João Batista, o precursor do Nazareno
Esboço
- Caracterização Geral
- Família e Começo de Vida
- Fontes Informativas
- Ministério e Mensagem de João Batista
- Elias Redivivo
- João Batista e Jesus
- Seguidores de João Batista
- Morte de João Batista


Introdução
A primeira seção do Antigo Testamento composta dos cinco livros de Moisés é conhecida como Pentateuco. Ela é composta dos seguintes livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Este foi o primeiro grupo dos livros do Antigo Testamento que foi reconhecido como canônico, inclusive, está presente nas mais variadas versões das diversas religiões (Judeus, Samaritanos, Cristãos, etc).
No Pentateuco, estão registrados os mais antigos acontecimentos da história, dentre os quais se destacam: A origem do mundo, do povo Judeu, suas tradições, seus costumes, a entrega da lei, o culto divino, até a entrada do povo de Deus na terra prometida de Canaã. Para os judeus, o Pentateuco sempre foi considerado como sagrado, pois contém os dez Mandamentos e a história da origem de sua nação.
I – CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O PENTATEUCO
1 – A Origem do “Pentateuco”.
O Pentateuco é um grupo composto de cinco livros individuais, contudo, ao mesmo tempo, estão ligados entre si através de uma narrativa contínua e ininterrupta de uma história completa, que vai da criação até a morte de Moisés, mostrando-nos assim a sua unidade.
Para os judeus, esses livros são chamados e conhecidos como “Torah” ou “Lei”. O nome Pentateuco vem da versão grega “Septuaginta” que remota do século III a. C.. A expressão vem de duas Palavras gregas: Penta, “cinco”, e teuchos, “instrumento, ferramenta”. O termo veio depois a simbolizar “um invólucro para rolos de papiro”, depois, os próprios rolos. Disto o seu sentido: “cinco volumes, cinco livros”.
O Pentateuco, tem no Antigo Testamento vários nomes:
* A lei (Js 8.34; Ed10.3; Ne 8.2,7,14; 10.34,36;12.44; 13.3; 2 Cr 14.4; 31.21).
* O livro da Lei (Js 1.8; 8.34; 2 Cr 22.8; Ne8.3).
* A lei do Senhor (Ed 7.10; 1 Cr16.40; 2 Cr 25.4).
* A lei de Deus (Ne 10.28,29).
* O livro da lei de Deus (Js 24.26; Ne8.18).
* O livro da lei do Senhor (2 Cr 17.9; 34.14).
* O livro da lei do Senhor, seu Deus (Ne 9.3).
2 – Texto Original.
Aquilo que temos hoje denominados de os cinco primeiros livros da Bíblia, para os judeus da antiguidade, era um conjunto que formava um só volume, denominado, como já foi dito, de “Lei” ou “Torah”. Porém, com o passar do tempo, o desejo de obter-se cópias manejáveis da Torah, lenvou os israelitas a dividirem a mesma em cinco rolos de tamanho quase igual. Contudo, apesar de dividido, estes livros permanecem conforme o texto original em seu conteúdo, mostrando assim a sua unidade.
3 – O Pentateuco na Bíblia Hebraica.
Os livros do Pentateuco, na Bíblia hebraica, receberam os seus nomes de acordo com sua primeira palavra ou frase nele existente. O primeiro chama-se “Bereshit” (no princípio); o segundo, “Shemót” (nomes); O terceiro “Vayikrá” (e ele chamou); o quarto, “Bamidbar” (no deserto); o quinto, “Devarim” (palavras).
4 – Nome universal dos livros do Pentateuco.
“Quando as Escrituras foram traduzidas para o grego, os tradutores deram um título a cada um dos livros, conforme a mensagem preponderante neles contidas. Ao primeiro livro, por tratar das origens de todas as coisas, deram o nome de “Gênesis” (palavra grega, que significa “origem”); ao segundo livro, cujo assunto principal é a saída do povo de Israel do Egito, denominaram de “Êxodo” (palavra grega que significa “saída”); ao terceiro livro, cujo principal tema são as regras a serem observadas pelos sacerdotes nos sacrifícios e demais ritos estabelecidos pela lei, denominaram “Levítico” (referente aos levitas); ao quarto livro, que tem seus pontos mais importantes referentes aos dois grandes recenseamentos feitos no povo de Israel por Moisés, denominaram de “Números” e ao quinto e último livro, que era uma repetição da lei por Moisés antes de sua morte, denominaram de “Deuteronômio” (palavra grega que significa “segunda lei” ou “a lei pela segunda vez”). Estes nomes da Septuaginta acabam se universalizando, até porque diziam respeito ao tema dos livros e eram nomes gregos, sendo o grego a língua mais difundida neste período da história, tendo, ademais, sido os títulos acolhidos pela versão latina das Escrituras, o que tornou estes nomes universalmente aceitos” (Caramuru Afonso).
II – A AUTORIA DO PENTATEUCO.
Há milhares de anos a opinião tanto dos judeus como dos cristãos, sempre foi unânime em afirmar que Moisés foi o autor, ou seja, o escritor do Pentateuco. Contudo, a partir do ano 1650, começaram a aparecer diversos críticos sugerindo que Moisés jamais escreveu-o. Estas primeiras dúvidas foram levantadas por homens como: Hobbes, Peyrerivs, Spinosa, Richard Simon, Le Clerc e outros. Vejamos agora que, tanto o testemunho interior (os livros canônicos) como exterior (os livros não canônicos) indicam que Moisés é o autor do Pentateuco:
1 – Evidências no próprio Pentateuco.
Em Êxodo 17.14 diz: “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro (inglês, “O livro”) e relata-o aos ouvidos de Josué: que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus”. Este texto mostra que Moisés foi escolhido pelo Senhor tanto a escrever a profecia divina, como também seu fundo histórico. Mais adiante vemos o seguinte relato: “E Moisés escreveu todas as palavras do Senhor…” (Êx24.4). Ver ainda (Êx 34.10-27). Em Números 33.1-2, vemos Moisés registrando todos os acampamentos durante toda viagem no deserto, desde o Egito até Moabe. Esta lista forma um argumento forte da literatura de Moisés e toda a história do Pentateuco, pois se ele registrou o próprio plano da viagem, descreveu sem dúvida, também, os acontecimentos em torno da viagem de um lugar para outro. Em Deuteronômio também narra quando Moisés escreveu a lei e deu-a aos sacerdotes(Dt 31.9,24,25). Ver(Dt 31.24-26), estes textos demonstram também que o Pentateuco atesta que Moisés foi seu escritor.
Tanto em Levítico como em Número repete-se muitas vezes a frase: “Como o Senhor falou a Moisés e disse”.
O livro de Deuteronômio inicia com a seguinte frase: “Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel…”(1.1).
2 – Evidências em toda a Bíblia.
Outros livros do Antigo Testamento nos mostra que o Pentateuco ou a Lei é uma obra de Moisés:
* O livro da Lei de Moisés (Js 8.31; 23.6; 2 Rs 14.6; Ne8.1).
* Livro de Moisés (Ed 6.18; Ne13.1; 2 Cr 25.4; 35.12).
* A lei de Moisés, servo de Deus (Dn 9.11).
* A lei de Moisés (1 Rs 2.3; 2 Rs21.8; 2 Cr 23.18; Dn9.13; Ne 4.4).
Além destes textos, há ainda no Antigo Testamento outros textos que confirmam a autoria Mosaica do Pentateuco(Jz 3.4; 1 Rs8.54-56; 2 Cr 34.14).
Os personagens bíblicos do Novo Testamento também consideram Moisés como o escritor do Pentateuco. O primeiro deles é o próprio Cristo que participa e considera o conceito geral entre os judeus, de que Moisés escreveu os cinco livros que têm o seu nome (ver Mt 19.8; Mc10.4,5. Comp. Também Mt 8.4; Mc1.44; 7.10; 12.26; Lc 5.14; 20.37;16.31; 24.27,44; Jo 5.46,47;7.19; etc). Os apóstolos e os outros escritores do Novo Testamento, mostraram a mesma convicção(At 3.22; 13.39;15.5-21,25; 26.22;28.23; Rm10.5,19; 1 Co 9.9; 2 Co3.15; Ap 15.3).
Além das confirmações bíblicas temos também o testemunho do historiado Judeu Flávio Josefo, que viveu durante o primeiro século da era cristã e que também reconhece Moisés como sendo o escritor do Pentateuco.
Reforçando também esta tese temos o testemunho de dois respeitados livros judaicos: O Talmude e a Mishná, que faz o comentário da Torá e a interpretação das leis rabínicas, estes também reconhecem como sendo o Pentateuco de autoria Mosaica, com exceção dos últimos versículos de Deuteronômio que é atribuído a Josué.
III – A COMPLEXIDADE DO PENTATEUCO
1 – O Pentateuco e a Crítica literária.
A crítica do Pentateuco é algo que todo estudante do Antigo Testamento enfrenta, o que não é fácil, pois exige de cada um de nós paciência, fé, conhecimento e habilidade para saber pesar os prós e os contra e no final poder dar o valor real daquilo que é correto. A chamada Alto crítica ou Crítica literária durante séculos tem procurado colocar em dúvida a paternidade mosaica do Pentateuco, chegando a afirmar que os cinco primeiros livros do Antigo Testamento são uma compilação de documentos registrados, em sua maior parte, no período de Esdras (444 a. C.). Para esses críticos, o documento mais antigo que se encontra no Pentateuco data do tempo de Salomão. Insinuam ainda que o livro de Deuteronômio é uma “fraude piedosa” escrito pelos sacerdotes no reinado de Josias tendo como objetivo, promover um avivamento. Chegam inclusive a afirmar que o livro do Gênesis consiste em lendas nacionais de Israel. Contudo, é importante lembrarmos que o Antigo Testamento, especialmente o Pentateuco, foi revisado e compilado na forma como hoje o conhecemos, por Esdras, que era escriba(Ed 7.6), isto a Bíblia não nega. Inclusive, Esdras tinha como grande responsabilidade ensinar a Lei de Deus ao povo que havia saído do cativeiro babilônico. Porém isto não é motivo para negarmos a autoria mosaica do Pentateuco. Isto são afirmações que não merece o mínimo de credibilidade.
2 – A produção dos textos bíblicos.
A produção de cada versículo do Pentateuco, especialmente dos primeiros versículos do livro de Gênesis, foi passada diretamente de Deus ao homem, visto que, havia uma relação muito estreita entre os nossos primeiros pais e o criador. E isto foi passado para as raças descendentes, inclusive, era um costume que foi recomendado pelo próprio Deus(Gn 18.17-19; Êx13.14). Isto tornou-se possível principalmente por causa da longevidade dos homens da antiguidade. Por isso não foi difícil de uma transmissão verbal da revelação original de nossos primeiros pais até Moisés.
Conforme já vimos, a arte da escrita é de uma época muito antiga. No tempo de Moisés foi comum uma forma alfabética de escrever, que, inclusive, foi provado nas descobertas da literatura religiosa em Ras Shamra (antiga Ugarit). O dialeto de Ugarit é “parente chegado” do hebraico, e Moisés pode ter escrito o Pentateuco no hebraico antigo. Talvez tenha sido essa a grande necessidade sentida por Esdras de compilar o Pentateuco, visto que, o hebraico antigo passou por uma grande reforma.
3 – O processo da revelação divina.
A Bíblia defende-se mostrando-nos que toda profecia é um processo de revelação e inspiração divina(2 Pe 1.21). Ao analisar-se o Pentateuco, percebe-se que suas leis e mandamentos não foi algo advindo do pensamento humano, mas, diretamente de Deus, em cuja origem destaca-se a figura de Moisés, o grande legislador, que, na formação do Pentateuco foi inspirado para esse tão importante trabalho. Podemos vê-lo como um instrumento de Deus no processo da revelação divina.
IV – A IMPORTÂNCIA DO PENTATEUCO
1 – Para os Judeus.
“Entre os judeus, o Pentateuco é a parte de maior autoridade nas Escrituras, tanto que consideram que a Torah está acima dos demais escritos, preocupando-se em lê-las anualmente na íntegra, servindo os demais escritos, ainda que considerados divinamente inspirados, como complementação, explicação e ilustração do Pentateuco. Mesmo os saduceus, que negavam a existência de uma espiritualidade, reconheciam a autoridade divina do Pentateuco, ainda que somente do Pentateuco, mas isto revela que, mesmo um segmento religioso fortemente influenciado pelo materialismo, como eram os saduceus, não conseguiam, dentro do ambiente cultural hebraico, deixar de reconhecer a validade e a autoridade dos livros da Lei de Moisés” (Caramurú Afonso).
2 – Para os Cristãos.
O cristianismo sem o Pentateuco estaria desprovido de uma base sólida, pois é nele onde é revelado a história profética da redenção, e o redentor que virá através da descendência da mulher (Gn 3.15).
“Uma leitura cristã do Pentateuco deve seguir antes de tudo a ordem dos relatos: O gênesis, depois de haver oposto às bondades de Deus Criador as infidelidades do homem pecador, mostra, nos Patriarcas, a recompensa concedida à fé; o Êxodo é o esboço de nossa redenção; Números representa o tempo de provação em que Deus instrui e castiga seus filhos, preparando a congregação dos eleitos. O Levítico poderá ser lido com mais proveito em conexão com os últimos capítulos de Ezequiel ou depois dos livros de Esdras e Neemias; o sacrifício único de Cristo tornou caduco o cerimonial do Antigo Templo, mas suas exigências de pureza e de santidade no serviço de Deus continuam sendo uma lição sempre válida. A leitura do Deuteronômio acompanhará bem a de Jeremias, o profeta de que ele está mais próximo pelo tempo e pelo espírito” (Bíblia de Jerusalém).
O próprio autor do Cristianismo, ao ser tentado pelo diabo utilizou os textos do Pentateuco (Ver Mt 4.4-10; comparar com Dt6.13,16; 8.3; 10.20). Numa clara demonstração que não veio destruir a lei (Pentateuco), mas cumprir(Mt 5.17). Em certa ocasião, Jesus falou aos judeus quê Moisés escreveu a respeito d’Ele(Jo 5.46).
3 – O Pentateuco na Bíblia.
“A revelação do Pentateuco está, por fim, no fato de que tudo que se origina ali tem seu complemento e termino no Novo Testamento. A correlação entre o Gênesis e o Apocalipse é algo que tem admirado os estudiosos da Bíblia através dos séculos e uma comprovação inequívoca de que são estes os momentos inicial e terminal de toda a revelação divina para a humanidade. Daí porque podemos afirmar que toda a argumentação que foi criada contra a autenticidade do Pentateuco nada mais é que uma artimanha, uma cilada do inimigo de nossas almas para tentar desacreditar a Bíblia Sagrada, pois o adversário tem plena consciência que é no Pentateuco que está construído o alicerce de todas as Escrituras” (Caramurú Afonso).
Conclusão
O Pentateuco é uma dádiva divina a toda humanidade. Ele é o fundamento para todos os livros da Bíblia, inclusive os do Novo Testamento. Contém história, orientação moral e leis primordiais de Israel, sem as quais o povo, sua história, sua religião e sua existência não fazem sentido algum. O cristianismo também, sem o Pentateuco estaria desprovido de uma base sólida, porque o cristianismo nasceu dentro do judaismo.
Colaboração: Roberto José da Silva (Autor) e José Roberto da Silva (Aux)
Bibliografia:
Comentário de Caramurú Afonso; Revista Ensinador Cristão, CPAD;
A Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas; O Pentateuco, VIDA; Intro-
dução ao Velho Testamento, JUERP; Síntese bíblica do Velho Testa
mento, CPAD; Revista da Bíblia, IBB; Bíblia de Estudo Almeida, SBB
Bíblia de Estudo Genebra, Editora Cultura Cristã

Efésios 6:11
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
É imprescindível a necessidade que o cristão tem de vestir-se com a armadura de Deus, na batalha contra o mal.
Nesta lição abordaremos a realidade da existência do mundo espiritual mais especificamente os espíritos maus os demônios. Essa doutrina, apesar de ser posta de lado por muitos estudiosos modernos, nos países mais civilizados, tem sido comprovada por vários estudos no campo da parapsicologia e em manifestações desses espíritos nas igrejas, que mostram a existência de forças estranhas e poderosas, de natureza negativa, e que operam no mundo. Aqueles que rejeitam tais ideias, mui provavelmente o fazem por terem um ponto de vista limitado sobre a formação do universo, supondo inutilmente que o homem, em sua mente pervertida, pode explicar quaisquer fenômenos que de outro modo são classificados como demonismo. Todavia, vários fenômenos ultrapassam em muito a essa maneira de ver as coisas, e males de tipo grotesco e poderoso realmente existem, inteiramente à parte da própria mente humana pervertida, a qual, segundo estamos prontos por admitir, já é bastante maldosa.
O dualismo no mundo espiritual é ideia antiquíssima, alicerçada na experiência humana, que não pode ser abafada pela psicologia moderna, embora seja verdade que esse estudo tem aberto para nós a caverna proibida da mente humana, demostrando que muitos demônios, por muitas vezes, ali habitam. A tentativa de modernização do texto presente, como se Paulo estivesse querendo falar apenas sobre as forças em oposição do bem e do mal, sob o simbolismo de espíritos bons e espíritos maus, furta essa advertência de seu sentido óbvio.
O simbolismo envolve guerra; mas essa guerra ultrapassa em muito aos limites da mente humana, porquanto penetra até mesmo nos lugares celestiais, habitação dos espíritos bons e maus. O próprio homem é um ser espiritual, existindo outros seres de menor poder, como também de poder mais alto, até mesmo de poderes elevadíssimos. E alguns usam seu poder para o bem, mas outros dentre eles fazem-no para o mal.
Nosso propósito é de conferir algumas exortações para nossa vida cristã, que é definida como uma guerra espiritual. Esta lição servirá para sumariar a vida piedosa e prática, em vista das grandes bênçãos espirituais e eternas que nos pertencem por intermédio de Cristo. Ef 1:3 -23.
Em nossa vida cristã, somos forçados a tomar sobre nós os poderes e as virtudes cristãs para a batalha, que é intensa e cheia de perigos. Nas primeiras epístolas de Paulo, parte desse pensamento como é apresentado (ver I Ts 5:8-9 e Rm 13:12); mas aqui ele é completamente desenvolvido.
Ao escrever a presente epístola, Paulo se encontrava em meio à tempestade que se armava, a fim de intensificar a batalha entre o bem e o mal. Ele via que o firmamento se enegrecia, e já podia ouvir o choque de exércitos hostis, ante a aproximação do exército do mal. Não estamos em tempo de descanso, de lassitude, de preguiça. Por isso é que a Palavra de Deus nos conclama às armas espirituais. Pois armas espirituais comuns não bastam. Somente os crentes supridos de armas pelo General celeste podem dar-se bem e serem vitoriosos nessa luta e nenhuma peça da armadura nos foi dada para proteger as costas. Portanto, o inimigo precisa ser enfrentado de frente, sendo derrotado por um esforço e por uma resolução firmes.
Paulo queria que soubéssemos que a vitória sobre o pecado não é coisa pequena. E também não devemos imaginar que é a derrota provocada pelas más influências que podem destruir nossa experiência cristã. Para tanto, é mister o pleno desenvolvimento dos poderes espirituais e da vigilância; e aqueles que negligenciam sobre esses pontos não demorarão a cair vítimas do pecado e suas horrendas consequências. Toda a experiência cristã serve de comprovação disso. E é assim que aprendemos quão intensa e séria é a vida. O homem se desviou para longe de Deus, e somente o poder do próprio Deus pode trazê-lo de volta com sucesso, ao seu legítimo lar celestial, às suas possessões eternas, dentro das quais participará da própria natureza de Cristo.

A partir do momento em que o cristão entrega sua vida a Jesus, ele passa a ser uma nova criatura, e ele também se torna cooperador de Deus e recebe autoridade do Alto para cumprir a missão de proclamar o Evangelho, conforme vemos quando ele envia os discípulos e depois envia mais setenta.
Lucas 9 1:6 – E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos. E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. E em qualquer casa em que entrardes, ficai ali, e de lá saireis. E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles. E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho, e fazendo curas por toda a parte.
Lucas 10:1-20- E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa. E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus. Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós .E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade. Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida. Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou. E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.
Outra passagem que demostra a autoridade do cristão é o texto de Apocalipse 1:6 -“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a Ele glória e poder, para todo o sempre! Amém”
É meu amado irmão para podermos desempenhar esta Missão, Deus equipou-nos com Poder (Dinamus) e Autoridade (Exusios)
Toda autoridade do cristão está fundamentada no nome de Jesus.
1- Guerra Espiritual
Também é conhecida como “batalha espiritual”. O que muitos estão chamando de guerra espiritual é um logro do inimigo, e não a verdadeira guerra ou luta espiritual de que fala Paulo em Efésios 6.10-18, e muitas outras passagens correlatas da Bíblia.
De nada adianta o uso de uniformes especiais, palavras de ordem (como “queimar” ou “pisar” Satanás e seus demônios), certos cânticos repetidos indefinidamente, jejuns encomendados, locais especiais de reuniões (como orar em montes etc), convidados especiais para falar, barulho ensurdecedor e gritos estridentes, se não estivermos biblicamente em Cristo, segundo a Palavra de Deus, e no poder do Espírito Santo (Jo 15.7).
Quanto aos demônios, o que os inovadores da doutrina estão a fazer é:
a) Impor as mãos sobre os endemoninhados (!?!)
b) Chamar endemoninhados à frente (!?!)
c) Dialogar com demônios em público (!?!)
O demônio pode até sair, mas volta; ou entra noutra pessoa, ou ainda entra em muitas outras pessoas.
Qual a razão desses inovadores quererem dialogar com demônios? Para ouvirem confissões tétricas de demônios (ou supostos demônios). Isso equivale a divulgar os demônios, e é isso o que eles querem.
Jesus mandou-nos chamar os pecadores e expulsar os demônios. Hoje estamos vendo certos pregadores chamando os demônios e expulsando os pecadores. Sim, porque estes saem das reuniões confusos, sem saber se estavam num culto legítimo ao Senhor ou numa sessão espírita.
A chamada guerra espiritual, como está no momento caracterizada, é uma falsa operação divina. Há libertação de demônios, profecias e milagres falsos.
Sobre falsas profecias, o Mestre já nos advertiu. Em Mateus 7.22-23, encontramos Jesus fazendo referência a pessoas que não serão aceitas pelo Senhor apesar de colocarem: “Não profetizamos nós em teu nome?” Isso também tem a ver com falsos pregadores. Sobre falsa libertação de demônios, no mesmo texto encontramos: “E em teu nome não expulsamos demônios?” A resposta do Senhor foi a mesma (Mt 7.23). O evangelista deve atentar para isso. Sobre falsos milagres, no mesma porção bíblica temos: “E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” A resposta foi idêntica (Mt 7.23). Sobre isso podemos também ver 2 Tessalonicenses 2.9-11 e Apocalipse 13.13-14.
Vida cristã não é colônia de férias, mas campo de batalha. Quem não é um guerreiro é uma vítima. Nesta luta ninguém pode ficar neutro. Trata-se de uma guerra espiritual.
Quanto a essa matéria há dois perigos, dois extremos, ambos nocivos à vida da igreja:
a. SUBESTIMAR O INIMIGO. Hoje, muitas pessoas incautas negam a existência do diabo, desconhecem seu poder, suas armas, seus agentes e suas estratégias. Acham que o diabo é apenas uma energia negativa que está dentro do próprio homem ou um ser mítíco que apenas existe na mente fraca daqueles que não alcançaram a plena luz da razão.
b. SUPERESTIMAR O INIMIGO. Há aqueles que falam mais do diabo do que de Deus. Falam tanto do seu poder, de suas armas e estratégias, que subestimam o poder de Deus.
1. CONTRA QUEM É NOSSA LUTA
1.1. Quem não é o inimigo
Em primeiro lugar precisamos entender contra quem não é a nossa luta. “A nossa luta não é contra a carne ou sangue” (Ef 6.12), ou seja, a nossa luta não é contra pessoas. Muitas vezes o povo de Deus sofre terrivelmente por não entender contra quem está lutando. É um grande perigo alguém detonar suas armas sem ter um alvo certo. Há muitos crentes que estão entrando na batalha, mas estão ferindo os próprios irmãos.
1.2. Quem é o inimigo
Em segundo lugar, precisamos saber contra quem é a nossa luta. Em Efésios 6.11 Paulo diz precisamos estar firmes contra as ciladas do diabo. Ele é o nosso inimigo. Contra ele é que devemos lutar. A Bíblia atribui diversos nomes a esse terrível ser totalmente corrompido e mau: Satanás, diabo, Abadom, Apoliom, antiga serpente, dragão, assassino, pai da mentira, tentador, maligno, acusador, adversário, deus deste século, príncipe da potestade do ar, Belzebu, demônio, espírito imundo etc. Contudo, esse anjo caído, já foi vencido e despojado por Cristo (Cl 2.12-15) e não tem poder para destruir aqueles que estão em Deus (1 Jo 5.18).
2. AS ESTRATÉGIAS DO DIABO
Efésios 6.11 nos fala que o diabo usa ciladas. Aqui precisamos entender algo muito importante: o diabo não precisa usar cilada para quem já é dele. Vamos ilustrar. Há um quadro muito conhecido que circula no meio evangélico como ornamento de templos, casas, chamado OS DOIS CAMINHOS. Esse quadro retrata a realidade do céu e do inferno. O caminho largo que conduz ao inferno e o caminho estreito que leva ao céu. Mas, esse quadro, também apresenta uma heresia: ele mostra um grupo de pessoas que está antes dos dois caminhos, ou seja, um grupo que não está nem no caminho largo nem no estreito, como se fosse possível ficar neutro ou à parte desses dois caminhos. Isso não é possível.
Você está no caminho estreito ou no caminho largo. Você está indo para o céu, ou para o inferno. Não há meio-termo.
Quem não está debaixo do senhorio de Cristo, está vivendo sob a potestade de Satanás. É isso que Paulo diz em Atos 26.18, pois, converter-se é uma pessoa sair debaixo da potestade de Satanás para sujeitar-se a Deus. O apóstolo ensina o mesmo em Colossenses 1.13, quando afirma que a nossa salvação é como ser transportado do império das trevas para o Reino da luz. Ninguém está equidistante desses dois caminhos.

Por: Pr. Altair Germano
“Os Dons Espirituais” (que trata dos Dons de Manifestação do Espírito, assim classificados teologicamente), está muito rica em informações conceituais, históricas e descritivas. Desta forma, optei (mais uma vez) por uma abordagem exclusivamente prática sobre o assunto.
Conforme podemos entender pela Palavra de Deus:
1. É o Espírito Santo quem realiza as manifestações sobrenaturais dos dons (1 Co 12.11a). Os dons não podem ser “usados” quando bem queremos. É Deus, por seu Espírito, que nos usa, e isto quando bem quer. Há muitos que tentam usar a Deus. Fico surpreso quando pregadores e ensinadores cristãos “mandam” que os seus ouvintes falem em línguas. Falamos em línguas quando queremos, ou nos é concedido falar pelo Espírito (1 Co 12.7)? Certa vez um irmão me falou que tinha recebido o dom de línguas. Para comprovar o fato me disse: “recebi sim o dom de línguas, olha aqui…” e começou a falar em línguas (um negócio realmente muito estranho). Numa igreja batista em J. Pessoa-PB, apareceu uma certa irmã tentando dar aulas de como falar em novas línguas. Tem até um padre na internet que ensina a falar em língua. Demos aqui o exemplo do dom de línguas, mas nenhum outro pode ser manipulado por quem quer que seja. Pode-se manipular pessoas, mas não os verdadeiros dons espirituais aqui tratados, que manifestam-se eventualmente, inesperadamente e imprevisivelmente;
2. A concessão dos dons espirituais não está fundamentada nos méritos humanos (1 Co 12.11b, 18). É o Espírito que distribui os dons, a cada um, como bem quer (soberanamente). Cargos e funções na igreja podem ser concedidos pelos líderes por amizade, paternalismo, politicagem, interesses pessoais etc., mas o Espírito não age assim. Ele é santo e reto. Não se barganha com o Espírito, nem ninguém pode comprá-lo;
3. Os dons espirituais não nos tornam melhores do que ninguém (1 Co 12.10-27). O dons espirituais não são um atestado de boa conduta, nem transforma o caráter cristão. Apesar da manifestação dos dons na igreja de Corinto, uma série de problemas de ordem moral, familiar, eclesial etc. lá aconteciam. Os portadores dos dons espirituais não são crentes de primeira classe, nem devem se vangloriar pelos dons, pois são concedidos para a edificação pessoal e da igreja (1 Co 14.4) mediante a graça e a misericórdia de Jesus;
4. O dom de línguas (assim como os demais) não é concedido pelo Espírito a todos (1 Co 12.30). Resolvi enfatizar a concessão do dom de línguas, pela importância extremada que ele recebeu no meio pentecostal assembleiano. Temos pelo menos três maneiras de entender o que Paulo quiz dizer com: “Falam todos em outras linguas?”. A primeira, é afirmar que nem todos poderão ser batizados com o Espírito Santo e por isso não falarão em outras línguas. A segunda, é dizer que as pessoas que falaram em línguas por ocasião do batismo e não mais voltaram a falar, negligenciaram o dom (é a forma mais comum de interpretar o fato). A terceira, entende que todos poderão ser batizados com o Espírito Santo, evidenciando-se tal batismo pela manifestação de línguas (At 2.1-13, 37-39; 8.14-19; 10.44-48). Neste caso, muitos só falaram (ou falarão) em línguas por ocasião do batismo, mas por não terem simultaneamente ou posteriormente recebido o dom de “variedade de línguas”, nunca mais falarão. Particularmente, prefiro essa terceira hipótese por entender que se alinha melhor ao contexto da concessão dos dons.
5. O dom de profecia é mais útil e superior ao dom de línguas (1 Co 14.1-5). Deixemos que o próprio texto bíblico no fale: “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando. O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.” É triste e lamentável ver na igreja irmãos serem tidos por “menos” espirituais por não falarem em línguas, ou não falarem em público. Haja ignorância e desconhecimento dos ensinamentos bíblicos! Por outro lado, há milhares de crentes que falam em línguas, ou manifestam algum outro dom do Espírito, que tratam mal a mulher e os filhos, são arrogantes, caloteiros, invejosos, maldizentes, com terríveis falhas de caráter e etc. Parecem ser espirituais, mais é somente “fachada”. Não se espante. Saul, mesmo reprovado por Deus ainda profetizou (1 Sm 15.22-28; 19.20-24). Muitos que aparentam ter algum nível de espiritualidade, não são, nem serão conhecidos do Senhor (Mt 7.22-23);
6. O batismo com o Espírito Santo não é prerrogativa para se receber todos os dons espirituais (1 Co 1.1-7). A não ser no caso do dom de variedade de línguas (por questões lógicas e óbvias da Teologia Pentecostal), os demais dons de manifestação do Espírito não necessitam do batismo com o Espírito Santo para atuarem na vida do crente salvo (alguns afirmam que para interpretar as línguas é necessário ser batizado com o Espírito Santo). Na vida de milhares de servos de Deus os dons de manifestação do Espírito estão presentes por se crer em sua atualidade, sem que todos estes sejam batizado com o Espírito Santo. O próprio comentarista da lição bíblica, pastor Antonio Gilberto, consultor doutrinário e teológico, afirma que Daniel tinha o dom da palavra da sabedoria (Dn 1.17; 5.11, 12; 10.1), em Eliseu operava o dom da palavra da ciência (2 Rs 5.25, 26) e em Aías (1 Rs 14.1-8), Moisés, Elias, Eliseu e inúmeros outros servos de Deus tinham o dom de operação de maravilhas (Jo 6; At 8.6, 13; 19.11; Js 10.12-14). Eram Moisés, Daniel, Elias, e Eliseu batizados com o Espírito Santo, para que estes fenômenos através de suas vidas se manifestassem? Certamente você conhece irmãos e irmãs, servos e servas de Deus (das mais variadas igrejas, inclusive tradicionais) que manifestam em suas vidas alguns dos dons de manifestação do Espírito, sem serem batizados com o Espírito Santo (revestimento de poder evidenciado pelo falar em outras línguas).
Nenhuma tradição, credo ou teologia está acima da verdade revelada nas Santas Escrituras. Nenhum ensino doutrinário e teológico dever ser recebido passivamente, sem a devida análise e investigação (At 17.11).
Nenhuma denominão evangélica é detentora dos direitos e privilégios exclusivos da manifestação do Espírito (1 Co 12.4-6).
Nenhum crente salvo deve se privar destas bençãos e de ser uma benção, antes, deve buscar com zelo os melhores dons (1 Co 13.31 e 14.1).
Fonte: Blog do Pr. Altair Germano

INTRODUÇÃO
A Bíblia chama de “fruto do Espírito Santo” ao conjunto de ações que fazem o homem que aceita Cristo como seu Senhor e Salvador diferente dos que não tomaram esta decisão.
A salvação é um processo que traz o homem à comunhão com Deus, pois retira o pecado do homem, que era o que fazia separação entre ele e Deus (Is.59:2). Este processo é uma verdadeira transformação, que muda o homem completamente, atingindo o homem como um todo: corpo, alma e espírito. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(II Co.5:17).
A transformação radical que alcança uma pessoa que é salva foi bem ilustrada pelo Senhor Jesus, que afirmou que quem nEle crer passa da morte para a vida (Jo.5:24), das trevas para a luz (Jo.3:21). Assim sendo, a salvação, necessariamente, vem acompanhada de uma mudança de atitudes, de uma mudança de hábitos, de uma mudança de práticas. O homem que alcança a salvação passa a ter um novo conjunto de qualidades, um novo conjunto de atitudes, “não anda mais segunda a carne, mas, segundo e Espírito”(Rm 8:1).Este novo conjunto de ações, que estão de acordo com a vontade de Deus, é o que o apóstolo Paulo denominou de “o fruto do Espírito” (Gl.5:22) e que será o assunto de todo este trimestre.
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Sabemos que cada ser humano é diferente do outro, que não existe um indivíduo idêntico a outro, porque Deus não produz homens em série, como costumamos ver nas indústrias, mas, sim, dentro de seu supremo poder, cria cada homem individualmente. Esta individualidade do homem, conhecida como personalidade, deve ser dividida, basicamente, em dois elementos básicos: o temperamento e o caráter. O caráter define uma forma definida de conduta, que não é inata, mas constituída pela história de vida de cada sujeito, considerando a condição social, ambiente familiar, educação e todos os aspectos importantes para a construção das características de cada um. O caráter é influenciado pelo ambiente. O caráter é construído ao decorrer da vida do indivíduo e pode ser modificado. O temperamento define atitudes e atividades espontâneas, sendo inato. As influências do temperamento dos seres humanos são do sistema nervoso, composição bioquímica, hereditariedade. Estas características definem o temperamento como algo imutável, embora possa ser controlado e dominado.
As pessoas quando aceitam a Cristo, não deixam de ser indivíduos, não perdem a sua individualidade: o caráter muda, mas não o temperamento, que passa a ser controlado pelo Espírito Santo.
I – O PRINCÍPIO DO FRUTO DO ESPÍRITO
Sabemos que, para nos ensinar as realidades espirituais, que só podem ser discernidas espiritualmente (I Co.2:12-15), Deus, através da sua Palavra, usou de figuras naturais, de realidades terrestres, a fim de que nossa mente pudesse bem entender a sua revelação (Jo.3:12).Uma destas figuras foi a do fruto, conceito que foi amplamente utilizado nas Escrituras Sagradas e que é o objeto de nossa lição presente, pois se trata da base do conceito de ” fruto do Espírito Santo”. A primeira vez que a palavra “fruto” é utilizada na Bíblia foi em Gn.1:11, na narrativa da criação dos vegetais terrestres, no terceiro dia da criação. Naquela oportunidade, Deus mandou que surgissem na terra ervas verdes que dessem semente, como também árvores frutíferas que dessem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra.
Podemos dizer que Fruto é o órgão dos vegetais cuja função é fornecer nutrição para as sementes, que são resultado da fecundação das células reprodutoras dos vegetais.
Lições espirituais do conceito de fruto:
Em primeiro lugar, o fruto forma-se após a fecundação – ou seja, o fruto é resultante da transformação do ovário da flor. Em termos espirituais, a fecundação, ou geração, ocorre no momento do novo nascimento. Somente poderemos falar em fruto do Espírito Santo se tiver havido o novo nascimento. O Novo Nascimento significa uma mudança completa, total, absoluta –“…se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(2 Co 5:17). No exato momento da Conversão o “velho homem” é transformado num “novo homem”. O homem carnal, ou natural, é transformado num homem espiritual, e de forma simultânea, recebe a Regeneração, ou seja, é gerado de novo; a Justificação, pela qual é declarado como se nunca tivesse pecado; é galardoado com a Adoção, tornando-se filho de Deus, recebendo, ainda, a Santificação. Este processo denomina-se Salvação. É por isso que Jesus dá tanto valor à frutificação, porque ela é uma demonstração de que houve o novo nascimento, que lhe antecede necessariamente.
Em segundo lugar, o fruto é uma estrutura que tem a finalidade de guardar(proteger) a semente até que ela tenha condições de se desenvolver dando origem a um novo ser –Espiritualmente falando, como o fruto guarda a semente para que ela possa se tornar uma nova planta, da mesma maneira o fruto doEspírito Santo permite que o crente possa crescer espiritualmente, pois os hábitos e qualidades que irá ter, a partir de então, são instrumentos para a contínua aproximação do crente a Deus, fazendo-o refletir, cada vez mais, a glória do Senhor (II Co.3:17,18). Não é, aliás, por outro motivo que nosso Senhor afirmou que, através das nossas boas obras, os homens glorificam a Deus (Mt.5:16).
Em terceiro lugar, o fruto tem uma função de nutrição, ou seja, o fruto foi feito para alimentar não só a semente, que é um novo ser em desenvolvimento, como também os outros seres, entre os quais o homem, como Deus deixou bem claro na parte final da criação (Gn.1:29,30). Espiritualmente falando, o fruto do Espírito Santo em nossas vidas tem esta função de proporcionar alimento espiritual para a humanidade. É através do fruto do Espírito por nós produzido que o mundo poderá reconhecer Jesus, o pão da vida (Jo.6:35,48), que é o único alimento que pode sustentar o homem espiritual. Por este motivo, Jesus disse que nos escolheu, para que tenhamos fruto e um fruto permanente (Jo.15:16).
Em quarto lugar, o fruto é uma demonstração de que existe vida depois da fecundação – O fato de ter surgido um novo ser, que está na semente, não significa que a planta-mãe tenha morrido, mas, bem ao contrário, porque ela está viva, o ovário da flor transforma-se em fruto, para guardar e alimentar a semente até que ela tenha condições de germinar.Espiritualmente falando, a frutificação do crente é, também, a demonstração de que nele há vida, de que ele está vivo, de que ele está em comunhão com o Senhor. Jesus deixou-nos bem claro que Ele é a vida (Jo.1:4;11:25) e que, se não estivermos em comunhão com Ele, não poderemos dar fruto (Jo.15:2-6).
Em quinto lugar, o fruto tem como centro a semente, ou seja, existe em função da semente, para guardá-la e alimentá-la, até que ela tenha condições de germinar e dar origem a um novo ser.Espiritualmente falando,o fruto do Espírito Santo tem como centro a Palavra de Deus (a semente também simboliza a Palavra do Senhor, como vemos em Mc.4:14). Todas as ações e atitudes que caracterizam o fruto do Espírito estão em plena consonância com as Escrituras, são o cumprimento da Bíblia Sagrada na vida de cada crente. Não é possível que alguém produza o fruto do Espírito e não seja um cumpridor da Palavra de Deus, pois o fruto existe em função da semente.
Em sexto lugar, o fruto é o resultado de uma transformação. O ovário da flor transforma-se em fruto.Espiritualmente falando, o fruto do Espírito Santo é conseqüência de uma transformação, que é a salvação do homem que aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador. O fruto do Espírito Santo não é o resultado de uma reforma, de uma deformação, nem de uma formação, mas é produto de uma transformação, de um novo nascimento, nascimento da água e do Espírito.
II – A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO
1) Vida Frutífera – Quando o crente não se submete em tudo ao controle do Espírito Santo, ele não consegue resistir e neutralizar os desejos da natureza pecaminosa. Mas quando o Espírito tem esse controle, o crente torna-se igual um solo fértil para o Espírito produzir o seu bendito fruto descrito no versículo 22(vide item “a”). Somente pelo poder do Espírito o crente consegue sempre vencer os desejos, a cobiça e as inclinações da carne e viver uma vida frutífera. Um aspecto importante que observamos na botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico, é o resultado de todo um ciclo vital. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. O fruto, como se vê, portanto, é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do fruto do Espírito Santo. Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação deste fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que vamos, demos fruto e o nosso fruto permaneça (Jo.15:16).
Somos de Cristo para que demos frutos para Deus(Rm 7:4). Quem não dá fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele(Jo 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha(Lc 13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor(Mt 21:18-22;Mc 11:12-14). Aliás, é esta a única oportunidade do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do seu povo. Para agradar a Deus em tudo é indispensável que frutifiquemos em toda a boa obra(Cl 1:10).
a) Segredo da batalha espiritual – Para o cristão ser vencedor nesta batalha espiritual, o segredo éandar no Espírito –“Andais em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne”(Gl 5:16) – “Mas se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”(Rm 8:13). Não se trata, pois, da extinção da “carne” na vida do crente, mas da sua mortificação; de torna-la inoperante, inativa, sem ação, sem capacidade de agir, crucificada juntamente com as suas paixões, como está escrito em Gl 5:24. Somente em Cristo e mediante o “andar no Espírito”o crente vive vitoriosamente quanto às obras da carne, descritas como estão em Gl 5:24(vide item b), e daí viver uma vida cristã abundante e frutífera. Mas, como se dá isso na vida do crente? Ouvindo a voz do Espírito atentamente; seguindo-O inseparavelmente; Obedecendo às suas ordens; Não O entristecendo com rebeldia, mundanismo, irreverência e descaso com as coisas do Senhor; Confiando nEle continuamente.
b) Fruto e Obras – O apóstolo Paulo põe o paradoxo das possibilidades de vida em duas expressões: o cristão na deve produzir as obras da carne, mas, o fruto do Espírito Santo.
Ao colocar as manifestações da carne no plural, o escritor bíblico quis deixar claro que elas são múltiplas. Além disso, ele termina a frase, acrescentando um “e coisas semelhantes a estas”, o que mostra a amplitude das possibilidades no erro, diante das quais devemos estar vigilantes. A lista não poderia mesmo ser limitada porque a criatividade humana é ilimitada.
Quando o apóstolo passa a recomendar como o cristão deve viver, ele usa a expressão “fruto do Espírito” no singular. Cada arvore só dá um tipo de fruto, segundo a sua espécie. Esta ênfase paulina indica que essas virtudes não são para ser escolhidas no balcão do Espírito Santo, mas que devem compor a bagagem de todo cristão.A árvore de quem vive no Espírito Santo deve dar este fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. É um fruto só. Observe que Paulo não coloca um “e” na última parte do fruto, o que vem a reforçar a unidade deste fruto.
Gl 5.19-23 “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.”
Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que estes versículos.
OBRAS DA CARNE –“Carne”, é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal(Leia Rm 8:6-8, 13; Gl 5:17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus(Gl 5:21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e modificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo(ver Rm 8:4-14).
1) “Prostituição” – significa imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de filmes ou publicações pornográficas(cf Mt 5:32; 19:9, At 15:20,29; 21:25; 1Co 5:1).
2) “Impureza” – significa pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração(Ef 5:3; Gl 3:6).
3) “Lascívia” – significa sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e decência(2 Co 12:21).
4) “Idolatria” – significa adorar espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra(Cl 3:5).
5) “Feitiçarias” – significa praticar o espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria(Ex 7:11,22; 8:18; Ap 9:21; 18:23).
6) “Inimizades” – significa intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.
7) “Porfias” – significa brigas, oposição, luta por superioridade(Rm 1:29; 1Co 1:11; 3:3).
8) “Emulações” – significa ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros(Rm 13:13; 1Co 3:3).
9) “Iras” – significa ira ou fúria explosiva que brota através de palavras e ações violentas( Cl 3:8).
10) “Pelejas” – significa ambição egoísta e a cobiça do poder(2Co 12:20; Fp 1:16,17).
11) “Dissensões” –significa grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da Igreja (Rm 16:17).
12) “Heresias” – significa introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (1Co 11:19).
13) “Invejas” – significa antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos.
14) “ Homicídios” – significa matar o próximo por perversidade.
15) “Bebedices” – significa descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.
16) “ Glutonarias” – significa diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.
As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, isto é, não terá salvação(5:21; ver 1Co 6:9,10).
FRUTO DO ESPÍRITO – Os dons representam a capacidade ou poder no crente, e o fruto é a representação do caráter: os dois se completam. O fruto do Espírito Santo é um só, mas se manifesta em cada vida, de nove formas diferentes. Imagine uma laranja com nove gomos- o Fruto do Espírito Santo é um só(uma laranja), como nove qualidades(gomos).
Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver integro e honesto que a Bíblia chama “O Fruto do Espírito”. Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele(o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus(ver Rm 8:5-14).
1) “Caridade”(gr. Ágape) – significa o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada quer em troca(1Co 13).
2) “Gozo” – significa a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo(2Co 12:9).
3) “Paz” – significa a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial(1Ts 5:23).
4) “Longanimidade” – significa perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero(Ef 4:2).
5) “Benignidade” – significa não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor(Ef 4:32).
6) “Bondade” – <significa zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade(veja a história da mulher pecadora – Lc 7:37-50) ou na presença e na correção do mal(Mt 21:12,13 – quando Jesus expulsou os vendedores do Templo).
7) “Fé” – significa lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidelidade e honestidade(Tt 2:10; 1Tm 6:12; 2Tm 2:2).
8) “Mansidão” – significa moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com equidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso(1Pe 3:15; para a mansidão de Jesus, confira Mt 11:29 com 23 e Mc 3:5; para a de Paulo, confira 2Co 10:1 com 10:4-6; Gl 1:9; a de Moisés, confira Nm 12:3 com Ex 32:19,20).
9) “Temperança” – significa o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza(Tt 1:8; 2:5).
O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.
c) Fruto conforme a espécie – Não é apenas na sua função que o fruto nos traz preciosas lições espirituais. Também na sua estrutura, o fruto apresenta-se como uma figura das mais eloqüentes das ilustrações bíblicas das realidades eternas. A botânica ensina-nos que o fruto possui uma cobertura, denominada pericarpo, constituída por três camadas. Esta cobertura pode ser seca e fina, o que faz com que o fruto seja seco (o que ocorre com o trigo, a noz, a avelã e a semente de girassol), como também pode ser suculenta, o que faz com que o fruto seja carnoso. São muitas as variedades de frutos carnosos: as bagas (tomate, uva), as drupas (pêssego, ameixa, azeitona) e os pomos (pêra, maçã, marmelo). Espiritualmente falando, temos que o fruto do Espírito Santo tem a mesma natureza da sua cobertura, ou seja, o fruto é de acordo com a sua espécie. O Espírito Santo somente produz fruto digno de arrependimento, fruto consonante com a sua natureza, com as qualidades evidenciadas em Gl.5:22. Já se a cobertura do fruto não for o Espírito Santo, não adianta querer enganar os homens, pois se saberá, claramente, através da qualidade, que o fruto não é o do Espírito, mas, sim, teremos evidentes frutos pecaminosos e ruins.
2) Maturidade e equilíbrio cristãos – A Palavra de Deus fala claramente da recompensa que o crente tem ao dar liberdade ao Espírito Santo para que produza as características de Cristo no seu interior. Em 2Pedro 1, a Bíblia nos fala da necessidade de o crente desenvolver as dimensões espirituais da sua nova vida em Cristo. Com este desenvolvimento vem a maturidade, a firmeza e a perseverança, que permitem ao crente viver vitoriosamente no tocante à velha e pecaminosa natureza adâmica – “ Porque fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”(2Pe 1:10,11).
III – A SINGULARIDADE DO CARATER CRISTÃO
1) A pessoa é identificada pelo seu fruto – O Caráter é o traço distintivo de uma pessoa; é a sua marca. Por mais que seja melhorada pelos processos educacionais e éticos, ele será a marca distintiva da natureza do homem.
Do ponto de vista humano, Nicodemos era um homem de bom caráter, um homem de bem. Contudo, do ponto de vista de Jesus, como homem natural, ele não estava habilitado a produzir bons frutos. Ele continuava sendo um “espinheiro”. Para produzir “uvas”, precisava de uma mudança em sua natureza. Esta mudança só é possível através do Novo Nascimento. Depois disto, então, o homem poderá produzir “frutos bons”.
É preciso mudar a natureza do fruto, e, não apenas a sua qualidade – “… toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons”(Mt 7:17-18). O Senhor Jesus afirmou que “ O que é nascido da carne é carne…”(Jo 3:6). Nesta condição só poderá produzir “…as obras da carne…”(Gl 5:19). Nele terá que ser formado “… o Fruto do Espírito…”(Gl 5:22). Assim, segundo Jesus, é pela qualidade dos frutos produzidos que se conhece a árvore: “Por seus frutos os conhecereis…”(Mt 7:6).
Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto…”, segundo afirmou Jesus.
2) Os sinais contestados – O crente tem um comportamento, uma conduta diferente dos demais homens, porque tem uma natureza diferente, é de uma espécie diferente. Enquanto o crente é filho de Deus, o ímpio é filho do diabo (Jo.8:44); enquanto o crente é luz, o ímpio é treva; enquanto o crente tem vida, o ímpio está morto. Portanto, não pode, mesmo, haver comunhão entre o crente e o descrente. Assim, não podemos admitir o discurso de que o crente deve assumir a forma do descrente, até para “ter maior facilidade na evangelização”. Não temos, em absoluto, que tomar a forma do mundo. A Bíblia diz que não devemos nos conformar com o mundo (Rm.12:2), mas buscar transformá-lo.
Não devemos nos impressionar com a aparência, mas, sim, com a reta justiça (Jo.7:24). Devemos analisar as pessoas pelos frutos que produzem, ou seja, devemos verificar quais são as suas atitudes, qual é o seu caráter, não simplesmente o que está aparecendo em torno delas. Não nos preocupemos com os sinais, prodígios e maravilhas que alguém venha a fazer, mas, sim, com a presença do caráter cristão na sua vida. Não nos preocupemos com a vestimenta que alguém está usando, mas com a presença do caráter cristão na sua vida. É pelos frutos que reconheceremos quem é crente e quem não o é, pois Jesus disse que aquele que não produzisse fruto seria lançado fora da videira verdadeira. O caráter cristão permite-nos vislumbrar quem tem, ou não, comunhão com o Senhor e isto é que é importante, pois a comunhão com Deus representa a libertação do pecado e a conseqüente aceitação por Deus.
IV – OS PROPÓSITOS DA FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL
1) Expressar o caráter de Cristo -A partir do novo nascimento, o homem passa a ter um novo ambiente, que é o ambiente da comunhão com o Senhor, pois o próprio Senhor vem habitar no crente (Rm.8:9, Jo.14:23) e isto fará com que seja modificado o seu caráter. Ao adquirimos um novo caráter, o caráter cristão, que é o que Paulo denomina de “o fruto do Espírito”, que é idêntico a todos os crentes,pois resultado da atuação do mesmo Espírito que habita em cada um deles, não devemos nos esquecer de que cada crente tem seu temperamento, que o faz diferente um do outro, mas que, necessariamente,tem de estar sob o controle do Espírito Santo. Assim, cada crente é diferente um do outro, pois tem um temperamento distinto do de cada irmão em Cristo.
O segredo, portanto, de apresentarmos um caráter cristão e de controlarmos o nosso temperamento para que este caráter se forme e, portanto, que produzamos o fruto do Espírito, é o de nascermos de novo, de realmente crermos em Jesus e deixarmos que o Espírito Santo domine a nossa vida, que submetamos o nosso espírito ao Espírito Santo e, desta forma, apesar de nosso temperamento, produziremos o fruto do Espírito. Por isso, não podemos concordar com pessoas que querem servir a Deus “do jeito que são”, que “Deus respeita o meu modo de ser”, pois não é isto que dizem as Escrituras. Embora reconheçamos a individualidade de cada um e de que ninguém é igual a ninguém, não podemos concordar com a teoria de que “ninguém é de ninguém”. Somos de Cristo e a Ele pertencemos, se é que realmente cremos nEle como nosso Salvador. Somos sua propriedade, porque fomos comprados por Ele por bom preço (I Co.6:20a).
2) Evidenciar o discipulado – O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”(Jo 15:8). Dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Deus não pede o que não temos para dar e que Deus não exige o que não podemos fazer. Assim, se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito frutopara poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por sis só, cumprir suas condições. Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceita-lo como seu Salvador, precisa nascer de novo, precisa tornar-se um homem espiritual. Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: “ Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade , ele vos guiará em toda a verdade…”(Jo 16:13). Paulo complementou dizendo: “ E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas…”(Ro 8:26).
Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito, nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus.
3) Abençoar outras pessoas – Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que freqüenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está. A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (Jo.7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, mal cheirosa e produtora de doenças (Jr.2:13).
4) Glorificar a Deus(Jo 15:8) – Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt.5:16). A Igreja, aqui, em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (Jo.16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (Jo.17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras.
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD/Assembléia de Deus –Ministério Bela Vista/Fortaleza-CE.
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Bibliografia: Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco, Roberto José da Silva e Profº Antonio Sebastião da Silva;O Fruto do Espírito – Antonio Gilberto.

Introdução
O significado básico da palavra igreja (gr.ekklesia) é “chamado para fora”. Em grego clássico, ekklesia se referia a uma assembleia de qualquer tipo, religiosa ou secular, legal ou ilegal. As palavras hebraicas qahal e edhah, frequentemente traduzidas como ekklesia no Antigo Testamento grego significavam uma reunião ou assembleia, como as que o judaísmo tinha na sinagoga. No NT, ekklesia veio significar uma assembleia de crentes, especificamente seguidores de Cristo.
Embora, terrena mente, a igreja tenha começado depois do tempo de Cristo, o Antigo Testamento fez preparativos para ela. A igreja, ordenada por Deus desde a eternidade, também começou de maneira pré-determinada (Gl.4.4,5).
Várias interpretações foram propostas sobre quando se originou a igreja. No entanto, inúmeras linhas de evidencia sustentam que a igreja de Cristo teve inicio no dia de Pentecostes, diversas semanas depois que Cristo morreu e ressuscitou, e não no AT, com Adão, Abrão, Moises, nem mesmo durante a vida terrena de Jesus. A Igreja não começou até depois que Jesus veio, morreu, ressuscitou e a estabeleceu sobre o fundamento dos apóstolos.
1- O Embasamento da Fé
Toda a vida do cristão está baseada na sua fé ou seja naquilo que ele acredita, portanto temos que desenvolver uma fé sadia, e para tal devemos manter a simplicidade contida nos evangelhos como nossa prática de vida diária.
“ Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. 2 Co 11:3
1.1 – A Confissão de Pedro
A base sobre a qual a igreja está firmada, é uma declaração de fé dada pelo Espirito Santo a Pedro conforme lemos em Mateus 16:16-18 – 16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. 18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
A igreja católica romana usa esse texto para afirmar, que Pedro é a pedra ou fundamento para criação e manutenção da igreja e logo ele e o representante da igreja. Isso é um ledo engano pois uma análise cuidadosa do texto revela que o fundamento da igreja e de nossa fé foi a declaração de Pedro que Jesus é o Cristo o Filho do Deus Vivo.
E Jesus faz apenas um trocadilho dizendo que Pedro que no original é πετρος Petros que significa Pedra ou uma pedra, e que sobre a outra pedra que no original quer disser πετρα petra – rocha, penhasco ou cordilheira de pedra , rocha projetada (angular), penhasco, solo rochoso ,rocha, grande pedra.
Logo significa que Pedro é uma pedra e sua declaração é uma rocha.
Então a nossa fé está fundamentada em Cristo Jesus e nos Evangelhos.
1.2 – A confirmação do Espírito.
Tudo que o evangelho ensina, o Espirito confirma e dirige aqueles que se submetem a ele. É o Espirito que matem a igreja viva e atuante, realizando as mesmas obras que Jesus realizou aqui na terra, curando, libertando, batizando, salvando e levando pro céu.
Portanto devemos estar dispostos a oferecer nossa vida como sacrifício vivo no altar do Senhor para que através do Espírito Santo ele opere tanto no nosso querer como no efetuar.
Nesses últimos dias mais do que nunca o mundo deve reconhecer que o que nós fazemos pelo Reino não vem de nós mais do Espírito de Deus.
2. Ministérios Eclesiásticos
Dons Ministeriais
Muitos dizem que os dons ministeriais de Efésios 4.11 cessaram, mas o versículo catorze desse mesmo capítulo diz que eles existem “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”, e isso ainda não ocorreu.
Sobre o assunto, duas coisas básicas devem ser ditas de antemão. A primeira é que é Deus quem concede os dons ministeriais (Ef 4.11; Nm 18.7). A segunda é que é o dom ministerial recebido de Deus que determina o ministério ou o ofício do ministro. Em 1 Timóteo 4.14 e 2 Timóteo 1.6, vemos o dom ministerial. Em 2 Timóteo 4.5, o ministério resultante do dom. Os dons e seus ministérios podem ser vistos em 1 Coríntios 12.8-10, 27-30.
Esses dois pontos básicos acerca do ministério podem ser vistos em Atos 13.1-4. No primeiro versículo, vemos que os candidatos à ordenação já tinham o dom ministerial concedido por Deus: “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão, chamado Níger, e Lúcio cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo”. Nos dois versículos seguintes, vemos que foi a igreja, sob a orientação do Espírito Santo, que ordenou esses irmãos para exercerem o ministério: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram”. No versículo quatro, fica claro que foi o Espírito Santo que os enviou: “E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”.
A igreja ordena o obreiro como ministro do Evangelho, e não como apóstolo, profeta, evangelista, pastor ou mestre. Esses são ministérios dados por Deus. A igreja convencionou por si mesma chamar todos os ministros ora como pastores, ora como evangelistas, mas precisamos encarar o assunto dos dons ministeriais apresentados em Efésios 4.11 à luz da doutrina bíblica do ministério.
A soberania de Deus na distribuição dos dons ministeriais
Os dons do ministério são recebidos de Deus, segundo a sua soberania e no seu tempo. A uns Deus chama e capacita quando ainda estão no ventre de suas mães: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei: às nações te dei por profeta”, Jr 1.5. “E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir a face do Senhor, a preparar os seus caminhos”, Lc 1.76. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue”, Gl 1.15-16. Outros Deus chama na infância: “O Senhor chamou a Samuel, e disse ele: Eis-me aqui”, 1Sm 3.4. Samuel ainda era uma criança quando Deus o chamou.
Há alguns a quem Deus chama e capacita na idade adulta: “E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar”, Mc 3.13-14. “também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meola, ungirás profeta em teu lugar”, 1Rs 19.16. “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim”, Is 6.8.
Há também aqueles recebem o dom por imposição de mãos, por profecia: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério”, 1Tm 4.14. “Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos”, 2Tm 1.6.
Deus é soberano quanto ao exercício dos dons ministeriais na vida do obreiro. Timóteo era evangelista (2Tm 4.5), mas cuidou de igrejas por algum tempo (1Tm 1.3; 4.13). João Batista era profeta e cheio do Espírito Santo, mas não operava milagres (Jo 10.41).
2.1 Autoridade Apostólica
O termo apóstolo significa literalmente enviado. No original, o verbo e o substantivo aparecem em passagens como Hebreus 3.1, João 20.21, Mateus 10.15, Lucas 6.13, Atos 13.4 e 14.14, Gálatas 1.1,19, Romanos 16.7, 2 Coríntios 8.23 e Filipenses 2.25. Nos dois últimos textos, o termo não aparece no sentido ministerial.
O apóstolo é a mais alta ordem na escala de ofícios do ministério no Novo Testamento (1Co 12.28; Ef 3.5 e 4.11). A diferença de ministério entre o apóstolo e o evangelista está bem definida em Atos 8, na evangelização de Samaria. No ministério de Felipe como evangelista, destaca-se a pregação e a conversão dos pecadores (At 8.5-13). No ministério de Pedro e João como apóstolos, destacam-se o estabelecimento firme da obra e a consolidação dos resultados da evangelização (At 8.14,25). De fato, em Gálatas 2.9, Pedro e João (apóstolos) são tidos como colunas.
Os apóstolos têm sua liderança espiritual confirmada por provas e sinais (2 Co 12.12). Eles lançam os fundamentos iniciais de uma obra através da doutrina e da liderança (1Co 3.10; Ef 2.20). São eles que estabelecem, no início do trabalho, os fundamentos da doutrina (At 2.42) e provêem a adequada liderança espiritual.
O apóstolo vela com cuidado pela obra, no sentido geral e coletivo (2Co 11.28 e At 15.16). Esse cuidado geral e coletivo inclui viagens e comunicação constante com a obra. Vemos isso no livro de Atos, nas epístolas e através da História da Igreja. Os apóstolos, em virtude de sua missão, eram móveis. Não se fixavam em um lugar. Eram embaixadores de Deus.
O ministério apostólico também é caracterizado pela elevada autoridade conferida pelo Senhor (At 1.2 e 2Pe 3.2). A autoridade apostólica está sobre todos os demais ministérios (1Co 12.28). Nesse sentido, os apóstolos são “livres” para executarem serviços especiais de grande importância na igreja (1Co 9.11).
Os doze apóstolos do Cordeiro formam um grupo distinto (Jd 17). Eles colocaram o alicerce da Igreja (Ef 2.20 e Ap 21.14). São apóstolos num sentido único. Alguns exemplos de apóstolos da Igreja independentes do grupo dos doze chamados apóstolos do Senhor são Paulo e Barnabé (At 14.14), Andrônico e Júnias (Rm 16.7), e Tiago, irmão do Senhor (Gl 1.19). O próprio Paulo se declara apóstolo em Romanos 1.1 e 1 Coríntios 1.1.
2.2. Pastores, bispos e presbíteros.
O verdadeiro pastorado é um dom de Deus para ser exercido, e não primeiramente um cargo para ser ocupado. O pastor pode também vir a exercer o cargo de presidente da igreja. Se realmente o Senhor lhe concedeu o dom ministerial de pastor, e ele também for colocado por Deus para presidir a igreja, o seu ministério vem do Dom e o seu cargo através da sua eleição.
As atividades do pastor englobam as funções de pastoreio, pregador, mestre, administrador e conselheiro.
Como pastor, entendesse que esse ministério é um encargo ligado às ovelhas. O termo pastor, no original, significa aquele que cuida e guarda as ovelhas. Esse é o ministério que está mais relacionado a elas. O profeta “traz” Deus ao povo; o pastor “leva” o povo a Deus (Ex 19.17).
A função do pastor, como ministério recebido de Deus, compreende:
a) Dirigir, presidir e administrar o rebanho do Senhor: Sem isso, as ovelhas se desviarão.
b) Doutrinar: Para isso, o pastor precisa ser um estudante dedicado da Palavra de Deus, especialmente no que concerne à Teologia Sistemática. Um grande segredo do progresso no ministério pastoral está em doutrinar. Aqui, é preciso cuidado para não instituir “doutrinas de homens” (Cl 2.22). O pastor, pela natureza do seu trabalho, está muito ligado ao ensino bíblico (At 21.15-17).
c) Proteger: Se o pastor não fizer essa parte, muitas ovelhas cairão vítimas de todo tipo de males.
d) Tratar das ovelhas: Muitas caem doentes espiritualmente.
e) Alimentar as ovelhas: Uma ovelha faminta segue qualquer outro líder, além de outros males que lhe atingem.
f) Visitar: É outra função, exercida diretamente ou através de comissões.
g) Disciplinar: O termo disciplina envolve primeiramente o sentido de instrução, admoestação e correção, e não o de castigo e punição. Para fazer tudo isso, o pastor precisa estar sempre cheio do amor de Deus pelas ovelhas, pelos perdidos, pelos fracos e faltosos, por todos.
Como pregador, entendesse que o ministério pastoral também está ligado aos pecadores. Pregar é um encargo do pastor relacionado aos pecadores. Como mestre, compreendesse que o ministério pastoral inclui o encargo de educador, doutrinador e ensinador. Como administrador, o pastor tem o encargo de dirigir e presidir. Como conselheiro, um encargo de ordem pessoal.
Um exemplo de pastor no Novo Testamento é Tiago (At 15.13 e 21.18). Diz a tradição que seus joelhos eram calejados como os de um camelo, de tanto orar ajoelhado.
As necessidades do pastor estão bem resumidas em Jeremias 3.15: “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência”. Jesus foi o maior exemplo de pastor. Sobre esse seu ministério, Isaías profetizou: “Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço: as que amamentam, ele guiará mansamente”, Is 40.11. Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”, Jo 10.11.
2.3 – Profetas e Evangelistas
Profetas
O termo profeta significa literalmente porta-voz (Lc 1.70 e Ex 7.2-3). Se quisermos entender esse ministério, é preciso antes compreendermos a diferença entre o dom de profecia e o ofício ou ministério profético.
O dom de profecia é para todos: “Todos podereis profetizar”, 1Co 14.31. O ministério profético, não: “São todos profetas?”, 1Co 12.29.
O ministério profético é exercido através de um ministro dado por Deus à Igreja. O dom de profecia é uma capacitação sobrenatural do Espírito Santo concedida a uma pessoa do povo para transmitir a mensagem divina. No ministério profético, Deus usa principalmente a mente do profeta; no dom de profecia, Deus usa principalmente o aparelho fonador da pessoa.
O profeta é um pregador especial, com mensagem especial. Sua mensagem apela à consciência da pessoa em relação a Deus, a si própria, ao pecado e à santidade. Vemos isso nos profetas do Antigo Testamento. É só conferirmos as mensagens dos livros proféticos. No Novo Testamento, podemos ver isso em profetas como Silas (At 15.32) e Ágabo (At 21.10).
O profeta de Deus é também um intercessor diante de Deus pelos homens, pela obra etc (Gn 20.7). O forte do profeta de Deus é expor os padrões da justiça divina para o povo. Ele é um arauto da santidade de Deus. Com autoridade e unção divinas, está sempre a condenar o pecado (Is 58.1). Seu espírito ferve com isso e ele geme por isso, pois para isso foi chamado. A Igreja precisa muito desse ministério para os dias atuais.
A Palavra de Deus sai da boca do profeta como flechas de fogo divino! João 5.35 diz de João Batista, o profeta: “Ele era a candeia que ardia”. O profeta de Deus faz o homem carnal estremecer, parar e considerar o seu mau caminho.
A profecia, como estamos tratando aqui, é uma mensagem sobrenaturalmente inspirada ou revelada da parte de Deus. A mensagem profética vem do Espírito Santo através das fé (Rm 12.6). Portanto, o ministério profético é um ministério de fé.
Duas curiosidades sobre os profetas de Deus na Bíblia: dois deles no Novo Testamento eram também apóstolos: Barnabé e Saulo (At 13.1); e há um alerta de Deus para o povo a respeito deles: “Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas”, Sl 105.15.
Nos tempos bíblicos havia falsos profetas: “E veio a mim a Palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que são profetizadores, e dize aos que só profetizam o que vê o seu coração: Ouvi a Palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e coisas que não viram”, Ez 13.1-3. Como naqueles tempos, ainda há falsos profetas.
Evangelistas
O vocábulo evangelista significa no original mensageiro de boas-novas. O autêntico ministro evangelista, chamado por Deus e colocado por Ele no ministério, não deve exercer o apostolado. Seu ministério deve ser itinerante. É só atentarmos para Felipe em Atos 8, principalmente para o último versículo: “E Felipe se achou em Azoto, e, indo passando, anunciava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia”, v40.
O professor de Escola Dominical tem a visão de uma classe de alunos; o pastor tem a visão de sua congregação, seu campo; o evangelista tem a visão regional e mundial. Sua paixão é o mundo para Cristo!
A mensagem do evangelista é “Vinde ao Senhor”; a do profeta é “Permanecei no Senhor”. Veja o exemplo de Barnabé como profeta: “O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor com propósito do coração”, At 11.23.
Em síntese, as diferenças entre profeta, evangelista e mestre são as seguintes: O profeta move o coração, a consciência do povo. Ele apela ao sentimento. O evangelista leva o povo a uma decisão diante de Deus. Ele apela à vontade. O mestre instrui o povo, a congregação, no caminho do Senhor, na Palavra de Deus, na doutrina bíblica. Ele apela à mente. Deus pode conceder a um mesmo ministro mais de um ministério ou dom ministerial.
O evangelista não deve ser um obreiro neófito, como se o ministério de evangelista fosse um início de “carreira”. Veja o exemplo de Felipe mais uma vez. Em Atos 8.5-8,13-40, no começo de seu ministério, o encontramos em pleno exercício. Em Atos 21.8, encontramos Felipe em plena atividade ainda.
O evangelista deve ter um conhecimento sistemático das doutrinas da Bíblia, especialmente aquelas ligadas ao exercício do seu ministério. Algumas das doutrinas e ensinos que o evangelista precisa conhecer são a doutrina da salvação, que por sua vez abrange em si um grupo de doutrinas; a doutrina da fé; o discipulado cristão, começando com a integração dos novos convertidos; milagres, sinais e prodígios, como em Atos 2.22; o batismo no Espírito Santo; e os dons e o fruto do Espírito. Ele também deve estudar muito homilética, exegese e hermenêutica. Tanto o profeta como o evangelista, como mensageiros de Deus, usam muito a imaginação. Jeremias e Ezequiel são exemplos. Jeremias com o cinto (Jr 13) e Ezequiel com o tijolo e a panela (Ez 4.1 e 24.3).
O tema principal do evangelista é a salvação dos perdidos e a volta dos desviados. Ele também promove o avivamento espiritual dos crentes. Onde não vemos nada na Bíblia sobre Salvação, o evangelista vê pelo Espírito, e ali prega! Para ele, parece que a Bíblia só contém a mensagem da Salvação. É interessante como o ministério evangelístico e a música são tão relacionados.
O autêntico ministério de evangelista é concedido por Jesus, nunca imposto pelos homens. Pelo fato de certos “evangelistas” não terem esse ministério, os tais usam de malabarismos, trejeitos, mecanicismo, emocionalismo e até truques diante do povo. Se bem que pode haver muito disso em um evangelista imaturo.
Paulo também era evangelista (1Co 1.17). Até a inscrição de uma placa serviu de tema de sermão para ele (At 17.23)!
2.4 – Doutores e Mestres
O termo mestre, como aparece em Efésios 4.11, significa literalmente ensinador. O próprio termo implica ensinar segundo os processos e métodos didáticos, apelando para as faculdades lógicas da mente, da razão.
Deus usa a mente do mestre. O mestre bíblico ocupa-se da doutrina, do ensino bíblico, portanto necessita dos dons da ciência e da sabedoria. Outro detalhe sobre esse ministério é que ele é, biblicamente falando, itinerante como o de evangelista.
É importante explicar aqui a má compreensão de 1 João 2.20,27, quanto ao ministério do mestre. Esses textos dizem: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo(…) E a unção, que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”. A explicação da suposta dificuldade está no versículo 26: “Estas coisas vos escrevi acerca dos que vos enganam”. O que João está querendo dizer é que o crente não precisa dos que ensinam doutrinas extrabíblicas. Esse “alguém que vos ensine” trata-se “dos que vos enganam”.
A Bíblia é, acima de tudo, um livro de doutrinas que precisam ser estudadas, compreendidas e expostas sob a unção do Espírito Santo, que inspirou essas doutrinas.
A doutrina bíblica trata-se de um ensino bíblico sistematizado. Nenhuma só doutrina aparece sistematizada na Bíblia. Isto é, organizada, desdobrada, esboçada. Nem aparece isolada em um só lugar. Essa sistematização vem por catalogação textual e conceptual desse ensino ou princípio bíblico. Quanto mais completa for essa sistematização, mais completo será o estudo dessa doutrina.
O mestre deve aprofundar-se nas ciências bíblicas da exegese e da hermenêutica, sem jamais deixar de depender do Espírito Santo para capacitá-lo e dirigi-lo no preparo de estudos e sermões, e na exposição da Palavra.
Não se conhece entre nós uma igreja que sustente um mestre para exercer o ministério de ensino, assim como sustentam seus pastores, se bem que todo pastor também tem que ensinar pela natureza do seu cargo. O resultado disso é crise, pobreza e problemas na área do ensino da Palavra.
O estudo bíblico
O mestre deve enfatizar em seu modo de ministrar o estudo temático da Bíblia. Agora, há vários tipos de estudo bíblico conforme a necessidade da ocasião. Há o devocional, o doutrinário, o auxiliar, o de treinamento e o de orientação.
Vejamos alguns passos no preparo de um estudo bíblico. Mas, antes, é importante atentarmos para o que diz Lucas na introdução de seu Evangelho: “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da Palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado”, Lc 1.1-4. Lucas fala que consultou fontes e que preocupou-se em transmitir o que ouvira com exatidão e em ordem.
Os passos de preparação de um estudo bíblico são:
a) Orar, orar e orar!
b) Estudar o assunto na Bíblia, fazendo apontamentos pessoais.
c) Consultar fontes auxiliares (de confiança), como os próprios apontamentos pessoais.
d) Ordenar o material de estudo coletado.
e) Esboçar o estudo. Para isso é preciso saber fazer esboços.
f) Preparar finalmente o estudo. É dar-lhe sua redação final.
g) Conferir cuidadosamente o estudo, tanto o texto com as referências bíblicas. Saber mesmo a diferença entre uma referência real e uma referência verbal.
Dois alertas aos mestres
Agora, é importante darmos dois alertas para os que ensinam na Igreja. O primeiro está em 1 Coríntios 8.1: “A ciência incha, mas o amor edifica”. É preciso que o mestre seja humildade. Apolo era mestre erudito, mas humilde: “E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus”. Apolo, mesmo sendo erudito, se dispôs a aprender.
O segundo alerta diz respeito aos cismas. Os cismas que vêm dividindo a cristandade desde a fundação da Igreja são quase sempre originados pelos mestres, teólogos, escritores e professores. A Palavra de Deus adverte que o julgamento do trabalho do mestre perante o tribunal de Cristo será mais rigoroso e mais exigente: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo”, Tg 3.1.
Concluindo
Os dons ministeriais operando em Jesus
Jesus é o maior exemplo de obreiro em toda a Bíblia Sagrada e em todos os tempos. Ele deve ser o nosso modelo, o padrão a ser seguido.
Jesus como apóstolo: Hb 3.1; Jo 12.3).
Jesus como profeta: Lc 24.19; At 3.22.
Jesus como evangelista: Lc 4.18-19; Lc 20.1; Is 61.1.
Jesus como pastor: Jo 10.10; Hb 13.20; 1Pe 5.4.
Jesus como mestre: Jo 13.13; Mt 26.55.

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; Hebreus 12:14
Introdução
A concepção que as pessoas, tem da expressão santo nos nossos dias e muito diferente do que a Bíblia ensina, a maioria das pessoas acha que ser santo é uma pessoa que não comete pecados e que possa realizar milagres, mesmo depois de morta.
Já a Bíblia apresenta a expressão Santo, que no original Hebraico é qadosh que significa separado, santidade, sacralidade, posto à parte, já no grego e usado o termo hagios separado por (ou para) Deus, santo e sagrado.
Portando Santos ou santas são pessoas separadas, para Deus que compõe a Igreja.
Santificação
I. Idéias Gerais
O termo grego aqui empregado é agiasmos, que significa “consagração”, “separação”, “santificação”. Refere-se ao processo que leva o crente a tomar-se uma pessoa dedicada, santa, baseada em um início implantado quando da conversão, reconhecido diante de Deus, mas também concretizado nele, através de sua transformação moral. O alvo final é a perfeita concretização dessa santidade no indivíduo, de modo que a própria santidade de Deus Pai seja plenamente absorvida (ver Mal. 5:48 e Rom. 3:21). Somente essa forma de santidade é aceitável por Deus; todos os seres que habitam nos lugares celestiais e, portanto, todos os seres que estão próximos de Deus, devem ser santos como Deus é santo.
A conversão e a justificação são as sementes da santificação. Pode-se perceber que a justificação, conforme os termos paulinos, realmente inclui aquele processo que se chama santificação, ainda que os reformadores protestantes, sobretudo Lutero, tenham feito clara distinção entre uma e outra doutrina, provavelmente no zelo de procurar preservar a justificação isenta de qualquer pensamento de esforço humano. Todavia, essa distinção não é paulina, pois a justificação é para a vida, e nela há comunicação de vida santa, e não apenas um “decreto forense” de Deus, que declara que o crente está “posicionalmente” perfeito em Cristo. E verdade que essa declaração forense está envolvida, mas há mais ainda envolvido. Consiste em realmente aperfeiçoar o crente, mediante a influência do Espírito Santo; isso pode ser chamado de santificação “progressiva” ou “presente”. A linha divisória entre a justificação e a santificação é muito tênue, se é que realmente existe.
A justificação, em seu sentido pleno, toma-se real e vital na santificação, que é a operação do Espírito Santo que toma o indivíduo dedicado e santo, e que assim, finalmente, vem a tomar-se o mais santo possível.
A “santificação” tem um aspecto passado, obtido quando da conversão; há também a santidade presente (ver GáI. 5:22,23), que vai sendo paulatinamente implantada pela ação e poder do Espírito; e há também um aspecto futuro da santificação, quando todo o resquício de pecado será tirado, quando o indivíduo se tomar finalmente participante das qualidades morais positivas de Deus, e não meramente livre da presença do pecado. E isso significa que o homem tomar-se-á tão santo como Deus, perfeito na bondade, na justiça e no amor, e esse é o alvo na direção do qual estamos sendo levados pela santificação.
Ora, é a transformação de nossa natureza moral que produz uma transformação correspondente da natureza metafísica, a qual nos tornará participantes da própria natureza e divindade de Cristo (ver Rom. 8:29; 11 Cor. 3: 18 e 11 Ped. I :4), a saber, da “total plenitude de Deus” (ver Efé. 3: 19). Esse é o alvo culminante da santificação.
Elementos da Santificação
1. Separação do crente para Deus e para o seu serviço (ver Sal. 4:3).
2. É uma realização divina (ver Eze. 37:28; I Tes. 2:23 e Jud. I), por meio de Cristo (ver Heb. 2: 11 e 13: 12), e através do Espírito Santo (ver Rom. 15: 16; I Cor. 6: 11 e I Tes. 4:8).
3. Consiste na comunhão mística com Cristo (ver I Cor.1:2).
4. Depende do valor da expiação pelo sangue de Cristo (ver Heb. 10:10 e 13:12).
5. Realiza-se mediante a energia da palavra de Deus (ver João 17: 17,19 e Efé. 5:26).
6. Cristo é o nosso mais elevado exemplo de santidade, porquanto é a nossa santificação (ver I Cor. 1:30).
7. A eleição leva a efeito esse alto objetivo, por meio da santificação, não podendo esse alvo deixar de ser concretizado na vida do crente regenerado, visto que é um dos elos da cadeia de ouro que nos leva à glorificação (ver 11 Tes. 2: 13 e I Ped. 1:2).
8. A igreja se tomará gloriosa por meio da santificação (ver Efé. 5:26,27).
9. Conduz o crente à presente mortificação da natureza pecaminosa (ver I Tes. 4:3,4).
10. Conduz o crente àquela santidade no Intimo sem o que ninguém verá a Deus (ver Rom. 6:22; Efé. 5:7-9 e Heb. 12: 14).
11. Toma aceitável para Deus a “oferta” dos santos (ver Rom.15:16).
12. A vontade de Deus é que os crentes sejam santos (ver I Tes. 4:3).
13. Também é mediante a santificação que os ministros de Deus são separados para o serviço divino (ver Jer, 1:5).
14. Devemos orar insistentemente para que os crentes participem plenamente da santificação (ver I Tes. 5:23).
15. Sem a santificação ninguém poderá herdar o reino de Deus (ver I Cor. 6:9-11).
Santificação Completa
1. Biblicamente falando, isto é declarado impossível para a vida atual. Ver I João 1:8.
2. A experiência mostra que declarações de inteira santificação são falsas.
3. As pessoas que declaram Ter alcançado a “perfeição” sempre reduzem a definição do pecador para ter a capacidade de viver (em algum grau) suas declarações.
4. A santificação inclui a participação positiva nas virtudes morais de Deus (Gál. 5:22,23). Deste ponto de vista, a santificação deve ser um processo infinito, eterno. Ver Efé. 3: 19 sobre a nossa participação na plenitude de Deus. A perfeição atualmente é o alvo. A perfeição de Deus sempre será o alvo de nosso viver.
Em termos gerais, tudo isso está envolvido no processo de separação ou dedicação a um ser santo, para seu uso, para seu serviço, tanto nesta terra como nos céus, tanto no tempo como na eternidade. Deus santifica. Cristo santifica e o Espírito Santo santifica (conforme declaramos anteriormente), mas o próprio crente também se santifica, cedendo à influência divina e aplicando os meios normais de adoração e purificação, como a oração, o estudo da Palavra e a meditação, além da inquirição pelo Espírito
Santo. Esses são “meios” que compete ao crente aplicar a si mesmo, a fim de que o Espírito Santo, por sua vez, opere sua obra santificadora. (Ver os trechos de Lev. 11:44; Jos. 7:13 e 11 Cor. 6:14-18, onde a responsabilidade da santificação é imposta ao homem.)
A santificação consiste na transformação moral do crente segundo a imagem de Cristo. Por isso mesmo torna-se necessária a comunhão com ele, para que haja essa realização (ver I Cor. 1:4 e 11 Cor. 3: 18). As experiências espirituais específicas podem intensificar a busca e ‘fornecer vitórias especiais no terreno da santificação; mas nenhuma experiência poderá entregar tudo para nós. De fato, na qualidade de seres mortais, não somos ainda o tipo de seres que possa ter a santidade em seu sentido mais completo, conforme explanado acima. É mister que o indivíduo receba a natureza divina e esteja habitando nos lugares celestiais, antes de poder dar os passos gigantescos na direção da perfeição moral que podemos intitular de “completa santificação”. Trata-se de uma inquirição eterna, e não meramente da terra ou dos céus, como se, por ocasião da partida do crente deste mundo e de sua entrada nos lugares celestiais, tudo pudesse ser atingido automática e repentinamente.
Pelo contrário, esse exaltado alvo está sendo atingido; e nisso consiste a própria existência do crente, nisso consiste a própria natureza da vida terrena – tornarmo-nos cada vez mais semelhantes a Deus.
A santificação tem sido reduzida a um “sacramento”, porquanto muitos estudiosos supõem que, na Igreja Católica Romana, a santificação é conferida através da graça supostamente inerente nos sacramentos. Pelo contrário, a santificação é e sempre será “espiritual”, ou seja,
vem através da comunhão com o Espírito de Deus, mediante sua presença habitadora contínua. Certamente que isso não envolve um processo legalista. Não pode a santificação ser atingida mediante a observância consciente de algum código legal.
O Alvo da Santificação
1. A santificação tem seus primórdios originários na eleição; e uma vez que se desenvolve em realidade, ela se torna um meio da eleição.
2. O Espírito Santo é o agente da santificação, pois afinal de contas, trata-se de uma realização divina. Requer a cooperação humana e se concretiza mediante o uso dos meios de desenvolvimento espiritual, como o amor, bem como o emprego dos dons espirituais, no cumprimento de nossas respectivas missões e na santificação.
3. O alvo é elevadíssimo: antes de mais nada, a própria natureza santa de Deus está sendo implantada em nós (ver Dan.3:21).
4. A perfeição de Deus é o alvo da santificação (ver Mal. 5:48). Chegaremos a participar da natureza do Pai, porquanto somos filhos de Deus e estamos sendo conduzidos à glória (ver Heb. 2: 10).
5. A participação na natureza metafísica de Deus é o resultado da inquirição após a perfeição (ver 11 Ped. 1:4). Isso nos conferirá a plenitude divina (a natureza e os atributos de Deus), conforme se aprende em Efé. 3:19. Essa transformação é levada a efeito em conformidade com a imagem do Filho, o qual é o arquétipo da nossa salvação (ver Cal. 2: I0 e Rom, 8:29).
Santificação envolve todo o nosso ser
Vemos que a santificação afeta nosso intelecto e inteligência quando Paulo diz que devemos colocar-se do novo “que está sendo renovado em conhecimento, à imagem de seu Criador” (Cl 3:10).Ele ora para que os filipenses para ver seu amor “abunde mais e mais no conhecimento e bom senso” (Fl 1:9). E exorta os cristãos romanos para “transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2). Embora o nosso conhecimento de Deus é mais do que conhecimento intelectual, não é certamente um componente intelectual, e Paulo diz que esse conhecimento de Deus deve aumentar sobre as nossas vidas “viver de modo digno do Senhor para o seu inteiro agrado” ( Col 1:10). A santificação dos nossos intelectos envolvem o crescimento em sabedoria e conhecimento para ser gradualmente “[tendo] cativo todo pensamento para torná-lo obediente a Cristo” (2 Coríntios 10:5) e achar que os nossos pensamentos estão recebendo os pensamentos que Deus nos ensina através da Sua Palavra.
Além disso, o crescimento na santificação afeta nossas emoções. Veremos cada vez mais em nossas emoções da vida como “amor, alegria, paz, paciência” (Gl 5:22). Nós vemos mais e mais capaz de obedecer o comando de Pedro de longe dos “desejos pecaminosos, que a guerra contra a sua alma” (1 Pedro 2:11). Cada vez mais achar que “ele [o amor] o mundo ou qualquer coisa nele» (1 Jo 2:15), mas que nós, como nosso Salvador, regozijamo-nos a vontade de Deus. Em uma medida cada vez maior que “[vontade subject] coração” (Romanos 6:17), e abandonar as emoções negativas da “amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, juntamente com toda a malícia” (Efésios 4: 31).
Além disso, a santificação afetar nossa vontade, o poder de tomada de decisão, porque Deus está trabalhando em nós, “é Deus quem opera em vós o querer eo fazer para obter a sua boa vontade” (Fp 2:13 .)À medida que crescem na santificação, nossa que respeitar mais e mais à boa vontade de nosso Pai celestial.
Santificação também afetam o nosso espírito, a parte não-física de nossos seres.Devemos “[purificar] de tudo o que contamina o corpo eo espírito, aperfeiçoando o temor de Deus na obra de nossa santificação” (2 Cor 7:1), e Paulo nos diz que a preocupação com “as coisas do Senhor “leva a” dedicar-se ao Senhor em corpo e espírito “(1 Coríntios 7:34).
Finalmente, a santificação afeta nossos corpos físicos. Paulo diz: “Que o próprio Deus, o Deus da paz, vos santifique completamente, e manter todo o seu ser-espírito, alma e corpo – irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:23).Além disso, Paulo incentivou os coríntios a limpar “tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando o temor de Deus na obra de nossa santificação” (2 Coríntios 7:1, cf.1 Coríntios 7:34). Para correr mais santificados em nossos corpos, eles estão se tornando servos mais úteis de Deus, mais receptivo à vontade de Deus e os desejos do Espírito Santo (cf. 1 Coríntios 9:27).
Nós não vamos deixar o pecado reinar em nossos corpos (Romanos 6:12), nem participar em qualquer forma de imoralidade (1 Coríntios 6:13), mas tratar o corpo com cuidado e reconhecer que eles são meios pelos quais o Espírito Santo trabalha em nossas vidas. Portanto, não ser molestado ou abusado de qualquer jeito, mas vou tentar ser útil e sensível à vontade de Deus: “Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que tenham recebido Deus? Você não é sua; foram comprados por um preço. Portanto, honrar a Deus no vosso corpo “(1 Coríntios 6:19-20).

Texto Bíblico Básico
Romanos 1.1-6,15-17
1- Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.
2- O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras,
3 – Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,
4- Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,
5- Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,
6- Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.
15- E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.
16- Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
17- Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.
Texto Áureo
E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo. Romanos 15:29
Introdução
Hoje estudaremos sobre a autoridade do Evangelho, e primeiramente devemos definir o que é Evangelho.
Segundo o dicionário Strong ευαγγελιον euaggelion – recompensa por boas notícias ou simplesmente Boas Novas
Neste vocábulo, podemos encontrar pelo menos três significações. 1) Anúncio da salvação oferecida gratuitamente por Deus, através de Jesus Cristo, a todos os que crêem. 2) Doutrina de Cristo como se encontra nos quatro primeiros livros do Novo Testamento. 3) Os relatos da vida, do ministério e da paixão de Cristo, registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João.
No Novo Testamento, as boas novas falam do reino de Deus, da mensagem de Deus aos homens, do perdão de pecados, da esperança. Nos escritos de Paulo o termo significa boas novas, especialmente em relação às igrejas; o plano de Deus para a igreja, o destino e grande privilégio da mesma, incluindo os meios de salvação, o perdia de pecados, a justificação etc…
Portanto os Evangelhos são uma autoridade em relação a vida, missão, obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
1. A boa verdade
O Apóstolo Paulo na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 15, nos versos 1 a 4, ensina que o evangelho que ele tinha recebido é que Cristo morreu por nossos pecados; que foi sepultado, e ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Este era o evangelho que ele tinha recebido. Muito provavelmente tinha recebido de Ananias depois que foi para Damasco, quando da sua conversão, e depois por Barnabé e os apóstolos.
Mas quando Paulo escreve a carta aos Romanos, provavelmente da própria cidade de Coríntios, ele fala que o evangelho, que chama ousadamente de seu evangelho, vai muito mais além. Ele diz que no evangelho é revelada de fé em fé a justiça de Deus (Rom. 1.17). E ele mesmo diz que os cristãos que estavam em Roma, necessitavam conhecer todo o evangelho em Cristo Jesus. Que eles também como Paulo só tinham recebido uma parte deste evangelho, e que todo o evangelho agora era dado a conhecer para a obediência da fé (Rom. 16.26).
Até o capítulo 5 da carta aos Romanos, Paulo fala mais uma vez sobre aquilo que eles já tinham recebido: a justificação pela fé. Mas a justificação é para levar o homem à glorificação, isto é, ser conformado à imagem de seu Filho: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” Romanos 8.29-30.
Este é o propósito eterno de Deus, de nos conformar à imagem do seu Filho. Mas da justificação para a glorificação existe a santificação. No capítulo 5 de Romanos o apóstolo Paulo usa por 4 vezes a expressão “muito mais”. Ele queria nos compartilhar que no evangelho em Cristo havia muito mais que apenas uma justiça através da fé no sangue. Que a graça tinha sido abundante no perdão dos nossos pecados, mas que ela tinha ido muito além do perdão, tinha sido superabundante.
Tinha também alcançado uma libertação da escravidão do pecado. No capítulo 6 Paulo entra na santificação pelo sacrifício de Cristo na cruz. Até o capítulo 5 Paulo trata da justificação pela fé, mas a partir do capítulo 6, já não é somente fé, mas também virtude e conhecimento.
A graça não se mostraria mais abundante se continuasse apenas perdoando pecados, mas ela se mostrou mais abundante nos libertando do pecado e de sua escravidão: “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado como escravos” Romanos 6.6. A Palavra da cruz é poder de Deus para os que já são salvos (I Cor. 1.18). Cristo morreu e ressuscitou e nós fomos unidos, plantados em sua morte e ressurreição (Rom. 6.5), para que mortos para os pecados pudéssemos viver para a justiça (I Pd. 2.24, Gál. 2.19).
Paulo em Romanos 6 entra no evangelho no que diz respeito à santificação. Cremos que fomos perdoados dos nossos pecados pelo sangue, agora temos que crer que morremos para o pecado, que estamos livres do velho homem e da escravidão do pecado. Que agora libertos do pecado fomos feitos servos da justiça (Rom. 6.18). Que como Cristo morreu e ressuscitou, e já não morre mais, a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus; assim também nós devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Agora devemos oferecer os nossos membros como instrumentos de justiça a Deus e não mais ao pecado. Portanto, devemos reinar sobre o pecado, e não o pecado reinar sobre nós, para obedecermos às suas concupiscências (Rom. 6.8-12). Reinar em vida por um só: Jesus Cristo (Rom. 5.17). Uma vez que morremos e ressuscitamos com Cristo, com Ele viveremos. Ainda que permanecemos num corpo de morte, o pecado não reina mais. Quem reina é Jesus Cristo.
Agora libertos do pecado, e feitos servos de Deus, temos que ter o nosso fruto para a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor (Rom. 6.22-23). Agora não é somente fé no sangue de Cristo para perdão, mas fé e obediência à forma de doutrina a que temos sido entregues, para a santificação (Rom. 6.17). Antes não tínhamos escolha porque éramos escravos do pecado. Mas agora crendo que estamos libertos do pecado por Cristo na cruz, devemos agora apresentar os nossos membros não mais ao pecado como instrumentos de iniquidade, mas como quem ressuscitou com Cristo em novidade de vida.
Oferecer agora os nossos membros como instrumentos de justiça a Deus (Rom. 6.9-13). Paulo diz: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum” Romanos 6.1-2a. A graça é maravilhosa nos perdoando os pecados, mas ela só se mostra mais abundante libertando do pecado. Onde abundou o pecado, superabundou a graça, para que, assim como o pecado veio a reinar na morte, assim também viesse a reinar a graça pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
A morte reinou trazendo escravidão, mas agora a graça reina, trazendo perdão e libertação (Rom. 5.20-21). O perdão dos pecados já era dado no sacrifício dos animais na velha aliança, mas aqueles sacrifícios nunca podiam aperfeiçoar os que se achegavam a Deus (Heb. 10.1). Neste período a morte reinava e reinou até Cristo. Mas como os filhos são participantes de carne e sangue, Jesus também participou das mesmas coisas, para que pela morte, derrotasse aquele que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos aqueles que com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão (Heb. 2.14-15).
Jesus derrotou aquele que tinha o império da morte, e agora Deus nos transportou daquele império, para o reino do Filho do seu amor (Col.1.13). Agora não estamos mais debaixo daquele poder da morte, mas do poder de uma vida indissolúvel. Fomos de novos gerados não de semente corruptível, que se corrompe pelo poder do pecado, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus que é viva e permanece para sempre. Se é que temos purificado as nossas almas na obediência à verdade (I Pd. 1.22-23). Uma vez justificados pela fé não podemos mais viver no pecado e esperar que a graça nos sustente. De modo nenhum. A graça é muito mais abundante. Ela não só nos perdoou, como também nos libertou do poder do pecado. Uma vez que estamos libertos do pecado, não podemos mais viver em suas concupiscências, mas como filhos amados, ser santos assim como Ele é santo (I Pd. 1.16). Seguindo a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Heb. 12.14).
Uma vez justificados pela fé, e em paz com Deus, temos que crescer na santificação, porque esta é a vontade de Deus. Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isto não rejeita o homem, mas sim a Deus, que nos deu o seu Espírito Santo (I Tess. 4.3, 7-8). Temos recebido um reino que não pode ser abalado, por isso, devemos reter a graça, crescer e esperar inteiramente nela, e servir a Deus agradavelmente, com reverência e santo temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor(Heb., 12.28-29).
A justificação e a santificação nos levarão a glorificação, porque Jesus tomará para si mesmo uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, mas santa e irrepreensível. Foi por isso que Ele morreu por ela e agora a está santificando pela lavagem da água pela Palavra. Tudo isto já temos em Cristo, porque Ele mesmo disse: Tudo está consumado.
Mas para os que são santos, os que foram santificados em Cristo (I Cor. 1.2), é necessário ser santificado ainda (Apoc. 22.11); santificados na verdade (Jo. 17.17). Este é o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé (Rom. 16.26).
O Evangelho nos dias de Hoje
O evangelho que está em voga hoje em dia oferece uma falsa esperança aos pecadores. Promete-lhes que terão a vida eterna apesar de continuarem a viver em rebeldia contra Deus. Na verdade, encoraja as pessoas a reivindicarem Jesus como Salvador, mas podendo deixar para mais tarde o compromisso de obedecê-Lo como Senhor. Promete livramento do inferno mas não necessariamente libertação
da iniquidade. Oferece uma falsa segurança às pessoas que folgam nos pecados da carne e desprezam o caminho da santidade. Ao fazer separação entre fé e fidelidade,deixa a impressão de que a aquiescência intelectual é tão válida quanto a obediência de todo coração à verdade. Dessa forma, as boas novas de Cr isto deram lugar às más novas de uma fé fácil e traiçoeira, que não faz qualquer exigência moral para a vida dos pecadores. Não se trata da mesma mensagem proclamada por Jesus!
Este novo evangelho tem produzido uma geração de cristãos professos cujo comportamento raramente se distingue da rebeldia em que vive o não-regenerado. Estatísticas recentes revelam que 1.6 bilhão da população da terra são considerados cristãos. Uma bem conhecida pesquisa de opinião pública indicou que quase um terço de todos os norte-americanos se declaram nascidos de novo. Tais números, com certeza, representam milhões de pessoas que estão tragicamente enganadas. O que eles têm é uma falsa garantia, passível de condenação eterna.
O testemunho da igreja para o mundo tem sido sacrificado no altar da graça barata. Formas chocantes de imoralidade aberta têm se tornado coisa trivial entre professos cristãos. E por que não? A promessa de vida eterna, sem uma rendição à autoridade divina, alimenta a mesquinhez do coração não-regenerado.
Os entusiásticos convertidos a este novo evangelho crêem que o seu comportamento nada tem a ver com o seu status espiritual — mesmo que permaneçam libertinamente apegados aos tipos mais grosseiros de pecado e de formas de depravação humana.
Parece que a igreja de nossa geração será lembrada principalmente por causa de uma série de escândalos horripilantes que trouxeram a público as mais indecentes exibições de depravação na vida de alguns dos mais populares televangelistas. E o pior de tudo é a dolorosa consciência de que muitos cristãos olham para esses homens como parte do rebanho, e não como lobos e falsos profetas que se imiscuíram entre as ovelhas (Mt 7.15). Por que deveríamos crer que pessoas que vivem na prática do adultério, fornicação, homossexualismo, fraude, e todo tipo de intemperança são nascidas de novo?
O que se precisa é de um completo reexame do que seja o evangelho. Temos de voltar ao fundamento de todo o ensino neotestamentário sobre a salvação — ao evangelho proclamado por Jesus. Penso que muitos ficarão surpresos ao descobrir como a mensagem de Jesus é radicalmente diferente daquela que por ventura tenham aprendido
Esboço do Verdadeiro Evangelho

John R. Higgins – Historicamente, a Igreja Cristã tem reconhecido a autoridade das Escrituras nas questões de fé e prática. Isto não quer dizer que não tem havido, e não continua a haver, rivais quanto à reivindicação de plena autoridade feita pela Bíblia. Esses rivais tendem a subordinar, ou qualificar, a autoridade das Escrituras, ou mesmo igualar-se a ela. O primeiro rival foi a tradição oral. Lado a lado com a Palavra escrita, circulavam amplamente histórias e ensinos religiosos. A transmissão oral, todavia, independentemente de qual seja o tópico, acha-se sujeita à alteração, ao desenvolvimento, às mudanças e à distorção. As Escrituras forneciam um padrão, um ponto de referência, para a palavra oral. Por isso, estando a tradição oral de acordo com as Escrituras, reflete a autoridade delas; quando, porém, se desvia da Palavra escrita, a sua autoridade desaparece.
O segundo rival, quanto à autoridade religiosa, é a Igreja. Os católicos romanos sustentam essa autoridade por ter sido a Igreja divinamente estabelecida por Cristo; e por já proclamar o Evangelho antes de este haver sido registrado por escrito. Os católicos romanos alegam, também, que a Igreja foi a instituição que produziu as Escrituras do Novo Testamento e que, em certo sentido, estabeleceu o cânon das Escrituras. Na prática, a Igreja Católica coloca-se acima das Escrituras. Embora originalmente sustentasse a supremacia das Escrituras, já nos tempos da Reforma, a Santa Sé tinha exaltado suas tradições até ao nível das Escrituras. De modo ainda mais significante, a Igreja Católica insistia poderem os ensinos da Bíblia ser mediados, corretamente, através da hierarquia eclesiástica. De modo sutil, a Igreja Romana havia usurpado a autoridade das Escrituras, atribuindo-a aos seus próprios ensinos internos. Como consequência, o lema dos reformadores protestantes passou a ser Sola Scriptura (Somente a Escritura). A Bíblia, outorgada por Deus, fala com a autoridade de Deus, diretamente ao indivíduo. “Não precisa de Papas nem de Concílios para informar-nos o seu real sentido, como se falassem em nome de Deus; a Bíblia pode até mesmo desafiar os pronunciamentos de Papas e Concílios, condená-los como ímpios e falsos, e exigir que os fiéis se apartem deles”. 60
Os credos, as confissões e outros padrões esclesiásticos de doutrina, às vezes chegam, consciente ou inconscientemente, a rivalizar com a autoridade das Escrituras. No decurso da história, igrejas e líderes têm se pronunciado (e com razão) a respeito de questões importantes da vida e da doutrina cristãs. Pessoas piedosas, grandemente usadas por Deus, têm labutado para definir padrões de doutrina e comportamento cristãos, visando refletir a atitude e a vontade de Deus. Repetidas vezes, houve apelo a esses documentos na busca de orientação autorizada. Mas sem dúvida, os escritores seriam os primeiros a reconhecer serem as obras falíveis e passíveis de revisão, embora se reconheça facilmente a erudição bíblica relevante por detrás desses importantes escritos. Além disso, todos os grandes credos da Igreja reconhecem a plena autoridade da Escritura. Os esforços piedosos merecem a nossa estima. Deus os tem usado para a sua glória. Devem, contudo, ser conservados dentro do seu relacionamento apropriado com as Escrituras. Permitir que se rivalizem com a autoridade bíblica destruirá seu próprio valor normativo, e rebaixará a Palavra de Deus que tanto desejam honrar. O reconhecimento da autoridade incomparável das Escrituras estabelece o valor dos credos e confissões.
A autoridade da Escritura também tem sido desafiada por aquilo que alguns estimam como a autoridade do encontro pessoal que o indivíduo tem com Deus. Isto é: o encontro supremo entre a pessoa e o Verbo Vivo, e não com a Palavra Escrita. Os que sustentam tal opinião dizem que a Bíblia pode ser usada para ajudar a levar a efeito semelhante encontro; a Bíblia, porém, “não tem autoridade por si só mas, sim, em virtude do Deus de quem dá testemunho e fala nas suas páginas”.61 Os teólogos existencialistas acreditam que, mediante um encontro com Deus, “a Bíblia deve tornar-se repetidas vezes a sua Palavra para nós”.62
É verdade que a autoridade do cristão é mais do que papel e tinta, mas “a revelação proposicional de Deus não pode ser distinguida da auto-revelação divina”.63 Nenhum encontro autoritativo com Deus supera a autoridade de sua Palavra escrita. Doutra forma: a “experiência de Deus” dos místicos hindus, ou de quem usa drogas psicotrópicas, poderia reivindicar igual autoridade. A validez de nosso encontro com Deus é determinada pela autoridade das Escrituras que o revelam. Todas as experiências pessoais devem ser averiguadas e avaliadas pelas Escrituras.
Até mesmo o Espírito Santo tem sido considerado por alguns como um rival da autoridade bíblica. O Dr. Martyn Lloyd-Jones entende que o pentecostalismo e o catolicismo romano ficam em extremos opostos nas áreas tais como a estrutura e a hierarquia, mas são muito semelhantes na ênfase que dão à autoridade. O catolicismo enfatiza a autoridade da Igreja, ao passo que alguns pentecostais parecem realçar a autoridade do Espírito acima da autoridade da Palavra.64 Erickson cita uma pesquisa de opinião pública feita pela Gallup, em 1979, que revelou que não eram poucas as pessoas que, entre 18 e 29 anos de idade, haviam escolhido o Espírito Santo, ao invés da Bíblia, como sua autoridade religiosa principal.65 Alguns enaltecem uma “impressão direta” do Espírito Santo, ou uma manifestação do Espírito, tal como a profecia, acima da Palavra escrita.66 O Espírito Santo é aquele que inspirou a Palavra e que lhe concede autoridade. Ele nada falará contrário àquilo que a Palavra inspirada declara, e nada além disso.
As reivindicações quanto à autoridade religiosa são engrossadas pelas fileiras das religiões e seitas. Deve-se crer em Jesus mais do que em Sun Myung Moon? O Corão tem autoridade igual à da Bíblia? Uma palavra profética, hoje, tem a mesma autoridade das Escrituras? Essas e outras perguntas fazem com que seja essencial considerarmos as evidências da autoridade bíblica. Virtualmente todas as religiões têm suas escrituras sagradas. Embora muitas delas contenham ensinamentos morais dignos, o Cristianismo tem sustentado historicamente ser a Bíblia a única e exclusiva Palavra de Deus.
Evidências da Autenticidade das Escrituras
Os parágrafos que se seguem, apresentam algumas das evidências em favor da identidade da Bíblia como a Palavra de Deus.
Apoio interno. É legítimo procurar a origem e o caráter de uma obra escrita por meio do exame de seu conteúdo. A Bíblia fornece um testemunho interno convincente de sua autoridade incomparável como a mensagem da parte de Deus. “E a evidência interna positiva de sua origem divina que dá poder e autoridade às reivindicações da Bíblia”. 67
A Bíblia revela unidade e consistência espantosas quanto ao seu conteúdo, levando-se em conta a grande diversidade havida na sua composição. Foi escrita no decurso de um período de quinze séculos por mais de quarenta autores provenientes de várias classes sociais – políticos, pescadores, agricultores, médicos, reis, soldados e outro. Escreveram eles em diferentes locais (no deserto, no palácio, na prisão) e em várias circunstâncias (na guerra, no exílio, nas viagens). Alguns escreveram história; outros, leis; e ainda outros, poesia. Os gêneros literários variam entre alegoria, biografia e correspondência pessoal. Todos tinham os seus antecedente, experiências, virtudes e fraquezas pessoais. Escreveram em continentes diferentes, em três idiomas distintos, e trataram de centenas de temas. Mesmo assim, os seus escritos combinam-se entre si para formar um todo consistente que desdobra, de modo belíssimo, na história do relacionamento entre Deus e a humanidade. “Não é uma unidade superficial, mas profunda… Quanto mais profundamente a estudamos, mais completa essa unidade se nos revela”. 68
Josh McDowell conta interessante história que compara a Bíblia com os Grandes Livros do Mundo Ocidental. Posto que o conjunto de livros consista na obra de muitos autores diferentes, o vendedor da coletânea reconhece que não oferece nenhuma “unidade”, mas uma mera “conglomeração”. 69 “A Bíblia não é simplesmente uma antologia; há nela uma unidade que harmoniza todo o conjunto. Uma antologia é compilada por um antólogo, mas nenhum antólogo compilou a Bíblia”.70 Semelhante unidade extraordinária pode ser mais plausivelmente explicada como o resultado da revelação outorgada por um só Deus.71
A Bíblia, correlacionada com a natureza complexa do ser humano, lida com todas as áreas essenciais de nossa vida. À medida que uma pessoa lê a Bíblia, esta, por sua vez, lê a pessoa. Embora escrita há muitos séculos, fala dinamicamen-
te às necessidades de cada geração. É a voz de Deus que a penetra até ao próprio âmago de nosso ser, e oferece respostas plausíveis às perguntas mais importantes (Hb 4.12,13). A Palavra de Deus dirige continuamente o leitor em direção a Deus como a fonte originária da relevância e do propósito para si mesmo e para o seu mundo. Para quem acolhe a sua mensagem, a Palavra tem poder de transformação. Cria fé no coração, e leva-nos a um encontro dinâmico com o Deus vivo (Rm 10.17).
As Escrituras expõem um padrão de ética que supera em muito o que seria esperado de homens e mulheres comuns. Conclama a pessoa a uma moralidade que supera a nossa medida de justiça. “Cada um desses escritos… apresenta ideias morais e religiosas muito adiantadas para a época em que surgiram, e tais ideias continuam orientando o mundo”.72 A Bíblia lida, com franqueza, com os fracassos humanos e com o problema do pecado. Seu sistema ético é compreensivo, pois inclui todas as áreas da vida. O alvo da ética bíblica não é meramente o que a pessoa faz, mas o que a pessoa é. Aderir a um código exterior está aquém da exigência que a Bíblia faz: a bondade no íntimo (1 Sm 16.7; Mt 5; 15.8). Mas tanto o nosso fracasso moral quanto a nossa redenção são entendidos somente em termos de nosso relacionamento com um Deus santo. Através da Bíblia, Deus — nos chama, não a uma simples melhoria, mas à transformação, para nos tornarmos novas criaturas em Cristo (2 Co 5.17; Ef 4.20-24).
As profecias que falam dos eventos futuros (em vários casos, muitos séculos antes) permeiam as Escrituras. A exatidão dessas predições, conforme o demonstra seus respectivos cumprimentos, é realmente notável. Dezenas de profecias dizem respeito a Israel e às nações em seu redor. Por exemplo: Jerusalém e o seu templo seriam reedificados (Is 44-28); e Judá, embora salva dos assírios, cairia nas mãos de Babilônia (Is 39.6; Jr 25.9-12). O restaurador de Judá, Ciro da Pérsia, é mencionado pelo nome mais de cem anos antes de seu nascimento (Is 44.28).73 A Bíblia contém centenas de profecias feitas séculos antes dos próprios eventos.74 Entre elas, há predições acerca do nascimento virginal de Cristo (Is 7.14; Mt 1.23), do local de seu nascimento (Mq 5.2; Mt 2.6), da maneira de sua morte (SI 22.16; Jo 19.36), e do local de seu sepultamento (Is 53.9; Mt 25.57-60). 75
Alguns críticos têm procurado, através da atribuição de novas datas aos livros do Antigo Testamento, minimizar o milagre preditivo das profecias bíblicas. Mesmo se concordássemos com as datas menos antigas, as profecias ainda teriam sido escritas centenas de anos antes do nascimento de Cristo. (Posto que a tradução da Septuaginta [LXX] das Escrituras Hebraicas foi completada cerca de 250 a.C, as profecias nela contidas teriam sido, forçosamente, compostas antes dessa data).
Alguns têm sugerido que as profecias não predisseram a atividades de Jesus, mas que o próprio Jesus agiu deliberadamente para cumprir o que fora dito no Antigo Testamento. Muitas das predições específicas, porém, estavam além do controle ou manipulação humanos. E os cumprimentos das predições não eram meras coincidências, levando-se em conta o número significativo das pessoas e eventos envolvidos. Peter Stoner examinou oito das predições a respeito de Jesus, concluindo que, na vida de uma só pessoa, a probabilidade de elas se coincidirem era de 1 e 1017 (1 em 100.000.000.000.000.000).76 A única explicação racional de tantas predições exatas, específicas, a longo prazo, é que o Deus onisciente, soberano sobre a história, haja revelado tais conhecimentos aos escritores sagrados.
Apoio externo. A Bíblia também tem áreas de apoio externo à sua asseveração de que é a revelação divina. Quem negaria sua tremenda influência sobre a sociedade humana? Impressa, no todo, ou em parte, em mais de dois mil idiomas, é o livro mais lido de toda a história. 77 Reconhecendo-lhe a sabedoria e o valor, cristãos e incrédulos, indistintamente, citam-na em apoio aos seus pontos de vistas. Tem se dito que se a Bíblia fosse perdida, poderia ela ser reconstruída em suas partes base a partir das citações tiradas dos livros que se acham nas prateleiras das bibliotecas públicas. Seus princípios têm servido como o alicerce das leis das nações modernas, e como o ímpeto maior para as grandes reformas sociais da história. “A Bíblia… produziu os resultados supremos em todas as profissões existentes na vida humana. Tem inspirado sublimemente as artes, a arquitetura, a literatura e a música… Não há livro que se compare a ela na sua influência benéfica sobre a raça humana.” 78
Deus atua na sociedade através das vidas das pessoas transformadas, e que seguem os ensinamentos de sua Palavra (SI 33.12).
A exatidão da Bíblia em todas as áreas, incluindo pessoas, locais, costumes, eventos e ciência, tem sido mostrada pela história e pela arqueologia. Ás vezes, pensa-se que a Bíblia está historicamente errada, mas as descobertas têm dado testemunho de sua veracidade. Por exemplo: há algum tempo, pensava-se que a escrita não havia sido inventada senão depois dos tempos de Moisés. Mas agora, sabemos que essa ciência remonta até antes de 3000 a.C. Houve tempos quando os críticos negavam a existência de Belsázar. As escavações, contudo, identificam-no com seu nome babilónico: Bel-shar-usur. Os críticos diziam que os heteus, mencionados 22 vezes na Bíblia, nunca existiram. Agora sabemos que eles foram uma grande potência no Oriente Médio. 79
A história bíblica é confirmada pelas respectivas histórias das nações envolvidas com Israel. As descobertas arqueológicas continuam a apoiar e a ajudar a interpretar o texto bíblico. McDowell compartilha com seus leitores uma citação interessante de uma conversa entre Earl Radmacher, presidente do Seminário Batista Conservador do Oeste, e Nelson Glueck, arqueólogo e ex-presidente de um seminário teológico judaico:
Tenho sido acusado de ensinar a inspiração verbal e plenária das Escrituras…
Mas só cheguei a dizer que, em todas as minhas investigações arqueológicas, nunca descobri um único artefato da antiguidade que contradissesse qualquer declaração da Palavra de Deus. 80
O mesmo juízo foi pronunciado pelo renomado arqueólogo William F. Albright:
O ceticismo excessivo dirigido contra a Bíblia por escolas históricas importantes dos séculos XVIII e XIX… vem sendo progressivamente desacreditado. Uma descoberta após outra tem confirmado a exatidão de pormenores, e tem aumentado cada vez mais o reconhecimento do valor da Bíblia como fonte de informações exatas para a história. 81
Mesmo os estudiosos que negam a exatidão total da i Bíblia por motivos filosóficos, sentem grandes dificuldades em defender a alegação de que há inexatidões no texto bíblico. Kenneth Kantzer comenta: “Embora Barth continuasse a asseverar a presença de erros nas Escrituras, é muitíssimo difícil localizar qualquer exemplo nos seus escritos de que realmente tais erros existem”.82 Considerando o grande número de pormenores na Bíblia, espera-se uma coletânea considerável de tais erros. No entanto, a exatidão espantosa da Bíblia indica que ela é, realmente, a revelação do Deus verdadeiro.
A capacidade notável da sobrevivência da Bíblia também dá testemunho de sua autoridade divina. Comparativamente, poucos livros sobrevivem aos estragos produzidos pelo tempo. Quantas obras literárias de mil anos de idade podemos mencionar pelo nome? Um livro que sobrevive um século é um livro raro. A Bíblia, porém, além de sobreviver, tem se multiplicado. Existem literalmente milhares de manuscritos bíblicos; mais do que todos os manuscritos reunidos das demais obras literárias. 83
O que torna mais notável a sobrevivência da Bíblia é o fato de ela haver passado por incontáveis períodos, quando sua leitura era proibida pelas autoridades eclesiásticas (durante a Idade Média) e das tentativas de vários governantes em se eliminá-la. Desde o Edito de Diocleciano em 303, que ordenou a destruição de todos os exemplares da Bíblia, até o presente, houve esforços organizados para se destruir a Bíblia. “A Bíblia não somente tem recebido mais veneração e adoração do que qualquer outro livro, como também tem sido objeto da mais implacável perseguição e oposição”. 84 Considerando que durante os primeiros séculos do Cristianismo, as Escrituras eram copiadas manualmente, a extinção total da Bíblia não teria sido humanamente impossível. O célebre deísta francês Voltaire predisse que dentro de cem anos, o Cristianismo desapareceria. Cinquenta anos depois da sua morte ocorrida em 1778, a Sociedade Bíblica de Genebra estava usando o seu prelo e a sua casa para produzir grandes pilhas de Bíblias!85‘ Se, porém, a Bíblia realmente for a mensagem da redenção divina à humanidade, sua indestrutibilidade não seria tão espantosa. Deus, com a sua mão onipotente, tem protegido a sua obra!
Tanto a autenticidade quanto a historicidade dos documentos do Novo Testamento estão confirmadas de modo sólido. Norman Geisler indica que as evidências documentárias em favor da autenticidade do Novo Testamento são esmagadoras, e fornecem uma base, igualmente sólida, para a reconstrução do texto grego original. 86 Bruce Metzger, especialista em crítica textual, informa que, no século III a.G, os estudiosos em Alexandria indicavam que as cópias que possuíam da Ilíada de Homero apresentavam cerca de 95% de fidedignidade. Indica, também, que os textos setentrional e meridional da Mahabharata da índia diferem entre si numa extensão de 26.000 linhas. 87 Isto se contrasta com “mais de 99,5% de exatidão para as cópias manuscritas do Novo Testamento”.88 Esse meio-porcento de diferença consiste principalmente nos erros de ortografia dos copistas e, mesmo assim, passíveis de correção. Nenhuma doutrina da Bíblia depende de algum texto cuja forma original não possa ser determinada com exatidão.
Jesus e seu Conceito das Escrituras
No fim do século I (no mais tardar) os escritos do Novo Testamento já haviam sido completados; muitos destes, entre 20 e 30 anos apenas após a morte e ressurreição de Jesus. / Temos ainda a garantia de que até mesmo a narração dos eventos foi orientada pelo Espírito Santo a fim de que fossem evitados os erros ocasionados por eventuais esquecimentos (Jo 14.26). Os evangelhos, que contam detalhadamente a vida de Jesus, foram escritos por contemporâneos e testemunhas oculares. Tais escritos, fartamente corroborados, fornecem informações fidedignas a respeito de Cristo e de seus ensinos. A autoridade da Palavra escrita está ancorada na autoridade de Jesus. Posto que Ele nos é apresentado como o Deus encarnado, seus ensinos são verdadeiros e plenos de autoridade. Por isso, o que Jesus ensina a respeito das Escrituras, determina sua justa reivindicação à autoridade divina. Jesus dá testemunho consistente e enfático de que elas são, de fato, a Palavra de Deus.
Em especial, Jesus dirigia a sua atenção ao Antigo Testamento. Quando falava de Adão, de Moisés, de Abraão ou de , Jonas, Ele os tratava como a pessoas reais e históricas. Às vezes, correlacionava situações que lhe diziam respeito com um evento histórico do Antigo Testamento (Mt 12.39,40). Noutras ocasiões, buscava num determinado fato do Antigo Testamento apoio, ou reforço, para alguma coisa que estava ensinando (Mt 19.4,5). Jesus honrava as Escrituras do Antigo Testamento, e enfatizava que Ele não viera abolir a Lei e os Profetas, mas cumpri-los (Mt 5.17). As vezes, fustigava os líderes religiosos por haverem elevado as próprias tradições acima das Escrituras (Mt 15.3; 22.29).
Jesus, nos seus ensinos, citou pelo menos quinze livros do Antigo Testamento, e fez alusão a muitos outros. Tanto no modo de falar quanto nas declarações específicas, demonstrava com clareza a sua estima pelas Escrituras do Antigo Testamento como a Palavra de Deus. Era a palavra e o mandamento de Deus (Mc 7.6-13). Citando Gênesis 2.24, Jesus declarou: “O Criador [não Moisés]… disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe” (Mt 19.4,5). Disse que Davi fez uma declaração “pelo Espírito Santo” (Mc 12.36). A respeito de uma declaração registrada em Êxodo 3.6, Ele perguntou: “Não tendes lido o que Deus vos declarou?” (Mt 22.31). Repetidas vezes, Jesus apelou à autoridade do Antigo Testamento, citando a fórmula: “Está escrito” (Lc 4.4). John W. Wenham assevera que Jesus entendia essa fórmula no sentido de “Deus diz!”
“Há uma objetividade grandiosa e sólida no uso do tempo pretérito perfeito gegraptai, ‘permanece escrito’: ‘aqui está o testemunho eterno e imutável do Deus Eterno, registrado por escrito para a nossa instrução’.”89 O modo decisivo de Jesus utilizar essa fórmula revela de modo enfático como ele considerava a autoridade das Escrituras. “A Palavra escrita, portanto, é a autoridade de Deus para solucionar todas as disputas a respeito da doutrina ou da prática. E a Palavra de Deus nas palavras humanas; é a verdade divina em linguagem humana”.90 Os que gostariam de alegar que Jesus simplesmente se acomodava ao modo judaico de entender as Escrituras, acompanhando passivamente as supostas falsas crenças dos judeus nesse assunto, deixam totalmente desapercebidos o seu tom enfático de plena aceitação e autoridade. Em vez de acomodar-se às opiniões religiosas dos seus dias, Ele as corrigia, e colocava as Escrituras de volta à sua suprema posição. Além disso, a acomodação à mentira não é moralmente possível para o Deus que é a mesma verdade (Nm 23.19; Hb 6.18).
Jesus reivindicava a autoridade divina, não somente para as Escrituras do Antigo Testamento, como também para seus próprios ensinos. O que ouve as suas palavras e as pratica é sábio (Mt 7.24), porque os seus ensinos provêm de Deus (Jo 7.15-17; 8.26-28; 12.48-50; 14.10). Jesus é o semeador que semeia a boa semente da Palavra de Deus (Lc 8.1-13). Sua expressão frequente: “Eu, porém, vos digo” (Mt 5.22), usada lado a lado com a total compreensão do Antigo Testamento, demonstrava que “suas palavras levam toda a autoridade das palavras de Deus”.91 “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35).
Jesus indicou, também, que haveria uma característica divina e especial no testemunho que seus seguidores dariam dEle. O Senhor os havia treinado mediante suas palavras e seu exemplo, e os comissionara para serem testemunhas até aos confins da terra, ensinando as pessoas a guardar todas as coisas que Ele lhes mandara (Mt 28.18-20). Ele lhes ordenara ainda que esperassem, em Jerusalém, a vinda do Espírito Santo, a quem o Pai enviaria em seu nome, para que tivessem poder a fim de lhe servirem como testemunhas (Lc 24.49; Jo 14.26; At 1.8). O Espírito Santo faria os discípulos lembrar-se de tudo quanto Jesus lhes dissera (Jo 14.26). O Espírito lhes ensinaria todas as coisas, guia-los-ia em toda a verdade, contar-lhes-ia o que havia de acontecer, lançaria mão das coisas de Cristo e as faria conhecidas aos discípulos (Jo 14.26; 15.26,27; 16.13-15).
Foram cumpridas as promessas que Jesus fizera aos seus discípulos. O Espírito Santo inspirou alguns deles a escreverem a respeito do seu Senhor. Consequentemente, tanto os escritos do Antigo, quanto os do Novo Testamento; enfim, a Bíblia toda reivindica, de modo específico e direto, que é a revelação especial da parte de Deus. 92
A Extensão da Autoridade Bíblica
A Bíblia trata de assuntos pertencentes a várias áreas: ciências econômicas, geografia, cultura, biologia, política, astronomia etc. Todavia, não se declara livro-texto exaustivo sobre tais assuntos, nem deve ser considerada como tal. Os modos de vestir, os meios de transporte, as estruturas políticas, os costumes e outras coisas correlatas, não são colocados como modelos a serem seguidos pelo simples fato de haverem sido mencionados nas Escrituras. Embora tudo quanto foi escrito nessas áreas seja fidedigno, não é necessariamente normativo. A Escritura não pretende ser normativa nessas áreas, a não ser que impliquem em questões teológicas ou éticas. (Por exemplo: do ponto de vista bíblico, não faz diferença se montamos um camelo ou se andamos de automóvel, mas se estes meios de transporte foram adquiridos de maneira honesta. Isto sim, faz toda a diferença).
Os sessenta e seis livros da Bíblia reivindicam autoridade plena e total no tocante à auto-revelação de Deus e a todas as implicações quanto à fé e à prática. Embora a autoridade da Bíblia seja histórica, porque Deus se revelou em eventos históricos, sua autoridade é primariamente teológica. A Bíblia revela Deus à humanidade, e explica o seu relacionamento com a sua criação. Pelo fato de Deus ter de ser conhecido através deste livro, suas palavras têm de ser igualmente autorizadas. A autoridade da Palavra é absoluta – as palavras do próprio Deus a respeito dEle mesmo.
A autoridade ética da Bíblia provém de sua autoridade teológica. Não fala de tudo quanto deve ser feito em todas as épocas, nem de tudo quanto era feito nos tempos em que foi escrita. Mesmo assim, os princípios que ela apresenta, seu padrão de retidão, suas informações a respeito de Deus, sua mensagem de redenção e suas lições para a vidas, são obrigatórios em todos os tempos e épocas.
Certos trechos bíblicos não nos impõem determinada conduta, hoje, mas têm autoridade por nos revelarem um aspecto do relacionamento de Deus com a humanidade. Por exemplo: as cerimônias do Antigo Testamento cumpridas em Cristo. “No caso de uma promessa (ou prefiguração) e seu cumprimento, a figura só tem um propósito temporário, e cessa de ter autoridade obrigatória depois de cumprida”.93 Embora Cristo seja o cumprimento, as cerimônias são uma apresentação autorizada de um aspecto da obra divina da redenção. O relacionamento entre Deus e os seres humanos, e a condição destes diante de Deus, têm implicações para todos os aspectos da vida. Por isso, a Palavra tem aplicação autorizada a todas as esferas de nossa vida.
O escopo da autoridade das Escrituras é tão extensivo como a própria autoridade de Deus em relação a todas as áreas da existência humana. Deus está acima de todas as áreas de nossa vida, e fala a todas elas mediante a sua Palavra. A autoridade da Palavra escrita é a autoridade do próprio Deus. A Bíblia não é meramente um registro da autoridade de Deus no passado, mas continua sendo a autoridade de Deus, hoje. Mediante a Palavra escrita, o Espírito Santo continua a confrontar os homens e mulheres, em nossos dias, com as reivindicações de Deus. Trata-se ainda de: ‘Assim diz o Senhor!”
A Inspiração das Escrituras
Deus se revelou à sua criação. A inspiração diz respeito ao registro, ou à escrita, dessa revelação divina. Posto que a Bíblia foi escrita por autores humanos, devemos perguntar: “Em que sentido seus escritos poderão (ou não) ser chamados a Palavra de Deus?” Uma questão correlata diz respeito ao grau (ou extensão) em que seus escritos podem ser considerados revelação de Deus.
A Base Bíblica para a Inspiração
Considerando que toda testemunha tem o direito de se expressar por si mesma, será examinada, em primeiro lugar, a reivindicação que os próprios escritores bíblicos fazem à inspiração divina. Muitos dos que compuseram as Escrituras eram participantes, ou testemunhas oculares, dos eventos a respeito dos quais escreveram.
O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada), o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1.1-3).
Cada um deles, seja Moisés, Davi, Jeremias, Mateus, João, Pedro, ou Paulo, escreveu com base em suas próprias experiências à medida que Deus se revelava a eles (Ex 4.1-17; SI 32; Jr 12; At 1.1-3; 1 Co 15.6-8; 2 Co 1.3-11; 2 Pe 1.14-18). Mas seus escritos eram mais que relatos de pessoas envolvidas. Declaravam que escreviam não somente a respeito de Deus, mas também em prol de Deus. A sua palavra era a Palavra de Deus; a sua mensagem era a mensagem de Deus.
Em todo o Antigo Testamento, deparamo-nos com expressões tais como: “Falou o SENHOR a Moisés, dizendo” (Ex 14.1); “A palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo” (Jr 11.1); “Tu, pois, ó filho do homem, profetiza… e dize: Assim diz o SENHOR Deus” (Ez 39.1); “Assim diz o SENHOR” (Am 2.1). Tais declarações são usadas mais de 3.800 vezes, e demonstram com clareza que os escritores tinham consciência de estar entregando uma mensagem autorizada da parte de Deus.94
Os escritores do Novo Testamento não tinham, também, a menor dúvida de estarem falando em nome de Deus. Jesus não somente ordenou que os discípulos pregassem, mas também lhes disse o que deviam pregar (At 10.41-43). Suas palavras não eram “palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13). Esperavam que as pessoas reconhecessem que, por escrito, estavam elas recebendo “mandamentos do Senhor” (cf. 1 Co 14.37). Paulo podia garantir aos gálatas que, “acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto” (Gl 1.20), porque o tinha recebido da parte de Deus (Gl 1.6-20). Os tessalonicenses foram elogiados por terem recebido a mensagem “não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus” (1 Ts 2.13). Preceitos e mandamentos eram escritos à comunidade em nome de Jesus, e deixar de observá-los podia ocasionar motivo para a exclusão do desobediente (2 Ts 3.6-14). Assim como Deus tinha falado através dos santos profetas, agora o Senhor dava mandamentos através dos seus apóstolos (2 Pe 3.2). Receber , a vida eterna está vinculado com o ato de crer no testemunho de Deus (registrado pelos discípulos) a respeito do seu Filho (ljo 5.10-12).
Nestes trechos, e em outros semelhantes, fica evidente que os escritores do Novo Testamento estavam convictos de estarem declarando “todo o conselho de Deus” em obediência ao mandamento de Cristo e sob a orientação do Espírito Santo (At 20.27). Os escritores do Novo Testamento também reconheciam a autoridade total das Escrituras do Antigo Testamento, porque Deus “falou pelo Espírito Santo” através dos autores humanos (At 4.24,25; Hb 3.7; 10.15,16).
Paulo escreveu a Timóteo, asseverando que as Escrituras podiam fazê-lo “sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15). O valor das Escrituras deriva-se de sua origem. Paulo indica que o mérito das Escrituras não está no escritor humano, mas no próprio Deus. Ele afirma: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). O termo “inspiração” é derivado desse versículo, e aplicado à escrita da Bíblia. A palavra grega empregada aqui é theopneustos que, literalmente, significa “soprada por Deus”. As versões mais recentes dizem com razão: “Toda Escritura é inspirada [soprada] por Deus” (NVI). Paulo não está dizendo que Deus soprou alguma característica divina nos escritos humanos das Escrituras, ou que toda a Escritura respira um ambiente de Deus, que fala dEle. O adjetivo grego (theopneustos) é claramente predicativo, e é usado para identificar a fonte originária de todas as Escrituras.95 Deus é o Autor, em última análise. Logo, toda a Escritura é a voz de Deus, a Palavra de Deus (At 4.25; Hb 1.5-13).
O contexto de 2 Timóteo 3.16 tem em vista as Escrituras do Antigo Testamento. A declaração de Paulo é que a totalidade do Antigo Testamento é a revelação inspirada da parte de Deus. O fato de que o Novo Testamento ainda estava sendo escrito, exclui a mesma reivindicação interna e explícita para ele. Mesmo assim, algumas declarações específicas feitas pelos escritores do Novo Testamento subentendem que a inspiração das Escrituras estende-se à Bíblia inteira. Por exemplo, em 1 Timóteo 5.18 Paulo escreve: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário”. Paulo está citando Deute-ronômio 25.4 e Lucas 10.7, considerando “Escritura” as cita- , ções tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Além disso, Pedro refere-se a todas as epístolas de Paulo que, embora tratassem a respeito da salvação divina, contêm “pontos difíceis de entender”. Por isso, algumas pessoas as “torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pe 3.16, grifos nossos). Note que Pedro coloca todas as Epístolas de Paulo na categoria de Escritura. Torcê-las é torcer a Palavra de Deus, resultando na destruição do transgressor. Os escritores do Novo Testamento comunicam “com as palavras que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13), assim como Jesus prometera (Jo 14.26; 16.13-15).
Na sua segunda epístola, Pedro fala de sua morte iminente e do seu desejo de que seus leitores se mantenham na verdade que ele já lhes havia compartilhado. Mostra-lhes que a fé em Cristo não é nenhuma invenção, e lembra-lhes de que ele mesmo era testemunha ocular daqueles eventos. Pedro estava com Cristo, vendo-o e ouvindo-o pessoalmente (2 Pe 1.12-18). O apóstolo passa, então, a escrever de algo mais firme que seu testemunho pessoal (2Pe 1.19). Falando das Escrituras, afirma que os autores humanos eram “levados adiante” (pheromenoi) pelo Espírito Santo ao comunicarem as coisas de Deus. O resultado disso era uma mensagem não iniciada pelos desígnios humanos nem produzida pelo mero raciocínio e pesquisa humanos (sem serem excluídas tais coisas). Pedro afiança: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20,21).
O emprego que Pedro faz da expressão “profecia da Escritura” é um caso de pars pro tota. Ou seja: uma parte da Escritura representa a totalidade desta. “O ímpeto que levou à escrita provinha do Espírito Santo. Por essa razão, os leitores de Pedro devem prestar atenção… pois não é simplesmente a palavra dos homens, mas a Palavra de Deus”. 96
Em virtude de sua inspiração pelo Espírito Santo, toda a Escritura é fonte de autoridade. Jesus garante que até o menor dos mandamentos bíblicos é importante e obrigatório:
“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus” (Mt 5.18,19).
A recompensa, ou o castigo, depende de nosso relacionamento com todos os mandamentos, incluindo-se o menor deles. Acusado de blasfêmia por haver reivindicado a própria divindade, Jesus apelou à expressão “sois ‘deuses”, que se acha no Salmo 82.6. Contra essa acusação, edificou a sua defesa na verdade, já bem aceita, de que até mesmo uma frase relativamente obscura das Escrituras não pode ser anulada (Jo 10.34,35). A razão por que não podia ser anulada era que, mesmo como fragmento da Escritura, não deixava de ser a Palavra de Deus.
Modos de Inspiração
Uma vez aceito o testemunho que as Escrituras dão acerca de si mesmas, fica mais que clara a sua divina inspiração. A medida que os autores humanos da Bíblia a compunham, o próprio Deus dava mostras inequívocas de achar-se envolvido neste processo de comunicação. E posto que na maioria dos casos a Bíblia não revela a forma de sua inspiração, várias teorias têm surgido a respeito. Cinco opiniões básicas são consideradas resumidamente nesta seção.
Intuição natural. A inspiração é meramente uma perspicácia natural nos assuntos espirituais, exercida por pessoas bem dotadas. Assim como alguns têm aptidão para a matemática ou para a ciência, os escritores bíblicos teriam aptidão para as ideias religiosas. Não se vê nisso qualquer envolvimento especial de Deus. A pessoa poderia ter a mesma inspiração natural para escrever uma poesia ou para compor um hino.
Iluminação especial. A inspiração seria uma intensificação, ou exaltação, divina das percepções religiosas que todos os cristãos têm em comum. Os dons naturais dos escritores bíblicos teriam sido aguçados de alguma maneira pelo Espírito Santo, mas sem nenhuma orientação especial, ou comunicação da verdade divina.
Orientação dinâmica. A inspiração é a orientação especial pelo Espírito Santo, dada aos escritores bíblicos, para garantir toda mensagem divina que trata de matérias concernentes à fé religiosa e ao viver piedoso. A ênfase recai nos pensamentos ou conceitos que Deus, querendo fossem comunicados, fornecia aos escritores humanos, aos quais dava plena liberdade quanto à expressão natural. Os elementos da fé e da prática religiosas eram assim orientados, mas as chamadas matérias não-essenciais dependiam totalmente (segundo essa opinião) dos conhecimentos, experiências, e escolhas dos próprios autores humanos.
Plenária verbal. A inspiração é a combinação entre a expressão natural dos escritores e a iniciação e orientação especiais dos seus escritos concedidas pelo Espírito Santo. Mas o Espírito Santo não somente dirigia os pensamentos, ou conceitos dos escritores, como também supervisionava a seleção das palavras para a totalidade do texto (e não somente para as questões de fé e prática). O Espírito Santo garantia a exatidão e a suficiência de tudo quanto era escrito como a revelação da parte de Deus.
Ditado divino. A inspiração é a superintendência infalível da reprodução mecânica das palavras divinas à medida que o Espírito Santo as ditava aos autores bíblicos. Estes, como obedientes estenógrafos, tudo registravam segundo as ordens especiais do Espírito Santo quanto ao conteúdo, vocabulário e estilo.
Formulando um Conceito da Inspiração
O conceito de inspiração deve levar em conta tudo quanto é necessário para a revelação divina ser comunicada com exatidão. O modo correto de inspiração deve incluir todos os elementos que a Bíblia postula tanto no ato de inspirar quanto nos efeitos desse ato. Deve também reservar um lugar apropriado à atividade de Deus e à atividade humana.
Ao examinarmos os dados fornecidos nas Escrituras, vários elementos envolvidos no ato de inspirar são apresentados com clareza. (1) Toda a Escritura é respirada por Deus; , procede da boca de Deus (2 Tm 3.16). (2) Os autores da Escritura falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21). (3) Os escritores sagrados não falavam segundo a própria vontade, mas de acordo com a vontade divina. (4) Todavia, eles tomavam parte ativa e dinâmica na produção das Escrituras. Não eram meros robôs (Lc 20.42; Jo 12.39; At 3.22).
Semelhantemente, a Escritura fornece soluções quanto ao ato de inspirar. (1) Toda a Escritura é respirada por Deus e, portanto, toda a Escritura é a Palavra de Deus (1 Co 14.37; 2 Tm 3.16). (2) Toda a Escritura é proveitosa; é uma regra completa e suficiente para a fé e prática (2 Tm 3.16,17). (3) Nenhuma linha da Escritura pode ser deixada de lado, anulada ou destruída; a totalidade da Escritura tem de ser aceita em sua integridade e plenitude (Jo 10.35). (4) A Escritura é mais fidedigna que qualquer observação meramente humana, seja empírica, seja científica, seja filosófica (2 Pe 1.12-19). (5) Nenhuma parte da Escritura é condicionada, quanto à sua veracidade, por nenhuma limitação de seu autor humano (2 Pe 1.20). O condicionamento histórico normal, bem como a pecaminosidade e finitude humanas, são contrabalançados pela supervisão do Espírito Santo.
À luz dessas observações, extraídas da própria Escritura, pode-se fazer uma avaliação dos cinco modos de inspiração sugeridos. Tais conceitos, por considerarem a inspiração meramente um dom natural de iluminação, não prestam a devida atenção ao fato de Deus haver “soprado”‘a Escritura. O conceito da orientação dinâmica, que entende serem as questões de fé e práticas devidamente inspiradas, em contraste com os assuntos mais corriqueiros, não fornece nenhum método seguro para determinar o que é inspirado e o que não o é. Nem sequer leva em conta a declaração bíblica de que toda a Escritura é inspirada, inclusive os versículos tidos como obscuros.
O conceito do ditado divino na inspiração não reconhece devidamente o elemento humano – os estilos, expressões e ênfases específicos dos escritores de per si.
O conceito da inspiração verbal e plenária evita os exageros de se enfatizar a atividade de Deus a ponto de negligenciar a participação humana, ou de enfatizar a contribuição humana a ponto de desprezar o envolvimento divino na produção da Escritura. A totalidade da Escritura Sagrada é inspirada, pois seus autores a escreviam sob a supervisão e orientação do Espírito Santo. Isto permite variedades de estilo literário, gramática, vocabulário e outras peculiaridades humanas. Afinal, alguns escritores bíblicos tinham, sob o apanágio da providência de Deus, passado por longos anos de experiência e preparo incomparáveis. Eis por que foram usados por Deus para comunicar a sua mensagem (Moisés, Paulo).
Os conceitos da orientação dinâmica e os da inspiração verbal e plenária são sustentados por muito eruditos; tais conceitos reconhecem a obra do Espírito Santo, bem como as diferenças óbvias nos vocabulários e estilos dos escritores. Uma diferença importante entre as duas opiniões envolve a extensão da inspiração. Reconhecendo ter havido orientação do Espírito Santo, até onde esta se estende? No tocante aos escritos bíblicos, os defensores das várias opiniões dinâmicas sugeriram que a orientação do Espírito estendeu-se aos mistérios além do alcance da razão humana, ou somente até à mensagem da salvação, ou ainda até as palavras de Cristo, ou talvez até certos assuntos (tais como as seções didáticas ou proféticas, ou talvez a todas as matérias que se relacionam com a fé e prática cristãs). A inspiração plenária e verbal sustenta, porém, que a orientação do Espírito Santo estendia-se a todas as palavras dos documentos originais (os autógrafos).
No tocante à orientação do escritor pelo Espírito, tem-se sugerido que a influência do Espírito estendeu-se somente ao impulso original para se escrever, ou somente à seleção dos tópicos, ou apenas aos pensamentos ou ideias do autor, conforme este achasse melhor. Na inspiração plenária e verbal, todavia, a orientação do Espírito estendia-se até às próprias palavras que o escritor selecionava para expressar os seus pensamentos. O Espírito Santo não ditava as palavras, mas guiava o escritor para que este, livremente, escolhesse as palavras que realmente expressavam a mensagem de Deus. (Por exemplo, o escritor poderia ter escolhido “casa” ou “construção”, segundo a sua preferência, mas não poderia ter escolhido “campo”, pois isso teria mudado o conteúdo da mensagem.) 97
Qualquer combinação das sugestões no conceito da orientação dinâmica coloca-nos numa posição de relatividade quanto à extensão da inspiração das Escrituras. Esse posicionamento relativo requer seja aplicado algum princípio para diferenciar as partes inspiradas das não-inspiradas (ou mais inspiradas e menos inspiradas) da Bíblia. Vários princípios têm sido sugeridos: tudo quanto é razoável; tudo quanto é necessário para a salvação; tudo quanto é valioso para a fé e a prática; tudo quanto traz o Verbo; tudo quanto é querigma genuíno, ou tudo aquilo sobre o qual o Espírito dá testemunho especial. Todos os princípios desse tipo são subjetivos e centralizam-se no homem. Além disso, há o problema de quem aplicará o princípio de modo decisivo. A hierarquia eclesiástica, os estudiosos bíblicos e os teólogos, os cristãos individuais, todos desejariam o poder de escolha. Em última análise, o conceito da orientação dinâmica acaba derivando do homem a autoridade da Bíblia, em vez de derivá-la de Deus. Somente o conceito da inspiração plenária e verbal evita o problema da relatividade teológica, sem deixar de levar em conta a variedade humana ao reconhecer que a inspiração estende-se à totalidade das Escrituras.
A inspiração plenária e verbal contém uma definição essencial no próprio nome. E a crença de que a Bíblia é inspirada nas próprias palavras (verbal) escolhidas pelos escritores. É inspiração plenária (plena, total, inteira) porque todas as palavras-, em todos os escritos originais (autógrafos), são inspiradas. Uma definição mais técnica da inspiração segundo a perspectiva plenária e verbal poderia ser esta: A inspiração é o ato especial do Espírito Santo mediante o qual motivou os escritores bíblicos a escrever, orientando-os até mesmo no emprego das palavras, preservando-os de igual modo de todos os erros ou omissões.
Apesar de cada palavra da Bíblia ser inspirada por Deus, a sua veracidade depende do contexto, isto é: ela pode registrar autoritativamente o conteúdo inspirado e verídico de uma mentira. Quando, por exemplo, a serpente disse a Eva que esta não morreria se comesse do fruto proibido, estava, sem dúvida alguma, mentindo – pois Eva morreria! (Gn 3.4,5). No entanto, posto que a totalidade da Bíblia seja inspirada, as palavras do tentador, embora falsas, foram registradas com exatidão.
A inspiração verbal e plenária era a opinião da Igreja Primitiva. Durante os oito primeiros séculos da Igreja, nenhum líder eclesiástico, de vulto, ousou sustentar outra opinião. Procedimento similar foi adotado pelas igrejas cristãs ortodoxas até ao século XVIII. 98 A inspiração plenária e verbal continua sendo o conceito sustentado pelo evangelicalismo.
A inspiração verbal e plenária eleva o conceito da inspiração até à plena infalibilidade, posto que todas as palavras são, em última análise, palavras de Deus. A Escritura é infalível porque é a Palavra de Deus, e Deus é infalível. Nas últimas décadas do século XX, alguns procuraram apoiar o conceito da inspiração plenária e verbal sem o corolário da infalibilidade. Como resposta, livros foram escritos, conferências, realizadas, e organizações formadas na tentativa de firmar o modo histórico de se entender a inspiração das Escrituras Sagradas. Uma fileira de fortes adjetivos tem sido acrescentada à expressão “plenária e verbal” até ao ponto de alguns insistirem que esta opinião teológica seja chamada “inspiração verbal plenária, infalível, inerrante, ilimitada”. Quando investigamos o significado de tantos qualificativos, constatamos que é exatamente isto o que significa a “inspiração plenária e verbal”!
A Inerrância Bíblica
Uma mudança notável da terminologia que resultou dos debates na área da inspiração das Escrituras foi a preferência pelo termo “inerrância” ao invés de “infalibilidade”. Isso tem a ver com a insistência de alguns no sentido de que podemos ter uma mensagem infalível com um texto bíblico errante.
“Infalibilidade” e “inerrância” são termos empregados para se aludir à veracidade das Escrituras. A Bíblia não falha; não erra; é a verdade em tudo quanto afirma (Mt 5.17,18; Jo 10.35). Embora tais termos nem sempre hajam sido empregados, os teólogos católicos, os reformadores protestantes, os evangélicos da atualidade (e, portanto, os pentecostais “clássicos”), têm afirmado ser a Bíblia inteiramente a verdade; nenhuma falsidade ou mentira lhe pode ser atribuída. 99 Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Gregório Nazianso, Justino, o Mártir, Irineu, Tertuliano, Origenes, Ambrósio, Jerônimo, Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, e um número incontável de outros gigantes da história da Igreja, reconhecem que a Bíblia foi, de fato, inspirada por Deus, e que é inteiramente a verdade. Preste atenção à afirmação enfática de alguns destes notáveis:
Agostinho: “Creio com toda a firmeza que os autores sagrados estavam totalmente isentos de erros”. 100
Martinho Lutero: “As Escrituras nunca erram”.101 “… onde as Sagradas Escrituras estabelecem algo que deve ser crido, ali não devemos desviar-nos de suas palavras”.102
João Calvino: “O registro seguro e infalível”. “A regra certa e inerrante”. “A Palavra infalível de Deus”. “Isenta de toda mancha ou defeito”. 103
Provavelmente, os dois acontecimentos mais significativos no tocante à doutrina da infalibilidade e da inerrância foram a declaração sobre as Escrituras na Aliança de Lausanne (1974) e a Declaração de Chicago (1978) do Concílio Internacional da Inerrância Bíblica. A declaração de Lausanne oferece (segundo alguns) flexibilidade em demasia ao afirmar que a Bíblia é inerrante em tudo quanto afirma”. (Isto é: pode haver coisas que não foram “afirmadas” na Bíblia.) Como resposta, a Declaração de Chicago afirmou: “A Escritura na sua inteireza é inerrante, e está livre de toda a falsidade, fraude ou logro. Negamos que a infalibilidade e inerrância da Bíblia limitam-se aos temas espirituais, religiosos ou redentores, excluindo-se as asseverações nos campos da história e das ciências”. 104
A Declaração de Chicago foi adotada por uma convenção de quase trezentos estudiosos no seu esforço para esclarecer e fortalecer a posição evangélica a respeito da doutrina da inerrância. Consiste em dezenove Artigos de Afirmação e de Negação, e tem uma prolongada exposição final, que se propõe a descrever e explicar a inerrância de tal modo que não deixa nenhuma possibilidade de existir nenhum tipo de erro em qualquer parte da Bíblia.
Embora seja possível questionar se a inerrância é ensinada de modo dedutível nas Escrituras, conclui-se que o exame indutivo das Escrituras foi ensinado por Jesus e pelos escritores bíblicos. Deve ficar claro, porém, que a autoridade da Bíblia depende da veracidade da inspiração, e não da É doutrina de inerrância. Esta é uma inferência natural que segue a inspiração e é “tirada dos ensinos bíblicos, e tem o pleno, poio da atitude do próprio Jesus”.105 Alguns têm sugerido que abrir mão da doutrina da inerrância é o primeiro passo para se abrir mão da autoridade da Bíblia.
A inerrância reconhece contradições, ou inconsistências, no texto, não como erros propriamente ditos, mas como dificuldades que poderão ser resolvidas ao serem conhecidos todos os seus dados relevantes. A possibilidade de se harmonizar trechos aparentemente contraditórios vem sendo demonstrada frequentemente pelos estudiosos evangélicos que têm dedicado tempo e paciência, revendo dificuldades textuais à luz das novas descobertas históricas, arqueológicas e linguísticas. (Devemos, no entanto, evitar harmonizações forçadas ou altamente especulativas).
A doutrina da inerrância é derivada mais da própria natureza da Bíblia do que de um mero exame dos seus fenômenos. “Se alguém crê que a Escritura é a Palavra de Deus, não pode deixar de crer que seja ela inerrante”.106 Deus “soprou” as palavras que foram escritas, e Deus não pode mentir. A Escritura não falha porque Deus não pode mentir. Consequentemente, a inerrância é a qualidade que se espera da Escritura inspirada. O crítico que insiste em haver erros na Bíblia (em algumas passagens difíceis) parece ter outorgado para si mesmo a infalibilidade que negou às Escrituras. Um padrão passível de erros não oferece nenhuma medida segura da verdade e do erro. O resultado de negar a inerrância é a perda de uma Bíblia fidedigna. Se for admitida a existência de algum erro nas Sagradas Escrituras, estaremos alijando a veracidade divina, fazendo a certeza desaparecer.
A Definição de Inerrância
Embora os termos “infalibilidade” e “inerrância” tenha sido, historicamente, quase que sinônimos do ponto de vista da doutrina cristã, muitos evangélicos têm preferido ora um termo, ora outro. Alguns preferem “inerrância” para se distinguirem dos que sustentam poder a “infalibilidade” referirse à veracidade da mensagem da Bíblia, sem necessariamente indicar que a Bíblia não contém erros. Outros preferem “infalibilidade” a fim de evitar possíveis mal-entendimentos em virtude de uma definição demasiadamente limitada da “inerrância”. Atualmente, o termo “inerrância” parece estar mais em voga que “infalibilidade”. A série de declarações que se segue, portanto, é uma tentativa de se delimitar a definição de inerrância verbal que teria ampla aceitação na comunidade evangélica.
1. A verdade de Deus é expressada com exatidão, e sem quaisquer erros, nas próprias palavras da Escritura ao serem usadas na construção de frases inteligíveis.
2. A verdade de Deus é expressada com exatidão através de todas as palavras da totalidade da Escritura, e não meramente através das palavras de conteúdo religioso ou teológico.
3. A verdade de Deus é expressada de modo inerrante somente nos autógrafos (escritos originais), e de modo indireto, nos apógrafos (cópias dos escritos originais).
4. A inerrância dá lugar à “linguagem de aparência”, aproximações e várias descrições não-contraditórias, feitas a partir de perspectivas diferentes. (Por exemplo, dizer que o sol se levanta não é um erro, mas uma descrição perceptiva e reconhecida).
5. A inerrância reconhece o uso de linguagem simbólica e figurada, e uma variedade de formas literárias para se transmitir a verdade.
6. A inerrância entende que as citações no Novo Testamento de declarações do Antigo Testamento podem ser paráfrases, sem a intenção de serem traduções literais.
7. A inerrância considera válidos os métodos culturais e históricos de se relatar coisas tais como genealogias, medidas e estatísticas ao invés de exigir os métodos de precisão da moderna tecnologia.
Esperamos que, com base dessas declarações, poderemos construir um conceito de inerrância que evite os extremos, sem deixar de levar em conta o testemunho que a própria Escritura oferece no tocante à sua própria exatidão e veracidade. Mesmo assim, nossas tentativas de definir a inerrância não são inerrantes em si mesmas. Por isso, embora nos esforcemos para influenciar os outros para que aceitem a doutrina, da inerrância, seria bom respeitarmos o conselho sábio e amoroso do acatado defensor da doutrina da inerrância, Kenneth Kantzer: “Os evangélicos conservadores, principalmente, devem ser mui cuidadosos e evitar a confrontação direta com o erudito, ou seminarista hesitante, que se sente perturbado por problemas no texto bíblico, ou por algumas das conotações comuns à palavra inerrante”.107
Semelhantemente, deve-se compreender que “a inerrância bíblica não subentende que a ortodoxia evangélica se segue como consequência necessária da aceitação dessa doutrina”. 108 Deve se seguir a interpretação correta e a verdadeira dedicação espiritual.
Revelação Proposicional
Uma questão filosófica de vulto, que se relaciona com a questão da infalibilidade e da inerrância, diz respeito a se Deus, na verdade, pode revelar a si mesmo. Aqui, verdade refere-se a declarações, ou asseverações, proposicionais que se correspondam com exatidão com o objeto, ou objetos, por elas referidos. Deus pode revelar verdades a respeito de si mesmo? Ele tem condições de revelar à humanidade, de modo proposicional, algo a respeito de quem Ele realmente é?
Não é provável que Deus haja deliberadamente feito uma revelação enganosa acerca de si mesmo. Nenhuma evidência de semelhante erro é indicada na Bíblia. Além disso, uma revelação deliberadamente errada é contrária à natureza divina, pois Deus é a própria verdade. Ele sempre age segundo a sua própria natureza.
Dizer que Deus não tinha capacidade de evitar erros na revelação de si mesmo é lançar dúvidas contra sua onisciência e onipotência. Dizer, à parte de uma revelação divina direta, o que Deus pode ou não pode fazer, é presunção. Revelar corretamente a si mesmo não é uma das coisas que a Bíblia diz que Deus não possa fazer (e isto não seria incapacidade dEle, mas uma imposição de sua natureza moral). Se Deus, que criou todas as coisas (inclusive a mente humana), pode comunicar à pessoa humana alguma verdade isolada, não há impedimento lógico para que Ele não comunique toda e qualquer verdade que desejar.
Depois de reconhecermos que Deus tem capacidade de fazer uma revelação verdadeira de si mesmo, perguntemos: Ele também ordenou que sua revelação fosse registrada (por escrito) de modo verdadeiro. Negar isso nos reduziria ao agnosticismo ou ao ceticismo quanto à existência de alguma verdade absoluta, na espera da comprovação empírica (mesmo supondo que todos os assuntos são passíveis da verificação empírica). Pelo contrário, se é para confiarmos na Bíblia como a Palavra de Deus, devemos aceitar o próprio testemunho da Escritura como norma na definição da verdadeira doutrina da inspiração. Conforme já verificamos acima, Jesus e os escritores bíblicos proclamam, a uma só voz, que a revelação que Deus fez da verdade foi registrada de modo inerrante. Não pode ser anulada e jamais passará!
Preservação da Verdade das Escrituras
Deus ordenou fosse sua revelação preservada com pureza? Se “preservada com pureza” significa “preservada com inerrância”, a resposta é “não”. Conforme mencionada acima, a inerrância pertence tão-somente aos autógrafos. Nos muitos manuscritos bíblicos preservados, há milhares de variações. A maioria destas foi causada pela negligência (ortografia, gramática, transposição de palavras etc). Todavia, nenhuma doutrina sequer tem por base textos questionáveis em qualquer manuscrito.
Se, porém, “preservada com pureza” significa que os ensinos da Escritura foram “preservados de modo incorruptível”, a resposta é um “sim” de alto e bom som. Hoje, a Igreja tem várias versões modernas baseadas nos muitos manuscritos hebraicos e gregos existentes. Tais versões, traduzidas em centenas de idiomas, são comparadas cuidadosamente aos manuscritos antigos e às primeiras versões da Bíblia. E fornecem ao leitor uma versão das Escrituras em linguagem (vocabulário e estilo) atualizada, sem deixar de manter a exatidão quanto ao seu real significado.
Embora haja um longo período de tempo entre os autógrafos e as versões atuais da Bíblia, existe pouca distância entre eles no tocante à exatidão. Há uma longa corrente de testemunhas que remonta às pessoas que declararam ter visto os autógrafos (Policarpo, Clemente de Roma). Tinham tanto o motivo quanto a oportunidade de verificar por conta própria a fidedignidade das cópias feitas a partir dos originais. Havia um desejo entre os cristãos de preservar os ensinos da Escritura, e muitos cuidados foram dedicados à sua transmissão de uma geração para outra. Mediante os esforços da ciência da crítica textual, é possível se chegar a um texto bíblico que é a representação exata dos autógrafos. Em seguida, à medida que abordarmos o conteúdo e o significado da Escritura (conforme Deus mesmo quis fosse entendida) – com auxílio da crítica textual, da exegese e da interpretação – podemos dizer que nesta mesma medida estamos proclamando a Palavra de Deus.
Isso só pode acontecer se tivermos certeza de que os autógrafos eram de fato a Palavra de Deus, e que foram escritos infalivelmente por meio da inspiração sobrenatural. E essencial a inerrância (seja em que ponto for) para sabermos o que é a verdade. O valor dos autógrafos inerrantes é que sabemos que, o que os homens registraram, foi exatamente o que Deus queria deixar por escrito. Os autógrafos derivam seu valor do fato de serem, em essência, a Palavra de Deus, e meramente as palavras de escritores humanos.
Os apógrafos, por outro lado, derivam seu valor do fato de representarem com total exatidão os autógrafos. Não se pode dizer que as cópias, as versões e as traduções foram inspiradas na sua produção, mas seguramente (em algum sentido derivado e mediado) retêm a qualidade de inspiração que estava presente nos autógrafos. De outra forma, a Bíblia não seria fonte de autoridade. O ato da inspiração aconteceu uma só vez; a qualidade da inspiração continuou sendo mantida nos apógrafos. O ato original da inspiração produziu uma Palavra inspirada tanto nos autógrafos quanto nos apógrafos.
O Cânon das Escrituras
Nem toda a literatura religiosa, até a mais inspiradora e lida, é considerada Escritura. Essa verdade é válida hoje, como também o era nos dias em que o Antigo e o Novo Testamento foram escritos. Os apócrifos, os pseudepígrafos e outros escritos religiosos, tinham reconhecidamente seus vários graus de valor, mas não eram considerados dignos de serem chamados a Palavra de Deus. Somente os 66 livros contidos na Bíblia são chamados Escrituras. 109
O termo “cânon” provém da palavra grega kanõn, que denota uma régua de carpinteiro ou algum tipo de vara de medir. No mundo grego, cânon veio a significar “padrão ou norma para julgar ou avaliar todas as coisas”.110 Foram desenvolvidos cânones para a arquitetura, a escultura, a literatura, a filosofia, e assim por diante. Os cristãos começaram a empregar o termo de modo teológico para designar os escritos que tinham cumprido os requisitos para serem considerados Escrituras Sagradas. Os livros canónicos, pois, são considerados a revelação autorizada e infalível da parte de Deus.
Compreende-se, pois, porque os judeus fiéis e os verdadeiros cristãos desejavam tanto um cânon de seus escritos tidos como inspirados por Deus. A perseguição religiosa, a expansão geográfica e a circulação cada vez maior de uma ampla gama de escritos religiosos, aumentaram o ímpeto para ser estabelecido o cânon. A tradição sugere que, em grande medida, Esdras foi o responsável pela reunião dos escritos sagrados dos judeus num cânon oficialmente reconhecido. No entanto, o reconhecimento do cânon do Antigo Testamento usualmente deu-se num suposto Concílio de Jâmnia entre 90 e 100 d.C.111 A mais antiga lista cristã sobrevivente do cânon do Antigo Testamento provém de cerca de 170 d.C, compilado por Melito, bispo de Sardes.112 Nos primeiros séculos do Cristianismo, foram propostos vários cânones das Escrituras, desde o do herege Marcião, em 140 d.C, e o Cânon Muratoriano, de 180 d.C, até ao primeiro cânon completo do Novo Testamento feito por Atanásio em 367 d.C. O cânon do Novo Testamento, conforme hoje o possuímos, foi oficialmente reconhecido no Terceiro Concílio de Cartago em 397 d.C. e pela Igreja Oriental até 500 d.C. 113
Estabelecer o cânon da Bíblia não foi, porém, a decisão dos escritores, nem dos líderes religiosos, nem de um concílio eclesiástico. Pelo contrário: o processo da aceitação desses livros como Escritura deu-se mediante a influência providencial do Espírito Santo sobre o povo de Deus. O cânon foi formado por um consenso, e não por um decreto. A Igreja não resolveu quais livros deveriam estar no cânon sagrado, mas limitou-se a confirmar aqueles que o povo de Deus já reconhecia como a sua Palavra. Fica claro que a Igreja não era a autoridade; mas percebia a autoridade na Palavra inspirada.
. No entanto, vários princípios orientadores, ou critérios, têm sido sugeridos para os escritos canónicos. Incluem a apostolicidade, a universalidade, o uso na igreja, a capacidade de sobrevivência, a autoridade, a antiguidade, o conteúdo, a autoria, a autenticidade, e as qualidades dinâmicas. De interesse primário é saber se o escrito era considerado inspirado. Somente os escritos inspirados (ou “soprados”) por Deus cumprem os requisitos para serem tidos como a Palavra autorizada de Deus.
O cânon bíblico está fechado. A revelação infalível que Deus fez de si mesmo já foi registrada. Hoje, Ele continua falando através dessa Palavra. Assim como Deus revelou a si mesmo, e inspirou os escritores a registrar essa revelação, Ele mesmo preservou esses escritos inspirados, e orientou o seu povo na escolha destes, a fim de garantir que a sua verdade viesse a ser conhecida. Não se deve acrescentar outros escritos às Escrituras canónicas, nem se deve tirar delas nenhum escrito. O cânon contém as raízes históricas da Igreja Cristã, e “o cânon não pode ser refeito assim como a história não pode ser mudada”.114
O Espírito Santo e a Palavra
A Inspiração
As Escrituras eram sopradas por Deus a medida que o Espírito Santo inspirava seus autores a escrever em prol de Deus. Por causa de sua iniciação e superintendência, as palavras dos escritores eram verdadeiramente a Palavra de Deus. Pelo menos em alguns casos, os escritores bíblicos tinham consciência de que a sua mensagem não era meramente sabedoria humana, mas “as palavras que o Espírito Santo ensina” (1 Co 2.13).
Os próprios autores sagrados tinham consciência da qualidade inspirada dos escritos que compunham a Palavra de Deus, conforme o demonstram expressões tais como: “O próprio Davi disse pelo Espírito Santo” (Mc 12.36); “O Espírito do SENHOR falou por mim” (2 Sm 23.2); “Varões irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi” (At 1.16); “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías” (At 28.25); “Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz” (Hb 3.7); “E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque, depois de haver dito: Este é o concerto que farei” (Hb 10.15,16). Sendo assim, sejam quais forem os escritores – Moisés, Davi, Lucas, Paulo, ou desconhecidos (a nós) – escreveram eles “inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21 ou “movidos pelo Espírito Santo” ARA).
Alguns consideram (erroneamente) que a inspiração pelo Espírito envolvia um ditado mecânico da Escritura, apelando ao notável teólogo João Calvino. Várias vezes, Calvino realmente emprega o termo “ditado” em conjunção com a inspiração pelo Espírito. Por exemplo: “Seja quem for que serviu de escrevente dos Salmos, parece que o Espírito Santo ditou pela sua boca uma forma comum de oração para a Igreja na sua aflição”. 113 Mas Calvino emprega o termo “ditado” num sentido menos rigoroso do que atualmente é entendido pela teoria da inspiração como ditado. Tinha consciência da contribuição dos autores humanos em áreas tais como, por exemplo, o estilo. Observe o seu comentário a respeito do estilo de Ezequiel:
Ezequiel é verboso nessa narrativa. Mas no começo do livro já falamos que, pelo fato de o professor ter sido enviado a homens de mente lerda e inculta, empregou para isso um estilo menos refinado… Adquirira-o parcialmente da região onde habitava. 116
Calvino acreditava, portanto, que Deus preparava os escritores bíblicos através das várias experiências da vida, e que o Espírito Santo falava segundo o estilo do escritor conforme o requeriam as várias circunstâncias. Quer para alcançar as pessoas cultas ou as incultas, “o Espírito Santo tempera de tal maneira o seu estilo que a sublimidade das verdades que Ele ensina não pode ficar oculta”. 117
O Espírito Santo, fazendo uso das respectivas personalidades dos vários autores, e de suas experiências, capacidades e estilos, supervisionava-lhes os escritos a fim de garantir que a mensagem de Deus fosse comunicada integralmente e com toda a exatidão. Conforme Jesus prometera aos seus discípulos, o Espírito os guiaria à verdade, trazendo-lhes à lembrança as suas palavras, e ensinar-lhes-ia tudo quanto era necessário à revelação divina (Jo 14-16).
A Regeneração
A obra do Espírito Santo complementa a obra de Cristo na regeneração. Cristo morreu na Cruz a fim de possibilitar ao pecador ser revivificado para Deus. Mediante o novo nascimento espiritual, entramos no Reino de Deus (Jo 3.3). 0 Espírito Santo aplica a obra salvífica de Cristo ao coração do homem. E opera no coração deste a fim de o convencer do pecado, e para induzi-lo à fé no sacrifício expiador que Cristo oferece. Ê essa fé que leva à regeneração mediante a união com Cristo.
A fé regeneradora produzida pelo Espírito Santo não deve, entretanto, ser considerada de modo abstrato. Ela não existe no vazio, mas surge do relacionamento com a Palavra de Deus. A fé provém de ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Não somente foi o Espírito Santo responsável por registrar a mensagem da salvação que se acha nas Escrituras, mas também dá testemunho da veracidade destas. Posto que Deus haja falado na Bíblia ao gênero humano, agora o Espírito Santo tem de convencer as pessoas quanto a isso. O Espírito convence não apenas a respeito da veracidade geral das Escrituras, mas quanto a uma aplicação poderosamente pessoal dessa verdade (Jo 16.8-11). Cristo, como Salvador pessoal, é o objeto da fé produzida no coração pelo Espírito. Essa fé está inseparavelmente ligada às promessas da graça divina que se acham em todas as partes da Bíblia. “Precisamos do Espírito e da Palavra. O Espírito lança mão da Palavra e a aplica ao coração a fim de produzir o arrependimento e a fé e, por esse meio, a vida”.118 Por essa razão, a Bíblia fala na regeneração em termos de “nascer do Espírito” e de “sendo de novo gerados… pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23; ver também Jo 3.5).
Iluminação
A doutrina da iluminação do Espírito envolve a obra do Espírito Santo na pessoa, levando-a a aceitar, entender e apropriar-se da Palavra de Deus. Anteriormente, já havíamos considerado várias evidências internas e externas que confirmam ser a Bíblia a Palavra de Deus. No entanto, mais poderosa e mais convincente que todas elas é o testemunho interior do Espírito Santo. Embora as evidências sejam importantes, e o Espírito Santo possa fazer uso delas, em última análise é a voz autorizada do Espírito, no coração humano, que produz a convicção de que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus.119
Sem o Espírito Santo, a humanidade nem aceita, nem entende as verdades oriundas de Deus. A rejeição da verdade divina pelos incrédulos acha-se vinculada à sua falta de entendimento espiritual. As coisas de Deus são por eles consideradas loucuras (1 Co 1.22,23;2.14). Jesus descreveu os incrédulos como aqueles que ouvem mas não compreendem (Mt 13.13-15). Por causa do pecado “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21 – ARA). “O Deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho” (2 Co 4.4). Sua única esperança para receberem o entendimento espiritual, ou para perceberem a verdade da parte de Deus, é a iluminação do Espírito (Ef 1.18; 1 Jo 5.20). Essa percepção espiritual inicial resulta na regeneração, mas também abre a porta para uma nova vida de crescimento no conhecimento divino.
Embora as promessas de João 14-16, a respeito da orientação e ensino a serem ministrados pelo Espírito Santo, façam referência especial aos discípulos de Jesus que seriam usados para escrever o Novo Testamento, há um sentido contínuo em que esse ministério do Espírito relaciona-se a todos os cristãos. “O mesmo Ensinador também continua a sua obra de ensino dentro de nós, não por meio de trazer uma nova revelação, mas por meio de trazer novo entendimento, nova compreensão, nova iluminação. Mas Ele faz mais do que nos mostrar a verdade. Ele nos coloca dentro da verdade, e ajuda-nos a pô-la em prática”. 120
É importante manter juntas a Palavra escrita de Deus e a iluminação do Espírito Santo: O que o Espírito ilumina é a verdade da Palavra de Deus, e não algum conteúdo místico oculto nessa revelação. A mente humana não é deixada de lado, mas vivificada à medida que o Espírito Santo elucida a verdade. “A revelação é derivada da Bíblia, e não da experiência, nem do Espírito Santo como uma segunda fonte de informação paralela à Escritura e independente desta”.121 Nem sequer os dons de expressão vocal, dados pelo Espírito Santo, têm a mínima igualdade com as Escrituras, pois eles também devem ser julgados pelas Escrituras (1 Co 12.10; 14.29; 1 Jo 4.1). O Espírito Santo nem altera nem aumenta a verdade da revelação divina dada nas Escrituras. Estas servem como padrão objetivo necessário e exclusivo através das quais a voz do Espírito Santo continua a ser ouvida.
A iluminação do Espírito Santo não visa ser um atalho para se chegar ao conhecimento bíblico, nem um substituto do estudo sincero da Palavra de Deus. Pelo contrário: é à medida que estudamos as Escrituras que o Espírito Santo vai nos outorgando entendimento espiritual, que inclui tanto a crença quanto a persuasão. “As pesquisas filológicas e exegéticas não são usualmente “locais” para sua operação, pois é no coração do próprio intérprete que Ele opera, criando aquela receptividade interior pela qual a Palavra de Deus é realmente ‘ouvida’.” 122 O Espírito, fazendo como que a Palavra seja ouvida pelo coração, e não apenas pela cabeça, produz uma convicção a respeito da verdade que resulta numa apropriação zelosa desta mesma Palavra (Rm 10.17; Ef 3.19; 1 Ts 1.5; 2.13).
A neo-ortodoxia tende a confundir a inspiração com a iluminação ao considerar que as Escrituras “se tornam” a Palavra de Deus quando o Espírito Santo aplica seus escritos aos corações humanos. Segundo a neo-ortodoxia, a Escritura é revelação somente quando e onde o Espírito Santo fala de modo existencial. O texto bíblico não tem nenhum significado objetivo específico. “Posto que não existem verdades reveladas, mas somente verdades da revelação, o modo de uma pessoa interpretar um encontro com Deus pode ser diferente da maneira como outra pessoa entende igual situação”.123
Os evangélicos, contudo, consideram a Escritura como a B Palavra escrita e objetiva de Deus, inspirada pelo Espírito na ocasião em que foi escrita. A comunicação verdadeira a respeito de Deus está presente na forma proposicional, quer a reconheçamos, quer a rejeitemos. A autoridade da Escritura é intrínseca devido à inspiração, e não depende da iluminação. E independente do testemunho do Espírito Santo, e antecede a este. O Espírito Santo ilumina o que Ele já tem inspirado, e a sua iluminação encontra-se vinculada exclusivamente com a Palavra escrita.
A Palavra Escrita e o Verbo Vivo
A revelação que Deus fez de si mesmo centraliza-se em Jesus Cristo. Ele é o Logos de Deus. Ele é o Verbo Vivo, o Verbo encarnado, que revela o Deus eterno em termos humanos. O título Logos só pode ser encontrado nos escritos joaninos, embora o emprego do termo haja sido relevante na filosofia grega daqueles dias. Alguns têm procurado uma ligação entre a linguagem de João e a dos estóicos, dos primeiros gnósticos, ou dos escritos de Filo de Alexandria. Estudos mais recentes sugerem que João foi influenciado primariamente pelos seus alicerces no Antigo Testamento e na fé cristã. E provável, porém, que tivesse consciência das conotações mais amplas do termo, e que a tivesse empregado deliberadamente, com o propósito de transmitir um significado adicional e especial. 124
O Logos é identificado com a Palavra de Deus na Criação e também com sua Palavra autorizada (a lei para toda a humanidade). João deixa nossa imaginação atônita quando introduz o Logos eterno, o Criador de todas as coisas, o próprio Deus, como o Verbo que se encarnou a fim de habitar entre a sua criação (Jo 1.1-3,14). “Deus nunca foi visto por alguém. O filho unigénito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18). O Verbo Vivo tem sido visto, ouvido, tocado, e agora proclamado mediante a Palavra escrita (1 Jo 1.1-3). Quando do encerramento do cânon sagrado, o Logos vivo de Deus, o Fiel e Verdadeiro, está em estado de prontidão no Céu, prestes a voltar à Terra como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.11-16).
A suprema revelação de Deus acha-se no seu Filho. Durante muitos séculos, mediante as palavras dos escritores do Antigo Testamento, Deus havia se revelado progressivamente. Tipos, figuras, sombras e prefigurações desdobravam paulatinamente o plano de Deus para a redenção da humanidade (Cl 2.17). Depois, na plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho para revelar o Pai de forma mais perfeita e para executar aquele gracioso plano mediante a sua morte na Cruz (1 Co 1.17-25; Gl 4-4). Toda a revelação bíblica, antes e depois da Encarnação de Cristo, centraliza-se nEle. As muitas fontes originárias e maneiras da revelação anterior indicavam e prenunciavam a sua vinda à terra como homem. Toda a revelação subsequente engrandece e explica a sua vinda. A revelação que Deus fez de si mesmo começou pequena e misteriosa, progrediu no decurso do tempo, e chegou ao seu ponto culminante na Encarnação do seu Filho. Jesus é a revelação mais completa de Deus. Todos os escritos inspirados que se seguem após a sua vinda não acrescentam nenhuma revelação maior, mas engrandecem a importância de sua Encarnação. “[O Espírito] não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13).
Na Pessoa de Jesus Cristo, coincidem entre si a Fonte e o Conteúdo da revelação. Ele não era mais um meio de comunicar a revelação divina, conforme o foram os profetas e apóstolos. Ele mesmo é “o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Ele é “o caminho, e a verdade, e a vida”; conhecer a Ele é conhecer também o Pai (Jo 14-6-7). Os profetas diziam: “Veio a mim a Palavra do Senhor”, mas Jesus afirmava: “Eu vos digo”! Jesus inverteu o uso do termo “amém”, começando assim as suas declarações: “Na verdade [hb. Amen], na verdade te digo” (Jo 3.3). Tendo Ele falado, a verdade foi declarada de modo imediato e inquestionável.
Cristo é a chave que revela o significado das Escrituras (Lc 24.25-27; Jo 5.39,40; At 17.2,3; 28.23; 2 Tm 3.15). Elas testificam dEle e da salvação que Ele outorga mediante a sua morte. O enfoque que as Escrituras dedicam a Cristo não justifica, porém, o abandono irresponsável do texto bíblico nas áreas que parecem ter poucas informações abertamente
cristológicas. Clark H. Pinnock lembra-nos, com toda a B sabedoria, que “Cristo é o Guia hermenêutico no significado das Escrituras, e não seu bisturi crítico”.125 A atitude do próprio Cristo para com a totalidade das Escrituras era de total confiança e de plena aceitação. A revelação especial em Cristo e nas Escrituras é consistente, coerente e conclusiva. Encontramos Cristo através das Escrituras, e estas nos revelam a vida eterna em Cristo. “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).