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  • TEÍSMO ABERTO E KENOSIS: OS CONFLITOS DE UMA HERESIA

    TEÍSMO ABERTO E KENOSIS: OS CONFLITOS DE UMA HERESIA

    Kenosis

    Por: Geremias do Couto

    Como se não bastasse a tentativa de usar os princípios do arminianismo como cortina de fumaça para dar ares de legitimidade às teses do Teísmo Aberto, procurando até ensejar um conflito entre os adeptos daquela corrente e os calvinistas, os defensores do TI trazem agora para a cena do debate a tese da kenosis para com ela defender a idéia de que as intervenções de Deus na história se dão mediante o próprio esvaziamento.

    O artifício segue a mesma linha de tentar colocar uma corrente contra a outra, já que em relação à kenosis, no meio evangélico, ocorre a mesma dicotomia que põe arminianistas e calvinistas em lados diferentes quanto à “mecânica” da salvação. Há também, no caso da kenosis, duas correntes distintas que se respeitam e em nada degradam as chamadas doutrinas cardeais da Bíblia Sagrada.

    Essas correntes não diminuem a pessoa de Deus e tratam o Cristo humanizado sob duas perspectivas que não lhe subtraem a divindade e ambas convergem num ponto: o Senhor ressurreto e ascendido aos céus possui em si mesmo todos os atributos exclusivos de Deus, quais sejam: onipotência, onipresença, onisciência, transcendentalidade, eternidade, imutabilidade e perfeição. A divergência aparece quando se discute a sua humanidade.

    Uma corrente afirma que a kenosis, ou seja, o esvaziamento de Cristo como descrito em Filipenses 2.5-11, implica afirmar que o Senhor, enquanto homem, embora tenha mantido a natureza divina, esvaziou-se de todos os seus atributos. Ele os teria posto de lado para viver nos estritos limites de sua humanidade apenas sob o poder do Espírito Santo. Assim, enquanto esteve na terra, não os teria usado em nenhuma circunstância, embora os tivesse sempre à mão.

    A outra corrente, como bem defendeu Silas Daniel em seu blog, pressupõe que “Filipenses 2.7 não está dizendo que Jesus esvaziou-se de seus poderes divinos (ou em relação a eles), mas sim da sua glória, isto é, da sua ‘dignidade divina’; nesse sentido, Jesus ‘tornou-se a si mesmo insignificante’(aqui estou usando duas expressões emprestadas dos teólogos James Packer e Bruce Milne). Jesus se esvaziou de sua glória celeste, não de seus atributos. Os atributos de Jesus continuavam com Ele e em plena atividade. Há muitas passagens nos Evangelhos que provam que seus atributos estavam em plena atividade”.

    O que fizeram então os que se alinham ao Teísmo Aberto? Como é constrangedora a pressuposição de que Deus não conhece o futuro e depende da autonomia do homem para construí-lo, negando-lhe com essa afirmação o atributo exclusivo da onisciência, lançaram mão da primeira interpretação da kenosis para afirmar que as intervenções de Deus no Antigo Testamento seguiram os mesmos critérios do esvaziamento de Cristo em sua humanização. Deus “esvaziou-se” de seus atributos, isto é, colocou-os de lado, sem fazer uso deles, em todos os seus atos históricos, nos quais sempre agiu em cooperação com o homem. Assim se explicam as chamadas teofanias no Antigo Testamento. Mas os defensores do TI foram além: ainda hoje Deus age da mesma forma através de Jesus. Veja o que diz Ed René Kivitz em seu blog:

    “Creio que Deus conduz a história independentemente de sua kenosis, mas entra na história sempre esvaziado, através de Jesus. Apenas para diferenciar os critérios de relacionamento de Deus com sua criação e suas criaturas, falemos de Deus exaltado (sem kenosis) e do Deus esvaziado, em Jesus (com kenosis). Deus conduz a história desde seu alto e sublime trono, Deus exaltado, mas participa da história em Jesus, o Deus esvaziado. Estes são os sentidos das teofanias: a presença de Deus, em Jesus, no Velho Testamento, antes da encarnação”.¹ Confuso, não? É um Deus ora exaltado, ora esvaziado, que vive numa zona cinzenta, onde parece não saber bem o que quer. Ed René Kivitz conclui então o seu pensamento:

    “Quanto tempo será necessário para que os cristãos assumam que o Deus exaltado continua a agir na história como Deus esvaziado? Este é o tempo da afirmação da terceira kenosis: o esvaziamento de Deus para habitar sua igreja”.². Como se vê, inventaram uma primeira kenosis, o Deus esvaziado do Antigo Testamento, e também uma terceira: o Deus esvaziado da presente era do Reino, limitado em sua ação e sempre dependente do homem para construir o futuro.

    No entanto, ainda que pudesse ser considerada válida a corrente que defende a kenosis como a descrição de Cristo, enquanto homem, esvaziado de seus atributos, seria ela uma premissa legítima para fundamentar o argumento em defesa da tese do esvaziamento de Deus? Daria ela respaldo a afirmação de que Deus em suas intervenções históricas teria posto de lado os seus atributos, tanto no Antigo Testamento quanto na presente era?

    Aos fatos:

    1. Quando Cristo se encontrava na cruz, às portas da morte, e exclamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46), a quem se dirigia: ao Deus exaltado ou ao Deus esvaziado? Se ele se referisse à última hipótese, não faria sentido tal exclamação!

    2. Quando o Senhor, após a ressurreição, declarou aos discípulos: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28.18), que “todo poder” era esse? Pertencia ao Deus exaltado ou ao Deus esvaziado? Se estivesse se reportando ao último, seria uma declaração ambígua e sem sentido. Afinal, receber “todo o poder” de outrem – o próprio Deus – significa que este não está “esvaziado” e implica ser investido de todos os atributos próprios do poder concedente.

    3. Quando a própria passagem de Filipenses 2.7-11 diz que Deus exaltou a Jesus soberanamente, e lhe deu um nome sobre todos os nomes, que Deus era esse: o Deus exaltado ou o Deus esvaziado? Se fosse o Deus esvaziado, que poder teria ele de exaltar outra pessoa de maneira soberana? Tal afirmação soaria ridícula!

    4. Ainda sobre a passagem de Filipenses 2.7-11, se Deus exaltou a Jesus soberanamente, estaria ele agora, no trono de sua glória, exaltado ou esvaziado? Se estiver esvaziado, a declaração apostólica de Paulo é então uma farsa e cabe concordar com os teístas abertos, quando afirmam que os autores bíblicos se contradizem. No entanto, essa passagem é coerente com toda a Bíblia que afirma a soberania de Deus e a exaltação de Cristo.

    5. Quando o apóstolo João vê o grande trono branco (Apocalipse 20.11), e o Senhor soberano assentado sobre ele, ao final da história, portanto num tempo ainda futuro, trata-se do Deus exaltado ou do Deus esvaziado? Se fosse esse o caso, que autoridade teria ele de julgar os vivos e os mortos de todas as eras? É óbvio que o apóstolo referia-se ao Deus Onipotente, como cantado no “Aleluia de Haendel”, que tem em suas mãos o domínio da história e que, soberanamente, em tempos imemoriais (Apocalipse 13.11), decidiu enviar Jesus ao mundo para prover a redenção dos nossos pecados.

    Poderia usar, aqui, outras passagens bíblicas para desconstruir essa falácia, mas essas por enquanto bastam. O fato é que, mesmo considerando válida a primeira interpretação da kenosis, do esvaziamento de Cristo, ela é, ainda assim, uma premissa falsa para fundamentar a tese do esvaziamento de Deus em suas intervenções históricas.

    E quando a premissa é falsa, o que se constrói sobre ela também é falso.

    ¹ www.outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/kenosis.html

  • Lição 01 – O retorno ao primeiro amor

    betel 

    Texto Áureo

    “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Ap 2.5

    Verdade Aplicada

    O amor era um assunto mui­to importante para a igreja primitiva. Sua ausência era encarada como decadência na vida cristã.

    Objetivos da Lição

    Relembrar as primeiras obras como motivação para uma vida renovada;

    Mostrar que a doutrina e o zelo pela ortodoxia não po­derão substituir o amor de Cristo;

    Ensinar como o cristão pode voltar ao primeiro amor.

    Textos de Referência

    Ap 2.1        Escreve ao anjo da igre­ja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:

    Ap 2.2        Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;

    Ap 2.3        e sofreste e tens paci­ência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.

    Ap 2.4        Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.

    A carta a Éfeso — a igreja apostólica (Ap 2:1-7).

    2:1    Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:

    A cidade de Éfeso representa, historicamente, uma das mais vigorosas comunidades cristãs do N.T. Em sua função profética, pois, representa a igreja da era apostólica, dotada de sucesso e poder especiais, embora tivesse caído em vários erros, antes do fim de seu período histórico, o principal dos quais foi o resfriamento de seu amor a Cristo, com o declínio subsequente no serviço e no poder espiritual. As epístolas de Paulo mostram-nos que ela estava longe de ser perfeita; e o livro de Atos mostra-nos que ela estava longe de ser unida, conforme se evidencia nas epístolas aos Gálatas e I e II Coríntios. Contudo, quanto a esses aspectos, a igreja se manteve superior ao que ela mesma foi em épocas posteriores.

    Quando o vidente João escreveu a essa igreja, fê-lo sob as perseguições movidas por Domiciano, embora alguns pensem que a seção deste livro que encerra as sete cartas, tenha sido escrita antes do resto, tendo sido incorporada ao restante. Porém, a carta à igreja de Esmirna quase certamente reflete as perseguições do tempo de Domiciano, o qual foi chamado de «segundo Nero»; e pode-se supor que todas as demais cartas foram escritas ao mesmo tempo.

    «…ao anjo…» Já encontramos a menção a esses seres em Ap 1:16 e 20, onde são chamados de «sete estrelas». O trecho de Ap 1:16 nos fornece explicações detalhadas que são sumariadas aqui, nos pontos abaixo discriminados:

    1. Há aqui certa alusão astrológica (ver 1:16).

    2. São grandes poderes espirituais associados às igrejas, visando a sua proteção e orientação. São instrumentos nas mãos de Cristo, seres angelicais literais, que ministram à igreja, controlando seus ministros, e, pelo menos em alguns casos, servindo de mediadores dos dons espirituais. Por extensão dessa ideia, podemos supor que todas as comunidades locais dos crentes contam com seus próprios anjos guardiões, tal e qual sucede no casos das nações e dos crentes individuais.

    3. Alguns pensam que estariam em foco os «pastores» humanos das igrejas, e não seres sobrenaturais. Apesar disso ser uma interpretação comum, não é provável. Os «pastores», entretanto, provavelmente seriam tidos como instrumentos especiais desses seres angelicais, seus representan­tes, nas assembleias locais.

    4. Também há quem pense que seriam delegados especiais, enviados às sete comunidades cristãs, levando-lhes cópias do livro de Apocalipse. Mas isso é altamente improvável. Antes, devem ser membros «fixos» das igrejas locais ou seres permanentemente vinculados a elas, e não visitantes ocasionais de qualquer espécie.

    5. Não são «bispos» de regiões diversas, que representariam o desenvolvimento «eclesiástico» da igreja.

    6. Não são «missionários itinerantes» ou «instrutores», que exerceriam autoridade especial sobre as comunidades cristãs, atendendo às suas necessidades espirituais.

    7. E nem são essas estrelas meros «símbolos místicos» das igrejas, como se seu intuito fosse apresentar seres vivos de qualquer modalidade. A posição ou posições mais prováveis são a primeira e a segunda, ou mesmo a combinação dessas duas posições.

    O ensinamento que aqui temos, pois, é profundo—a igreja cristã não fica sozinha. Conta com a ajuda de grandes protetores espirituais, guardiães e instrutores angelicais. Isso faz parte da promessa de Cristo, em seu cumprimento: «De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei» (Hb 13:5); e: «E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século» (Mt 28:20). Isso, entretanto, não os transforma em mediadores da «salvação», pois somente Cristo Jesus pode ser tal mediador (ver I Tm 2:5). Contudo, são mediadores de sua presença e de seu poder, enviados para ministrar às assembleias locais, bem como aos crentes individuais (ver Hb 1:14). Cada um desses anjos tem seus «representantes» nas igrejas locais, a saber, pastores, mestres, etc.

    «…igreja…» Elementos comuns nas sete cartas. Cada uma dessas missivas contém os seguintes elementos:

    1. A ordem de escrever, ao anjo de cada assembleia local.

    2. A algum título sublime do Senhor Jesus Cristo, dotado de significado particular, com elementos instrutivos, importante para a igreja local para a qual foi escrita a carta em questão.

    3. Um recado direto ao «anjo» da igreja, com as palavras, «conheço tuas obras», o que lhe assegura que Cristo vigia e se preocupa com conhecimento completo acerca das condições de cada comunidade local.

    4. Promessas aos vencedores; advertências aos seus membros indiferentes, ou que caem em algum erro específico, do qual se recusam a recuperar-se.

    5. O solene refrão: Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça. Isso tenciona fixar a atenção sobre o que é dito, para que se dê plena obediência à instrução assim transmitida.

    6. É o «Espírito» quem profere as palavras de cada carta; pelo que não se trata de meras mensagens humanas.

    7. Cada uma delas envolve uma mensagem profética, que se adapta a um período especial da história da igreja.

    Interpretação acerca do significado do intuito das sete cartas às sete igrejas.

    Consideremos sobre isso os pontos abaixo:

    1. Essas cartas foram enviadas a igrejas locais reais da Ásia Menor, que havia naquela época, e nas quais imperavam as condições ali descritas. Essas cartas, pois, são «historicamente» orientadas, pois as «coisas que são» foram escritas do ponto de vista do autor sagrado.

    2. Essas cartas representam condições que se verificam em qualquer época da história da igreja, pelo que elas são «universalmente» orientadas.

    3. Essas cartas expõem os erros, os triunfos e as condições morais que caracterizam a igreja em qualquer de suas épocas, em suas assembleias locais. São instruções «desligadas da passagem do tempo». Tais instruções são tanto «eclesiásticas» (aplicáveis à «igreja local», em suas necessidades e condições) como «pessoais» (no que se aplica às necessidades dos crentes individuais).

    4. Essas cartas são proféticas quanto a sete estágios da história da igreja, que talvez se devam arrumar como segue:

    a.       Éfeso, a igreja apostólica (século I d.C).

    b.      Esmirna, a igreja perseguida (séculos II e III d.C.)

    c.       Pérgamo, a igreja sob favor imperial (312 a 500 d.C.)

    d.      Tiatira, a igreja da Idade das Trevas (500 d.C. ao século XVI)

    e.       Sardes, a igreja da Reforma e da renascença (séculos XVI a XVIII)

    f.       Filadélfia, a igreja das missões modernas (séculos IX até primórdios do século XXI).

    g.       Laodicéia, a igreja do tempo do fim (meados do século XXI até à vinda de Cristo —sendo essa a igreja morna).

    Por que razão são salientadas 7 igrejas locais em particular? Na Ásia Menor, havia cidades e igrejas mais importantes, nos dias do vidente João, do que algumas das que são aqui alistadas. Por que o autor sagrado selecionou essas sete, excluindo as outras? É possível que não tenha havido qualquer razão específica, ou pode ser que elas tivessem necessidades especiais, que exigiam atenção, mais do que as igrejas locais de outras áreas. Ou então foram escolhidas porque, dentro da ordem em que foram mencionadas, começando e retornando a Éfeso, como que, no mapa, fica formado um círculo geográfico, pelo que elas representariam a igreja inteira. Seriam elas o «círculo perfeito» da igreja, por assim dizer. Naturalmente, além desses raciocínios, supomos que o Espírito Santo orientou nessa escolha, porque as condições ali existentes eram particularmente instrutivas para todas as épocas, ao passo que outra espécie de condições não seria tão «universal» e impressionante. O próprio número «sete»; sugere «perfeição». Trata-se de uma perfeita e completa mensagem de Cristo às suas igrejas.

    «…Éfeso…» Essa cidade fora erguida próximo do mar, no vale do rio Caister, sob as sombras das montanhas Coressos. Nos dias de Paulo, era a maior cidade da província romana da Ásia. Plínio a chamava de «a luz da Ásia». Fica na costa ocidental do que atualmente se chama Turquia Asiática. No tempo dos apóstolos havia uma magnificente estrada de vinte e um metros de largura, ladeada por colunas, que atravessava a cidade até ao porto. Esse porto era importante centro de exportação e importação, no fim da rota de caravanas vindas da Ásia, sendo uma escala natural para quem viajasse do continente asiático até à capital do império, Roma.

    O povoado original parece ser datado do século XII A.C., tendo sido iniciado por colonos jônicos. No ano de 560 A.C., Éfeso foi conquistada pelo rei Croeso. No ano de 557 A.C. foi conquistada pelos persas. Em 133 A.C., tornou-se parte do império de Atalo II, que então doou a Roma. Pérgamo continuou sendo a cabeça titular da província romana assim formada; mas Éfeso, na realidade, era a principal cidade daquela região. Evidentemente tinha uma população de cerca de um terço de milhão de habitantes, na época apostólica.

    Éfeso era um centro religioso, tanto quanto comercial e político. O templo de Diana, erigido antes de 356 A.C, mas restaurado naquele ano, após ter sido destruído por um incêndio, figurava como uma das maravilhas do mundo antigo, até que, finalmente, foi destruído pelos godos, em 260 D.C. Esse templo continha a «imagem» de Diana, a qual, mui provavelmente, era apenas um meteorito que foi esculpido para formar tal imagem. Isso explica sua suposta origem «celestial». Sabemos que nos templos antigos havia «meteoritos», sempre que possível, pois eram considerados sagrados, por terem «caído do céu». O templo de Diana, descoberto por J. T. Wood, no ano de 1870, era quatro vezes mais espaçoso que o Partenon de Atenas, adornado por obras de grandes mestres, como Fídias, Praxíteles e Apeles.

    Nos tempos neotestamentários, havia numerosa colônia de judeus em Éfeso, e esses desfrutavam de posição privilegiada, durante o começo do império. (Ver Josefo, Antiq. xiv.10,12,25). A fé cristã chegou a Éfeso em cerca de 52 D.C. (ver Atos, em seus capítulos dezoito e dezenove, quanto a descrições sobre isso). Paulo esteve ali, durante sua segunda viagem missionária; e então permaneceu mais tarde ali, por cerca de três anos, a mais longa permanência de Paulo em um lugar só, durante todas as suas viagens missionárias. O cristianismo fez de Éfeso um de seus centros mais poderosos. Porém, em oposição à fé cristã, floresciam ali os cultos mágicos; e, antes dos fins do primeiro século de nossa era, foi imposto ali o «culto ao imperador», com as consequentes perseguições contra aqueles que se recusavam a adorar ao imperador romano.

    Por ocasião de sua partida de Éfeso, o apóstolo dos gentios deixou ali a Timóteo, embora não saibamos por quanto tempo este último ali permaneceu. É comum identificar Timóteo com o «anjo» mencionado em Ap 2:1; mas isso é altamente improvável. O «anjo» referido neste livro é bem real, guardião e instrutor da igreja de Éfeso, ainda que seja perfeitamente possível que Timóteo fosse o seu principal instrumento naquela localidade.

    Irineu e Eusébio chamavam Éfeso de lar do idoso apóstolo João; e embora existam tradições em conflito a seu respeito, é, bem provável que o próprio apóstolo João e suas tradições tivessem estado associados ao lugar, de tal modo que o quarto evangelho, as epístolas de João e o livro de Apocalipse tivessem provindo daquela área em geral. Inácio, uma geração depois da era apostólica, escreveu à igreja dali em termos candentes (ver Inácio, Efésios 11). E o lugar tornou-se a sede de longa sucessão de bispos orientais. O terceiro concilio geral teve lugar em Éfeso, no ano de 431 D.C, com o propósito específico de condenar as heresias de Nestório. A igreja de Santa Maria, onde a conferência foi efetuada, conta com ruínas que podem ser vistas até hoje. Pouco depois disso, a cidade começou a declinar, sobretudo por causa da praga de malária. Suas excelentes esculturas foram levadas para outros lugares, principalmente para Constantinopla. E no século XIV, o que restava, foi levado dali pelos turcos, que também dispensaram os seus habitantes que ainda restavam.

    A região anteriormente ocupada por Éfeso, nos nossos dias, é desabitada. O mar, atualmente, fica a mais de onze quilômetros de distância do local original, devido ao acúmulo de detritos e de lama, em seu porto, no decorrer dos séculos. A ilha de Patmos, onde foi desvendado ao vidente João este o livro de Apocalipse, fica cerca de cento e vinte quilômetros de distância.

    «…estas cousas…», isto é, a carta que se segue.

    «…diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas… » Essa declaração já fora feita a respeito de Cristo, em Ap 1:16. As «sete estrelas» são os «sete anjos». Por conseguinte, Cristo: 1. protege às igrejas; 2. guia-as e controla-as; 3. usa-as em seu serviço; e 4. conforme isso é aplicado, todas essas coisas podem ser ditas às igrejas servidas por esses anjos. Portanto, tanto os anjos (ou «estrelas») como as próprias igrejas locais estão inteiramente sujeitos a Cristo, servindo de instrumentos do poder e da glória do Senhor. As «estrelas» estão na «mão» de Cristo, — não em seus «dedos», pois não são meros elementos decorativos, apesar de também serem tais, não tenhamos dúvidas.

    O titulo de Cristo: Cada uma dessas sete comunidades locais recebeu um título ou descrição especial da parte de Cristo, que lhe foi particularmente aplicado. Visto que a carta à comunidade cristã de Éfeso figura em primeiro lugar, o título aqui empregado é mais amplo, porque assim são apresentadas as cartas às sete igrejas. Portanto, a «característica geral» de Jesus Cristo, no que concerne às igrejas locais, o que também figura em Ap 1:16, é reiterado neste ponto. Mas Éfeso contava com poderosa igreja cristã, pelo que, de modo todo especial, era protegida por Cristo, para que o evangelho tivesse um início realmente triunfal naquela região.

    «…anda no meio dos sete candeeiros de ouro…» Notemos que, em Ap 1:20, os sete candeeiros são as «sete igrejas». Portanto, uma vez mais, a descrição de Cristo, no tocante a Éfeso, também se aplica às cartas enviadas a todas as sete igrejas, —o que equivale dizer que essa primeira carta serve de introdução para todas as demais.

    O fato que Cristo «andava» entre os candeeiros simboliza as seguintes verdades:

    1. A presença de Cristo e de seu poder, na igreja, o que tanto se verificou na era apostólica.

    2. A sua cuidadosa vigilância sobre essa época e todas as épocas da igreja, «conhecendo» suas fortalezas e fraquezas.

    3. Esse andar é judicial. Cristo não está satisfeito com a condição da igreja e terá de baixar juízo, se não houver arrependimento.

    4. Sem a «presença» de Cristo, a igreja é apenas uma pilha de pedras, frequentada por não-espirituais. Mas com sua presença, a igreja se torna um templo vivo para habitação do próprio Deus (ver Ef 2:22; ver também 1 Pe 2:5, acerca das «pedras vivas» que compõem a «casa espiritual», o «novo templo»).

    5. Temos aqui o «teísmo», ao invés do «deísmo». Este último ensina que há um Deus, um Criador, uma força superior, mas crê que ele deixou as leis naturais encarregadas do governo de sua criação, não tendo qualquer contato pessoal com a mesma; pelo que também não faz intervenção na história humana, para julgar ou galardoar. O teísmo, em contraste com isso, ensina quê Deus está conosco, particularmente na pessoa de Cristo; que Deus faz interferência na história da humanidade; que recompensa e pune. Cristo é o exemplo supremo da presença de Deus entre os homens, pelo que é a maior prova do teísmo, embora existam outras provas.

    6. É o «Senhor» quem assim guarda à sua igreja e a observa.

    7. Aqueles que aceitam a Cristo como Senhor, são transformados segundo a sua imagem e natureza (ver II Co 3:18).

    O nome de Cristo: Em cada uma das sete cartas do Apocalipse, Cristo dá a si mesmo um nome e uma descrição específicos, aplicável à circunstância particular e à posição espiritual da igreja sob discussão. No caso da igreja em Éfeso, Cristo aparece como aquele que «sustem» na mão os ministros angelicais que ajudam à igreja. É patente que, por meio deles, sustem à própria igreja. Isso alude ao poder de Cristo entre as igrejas, apontando para a sua capacidade de ajudar. Consideremos ainda os pontos abaixo:

    1. Essa circunstância frisa o «senhorio» de Cristo. Pois ninguém tem a Cristo como Salvador, se também não o tem como Senhor.

    2. E isso, por sua vez, fala de «segurança» da igreja. Cristo não permitirá que a igreja, finalmente, pereça.

    3. Cristo «anda entre as igrejas», o que nos assegura a sua presença e comunhão, algo que é típico da igreja apostólica, que exibia a presença e o poder de Cristo acima do que sucedeu à igreja de séculos posteriores.

    4. Isso dá a entender a «atividade divina» na igreja, o que a assiste em sua propagação, mas também em sua operação interna de santificação pessoal.

    5. Os candeeiros exigem constante atenção, a fim de funcionarem corretamente, a fim de darem a luz apropriada, e Cristo dá essa atenção às igrejas. Se não fora assim, a luz da igreja desde há muito ter-se-ia apagado. A igreja apostólica, todavia, foi poderosíssima luz em favor da verdade.

    6. Cristo é tudo para todos (ver Ef 1:23). Esse é o imenso alvo do «mistério da vontade de Deus» (ver Ef 1:10). Cristo demonstrou, na igreja apostólica, como isso pode funcionar.

    2:2    Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos;

    «…Conheço as tuas obras…» Consideremos aqui os pontos seguintes:

    1. É salientada assim a onisciência de Cristo. Essa declaração é reiterada no caso de todas as sete igrejas.

    2. O interesse de Cristo por sua igreja é focalizado, porque ele «conhece» as suas condições, a fim de louvar ou de repreender à mesma, tudo o que visa produzir modificações espirituais favoráveis.

    3. As «obras» que Jesus «conhece» representam as «condições espirituais em geral» da igreja, e não apenas aquilo que chamamos de «serviço ativo». Portanto, a palavra «obra» neste caso, indica o «caráter geral», a natureza da pessoa que age, mas também aquilo que ela faz. Equivale à expressão vetotestamentária «temor do Senhor», expressão usada a fim de exprimir as condições «espirituais em geral» daquele que professava tentar agradar a Deus, reconhecendo o seu senhorio. O termo geral, «obra» é desdobrado, neste mesmo versículo, para que tenha os seguintes significados:

    a. Labor (serviço ativo, prestado sob pressão).

    b. Paciência (resistência nesse labor, e sob as perseguições).

    c. Ódio e oposição ao mal e aos atos malignos, de homens que pervertem o evangelho e promovem a impiedade em nome de Cristo.

    d. Cristo, que é o Senhor, vê através de todos os disfarces e pretensões, apresentando autêntica avaliação da condição de cada indivíduo, bem como a condição geral de cada assembleia local.

    Ele não vê o que «esperamos ser», nem o que «temos feito», nem o que «pensamos que podemos fazer», e, sim, as nossas condições reais, o nosso caráter. O seu poder, que «tudo vê e tudo sabe», é, ao mesmo tempo, uma ameaça e um conforto. É uma ameaça aos hipócritas e pretensiosos; é uma ameaça para aqueles que brincam com a fé religiosa. Mas é um conforto aos fiéis, que são perseguidos e desprezados por outros, dentro ou fora da igreja. Isso nos promete uma recompensa justa, bem como a contínua ajuda para a concretização dos ideais espirituais do cristianismo.

    «Nossas tristezas, que talvez não possamos relatar, nossas tribulações, que ninguém mais conhece, nossas dificuldades, os ais e as dores que jazem ocultas em nossas almas, nossas fraquezas e nossas lutas íntimas, nossos temores e dúvidas ocultos, nossa honestidade quanto a coisas que outros censuram e criticam, nossos verdadeiros motivos e esforços, que os outros não entendem, tudo é conhecido por nosso amoroso Salvador, o qual pode ser tocado com o senso de nossa debilidade, ordenando-nos que tenhamos bom ânimo, porque a sua graça nos será suficiente». (Seiss, in loc.).

    «O verniz de uma fé formal talvez impressionasse ao mundo, mas não pôde escapar a seu escrutínio (ver At 1:24). Ele também conhece, e aceita amorosamente, os atos não-exibidos e nem requisitados de verdadeiro amor (ver Mt 10:42 e 26:13), e aparecia, em meio a todas as suas falhas, a lealdade genuína a ele (ver Jo 2:17)». (Carpenter, in loc.)

    «…o teu labor…» No grego temos o vocábulo «kopos», que indica «labor até à exaustão», «labuta». A forma verbal, «kopiao», significa «exaurir-se», «trabalhar arduamente», «lutar». Essa palavra descreve os prodigiosos labores da igreja apostólica. Notemos que o trabalho árduo é aqui recomendado. Até mesmo os ímpios veem algo de «nobre» no labor árduo, o que, necessariamente, inclui abnegação, em favor de alguma causa esperançosa e altruísta.

    «Não existe riqueza real senão o labor do homem. Se os montes fossem de ouro e os vales de prata, o mundo não seria mais rico nem um grão de trigo a mais; nenhum conforto isso adicionaria à raça humana». (Percy B. Shelley, Queem Mab).

    «As ações de um homem são apenas um quadro pictórico de seu credo» (Ralph Waldo Emerson).

    «Os atos falam mais alto que as palavras». (Um provérbio popular).

    «Os céus nunca ajudam ao homem que não trabalha». (Sófocles, fragmento).

    «Uma hora de vida, carregada de ações gloriosas e prenhe de nobres riscos, vale mais que anos inteiros daquelas tolas observâncias do decoro comum». (Sir Walter Scott, Count Robert of Paris).

    «A ação nem sempre produz felicidade; mas não há felicidade sem ação». (Benjamim Disraeli).

    «Um homem sem ambição é como uma mulher sem beleza». (Frank Harris).

    O «labor» aqui mencionado, no caso da igreja de Éfeso, alude particularmente aos labores daqueles crentes no evangelho, o qual tomou conta de todos os centros de civilização então conhecidos. (Ver Cl 1:6 quanto a esse fato). Essa intensíssima expressão espiritual fazia parte das «obras gerais» ou caráter cristão daqueles crentes. (Ver Rm 16:12; I Co 16:10 e Gl 4:11 quanto aos labores apostólicos e ministeriais, referidos neste versículo com o termo «labor»). Os crentes efésios eram intensos quanto à sua fé espiritual, o que ficava claramente demonstrado pela magnitude de sua dedicação, produtiva de imensos labores em favor da causa de Cristo.

    «…perseverança…» Isso é mencionado de novo no versículo seguinte. Significa bem mais do que o que se entende pela palavra «paciência», isto é, o «suportar tudo estoicamente». Pelo contrário, significa «constância» sob circunstâncias adversas. Com frequência, nas páginas do N.T., indica fidelidade sob a perseguição. O termo grego é «upomone», «resistência», «permanência», «constância». (Ver II Pe 1:6; Tg 5:7 e II Tm 2:25,26). No dizer de Ellicott (in loc): «Não assinala meramente a resistência, mas também a fraca paciência com que o crente luta contra os vários empecilhos, perseguições e tentações, que lhe sobrevêm em seu conflito contra o mundo interno e externo». Isso esse autor dizia, comentando sobre o trecho de I Ts 1:3. Sabemos que a igreja da era apostólica foi tremendamente perseguida. O livro de Atos deixa isso bem claro. Mas aquela igreja tinha «resistência», em meio mesmo às aflições que lhe foram impostas, pelas autoridades civis e religiosas. As dificuldades daqueles crentes não os levaram a perder a coragem ou a negar a própria fé. Eles labutavam e suportavam firmemente as circunstâncias, sem «se deixarem esmorecer», conforme se sabe no versículo seguinte. Eles participavam dos sofrimentos do evangelho, «como bons soldados de Cristo Jesus», conforme se aprende em II Tm 2:3.

    «…não podes suportar homens maus…» Aqueles crentes podiam «suportar» condições e testes difíceis, mas se recusavam a mostrar «tolerância» em favor de homens que tentavam mudar a natureza «moral» da igreja, tirando do evangelho o seu «imperativo moral». Esses «homens maus», mui provavelmente, são os «nicolaítas», mencionados no sexto versículo deste capítulo, e onde o tema é desenvolvido. Não há que duvidar que havia boa variedade de «falsos apóstolos» e de «falsos mestres», que serviam de praga para a igreja apostólica; mas é razoável supormos que estamos tratando, especialmente, de alguma forma de gnosticismo incipiente. Oito livros do N.T.—Colossense, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas—foram escritos contra as diversas formas da primitiva heresia gnóstica; porque essa foi a heresia que assediou a igreja por cerca de cento e cinquenta anos, no começo de sua história. De modo bem geral, pode-se dizer que eles procuravam combinar a filosofia grega, a mitologia e as religiões orientais misteriosas com o cristianismo, além de terem tomado por empréstimo elementos do judaísmo. Alguns deles eram extremamente libertinos (como aqueles contra quem o sexto versículo foi escrito); mas outros eram ascetas extremados. Criam eles que a matéria é o princípio mesmo do mal, pelo que o corpo seria totalmente incapaz de redenção, pois o mesmo participa da matéria. Não faria, diferença, pois, aquilo que os homens fizessem com seus corpos. De fato, poderiam estes até ajudar ao desígnio da mente cósmica, que seria o de destruir, finalmente, à matéria, abusando dos seus próprios corpos. Isso podia ser feito mediante a licenciosidade ou mediante o ascetismo. A maioria desses hereges preferia a licenciosidade, e chegavam até a imaginar, mui loucamente, que os anjos se postavam, invisíveis, a seu lado, influenciando-os a participar de toda a forma de deboche, porque precisavam de ter «experiências», e porque assim degradavam ao princípio do pecado, associado a seus próprios seres. Pensavam eles que tudo isso podia ser praticado, sem que a alma em nada fosse prejudicada, pois seria esse o princípio espiritual no homem, livre do pecado, já que não participa da «matéria». O que tudo isso significa é que a imoralidade de muitas modalidades, mas especialmente aquela praticada com o corpo, se tornou a «doutrina oficial» de algumas igrejas, onde os mestres gnósticos mantinham domínio. Por conseguinte, o evangelho deles desconhecia o «imperativo moral»; o evangelho deles não os tornava espiritualmente melhores.

    No tocante a outras doutrinas, os gnósticos repeliam a fusão da natureza divina com a humana em Jesus, crendo que o Espírito-Cristo (uma emanação angelical) tenha vindo possuir o corpo de Jesus em seu batismo, tendo-o abandonado por ocasião de sua crucificação. As duas pessoas, Jesus e o Espírito-Cristo, pois, não eram a mesma «entidade». Portanto, a «morte» não foi a do Cristo, e sim apenas a do homem Jesus, não tendo, por isso mesmo, qualquer valor «expiatório». Cristo não poderia mesmo ter-se encarnado, diziam os gnósticos, pois, se o fizesse, teria ficado contaminado com a matéria, o princípio mesmo do mal. Aparentemente, os gnósticos eram os homens «maus» que a igreja em Éfeso não permitiu que tivessem acesso a posições de mando e influência.

    Notemos que são virtudes cristãs não só o «amor a Deus» e a «perseverança na prática do bem», mas também o «ódio ao mal» e a recusa de permitir a contaminação dos membros de uma comunidade cristã. Os anciãos de Éfeso não estendiam «cortesia ministerial» a falsos mestres conhecidos. Conta-se a história do apóstolo João, em Éfeso, que se recusava a entrar nos banhos públicos quando Cerinto (um mestre gnóstico) estava presente. Alguém poderia indagar se essa seria uma atitude correta. Sem dúvida estamos na obrigação de procurar conquistar homens como os gnósticos, amando a eles como Deus ama a todos os homens (ver Jo 3:16); mas os crentes de Éfeso estavam com a razão, pelo menos quando não permitiam que tais homens ocupassem posições de autoridade na igreja, e nem os encorajavam em seus caminhos ímpios através de uma «falsa aceitação».

    «…puseste à prova…» Essa «prova» era parcialmente «doutrinária», conforme se vê em I Jo 4:1 e ss. Eles «testavam aos espíritos». Aqueles indivíduos que rejeitavam a doutrina da «encarnação» e o valor subsequente da «expiação», com facilidade eram tidos por mentirosos e falsos apóstolos. Além disso, era aplicado o teste prático. O evangelho anunciado por alguém transformava moralmente a tal pessoa? Em caso negativo, então tal evangelho era falso. O evangelho de alguém incluía o imperativo moral? Em outras palavras, requeria a santidade, já que sem a santificação ninguém jamais verá a Deus (ver Hb 12:14)? Em caso contrário, então tal evangelho era falso. Pode-se observar, em II Ts 2:13, que a «santificação» é elemento absolutamente necessário para a salvação. Jamais poderemos chegar à vida eterna, exceto pelo caminho da santificação. Os mestres gnósticos pensavam que o «conhecimento» é o caminho para a salvação, degradando à fé, ao mesmo tempo que eliminavam totalmente a necessidade de santidade no corpo. Este versículo pode ser comparado com II Jo 10, que proíbe o acolhimento a hereges conhecidos e persistentes na própria casa. Os mestres gnósticos também são focalizados nessa passagem. A «rejeição» aos mesmos, por parte dos crentes autênticos, visava ensinar aos falsos que eles não eram parte legítima da comunidade cristã, já que suas ações e suas doutrinas eram basicamente contrárias às dessa comunidade, tendendo por solapá-las. O presente versículo talvez subentenda alguma forma de «teste eclesiástico», com a subsequente exclusão. Pelo menos, quando os falsos mestres manifestadamente falhavam em mostrar-se cristãos e ajudadores genuínos da igreja, os crentes de Éfeso exerciam pressão sobre os mesmos, para que se retirassem da comunidade dos santos.

    «…e os achaste mentirosos…» Essas palavras podem ser comparadas com I Jo 2:22. O «mentiroso» é aquele que nega a identidade das naturezas divina e humana em Jesus, aquele que «nega ao Filho» e à sua «expiação». O «mentiroso» é aquele que «odeia» a seu irmão, que não tem parte real na comunidade cristã, e é adversário da mesma (ver I Jo 4:20). É também aquele que não aceita o testemunho de Deus Pai concernente ao Filho (isto é sobre a realidade da encarnação do Filho, em Jesus de Nazaré, com identidade de pessoas), o qual, subsequentemente, cumpriu a sua missão expiatória (ver I Jo 5:10).

    «…apóstolos…» A presunção daquela gente era grande, porquanto queriam compartilhar da autoridade dos próprios apóstolos; mas tratava-se de uma reivindicação falsa, pois falavam de modo errôneo e maligno acerca do verdadeiro Jesus Cristo, e suas vidas eram um opróbrio para o seu evangelho.

    Qual seria a identidade desses mentirosos?

    1. Seriam os judaizantes? Essa ideia não é muito provável. Pois os judaizantes pelo menos eram «morais», procurando seguir estritamente a lei de Moisés, embora não estivessem certos em sua teologia.

    2. Alguns supõem que fossem discípulos de Pedro ou de Paulo que tinham assumido grande autoridade para si mesmos; mas isso está completamente fora de consonância com o caráter geral daqueles homens, conforme é sugerido no texto sagrado.

    3. Antes, eram os «nicolaítas», referidos no sexto versículo deste mesmo capítulo, membros prováveis de alguma seita antiga, semelhante à dos gnósticos, e corruptos em sua doutrina e vida diária. Paulo já havia advertido acerca de homens desse naipe. Isso pode ser visto em At 20:20,30, onde se lê: «Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles».

    Notemos que a defesa da verdade, por parte dos crentes efésios, bem como a sua recusa por permitir que aqueles falsos mestres corrompessem à igreja, é classificada como suas «obras» (como seu caráter cristão geral), juntamente com o seu «labor» e «constância».

    2:3    e tens perseverança e por amor do meu nome sofrestes, e não desfaleceste.

    «…tens perseverança…» Isso já fora dito sobre aqueles crentes, no versículo anterior, onde é usado o mesmo vocábulo grego, Crê-se que, o livro de Apocalipse foi escrito durante a perseguição de Domiciano, o qual foi chamado de «segundo Nero». Muitos cristãos vinham sendo encarcerados, havendo torturas e mortes, por se recusarem eles a adorar ao imperador, o qual se proclamara uma divindade. A igreja apostólica já sofrerá sob as ordens de Nero. O nome desse imperador veio a traduzir «degradação», «crueldade» e «perversão». Ele costumava torturar e queimar aos cristãos até à morte, em seus jardins, somente para entretenimento de seus convivas. Tudo isso a igreja cristã suportou pacientemente e com constância, confiando em Cristo quanto à vitória «final», ainda que esta só se verificasse nas dimensões espirituais da alma. Mas, em última análise, ali é que haverá a verdadeira vida, não sendo coisa de somenos que a vitória seja conquistada somente então. O culto do imperador impunha sua adoração insana aos homens de todos os recantos do império romano. Alguns dos imperadores romanos chegaram mesmo a imaginar-se divinos e, por conseguinte, merecedores de adoração. E os súditos romanos que se recusassem a adorar ao imperador, eram considerados traidores, tendo de sofrer as consequências de seu ato.

    «Todos os homens louvam à paciência, embora poucos se disponham a praticá-la». (Thomas à Kempis, Imitação de Cristo).

    «É na vossa perseverança que ganhareis as vossas almas» (Lc 21:19).

    «Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas» (Hb 12:3).

    «…suportastes provas por causa do meu nome…» O mesmo vocábulo grego é usado para indicar os «testes» e as «tribulações» suportados, tal como no segundo versículo, e não para indicar que devemos «suportar» a homens malignos. No grego não há objeto para «suportar provas», pois o termo grego «bastadzo» significa «carregar», «suportar», «tolerar», ficando entendido qualquer coisa levada ou suportada. Estão em foco «todas as formas de tribulação», pois o autor sagrado não se referiu, especificamente, ao tipo de fardo que aqueles crentes suportavam, por amor ao nome de Cristo. A perseguição, entretanto, provavelmente é a questão especifica­mente salientada.

    «…por causa do meu nome…» Tudo suportavam porque se apegavam a Cristo como seu Senhor e Salvador, sendo ele o único Rei que tinha o direito de ser adorado. Identificavam-se como «cristãos», leais ao único Rei, Jesus. Por essa razão é que sofriam perseguições. Não observavam às exigências do culto ao imperador.

    «…não te deixaste esmorecer… » Não se «cansavam». Notemos que encontramos aqui a forma verbal de «kopos», a palavra usada, no segundo versículo, para indicar «labor». Aqui indica um «labor até à exaustão».

    2:4    Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.

    Nunca teríamos imaginado que uma comunidade cristã que acabara de ser descrita como leal nas perseguições sofridas e nos labores, prodigiosa em suas obras, opositora da malignidade, também poderia aparecer como quem «abandonara» o seu primeiro amor a Cristo. Por conseguinte, temos de supor uma das seguintes possibilidades:

    1       A perda do amor, por parte deles, ainda não começara a modificar a conduta deles; mas sem dúvida começaria a fazê-lo em breve, e isso de maneira necessária.

    2       Continuariam a ter grande amor por Cristo, embora não tão grande como antes, e nem tão espontâneo.

    3       Finalmente, grandes coisas, do ponto de vista cristão, poderiam ser motivadas por outras coisas que não o amor, embora certamente essa não seja a condição ideal. O décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios, mostra-nos que todas as ações cristãs, bem como o exercício de todos os dons espirituais, devem ser inspirados pelo amor, deste recebendo o impulso. Em caso contrário, o valor de todas essas manifestações deve ser posto em dúvida.

    «….contra ti… » Assim como é espantoso que o Senhor Jesus Cristo encontre em nós algo que elogie, assim também é um pensamento solene que ele pode ver em nós muito de condenável. Notemos que a condenação se «segue» ao elogio. Isso faz parte de uma «avaliação honesta». Certamente que precisamos de ambos esses elementos. Se criticarmos aos outros, mas também os elogiarmos pelo que de bom há neles, as nossas críticas se mostrarão carregadas de um poder que transforma os homens para o melhor. Porém, se tão-somente criticarmos aos nossos semelhantes, ignorando qualquer coisa de bom que há neles, poderemos apenas feri-los, piorando o estado deles e adicionando opróbrio a quaisquer vícios que porventura tenham. Por outro lado, se não fizermos outra coisa senão elogiá-los, então eles ficarão estragados e mimados, tendo uma ideia falsa sobre aquilo que realmente são, nada vendo que deva ser modificado, ao passo que, na vida de qualquer indivíduo, sempre haverá coisas que precisam de modificação e aprimoramento.

    «…abandonaste…» No grego é «aphekas», o aoristo de «aphiemi», que significa «partir», «ir-se embora», «relaxar», «dispensar». Essa mesma palavra era usada para indicar o «repúdio» ou divórcio. Os crentes efésios se tinham divorciado do seu primeiro e nobre amor emocional. Contudo, o amor verdadeiro é mais do que emoção. Antes, é um dos aspectos do «fruto do Espírito» (ver Gl 5:22); ou seja, é um produto do desenvolvimento espiritual, sendo esse o solo onde medram todas as demais virtudes espirituais. Os labores dos efésios ainda não se tinham diluído; não se tinham ainda divorciado de seus labores prodigiosos, e nem de sua lealdade a Jesus Cristo, embora sob a perseguição. No entanto, em seus corações, já se tinham divorciado daquela devoção a Cristo que é a real base de todo o trabalho e lealdade cristãos, e que é um autêntico poder espiritual. O quinto versículo deste capítulo contém a ameaça que o «candeeiro» que representava aquela comunidade cristã poderia ser removida, se não se arrependessem. Isso mostra que não poderiam prosseguir por muito tempo, antes que sua falta de devoção a Cristo resultasse na perda da razão mesma de continuarem sendo uma igreja, razão essa que é a de ser uma igreja iluminada para iluminar a este mundo tenebroso. Por esse motivo, todas as suas grandes obras de lealdade seriam reduzidas a nada. A cidade de Éfeso, que já foi capital do cristianismo no mundo gentílico, finalmente perdeu essa distinção. A história mostra-nos que o cristianismo se afastou de Éfeso, do oriente para o ocidente. Hoje em dia, pouquíssimos crentes podem ser encontrados ali.

    A advertência contra o divórcio espiritual: É possível a um crente ter sido cheio do Espírito Santo, mas no entanto, gradualmente, ir cedendo aos apelos da carne, do orgulho pessoal e dos desejos mundanos. Nesse caso, o crente se divorcia daquilo que anteriormente lhe era precioso, não menos do que se dá no caso do homem que perde paulatinamente o amor pela mulher que, antes, era sua «noiva querida», e mais algum tempo percebe que deseja separar toda a vinculação que tem com ela, usualmente com a finalidade de buscar outra mulher. Acabará por encontrar alguém ou alguma coisa com que satisfaça ao seu desejo, porém, isso sucederá tão-somente porque ele se divorciou, no coração, daquela a quem antes amava realmente.

    «…amor…» Existem variedades e níveis diversos de amor, conforme se vê nos seguintes pontos:

    1.      Há o amor de Deus (veja em Jo 3:16), o qual é a fonte de todo outro amor, até mesmo aquele manifestado pelos incrédulos. O Espírito de Deus, atuando no mundo, impede-o de transformar-se em floresta completa, porquanto propaga ao redor o seu amor, e muitas pessoas fazem o que fazem por motivos puramente altruístas.

    2.      Há o amor de Cristo pelo homem, o qual é uma extensão do amor de Deus; e, em sua essência, é a mesma coisa. (Ver II Co 5:14 sobre esse amor, que nos constrange a atitudes que expressam o cristianismo).

    3.      Há o amor do indivíduo por si mesmo, num afeto inteiramente egoísta, pois só se preocupa consigo mesmo.

    4.      Há o amor de um homem por outro ser humano. Quando alguém ama outrem, deseja para o próximo o que deseja para si mesmo, ou transfere o cuidado por si mesmo para outra pessoa, desejando o seu bem-estar, tal como deseja o seu próprio bem-estar. Pode-se imaginar quase qualquer homem a amar um filho ou filha predileto. Por causa de seus cuidados por seu filho, ele fará sacrifícios e procurará protegê-lo. Pensará em como suprir às suas necessidades, e desejará a felicidade de seu filho. Em outras palavras, fará em prol de outra pessoa (sem importar quão mau seja, quanto a outras questões) aquilo que faria por si mesmo. O amor-próprio é fácil; não é muito difícil a transferência desse amor pelo menos a uma outra pessoa. Mas aqueles que amam verdadeiramente são os que descobriram como transferir o amor-próprio para um grande número de pessoas. Aqueles que assim fazem são a isso impelidos pelo Espírito de Deus, sem importar se são ou não discípulos de Cristo, no sentido tradicional.

    5.      Há o amor dirigido a Cristo, o Filho de Deus, ou então a Deus Pai, o que se verifica quando amamos aos nossos semelhantes. (Ver sobre esse conceito em Mt 25:35 e ss.).

    6.      Há o amor do homem a Cristo, ou a Deus Pai, diretamente expresso. Essa modalidade de amor requer um senso altamente desenvolvido, e normalmente se expressa por meios místicos, mediante a ascensão da alma, que passa a contemplar a Deus. Certamente essa foi a forma de amor que o escritor sagrado tinha em mente, neste versículo, embora o contexto contemple muitos resultados «diários» e «práticos» da mesma, como o evangelismo dos perdidos, a vida santa, a lealdade a Cristo e as ações de caridade em favor do próximo.

    Cristo como uma figura distante. Para aqueles crentes efésios, Cristo fora reduzido a uma figura distante, a despeito de continuarem a fazer prodígios espirituais e apesar de seu poder no Espírito. Quantas pessoas hoje em dia, quando pregam, somente atacam várias formas de males, como o mundanismo, o modernismo, o comunismo, embora suas mensagens reflitam pouquíssimo do amor conquistador de Cristo. Tornaram-se polemistas profissionais, mas pouco ou nada sabem do amor construtivo. Perderam a visão do Cristo, em meio à batalha.

    Há um caminho melhor do que esse. Ê o caminho do amor. O amor à semelhança da morte, transforma a tudo quanto toca. Os homens são atraídos pelo amor. As coisas semelhantes se atraem mutuamente. Os homens amam quando são amados. E odeiam quando são odiados.

    Pois limites de pedra não podem conter ao amor,

    E o que o amor pode fazer, isso ousa tentar.

    («Romeu e Julieta», Shakespeare).

    «As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo…» (Ct 8:7).

    «O amor é um símbolo da eternidade. Elimina todo o senso de tempo, destruindo toda a memória de um começo e todo o temor do fim». (Corinne, Madame de Stael).

    O amor concede em um momento O que o labor dificilmente obtém em um século.

    («Torquato Tasso», Goethe)

    «Os estóicos definem o amor como a tentativa de estabelecer uma amizade inspirada pela beleza». (Cícero).

    O amor é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo.

    Aprendemos a amar aos outros, a cuidar deles como cuidamos de nós mesmos, na medida em que nos vamos desenvolvendo espiritualmente. Esse desenvolvimento espiritual consiste da nossa transformação segundo a imagem de Cristo, o qual possui amor absoluto, bem como todas as demais virtudes espirituais com perfeição. Quando Cristo vai sendo formado em nós, mediante a comunhão mística com o Espírito Santo, também vamos assumindo a sua própria natureza, moral e metafísica, como também a própria divindade (ver II Pe 1:4). Esse é o nosso mais elevado conceito, o qual jamais é divorciado da ideia do amor. Nesse desenvolvimento espiritual, mui naturalmente aprendemos a amar ao nosso Irmão mais velho, tal como amamos a outros irmãos; e o Espírito Santo o torna real para nós, como uma pessoa. Esses princípios estão acima das realizações humanas, sem a ajuda do Espírito de Deus. (Ver Gl 5:22). Pode-se supor, portanto, que os crentes de Éfeso, embora fossem obreiros cristãos extraordinários, tinham procurado menor e menor comunhão com o Espírito. Suas mentes e suas almas se haviam desviado para coisas menos importantes. A formação de Cristo neles se estagnara, e talvez até tenha revertido, até certo ponto.

    A devoção daqueles crentes se debilitara no período de teste por que passavam. É verdade que a lealdade deles não diminuíra; suas doutrinas não se tinham modificado; suas obras continuavam grandes como antes; mas sua devoção a Cristo empalidecera. A edificação parecia tão boa quanto antes, mas fora atacada por térmitas espirituais, que a tinham esburacado.

    Outras ideias sobre o quarto versículo:

    1.      Consideremos o caso de Maggie. O emprego dela era enfadonho, em uma fábrica. Finalmente ela se casou e começou a trabalhar em sua própria casa, numa ocupação talvez não menos árdua e enfadonha. Após longo tempo, aconteceu-lhe de encontrar-se com uma amiga, na rua. E esta lhe perguntou: «Maggie, você continua trabalhando?» «Não», replicou Maggie, «eu me casei». Ela continuava trabalhando, mas o amor fizera seu trabalho parecer reduzido a nada. O trabalho árduo torna-se uma mera circunstância, quando o amor nos serve de força motivadora.

    2.      O «divórcio», produzido pelo amor que enfraquece, finalmente leva uma comunidade cristã à condição morna e sem interesse espiritual que caracterizava a igreja de Laodicéia. Isso termina em total apostasia. Quão importante, pois, é a devoção a Cristo, inspirada pelo ministério do Espirito Santo em nossas vidas.

    3.      «A religião cristã pode tomar o lugar da devoção pessoal ao Noivo». (Newell, in loc.).
    4.      «O aspecto externo da árvore continuava belo e bem proporcionado como sempre, mas mofo e decadência se tinham instaurado no âmago». (Seiss, in loc.).

    5.      «Primeiro amor… comparar com Jr 2:2. A devoção entusiasta inicial da Igreja por seu Senhor, sob a figura simbólica do amor conjugal». (Vincent, in loc.).

    6.      «A referência óbvia é a perda daquele amor resplendente e todo-absorvente por Jesus, como nosso Salvador pessoal, o qual, no princípio, impelira-os a um serviço consagrado (comparar com Ef 3:16-19 e 4:15,16). Essa ideia é confirmada pelo versículo seguinte, onde a decadência do amor é seguida pela decadência nas obras de justiça. (Ver também Jer. 2:2 e ss.)».

    7.      «Temos aqui o clamor lamentável do Noivo, a relembrar os primeiros dias do amor de sua Noiva, a gentileza de sua juventude, o amor de seus esposórios… É impossível não ver nisso alguma alusão à linguagem do apóstolo Paulo (que deveria ser familiar para os crentes de Éfeso), em Éf 5:23-33, onde o amor humano é apresentado como tipo simbólico do amor divino». (Carpenter, in loc.).

    8.      «Os calorosos sentimentos deles tinham dado lugar a uma ortodoxia sem vida». (Fausset, in loc.).

    9.      «…o amor se esfriará de quase todos» (Mt 24:12).

    10.    «Consideração ciumenta pela pureza moral e doutrinária, lealdade íntima sob os testes, longe da manutenção necessária do espirito de amor, podem coexistir com o espirito de censura, suspeita e contenda. Dai se origina a negligência ao amor fraternal, o que era uma das faltas cardeais do gnosticismo contemporâneo (ver I Jo 2:9 e I Tm 1:5 e ss.)». (Moffatt, in loc.).

    2:5    Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeira obra; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, te não te arrependem.

    O lembrete divino e piedoso:

    «…Lembra-te…» Exortação à memória piedosa acerca dos dias anteriores, quando a devoção intensa a Cristo era a força motivadora de uma vida piedosa e de um imenso serviço. Notemos a progressão: «relembrar-se», «arrepender-se» e «praticar», os elos dourados da restauração e do progresso da igreja.

    «A verdadeira piedade põe em ação todas as nossas faculdades. Um dos poderes humanos consiste de olharmos para trás, revivendo os acontecimentos e o curso da vida, através da memória. E essa capacidade é a primeira coisa que precisa ser posta em ação, para curar a decadência da vida e do fervor religiosos. As pessoas precisam pensar em seu passado, comparando aquilo que são agora com o que foram. A memória deve relembrar o passado, para que seja posto lado a lado com o presente.

    Quando os apóstolos desejaram levar os crentes judeus à firmeza e constância contínua na fé, ordenavam-lhes que se lembrassem «…dos dias anteriores em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens…» (Hb 10:32). O Salvador fez a mesma coisa, com alusão aos membros da igreja efésia; e outro tanto deve dar-se no caso de todos nós». (Seiss, in loc.).

    Lembremo-nos de nosso plano mais elevado de realização espiritual. Que tal é a comparação entre aquela condição e a condição de nossa atual vida espiritual? Como primeiro passo de recuperação, procuremos reter a altura antes obtida, e então subamos dali para uma realização espiritual totalmente nova.

    «A percepção de que tem havido declínio, a admissão de que tem havido um lapso, é o primeiro passo de volta ao estado original». (João Bunyan, Graça Abundante).

    «Sempre haverá aguilhões na memória sobre um passado melhor e mais nobre, a espicaçar-nos quando nos temos adaptado a coisas piores e inferiores, a impulsionar-nos a retomar aquilo que perdemos». (Arcebispo Trench).

    «…de onde caístes…» Consideremos estes pontos:

    1. Aqueles crentes tinham caído de sua primeira ardente devoção a Cristo.

    2. Tinham caído de maiores elevações espirituais.

    3. Tinham caído do serviço motivado pelo princípio do amor.

    4. Tinham caído apesar de sua ortodoxia.

    5. Tinham caído a despeito de continuarem a defender a verdade.

    6. Tinham caído apesar de seus labores prodigiosos.

    7. Tinham caído apesar de sua lealdade debaixo da perseguição.

    Percebe-se, através de tais fatos, quão grandes coisas o Senhor espera de nós, e quão profunda pode ser a nossa espiritualidade, embora, ainda assim, possamos ser descritos como quem caiu.

    «…arrepende-te…» O termo grego «metanoeo» significa «mudança de mente», presumivelmente com a correspondente mudança de conduta diária.

    A Natureza Do Arrependimento

    1. Apesar de que esse vocábulo nada mais significa em si mesmo, que uma «mudança-de-mente», nas páginas do N.T., ele adquire muito mais o sentido de «mudança-de-alma», o que se evidencia por meio de atitudes e ações novas.

    2. O arrependimento faz parte da «conversão», e está vinculado ao problema do pecado. (Ver At 20:21, onde a conversão é aludida como algo composto de «arrependimento e fé»). Quando nos convertemos, nos arrependemos. O arrependimento reconhece a natureza prejudicial do pecado, e se rebela contra o mesmo. O Espírito Santo faz essa rebelião tornar-se bem-sucedida. A alma passa a odiar o pecado, embora não possa livrar-se inteiramente do mesmo, senão por ocasião da «parousia» (segunda vinda de Cristo; ver I Jo 1:8). O arrependimento, entretanto, nos conduz a uma santificação de natureza tal que é conseguida a vitória sobre o pecado de maneira que a alma é libertada da servidão a seus vícios. (Ver I Jo 3:9 acerca desse conceito).

    3. O arrependimento é um ato divino: é concedido pelo próprio Deus (ver At 11:18); torna-se realidade por operação do Espírito (ver Zc 12:10), e veio a lume através da missão de Cristo (ver Mt 9:13).

    4. Também é uma reação humana, porquanto os homens são convocados a se arrependerem (ver At 17:30).

    5. Quando genuíno, o arrependimento terá frutos patentes (ver Mt 3:8). É necessariamente acompanhado pela fé (ver At 20:21).

    6. A negligência quanto ao arrependimento resulta no juízo condenatório (ver Ap 2:5,16).

    7. O arrependimento nos leva à vida eterna, pois a conversão resulta na santificação, e a santificação resulta na glorificação e na salvação final (ver II Ts 2:13).

    É o amor divino que nos conclama ao arrependimento, porque grandes são os benefícios do arrependimento, chegando mesmo a deixar a mente humana ofuscada, já que a totalidade da salvação vem por meio dessa atitude, porquanto é do arrependimento que se inicia a salvação. O arrependimento dos perdidos tem prosseguimento no arrependimento dos remidos. A fruição espiritual é o alvo, em ambos os casos; e a fruição espiritual é o desdobramento de nossa grande salvação.

    «O arrependimento não consiste de mera tristeza (embora a tristeza segundo Deus engendre o arrependimento; ver II Co 7:10); mas o arrependimento consiste da mudança de alma. Trata-se do ‘julgamento que temos passado, na presença de Deus, debaixo de sua graça, contra nós mesmos, e contra tudo quanto temos praticado e sido’». (Newell, in loc.).

    Confessemos o mal; tenhamos consciência de sua destrutibilidade; busquemos a mudança positiva no íntimo, a transformação na direção da imagem santa de Jesus Cristo.

    «…volta à prática das primeiras obras…» Literalmente traduzido, o verbo grego seria «faz», e isso no aoristo, o que dá ideia de uma atitude definitiva, a fim de que tais obras sejam constantemente praticadas. As «primeiras obras» não são novas e diferentes modalidades de ação; antes, são as mesmas obras, mas motivadas pelo amor original, de tal maneira que até pareçam novas obras. Mui provavelmente, o vidente João tinha em mente todas as formas diferentes de obras cristãs, como a do evangelismo, a do ensino e a do exercício dos dons espirituais no seio da igreja, que visam a sua edificação; e certamente também estão em foco os atos de bondade, de amor, as práticas altruístas que beneficiam ao próximo. Aqueles irmãos de Éfeso continuavam a praticar todas essas coisas, mas se tinham tornado «diferentes» por serem impelidos por «motivos diferentes». Nada de «ritualista» está aqui em foco. Nenhum «novo» batismo está em pauta, e nem alguma nova confirmação. Antes, é recomendada uma nova devoção, equiparada à devoção original; então, tudo em geral, deverá ser motivado por esse amor rejuvenescido.

    Essa atitude de arrependimento e boas obras pode ser confrontada com a atitude recomendada no Talmude (ver Sanhedrin 32): «Os dois consoladores do homem são o arrependimento e as boas obras».

    «…se não…» A opção nos pertence. A graça divina pode ser acolhida ou repelida. Não podemos subestimar o caos que a vontade pervertida poderá efetuar nas nossas vidas, tal como não podemos subestimar tal atitude da parte dos incrédulos, quanto ao evangelho. Podemos desviar-nos, esfriar na fé, tornar-nos indiferentes, inúteis, ser rejeitados, naufragar e tornar-nos incrédulos e apóstatas. A experiência humana comprova tal possibilidade.

    «…venho a ti…» Consideremos os dois pontos seguintes:

    1. A visitação de Cristo, na igreja de Éfeso (ou em qualquer outra comunidade cristã), para efeito de juízo, está aqui em foco, embora cada caso de visitação seja diferente dos demais casos. Porém, qualquer julgamento severo tende por «remover o testemunho» da pessoa ou da igreja envolvida.

    2. Fica subentendida aqui a «parousia» Quando Cristo voltar, encontrará alguns crentes e igrejas locais despreparados, o que significa que, necessariamente, haverá certo juízo contra os tais. (Ver II Co 5:10 acerca do «julgamento dos crentes verdadeiros»). Cada qual receberá segundo tiver praticado de «bem» ou de «mal».

    «…e removerei do seu lugar o teu candeeiro…» É um fato histórico que o testemunho cristão, antes tão poderoso em Éfeso, desapareceu. O «candeeiro» é a «igreja» e o «testemunho da igreja». A igreja cristã foi removida de Éfeso, e, juntamente com ela, o seu testemunho cristão. Éfeso foi a capital da igreja no mundo gentílico, um poderoso centro de propagação para larga área de atividades. Essa capital foi mudada para o ocidente, e o oriente praticamente se acomodou novamente em suas trevas originais. O escritor de certo comentário, ao descrever uma época cerca de setenta e cinco anos passados, diz-nos que visitou Éfeso, e que ali achou somente três crentes, os quais eram muito ignorantes.

    «Seu candeeiro foi removido do seu lugar por séculos; a esquálida vila islamita mais próxima do antigo sítio da cidade não conta com um único crente, em sua insignificante população; seu templo é uma massa de ruínas disformes; seu porto é uma poça tomada pelos juncos; a galinhola real abunda em meio a seus charcos estagnados e pestilentos; e a malária e o olvido reinam supremos sobre aquele lugar, onde uma antiga civilização resplandeceu, em meio a cenas das mais grosseiras superstições e dos pecados mais degradantes». (Farrar, Life and Work of Paul, ii.43,44).

    Éfeso foi a sede de uma longa linha de bispos orientais. O terceiro concilio geral teve lugar ali, em 431 D.C., a fim de condenar a cristologia de Nestor. Esse concilio se reuniu na igreja de Sta Maria, cujas ruinas até hoje podem ser vistas. Imediatamente em seguida, a cidade entrou em um período de declínio, parcialmente devido a surtos descontrolados de malária. Suas excelentes esculturas foram removidas para outros lugares, principalmente para Constantinopla. No século XIV, os turcos retiraram dali os seus habitantes restantes. Agora a região é escassamente populada, e essa é inteiramente da fé islâmica. No local exato da antiga cidade de Éfeso, restam apenas uma estação de trens e algumas poucas cabanas esparsas.

    Todavia, a igreja original de Éfeso, deu ouvidos à advertência de Cristo, conforme se fica sabendo através da epístola de Inácio aos Efésios, na qual ele os tacha de «dignos de serem bem-aventurados». Em xi.2 dessa epístola, ele expressou o desejo que ele mesmo se achasse «na companhia dos crentes de Éfeso, os quais, outrossim, tinham a mesma atitude mental dos apóstolos, no poder de Cristo». Essa atitude, entretanto, não se manteve, pelo que tiveram lugar as condições acima descritas.

    «Infelizmente, o candeeiro foi removido! O inigualável privilégio de exibir o Cristo, perante este mundo moribundo, perdeu-se para sempre. Diante de mim tenho uma fotografia da atual cidade de Éfeso—um arco arruinado, uma habitação islamita, em um castelo inatingível, em meio a colinas desoladas. Nenhum candeeiro em favor de Cristo, onde Cristo trabalhara por três anos, dia e noite, com lágrimas!»

    «…caso não te arrependas…» Já que somos chamados ao arrependimento, fica entendido que somos capazes de fazê-lo. Deus não impede homem algum de arrepender-se. O intuito inteiro da mensagem do evangelho é contrário a esse conceito. Assim sendo, se alguém busca lugar de arrependimento, sincera e honestamente, haverá de arrepender-se. É conforme disse Moffatt (in loc.): «Fica subentendido que o homem possui o poder de voltar-se e de retornar». O poder da cruz é tão grande que capacita a todos ao arrependimento. (Ver Jo 12:32). Existe uma «graça geral», administrada através da missão remidora de Cristo; há uma «graça específica», que a segue; e ambos esses elementos são poderosos.

    2:6    Tem, porém, isto, que aborreces as obra» dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.

    Agora somos levados de volta ao segundo versículo, que fala sobre a «resistência» contra os falsos apóstolos, homens «maus» e «mentirosos», conforme são ali chamados. O segundo versículo apresenta os «líderes» da seita desviada; e este versículo aponta para os «discípulos» deles, ou para a seita em geral. Seja como for, o mais provável é que as pessoas, referidas nos versículos segundo e sexto, sejam as mesmas.

    «…nicolaítas…» Não há certeza absoluta quanto à identidade dessa seita, embora abaixo apresentemos as ideias centrais a respeito:

    1.      O próprio vocábulo, no grego, significa «dominadores do povo». Na opinião de alguns, o povo seriam os «leigos». E daí tiram a suposição que está em foco a manifestação inicial das «ordens sacerdotais» ou «clero». Nesse caso, seria aqui combatida a formação de um clero profissional; e, no décimo quinto versículo deste mesmo capítulo, estão em foco vários desvios da doutrina, em associação a essa circunstância. Mas essa interpretação dificilmente se adapta à situação histórica em que as heresias sérias surgiram. Essa «seita» era de natureza libertina, que procurava solapar o imperativo moral do evangelho. Dificilmente poderíamos dizer que esteja em foco o clero, em seus primeiros passos.
    2. Alguns estudiosos associam essa seita a Nicolau, prosélito de Antioquia, um dos sete discípulos originais de Jerusalém (ver At 6:5). Isso supõe que assim como os doze tiveram um apóstata dentre seu número, que outro tanto sucedeu aos sete. Em favor dessa interpretação há passagens em Irineu i.26 e iii.l 1.1 e em Hipólito (Philos. vii.36). Mas este último dependeu de Irineu. Outros eruditos pensam que o Nicolau original foi meramente indiscreto, pois, possuindo uma bela esposa, e sentindo que outros lhe tinham inveja por essa razão, chamou os apóstolos e outros líderes e ofereceu-a a qualquer deles que a quisesse. No entanto, a maioria dos estudiosos o tem como um apóstata franco. Apesar de ser possível que Nicolau tenha estado associado à Ásia Menor, e com Éfeso em particular, também é possível que o próprio Irineu estava «esclarecendo» este versículo mediante uma conjectura, não havendo, portanto, qualquer confirmação histórica para tal ideia. O apóstolo Nicolau, conforme diz a própria narrativa, tornou-se líder de uma seita gnóstica antinomiana. Parece terem participado de festas idólatras, incorporando imoralidade e sensualidade em suas práticas, no que seguiam à comum tradição gnóstica.

    3. Em época posterior, houve uma seita gnóstica conhecida por «os nicolaítas», a qual é mencionada por Tertuliano (ver Praesc. Haer. 33; Adv. Marc. i.29 e De Pudicitia, 19), que também era de índole gnóstica. Clemente de Alexandria ii.20.118; iii.4.25 e as Constituições Apostólicas vi.8, juntamente com Vitorisino, fizeram a tentativa de mostrar que essas duas seitas não tinham nenhuma vinculação entre isso, e essa posição quase certamente é a correta, ainda que alguns intérpretes tenham imaginado a identificação das duas. O livro de Apocalipse foi escrito muito antes desse tempo, para referir-se à segunda dessas seitas do mesmo nome.

    4. Ou então poderíamos pensar que o Nicolau em foco foi um personagem histórico, que residia em Éfeso ou naquela área em geral, embora não deva ser identificado com o homem do mesmo nome, que era de Jerusalém. Nesse caso, quase certamente, ele foi líder de uma forma de seita gnóstica, de tendências libertinas, embora ele mesmo não seja conhecido na atualidade, fora do presente contexto.

    5. Finalmente, há aqueles que supõem que não devemos imaginar que «Nicolau» fosse o nome de alguma pessoa real e viva, mas que tudo não passa de um título—«dominador do povo» ou «destruidor do povo»— escolhido para representar a heresia que havia em Éfeso e que ameaçava à igreja cristã dali. Até mesmo nesse caso, é quase certo que alguma forma de gnosticismo esteja sob consideração.

    Muitos intérpretes identificam os nicolaítas com os seguidores de Balaão, aludidos no décimo quarto versículo deste capítulo, ou supõem que ambos os grupos eram apenas representantes locais de uma mesma heresia gnóstica. Provavelmente essa posição é a correta. E algo que é quase fora de dúvida é que a heresia da Ásia Menor, quando foi escrito o livro de Apocalipse, e que era uma praga para as igrejas locais, era uma forma de gnosticismo, sem importar o que devemos pensar acerca dos títulos específicos dados a seus ramos. O segundo versículo explica alguns aspectos do gnosticismo, e o trecho de Cl 2:18 tem a nota de sumário sobre essa heresia. Nada menos de oito livros do N.T. foram escritos para combater ao gnosticismo, a saber: Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas. Os gnósticos criam que a matéria é o princípio mesmo do mal, e que o «sistema deste mundo» visa destruir finalmente à matéria. Poderíamos ajudar nesse processo, mediante o abuso contra o corpo, efetuado através do ascetismo (o tipo de gnosticismo combatido na epístola aos Colossenses), ou através da licenciosidade extrema (o tipo combatido nos outros sete livros mencionados, e que também é a variedade aqui focalizada). Os gnósticos removeram do evangelho o «imperativo moral», não vendo no mesmo nenhuma função «santificadora». Em sua suposta elevada «sabedoria» (mediada pelas artes mágicas, pelo cerimonialismo e por um falso misticismo), imaginavam-se «isentos» das exigências morais. Não há que duvidar que muitos deles usavam passagens de escritos paulinos, como o décimo quarto capítulo da epístola aos Romanos ou o oitavo capítulo da primeira epístola aos Coríntios, para ensinarem que tudo era questão «indiferente», e não meramente a observância externa de dias santificados, carnes, bebidas, etc., conforme Paulo ensinara. Portanto, tinham tendências «antinominianas» extremas. Em outras palavras, não havia lei moral no evangelho deles. Os gnósticos levaram a tal extremo as suas perversões que chegaram a declarar que os anjos vinham assisti-los e influenciá-los a que participassem de todas as formas de deboche, a fim de ganharem «experiência», mediante a qual obteriam «conhecimento». O termo grego «gnosis» significa «conhecimento»; e desse termo é que o nome deles se derivava.

    O evangelho autêntico, naturalmente, se caracteriza por exigências morais mui rígidas. De fato, sem a santificação «…ninguém verá o Senhor» (Hb 12:14). E a «santificação» é uma necessidade imprescindível para a salvação (ver II Ts 2:13). O gnosticismo contava com muitos erros doutrinários, além de erros morais. Se porventura o gnosticismo houvesse ganho a batalha, o cristianismo ter-se-ia tornado apenas em uma outra religião misteriosa, greco-romana oriental.

    «…odeias as obras dos nicolaítas…» Essas «obras» eram suas ações pervertidas e imorais. (Ver Ap 2:14,20). Provavelmente, também devemos compreender aqui o fato que procuravam «solapar» a unidade da igreja, sendo essa uma das obras abominadas. A verdade é que essa heresia continuou solapando à igreja por cento e cinquenta anos. Eles semearam a contenda e a confusão na igreja. (Quanto a evidências acerca disso, na era apostólica, ver I Jo 2:18 ss.).

    Notemos a atitude correta para com o pecado. Os verdadeiros crentes «odeiam» à imoralidade, conforme aqueles crentes odiavam os ataques da citada seita. Portanto, no versículo segundo deste capítulo, lemos que os efésios não podiam «suportar homens maus». Quando somos fiéis a alguém, precisamos repreender seus pecados e erros; mas isso deve ser feito com o intuito de conquistar tal pessoa, e não de afastá-la, pelo que não se pode usar de espírito orgulhoso e altivo, conforme, com frequência, se verifica.

    «Vós, que amais o Senhor, detestai o mal…» (Sl 97:10).

    «Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade». (Sl 119:104).

    «Seis coisas o Senhor aborrece, é a sétima a sua alma abomina… o que semeia contendas entre irmãos» (Pv 6:16-19).

    Outras ideias sobre este sexto versículo:

    1. Dizem alguns que os nicolaítas eram idênticos aos seguidores de Balaão, porque Nicolau seria a tradução de Balaão, para o grego. Vários eruditos têm mantido esse ponto de vista, mas a maioria dos estudiosos modernos rejeita o mesmo. Contudo, não pode haver dúvidas razoáveis que tanto os seguidores de Balaão como os nicolaítas eram ramos representativos do gnosticismo. Não há motivo para duvidarmos da historicidade de tais seitas. Não são mencionadas neste capitulo meramente como símbolos com propósitos didáticos. A história mostra-nos a realidade histórica de variegadas seitas gnósticas.

    2. «É possível que um mesmo ramo antinominiano se tenha dividido em três formas: a. uma forma doutrinária (os nicolaítas); b. uma forma mundanizada (os seguidores de Balaão); e c. uma forma espiritualista (os seguidores de Jezabel)». (Comentário de Lange). Embora talvez não tenhamos motivo para fazer tal divisão, é provável que os vários problemas enfrentados pelas igrejas da Ásia Menor tenham tido uma raiz comum.

    3. A identificação de Nicolau, aludido em Atos 6:6, com a seita aqui mencionada, pode ter sido meramente uma conjectura, da parte de alguns dos primeiros pais da igreja. Por outro lado, poder-se-ia argumentar, logicamente, que não era do interesse da tradição posterior destruir a reputação de qualquer crente neotestamentário revestido de autoridade na igreja. É possível que o próprio Nicolau não fosse culpado de sensualidade, mas apenas indiscreto, porque seu oferecimento de sua própria esposa, a qualquer que quisesse possuí-la, pode ter sido interpretado como uma tentativa de estabelecer uma «comunidade de esposas». (Ver Clemente de Alexandria, Strom. 1.3, Pág. 436 e Eusébio, História Eclesiástica 1.3, cap. 29; quanto à narrativa do ato indiscreto de Nicolau). Algumas seitas gnósticas, na realidade, tinham esposas em comum.

    2:7    Quem tom ouvidos, ouço o que o Espirito diz as igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei o comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.

    «…Quem tem ouvidos, ouça…» Essa fórmula introduz as «promessas» feitas às igrejas, nesta e nas próximas duas cartas do Apocalipse. Nas outras quatro cartas, porém, a fórmula segue-se às promessas feitas. Sem importar a ordem, trata-se de uma solene chamada, para que se aplique o que se acaba de ouvir. Já que Cristo Jesus é apresentado como quem fala, não admira que a forma de expressão seja similar a declarações genuínas de Jesus, nos evangelhos. (Ver Mc 4:9,23; 7:16; Mt 11:15; 13:9,43; Lc 8:8 e 14:35). A expressão, no dizer de Vincent (in loc.): «…é usada sempre acerca de verdades radicais, grandes princípios básicos e grandes promessas». As sete cartas deveriam ser «lidas» nas igrejas (ver Ap 1:3). Poucas pessoas poderiam «lê-las» pessoalmente. Mas todos poderiam «ouvir» a leitura dessas instruções. Portanto, já que eram capazes de ouvir, porque seu aparelho auditivo estava em funcionamento, então deveriam ter a sabedoria de dar ouvidos e de pôr em prática o que lhes era dito, o que evitaria que fossem condenados.

    O ouvido que ouve. «Um dos mais solenes estudos da Bíblia inteira é aquele concernente ao ‘ouvido que ouve’. No fim dos quarenta anos que passou no deserto, Moisés diz a Israel que embora tivessem visto tantos prodígios, Jeová não lhes dera, como nação, olhos para verem e ouvidos para ouvirem! (Ver Dt 29:4). E quando já se achavam na terra de Canaã, também não deram ouvidos aos mensageiros de Deus, os profetas; e a Isaías foi ordenado que ordenasse judicialmente a que tornasse ‘…insensível o coração deste povo…’, endurecendo lhe os ouvidos e fechando-lhe os olhos, a fim de que não vissem com os olhos, ouvissem com os ouvidos, se convertessem e fossem curados’ (Is 6:10). E Jeremias clama: ‘Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem entendimento, que tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis’. E continuou ele ainda a dizer que o coração daquela gente engordara devido à prosperidade, que seus ouvidos se embotaram para ouvir (literalmente, ouviam pesadamente, ou seja, de forma lenta e imperfeita), e seus olhos se tinham fechado (no hebraico, ‘ficaram lambuzados’). Essa citação de Isaías não dá lugar à interpretação fatalista sobre esta passagem, mas põe toda a culpa sobre o endurecimento de coração e o despreparo dos ouvintes, motivo por que a pregação da Palavra, neste mundo, serve apenas para maior obscurecimento e condenação dos tais». (Alford, in loc.). Jeová dissera a Ezequiel (12:2): «Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver, e não vê, tem ouvidos para ouvir, e não ouves…» O ouvir sem a devida reação positiva produz a ilusão fatal—a capacidade dos homens se esquecerem do que diz Tg 1:22,24. «Não me quiseram ouvir» é a constante queixa de Deus, através dos profetas.

    Nosso Senhor chegou até a dizer para seus discípulos, no barco (ver Mc 8:17,18): «…ainda não considerastes, nem compreendestes? tendes o coração endurecido? tendo olhos, não vedes? e, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais…» Sim, a verdade divina nos entra pelos ouvidos; e aquele ato da vontade, que dá acolhida à Palavra, se chama «dar ouvidos», o que, algumas vezes, envolve a «inclinação» do ouvido (para longe de tudo o mais).

    Ora, por nada menos de sete vezes nos evangelhos, e por oito vezes neste livro de Apocalipse—sete vezes para essas igrejas! reboa aquela chamada vital, aberta e particular, para quem quisesse ter ouvidos abertos: ‘Quem tem ouvidos, que ouça!’

    Não sabeis que a maioria dos leitores e ouvintes do livro de Apocalipse não ‘ouvirá’ realmente, no sentido tencionado pelo Senhor—um deixar cair no ouvido, pessoal, separando’ palavra por palavra?

    «Seiss observou como segue: ‘Pescadores e cobradores de impostos, ao darem ouvidos a Jesus, terminaram sentados em tronos apostólicos, ministrando quais sacerdotes e ministros da dispensação, ampla como o mundo e duradoura como o tempo’» (Newell, in loc.).

    «…O Espírito diz…» No livro de Apocalipse, tal como no N.T., inteiro, o Espírito Santo é o «alter ego de Cristo», o seu porta-voz, o poder divino que dá prosseguimento à sua obra, dentro e fora da igreja. O «Espírito Santo» não é a mesma coisa que os «sete espíritos». (Ver acerca dos «sete espíritos», em Ap 1:4).

    «…às igrejas…» Quais? As sete igrejas da Ásia Menor, para onde foi originalmente enviado o livro de Apocalipse, em que cada delas recebeu uma «carta», constante nos capítulos dois e três deste livro. Naturalmente, elas representam a «igreja universal».

    «…ao vencedor…» Consideremos os pontos seguintes, a esse respeito:

    1. O vencedor seria o que permanecesse fiel a Cristo, opondo-se aos hereges gnósticos.

    2. Seria aquele que desse ouvidos à admoestação de retornar ao «primeiro amor» e à prática das «primeiras obras».

    3. Seria aquele que repelisse a mensagem sem moral dos nicolaítas (gnósticos), mantendo a pureza de fé e de prática.

    4. Seria aquele que permanecesse constante, sob as perseguições.

    5. Seria aquele que, conforme se vê em todas essas cartas, fizesse o que lhe é dito que faça, opondo-se ao que lhe fosse ordenado opor-se.

    Todo Crente Genuíno É Um Vencedor

    1. Com base em Ef 6:11 e ss., aprendemos que não existe crente verdadeiro que também não seja um soldado. Ora, o soldado está envolvido em uma guerra, não sendo mero espectador dos lances. Conta com a armadura de Deus e a usa. Domina e vence o mal.

    2. Coisa alguma foi prometida àqueles que não se mostrarem vencedores nessa luta. Cada uma das sete epístolas do Apocalipse promete algo ao «vencedor». Nenhuma promessa é oferecida a qualquer outra qualidade de pessoa.

    3. Cristo é o vencedor-mor. Ele é o nosso exemplo. Ver Ap 3:21; 5:5 e 17:14 quanto a esse título, que lhe é aplicado. Ver acerca da metáfora baseada na vida militar, em Ef 6:10-20.

    «…dar-lhe-ei…» Temos aqui, no original grego, o tempo futuro do verbo «didomi», o que se repete em Ap 2:10,17,23,26,28; 3:8,21; 6:4; 11:3 e 21:6, onde há várias promessas feitas por Cristo. A Cristo foi dado todo o «poder» ou «autoridade» (ver Mt 28:18). Cristo pode dar esse galardão agora, mas certamente o fará quando de sua segunda vinda (ver I Ts 4:15), ou quando do juízo final (ver II Co 5:10).

    «…se alimente da árvore da vida…» A promessa. João, o vidente, leva-nos de volta ao jardim do Éden, e assegura-nos que aquilo que foi «espiritualmente perdido» através do pecado, pode ser recuperado em Cristo, e, de fato, será recuperado por todos os «vencedores». A questão do «comer» é simbólica, apontando para a obtenção da vida eterna e da nutrição espiritual, com satisfação de toda e cada necessidade. Comparemos com o comer do Pão da vida, em João 6:48. Aquele que se alimenta desse Pão, assume a própria forma de vida e a própria natureza do Filho, porquanto seus efeitos alimentares são transformadores. Espiritualiza ao ser inteiro, de tal modo que este vem a participar de toda a plenitude de Deus, de sua modalidade de vida (ver Jo 5:25,26 e 6:57), de sua natureza e atributos (ver Ef 3:19). Isso, naturalmente, envolve muito mais que a restauração do que se perdera no «Éden». Obteremos certa forma da «imortalidade», aquele tipo de vida que possui o próprio Deus Pai. Naturalmente, não há neste ponto qualquer alusão a alguma árvore literal. Essa «árvore» simboliza a transmissão da vida eterna aos homens. (Ver Jo 3:15 quanto a esse conceito). Nos capítulos vigésimo primeiro e vigésimo segundo deste capítulo, é descrito o «novo paraíso». Portanto, neste ponto, nos é assegurado que, nesse novo Paraíso, na qualidade de cidadãos do mundo eterno e celestial, teremos uma imensa vida espiritual, a própria vida «independente» e «necessária», a vida que tem em si mesma a origem da vida, que não pode deixar de existir.

    Portanto, se Adão tornou-se um ser mortal, embora, antes do pecado fosse um imortal de baixa categoria, em Cristo, tornamo-nos imortais da mais elevada categoria, participantes da própria vida de Deus Pai; assim sendo, seremos mais altos do que os próprios anjos, tal como o Filho de Deus é muito mais elevado do que eles, os quais são referidos apenas como fumaça ou chamas, em comparação com Cristo. (Ver Hb 1:7).

    É deveras lamentável que, na igreja evangélica de hoje em dia, a «salvação» é reduzida apenas ao perdão de pecados e à futura mudança de endereço para os céus. Na verdade, a salvação consiste daquilo que acontece conosco, a espiritualização dos nossos próprios seres, mediante a qual assumimos, mui literalmente, a própria espécie da natureza de Cristo, ou seja, compartilharemos de seus atributos e de sua glória. Isso é o que está envolvido no fato que nos alimentaremos da árvore da vida, nos mundos eternos. (Pode-se ver o simbolismo místico da «árvore», em Pv 3:18; 13:12; 11:30 e 15:4).

    «O comer da árvore da vida expressa a participação na vida eterna. O simbolismo da árvore da vida aparece em todas as mitologias, desde a índia até à Escandinávia. Os rabinos judeus e islamitas chamavam o vinho de ‘árvore da provação’. O Zend Avasta tem a sua própria árvore da vida, chamada de ‘Destruidora da Morte’. Ela medraria próximo às águas da vida, e o beber de sua seiva conferiria a imortalidade. A árvore da vida dos hindus é retratada como árvore que medra de dentro de um grande mar, em meio à expansão das águas. Teria três galhos, cada um coroado por um sol, denotando os três poderes da criação, da preservação e da renovação, após a destruição. Em uma outra apresentação, Buda aparece a meditar, assentado debaixo de uma árvore com três galhos, cada um dos quais, por sua vez, tem três ramos. Um dos cilindros babilônicos, descobertos por Layard, representa três sacerdotisas a juntarem o fruto do que parece ser uma palmeira, com três ramos de cada lado. Ator, a Vênus dos egípcios, aparece meio oculta nos ramos do pessegueiro sagrado, entregando o seu fruto às almas que partem, bem como a dar-lhes a bebida do céu, mediante um vaso, de onde as correntes da vida descem sobre o espírito, uma figura ao pé da árvore, como se fora um falcão, com uma cabeça humana e com mãos estendidas. Na mitologia norueguesa, há uma figura proeminente, Igdrasil, a árvore-cinza da existência; suas raízes estão no reino de Hela, ou Morte, seu tronco atinge os céus, e sua copa se espalha pelo universo inteiro. A seus pés, no reino de Morte, estão assentadas três Noms ou Sortes, o Passado, o Presente e o Futuro, a regarem suas raízes com água retirada do poço sagrado. Comparar com Ap 12:2,14,19. Virgílio, dirigindo-se a Dante, ao terminar a descida no monte do Purgatório, diz:

    Aquela doce maçã, embora com tantos ramos,

    E que os mortais perseguem com zelo,

    Hoje satisfará aos teus desejos.

    (Purgatório, xxvii.115-117) (Vincent, in loc.).

    «A narrativa do livro de Gênesis fala de uma árvore, cujo fruto foi proibido. A mensagem aos crentes de Éfeso fala de uma ‘árvore da vida’, que os crentes vitoriosos receberão permissão de comer. Após a provação vem a satisfação. Existem certas coisas que só podem ser dadas aos homens, em segurança, depois de haverem sido disciplinados, mediante firmeza, sob as pressões da vida, quando chegam à força autêntica. O crente deseja satisfazer às condições para comer da árvore da vida. Essa árvore sugere uma disciplina nobre, e não a concupiscência desregrada. Francis Thompson, em um poema intitulado ‘Her Portrait’, fala sobre:

    Um triste músico…

    A tocar a ouvidos alheios, que não davam valor

    À música não-compreendida do firmamento.

    «É um pensamento que nos faz meditar sobre aquele que mostra que o ou­vido precisa ser treinado para a música celestial, da mesma maneira que o paladar deve ser treinado para o alimento celestial». (Hough, in loc.).

    «A vitória pessoal sobre o mal é o condição sem a qual ninguém comerá da árvore da vida». (Charles, in loc.). Trata-se da mesma verdade, declarada sob outros termos, em Hb 12:14: «Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor». A santificação é absolutamente necessária à salvação, conforme se aprende em II Ts 2:13 e Rm 6:22.

    Aqueles que evitassem as libertinagens dos nicolaítas, eventualmente ficariam plenamente satisfeitos com a abundância da árvore da vida. (Isso pode ser comparado ao trecho de Ap 22:2,14, quanto a sobre a «árvore da vida»). Foi o madeiro da árvore da cruz que possibilitou a realidade da árvore da vida (ver Cl 1:20). Mas essa vitória deve ser aplicada, mediante a lealdade a Cristo, na batalha contra o mal e na aquisição de sua própria santidade, através do poder do Espírito Santo. O pecado humano terminou a possibilidade de chegarmos naturalmente à árvore da vida (ver Gn 3:24). Mas Cristo, em sua missão terrena, reverteu essa derrota. Todavia, a sua vitória só será compartilhada pelos vencedores, no sentido que participarão de sua própria vida e natureza. O primeiro capítulo da epístola aos Efésios mostra que todos, de alguma maneira, em uma grande restauração geral, tendo a Cristo como Senhor e Cabeça, haverão de receber benefícios do que ele realizou.

    O paraíso de Deus. Tal como sucede a muitos conceitos que foram elaborados através dos séculos, o do paraíso não tem um único sentido simples, e, sim, diversos significados, dependendo do autor, a saber:

    1. O próprio vocábulo vem do persa, e tem o sentido de «jardim», terreno ou celestial, ou seja, um «lugar de deleite», de «descanso», de «refrigério». Na Septuaginta grega, o termo foi aplicado ao Jardim do Éden. (Ver Gn 2 e ss.; Filo; Josefo. Antiq. 1,37; Oráculos Sibilinos 1,24; 26,30).

    2. Foi apenas natural que o termo viesse a ser aplicado aos conceitos do após-vida, quando as almas justas encontrarem um lugar de descanso dotado de magnificente beleza, riquezas, e vida eterna. Por isso, os rabinos faziam dele um equivalente ao «seio de Abraão»; ou seja, a porção boa do hades. Esse uso se reflete em Lc 16:22, e talvez também em Lc 23:43. Outro tanto figura em En. 32,3; Testamento de Levi 18:10; Sib. or. fgm. 3,48, e muitas passagens das pseudoepígrafes do A.T.

    3. Os judeus supunham que existem sete céus, e, presumivelmente, tudo, com exceção da própria habitação de Deus, poderia ser chamado de «paraíso». Seja como for, o «paraíso» indicava um estado «intermediário», e não a habitação mesma da divindade. Portanto, em II Co 12:2,4, é quase certo que Paulo identifica o «terceiro» céu (dentre muitos níveis celestes), com o «paraíso».

    4. Mas, sendo muito flexível essa palavra, não é de estranhar que seja usada para indicar a presença de Deus, os céus mais elevados, mui provavelmente o que está em foco no presente versículo. (Ver as descrições sobre a «Nova Jerusalém», a capital dos novos céus e da nova terra, nos capítulos vinte e um e vinte e dois do presente livro, podendo-se observar que a «árvore da vida» estará localizada ali. Portanto, a «Nova Jerusalém» é identificada com o «paraíso», pelo vidente João.

    Os únicos empregos desse vocábulo, nas páginas do N.T., são aqueles sobre os quais já fizemos alusão, na discussão acima, Lc 23:43; II Co 12:4 e Ap 2:7. E, em todos esses três casos, os usos são diferentes.

    Para o vidente João, o paraíso é o Éden celestial, onde os remidos participarão da vida eterna, o que chamamos de «céus» ou «lugares celestiais», embora, em outros trechos, mais adiante, ele identifique esse paraíso com a Nova Jerusalém, a qual será um lugar específico dos lugares celestiais. Ali é que se encontrará o paraíso «de Deus», o que dá a entender que ali os homens serão conduzidos à presença de Deus, ou seja, à sua própria habitação, com suas bênçãos prodigiosas, o que não poderá ser atingido, a não ser mediante a vitória que obtemos por meio de Cristo.

    Bibliografia R. N. Champlin

  • Pobrezinho nasceu em Belém ! Fail !

    Pobrezinho nasceu em Belém ! Fail !

    Catherine Hardwicke, Keisha Castle-Hughes, Oscar Isaac

    Por Anderson Manilha

    Fomos ensinados a ser pobres porque, dizem, “Jesus era pobre”.

    Essa é uma idéia que ultrapassa muitas gerações e tem a sua razão de ser. Esse conceito está arraigado em nossa mente tanto em função de toda uma perspectiva de dominação social da igreja cristã ao longo dos séculos, como também advinda de interpretações erradas que em geral não foram suficientemente questionadas.No natal, quando cantamos “Noite Feliz”, dizemos: “Pobrezinho, nascido em Belém”, em relação a Jesus, e isto nos basta. Em função disso, quantos de nós fomos ensinados que Jesus era pobre e vivia de favores? Como todos nós ouvimos e aprendemos desde criança que Jesus era pobre em função disso desenvolvemos a idéia de que Ele era realmente pobre.A nossa imagem interior de Jesus é, portanto, a de um homem sem dinheiro, sem casa e que achava errado ter posses ou dinheiro. A própria arte retrata um Jesus pálido, com uma tristeza profunda no rosto, um corpo esquálido e fraco. Parece mesmo um “pobrezinho” a inspirar cuidados.

    Mas esse Jesus está longe do que é mostrado nos evangelhos. – um homem vigoroso que fazia longas caminhadas, subia montanhas para orar, que enfrentava de chicote em punho os vendilhões no templo, e ainda jejuou quarenta dias num deserto.Não obstante toda essa clareza bíblica, na maioria das vezes o que prevalece é essa imagem deturpada, gerando de certa forma deformidades de comportamento naqueles que tentam imitá-lo.

    É assim também com a situação financeira de Jesus. Uma vez que entendemos que Jesus viveu em enorme pobreza, isso tem reflexos de algum modo na nossa vida pessoal e na vida da igreja. Se temos posses ou dinheiro, desenvolvemos um relativo complexo de culpa por possuirmos bens. Se não temos nada ou temos de modo insuficiente, conformamo-nos porque, se admitimos que Jesus que éra Jesus não teve nada, então nós não temos o direito de ter coisa alguma. Por conta disso, anuviamos nossas culpas com cânticos que expressam o nosso conformismo em não ter, achando talvez que não ter é a melhor opção para quem quer ser. Não ter se torna combustível psicológico alternativo para aqueles que desejam ser humildes, fiés e tementes a Deus.

    Jesus não éra um pobretão e tampouco vivia de favores, como históricamente tem pregado a tradição católico-cristã. Ele também não éra rico e tampouco tinha uma vida de ostentação, como querem fazer parecer alguns mestres da teologia da prosperidade e do movimento da fé. Sua vida financeira era equilibrada e Ele tinha uma vida próspera. Jesus, como nenhum outro, ensinou como lidar com o dinheiro, e cerca de dois terços de seus ensinos sobre a nossa interação social versaram sobre finanças. Se alguém afirmar que “Jesus não era pobre”, possivelmente isso resultará em imediata oposição ou simplesmente em rotulação de que tal pessoa é um apologista da teologia da prosperidade. Gostaria que vocês evitassem por um momento qualquer posição extremada, para que possamos debater juntos, passagens da historicidade de Jesus quanto ao aspécto financeiro.

    O nascimento e os reis Magos. Que Jesus nasceu numa estrebaria, é inegável. Mas isso aconteceu tão-somente porque em Belém não havia lugar para José e Maria se hospedarem. Foi uma circunstância temporária que ficou fora do controle de José. A verdade é que a cidade estava cheia. os hotéis e pousadas (que provavelmente não eram muitos) estavam todos ocupados – as pessoas, como você sabe, em decorrência de um decreto do Império Romano, foram obrigadas a irem à sua cidade de origem para se alistar.

    A história toda desse episódio está descrita no Evangelho de Lucas (2.1-7). Nada é dito ali a respeito de José não ter dinheiro para pagar a hospedagem da própria família. O que o texto diz é: “… não havia lugar para eles na estalagem” (v.7). O episódio sugere que ele tanto tinha com que pagar que, inclusive, procurou alugar um quarto, mas não tinha nenhum local disponível, porque todos estavam alugados. A situação, porém, não continuou dessa mesma forma. Mateus sugere que, assim que puderam, eles se mudaram para uma casa, porque foi este o lugar onde os magos do Oriente chegaram para visitar Jesus. Como está escrito: “E, entrando na casa, [os magos] acharam o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram…

    ” O texto diz que eles entraram na casa e não no estábulo. A tradição natalina cristã comete uma série de equivocos em não saber diferençar a visita dos magos da dos pastores. Nos presépios normalmente os magos oferecem seus presentes enquanto o mesmo Jesus ainda se encontra na estrebaria, mas essa versão não é a correta. Na verdade, quando os pastores visitaram Jesus, eles o fizeram provavelmente no mesmo dia do nascimento, na estrebaria.

    O anjo do Senhor disse aos pastores: “… na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Eles então resolveram ir até Belém. O texto diz: ” E foram apressadamente e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura A visita dos magos, porém, deu-se longo tempo após esse primeiro evento. Se nos basearmos pela ordem dada por Herodes – Mandar matar todos os meninos de dois anos para baixo – veremos que Jesus deveria estar nessa mesma faixa de idade. Quando os magos chegaram na casa, o mesmo texto nos indica o que eles fizeram em seguida: “…prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra”. Aqueles homens eram magos e trouxeram presentes caros que só eram dados para um rei.

    Em termos modernos, eles eram conselheiros de cortes reais; eram parte da elite de sua época e portanto, ricos e influentes. O que você pensa pode ser o presente de homens ricos e poderosos que sabem estar adorando ao Rei dos reis? Não há nenhuma indicação ao certo de quantos magos eram. Russel Champlim. autor de O Novo Testamento versículo por versículo, expõe o seguinte: ” O registro da Bíblia não diz quantos magos vieram ver o bebê em Belém. As igrejas primitivas argumentavam sobre esse ponto. Os cristãos orientais têm uma tradição de dose sábios, cada um dos quais representando uma das doze tribos. Alguns antigos mosaicos mostram apenas doi magos, ao passo que outros exibem sete ou mesmo onze.” Por serem três tipos de presentes muitos crêem se tratar de três magos. Quanto ao presente, eles ofereceram “ouro, incenso e mirra”. Quando um rei nascia, o costume no Oriente era oferecer “presente de rei”. O presente fala de quem o dá e de quem o recebe. De um lado, isso refletia o que o presenteados pensava do rei presenteado; do outro, indicava o que pensva o rei que recebia o presente acerca do rei que o ofertou. O presente estabelecia a qualidade do reinado e também o seu domínio, de modo que não poderia ser um presentinho qualquer, uma vez que aqueles magos estavam adorando ao Rei.

    Há alguns exemplos bíblicos de “presente de rei”. O presente de Hirão a Salomão: “Hirão, rei de Tiro, trouxera a Salomão madeira de cedro e de faia e ouro… E enviara Hirão ao rei cento e vinte talentos de ouro”. O presente da rainha de Sabá a Salomão: ” E ouvindo a rainha de Sabá a fama de Salomão… veio a Jerusalém com um mui grande exército, com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro, e pedras preciosas”.

    O presente mostra a admiração que um rei tem pelo outro rei. Os exemplos acima, conquanto não valham como referências diretas que determinem o que Jesus recebeu como presente, servem para identificar o elemento motivador de um presente de rei. Os presentes que Jesus recebeu eram, provavelmente, substanciais e valiosos. Assim, se você acha que Jesus era pobre, financeiramente falando, então considere se essa é uma maneira de um “menino pobre” começar a vida. Qual de nós começou a vida com ouro, incenso e mirra? Afinal: você começou a vida dessa forma, com uma poupança em ouro, incenso e mirra? Note que não estou afirmando que Jesus era rico e vivia uma vida de ostentação.

    O que estou dizendo é que Ele não era pobre em termos financeiros, como tem sido argumentado historicamente. O que quero mostrar em seguida é que Jesus não tinha um ministério desprovido de recursos financeiros, mas que Ele vivia na plenitude da bênção de Deus, ( você sabe o que é isso!) inclusive nesta área. Ele tinha um estilo de vida simples, mas não pobre. Jesus era, para todos os efeitos, era um homem próspero! Eu gostaria de antecipar a definição de prosperidade da seguinte forma: ” Prosperidade é ter mais do que suficiente para suprir suas próprias necessidades, e ainda ter sobras para investir no reino de Deus e ajudar aos pobres” É neste contexto que procuro demonstrar a prosperidade na vida de Jesus.

    Com pensamentos baseados em uma lavagem cerebral religiosa, tirada sabe-se lá de onde, pessoas e igrejas usam como base principal para a pobreza de Jesus o Fato dele ter vindo de Nazaré. Independente de qualquer conceito absurdo que você tenha, devemos nos lembrar que isso foi para que se cumprisse uma profecia.

    Quanto ele ser carpinteiro, Mateus registra que Jesus era filho de carpinteiro: “Não é este o filho do carpinteiro?” Marcos acrescenta que Jesus mesmo exercia a profissão de carpinteiro: ” Não é este o carpinteiro…?” Mas o que quer dizer isso? Seria, porventura, uma prova irrefutável de que Jesus era pobre? O fato de que Jesus era um carpinteiro serve perfeitamente para provar que Ele não era rico, mas jamais poderá alicerçar o argumento de que, em função disso, era pobre. Naquele tempo se contavam nos dedos das duas mãos o número de profissões. Hoje já passa de três centenas o número de profissões registradas. Quem tinha uma profissão e, como Jesus, exercia a carpintaria, era o que se poderia chamar, guardadas as devidas proporções, de um profissional liberal. Era um componente da “classe média” trabalhadora da época. Não poderia de maneira alguma ser contado na categoria de pobre. Essas perguntas que identificam Jesus como carpinteiro, surgiram no contexto da perplexidade popular diante da autoridade de Jesus ao ensinar na sinagoga, e pelos milagres poderosos que efetuava rotineiramente. Mas de maneira nenhuma refere-se a um julgamento de posição social ou da capacidade econômica de Jesus. Com isso concorda Russel Champlim quando diz; O uso do termo “carpinteiro” aplicado a Jesus não significa que Ele fosse inferior a seus críticos, e sim, que dificilmente esperariam que tal homem fosse grande autoridade religiosa e operador de milagres, e, menos ainda, o próprio Messias.

    Ao referir-se a Jesus como “carpinteiro”, o povo não pretendia dizer que Jesus lhes fosse inferior. Dizem alguns comentaristas que a palavra grega que foi traduzida como carpinteiro – tektõn – é a mesma utilizada para construtor, indicando que a profissão correspondia a algo mais do que um mero artesão da madeira. O doutor F. Davidson, editor de O novo comentário da Bíblia, diz o seguinte a respeito dessa questão: José é chamado de carpinteiro, traduzido do gr. tektõn, que significa tanto “pedreiro” como “carpinteiro”. Pesquisas recentes revelam que Belém era o centro dum grêmio de pedreiros que praticavam sua profissão em todo o país. Esse fato pode explicar a conexão que José tinha com Belém… Russel Champlim, de forma análoga, afirma o seguinte: No grego, a palavra traduzida como carpinteiro é um vocábulo antigo, que pode significar uma pessoa que trabalha com madeira, metal ou pedras. Veja que é surpreendente o fato de que Jesus cita em suas parábolas vários exemplos a respeito de construção e nenhum sobre carpintaria. De qualquer maneira, era mais provável que a sua profissão abrangesse as duas atividades. Hoje talvez até fosse possível identificar um carpinteiro ou construtor como alguém pobre, mas não naquele tempo. Jesus certamente não era rico, mas a sua profissão o colocava na situação de poder viver uma vida economicamente estável. Outro ponto muito usado para dar base a suposta pobresa de Jesus é a oferta de Maria. A lei cerimonial dada por Moisés deixava bem claro que tipo de sacrifícios deveriam ser feitos e que procedimentos em cada situação. No caso específico da purificação da mulher após o parto, que acontecia no quadragésimo dia após o nascimento da criança, havia dois tipos de oferta possíveis para o sacrifício. Veja o que dizia a lei: “E quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado… Mas, se a sua mão não alcançar assaz para um cordeiro, então, tomará duas rolas ou dois pombinhos…”. Maria foi protagonista dessa última oferta. Em razão disso, a maioria das pessoas utiliza este fato para provar que Jesus era pobre e viveu toda sua vida em extrema pobreza e dependência dos outros. Mas uma vez é bom lembrar que este fato serve perfeitamente para lembrar que Jesus não era rico. No entanto, utiliza-lo para provar que Jesus permaneceu a vida toda pobre, é no mínimo, ferir as principais regras de hermenêutica. Vejamos alguns aspectos que devem ser considerados.Primeiro o nascimento de uma criança, envolve sempre gastos adicionais, e com Jesus não seria diferente. Além do mais, José e Maria fizeram uma longa viajem em decorrência do decreto de recenseamento de César Augusto, imperador de Roma. Eles saíram da Galiléia para a Judéia, de Nazaré para Belém, o que significa viajar praticamente metade de todo o território de Israel naquela época. As despesas não devem ter sido pequenas para esse empreendimento.Em Belém, após o nascimento de Jesus, eles provavelmente tiveram que reorganizar suas vidas, semelhantemente ao que acontece numa mudança, com todas as suas implicações, e tiveram de encontrar casa para morar, cuidar do bebê ,etc. O evangelista Mateus indica que eles estavam morando numa casa,o que significa que haviam deixado a estrebaria. O texto não acrescenta nada mais quanto a isso, mas podemos presumir que tiveram algumas despesas com essa mudança. Segundo:há contundentes evidências de que a situação da família de Jesus não continuou a mesma. Depois da visita dos magos, o mesmo texto indica que eles possuíam “ouro, incenso e mirra” , o que com certeza ajudou a garantir o seu sustento, inclusive durante o exílio no Egito. Mas lembre-se que até a purificação, provavelmente os magos ainda não haviam chegado. Em suma, o que facultou a oferta de Maria ser a mesma dos despossuídos foi uma situação meramente circunstancial e temporária. Ou ela podia dar um cordeiro ou não podia, mas a oferta tinha de ser oferecida no quadragésimo dia. Essa era a lei. Como ela não dispunha de um cordeiro de um ano, ofereceu apenas o que podia, dois pombinhos ou duas rolinhas. isso, no entanto, não prova que Jesus era pobre, financeiramente falando, ou que tenha vivido a vida toda em pobreza. Prova, sim, que a família passou par certas dificuldades como qualquer outra família na face da terra que tenha enfrentado as mesmas circunstâncias.

    Além disso, há todo um mistério por traz desta oferta que não vou comentar agora pois daria um livro, e não temos espaço pra isso. Não estou dizendo que Jesus era rico, estou dizendo que não era o pobre que nos mostraram. Quanto a ser esta mais uma tentativa da teologia da prosperidade em alicerçar suas doutrinas nada Bíblicas,quero dizer que não prego a prosperidade, prego o abandono da miséria,eu seria do diabo se concordasse com ela que é fruto do maligno.

    Muitas pessoas estão passando por situações difíceis, por falta de discernimento bíblico não basta estudar a bíblia, lembre-se que em parte sabemos e em parte profetizamos,é preciso que o esclarecimento venha de Deus, e é isso que tenho buscado, não com base em doutrinas de homens, mas na palavra de Deus.

    Não seja do tipo que vive uma vida miserável, toda enrolada, e tenta se convencer que tudo isso é plano de Deus, pra esconder sua própria incompetência. Sei que este conceito precisa ser mudado, é preciso crer num Deus que ama, não num Deus que leva o filho, que quebra a perna e mata os pais, Deus é amor, e Jesus seu filho é manso e humilde de coração.

    Muitos crêem num Deus que faz negociatas cósmicas com Satanás, a respeito de nossas vidas pra provar que somos fiéis, e também que Ele dá, depois toma, pra em seguida dar em dobro.  Apresentam isso como parte do jogo da fé, uma espécie de seleção natural da nossa espiritualidade, na qual somente os mais fortes sobrevivem. Temos portanto, que provar para Deus que somos aptos e merecedores de andar com Ele. Mas tudo isso à custa de muito sofrimento e privações.

    Qual é sua idéia sobre Deus? Creia num Deus que sara que cura e que é Galardoador dos que o buscam, pois isso é necessário para que se receba a Vitória, e não sou eu quem disse isso, foi a bíblia, ou seja Deus. Um amigo de Teologia do orkut, me enviou uma mensagem dizendo que ao estudar a bíblia viu uma passagem onde Jesus diz que não tinha onde reclinar a cabeça, por conta disso, parei tudo e resolvi responder essa questão. Em função desta passagem bíblica, muitos achan que Jesus tinha muito mal suas sandálias, e nenhuma outra posse. Não pensam que ele tinha inclusive uma casa pra viver. Para provarem isso, citam fora de seu contexto a passagem na qual Jesus diz: “As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Não compreendem , assim, a situação que Jesus enfrentou e que o motivou a dizer isso. Veja o que diz o texto introdutório de todo o contexto desta história. “E aconteceu que completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. E mandou mensageiros diante da sua face, e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe prepararem pousada. Mas não o receberam, porque o seu aspécto éra como de quem ia para Jerusalém. Vejamos então o que ocorreu: Jesus tinha programado ir para Jerusalém, incluindo uma parada estratégica para descanso numa aldeia samaritana. Por isso enviara uma equipe à frente para preparar tudo, como seria razoavel e normal fazer. Quando ele chegou a cidade, descobriu que aqueles samaritanos não iriam recebe-lo porque viram que Jesus estava se dirigindo para Jerusalém, e os samaritanos não se davam com os Judeus. Por causa deste preconceito, eles não o receberam. Vamos continuar a história: ” Indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. e disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Qualquer pessoa de bom senso pode verificar que, em decorrência de não ter podido ficar na cidade, Jesus e os discípulos, rejeitados que foram, estavam se encaminhando para um outro lugar. No caminho um homem lhe diz que queria segui-lo para onde Jesus fosse. Como era pequena aquela aldeia, certamente não havia pousada em cada quarteirão para a sua equipe. Diante da possibilidade de passar toda aquela jornada pelos muitos quilômetros na terra dos samaritanos até chegar a Jerusalém, sem um lugar para poder dormir a noite, Jesus não tinha obviamente “onde reclinar a cabeça”. Jesus estava falando de uma situação temporária de um homem que fora rejeitado com sua equipe. Ele estava falando de não ter sido aceito naquela cidade e provavelmente ser regeitado durante toda a viajem em cidades samaritanas. Uma regra aurea de interpretação das escrituras, é comparar o que está escrito, com o que também está escrito. Dessa leitura superficial do que está escrito, que Jesus não tinha onde reclinar a cabeça, surjem interpretações de que Jesus não tinha sequer uma casa para morar, que morava na casa de Pedro. Essas anotações podem ser vistas em notas de rodapé de principais bíblias de estudo. Gostaria de falar sobre isso , mas isso é uma outra história…

    Fique com Deus, e não se guie pelo que os homens e as biblias de estudo ensinam, peça discernimento a Deus. “Lembre-se que em parte sabemos e em parte profetizamos”.

     

  • LIÇÃO 8 – APRENDENDO A GUARDAR A PALAVRA COM JESUS

    LIÇÃO 8 – APRENDENDO A GUARDAR A PALAVRA COM JESUS

    guardar a palavra

    Texto Bíblico

    João 14.21,23,24

    21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

    23 Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.  24 Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.

    Mateus 7.24-27

    24 Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.  25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

    Introdução

    A atitude de desprezar a palavra de Deus, é a causa e sempre foi de todos os malefícios e derrotas que o ser humano sofre. Desde principio vimos Adão e Eva desprezando a Palavra de Deus, e como efeito a morte, dor, angustias tudo de mal entrou no mundo, porque eles escolheram desprezar a palavra de Deus. E você hoje que atitude você vem tendo com relação a Palavra de Deus? Tome muito cuidado e atente para não menosprezar a Palavra de Deus.

    Se você analisar a historia do povo de Deus no tempo do Êxodo, Profetas, Reis e Salmos, você observará a advertências de Deus ao homem dizendo: Se guardares a Palavra se preservares a Palavra, se reteres a palavra se atentares para a palavra e obedecerem a palavra. Então desfrutarás de bênçãos, alegrias, vitorias, prosperidade. Mas se negligenciarem, não derem valor a palavra e nem obedecê-la, Então a maldição virá sobre vós.

    Guardar a Palavra nos torna Sábios e Inteligente

    Deuteronomio 4.1-2 5-6

    1 Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR, Deus de vossos pais, vos dá.  2 Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando.

    5Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar.  6 Guardai-os, pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que ouvirão todos estes estatutos e dirão: Só este grande povo é gente sábia e inteligente.

    Ninguém pode dar aquilo que não tem.

    Deuteronômio 4 6-9

    6E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;  7 e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te.

    O apostolo Paulo já dizia: O que eu recebi primeiro do Senhor isso vos ensinei.

     8 Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.  9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

    Na tua mão

    Mão fala de labor, ajuda, trabalho, atitude, obra edificação, todas as minhas ações obra, trabalho e atitude devem ser dirigidos pela Palavra.

    Testeira entre seus olhos

    Fala de visão, fala de direção a nossa vida deve ser regida e dirigida pelo principio da Palavra

    Umbrais de tua casa e nas tuas portas

    Minha casa deve ter a marca da Palavra, a família vai ser abençoada, os vizinhos olharam para as portas da tua casa e verão a palavra, escutaram louvores a Deus. Se não for assim é bom você rever seus conceitos com relação a Palavra de Deus dentro do seu lar.

    E em Deuteronômio 28 temos a lista das bênçãos e em seguida a lista de maldição. Mas nós que amamos a Palavra teremos a benção de Deus.

    O Segredo de Josué

    Josué o primeiro grande guerreiro e líder de Israel através de Josué eles alcançaram grandes vitórias e foram bem sucedidos. Mas qual o segredo de Josué.

    Josué 1 8-9

    8 Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás.

    9 Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares.

    Quer ser bem sucedido e ter vitória siga o exemplo de Josué.

    O Salmo que exalta a Palavra

    Salmo 119 com 150 versos é conhecido como o salmo da Palavra e tem lições tremendas para orarmos a Deus para sermos cheios da Palavra.

    Sl 119:1 Bem-aventurados os que trilham com integridade o seu caminho, os que andam na lei do Senhor!

    Sl 119:9 Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra.

    Sl 119:11 Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.

    Sl 119:33 Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e eu o guardarei até o fim.

    Sl 119:34 Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei, e a observe de todo o meu coração.

    Sl 119:67 Antes de ser afligido, eu me extraviava; mas agora guardo a tua palavra.

    Sl 119:71 Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.

    No Novo Testamento

    Cl 3:16 A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.

    Paulo também orienta a reter a palavra para no dia do arrebatamento estar certo diante do Senhor que andou e viveu segundo a sua palavra.

    Fp 2:16 retendo a palavra da vida; para que no dia de Cristo eu tenha motivo de gloriar-me de que não foi em vão que corri nem em vão que trabalhei.

    O Apostolo João o Apostolo do amor, chama de mentiroso, sabe aquele que anda na igreja mais….

    1 João 2 4-5

    4 Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; 5 mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele;

    Estudo completo no vídeo abaixo:

    http://youtu.be/Tr9jYH8mUK4

     

     

     

  • Lição 7 – Apreendendo a Suportar uns aos Outros

    Lição 7 – Apreendendo a Suportar uns aos Outros

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    Texto bíblico Básico:

    Mateus  5. 38-48

    38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

    O propósito de Deus ao dar esta Lei era oferecer misericórdia. E diziam os juízes: “que o castigo seja de acordo com o delito”. Não era uma regra para a vingança pessoal (Ex 21:23-25; Lv 24:19-20; Dt 19:21).

    Seu propósito era limitar a vingança e ajudar ao juiz a aplicar castigos que não fossem nem pesados nem leves. Algumas pessoas, entretanto, estavam usando esta frase para justificar a vingança. As pessoas se desculpavam de seus atos de vingança dizendo: “Estou cobrando o que ele me fez”.

    39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

    Bater a face direita –  Todo judeu no tempo de Jesus sabia o que significava bater na face direita de alguém, a saber, era o injurioso golpe com o lado exterior da mão, desferido com a mão direita contra a face direita do outro. De acordo com o código civil judaico, punia-se a pessoa que feria desse modo a honra de outra, com 400 sus (cerca de 160 dólares).

    Ora, segundo a lei rabínica, bater com o dorso da mão era duplamente insultante que fazê-lo com a palma. Há certa arrogância insultante que se soma ao fato de dar um reverso ou golpe com o dorso da mão.

    Assim, pois, o que Jesus diz é o seguinte: “Mesmo que alguém lhes dirija o insulto mais calculado e traidor, não devem responder com outro insulto do mesmo tipo, nem devem sentir-se ofendidos por sua ação.”

    Não nos ocorrerá com muita frequência encontrar-nos com alguém que nos dê bofetadas, mas uma e outra vez no curso de nossa vida receberemos insultos de maior ou menor proporção; Jesus nos está dizendo aqui que o cristão precisa ter aprendido a não experimentar ressentimento, seja qual for o insulto que receber, e a não procurar vingar-se de maneira alguma.

    De acordo com os psicólogos, a violência nasce da fraqueza, não da força. O homem forte é capaz de amar e de sofrer, enquanto o fraco pensa apenas em si mesmo e fere os outros para se defender. Depois, foge para se proteger.

    Não resistais (opor-se, colocar contra) ao homem mal, isso significa: que somos orientados a não revidar ao homem mal, Ao mal devemos responder com o bem. Quando somos ofendidos, com frequência nossa primeira reação é procurar desforra. Jesus nos diz que devêssemos fazer o bem aos que nos causam dano. Não devemos guardar ressentimentos, a não ser amar e perdoar. Isto não é natural: é sobrenatural, e só Deus pode nos dar a força para amar. Em lugar de procurar vingança, ore pelos que o ferem.

    É importante frisar que Jesus não está discutindo a obrigação do governo de manter ordem

    40 e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

    Jesus segue dizendo que se alguém tenta nos tirar a túnica em um litígio ante os tribunais, não somente devemos deixar que se leve o que quer, mas também lhe oferecer a capa. Novamente, há aqui muito mais do que pode perceber-se superficialmente. A túnica, chiton, era uma espécie de camisa que se usava debaixo da roupa, e em geral era feita de algodão ou linho.

    Até o homem mais pobre possuía habitualmente mais de uma muda deste objeto. A capa era a vestimenta exterior, de forma retangular e de consideráveis dimensões, que se usava como toga durante o dia e como telha durante a noite. Os judeus em geral tinham somente uma capa ou manta deste tipo.

    A lei judia estabelecia que a túnica de um devedor era confiscável, mas não a capa. “Se do teu próximo tomares em penhor a sua veste, lha restituirás antes do pôr-do-sol; porque é com ela que se cobre, é a veste do seu corpo; em que se deitaria?” (Êxodo 22:26-27).

    41 e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.

    Te obrigar. Uma palavra de origem persa, descrevendo o costume dos correios e soldados  romanos que tinham autoridade de obrigar pessoas a prestarem serviços sempre quando fosse necessário (confira o caso de Simão Cireneu, Mt. 27:32).  Os soldados romanos que ocupavam o país podiam obrigar a qualquer transeunte a lhes levar sua carga até por uma milha (como 1.5 km).

     42 Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.

    Ver Lucas 6:30 sejam judeus ou gentios; amigo ou inimigo; crente ou descrente, um bom ou um homem mau; digno ou indigno, merecendo ou não, que pede ajuda, seja comida ou dinheiro, dá-lo livremente, prontamente, alegremente, de acordo com suas habilidades, e como a necessidade dom momento, devem ser consideradas, e uma atenção especial  para com os da família da fé.

    43 Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.44 Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. 

    Amarás o teu próximo (Lv. 19:18, 34) resume toda a segunda tábua da Lei (confira com Mt. 22:39).

    Odiarás o teu inimigo. Esta adição que não é das Escrituras desvia-se da lei do amor; mas deveria ser uma interpretação popular. O Manual de Disciplina de Qumran contém a seguinte regra: “. . . amar todos os que Ele escolheu e odiar a todos os que Ele rejeitou” (1 QS 1.4).

    Amai a vossos inimigos. O amor (agapao) prescrito é o amor inteligente que compreende a dificuldade e esforça-se em libertar o inimigo do seu ódio. Tal amor é parente da atitude amorosa de Deus para com os homens rebeldes (Jo. 3:16) e portanto é uma prova de que aqueles que agem assim são verdadeiros filhos do seu Pai

    46 Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?  47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo?

    Publicanos. Os coletores judeus dos impostos romanos, odiados por seus patrícios por causa de suas flagrantes extorsões e sua associação com os conquistadores desprezados.

    48 Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

    Como podemos ser perfeitos?

    (1) Em caráter. Nesta vida não podemos ser impecáveis, mas podemos aspirar a ser mais semelhantes a Cristo.

    (2) Em santidade. Como os fariseus, devemos nos separar dos valores pecaminosos do mundo.

    (3) Em maturidade. Não podemos conseguir ter o caráter de Cristo e viver em santidade de repente , mas podemos lutar pela perfeição. Assim como esperamos uma conduta diferente de um bebê, de um menino, de um adolescente e de um adulto, Deus espera atitudes diferentes de nós, segundo nosso nível de desenvolvimento espiritual.

    (4) Em amor. Podemos procurar amar a outros como Deus nos ama. A gente é se sua conduta é apropriada para seu nível de maturidade: perfeitos, mas ainda com muito espaço para crescer. Nossa tendência a pecar nunca deve nos deter no empenho de ser cada vez mais semelhantes a Cristo. O chama a todos seus discípulos à excelência, a superar o nível de mediocridade e a maturar em tudo, até chegar a ser como O é. Os que se esforçam por chegar à perfeição um dia conseguirão ser perfeitos como O é perfeito (1Jo 3:2).

     

     

     

     

     

     

     

  • Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    Lição 06 – Aprendendo a resistir às tentações com Jesus

    tentaçãoTENTAÇÃO

    Esboço:

    I. Definição

    lI. O Dilema Humano

    Ill, Deus é Fiel

    IV. A Vitória é Possivel

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação?

    VI. Meios para Escapar

    1 Cor. 10: 13: Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.

    I. Definição

    Há uma palavra hebraica e duas palavras gregas, envolvidas neste verbete, a saber:

    1. Massah, “teste”. “provação”. Palavra hebraica usada por cinco vezes. Deu. 4:34; 7:19; 29:3;, SaL 95:8; Jó 9:23.

    2.    Peirasmôs, “teste”, “prova”. Palavra grega usada por vinte vezes: Mal. 6:13; 26:41; Mar. 14:38; Luc. 4:13; 8:13; 11:4; 22:28,40,46; Atos 20:19; 1 Cor. 10:13; Gál. 4:14; 1, Tim. 6:9; Heb. 18; Tiago.1:2,12; 1 Ped. 1:6; 11 Ped. 2:9 e Apo.3:10.

    3. Peirázo, ”testar”, “submeter à prova”. Vocábulo grego que ocorre por trinta e seis vezes: Mal. 4:1,3; 16:1; 19:3; 22:18,35; Mar. 1:13; 8:11; 10:2; 12:15; Luc. 4:2; 11:16; João 6:6; 8:6; Atos 5:9; 9:26; 15:10; 16:7; 24:6; 1 Cor. 7:5; 10:9,13; 11 Cor. 115; GáI. 6:1; 1 Tes. 3:5; Heb. 2:18; 3:9

    (citando Sal. 95:9); 4:15; 11:17,37; Tia. 1:13,14; Apo.12,10; 3:10.

    4.    No original grego, tentação é “peirasmos”, que significa “teste”, “provação”, “tentação para a prática do mal”. Esse vocabulário pode incluir ou não a idéia de alguma questão moral envolvida. Pode simplesmente indicar um teste difícil, uma prova, e não alguma tentação tendente à prática

    do mal, uma incitação ao pecado. Por outro lado, essa palavra pode envolver a idéia de incitação ao pecado. Essa foi exatamente a palavra utilizada pelo Senhor Jesus, em sua oração, no trecho de Mat. 6:13, onde ele diz: ” … e não nos deixeis cair em tentação…”. É também o mesmo termo usado para indicar as tentações que Satanás lançou contra o Senhor Jesus, no deserto (ver Luc. 4: 13). Na passagem de Tiago. 1:12 essa mesma palavra é empregada para indicar, bem definidamente, a tentação à prática do mal.

    É lógico acreditarmos, por conseguinte, que a tentação referida neste versículo tem por intuito incluir questões tanto “morais” como “amorais”, isto é, tentações para a prática do pecado (o que é evidente no próprio contexto), mas igualmente, certos períodos de dificuldades, o que também se evidencia quando consideramos, no contexto, o que Paulo mesmo esperava para o fim desta era, refletindo uma doutrina judaica comum, de que haveria um período geral de tribulações, em todos os sentidos, quando se aproximasse o fim da presente dispensação (ver 1 Ped. 4: 12 e Apo. 3: 10 quanto a essa mesma idéia, nas páginas do N.T.).

    Deus não tenta a homem algum para a prática do mal (ver Tiago. 1:12), embora ele permita que as tribulações nos sobrevenham (ver Mal. 6: 13), e destas últimas o Senhor Jesus orou pedindo livramento. Satanás foi capaz de tentar ao Senhor Jesus com o mal; nada disso o diabo jamais teria podido  fazer, sem a permissão divina.

    11.O Dilema Humano

    Condição humana. As tentações (induções) à prática do mal ou “tribulações” são “humanas”. Isso significa apenas que pertencem aos homens, comuns a seu nível, comuns à sua experiência terrena, pelo que também não podem ser algo extraordinário e avassalador para nós. Desde o princípio da história humana, os homens têm sofrido das mesmas formas de testes; não existem tribulações novas,

    que nos surpreendam devido à sua novidade. Os homens da antiguidade foram atingidos por toda a sorte de desastres. Outro tanto sucede conosco. Os homens antigos foram vitimados por todas essas calamidades; e outro tanto pode suceder conosco. As tentações vitimaram os homens antigos; e podem vitimar-nos se não exercermos a autodisciplina. Contudo, as tentações que nos assediam são

    adaptadas para as forças humanas, para as condições humanas. Temos sido armados com os meios que nos capacitem a derrotar tais tentações; e assim poderemos fazê-lo, se nos valermos dos meios postos à nossa disposição. Podemos ser vitoriosos ou totalmente derrotados elas tentações; podemos ser até mesmo destruídos, espiritualmente falando, ou podemos usá-las como degraus que nos elevam a um desenvolvimento espiritual mais elevado. Podemos encontrar homens pertencentes a ambas as categorias, na Igreja cristã. Não parece que Paulo estivesse contrastando duas formas de tentação, a humana e a demoníaca, porquanto até mesmo as tentações demoníacas assaltam os crentes, conforme aprendemos em Efé, 6:12 e ss.

    Não obstante, sem importar a fonte de onde elas provêm, continuam sendo humanas, no sentido que são comuns à experiência humana, não transcendendo ao poder da vontade humana, contanto que o homem seja ajudado pelo Espirito Santo.

    O apóstolo dos gentios, portanto, dizia que podemos triunfar; mas que esse triunfo não é necessariamente

    inevitável ou fácil. A experiência humana mostra-nos que tal vitória não é fácil.

    111. Deus é Fiel

    Ele é fiel pelas razões expostas; em seguida Ele exerce controle sobre todas as tentações que sobrevêm ao crente em sua vida, Ele permite somente aquelas tentações que podem ser toleradas, sem importar se essas assumem a forma de testes, de sofrimentos, de perseguições ou de incitações para a prática do mal. Além disso, Deus provê sempre um meio de escape, quando somos assediados pelas tentações, desviando aquelas outras que, de modo algum, poderíamos suportar. Sim, Deus é fiel no sentido de “digno de confiança”, como alguém em quem se pode confiar, no que diz respeito a essa questão das tentações.

    IV. A Vitória é Possível

    Não sejais tentados além das vossas forças. Um crente conta com reservas de forças até mesmo para enfrentar os poderes espirituais malignos. Não obstante, compete-lhe utilizar-se de certos meios para desenvolver esses recursos, a fim de que possa usá-los prontamente quando isso se tomar necessário.

    Precisa ter certo nível de espiritualidade, desenvolvido mediante a oração, a meditação, a comunhão com o Espírito Santo, a transformação segundo a imagem moral de Cristo. O próprio Cristo é o exemplo supremo das reservas de forças espirituais que resguardam o homem de Deus contra qualquer modalidade de tentação. As passagens de Heb. 2: 18 e 4: 15 mostram-nos que Jesus foi tentado em todos os pontos em que também o somos, embora jamais tivesse cedido ao pecado. Cristo Jesus não pecou, não porque não pudesse fazê-lo; pois, nesse caso, não serviria de exemplo e de consolo para nós. Mas não pecou porque o seu desenvolvimento espiritual, através da presença do Espírito Santo, era tão grande que foi capaz de resistir às formas mais variegadas e difíceis de tentação, incluindo a “incitação ao pecado”, as tribulações”, as “perseguições”, e os “momentos difíceis”.

    V. Por que é Importante Resistir à Tentação

    1. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral. Mas, uma vez que lhe oferecemos resistência, isso melhora a qualidade moral do nosso ser. Aquele hino que diz: “Cada vitória te ajudará a outra vitória conquistar”, encerra grande verdade.

    2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a “coroa da vida”, e isso por promessa de Deus (ver Tia. 1: 12).

    3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mal. 5:48 eliTes. 2:13). Por conseguinte, a transformação moral é que nos leva à transformação metafisica, dentro da qual chegamos a compartilhar da própria natureza do Filho (ver li Cor. 3:18).

    4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudam em nosso desenvolvimento espiritual, Tiago expressou essa mesma idéia de maneira um tanto mais poética, ao dizer: Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam (Tia. I: 12). Sim, a verdadeira bem-aventurança espiritual é conferida ao homem digno de receber a coroa da vida, isto é, o dom da vida eterna, com a consequente participação em tudo quanto Cristo é e tem, a glorificação em Cristo. A resistência às tentações, em suas variegadas formas, aumenta o poder do crente. Mas ceder ante as mesmas destrói as defesas espirituais dos remidos.

    VI. Meios para Escapar

    No original grego temos “o livramento”, com o artigo definido, o que certamente indica o meio de escape. Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza. O “meio de escape” é sempre adaptado a cada circunstância. O pecado se faz presente e é poderoso; nenhum indivíduo escapa à tentação à prática do mal. Mas esse não é o “escape” prometido. Testes de ordem física e espiritual, grandes tragédias, são acontecimentos poderosos, debilitadores, desencorajadores, algumas vezes avassaladores; mas Deus sempre se mantém próximo do crente. Paulo promete aqui alguma ajuda divina em cada caso, embora não especifique exatamente o que devemos esperar. E essa ajuda será tão variegada como as tribulações.

    “Ele (Deus) conhece os poderes que nos conferiu, bem como quanta pressão somos capazes de resistir”. Deus ordena as provações de tal modo que ‘sejamos capazes de suportá-las’. O ‘poder’ é conferido paralelamente com a tentação, embora a resistência não nos seja proporcionada; essa resistência depende de nós mesmos”, (Robertson e Plummer,).

    A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o ‘escape’ só aparece através da ‘resistência’ e da persistência do crente.

    ” … de sorte que a possais suportar….”. Notemos que não nos é dado o “escape” por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o “escape” porque estamos livres da tribulação. Antes, esse “escape” nos é proporcionado ‘porque’ temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial.

    “Com freqüência, o único ‘escape’ se verifica através da ‘resistência’. Ver Tia. I: 12”. (Vincent, in loc.).

    Fechem-se em um ‘cul de sac’ os desesperos de um homem; mas que ele veja uma porta aberta para sua saída; e ele continuará lutando, levando a sua carga.

    A palavra grega ekbasis (escape) significa saída, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece upengkein (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira.

    Fonte: Norman Champlin

     

     

     

  • Trate Seriamente com o Pecado

    Trate Seriamente com o Pecado

    A W Tozer

    O pecado tem sido disfarçado nestes dias, aparecendo com novos nomes e caras.Você pode estar sendo exposto a esse fenômeno na escola. O pecado é chamado por diversos nomes enfeitados – qualquer nome, menos pelo que ele realmente é.

    Por exemplo, os homens já não ficam mais sob convicção de pecados; eles têm um complexo de culpa. Em lugar deconfessar suas culpas a Deus, para se livrarem delas, deitam-se num divã e tentam relatar o que sentem a um homem que deve conhecer melhor tudo sobre eles.

    Após algum tempo, a resposta dada é que eles foram profundamente desapontados quando tinham dois anos, ou alguma coisa semelhante. Supõe-se que isso os fará sentirem-se melhor. Tudo isso é ridículo, porque o pecado é ainda o mesmo antigo inimigo da alma. Ele nunca foi alterado.

    Precisamos tratar firmemente com o pecado em nossa vida. Lembremo-nos sempre disso. “O reino de Deus não é comida nem bebida”, disse o apóstolo Paulo, “mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). A justiça repousa à porta do reino de Deus. “A alma que pecar, essa  morrerá” (Ez 18. 4, 20).

    Não estou pregando a perfeição sem pecado. Antes, quero dizer que todo pecado conhecido deve ser nomeado, identificado e repudiado, e que devemos confiar em Deus para nos libertar dele, para que não exista qualquer pecado
    consciente, deliberado em qualquer parte de nossa vida. E absolutamente necessário que façamos isso, porque Deus é
    um Deus santo, e o pecado está no trono do mundo.

    Portanto, não chame seus pecados por algum outro nome. Se você é invejoso, chame-o de inveja. Se você tem a tendência à autocomiseração e a sentir que não é apreciado, mas é como uma flor que nasce para morrer despercebida, a desgastar sua doçura no ar do deserto, chame esse pecado pelo que ele é: autopiedade.

    Também há o ressentimento. Se você está ressentido, admita-o. Tenho conhecido pessoas que vivem num estado de indignação furiosa a maior parte do tempo.

    Conheço um pregador que age como uma galinha lançada fora do ninho: ele fica correndo em todas as direções queixando-se e murmurando – alguém está sempre o fazendo errar. Ora, caso você tenha esse mesmo “espírito”, tem de tratar com ele imediatamente. Você precisa livrar-se disso. O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado.

    Em lugar de tentar disfarçar o pecado ou procurar uma tradução grega opcional em algum lugar sob a qual ocultá-lo, chame-o por seu nome correto e livre-se dele pela graça de Deus.

    Há também o mau humor. Não o chame de indignação. Não tente chamá-lo de algum outro nome. Chame-o pelo que ele é. Porque, se você tem mau humor, ou você se desfaz dele ou ele desfará muito de sua espiritualidade e alegria.

    Por conseguinte, tratemos do pecado com seriedade. Sejamos perfeitamente puros. Deus ama pessoas
    puras.

  • A Importância do Quebrantamento

    A Importância do Quebrantamento

    Watchman Nee

    Qualquer pessoa que serve a Deus descobrirá, mais cedo ou mais tarde, que o grande impedimento para a sua obra não são outras pessoas mas, sim, ela mesma. Descobrirá que seu homem exterior e seu homem interior não estão em harmonia, pois os dois tendem para direções opostas. Sentirá, também, a incapacidade do seu homem exterior submeter-se ao controle do espírito, tornando-o, assim, incapaz de obedecer aos mandamentos mais sublimes de Deus. Perceberá rapidamente que a maior dificuldade acha-se no seu homem exterior, pois este o impede de fazer uso do seu espírito.

    Muitos dos servos de Deus nem sequer conseguem fazer as obras mais elementares. Normalmente, devem ser capacitados pelo exercício do seu espírito a conhecer a palavra de Deus, a discernir a condição espiritual doutra pessoa, entregar as mensagens de Deus com unção e receber as revelações de Deus. Mesmo assim, devido às distrações do homem exterior, parece que seu espírito não funciona apropriadamente. É basicamente porque seu homem exterior nunca foi tratado. Por esta razão, o reavivamento, o zelo, o implorar e as atividades não passam de um desperdício de tempo. Conforme veremos, há apenas um só tratamento que pode capacitar o homem a ser útil diante de Deus: o quebrantamento.

     

    O Homem Interior e o Homem Exterior

     

    Note como a Bíblia divide o homem em duas partes: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7: 22). Nosso homem interior deleita-se na Lei de Deus. “. . . que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior” (Ef 3:16). E Paulo também nos informa: “Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2 Co 4:16).

    Quando Deus vem habitar em nós mediante o Seu Espirito, a Sua vida e o Seu poder, entra em nosso espírito, que estamos chamando de “homem interior.” Fora deste homem interior há a alma, na qual funcionam nossos pensamentos, nossas emoções e nossa vontade. O homem periférico é nosso corpo físico. Assim, falaremos do homem interior como sendo o espírito, do homem exterior como sendo a alma, e do homem periférico como sendo o corpo. Nunca devemos nos esquecer de que nosso homem interior é o espírito humano onde Deus habita, onde Seu Espírito Se combina com nosso espírito. Assim como nós vestimos roupas, assim também nosso homem interior “veste” um homem exterior: o espírito “veste” a alma. E, de modo semelhante, o espírito e a alma “vestem” o corpo. Está bem evidente que os homens geralmente estão mais conscientes do homem exterior e do periférico, e dificilmente reconhecem ou entendem seu espírito, de modo algum.

    Devemos saber que aquele que pode trabalhar para Deus, é aquele cujo homem interior pode ser liberado. A dificuldade básica de um servo de Deus acha-se no fracasso do homem interior de irromper pelo homem exterior. Logo, devemos reconhecer diante de Deus que a primeira dificuldade que enfrentamos na obra não está nos outros mas, sim, em nós mesmos. Nosso espírito parece estar embrulhado num invólucro de modo que não pode facilmente irromper de lá. Se nunca aprendemos como liberar nosso homem interior por meio de irromper pelo homem exterior, não temos capacidade de servir. Nada pode estorvar-nos tanto quanto este homem exterior. Se nossas obras são frutíferas ou não, depende de se nosso homem exterior foi quebrantado pelo Senhor de modo que o homem interior possa passar pelo quebrantamento e se manifestar. Este é o problema básico. O Senhor deseja quebrar nosso homem exterior a fim de que o homem interior possa ter uma via de saída. Quando o homem interior for liberado, tanto os descrentes quanto os cristãos serão abençoados.

     

    A Natureza Tem Sua Maneira de Quebrar

     

    O Senhor Jesus conta-nos em João 12: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto.” A vida está no grão de trigo, mas há uma casca, uma casca muito dura, no lado de fora. Enquanto aquela casca não for rachada e aberta, o trigo não pode brotar nem crescer. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer . . .” Que morte é essa? É o arrombar da casca mediante a cooperação da temperatura e da umidade no solo. Uma vez que a casca é fendida e aberta, o trigo começa a crescer. Então, a questão aqui não é se há vida dentro, mas, sim, se a casca externa foi rachada.

    A Escritura continua, dizendo: “Quem ama a sua vida (Grego, alma) perde-a; mas aquele que odeia a sua vida (Grego, alma) neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna” (v. 25). O Senhor nos mostra aqui que a casca externa é nossa própria vida (a vida da nossa alma), ao passo que a vida interior é a vida eterna que Ele nos deu. Para permitir que a vida interior se manifeste, é imperativo que a vida exterior seja substituída. Se o exterior permanecer intato, o interior nunca poderá aparecer.

    É necessário (neste escrito) que dirijamos estas palavras para aquele grupo de pessoas que possuem a vida do Senhor. Entre aqueles que possuem a vida do Senhor podem ser achadas duas condições distintas: uma inclui aqueles em que a vida é confinada, restringida, aprisionada e incapaz de se manifestar; a outra inclui aqueles em que o Senhor forjou um caminho, e a vida deles, portanto, é liberada.

    A pergunta, pois, não é como obter a vida, mas, sim, como permitir que esta vida apareça. Quando dizemos que temos necessidade de que o Senhor nos quebrante, não é meramente um modo de falar, nem é apenas uma doutrina. É vital que sejamos quebrantados pelo Senhor. Não é que a vida do Senhor não possa cobrir a terra, mas, sim, que Sua vida está sendo aprisionada por nós. Não é que o Senhor não possa abençoar a igreja, mas, sim, que a vida do Senhor está tão confinada dentro de nós que não se manifesta. Se o homem exterior permanecer intato, nunca poderemos ser uma bênção para a Sua igreja, e não podemos esperar que a palavra de Deus seja abençoada através de nós!

     

    O Vaso de Alabastro Deve Ser Quebrado

     

    A Bíblia conta acerca do nardo puro. Deus, deliberadamente usou este termo “puro” na Sua palavra para mostrar que é verdadeiramente espiritual. Mas se o vaso de alabastro não for quebrado, o nardo puro não fluirá. Por estranho que pareça, muitos ainda estão valorizando demasiadamente o vaso de alabastro, pensando que seu valor excede o do unguento. Muitos pensam que seu homem exterior é mais precioso do que seu homem interior. Este fica sendo o problema na igreja. Uma pessoa tem em grande estima sua habilidade, pensando que é bem importante; outra valoriza suas próprias emoções, e se estima como pessoa importante; outras têm alta consideração por si mesmas, e sentem que são melhores do que as demais, que sua eloquência ultrapassa a das demais, que sua rapidez de ação e exatidão de julgamento são superiores, e assim por diante. Nós, porém, não somos colecionadores de antiguidades; somos aqueles que desejamos cheirar somente a fragrância do unguento. Sem quebrar o exterior, o interior não surgirá. Deste modo, individualmente não temos qualquer fluir, como também a igreja não tem um caminho vivo. Por que, pois, devemos considerar-nos tão preciosos, se nosso interior retém a fragrância, ao invés de liberá-la?

    O Espírito Santo não cessou de operar. Um evento após outro, uma coisa após outra, vem a nós. Cada operação disciplinar tem um só propósito: quebrar nosso homem exterior a fim de que nosso homem interior possa se manifestar. Aqui, porém, está nossa dificuldade: ficamos impacientes por causa de ninharias, murmuramos diante de perdas de pequena monta. O Senhor está preparando um modo de usar-nos, mas, mal Sua mão nos tocou, sentimo-nos infelizes, até ao ponto de contendermos com Deus e de nos tornarmos negativos em nossas atitudes. Desde que fomos salvos, fomos tocados várias vezes e de várias maneiras pelo Senhor, e tudo com o propósito de quebrar nosso homem exterior. Quer tenhamos consciência disto, quer não, o alvo do Senhor é quebrar este homem exterior.

    Desta maneira, o Tesouro está no vaso de barro, mas se o vaso de barro não for quebrado, quem poderá ver o Tesouro que está dentro? Qual é o objetivo final da operação do Senhor em nossas vidas? É quebrar este vaso de barro, é quebrar nosso vaso de alabastro, é arrombar nossa casca. O Senhor anseia por achar um meio de abençoar o mundo através daqueles que pertencem a Ele. O quebrantamento é o caminho da benção, o caminho da fragrância, o caminho da frutificação, mas também é um caminho salpicado de sangue. Sim, há sangue de muitas feridas. Quando nos oferecemos ao Senhor para fazer a Sua obra não podemos nos dar ao luxo da morosidade de nos pouparmos. Devemos deixar que o Senhor rache totalmente nosso homem exterior, de modo que Ele possa achar um caminho para Suas operações.

    Cada um de nós deve descobrir para si mesmo qual é a mente do Senhor para sua vida. É um fato muitíssimo lamentável, que muitos não sabem qual é a mente ou intenção do Senhor para suas vidas. Quanto mais precisam de que Ele abra os seus olhos, para ver que tudo quanto entra nas suas vidas pode ler significado. Entender o propósito do Senhor é ver muito claramente que Ele visa um único objetivo: o quebrantamento do homem exterior.

    Muitas pessoas, no entanto, antes mesmo que o Senhor erga Sua mão, já estão aflitas. Oh! devemos reconhecer que todas as experiências, problemas e provações que o Senhor nos envia são para nosso bem supremo. Não podemos esperar que o Senhor nos dê coisas melhores, pois estas são as melhores. Se alguém se aproximasse do Senhor, e orasse, dizendo: “Ó Senhor, por favor, deixa-me escolher o melhor,” creio que Ele lhe diria: “Aquilo que Eu te dei é o melhor; tuas provações diárias são para teu máximo proveito.” Assim, o motivo por detrás de toda a providência de Deus é quebrantar nosso homem exterior. Uma vez que isto ocorre e o espírito pode fluir, então, começamos a exercitá-lo.

     

    A Cronologia em Nosso Quebrantamento

     

    O Senhor emprega dois meios diferentes para quebrar nosso homem exterior; um é paulatino, o outro é repentino. Para alguns, o Senhor dá um quebrantamento súbito seguido por um paulatino. Com outros, o Senhor dispõe para que tenham provações diárias constantes, até que, um dia, leva a efeito um quebrantamento em grande escala. Se não for o repentino primeiro, e depois o paulatino, então, é o paulatino seguido pelo repentino. Parece que o Senhor normalmente trabalha conosco durante vários anos antes de poder realizar esta obra de quebrantamento.

    A cronologia está na mão dEle. Não podemos encurtar o tempo, embora certamente o possamos prolongar. Em algumas vidas, o Senhor pode realizar esta obra depois de uns poucos anos de trato; noutras, é evidente que depois de dez ou vinte anos a obra ainda está incompleta. Isto é muito sério! Nada é mais lastimável do que desperdiçar o tempo de Deus. Quão frequentemente a igreja é atrapalhada! Podemos pregar com o uso da nossa mente, podemos comover os outros com o uso das nossas emoções; mas se não sabemos usar nosso espírito, o Espírito de Deus não poderá tocar as pessoas através de nós. A perda será grande, se prolongarmos desnecessariamente o tempo.

    Logo, se nunca antes nos consagramos de modo total e inteligente ao Senhor, façamo-lo agora, dizendo: “Senhor, para o futuro da igreja, para o futuro do evangelho, para o Teu caminho, e também para minha própria vida, ofereço-me sem condições, sem reservas, nas Tuas mãos. Senhor, deleito-me em oferecer-me a Ti e estou disposto a deixar-Te fazer toda a Tua vontade através de mim.”

     

    O Significado da Cruz

     

    Ouvimos falar frequentemente acerca da cruz. Talvez estejamos por demais familiarizado com o termo. Mas o que é a cruz, afinal das contas? Quando realmente compreendermos a cruz, veremos que significa o quebrantamento do homem exterior. A cruz reduz o homem exterior à morte; racha a casca humana e a abre. A cruz deve quebrar tudo quanto pertence ao nosso homem exterior — nossas opiniões, nossos modos, nossa habilidade, nosso amor-próprio, nosso tudo. O caminho está claro, claro mesmo como o cristal.

    Tão logo que nosso homem exterior é destruído, nosso espírito pode sair facilmente para fora. Considere certo irmão, como exemplo. Todos quantos o conhecem reconhecem que tem uma mente aguçada, uma vontade dinâmica, e profundas emoções. Mas, ao invés de ficarem impressionados por estas características naturais da sua alma, reconhecem que se encontraram com seu espírito. Sempre que as pessoas estão tendo comunhão com ele, encontram um espírito, um espírito limpo. Por que? Porque tudo quanto é da sua alma foi destruído.

    Tomemos como outro exemplo certa irmã. Todos aqueles que a conhecem reconhecem que ela tem uma disposição pronta — rápida para pensar, rápida para falar, rápida para confessar, rápida para escrever cartas, e rápida para rasgar o que escreveu. Apesar disto, os que se encontram com ela não se encontram com sua rapidez, mas sim, com seu espírito. Ela é uma pessoa que foi totalmente destruída e que se tornou transparente.

    Esta destruição do homem exterior é uma questão fundamental. Não devemos apegar-nos às fracas características da nossa alma, ainda emitindo a mesma fragrância, mesmo depois de o Senhor lidar conosco durante cinco ou dez anos. Não: devemos deixar o Senhor forjar um caminho em nossas vidas.

     

    Duas Razões para Não Ser Quebrantado

     

    Por que é que, depois de muitos anos de trato, algumas pessoas permanecem inalteradas? Alguns indivíduos têm uma vontade forte; alguns têm emoções fortes; e outros têm uma mente forte. Visto que o Senhor pode quebrantá-los, por que depois de muitos anos, alguns ficam sem transformação? Cremos que há duas razões principais.

    A primeira é que muitos que vivem nas trevas não estão vendo a mão de Deus. Enquanto Deus está operando, enquanto Deus está destruindo, não reconhecem que é da parte dEle. Estão destituídos de luz, e, somente veem homens que se opõem a eles. Imaginam que se o meio-ambiente é realmente difícil demais, que as circunstâncias são as culpadas. Assim, continuam nas trevas e no desespero.

    Que Deus nos dê uma revelação para ver o que é da mão dEle, a fim de que nos ajoelhemos e Lhe digamos: “És Tu; visto que és Tu, eu aceitarei.” Pelo menos, devemos reconhecer de Quem é a mão que trata conosco. Não é mão humana, nem a mão da nossa família, nem a dos irmãos e irmãs na igreja, mas, sim, a de Deus. Precisamos aprender como nos ajoelhar e beijar a mão, amar a mão que lida conosco, assim como fazia Madame Guyon. Precisamos ter esta luz para ver, seja o que o Senhor fez, aceitamos e cremos; o Senhor nada pode fazer de errado.

    A segunda razão, outro grande impedimento à obra de quebrar o homem exterior é o amor-próprio. Devemos pedir que Deus remova o coração do amor-próprio. À medida em que Ele lida conosco em reposta à nossa oração, devemos adorar e dizer: “Ó Senhor, se isto for da Tua mão, que eu o aceite do meu coração.” Lembremo-nos de que a única razão para todo mal entendido, toda a irritação, todo o descontentamento, é que secretamente amamos a nós mesmos. Assim, planejamos um modo mediante o qual podemos livrar a nós mesmos. Muitas vezes, os problemas surgem porque procuramos uma via de escape — uma fuga da operação da cruz.

    Aquele que subiu à cruz e que se recusa a beber o vinho com fel é aquele que conhece o Senhor. Muitos sobem à cruz com certa relutância, ainda pensando em beber o vinho com fel para aliviar suas dores. Todos aqueles que dizem: “Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” não beberá do cálice do vinho com fel. Somente podem beber um cálice, não dois. Estas pessoas não têm qualquer amor-próprio. O amor-próprio é uma dificuldade básica. Que o Senhor nos fale hoje de tal maneira que possamos orar: “Ó meu Deus, vi que todas as coisas vêm de Ti. Todos os meus caminhos estes cinco anos, dez anos, ou vinte anos, são de Ti. Operastes de tal maneira que atingistes Teu propósito, que não é outro senão que Tua vida seja vivida através de mim. Mas eu fui tolo. Não vi. Fiz muitas coisas para escapar, e assim adiei o Teu tempo. Hoje, vejo Tua mão. Estou disposto a me oferecer a Ti. Mais uma vez coloco-me nas Tuas mãos.”

     

    Espere que Verá Feridas

     

    Ninguém é mais belo do que alguém que está quebrantado! A teimosia e o amor-próprio cedem lugar à beleza na pessoa que foi quebrantada por Deus. Vemos Jacó no Antigo Testamento, como mesmo no ventre da sua mãe, lutava com seu irmão. Era sutil, enganoso, traiçoeiro. Por isso, sua vida estava cheia de tristezas e mágoas. Ainda jovem, fugiu do seu lar. Durante vinte anos foi logrado por Labão. A esposa do amor de seu coração, Raquel, morreu prematuramente. O filho do seu amor, José, foi vendido. Anos mais tarde, Benjamin foi preso no Egito. Deus tratou com ele sucessivamente, e Jacó encontrou infortúnio após infortúnio. Deus o feriu uma vez, duas vezes; na realidade, sua história inteira pode ser descrita como sendo uma história de ser ferido por Deus. Finalmente, depois de muitos tratamentos deste tipo, o homem Jacó foi transformado. Durante seus últimos poucos anos, era bem transparente. Quão nobre era sua resposta a Faraó! Quão belo foi seu fim, quando adorou a Deus, apoiado no seu bordão! Quão claras eram suas bênçãos pronunciadas sobre seus descendentes! Depois de ler a última página da sua história, queremos curvar a cabeça e adorar a Deus. Aqui temos alguém que está amadurecido, que conhece a Deus. Várias décadas de tratos tiveram como resultado que o homem exterior de Jacó foi quebrantado. Na sua velhice, o quadro é belo.

    Cada um de nós tem boa parte da mesma natureza de Jacó em nós. Nossa única esperança é que o Senhor marque um caminho para fora, quebrando o homem exterior de tal maneira que o homem interior possa surgir e ser visto. Isto é precioso, e é o caminho daqueles que servem ao Senhor. Somente assim podemos servir; somente assim podemos levar os homens ao Senhor. Tudo o mais está limitado quanto ao seu valor. A doutrina não tem muita utilidade, nem a teologia. Qual é a utilidade do mero conhecimento teórico da Bíblia se o homem exterior permanecer sem ser quebrantado? Somente a pessoa através de quem Deus pode aparecer, é útil.

    Depois de nosso homem exterior ter sido ferido, tratado, e levado por várias provas, temos feridas em nós, e assim deixamos o espírito emergir- Temos receio de encontrar alguns irmãos e irmãs cujo ser total permanece intato, nunca tendo sido tratado e transformado. Que Deus tenha misericórdia de nós, mostrando-nos claramente este caminho, e revelando-nos que é o único caminho. Que Ele também nos mostre que nisto é visto o propósito de todos os Seus tratos durante estes poucos anos, sejam dez ou vinte. Que ninguém menospreze os tratos do Senhor. Que Ele nos revele verdadeiramente o que significa o quebrantamento do homem exterior. Se o homem exterior permanecesse integral, tudo estaria meramente em nossa mente, totalmente inútil. Tenhamos esperança de que o Senhor venha a tratar de nós de modo completo.

     

  • Dois tipos de Bíblia

    Dois tipos de Bíblia

    O mercado de Bíblias se encontra aquecido temos hoje, Bíblias para todos os gostos, em inglês já chegaram ao ponto de ter Bíblias condensadas (o volume de palavras é 1/4 das tradicionais), Bíblias com textos unissex, Bíblias rimadas, Bíblia rap, Bíblias funk, Bíblias para gays, Bíblias com novas epístolas (como uma de Martin Luther King), Bíblias para todos os gostos! Esgotados os nomes “atualizada, moderna, para hoje, nova”, etc..

    Mas você já se pegou perguntando por que tanto tipo de Bíblias?

    O que geralmente as pessoas não sabem é que existem apenas duas fontes para as traduções das Bíblias que temos hoje ao nosso alcance.

    O primeiro grupo o grupo das BÍBLIAS DA REFORMA elas foram traduzidas o mais fiel  e literal  formalmente possível, e isto a partir do texto básico encontrado em cerca de 95% dos milhares de manuscritos nas línguas originais (que sobreviveram ao tempo e chegaram até o advento da Imprensa e da Reforma, e a nós); manuscritos que basicamente concordam maravilhosamente entre si.

    Foi esta a tradução utilizada por Deus, para trazer a Reforma (séculos XVI e XVII) e trazer as grandes expansões, purificação e reavivamento do verdadeiro evangelho (séculos XVIII e XIX).

    As Bíblias da Reforma são:

    • Tyndale 1526
    • Genebra 1588);
    • King James Bible (Authorized Version) de 1611;
    • Valera 1569, 1602 TR, 1999;
    • Lutero 1545 (o irmão Waldemar Janzen consultou por nós a edição 1912, revisada em 1998, na Suíça, pela TBS – Trinitarian Bible Society);
    • Almeida 1681/1753:

    Almeida Revista e Reformada” (1847);

    Almeida Revista e Correcta” (1875);

    Almeida Revista e Corrigida“. A edição 1894 (para Portugal) foi 100% TR, mas as revisões de 1898 (para o Brasil), 1948, 1956, 1995 talvez já introduziram 0.1%, 1.5%, 1.8% e 2% do TC, respectivamente.

    • ACF – Almeida Corrigida e revisada, Fiel ao texto original” (1995). Entre as Bíblias atualmente sendo impressas, a ACF é a única 100% legítima herdeira da Almeida original, pois se baseia nos mesmos textos em hebraico e  grego, e usa o mesmo fiel método de tradução formal – literal.

     

    No segundo grupo temos as BÍBLIAS ALEXANDRINAS,  cuja tradução tem por base dois dos pouquíssimos manuscritos alexandrinos (estes dois manuscritos, Aleph (Sinaiticus) e B (Vaticanus), são os mais corrompidos de todos os milhares de manuscritos da Bíblia nas línguas originais; todos os manuscritos alexandrinos diferem bastante entre si .

    E importante observar que, em todo o mundo, até 1881 (e, no Brasil, até 1956), não havia, sequer uma Bíblia impressa que fosse  diferente e concorrente das Bíblias da Reforma, e que fosse usada por  igrejas “protestantes” . Só a partir destas datas é que Bíblias alexandrinas sorrateiramente realmente começaram a se infiltrar nas igrejas “protestantes”.

    As Bíblias Alexandria:

    • ARA – Almeida Revista e Atualizada – 1976;
    • AR – Almeida Revisada … Melhores Textos – 1995;
    • NIV – New International Version – 1986;
    • NVI – Nova Versão Internacional – 1994, 2001;
    • BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje – 1988;
    • BBN – Bíblia Boa Nova – 1993
    • BV – Bíblia Viva – 1993 ;
    • Bíblia Alfalit – 1996;
    • CEV = Contemporary English Version;
    • NASB – New American Standard Bible – 1977;
    • TNM – Tradução Novo Mundo – 1967 [dos Testemunhas de Jeová];
    • E todas as Bíblias Católicas-Ecumênicas: Bíblia de Jerusalém-1992; Vulgata de Jerônimo, traduções do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, Padre Matos Soares, Padre Humberto Rhoden, Padres Capuchinhos, Monges Beneditinos, Vozes, Pastoral, TEB – Tradução Ecumênica da Bíblia, TOB – Traduction Oecuménique de la Bible, etc.

     

    Atenção algumas Bíblias usam o nome Almeida enganosamente (como golpe de marketing?…): “Almeida Revisada de acordo com os Melhores textos” (1967, sempre baseada em texto e método de tradução diferentes daqueles de Almeida), “Almeida Revista e Atualizada” (1956, idem) e “Almeida Edição Contemporânea” (1992, que algumas vezes usa texto nas línguas originais diferente daquele de Almeida ).

    Outro ponto a observar é que as BÍBLIAS ALEXANDRIAS, não devem ser tomadas como traduções fiéis pelo simples fato de estarem baseadas no TEXTO CRÍTICO.

    O TEXTO CRÍTICO

    Durante os séculos XIX e XX, entretanto, uma outra forma do Novo Testamento grego surgiu e foi usada pelas traduções mais modernas do Novo Testamento. Esse Texto Crítico, como é chamado, difere largamente do texto tradicional, pois omite muitas palavras, versículos e passagens que são encontrados no Texto Recebido e nas tradições que se baseiam nele.

    As versões modernas baseiam-se, principalmente, sobre um Novo Testamento grego que é derivado de um pequeno punhado de manuscritos gregos do quarto século em diante. Dois desses manuscritos, que muitos dos eruditos modernos dizem ser superiores ao bizantino, são o manuscrito do Sinai e o manuscrito do Vaticano (c. século IV).

    Estes, por sua vez, originam-se de um tipo de texto conhecido como texto alexandrino (por causa de sua origem egípcia), referido pelos críticos textuais Westcott e Hort como “texto neutro”. Esses dois manuscritos formam a base do Novo Testamento grego, conhecido como Texto Crítico, cujo uso tem sido muito difundido desde o final do século XIX.

    Nos últimos anos tem havido uma tentativa de se aperfeiçoar esse texto, chamando-o de texto “eclético” (querendo dizer que muitos outros manuscritos foram consultados em suas edições e evolução), mas ainda é o texto que tem sua base central naqueles dois manuscritos.

    Há muitos problemas de omissão que caracterizam esse Novo Testamento grego. Versículos e passagens, que são encontrado nos escritos dos Pais da Igreja dos anos 200 e 300 a.D., estão faltando nos manuscritos do texto alexandrino (que data de cerca de 300 a 400 a.D.). Além disso, essas traduções antigas são encontradas em manuscritos que datam de 500 a.D. em diante. Um exemplo disso é Marcos 16.9-20: essa passagem é encontrada nos escritos de Irineu e de Hipólito, no segundo século, e em quase todos os manuscritos do Evangelho de Marcos de 500 a.D. em diante. Essa passagem está omitida nos manuscritos alexandrinos, o do Sinai e o do Vaticano.

    Este é somente um dos muitos exemplos desse problema. Há muitas palavras, muitos versículos e muitas passagens omitidos nas versões modernas que são encontrados no texto tradicional ou bizantino do Novo Testamento e, portanto, no Textus Receptus. O Texto Crítico diverge do Textus Receptus 5.337 vezes, de acordo com alguns cálculos. O manuscrito do Vaticano omite 2.877 palavras nos Evangelhos; o manuscrito do Sinai, 3.455 palavras nesses mesmos livros. Esses problemas entre o Textus Receptus e o Texto Crítico são muito importantes para as corretas tradução e interpretação do Novo Testamento. Contrariamente à argumentação dos que apoiam o Texto Crítico, essas omissões afetam a vida cristã quanto à doutrina e à fé.

    Seguem-se muitos exemplos de problemas doutrinários causados pelas omissões do Texto Crítico. Esta não é, de modo algum, uma lista exaustiva. O moderno Texto Crítico reconstruído:

    • Omite referência ao nascimento virginal, em Lucas 2.33;
    • Omite referência à deidade de Cristo, em 1 Timóteo 3.16;
    • Omite referência à deidade de Cristo, em Romanos 14.10 e 12;
    • Omite referência ao sangue de Cristo, em Colossenses 1.14

    Adicionalmente, cria-se um erro bíblico em Marcos 1.2: nesta passagem, no Texto Crítico, Isaías torna-se autor do livro de Malaquias. Em numerosas referências no Novo Testamento o nome de Jesus é omitido, no Texto Crítico: “Jesus” é omitido setenta vezes e “Cristo”, vinte e nove vezes.

    O que fazer então diante dessas informações:

    Use todos os textos possíveis para estudo, mais lembre-se de não confiar no texto crítico, pois é um texto ecuménico e que serve de base para seitas. E aconselho utilizar um bom dicionário indico o Strong.

     

    Bibliografia:

    http://www.solascriptura-tt.org/Bibliologia-Traducoes/Ha2TiposBibGravDiferenc.htm

    http://www.biblias.com.br/devemsaber.asp

  • 21 de dezembro de 2012 ?

    21 de dezembro de 2012 ?

    21 de dezembro de 2012 se aproxima e aumenta a preocupação dos ignorantes. Não me compreenda mal quando uso a palavra “ignorante”. Na linguagem popular (especialmente aqui no Nordeste), ignorante é uma pessoa bruta e mal-educada. Mas, na verdade, literalmente essa palavra simplesmente significa que alguém ignora algo, que alguém não possui certo conhecimento, que alguém desconhece alguma coisa.

    Por exemplo, certamente eu sou um grande ignorante em muitas coisas (sou ignorante no idioma chinês, sou ignorante sobre Física Quântica, etc.). Então, voltemos ao nosso tema. Quem ignora a verdade sobre o fim do mundo tem razão em estar preocupado com a “profecia maia” sobre o apocalipse em 2012.
    Neste artigo não vou explicar o que tem levado muito a esperarem o fim para o dia 21 deste mês, nem vou falar sobre o calendário maia. Já existem sites e informações demais na internet sobre isso. As informações que desejo repassar, infelizmente não são muito conhecidas.
    De maneira geral, podemos dividir as fontes sobre o fim do mundo em duas: a Bíblia e as outras fontes (Nostradamus, calendário maia, etc.).
    A Bíblia é o livro mais conhecido e estudado do mundo. Suas histórias têm sido confirmadas pela Arqueologia, História, Geografia e outras ciências. Mas o preconceito contra ela é muito grande. As pessoas querem acreditar em qualquer coisa (esoterismo, astrologia, numerologia ocultista, etc.), mas quando alguém cita algo da Bíblia é visto com desconfiança. Alguns exemplos:
    Quando alguém, na televisão, cita qualquer pensamento retirado de uma cultura antiga ou da cabeça de um filósofo, por mais maluco que seja, é aplaudido. Mas se citar algum versículo bíblico é visto com “olhares atravessados”. Por quê?
    As pessoas adoram comentar as profecias maias, de Nostradamus e de outros videntes, mas evitam citar a Bíblia. Por quê?
    Uma das respostas é que a Bíblia, ao contrário das outras fontes, não se preocupa simplesmente em predizer o futuro, mas em advertir aos homens para que se arrependam dos seus pecados e se voltem para Deus – e isso a Humanidade não quer fazer de jeito nenhum.
    Saber que o mundo vai acabar, que todo mundo vai morrer e que não existirá mais nada, não motiva ninguém a desejar ser mais santo, pensar mais no próximo, querer ser uma pessoa de bem, etc. Pelo contrário, quando perguntados sobre o que fariam se soubessem que o mundo iria acabar amanhã, muitos entrevistados dizem que vão aproveitar a vida, curtir a vida adoidado, beber até cair, etc.
    Raramente alguém diz que vai procurar ser uma pessoa melhor, valorizar mais a família e amar ao próximo. Essa é a diferença de pensamento quando alguém acredita na Bíblia e quando acredita em lendas esotéricas e outras fantasias religiosas.
    Qualquer informação que contrarie a Bíblia é rapidamente aceita sem questionamento, pois muitas pessoas gostariam muito que as Escrituras judaico-cristãs fossem uma grande farsa. Por que? Simples: se a Bíblia for uma farsa, Deus não existe e, portanto, não preciso me preocupar em ser uma pessoa decente, pois ninguém vai me julgar quando eu morrer.
    Um exemplo: Os quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João) têm sido testados por arqueólogos, historiadores e lingüistas, e têm sido aprovados como escritores íntegros e verdadeiros. O livro de Lucas, por exemplo, contém mais evidência de autenticidade histórica do que a maioria dos historiadores da antiguidade. Esses quatro homens contaram a história de Jesus e deixaram claro que Jesus viveu na terra de Israel, morreu crucificado entre 30 e 40 anos, ressuscitou e voltou para o Céu, vivo.
    Acontece que, recentemente, alguém encontrou um fragmento de um suposto evangelho escrito por Judas Iscariotes. Um material cheio de erros e que contraria claramente a história contada pelos quatro evangelistas da Bíblia. Agora adivinhe só. A aceitação desse “novo evangelho” foi muito grande, especialmente entre as pessoas que rejeitam os evangelhos tradicionais. Já está bem claro a razão disso, não está?
    Mas, afinal, quando o mundo irá acabar? A Bíblia diz alguma coisa a respeito? Será mesmo daqui a menos de duas semanas?
    Pra inicio de conversa, essa expressão “fim do mundo” nem existe na Bíblia. Você pode dizer: Espera aí! Eu já li em algum lugar da Bíblia as palavras “fim do mundo”. É mesmo? Sim, eu também já li, mas permitam-me explicar.
    Um dos lugares mais conhecidos da Bíblia onde aparecem tal expressão (em algumas traduções na língua portuguesa), é Mateus 24.3: “E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo.” Ênfase minha.
    Na verdade, a palavra grega usada nos textos originais para “mundo” aqui em Mateus significa ERA ou ÉPOCA e não MUNDO. A Bíblia mostra a Humanidade atravessando várias eras, até a chegada do Rei Messias. As profecias bíblicas falam do fim dos tempos (isto é, de épocas determinadas por Deus) e não em fim do mundo.
    Sim, e os textos bíblicos que falam da destruição da terra? Na verdade, as profecias bíblicas mostram a terra sendo renovada, redimida pelo fogo e não destruída. O propósito de Deus é restaurar a terra, não destruí-la. É claro que ela passará por alguns apertos, purificações (os 7 selos, as 7 trombetas e as 7 taças do livro de Apocalipse, por exemplo), mas nunca deixará de existir. Caso você conheça algum texto bíblico que parece contrariar o que estou dizendo aqui, por favor me escreva.
    Quando, afinal, o mundo vai acabar?
    Biblicamente, o mundo atual, ou seja, o sistema atual (político e religioso) irá acabar, deixar de existir e Deus substituirá por um sistema novo e perfeito, o Reino de Cristo. Esse tipo de mundo é que irá acabar e não o planeta. Portanto, de certa forma faz sentido se falar de fim do mundo. O que precisamos deixar bem claro é que o “mundo” que terá fim não é o planeta terra, mas o mundo pecaminoso, o mundo sem Deus, o mundo que está dominado pelo pecado, pela maldade, pela corrupção.
    Podemos dizer que o mundo acabou na época de Noé, mas a terra não. Deus renovou a terra por meio das águas do Dilúvio e o mundo corrompido da época foi totalmente destruído. A mesma coisa acontecerá novamente, só que agora a purificação do planeta será por meio do fogo e não da água. Observe que eu disse “purificação” e não “destruição”.
    Então, será que essa TRANSFORMAÇÃO que o mundo terá que passar antes que Cristo volte poderá acontecer em 21 de dezembro de 2012? Pessoalmente, acredito que NÃO! Por quê? Porque a Bíblia deixa bem claro (e nem preciso citar versículos para provar isso) que certas datas do futuro pertencem somente a Deus (quando falo DEUS refiro-me Às Três Pessoas da Divina Trindade, uma das doutrinas centrais do Cristianismo).

    Se a data exata de certos eventos pertencem somente a Deus e Ele se revela na Bíblia, não faz sentido os povos maias conhecerem os segredos dessas datas, pois ao que se sabe, essa civilização não era nem um pouco cristã.

    “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.”
    (Daniel 9.24)
    Moacir R. S. Junior – Igarapé Grande – MA
    morganne777@hotmail.com 
    Fonte: http://misterio777.blogspot.com.br/2012/12/quando-o-mundo-ira-acabar.html