regiões tão estranhas e remotas que muitos cris­tãos hesitam em explorá-las com ele. Os evangelhos e as cartas são ter­ritórios mais familiares e mais acessíveis. Será que este extraordiná­rio livro do fim da Bíblia, pertencente (em mais de um sentido) a um mundo inteiramente diferente, tem algo a ver com o pragmatismo de vida do século XXI?

    Desde o princípio, no entanto, o livro do Apocalipse afirma ter sido escrito para o benefício, não de uma minoria da igreja, mas de todos; e não para a sua própria época somente, mas para a igreja em todas as épocas. Como todo o resto da Bíblia, o Apocalipse fala hoje.

    A Relevância do Título

    Os dois volumes de história escritos por Lucas (o Evangelho e Atos dos Apóstolos) foram escritos para uma pessoa chamada Teófilo (Lc 1:3; At 1:1). Apesar disso, não temos nenhuma dúvida de que o que foi escrito para Teófilo é para leitores de qualquer época. As cartas de Paulo foram escritas especificamente a grupos de cristãos espalha­dos pelo Império Romano. Entendemos que o que o apóstolo escre­veu a eles se aplica igualmente a nós. Todos os escritos do novo Tes­tamento foram destinados especificamente para os cristãos do primei­ro século, mas não hesitamos em aceitar sua relevância para os cris­tãos modernos. Ora, se agimos assim a respeito dos livros que foram escritos especificamente para pessoas ou grupos de pessoas, quanto mais as partes do Novo Testamento que foram escritas especificamente para os cristãos em geral!

    O título (Ap 1:1-3) diz que o livro do Apocalipse é desse tipo. É a revelação de Jesus Cristo, dada por Deus aos seus servos. Se eusou um dos que servem ao Senhor, então este livro é para mim, ape­sar do conteúdo me parecer irrelevante à primeira vista. É necessário perseverar na leitura para que eu venha a alcançar a bênção prometi­da pelo autor (1:3).

    A Relevância da Saudação

    Apesar de no título João indicar que a sua mensagem é para os ser­vos de Cristo em geral, na dedicatória (1:4-8) ele diz estar escreven­do em particular para as sete igrejas na Ásia. O que João envia àque­las igrejas é algo mais do que as breves cartas contidas nos capítulos 2 e 3. O livro inteiro é a carta e na frase final do livro aparecem as pa­lavras de despedida (22:21). Assim, tanto a frase do título “aos seus servos” como a frase da dedicatória “às sete igrejas que se encontram na Ásia” referem-se ao livro do Apocalipse como um todo. O que João escreve em forma de carta a um grupo de igrejas do primeiro século é de fato uma mensagem a todos os cristãos sem distinção. O princí­pio e o fim do Apocalipse colocam-no na mesma categoria das car­tas de Pedro e de Paulo, de Tiago e de Judas, escritas, a princípio, em função de situações enfrentadas pela igreja primitiva, mas que conti­nham verdades apostólicas que, na intenção de Deus, deveriam ser­vir à igreja em todas as épocas. O Apocalipse não é um mero apêndi­ce à coleção de cartas que constituem a parte central do Novo Testa­mento. É, na realidade, a última e a mais grandiosa de todas essas car­tas. O Apocalipse é tão abrangedor quanto Romanos, tão glorioso quanto Efésios, tão prático quanto Tiago e Filemon, e tão relevante para o mundo moderno quanto qualquer uma delas.

    A Relevância da Cena de Abertura

    Vamos agora deixar de lado o título e a dedicatória (1:1-8) e vamos roubar uma prévia da primeira cena do grande drama onde vemos o Cristo vivo (ressurreto) ditando a João as cartas para as sete igrejas. A igreja em Pérgamo ele diz: “Tenho, todavia, contra ti algumas coi­sas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão… ” (2:14). A igreja em Tiatira ele diz: “Tenho, porém, contra ti o tolerares que esta mulher, Jezabel…. ” (2:20). Vejamos o que podemos aprender des­ses versículos.

    Foi no tempo de Moisés, provavelmente no século XIII a.C., que Balaão iludiu o povo de Deus com um ensino falso. Em Pérgamo, 1.300 anos mais tarde, encontramos o mesmo falso ensino iludindo novamente o povo de Deus. Foi no nono século a.C. que Jezabel, esposa do rei Aca­be, causou semelhante confusão no meio do povo de Israel. Novecen­tos anos mais tarde encontramos, em Tiatira, não somente os ensinos de Jezabel, mas a sua própria pessoa uma vez mais em evidência.

    É evidente que Cristo não está falando da reencarnação de Je­zabel, mas sim da repetição de um modelo. A história bíblica está re­pleta de repetições desse tipo. Assim, por exemplo, a pregação de Je­sus repete as circunstâncias da pregação de Jonas (Mt 12:39ss), e o erguimento do filho do homem sobre a cruz repete o levantamento da serpente de bronze por Moisés (Jo 3:14). Da mesma forma João Ba­tista não somente relembra, mas em certo sentido é o profeta Elias que viveu séculos antes (Mt 11:14).

    A carta aos Hebreus, cuja raiz está no Antigo Testamento, apre­senta muitos outros exemplos. A mensagem de Deus, que veio com urgência através da boca de Davi, dizendo: “hoje, se ouvirdes a sua voz…. ”, era uma mensagem tão urgente para os cristãos hebreus que a ouviram mil anos depois de Davi, como havia sido para os contem­porâneos de Moisés que a ouviram trezentos anos antes de Davi (Hb 3:7—4:10). Adentrando mais no passado verificamos que o juramen­to feito por Deus a Abraão tem para nós o mesmo valor e força que teve para Abraão (Hb 6:13-18). E voltando ao mais remoto ponto da história humana vemos Abel expressar sua fé no sacrifício que ofere­ceu a Deus, e que mesmo hoje “depois de morto, ainda fala” (Hb 11:4). Assim como em todas as gerações a má influência de Balaão e Jeza­bel pode reaparecer, Deus também, em sua misericórdia, repete cons­tantemente as grandes verdades da salvação; como o profeta disse, elas “renovam-se a cada manhã” (Lm 3:23).

    Precisamos, então, dar pleno significado ao tempo presente dos verbos a que acabamos de nos referir. A urgência de Hebreus 3:7, que pode ser traduzida “o Espírito Santo está dizendo: ‘hoje…se ouvirdes a sua voz’” pode ser comparada à frase sete vezes repetida em Apoca­lipse 2 e 3, que poderíamos traduzir de maneira semelhante: “ouvi o que o Espírito Santo está dizendo às igrejas”. O que temos em Apoca­lipse 2 e 3 é uma reafirmação de certas verdades do mundo espiritual, tão reais nos dias de João como haviam sido nos dias de Jezabel, e não menos relevantes para nós hoje. A promessa de bênção, no princípio e no fim do Apocalipse (1:3; 22:7) é para todos aqueles que leem, ou­vem e guardam as palavras desta profecia, sem distinção de tempo.

    Uma Consequência Importante

    Se é, de fato, assim, chegamos então a uma conclusão de certa importância.

    Antes mesmo de chegar ao segundo versículo do primeiro capí­tulo, defrontamo-nos com três questões importantes que há tempo vêm exercitando a mente dos críticos e comentaristas. O nome Apocalip­se (apokalypsis, no grego) não somente nos diz que é uma revelação de grandes verdades acerca de Jesus Cristo, mas também vincula o li­vro a um tipo particular de literatura judaica chamada “literatura apocalíptica”. A pergunta que se segue em função desta relação é: Até que ponto João pretendia que o seu livro fosse lido como sendo uma lite­ratura apocalíptica? E, por causa disso, quanto é necessário conhecer sobre a literatura apocalíptica para que se possa entender o Apo­calipse de João? A segunda questão é o próprio João. Será ele, de fa­to, João, o apóstolo, o filho de Zebedeu, o mesmo que escreveu o evan­gelho e as três cartas, ou será que esta visão tradicional dos fatos é vul­nerável, o que significa que o autor poderia ter sido outra pessoa, mas com o mesmo nome e com a mesma autoridade. A terceira questão é pertinente aos “servos” a quem o livro é endereçado. É evidente que poderíamos entender melhor o livro se pudéssemos saber exatamen­te quem são os servos e quais as circunstâncias e necessidades às quais João estava se dirigindo.

    O fato de que questões como essas foram tratadas de forma su­mária na introdução não quer dizer que não sejam importantes; mas faz-se necessária uma advertência. Quando o leitor se depara com algo que lhe parece obscuro no livro do Apocalipse, ele pode ser levado a pensar: “se eu tão somente tivesse um conhecimento mais profundo da literatura judaica, ou da história romana, ou da filosofia grega, es­ses mistérios estariam esclarecidos”. Tenho certeza de que isso é ilu­sório. Pois o número de servos do Senhor equipados com este tipo de conhecimento será sempre relativamente pequeno porque “não foram chamados muitos sábios” (1 Co 1:26), e a mensagem do Apocalipse, como já vimos, é endereçada a todos os servos do Senhor sem distin­ção. O valor principal do livro deve ser, portanto, de tal espécie que mesmo os cristãos sem grande cultura possam tirar proveito.

    Este fato não deprecia o valor da pesquisa bíblica e, muito me­nos, exalta o anti-intelectualismo; o estudo das Escrituras exige o uso máximo possível da mente do cristão. Mas é para reafirmar que o requisitado mais importante para o entendimento destes grandes mistérios é um conhecimento, como o que o próprio João tinha da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo (Ap 1:2 e 9). Para a maio­ria dos que resolveram estudar o Apocalipse de João, aquela Palavrae aquele Testemunho foram a única fonte de iluminação: a Bíblia nas mãos, e o Espírito Santo no coração. É mantendo este foco de ilumi­nação no centro do caminho a ser percorrido, em vez de utilizar-se da pequena luz que os estudos críticos lançam sobre o escuro, é que “quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco” (Is 35:8).

    O Título (1:1-3)

    Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer, e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, 2o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu.3 Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.

    Esta não é a revelação de João: ele é apenas o repórter, mas é do Senhor Jesus Cristo; e mesmo Jesus não é a fonte desta revelação, pois, como podemos ver muitas vezes no Evangelho de João, o Senhor Je­sus recebe-a do Pai. Mesmo passando por cinco estágios de transmis­são: do Pai para o Filho, do Filho para o anjo, do anjo para o escri­tor e daí para os leitores, a revelação é apresentada claramente como a “palavra de Deus e o testemunho de Jesus”. Esta última frase des­creve o que estava para ser mostrado a João na ilha de Patmos. Já no versículo 9, onde a frase “a palavra de Deus e o testemunho de Jesus” ocorrem novamente, não se faz referência ao que João veria, mas ao porquê de ter sido isolado na ilha. João já ouvira Deus falar e já ti­nha visto e ouvido Cristo dar testemunho da veracidade das palavras de Deus. Ele não negaria esta sua experiência cristã, nem poderia fazê-lo, e por isso foi enviado para o exílio. Agora João receberia novamente a palavra e o testemunho, uma mensagem genuína da parte de Deus que no tempo devido deveria ser lida em voz alta nos cultos, como ou­tras porções das Escrituras (v.3). Esta revelação, em certo sentido, não traria nenhuma novidade, simplesmente seria uma recapitulação da fé cristã que João já possuía. Esta seria, porém, a última vez que Deus repetiria os padrões da verdade e o faria utilizando-se de um po­der devastador e um indescritível esplendor.

    Esses versículos desencorajam as visões “futuristas” do Apoca­lipse. Com certeza o livro trata de muitas coisas que ainda jazem no futuro. Mas note-se que a João foram mostradas “as coisas que embreve devem acontecer”. Esta última frase é emprestada da literatura apocalíptica pré-cristã e sutilmente modificada por João. A revelação dada a Daniel consistia no que haveria de acontecer nos últimos dias (Dn 2:28). A igreja primitiva acreditava que o início da era cristã e o princípio dos últimos dias, mencionados por Daniel, aconteceram simultaneamente (At 2:16ss; 3:24). É verdade que a palavra “breve” pode ser traduzida pela expressão “de repente” e dessa forma poder-se-ia argumentar que os eventos profetizados por João, quando começassem a acontecer, se sucederiam rapidamente, mas que poderiam co­meçar a acontecer só muito depois dos dias de João. De acordo com este ponto de vista, a maior parte do Apocalipse não estaria cumpri­da até o dia de hoje. Mas o versículo, como é apresentado, não se re­fere a um tempo futuro muito distante. Quando nos deparamos com a frase de Daniel “o que há de acontecer nos últimos dias “mudada por João para “as coisas que em breve devem acontecer” logo enten­demos qual é a intenção de João. Sua intenção é mostrar que os eventos preditos para um futuro distante por Daniel devem agora, nos dias de João, acontecer em breve. Neste contexto podemos entender melhor a expressão “o tempo está próximo” (v.3).

    Tempo para quê?, poderíamos perguntar. Tempo para o início do fim e dos eventos a ele relacionados? Tempo para o início de uma longa série de acontecimentos que eventualmente anunciarão o fim do mun­do? Tempo para alguma tribulação imediata ou perseguição que será um tipo de presságio do fim? Não é dito a João, de imediato, a que a expressão se refere.

    Mas é digno de nota o que Daniel tinha em mente quando falou dos eventos que haveriam de ocorrer nos últimos dias. A profecia de Daniel estava baseada em um sonho de Nabucodonozor no qual ha­via sido mostrado ao rei, em forma de uma grande estátua, a suces­são dos impérios mundiais, começando com o seu. De acordo com a profecia, nos dias do último daqueles impérios mundiais “o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído” (Dn 2:44).

    E João viu a chegada dos últimos dias. O estabelecimento do rei­no de Deus foi iniciado com a vinda de Cristo, e a promessa feita por Daniel de que “este reino não passará para outro povo: esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre” (Dn 2:44), começou também a ser cumprida. O cumprimento de pro­fecias é um processo e não algo que vem de imediato; é um processo muitas vezes prolongado, não súbito, como podemos observar ape­sar dos eventos, que levam ao clímax, moverem-se bastante rápido. Oprocesso que leva ao clímax ocupa toda a era da pregação do Evan­gelho, indo da inauguração do reino (Ap 12:10) até o seu triunfo fi­nal (Ap 11:15). Se o que Daniel previu para os últimos dias é o que o anjo está trazendo para João, então o tempo está, de fato, próximo. Ao chegar a carta aos destinatários, nas igrejas da Ásia, eles poderão afirmar que “estas coisas estão, de fato, acontecendo agora”. É esta característica imediata dos escritos de João que sempre cativou os lei­tores mais dedicados. Portanto, o Apocalipse pode revelar, hoje, no sé­culo XXI, a realidade presente do conflito existente entre o reino des­te mundo e o reino do nosso Senhor.

    A Dedicatória (1:4-8)

    João, às sete igrejas que se encontram na Ásia: Graça e paz a vós ou­tros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono, 5e da parte de Jesus Cris­to, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos, e o soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, 6e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém. 7Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém. 8Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso.

    Pelo menos dez igrejas haviam sido estabelecidas na província da Ásia quando João escreveu o Apocalipse, portanto deve ter havido alguma razão para que ele escolhesse sete delas. Por agora queremos simplesmente apontar o fato de que o número de igrejas às quais João se diri­giu (cujo significado simbólico será considerado mais adiante ainda em ebdareiabranca.com), bem como a ordem na qual elas são apresentadas (que, ao que tudo indica, parece ser mais uma questão de simetria de estilo do que de geografia) parecem indicar que a mensagem é para a igreja em geral.

    João abre a sua dedicatória com um tipo de saudação que pode ser encontrado na maioria das cartas no Novo Testamento. Pelo fato de dirigir-se a um público bastante grande, sua descrição dos remeten­tes é bastante impressionante. Graça e paz vêm, neste caso, do Deus triuno e cada uma das pessoas da trindade é mencionada por sua vez.

    A descrição de Deus, o pai, que relembra o nome divino dado a Moisés em Êxodo 3:14, demonstra a particularidade de certa porção da linguagem utilizada por João. A gramática do versículo 4 foi sua­vizada na versão ERAB. O que João verdadeiramente escreveu no gre­go seria o seguinte em português: “Graça e paz da parte de ele que é… Será que realmente João deveria ter usado “de ele” em vez de “dele” ou “daquele”? É possível que João estivesse vendo Deus como alguém que é sempre “ele”, o único sujeito de todas as sentenças, que gover­na todo o conteúdo do que está escrito, não sendo “ele” mesmo con­trolado por nada. Nem mesmo pelas leis gramaticais. Encontramos no Apocalipse muitas declarações, muito mais explícitas do que es­ta, do que o escritor da carta aos Hebreus chamou de “a imutabilida­de do seu propósito” (Hb 6:17). De qualquer forma os erros grama­ticais do Apocalipse estão somente na superfície, e podem ser resul­tado da impressionante sequência de visões que o escritor teve. No fun­do, os erros gramaticais são perfeitamente coerentes com a verdade e formam uma peculiar gramática do espírito.

    Aliás, o Espírito que está diante do trono, o centro da trindade, e que conhece as profundezas de Deus (1 Co 2: 10ss), é mencionado a seguir. A visão de João o levará para dentro do santuário celestial, do qual o tabernáculo no deserto era uma cópia e uma sombra (Hb 8:5). E talvez a ordem de apresentação da trindade de um modo pouco costumeiro (Pai, Espírito Santo, Filho) corresponda ao plano do san­tuário terrestre em que a arca no santo dos santos representa o trono de Deus; o castiçal de sete hastes no lugar santo representa o Espírito Santo; e no átrio frontal ficava o altar de bronze com os sacerdotes e sacrifícios, ambos representantes do trabalho redentor de Cristo.

    Se a descrição do Pai contém um dos primeiros solecismos da par­te de João, a descrição do Espírito Santo contém um dos primeiros mistérios. “Sete espíritos” — seria esta uma expressão para representar o Espírito na sua natureza essencial, da mesma forma como as sete igrejas representam a única e verdadeira igreja? Ou será que eles repre­sentam o Espírito igualmente presente em cada uma das igrejas? (Ver 5:6). Ou será que representam os sete dons do Espírito apresentados em Isaías 11:2? Não sabemos com certeza. Todavia somos avisados de antemão que as chaves que abrem certas portas do Apocalipse são de difícil acesso.

    Deus, o Filho, recebe uma descrição mais completa. As raízes da descrição encontram-se no Salmo 89:27,37 e a passagem apresenta o triplo ministério de Jesus como profeta, sacerdote e rei. Com Cris­to a trindade chega à terra e a teologia (v.5) torna-se louvor (vs.5b e 6). Jesus Cristo é o profeta que veio ao mundo para dar testemunho do evangelho da salvação. Apesar da palavra testemunho ser a pala­vra grega martis, o pensamento básico não está relacionado à morte de Cristo e, sim, ao testemunho que ele dá. A vinda de Cristo é uma amável deferência da parte dele para conosco. Ele é o Sacerdote que se ofereceu a si mesmo e que morreu para depois ressuscitar, não so­mente para si, mas para todos os filhos de Deus. Ter sido lavado no seu sangue (ERC) é uma metáfora bíblica aceitável encontrada, por exemplo, em 7:14; mas a ERAB diz: “pelo seu sangue nos libertou”, tradução que não somente tem uma melhor sustentação nos manuscritos originais, como ainda associa o nosso texto aos acontecimen­tos descritos no livro de Êxodo, tais como a morte do cordeiro pascal e a redenção de Israel do jugo egípcio. No Calvário foi efetuada uma redenção muito mais abrangente. E seus benefícios são para nós. Agora o Senhor é exaltado como Rei dos reis, e da mesma forma como Is­rael foi libertado da escravidão para se tornar um reino de sacerdotes (Êx 19:6; Ap 5:9-10), é dada a nós a oportunidade de compartilhar do reinado do Senhor. Um dia o Senhor voltará, como ele mesmo afir­mou. Aliás, foi o próprio Senhor, e não João, que primeiro juntou esta dupla figura profética que envolve as nuvens e a lamentação das tri­bos da terra associadas à sua segunda vinda (Dn 7:13; Zc 12:10; Mt 24:30). Aqueles que o traspassaram irão reconhecê-lo e lamentarão a oportunidade perdida de salvação. Mas seu próprio povo estará a esperá-lo, sabendo que ele é o “Alfa e o Ômega”, o princípio e o fim de todas as coisas. E assim o trabalho do Senhor estará terminado.

    Este é o Deus Todo-poderoso que está enviando graça e paz a nós, seus servos, na longa carta que se segue. Graça e paz em vez de per­plexidade e confusão é o que promete o Senhor a todos que com es­pírito confiante o procurarem para serem abençoados. O Apocalipse é um verdadeiro drama. Depois do título e da dedicatória que formam o prólogo, as cortinas são abertas e o drama começa.

     

     

    Bibliografia M. Wilcock

     

     

  • As sete igrejas da Ásia


     

    Texto Áureo  

    “O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas”. Ap 1.20  

    Verdade Aplicada 

    Qualquer organização cristã que não corresponder ao perfil das sete igrejas, pelo menos em al­gumas das suas características, não pode ser considerada Igreja. 

    Objetivos da Lição

    • Ressaltar a importância das cartas para que os crentes individualmente sejam santos.
    • Conduzir a igreja à apro­priação tanto das reprimendas quanto das promessas de Jesus.
    • Ensinar que nossos dias são os dias imediatamente ante­riores “às coisas que em breve devem acontecer”.  

    Textos de Referência  

    Ap 1.4        João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete Espíritos que estão diante do seu trono;

    Ap 1.5        E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da Terra. Àquele que nos ama e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,

    Ap 1.6        E nos fez reis e sacerdo­tes para Deus e Seu Pai, a Ele, glória e poder para todo sempre amém.

    Ap 1.10      Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta.

    Ap 1.11      Que dizia: o que vês, escreve-o num livro e envia-o as sete igrejas que estão na Ásia: A Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia.

     

    Igreja no Mundo Ap 1:9—3:22

    Sete cartas são ditadas

     

    A cena de abertura do drama é uma estupenda visão do Cristo vivo, que dita a João uma série de cartas individuais dirigidas às sete igre­jas para as quais o livro inteiro está sendo escrito. O que é dito será considerado em seguida. Primeiro vamos notar a forma como as coisas são ditas:

    Antes já tínhamos vislumbrado a repetição de modelos do Anti­go Testamento, onde os ensinos de Balaão e de Jezabel estão novamente se manifestando na vida da igreja nos tempos do cristianismo do No­vo Testamento. Agora que a cena toda se desenrola diante de nossos olhos, vemos quão rica é em tais repetições. Um modelo é adicionado a outro em forma de um intrincado poema, que positivamente rima.

    Muitas dessas adições podem ser compreendidas sem que seja necessário ter nenhum conhecimento anterior. Cada carta começa com uma descrição de Cristo repetindo a descrição total do Senhor no começo da cena. As cartas têm muitas semelhanças entre si. Cada uma delas é iniciada com a indicação dos nomes dos remetentes e dos destinatários, continuando com declarações acerca destes últimos e con­tendo mensagens a eles. Cada uma das cartas termina com um man­damento e uma promessa. Apesar de João não ter declarado ser sua intenção, é quase impossível ler estas cartas sem perceber um ritmo cadenciado de sete batidas. Dessa forma, temos na primeira carta o seguinte: (1) À igreja em Éfeso; (2) Estas coisas diz o que segura na mão direita as sete estrelas; (3) Conheço as tuas obras, assim o teu labor como a tua perseverança; (4) Tenho porém contra ti; (5) Arrepende-te; (6) Ouça o que o Espírito diz; (7) Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida.

    Para os leitores familiarizados com outras partes da Bíblia, res­soa um eco mais profundo. A promessa aos vencedores será repetida em outras cenas mais adiante: A árvore da vida (2:7), no capítulo 22; o escape da segunda morte (2:11), no capítulo 20; e assim sucessiva­mente. O retrato de Cristo já foi mostrado em outras passagens da Bí­blia; a glória que Cristo demonstra aqui no Apocalipse é a mesma que ele demonstrou no monte da transfiguração (Mc 9:2-3). Se o autor é realmente o apóstolo João, a visão não seria novidade, pois estaria vendo em Patmos o que tinha visto antes em um monte na Palestina. A grande voz e o som como de trombeta (1:10) também é conhecido de passagens do Antigo Testamento, como Êxodo 19:6; Ezequiel 1:7; 43:2 e Daniel 7:9. O título de Filho do Homem, e a descrição geral que o acompanha, também podem ser encontrados no Antigo Testa­mento (Dn 7:13; 10:5ss).

    Não são apenas as palavras e as frases encontradas nessas cartas que são repetidas. As advertências feitas às igrejas de Cristo corres­pondem, em muitos aspectos, às advertências feitas aos discípulos em Mateus 24 (por ex. 2:4 e Mt 24:12). A solene declaração “darei a cada um, segundo as suas obras” (2:23) está “in­variavelmente presente nos ensinos de Cristo”, bem como nos de seus apóstolos.

    Quem começar a procurar indícios deste tipo de ensino repetiti­vo em outros lugares, ficará surpreso com a quantidade de material existente. A repetição é um método comum pelo qual os salmistas “ri­mam” suas poesias. Muitas vezes o que ecoa de linha para linha não é tanto o som, mas o sentido:” ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a Ele sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu” (Sl 24:1-2). É a repeti­ção que dá força às vozes dos profetas: “Por três transgressões de Da­masco, e por quatro,… por três transgressões de Gaza, e por quatro… por três transgressões de Tiro, e por quatro, não suscitarei o castigo” (Am 1:3, 6, 9). Este método de repetição pode também ser encontra­do em grande escala nos tipos ou modelos da história bíblica que co­mo grandes pilares ajudam a compreender a estrutura do todo e são apresentados de forma magnífica na carta aos Hebreus. São igualmen­te encontrados em alguns dos menores tijolos que formam o edifício – frases minúsculas, a maioria escondida atrás do reboco das tradu­ções, embora pelo menos uma ou outra permaneça visível.

    Muitas vezes as traduções eliminam repetições de palavras que existem no original porque os tradutores as consideram desnecessá­rias ou uma forma de expressão idiomática que não se traduz literal­mente. Assim, por exemplo, Lucas 22:15, na ERC, diz: “…desejei muito comer convosco… ” e a ERAB, na tentativa de dar o sentido comple­to do texto grego, diz: “Tenho desejado ansiosamente comer convos­co… ” Porém, o que Lucas escreveu, no grego, seria literalmente “com desejo eu tenho desejado”. Em Gênesis 31:30 há o mesmo tipo de frase: A ERAB, diz: “…tens saudade de casa… ” ao passo que o hebraico re­pete a palavra principal: “com saudades tens saudade de casa… ”.

    Um dos objetivos da repetição, como vimos antes, é mostrar quão relevante é a Bíblia. Se o que aconteceu no tempo de Balaão aconte­ceu novamente na época de João, a advertência é que há a possibili­dade de acontecer hoje também. Mas a repetição tem outro propósi­to. Repetições deste tipo passaram do Antigo Testamento hebraico, on­de esta era uma maneira comum de expressar ênfase, para o Novo Testamento grego. Dizer algo duas vezes intensifica a ideia. A repetição, para os antigos, tinha o mesmo sentido que sublinhar para nós hoje.

    É isso que Deus está fazendo constantemente. Deus tem básicamente apenas uma mensagem para o homem, a saber, as boas novas da salvação. Mas na intenção de comunicar isso ao homem, Deus sa­be que a afirmação feita somente uma vez não será suficiente. “Uma vez falou Deus”, diz o salmista, mas “duas vezes ouvi isto” (Sl 62:11). É por esta mesma razão, creio eu, que são dados ao faraó dois sonhos diferentes com a mesma mensagem. Isso o impressionaria e concor­reria para a validade da interpretação (Gn 41:32). Aos discípulos tam­bém foram mostrados dois milagres diferentes que continham a mesma mensagem básica para ensinar-lhes uma lição particular (Mt 16:5-12). O propósito de se martelar um mesmo prego muitas vezes é óbvio: que­remos cravá-lo.

    Deus utiliza-se fartamente deste método para nos ensinar, e com razão. A mente do homem é irremediavelmente centrífuga e em ter­mos de pensamentos está sempre saindo pela tangente. Precisa ser tra­zido de volta às mesmas grandes verdades centrais — deve ser obri­gado, literalmente, a concentrar-se. Deus enfatiza essas verdades mui­tas e muitas vezes, às vezes em forma de rascunhos, outras vezes em forma de um detalhado trabalho de bico de pena e outras ainda co­mo um explosivo quadro multicolorido. É provável, portanto, que ele faça o mesmo no Apocalipse. E a menos que tenhamos boas razões para discordar, devemos convir que as verdades propagadas no Apo­calipse são muito mais intensivas do que extensivas. Em outras pala­vras, o que nos é mostrado pelo Apocalipse assemelha-se muito mais a um trabalho de colorir um quadro cujo rascunho é bem conhecido por nós, do que a uma colagem feita sobre o quadro original. 

    A Igreja Centrada em Cristo (1:9-20) 

    Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por cau­sa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Achei-me em espíri­to, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve em livro e manda às sete igre­jas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro, e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares, e cingido à altura do peito com uma cinta de ou­ro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés semelhantes ao bronze polido co­mo que refinado numa fornalha; a voz como voz de muitas águas. Ti­nha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espa­da de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força. Quan­do o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a sua mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último, e aquele que vive; estive morto, mais eis que estou vivo pelos séculos dos sé­culos, e tenho as chaves da morte e do inferno. Escreve, pois, as cousas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas. Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita, e os sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igre­jas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.  

    Até o dia em que ouviu a voz como que de trombeta, João experimentou, no banimento, muito mais as tribulações de Cristo do que o esplendor do reino do Senhor. As montanhas e as minas da ilha de Patmos eram ambiente próprio para causar depressão e não encorajamento. Mas apesar de João estar fisicamente em Patmos (en Patmô), naquele dia do Senhor achou-se também em espírito (en Pneumati), da mesma forma que Jacó muito tempo antes, para quem o tra­vesseiro de pedra do exílio tornou-se o próprio portal do céu. A voz ecoou. João voltou-se: a cena daquela ilha mediterrânea sumiu nas suas costas e diante dele surgiu a visão de uma outra realidade. 

    Foi o círculo de sete candeeiros que primeiro lhe chamou a aten­ção. Os candeeiros representavam as igrejas, é a explicação que logo se segue. Mesmo que o versículo 20 não existisse, poderíamos chegar a esta conclusão através de outras passagens, tais como Filipenses 2:15-16. Aqueles que resplandecem como luzeiros no mundo, diz o apóstolo, são os que preservam a palavra da vida. Assim Cristo, que é a luz do mundo (Jo 8:12), dá aos discípulos o mesmo título (Mt 5:14). 

    O significado do outro conjunto de luzes, as estrelas, não é tão fácil de entender. As sugestões de que os anjos são os líderes das igre­jas, ou mensageiros delas, ou que representam o seu espírito, no sen­tido moderno de caráter ou etnia, levantam uma série de dificulda­des. Parece que o melhor a fazer é tomar as palavras pelo que elas va­lem no seu sentido básico. As Escrituras demonstram (e não somen­te os escritos apocalípticos) que, tanto indivíduos (Mt 18:10; At 12:15), como nações (Dn 10:13; 12:1), podem ter um anjo, um parceiro espi­ritual no nível celestial. Presumivelmente o mesmo poderia aconte­cer em relação às igrejas. De qualquer forma o anjo e sua igreja estão intimamente relacionados; a mensagem de Cristo é dirigida a ele ou à igreja indiscriminadamente; e tanto as estrelas como os candeeiros, embora de formas diferentes, iluminam o mundo. 

    Mas as luzes de menor intensidade, tanto no céu como na terra, empalidecem diante do resplendor do Sol. Esta cena de abertura é dominada pela “glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2:13). Sabemos, de acordo com o versículo 18, que a descrição não pode ser de nenhum outro. A visão de João (v.17) é realmente muito impres­sionante. João certamente o vê como Deus. E lhe atribui as caracterís­ticas divinas usando a mesma linguagem que Ezequiel e Daniel usaram para descrever Deus, e certamente João teria relembrado a reivindica­ção de Cristo em João 14:9: “…quem me vê a mim, vê o Pai… ”. Deste ponto em diante a centralidade de Cristo é o tema principal do Apo­calipse. Todas as coisas dependem do relacionamento com Ele. 

    Isso pode explicar um fato curioso. Os sete candeeiros certamente nos trazem à mente um outro candeeiro: o que foi colocado no tabernáculo de Moisés. Moisés, tal como João, teve uma visão da realida­de espiritual, na qual lhe foi ordenado que construísse uma réplica do que vira. Entre as coisas que ele diligentemente construiu estavam as sete lâmpadas unidas em um único candeeiro. Os candeeiros de João, no entanto, estão separados. Talvez devamos ver neles a igreja, seja assim para nós exatamente como ela aparece no mundo, isto é, con­gregações locais aqui e ali, que podem ser completamente isoladas e até destruídas (2:5). Mas no nível celestial a igreja está unida e é indestrutível porque está centralizada em Cristo. Os candeeiros estão es­palhados pela terra; mas as estrelas estão seguras na mão de Cristo. 

    Assim também deve ser para todo o seu povo. A tribulação, a rea­leza e a perseverança que Jesus conheceu, João também conheceu, e se queremos verdadeiramente ser seus companheiros, precisamos estar dispostos a compartilhar as mesmas experiências. En Patmô nós sofremos; mas en Pneumati nós reinamos. O objetivo prático, para o qual a revelação divina aponta, é fazer-nos ver o primeiro à luz do segundo. Mesmo a progressão iniciada na primeira cena, que se passa inteiramen­te neste mundo, até a oitava cena, que se passa inteiramente no futuro, serve para ilustrar o mesmo propósito. O cristão conhece este mundo porque nele habita. Mas quanto ao significado do mundo, para onde ele caminha, e por que o trata com tanto desprezo, são questões para as quais ele não consegue encontrar resposta. Ele começa a entender somente quando o fato é relacionado àquele mundo. Ele chega a ver um plano da História, a realmente entender o que está acontecendo, a perceber o seu próprio lugar no quadro, e como tudo irá terminar. Per­cebe o grande desenho do lado direito da tapeçaria, que explica o en­trelaçamento de fios e as pontas soltas que estão do lado que lhe é mais familiar. Assim ele aprende a relacionar em sua mente a igreja, como ele a vê, lâmpadas que brilham aqui e ali em um mundo mergulhado em trevas; lâmpadas constantemente ameaçadas de extinção, e a igre­ja como Cristo a apresenta, um conjunto de estrelas inextinguíveis na mão do seu criador. Está pronto a enfrentar a tribulação, por causa do que ele conhece acerca do reino: está pronto a enfrentar a tempestade porque sabe que suas fundações estão profundamente enraizadas na rocha. “A tribulação e o reino” produzem “a paciente perseverança”. Este é o objetivo do livro do Apocalipse que veremos em ebdareiabranca.com durante todo o trimestre. 

    A Primeira Carta: À Igreja em Éfeso (2:1-7) 

    Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que con­serva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete can­deeiros de ouro. 2Conheço as tuas obras, assim o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos; e tens perseverança, e suportastes provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. 4Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.5 Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas6. Tens, contudo, a teu favor, que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus. 

    Se a tradição que diz que João foi bispo na cidade de Éfeso é correta, sua pulsação deve ter acelerado quando ouviu que a primeira das se­te cartas destinava-se exatamente à igreja em Éfeso. Como é de se esperar, uma igreja sempre reflete o caráter do seu líder. As duas faces do João do Novo Testamento — o apóstolo do amor e “filho do tro­vão” — são vistas novamente em duas histórias que a tradição legou, pertinentes aos últimos anos de João em Éfeso: de um lado sua recu­sa em ficar sob o mesmo teto (de um banheiro público) com um fa­moso herético da época chamado Cerinthus, e, do outro lado, a re­dução de toda a sua mensagem a uma única sentença, a qual, em ex­trema velhice, costumava repetir em todas as reuniões de que partici­pava: “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros”. Podemos ver nos livros de Atos e Efésios que a igreja do Novo Testamento era caracte­rizada tanto pelo amor como pelo zelo. Como a cidade de Éfeso ti­nha a pretensão de ser a “metrópole”, ou “cidade mãe” de toda a Ásia, dava à igreja em Éfeso, pelas suas atividades evangelísticas e cuidado pastoral, o direito de pretender o título de igreja mãe da província. É por isso que o apóstolo Paulo pôde escrever acerca”… do amor para com todos os santos”, manifesto pela igreja de Éfeso (Ef 1:15). 

    Na época em que João escreve, alguns anos já se passaram. Co­mo estaria a igreja? O zelo parece não ter diminuído. As obras, o la­bor e a perseverança são louvados e, em especial, o valor que a igreja dava à sã doutrina. Embora a igreja suporte o sofrimento, é patente que não pode suportar o ensino falso, venha ele de homens perver­sos, pseudoapóstolos, ou de nicolaítas em particular. De acordo com a carta escrita aos Efésios, não muito depois desta, por Inácio, bispo de Antioquia, a igreja estava tão solidamente firmada na ver­dade do evangelho que nenhuma seita despertaria sequer o interesse de ser examinada pelos seus membros. Éfeso era uma igreja que tinha levado a sério as advertências de Paulo quando do seu último encon­tro com seus líderes. Da mesma forma, a mensagem de Cristo não menospreza o cuidado deles pela pureza e o amor pela verdade. Oh! pudesse o povo do Senhor ter uma visão correta para saber quando e como dizer como o salmista: “Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?” (Sl 139:21a.) 

    Mas, na busca constante pela preservação da verdade, a igreja em Éfeso tinha perdido o amor, “qualidade sem a qual todas as outras não têm sentido”. É digno de nota o fato de que somente na primeira e na última das sete cartas as igrejas são ameaçadas de completa des­truição, pela desanimadora, e puramente negativa, razão que é a fal­ta de fervente devoção. “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”, diz Cristo. Vê se me compreendes: “…odeias as obras dos nicolaítas as quais eu também odeio”; a teu favor tens teu zelo. Mas onde está o teu amor? Fica sabendo que do amor depende a tua própria existência como igreja. 

    Este tipo de erro é muito fácil de acontecer. Deve ser confessado por todos os cristãos que aceitaram o papel de bravos senhores defen­sores da verdade, e esqueceram-se de que deles se espera que sejam se­nhores de coração grande também. À igreja (de Éfeso), Cristo mostra-se zeloso pelo que é certo. Demonstra poder e vigilância — mas é a igreja que ele tem nas mãos e vigia (v. l). Também tem olhos pers­picazes para identificar o mal, mas é na igreja que ele o identifica. Tam­bém não pode suportar o mal, porém o mal que ele ameaça destruir é a própria igreja, se ela não se arrepender. 

    E, de fato, a primeira lâmpada do candelabro foi removida. Tanto a igreja como a cidade foram destruídas; a única coisa que restou foi um lugar chamado Agasalute, e isso, ironicamente, honra a memória de João e não de Éfeso. Permanece ainda a promessa de vida no paraíso a to­do indivíduo que, lembrando-se de onde caiu, arrepende-se e volta à prá­tica das primeiras obras e do primeiro amor. Fica o alerta às igrejas que não amam: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei” (1 Co 13:12). 

    A Segunda Carta: à Igreja em Esmirna (2:8-11) 

    Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver; 9Conheço a tua tributa­ção, a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás. 10Não temas as cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. 11Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor; de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. 

    Ninguém precisa conhecer a história da cidade de Esmirna para compreender a mensagem destinada a essa igreja, mas creio que é elucidativo o fato de que a beleza dessa cidade, que até rivalizava com Éfeso, era, por assim dizer, a beleza da ressurreição. Setecentos anos antes a velha cidade de Esmirna fora completamente destruída, permanecendo em ruínas durante três séculos. A cidade que existia nos dias de João era, por assim dizer, uma cidade que havia ressuscitado. 

    Em flagrante contraste com os campos existentes hoje no local onde Éfeso existia, Esmirna permanece até hoje com o nome de Izmir, sendo a segunda cidade da Turquia asiática. A ressurreição, que ca­racterizava a cidade, haveria de marcar a igreja também. 

    O futuro imediato era de sofrimento e morte. Isso era uma cer­teza; um fato que envolve inúmeras lições para nós que vivemos de mo­do relativamente fácil nos dias de hoje. Como reagiríamos se amanhã a perseguição batesse à nossa porta? Muitas igrejas aprenderam a vi­ver debaixo desta perspectiva e creio que devemos fazer o mesmo. A grande tribulação, vista por João como o acontecimento final desta época, a qual ele próprio vê em miniatura, aparecia como uma cons­tante na experiência do povo de Deus. É uma provação. É a ação do diabo, mas serve aos propósitos e intenções de Deus.

    A perseguição em Esmirna foi especialmente intensa devido ao fato de que a comunidade judaica local era o maior dos inimigos. Os judeus eram o povo de Deus do ponto de vista racial, mas não real (Rm 2:28), e de fato blasfemavam contra Deus quando perseguiam a igre­ja sob a alegação de estarem prestando culto a Deus (Jo 16:2). Foram talvez as pressões econômicas, exercidas por esses judeus, que leva­ram a igreja à pobreza. Talvez fossem as acusações difamatórias dos judeus (note-se o jogo de palavras, pois Satanás significa “difamador”) que conduziram os cristãos à prisão e à morte. 

    Mas os cristãos não devem desanimar. O Cristo que desvenda esta possibilidade desanimadora passou por uma experiência semelhan­te. Como Esmirna, o Senhor “…esteve morto e tornou a viver” para garantir que eles também tornariam a viver. Por trás daqueles judeus estava Satanás; seu pai espiritual é o diabo e não Abraão (Jo 8:33,44). Mas Deus está por trás de tudo e é ele que controla todas as coisas. Uma grande lição é que o sofrimento é certo; outra, é que ele é limi­tado. Para a igreja de Esmirna a perseguição seria por “dez dias”, em um futuro não muito distante. Mas, pela bondade de Deus, haveria o décimo primeiro dia e aí tudo estaria terminado. O fato de Deus es­tar no controle não quer dizer que Satanás esteja impedido de infringir dor. Não há uma só passagem no Novo Testamento que prometa uma vida isenta de sofrimentos, aliás, como é notório, sem cruz não há coroa. Mas o que Deus garante é que, mesmo que a igreja venha a morrer no sentido físico, jamais sofrerá o dano da segunda morte. É assim que Paulo, tendo aprendido dupla lição, demonstra uma ati­tude verdadeiramente cristã face à tribulação: “porque para mim te­nho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para com­parar com a glória por vir a ser revelada em nós” (Rm 8:18). 

    A mensagem, portanto, é que os crentes de Esmirna não devem ser medrosos, mas fiéis. Não devem olhar para o sofrimento, mas para Deus que tudo tem sob controle. 

    A Terceira Carta: à Igreja em Pérgamo (2:12-17) 

    Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: 13Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. 14Tenho, toda­via, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a dou­trina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e prati­carem a prostituição. 15Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. 16Portanto, arrepende-te; e se não, venho a ti sem demora, e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. 17Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe da­rei uma pedrinha branca e sobre essa pedrinha escrito um nome no­vo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.

    Éfeso era a principal cidade da Ásia, mas Pérgamo era a capital, pois era lá a sede do governo imperial. Lá também havia o mais anti­go templo dedicado à prática da religião patrocinada pelo estado, a saber, a adoração do imperador. Não sabemos com certeza se Cristo se referia a isso quando falou do “trono de Satanás”, mas sabemos o tipo de dificuldade que os cristãos em Pérgamo tinham que enfren­tar. Para eles, Satanás não era, como em Esmirna, um mero calunia­dor trabalhando por intermédio de um grupo de judeus mal intencio­nados. Satanás aparece como o “príncipe do mundo” segundo a ex­pressão literal do Evangelho de João (Jo 14:30); o que a primeira carta de João chama de “o mundo” (1 Jo 2:15ss) é, de fato, o grande inimigo da igreja em Pérgamo.

    “O mundo” inclui o poder de outras instituições além da máquina do Estado. Há a enorme biblioteca de Pérgamo (a cidade devia o seu nome à palavra “pergaminho”), o ministério de cura executado pelos sacerdotes de Esculápio e, servindo como coroa à acrópole da cida­de, o altar grego asiático de Zeus, o salvador. Toda essa parafernália de uma “sociedade alternativa” orientada para as necessidades da mente, do corpo e do espírito, é acrescentada às demandas do próprio estado romano. Da mesma forma encontraremos na quarta cena a bes­ta que sai da terra junto com a besta que sai do mar, oferecendo ao homem um sistema de vida viável, fora do reino de Deus. Mas esta é outra história. Antecipar o que João diz adiante é a maneira mais efi­ciente de confundir as coisas. 

    Resumindo, Satanás trabalha em Pérgamo através das pressões de uma sociedade pagã. Satanás persegue; o sofrimento que viria so­bre os cristãos de Esmirna já pairava sobre os de Pérgamo, e pelo me­nos um cristão já havia sido martirizado (v. l3b). Ele segue; os nicolaítas que foram mencionados na carta aos cristãos em Éfeso acham-se aqui novamente e, apesar de não sabermos muita coisa a respeito de­les, o seu ensino parece ser do mesmo tipo do de Balaão, o qual havia conduzido o povo de Deus para o pecado em épocas passadas (Nm 31:16; 25:1-3). Creio que os dois pecados mencionados no versículo 14 podem ser entendidos literalmente. Ambos aparecem nos dias de Balaão e reaparecem nos dias do Novo Testamento (1 Co 5 e 8). O ca­minho que conduz à prática desses pecados é o tipo de tentação típi­ca do mundanismo de todas as épocas: “que mal há nisso? Todo o mundo faz, por que não você?”. 

    Sedução ou perseguição é a dupla perversão que o mundo ofe­rece à igreja. Uma sociedade altamente permissiva pode ser estranha­mente severa para com todos os que se recusam a acompanhá-la. “Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mes­mo excesso de devassidão” (1 Pe 4:4). As ruas alegres da Feira da Vai­dade ainda podem conduzir à prisão ou à fogueira: ou você compra, ou é queimado. Antipas, ao que parece, foi o único membro da igre­ja em Pérgamo a sofrer o martírio. Mas o que o Senhor diz é impor­tante: “Não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas”. Negar a fé era uma tentação constante, especialmente quando a outra opção era ser martirizado. 

    Para alguns a tentação é forte demais e por isso cedem. O com­promisso com o mundo se estabelece quase sem sentir. A distinção en­tre a igreja e o mundo torna-se obscurecida. Há muita tolerância e pou­ca disciplina. “A culpa de Pérgamo residia no oposto da culpa de Éfeso; e quão tênue é a linha entre o pecado da tolerância e o pecado da intolerância. ”

    De qualquer forma, no fim, é com Cristo que eles terão que pres­tar contas. O poder da espada não está com os governantes romanos, nem com o príncipe deste mundo, mas com Cristo (v.12). A espada de dois gumes certamente refere-se ao outro juízo que é necessário: discernir a verdade (Hb 4:12) e punir o mal (Rm 13:4). O Senhor es­tá pronto a usar a espada contra aqueles que, mesmo na igreja, não se arrependam. 

    O Senhor faz, entretanto, uma promessa àqueles que se arrepen­dem e vencem. Não é fácil entender especialmente o significado das pedrinhas brancas (v.17), apesar de haver várias opiniões a respeito. Desde que o contexto fala de festas com carne sacrificada aos ídolos e da festa do maná que Deus espalhou no deserto para Israel, a men­ção das pedrinhas pode se referir ao antigo costume de utilizar peque­nas pedras quadradas como ingresso nos espetáculos públicos. A pro­messa de vida eterna feita no final das duas cartas anteriores é repeti­da aqui em termos apropriados ao cristão que não se conforma com os prazeres do mundo, nem com os banquetes da carne sacrificada aos ídolos. Cristo faz ao vencedor um convite pessoal para participar de um banquete no céu, que consiste na comunhão com o próprio Cris­to: “porque quantas são as promessas de Deus tantas têm nele o sim”; e ele é o único e verdadeiro maná, o pão da vida que desceu do céu (2 Co 1:20; Jo 6:31-35).

    A Quarta Carta: aos Cristãos de Tiatira (2:18-29)

    Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao bron­ze polido: 19Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu servi­ço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. 20Tenho, porém, contra ti, o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. 21Dei-lhe tempo para que se arrepen­desse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. 22Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. 23Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um, segundo as vossas obras. 24Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; 25tão somente conservai o que tendes, até que eu venha. 26Ao vencedor, e ao que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, 27e com cetro de ferro as regerá, e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; 28assim co­mo também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. 29Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Os pecados da igreja de Tiatira, assim como os de Pérgamo, eram a imoralidade e a tolerância para com a adoração de ídolos. Tanto nes­ta, como naquela igreja, podemos interpretar literalmente esses peca­dos, se bem que eles caracterizam o adultério espiritual no qual o po­vo de Deus incorria constantemente. De acordo com a metáfora bí­blica, o verdadeiro Deus é o esposo de Israel, e os falsos deuses são os amantes de Israel (Jr 3; Ez 16; Os 2). Tanto Jezabel como Balaão foram estrangeiros que seduziram a noiva de Deus à prática desse ti­po de infidelidade (1 Rs 16:31; 2 Rs 9:22).

    Há, no entanto, distinções entre as duas situações. Contra os cris­tãos cercados de Pérgamo, Satanás usa a pressão do mundo tentan­do comprimir os crentes “nos seus próprios moldes” (Rm 12:2 CIN). Mas onde a igreja já se faz notar pelo crescimento e pelo vigor (v.19) ele sabe que pode causar um prejuízo maior envenenando o interior, do que pressionando o exterior. Em Tiatira uma mulher assumia, ao mesmo tempo, o perverso caráter de Jezabel e a atividade profética de Balaão, e ensinava, como se fosse da parte de Deus mesmo, coisas novas e profundas que muitos membros daquela igreja forte e dinâ­mica já estavam predispostos a explorar.

    As acusações que João Wesley sofreu de estar “buscando reve­lações extraordinárias e dons do Espírito Santo”, feitas pelo Bispo Butler, são injustas. A verdade é que muitos tiveram essa tensão; e essas “revelações”, quando divorciadas daquilo que as Escrituras de fato revelaram, são coisas verdadeiramente horrendas. Essas vozes sinistras geralmente ecoam no meio de um entusiasmo espiritual subitamente despertado. Mal a Reforma tinha começado a criar impacto, João de Leyden proclamou-se messias em Münster. Ao mesmo tempo em que o grupo “Os meninos de Deus” apela à lealdade da juventude moder­na, os pais cristãos ficam chocados ao descobrir que seus filhos es­tão sendo incentivados a romper os laços familiares. “Não terás ou­tros deuses diante de mim” e “Honra a teu pai e a tua mãe”, são man­damentos tradicionalistas enfadonhos quando comparados com a di­nâmica voz desses novos profetas.

    O fato de que vozes deste tipo são inevitáveis em uma igreja vi­va, não é desculpa para que sejam deixadas à vontade; pelo contrá­rio. Quanto mais dinâmica a voz, mais severamente será julgada. O Cristo que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido virá julgá-la como o sol brilhante do meio dia (1:16), de modo infinitamente mais terrível do que o deus pagão, Apolo, cu­jo templo em Tiatira era famoso. A glória de Cristo sonda a mente e o coração de “Jezabel”, e “nada refoge ao seu calor” (v.23; Sl 19:6). Aqueles que não se arrependerem são ameaçados com tribulações e morte, certamente de cunho espiritual e, possivelmente (tanto nestas punições como na punição pelos pecados descritos nos versículos 20-21), com a morte física também. Àqueles que se arrependerem ele promete que, uma vez removida a barreira do pecado, eles se trans­formarão na maravilhosa igreja missionária que está dentro de si mes­mos. O versículo 27 é uma adaptação grega do hebraico do Salmo 2:9. A primeira metade do versículo é ambígua em ambas as línguas, mas o curioso vocabulário empregado expressa de forma clara o duplo efei­to resultante da pregação do evangelho. Digo isso porque a “autori­dade sobre as nações”, que é dada a Cristo no Salmo 2, e à igreja de Tiatira, é a autoridade para proclamar o reino de Deus. Quem rejei­tar entrar no reino será destruído, mas quem aceitar viverá (2 Co 2:15-16; Jo 20:23; Lc 24:47). E o que é mais importante, à igreja, fiel propagadora da luz do evangelho nas trevas deste mundo, Cristo pro­mete a si mesmo como a “brilhante estrela da manhã” (22:16), a cer­teza de que a aurora chegará quando então a luz das lâmpadas será tragada completamente pela luz da eternidade.

    A Quinta Carta: à Igreja em Sardes (3:1-6)

    Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. 2Sê vigilante, e consolida o res­to que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. 3Lembra-te, pois, de como tens re­cebido e ouvido, guarda-o, e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti. 4Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras, e andarão de branco junto co­migo, pois são dignas. 5O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. 6Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Apesar das falhas, Cristo reconheceu as coisas boas existentes em todas as igrejas às quais se dirigiu. O que ele encontrou que recomendasse Sardes? Nada. A única coisa boa que a igreja possuía era uma boa reputação para a qual não existia, de fato, razão alguma. O veredito de Cristo sobre a condição da igreja é breve e devastador: “Tens nome de que vives e estás morto”.

    Não nos enganemos acerca de Sardes. Ela não é o que o mundo chamaria de igreja morta. Talvez ela seja considerada viva até mes­mo pelas suas igrejas irmãs. De fato, desde que Cristo determina a igre­ja a ser “vigilante” e a adverte de que a sua vinda para julgá-la será inesperada, quer me parecer que nem a própria igreja tinha consciência do estado espiritual em que se encontrava. Todos a reputavam como igreja florescente, ativa e bem sucedida; todos, com exceção de Cris­to. Suas obras não atingiam o padrão estabelecido por Cristo. Nin­guém naquela igreja tinha atingido a integridade necessária (v.2). Se Cristo ameaça não confessá-la diante de Deus a razão é que, apesar de todo o seu ativismo, ela não está, de fato, confessando a Cristo (v. 5; Mt 10:32).

    Falha na integridade? Falha na confissão? Ninguém ficaria mais surpreso face às acusações do que a própria igreja. Mas “quando nos lembrarmos do que a palavra integridade significava, no sentido da vida cristã, aos cristãos em Esmirna, poderemos entender melhor o que João requeria da igreja em Sardes”: segura, contemplativa como a cidade de Sardes, não sofria nem perseguições, nem heresias. “Ela tinha imposto a si mesma a tarefa de evitar problemas, seguindo uma política baseada na conveniência e na circunspecção ao invés de no zelo fervoroso. ”

    Talvez não seja correto dizer que a sua reputação é a única coisa boa que a igreja tem. Há algumas pessoas na igreja que ainda não es­tão mortas embora estejam morrendo (v.2). Umas poucas pessoas na igreja ainda não se contaminaram (v.4). Acima de tudo é menciona­da a primeira reação ao evangelho, “de como o tens recebido e ouvi­do” (v.3). A palavra importante é “como” e não “o que”. Oh! Se ela tão somente pudesse recuperar o espírito de santidade e consagração, “o como” daqueles primeiros dias! Do contrário Cristo ameaça vir de surpresa para julgá-la, como o ladrão na noite. O que ele descre­ve nestes versículos pode ser entendido como sua vinda no fim dos tempos, como em Mateus 24:36-44, mas pode referir-se a uma pu­nição mais imediata. João “esperava que a vinda final de Cristo seria antecipada em menores, mas não menos decisivas apari­ções”. A experiência da igreja em Sardes será igual à da cidade, a qual nunca fora tomada de assalto e se julgava impugnável, po­rém mais de uma vez fora capturada em surdina.

    Mesmo a promessa do versículo 5 contém uma advertência. Não há menção do reino e do poder e da glória contidos nas outras car­tas como prêmio aos cristãos vitoriosos. Tudo o que Cristo prome­te aos vitoriosos de Sardes é que o nome do vencedor não será apa­gado do livro da vida, de modo nenhum, e que ele será vestido com as vestes brancas da justiça. Em outras palavras, tudo o que é ga­rantido aos cristãos em Sardes, é que eles serão aceitos por Deus, como para sublinhar a possibilidade de que a igreja, como um to­do, poderia até perder esse privilégio.

    Se Cristo é o único que pode ver e expor a verdadeira condição da igreja em Sardes, ele é certamente o único que pode lidar com ela. E ele está pronto para fazê-lo. Ele é “aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas”; e quando ele menciona juntas as estrelas, que são os anjos representativos das igrejas, e os sete espíritos, duas coisas podem acontecer. Os sete espíritos são os olhos de Deus de quem nada se pode ocultar (5:6); daí procede a mensa­gem tão severa que acabamos de ouvir. Eles, os espíritos, são tam­bém o poder vivificador da parte de Deus e, em Sardes, como em todas as sete igrejas, Cristo tem nas mãos tanto a igreja necessita­da, como o espírito vivificador. Ele pode reconciliá-los, não somente para fazer diagnóstico da situação mas para revificar os mortos. Pre­cisamos estar certos de que se Sardes se lembrar, e der ouvidos, e se arrepender, ele a revificará.

    A Sexta Carta: à Igreja em Filadélfia (3:7-13)

    Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fecha­rá, e que fecha e ninguém abre. 8Conheço as tuas obraseis que te­nho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. 9Eis que farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus, e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés, e conhecer que eu te amei. 10Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam so­bre a terra. 11Venho sem demora. Conserva o que tens para que ninguém tome a tua coroa. 12Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no san­tuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jeru­salém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. 13Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Além de Esmirna, Filadélfia é a única igreja em que Cristo não en­contra faltas. Qualquer austeridade que pareça demasiada da parte de Cristo não é motivada pelas faltas encontradas, e sim pelos fatos que precisam ser enfrentados. Uma época de testes se aproxima, não certamente a última grande tribulação que João erradamente julga­va iminente, nem uma perseguição local, o que fica evidente pelas pa­lavras: “hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro”. Este teste refere-se à perene perseguição, da qual todas as pequenas perse­guições e, especialmente, a grande tribulação, são partes integrantes. E a igreja não tem grande força para enfrentar esta batalha. Cristo não minimiza as dificuldades que deverão ser enfrentadas.

    Ele encoraja a igreja. A igreja se defronta com uma oposição e (possivelmente) com oportunidades, e a intenção de Cristo é ajudar a igreja a vencer a primeira e a confirmar a segunda.

    O paralelo ente Filadélfia e Esmirna pode ser novamente encontrado no fato de Filadélfia ter que enfrentar a oposição dos da “sinagoga de Satanás” (2:9). Para entender bem a ideia da palavra “mentem”, no grego, devemos pensar nessas pessoas como sendo pseudo-judeus. Eles reivin­dicam para si, falsamente, a glória de serem o povo santo de Deus. Em contraste, Cristo se apresenta como “o santo, o verdadeiro” (v.7). Ele men­ciona antigas profecias segundo as quais o povo de Deus será, um dia, justificado, e o resto da humanidade se curvará diante desse povo. Cris­to diz à igreja que o cumprimento dessas profecias será o contrário do que era esperado pelos judeus de Filadélfia: eles é que terão de “prostrar-se aos teus pés” e reconhecer “que eu te amei”. Oh! Que os cristãos se ani­mem, pois são os favoritos do Senhor.

    Frequentemente, no Apocalipse, João faz coro aos outros escrito­res apostólicos, ensinando que os privilégios e as promessas feitas aos judeus no Antigo Testamento foram herdadas pela igreja cristã.12 Esta doutrina, bem como o seu aspecto histórico, encontra-se nestes mesmos versículos da carta aos cristãos de Filadélfia. Uma investigação acerca do significado da expressão “a chave de Davi” leva-nos até o livro de Isaías. Interessante notar que encontraremos menções do li­vro de Isaías espalhadas por todo o capítulo 3 do Apocalipse. A “cha­ve” aparece em Isaías 22:22, juntamente com a promessa de que o responsável por ela, Eliaquim, encarregado da casa de Davi, teria a mes­ma autoridade que Cristo tem de abrir e fechar. Mas abrir e fechar o quê? A entrada da casa de Davi. E com que propósito? Os portões es­tão abertos, diz Isaías, “para que entre a nação justa que aguarda a fidelidade (26:2). Assim como o próprio Eliaquim é “fincado como estaca em lugar firme, e ele será como um trono de honra para a casa de seu pai” (22:23), da mesma forma, aos fracos, aos desprezados e aos estrangeiros, será dada a “minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome melhor” (56:5). As nações também virão em submissão humilde (60:11); “todos os que te oprimiam, prostrar-se-ão até as plantas dos teus pés” (60:14 cf 49:22,23). Todas as ideias aqui dizem respeito ao acesso à casa de Davi, ao reino, à cidade e ao templo de Deus. O que se segue pode ser acompanhado passo a pas­so. O Senhor condena o legalismo dos judeus (“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais o reino dos céus diante dos ho­mens; pois vós não entrais, e não deixais entrar os que estão entran­do” Mt 23:13) e transfere a autoridade de porteiro à igreja (“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus” Mt 16:19). Dessa forma Pedro e os ou­tros cristãos têm o privilégio de dar as boas vindas não somente aos judeus, mas aos samaritanos e aos gentios como membros permanen­tes do reino (At 2, 8,10). Assim, todo conceito expresso nas palavras: chave, porta, cidade, templo e coluna torna-se cristão, e é a base para a transferência acima mencionada. Os judeus precisarão aprender “que eu te amei”.

    Este favor não merecido é a raiz de todo o resto. Em certo sentido Cristo guarda (ou preserva) o seu povo porque eles guardam (ou ob­servam) a sua palavra (v.10) e o incentivo que ele dá, tanto a Filadélfia como a Esmirna, é dirigido a todos os que lhe são leais. Mas a cadeia de causa e efeito vai mais fundo; eles obedecem aos mandamentos por­que ele os amou primeiro. E vai mais fundo ainda: o resultado final do amor de Cristo pela igreja é que a igreja de “pouca força” será estabe­lecida como uma coluna irremovível no templo da Jerusalém Celestial (v.12). Esta igreja será selada de modo triplo: pertence a Deus, perten­ce à cidade de Deus e pertence ao Filho de Deus. Sua terna promessa aos que se sentem dolorosamente cientes de suas próprias fraquezas e inseguranças, é que no final eles pertencerão ao Senhor.

    Até que esse dia chegue, o Senhor os anima a suportarem as pres­sões e, como não poderia deixar de ser, ao serviço. Em outras passa­gens do Novo Testamento a expressão “uma porta” é figura de opor­tunidade (1 Co 16:9; 2 Co 2:12); e, apesar disso, como vimos, nestes versículos significa principalmente a segurança que eles tinham de en­trar na Nova Jerusalém; essa porta também é o único caminho pelo qual os outros podem entrar no Reino. Invertendo a figura apresen­tada por Isaías, mesmo os judeus poderiam ser convertidos da sina­goga de Satanás. Assim os cristãos são duplamente incentivados, pois o mesmo Cristo, que anula os opressores, amplia as oportunidades. A porta foi aberta por ele e ninguém poderá fechá-la. É motivo para os cristãos se animarem e usarem a força que têm no serviço que ele lhes confiou.

    A Sétima Carta: aos Cristãos em Laodicéia (3:14-22)

    Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fos­ses frio, ou quente! 16Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; 17pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. 18Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras bran­cas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas. 19Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te. 20Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo. 21Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como tam­bém eu venci, e me sentei com meu Pai no seu trono. 22Quem tem ou­vidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    A arqueologia tem se encarregado de fornecer dados bastante interessantes acerca da história relacionada com esta carta. Laodicéia era um centro bancário e produzia artigos têxteis. Também era famosa por produzir uma espécie particular de colírio (ver v.18). Era também uma estância hidromineral de águas mornas que vinham de fontes próxi­mas à cidade (ver v.16). Assim as palavras de Cristo à igreja contêm uma confortável mensagem, bem apropriada. Mesmo que não tivés­semos o conhecimento arqueológico, ainda assim não teríamos problemas em identificar o juízo que Cristo faz da igreja. “Quem dera fosses frio ou quente!” Que condenação pior poderia existir para uma igreja do que o Senhor dizer que preferiria um cristianismo mais frio do que o encontrado efetivamente em Laodicéia.

    Em outras cidades da Ásia temos observado que o estado da igreja geralmente corresponde ao estado da cidade. Em Laodicéia, entretan­to, isso não se repete; há um contraste entre a cidade e a igreja. A igreja é a imagem da cidade revertida como em um negativo. Financistas, médicos e fabricantes de tecidos se encontram entre os cidadãos mais notáveis da cidade; porém a igreja é considerada “miserável, pobre, cega e nua”. “Laodicéia tinha falhado no propósito de encontrar em Cristo a fonte de toda a verdadeira riqueza, esplendor e visão. ”

    A indiferença de Laodicéia é a pior condição em que uma igreja pode sucumbir. A situação de Laodicéia é pior que a de Sardes onde, pelo menos, existia um fio de vida. A única coisa boa em Laodicéia é a opinião da igreja sobre si mesma e, ainda assim, completamente falsa. Ela tem a pretensão de ter todas as coisas, mas na realidade não tem nada. Devemos lembrar-nos de que em 1:16 há sete estrelas na mão de Cristo. Nós até podemos duvidar se ela era uma igreja verdadeira. Será que a linguagem de Cristo deveria nos chocar? É difícil pensar assim, frente ao descrito no versículo 16: “Estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. É o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira que pro­fere estas palavras, e elas são uma parte de todas as outras ameaça­doras escrituras que falam do Senhor, desgostoso com essa geração (Sl 95:10) e zombando dos homens (Sl 2:4).

    Apesar disso Laodicéia tem uma chance. O fato de ser repreen­dida é uma prova de que o Senhor a ama (v.19); a ameaça de abando­no total, caso ela não se arrependa, é contrabalançada pela promes­sa de reestabelecimento total, caso ela se arrependa. Por causa dessa igreja desastrada, o Senhor se apresenta, no versículo 14, como “o prin­cípio da criação de Deus” (talvez a melhor tradução seja: a origem da criação de Deus), aquele que é capaz de descer até o caótico abismo do fracasso de Laodicéia e restaurá-la, assim como um dia ele fez com o mundo.

    Isso só será possível se ela quiser. A soberania divina não é, de modo algum, prejudicada por isso. Cristo é o único que pode provi­denciar as riquezas, as roupas e o unguento; ele é a voz persuasiva que aconselha Laodicéia a aceitar a oferta. Ele é o que vem, o que perma­nece, o que bate, o que chama. Sua soberania está implícita no fato de ele ser “a origem da criação” de Deus, verdade esta que a igreja de Laodicéia já conhecia através da carta de Paulo aos Colossenses (Cl 1:15-18; 4:16). Mas a pergunta crucial para a igreja é se ela abrirá a porta e deixará Cristo entrar. “Pois a única cura para a indiferença é a readmissão do Senhor excluído. ”

    Mesmo que a igreja seja surda à chamada de Cristo, ele ainda as­sim se dirige a cada um dos membros individualmente, pois “quan­do Cristo diz: Eis que estou à porta e bato, se alguém… é clara a sua intenção de dirigir-se ao indivíduo. Mesmo que a igreja, como um to­do, não dê ouvidos à sua advertência, pode ser que um indivíduo o faça. ” A todas as pessoas de Laodicéia que apresentarem evidências de arrependimento, o Senhor promete, nos versículos 20 e 21, uma majestosa recompensa: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci, e me sentei com meu Pai no seu trono.”

     

    Bibliografia J. R. W. Stott

     

  • Onde estão os finados

    Por: Augustus Nicodemus Lopes
    Eu sei que a resposta óbvia é “enterrados no cemitério”, mas eu me refiro à alma dos finados. A resposta bíblica pode ser resumida em alguns pontos, que não pretendem ser exaustivos, mas que representam o pensamento evangélico histórico e reformado sobre o que acontece após a morte.
    • Imediatamente após a morte, as almas dos homens voltam a Deus. Seus corpos permanecem na terra, onde são destruídos.
    • As almas dos finados não caem em um estado de sono ou de inconsciência após a morte.
    • As almas dos salvos em Cristo Jesus entram em um estado de perfeita santidade e alegria, na presença de Deus, e reinam com Cristo, enquanto aguardam a ressurreição de seus corpos.
    • Esta felicidade não é impedida pela memória de suas vidas na terra, uma vez que agora eles consideram tudo à luz de perfeita vontade de Deus e do Seu plano perfeito.
    • Sua felicidade e salvação é somente pela graça de Deus.
    • Eles não têm poder de interceder pelos vivos ou tornar-se mediadores entre eles e Deus.
    • As almas dos perdidos não são destruídas após a morte, mas entram em um estado de sofrimento consciente e de escuridão, tirados da presença de Deus, enquanto esperam o dia do julgamento.
    • Não há outros estados além destes dois após a morte. Não há qualquer base bíblica para a doutrina do purgatório e nem da reencarnação.
    • Nem as almas dos salvos nem as dos perdidos podem voltar para a terra dos vivos após a morte. Todas os fenômenos considerados como a ação de almas desencarnadas deve ser atribuída à imaginação humana ou à ação de demônios.

    A realidade da morte e da sobrevivência da alma deveria nos lembrar sempre das palavras de Jesus: “De que adiante ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

  • A Lição de Gálatas 6:6

    “Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de  todas as  coisas boas aquele que o instrui”.

    01. O sentido do versículo é que aquele que é instruído na palavra, reparta coisas boas com aquele que o instrui! O discípulo, o aluno, a ovelha em relação ao seu instrutor, ao Mestre, ao Pastor. Pastorear é, basicamente, dar alimento ao rebanho.

    A ovelha é alimentada, é instruída por seu líder espiritual e, assim, vem a resposta em forma de gratidão, ou seja, o amor em ação: resposta em dar, em repartir algo de bom para com o seu mestre!

    02. A versão de J.B.Phillips diz: “Todo o que for instruído na doutrina cristã, não deixe de contribuir de boa vontade com os seus bens para a subsistência do seu mestre”.

    03. Tem-se a mutua compensação, dar (ministrar a Palavra, o ensino) e receber (o ministrante recebe coisas boas pelo que faz).

    04. O ministrado, por força da palavra grega “koinoneo”, no sentido de comunicar ou compartilhar, há de ser grato ao seu mestre, lhe compensando com algo de bom, o que envolve no primeiro momento, repartir, compartilhar “coisas boas”. Claro, que coisas boas, necessariamente, não são coisas caras, de alto preço (embora isto possa ocorrer), mas, pequeno mimo já expressa amor e gratidão. Nas Igrejas do interior, é comum o povo da roça levar ovos, ou galinha caipira para o seu Pastor ou Líder. Eles levam laranjas, bananas, jaca, verduras e outras frutas. Isso é um gesto de amor e de gratidão!

    05. A ovelha, o instruído faz uma viagem ao exterior e certamente, lembra do seu instrutor na Palavra e traz alguma lembrança, como gesto de amor e gratidão.

    06. Tem-se uma espécie de mutualidade no compartilhar. De um lado, o ministrante que se prepara da melhor maneira possível, que gasta tempo na leitura, na pesquisa, no estudo e na oração, e se apresenta para comunicar o ensino, a doutrina, que certamente trará edificação e crescimento espiritual. Do outro lado, o discípulo, a ovelha que é instruída na palavra, também deve comunicar ou compartilhar coisas boas com o seu Líder ou Instrutor, dentro da sua capacidade financeira ou de bens!

    07. O que está em jogo é o amor e a gratidão por parte daqueles que recebem o genuíno leite racional da Palavra. 08. Hebreus diz: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a Palavra de Deus” (13:7). 09. Claro que o obreiro já é digno de duplicada honra e, coletivamente, a Igreja na totalidade de seus membros, tem a responsabilidade de sustentá-lo ( I Timóteo 5:17-18).

    Todavia, Gálatas 6:6, aponta a individualidade de responsabilidade –, “o que é instruído”. Sim, ele precisa ter um espírito de gratidão, de amor e, como é sabido, o amor se expressa em dar, em repartir, em compartilhar. É a fé em ação, pois, “a fé sem obras é morta”, Tiago 2:26b.

  • R.N.Champlin – O Místico intérprete "Versículo por versículo" da Blíblia.

    2Co 11:3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.

    Fiquei impressionado com a quantidade de Teólogos, Professores e estudantes das escrituras que adotam R.N. Champlin como base para seus estudos, o que poucos sabem (ou fazem de conta que não sabem) é que este mesmo autor é esotérico, seus escritos estão cheios de conceitos espíritas e misturas ocultistas, diante deste fato e dos que apresentarei logo mais abaixo, pergunto;

    Como se pode admitir que se divulgue esse tipo de afirmação não-bíblica em uma obra que pretende interpretar a Bíblia?

    Quem estaria por trás dessa obra que tanto cativa Cristãos em todo o Brasil?

    Por que a Editora Hagnos não responde as correspondências que questionam os ensinos contidos em tal Obra?

    (mais…)