Autor: Eduardo Melo

  • Lição 6 – Autoridade do Evangelho

    Lição 6 – Autoridade do Evangelho

    evangelho

    Texto Bíblico Básico

    Romanos  1.1-6,15-17

    1- Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.

    2- O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras,

    3 – Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,

    4- Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,

    5- Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,

    6- Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

    15- E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.

    16- Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

    17- Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

    Texto Áureo

    E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo. Romanos 15:29

    Introdução

    Hoje estudaremos sobre a autoridade do Evangelho, e primeiramente devemos definir o que é Evangelho.

    Segundo o dicionário Strong ευαγγελιον euaggelionrecompensa por boas notícias ou simplesmente Boas Novas

    Neste vocábu­lo, podemos encontrar pelo menos três significações. 1) Anúncio da salvação oferecida gratuitamente por Deus, atra­vés de Jesus Cristo, a todos os que crê­em. 2) Doutrina de Cristo como se en­contra nos quatro primeiros livros do Novo Testamento. 3) Os relatos da vida, do ministério e da paixão de Cristo, registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João.

    No Novo Testamento, as boas novas falam do reino de Deus, da mensagem de Deus aos homens, do perdão de pecados, da esperança. Nos escritos de Paulo o termo significa boas novas, especialmente em relação às igrejas; o plano de Deus para a igreja, o destino e grande privilégio da mesma, incluindo os meios de salvação, o perdia de pecados, a justificação etc…

    Portanto os Evangelhos são uma autoridade em relação a vida, missão, obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

    1. A boa verdade

    O Apóstolo Paulo na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 15, nos versos 1 a 4, ensina que o evangelho que ele tinha recebido é que Cristo morreu por nossos pecados; que foi sepultado, e ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Este era o evangelho que ele tinha recebido. Muito provavelmente tinha recebido de Ananias depois que foi para Damasco, quando da sua conversão, e depois por Barnabé e os apóstolos.

    Mas quando Paulo escreve a carta aos Romanos, provavelmente da própria cidade de Coríntios, ele fala que o evangelho, que chama ousadamente de seu evangelho, vai muito mais além. Ele diz que no evangelho é revelada de fé em fé a justiça de Deus (Rom. 1.17). E ele mesmo diz que os cristãos que estavam em Roma, necessitavam conhecer todo o evangelho em Cristo Jesus. Que eles também como Paulo só tinham recebido uma parte deste evangelho, e que todo o evangelho agora era dado a conhecer para a obediência da fé (Rom. 16.26).

    Até o capítulo 5 da carta aos Romanos, Paulo fala mais uma vez sobre aquilo que eles já tinham recebido: a justificação pela fé. Mas a justificação é para levar o homem à glorificação, isto é, ser conformado à imagem de seu Filho: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” Romanos 8.29-30.

    Este é o propósito eterno de Deus, de nos conformar à imagem do seu Filho. Mas da justificação para a glorificação existe a santificação. No capítulo 5 de Romanos o apóstolo Paulo usa por 4 vezes a expressão “muito mais”. Ele queria nos compartilhar que no evangelho em Cristo havia muito mais que apenas uma justiça através da fé no sangue. Que a graça tinha sido abundante no perdão dos nossos pecados, mas que ela tinha ido muito além do perdão, tinha sido superabundante.

    Tinha também alcançado uma libertação da escravidão do pecado. No capítulo 6 Paulo entra na santificação pelo sacrifício de Cristo na cruz. Até o capítulo 5 Paulo trata da justificação pela fé, mas a partir do capítulo 6, já não é somente fé, mas também virtude e conhecimento.

    A graça não se mostraria mais abundante se continuasse apenas perdoando pecados, mas ela se mostrou mais abundante nos libertando do pecado e de sua escravidão: “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado como escravos” Romanos 6.6. A Palavra da cruz é poder de Deus para os que já são salvos (I Cor. 1.18). Cristo morreu e ressuscitou e nós fomos unidos, plantados em sua morte e ressurreição (Rom. 6.5), para que mortos para os pecados pudéssemos viver para a justiça (I Pd. 2.24, Gál. 2.19).

    Paulo em Romanos 6 entra no evangelho no que diz respeito à santificação. Cremos que fomos perdoados dos nossos pecados pelo sangue, agora temos que crer que morremos para o pecado, que estamos livres do velho homem e da escravidão do pecado. Que agora libertos do pecado fomos feitos servos da justiça (Rom. 6.18). Que como Cristo morreu e ressuscitou, e já não morre mais, a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus; assim também nós devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Agora devemos oferecer os nossos membros como instrumentos de justiça a Deus e não mais ao pecado. Portanto, devemos reinar sobre o pecado, e não o pecado reinar sobre nós, para obedecermos às suas concupiscências (Rom. 6.8-12). Reinar em vida por um só: Jesus Cristo (Rom. 5.17). Uma vez que morremos e ressuscitamos com Cristo, com Ele viveremos. Ainda que permanecemos num corpo de morte, o pecado não reina mais. Quem reina é Jesus Cristo.

    Agora libertos do pecado, e feitos servos de Deus, temos que ter o nosso fruto para a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor (Rom. 6.22-23). Agora não é somente fé no sangue de Cristo para perdão, mas fé e obediência à forma de doutrina a que temos sido entregues, para a santificação (Rom. 6.17). Antes não tínhamos escolha porque éramos escravos do pecado. Mas agora crendo que estamos libertos do pecado por Cristo na cruz, devemos agora apresentar os nossos membros não mais ao pecado como instrumentos de iniquidade, mas como quem ressuscitou com Cristo em novidade de vida.

    Oferecer agora os nossos membros como instrumentos de justiça a Deus (Rom. 6.9-13). Paulo diz: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum” Romanos 6.1-2a. A graça é maravilhosa nos perdoando os pecados, mas ela só se mostra mais abundante libertando do pecado. Onde abundou o pecado, superabundou a graça, para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

    A morte reinou trazendo escravidão, mas agora a graça reina, trazendo perdão e libertação (Rom. 5.20-21). O perdão dos pecados já era dado no sacrifício dos animais na velha aliança, mas aqueles sacrifícios nunca podiam aperfeiçoar os que se achegavam a Deus (Heb. 10.1). Neste período a morte reinava e reinou até Cristo. Mas como os filhos são participantes de carne e sangue, Jesus também participou das mesmas coisas, para que pela morte, derrotasse aquele que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos aqueles que com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão (Heb. 2.14-15).

    Jesus derrotou aquele que tinha o império da morte, e agora Deus nos transportou daquele império, para o reino do Filho do seu amor (Col.1.13). Agora não estamos mais debaixo daquele poder da morte, mas do poder de uma vida indissolúvel. Fomos de novos gerados não de semente corruptível, que se corrompe pelo poder do pecado, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus que é viva e permanece para sempre. Se é que temos purificado as nossas almas na obediência à verdade (I Pd. 1.22-23). Uma vez justificados pela fé não podemos mais viver no pecado e esperar que a graça nos sustente. De modo nenhum. A graça é muito mais abundante. Ela não só nos perdoou, como também nos libertou do poder do pecado. Uma vez que estamos libertos do pecado, não podemos mais viver em suas concupiscências, mas como filhos amados, ser santos assim como Ele é santo (I Pd. 1.16). Seguindo a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Heb. 12.14).

    Uma vez justificados pela fé, e em paz com Deus, temos que crescer na santificação, porque esta é a vontade de Deus. Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isto não rejeita o homem, mas sim a Deus, que nos deu o seu Espírito Santo (I Tess. 4.3, 7-8). Temos recebido um reino que não pode ser abalado, por isso, devemos reter a graça, crescer e esperar inteiramente nela, e servir a Deus agradavelmente, com reverência e santo temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor(Heb., 12.28-29).

    A justificação e a santificação nos levarão a glorificação, porque Jesus tomará para si mesmo uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, mas santa e irrepreensível. Foi por isso que Ele morreu por ela e agora a está santificando pela lavagem da água pela Palavra. Tudo isto já temos em Cristo, porque Ele mesmo disse: Tudo está consumado.

    Mas para os que são santos, os que foram santificados em Cristo (I Cor. 1.2), é necessário ser santificado ainda (Apoc. 22.11); santificados na verdade (Jo. 17.17). Este é o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé (Rom. 16.26).

    O Evangelho nos dias de Hoje

    O evangelho que está em voga hoje em dia oferece uma falsa esperança aos pecadores. Promete-lhes que terão a vida eterna apesar de continuarem a viver em rebeldia contra Deus. Na verdade, encoraja as pessoas a reivindicarem Jesus como Salvador, mas podendo deixar para mais tarde o compromisso de obedecê-Lo como Senhor. Promete livramento do inferno mas não necessariamente libertação

    da iniquidade. Oferece uma  falsa segurança  às pessoas que folgam nos pecados da carne e desprezam o caminho da santidade. Ao fazer separação entre fé e fidelidade,deixa a impressão de que a aquiescência intelectual é tão válida quanto a obediência de todo coração à verdade. Dessa forma, as boas novas de Cr isto deram lugar às más novas  de uma  fé  fácil e  traiçoeira, que não faz  qualquer exigência moral para a vida dos pecadores. Não se trata da mesma mensagem proclamada por Jesus!

    Este novo evangelho tem  produzido uma  geração de  cristãos professos cujo comportamento raramente se distingue da rebeldia em que vive o não-regenerado. Estatísticas recentes revelam que 1.6 bilhão da população da terra são considerados cristãos. Uma bem conhecida pesquisa de opinião pública indicou que quase um terço de todos os norte-americanos  se declaram nascidos de  novo. Tais números, com  certeza, representam milhões de  pessoas  que  estão tragicamente enganadas. O que eles têm é uma falsa garantia, passível de condenação eterna.

    O testemunho da igreja para o mundo tem sido sacrificado no altar da graça barata. Formas chocantes de imoralidade aberta têm se tornado coisa trivial entre professos cristãos. E por que não? A promessa de vida eterna, sem uma rendição à autoridade divina, alimenta a mesquinhez do coração  não-regenerado.

    Os  entusiásticos convertidos a este novo evangelho crêem que o seu comportamento nada tem a ver com o seu status espiritual — mesmo que permaneçam libertinamente apegados aos tipos mais grosseiros de pecado e de formas de depravação humana.

    Parece que a igreja de nossa geração será lembrada principalmente por causa de uma série de escândalos horripilantes que trouxeram a público as mais indecentes exibições de depravação na vida de alguns dos mais populares televangelistas. E o pior de tudo é a dolorosa consciência de que muitos cristãos olham para esses homens como parte do rebanho,  e não  como  lobos e  falsos  profetas  que  se imiscuíram entre as ovelhas (Mt 7.15). Por que deveríamos crer que pessoas que vivem na prática do adultério, fornicação, homossexualismo, fraude, e todo tipo de intemperança são nascidas de novo?

    O  que  se  precisa  é  de  um  completo  reexame  do  que  seja  o evangelho. Temos de voltar ao fundamento de todo o ensino neotestamentário sobre a salvação — ao evangelho proclamado por Jesus. Penso que muitos ficarão  surpresos ao  descobrir como a mensagem de  Jesus é  radicalmente diferente daquela  que por ventura  tenham aprendido

    Esboço do Verdadeiro Evangelho

    1. Ele ensina a Adoração
    2. Ele salva Pecadores
    3. Ele cura os enfermos
    4. Ele desafia as Pessoa
    5. Ele Busca e Salva o Perdido
    6. Ele Condena um Coração Endurecido
    7. Ele Oferece um Jugo Suave
    8. Ele Chama ao Arrependimento
    9. Ele Mostra Natureza da Fé Verdadeira
    10. Ele Ensina o Caminho da Salvação
    11. Ele Dá a Certeza da Vida ou do Juizo Eterno
    12. Ele Auxilia no Discipulado
    13. Ele Mostra o Senhorio de Cristo

     

     

     

  • Lição 5 – Autoridade das Escrituras

    Lição 5 – Autoridade das Escrituras

    ensino cristão

    John R. Higgins – Historicamente, a Igreja Cristã tem reconhecido a auto­ridade das Escrituras nas questões de fé e prática. Isto não quer dizer que não tem havido, e não continua a haver, rivais quanto à reivindicação de plena autoridade feita pela Bíblia. Esses rivais tendem a subordinar, ou qualificar, a autoridade das Escrituras, ou mesmo igualar-se a ela. O primeiro rival foi a tradição oral. Lado a lado com a Palavra escrita, circulavam amplamente histórias e ensinos religio­sos. A transmissão oral, todavia, independentemente de qual seja o tópico, acha-se sujeita à alteração, ao desenvolvimen­to, às mudanças e à distorção. As Escrituras forneciam um padrão, um ponto de referência, para a palavra oral. Por isso, estando a tradição oral de acordo com as Escrituras, reflete a autoridade delas; quando, porém, se desvia da Palavra escri­ta, a sua autoridade desaparece.

    O segundo rival, quanto à autoridade religiosa, é a Igreja. Os católicos romanos sustentam essa autoridade por ter sido a Igreja divinamente estabelecida por Cristo; e por já procla­mar o Evangelho antes de este haver sido registrado por escrito. Os católicos romanos alegam, também, que a Igreja foi a instituição que produziu as Escrituras do Novo Testa­mento e que, em certo sentido, estabeleceu o cânon das Escrituras. Na prática, a Igreja Católica coloca-se acima das Escrituras. Embora originalmente sustentasse a supremacia das Escrituras, já nos tempos da Reforma, a Santa Sé tinha exaltado suas tradições até ao nível das Escrituras. De modo ainda mais significante, a Igreja Católica insistia poderem os ensinos da Bíblia ser mediados, corretamente, através da hierarquia eclesiástica. De modo sutil, a Igreja Romana ha­via usurpado a autoridade das Escrituras, atribuindo-a aos seus próprios ensinos internos. Como consequência, o lema dos reformadores protestantes passou a ser Sola Scriptura (Somente a Escritura). A Bíblia, outorgada por Deus, fala com a autoridade de Deus, diretamente ao indivíduo. “Não precisa de Papas nem de Concílios para informar-nos o seu real sentido, como se falassem em nome de Deus; a Bíblia pode até mesmo desafiar os pronunciamentos de Papas e Concílios, condená-los como ímpios e falsos, e exigir que os fiéis se apartem deles”. 60

    Os credos, as confissões e outros padrões esclesiásticos de doutrina, às vezes chegam, consciente ou inconscientemente, a rivalizar com a autoridade das Escrituras. No decurso da história, igrejas e líderes têm se pronunciado (e com razão) a respeito de questões importantes da vida e da doutrina cris­tãs. Pessoas piedosas, grandemente usadas por Deus, têm labutado para definir padrões de doutrina e comportamento cristãos, visando refletir a atitude e a vontade de Deus. Repetidas vezes, houve apelo a esses documentos na busca de orientação autorizada. Mas sem dúvida, os escritores seri­am os primeiros a reconhecer serem as obras falíveis e passí­veis de revisão, embora se reconheça facilmente a erudição bíblica relevante por detrás desses importantes escritos. Além disso, todos os grandes credos da Igreja reconhecem a plena autoridade da Escritura. Os esforços piedosos merecem a nossa estima. Deus os tem usado para a sua glória. Devem, contudo, ser conservados dentro do seu relacionamento apro­priado com as Escrituras. Permitir que se rivalizem com a autoridade bíblica destruirá seu próprio valor normativo, e rebaixará a Palavra de Deus que tanto desejam honrar. O reconhecimento da autoridade incomparável das Escrituras estabelece o valor dos credos e confissões.

    A autoridade da Escritura também tem sido desafiada por aquilo que alguns estimam como a autoridade do encon­tro pessoal que o indivíduo tem com Deus. Isto é: o encontro supremo entre a pessoa e o Verbo Vivo, e não com a Palavra Escrita. Os que sustentam tal opinião dizem que a Bíblia pode ser usada para ajudar a levar a efeito semelhante en­contro; a Bíblia, porém, “não tem autoridade por si só mas, sim, em virtude do Deus de quem dá testemunho e fala nas suas páginas”.61 Os teólogos existencialistas acreditam que, mediante um encontro com Deus, “a Bíblia deve tornar-se repetidas vezes a sua Palavra para nós”.62

    É verdade que a autoridade do cristão é mais do que papel e tinta, mas “a revelação proposicional de Deus não pode ser distinguida da auto-revelação divina”.63 Nenhum encontro autoritativo com Deus supera a autoridade de sua Palavra escrita. Doutra forma: a “experiência de Deus” dos místicos hindus, ou de quem usa drogas psicotrópicas, poderia reivindicar igual autoridade. A validez de nosso encontro com Deus é determinada pela autoridade das Escrituras que o revelam. Todas as experiências pessoais devem ser averi­guadas e avaliadas pelas Escrituras.

    Até mesmo o Espírito Santo tem sido considerado por alguns como um rival da autoridade bíblica. O Dr. Martyn Lloyd-Jones entende que o pentecostalismo e o catolicis­mo romano ficam em extremos opostos nas áreas tais como a estrutura e a hierarquia, mas são muito semelhan­tes na ênfase que dão à autoridade. O catolicismo enfatiza a autoridade da Igreja, ao passo que alguns pentecostais parecem realçar a autoridade do Espírito acima da autori­dade da Palavra.64 Erickson cita uma pesquisa de opinião pública feita pela Gallup, em 1979, que revelou que não eram poucas as pessoas que, entre 18 e 29 anos de idade, haviam escolhido o Espírito Santo, ao invés da Bíblia, como sua autoridade religiosa principal.65 Alguns enaltecem uma “impressão direta” do Espírito Santo, ou uma mani­festação do Espírito, tal como a profecia, acima da Pala­vra escrita.66 O Espírito Santo é aquele que inspirou a Palavra e que lhe concede autoridade. Ele nada falará contrário àquilo que a Palavra inspirada declara, e nada além disso.

    As reivindicações quanto à autoridade religiosa são en­grossadas pelas fileiras das religiões e seitas. Deve-se crer em Jesus mais do que em Sun Myung Moon? O Corão tem autoridade igual à da Bíblia? Uma palavra profética, hoje, tem a mesma autoridade das Escrituras? Essas e outras per­guntas fazem com que seja essencial considerarmos as evi­dências da autoridade bíblica. Virtualmente todas as religi­ões têm suas escrituras sagradas. Embora muitas delas conte­nham ensinamentos morais dignos, o Cristianismo tem sus­tentado historicamente ser a Bíblia a única e exclusiva Pala­vra de Deus.

     

    Evidências da Autenticidade das Escrituras

    Os parágrafos que se seguem, apresentam algumas das evidências em favor da identidade da Bíblia como a Palavra de Deus.

    Apoio interno. É legítimo procurar a origem e o caráter de uma obra escrita por meio do exame de seu conteúdo. A Bíblia fornece um testemunho interno convincente de sua autoridade incomparável como a mensagem da parte de Deus. “E a evidência interna positiva de sua origem divina que dá poder e autoridade às reivindicações da Bíblia”. 67

    A Bíblia revela unidade e consistência espantosas quanto ao seu conteúdo, levando-se em conta a grande diversidade havida na sua composição. Foi escrita no decurso de um período de quinze séculos por mais de quarenta autores provenientes de várias classes sociais – políticos, pescadores, agricultores, médicos, reis, soldados e outro. Escreveram eles em diferentes locais (no deserto, no palácio, na prisão) e em várias circunstâncias (na guerra, no exílio, nas viagens). Alguns escreveram história; outros, leis; e ainda outros, poe­sia. Os gêneros literários variam entre alegoria, biografia e correspondência pessoal. Todos tinham os seus antecedente, experiências, virtudes e fraquezas pessoais. Escreveram em continentes diferentes, em três idiomas distintos, e trataram de centenas de temas. Mesmo assim, os seus escritos combi­nam-se entre si para formar um todo consistente que desdo­bra, de modo belíssimo, na história do relacionamento entre Deus e a humanidade. “Não é uma unidade superficial, mas profunda… Quanto mais profundamente a estudamos, mais completa essa unidade se nos revela”. 68

    Josh McDowell conta interessante história que compara a Bíblia com os Grandes Livros do Mundo Ocidental. Posto que o conjunto de livros consista na obra de muitos autores diferentes, o vendedor da coletânea reconhece que não ofe­rece nenhuma “unidade”, mas uma mera “conglomeração”. 69 “A Bíblia não é simplesmente uma antologia; há nela uma unidade que harmoniza todo o conjunto. Uma antologia é compilada por um antólogo, mas nenhum antólogo compi­lou a Bíblia”.70 Semelhante unidade extraordinária pode ser mais plausivelmente explicada como o resultado da revela­ção outorgada por um só Deus.71

    A Bíblia, correlacionada com a natureza complexa do ser humano, lida com todas as áreas essenciais de nossa vida. À medida que uma pessoa lê a Bíblia, esta, por sua vez, lê a pessoa. Embora escrita há muitos séculos, fala dinamicamen-

    te às necessidades de cada geração. É a voz de Deus que a penetra até ao próprio âmago de nosso ser, e oferece respos­tas plausíveis às perguntas mais importantes (Hb 4.12,13). A Palavra de Deus dirige continuamente o leitor em direção a Deus como a fonte originária da relevância e do propósito para si mesmo e para o seu mundo. Para quem acolhe a sua mensagem, a Palavra tem poder de transformação. Cria fé no coração, e leva-nos a um encontro dinâmico com o Deus vivo (Rm 10.17).

    As Escrituras expõem um padrão de ética que supera em muito o que seria esperado de homens e mulheres comuns. Conclama a pessoa a uma moralidade que supera a nossa medida de justiça. “Cada um desses escritos… apresenta ideias morais e religiosas muito adiantadas para a época em que surgiram, e tais ideias continuam orientando o mun­do”.72 A Bíblia lida, com franqueza, com os fracassos huma­nos e com o problema do pecado. Seu sistema ético é com­preensivo, pois inclui todas as áreas da vida. O alvo da ética bíblica não é meramente o que a pessoa faz, mas o que a pessoa é. Aderir a um código exterior está aquém da exigên­cia que a Bíblia faz: a bondade no íntimo (1 Sm 16.7; Mt 5; 15.8). Mas tanto o nosso fracasso moral quanto a nossa redenção são entendidos somente em termos de nosso rela­cionamento com um Deus santo. Através da Bíblia, Deus — nos chama, não a uma simples melhoria, mas à transforma­ção, para nos tornarmos novas criaturas em Cristo (2 Co 5.17; Ef 4.20-24).

    As profecias que falam dos eventos futuros (em vários casos, muitos séculos antes) permeiam as Escrituras. A exa­tidão dessas predições, conforme o demonstra seus respecti­vos cumprimentos, é realmente notável. Dezenas de profeci­as dizem respeito a Israel e às nações em seu redor. Por exemplo: Jerusalém e o seu templo seriam reedificados (Is 44-28); e Judá, embora salva dos assírios, cairia nas mãos de Babilônia (Is 39.6; Jr 25.9-12). O restaurador de Judá, Ciro da Pérsia, é mencionado pelo nome mais de cem anos antes de seu nascimento (Is 44.28).73 A Bíblia contém centenas de profecias feitas séculos antes dos próprios eventos.74 Entre elas, há predições acerca do nascimento virginal de Cristo (Is 7.14; Mt 1.23), do local de seu nascimento (Mq 5.2; Mt 2.6), da maneira de sua morte (SI 22.16; Jo 19.36), e do local de seu sepultamento (Is 53.9; Mt 25.57-60). 75

    Alguns críticos têm procurado, através da atribuição de novas datas aos livros do Antigo Testamento, minimizar o milagre preditivo das profecias bíblicas. Mesmo se concor­dássemos com as datas menos antigas, as profecias ainda teriam sido escritas centenas de anos antes do nascimento de Cristo. (Posto que a tradução da Septuaginta [LXX] das Escrituras Hebraicas foi completada cerca de 250 a.C, as profecias nela contidas teriam sido, forçosamente, compos­tas antes dessa data).

    Alguns têm sugerido que as profecias não predisseram a atividades de Jesus, mas que o próprio Jesus agiu deliberada­mente para cumprir o que fora dito no Antigo Testamento. Muitas das predições específicas, porém, estavam além do controle ou manipulação humanos. E os cumprimentos das predições não eram meras coincidências, levando-se em conta o número significativo das pessoas e eventos envolvidos. Peter Stoner examinou oito das predições a respeito de Je­sus, concluindo que, na vida de uma só pessoa, a probabili­dade de elas se coincidirem era de 1 e 1017 (1 em 100.000.000.000.000.000).76 A única explicação racional de tantas predições exatas, específicas, a longo prazo, é que o Deus onisciente, soberano sobre a história, haja revelado tais conhecimentos aos escritores sagrados.

    Apoio externo. A Bíblia também tem áreas de apoio externo à sua asseveração de que é a revelação divina. Quem negaria sua tremenda influência sobre a sociedade humana? Impressa, no todo, ou em parte, em mais de dois mil idiomas, é o livro mais lido de toda a história. 77 Reconhecendo-lhe a sabedoria e o valor, cristãos e incrédulos, indistintamente, citam-na em apoio aos seus pontos de vistas. Tem se dito que se a Bíblia fosse perdida, poderia ela ser reconstruída em suas partes base a partir das citações tiradas dos livros que se acham nas prateleiras das bibliotecas públicas. Seus princípi­os têm servido como o alicerce das leis das nações modernas, e como o ímpeto maior para as grandes reformas sociais da história. “A Bíblia… produziu os resultados supremos em todas as profissões existentes na vida humana. Tem inspira­do sublimemente as artes, a arquitetura, a literatura e a música… Não há livro que se compare a ela na sua influência   benéfica sobre a raça humana.” 78

    Deus atua na sociedade através das vidas das pessoas transformadas, e que seguem os ensinamentos de sua Pala­vra (SI 33.12).

    A exatidão da Bíblia em todas as áreas, incluindo pesso­as, locais, costumes, eventos e ciência, tem sido mostrada pela história e pela arqueologia. Ás vezes, pensa-se que a Bíblia está historicamente errada, mas as descobertas têm dado testemunho de sua veracidade. Por exemplo: há algum tempo, pensava-se que a escrita não havia sido inventada senão depois dos tempos de Moisés. Mas agora, sabemos que essa ciência remonta até antes de 3000 a.C. Houve tempos quando os críticos negavam a existência de Belsázar. As escavações, contudo, identificam-no com seu nome babiló­nico: Bel-shar-usur. Os críticos diziam que os heteus, menci­onados 22 vezes na Bíblia, nunca existiram. Agora sabemos que eles foram uma grande potência no Oriente Médio. 79

    A história bíblica é confirmada pelas respectivas histórias das nações envolvidas com Israel. As descobertas arqueoló­gicas continuam a apoiar e a ajudar a interpretar o texto bíblico. McDowell compartilha com seus leitores uma cita­ção interessante de uma conversa entre Earl Radmacher, presidente do Seminário Batista Conservador do Oeste, e Nelson Glueck, arqueólogo e ex-presidente de um seminário teológico judaico:

    Tenho sido acusado de ensinar a inspiração verbal e plenária das Escrituras…

    Mas só cheguei a dizer que, em todas as minhas investigações arqueológicas, nunca descobri um único artefato da antiguidade que contradissesse qualquer declaração da Palavra de Deus. 80

     

    O mesmo juízo foi pronunciado pelo renomado arqueó­logo William F. Albright:

    O ceticismo excessivo dirigido contra a Bíblia por escolas históricas importantes dos séculos XVIII e XIX… vem sendo progressivamente desacreditado. Uma descoberta após outra tem confirmado a exatidão de pormenores, e tem aumentado cada vez mais o reconhecimento do valor da Bíblia como fonte de informações exatas para a história. 81

    Mesmo os estudiosos que negam a exatidão total da i Bíblia por motivos filosóficos, sentem grandes dificuldades em defender a alegação de que há inexatidões no texto bíblico. Kenneth Kantzer comenta: “Embora Barth continu­asse a asseverar a presença de erros nas Escrituras, é muitís­simo difícil localizar qualquer exemplo nos seus escritos de que realmente tais erros existem”.82 Considerando o grande número de pormenores na Bíblia, espera-se uma coletânea considerável de tais erros. No entanto, a exatidão espantosa da Bíblia indica que ela é, realmente, a revelação do Deus verdadeiro.

    A capacidade notável da sobrevivência da Bíblia tam­bém dá testemunho de sua autoridade divina. Comparativa­mente, poucos livros sobrevivem aos estragos produzidos pelo tempo. Quantas obras literárias de mil anos de idade podemos mencionar pelo nome? Um livro que sobrevive um século é um livro raro. A Bíblia, porém, além de sobreviver, tem se multiplicado. Existem literalmente milhares de ma­nuscritos bíblicos; mais do que todos os manuscritos reuni­dos das demais obras literárias. 83

    O que torna mais notável a sobrevivência da Bíblia é o fato de ela haver passado por incontáveis períodos, quando sua leitura era proibida pelas autoridades eclesiásticas (du­rante a Idade Média) e das tentativas de vários governantes em se eliminá-la. Desde o Edito de Diocleciano em 303, que ordenou a destruição de todos os exemplares da Bíblia, até o presente, houve esforços organizados para se destruir a Bí­blia. “A Bíblia não somente tem recebido mais veneração e adoração do que qualquer outro livro, como também tem sido objeto da mais implacável perseguição e oposição”. 84 Considerando que durante os primeiros séculos do Cristia­nismo, as Escrituras eram copiadas manualmente, a extinção total da Bíblia não teria sido humanamente impossível. O célebre deísta francês Voltaire predisse que dentro de cem anos, o Cristianismo desapareceria. Cinquenta anos depois da sua morte ocorrida em 1778, a Sociedade Bíblica de Genebra estava usando o seu prelo e a sua casa para produzir grandes pilhas de Bíblias!85‘ Se, porém, a Bíblia realmente for a mensagem da redenção divina à humanidade, sua indestrutibilidade não seria tão espantosa. Deus, com a sua mão onipotente, tem protegido a sua obra!

    Tanto a autenticidade quanto a historicidade dos do­cumentos do Novo Testamento estão confirmadas de modo sólido. Norman Geisler indica que as evidências documentárias em favor da autenticidade do Novo Testa­mento são esmagadoras, e fornecem uma base, igualmen­te sólida, para a reconstrução do texto grego original. 86 Bruce Metzger, especialista em crítica textual, informa que, no século III a.G, os estudiosos em Alexandria indi­cavam que as cópias que possuíam da Ilíada de Homero apresentavam cerca de 95% de fidedignidade. Indica, tam­bém, que os textos setentrional e meridional da Mahabharata da índia diferem entre si numa extensão de 26.000 linhas. 87 Isto se contrasta com “mais de 99,5% de exatidão para as cópias manuscritas do Novo Testamen­to”.88 Esse meio-porcento de diferença consiste principal­mente nos erros de ortografia dos copistas e, mesmo as­sim, passíveis de correção. Nenhuma doutrina da Bíblia depende de algum texto cuja forma original não possa ser determinada com exatidão.

     

    Jesus e seu Conceito das Escrituras

    No fim do século I (no mais tardar) os escritos do Novo Testamento já haviam sido completados; muitos destes, en­tre 20 e 30 anos apenas após a morte e ressurreição de Jesus. / Temos ainda a garantia de que até mesmo a narração dos eventos foi orientada pelo Espírito Santo a fim de que fossem evitados os erros ocasionados por eventuais esquecimentos (Jo 14.26). Os evangelhos, que contam detalhadamente a vida de Jesus, foram escritos por contemporâneos e testemu­nhas oculares. Tais escritos, fartamente corroborados, forne­cem informações fidedignas a respeito de Cristo e de seus ensinos. A autoridade da Palavra escrita está ancorada na autoridade de Jesus. Posto que Ele nos é apresentado como o Deus encarnado, seus ensinos são verdadeiros e plenos de autoridade. Por isso, o que Jesus ensina a respeito das Escri­turas, determina sua justa reivindicação à autoridade divina. Jesus dá testemunho consistente e enfático de que elas são, de fato, a Palavra de Deus.

    Em especial, Jesus dirigia a sua atenção ao Antigo Testa­mento. Quando falava de Adão, de Moisés, de Abraão ou de , Jonas, Ele os tratava como a pessoas reais e históricas. Às vezes, correlacionava situações que lhe diziam respeito com um evento histórico do Antigo Testamento (Mt 12.39,40). Noutras ocasiões, buscava num determinado fato do Antigo Testamento apoio, ou reforço, para alguma coisa que estava ensinando (Mt 19.4,5). Jesus honrava as Escrituras do Anti­go Testamento, e enfatizava que Ele não viera abolir a Lei e os Profetas, mas cumpri-los (Mt 5.17). As vezes, fustigava os líderes religiosos por haverem elevado as próprias tradições acima das Escrituras (Mt 15.3; 22.29).

    Jesus, nos seus ensinos, citou pelo menos quinze livros do Antigo Testamento, e fez alusão a muitos outros. Tanto no modo de falar quanto nas declarações específicas, demons­trava com clareza a sua estima pelas Escrituras do Antigo Testamento como a Palavra de Deus. Era a palavra e o mandamento de Deus (Mc 7.6-13). Citando Gênesis 2.24, Jesus declarou: “O Criador [não Moisés]… disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe” (Mt 19.4,5). Disse que Davi fez uma declaração “pelo Espírito Santo” (Mc 12.36). A respei­to de uma declaração registrada em Êxodo 3.6, Ele pergun­tou: “Não tendes lido o que Deus vos declarou?” (Mt 22.31). Repetidas vezes, Jesus apelou à autoridade do Antigo Testa­mento, citando a fórmula: “Está escrito” (Lc 4.4). John W. Wenham assevera que Jesus entendia essa fórmula no senti­do de “Deus diz!”

    “Há uma objetividade grandiosa e sólida no uso do tem­po pretérito perfeito gegraptai, ‘permanece escrito’: ‘aqui está o testemunho eterno e imutável do Deus Eterno, regis­trado por escrito para a nossa instrução’.”89 O modo decisivo de Jesus utilizar essa fórmula revela de modo enfático como ele considerava a autoridade das Escrituras. “A Palavra es­crita, portanto, é a autoridade de Deus para solucionar todas as disputas a respeito da doutrina ou da prática. E a Palavra de Deus nas palavras humanas; é a verdade divina em lin­guagem humana”.90 Os que gostariam de alegar que Jesus simplesmente se acomodava ao modo judaico de entender as Escrituras, acompanhando passivamente as supostas falsas crenças dos judeus nesse assunto, deixam totalmente desapercebidos o seu tom enfático de plena aceitação e autoridade. Em vez de acomodar-se às opiniões religiosas dos seus dias, Ele as corrigia, e colocava as Escrituras de volta à sua suprema posição. Além disso, a acomodação à mentira não é moralmente possível para o Deus que é a mesma verdade (Nm 23.19; Hb 6.18).

    Jesus reivindicava a autoridade divina, não somente para as Escrituras do Antigo Testamento, como também para seus próprios ensinos. O que ouve as suas palavras e as pratica é sábio (Mt 7.24), porque os seus ensinos pro­vêm de Deus (Jo 7.15-17; 8.26-28; 12.48-50; 14.10). Jesus é o semeador que semeia a boa semente da Palavra de Deus (Lc 8.1-13). Sua expressão frequente: “Eu, porém, vos digo” (Mt 5.22), usada lado a lado com a total com­preensão do Antigo Testamento, demonstrava que “suas palavras levam toda a autoridade das palavras de Deus”.91 “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35).

    Jesus indicou, também, que haveria uma característica divina e especial no testemunho que seus seguidores dari­am dEle. O Senhor os havia treinado mediante suas pala­vras e seu exemplo, e os comissionara para serem teste­munhas até aos confins da terra, ensinando as pessoas a guardar todas as coisas que Ele lhes mandara (Mt 28.18-20). Ele lhes ordenara ainda que esperassem, em Jerusa­lém, a vinda do Espírito Santo, a quem o Pai enviaria em seu nome, para que tivessem poder a fim de lhe servirem como testemunhas (Lc 24.49; Jo 14.26; At 1.8). O Espíri­to Santo faria os discípulos lembrar-se de tudo quanto Jesus lhes dissera (Jo 14.26). O Espírito lhes ensinaria todas as coisas, guia-los-ia em toda a verdade, contar-lhes-ia o que havia de acontecer, lançaria mão das coisas de Cristo e as faria conhecidas aos discípulos (Jo 14.26; 15.26,27; 16.13-15).

    Foram cumpridas as promessas que Jesus fizera aos seus discípulos. O Espírito Santo inspirou alguns deles a escreve­rem a respeito do seu Senhor. Consequentemente, tanto os escritos do Antigo, quanto os do Novo Testamento; enfim, a Bíblia toda reivindica, de modo específico e direto, que é a revelação especial da parte de Deus. 92

     

    A Extensão da Autoridade Bíblica

    A Bíblia trata de assuntos pertencentes a várias áreas: ciências econômicas, geografia, cultura, biologia, política, astronomia etc. Todavia, não se declara livro-texto exausti­vo sobre tais assuntos, nem deve ser considerada como tal. Os modos de vestir, os meios de transporte, as estruturas políticas, os costumes e outras coisas correlatas, não são colocados como modelos a serem seguidos pelo simples fato de haverem sido mencionados nas Escrituras. Embora tudo quanto foi escrito nessas áreas seja fidedigno, não é necessa­riamente normativo. A Escritura não pretende ser normativa nessas áreas, a não ser que impliquem em questões teológi­cas ou éticas. (Por exemplo: do ponto de vista bíblico, não faz diferença se montamos um camelo ou se andamos de automóvel, mas se estes meios de transporte foram adquiri­dos de maneira honesta. Isto sim, faz toda a diferença).

    Os sessenta e seis livros da Bíblia reivindicam autoridade plena e total no tocante à auto-revelação de Deus e a todas as implicações quanto à fé e à prática. Embora a autoridade da Bíblia seja histórica, porque Deus se revelou em eventos históricos, sua autoridade é primariamente teológica. A Bí­blia revela Deus à humanidade, e explica o seu relaciona­mento com a sua criação. Pelo fato de Deus ter de ser conhecido através deste livro, suas palavras têm de ser igual­mente autorizadas. A autoridade da Palavra é absoluta – as palavras do próprio Deus a respeito dEle mesmo.

    A autoridade ética da Bíblia provém de sua autoridade teológica. Não fala de tudo quanto deve ser feito em todas as épocas, nem de tudo quanto era feito nos tempos em que foi escrita. Mesmo assim, os princípios que ela apresenta, seu padrão de retidão, suas informações a respeito de Deus, sua mensagem de redenção e suas lições para a vidas, são obriga­tórios em todos os tempos e épocas.

    Certos trechos bíblicos não nos impõem determinada conduta, hoje, mas têm autoridade por nos revelarem um aspecto do relacionamento de Deus com a humanidade. Por exemplo: as cerimônias do Antigo Testamento cumpridas em Cristo. “No caso de uma promessa (ou prefiguração) e seu cumprimento, a figura só tem um propósito temporário, e cessa de ter autoridade obrigatória depois de cumprida”.93 Embora Cristo seja o cumprimento, as cerimônias são uma apresentação autorizada de um aspecto da obra divina da redenção. O relacionamento entre Deus e os seres humanos, e a condição destes diante de Deus, têm implicações para todos os aspectos da vida. Por isso, a Palavra tem aplicação autorizada a todas as esferas de nossa vida.

    O escopo da autoridade das Escrituras é tão extensivo como a própria autoridade de Deus em relação a todas as áreas da existência humana. Deus está acima de todas as áreas de nossa vida, e fala a todas elas mediante a sua Palavra. A autoridade da Palavra escrita é a autoridade do próprio Deus. A Bíblia não é meramente um registro da autoridade de Deus no passado, mas continua sendo a auto­ridade de Deus, hoje. Mediante a Palavra escrita, o Espírito Santo continua a confrontar os homens e mulheres, em nossos dias, com as reivindicações de Deus. Trata-se ainda de: ‘Assim diz o Senhor!”

     

    A Inspiração das Escrituras

    Deus se revelou à sua criação. A inspiração diz respeito ao registro, ou à escrita, dessa revelação divina. Posto que a Bíblia foi escrita por autores humanos, devemos perguntar: “Em que sentido seus escritos poderão (ou não) ser chama­dos a Palavra de Deus?” Uma questão correlata diz respeito ao grau (ou extensão) em que seus escritos podem ser consi­derados revelação de Deus.

     

    A Base Bíblica para a Inspiração

    Considerando que toda testemunha tem o direito de se expressar por si mesma, será examinada, em primeiro lugar, a reivindicação que os próprios escritores bíblicos fazem à inspiração divina. Muitos dos que compuseram as Escrituras eram participantes, ou testemunhas oculares, dos eventos a respeito dos quais escreveram.

    O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada), o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1.1-3).

     

    Cada um deles, seja Moisés, Davi, Jeremias, Mateus, João, Pedro, ou Paulo, escreveu com base em suas próprias experiências à medida que Deus se revelava a eles (Ex 4.1-17; SI 32; Jr 12; At 1.1-3; 1 Co 15.6-8; 2 Co 1.3-11; 2 Pe 1.14-18). Mas seus escritos eram mais que relatos de pessoas envolvidas. Declaravam que escreviam não somente a res­peito de Deus, mas também em prol de Deus. A sua palavra era a Palavra de Deus; a sua mensagem era a mensagem de Deus.

    Em todo o Antigo Testamento, deparamo-nos com ex­pressões tais como: “Falou o SENHOR a Moisés, dizendo” (Ex 14.1); “A palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo” (Jr 11.1); “Tu, pois, ó filho do homem, profetiza… e dize: Assim diz o SENHOR Deus” (Ez 39.1); “Assim diz o SENHOR” (Am 2.1). Tais declarações são usadas mais de 3.800 vezes, e demonstram com clareza que os escritores tinham consciência de estar entregando uma mensagem autorizada da parte de Deus.94

    Os escritores do Novo Testamento não tinham, também, a menor dúvida de estarem falando em nome de Deus. Jesus não somente ordenou que os discípulos pregassem, mas tam­bém lhes disse o que deviam pregar (At 10.41-43). Suas palavras não eram “palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espiri­tuais com as espirituais” (1 Co 2.13). Esperavam que as pessoas reconhecessem que, por escrito, estavam elas rece­bendo “mandamentos do Senhor” (cf. 1 Co 14.37). Paulo podia garantir aos gálatas que, “acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto” (Gl 1.20), porque o tinha recebido da parte de Deus (Gl 1.6-20). Os tessalonicenses foram elogiados por terem recebido a mensa­gem “não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus” (1 Ts 2.13). Preceitos e mandamentos eram escritos à comunidade em nome de Je­sus, e deixar de observá-los podia ocasionar motivo para a exclusão do desobediente (2 Ts 3.6-14). Assim como Deus tinha falado através dos santos profetas, agora o Senhor dava mandamentos através dos seus apóstolos (2 Pe 3.2). Receber , a vida eterna está vinculado com o ato de crer no testemu­nho de Deus (registrado pelos discípulos) a respeito do seu Filho (ljo 5.10-12).

    Nestes trechos, e em outros semelhantes, fica evidente que os escritores do Novo Testamento estavam convictos de estarem declarando “todo o conselho de Deus” em obediên­cia ao mandamento de Cristo e sob a orientação do Espírito Santo (At 20.27). Os escritores do Novo Testamento tam­bém reconheciam a autoridade total das Escrituras do Anti­go Testamento, porque Deus “falou pelo Espírito Santo” através dos autores humanos (At 4.24,25; Hb 3.7; 10.15,16).

    Paulo escreveu a Timóteo, asseverando que as Escrituras podiam fazê-lo “sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15). O valor das Escrituras deriva-se de sua origem. Paulo indica que o mérito das Escrituras não está no escritor humano, mas no próprio Deus. Ele afirma: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). O termo “inspiração” é derivado desse versículo, e aplicado à escrita da Bíblia. A palavra grega empregada aqui é theopneustos que, literalmente, significa “soprada por Deus”. As versões mais recentes dizem com razão: “Toda Escritura é inspirada [soprada] por Deus” (NVI). Paulo não está dizendo que Deus soprou alguma característica divina nos escritos huma­nos das Escrituras, ou que toda a Escritura respira um ambi­ente de Deus, que fala dEle. O adjetivo grego (theopneustos) é claramente predicativo, e é usado para identificar a fonte originária de todas as Escrituras.95 Deus é o Autor, em última análise. Logo, toda a Escritura é a voz de Deus, a Palavra de Deus (At 4.25; Hb 1.5-13).

    O contexto de 2 Timóteo 3.16 tem em vista as Escrituras do Antigo Testamento. A declaração de Paulo é que a totalidade do Antigo Testamento é a revelação inspirada da parte de Deus. O fato de que o Novo Testamento ainda estava sendo escrito, exclui a mesma reivindicação interna e explícita para ele. Mesmo assim, algumas declarações especí­ficas feitas pelos escritores do Novo Testamento subenten­dem que a inspiração das Escrituras estende-se à Bíblia intei­ra. Por exemplo, em 1 Timóteo 5.18 Paulo escreve: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário”. Paulo está citando Deute-ronômio 25.4 e Lucas 10.7, considerando “Escritura” as cita- , ções tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Além disso, Pedro refere-se a todas as epístolas de Paulo que, embora tratassem a respeito da salvação divina, contêm “pontos difíceis de entender”. Por isso, algumas pessoas as “torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pe 3.16, grifos nossos). Note que Pedro coloca todas as Epístolas de Paulo na categoria de Escritura. Torcê-las é torcer a Palavra de Deus, resultando na destruição do transgressor. Os escritores do Novo Testamento comunicam “com as palavras que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13), assim como Jesus prometera (Jo 14.26; 16.13-15).

    Na sua segunda epístola, Pedro fala de sua morte iminen­te e do seu desejo de que seus leitores se mantenham na verdade que ele já lhes havia compartilhado. Mostra-lhes que a fé em Cristo não é nenhuma invenção, e lembra-lhes de que ele mesmo era testemunha ocular daqueles eventos. Pedro estava com Cristo, vendo-o e ouvindo-o pessoalmente (2 Pe 1.12-18). O apóstolo passa, então, a escrever de algo mais firme que seu testemunho pessoal (2Pe 1.19). Falando das Escrituras, afirma que os autores humanos eram “levados adiante” (pheromenoi) pelo Espírito Santo ao comunicarem as coisas de Deus. O resultado disso era uma mensagem não iniciada pelos desígnios humanos nem produzida pelo mero raciocínio e pesquisa humanos (sem serem excluídas tais coisas). Pedro afiança: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de ho­mem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspira­dos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20,21).

    O emprego que Pedro faz da expressão “profecia da Es­critura” é um caso de pars pro tota. Ou seja: uma parte da Escritura representa a totalidade desta. “O ímpeto que levou à escrita provinha do Espírito Santo. Por essa razão, os leitores de Pedro devem prestar atenção… pois não é simplesmente a palavra dos homens, mas a Palavra de Deus”. 96

    Em virtude de sua inspiração pelo Espírito Santo, toda a Escritura é fonte de autoridade. Jesus garante que até o menor dos mandamentos bíblicos é importante e obrigatório:

    “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus” (Mt 5.18,19).

     

    A recompensa, ou o castigo, depende de nosso relaciona­mento com todos os mandamentos, incluindo-se o menor deles. Acusado de blasfêmia por haver reivindicado a própria divindade, Jesus apelou à expressão “sois ‘deuses”, que se acha no Salmo 82.6. Contra essa acusação, edificou a sua defesa na verdade, já bem aceita, de que até mesmo uma frase relativamente obscura das Escrituras não pode ser anu­lada (Jo 10.34,35). A razão por que não podia ser anulada era que, mesmo como fragmento da Escritura, não deixava de ser a Palavra de Deus.

     

    Modos de Inspiração

    Uma vez aceito o testemunho que as Escrituras dão acerca de si mesmas, fica mais que clara a sua divina inspira­ção. A medida que os autores humanos da Bíblia a compunham, o próprio Deus dava mostras inequívocas de achar-se envolvido neste processo de comunicação. E posto que na maioria dos casos a Bíblia não revela a forma de sua inspiração, várias teorias têm surgido a respeito. Cinco opi­niões básicas são consideradas resumidamente nesta seção.

    Intuição natural. A inspiração é meramente uma perspi­cácia natural nos assuntos espirituais, exercida por pessoas bem dotadas. Assim como alguns têm aptidão para a mate­mática ou para a ciência, os escritores bíblicos teriam apti­dão para as ideias religiosas. Não se vê nisso qualquer envol­vimento especial de Deus. A pessoa poderia ter a mesma inspiração natural para escrever uma poesia ou para compor um hino.

    Iluminação especial. A inspiração seria uma intensifica­ção, ou exaltação, divina das percepções religiosas que todos os cristãos têm em comum. Os dons naturais dos escritores bíblicos teriam sido aguçados de alguma maneira pelo Espíri­to Santo, mas sem nenhuma orientação especial, ou comu­nicação da verdade divina.

    Orientação dinâmica. A inspiração é a orientação espe­cial pelo Espírito Santo, dada aos escritores bíblicos, para garantir toda mensagem divina que trata de matérias concernentes à fé religiosa e ao viver piedoso. A ênfase recai nos pensamentos ou conceitos que Deus, querendo fossem comunicados, fornecia aos escritores humanos, aos quais dava plena liberdade quanto à expressão natural. Os ele­mentos da fé e da prática religiosas eram assim orientados, mas as chamadas matérias não-essenciais dependiam total­mente (segundo essa opinião) dos conhecimentos, experiên­cias, e escolhas dos próprios autores humanos.

    Plenária verbal. A inspiração é a combinação entre a expressão natural dos escritores e a iniciação e orientação especiais dos seus escritos concedidas pelo Espírito Santo. Mas o Espírito Santo não somente dirigia os pensamentos, ou conceitos dos escritores, como também supervisionava a seleção das palavras para a totalidade do texto (e não so­mente para as questões de fé e prática). O Espírito Santo garantia a exatidão e a suficiência de tudo quanto era escrito como a revelação da parte de Deus.

    Ditado divino. A inspiração é a superintendência infalí­vel da reprodução mecânica das palavras divinas à medida que o Espírito Santo as ditava aos autores bíblicos. Estes, como obedientes estenógrafos, tudo registravam segundo as ordens especiais do Espírito Santo quanto ao conteúdo, vo­cabulário e estilo.

    Formulando um Conceito da Inspiração

    O conceito de inspiração deve levar em conta tudo quanto é necessário para a revelação divina ser comunicada com exatidão. O modo correto de inspiração deve incluir todos os elementos que a Bíblia postula tanto no ato de inspirar quanto nos efeitos desse ato. Deve também reservar um lugar apropriado à atividade de Deus e à atividade humana.

    Ao examinarmos os dados fornecidos nas Escrituras, vá­rios elementos envolvidos no ato de inspirar são apresentados com clareza. (1) Toda a Escritura é respirada por Deus; , procede da boca de Deus (2 Tm 3.16). (2) Os autores da Escritura falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21). (3) Os escritores sagrados não falavam segundo a própria vontade, mas de acordo com a vontade divina. (4) Todavia, eles tomavam parte ativa e dinâmica na produção das Escrituras. Não eram meros robôs (Lc 20.42; Jo 12.39; At 3.22).

    Semelhantemente, a Escritura fornece soluções quanto ao ato de inspirar. (1) Toda a Escritura é respirada por Deus e, portanto, toda a Escritura é a Palavra de Deus (1 Co 14.37; 2 Tm 3.16). (2) Toda a Escritura é proveitosa; é uma regra completa e suficiente para a fé e prática (2 Tm 3.16,17). (3) Nenhuma linha da Escritura pode ser deixada de lado, anulada ou destruída; a totalidade da Escritura tem de ser aceita em sua integridade e plenitude (Jo 10.35). (4) A Escritura é mais fidedigna que qualquer observação mera­mente humana, seja empírica, seja científica, seja filosófica (2 Pe 1.12-19). (5) Nenhuma parte da Escritura é condicio­nada, quanto à sua veracidade, por nenhuma limitação de seu autor humano (2 Pe 1.20). O condicionamento histórico normal, bem como a pecaminosidade e finitude humanas, são contrabalançados pela supervisão do Espírito Santo.

    À luz dessas observações, extraídas da própria Escritura, pode-se fazer uma avaliação dos cinco modos de inspiração sugeridos. Tais conceitos, por considerarem a inspiração meramente um dom natural de iluminação, não prestam a devida atenção ao fato de Deus haver “soprado”‘a Escritura. O conceito da orientação dinâmica, que entende serem as questões de fé e práticas devidamente inspiradas, em con­traste com os assuntos mais corriqueiros, não fornece ne­nhum método seguro para determinar o que é inspirado e o que não o é. Nem sequer leva em conta a declaração bíblica de que toda a Escritura é inspirada, inclusive os versículos tidos como obscuros.

    O conceito do ditado divino na inspiração não reconhe­ce devidamente o elemento humano – os estilos, expressões e ênfases específicos dos escritores de per si.

    O conceito da inspiração verbal e plenária evita os exa­geros de se enfatizar a atividade de Deus a ponto de negligenciar a participação humana, ou de enfatizar a contribui­ção humana a ponto de desprezar o envolvimento divino na produção da Escritura. A totalidade da Escritura Sagrada é inspirada, pois seus autores a escreviam sob a supervisão e orientação do Espírito Santo. Isto permite variedades de estilo literário, gramática, vocabulário e outras peculiarida­des humanas. Afinal, alguns escritores bíblicos tinham, sob o apanágio da providência de Deus, passado por longos anos de experiência e preparo incomparáveis. Eis por que foram usados por Deus para comunicar a sua mensagem (Moisés, Paulo).

    Os conceitos da orientação dinâmica e os da inspiração verbal e plenária são sustentados por muito eruditos; tais conceitos reconhecem a obra do Espírito Santo, bem como as diferenças óbvias nos vocabulários e estilos dos escritores. Uma diferença importante entre as duas opiniões envolve a extensão da inspiração. Reconhecendo ter havido orienta­ção do Espírito Santo, até onde esta se estende? No tocante aos escritos bíblicos, os defensores das várias opiniões dinâ­micas sugeriram que a orientação do Espírito estendeu-se aos mistérios além do alcance da razão humana, ou somente até à mensagem da salvação, ou ainda até as palavras de Cristo, ou talvez até certos assuntos (tais como as seções didáticas ou proféticas, ou talvez a todas as matérias que se relacionam com a fé e prática cristãs). A inspiração plenária e verbal sustenta, porém, que a orientação do Espírito Santo estendia-se a todas as palavras dos documentos originais (os autógrafos).

    No tocante à orientação do escritor pelo Espírito, tem-se sugerido que a influência do Espírito estendeu-se somente ao impulso original para se escrever, ou somente à seleção dos tópicos, ou apenas aos pensamentos ou ideias do autor, conforme este achasse melhor. Na inspiração plenária e ver­bal, todavia, a orientação do Espírito estendia-se até às pró­prias palavras que o escritor selecionava para expressar os seus pensamentos. O Espírito Santo não ditava as palavras, mas guiava o escritor para que este, livremente, escolhesse as palavras que realmente expressavam a mensagem de Deus. (Por exemplo, o escritor poderia ter escolhido “casa” ou “construção”, segundo a sua preferência, mas não poderia ter escolhido “campo”, pois isso teria mudado o conteúdo da mensagem.) 97

    Qualquer combinação das sugestões no conceito da ori­entação dinâmica coloca-nos numa posição de relatividade quanto à extensão da inspiração das Escrituras. Esse posicionamento relativo requer seja aplicado algum princí­pio para diferenciar as partes inspiradas das não-inspiradas (ou mais inspiradas e menos inspiradas) da Bíblia. Vários princípios têm sido sugeridos: tudo quanto é razoável; tudo quanto é necessário para a salvação; tudo quanto é valioso para a fé e a prática; tudo quanto traz o Verbo; tudo quanto é querigma genuíno, ou tudo aquilo sobre o qual o Espírito dá testemunho especial. Todos os princípios desse tipo são subjetivos e centralizam-se no homem. Além disso, há o problema de quem aplicará o princípio de modo decisivo. A hierarquia eclesiástica, os estudiosos bíblicos e os teólogos, os cristãos individuais, todos desejariam o poder de escolha. Em última análise, o conceito da orientação dinâmica acaba derivando do homem a autoridade da Bíblia, em vez de derivá-la de Deus. Somente o conceito da inspiração plená­ria e verbal evita o problema da relatividade teológica, sem deixar de levar em conta a variedade humana ao reconhecer que a inspiração estende-se à totalidade das Escrituras.

    A inspiração plenária e verbal contém uma definição essencial no próprio nome. E a crença de que a Bíblia é inspirada nas próprias palavras (verbal) escolhidas pelos es­critores. É inspiração plenária (plena, total, inteira) porque todas as palavras-, em todos os escritos originais (autógrafos), são inspiradas. Uma definição mais técnica da inspiração segundo a perspectiva plenária e verbal poderia ser esta: A inspiração é o ato especial do Espírito Santo mediante o qual motivou os escritores bíblicos a escrever, orientando-os até mesmo no emprego das palavras, preservando-os de igual modo de todos os erros ou omissões.

    Apesar de cada palavra da Bíblia ser inspirada por Deus, a sua veracidade depende do contexto, isto é: ela pode registrar autoritativamente o conteúdo inspirado e verídico de uma mentira. Quando, por exemplo, a serpente disse a Eva que esta não morreria se comesse do fruto proibido, estava, sem dúvida alguma, mentindo – pois Eva morreria! (Gn 3.4,5). No entanto, posto que a totalidade da Bíblia seja inspirada, as palavras do tentador, embora falsas, foram registradas com exatidão.

    A inspiração verbal e plenária era a opinião da Igreja Primitiva. Durante os oito primeiros séculos da Igreja, ne­nhum líder eclesiástico, de vulto, ousou sustentar outra opi­nião. Procedimento similar foi adotado pelas igrejas cristãs ortodoxas até ao século XVIII. 98 A inspiração plenária e verbal continua sendo o conceito sustentado pelo evangelicalismo.

    A inspiração verbal e plenária eleva o conceito da inspi­ração até à plena infalibilidade, posto que todas as palavras são, em última análise, palavras de Deus. A Escritura é infalível porque é a Palavra de Deus, e Deus é infalível. Nas últimas décadas do século XX, alguns procuraram apoiar o conceito da inspiração plenária e verbal sem o corolário da infalibilidade. Como resposta, livros foram escritos, confe­rências, realizadas, e organizações formadas na tentativa de firmar o modo histórico de se entender a inspiração das Escrituras Sagradas. Uma fileira de fortes adjetivos tem sido acrescentada à expressão “plenária e verbal” até ao ponto de alguns insistirem que esta opinião teológica seja chamada “inspiração verbal plenária, infalível, inerrante, ilimitada”. Quando investigamos o significado de tantos qualificativos, constatamos que é exatamente isto o que significa a “inspira­ção plenária e verbal”!

     

    A Inerrância Bíblica

    Uma mudança notável da terminologia que resultou dos debates na área da inspiração das Escrituras foi a preferência pelo termo “inerrância” ao invés de “infalibilidade”. Isso tem a ver com a insistência de alguns no sentido de que podemos ter uma mensagem infalível com um texto bíblico errante.

    “Infalibilidade” e “inerrância” são termos empregados para se aludir à veracidade das Escrituras. A Bíblia não falha; não erra; é a verdade em tudo quanto afirma (Mt 5.17,18; Jo 10.35). Embora tais termos nem sempre hajam sido empre­gados, os teólogos católicos, os reformadores protestantes, os evangélicos da atualidade (e, portanto, os pentecostais “clás­sicos”), têm afirmado ser a Bíblia inteiramente a verdade; nenhuma falsidade ou mentira lhe pode ser atribuída. 99 Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Gregório Nazianso, Justino, o Mártir, Irineu, Tertuliano, Origenes, Ambrósio, Jerônimo, Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, e um número incontável de outros gigantes da história da Igreja, reconhecem que a Bíblia foi, de fato, inspirada por Deus, e que é inteiramente a verdade. Preste atenção à afirmação enfática de alguns destes notáveis:

    Agostinho: “Creio com toda a firmeza que os autores sagrados estavam totalmente isentos de erros”. 100

    Martinho Lutero: “As Escrituras nunca erram”.101 “… onde as Sagradas Escrituras estabelecem algo que deve ser crido, ali não devemos desviar-nos de suas palavras”.102

    João Calvino: “O registro seguro e infalível”. “A regra certa e inerrante”. “A Palavra infalível de Deus”. “Isenta de toda mancha ou defeito”. 103

    Provavelmente, os dois acontecimentos mais significati­vos no tocante à doutrina da infalibilidade e da inerrância foram a declaração sobre as Escrituras na Aliança de Lausanne (1974) e a Declaração de Chicago (1978) do Concílio Inter­nacional da Inerrância Bíblica. A declaração de Lausanne oferece (segundo alguns) flexibilidade em demasia ao afir­mar que a Bíblia é inerrante em tudo quanto afirma”. (Isto é: pode haver coisas que não foram “afirmadas” na Bíblia.) Como resposta, a Declaração de Chicago afirmou: “A Escri­tura na sua inteireza é inerrante, e está livre de toda a falsidade, fraude ou logro. Negamos que a infalibilidade e inerrância da Bíblia limitam-se aos temas espirituais, religio­sos ou redentores, excluindo-se as asseverações nos campos da história e das ciências”. 104

    A Declaração de Chicago foi adotada por uma conven­ção de quase trezentos estudiosos no seu esforço para escla­recer e fortalecer a posição evangélica a respeito da doutrina da inerrância. Consiste em dezenove Artigos de Afirmação e de Negação, e tem uma prolongada exposição final, que se propõe a descrever e explicar a inerrância de tal modo que não deixa nenhuma possibilidade de existir nenhum tipo de erro em qualquer parte da Bíblia.

    Embora seja possível questionar se a inerrância é ensina­da de modo dedutível nas Escrituras, conclui-se que o exame indutivo das Escrituras foi ensinado por Jesus e pelos escritores bíblicos. Deve ficar claro, porém, que a autoridade da Bíblia depende da veracidade da inspiração, e não da É doutrina de inerrância. Esta é uma inferência natural que segue a inspiração e é “tirada dos ensinos bíblicos, e tem o pleno, poio da atitude do próprio Jesus”.105 Alguns têm sugerido que abrir mão da doutrina da inerrância é o primei­ro passo para se abrir mão da autoridade da Bíblia.

    A inerrância reconhece contradições, ou inconsistênci­as, no texto, não como erros propriamente ditos, mas como dificuldades que poderão ser resolvidas ao serem conhecidos todos os seus dados relevantes. A possibilidade de se harmo­nizar trechos aparentemente contraditórios vem sendo de­monstrada frequentemente pelos estudiosos evangélicos que têm dedicado tempo e paciência, revendo dificuldades tex­tuais à luz das novas descobertas históricas, arqueológicas e linguísticas. (Devemos, no entanto, evitar harmonizações forçadas ou altamente especulativas).

    A doutrina da inerrância é derivada mais da própria natureza da Bíblia do que de um mero exame dos seus fenômenos. “Se alguém crê que a Escritura é a Palavra de Deus, não pode deixar de crer que seja ela inerrante”.106 Deus “soprou” as palavras que foram escritas, e Deus não pode mentir. A Escritura não falha porque Deus não pode mentir. Consequentemente, a inerrância é a qualidade que se espera da Escritura inspirada. O crítico que insiste em haver erros na Bíblia (em algumas passagens difíceis) parece ter outorgado para si mesmo a infalibilidade que negou às Escrituras. Um padrão passível de erros não oferece nenhu­ma medida segura da verdade e do erro. O resultado de negar a inerrância é a perda de uma Bíblia fidedigna. Se for admitida a existência de algum erro nas Sagradas Escrituras, estaremos alijando a veracidade divina, fazendo a certeza desaparecer.

     

    A Definição de Inerrância

    Embora os termos “infalibilidade” e “inerrância” tenha sido, historicamente, quase que sinônimos do ponto de vista da doutrina cristã, muitos evangélicos têm preferido ora um termo, ora outro. Alguns preferem “inerrância” para se dis­tinguirem dos que sustentam poder a “infalibilidade” referir­se à veracidade da mensagem da Bíblia, sem necessariamen­te indicar que a Bíblia não contém erros. Outros preferem “infalibilidade” a fim de evitar possíveis mal-entendimentos em virtude de uma definição demasiadamente limitada da “inerrância”. Atualmente, o termo “inerrância” parece estar mais em voga que “infalibilidade”. A série de declarações que se segue, portanto, é uma tentativa de se delimitar a definição de inerrância verbal que teria ampla aceitação na comunidade evangélica.

    1. A verdade de Deus é expressada com exatidão, e sem quaisquer erros, nas próprias palavras da Escritura ao serem usadas na construção de frases inteligíveis.

    2. A verdade de Deus é expressada com exatidão através de todas as palavras da totalidade da Escritura, e não mera­mente através das palavras de conteúdo religioso ou teo­lógico.

    3. A verdade de Deus é expressada de modo inerrante somente nos autógrafos (escritos originais), e de modo indi­reto, nos apógrafos (cópias dos escritos originais).

    4. A inerrância dá lugar à “linguagem de aparência”, aproximações e várias descrições não-contraditórias, feitas a partir de perspectivas diferentes. (Por exemplo, dizer que o sol se levanta não é um erro, mas uma descrição perceptiva e reconhecida).

    5. A inerrância reconhece o uso de linguagem simbólica e figurada, e uma variedade de formas literárias para se transmitir a verdade.

    6. A inerrância entende que as citações no Novo Testa­mento de declarações do Antigo Testamento podem ser paráfrases, sem a intenção de serem traduções literais.

    7. A inerrância considera válidos os métodos culturais e históricos de se relatar coisas tais como genealogias, medidas e estatísticas ao invés de exigir os métodos de precisão da moderna tecnologia.

    Esperamos que, com base dessas declarações, poderemos construir um conceito de inerrância que evite os extremos, sem deixar de levar em conta o testemunho que a própria Escritura oferece no tocante à sua própria exatidão e veraci­dade. Mesmo assim, nossas tentativas de definir a inerrância não são inerrantes em si mesmas. Por isso, embora nos esfor­cemos para influenciar os outros para que aceitem a doutrina, da inerrância, seria bom respeitarmos o conselho sábio e amoroso do acatado defensor da doutrina da inerrância, Kenneth Kantzer: “Os evangélicos conservadores, principal­mente, devem ser mui cuidadosos e evitar a confrontação direta com o erudito, ou seminarista hesitante, que se sente perturbado por problemas no texto bíblico, ou por algumas das conotações comuns à palavra inerrante”.107

    Semelhantemente, deve-se compreender que “a inerrância bíblica não subentende que a ortodoxia evangélica se segue como consequência necessária da aceitação dessa doutri­na”. 108 Deve se seguir a interpretação correta e a verdadeira dedicação espiritual.

     

    Revelação Proposicional

    Uma questão filosófica de vulto, que se relaciona com a questão da infalibilidade e da inerrância, diz respeito a se Deus, na verdade, pode revelar a si mesmo. Aqui, verdade refere-se a declarações, ou asseverações, proposicionais que se correspondam com exatidão com o objeto, ou objetos, por elas referidos. Deus pode revelar verdades a respeito de si mesmo? Ele tem condições de revelar à humanidade, de modo proposicional, algo a respeito de quem Ele realmente é?

    Não é provável que Deus haja deliberadamente feito uma revelação enganosa acerca de si mesmo. Nenhuma evidência de semelhante erro é indicada na Bíblia. Além disso, uma revelação deliberadamente errada é contrária à natureza divina, pois Deus é a própria verdade. Ele sempre age segundo a sua própria natureza.

    Dizer que Deus não tinha capacidade de evitar erros na revelação de si mesmo é lançar dúvidas contra sua onisciência e onipotência. Dizer, à parte de uma revelação divina direta, o que Deus pode ou não pode fazer, é presunção. Revelar corretamente a si mesmo não é uma das coisas que a Bíblia diz que Deus não possa fazer (e isto não seria incapa­cidade dEle, mas uma imposição de sua natureza moral). Se Deus, que criou todas as coisas (inclusive a mente humana), pode comunicar à pessoa humana alguma verdade isolada, não há impedimento lógico para que Ele não comunique toda e qualquer verdade que desejar.

    Depois de reconhecermos que Deus tem capacidade de fazer uma revelação verdadeira de si mesmo, perguntemos: Ele também ordenou que sua revelação fosse registrada (por escrito) de modo verdadeiro. Negar isso nos reduziria ao agnosticismo ou ao ceticismo quanto à existência de alguma verdade absoluta, na espera da comprovação empírica (mes­mo supondo que todos os assuntos são passíveis da verifica­ção empírica). Pelo contrário, se é para confiarmos na Bíblia como a Palavra de Deus, devemos aceitar o próprio testemu­nho da Escritura como norma na definição da verdadeira doutrina da inspiração. Conforme já verificamos acima, Je­sus e os escritores bíblicos proclamam, a uma só voz, que a revelação que Deus fez da verdade foi registrada de modo inerrante. Não pode ser anulada e jamais passará!

     

    Preservação da Verdade das Escrituras

    Deus ordenou fosse sua revelação preservada com pure­za? Se “preservada com pureza” significa “preservada com inerrância”, a resposta é “não”. Conforme mencionada aci­ma, a inerrância pertence tão-somente aos autógrafos. Nos muitos manuscritos bíblicos preservados, há milhares de va­riações. A maioria destas foi causada pela negligência (orto­grafia, gramática, transposição de palavras etc). Todavia, nenhuma doutrina sequer tem por base textos questionáveis em qualquer manuscrito.

    Se, porém, “preservada com pureza” significa que os ensi­nos da Escritura foram “preservados de modo incorruptível”, a resposta é um “sim” de alto e bom som. Hoje, a Igreja tem várias versões modernas baseadas nos muitos manuscritos hebraicos e gregos existentes. Tais versões, traduzidas em centenas de idiomas, são comparadas cuidadosamente aos manuscritos antigos e às primeiras versões da Bíblia. E forne­cem ao leitor uma versão das Escrituras em linguagem (vo­cabulário e estilo) atualizada, sem deixar de manter a exati­dão quanto ao seu real significado.

    Embora haja um longo período de tempo entre os autó­grafos e as versões atuais da Bíblia, existe pouca distância entre eles no tocante à exatidão. Há uma longa corrente de testemunhas que remonta às pessoas que declararam ter visto os autógrafos (Policarpo, Clemente de Roma). Tinham tanto o motivo quanto a oportunidade de verificar por conta própria a fidedignidade das cópias feitas a partir dos origi­nais. Havia um desejo entre os cristãos de preservar os ensi­nos da Escritura, e muitos cuidados foram dedicados à sua transmissão de uma geração para outra. Mediante os esfor­ços da ciência da crítica textual, é possível se chegar a um texto bíblico que é a representação exata dos autógrafos. Em seguida, à medida que abordarmos o conteúdo e o significa­do da Escritura (conforme Deus mesmo quis fosse entendi­da) – com auxílio da crítica textual, da exegese e da interpretação – podemos dizer que nesta mesma medida estamos proclamando a Palavra de Deus.

    Isso só pode acontecer se tivermos certeza de que os autógrafos eram de fato a Palavra de Deus, e que foram escritos infalivelmente por meio da inspiração sobrenatural. E essencial a inerrância (seja em que ponto for) para saber­mos o que é a verdade. O valor dos autógrafos inerrantes é que sabemos que, o que os homens registraram, foi exata­mente o que Deus queria deixar por escrito. Os autógrafos derivam seu valor do fato de serem, em essência, a Palavra de Deus, e meramente as palavras de escritores humanos.

    Os apógrafos, por outro lado, derivam seu valor do fato de representarem com total exatidão os autógrafos. Não se pode dizer que as cópias, as versões e as traduções foram inspiradas na sua produção, mas seguramente (em algum sentido derivado e mediado) retêm a qualidade de inspiração que estava presente nos autógrafos. De outra forma, a Bíblia não seria fonte de autoridade. O ato da inspiração aconteceu uma só vez; a qualidade da inspiração continuou sendo mantida nos apógrafos. O ato original da inspiração produziu uma Palavra inspirada tanto nos autógrafos quanto nos apógrafos.

     

    O Cânon das Escrituras

    Nem toda a literatura religiosa, até a mais inspiradora e lida, é considerada Escritura. Essa verdade é válida hoje, como também o era nos dias em que o Antigo e o Novo Testamento foram escritos. Os apócrifos, os pseudepígrafos e outros escritos religiosos, tinham reconhecidamente seus vários graus de valor, mas não eram considerados dignos de serem chamados a Palavra de Deus. Somente os 66 livros contidos na Bíblia são chamados Escrituras. 109

    O termo “cânon” provém da palavra grega kanõn, que denota uma régua de carpinteiro ou algum tipo de vara de medir. No mundo grego, cânon veio a significar “padrão ou norma para julgar ou avaliar todas as coisas”.110 Foram desenvolvidos cânones para a arquitetura, a escultura, a literatura, a filosofia, e assim por diante. Os cristãos co­meçaram a empregar o termo de modo teológico para designar os escritos que tinham cumprido os requisitos para serem considerados Escrituras Sagradas. Os livros canónicos, pois, são considerados a revelação autorizada e infalível da parte de Deus.

    Compreende-se, pois, porque os judeus fiéis e os verda­deiros cristãos desejavam tanto um cânon de seus escritos tidos como inspirados por Deus. A perseguição religiosa, a expansão geográfica e a circulação cada vez maior de uma ampla gama de escritos religiosos, aumentaram o ímpeto para ser estabelecido o cânon. A tradição sugere que, em grande medida, Esdras foi o responsável pela reunião dos escritos sagrados dos judeus num cânon oficialmente reco­nhecido. No entanto, o reconhecimento do cânon do Anti­go Testamento usualmente deu-se num suposto Concílio de Jâmnia entre 90 e 100 d.C.111 A mais antiga lista cristã sobrevivente do cânon do Antigo Testamento provém de cerca de 170 d.C, compilado por Melito, bispo de Sardes.112 Nos primeiros séculos do Cristianismo, foram propostos vári­os cânones das Escrituras, desde o do herege Marcião, em 140 d.C, e o Cânon Muratoriano, de 180 d.C, até ao primeiro cânon completo do Novo Testamento feito por Atanásio em 367 d.C. O cânon do Novo Testamento, con­forme hoje o possuímos, foi oficialmente reconhecido no Terceiro Concílio de Cartago em 397 d.C. e pela Igreja Oriental até 500 d.C. 113

    Estabelecer o cânon da Bíblia não foi, porém, a decisão dos escritores, nem dos líderes religiosos, nem de um concí­lio eclesiástico. Pelo contrário: o processo da aceitação des­ses livros como Escritura deu-se mediante a influência providencial do Espírito Santo sobre o povo de Deus. O cânon foi formado por um consenso, e não por um decreto. A Igreja não resolveu quais livros deveriam estar no cânon sagrado, mas limitou-se a confirmar aqueles que o povo de Deus já reconhecia como a sua Palavra. Fica claro que a Igreja não era a autoridade; mas percebia a autoridade na Palavra inspi­rada.

    . No entanto, vários princípios orientadores, ou critérios, têm sido sugeridos para os escritos canónicos. Incluem a apostolicidade, a universalidade, o uso na igreja, a capacida­de de sobrevivência, a autoridade, a antiguidade, o conteú­do, a autoria, a autenticidade, e as qualidades dinâmicas. De interesse primário é saber se o escrito era considerado inspi­rado. Somente os escritos inspirados (ou “soprados”) por Deus cumprem os requisitos para serem tidos como a Palavra autorizada de Deus.

    O cânon bíblico está fechado. A revelação infalível que Deus fez de si mesmo já foi registrada. Hoje, Ele continua falando através dessa Palavra. Assim como Deus revelou a si mesmo, e inspirou os escritores a registrar essa revelação, Ele mesmo preservou esses escritos inspirados, e orientou o seu povo na escolha destes, a fim de garantir que a sua verdade viesse a ser conhecida. Não se deve acrescentar outros escri­tos às Escrituras canónicas, nem se deve tirar delas nenhum escrito. O cânon contém as raízes históricas da Igreja Cristã, e “o cânon não pode ser refeito assim como a história não pode ser mudada”.114

    O Espírito Santo e a Palavra

    A Inspiração

    As Escrituras eram sopradas por Deus a medida que o Espírito Santo inspirava seus autores a escrever em prol de Deus. Por causa de sua iniciação e superintendência, as palavras dos escritores eram verdadeiramente a Palavra de Deus. Pelo menos em alguns casos, os escritores bíblicos tinham consciência de que a sua mensagem não era mera­mente sabedoria humana, mas “as palavras que o Espírito Santo ensina” (1 Co 2.13).

    Os próprios autores sagrados tinham consciência da qualidade inspirada dos escritos que compunham a Palavra de Deus, conforme o demonstram expressões tais como: “O próprio Davi disse pelo Espírito Santo” (Mc 12.36); “O Espírito do SENHOR falou por mim” (2 Sm 23.2); “Varões irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi” (At 1.16); “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías” (At 28.25); “Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz” (Hb 3.7); “E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque, depois de haver dito: Este é o concerto que farei” (Hb 10.15,16). Sendo assim, sejam quais forem os escritores – Moisés, Davi, Lucas, Paulo, ou desconhecidos (a nós) – escreveram eles “inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21 ou “movidos pelo Espírito Santo” ARA).

    Alguns consideram (erroneamente) que a inspiração pelo Espírito envolvia um ditado mecânico da Escritura, apelan­do ao notável teólogo João Calvino. Várias vezes, Calvino realmente emprega o termo “ditado” em conjunção com a inspiração pelo Espírito. Por exemplo: “Seja quem for que serviu de escrevente dos Salmos, parece que o Espírito Santo ditou pela sua boca uma forma comum de oração para a Igreja na sua aflição”. 113 Mas Calvino emprega o termo “dita­do” num sentido menos rigoroso do que atualmente é enten­dido pela teoria da inspiração como ditado. Tinha consciên­cia da contribuição dos autores humanos em áreas tais como, por exemplo, o estilo. Observe o seu comentário a respeito do estilo de Ezequiel:

    Ezequiel é verboso nessa narrativa. Mas no começo do livro já falamos que, pelo fato de o professor ter sido enviado a homens de mente lerda e inculta, empregou para isso um estilo menos refinado… Adquirira-o parcialmente da região onde habitava. 116

     

    Calvino acreditava, portanto, que Deus preparava os escritores bíblicos através das várias experiências da vida, e que o Espírito Santo falava segundo o estilo do escritor conforme o requeriam as várias circunstâncias. Quer para alcançar as pessoas cultas ou as incultas, “o Espírito Santo tempera de tal maneira o seu estilo que a sublimidade das verdades que Ele ensina não pode ficar oculta”. 117

    O Espírito Santo, fazendo uso das respectivas personali­dades dos vários autores, e de suas experiências, capacidades e estilos, supervisionava-lhes os escritos a fim de garantir que a mensagem de Deus fosse comunicada integralmente e com toda a exatidão. Conforme Jesus prometera aos seus discípu­los, o Espírito os guiaria à verdade, trazendo-lhes à lembran­ça as suas palavras, e ensinar-lhes-ia tudo quanto era neces­sário à revelação divina (Jo 14-16).

     

    A Regeneração

    A obra do Espírito Santo complementa a obra de Cristo na regeneração. Cristo morreu na Cruz a fim de possibilitar ao pecador ser revivificado para Deus. Mediante o novo nascimento espiritual, entramos no Reino de Deus (Jo 3.3). 0 Espírito Santo aplica a obra salvífica de Cristo ao coração do homem. E opera no coração deste a fim de o convencer do pecado, e para induzi-lo à fé no sacrifício expiador que Cristo oferece. Ê essa fé que leva à regeneração mediante a união com Cristo.

    A fé regeneradora produzida pelo Espírito Santo não deve, entretanto, ser considerada de modo abstrato. Ela não existe no vazio, mas surge do relacionamento com a Palavra de Deus. A fé provém de ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Não somente foi o Espírito Santo responsável por registrar a mensagem da salvação que se acha nas Escrituras, mas também dá testemunho da veracidade destas. Posto que Deus haja falado na Bíblia ao gênero humano, agora o Espí­rito Santo tem de convencer as pessoas quanto a isso. O Espírito convence não apenas a respeito da veracidade geral das Escrituras, mas quanto a uma aplicação poderosamente pessoal dessa verdade (Jo 16.8-11). Cristo, como Salvador pessoal, é o objeto da fé produzida no coração pelo Espírito. Essa fé está inseparavelmente ligada às promessas da graça divina que se acham em todas as partes da Bíblia. “Precisa­mos do Espírito e da Palavra. O Espírito lança mão da Palavra e a aplica ao coração a fim de produzir o arrependi­mento e a fé e, por esse meio, a vida”.118 Por essa razão, a Bíblia fala na regeneração em termos de “nascer do Espírito” e de “sendo de novo gerados… pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23; ver também Jo 3.5).

    Iluminação

    A doutrina da iluminação do Espírito envolve a obra do Espírito Santo na pessoa, levando-a a aceitar, entender e apropriar-se da Palavra de Deus. Anteriormente, já havía­mos considerado várias evidências internas e externas que confirmam ser a Bíblia a Palavra de Deus. No entanto, mais poderosa e mais convincente que todas elas é o testemunho interior do Espírito Santo. Embora as evidências sejam im­portantes, e o Espírito Santo possa fazer uso delas, em última análise é a voz autorizada do Espírito, no coração humano, que produz a convicção de que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus.119

    Sem o Espírito Santo, a humanidade nem aceita, nem entende as verdades oriundas de Deus. A rejeição da verda­de divina pelos incrédulos acha-se vinculada à sua falta de entendimento espiritual. As coisas de Deus são por eles consideradas loucuras (1 Co 1.22,23;2.14). Jesus descreveu os incrédulos como aqueles que ouvem mas não compreen­dem (Mt 13.13-15). Por causa do pecado “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o cora­ção insensato” (Rm 1.21 – ARA). “O Deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho” (2 Co 4.4). Sua única espe­rança para receberem o entendimento espiritual, ou para perceberem a verdade da parte de Deus, é a iluminação do Espírito (Ef 1.18; 1 Jo 5.20). Essa percepção espiritual inicial resulta na regeneração, mas também abre a porta para uma nova vida de crescimento no conhecimento divino.

    Embora as promessas de João 14-16, a respeito da orientação e ensino a serem ministrados pelo Espírito Santo, façam referência especial aos discípulos de Jesus que seriam usados para escrever o Novo Testamento, há um sentido contínuo em que esse ministério do Espírito relaciona-se a todos os cristãos. “O mesmo Ensinador também continua a sua obra de ensino dentro de nós, não por meio de trazer uma nova revelação, mas por meio de trazer novo entendi­mento, nova compreensão, nova iluminação. Mas Ele faz mais do que nos mostrar a verdade. Ele nos coloca dentro da verdade, e ajuda-nos a pô-la em prática”. 120

    É importante manter juntas a Palavra escrita de Deus e a iluminação do Espírito Santo: O que o Espírito ilumina é a verdade da Palavra de Deus, e não algum conteúdo místico oculto nessa revelação. A mente humana não é deixada de lado, mas vivificada à medida que o Espírito Santo elucida a verdade. “A revelação é derivada da Bíblia, e não da experi­ência, nem do Espírito Santo como uma segunda fonte de informação paralela à Escritura e independente desta”.121 Nem sequer os dons de expressão vocal, dados pelo Espírito Santo, têm a mínima igualdade com as Escrituras, pois eles também devem ser julgados pelas Escrituras (1 Co 12.10; 14.29; 1 Jo 4.1). O Espírito Santo nem altera nem aumenta a verdade da revelação divina dada nas Escrituras. Estas ser­vem como padrão objetivo necessário e exclusivo através das quais a voz do Espírito Santo continua a ser ouvida.

    A iluminação do Espírito Santo não visa ser um atalho para se chegar ao conhecimento bíblico, nem um substituto do estudo sincero da Palavra de Deus. Pelo contrário: é à medida que estudamos as Escrituras que o Espírito Santo vai nos outorgando entendimento espiritual, que inclui tanto a crença quanto a persuasão. “As pesquisas filológicas e exegéticas não são usualmente “locais” para sua operação, pois é no coração do próprio intérprete que Ele opera, crian­do aquela receptividade interior pela qual a Palavra de Deus é realmente ‘ouvida’.” 122 O Espírito, fazendo como que a Palavra seja ouvida pelo coração, e não apenas pela cabeça, produz uma convicção a respeito da verdade que resulta numa apropriação zelosa desta mesma Palavra (Rm 10.17; Ef 3.19; 1 Ts 1.5; 2.13).

    A neo-ortodoxia tende a confundir a inspiração com a iluminação ao considerar que as Escrituras “se tornam” a Palavra de Deus quando o Espírito Santo aplica seus escritos aos corações humanos. Segundo a neo-ortodoxia, a Escritura é revelação somente quando e onde o Espírito Santo fala de modo existencial. O texto bíblico não tem nenhum significa­do objetivo específico. “Posto que não existem verdades reveladas, mas somente verdades da revelação, o modo de uma pessoa interpretar um encontro com Deus pode ser diferente da maneira como outra pessoa entende igual situação”.123

    Os evangélicos, contudo, consideram a Escritura como a B Palavra escrita e objetiva de Deus, inspirada pelo Espírito na ocasião em que foi escrita. A comunicação verdadeira a respeito de Deus está presente na forma proposicional, quer a reconheçamos, quer a rejeitemos. A autoridade da Escritu­ra é intrínseca devido à inspiração, e não depende da ilumi­nação. E independente do testemunho do Espírito Santo, e antecede a este. O Espírito Santo ilumina o que Ele já tem inspirado, e a sua iluminação encontra-se vinculada exclusi­vamente com a Palavra escrita.

     

    A Palavra Escrita e o Verbo Vivo

    A revelação que Deus fez de si mesmo centraliza-se em Jesus Cristo. Ele é o Logos de Deus. Ele é o Verbo Vivo, o Verbo encarnado, que revela o Deus eterno em termos hu­manos. O título Logos só pode ser encontrado nos escritos joaninos, embora o emprego do termo haja sido relevante na filosofia grega daqueles dias. Alguns têm procurado uma ligação entre a linguagem de João e a dos estóicos, dos primeiros gnósticos, ou dos escritos de Filo de Alexandria. Estudos mais recentes sugerem que João foi influenciado primariamente pelos seus alicerces no Antigo Testamento e na fé cristã. E provável, porém, que tivesse consciência das conotações mais amplas do termo, e que a tivesse empregado deliberadamente, com o propósito de transmitir um signifi­cado adicional e especial. 124

    O Logos é identificado com a Palavra de Deus na Criação e também com sua Palavra autorizada (a lei para toda a humanidade). João deixa nossa imaginação atônita quando introduz o Logos eterno, o Criador de todas as coisas, o próprio Deus, como o Verbo que se encarnou a fim de habitar entre a sua criação (Jo 1.1-3,14). “Deus nunca foi visto por alguém. O filho unigénito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18). O Verbo Vivo tem sido visto, ouvido, tocado, e agora proclamado medi­ante a Palavra escrita (1 Jo 1.1-3). Quando do encerra­mento do cânon sagrado, o Logos vivo de Deus, o Fiel e Verdadeiro, está em estado de prontidão no Céu, prestes a voltar à Terra como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.11-16).

    A suprema revelação de Deus acha-se no seu Filho. Durante muitos séculos, mediante as palavras dos escritores do Antigo Testamento, Deus havia se revelado progressiva­mente. Tipos, figuras, sombras e prefigurações desdobravam paulatinamente o plano de Deus para a redenção da huma­nidade (Cl 2.17). Depois, na plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho para revelar o Pai de forma mais perfeita e para executar aquele gracioso plano mediante a sua morte na Cruz (1 Co 1.17-25; Gl 4-4). Toda a revelação bíblica, antes e depois da Encarnação de Cristo, centraliza-se nEle. As muitas fontes originárias e maneiras da revelação anteri­or indicavam e prenunciavam a sua vinda à terra como homem. Toda a revelação subsequente engrandece e explica a sua vinda. A revelação que Deus fez de si mesmo começou pequena e misteriosa, progrediu no decurso do tempo, e chegou ao seu ponto culminante na Encarnação do seu Filho. Jesus é a revelação mais completa de Deus. Todos os escritos inspirados que se seguem após a sua vinda não acrescentam nenhuma revelação maior, mas engrandecem a importância de sua Encarnação. “[O Espírito] não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13).

    Na Pessoa de Jesus Cristo, coincidem entre si a Fonte e o Conteúdo da revelação. Ele não era mais um meio de comu­nicar a revelação divina, conforme o foram os profetas e apóstolos. Ele mesmo é “o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Ele é “o caminho, e a verdade, e a vida”; conhecer a Ele é conhecer também o Pai (Jo 14-6-7). Os profetas diziam: “Veio a mim a Palavra do Senhor”, mas Jesus afirmava: “Eu vos digo”! Jesus inver­teu o uso do termo “amém”, começando assim as suas decla­rações: “Na verdade [hb. Amen], na verdade te digo” (Jo 3.3). Tendo Ele falado, a verdade foi declarada de modo imediato e inquestionável.

    Cristo é a chave que revela o significado das Escrituras (Lc 24.25-27; Jo 5.39,40; At 17.2,3; 28.23; 2 Tm 3.15). Elas testificam dEle e da salvação que Ele outorga mediante a sua morte. O enfoque que as Escrituras dedicam a Cristo não justifica, porém, o abandono irresponsável do texto bíblico nas áreas que parecem ter poucas informações abertamente

    cristológicas. Clark H. Pinnock lembra-nos, com toda a B sabedoria, que “Cristo é o Guia hermenêutico no significado das Escrituras, e não seu bisturi crítico”.125 A atitude do próprio Cristo para com a totalidade das Escrituras era de total confiança e de plena aceitação. A revelação especial em Cristo e nas Escrituras é consistente, coerente e conclu­siva. Encontramos Cristo através das Escrituras, e estas nos revelam a vida eterna em Cristo. “Estes, porém, foram escri­tos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

     

     

     

  • Lição 4 – Autoridade do Espirito Santo

    Lição 4 – Autoridade do Espirito Santo

    Adoração

    Introdução

    E importante antes de entrarmos na lição com relação a autoridade do Espirito Santo, para sabermos corretamente quem é o Espírito Santo.

    Em primeiro lugar o Espirito Santo é Deus, assim como o Pai e assim como Jesus, ambos possuem os mesmos atributos divinos, e como os demais ele é uma pessoa, e também é fonte de toda autoridade que existe.

    Ele não é simplesmente uma força, podemos dizer que o Espirito Santo, é o executivo da Divindade, operando tanto na esfera física como na moral. Por intermédio do Espírito, Deus criou e preserva o universo. Por meio do Espírito — “o dedo de Deus” (Luc. 11:20) — Deus opera na esfera espiritual, convertendo os pecadores, santificando e sustentando os crentes.

    A obra do Espirito Santo nos dias atuais vai muito além de batizar as pessoas no ou com Espírito Santo, e de a pessoa como evidência do batismo falar linguas estranhas.

    O Espirito Santo hoje é o que dá vida a igreja, e ele que salva, santifica, renova, revela, ajudanos a orar, reveste os crentes de poder e dirige a igreja.

    Jesus antes de subir aos céus prometeu enviar o Consolador o Espirito da Verdade, e ele iria ficar conosco no lugar de Jesus até a consumação dos séculos.

    1.       Autoridade para vivificar

    O Espírito Santo é o que dá a vida, só ele pode vivificar o que está morto, seja dar vida espiritual ao homem para que este tenha relacionamento com Deus.

    E a partir do momento que o homem decide entregar sua vida a Cristo, o Espirito Santo passa a viver dentro dele, e quando a pessoa começa a desenvolver e a crescer neste relacionamento, ela recebe o revestimento de poder, ou o transbordar do Espirito Santo, ou plenitude do Espirito Santo, onde a evidencia física é o magnificar e adorar a Deus em línguas estranhas. Estranha para os homens, mais totalmente entendida por Deus.

    1.1.  Vida física

    Além de atuar no espirito do homem no seu interior o Espirito Santo, também atua no exterior, no corpo pois o corpo é o templo do Espirito Santo.

    É ele que cura as enfermidades, que agirá na ressureição dos mortos e que pelo seu poder seremos arrebatados e teremos nossos corpo serão transformados.

    1.2.  Vida eterna

    O Espirito Santo tem uma atuação, eterna e não temporal ou passageira como alguns querem acreditar, mais ele sempre esteve, está e estará atuando plenamente e eternamente em nossas vidas.

    2.       Autoridade para convencer

    “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviarei e, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” (João 16:7-8).

    2.1. Autoridade pela pregação

    Quando pregamos o Evangelho, nós não podemos convencer e muito menos converter ninguém quem age é o Espirito Santo.

    Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.(Zacarias 4:6).

    A obra do Espírito Santo em nossa vida:

    Ele convence do pecado. Ele revela a natureza do pecado e seu castigo, e leva o homem a reconhecer que é culpado diante de Deus. Guia o pecador a ter fé em Jesus, como Salvador.

    O Espírito Santo veio ao mundo para convencer do pecado (João 16:9).3.2) O Espírito Santo convence o mundo da justiça (João 16:10). O Espírito Santo convence o mundo do juízo vindouro de Deus (João 16:11).

    E em Gálatas 5:22, 23, o apóstolo Paulo dá-nos uma lista de características que nos permitem identificar a presença do Espírito Santo na vida do indivíduo a passagem que geralmente denominamos O FRUTO DO ESPÍRITO.

    2.2. Conhecimento tríplice

    Em João 16.7-11 Jesus descreve a obra do Consolador em relação ao mundo.

    Leiamos: “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para o meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”.

    São três convencimentos que o Espirito Santo trás ao ser humano vejamos cada um individualmente.

    2.2.1.        Consciência do pecador

    “Do pecado, porque não creem em mim”. O homem tem rejeitado a Jesus. O mundo perverte a Palavra de Deus imputando a Jesus como apenas um profeta, ou como um espírito superior, ou como um filósofo que fala de amor, somente pura Heresia.

    O principal pecado que o ser humano pode, cometer é o de não crer em Jesus, porque para todos os outros pecados a perdão disponível, mais como é o sangue de Jesus é o preço a ser pago, só através dele e que temos a vida eterna.

    Mesmo se fosse possível um ser humano, viver em estado de perfeição e nunca pecar, mais não crer em Jesus, ele seria condenado por ter rejeitado a Cristo. E este é o maior dos pecados.

    E o Espirito Santo é que mostra sempre que há algo de errado em nós é que temos que acertar nossas contas com Deus.

    2.2.2.        Padrão da Justiça de Deus

    “Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais”.

    O Espírito Santo também nos convence da justiça de Deus. Deus é amor, conforme I João 4 : 8 “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”, mas, Deus é justiça Gálatas 6-7  “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”.

    O amor de Deus não anula a sua Justiça, fiquemos tranquilos ninguém vai ser condenado ao inferno sem merecer e ninguém ira para o céu sem merecer a justiça de Deus e perfeita, muito diferente da justiça dos homens.

    2.2.3.        Juízo Vindouro

    “E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”. Satanás é o príncipe deste mundo e já está julgado. E com ele a todos que não creem na Palavra de Deus.

    Como se convencerão as pessoas na autoridade de que o crime será castigado? Pela descoberta do crime e subsequente castigo; em outras palavras, pela demonstração da justiça.

    A cruz foi uma demonstração da verdade de que o poder de Satanás sobre as vidas dos homens foi destruído, e que sua completa ruína foi decretada. Satanás tem sido julgado no sentido que perdeu a grande causa, de modo que já não tem mais direito de reter como escravos, os homens seus súditos. Pela Sua morte Cristo resgatou todos os homens do domínio de Satanás, devendo asses aceitarem sua libertação. Os homens são convencidos pelo Espírito Santo de que na verdade são livres (João 8.36). Já não súditos do tentador; já não são mais obrigados a obedecê-lo, mas, agora, são súditos leais de Cristo, servindo-O voluntariamente no dia do seu poder. Salmo 110.3

    Satanás alegou que lhe cabia o direito de possuir os homens que pecaram, e que o Justo Juiz devia deixá-los sujeitos a ele. O Mediador, Jesus Cristo, por outra parte, apelou para o fato de que Ele, havia levado o castigo do homem tomando assim o seu lugar, e que, portanto, a justiça bem como a misericórdia, exigiam que o direito de conquista de Satanás fosse anulado e que o mundo fosse dado a Ele, o Cristo, que era o seu segundo Adão e Senhor de todas as coisas. O veredito final divino foi contrário ao príncipe deste mundo – e ele foi julgado. Ele já não pode “guardar os seus bens” em paz sendo que Um mais poderoso o venceu (Lc 11.21,22), despojando-o de tudo que possuía. Cl 2.15.

    3.       Submissão à autoridade do Espírito hoje.

    O Espírito Santo é uma autoridade muito íntima que exige a experiência pessoal da Salvação em Jesus Cristo para que possamos entendê-lo e obedecer à sua vontade.

    Você tem permitido que o Espírito Santo te convença ou tem se rebelado à sua voz?

    A Bíblia nos exorta a não apagar o Espírito e aplica a mesma palavra usada para não apagar a fogueira. O Espírito Santo é como um fogo que além de iluminar queima as impurezas. Não apagueis o Espírito – 1 Ts 5.19.

    O Espírito Santo deseja queimar todas as impurezas e as palhas da vida. Cabe ao crente não apagar estas chamas purificadoras: Disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. A sua pá, ele a tem na mão, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível – Lucas 3.16-17.

    3.1.  Transformação necessária

    “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Cor. 3-18).

    É impossível alguém se submeter ao Espirito Santo e não ter uma vida de mudança.

    A transformação envolve a mudança da velha vida de pecado para uma nova vida de obediência a Jesus Cristo. “Pelo que, se alguém esta em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Cor. 5-17);

    Aquele que realmente é transformado pelo poder do Espírito Santo esta liberto da escravidão do pecado, e passa a ter uma nova vida, desejando obedecer a Deus e seguir a direção do Espírito Santo.  Quem tem sua vida transformada pelo poder do Espírito Santo, tem também sua mente renovada pelo mesmo poder, assim não vive mais uma vida de pecado e sim uma vida de retidão na presença de Deus.

    Assim podemos dizer que a transformação realizada pelo Espírito Santo, faz nascer uma nova pessoa, não mais com seus desejos carnais, mas sim espirituais, pois é nascida de Deus.

    3.2.  Fidelidade imprescindível

    Quando Paulo relaciona as marcas da vida no Espírito, o apóstolo usa uma palavra (pistis), que significa ao mesmo tempo fé e fidelidade, o que nos aproxima da comparação entre a corrida de velocidade e a corrida de resistência. No caso específico, ele está preocupado com a vida enquanto corrida de longa distância, que também é a vida cristã.

    Aliás, é bastante interessante que toda a lista de Paulo se refere à vida prática, no campo pessoal e no campo comunitário, sem uma conotação evidentemente religiosa. São todas virtudes indispensáveis para a vida que é sempre vida socialmente. Alegria, amor, benignidade, bondade, domínio próprio, longanimidade, mansidão e paz são essencialmente virtudes bidimensionais, realizando-se entre nós e os próximos.

    Fidelidade, também, mas ela vai além, alcançando a tridimensionalidade, pois nos envolve pessoalmente e em nossos relacionamentos com o Deus que nos chama e com os próximos com quem convivemos.

    Ser fiel é ser digno de confiança; leal e firme na devoção e no compromisso; constante na crença. Fiel é quem não duvida de Deus. Fiel é quem não começa com o Espírito e segue a procissão da carne. Fiel é quem começa com Deus e continua caminhando com Ele.

    Fidelidade, portanto, é uma vida marcada por algumas qualidades, das quais quero destacar quatro: exclusividade, verdade, regularidade e persistência.

    A exclusividade é um requerimento básico de Deus no nosso relacionamento com Ele

    Josué destaca a natureza desta exclusividade (Js 24.14-15). É este o tipo de fidelidade como exclusividade que Deus espera de nós. É esta a disposição que Deus espera de nós, a de servir somente a Ele.

    É desta exigência que o marketing contemporâneo derivou uma de suas palavras mais eficientes: fidelização. As marcas esperam que lhes sejamos fiéis. Quanto mais uma marca consegue reter a nossa fidelidade, mas ela vale. É por isto que a marca é mais importante que a empresa. A marca Coca Cola, por exemplo, vale mais que o produto. O segredo da marca não é o segredo da fórmula do seu xarope, mas o sucesso em se manter como a marca mais conhecida no mundo. A marca Bradesco vale mais que todo o dinheiro depositado no banco por seus milhões de correntistas e investidores.

    Fidelizar, portanto, é um neologismo que significa manter fiel o cliente, fiel no sentido de ser o primeiro na mente do consumidor, fiel no sentido de ser considerado o único a satisfazer o desejo do consumidor. As marcas, portanto, querem que nós as sirvamos, num novo tipo de idolatria, diferente daquela que Moisés e Josué enfrentaram.

    Ser fiel, portanto, é ter, no discurso e na prática, Deus e Seu reino como nossa primeira e única escolha. Queremos realmente seguir a Ele? Qual é a nossa resposta? Elias fez a mesma pergunta direta ao povo de Israel: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o”. O comentário do autor bíblico é muito revelador: “O povo nada respondeu” (1Rs 18.21) ao profeta.

    Sempre tendemos a pensar que é possível fazer uma média, achando que podemos servir a Deus e a nós mesmos.

    A verdade é a outra faceta da fidelidade

    Penso que nada ilustra melhor a idéia de fidelidade enquanto verdade do que uma balança. Quando você vai à feira, por exemplo, se pergunta se um quilo pesa mesmo um quilo. Quando você vai numa farmácia conferir seu peso, também se pergunta se a balança está falando a verdade (especialmente se você não concorda com o peso indicado no visor…).

    Um dos sinônimos para verdade é transparência. Com tudo às claras, não dá para enganar. Assim, ser fiel é ser transparente.

    O cristianismo padece com a falta de transparência. Por isto, a oração que todo cristão deve fazer diariamente é a do salmista. No Salmo 26.2, a disposição é: “examina-me, Senhor, e prova-me; sonda-me o coração e os pensamentos”. No Salmo 139.23, o convite é: “Sonda-me, oh Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos”. Em outras palavras, é pedir: ilumine, Senhor, todas áreas da minha vida, para que tudo fique transparente.

    Uma terceira dimensão da fidelidade é a regularidade

    Também na vida cristã há pessoas que oscilam entre a euforia e a apatia. É impressionante vermos estas demonstrações de infidelidade na igreja. Há pessoas que parecem uns vendavais de tão animados. De repente, somem. Há alguns que começam trabalhos a que nunca dão prosseguimento.

    Fidelidade é regularidade. Não adianta ler a Bíblia toda em um mês. Isto pode ser até uma prática para um tempo de euforia, mas o crescimento virá com a leitura constante, cuidadosa, meditativa, realizada anos após anos. É um investimento para a vida toda.

    Não adianta passar dias e noites orando. Isto pode ser próprio para um momento, mas o crescimento virá com aquela oração “sem cessar” (1Ts 5.17) ao longo de toda a vida, num prosseguimento constante para o alvo da perfeição.

    Os irregulares produzem pouco. Quando produzem, destroem o que fizeram. Eles são irregulares porque são motivados por razões erradas. Talvez busquem logo o prêmio por sua fidelidade e por sua disposição.

    Os fiéis colocam-se ao dispor do Espírito Santo e fazem o que Ele orienta. Os frutos surgirão natural e constantemente. Os fiéis são persistentes, persistência que os leva até a mudarem de métodos, nunca de ideais.

    Conclusão

    Não somos capazes de ser fiéis, mas Ele nos capacita. Busquemos viver e andar no Espírito. Neste caminho, segundo a linguagem do Apocalipse, sobrevirão coisas que nos farão sofrer e que nos porão à prova. No entanto, não devemos temer (Ap 2.10).

    Se não gastarmos tempo na presença de Deus, como iremos conhecê-lo? Sua revelação não é mágica; ela se dá pela educação. Paulo foi transformado de uma vez por todas no caminho de Damasco, como cada um de nós que também já experimentou a conversão, mas o apóstolo passou 13 anos meditando e estudando antes de começar seu ministério.

    Se quisermos ser cheios dos Espirito Santo, gastemos tempo com Deus, com o próximo, conosco mesmos. Invistas nesses relacionamentos sobre orientação sempre do Espirito Santo e você terá uma vida abençoada.

  • Lição 3 – Autoridade Redentora de Cristo

    Lição 3 – Autoridade Redentora de Cristo

    cross

    Filipenses 2.5-11

    De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

    Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,

    Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

    E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.

    Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;

    Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,

    E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

    1 Timóteo 2.5,6

    Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

    O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

    Texto Áureo

    Mateus 28.18

    E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.

     

    A doutrina do auto-esvaziamento ou kenosis deriva do verbo ἐκένωσεν (aoristo do verbo κενóω = tornar vazio, privar de força, esvaziar, aniquilar), usado em Filipenses 2.7 pelo apóstolo Paulo para identificar a atitude de Cristo de não ter se valido da sua natureza divina, antes dela se auto-esvaziou, assumindo a forma de servo e, tornando-se semelhante aos homens, a si mesmo se humilhou, obedecendo até à morte na cruz.

    Conceituar, explicar a natureza, a extensão e as implicações do auto-esvaziamento não é tarefa fácil, especialmente por estar ligada a dois outros aspectos da Cristologia: a encarnação (o verbo que se fez carne) e a união hipostática (a dupla natureza, divina e humana). Tanto é, que os três assuntos (kenosis, encarnação e união hipostática) têm sido objeto de discussão durante toda a era cristã e, em conjunto, têm servido como base para a formulação de inúmeras teorias.

    Paulo exalta a humildade de Cristo de não ter lançado mão da sua condição de subsistência em forma de Deus, antes ter aberto mão dos direitos divinos que lhe eram implícitos. Cristo não desejou arrebatar ou apoderar-se da igualdade com Deus, mas recusou-se a auferir qualquer vantagem dela decorrente.

    Normalmente, o ser humano vive para satisfazer seus desejos, sonhos e planos e, para tanto, emprega com muito afinco e dedicação sua força, capacidade e talentos. Usar tais atributos para um propósito que exceda seu próprio interesse é muito difícil, mesmo que seja um propósito maior e mais nobre.

    Pensar a mesma coisa, ter o mesmo amor e sentir o mesmo, ser unido na alma, nada fazer por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerar o outro superior e não ter em vista o que é propriamente seu, senão também o que é do outro, tudo isto implica em renúncia, em abrir mão daquilo que muitas vezes reputamos ter de mais valor: ideologias, sentimentos, razão, status e bens.

    Olhando para o exemplo de Cristo, vemos que Ele não renunciou apenas algo que possuía. Ele não renunciou apenas seus interesses, direitos, planos, sonhos ou desejos. Ele renunciou tudo o que era. Ele renunciou seu próprio ser. Ele renunciou sua própria vida e passou a viver não mais para si mesmo, mas para os outros, que sequer mereciam isso.

    Abrir mão dos seus direitos divinos foi condição essencial para que Jesus pudesse desempenhar com sucesso sua missão na terra. Aliás, foi movido por uma astúcia impressionante que satanás tentou o Senhor a transformar pedras em pães (Mt. 4.3). Caso tivesse cedido à proposta maligna, o Senhor teria usado seu poder em benefício próprio, para atender seus interesses, comprometendo o resultado final da missão.

    Ao exortar os crentes a terem o mesmo sentimento de Cristo, Paulo quis mostrar que o cumprimento da missão de anunciar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9) depende de uma vida que não objetive a satisfação dos interesses pessoais (Gl 2.20), mas os de Cristo.

    Ao esvaziar-se, Cristo assumiu a forma de homem. Ele, que antes era Deus, participante do ato da criação do homem, “rebaixou-se” para assumir a forma de homem.

    É interessante pensar que enquanto Adão, criado à imagem e semelhança de Deus, cedeu à tentação ilusória de tomar para si um direito que não lhe pertencia, que era a igualdade com Deus (Gn 3.1-5), o Deus-Filho abriu mão da sua natureza divina para tornar-se homem, se identificando com a humanidade não redimida. Enquanto Adão buscou a exaltação tentando se tornar divino, Cristo foi exaltado justamente por ter se tornado humano.

    Infelizmente, a humildade de considerar-se inferior aos demais ou de reconhecer a sua posição diante de Deus é uma virtude que tem sido desprezada em nossos dias, sendo cada vez mais rara de ser encontrada, mesmo dentro dos arraiais cristãos.

    É comum encontrarmos pessoas exigindo ou determinando a Deus a concessão de um direito que supostamente possuem. Talvez essas pessoas não tenham percebido que sua atitude pretende reduzir Deus à condição de servo, sempre pronto a atender os caprichos do seu amo.

    O fato de sermos o alvo das bênçãos celestiais conquistadas por Jesus na cruz (Ef. 1.3) não nos dá o direito de exigir algo de Deus. O fato de Deus ter nos amado sobremaneira (Jo 3.16) e seu Filho ter se tornado como um de nós não inverte a relação de senhorio, de modo que O Deus Todo-Poderoso, Criador dos céus e da terra, tenha se tornado um humilde servo da criatura!!

    Talvez muitas pessoas não tenham atentado para o fato de que sua atitude as lança exatamente no mesmo ponto em que Adão estava e que precedeu à queda, ou seja, o desejo de ser como Deus.

    Há ainda outro aspecto da humildade de Cristo e que diz respeito ao exercício de autoridade e poder, segundo o padrão deixado por Cristo. Como a carta aos Filipenses também foi dirigida aos líderes da igreja (1.1), podemos aplicar o exemplo de humildade de Jesus a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, exercem influência sobre a vida de outros no ambiente eclesiástico.

    Conforme registra Mateus 20.25-28, após o pedido da mãe de Tiago e João para que seus filhos se assentassem, um à direita e o outro à esquerda de Jesus em seu Reino, o Mestre ensinou que entre os seus o padrão a ser seguido é: quem quiser tornar-se grande, seja o servo dos demais; e quem quiser ser o primeiro, seja o último.

    Jesus explica que o padrão por Ele adotado em sua missão redentora: Ele veio ao mundo para servir e não para ser servido e, por isso mesmo, Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo o nome. Um padrão completamente oposto do que temos visto ultimamente, segundo o qual homens autodenominados líderes se valem do poder e autoridade em benefício próprio, almejando serem servidos pelos liderados, enquanto deveriam se dedicar a servi-los.

    Se o próprio Deus deixou a sua glória e se humilhou para se tornar homem, que direito tem o homem de se considerar superior aos seus semelhantes, mesmo que tenha recebido do próprio Deus uma posição proeminente de liderança e autoridade?

    No Reino, não há um homem no centro do poder, mas unicamente o Senhor Jesus, a quem todos devem desejar servir. Qualquer ação diferente é abuso de autoridade e poder e desprezo ao exemplo de humildade deixado por Cristo.

    Filipenses 2.5-11 também fala da humildade de Cristo demonstrada do ato de obedecer até à morte, e morte de cruz. Aliás, a ênfase na morte de cruz revela que ela constituiu um dos pontos mais baixos da humilhação de Jesus. Segundo os padrões da época, não havia experiência mais repugnante e degradante (Dt. 21.22-23 e Gl. 3.13).

    Aqui cabe um alerta: precisamos também compreender que a sujeição à vontade do Pai pode trazer consequências terríveis e grande sofrimento. Basta ver o exemplo de Cristo: humilhação, dor e morte. Estamos prontos a obedecer como Cristo obedeceu? Será que se Deus nos revelar que nosso futuro será de sofrimento, continuaremos dispostos a obedecê-lo? Eis a verdade, que nada tem a ver com a prosperidade e o triunfalismo que vem sendo pregados por aí.

    A vontade do Pai prevaleceu sobre a vontade do Filho (Lc 22.42). Cristo, conhecedor da vontade de Deus, mas sem imposição ou coerção, decidiu se humilhar e obedecer. Ele assim sentiu, assim decidiu e assim o fez e plenamente consciente de que ao fazê-lo, sofreria um castigo que não era seu (Is. 53.5), suportaria a totalidade da ira do Pai (Rm. 5.18) e por Ele seria abandonado (Mt 27.46).

    Com a humilhação, Jesus foi exaltado e recebeu um nome que está sobre todo o nome, diante do qual todos os seres, nos céus e na terra, se dobrarão e toda língua confessará que Ele é o Senhor.

    Interessante pensar que, apesar do texto dizer que Cristo foi sobremaneira exaltado por Deus, a sua obediência não estava condicionada à recompensa da exaltação, embora o próprio Senhor tenha afirmado que os humilhados serão um dia exaltados (Lc. 14.11). Ele simplesmente obedeceu, sem almejar recompensa alguma.

    Entretanto, até mesma a exaltação final e universal de Cristo tem um objetivo bem definido: a glória de Deus Pai (v. 11). Segundo o exemplo e ensino de Cristo, a exaltação pela humilhação é uma consequência natural, mas ela não pode servir como incentivo para a obediência. Esta, pelo contrário, deve ter sempre como objetivo final a glória de Deus.

    Aquele que obedece a Deus pensando em uma recompensa final, aquele que se humilha diante da vontade do Pai almejando ser alvo de exaltação, delas não é digno.

    Humildade que leva à renúncia e à obediência servil: eis o padrão requerido por Deus, o modelo deixado por Cristo Jesus para todos aqueles que o professam como Senhor e Salvador, em todos os lugares e em todos os tempos.

     

     

     

  • Uma familia na Palavra

    Uma familia na Palavra

    Familia

    Nos anos 60, a sociedade popular abertamente declarou guerra aos ideais históricos do lar e da família. A rebelião foi repentinamente canonizada como uma virtude; o divórcio foi desestigmatizado; e a posição da mãe que fica em casa começou a ser caricaturado como descuidado e servil. Desde então, a sociedade tem rápida e imprudentemente adotado os novos valores, filosofias educacionais e até mesmo regulamentos do governo que são hostis à família. A mídia popular (incluindo filmes, música, rádio, televisão, e até mesmo a mídia de notícias) tem agressivamente tentado normalizar tudo o que é aberrante e celebrar tudo o que é disfuncional na cultura moderna enquanto rebaixa a própria noção de famílias fortes e bem íntimas. A tolerância de nossa sociedade para com o aborto, a homossexualidade, pornografia e outros males apenas têm arruinado mais ainda a base moral da vida familiar.

    Naturalmente, as famílias estão se desintegrando rapidamente. Esta é uma séria ameaça a toda a civilização, porque a família nuclear (consistindo de pai, mãe e filhos) é a unidade social mais básica e, portanto, o exato fundamento da própria
    sociedade. Destrua os laços que unem as famílias e a comunidade de forma geral se desintegrará. E isso está acontecendo diante de nossos olhos.

    É claro, muitos líderes de igrejas e leigos cristãos entendem que a desintegração da família é um dos maiores desafios que a igreja enfrenta em nossa geração. Existe uma multidão de ministérios de mídia evangélica, publicadores cristãos, organizações para-eclesiásticas e programas para pais cujo propósito principal é contra-atacar as tendências culturais que ameaçam a família. Alguns esperam resolver o problema por meios políticos e legislativos. Outros pensam que a melhor maneira de influenciar a cultura é através da arte, mídia e educação. E ainda outros parecem crer num cuidadoso treinamento em técnicas de criar filhos e que as mães e pais precisam de mais métodos de disciplina, sistemas para ensinar responsabilidade aos garotos e de programas detalhados de educação dos filhos para ajudar aos pais que não têm a mínima idéia de como resolver os problemas.

    Todas estas coisas são boas e úteis na medida apropriada. Mas o Dr. John Barnnet em seu livro “Alegria de uma família cheia da Palavra”, relembra-nos que a melhor e mais importante maneira que os cristãos devem buscar para reagir às tendências de uma sociedade hostil à família é fazendo da Palavra de Deus o centro e o foco de sua própria vida familiar. O mais profundo e duradouro impacto que nós podemos fazer na sociedade começa com o fortalecimento de nossas próprias famílias e a única
    maneira duradoura e efetiva de fazermos isso é dar à Palavra de Deus seu lugar de direito no centro da família.

    Afinal de contas, quando Deus esboçou Seu plano para as famílias de Israel, esta era a essência inteira de Seu projeto para a criação de filhos e a vida no lar. A Palavra de Deus era para ser central em cada aspecto da família. Ela foi dada para
    ser o principal assunto da instrução dos pais e da conversação familiar durante todas as ocasiões de trabalho, viagem e lazer. A Palavra de Deus seria usada até mesmo como uma jóia e seria gravada nos batentes das casas:

    Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantarte. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas. (Deuteronômio 6.6-9).

    Edificar uma família centrada na Palavra é, portanto, a exata essência da responsabilidade que Deus mesmo tem dado aos pais, e é um dever que cada pai deve abraçar alegre e avidamente.

    Formar uma família centrada na Palavra é uma alegria, não um trabalho penoso. Esta é a maneira que Deus planejou que fosse.
    “Herança do SENHOR são os filhos… Feliz o homem que enche deles a sua aljava” (Salmos 127.3, 5). “Grandemente se regozijará o pai do justo, e quem gerar a um sábio nele se alegrará” (Provérbios 23.24).

    John MacArthur

  • A verdadeira autoridade espiritual

    A verdadeira autoridade espiritual

    vara

    No   deserto,   os   filhos    de   Israel    foram confrontados  com  um   problema.  Surgiu,  entre eles,  uma  questão  sobre  quem  deveria estar  em liderança.  Além  de  Moisés  e Arão,  havia  outros homens    na    congregação     que     eram     bem conhecidos  e  considerados  líderes.   Entre   eles estavam  Datã  e Abirão,  que  reuniram outros  250 para desafiar a liderança dos  ungidos de Deus.  Eles estavam lutando por posições  de   autoridade  e   reconhecimento  entre   o   povo    de   Deus. Falaremos mais  tarde,  no capítulo 2, acerca  do julgamento de Deus sobre estes rebeldes, mas aqui a nossa consideração é diferente.

    Imediatamente após  este confronto relativo à autoridade de Deus ter sido resolvido, Nosso  Senhor  sentiu que era necessário ensinar a Seu povo  uma   lição  sobrenatural.  Ele  sabia  que  Seus  filhos,  no  futuro,   também precisariam ser capazes de  reconhecer a autoridade espiritual. Eles iriam necessitar de uma  base pela  qual poderiam julgar  que  tipo  de autoridade era  simplesmente humana  e  qual  era  verdadeiramente divina. Já que  a autoridade  terrena  pode   ser   comovente  com   todo   o  seu   charme  e possibilidades, talvez  nós  também possamos nos  beneficiar da  ilustração sobrenatural de Deus.

    O que  Deus  fez foi isto:  Ele instruiu Moisés  a tomar um  cajado  de cada  um   dos  líderes   da   congregação.  Esta   vara   era   um   símbolo  de liderança e  autoridade. Essa  coleção  de  varas,  entre  as  quais  aquela de Arão,   foi  colocada  no  tabernáculo durante  a  noite.   Pela  manhã,  algo sobrenatural  havia  ocorrido.  A  vara   de   Arão   tinha   mudado  de   três maneiras. Ela havia  brotado, florescido e dado frutos  – tudo ao  mesmo tempo!  Isto  é realmente incrível.Você já viu  um  galho  de  uma  árvore ter botões,  flores  e frutos  simultaneamente? As outras varas  permaneceram como  eram   –  velhas, duras  e  secas.   Mas  a  vara   daquele que   estava manifestando autoridade divina tornou-se completamente diferente.

    Esta  ilustração ainda fala  conosco  hoje.  A autoridade humana e a autoridade verdadeiramente  divina tem,  cada  uma,   um  distinto sabor espiritual.  Cada    uma    tem    características  individuais   que   podemos identificar. A autoridade terrena é dura e seca.  Ela exige  direitos sobre nós, mas não dá satisfação. É exercida pela força humana  e impingida com medidas terrenas. Assim  como  uma  vara  velha  e seca  poderia ser  usada para   bater    ou   golpear  um   animal  desobediente,  assim    também  a autoridade humana controla os outros através do  uso  da  poder, coerção, exigências ou força superior, seja física ou psicológica. Hoje, por exemplo, entre   os  grupos  cristãos  esta   autoridade  é  freqüentemente  escondida através da  aceitação  ou rejeição do grupo. O líder manipula a opinião do grupo  que,   então,   serve   como   um   tipo   de   vara   para   disciplinar  o desobediente.

    A verdadeira autoridade espiritual, por  outro lado,  tem  um  sabor inteiramente diferente! Ninguém nunca pensaria em bater em alguém com um  galho  cheio  de  flores  e frutos.  Alguma coisa  a mais  está  focalizada aqui.  Para começar, os botões  falam de algo novo, macio e fresco, algo que está vivo. Assim, vemos  que a autoridade espiritual está viva e que é cheia da  vida  divina. As  flores  nos  falam  de  algo  cheiroso, algo  com  o doce perfume do caráter de Cristo.  E os frutos nos falam  de algo nutritivo, não de exigência, mas  de satisfação. Estas  são as características da  verdadeira liderança e autoridade espiritual. Aqueles que  a estão  exercendo exibirão  estas   qualidades:  eles   estarão   cheios   da   vida   de   Deus,   vivendo  em comunhão íntima com  Ele.  Eles terão  o  aroma   doce  de  Cristo  porque tiveram  o   caráter  Dele   saturando   suas   vidas,   tendo  suas   próprias habilidades naturais e autoridade  quebradas  por  Sua  mão.  Finalmente, eles serão  uma  fonte de alimento e satisfação ao invés  de exigência seca, já que eles próprios estão firmemente ligados à videira  celestial.

    Aqui,  irmãos e irmãs,  está  o verdadeiro teste  de  toda  e qualquer autoridade na  Igreja  cristã.  Quais  características ela mostra? Que  sabor  e aroma   ela   tem?     Verdadeiramente  estas   coisas   são   espiritualmente discernidas e não  podem ser  compreendidas pelo  homem natural.  Mas isto não nega  a realidade dela.  Cada  um  de nós é requerido por Deus  a se submeter à Sua autoridade. Portanto, é necessário que cada um de nós seja capaz  de  discernir e decidir o que  vem  verdadeiramente Dele,  e o que  é apenas a vara  do homem. Em cada lugar  e em cada grupo há aqueles que estão  declarando ter  ou  estar  com a verdadeira autoridade. Possa  Deus nos dar graça para  que possamos discernir o sabor do que é genuinamente

    Dele. Possa Deus também usar  este livro para  ajudar o Seu povo  em todo este importante empreendimento.

    DAVID W. DYER

  • Lição 2 – Autoridade Soberana de Deus

    Lição 2 – Autoridade Soberana de Deus

    Deus

    INTRODUÇÃO

    Em parte alguma as Escrituras tratam de provar a existência de Deus mediante provas formais.

    Hebreus   1 1:6   “…   é   necessário   que aquele   que   se   aproxima   de   Deus  creia   que   ele   existe  e   que   se   torna   galardoador   dos   que   o buscam”

    O que se chega a Deus, creia que há Deus”, é o ponto inicial na relação entre o homem e Deus.

    Resposta ao Ateismo – “Eu quero crer em Deus; mostra-me que seja razoável crer nele.”

    1) O universo deve ter uma Primeira Causa ou um Criador. (Argumento cosmológico, da palavra grega “cosmos”, que significa “mundo”.)

    2) O desígnio evidente no universo aponta para uma Mente Suprema. (Argumento teleológico, de “Teleos”, que significa “desígnio ou propósito”.)

    3) A natureza do homem, com seus impulsos e aspirações, assinala a existência de um Governador pessoal. (Argumento antropológico, da palavra grega “anthropos”, que significa “homem”.)

    4) A história humana dá evidências duma providência que governa sobre tudo. (Argumento histórico.)

    5) A crença é universal. (Argumento do consenso comum.)

    1. AUTORIDADE REVELADA NOS SEUS NOMES

    Quem é, e que é Deus? A melhor definição é a que se encontra no Catecismo de Westminster:

    “Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.” A definição bíblica pode formular-se pelo estudo dos nomes de Deus. O “nome” de Deus, nas Escrituras, significa mais do que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome. (Êxo. 6:3; 33:19; 34:5, 6.) Adorar a Deus é invocar seu nome (Gên. 12:8); temê-lo (Deut. 28:58); louvá-lo (2 Sam. 22:50); glorificá-lo (Sal. 86:9); é sacrilégio tomar seu nome em vão. (Êxo. 20:7), ou profaná-lo ou blasfemá-lo (Lev. 18:21; 24:16). Reverenciar a Deus é santificar ou bendizer seu nome (Mat. 6:9). O nome do Senhor defende o seu povo (Sal. 20:1), e por amor do seu nome não os abandonará (1 Sam. 12:22).

    Os seguintes nomes de Deus são os mais comuns que encontramos nas Escrituras:

    Y AHWEH   e   Y AHWEH   TSEBHAOTH.   É   especialmente   no   nome  Yahweh,  que gradativamente  superou  os  nomes  anteriores,  que  Deus  se   revela   o  Deus  da  graça.   Sempre  foi tido   como   o  mais  sagrado  e  o  mais  distintivo  nome  de  Deus,  o   nome   incomunicável.   Os  judeus temiam supersticiosamente usá-lo, visto que liam Lv 24.16 como segue: “Aquele que mencionar o nome   de  Yahweh  será   morto”.   Daí,   ao   lerem   as   Escrituras,   substituíram-no   por  ‘Adonai  ou   por ‘Elohim;

    Elohim (traduzido “Deus”.) Esta palavra emprega-se sempre que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e a onipotência de Deus. Elohim é o Deus-Criador. A forma plural significa a plenitude de poder e representa a trindade.

    Jeová (traduzido “Senhor” na versão de Almeida.) Elohim, o Deus-Criador, não permanece alheio às suas criaturas. Observando Deus a necessidade entre os homens, desceu para ajudá-los e salvá-los; ao assumir esta relação, ele revela-se a si mesmo como Jeová , o Deus da Aliança. O nome JEOVÁ tem sua origem no verbo SER e inclui os três tempos desse verbo — passado, presente e futuro. O nome, portanto significa: Ele que era, que é e que há de ser; em outras palavras, o Eterno. Visto que Jeová é o Deus que se revela a si mesmo ao homem, o nome significa: Eu me manifestei, me manifesto, e ainda me manifestarei.

    O que Deus opera a favor de seu povo acha expressão nos seus nomes, e ao experimentar o povo a sua graça, desse povo então pode dizer-se: “conhecem o seu nome.” A relação entre Jeová e Israel resume-se no uso dos nomes encontrados nos concertos entre Jeová e seu povo. Aos que jazem em leitos de doença manifesta-se-lhes como JEOVÁ-RAFA, “o Senhor que cura” (Êxo. 15:26). Os oprimidos pelo inimigo invocam a JEOVÁ-NISSI, “o Senhor nossa bandeira” Êxo. 17:8-15). Os carregados de cuidados aprendem que ele é JEOVÁ-SHALOM, “o Senhor nossa paz” (Jui. 6:24). Os peregrinos na terra sentem a necessidade de JEOVÁ-RA’AH, “o Senhor meu pastor” (Sal. 23:1). Aqueles que se sentem sob condenação e necessitados da justificação, esperançosamente invocam a JEOVÁ-TSIDKENU, “o Senhor nossa justiça” (Jer. 23:6). Aqueles que se sentem desamparados aprendem que ele é JEOVÁ-JIREH, “o Senhor que provê” (Gên. 22:14). E quando o reino de Deus se houver concretizado na terra, será ele conhecido como JEOVÁ-SHAMMAH, “o Senhor está ali” (Ezeq. 48:35).

    El (Deus) é usado em certas combinações: EL-ELYON (Gên. 14:18-20), o “Deus altíssimo”, o Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses. EL-SHADDAI, “o Deus que é suficiente para as necessidades do seu povo” (Êxo. 6:3). EL-OLAM, “o eterno Deus” (Gên. 21:33).

    Adonai significa literalmente “Senhor” ou “Mestre” e dá a idéia de governo e domínio. (Êxo. 23:17; Isa. 10:16, 33.) Por causa do que Deus é e do que tem feito, ele exige o serviço e a lealdade do seu povo.Este nome no Novo Testamento aplica-se ao Cristo glorificado.

    Pai, emprega-se tanto no Antigo como no Novo Testamento. Em significado mais amplo o nome descreve a Deus como sendo a Fonte de todas as coisas e Criador do homem; de maneira que, no sentido criativo, todos podem considerar-se geração de Deus. (Atos 17:28.) Todavia, esta relação não garante a salvação. Somente aqueles que foram vivificados e receberam nova vida pelo seu Espírito são seus filhos no sentido intimo da salvação. (João 1:12, 13.).

    1. A AUTORIDADE REVELADA EM SEUS ATRIBUTOS

    Sendo Deus um ser infinito, é impossível que qualquer criatura o conheça exatamente como ele é. No entanto, ele bondosamente revelou-se mediante linguagem compreensível a nós. São as Escrituras essa revelação. Por exemplo, Deus diz acerca de si mesmo: “Eu sou Santo”; portanto, podemos afirmar: Deus é Santo. A santidade, então, é um atributo de Deus, porque a santidade é uma qualidade que podemos atribuir ou aplicar a ele. Dessa forma, com a ajuda da revelação que Deus deu de si mesmo, podemos regular os nossos pensamentos acerca de Deus. Qual a diferença entre os nomes de Deus e os seus atributos? Os nomes de Deus expressam as qualidades do seu ser inteiro, enquanto os seus atributos indicam vários aspectos do seu caráter. Muito se pode dizer de um ser tão grande como Deus, mas facilitaremos a nossa tarefa se classificar os seus atributos.

    Compreender a Deus em sua plenitude seria tão difícil como encerrar o Oceano Atlântico numa xícara; mas ele se tem revelado a si mesmo o suficiente para esgotar a nossa capacidade. A classificação seguinte talvez nos facilite a compreensão: 1. Atributos sem relação entre si, ou seja, o que Deus é em si próprio, à parte da criação. Estes respondem à pergunta: quais são as qualidades que caracterizavam a Deus antes que alguma coisa existisse? 2. Atributos ativos, ou seja, o que Deus é em relação ao universo. 3. Atributos morais, ou seja, o que Deus é em relação aos seres morais por ele criados.

    1. Atributos não relacionados (a natureza íntima de Deus).

    Espiritualidade. Deus é Espírito. (João 4:24). Deus é Espírito com personalidade; ele pensa, sente e fala; portanto, pode ter comunhão direta com suas criaturas feitas à sua imagem.

    Sendo Espírito, Deus não está sujeito as limitações às quais estão sujeitos os seres humanos dotados de corpo físico. Ele não possui partes corporais nem está sujeito às paixões; sua pessoa não se compõe de nenhum elemento material, e não está sujeito às condições de existência natural. Portanto, não pode ser visto com os olhos naturais nem apreendido pelos sentidos naturais. Isto não implica que Deus leve uma existência sombria e irreal, pois Jesus se referiu à “forma” de Deus. (João 5:37; vide Fil. 2:6.) Deus é uma Pessoa real, mas de natureza tão infinita que não se pode apreendê-lo plenamente pelo conhecimento humano, nem tampouco satisfatoriamente descrevê-lo em linguagem humana. “Ninguém jamais viu a Deus”, declara o apóstolo João (João 1:18; vide Êxo. 33:20); no entanto, em Êxo. 24:9,10 lemos que Moisés, e certos anciãos, “viram a Deus”. Nisto não há contradição; João quer dizer que nenhum homem jamais viu a Deus como ele é. Mas sabemos que o Espírito pode manifestar-se em forma corpórea (Mat. 3:16); portanto, Deus pode manifestar-se duma maneira perceptível ao homem. Deus também descreve a sua personalidade infinita em linguagem compreensível às mentes finitas; portanto, a Bíblia fala de Deus como ser que tem mãos, braços, olhos e ouvidos, e descreve-o como vendo, sentindo, ouvindo, arrependendo-se, etc. Mas Deus também é insondável e inescrutável. “Porventura… chegarás à perfeição do Todo-poderoso?” (Jo 11:7) — e nossa resposta só pode ser: “não temos com que tirar, e o poço é fundo” (João 4:11), usando a expressão da mulher samaritana.

    Infinitude. Deus é Infinito, isto é, não está sujeito às limitações naturais e humanas. A sua infinitude é vista de duas maneiras: (1) em relação ao espaço. Deus caracteriza-se pela imensidade (1 Reis 8:27); isto é, a natureza da Divindade está presente de modo igual em todo o espaço infinito e em todas as suas partes. Nenhuma parte existente está separada da sua presença ou de sua energia, e nenhum ponto do espaço escapa à sua influência. “Seu centro está em toda parte e sua circunferência em parte nenhuma.” Mas, ao mesmo tempo, não devemos esquecer que existe um lugar especial onde sua presença e glória são reveladas duma maneira extraordinária; esse lugar é o céu. (2) Em relação ao tempo, Deus é eterno. (Êxo. 15:18; Deut. 33:27; Nee. 5:5; Sal. 90:2; Jer. 10:10; Apoc. 4:8-10.) Ele existe desde a eternidade e existirá por toda a eternidade. O passado, o presente e o futuro são todos como o presente à sua compreensão. Sendo eterno, ele é imutável — “o mesmo ontem, hoje, e eternamente”. Esta é para o crente uma verdade confortadora, podendo assim descansar na confiança de que “O Deus da antiguidade é uma morada, e por baixo estão os braços eternos” (Deut. 33:27).

    Unidade. Deus é o único Deus. (Êxo. 20:3; Deut. 4:35,39; 6:4; 1 Sam. 2:2; 2 Sam. 7:22; 1 Reis 8:60; 2 Reis 19:15; Nee. 9:6; Isa. 44:6-8; 1 Tim. 1:17.) “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” Era esse um dos fundamentos da religião do Antigo Testamento, sendo também essa a mensagem especial a um mundo que adorava a muitos deuses falsos. Haverá contradição entre este ensino da unidade de Deus e o ensino da Trindade do Novo Testamento? É necessário distinguir entre duas qualidades de unidade — unidade absoluta e unidade composta. A expressão “um homem” traz a idéia de unidade absoluta, porque se refere a uma só pessoa. Mas quando lemos que homem e mulher serão “uma só carne” (Gên. 2:24), essa é uma unidade composta, visto que se refere à união de duas pessoas. Vide também Esd. 3:1; Ezeq. 37:17; estas referências bíblicas empregam a mesma palavra para significar “um só” (“echad” na língua hebraica) como se usa em Deut. 6:4. Existe outra palavra (“yachidh” no hebraico) que se usa para exprimir a idéia de unidade absoluta. (Gên. 22:2, 12; Amós 8:10; Jer. 6:26; Zac. 12:10; Prov. 4:3; Jui. 11:34.) A qual classe de unidade se refere Deut. 6:4? Pelo fato de a palavra “nosso Deus” estar no plural (ELOHIM no hebraico), concluímos que se refere à unidade composta. A doutrina da Trindade ensina a unidade de Deus como unidade composta, inclusive de três Pessoas Divinas unidas na essencial unidade eterna.

    2. Atributos ativos (Deus e o universo).

    Onipotência. Deus é onipotente. (Gên. 1:1; 17:1; 18:14; Êxo. 15:7; Deut. 3:24; 32:39; 1 Crôn. 16:25; Jo 40:2; Isa. 40:12-15; Jer. 32:17; Ezeq. 10:5; Dan. 3:17;4:35; Amós 4:13; 5:8; Zac. 12:1; Mat. 19:26; Apoc. 15:3; 19:6.) A onipotência de Deus significa duas coisas:

    1) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com a sua natureza. “Pois para Deus nada será impossível.” Isto naturalmente não significa que ele possa ou queira fazer alguma coisa contrária à sua própria natureza — por exemplo, mentir ou roubar; ou que faria alguma coisa absurda ou contraditória em si mesma, tal como fazer um circulo triangular, ou fazer água seca.

    2) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir. Mas sendo assim, por que se pratica o mal neste mundo? É porque Deus dotou o homem de livre arbítrio, cujo arbítrio Deus não violará; portanto, ele permite os atos maus, mas com um sábio propósito de, finalmente, dominar todo o mal. Somente Deus é Todo-poderoso e até mesmo Satanás nada pode fazer sem a sua permissão. (Vide Jó caps. 1 e 2.) Toda a vida é sustentada por Deus. (Heb. 1:3; Atos 17:25, 28; Dan. 5:23.) A existência do homem é qual som de nota de harmônio que soa enquanto os dedos comprimem as teclas. Assim, sempre que a pessoa peca, está usando o poder do próprio Criador para ultrajá-lo. Todo pecado é um insulto contra Deus.

    Onipresença. Deus é onipresente, isto é, o espaço material não o limita em ponto algum. (Gên. 28:15, 16; Deut. 4:39; Jos. 2:11; Sal. 139:7-10; Prov. 15:3,11; Isa. 66:1; Jer. 23:23,24; Amós 9:2-4,6; Atos 7:48,49; Efés. 1:23.)

    Qual a diferença entre imensidade e onipresença? Imensidade é a presença de Deus em relação ao espaço, enquanto onipresença é sua presença considerada em relação às criaturas. Para suas criaturas ele está presente nas seguintes maneiras:

    1) Em glória, para as hostes adoradoras do céu. (Isa. 6:1-3.)

    2) Eficazmente, na ordem natural. (Naúm 1:3.)

    3) Providencialmente, nos assuntos relacionados com os homens. (Sal. 68:7, 8.)

    4) Atentamente, àqueles que o buscam. (Mat. 18:19, 20; Atos 17:27.)

    5) Judicialmente, às consciências dos ímpios. ( Gên. 3:8; Sal. 68:1, 2.) O homem não deve iludir-se com o pensamento de que existe um cantinho no universo onde possa escapar à lei do seu Criador. “Se o seu Deus está em toda parte, então deve estar também no inferno”, disse um chinês a um cristão na China. “Sua ira sim está no inferno”, foi a pronta resposta.

    6) Corporalmente em seu Filho. “Deus conosco” (Col. 2:9).

    7) Misticamente na igreja. (Efés. 2:12-22.)

    8) Oficialmente, com seus obreiros. (Mat. 28:19, 20.) Embora Deus esteja em todo lugar, ele não habita em todo lugar. Somente ao entrar em relação pessoal com um grupo ou com um indivíduo se diz que ele habita com eles.

    Onisciência. Deus é onisciente, porque conhece todas as coisas. (Gên. 18:18,19; 2 Reis 8:10,13; 1 Crôn. 28:9; Sal. 94:9; 139:1-16; 147:4-5; Prov. 15:3; Isa. 29:15,16; 40:28; Jer. 1:4-5; Ezeq. 11:5; Dan.2:22,28; Amós 4:13; Luc. 16:15; Atos 15:8, 18; Rom. 8:27, 29; 1 Cor. 3:20; 2 Tim. 2:19; Heb. 4:13; 1 Ped. 1:2; 1 João 3:20.) O conhecimento de Deus é perfeito, ele não precisa arrazoar, ou pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente — seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo.

    Há grande conforto na consideração deste atributo. Em todas as provas da vida o crente tem a certeza de que “vosso Pai celestial sabe” (Mat. 6:8). A seguinte dificuldade se apresenta a alguns: sendo Deus conhecedor de todas as coisas, ele sabe quem se perderá; portanto, como pode essa pessoa evitar o perder-se? Mas a presciência de Deus sobre o uso que a pessoa fará do livre arbítrio não obriga a escolher este ou aquele destino. Deus prevê sem intervir.

    Sabedoria. Deus é sábio. (Sal. 104:24; Prov. 3:19; Jer. 10:12; Dan. 2:20,21; Rom. 11:33; 1 Cor. 1:24, 25, 30; 2:6, 7; Efés. 3:10; Col. 2:2, 3.) A sabedoria de Deus reúne a sua onisciência e sua onipotência. Ele tem poder para levar a efeito seu conhecimento de tal maneira que se realizem os melhores propósitos possíveis pelos melhores meios possíveis. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo. “Ele fez tudo bem.” Esta ação da parte de Deus, de organizar todas as coisas e executar a sua vontade no curso dos eventos com a finalidade de realizar o seu bom propósito, chama-se Providência. A divina providência geral relaciona-se com o universo como um todo; sua providência particular relaciona-se com os detalhes da vida do homem.

    Soberania. Deus é soberano, isto é, ele tem o direito absoluto de governar suas criaturas e delas dispor como lhe apraz. (Dan. 4:35; Mat. 20:15; Rom. 9:21.) Ele possui esse direito em virtude de sua infinita superioridade, de sua posse absoluta de todas as coisas, e da absoluta dependência delas perante ele para que continuem a existir. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão, censurar os seus caminhos. Observa D. S. Clarke: A doutrina da soberania de Deus é uma doutrina muito útil e animadora. Se fosse para escolher, qual seria preferível — ser governado pelo fatalismo cego, pela sorte caprichosa, pela lei natural irrevogável, pelo “eu” pervertido e de curta visão, ou ser governado por um Deus sábio, santo, amoroso e poderoso? Quem rejeita a soberania de Deus, pode escolher ser governado dentre o que sobra.

    3. Atributos morais (Deus e as criaturas morais).

    Passando em revista o registro das obras de Deus para com os homens, aprendemos que:

    Santidade. Deus é santo. (Êxo. 15:11; Lev. 11:44, 45; 20:26; Jos. 24:19; l Sam. 2:2; Sal. 5:4; 111:9; 145:17; Isa. 6:3; 43:14,15; Jer. 23:9; Luc. 1:49; Tia. 1:13; 1 Ped. 1:15, 16; Apoc. 4:8; 15:3, 4.) A santidade de Deus significa a sua absoluta pureza moral; ele não pode pecar nem tolerar o pecado. O sentido original da palavra “santo” é “separado”. Em que sentido está Deus separado? Ele está separado do homem no espaço — ele está no céu, o homem na terra. Ele está separado do homem quanto à natureza e caráter — ele é perfeito, o homem é imperfeito; ele é divino, o homem é humano; ele é moralmente perfeito, o homem é pecaminoso. Vemos, então, que a santidade é o atributo que mantém a distinção entre Deus e a criatura. não denota apenas um atributo de Deus, mas a própria natureza divina. Portanto, quando Deus se revela a si mesmo de modo a impressionar o homem com a sua Divindade, diz-se que ele se santificou (Ezeq. 36:23; 38:23), isto é, “revela-se a si mesmo como o Santo”. Quando os serafins descrevem o resplendor divino que emana daquele que está sentado sobre o trono, exclamam: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” (Isa. 6:3). Diz-se que os homens santificam a Deus quando o honram e o reverenciam como Divino. (Num. 20:12; Lev. 10:3; Isa. 8:13.) Quando o desonram, pela violação de seus mandamentos, se diz que “profanam” seu nome — que é o contrário de santificar seu nome. (Mat. 6:9.) Somente Deus é santo em si mesmo. Descrevem-se desta maneira o povo, os edifícios, e objetos santos porque Deus os fez santos e os tem santificado. A palavra “santo”, quando se aplica a pessoas ou a objetos, é termo que expressa relação com Jeová — pelo fato de estar separado para o seu serviço. Sendo separados, os objetos precisam estar limpos; e as pessoas devem consagrar-se e viver de acordo com a lei da santidade. Esses fatos constituem a base da doutrina da santificação.

    Justiça. Deus é justo. Qual a diferença entre a santidade e a justiça? “A justiça é santidade em ação”, esta é uma das respostas. A justiça é a santidade de Deus manifesta no tratar retamente com suas criaturas. “não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gên. 18:25). A justiça é obediência a uma norma reta; é conduta reta em relação a outrem. Quando é que Deus manifesta este atributo?

    1) Quando livra o inocente, condena o ímpio e exige que se faça justiça. Deus julga, não como o fazem os juízes modernos, que baseiam seu julgamento sobre a evidência apresentada perante eles por outrem. Deus mesmo descobre a evidência. Desta maneira o Messias, cheio do Espírito Divino, não julgará “segundo a vista dos seus olhos, nem reprovar segundo o ouvir dos seus ouvidos”, mas julgará com justiça. (Isa. 11:3.)

    2) Quando perdoa o penitente. (Sal. 51:14; 1 João 1:9; Heb. 6:10.)

    3) Quando castiga e julga seu povo. (Isa. 8:17; Amós 3:2.)

    4) Quando salva seu povo. A interposição de Deus a favor do seu povo se chama sua justiça. (Isa. 46:13; 45:24,25.) A salvação é o lado negativo, a justiça é o positivo. Ele livra seu povo dos seus pecados e de seus inimigos, e o resultado é a retidão de coração. (Isa. 51:6; 54:13; 60:21; 61:10.)

    5) Quando dá vitória à causa de seus servos fiéis. (Isa. 50:4-9.) Depois de Deus haver libertado seu povo e julgado os ímpios então teremos “novos céus e uma nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13). Deus não somente trata justamente como também requer justiça. Mas que sucederá no caso de o homem haver pecado? Então ele graciosamente justifica o penitente. (Rom. 4:5.) Esta é a base da doutrina da justificação.Notar-se-á que a natureza divina é a base das relações de Deus para com os homens. Como ele é, assim ele opera. O Santo santifica, o Justo justifica.

    Fidelidade. Deus é fiel. Ele é absolutamente digno de confiança; as suas palavras não falharão. Portanto, seu povo pode descansar em suas promessas. (Êxo. 34:6; Num. 23:19; Deut. 4:31; Jos. 21:43-45; 23:14; 1 Sam. 15:29; Jer. 4:28; Isa. 25:1; Ezeq. 12:25; Dan. 9:4; Miq. 7:20; Luc. 18:7,8; Rom. 3:4; 15:8; 1 Cor. 1:9; 10:13; 2 Cor. 1:20; 1Tess. 5:24; 2 Tess. 3:3; 2 Tim. 2:13; Heb. 6:18; 10:23; 1 Ped. 4:19; Apoc. 15:3.)

    Misericórdia. Deus é misericordioso. “A misericórdia de Deus é a divina bondade em ação com respeito às misérias de suas criaturas, bondade que se comove a favor deles, provendo o seu alivio, e, no caso de pecadores impenitentes, demonstrando paciência longânima” (Hodges). (Tito 3:5; Lam. 3:22; Dan. 9:9; Jer. 3:12; Sal. 32:5; Isa. 49:13; 54:7.) Uma das mais belas descrições da misericórdia de Deus encontra-se no Salmo 103:8-18. O conhecimento de sua misericórdia toma-se a base da esperança (Sal. 130:7) como também da confiança (Sal. 52:8). A misericórdia de Deus manifestou-se de maneira eloqüente ao enviar Cristo ao mundo. (Luc. 1:78.)

    Amor. Deus é amor. O amor é o atributo de Deus em razão do qual ele deseja relação pessoal com aqueles que possuem a sua imagem e, mui especialmente, com aqueles que foram santificados em caráter, feitos semelhantes a ele. Notamos a descrição do amor de Deus (Deut. 7:8; Efés. 2:4; Sof. 3:17; Isa. 49:15, 16; Rom. 8:39; Osé. 11:4; Jer. 31:3); notamos a quem é manifestado (João 3:16; 16:27; 17:23; Deut. 10:18); notamos como foi demonstrado (João 3:16; 1 João 3:1; 4:9, 10; Rom. 9:11-13; Isa. 38:17; 43:3, 4; 63:9; Tito 3:4-7; Efés. 2:4, 5; Osé. 11:4; Deut. 7:13; Rom. 5:5).

    Bondade. Deus é bom. A bondade de Deus é o atributo em razão do qual ele concede vida e outras bênçãos às suas criaturas. (Sal. 25:8; Naúm 1:7; Sal. 145:9;Rom. 2:4; Mat. 5:45; Sal. 31:19; Atos 14:17; Sal. 68:10; 85:5.)

  • Lição 1 – Princípios de Autoridade

    Lição 1 – Princípios de Autoridade

    autoridade

    1.    O que é Autoridade :

    O termo autoridade  vem do latim, auctoritas, derivada de auctor, causa, patrocinador, promotor, ou seja aquele que promove a cooperação ou submissão do grupo em prol de um objetivo maior.

    A autoridade pode se de alguns tipos:

    A autoridade pessoal: deriva-se do reconhecimento de que alguém sabe e tem realizações em um campo especifico.

    Autoridade oficial :é aquela dada a uma pessoa em razão de uma função ou poder que lhe tenha sido conferido por outros, de acordo com a lei, com os costumes ou com outras convenções sociais.

    Autoridade de objetos (como um livro): podem tomar-se autoritários pelo consensos de muitos.

    Ou podemos usar os termos autoridade externa ou autoridade interna.

    A externa é aquela conferida a uma pessoa que se tornou oficial, nomeada por outros, como um governador.  Um policial, um professor, etc.

    A interna é aquela residente em um argumento convincente ou em um importante exemplo ou em uma experiência moral ou espiritual.

    A autoridade é o direito de influir sobre os outros a autoridade quase sempre nos é delegada.

    Exercício de poder delegado

    Toda a fonte de autoridade existente emana de Deus, portanto não há nenhuma autoridade existente, que não esteja sujeita a Deus; Deus é a fonte de toda a autoridade. Ele detém o poder supremo. Ele é Aquele que está sentado no trono do universo e é Ele quem tem completo controle sobre todas as coisas. Consequentemente, podemos deduzir que qualquer outra autoridade que exista no universo foi estabelecida por Ele ou, pelo menos, só existe com a Sua permissão.  Sem o Seu consentimento, não seria possível a  sobrevivência de  qualquer outra autoridade.  Entretanto, não importa onde encontremos autoridade neste mundo de hoje (seja ela boa ou má), sabemos que é algo  que  provém  legalmente de  Deus.  Isto é exatamente o que as Escrituras ensinam.  Governos humanos, Forças Armadas, juízes, etc., são instituições que são estabelecidas por Deus para inibir as forças do mal neste mundo (Rom 13:1-7).

    João 19 -10-11 “Você se nega a falar comigo?”, disse Pilatos. “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?”

    Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim se esta não te fosse dada de cima…

    O nosso Deus reina ele destitui governantes, lideres em todos os graus e  lugares.

    Deus de Israel é ‘Senhor de toda a terra‘ (cf. Mq 4.13), que controla a história e o destino das nações (Am 9.7). De acordo com Amós 9.12, as nações ‘são chamadas’ pelo ‘nome’ do Senhor. A expressão aponta a propriedade e autoridade do Senhor sobre as nações como deixa claro o uso constante em outros textos bíblicos (cf. 2 Sm 12.28; Is 4.1).

    Quem delega da liberdade e exerce controle

    Que delega tem o controle é e importante, que seja dada liberdade de atuação para quem está revestido de autoridade, se não houver liberdade de ação o que foi revestido de autoridade se torna uma marionete.

    Exemplo: Deus que nós servimos está no controle de todas as coisas.

    A primeira, estar no controle, não significa manipular o processo 24 horas por dia, 7 dias na semana, 30 dias no mês, 365 dias no ano, e toda a vida. Estar no controle não significa manipular o processo o tempo todo.

    A segunda, completa a primeira, estar no controle é você ter o poder, e a autoridade para intervir na hora que você quer, do jeito que você quer, e como você quiser, exemplo micro para você entender o macro que eu estou falando, que é Deus.

    Um exemplo micro, por exemplo, existem várias empresas, que são empresas mundiais, que tem presidente no Brasil, na Argentina, na África do Sul, na Alemanha, na Itália, na França, ela tem uma presidência mundial, ou um conselho de administração que comanda a empresa no mundo todo, mas cada presidente da empresa no país, tem a sua autonomia, para colocar os planos da empresa, só que aqui por cima tem um presidente mundial, que pode a qualquer hora intervir, O presidente mundial está numa posição superior, e portanto ele pode a qualquer hora ele intervir em qualquer uma destas empresas, mas ele que está dirigindo aqui no Brasil, ou na Argentina ou na França, ele tem autonomia para gerenciar e gerir.

    Assim é Deus. Deus está no controle de tudo, mas ele permite o homem escrever história, ele permite você e eu fazermos escolhas e ele respeita as nossas escolhas. Ele permite você e eu tomarmos nossas decisões, mas Deus, a hora que ele quiser, do jeito que ele quiser, ele pode interferir na vida de qualquer um de nós, porque afinal de contas o Deus que nós servimos está no controle de Todas as coisas . Mensagem Pastor Silas Malafaia – Deus está no controle.

    Agora se aquele que recebeu a autoridade, pode muito bem perde-la quando, subleva a autoridade maior, ou não seque as normas e princípios daquele que o revestiu de autoridade. E passa a governar para si próprio e não em prol do bem estar da comunidade ou grupo sobre o qual se tem autoridade, e é de Deus o juízo sobre estas autoridades.

    Lembram o que Deus falou para Nabucodonosor: “Passou de ti o teu reino” (v. 31). E na mesma hora ele foi tirado dentre os homens, e foi humilhado, zombado e escarnecido por todos. Quem diria, o “grande” rei Nabucodonosor virou um bicho! É assim que Deus faz: abate os soberbos que de alguma maneira sublevam a sua autoridade.

    1.1.  Autoridade pressupõe legalidade

    Uma pessoa que tem ou esta numa posição de autoridade, há um ato legal legitimando aquela autoridade, ela recebeu legalmente este direito, e muito tristes ver alguns nos nossos dias caindo de paraquedas por ai dizendo que receberam a autoridade de Deus sem mesmo conhecer a deus, ou adquirindo autoridade “títulos, nomes e diplomas”, totalmente de modo ilegal está autoridade não é reconhecida por deus, e falsa e mentirosa e só pode ter sido aprovada no inferno.

    1.2.  Ato que implica legitimidade

    Quem exerce autoridade deve seguir as leis pré-existentes estabelecidas, seja ela humana ou bíblica, ela não pode simplesmente passar por cima dos princípios que regem a autoridade constituída. Nem entrar em choque com as demais autoridades. Já diz o ditado cada macaco no seu galho.

    Exemplo: Um policial não pode interferir na autoridade de um médico.

    2.    Exercício da Autoridade

    2.1.  Deus ordenou a existência das autoridades.

    Para o bem do convívio social Deus estabeleceu a existência de instituições e quem seria a autoridade sobre estás instituições.

    Toda instituição que tem a aprovação de Deus tem como líder o cabeça a pessoa de Jesus Cristo ele é a pedra fundamental de tudo. E quando digo tudo é tudo mesmo do planeta terra ele é o principal, por ele, para ele é que nós existimos.

    2.2.  Tipos de autoridade

    Vamos definir alguns tipos de autoridade que a bíblia nos apresenta.

    2.2.1.     Autoridade do Governo

    Os Governos e as autoridades constituídas para governo dos países, são instituídas para o bem estar da população e são agentes de Deus para garantir a ordem como vemos em Rm 13,4 e Lc 22.25.

    As escrituras nos orientam a sermos submissos às autoridades e, consequentemente, às leis de nosso país. Pagar imposto ou regularizar um imóvel na prefeitura, por exemplo, são obrigações que não ferem a Palavra de Deus. Deixar de cumprir alguma dessas obrigações é mais do que se rebelar contra o governo: é se rebelar contra Deus.

    Portanto, como cristãos, devemos dar o bom testemunho, sendo submissos à autoridade de nossa região. Devemos obedecer às leis, contanto que estas não atrapalhem nosso relacionamento com Deus. Por exemplo, se um governo decretar que é proibido ler a Bíblia, não deixe de lê-la, pois Deus deseja que façamos isto: proibir a leitura da Bíblia seria um ato que prejudicaria nosso relacionamento com Deus. Não se esqueça que é Deus quem permite uma pessoa chegar ao poder.

    Porém, não devemos obedecer cegamente a tudo o que as autoridades determinam. Em Romanos 13:3, Paulo fala que “os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal.”. Devemos sempre lembrar que Deus é a autoridade máxima. Logo, se alguma lei ou solicitação for contra o que a Bíblia diz, devemos obedecer primeiramente a Deus. Um exemplo disso está em Atos 4:18:20.

    É importante também estarmos atentos para não confundir qualquer fiscalização com perseguição. Estão perseguindo cristãos quando, por exemplo, não permitem que seja realizado algum evento somente por ser um evento cristão. Agora, se esta proibição é devida à falta de alguma documentação, a situação é bem diferente: trata-se de uma punição, e não uma perseguição. Devemos ser submissos às autoridades não apenas para evitarmos punições, mas também para mantermos nossa consciência limpa. Rm 13:5.

    Outro ponto importante a se observar é a maneira como confrontar um decreto que discorde da Bíblia. Sair promovendo “quebra-quebras” ou atitudes violentas exageradas não colaboram com nada. Não devemos retribuir o mal com o mal. Precisamos ser firmes em nosso posicionamento e, ao mesmo tempo, ser um bom testemunho. Um exemplo disto é Jesus que, por vezes, agiu de forma mais “pesada”, como no caso da expulsão dos mercadores do templo ou na repreensão aos fariseus, mas nunca exagerando na rigidez. Caso o fizesse, Ele estaria sendo um mau testemunho. Do mesmo modo, um cristão deve manter-se firme no seu posicionamento, porém, sem deixar de agir coerentemente.

    2.2.2.    Autoridade na Família

    No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos.

    A palavra de Deus diz: como Cristo é a cabeça ou autoridade sobre o homem, o homem é  cabeça sobre sua esposa (1 Coríntios 11.3). A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Coríntios 11.8-12; 1 Timóteo 2.11-15). Por isso a esposa deve se submeter ao marido. A palavra de Deus dignifica tanto o casamento, que compara o marido com Cristo e a esposa com a igreja. Assim como Cristo é o cabeça da igreja, o homem é o cabeça da sua mulher; e assim como a igreja (noiva de Cristo) é submissa a Cristo, a esposa deve ser submissa ao homem (revelado especialmente em Efésios 5.22-33). Porém, a mulher só será submissa ao seu marido se tiver revelação da autoridade de Deus em sua vida; do contrário, será muito difícil submeter-se, principalmente aos maridos de difícil convivência. Por isso a palavra diz para ela ser submissa ao seu marido “como ao Senhor” (Efésios 5.22). Isto significa que quando a mulher se submete ao seu marido, na verdade está se submetendo ao Senhor.

    A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família, o que dá à mulher:

    a) cobertura espiritual;

    b) proteção;

    c) cuidados.

    Quanto à submissão da mulher, em relação a Deus, diz a palavra: “isto é de grande valor” (1 Pedro 3.4); e em relação a ela, resulta: “espírito manso e tranqüilo”(1 Pedro3.4,6).

    As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pedro 3.1-6). Quem assim procede, diz Pedro, se torna filha de Sara.

    Abraão é exemplo de fé; ele é chamado de pai dos que creem. Sara é exemplo de submissão. Com isto concluímos que a fé em Cristo resgata no homem e na mulher sua submissão à autoridade direta – a Deus – e delegada – aos homens. Fé e submissão andam juntas na experiência do homem com Deus.

    A submissão torna-se mais prática quando a palavra diz do “respeito” que a mulher deve ter pelo esposo (Efésios 5.33).

    Interessante observar a atitude de Eva quando pecou contra Deus. Ao atender a sugestão do diabo ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Por isso a palavra de Deus nos exorta a nos colocar debaixo da autoridade do Senhor para então obedecermos a sua autoridade delegada.

    Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos: “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (1 Pedro 3.1). Qual procedimento? Submissão ao próprio marido!

    Aos maridos a palavra de Deus responsabiliza de amar suas esposas. Chama mais o marido ao amor do que a mulher à submissão (Efésios 5.25,28,33). Não podemos esquecer que Deus, ao criar a mulher do homem, tirou-a do lado do seu coração, para ser amada e tratada com consideração (Colossenses 3.19; 1 Pedro 3.7).

    Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Efésios 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar.

    Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde, como a caracterizada, principalmente nestes últimos dias (Romanos 1.30; 1 Timóteo 3.2).

    Se os filhos forem submissos aos pais, em relação a Deus, diz a Palavra: “assim fazê-lo é grato diante de Deus” (Colossenses 3.20); e em relação ao discípulo há duas promessas: tudo irá bem e terá longa vida (Efésios 6.2,3).

    Quanto à submissão da esposa e dos filhos ao cabeça do lar, deve ser absoluta, mas sua obediência deve ser relativa, quando vai de encontro à palavra de Deus.

    A palavra de Deus responsabiliza os pais, por um lado, de não provocar seus filhos e nem irritá-los, para que não fiquem desanimados; e por outro lado, criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor (Efésios 6.4; Colossenses 3.21).

    Quando os membros de uma família entendem a autoridade, muitas dificuldades no lar desaparecem.

    Que nossas famílias sejam um lugar em que resplandeça a glória de Deus, através do qual os discípulos sejam edificados e os incrédulos sejam salvos.

    Que nossos lares sejam um encontro vivo e dinâmico da igreja nas casas, tal como vemos nos Atos dos Apóstolos.

    2.2.3.    Autoridade Eclesiástica

    Há, certamente, necessidade de autoridade  na   Igreja. Não há dúvida de que Deus usa os homens para  serem  ambos, líderes  e exemplos para outros e para  atraí-los para  um  relacionamento com Cristo.

    A  genuína autoridade  espiritual emana do  próprio Deus.  Aqueles que exercem tal  autoridade  são  vasos   preparados que transmitem os pensamentos e desejos de Deus para  o Seu povo.  É este tipo de autoridade que deveríamos estar  exercendo na Igreja hoje. Precisamos desesperadamente de homens que  falem  quando Deus  fala com eles, que liderem de acordo com Sua direção  e que  manifestem Suas revelações. A grande necessidade atual  não  é daqueles que  foram  treinados, eleitos  ou indicados para  posições  de  autoridade, mas  daqueles que  são  íntimos de Deus e através dos quais  Ele pode  transmitir livremente Sua vontade.

    A genuína autoridade espiritual não  vem  por  uma  indicação para uma “posição” ou “diaconato”. Embora certos  homens tenham adquirido no  Novo Testamento rótulos como  “ancião”, “diácono” ou  “apóstolo”, a autoridade deles  não  veio  por  causa  de  alguma “posição”. A verdade é exatamente  o  contrário.   Tais  designações  vieram   como   resultado  do profundo trabalho espiritual que Deus fez interiormente neles.  Elas eram uma  maneira de  descrever suas  funções  especiais  no  corpo.  Em alguma área  específica  Deus  preparou esses  homens  para serem  canais  de  Sua autoridade. Esses  nomes foram   usados para  identificar  essas  áreas   de serviço,  não para  qualificá-los para  elas.

    Sim, a Bíblia diz que os Apóstolos “ordenaram” presbíteros em cada Igreja (Atos  14:23). Mas o que  este termo  realmente significa?  W. E. Vine, em  seu  Dicionário Expositor  das  Palavras do  Novo  Testamento, diz  o seguinte:  “não  se  trata   de  uma  ordenação  eclesiástica formal,   mas   a escolha,  para  o reconhecimento das  Igrejas,  daqueles que  já tinham sido levantados e qualificados pelo  Santo  Espírito e dado evidência disso  em suas  vidas   e  em  suas  obras.” Você  vê  que  os  Apóstolos não  estavam arbitrariamente selecionando homens que preenchessem certas qualificações ou que,  talvez,  estivessem mais  desejosos de prosseguir com a programação deles  ou  que,  possivelmente, tivessem muito dinheiro ou influência   na   comunidade.  Ao  contrário,  com   olhos   espirituais,  eles estavam  indicando,  para   benefício   daqueles  que   não   podiam  ver  tão claramente, aqueles  que  Deus  havia  selecionado e preparado para  usar  como Seus vasos.

    Por  favor,  não  compreendam mal  isto:  esforços  humanos movidos pela autoridade natural podem  ser capazes de realizar  coisas  notáveis no mundo   religioso.  Campanhas de “reavivamento,” acionamento   de membros, levantamento de fundos e projetos de construção, podem todos ser  executados  por   forte   liderança  humana.   Mas, lembremo-nos  que “sucesso”  não é a medida para  nossas realizações espirituais. Não importa quão  grandiosos ou impressionantes nossos  trabalhos possam parecer, se eles   tiverem  sido   construídos  com   substâncias  erradas  –  elementos terrenos  em   vez   de  sobrenaturais  –  eles  serão   destruídos  no  dia   do julgamento.

    3 – Função da Autoridade

    “No aspecto do evangelho,  ter a “Autoridade” não significa o direito de agir como ditador, ordenar ou comandar. Pelo contrário, significa guiar, proteger, indicar o caminho, dar exemplo, dar segurança, inspirar e criar o desejo de apoiar e seguir.

     

     

     

     

  • 50 tons de pornografia

    50 tons de pornografia

    50 tons
    A pornografia tem sido tradicionalmente uma indústria que atende quase inteiramente aos homens. Sempre houve exceções, é claro, mas predominantemente eram homens que compravam revistas e vídeos numa era pré-digital e têm sido os homens que tornaram a pornografia uma indústria multibilionária na era da Internet. Se a indústria faz seu próprio caminho, está prestes a mudar.
    Nós tendemos a crer que homens são especialmente inclinados à sedução da pornografia. Homens tendem a ser estimulados visualmente, homens tendem a se masturbar mais na adolescência — nós ouvimos as razões. Mas considere isto: E se a relação entre os homens e a pornografia está relacionada a um tipo muito específico de pornografia? E se as mulheres não foram atraídas para a pornografia, pelo menos em parte, porque a indústria simplesmente não tentou criar e comercializar pornografia que apela primariamente a elas? E se isso está prestes a mudar?
    Mulheres, vocês precisam estar conscientes, pois os pornógrafos estão vindo atrás de vocês. Sim, vocês.
     
    Há muito que pode ser dito a respeito da série de livros 50 Tons de Cinza; o que está além de contestação é que os livros — que estão atualmente em 65 milhões de cópias — chocaram o mundo da publicação revelando a existência de um mercado antes inexplorado. O segredo está revelado: Há milhões de mulheres que lerão pornografia mesmo se elas tiverem pouco interesse em assistir pornografia. Editores, tanto comuns quanto pornográficos, estão anotando. Estão estudando o fenômeno 50 tons para ver como eles podem duplicá-lo, ou pelo menos aproveitar-se de seu sucesso. Como qualquer indústria, eles têm pesquisas e grupos de concentração e estatísticas, e infinitas quantidades de dados que primeiro medem, e depois transformam o comportamento.
    Um recente artigo na CNBC explica que a pornografia tradicional foi criada por homens, para homens. Esta pornografia tende a afastar qualquer coisa além do mais rudimentar enredo em favor da mais barulhenta exibição de fantasias extremas. É pura carnalidade e as mulheres tendem a não achar isso especialmente sedutor. De fato, muitas acham francamente repulsivo, especialmente elas acham que seus maridos querem que elas reproduzam algumas daquelas coisas. Mas 50 tons e outros produtos recentes estão provando, para a surpresa de muitos, que as mulheres são, também, sexuais. Onde os pornógrafos pensavam que as mulheres simplesmente não estavam interessadas, agora veem que elas podem estar muito interessadas, mas isso exigirá um tipo diferente de produto. A indústria está se ramificando numa tentativa de tirar vantagem. Estão agora trabalhando duro para criar pornografia para mulheres.
    Em contraste com a pornografia tão predominante hoje, essa nova pornografia tem uma estória, um enredo. O fundador e presidente de uma empresa diz: “Não vamos filmar posições hardcore ou os mais extremos elementos de filmes adultos. Isso é mais fazer amor do que [termo vulgar].” Ela se concentra em questões que possam repercutir entre as mulheres: apaixonar-se pela primeira vez, ou a fuga de um casamento que perdera seu brilho. É essencialmente comédia romântica, uma leve novela romântica, mas com o conteúdo sexual aumentado tanto em tempo quanto na explicitude. Afinal, o que é Cinquenta Tons de Cinza senão um romance com 60 ou 70 páginas de sexo gráfico e excêntrico? Uma roteirista e diretora desse tipo de filme foi citada na revista Slate dizendo: “Nós fizemos pesquisas demográficas suficientes para saber que uma grande porcentagem de mulheres que assistem nossos filmes não querem ver [atos sexuais vulgares e gráficos]. … Elas querem sexo conectado e muitas preliminares. Achamos que casais mais velhos gostam de assistir isso porque são da era antes da internet, e o que estamos oferecendo é muito mais manso e construído no momento ao invés de estar lá na sua cara.”
    Os pornógrafos estão até criando mais filmes para casais. Isso é pornografia que pode unir as distâncias; um pouco manso demais para homens, e um pouco vigoroso demais para mulheres, mas é feito para ser experimentado juntos. É um meio de convidar os outros ao quarto do casal, mesmo que apenas virtualmente. Pode até mesmo servir como um portal, um meio de um homem apresentar a pornografia à sua esposa.
    Em qualquer caso, quer a pornografia seja para homens, mulheres ou casais, o coração dela é o mesmo. Tudo se trata de fantasia, de imaginar-se em um contexto diferente com uma pessoa diferente fazendo coisas diferentes. É um homem imaginando uma mulher que se comporta como um homem, ou uma mulher imaginando um homem que se comporta como uma mulher.
    Essa pornografia para mulheres já está disponível, e mais vem por aí. Muito mais. Essa indústria sabe o que atrai os homens e sabem exatamente como comercializar, exatamente onde colocar para fazê-los comprar. E agora estão vindo atrás das mulheres. Estão estudando as mulheres e aprendendo exatamente como comercializar e exatamente onde colocar para fazer com que você também compre. Se foram tão bem sucedidos com homens, deveríamos zombar e imaginar que eles não poderiam jamais ser bem sucedidos da mesma maneira com mulheres?
    As mulheres podem imaginar-se olhando para esse tipo de pornografia entediadas, pensando que serão imunes a ela. Mas lembre-se, há muitos produtos que você usa hoje, muitos produtos que você não pude imaginar sua vida sem eles, que teriam gerado a mesma reação. Se dez anos atrás alguém tivesse descrito o Facebook para você, você teria rido alto. Muitas pessoas riram do iPhone e do automóvel também. Nós frequentemente não sabemos o que queremos ou precisamos até que essas mesmas coisas sejam comercializadas para nós. Elas são comercializadas habilidosamente e sutilmente em medida crescente.
    Espero que a indústria seja menos bem sucedida em criar pornografia que atraia tão bem as mulheres e esteja tão facilmente disponível para elas. Espero que as mulheres sejam mais perspicazes que os homens quando se trata da sedução da pornografia e que elas estejam equipadas para resistir a ela com sucesso. Mas com toda a devastação que a pornografia trouxe aos homens, suas famílias, suas igrejas, por que Satanás não tentaria repetir seu golpe de mestre? Até agora, a sedução da pornografia tem sido primariamente sentida por homens mesmo enquanto muito da dor que ela causa tem sido descarregada sobre suas esposas. Amanhã podemos ter também muitos homens feridos, chorando pelo que eles descobriram e nunca teriam suspeitado a respeito das mulheres que amam.
    Não há razão para temer, mas há toda razão para ficar atento. Há toda razão para ser humilde e duvidar de si mesmo. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10:12). Temos toda a razão para tornar isso um motivo de oração.
    Por Tim Challies
    Tim Challies, 2002-2013. Todos os direitos reservados. Original: 50 Shades of Porn,
  • Lição 2 – A importância do ensino cristão

    Lição 2 – A importância do ensino cristão

    ensino cristão

    Texto Áureo

    “Estes, pois, são os mandamen­tos, os estatutos e os juízos que mandou o Senhor, vosso Deus, para se vos ensinar, para que os fizésseis na terra a que passais a possuir”. Dt 6.1

    Verdade Aplicada

    A educação cristã deve promo­ver entusiasmo, ânimo e vida cristã em abundância.

    Objetivos da Lição

    • Mostrar que não existe genu­íno cristianismo senão através do ensino prático de Jesus Cristo;
    • Indicar quais as esferas em que o ensino cristão deve ser aplicado;
    • Revelar a necessidade de desenvolvermos um caráter, à semelhança de Jesus mediante o ensino.

    Textos de Referência

    Dt 6.6        E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;

    Dt 6.7        e as intimarás a teus filhos e delas falarás assen­tado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.

    Dt 6.8        Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.

    Dt 6.9        E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

    Javé é nosso Deus, Javé é Único (6:4-9)

    Este grande livro prossegue agora para dar expressão ao que era o coração da confissão israelita, ou seja, que Javé não era um panteão de deuses, mas Único. Devia, portanto, ser o objeto único da fé e obediência de Israel. A nação não deveria esquecer Javé nem dividir sua lealdade entre outros deuses nos dias de prosperidade. Além do mais, deveria assegurar a continuidade de tal lealdade e da fé revelada na aliança através do ensino diligente às crianças.

    4. Ouve Israel. Israel é convidado a responder a Javé com a mesma plenitude de amor demonstrada por Javé em favor de Seu povo. No Novo Testamento o versículo 5 é apresentado por Jesus como o primeiro e grande mandamento (Mt 22: 36-38. Cf. Mc 12: 29-34; Lc 10: 27, 28). Esta breve passagem (4-9) tem sido conhecida pelos judeus durante sécu­los como o Shema (sema’, ouve em hebraico) e é recitada junto com Deuteronômio 11: 13-21 e Números 15: 37-41 como oração diária. A refe­rência à colocação das leis de Deus como frontal entre os olhos é comen­tada em 6: 8. A prescrição do versículo 4 tem sido considerada como uma maneira positiva de enunciar as ordens negativas dos dois primeiros man­damentos do Decálogo (5: 7-10). Esta confissão central da fé israelita consiste de apenas quatro palavras, Javé, nosso Deus, Javé, Um (A doutrina cristã da Trindade não contradiz este texto, embora envolva uma compreensão diferente do conceito de trindade na Pessoa Divina.). A ex­pressão tem sido entendida de várias maneiras. Traduções possíveis são: Javé nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé é um”, “Javé é nosso Deus, Javé somente”. Seja qual for a tradução escolhida, o signi­ficado essencial é claro. Javé deveria ser o único objeto da adoração, lealdade e amor de Israel. A palavra “um” ou “Único” implica em monoteísmo, mesmo que não o afirme com todas as sutilezas da formulação teoló­gica. O monoteísmo bíblico tinha uma expressão prática e existencial que levaria ao abandono de pontos de vista como a monolatria. Mesmo que alguém em Israel admitisse a existência de outros deuses, a afirmação de que somente Javé era Soberano e único objeto da obediência de Israel fazia soar o toque fúnebre para quaisquer posições inferiores ao monoteísmo.

    5. Amarás a Javé teu Deus. A obediência de Israel não deveria sur­gir de um legalismo estéril baseado na necessidade e no dever. Deveria surgir de um relacionamento baseado em amor. É interessante notar que em alguns tratados de suserania uma palavra semelhante é usada para expressar o relacionamento entre o vassalo e seu suserano. O equivalente hebraico deste uso da palavra “amar” ocorre em 1 Reis 5: 1, onde a SBB traduz “Hiram sempre fora amigo de Davi”. Mesmo em tratados se­culares sentia-se a necessidade de um relacionamento mais profundo que o meramente legal. O termo bíblico “amar”, entretanto, tem uma cono­tação muito mais profunda. Oséias usa o verbo para expressar a afeição de Javé por Israel, fazendo uso de poderosas metáforas, extraídas da vi­da doméstica, do relacionamento entre marido e esposa (Os 3: 1) e do relacionamento entre pai e filho (Os 11:1). A extensão do amor do ho­mem a Deus deveria ser total. Israel deveria amar a Deus com todo o seu ser. A expressão de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força é uma das favoritas em Deuteronômio (4: 29; 10: 12; 11: 13; 13: 3; 26: 16; 30: 2, 6, 10), e nos oferece uma percepção parcial da anti­ga psicologia hebraica. O coração era considerado a sede da mente e da vontade bem como de uma vasta gama de emoções. O termo alma é de difícil definição, mas parece ser referir à fonte de vida e vitalidade, ou mesmo do próprio “ser”. Em Gênesis 2: 7 e 19 homens e animais são apresentados como “seres” viventes. * Os dois termos, coração e alma en­tre si indicam que o homem deve amar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. Para dar mais força à ordem, uma terceira expressão é acres­centada, de toda a tua força.

    6. A necessidade de ter a lei de Deus no teu coração ao invés de em simples tábuas de pedra é aqui apresentada (çf 11: 18; Jr 31: 33). A comparação com o Novo Testamento é interessante. O teste do amor de um indivíduo ao Senhor Jesus Cristo é a observância de Seus mandamen­tos; “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14: 21; cf 1 Jo 5: 2). Tais passagens mostram que a obediência ao mandamento é um subproduto do amor. À objeção de que o amor não pode ser ordenado (5) mas tem que ser espontâneo, deve-se dar a res­posta de que o amor flui da gratidão e da devoção. Amor é uma expressão de lealdade. O homem que ama alegremente ama com todo o seu ser. A presente injunção foi feita para deixar claro a Israel qual era o caráter de seu relacionamento com Javé, seu Senhor. Qualquer coisa menos que ab­soluta devoção e lealdade levaria a uma lealdade dividida, que teria sido impossível. A ordem do amor não pode ser interpretada como prova de que o amor seja menos que espontâneo, mas como prova de que apenas um amor que não é dividido pode ser chamado amor em seu sentido mais verdadeiro.

    7-9. Quando um homem ama a Deus de maneira total, obedece alegremente às Suas palavras que estão gravadas no coração. A exigência do amor a Deus implica em todas as outras, e a disposição de amar a Deus abrange tanto a disposição de obedecer os Seus mandamentos quanto a disposição de comunicar tais mandamentos às gerações seguintes, de mo­do a preservar uma atitude de amor e obediência entre o povo de Deus em todas as épocas (7a, 20ss.). O livro de Deuteronômio dá importância es­pecial à tarefa de ensinar a família (4: 9b; 6: 20-25; 11: 19). As exigên­cias da aliança de Javé devem ser o assunto da conversa a todo o tempo, em casa, no caminho, de noite e de dia. Israel deve ensiná-las diligente­mente, falar delas constantemente, atá-las como sinal em várias partes do corpo, e escrevê-las. O amor de Deus e as exigências de Sua aliança deve­riam ser o interesse central e absorvente de toda a vida do homem.

    8,9. O que fora originariamente dado como uma metáfora tor­nou-se, mais tarde, para os judeus, uma ordem literal. Esta passagem, juntamente com Deuteronômio 11: 13-21 e Êxodo 13: 1-10, 11-16, era escri­ta em pequenos rolos colocados em pequenos invólucros de couro atados à testa e ao braço esquerdo quando o Shema era recitado. A origem dos filactérios (cf. Mt 23: 5) se encontra neste literalismo. Os filactérios eram usados por todos os judeus homens durante o período da ora­ção matutina, exceto aos sábados e dias de festa, que já eram sinais em si mesmos. Posteriormente, outra prática se desenvolveu, a de colocar estas quatro passagens em pequenos recipientes que eram afixados no portal de entrada da casa (a mezüzâ). Cópias antigas de tais documentos foram encontradas nas cavernas de Qumran e em outros lugares. É óbvio que tais práticas devem ter tido significado profundo para algumas pessoas. As breves passagens da Escritura eram “sinais” que representavam todo o conteúdo da lei, que deveria ser ensinado e observado. Quando, porém a prática se reduziu a mero legalismo, o espírito da antiga ordem foi destruí­do. O que movia homens à obediência era o amor de Deus e a lembran­ça de Suas misericórdias passadas. Tais sinais já eram suficientes em si mesmos, sem quaisquer lembretes físicos. A recordação dos atos salva­dores de Deus e a declaração das exigências de Sua aliança seriam suficien­tes para manter vivas a fé e a lealdade.

    A importância de recordar (6:10-25).

    Na fé bíblica a recordação das misericórdias e atos de libertação passados efetuados por Deus é fundamental. Na hora da prosperidade, ou em ocasiões em que tudo vai bem, os homens esquecem a Deus e podem até mesmo abandonar sua lealdade a Javé. Dois aspectos da importância do recordar são agora levantados. Em primeiro lugar há uma declaração negativa: os israelitas são exortados a não esquecer (10-19). Em segun­do lugar, Israel é desafiado a transmitir a seus filhos os grandes fatos da libertação do Egito.

    O perigo do esquecimento (6: 10-19).

    10-13. Em várias passa­gens de Deuteronômio enfatiza-se o fato de que uma civilização agrária estabelecida aguardava Israel quando de sua chegada à terra prometida. Tudo aquilo seria seu sem qualquer esforço de sua parte. Numa terra de pouca irrigação natural, com uma longa estação seca, as reservas de água eram essenciais à vida. Israel, entretanto, já encontraria cisternas cavadas, vinhas e olivais florescendo, cidades e casas construídas, tudo esperando apenas que os israelitas viessem tomar posse (cf 8:7-11; 11: 13-17; 26: 10; 32: 14). Devotar-se a tais tesouros terrenos e esquecer que eram a dádiva do amor de Deus e o cumprimento de Sua promessa aos patriarcas (10) era uma forte tentação para os israelitas. Por isso, Israel não deveria esquecer Javé e seus grandes atos de livramento que haviam resgatado seus antepassados da escravidão do Egito (12). Antes, suas vidas deveriam ser caracterizadas por um santo temor ou reverên­cia — que é a raiz da obediência e a base de atitudes corretas na vida, por um serviço leal surgido dessa reverência, e por fazer de Javé o penhor de sua integridade e honestidade em todas as suas atividades, fazendo votos somente em Seu nome. A história posterior de Israel é cheia de incidentes em que o povo deixou de dar ouvidos a esta admoestação. Por exemplo, durante os prósperos anos do oitavo século AC, Deus era honra­do apenas por cerimônias exteriores; as questões mais importantes de Sua lei eram esquecidas (Am 5:4, 5, 14; 6:1, 4-6; Os 2:5, 8; Is 1:4, 21-23). Numerosos exemplos poderiam ainda ser colhidos na história do povo de Israel e na história da Igreja cristã. Em nossos dias, o nominalismo da igreja na afluente sociedade ocidental dá testemunho eloquente do fato de que em seus dias de prosperidade a Igreja se esquece de Deus.

    14. A tragédia do esquecimento é que Israel viria a se voltar para os deuses das nações vizinhas que, na verdade, nem deuses eram. Eram divindades da natureza e da fertilidade, cujas exigências morais normais nem de longe se podiam comparar com as severas exigências éticas impos­tas por Javé.

    15. Negligenciar deliberadamente a Javé era equivalente a um desa­fio ao grande e soberano Senhor de toda a vida. No terreno secular um vassalo rebelde era castigado por seu suserano. No terreno em que Javé reinava, “maldições” sobrevinham àquele que quebrava a aliança. Javé, que era um Deus zeloso (5: 9), visitaria Seu povo em juízo. A presen­ça de Javé entre seu povo era um estímulo à boa conduta e oferecia um forte incentivo a que Israel andasse em Seus caminhos.

    16. O incidente em Massá (Êx 17: 1-7), no qual Israel tentou a Deus é agora recordado como outra advertência. Tentar a Deus é impor condições a Ele e fazer de Sua resposta à exigência do povo na hora da crise a condição para que Israel continuasse a segui-lo. No deserto, quando o povo precisou de água, os israelitas propuseram a Moisés que o apareci­mento de água fosse um teste para determinar se Javé estava ou não em seu meio (Êx 17: 7). Tal ato, entretanto, é uma impertinência e é oposto à fé, pois recusa os sinais oferecidos por Deus e propõe em seu lugar sinais que sejam aceitáveis aos homens. Ao duvidarem da soberania de Deus na hora da crise ou da necessidade, os israelitas procuraram tomar a inicia­tiva e obrigar Deus a dar provas de Si próprio diante deles por meio de feitos espetaculares que eles mesmos houvessem proposto (cf. 1: 19- 46). Em seus dias, Jesus recusou-Se a oferecer sinais aos escribas e fariseus (Mt 12:38, 39; 16: 1-4; Mc 8: 11, 12; Lc 11: 16, 29, 30; cf 1 Co 1:22).

    17-19. Mais uma vez Israel é exortado a guardar diligentemente as estipulações da aliança, e a fazer aquilo que é reto aos olhos de Javé (17, 18a). Mais uma vez as bênçãos decorrentes da obediência são menciona­das; prosperidade, posse da terra e expulsão de todos os seus inimigos (18b, 19; cf Êx 23:27-32).

    O ensino da fé da aliança (6:20-25).

    20. Mais cedo ou mais tarde, os filhos fatalmente iriam perguntar por que seus pais levavam um tipo de vida diferente daquela vivida pelas nações vizinhas. Prevendo o futuro, Moisés exortou o povo a ter sua resposta pronta quando seus filhos per­guntassem por que razão observavam as estipulações da aliança (testemu­nhos), estatutos e decisões judiciais (juízos) que Javé dera a Israel.

    21-25. A resposta apropriada à pergunta dos filhos seria recitar a narrativa da atividade redentora de Deus na libertação dos antepassados da escravidão no Egito. A crença de Israel em Deus era expressa, assim, não em termos de uma formulação abstrata, mas em termos da atividade dinâmica de Deus. Mesmo as crianças poderiam entender aquela história, pois seu conteúdo era simples: escravidão no Egito (21a), os atos mila­grosos de Deus contra Faraó e o Egito, pelos quais Israel foi liberto (21b, 22), a direção cuidadosa e segura de Deus desde o Egito até à terra prome­tida (23) e finalmente a chegada à terra que Javé jurara dar a seus pais. Este recitativo tem íntima semelhança com outras confissões de fé no Ve­lho Testamento (26: 5-9; Js 24: 2-13) (Este recitativo tem sido chamado por Gerhard von Rad e outros de “Credo Cultual” e tem sido usado para argumentar que o evento do Sinai, que não aparece em Dt 26: 5-9, não era parte da mais primitiva fé israelita. O fato de um elemento de um credo ser omitido, contudo, não significa que não tenha existido. Outra forma li­terária bem conhecida que aparece especialmente em Êxodo liga o evento do êxodo com o evento do Sinai do mesmo modo pelo qual os tratados de suserania ligam o contexto histórico do tratado com as suas estipulações. A verdade completa sobre a crença de Israel só é descoberta por meio da combinação de vários credos diferentes.). Sem dúvida os frequentes recitativos dessa narrativa deram origem a uma formulação litúrgica. Foi à luz de tais atos de livramento que Javé pôde convidar Israel a entrar em aliança consigo e a impor sobre a nação, para seu próprio bem, as obrigações da aliança que Israel presentemente observava e que o distinguia de seus vizi­nhos. Tudo isto seria objeto de inquirição por sucessivas gerações de fi­lhos israelitas. Os mandamentos deveriam ser não um peso a ser carrega­do mas a provisão graciosa de um guia para uma vida feliz, feita por um Soberano benevolente. Assim Javé preservaria a existência de Israel. A obediência à lei divina seria por justiça (sedãqâ) para Israel. Esse con­ceito é de difícil definição. Em algumas passagens do Velho Testamento denota uma norma a ser adotada numa área qualquer. No plural indica “atos salvadores” (Jz 5: 11; 1 Sm 12: 7; Sl 103: 6; Mq 6: 5, etc.). Em ou­tras passagens sedãqâ se refere a uma atitude certa, ou um relacionamen­to certo, para com Javé. Quando Abraão creu em Deus, adotou uma atitude correta que o colocou num relacionamento correto com Deus. No contexto que agora observamos o padrão proposto é conformidade à aliança divina, que resultaria no desfrute das bênçãos da aliança. Tal tipo de raciocínio era tacitamente aceito no mundo secular em relação aos tratados da época, quando vassalos fiéis e leais desfrutavam do favor de seus suseranos. Comparar Salmo 24: 3-5, onde o homem que guarda a lei de Deus recebe bênção do Senhor e a vindicação ou “justiça” (fdàqâ) de seu Deus salvador (Deus da sua salvação). Alternativamente, o termo pode denotar “libertação” ou “salvação”, co­mo em várias passagens do Velho Testamento (Is 41: 10; 46: 13; 51: 1, 5, etc.).

     

    Bibliografia J. A. Thompson