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  • Subsídio – Lição 1 – Central Gospel – 4º Trimestre 2013

    Subsídio – Lição 1 – Central Gospel – 4º Trimestre 2013

    são-joao-batista

    João Batista, o precursor do Nazareno

    Esboço

    1. Caracterização Geral
    2. Família e Começo de Vida
    3. Fontes Informativas
    4. Ministério e Mensagem de João Batista
    5. Elias Redivivo
    6. João Batista e Jesus
    7. Seguidores de João Batista
    8. Morte de João Batista

    (mais…)

  • Lição 7 – A intituição do discípulado

    Lição 7 – A intituição do discípulado

    DISCIPULADO

    INTRODUÇÃO

    A “missão educadora” da Igreja, o discipulado, é, ao lado da evangelização, um dos dois pilares fundamentais da Igreja. São duas tarefas indissociáveis, impostas por ordem de nosso Senhor Jesus e que está exarado na passagem de Mateus 28:19,20. O Senhor Jesus disse aos seus discípulos que eles deveriam ir e “ensinar todas as nações”, expressão esta que, em algumas versões, é traduzida por “fazei discípulos”.

    A Igreja deve pregar o Evangelho, mas é preciso, também, que ela “ensine às nações”, “faça discípulos”, cuidado este que era patente nos tempos apostólicos, a ponto de os apóstolos terem chamado para si esta tarefa, considerando, inclusive, não ser razoável deixar de se dedicar à oração e ao ensino da Palavra (At.6:2,4), sem falar no zelo de Barnabé com relação à primeira igreja gentílica, a de Antioquia (At.11:25,26) e dos conselhos que Paulo dá a Timóteo no sentido de jamais se descuidar com o ensino junto aos crentes (I Tm.4:12-16).

    Quando alguém se converte a Cristo e nasce de novo, é um recém-nascido, é uma pessoa que não tem conhecimento algum a respeito das coisas de Deus, a respeito da vida com o Senhor Jesus. Embora tenha recebido uma nova natureza, embora seu espírito tenha se ligado novamente a Deus, ante a remoção dos pecados, é um ser humano e, como tal, precisa ser ensinado a respeito do Senhor, ensino este que deve ser proporcionado pela Igreja, que é a quem o Senhor cometeu esta tarefa sobre a face da Terra. Jesus é quem salva, mas é a Igreja quem deve “fazer discípulos”, quem deve “ensinar”.

    I. A TAREFA DA IGREJA NO DISCIPULADO

    1. A visão da igreja quanto ao discipulado. Criada para ser a agência do reino de Deus aqui na Terra, a Igreja, ao mesmo tempo em que, para os que se encontram fora do reino de Deus, precisa ser a anunciadora da salvação, pregando o Evangelho, deve, para os que já viram e entraram no reino de Deus (Jo.3:3,5), ser a instruidora, aquela que ensina a Palavra de Deus aos que se converteram, a fim de que possam eles crescer espiritualmente e alcançar a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13).

    A evangelização (o ato de semear o evangelho) e o discipulado (integração do novo crente) requerem tempo, pelo fato de que ambas as atividades envolvem um processo contínuo e, não apenas, um ato isolado. Além disso, demandam muita oração, esforço, paciência, fé e perseverança para alcançar os resultados desejados.

    A maturidade espiritual do cristão não ocorre de modo rápido e instantâneo, mas progressivamente em Cristo (Cl 1.28, 29). Para que conservemos em nossas igrejas os novos convertidos em Cristo, precisamos trabalhar com amor, dedicação e objetividade. Muito da imaturidade espiritual dos membros da igreja local é resultado da ignorância destes em relação às doutrinas básicas da Bíblia. É o que se denota nos destinatários da carta aos Hebreus -“Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal”(Hb 5.12-14).

    2. O quadriforme método de Jesus.  Mateus 28:19,20 – “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. Observe que neste texto é apresentado o método quadriforme, ordenado por Jesus: indo, fazendo discípulo, batizando e ensinando.  O texto sagrado destaca os verbos em sua forma imperativa. Nota-se que não é uma recomendação ou um conselho, mas uma ordem do nosso Senhor. Assim se destaca o método quadriforme imperativo:

    a) Ide. No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho. Esta determinação verbal está combinada com a do texto de Marcos 16:15: “…Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura”.

    A ordem do Senhor é que devemos ir por todo o mundo. Ir ao encontro do mundo, ir ao encontro dos pecadores, levar-lhes a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O homem não tem condições de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo(II Co.4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

    A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo. Deve-se pregar a toda a criatura, mesmo que seja a pior pessoa que exista sobre a face da Terra. Não cabe à Igreja julgar os homens e dizer a quem deve, ou não, ser pregada a Palavra. O Senhor foi enfático em dizer que toda criatura deve ouvir a mensagem do Evangelho, seja esta pessoa quem for. É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Jonas teve de pregar para todos, sem exceção, ainda que muitos, pela sua extrema crueldade e maldade, fossem, na verdade, verdadeiras “bestas-feras”, verdadeiros “animais” (Jn.3:8), que, mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus – Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo, e nós, o que estamos a fazer?

    b) Fazer discípulos. Este imperativo tem o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo; a tarefa exige que o discipulador acompanhe e conviva com o aprendiz.

    c) Batizar. É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor.

    O batismo nas águas é uma ordem a ser cumprida por quem se arrependeu dos seus pecados – “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”(At.2:38. Deste modo, não podem ser batizadas crianças recém-nascidas, vez que não têm o discernimento do que é, ou não, pecado e, portanto, não podem se arrepender dos seus pecados, como também não podem ser batizadas pessoas que não tenham demonstrado que, efetivamente, creram no Evangelho e nasceram de novo. Só é lícito o batismo daquele que realmente creu de todo o seu coração – “E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco:Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?; E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”. (At.8:36,37).

    d) Ensinar as doutrinas da Bíblia. Este imperativo denota o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã. Ensinar aos homens e ensinar-lhes a Palavra de Deus foi o que o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos, quando lhes disse: “… ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado..”(Mt 28:20).

    O pastor Oséas Macedo, na obra Manual de Missões (CPAD, 1997:13), afirma que a tarefa de salvar o mundo não pode ser desassociada do enviar crentes para alcançá-lo. O processo de salvar o mundo começa com enviar. Enviar pessoas capacitadas por Deus para pregar, a fim de que todos possam ouvir, crer e invocar o nome de Jesus para serem salvos. No entanto, a tarefa da igreja não estará completa enquanto o novo crente não for integrado à vida da igreja e tornar-se capaz de ganhar outros para Cristo.

     

    II. DISCIPULADO E DISCÍPULO

    1. Que é discipulado? – O discipulado nada mais é que ensinar a Palavra de Deus aos novos convertidos, àqueles que aceitaram a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador de suas vidas e fazer com que eles, que foram escolhidos por Deus, possam viver de tal maneira que dêem o fruto do Espírito, ou seja, tenham um novo caráter, uma nova maneira de viver que leve as pessoas a glorificar ao nosso Pai que está nos céus, ou seja, vivam de tal maneira que suas ações os transformem em testemunhas de Jesus, em prova de que Jesus salva e, por isso, outras pessoas reconheçam o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, ou seja, o Evangelho (Rm.1:16).

    Quando uma pessoa nasce de novo, encontra-se na mesma posição de Lázaro ressuscitado. Jesus, depois de quatro dias, quando o corpo de Lázaro já estava em decomposição, mostrou o seu poder sobre a morte, fazendo-o ressurgir dos mortos. Milagrosamente, Lázaro saiu da sepultura com vida. Entretanto, é interessante notar que Lázaro foi para fora da sepultura, mas se encontrava ainda todo enfaixado, conforme os costumes judaicos de preparação do cadáver. Jesus não determinou que Lázaro fosse daquele jeito para casa nem tampouco se incumbiu de desligar o ex-defunto. Mandou que aquelas pessoas que estavam ali vendo o milagre tratassem de tirar as faixas de Lázaro, de modo que ele próprio (Lázaro) fosse para a sua casa (Jo.11:44). Assim ocorre com o novo convertido: só Jesus poderia trazê-lo à vida, ou seja, salvá-lo; mas cabe a nós que estamos com Jesus neste mundo tomar as providências necessárias para que o novo crente se desligue de tudo aquilo que estava relacionado com a vida sem Cristo, ou seja, com a morte espiritual, para que ele, individualmente, siga em direção à sua casa, onde já o aguarda o Salvador.

    Foi exatamente isto que Barnabé e Paulo fizeram na igreja de Antioquia, a primeira igreja formada por gentios na história da Cristandade. Barnabé, ao verificar que havia conversão autêntica, tratou de buscar a Paulo e, durante todo um ano, houve o discipulado, ou seja, o ensino da Palavra àqueles novos crentes. O resultado daquele ano de ensino não poderia ser melhor: os novos convertidos passaram a ter uma vida muito semelhante à de Jesus, passaram a ser diferentes dos demais moradores de Antioquia, passaram a ser provas vivas da transformação que o Evangelho produz nas pessoas. Após terem sido ensinados na Palavra e terem mudado de vida, os moradores de Antioquia passaram a notar a diferença e, cumprindo o que disse Jesus a respeito do efeito das boas obras dos seus discípulos, passaram a chamar os discípulos de “cristãos”, isto é, “parecidos com Cristo”, “semelhantes a Cristo”(At.11:26). Eram os homens glorificando ao Pai que está nos céus (Mt.5:16). Era o resultado do ensino da Palavra.

    O “discipulado” não é uma tarefa somente dos novos convertidos, não. Embora muitos considerem que o “discipulado” seja uma tarefa destinada somente aos novos convertidos, ou seja, um período de ensino da Palavra de Deus até o batismo nas águas, temos que a realidade bíblica é bem diferente. Não resta dúvida de que é necessário um discipulado específico para o novo convertido, como, aliás, vimos no episódio da igreja em Antioquia. Entretanto, o discipulado não se encerra com o batismo nas águas do novo convertido que, tendo dado frutos dignos de arrependimento, desce às águas e é inserido na igreja local. O discipulado tem como finalidade o de nos fazer cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus; é uma tarefa incessante, que não tem fim.

    Discipular é ensinar a Palavra, é aperfeiçoar os santos, é disciplinar em um caminho. É colocar o Caráter de Cristo em outra pessoa, através do ensino e do exemplo. Assim, somente pode ser considerada encerrada quando alguém tiver atingido a perfeição, pois só alguém perfeito não necessita ser aperfeiçoado. Tanto assim é que o apóstolo Paulo afirma que os dons ministeriais devem ser exercidos até que cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13). Quem, porventura, chegou a este estágio durante os quase dois mil anos de Igreja? Alguém já chegou à estatura completa de Cristo? Alguém já atingiu a perfeição? Evidentemente que não! Se formos para a história dos grandes homens de Deus, sem dúvida que diríamos que, nos tempos apostólicos, o apóstolo Paulo se encontrava entre aqueles que poderiam ter chegado a este nível. No entanto, o próprio Paulo afirmou que não havia chegado a tal condição (Fp.3:12). Se Paulo que foi mero imitador de Cristo(1 Co 11:1), com recomendação para imitá-lo(Fp 3:17), que  teve uma revelação especial de Jesus, não chegou a esta estatura, quem somos nós para dizer que o fizemos? Por isso, indubitavelmente, o discipulado é uma tarefa que nunca há de terminar na Igreja, visto que seu alvo é inatingível. Podemos, mesmo, afirmar que, ao dizer que o objetivo do discipulado é nos levar à estatura completa de Cristo, estamos aqui diante de uma expressão bíblica cujo significado é um só: “devemos aprender sempre”.

    2. Que significa ser discípulo?  – “Discípulo” significa “aluno”, “aquele que aprende”. A palavra “discípulo”, do grego mathetés, é usada 269 vezes nos Evangelhos e em Atos.  Jesus, a exemplo dos mestres judeus do seu tempo (os chamados “rabis”, hoje denominados de “rabinos”), era seguido pelos seus “alunos”, ou seja, por aqueles que queriam aprender as lições do mestre, por aqueles que esperavam aprender do mestre o conteúdo das Escrituras. João tinha os seus discípulos (Mt.9:14), assim como Jesus. Estes “discípulos” eram pessoas que, fundamentalmente, queria aprender com Jesus, tinham interesse em tomar conhecimento daquilo que Jesus lhes queria transmitir e, por causa deste interesse, recebiam a revelação daquilo que estava oculto às demais pessoas (Mt.13:10,11).

    Ser “discípulo” de Jesus é querer aprender de Jesus e o próprio Jesus enfatizou que é necessário que aprendamos dEle se quisermos encontrar descanso para as nossas almas (Mt.11:29). Somente sendo “discípulo”, ou seja, querendo aprender a respeito de Jesus, que nada mais é que aprender a respeito das Escrituras (Mt.22:29; Jo.5:39), é que teremos acesso à verdade e, por isso, seremos santificados (Jo.17:17), daremos fruto a ponto de sermos reconhecidos como filhos de Deus (At.11:26) e, por causa disto, desfrutaremos da vida eterna com o Senhor(Mt.13:23,43).

    “O discípulo não é mero aprendiz, mas alguém que segue as pisadas de seu Mestre e possui íntimo relacionamento com Ele”.

    Nos Evangelhos, Jesus define a palavra discípulo de cinco maneiras:

    1) Discípulo é um crente que está envolvido com a Palavra de Deus de maneira contínua – “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos” (Jo 8.31).

    2) Discípulo é aquele que ama sacrificialmente, sem medir esforços – “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35); “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos”(1 Jo 3.16).

    3) Discípulo é alguém que permanece diariamente em união frutífera com Cristo – “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15.8).

    4) Discípulo é aquele que assume a sua cruz e segue a Cristo –“ Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27).

    5) Discípulo é aquele que renuncia tudo que tem – “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33).

    III. A IGREJA REALIZANDO O DISCIPULADO

    O discipulado, ou seja, o ensino da Palavra de Deus, é uma tarefa fundamental e ininterrupta da Igreja. Observe que “fazer discípulos”, “ensinar as nações” é uma ordem de Jesus, exarada no mesmo texto que diz respeito ao batismo nas águas (que estudamos na lição anterior).

    O ensino da Palavra de Deus, portanto, é uma necessidade, necessidade esta de que deve a igreja local estar sempre consciente, assim  como a de evangelizar. Entretanto, é com tristeza que vemos que, assim como a Igreja está dispersa com respeito à evangelização, como vimos na lição 02, também o está, e até com maior intensidade ainda, com respeito ao ensino da Palavra de Deus.

    1. A Igreja deve selecionar pessoas para o discipulado. Para cumprir a tarefa do ensino da Palavra, é preciso, em primeiro lugar, que a Igreja se veja dotada de homens e mulheres preparados para ensinar. Na igreja de Antioquia, Barnabé ao notar a salvação daqueles crentes, imediatamente viajou para Tarso, para trazer a Paulo, pessoa que ele sabia ser preparada e capaz de ensinar aqueles novos convertidos(At 11:25,26).

    Um dos grandes problemas que temos visto nas igrejas locais da atualidade é o despreparo das pessoas para ensinarem a Palavra de Deus. Quando falamos em preparo, não estamos nos referindo a escolaridade ou a conhecimento secular de alguém, mas, sobretudo, a seu conhecimento bíblico, a sua capacidade de manejar bem a Palavra da Verdade (I Tm.2:15).

    Infelizmente, as atividades de ensino são, quase sempre, as mais desprezadas nas igrejas locais na atualidade. O termômetro desta situação é a Escola Bíblica Dominical, que, segundo pesquisa, apenas 10% dos membros da igreja tem interesse em aprender a Palavra de Deus. Isto é lamentável! Esta situação leva-nos a inferir que é uma das principais razões da frieza espiritual, da influencia mundana e da total desinformação que tem tomado conta do nosso povo nos últimos anos, sem falar nas milhares de vidas que se encontram completamente aprisionados por heresias e falsos ensinos, que têm tomado conta dos nossos púlpitos.

    O descaso com a Escola Bíblica Dominical por parte de muitos pastores e dirigentes de igrejas locais, eles próprios eternos ausentes destas reuniões, leva, muitas vezes, à entrega das classes a pessoas despreparadas, que mal sabem para si, que dirá para os outros. Estamos muito longe do modelo bíblico, em que os apóstolos, apesar de serem os principais nomes da igreja, tomavam para si a responsabilidade do ensino da Palavra, ensino este que era prioritário, tanto que a primeira coisa que Lucas faz notar na igreja primitiva é de que eles “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At.2:42).

    O ensino da Palavra deve ser a atividade interna prioritária, primordial na igreja local. Depois da evangelização, que é voltada para ganhar almas para o Senhor, que é voltada para os que estão fora da igreja local, para a comunidade, a igreja local deve se preocupar é com o aprendizado de seus membros, com o ensino da Palavra. Assim, as reuniões voltadas para os salvos devem ser, prioritariamente, de ensino da Palavra, de ensino doutrinário. Entretanto, o que se tem visto é uma simples leitura da Palavra de Deus em algumas reuniões, quando o é, sem qualquer exposição ou ensino a respeito dela. Não são poucos, aliás, os crentes que nem mesmo levam suas Bíblias para tais reuniões, pois sabem que nem sequer tais Bíblias serão lidas ou abertas. Estamos, lamentavelmente, a viver os tempos tristes anunciados pelo profeta Amós, tempos de fome e de sede da Palavra de Deus (Am.8:11).

    2. A igreja deve concentrar sua atenção sobre os discipuladores. Na força do Senhor, a igreja precisa investir o máximo na preparação de discipuladores, a fim de fazer mais discípulos, e o pastor da igreja é o ponto de partida para a dinâmica do ministério do discipulado.

    O progresso do trabalho do discipulador depende muito da visão do pastor da igreja local. Deve partir dele a tarefa do discipulado; ele deve ser o primeiro a ter prazer em ensinar e a se esmerar no ensino da Palavra. Deve ser alguém sempre pronto a elucidar dúvidas doutrinárias dos irmãos, um assíduo freqüentador da Escola Bíblica Dominical, alguém que demonstra esforço e profundidade doutrinária nos cultos de ensino, como também na pregação da Palavra nas reuniões públicas. Não precisa ser um “doutor em Divindade”, um “erudito”, mas precisa, isto sim, demonstrar conhecimento bíblico, intimidade com as Escrituras, precisa ser um obreiro aprovado, que maneja bem a palavra da verdade, e deve exigir de seus auxiliares este mesmo perfil.

    O dirigente deve incentivar os seus auxiliares no estudo da Bíblia, inclusive, se necessário, fazendo reuniões de estudos bíblicos com eles, a fim de estimulá-los a manejar bem a palavra da verdade. Deve dar atenção especial ao superintendente da Escola Bíblica Dominical e aos professores da EBD, participando das reuniões preparatórias deles sempre que possível, além de assistir às aulas da EBD, verificando, assim, como está sendo ensinada a Palavra na igreja local.

    Com relação aos novos convertidos, é preciso haver um segmento especial da igreja local para deles cuidar. Eles devem ser acompanhados de perto pelos evangelistas da igreja local, que deverão lhes tirar todas as dúvidas que tenham e dar prioridade a que eles aprendam os fundamentos doutrinários, as bases da doutrina cristã. Tais bases estão elencadas pelo escritor aos Hebreus, a saber: arrependimento de obras mortas, fé em Deus, doutrina dos batismos, da imposição das mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno (Hb.6:1,2). Tais ensinamentos devem ser dados, de forma sistemática, preferencialmente na Escola Bíblica Dominical, em classe específica para os novos convertidos, a fim de que eles possam, a um só tempo, ter conhecimento das verdades bíblicas essenciais, como também se acostumar a freqüentar a EBD.

    3. A igreja deve treinar os seus membros para a tarefa do discipulado. A igreja precisa, no discipulado cristão, de uma visão celestial multiplicadora, selecionando e treinando homens e mulheres para que, por suas vidas santas e ungidas e, pelo ensino das verdades cristãs, possam educar os novos discípulos e torná-los aptos para fazer outros. Mas, para se fazer o discipulado, é indispensável que demos o devido valor à Palavra de Deus, Palavra que o próprio Deus engrandeceu a tal ponto de a pôr acima de Si mesmo (Sl.138:2). Sem esta atitude, de nada adiantará desenvolver “cursos teológicos”, “cursos bíblicos”, “cursos de preparação de obreiros” e tantas outras coisas que têm sido inventadas e postas em prática na atualidade. Se as pessoas não se conscientizarem de que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus (Mt.4:4), um discipulado não terá êxito em qualquer igreja local. Foi isto que os apóstolos sempre fizeram, a ponto de terem arrogado para si esta tarefa e tê-la posto como prioridade absoluta em seus ministérios.

    O ministério de Jesus é o exemplo para a Igreja, que é o seu corpo: Ele pregou o evangelho às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt.10:6;15:24), como também preparou homens e mulheres que pudessem prosseguir a sua obra (Mt.11:1). Se seu ministério se resumisse tão somente na pregação, ante a rejeição de Israel (Jo.1:11), teria havido um fracasso. Entretanto, o Senhor formou um grupo de discípulos que, revestidos de poder, seriam suas testemunhas até os confins da terra (At.1:8).

    CONCLUSÃO

    A Igreja que não ensinar a Palavra de Deus aos seus integrantes, a começar dos novos convertidos, não estará cumprindo a sua tarefa sobre a face da Terra. Não basta pregar o Evangelho, também é necessário que os novos convertidos a Cristo sejam  devidamente instruídas na Palavra do Senhor, tenham conhecimento das Escrituras, sem o que não se tornarão discípulos de Jesus e quem não for discípulo de Jesus não entrará no céu, pois só aqueles que assim se comportarem poderão dar fruto e, portanto, ser considerados como justos e resplandecerem no reino do Senhor, como o Senhor deixou claro na interpretação que deu da parábola do joio e do trigo.

    “Centenas de pecadores convertem-se anualmente, experimentam o novo nascimento, mas não chegam à maturidade espiritual, pois lhes faltam pais espirituais. Muitos daqueles que permanecem se desenvolvem com anomalias e atrofias éticas e doutrinárias.  Onde estão os discipuladores? Você está disposto a “fazer discípulos”?

    Assim como o recém-nascido necessita de cuidados para desenvolver-se de modo saudável, o novo convertido precisa de cuidados espirituais para chegar à maturidade na fé. Isso só é possível se cada crente assumir o inalienável compromisso de ser um discipulador cristão.

    Alguém em certo lugar afirmou que a igreja é um hospital. Mas perguntamos: “Será que é uma geriatria?” — uma vez que não há renovação de seus membros. “Será que é uma ortopedia?” — uma vez que o corpo está atrofiado. “Será que é uma pediatria?” — pois todos os que nascem recebem os cuidados espirituais necessários. Façamos de nossas igrejas um hospital geral, que trate do ser humano em todas as suas necessidades espirituais”

     

     

  • Lição 6 – O exercício do dom de profecia na igreja atual

    Lição 6 – O exercício do dom de profecia na igreja atual

    profeta

    O que é Dom?

    Para iniciar é  importante estudar a distinção entre Dom de Profecia e Ministério de Profeta, precisamos conceituar biblicamente o termo Dom. A palavra, de acordo com a raiz hebraica nathan e a grega dosis (derivado do verbo didomi), estabelece um significado de dar (ou dotes) no contexto veterotestamentário; e um sentido ativo de “dar” ou um sentido passivo de “dádiva” num contexto neotestamentário; respectivamente (2 Cr 9.15; Jo 3.16)   .
    Particularizando a análise do termo “Dom” na categoria dos “Dons Espirituais”, é factível que três palavras gregas apareçam em 1 Co 12 – 14: “ta pneumatika” (12.1); “ta pneumata” (14.12); “ta charismata” (12.4,9,28,30,31). Esses termos significam, respectivamente, “dons, poderes e manifestações espirituais”; “manifestações do Espírito”; “dons da graça ou dons carismáticos (carismas)”  .

    Dom de Profecia

    O Dom de Profecia, analisado a partir das conceituações citadas acima e de acordo com 1 Co 12.4-27, é um dom ou manifestação espiritual (carismática) que dá a capacidade transcedental ao crente para desempenhar uma função útil no “Corpo de Cristo”. Esse dom não pode ser confundido com os dons ministeriais (conforme os de Efésios 4.11) e, muito menos, com as posições espirituais da igreja primitiva (como Presbíteros [ou Bispos, Pastores] e Diáconos), porém, ambos [os dons] servem para edificar a Igreja e denotar o seu caráter de Unidade, diversidade, distribuitivo, ordeiro, motivador, permanente e valoroso no exercício do uso adequado dos Dons.

    Profecia

    A profecia é uma manifestação do Espírito de Deus e não da mente do homem, e é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso: 1 Co 12.7.

    Embora o dom da profecia nada tenha a ver com os poderes normais do raciocínio humano, pois é algo muito superior, isso não impede que qualquer crente possa exercitá-la: “Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados”, 1 Co 14.31.

    Ainda que nalguns casos o dom da profecia possa ser exercido simultaneamente com a pregação da Palavra, é evidente que esse dom é dotado de um elemento sobrenatural, não devendo, portanto, ser confundido com a simples habilidade de pregar o Evangelho.

    Dada a importância desse dom em face dos demais dons espirituais, e dentro do contexto da doutrina pentecostal, necessário se faz uma análise cuidadosa, no sentido de conceituá-lo no seio da Igreja hoje.

    O apóstolo Paulo adverte os crentes a procurar “com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Co 14.1); isto por razões que ele mesmo enumera:

    a. Porque “o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação… O que profetiza edifica a igreja”, 1 Co 14.3,4.

    “Edificação”, “exortação” e “consolação” são os três elementos básicos da profecia, são a razão de ser e de existir desse dom. É evidente que isto contraria a crença tão popular entre nós, de que o principal elemento da profecia é o preditivo (predição do futuro). Certamente, que tanto o Antigo quanto o  Novo Testamento contêm numerosas profecias preditivas, muitas das quais já se cumpriram, e outras estão se cumprindo, e outras ainda se hão de cumprir, No entanto, no conteúdo geral das Escrituras, o elemento preditivo da profecia é relativamente o menor.

    b. Porque ‘‘se todos profetizarem, e algum in-douto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós”, l Co 14.24,25.

    Há algo mais que precisamos ter em mente quanto ao dom de profecia e o seu uso na Igreja hodiemamente:

    a) O dom de profecia nunca deve exercer propósitos diretivos ou de governo sobre a Igreja. No Antigo Testamento, Israel era governado por reis e o culto era dirigido pelos sacerdotes, mas nunca por alguém que se tivesse distinguido por um ministério cem por cento profético. Os profetas eram apenas colaboradores na condução do povo. O mesmo aconteceu corn a Igreja dc Novo Testamento: o seu governo sempre esteve sob a responsabilidade dos presbíteros ou bispos, ou pastores, mas nunca sob a responsabilidade de profetas.

    Escreveu o missionário Eurico Bergstén, que “quando alguém, por meio de profecia, penetra na direção da igreja, mostra que é dominado por influências estranhas. Abre-se, então, uma porta para a perturbação… Quando alguém se faz ‘oráculo de profeta’, para responder a perguntas e orientar os crentes, está usando indevidamente o dom de profecia… O dom de profecia não atinge, nesta dispensação, a faixa de consulta, pois tem uma outra finalidade: a edificação da Igreja”.

    b) Devido a possíveis abusos quanto ao uso do dom da profecia, este dom está sujeito a análise e a conseqüente julgamento. Recomenda o apóstolo Paulo: “…falem dois ou três profetas, e os outros julguem”, 1 Co 14.29.

    Paulo arremata suas advertências quanto ao dom de profecia, dizendo: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”, 1 Co 14.37.

    O dom de profecia não deve ser desprezado (1 Tm 4.14), mas despertado (2 Tm 2.16), a fim de que a Igreja seja enriquecida: 1 Co 1.57.

    Algumas perguntas sobre a questão:

    Onde vemos no Antigo testamento a promessa do dom de profecia e quando foi iniciado no Novo testamento?

    O Senhor DEUS, através do profeta Joel, prometeu derramar abundantemente do seu ESPÍRITO sobre os seus servos (Jl 2.28-32).

    Tal promessa, que iniciou o seu cumprimento a partir do Dia de Pentecostes e inclui especificamente o dom de profecia (Jl 2.28-32; At 2.16-21).

    Quem pode ter o Dom de Profecia, na Igreja?

    Qualquer crente salvo pode ter o dom de profecia na nova dispensação (1 Co 14.24).

    Independe de idade, sexo, status social e posição na igreja (At 2.17,18), tal como vemos nas quatro filhas de Filipe “que profetizavam” (At 21.9).

    Definição de Dom de Profecia:

    O dom de profecia, aqui abordado, é uma manifestação momentânea e sobrenatural do ESPÍRITO SANTO, como um dos dons espirituais prometidos, e não um ministério.

    O maior valor da profecia é que ela, sendo de DEUS, ao contrário das línguas estranhas (quando não têem a interpretação), uma vez proferida, exorta, edifica e consola a coletividade e não unicamente o que profetiza (1 Co 14.3-5).

    Características do Dom de Profecia:

    A Bíblia ensina que a profecia deve ser julgada na igreja e que o profeta deve obedecer ao ensino bíblico (1 Co 14.29-33).

    Não podemos esquecer que a profecia, nesse contexto, não se reveste da mesma autoridade da dos profetas e apóstolos das Sagradas Escrituras.

    O dom de profecia, na presente era, não é infalível e, portanto, é passível de correção.

    Pode acontecer de o profeta receber a revelação do ESPÍRITO SANTO e, por fraqueza, imaturidade e falta de temor de DEUS, falar além do que devia.

    Quem profetiza, portanto, deve ter o cuidado de falar apenas o que o ESPÍRITO SANTO mandar, não alegando estar “fora de si” ou “descontrolado”, pois “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1 Co 14.32).

    O nosso DEUS nunca deixou de se comunicar com o seu povo. Ele continua a falar conosco, inclusive por meio do dom de profecia. O Senhor sempre cuida do progresso e edificação de sua Igreja. Por essa razão, JESUS deu à sua Noiva, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores.

    A profecia, como dom, pode vir de 3 fontes: De DEUS, do homem e de satanás.

    Devem ser julgadas (1 Ts 5:21,22) e controladas para haver ordem no culto; um depois do outro e no máximo três em cada reunião (1 Co 14.31).

    Não devem ser desprezadas(1 Ts 5:20).

    Vêm para edificação, exortação e consolação(1 Co 14:3).

    Línguas + Interpretação = Profecia (1 Co 14:27,13).

    Diferente de profeta, todo profeta profetiza, nem todo que profetiza é profeta (1Co 14:31) e (Ef 4:11)

    Profeta é ministério dado por CRISTO, profecia é manifestação do ESPÍRITO SANTO.

    Profeta prediz alguma coisa que ainda vai acontecer, profecia não prediz nada.

    Todos podem profetizar (1 Co 14.31), mas poucos são chamados para serem profetas. 

    Exemplos de profecias:

    JESUS: “Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu vos tornarei a ver, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.”(Jo 16:22).

    Paulo: “disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos. Então os soldados cortaram os cabos do batel e o deixaram cair. Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais e permaneceis em jejum, não havendo provado coisa alguma. Rogo-vos, portanto, que comais alguma coisa, porque disso depende a vossa segurança; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.”(At 27:31-34).

     

     

     

     

  • Lição 5 – Liderança em tempo de reforma

    Lição 5 – Liderança em tempo de reforma

    neemias

    As atitudes de Neemias na sua chegada a Jerusalém mostram que estava capacitado para fazer a obra que Deus queria que fizesse em Judá.

    INTRODUÇÃO

    – Na sequência do estudo do livro de Neemias, estudaremos hoje o capítulo 2, que nos narra a ida de Neemias até Jerusalém.

    – As atitudes tomadas por Neemias mostram que estava devidamente capacitado pelo Senhor para empreender aquela grande obra que era a restauração da nação judaica.

    I – NEEMIAS PEDE AO REI PARA IR PARA JERUSALÉM

    – Neemias foi buscar a face do Senhor a fim de poder conhecer qual era a vontade divina no caso e, no mês de Nisã, no vigésimo ano do reinado de Artaxerxes, depois de quatro meses de oração, foi acometido de uma singular angústia, de uma tristeza que, ao contrário das outras vezes, não pôde disfarçar diante do rei. Artaxerxes notou que o semblante de Neemias era de tristeza e, como isto nunca antes havia acontecido, perguntou-lhe o que se passava (Ne.2:1,2).

    – Vemos desta afirmação do próprio Neemias que um servo de Deus, ainda que esteja a passar por tribulações, angústias e provações, não deve ser alguém que transmita tristeza ou melancolia aos que estão à sua volta. Muito pelo contrário, o servo do Senhor precisa expressar alegria, uma alegria diferente, pois é a alegria da salvação (Sl.51:12), uma das qualidades do fruto do Espírito Santo (Gl.5:22).

    – Não estamos aqui a dizer que o salvo não passa por tristezas e aflições. O Senhor Jesus só garantiu uma coisa para os Seus seguidores neste mundo – aflições (Jo.16:33). Assim, é evidente que o salvo sempre passará por momentos de dificuldades e de tristezas.

    – O que estamos a dizer é que o salvo, apesar das aflições e tristezas, não pode desanimar nem tampouco desanimar aqueles que estão à sua volta. O Senhor disse que, apesar das aflições, devemos ter “bom ânimo”, ou seja, não podemos perder a esperança da glória, nem tampouco fazer com que nossas dificuldades se transformem em pedra de tropeço para os outros seres humanos. Neemias, apesar de sua aflição, de seu choro contínuo, nunca havia se apresentado triste e abatido diante do rei Artaxerxes. Apresentava-se, sempre, com um semblante alegre, sendo um motivo de prazer e uma boa companhia para o rei.

    – No entanto, naquele dia, por mais que tentasse, Neemias não conseguiu se apresentar com semblante alegre. Aquela tristeza era, sem que ele soubesse, o meio pelo qual o Senhor começaria a responder as suas orações. Neemias, apesar de angustiado e triste (talvez se perguntasse o porquê daquela tristeza maior), não se queixou diante do rei, mas efetuou o seu serviço como costumava fazer.

    – O rei, no entanto, já acostumado com o semblante alegre de Neemias, percebeu aquela mudança de ambiente e, mais do que depressa, perguntou-lhe qual era o motivo daquilo, já que, como Neemias não estava doente, aquilo só podia ser tristeza de coração (Ne.2:2).

    – A indagação do rei era extremamente perigosa. Como sabemos, o copeiro real era aquele que provava tudo quanto seria consumido pelo rei, a fim de evitar que fosse ele envenenado. A demonstração de tristeza de coração por parte de Neemias poderia indicar que ele soubesse de alguma trama ou conspiração contra o rei e, como era um servo leal, sua tristeza poderia ser interpretada como um cumplicidade com os inimigos, mesmo uma impotência diante daquilo, que poderia custar-lhe a vida. Eis o motivo pelo qual Neemias “temeu muito em grande maneira”.

    – Apesar do perigo de vida que estava a correr, Neemias , naquele momento, sentiu da parte do Senhor que ali estava uma oportunidade para relatar ao rei o deplorável estado de seus compatriotas e, com coragem, disse ao rei que o motivo de sua tristeza era o fato de Jerusalém, a cidade de seus pais, estar assolada e as suas portas consumidas a fogo (Ne.2:3). O rei, então, vendo a sinceridade do seu copeiro, perguntou-lhe o que Neemias desejava diante daquele quadro.

    – Vemos, então, que Neemias, diante de tão grande oportunidade, não se precipitou, mostrando ser pessoa extremamente prudente, uma característica que deve ter todo líder. Indagado pelo rei o que queria, fez uma oração a Deus, esta, sim, uma “oração-relâmpago”, uma “oração repentina”, mas que, com muita propriedade, Charles Haddon Spurgeon, o príncipe dos pregadores britânicos do século XIX, denominou de “oração fervorosa”.

    – Nada podemos fazer sem a orientação, a direção e a ajuda do “Deus dos céus”. Neemias havia orado durante quatro meses mas, quando se lhe abriu a oportunidade de fazer seu pedido ao rei, não confiou no poder do rei, a maior autoridade mundial daquele tempo, mas, sim, no “Deus dos céus”. Temos agido da mesma maneira, amados irmãos? Mesmo quando aparentemente se abrem as portas para nós, temos, apesar de tanto tempo de oração, ainda feito uma “oração fervorosa” para o Senhor?

    – Ao término desta oração, com toda certeza o Espírito de Deus deu a Neemias a convicção inabalável de que era ele quem deveria restaurar Jerusalém e, diante disto, o copeiro pediu ao rei que fosse autorizado a ir até Jerusalém e, em nome do rei, reedificasse Jerusalém.

    – No pedido de Neemias, verificamos que, embora reconhecesse a Deus como o Senhor de todas as coisas, o copeiro não menosprezou a autoridade de Artaxerxes, bem sabendo lidar com as leis e costumes vigentes na Pérsia. Ao fazer o pedido, nem sequer mencionou o nome do Senhor, pedindo que o rei, se quisesse e lhe fosse agradável, autorizasse sua ida até Jerusalém para a reedificação da cidade.

    – Que importante lição temos com este gesto de Neemias! Ainda que dirigidos e orientados pelo Senhor, ainda que chamados para mudar uma situação secular de injustiça e de desmando, não podemos nos apresentar como rebeldes, insubordinados ou arrogantes diante das autoridades, pois elas foram constituídas por Deus (Rm.13:1) e resistir-lhes no campo de sua competência é resistir a Deus (Rm.13:2).

    – Vemos com tristeza, na atualidade, que muitos dos servos de Deus não sabem se relacionar convenientemente com as autoridades. Alguns resolvem se submeter cegamente a elas, inclusive naquilo que fazem em contrariedade à Palavra do Senhor, fazendo-o, não raras vezes, em virtude de interesses escusos e reprováveis. Outros, pelo contrário, afrontam-nas, resistindo-lhes naquilo em que estão a fazer precisamente o que lhes é permitido inclusive pela lei de Deus e, nesta afronta, além de resistirem ao próprio Deus, também servem de escândalo na obra de Deus. Saibamos os verdadeiros limites das autoridades e, naquilo para o que foram elas constituídas, sejamos submissos e obedientes, como foi Neemias.

    – O rei Artaxerxes demonstrou ter interesse em atender ao pedido de seu copeiro, mas perguntou a Neemias quando tempo pretendia se ausentar da corte (Ne.2:6). Este, foi, sem dúvida, um importante teste para Neemias. O rei mostrou-se favorável, prova de que estava o Senhor abrindo as portas para que a obra de reedificação de Jerusalém se realizasse, mas, também, o rei mostrou que não pretendia “abrir mão” de seu servidor. Nesta pergunta, também, o rei quis verificar duas coisas muito importantes: se Neemias tinha desejo de se tornar “senhor” de Jerusalém, ou seja, se havia alguma ambição de poder por parte do copeiro e, também, se Neemias tinha ideia do que iria fazer, daí porque ter pedido para que o seu copeiro indicasse um período de ausência.

    – Neemias mostra, claramente, ao apontar um certo tempo para o rei, de que não havia apenas se dedicado à oração ao Senhor, mas que, também, procurara se informar a respeito da situação de Jerusalém e do que seria necessário fazer. Neemias não demonstrou uma “fé cega”, não se deixou levar apenas pelos desejos, mas quis se informar a respeito do que seria necessário para reedificar a cidade, como isso se daria.

    – Agir por fé, amados irmãos, não é deixar tudo aos cuidados do Senhor e não se preparar para aquilo que sente ter sido chamado a fazer. Neemias, em suas orações, recebeu a convicção de que era o homem escolhido por Deus para restaurar a sua nação, por mais que isto fosse algo irrazoável aos olhos humanos, uma vez que era o copeiro do rei e nem sequer tivera contato com os seus compatriotas, embora nem sequer conhecesse ou tivesse estado em Jerusalém alguma vez em sua vida.

    – É neste ponto que vemos o exercício da fé, quando vemos algo que é invisível, quando esperamos algo que não tem a mínima condição de se nos mostrar ou de acontecer (Hb.11:1). No entanto, exatamente por vermos o invisível e esperarmos o que, natural e racionalmente, não pode vir a ocorrer, não podemos ficar de braços cruzados, sem nada fazer. Pelo contrário, Neemias, tomado desta convicção, procurou informar-se do estado de coisas e, mais do que isto, a planejar como se daria a reedificação. Tanto assim é que, quando o rei pede que lhe aponte um tempo, Neemias pôde fazê-lo sem titubeio nem mesmo pedindo “um tempo para pensar”.

    – O planejamento é algo que é indispensável para quem quer exercer um papel de liderança, como, aliás, é algo indispensável para toda e qualquer ação inteligente que se queira fazer. Deus dá-nos o exemplo pois Ele mesmo planejou a salvação da humanidade ainda antes da fundação do mundo (Mt.25:34; Ef.1:4; Ap.13:8; 17:8).

    – Neemias, instado pelo rei, como já tinha um planejamento, apontou, de imediato, um certo tempo e obteve dele a autorização para partir.

    II – NEEMIAS OBTÉM RECURSOS E MEIOS PARA EMPREENDER A OBRA DE REEDIFICAÇÃO PARA JERUSALÉM

    – Após a autorização real para partir para Jerusalém, numa clara demonstração de que havia planejado o que iria fazer, Neemias pediu ao rei que lhe fossem dadas cartas para os governadores dalém do rio para que lhe dessem passagem até Judá (Ne.2:7). Vemos, aqui, mais uma vez, como Neemias tinha plena consciência de se submeter a todas as regras e costumes existentes em seu tempo, apesar de ter a convicção de que estava a fazer a vontade do Senhor e de que tinha, agora, a autorização da autoridade máxima da Pérsia, o próprio rei Artaxerxes.

    – Entretanto, Neemias sabia que não se pode realizar a obra de Deus de qualquer maneira e de modo irresponsável. Embora tivesse a autorização do rei, esta autorização deveria ser bem documentada e Neemias haveria de ter um relacionamento correto e legal para com todos os governadores das terras ao longo das terras que separavam a Pérsia (região que hoje corresponde ao Irã) da Palestina.

    – O Império Persa é conhecido na história por ser um dos primeiros impérios mundiais que se dotou de uma razoável estrutura administrativa. O império era dividido em satrapias, governadas por um sátrapa, que era o governador, aquele que, em nome do rei, administrava uma determinada região do império (cfr. Et.1:1). Assim, Neemias quis se cercar de todos os cuidados para, ao longo da jornada, não ser molestado por qualquer governador e, desta maneira, poder chegar em paz e sem qualquer problema até Jerusalém.

    – Como é importante que o servo de Deus se mostre, diante dos homens, de forma correta e insuspeita. Embora tenhamos um relacionamento íntimo com o Senhor, que conhece o nosso coração, nem por isso devemos nos descuidar de nos mostrar, diante dos homens, como pessoas de bem, como pessoas bem-intencionadas, como portadoras de um bom testemunho. Os homens sem Deus nem salvação não conhecem as realidades espirituais e, por isso, devemos nos mostrar a eles como pessoas de boa índole, como pessoas de bem.

    – Muitos, na atualidade, apesar de terem tido real encontro com o Senhor Jesus, apesar de estarem agindo na direção do Senhor, prejudicam-se a si mesmos e à obra do Senhor quando não tomam o cuidado que tomou Neemias de se precaver, diante das instituições existentes na sua sociedade, de modo a se mostrar a todos, a começar das autoridades, como pessoa de bem, como alguém que estava perfeitamente dentro dos limites da lei e da ordem.

    – Quantos, na atualidade, em nome de um “chamado de Deus”, causam escândalos, descumprindo normas legais, afrontando autoridades e dando lugar ao diabo para que a obra de Deus seja prejudicada. As Escrituras são claras ao afirmar que não podemos dar lugar ao diabo (Ef.4:27) e isto significa, entre outras coisas, que não podemos, em nome de um voluntarismo, de uma indevida “espiritualidade”, nos descuidarmos de cumprir tudo quanto nos é exigido na sociedade e perante o Estado quando formos fazer a obra de Deus. Neemias tinha autorização do rei para ir até Jerusalém, mas, por isso mesmo, não ousou sair de Susã sem portar as devidas cartas para apresentar a todos os governadores que encontraria pelo caminho, em especial os “governadores dalém do rio”, i.e., os governadores que tivessem autoridade do lado de lá do rio Eufrates, quando já se iniciava a Palestina.

    – Isto nos mostra que Neemias, durante o seu tempo de oração, procurou todas as informações que fossem necessárias para levar a efeito a obra de reedificação de Jerusalém. Ciente de seu chamado, Neemias não ficou aguardando as coisas acontecerem, mas, desde o primeiro instante em que sabia que Deus o queria nesta empreitada, tratou de obter todas as informações necessárias para que planejasse aquilo que deveria fazer.

    – Temos nos comportado desta maneira, ou temos aderido a falsas concepções de que basta apenas “orar” que Deus tudo fará por nós. Não resta dúvida de que sem Cristo nada pode ser feito, como já dissemos supra, mas, em momento algum, o Senhor Jesus disse que faria tudo sozinho. Nada podemos fazer sem Ele, mas Ele não é nosso servo para tudo fazer. Lembremo-nos de que aquilo que não podemos fazer, Ele fará, mas aquilo que podemos (e devemos) fazer, cabe a nós fazê-lo. Ninguém poderia ressuscitar Lázaro, mas tirar a pedra alguém poderia fazer e é por isso que Jesus ressuscitou Seu amigo, mas, antes, mandou que os que ali estavam tirassem a pedra. Façamos sempre o que está ao nosso alcance fazer, amados irmãos!

    OBS: Esta ideia de que devemos sempre agir, trabalhar, além de orar, ficou conhecida na máxima de Bento de Núrsia (480-547), o criador da ordem dos beneditinos, cujo lema era “ora et labora”, ou seja, “ora e trabalha”.

    – Além dos cuidados relativos à própria liberdade de locomoção e da demonstração de sua boa índole em sua viagem, perante as autoridades, Neemias também se preocupou em obter do rei os materiais necessários para a construção. Pediu, então, a Artaxerxes que lhe fosse dada uma carta para Asafe, o guarda do jardim do rei, para que lhe fosse fornecida madeira para cobrir as portas do paço da casa e para o muro da cidade e para a causa em que ele houvesse de entrar (Ne.2:8).

    – Por primeiro, não confundamos este Asafe, guarda do jardim do rei, com o salmista de mesmo nome e autor de vários salmos (como os salmos 73 a 83), que viveu na época de Davi, ou seja, centenas de anos antes. Seu nome pode dar a entender que se tratava, também, de um judeu com uma alta posição na corte de Artaxerxes e, assim, pessoa próxima de Neemias, mas que, nem por isso, deveria ajudar o copeiro real sem que o rei mandasse fazê-lo.

    – Temos aqui uma demonstração de que Neemias sabia bem diferenciar amizade de responsabilidades, algo que, infelizmente, muitos salvos não compreendem. O fato de Asafe ser judeu e amigo de Neemias nada tinha que ver com a missão que o Senhor estava a dar a Neemias. Neemias, a despeito de estar a caminho de Jerusalém para reedificar a cidade e de isto ser algo que seria muito caro a seu compatriota Asafe, sabia muito bem que somente poderia retirar madeira para a obra se houvesse uma ordem do rei a respeito. Não havia meios para que Asafe “desse um jeitinho” e o ajudasse. Como seria bom se todos os salvos agissem desta maneira…

    – Ao fazer seu pedido ao rei para que Asafe lhe arrumasse a madeira necessária para a obra, vemos, mais uma vez, que Neemias tinha buscado obter informações do estado das coisas em Jerusalém e do que seria necessário para fazer a reedificação. Neemias não deixou de confiar em Deus e de Lhe atribuir a abertura da oportunidade, tanto que, em suas “memórias”, faz questão de dizer que tudo foi obtido “segundo a boa mão de Deus sobre mim” (Ne.2:8 “in fine”), mas isto não o impediu de ir atrás das informações e de saber que material e onde poderia obter para realizar a obra.

    – Esta precaução, este cuidado em bem planejar, algo que veio antes mesmo de receber a autorização do rei para fazer a viagem, é uma demonstração eloquente da fé de Neemias e a prova de que ter fé não é ser descuidado nem preguiçoso. Como é diferente o proceder de tantos que dizem ter sido chamados por Deus em nossos dias…

    – Devidamente recomendado por cartas do rei, com o material suficiente, Neemias iniciou sua viagem, tendo se apresentado aos governadores dalém do rio. Além disso, também, foi acompanhado de chefes do exército e cavaleiros que lhe foram fornecidos pelo rei Artaxerxes.

    – É interessante aqui fazermos um paralelo entre Esdras e Neemias. Esdras havia deixado Susã treze anos antes e, nos diz o relato do capítulo 8 do livro de Esdras, que o escriba não quis pedir tropas nem soldados ao rei, porque teve vergonha de pedi-lo diante do testemunho que dera a respeito do Senhor (Ed.8:21-23). Por que Neemias aceitou a soldadesca fornecida pelo mesmo Artaxerxes? Teria Esdras fé e Neemias, não?

    – Tanto Esdras quanto Neemias agiram com fé. Por primeiro, é interessante notar que Neemias também não pediu soldados para o rei. Seu pedido foi para ir reedificar Jerusalém, como também cartas para apresentar aos governadores e madeira do jardim do rei. Neemias não pediu soldados. Assim, não podemos dizer que, ao contrário de Esdras, Neemias tivesse pedido soldadesca para Artaxerxes, pois não há registro de que o tenha pedido.

    – Mas, alguém dirá, ainda que não tivesse pedido, quando o rei as ofereceu, não deveria ter ele recusado para mostrar a mesma fé que teve Esdras? Não necessariamente. Esdras havia se notabilizado na corte de Artaxerxes como “escriba da lei do Deus do céu” (Ed.7:12). Assim, Esdras era conhecido como alguém que tinha ensinado a respeito do poder de Deus, das maravilhas que o Senhor havia feito em prol de Israel. Diante desta sua condição de mestre da lei e pregador, ficaria mesmo inconveniente para Esdras vir a pedir tropas para proteger a ele e aos que com ele iriam para Jerusalém. Certamente, poderia ser confrontado por Artaxerxes, que não era um judeu, a respeito daquilo que pregara durante anos na corte. Assim, para não dar escândalo, para não desacreditar o que havia pregado, Esdras preferiu o caminho da oração e do jejum, caminho este que foi aprovado por Deus, que Se moveu pelas orações do povo e realmente os guardou na sua ida a Jerusalém.

    – No caso de Neemias, porém, era diferente. Neemias não se notabilizara na corte do rei da Pérsia como um pregador nem como um ensinador da lei. Embora tivesse um bom testemunho e se apresentasse como um servo de Deus na corte, Neemias não tinha a posição de Esdras e, por isso, não lhe era inconveniente aceitar a soldadesca. Ademais, como era muito bem informado, sabia, de antemão, que haveria oposição à sua empreitada e a presença da soldadesca lhe seria assaz conveniente, não apenas para intimidar os adversários, para mostrar as suas boas intenções e a circunstância de que estava agindo plenamente dentro da lei. Por isso, ao lhe ser oferecida a ajuda militar, não a negou, pois tal aceitação em nada representaria um escândalo diante da obra que estava a realizar.

    – Esta situação diametralmente oposta entre Esdras e Neemias mostra-nos, com clarevidência, que não podemos entender que Deus deve agir da mesma maneira em todas as situações. Ao recusar soldados, Esdras agiu de forma a se dar glória a Deus; ao aceitar soldados, Neemias também agiu de forma a se dar glória a Deus. Isto nos prova de que, como não conhecemos os corações dos homens, não devemos ficar a julgar esta ou aquela situação, só porque difere de uma situação anterior. Deus tem muitas formas de agir e não cabe a nós o julgamento dos outros (Tg.4:11,12). Tomemos, pois, cuidado, amados irmãos!

    – Tanto foi prudente e divinamente orientada a aceitação da soldadesca por parte de Neemias que, em chegando diante dos governadores dalém do rio e apresentando suas cartas, logo surgiu a oposição, visto que, ao tomar conhecimento das intenções de Neemias, Sambalate, o horonita e Tobias, servo amonita, ficaram grandemente desagradados, já que surgira alguém que procurava o bem dos filhos de Israel (Ne.2:10).

    – Não se sabe se já nesta oportunidade, quando se apresentou aos governadores dalém do rio, Neemias tomou conhecimento do desagrado de Sambalate e de Tobias, mas isto nos serve de lição de que, sempre que buscarmos o bem dos filhos de Deus, sempre haverá quem se levante com grande desagrado, visto que o Senhor Jesus foi bem claro ao nos mostrar que as “portas do inferno” jamais deixarão de se levantar contra a Igreja. Pode ser que não percebamos tal oposição logo ao princípio de nossa atividade em prol dos bens dos filhos de Deus, mas não nos iludamos, sempre haverá a oposição do maligno.

    – Nesta palavra, aliás, entendemos qual era a motivação, qual era o objetivo de Neemias: o bem dos filhos de Israel.Tem sido esta a motivação e o objetivo das ações que temos feito na obra do Senhor? Queremos tão somente “o bem dos filhos de Deus”, ou estamos à procura de outros interesses? Somente poderemos trabalhar para o Senhor Jesus com este mesmo objetivo de Neemias: o bem dos filhos de Deus.

    – Há muitos que, hoje em dia, fazem o mesmo que já se fazia nos tempos do apóstolo Paulo, que nos revela que muitos estavam a pregar o Evangelho por inveja e porfia, por contenção, não puramente, mas apenas para acrescentar aflição ao apóstolo em suas prisões (Fp.2:15-17). Certa feita, aliás, vimos e ouvimos um ministro afirmar que estava a pregar o Evangelho numa determinada localidade “por retaliação”! Que situação lamentável. Devemos sempre agir como Neemias, trabalhar para o Senhor Jesus para que se tenha “o bem dos filhos de Israel”.

    – Devidamente credenciado, com os materiais necessários, Neemias se apresentou aos governadores dalém do rio e depois se dirigiu a Jerusalém, tendo ali ficado incógnito e sem qualquer alarde por três dias (Ne.2:11).

    IV – NEEMIAS TOMA CONHECIMENTO DA SITUAÇÃO DE JERUSALÉM E CONVOCA O POVO PARA A OBRA

    – Neemias chegou a Jerusalém sem qualquer estardalhaço. Discreto, ciente de que era escolhido de Deus para aquela obra, não quis se apresentar como “o tal”, como o “restaurador”. Todo servo de Deus deve ter humildade e aguardar o momento certo em que o Senhor o apresentará na posição de liderança. Muitos, infelizmente, ainda que chamados por Deus para serem líderes, querem “aparecer”, querem se sobressair, cuidando para que seu “marketing pessoal” seja estabelecido o quanto antes, esquecendo-se que, na obra do Senhor, a propaganda não é a alma do negócio.

    – Neemias ficou três dias em silêncio após ter chegado a Jerusalém. Não nos diz o que fez neste período, mas podemos deduzir que tenha buscado a Deus, como era seu costume, bem como que revisitara todo o seu planejamento. Findos os três dias, de noite, levantou-se e, na companhia de poucos homens, sem declarar a ninguém o que Deus havia posto em seu coração para fazer em Jerusalém, saiu para ver “in loco” a situação (Ne.2:12).

    – Neemias dá-nos aqui preciosas liçõesde que como devemos agir na obra do Senhor. Por primeiro, não se pode ficar a alardear aquilo que recebemos em nossa intimidade com o Senhor. Neemias havia recebido de Deus uma incumbência e havia recebido esta incumbência, esta tarefa em sua busca particular de Deus quando ainda estava em Susã. Ora, aquilo que é fruto de nossa intimidade com Deus não deve ser propalado aos quatro cantos da Terra.

    – Temos de ter um relacionamento íntimo com o Senhor e este relacionamento deve se manter particular, entre nós e Deus. Neemias bem sabia o que devia fazer, mas não foi proclamando em alto e bom som quando chegou a Jerusalém. Ele não conhecia as pessoas, nem tampouco a cidade, por isso, antes que pudesse divulgar parte daquilo que o Senhor lhe dissera (pois nem tudo era para ser revelado), precisava “tomar pé da situação”.

    – Neemias tinha feito um planejamento em Susã, dentro daquilo que Deus pusera em seu coração, mas ainda não havia tido uma experiência seja com o povo seja com o próprio local em Jerusalém. Umlíder não pode ser apenas um teórico, alguém que trabalha única e exclusivamente com a sua mente e seu homem interior, mas precisa ter contato com a situação real e com o povo que irá liderar. Não é por outro motivo que a Bíblia denomina de “pastores” aos líderes do povo de Deus (Jr.2:8; 3:15; 10:21; 23:1; Ez.34:7-10; Ef.4:11; Hb.13:7,17). O pastor não tem apenas uma liderança mental e contemplativa, mas é necessário que ele “apascente as ovelhas”, ou seja, que se mantenha em constante contato com seus liderados, que as conheça particularmente, que conviva com elas.

    OBS: Um querido irmão que conosco acompanha as aulas do Estudo Preparatório dos Professores de EBD costuma dizer que ser pastor não é ser “almofadinha”, alguém que fica apenas em seu gabinete e que, com sua “malinha 007” passa sem nem sequer cumprimentar as pessoas que alega apascentar, como, infelizmente, temos visto muito por aí…

    – Neemias, então, precisava fazer um “levantamento de campo”, saber o real estado dos muros e das portas de Jerusalém, a fim de que, só então, com a devida verificação do seu planejamento, feito com as informações obtidas em Susã, pudesse revelar seus intentos ao povo de Jerusalém, povo que havia observado durante estes três dias.

    – Como é importante ouvir e observar antes de falar. Já vimos, na lição anterior, que Neemias era um bom ouvinte e, uma vez mais aqui, demonstra esta importante qualidade, indispensável para quem quer liderar. O líder não é aquele que manda, mas, sim, “aquele que leva os demais” a uma direção: “…a função do verdadeiro líder é identificar-se com o que está para fazê-lo cada vez melhor.(…). O líder não deve apenas estudar os assuntos que se lhe apresentam, mas vivê-los para com eles vibrar e poder falar a ponto de suscitar a inteligência em seus mais rudes liderados. Assim, a obra poderá ser vivenciada e desejada em seus corações…” (CARVALHO, Ailton Muniz de. Os dez mandamentos de um líder idôneo para o século XXI, p.18).

    – Neemias, então, na companhia de poucas pessoas, pessoas de sua mais estrita confiança, de noite, para que ninguém o visse, nem mesmo de animais, tendo apenas utilizado um para sua própria montaria, foi até os muros e portas de Jerusalém, para verificar o estado em que se encontravam.

    – É fundamental que, antes de iniciarmos a fazer a obra que o Senhor pôs em nosso coração, tenhamos um amplo conhecimento da situação que iremos enfrentar. Apesar de todas as informações que angariemos, é imperioso que nós mesmos vivenciemos a situação, para que, diante de nossa experiência, possamos bem realizar a tarefa que nos foi dada pelo Senhor. É certo que Deus, na Sua infinita misericórdia, sempre há de revelar aquilo que não formos capazes de descobrir, mas aquilo que pudermos levantar e experimentar, o Senhor não o fará por nós.

    – Saindo pela porta do vale, para a banda da fonte do dragão e para a ponta do monturo, Neemias contemplou os muros de Jerusalém e pôde verificar que estavam fendidos e que suas portas tinham sido consumidas pelo fogo (Ne.2:13). Interessante verificarmos que ele foi em direção à porta do monturo, ou seja, à porta do lixo (a Tradução Brasileira fala em “entrada do esterco”), certamente o lugar mais fétido e pior de toda aquela deplorável situação, numa demonstração de que, quando queremos conhecer a situação real, temos de ir ao pior lugar. Trata-se de uma verdadeira experiência, de uma real vivência da situação, não uma “amostragem” que busque tão somente uma “meia verificação” do que está a ocorrer.

    – Mas Neemias não ficou apenas na “porta do monturo”. Também foi até a porta da fonte e ao viveiro do rei, que eram, presumivelmente, lugares mais aprazíveis, lugar da água, onde se encontrava o “açude do rei” (como nos fala a Versão Almeida Revista e Atualizada). Não se pode fugir do pior ponto da situação para se conhecer a realidade, mas não se pode ficar apenas neste local, é preciso também ver os lugares melhores. É preciso ter uma visão global, total, não baseada em estimativas, mas em reais experiências.

    – Uma boa administração, um bom exercício de liderança não pode dispensar esta experiência da realidade. Se somos chamados por Deus a realizar uma tarefa, uma missão, não podemos nos precipitar. Temos de confiar em Deus e, sem medo de demorar, devemos calmamente, na direção do Senhor, “tomar pé da situação”. Quantos acham que, por terem sido mandados por Deus, podem tudo modificar e tudo mudar de uma hora para a outra. Tenhamos calma, amados irmãos! Sejamos prudentes. Antes é preciso “tomarmos pé da situação”, conhecermos a realidade que se nos apresenta, algo que o Senhor não fará por nós, pois nos dotou de conhecimento e inteligência para tanto. Lembremo-nos disto!

    – A porta da fonte e o viveiro do rei, que eram os “melhores” lugares daquela caótica situação, estavam em estado tão precário, tão ruim que não havia lugar por onde pudesse passar a cavalgadura que estava debaixo de Neemias. Observemos: o que seria o melhor lugar não tinha sequer espaço para que um animal ali passasse, tamanha era a presença de monturo e de ruínas no local.

    – Como não podia passar por ali, Neemias subiu pelo ribeiro e contemplou o muro, tendo, então, voltado e entrado pela porta do vale, a mesma porta por onde havia saído (Ne.2:15).

    – Neemias fez esta inspeção “in loco” sem qualquer comentário, sem abrir a sua boca. Não só os poucos homens que o acompanhavam não puderam saber o que estava a fazer e o que significava aquilo, como também não contou Neemias o que fizera a ninguém, nem aos magistrados, nem os nobres, nem aos judeus em geral (Ne.2:16). Neemias mantinha silêncio total, porque não era hora de falar, mas, sim, de ver e ouvir tudo quanto estava a ocorrer.

    – Voltamos a insistir na importância de deixarmos o falar para um momento subsequente do exercício da liderança. A situação era difícil e não devem ter sido poucas as manifestações de desânimo e de tristeza que Neemias observara naqueles três dias em que estava em Jerusalém. Mas o momento não era de falar e, sim, de ver e ouvir.

    – Salomão ensina-nos que “o homem de entendimento se cala” (Pv.11:12) e que “até o tolo, quando se cala, será reputado por sábio; e o que cerrar os seus lábios, por sábio” (Pv.17:28). Saibamos calar no momento necessário para isto, entre os quais se encontra o do planejamento e do conhecimento da situação real em que nos encontramos para dar início àquilo que Deus nos pôs em seu coração.

    Verificada a situação, devidamente reajustado o planejamento que havia sido feito anteriormente, ante a contemplação da realidade, Neemias, então, chamou os magistrados, os nobres, os judeus e os que faziam a obra para uma reunião. Notemos que Neemias chamou todos os interessados, sem fazer acepção de pessoas. Para que tivesse êxito, Neemias tinha de ter o consentimento de todos.

    – Em nossos dias, na Igreja, que é um corpo (I Co.12:12-27), muito mais do que Neemias, devemos todos buscar o consentimento e a participação de todos os interessados para que possamos bem realizar a obra de Deus. O fato é que, ultimamente, em nome de uma “teocracia”, tem-se alijado boa parte dos salvos das deliberações e das decisões, o que não é correto. Neemias tinha autorização da máxima autoridade daquele tempo para reedificar Jerusalém e estava na direção de Deus, que era quem o escolhera para a realização daquela grande obra, mas não ousou usar de sua “autoridade”, tendo preferido antes obter o consenso de todo o povo, sem o que, sabia ele, nada poderia ser realizado

    – Deus, apesar de ser o Criador de todas as coisas e Senhor de tudo (Sl.19:1), não é um ditador. Muito pelo contrário, tem prazer em compartilhar a existência com o homem e, por isso, convida o homem a esta parceria. Este gesto divino é a demonstração indelével do Seu amor para conosco e tem de ser, necessariamente, imitado pelos Seus servos. Por isso, uma das características da Igreja é a “perseverança na comunhão e no partir do pão”, ou seja, a mantença de uma vida de compartilhamento entre os irmãos, de colaboração mútua, de exercício do amor desinteressado.

    Neemias não impôs coisa alguma ao povo judeu, embora tivesse poder e autoridade, tanto da parte de Deus quanto da dos homens, para fazê-lo. Preferiu obter o apoio e a adesão dos judeus e, por isso, convocou esta reunião, onde, na presença de todos, desde os magistrados, passando pelos nobres, até os judeus em geral, fez uma análise da situação e conclamou o povo à obra.

    OBS: “…Um dos meios, e o mais apropriado para o líder conseguir esse objetivo, é promover reuniões producentes com os seus liderados. Essas reuniões dão a oportunidade aos subordinados de apresentar suas queixas e suas dificuldades, além de fazer sugestões e ouvir as opiniões de seus colegas, em relação aos problemas gerais enfrentados e resolvidos pelo grupo. Tem ainda a vantagem de colocar a liderança, democraticamente, diante de seus subordinados, para colocá-los a par dos planos emergentes da obra e integrá-los. Passarão, assim, a cooperar com convicção no projeto do superior, deixando de ser, apenas, cumpridores de ordens.…” (CARVALHO, Ailton Muniz de. op.cit., p.41).

    Neemias não “dourou a pílula”. Foi bem enfático: “bem vedes a miséria em que estamos” (Ne.2:17). Uma das características do líder é o de dizer necessariamente a verdade. Na obra de Deus, então, que é a própria Verdade (Jr.10:10), não há como sermos bem sucedidos se não falarmos e mostrarmos a verdade.

    – Neemias foi direto ao ponto: o povo judeu vivia um estado de miséria. Se não reconhecermos a nossa situação real, se não assumirmos a nossa integral e total dependência de Deus, jamais poderemos triunfar na obra do Senhor. Aliás, se não assumirmos a nossa maldade e depravação, nem sequer conseguiremos ser salvos. Não nos esqueçamos de que uma das poucas pessoas que saiu da presença de Cristo Jesus sem a salvação foi o mancebo de qualidade, precisamente porque ele se achava bom (Mt.19:16-22; Mc.10:17-22; Lc.18:18-23).

    – Hoje em dia, falta este “choque de realidade” na Igreja. Após termos completado o centenário das Assembleias de Deus, precisamos refletir a respeito do atual estado em que nos encontramos. Sem dúvida, devemos ser gratos a Deus pela extraordinária operação do Espírito Santo em nosso país durante estes cem anos, mas não podemos negar que estamos muito, mas muito distantes do fervor dos primeiros dias. Pesquisa recente indicou que, nos anos 1950, a proporção de crescimento da Igreja era de que um crente ganhava, em média, doze outros para Cristo, por ano, enquanto que, na atualidade, são necessários 144 crentes para ganhar um por ano em média em nosso país. Deixamos de crescer como antes e nosso crescimento tem sido pífio, como mostrou recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, que indica que, somados pentecostais e neopentecostais, tivemos, nos últimos dez anos, a mantença de 12% (doze por cento) da população, ou seja, pela primeira vez, não houve crescimento real dos pentecostais. Enquanto isso, o número de evangélicos que “não têm igreja” alcança 14% (quatorze por cento) dos evangélicos, um número estarrecedor, que indica como tem crescido a apostasia no meio do povo.

    – Ao mesmo tempo em que isto acontece, vemos rarear a manifestação dos dons do Espírito Santo em nossas igrejas locais, sem falar que muitos já não são batizados com o Espírito Santo. Enquanto isto, o ingresso do mundanismo em nossas igrejas é visível, além da subversão dos cultos a Deus, levando cada vez mais a um distanciamento de uma espiritualidade sadia em todos os segmentos da Igreja. Por fim, o “analfabetismo bíblico” é assustador, com o total desconhecimento das Escrituras por parte da esmagadora maioria dos crentes que, há muito, não frequentam reuniões de ensino nem Escolas Bíblicas Dominicais.

    – Diante de tal quadro, torna-se urgente que as lideranças façam como Neemias, parem de ficar se digladiando por posições seja na igreja local, seja na sociedade e, bnuscando a direção do Senhor, contemplem a realidade que está a lhes escapar dos olhos e, depois de devidamente orientados pelo Espírito Santo e terem “tomado pé da situação”, venham ao encontro do povo e os reúna para que, juntos, saiamos desta situação de miséria espiritual em que estamos nos envolvendo. Não temos muito tempo, amados irmãos!

    OBS: “…A pergunta que vem agora é: Por que os evangélicos perderam o fôlego? Parafraseando o apóstolo Paulo: Corríeis tão bem, quem vos impediu de continuar a carreira no mesmo ritmo? Isso mesmo: o que aconteceu para uma queda de 40% – de 98 para 40%? Tendo dito isto, gostaria de fazer uma análise do que está acontecendo nesses últimos nove anos com a Igreja Evangélica. Direto ao ponto: O Evangelho da ‘prosperidade’, a novidade introduzida pelas Igrejas Neo-pentecostais na década de 1991-2000 perdeu o encanto e se revelou descartável. A inovação eficiente nos anos 90 trouxe um componente estranho para os primeiros nove anos do nosso século: as pessoas perderam o entusiasmo por ele e aguardam uma outra novidade que agrade aos seus ouvidos. Para mim, o Espírito Santo foi trocado pela “novidade” dos anos 90, mas a energia daquela “prosperidade” minguou, assim como o azeite das lamparinas da Parábola das dez virgens, do Evangelho. Como bem criticou alguns blogueiros da comunidade, a quantidade não trouxe qualidade. Para não ser prolixo, vou concluir. O método que Jesus Cristo usou há 2000 anos ainda se mostra o mais eficiente para nortear a Igreja. Quando ele concluiu seu ministério, estima-se que tivesse 500 discípulos. Discipulado. A TV mostra-se eficiente para evangelizar, mas ela tem um ponto falho: não produz discipulado! Não, porque trata-se de um veículo de entretenimento descartável na sua essência. E, discipulado significa um novo convertido aprendendo com um cristão maduro – em comunhão com o Espírito Santo. Para por isto em prática não é necessário um mega-projeto nem recursos financeiros astronômicos, basta implantar em cada Igreja a volta do discipulado. Ainda não inventaram nada melhor para a prosperidade da Igreja.…” (CRUZUÉ, João. Projeções da população evangélica para 2010. Disponível em: http://olharcristao.blogspot.com/2011/02/projecoes-da-populacao-evangelica-para.html Acesso em 25 ago. 2011).

    – Neemias disse que Jerusalém estava assolada e suas portas queimadas a fogo. Bem mostrou, pois, o quadro de caos que vigorava, mas não se limitou a dar o correto diagnóstico da situação. Muitos até se saem bem quando o assunto é falar da situação real. Bem investigam (como deve fazer todo justo, pois quem não investiga é o ímpio – Sl.10:4), mas se limitam a dar a imagem do caos. Neemias, porém, não viera para desanimar ou simplesmente engrossar o lamento dos judeus. Após ter falado francamente a respeito da situação, traz a mensagem de esperança: “vinde, pois, reedifiquemos o muro de Jerusalém e não estejamos mais em opróbrio” (Ne.2:17).

    Neemias, então, revela parte do que Deus havia posto em seu coração e convida o povo a se juntar a ele para reedificar o muro de Jerusalém e mudar a situação de opróbrio que estavam a viver. Notemos que Neemias usa apropriadamente a primeira pessoa do plural: “reedifiquemos” e “não estejamos em opróbrio”. Neemias não veio dar ordens, mas chamar o povo para que, com ele, mudasse a situação. Neemias põe-se, desde já, como um dos envolvidos na obra que era proposta, o que, certamente, representou uma surpresa e um nítido incentivo para os judeus, pois, afinal de contas, Neemias, que nem sequer morava ou conhecia Jerusalém, tudo deixara em Susã para se irmanar com os seus compatriotas.

    – É muito fácil dar ordens, ainda mais quando autorizado por quem de direito, como é o caso de Neemias. Mas o homem de Deus não deve estar disposto a simplesmente mandar fazer, mas a convidar os demais a que venham fazer juntamente com ele. Temos de ser imitadores de Cristo (I Co.11:1) e, como tal, temos de também trabalhar, pois foi assim que procedeu o Senhor Jesus (Jo.5:17). Temos agido desta maneira?

    – Após ter se identificado com todos os judeus, Neemias, então, dá o seu testemunho diante do povo, mostrando que ali estava não por vontade própria, mas por determinação divina (Ne.2:18). É necessário que o líder dê o seu testemunho de chamada, que mostre aos que estão à sua volta que é o escolhido para estar à frente do povo (e isto que significa “presidir”, ou seja, “estar à frente”), mas tal declaração, sabiamente, foi feita por Neemias depois que tinha já tomado conhecimento da situação real, tanto do povo quanto da cidade desolada.

    – Esta declaração foi feita a todo o povo, pois Neemias reconhecia que estava diante do povo de Deus, do povo tão amado pelo Senhor que o trouxera de Susã para a realização daquela obra. Também devemos, enquanto líderes, falar aos nossos liderados em conjunto, pois, se fomos chamados por Deus, não podemos nos esquecer que o mesmo Espírito Santo que habita em nós, também habita naqueles que serão liderados. Não pode haver “segredos” quanto a este assunto, pois o Espírito hoje habita em todos os salvos. Por isso, duvidemos daqueles que respaldam sua liderança em “visões”, “revelações” que são inalcançáveis aos demais crentes.

    Neemias, apesar de se apresentar como chamado pelo Senhor para esta obra, não tirou a devida glória ao Senhor. Disse que o Senhor lhe fora favorável, reconhecendo que dependia de Deus para a execução daquela tarefa. Neemias era o líder chamado por Deus, mas não se portava como um “super-homem”, pois, efetivamente, não o era. O líder está à frente do povo, mas não está acima do povo, pois acima do povo só pode estar um: o Senhor.

    – Além de se apresentar como chamado por Deus, Neemias também teve a preocupação de mostrar ao povo que ali estava com expressa autorização do rei Artaxerxes. Neemias, em momento algum, queria dar a mínima suspeita de rebelião ao domínio persa. Tinha consciência de que o Senhor havia posto o povo debaixo do jugo da Pérsia e que não havia qualquer demonstração, da parte do Senhor, de alterar esta situação política. Por isso, bem disse para o que tinha vindo: reedificar os muros de Jerusalém e tirar o povo judeu daquela miséria. Era isto e nada mais! Jamais percamos o foco da chamada que Deus nos deu e da tarefa que deveremos desempenhar junto com os demais irmãos.

    O povo judeu reconheceu a integridade e a coragem daquele homem e, a uma só voz, animou-se e aderiu ao projeto: “Levantemo-nos e ediquemos”. Não temos porque, diante do chamado do Senhor, acharmos que não seremos correspondidos pelos autênticos e genuínos servos de Cristo Jesus. Se fomos chamados, o mesmo Espírito que nos chamou também irá agir naqueles que serão os liderados e todos, juntos, faremos a obra do Senhor.

    – Neemias, em sua fala, também demonstrou que estava a querer o bem dos filhos de Israel, como já havia mencionado quando comparecera diante dos governadores dalém do rio e que motivou o desagrado de Sambalate e de Tobias. Sabemos disto porque o texto sagrado nos fala que os judeus “esforçaram as suas mãos para o bem” (Ne.2:18 “in fine”).

    – É fundamental que o líder mostre, com objetividade e transparência, quais os objetivos que pretende na realização da obra que irá fazer. Esta clareza e transparência é fundamental para que haja a união de esforços e a obra se realize. Onde há união, ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl.133:3) e não há como se obter esta união de forma duradoura sem que se saiba precisamente qual a finalidade que se busca alcançar.

    – O próprio Jesus, diz-nos a Bíblia, tudo suportou pelo gozo que Lhe estava proposto (Hb.12:2). Também os crentes tudo suportam nesta vida de aflições porque sabem que lhes está reservada uma glória que não dá para comparar com as aflições do tempo presente (Rm.8:18). Se assim vive o salvo, como podemos ter a sua colaboração sem que ele tenha consciência dos objetivos que se pretendem atingir?

    – Todos resolveram aderir à proposta de Neemias, porque sabiam que aquele esforço era “para o bem”. Também, neste mundo, nós, como servos do Senhor Jesus, devemos, como Ele, “andar fazendo bem” (At.10:38). Devemos deixar bem claro a todos que nos cercam que nosso esforço é “para o bem”, sem qualquer outro interesse. Temos agido desta maneira?

    – Observemos, ainda, que este bem, ainda que querido por Deus, que, inclusive, criara todas as condições para que a obra fosse possível, dependia do esforço de todos. Bem ao contrário do que dizem os triunfalistas e os teólogos da prosperidade, nada viria “de mão beijada” para o povo judeu. Eles teriam de se esforçar, de fazer aquela grandiosa obra. Deus não estava pronto a num passe imediato fazer os muros de Jerusalém se levantarem, assim como haviam caído os muros de Jericó. Não nos iludamos, amados irmãos: Deus não é nosso empregado, não é nosso serviçal. Ele faz o que ninguém poderia fazer (como capacitar alguém como Neemias e tirá-lo de Susã para liderar o povo em Jerusalém), mas não faz aquilo que podemos fazer (reedificar os muros e as portas de Jerusalém).

    – Assim que todos se comprometeram a reedificar os muros de Jerusalém e a mudar a situação de miséria do povo, não demorou muito para que os inimigos se levantassem.

    – É sempre assim, como já tivemos ocasião de dizer neste estudo. Tendo sabido do comprometimento do povo, ainda que só por informações, Sambalate, Tobias e Gesem, o arábio (percebem como já aumentou o número de inimigos, de dois passamos para três), zombaram dos judeus e os desprezaram, acusando-os de querer rebelar-se contra o rei da Pérsia (Ne.2:19).

    – Não nos deteremos aqui na atuação dos inimigos de Neemias, pois analisaremos minudentemente esta oposição em duas lições (lições 4 e 5), mas, desde já, podemos verificar que a oposição do inimigo não tarda quando há disposição do povo de Deus para realizar uma obra querida pelo Senhor. Não podemos, portanto, nos assustar e nos intimidar quando vêm as zombarias, os desprezos e as calúnias do adversário de nossas almas.

    Nossa reação deve ser a mesma de Neemias que, sem se importar com a oposição, deu testemunho de que “o Deus dos céus é que nos fará prosperar” e que os judeus, que eram servos do Senhor, se levantariam e edificariam Jerusalém uma vez mais (Ne.2:20).

    – Além disto, Neemias foi bem claro ao mandar dizer aos inimigos que “eles não tinham parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém”. Neemias continuou sendo fiel à verdade e não teve preocupação alguma em agradar aos homens. Aqueles homens eram de nações inimigas de Israel, não queriam o seu bem, nunca o tinham querido e, inclusive, tinham prazer em contemplar a situação deplorável em que se encontrava o povo judeu. Por isso, não tinham “parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém” e, desta maneira, não poderiam cooperar com aquela obra.

    Precisamos ter o mesmo discernimento de Neemias. A obra que ele haveria de realizar é “para o bem dos filhos de Israel” e, deste modo, somente poderia contar com a colaboração e participação dos filhos de Israel. Era uma obra que Deus estava a fazer com o Seu povo e, portanto, não podia, de forma alguma, ter a participação de quem não pertencia ao povo de Deus.

    – Precisamos ter esta compreensão quando começamos a realizar a obra de Deus. Nela não tem parte, nem justiça nem memória aqueles que não pertencem ao povo do Senhor. Quanto prejuízo temos causado ao Senhor quando permitimos que inimigos de Deus venham a cerrar fileira ao nosso lado? Não nos esqueçamos dos malefícios causados pelo “vulgo”, pela “mistura de gente” que saiu do Egito juntamente com Israel (Ex.12:38; Nm.11:4), bem como os povos que habitavam em Canaã e que foram poupados pelos israelitas na conquista da terra (Jz.2:3).

    – Neemias não os amaldiçoou, nem tampouco lhes declarou guerra, mas simplesmente disse que aquela obra era uma obra exclusiva para o povo de Deus. Que assim também procedamos para que tudo seja feito conforme a vontade do Senhor

     

    Ev. Profº Dr. Caramuru Afonso Francisco

     

     

     

  • Lição 2 – Autoridade Soberana de Deus

    Lição 2 – Autoridade Soberana de Deus

    Deus

    INTRODUÇÃO

    Em parte alguma as Escrituras tratam de provar a existência de Deus mediante provas formais.

    Hebreus   1 1:6   “…   é   necessário   que aquele   que   se   aproxima   de   Deus  creia   que   ele   existe  e   que   se   torna   galardoador   dos   que   o buscam”

    O que se chega a Deus, creia que há Deus”, é o ponto inicial na relação entre o homem e Deus.

    Resposta ao Ateismo – “Eu quero crer em Deus; mostra-me que seja razoável crer nele.”

    1) O universo deve ter uma Primeira Causa ou um Criador. (Argumento cosmológico, da palavra grega “cosmos”, que significa “mundo”.)

    2) O desígnio evidente no universo aponta para uma Mente Suprema. (Argumento teleológico, de “Teleos”, que significa “desígnio ou propósito”.)

    3) A natureza do homem, com seus impulsos e aspirações, assinala a existência de um Governador pessoal. (Argumento antropológico, da palavra grega “anthropos”, que significa “homem”.)

    4) A história humana dá evidências duma providência que governa sobre tudo. (Argumento histórico.)

    5) A crença é universal. (Argumento do consenso comum.)

    1. AUTORIDADE REVELADA NOS SEUS NOMES

    Quem é, e que é Deus? A melhor definição é a que se encontra no Catecismo de Westminster:

    “Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.” A definição bíblica pode formular-se pelo estudo dos nomes de Deus. O “nome” de Deus, nas Escrituras, significa mais do que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome. (Êxo. 6:3; 33:19; 34:5, 6.) Adorar a Deus é invocar seu nome (Gên. 12:8); temê-lo (Deut. 28:58); louvá-lo (2 Sam. 22:50); glorificá-lo (Sal. 86:9); é sacrilégio tomar seu nome em vão. (Êxo. 20:7), ou profaná-lo ou blasfemá-lo (Lev. 18:21; 24:16). Reverenciar a Deus é santificar ou bendizer seu nome (Mat. 6:9). O nome do Senhor defende o seu povo (Sal. 20:1), e por amor do seu nome não os abandonará (1 Sam. 12:22).

    Os seguintes nomes de Deus são os mais comuns que encontramos nas Escrituras:

    Y AHWEH   e   Y AHWEH   TSEBHAOTH.   É   especialmente   no   nome  Yahweh,  que gradativamente  superou  os  nomes  anteriores,  que  Deus  se   revela   o  Deus  da  graça.   Sempre  foi tido   como   o  mais  sagrado  e  o  mais  distintivo  nome  de  Deus,  o   nome   incomunicável.   Os  judeus temiam supersticiosamente usá-lo, visto que liam Lv 24.16 como segue: “Aquele que mencionar o nome   de  Yahweh  será   morto”.   Daí,   ao   lerem   as   Escrituras,   substituíram-no   por  ‘Adonai  ou   por ‘Elohim;

    Elohim (traduzido “Deus”.) Esta palavra emprega-se sempre que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e a onipotência de Deus. Elohim é o Deus-Criador. A forma plural significa a plenitude de poder e representa a trindade.

    Jeová (traduzido “Senhor” na versão de Almeida.) Elohim, o Deus-Criador, não permanece alheio às suas criaturas. Observando Deus a necessidade entre os homens, desceu para ajudá-los e salvá-los; ao assumir esta relação, ele revela-se a si mesmo como Jeová , o Deus da Aliança. O nome JEOVÁ tem sua origem no verbo SER e inclui os três tempos desse verbo — passado, presente e futuro. O nome, portanto significa: Ele que era, que é e que há de ser; em outras palavras, o Eterno. Visto que Jeová é o Deus que se revela a si mesmo ao homem, o nome significa: Eu me manifestei, me manifesto, e ainda me manifestarei.

    O que Deus opera a favor de seu povo acha expressão nos seus nomes, e ao experimentar o povo a sua graça, desse povo então pode dizer-se: “conhecem o seu nome.” A relação entre Jeová e Israel resume-se no uso dos nomes encontrados nos concertos entre Jeová e seu povo. Aos que jazem em leitos de doença manifesta-se-lhes como JEOVÁ-RAFA, “o Senhor que cura” (Êxo. 15:26). Os oprimidos pelo inimigo invocam a JEOVÁ-NISSI, “o Senhor nossa bandeira” Êxo. 17:8-15). Os carregados de cuidados aprendem que ele é JEOVÁ-SHALOM, “o Senhor nossa paz” (Jui. 6:24). Os peregrinos na terra sentem a necessidade de JEOVÁ-RA’AH, “o Senhor meu pastor” (Sal. 23:1). Aqueles que se sentem sob condenação e necessitados da justificação, esperançosamente invocam a JEOVÁ-TSIDKENU, “o Senhor nossa justiça” (Jer. 23:6). Aqueles que se sentem desamparados aprendem que ele é JEOVÁ-JIREH, “o Senhor que provê” (Gên. 22:14). E quando o reino de Deus se houver concretizado na terra, será ele conhecido como JEOVÁ-SHAMMAH, “o Senhor está ali” (Ezeq. 48:35).

    El (Deus) é usado em certas combinações: EL-ELYON (Gên. 14:18-20), o “Deus altíssimo”, o Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses. EL-SHADDAI, “o Deus que é suficiente para as necessidades do seu povo” (Êxo. 6:3). EL-OLAM, “o eterno Deus” (Gên. 21:33).

    Adonai significa literalmente “Senhor” ou “Mestre” e dá a idéia de governo e domínio. (Êxo. 23:17; Isa. 10:16, 33.) Por causa do que Deus é e do que tem feito, ele exige o serviço e a lealdade do seu povo.Este nome no Novo Testamento aplica-se ao Cristo glorificado.

    Pai, emprega-se tanto no Antigo como no Novo Testamento. Em significado mais amplo o nome descreve a Deus como sendo a Fonte de todas as coisas e Criador do homem; de maneira que, no sentido criativo, todos podem considerar-se geração de Deus. (Atos 17:28.) Todavia, esta relação não garante a salvação. Somente aqueles que foram vivificados e receberam nova vida pelo seu Espírito são seus filhos no sentido intimo da salvação. (João 1:12, 13.).

    1. A AUTORIDADE REVELADA EM SEUS ATRIBUTOS

    Sendo Deus um ser infinito, é impossível que qualquer criatura o conheça exatamente como ele é. No entanto, ele bondosamente revelou-se mediante linguagem compreensível a nós. São as Escrituras essa revelação. Por exemplo, Deus diz acerca de si mesmo: “Eu sou Santo”; portanto, podemos afirmar: Deus é Santo. A santidade, então, é um atributo de Deus, porque a santidade é uma qualidade que podemos atribuir ou aplicar a ele. Dessa forma, com a ajuda da revelação que Deus deu de si mesmo, podemos regular os nossos pensamentos acerca de Deus. Qual a diferença entre os nomes de Deus e os seus atributos? Os nomes de Deus expressam as qualidades do seu ser inteiro, enquanto os seus atributos indicam vários aspectos do seu caráter. Muito se pode dizer de um ser tão grande como Deus, mas facilitaremos a nossa tarefa se classificar os seus atributos.

    Compreender a Deus em sua plenitude seria tão difícil como encerrar o Oceano Atlântico numa xícara; mas ele se tem revelado a si mesmo o suficiente para esgotar a nossa capacidade. A classificação seguinte talvez nos facilite a compreensão: 1. Atributos sem relação entre si, ou seja, o que Deus é em si próprio, à parte da criação. Estes respondem à pergunta: quais são as qualidades que caracterizavam a Deus antes que alguma coisa existisse? 2. Atributos ativos, ou seja, o que Deus é em relação ao universo. 3. Atributos morais, ou seja, o que Deus é em relação aos seres morais por ele criados.

    1. Atributos não relacionados (a natureza íntima de Deus).

    Espiritualidade. Deus é Espírito. (João 4:24). Deus é Espírito com personalidade; ele pensa, sente e fala; portanto, pode ter comunhão direta com suas criaturas feitas à sua imagem.

    Sendo Espírito, Deus não está sujeito as limitações às quais estão sujeitos os seres humanos dotados de corpo físico. Ele não possui partes corporais nem está sujeito às paixões; sua pessoa não se compõe de nenhum elemento material, e não está sujeito às condições de existência natural. Portanto, não pode ser visto com os olhos naturais nem apreendido pelos sentidos naturais. Isto não implica que Deus leve uma existência sombria e irreal, pois Jesus se referiu à “forma” de Deus. (João 5:37; vide Fil. 2:6.) Deus é uma Pessoa real, mas de natureza tão infinita que não se pode apreendê-lo plenamente pelo conhecimento humano, nem tampouco satisfatoriamente descrevê-lo em linguagem humana. “Ninguém jamais viu a Deus”, declara o apóstolo João (João 1:18; vide Êxo. 33:20); no entanto, em Êxo. 24:9,10 lemos que Moisés, e certos anciãos, “viram a Deus”. Nisto não há contradição; João quer dizer que nenhum homem jamais viu a Deus como ele é. Mas sabemos que o Espírito pode manifestar-se em forma corpórea (Mat. 3:16); portanto, Deus pode manifestar-se duma maneira perceptível ao homem. Deus também descreve a sua personalidade infinita em linguagem compreensível às mentes finitas; portanto, a Bíblia fala de Deus como ser que tem mãos, braços, olhos e ouvidos, e descreve-o como vendo, sentindo, ouvindo, arrependendo-se, etc. Mas Deus também é insondável e inescrutável. “Porventura… chegarás à perfeição do Todo-poderoso?” (Jo 11:7) — e nossa resposta só pode ser: “não temos com que tirar, e o poço é fundo” (João 4:11), usando a expressão da mulher samaritana.

    Infinitude. Deus é Infinito, isto é, não está sujeito às limitações naturais e humanas. A sua infinitude é vista de duas maneiras: (1) em relação ao espaço. Deus caracteriza-se pela imensidade (1 Reis 8:27); isto é, a natureza da Divindade está presente de modo igual em todo o espaço infinito e em todas as suas partes. Nenhuma parte existente está separada da sua presença ou de sua energia, e nenhum ponto do espaço escapa à sua influência. “Seu centro está em toda parte e sua circunferência em parte nenhuma.” Mas, ao mesmo tempo, não devemos esquecer que existe um lugar especial onde sua presença e glória são reveladas duma maneira extraordinária; esse lugar é o céu. (2) Em relação ao tempo, Deus é eterno. (Êxo. 15:18; Deut. 33:27; Nee. 5:5; Sal. 90:2; Jer. 10:10; Apoc. 4:8-10.) Ele existe desde a eternidade e existirá por toda a eternidade. O passado, o presente e o futuro são todos como o presente à sua compreensão. Sendo eterno, ele é imutável — “o mesmo ontem, hoje, e eternamente”. Esta é para o crente uma verdade confortadora, podendo assim descansar na confiança de que “O Deus da antiguidade é uma morada, e por baixo estão os braços eternos” (Deut. 33:27).

    Unidade. Deus é o único Deus. (Êxo. 20:3; Deut. 4:35,39; 6:4; 1 Sam. 2:2; 2 Sam. 7:22; 1 Reis 8:60; 2 Reis 19:15; Nee. 9:6; Isa. 44:6-8; 1 Tim. 1:17.) “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” Era esse um dos fundamentos da religião do Antigo Testamento, sendo também essa a mensagem especial a um mundo que adorava a muitos deuses falsos. Haverá contradição entre este ensino da unidade de Deus e o ensino da Trindade do Novo Testamento? É necessário distinguir entre duas qualidades de unidade — unidade absoluta e unidade composta. A expressão “um homem” traz a idéia de unidade absoluta, porque se refere a uma só pessoa. Mas quando lemos que homem e mulher serão “uma só carne” (Gên. 2:24), essa é uma unidade composta, visto que se refere à união de duas pessoas. Vide também Esd. 3:1; Ezeq. 37:17; estas referências bíblicas empregam a mesma palavra para significar “um só” (“echad” na língua hebraica) como se usa em Deut. 6:4. Existe outra palavra (“yachidh” no hebraico) que se usa para exprimir a idéia de unidade absoluta. (Gên. 22:2, 12; Amós 8:10; Jer. 6:26; Zac. 12:10; Prov. 4:3; Jui. 11:34.) A qual classe de unidade se refere Deut. 6:4? Pelo fato de a palavra “nosso Deus” estar no plural (ELOHIM no hebraico), concluímos que se refere à unidade composta. A doutrina da Trindade ensina a unidade de Deus como unidade composta, inclusive de três Pessoas Divinas unidas na essencial unidade eterna.

    2. Atributos ativos (Deus e o universo).

    Onipotência. Deus é onipotente. (Gên. 1:1; 17:1; 18:14; Êxo. 15:7; Deut. 3:24; 32:39; 1 Crôn. 16:25; Jo 40:2; Isa. 40:12-15; Jer. 32:17; Ezeq. 10:5; Dan. 3:17;4:35; Amós 4:13; 5:8; Zac. 12:1; Mat. 19:26; Apoc. 15:3; 19:6.) A onipotência de Deus significa duas coisas:

    1) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com a sua natureza. “Pois para Deus nada será impossível.” Isto naturalmente não significa que ele possa ou queira fazer alguma coisa contrária à sua própria natureza — por exemplo, mentir ou roubar; ou que faria alguma coisa absurda ou contraditória em si mesma, tal como fazer um circulo triangular, ou fazer água seca.

    2) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir. Mas sendo assim, por que se pratica o mal neste mundo? É porque Deus dotou o homem de livre arbítrio, cujo arbítrio Deus não violará; portanto, ele permite os atos maus, mas com um sábio propósito de, finalmente, dominar todo o mal. Somente Deus é Todo-poderoso e até mesmo Satanás nada pode fazer sem a sua permissão. (Vide Jó caps. 1 e 2.) Toda a vida é sustentada por Deus. (Heb. 1:3; Atos 17:25, 28; Dan. 5:23.) A existência do homem é qual som de nota de harmônio que soa enquanto os dedos comprimem as teclas. Assim, sempre que a pessoa peca, está usando o poder do próprio Criador para ultrajá-lo. Todo pecado é um insulto contra Deus.

    Onipresença. Deus é onipresente, isto é, o espaço material não o limita em ponto algum. (Gên. 28:15, 16; Deut. 4:39; Jos. 2:11; Sal. 139:7-10; Prov. 15:3,11; Isa. 66:1; Jer. 23:23,24; Amós 9:2-4,6; Atos 7:48,49; Efés. 1:23.)

    Qual a diferença entre imensidade e onipresença? Imensidade é a presença de Deus em relação ao espaço, enquanto onipresença é sua presença considerada em relação às criaturas. Para suas criaturas ele está presente nas seguintes maneiras:

    1) Em glória, para as hostes adoradoras do céu. (Isa. 6:1-3.)

    2) Eficazmente, na ordem natural. (Naúm 1:3.)

    3) Providencialmente, nos assuntos relacionados com os homens. (Sal. 68:7, 8.)

    4) Atentamente, àqueles que o buscam. (Mat. 18:19, 20; Atos 17:27.)

    5) Judicialmente, às consciências dos ímpios. ( Gên. 3:8; Sal. 68:1, 2.) O homem não deve iludir-se com o pensamento de que existe um cantinho no universo onde possa escapar à lei do seu Criador. “Se o seu Deus está em toda parte, então deve estar também no inferno”, disse um chinês a um cristão na China. “Sua ira sim está no inferno”, foi a pronta resposta.

    6) Corporalmente em seu Filho. “Deus conosco” (Col. 2:9).

    7) Misticamente na igreja. (Efés. 2:12-22.)

    8) Oficialmente, com seus obreiros. (Mat. 28:19, 20.) Embora Deus esteja em todo lugar, ele não habita em todo lugar. Somente ao entrar em relação pessoal com um grupo ou com um indivíduo se diz que ele habita com eles.

    Onisciência. Deus é onisciente, porque conhece todas as coisas. (Gên. 18:18,19; 2 Reis 8:10,13; 1 Crôn. 28:9; Sal. 94:9; 139:1-16; 147:4-5; Prov. 15:3; Isa. 29:15,16; 40:28; Jer. 1:4-5; Ezeq. 11:5; Dan.2:22,28; Amós 4:13; Luc. 16:15; Atos 15:8, 18; Rom. 8:27, 29; 1 Cor. 3:20; 2 Tim. 2:19; Heb. 4:13; 1 Ped. 1:2; 1 João 3:20.) O conhecimento de Deus é perfeito, ele não precisa arrazoar, ou pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente — seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo.

    Há grande conforto na consideração deste atributo. Em todas as provas da vida o crente tem a certeza de que “vosso Pai celestial sabe” (Mat. 6:8). A seguinte dificuldade se apresenta a alguns: sendo Deus conhecedor de todas as coisas, ele sabe quem se perderá; portanto, como pode essa pessoa evitar o perder-se? Mas a presciência de Deus sobre o uso que a pessoa fará do livre arbítrio não obriga a escolher este ou aquele destino. Deus prevê sem intervir.

    Sabedoria. Deus é sábio. (Sal. 104:24; Prov. 3:19; Jer. 10:12; Dan. 2:20,21; Rom. 11:33; 1 Cor. 1:24, 25, 30; 2:6, 7; Efés. 3:10; Col. 2:2, 3.) A sabedoria de Deus reúne a sua onisciência e sua onipotência. Ele tem poder para levar a efeito seu conhecimento de tal maneira que se realizem os melhores propósitos possíveis pelos melhores meios possíveis. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo. “Ele fez tudo bem.” Esta ação da parte de Deus, de organizar todas as coisas e executar a sua vontade no curso dos eventos com a finalidade de realizar o seu bom propósito, chama-se Providência. A divina providência geral relaciona-se com o universo como um todo; sua providência particular relaciona-se com os detalhes da vida do homem.

    Soberania. Deus é soberano, isto é, ele tem o direito absoluto de governar suas criaturas e delas dispor como lhe apraz. (Dan. 4:35; Mat. 20:15; Rom. 9:21.) Ele possui esse direito em virtude de sua infinita superioridade, de sua posse absoluta de todas as coisas, e da absoluta dependência delas perante ele para que continuem a existir. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão, censurar os seus caminhos. Observa D. S. Clarke: A doutrina da soberania de Deus é uma doutrina muito útil e animadora. Se fosse para escolher, qual seria preferível — ser governado pelo fatalismo cego, pela sorte caprichosa, pela lei natural irrevogável, pelo “eu” pervertido e de curta visão, ou ser governado por um Deus sábio, santo, amoroso e poderoso? Quem rejeita a soberania de Deus, pode escolher ser governado dentre o que sobra.

    3. Atributos morais (Deus e as criaturas morais).

    Passando em revista o registro das obras de Deus para com os homens, aprendemos que:

    Santidade. Deus é santo. (Êxo. 15:11; Lev. 11:44, 45; 20:26; Jos. 24:19; l Sam. 2:2; Sal. 5:4; 111:9; 145:17; Isa. 6:3; 43:14,15; Jer. 23:9; Luc. 1:49; Tia. 1:13; 1 Ped. 1:15, 16; Apoc. 4:8; 15:3, 4.) A santidade de Deus significa a sua absoluta pureza moral; ele não pode pecar nem tolerar o pecado. O sentido original da palavra “santo” é “separado”. Em que sentido está Deus separado? Ele está separado do homem no espaço — ele está no céu, o homem na terra. Ele está separado do homem quanto à natureza e caráter — ele é perfeito, o homem é imperfeito; ele é divino, o homem é humano; ele é moralmente perfeito, o homem é pecaminoso. Vemos, então, que a santidade é o atributo que mantém a distinção entre Deus e a criatura. não denota apenas um atributo de Deus, mas a própria natureza divina. Portanto, quando Deus se revela a si mesmo de modo a impressionar o homem com a sua Divindade, diz-se que ele se santificou (Ezeq. 36:23; 38:23), isto é, “revela-se a si mesmo como o Santo”. Quando os serafins descrevem o resplendor divino que emana daquele que está sentado sobre o trono, exclamam: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” (Isa. 6:3). Diz-se que os homens santificam a Deus quando o honram e o reverenciam como Divino. (Num. 20:12; Lev. 10:3; Isa. 8:13.) Quando o desonram, pela violação de seus mandamentos, se diz que “profanam” seu nome — que é o contrário de santificar seu nome. (Mat. 6:9.) Somente Deus é santo em si mesmo. Descrevem-se desta maneira o povo, os edifícios, e objetos santos porque Deus os fez santos e os tem santificado. A palavra “santo”, quando se aplica a pessoas ou a objetos, é termo que expressa relação com Jeová — pelo fato de estar separado para o seu serviço. Sendo separados, os objetos precisam estar limpos; e as pessoas devem consagrar-se e viver de acordo com a lei da santidade. Esses fatos constituem a base da doutrina da santificação.

    Justiça. Deus é justo. Qual a diferença entre a santidade e a justiça? “A justiça é santidade em ação”, esta é uma das respostas. A justiça é a santidade de Deus manifesta no tratar retamente com suas criaturas. “não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gên. 18:25). A justiça é obediência a uma norma reta; é conduta reta em relação a outrem. Quando é que Deus manifesta este atributo?

    1) Quando livra o inocente, condena o ímpio e exige que se faça justiça. Deus julga, não como o fazem os juízes modernos, que baseiam seu julgamento sobre a evidência apresentada perante eles por outrem. Deus mesmo descobre a evidência. Desta maneira o Messias, cheio do Espírito Divino, não julgará “segundo a vista dos seus olhos, nem reprovar segundo o ouvir dos seus ouvidos”, mas julgará com justiça. (Isa. 11:3.)

    2) Quando perdoa o penitente. (Sal. 51:14; 1 João 1:9; Heb. 6:10.)

    3) Quando castiga e julga seu povo. (Isa. 8:17; Amós 3:2.)

    4) Quando salva seu povo. A interposição de Deus a favor do seu povo se chama sua justiça. (Isa. 46:13; 45:24,25.) A salvação é o lado negativo, a justiça é o positivo. Ele livra seu povo dos seus pecados e de seus inimigos, e o resultado é a retidão de coração. (Isa. 51:6; 54:13; 60:21; 61:10.)

    5) Quando dá vitória à causa de seus servos fiéis. (Isa. 50:4-9.) Depois de Deus haver libertado seu povo e julgado os ímpios então teremos “novos céus e uma nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). Deus não somente trata justamente como também requer justiça. Mas que sucederá no caso de o homem haver pecado? Então ele graciosamente justifica o penitente. (Rom. 4:5.) Esta é a base da doutrina da justificação.Notar-se-á que a natureza divina é a base das relações de Deus para com os homens. Como ele é, assim ele opera. O Santo santifica, o Justo justifica.

    Fidelidade. Deus é fiel. Ele é absolutamente digno de confiança; as suas palavras não falharão. Portanto, seu povo pode descansar em suas promessas. (Êxo. 34:6; Num. 23:19; Deut. 4:31; Jos. 21:43-45; 23:14; 1 Sam. 15:29; Jer. 4:28; Isa. 25:1; Ezeq. 12:25; Dan. 9:4; Miq. 7:20; Luc. 18:7,8; Rom. 3:4; 15:8; 1 Cor. 1:9; 10:13; 2 Cor. 1:20; 1Tess. 5:24; 2 Tess. 3:3; 2 Tim. 2:13; Heb. 6:18; 10:23; 1 Ped. 4:19; Apoc. 15:3.)

    Misericórdia. Deus é misericordioso. “A misericórdia de Deus é a divina bondade em ação com respeito às misérias de suas criaturas, bondade que se comove a favor deles, provendo o seu alivio, e, no caso de pecadores impenitentes, demonstrando paciência longânima” (Hodges). (Tito 3:5; Lam. 3:22; Dan. 9:9; Jer. 3:12; Sal. 32:5; Isa. 49:13; 54:7.) Uma das mais belas descrições da misericórdia de Deus encontra-se no Salmo 103:8-18. O conhecimento de sua misericórdia toma-se a base da esperança (Sal. 130:7) como também da confiança (Sal. 52:8). A misericórdia de Deus manifestou-se de maneira eloqüente ao enviar Cristo ao mundo. (Luc. 1:78.)

    Amor. Deus é amor. O amor é o atributo de Deus em razão do qual ele deseja relação pessoal com aqueles que possuem a sua imagem e, mui especialmente, com aqueles que foram santificados em caráter, feitos semelhantes a ele. Notamos a descrição do amor de Deus (Deut. 7:8; Efés. 2:4; Sof. 3:17; Isa. 49:15, 16; Rom. 8:39; Osé. 11:4; Jer. 31:3); notamos a quem é manifestado (João 3:16; 16:27; 17:23; Deut. 10:18); notamos como foi demonstrado (João 3:16; 1 João 3:1; 4:9, 10; Rom. 9:11-13; Isa. 38:17; 43:3, 4; 63:9; Tito 3:4-7; Efés. 2:4, 5; Osé. 11:4; Deut. 7:13; Rom. 5:5).

    Bondade. Deus é bom. A bondade de Deus é o atributo em razão do qual ele concede vida e outras bênçãos às suas criaturas. (Sal. 25:8; Naúm 1:7; Sal. 145:9;Rom. 2:4; Mat. 5:45; Sal. 31:19; Atos 14:17; Sal. 68:10; 85:5.)

  • Lição 7 – Apreendendo a Suportar uns aos Outros

    Lição 7 – Apreendendo a Suportar uns aos Outros

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    Texto bíblico Básico:

    Mateus  5. 38-48

    38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

    O propósito de Deus ao dar esta Lei era oferecer misericórdia. E diziam os juízes: “que o castigo seja de acordo com o delito”. Não era uma regra para a vingança pessoal (Ex 21:23-25; Lv 24:19-20; Dt 19:21).

    Seu propósito era limitar a vingança e ajudar ao juiz a aplicar castigos que não fossem nem pesados nem leves. Algumas pessoas, entretanto, estavam usando esta frase para justificar a vingança. As pessoas se desculpavam de seus atos de vingança dizendo: “Estou cobrando o que ele me fez”.

    39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

    Bater a face direita –  Todo judeu no tempo de Jesus sabia o que significava bater na face direita de alguém, a saber, era o injurioso golpe com o lado exterior da mão, desferido com a mão direita contra a face direita do outro. De acordo com o código civil judaico, punia-se a pessoa que feria desse modo a honra de outra, com 400 sus (cerca de 160 dólares).

    Ora, segundo a lei rabínica, bater com o dorso da mão era duplamente insultante que fazê-lo com a palma. Há certa arrogância insultante que se soma ao fato de dar um reverso ou golpe com o dorso da mão.

    Assim, pois, o que Jesus diz é o seguinte: “Mesmo que alguém lhes dirija o insulto mais calculado e traidor, não devem responder com outro insulto do mesmo tipo, nem devem sentir-se ofendidos por sua ação.”

    Não nos ocorrerá com muita frequência encontrar-nos com alguém que nos dê bofetadas, mas uma e outra vez no curso de nossa vida receberemos insultos de maior ou menor proporção; Jesus nos está dizendo aqui que o cristão precisa ter aprendido a não experimentar ressentimento, seja qual for o insulto que receber, e a não procurar vingar-se de maneira alguma.

    De acordo com os psicólogos, a violência nasce da fraqueza, não da força. O homem forte é capaz de amar e de sofrer, enquanto o fraco pensa apenas em si mesmo e fere os outros para se defender. Depois, foge para se proteger.

    Não resistais (opor-se, colocar contra) ao homem mal, isso significa: que somos orientados a não revidar ao homem mal, Ao mal devemos responder com o bem. Quando somos ofendidos, com frequência nossa primeira reação é procurar desforra. Jesus nos diz que devêssemos fazer o bem aos que nos causam dano. Não devemos guardar ressentimentos, a não ser amar e perdoar. Isto não é natural: é sobrenatural, e só Deus pode nos dar a força para amar. Em lugar de procurar vingança, ore pelos que o ferem.

    É importante frisar que Jesus não está discutindo a obrigação do governo de manter ordem

    40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

    Jesus segue dizendo que se alguém tenta nos tirar a túnica em um litígio ante os tribunais, não somente devemos deixar que se leve o que quer, mas também lhe oferecer a capa. Novamente, há aqui muito mais do que pode perceber-se superficialmente. A túnica, chiton, era uma espécie de camisa que se usava debaixo da roupa, e em geral era feita de algodão ou linho.

    Até o homem mais pobre possuía habitualmente mais de uma muda deste objeto. A capa era a vestimenta exterior, de forma retangular e de consideráveis dimensões, que se usava como toga durante o dia e como telha durante a noite. Os judeus em geral tinham somente uma capa ou manta deste tipo.

    A lei judia estabelecia que a túnica de um devedor era confiscável, mas não a capa. “Se do teu próximo tomares em penhor a sua veste, lha restituirás antes do pôr-do-sol; porque é com ela que se cobre, é a veste do seu corpo; em que se deitaria?” (Êxodo 22:26-27).

    41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.

    Te obrigar. Uma palavra de origem persa, descrevendo o costume dos correios e soldados  romanos que tinham autoridade de obrigar pessoas a prestarem serviços sempre quando fosse necessário (confira o caso de Simão Cireneu, Mt. 27:32).  Os soldados romanos que ocupavam o país podiam obrigar a qualquer transeunte a lhes levar sua carga até por uma milha (como 1.5 km).

     42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.

    Ver Lucas 6:30 sejam judeus ou gentios; amigo ou inimigo; crente ou descrente, um bom ou um homem mau; digno ou indigno, merecendo ou não, que pede ajuda, seja comida ou dinheiro, dá-lo livremente, prontamente, alegremente, de acordo com suas habilidades, e como a necessidade dom momento, devem ser consideradas, e uma atenção especial  para com os da família da fé.

    43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. 

    Amarás o teu próximo (Lv. 19:18, 34) resume toda a segunda tábua da Lei (confira com Mt. 22:39).

    Odiarás o teu inimigo. Esta adição que não é das Escrituras desvia-se da lei do amor; mas deveria ser uma interpretação popular. O Manual de Disciplina de Qumran contém a seguinte regra: “. . . amar todos os que Ele escolheu e odiar a todos os que Ele rejeitou” (1 QS 1.4).

    Amai a vossos inimigos. O amor (agapao) prescrito é o amor inteligente que compreende a dificuldade e esforça-se em libertar o inimigo do seu ódio. Tal amor é parente da atitude amorosa de Deus para com os homens rebeldes (Jo. 3:16) e portanto é uma prova de que aqueles que agem assim são verdadeiros filhos do seu Pai

    46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?  47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo?

    Publicanos. Os coletores judeus dos impostos romanos, odiados por seus patrícios por causa de suas flagrantes extorsões e sua associação com os conquistadores desprezados.

    48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

    Como podemos ser perfeitos?

    (1) Em caráter. Nesta vida não podemos ser impecáveis, mas podemos aspirar a ser mais semelhantes a Cristo.

    (2) Em santidade. Como os fariseus, devemos nos separar dos valores pecaminosos do mundo.

    (3) Em maturidade. Não podemos conseguir ter o caráter de Cristo e viver em santidade de repente , mas podemos lutar pela perfeição. Assim como esperamos uma conduta diferente de um bebê, de um menino, de um adolescente e de um adulto, Deus espera atitudes diferentes de nós, segundo nosso nível de desenvolvimento espiritual.

    (4) Em amor. Podemos procurar amar a outros como Deus nos ama. A gente é se sua conduta é apropriada para seu nível de maturidade: perfeitos, mas ainda com muito espaço para crescer. Nossa tendência a pecar nunca deve nos deter no empenho de ser cada vez mais semelhantes a Cristo. O chama a todos seus discípulos à excelência, a superar o nível de mediocridade e a maturar em tudo, até chegar a ser como O é. Os que se esforçam por chegar à perfeição um dia conseguirão ser perfeitos como O é perfeito (1Jo 3:2).

     

     

     

     

     

     

     

  • Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    tentaçãoTENTAÇÃO

    Esboço:

    I. Definição

    lI. O Dilema Humano

    Ill, Deus é Fiel

    IV. A Vitória é Possivel

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação?

    VI. Meios para Escapar

    1 Cor. 10: 13: Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.

    I. Definição

    Há uma palavra hebraica e duas palavras gregas, envolvidas neste verbete, a saber:

    1. Massah, “teste”. “provação”. Palavra hebraica usada por cinco vezes. Deu. 4:34; 7:19; 29:3;, SaL 95:8; Jó 9:23.

    2.    Peirasmôs, “teste”, “prova”. Palavra grega usada por vinte vezes: Mal. 6:13; 26:41; Mar. 14:38; Luc. 4:13; 8:13; 11:4; 22:28,40,46; Atos 20:19; 1 Cor. 10:13; Gál. 4:14; 1, Tim. 6:9; Heb. 18; Tiago.1:2,12; 1 Ped. 1:6; 11 Ped. 2:9 e Apo.3:10.

    3. Peirázo, ”testar”, “submeter à prova”. Vocábulo grego que ocorre por trinta e seis vezes: Mal. 4:1,3; 16:1; 19:3; 22:18,35; Mar. 1:13; 8:11; 10:2; 12:15; Luc. 4:2; 11:16; João 6:6; 8:6; Atos 5:9; 9:26; 15:10; 16:7; 24:6; 1 Cor. 7:5; 10:9,13; 11 Cor. 115; GáI. 6:1; 1 Tes. 3:5; Heb. 2:18; 3:9

    (citando Sal. 95:9); 4:15; 11:17,37; Tia. 1:13,14; Apo.12,10; 3:10.

    4.    No original grego, tentação é “peirasmos”, que significa “teste”, “provação”, “tentação para a prática do mal”. Esse vocabulário pode incluir ou não a idéia de alguma questão moral envolvida. Pode simplesmente indicar um teste difícil, uma prova, e não alguma tentação tendente à prática

    do mal, uma incitação ao pecado. Por outro lado, essa palavra pode envolver a idéia de incitação ao pecado. Essa foi exatamente a palavra utilizada pelo Senhor Jesus, em sua oração, no trecho de Mat. 6:13, onde ele diz: ” … e não nos deixeis cair em tentação…”. É também o mesmo termo usado para indicar as tentações que Satanás lançou contra o Senhor Jesus, no deserto (ver Luc. 4: 13). Na passagem de Tiago. 1:12 essa mesma palavra é empregada para indicar, bem definidamente, a tentação à prática do mal.

    É lógico acreditarmos, por conseguinte, que a tentação referida neste versículo tem por intuito incluir questões tanto “morais” como “amorais”, isto é, tentações para a prática do pecado (o que é evidente no próprio contexto), mas igualmente, certos períodos de dificuldades, o que também se evidencia quando consideramos, no contexto, o que Paulo mesmo esperava para o fim desta era, refletindo uma doutrina judaica comum, de que haveria um período geral de tribulações, em todos os sentidos, quando se aproximasse o fim da presente dispensação (ver 1 Ped. 4: 12 e Apo. 3: 10 quanto a essa mesma idéia, nas páginas do N.T.).

    Deus não tenta a homem algum para a prática do mal (ver Tiago. 1:12), embora ele permita que as tribulações nos sobrevenham (ver Mal. 6: 13), e destas últimas o Senhor Jesus orou pedindo livramento. Satanás foi capaz de tentar ao Senhor Jesus com o mal; nada disso o diabo jamais teria podido  fazer, sem a permissão divina.

    11.O Dilema Humano

    Condição humana. As tentações (induções) à prática do mal ou “tribulações” são “humanas”. Isso significa apenas que pertencem aos homens, comuns a seu nível, comuns à sua experiência terrena, pelo que também não podem ser algo extraordinário e avassalador para nós. Desde o princípio da história humana, os homens têm sofrido das mesmas formas de testes; não existem tribulações novas,

    que nos surpreendam devido à sua novidade. Os homens da antiguidade foram atingidos por toda a sorte de desastres. Outro tanto sucede conosco. Os homens antigos foram vitimados por todas essas calamidades; e outro tanto pode suceder conosco. As tentações vitimaram os homens antigos; e podem vitimar-nos se não exercermos a autodisciplina. Contudo, as tentações que nos assediam são

    adaptadas para as forças humanas, para as condições humanas. Temos sido armados com os meios que nos capacitem a derrotar tais tentações; e assim poderemos fazê-lo, se nos valermos dos meios postos à nossa disposição. Podemos ser vitoriosos ou totalmente derrotados elas tentações; podemos ser até mesmo destruídos, espiritualmente falando, ou podemos usá-las como degraus que nos elevam a um desenvolvimento espiritual mais elevado. Podemos encontrar homens pertencentes a ambas as categorias, na Igreja cristã. Não parece que Paulo estivesse contrastando duas formas de tentação, a humana e a demoníaca, porquanto até mesmo as tentações demoníacas assaltam os crentes, conforme aprendemos em Efé, 6:12 e ss.

    Não obstante, sem importar a fonte de onde elas provêm, continuam sendo humanas, no sentido que são comuns à experiência humana, não transcendendo ao poder da vontade humana, contanto que o homem seja ajudado pelo Espirito Santo.

    O apóstolo dos gentios, portanto, dizia que podemos triunfar; mas que esse triunfo não é necessariamente

    inevitável ou fácil. A experiência humana mostra-nos que tal vitória não é fácil.

    111. Deus é Fiel

    Ele é fiel pelas razões expostas; em seguida Ele exerce controle sobre todas as tentações que sobrevêm ao crente em sua vida, Ele permite somente aquelas tentações que podem ser toleradas, sem importar se essas assumem a forma de testes, de sofrimentos, de perseguições ou de incitações para a prática do mal. Além disso, Deus provê sempre um meio de escape, quando somos assediados pelas tentações, desviando aquelas outras que, de modo algum, poderíamos suportar. Sim, Deus é fiel no sentido de “digno de confiança”, como alguém em quem se pode confiar, no que diz respeito a essa questão das tentações.

    IV. A Vitória é Possível

    Não sejais tentados além das vossas forças. Um crente conta com reservas de forças até mesmo para enfrentar os poderes espirituais malignos. Não obstante, compete-lhe utilizar-se de certos meios para desenvolver esses recursos, a fim de que possa usá-los prontamente quando isso se tomar necessário.

    Precisa ter certo nível de espiritualidade, desenvolvido mediante a oração, a meditação, a comunhão com o Espírito Santo, a transformação segundo a imagem moral de Cristo. O próprio Cristo é o exemplo supremo das reservas de forças espirituais que resguardam o homem de Deus contra qualquer modalidade de tentação. As passagens de Heb. 2: 18 e 4: 15 mostram-nos que Jesus foi tentado em todos os pontos em que também o somos, embora jamais tivesse cedido ao pecado. Cristo Jesus não pecou, não porque não pudesse fazê-lo; pois, nesse caso, não serviria de exemplo e de consolo para nós. Mas não pecou porque o seu desenvolvimento espiritual, através da presença do Espírito Santo, era tão grande que foi capaz de resistir às formas mais variegadas e difíceis de tentação, incluindo a “incitação ao pecado”, as tribulações”, as “perseguições”, e os “momentos difíceis”.

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação

    1. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral. Mas, uma vez que lhe oferecemos resistência, isso melhora a qualidade moral do nosso ser. Aquele hino que diz: “Cada vitória te ajudará a outra vitória conquistar”, encerra grande verdade.

    2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a “coroa da vida”, e isso por promessa de Deus (ver Tia. 1: 12).

    3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mal. 5:48 eliTes. 2:13). Por conseguinte, a transformação moral é que nos leva à transformação metafisica, dentro da qual chegamos a compartilhar da própria natureza do Filho (ver li Cor. 3:18).

    4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudam em nosso desenvolvimento espiritual, Tiago expressou essa mesma idéia de maneira um tanto mais poética, ao dizer: Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam (Tia. I: 12). Sim, a verdadeira bem-aventurança espiritual é conferida ao homem digno de receber a coroa da vida, isto é, o dom da vida eterna, com a consequente participação em tudo quanto Cristo é e tem, a glorificação em Cristo. A resistência às tentações, em suas variegadas formas, aumenta o poder do crente. Mas ceder ante as mesmas destrói as defesas espirituais dos remidos.

    VI. Meios para Escapar

    No original grego temos “o livramento”, com o artigo definido, o que certamente indica o meio de escape. Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza. O “meio de escape” é sempre adaptado a cada circunstância. O pecado se faz presente e é poderoso; nenhum indivíduo escapa à tentação à prática do mal. Mas esse não é o “escape” prometido. Testes de ordem física e espiritual, grandes tragédias, são acontecimentos poderosos, debilitadores, desencorajadores, algumas vezes avassaladores; mas Deus sempre se mantém próximo do crente. Paulo promete aqui alguma ajuda divina em cada caso, embora não especifique exatamente o que devemos esperar. E essa ajuda será tão variegada como as tribulações.

    “Ele (Deus) conhece os poderes que nos conferiu, bem como quanta pressão somos capazes de resistir”. Deus ordena as provações de tal modo que ‘sejamos capazes de suportá-las’. O ‘poder’ é conferido paralelamente com a tentação, embora a resistência não nos seja proporcionada; essa resistência depende de nós mesmos”, (Robertson e Plummer,).

    A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o ‘escape’ só aparece através da ‘resistência’ e da persistência do crente.

    ” … de sorte que a possais suportar….”. Notemos que não nos é dado o “escape” por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o “escape” porque estamos livres da tribulação. Antes, esse “escape” nos é proporcionado ‘porque’ temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial.

    “Com freqüência, o único ‘escape’ se verifica através da ‘resistência’. Ver Tia. I: 12”. (Vincent, in loc.).

    Fechem-se em um ‘cul de sac’ os desesperos de um homem; mas que ele veja uma porta aberta para sua saída; e ele continuará lutando, levando a sua carga.

    A palavra grega ekbasis (escape) significa saída, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece upengkein (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira.

    Fonte: Norman Champlin

     

     

     

  • Dois tipos de Bíblia

    Dois tipos de Bíblia

    O mercado de Bíblias se encontra aquecido temos hoje, Bíblias para todos os gostos, em inglês já chegaram ao ponto de ter Bíblias condensadas (o volume de palavras é 1/4 das tradicionais), Bíblias com textos unissex, Bíblias rimadas, Bíblia rap, Bíblias funk, Bíblias para gays, Bíblias com novas epístolas (como uma de Martin Luther King), Bíblias para todos os gostos! Esgotados os nomes “atualizada, moderna, para hoje, nova”, etc..

    Mas você já se pegou perguntando por que tanto tipo de Bíblias?

    O que geralmente as pessoas não sabem é que existem apenas duas fontes para as traduções das Bíblias que temos hoje ao nosso alcance.

    O primeiro grupo o grupo das BÍBLIAS DA REFORMA elas foram traduzidas o mais fiel  e literal  formalmente possível, e isto a partir do texto básico encontrado em cerca de 95% dos milhares de manuscritos nas línguas originais (que sobreviveram ao tempo e chegaram até o advento da Imprensa e da Reforma, e a nós); manuscritos que basicamente concordam maravilhosamente entre si.

    Foi esta a tradução utilizada por Deus, para trazer a Reforma (séculos XVI e XVII) e trazer as grandes expansões, purificação e reavivamento do verdadeiro evangelho (séculos XVIII e XIX).

    As Bíblias da Reforma são:

    • Tyndale 1526
    • Genebra 1588);
    • King James Bible (Authorized Version) de 1611;
    • Valera 1569, 1602 TR, 1999;
    • Lutero 1545 (o irmão Waldemar Janzen consultou por nós a edição 1912, revisada em 1998, na Suíça, pela TBS – Trinitarian Bible Society);
    • Almeida 1681/1753:

    Almeida Revista e Reformada” (1847);

    Almeida Revista e Correcta” (1875);

    Almeida Revista e Corrigida“. A edição 1894 (para Portugal) foi 100% TR, mas as revisões de 1898 (para o Brasil), 1948, 1956, 1995 talvez já introduziram 0.1%, 1.5%, 1.8% e 2% do TC, respectivamente.

    • ACF – Almeida Corrigida e revisada, Fiel ao texto original” (1995). Entre as Bíblias atualmente sendo impressas, a ACF é a única 100% legítima herdeira da Almeida original, pois se baseia nos mesmos textos em hebraico e  grego, e usa o mesmo fiel método de tradução formal – literal.

     

    No segundo grupo temos as BÍBLIAS ALEXANDRINAS,  cuja tradução tem por base dois dos pouquíssimos manuscritos alexandrinos (estes dois manuscritos, Aleph (Sinaiticus) e B (Vaticanus), são os mais corrompidos de todos os milhares de manuscritos da Bíblia nas línguas originais; todos os manuscritos alexandrinos diferem bastante entre si .

    E importante observar que, em todo o mundo, até 1881 (e, no Brasil, até 1956), não havia, sequer uma Bíblia impressa que fosse  diferente e concorrente das Bíblias da Reforma, e que fosse usada por  igrejas “protestantes” . Só a partir destas datas é que Bíblias alexandrinas sorrateiramente realmente começaram a se infiltrar nas igrejas “protestantes”.

    As Bíblias Alexandria:

    • ARA – Almeida Revista e Atualizada – 1976;
    • AR – Almeida Revisada … Melhores Textos – 1995;
    • NIV – New International Version – 1986;
    • NVI – Nova Versão Internacional – 1994, 2001;
    • BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje – 1988;
    • BBN – Bíblia Boa Nova – 1993
    • BV – Bíblia Viva – 1993 ;
    • Bíblia Alfalit – 1996;
    • CEV = Contemporary English Version;
    • NASB – New American Standard Bible – 1977;
    • TNM – Tradução Novo Mundo – 1967 [dos Testemunhas de Jeová];
    • E todas as Bíblias Católicas-Ecumênicas: Bíblia de Jerusalém-1992; Vulgata de Jerônimo, traduções do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, Padre Matos Soares, Padre Humberto Rhoden, Padres Capuchinhos, Monges Beneditinos, Vozes, Pastoral, TEB – Tradução Ecumênica da Bíblia, TOB – Traduction Oecuménique de la Bible, etc.

     

    Atenção algumas Bíblias usam o nome Almeida enganosamente (como golpe de marketing?…): “Almeida Revisada de acordo com os Melhores textos” (1967, sempre baseada em texto e método de tradução diferentes daqueles de Almeida), “Almeida Revista e Atualizada” (1956, idem) e “Almeida Edição Contemporânea” (1992, que algumas vezes usa texto nas línguas originais diferente daquele de Almeida ).

    Outro ponto a observar é que as BÍBLIAS ALEXANDRIAS, não devem ser tomadas como traduções fiéis pelo simples fato de estarem baseadas no TEXTO CRÍTICO.

    O TEXTO CRÍTICO

    Durante os séculos XIX e XX, entretanto, uma outra forma do Novo Testamento grego surgiu e foi usada pelas traduções mais modernas do Novo Testamento. Esse Texto Crítico, como é chamado, difere largamente do texto tradicional, pois omite muitas palavras, versículos e passagens que são encontrados no Texto Recebido e nas tradições que se baseiam nele.

    As versões modernas baseiam-se, principalmente, sobre um Novo Testamento grego que é derivado de um pequeno punhado de manuscritos gregos do quarto século em diante. Dois desses manuscritos, que muitos dos eruditos modernos dizem ser superiores ao bizantino, são o manuscrito do Sinai e o manuscrito do Vaticano (c. século IV).

    Estes, por sua vez, originam-se de um tipo de texto conhecido como texto alexandrino (por causa de sua origem egípcia), referido pelos críticos textuais Westcott e Hort como “texto neutro”. Esses dois manuscritos formam a base do Novo Testamento grego, conhecido como Texto Crítico, cujo uso tem sido muito difundido desde o final do século XIX.

    Nos últimos anos tem havido uma tentativa de se aperfeiçoar esse texto, chamando-o de texto “eclético” (querendo dizer que muitos outros manuscritos foram consultados em suas edições e evolução), mas ainda é o texto que tem sua base central naqueles dois manuscritos.

    Há muitos problemas de omissão que caracterizam esse Novo Testamento grego. Versículos e passagens, que são encontrado nos escritos dos Pais da Igreja dos anos 200 e 300 a.D., estão faltando nos manuscritos do texto alexandrino (que data de cerca de 300 a 400 a.D.). Além disso, essas traduções antigas são encontradas em manuscritos que datam de 500 a.D. em diante. Um exemplo disso é Marcos 16.9-20: essa passagem é encontrada nos escritos de Irineu e de Hipólito, no segundo século, e em quase todos os manuscritos do Evangelho de Marcos de 500 a.D. em diante. Essa passagem está omitida nos manuscritos alexandrinos, o do Sinai e o do Vaticano.

    Este é somente um dos muitos exemplos desse problema. Há muitas palavras, muitos versículos e muitas passagens omitidos nas versões modernas que são encontrados no texto tradicional ou bizantino do Novo Testamento e, portanto, no Textus Receptus. O Texto Crítico diverge do Textus Receptus 5.337 vezes, de acordo com alguns cálculos. O manuscrito do Vaticano omite 2.877 palavras nos Evangelhos; o manuscrito do Sinai, 3.455 palavras nesses mesmos livros. Esses problemas entre o Textus Receptus e o Texto Crítico são muito importantes para as corretas tradução e interpretação do Novo Testamento. Contrariamente à argumentação dos que apoiam o Texto Crítico, essas omissões afetam a vida cristã quanto à doutrina e à fé.

    Seguem-se muitos exemplos de problemas doutrinários causados pelas omissões do Texto Crítico. Esta não é, de modo algum, uma lista exaustiva. O moderno Texto Crítico reconstruído:

    • Omite referência ao nascimento virginal, em Lucas 2.33;
    • Omite referência à deidade de Cristo, em 1 Timóteo 3.16;
    • Omite referência à deidade de Cristo, em Romanos 14.10 e 12;
    • Omite referência ao sangue de Cristo, em Colossenses 1.14

    Adicionalmente, cria-se um erro bíblico em Marcos 1.2: nesta passagem, no Texto Crítico, Isaías torna-se autor do livro de Malaquias. Em numerosas referências no Novo Testamento o nome de Jesus é omitido, no Texto Crítico: “Jesus” é omitido setenta vezes e “Cristo”, vinte e nove vezes.

    O que fazer então diante dessas informações:

    Use todos os textos possíveis para estudo, mais lembre-se de não confiar no texto crítico, pois é um texto ecuménico e que serve de base para seitas. E aconselho utilizar um bom dicionário indico o Strong.

     

    Bibliografia:

    http://www.solascriptura-tt.org/Bibliologia-Traducoes/Ha2TiposBibGravDiferenc.htm

    http://www.biblias.com.br/devemsaber.asp

  • Lição 5 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Lição 5 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Texto Bíblico

    Lucas 4 1-12

    E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;

    Nós nos enganamos quase sempre achando que o Espírito Santo, sempre nos guiará para junto de águas e nos dará repouso, conforme  o salmo 23.2: Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Mas como podemos observar neste versículo quem levou Jesus ao deserto foi o Espirito Santo.

    Por desertos todos nós passamos mais o importante e como e o que te levou ao deserto.

    E quarenta dias  foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.

    A bíblia relata que Jesus foi tentado no deserto por quarenta dias, e os evangelhos só narram o final destes, sabemos pelas escrituras que Jesus foi tentado em tudo, apesar de não há relatos específicos de todas as tentações que o Mestre passou o autor aos Hebreus nos afirma: Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Hb 4.15 .

    E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.

    O Diabo agiu onde Jesus tinha necessidade, veja no final do versículo anterior diz claramente que Jesus teve fome. Nos momentos de dificuldades e necessidades e o momento propício para o inimigo atacar.

     Outra estratégia do inimigo e usar a dúvida quanto a Deus e ao nosso posicionamento em Cristo. Repetindo a primeira tentação, feita  no paraíso (Gn 3.1) Ele questiona: ‘Se tu és”.

    E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.

    Aqui Jesus usa Dt. 8:3, E nos ensina que homem precisa de alimento, mas o alimento não serve para todas as necessidades. A gratificação material dos apetites não pode nunca satisfazer os mais profundos anseios do espírito humano.  

    A expressão o homem nos lábios de Jesus lembra Satanás de que Jesus, embora seja o Filho de Deus, está decidido a cumprir integralmente as condições da existência humana. Como todos os seres humanos, ele deseja rogar diariamente ao Pai pelo pão, esperando-o da mão Dele.

    Conhecer e obedecer a Palavra de Deus é arma eficaz contra a tentação, a única ofensiva provida na “armadura” de Deus (Ef 6:17)

    E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu

    O tentador afirma que toda a esfera de poder e glória terrestre lhe foram entregue. Por isso também poderia passá-la adiante segundo seu bel-prazer. O diabo exige de Jesus que o adore e em troca oferece esta glória. Aqui vemos novamente ele usar uma meia verdade como lá no princípio ele também usou, e continua a usar através das seitas e heresias que são camufladas de meias verdades. De fato o Diabo, naquele momento tinha o domínio do mundo, pois havia tomado do homem este domínio, quando o homem se sujeitou a sua vontade em rebelião a Deus. Mas está era a missão de Cristo resgatar o mundo para Deus, então aqui o tentador mostra um atalho, sem passar pela cruz, para Cristo resgatasse o mundo. E quantos hoje também não abandonam a cruz em busca de um Evangelho de facilidades?

    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorará ao SENHOR teu Deus e só a ele servirá.

    Jesus aqui não chamou o Diabo de mentiroso, e deixa explicitamente o propósito de seu ministério que é o de glorificar o Pai e fazer toda a vontade do Pai, custe o que custar, citando Dt. 6:13.

    Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.

    Aqui Satanás utiliza as Escrituras no  Salmo 91 preferidos por muitos cristãos  que mostrar o cuidado de Deus para com o seu povo, e então usa o para  incitá-lo a usar o poder de Deus em demonstrações sensacionalista, pois se Jesus pulasse, e descesse flutuando no meio do povo ele seria aclamando, o Messias segundo os parâmetros judaicos, que esperavam o Messias em grande glória.

    Mas Jesus o repreende  e chama a intenção do diabo de tentar a Deus. Aqui o idioma grego apresenta um termo mais intenso do que simplesmente peirázein = tentar (como no v. 2). Aqui aparece ekpeirázein. Talvez possamos reproduzir a intensificação com “desafiar insolentemente a Deus”.

     Mas o sensacionalismo nunca perdura. O duro caminho do serviço e do sofrimento leva à cruz, mas depois da cruz à coroa.

    A Tentação

    A palavra tentação segundo o dicionário Strong  πειραζω peirazo. Significa:  tentar para ver se algo pode ser feito, tentar, fazer uma experiência como teste: com o propósito de apurar sua quantidade, ou o que ele pensa, ou como ele se comportará, ou testar alguém maliciosamente; pôr à prova seus sentimentos ou julgamentos com astúcia , tentar ou testar a fé de alguém, virtude, caráter, pela incitação ao pecado e instigar ao pecado.

    A condição do homem ser tentado, não veio após a queda pois já na criação, Adão e Eva foram tentados, e foram tentados numa condição em que não hávia pecado eles eram puros, e teriam condições suficientes para rejeitar a tentação, assim como nós temos essa mesma condição de resistirmos a tentação.

    A tentação no Éden foi permitida para prover um teste pelo qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a Deus e dessa maneira desenvolver seu caráter. Sem vontade livre o homem teria sido meramente uma máquina.

    Portanto todos nós somos tentados e ser tentado não é pecado, pecado e gerado quando se cede a tentação, e todo ser humando tem condições de resistir as tentações, e muito mais os cristãos nascidos de novo que possuem o Espírito de Deus, habitando em seu corpo.

    Alguns principios sobre a Tentação

    1 – Deus não é o agente tentador

    Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Tg 1:13,14.

    Frequentemente as pessoas que vivem para Deus se perguntam por que ainda têm que suportar as tentações. Deus prova às pessoas mas não as prova para as conduzir ao pecado. Permite que Satanás as tente a fim de refinar sua fé e as ajudar a crescer  em sua dependência de . Podemos suportar a tentação do pecado se pedirmos a Deus fortaleça e decidimos atuar em obediência a sua Palavra.

    Tiago provavelmente tinha em mente a doutrina judia do Yetzer ha ra’, “impulso do mal”. Alguns judeus arrazoavam que tendo Deus criado tudo, devia também ter criado o impulso do mal. E considerando que é o impulso do mal que tenta o homem ao pecado, em última análise é Deus, que o criou, o responsável pelo mal. Tiago aqui refuta a idéia. Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta.

    É muito fácil e cômodo  condenar a outros e nos desculpar pelos maus pensamentos e pela conduta equivocada. Algumas desculpa podem ser: (1) é a culpa da outra pessoa; (2) não o pude resistir; (3) todos o fazem; (4) foi sozinho um engano; (5) ninguém é perfeito; (6) o diabo me obrigou a fazê-lo; (7) fui pressionado; (8) não sabia que era mau; (9) Deus me estava tentando. Uma pessoa que apresenta desculpas procura passar sua culpa a algo ou a alguém. Um cristão, entretanto, aceita sua responsabilidade por seus enganos, confessa-os e pede o perdão de Deus.

    Em vez de acusar Deus pelo mal, o homem deve assumir a responsabilidade pessoal dos seus pecados. É a sua própria cobiça que o atrai e seduz. Estas são, no seu sentido primário, palavras usadas na caça e na pesca que foram empregadas aqui metaforicamente.

    Necessidade de vigiar e orar.

    E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Mateus 6:13

    Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.  Marcos 14:38

    E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação. Lucas 22:40

    Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. 1 Coríntios 10:13

    Recompensa

    Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Tiago 1:12

    Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; 2 Pedro 2:9

    Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. Apocalipse 3:10

     

    Por: Dc. Eduardo Melo

     

  • Lição 2 – Aprendendo a orar com Jesus

    Os discípulos viram o Senhor em oração e reconheceram que como filhos de Deus, tinham a responsabilidade de orar. Mas não sabiam como fazê-lo. Assim, podiam ter procurado aprender a orar no ambiente que os cercava. Em vez de recorrer ao Senhor corno exemplo de uma vida vivida em comunhão com Deus, podiam ter recorrido ao mundo religioso para aprenderem a orar. Podiam ter voltado sua atenção para o fariseus, que eram grandes na oração. Podiam, inclusive, ter-se voltado para os devotos dos deuses pagãos para aprenderem algo deles sobre a oração.

    Ao instruir os discípulos numa vida de piedade, o Senhor devia desviar a atenção deles dos fariseus, que fixavam padrões religiosos para os judeus; devia desviá-la dos sacerdotes pagãos que serviam de modelo para muitos, e atraí-la para ele. Os fariseus eram mestres em usar Deus.

    Haviam descoberto como usá-lo para promover-se. Os fariseus eram egoístas e deleitavam-se em atrair as atenções sobre si. Não estavam interessados em fazer caridade para atender às necessidades do homem, mas usavam tal prática como oportunidade de exibir sua própria piedade de modo que os homens os estimassem.

    Os fariseus, baseados nos conhecimentos que tinham do Antigo Testamento, reconheciam a responsabilidade de orar. Entretanto, não se davam ao trabalho de examinar as Escrituras para ver como se devia orar, e por quê. Distorceram as formas e prática da oração de sorte que orar tornou-se outro meio de promover-se diante dos homens. Por isso o Senhor disse: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa”(Mateus 6:5). Ao condenar as falsas práticas dos fariseus, ele os chamou de “hipócritas”.

    A palavra hipócrita, no original, relaciona-se com o teatro. Significa “falar de sob uma máscara”. Os atores usavam uma máscara para que os espectadores pudessem identificar o personagem que estava sendo representado. Um ator desempenhava diversos papéis numa peça, e se equipava com um bom número de máscaras diferentes. Quando ele representava o papel de alguém, segurava essa máscara diante do rosto; quando desempenhava outro papel, trocava de máscara. Não se podia ver a face do ator; só se via a máscara. O auditório não conhecia a pessoa; conhecia apenas o papel que ela desempenhava. Hipócritas eram, portanto, indivíduos que falavam “de sob uma máscara”.

    Os fariseus hipócritas eram corruptos, e seus corações uma fonte de perversidade; mas traziam a máscara de piedade diante do rosto para enganar os homens e fazê-los crer que eram algo que realmente não eram.

    Isto era singularmente verdadeiro quando oravam, pois não o faziam para honrar a Deus. Não oravam para humilhar-se. Oravam para crescer no favor dos homens. E não buscavam a Deus quando oravam. Para eles a oração não tinha objetivo, a não ser que houvesse uma grande audiência que eles pudessem impressionar com sua piedade, oratória e longas orações. Lá estavam eles em pé, com seus mantos esplendentes, os olhos voltados não para os céus para honrar a Deus nem para a terra, significando sua desvalia. Muitos ficavam em pé, olhando para a multidão e, obtida a aprovação desta, consideravam-se bem-sucedidos na oração.

    Aos que pudessem modelar seu relacionamento com Deus segundo a hipocrisia dos fariseus, o Senhor disse: “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças [isto é, onde os homens se ajuntavam], para serem vistos dos homens.” Os fariseus estavam usando a religião. Estavam usando Deus para fins egoístas, de modo que pudessem crescer na estima das pessoas.

    Uma vez que este era o motivo de suas orações, tinham seu desejo satisfeito. Queriam a estima dos homens, a aprovação, o elogio da multidão e por sua oratória recebiam tudo isso. Recebiam o que buscavam, já tinham sua recompensa. Não a de Deus, porque ele não aprovava tal hipocrisia.

    Não tinham recompensa no coração ou contentamento por haverem gozado da relação com Deus. Sua única recompensa eram os parabéns ao término da oração. Quão fácil é cumprir aparentemente nossa responsabilidade para com Deus a fim de obter a aprovação dos homens, e não para modelar nossas ações segundo a Palavra e a vontade de Deus.

    Embora a fé que o homem tem em Deus se manifeste em seu relacionamento com os homens, ela é um assunto entre o homem e Deus somente. Quando alguém usa a religião para impressionar os homens, Deus repudia esse gesto como provedor de qualquer base para sua aprovação. As multidões se congregam nas igrejas, não movidas por um coração de amore devoção a Deus, nem porque reconheçam um senso de obrigação de reunir-se com o povo de Deus em torno de sua Palavra para comungar com o Pai. Reúnem-se para manter uma imagem, uma reputação perante os homens. Praticam formas vazias de adoração, destituídas de realidade. Estão ali para impressionar os homens, e o Senhor disse que conseguem o que desejam. Recebem galardão, mas não de Deus.

    Os fariseus, em geral, não tinham a mínima idéia da oração em secreto. Era-lhes totalmente estranha. Consideravam-na um desperdício de tempo porque, se entrassem num quarto, fechassem a porta e orassem, a quem impressionariam? Por isso nosso Senhor instruiu os discípulos sobre o padrão de piedade na oração. Após mencionar a oração pública dosfariseus, ele disse: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto [teu lugar secreto], e, fechada a porta [de modo que nenhum olho veja o que tu fazes a sós com Deus], orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará” (v. 6).

    O Senhor procurou impressionar seus ouvintes com a verdade de que a oração é, em essência, uma comunicação particular entre um filho e o Pai. Duas pessoas que se amam precisam de privacidade para comunicar-se adequadamente. Em público há pouca possibilidade de verdadeira comunicação. Muita coisa se pode comunicar em momentos de intimidade. No burburinho da vida é impossível a comunicação com o Pai, a menos que haja momentos a sós com ele. Por isso o Senhor disse que se a pessoa deseja comunicar-se com o Pai é preciso entrar no quarto e fechar a porta. Um olho curioso pode estragar a comunicação. Tão logo percebamos alguém a observar-nos, lá se vai a comunicação íntima, e nos preocupamos com o observador e não com o Pai, com quem falamos. Portanto, os fariseus não podiam comunicar-se com o Pai quando reuniam um auditório para ouvi-los a orar.

    Muitos podem tornar-se em um só quando os corações se unem em sujeição a Deus e se juntam em adoração. Se, porém, alguns não se unem, então a oração está prejudicada. A razão é que se precisa dar séria atenção à oração em público para que não conversemos uns com os outros em vez de fazê-lo com Deus.

    Os homens tinham não só o padrão estabelecido pelos fariseus que acreditavam na oração em público, mas também o padrão fixado pelos devotos dos deuses pagãos; para eles, a eficácia da oração dependia da repetição. Os pagãos pensavam que seus deuses estavam banqueteando e tinham de ser induzidos a deixar a mesa do banquete; ou estavam ocupados na busca do prazer e não tinham tempo para ouvir os que oravam a eles; ou estavam dormindo e tinham de ser despertados. Pensavam, pois, que deviam repetir e repetir suas orações porque nalgum momento, quando seus deuses não estivessem comendo, bebendo, divertindo-se ou dormindo, poderiam ouvir. Os pagãos nunca sabiam quando seus deuses ouviriam os seus clamores.

    No entender de alguns, Deus estava preocupado com seus próprios problemas e não tinha tempo para seus filhos; portanto, era melhor que orassem repetitivamente, porque em algum momento inesperado, podiam atrair a atenção divina. O Senhor disse: “E, orando, não useis de vãs [vazias] repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (v. 7).

    A falácia do conceito gentio de Deus é tão evidente que Jesus disse: “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (v. 8).

    Um pai fiel pressente as necessidades dos filhos. Um pai experiente não precisa ser informado da necessidade do filho porque ele a previu. A oração não se destina a informar a Deus de nossas necessidades; como Pai fiel, ele as conhece. A oração é para dizer a Deus que nós conhecemos nossa necessidade, e que confiamos nele para a devida providência. Uma vez que Deus já conhece a necessidade de seus filhos e está disposto a supri-la, não é preciso informá-lo pela repetição interminável. A oração não precisa ser pública, porque a comunicação se faz em secreto. Não há necessidade de repetições, porque Deus já sabe.

    Então, depois que Jesus criticou as falsas práticas dos fariseus, passou (vv. 9-13) a dar-nos um modelo de oração, embora não destinada a ser repetitória.

    Nosso Senhor mostrou aos discípulos as áreas da vida que devem ser objeto de oração. As palavras de nosso Senhor definiram cinco áreas de interesse de nosso Pai, com as quais devemos ocupar-nos.

    Primeiro, o crente está interessado na pessoa de Deus. “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado [santo, honrado, respeitado] seja o teu nome” (v. 9). Deus é nosso Pai. Ele é o soberano Criador (“que estás nos céus”). Ele é exaltado sobre todas as coisas. É um Pai cujo nome está acima de tudo, e sobre todos, perante quem seus filhos se curvam em reverência, respeito, amor e confiança (“santificado seja o teu nome”). Estamos ocupados, antes de tudo, com uma Pessoa.

    Segundo, devemos estar interessados no programa de Deus. “Venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.” No Antigo Testamento Deus havia prometido a vinda do Senhor Jesus Cristo. Como Salvador e Rei, ele estabeleceria um reino na terra sobre o qual governaria. O programa de Deus concentrava-se numa Pessoa que ele pretendia entronizar de modo que governasse como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Tal era a esperança de Israel. O filho de Deus preocupa-se não tanto com seus próprios planos e desejos quanto com o definido plano de Deus de entronizar a Jesus Cristo. Toda a história até ao fim dos tempos encaminha-se para a entronização de Jesus Cristo, que se assentará no trono de Davi. O cristão preocupa-se não com suas próprias circunstâncias e necessidades, mas com aquilo que ocupa o coração de Deus: a exaltação de seu Filho.

    Terceiro, o filho de Deus está interessado na provisão de Deus para suas necessidades. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.” O filho confia no Pai dia a dia. Para manter-nos confiantes, Deus não enche nossa despensa e nosso “freezer” de modo que vamos a ele uma ou duas vezes por ano para reabastecer. “Dá-nos hoje o pão para hoje.” Nossas necessidades podem variar de um dia para o outro. Podemos ter necessidades físicas, mentais, emocionais ou espirituais. A graça de Deus prove quando confiamos, mas apenas um dia por vez. Por isso, o filho de Deus, em sua comunicação com o Pai, está interessado nas necessidades do dia.

    Quarto, o filho de Deus preocupa-se com a pureza pessoal: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.” Uma vez que Deus proporcionou o perdão para o filho pecador, esse filho beneficia-se do perdão para os pecados diários.  Se perdoamos aos que nos ofendem, quanto mais não perdoará Deus aos filhos que buscam seu perdão? O filho de Deus está interessado na santidade pessoal.

    Quinto, o cristão está interessado na proteção de Deus. “Não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.” Segundo promessa do Antigo Testamento, Deus ordenaria a seus anjos que nos sustentassem em suas mãos para não tropeçarmos nalguma pedra. Os olhos de Deus estão sobre nós e nos protegem enquanto andamos neste mundo e nos tornamos coerdeiros com Cristo. Confiamos em que ele nos guarde de cair em pecado quando assediados pela tentação, e que nos livre quando atacados pelo maligno.

    Essas são questões com as quais o filho de Deus deve ocupar-se. Um indivíduo em cuja vida a oração não desempenha papel importante está em desarmonia com o coração de Deus. Pois, como Pai, ele deseja o amor dos filhos; se o amor não é comunicado, o coração daquele que ama não fica satisfeito. Oração é comunicação entre o filho e o Pai concernente à pessoa de Deus, ao programa de Deus, à provisão de Deus, à proteção de Deus, e à nossa pureza. Que Deus faça de nós pessoas que aprendam a orar.