Autor: Eduardo Melo

  • PT estuda futuro confronto com os evangélicos

    Importante petista quer que governo reaja e não permita que a mídia de massa fique à mercê dos discusos  conservadores das igrejas evangélicas.

    O fato mais importante da semana passada se deu na sexta-feira, em Porto Alegre. Seu protagonista é Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e olhos, ouvidos e mão — pesada! — de Luiz Inácio Lula da Silva no governo. Carvalho é o homem que guarda os arcanos petistas, os seus segredos, os seus porões. Depois do Babalorixá de Banânia, é quem mais conhece o partido. Transita em todas as esferas, especialmente no mundo sindical — e o sindicalismo nunca foi para pessoas de estômago fraco. O de Carvalho é de avestruz. Não por acaso, ele foi o principal articulador do PT nos eventos pós-morte de Celso Daniel. Foi quem organizou a reação do partido e determinou o papel que cada um deveria desempenhar. Tinha sido braço-direito do prefeito. Segundo irmãos de Celso, confessou-lhes que levava malas de dinheiro do esquema de corrupção de Santo André para o PT — no caso, para José Dirceu. Ambos negam, é evidente. Mas volto.

    O evento mais importante foi a palestra de Carvalho a militantes de esquerda no Fórum Social de Porto Alegre. É aquele evento que contou, na sua fase palaciana, com a presença do terrorista e assassino Cesare Battisti, a quem os petistas deram guarida. Para Carvalho, no entanto, “terrorista” é a polícia de São Paulo… Esse foi o trecho politicamente mais delinqüente de sua fala, mas não foi o principal.

    Depois de confessar que o governo quer criar uma mídia estatal para a chamada “classe C” — que, segundo Carvalho, não poderia ficar à mercê da mídia conservadora —, ele avançou: é preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes!

    Uau! Não pensem que isso é feito assim, na louca, sem teoria — nem que seja uma teoria aprendida, não exatamente lida. Esse pensamento de Carvalho tem história.

    Os petistas, embora não o digam em público, consideram que a oposição está liquidada. Conversei dia desses com um intelectual petista que se mostrava, até ele, escandalizado com a incapacidade da oposição de articular o discurso conservador para se opor ao suposto “progressismo” do PT. Ele também estranhava o que vivo estranhando aqui: será o Brasil a única democracia do mundo com medo dos eleitores que estão mais à direita no espectro político? Pelo visto, sim! Lá na suas tertúlias, os petistas chegam a zombar dessa covardia.

    Notem, a propósito, que os únicos momentos em que demonstram realmente alguma aflição e põem as suas hordas na rua é quando temem que a população adira ao discurso da ordem: então mobilizam seus bate-paus para confrontos com a polícia. Assim, podem sair gritando: “Fascistas!” Se e quando a oposição souber falar essa linguagem de modo eficiente e moderno, o PT pode ter problemas. Mas a aposta dos companheiros é que isso não vai acontecer. Tucanos, por exemplo, são reféns de sua “ilustração”.

    A outra força

    A força que o partido teme é justamente a religiosa. E, no caso, não é a Igreja Católica que os preocupa. Embora tenha cooptado o PRB — o partido da Igreja Universal do Reino de Deus, do auto-intitulado “bispo” Edir Macedo, dono da Record —, o PT sabe tratar-se de uma vistosa, mas pequena parte dos evangélicos. Seguindo os passos da teoria gramsciana, o “partido” tem de se consolidar como um “imperativo categórico”, de modo que toda ação concorra para fortalecê-lo. Mesmo os movimentos de crítica e reação hão de estar subordinados a este ente. Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.

    Os “pensadores” do PT querem começar a criar as condições para limitar ou anular a influência das igrejas evangélicas especialmente nas questões relativas a costumes. O projeto petista se consolida é com a completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de “educação” o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. Setores da Igreja Católica também reagem, sim, mas sabemos que a Santa Madre está infestada de esquerdistas de batina (ou melhor: sem batina!).

    Ora, conjuguemos as duas propostas de Carvalho, feitas no Fórum Social: ele quer o estado produzindo “informação” para a classe C justamente para disputar almas com os evangélicos. O PT chegou à fase em que acredita que pode também ser “igreja” — e seu “deus”, como se sabe, é o Apedeuta… Os petistas ainda não engoliram o recuo que tiveram de fazer em 2010, no debate sobre o aborto, por causa da pressão dos cristãos.

    Os cristãos evangélicos entraram no alvo de médio prazo do PT. Cuidem-se ou serão também engolidos.

    Por Reinaldo Azevedo (Veja), com adaptações no título e subtítulo

    Fonte: http://holofote.net/pt-estuda-futuro-confronto-com-os-evangelicos/

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  • A Roda dos Escarnecedores

    Um cristão realmente salvo não consegue ver as notícias na TV, sem considerar as profecias bíblicas, pois as notícias diárias confirmam tudo que Deus nos revelou através dos Seus santos profetas da antiguidade.

    Os judeus estão de volta à sua terra e todas as nações estão se colocando a favor da ideia de que Jerusalém se torne uma cidade internacional. Israel está cercada de inimigos, todos eles visando a sua destruição. Leiamos Lucas 21:28: “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima”.

    Muitos cristãos rejeitam a teoria do Arrebatamento Pré-Trib e a ascensão de um homem altamente perigoso ao governo mundial. Eles continuam apegados aos ensinos dos falsos profetas e mestres do Preterismo ou do Dominionismo, gozando a “dolce vita”, que o  mundo ainda pode oferecer, enquanto a civilização ocidental está afundando, com o Dólar e o Euro em vias de desaparecer, para que a moeda chinesa comande a economia mundial.

    Para os preteristas, o Apocalipse já se cumpriu no Ano 70 d.C., com a destruição de Jerusalém pelo exército romano. Para os dominionistas, a ICAR vai dominar o mundo (exatamente como fez na Era das Trevas); para os reconstrucionistas o mundo deve ser preparado para a volta de Jesus.  Em 1999, uma jovem alemã, que eu estava evangelizando,  afirmou, com a maior segurança, quando visitávamos um museu em Roetlingen,: “Nunca mais haverá guerra neste mundo, porque os homens agora são mais civilizados”. Ela não pensou que exatamente os países “mais civilizados” foram os que promoveram as duas últimas grandes guerras.

    A “bem-aventurada esperança” de muitos cristãos tem-se desvanecido, achando que Cristo não mais virá buscar a Sua Noiva. Para estes, temos uma boa resposta, na 2 Pedro 2:3:9-10: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão”.

    Paulo admoesta os crentes desanimados, na 2 Timóteo 4:2-3:  “Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.

    Os falsos mestres tentam convencer os crentes de que a profecia bíblica já não tem aplicação alguma nos dias de hoje. Isso tem contribuído para afastar muitos crentes de sua fé genuína, o que pode resultar numa adesão às falsas doutrinas da ICAR, a começar da teoria de Agostinho de Hipona conhecida como “Dominionismo”. Crente evangélico que aceita pelo menos uma teoria da ICAR já está dando um passo em falso, podendo cair nas malhas da Meretriz Romana. “Seja Deus verdadeiro e mentiroso todo homem” (Romanos 3:4). Deixar de crer nas palavras do Deus Espírito Santo,  para crer nos dogmas de um papa romano, tão ou mais pecador do que qualquer um de nós, é estar em busca de uma corda para se enforcar, doutrinariamente. [N.T. – Eu vim de lá e conheço as manhas da “mulher vestida de escarlata”, cujos cardeais usam chapéu e meias desta exata cor…”]

    A Bíblia se interpreta por si mesma e não precisamos de um hierarca, apóstolo, profeta ou outro supostamente “ungido”, para no-la interpretar. Quem vive honestamente e tem um coração ansioso por crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo, certamente vai encontrar, nas páginas da Palavra Santa, a verdade que liberta do engodo religioso (João 8:32).

    Os crentes bíblicos se assemelham às cinco virgens prudentes, cujas lâmpadas estavam supridas com o óleo do Espírito Santo, através do conhecimento da Palavra. (Mateus 25:10-19).  Eles aguardam o Noivo em ansiosa expectação. Ele virá (em oculto), a qualquer momento, para os que O aguardam, através da “bem-aventurada esperança” do Arrebatamento, conforme as Suas palavras. Os outros ficarão para viver sob o governo do Anticristo e precisarão encarar, como os católicos e outros religiosos,  a despensação da fé mais obras, a fim de serem salvos. Ser salvo agora é tão mais fácil e indolor! Basta crer exclusivamente no sacrifício de Cristo, nEle confiar e viver honestamente embasado nos ensinos de Sua Palavra!
    Os crentes bíblicos, que não se emaranham nas doutrinas dos dominionista e reconstrucionistas, nem na complicada interpretação dos teólogos do chamado “Teísmo Aberto”, desfrutam de uma alegria saudável, quando lêem a Palavra de Deus. Esses homens e mulheres sabem que Cristo não tardará… Ele virá em oculto somente para os que O aguardam, deixando os escarnecedores a cargo do Anticristo. Hebreus 9:28 diz: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”.

    A salvação prometida por Cristo àqueles que nEle crêem e guardam as Suas palavras já se inicia aqui mesmo neste mundo turbulento; e antes que chegue a hora da Grande Tribulação, o Noivo já terá arrebatado a Sua Noiva. Deus cumpre literalmente a Sua palavra e jamais nos decepciona. Pedro escreve aos que duvidavam desta verdade, segundo a 2 Pedro 3:3-4: “Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”.

    Os sinais no Céu e na Terra se tornam cada dia mais visíveis e só não os vê quem é espiritualmente cego. Todos serão julgados pela Palavra de Deus e este julgamento pode começar a qualquer momento. Infelizmente, a maioria das denominações tem-se distanciado da verdade bíblica, enveredando pelo tortuoso caminho das novidades emergentes, esperando que o seu rol de membros cresça e os gazofilácios fiquem abarrotados. Muitos pastores têm se assentado na roda dos escarnecedores…

    1. – Sucumbem à mentira, pregando o ecumenismo entre todas as denominações.
    2. – Pregam um evangelho triunfalista, omitindo palavras como “pecado” e “arrependimento”, o qual significa “mudança de vida”.
    3. – Andam de mãos dadas com as falsas doutrinas indevidamente chamadas “evangélicas”, como tantas que vão aparecendo, a fim de satisfazer a vaidade dos eclesiásticos.

    A frase que mais se escuta nessas igrejas é  “Jesus ama você. Deixe-O entrar no seu coração…” Pelo visto, não é o Espírito Santo Quem convence o pecador, mas o pecador é quem decide tudo. Quando alguém faz uma decisão por Cristo e continua levando o mesmo estilo de vida, com a Bíblia se empoeirando na estante da sala, é o caso de indagar se, realmente, ele se converteu a Cristo. Um gay que levanta o braço numa igreja e continua vivendo o mesmo estilo de vida, achando que está salvo, não passa de um escarnecedor do evangelho.  Quem não tem um estilo de vida conforme a Palavra de Deus…

    1. – Falha na tarefa de enaltecer e declarar exclusivamente a verdade bíblica; (1 Timóteo 3:15);
    2. – Tem prazer na convivência com os incrédulos (2 Coríntios 6:17-18). Inadvertidamente, este “cristão” ingressou na chamada “operação do erro”, a fim de não chocar os seus amigos (2 Tessalonicenses 2:10-12).
    3. – Gosta de saber as últimas novidades do mundo. Ele age conforme os ratos, que se atropelam na busca de um naco de queijo fresco.
    Todas as igrejas que promovem ostensivamente a paz mundial, concordando que Jerusalém deve se tornar uma cidade internacional; que os árabes têm direito à parte que Deus destinou a Abraão; e que todas as religiões são igualmente válidas para conduzir a Deus, estão negando a verdade bíblica e compactuando com a vinda do Anticristo.

    Uma igreja que se diz cristã, mas aprova o universalismo, o mormonismo, o romanismo, o espiritismo e qualquer outro “ismo”, que não  seja o Cristianismo bíblico, está preparando a vinda do “homem do pecado”.  Quem realmente crê que a Palavra de Deus é eternamente perfeita e infalível, foge dos engodos do mundo, para se refugiar no “Monte Carmelo” da oração, com a Bíblia na mão e Cristo Jesus no coração.

    Joseph Chambers – “Mockers Come A-Mocking”
    Tradução e adaptação de Mary Schultze, em 31/01/2012.
    www.maryschultze.com

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  • Cristina usa erro de diagnóstico para dizer que milagre curou seu câncer b

    No começo deste mês, Cristina Kirchner (foto), 59, se submeteu a uma operação na glândula tiroide para extração de células cancerosas. Conforme se verificou durante a intervenção, houve um erro de diagnóstico. A presidente da Argentina  não estava com a doença.

    Cristina aproveitou o erro dos médicos para reforçar a sua popularidade, se apresentando, agora, como uma ungida pelos céus. Ela vem dizendo que um milagre curou o seu câncer.

    “O médico não quis dizer, mas eu digo: foi um milagre”, disse ela, de acordo com a BBC. “Quero agradecer a todos que rezaram pela minha saúde.”

    A cirurgia da presidente foi precedida por uma corrente de orações organizada por evangélicos de diversas denominações. Agora, com o “milagre da cura”, os religiosos propagam que Deus ouviu suas orações.

    A Argentina já teve uma economia forte, que garantia à população uma boa qualidade de vida, talvez a melhor da América do Sul. Nas últimas duas décadas, contudo, o país se empobreceu muito por conta da adoção de políticas econômicas equivocadas.

    Como se sabe, as mistificações e crendices prosperam principalmente em países pobres. Nesse sentido, a cura milagrosa de um câncer que Cristina nunca teve dá um indício de que a Argentina continua indo ladeira abaixo.

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  • Pastor Silas Malfaia Referencial Assembleiano

    Responsável direto na luta contra o legalismo e o farisaismo nas Assembleias de Deus e na luta em favor das liberdades idividuais, entra para história desta geração como o evangélico mais influente dessa geração

    Após assumir o pastorado da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, foram feitas várias mudanças na administração e na liturgia do culto, e o resultado tem sido muito positivo, e pode ser observado no crescimento da membresia, e no número de pessoas que se rendem a Jesus, não só nos cultos da sede no bairro da Penha, mais em todo o campo do ministério.

    Outra coisa que é observada, é que até pouco tempo não se via principalmente nos círculos assembleanos era a vontade de jovens de se tornarem Pastores, hoje e normal ver garotos de 15 anos querendo ser pastores no futuro, foi-se o tempo que ser pastor era uma vida de martírio e sem dignidade para sua família.

    No centenário das Assembléias de Deus a palavra do Pastor Silas Malafaia, (veja o vídeo http://youtu.be/EuzH6HkJsY4 ) conclamou as Assembléias de Deus e seus líderes a acordarem para o novo panorama do cenário evangélico e a considerar as finanças também como um assunto espiritual. Como resultado várias igrejas começaram a dar valor principalmente ao que se refere a oferta, que até então a maioria contribuía  como se desse esmola, e ao Dizímo que muitas vezes era usado os versos do Profeta Malaquias, para fazer terrorismo dizendo que o homem rouba Deus e se não dizimar Deus soltaria o devorador encima do crente. Tanto que a CPAD lançou este trimestre a sua revista de EBD com o tema A verdadeira Prosperidade.

    Resultado as igrejas da Assembléia de Deus tem dado um salto de qualidade, estão abrindo a visão para não olhar só como uma igreja local, mas agora tem sido despertado uma visão de Reino, pois temos como ferramenta a internet e vários meios por onde  Pastores e Lideres se aperfeiçoarem o seus ministérios.

    Igrejas agora traçam seus objetivos e agem com mais eficácia para o crescimento do reino recentemente a Assembléia de Deus Ministério de Cordovil, definiu suas metas como pode ser visto no blog do Pastor Ciro http://cirozibordi.blogspot.com/2012/02/assembleia-de-deus-de-cordovil-rj-lanca.html , e muitas estão se despertando e o pioneiro deste movimento é importante registrar é o Pastor Silas Malafaia.

    Alias acusam o Pastor Silas Malafaia de ter abraçado a Teologia da Prosperidade, fato este que é uma inverdade, pois a única coisa que ele prega com relação não só ao dinheiro mais a todas as áreas da vida do ser humano é a lei da semeadura que é uma lei universal.
    Não vejo ele levantando bandeira e nem pregando as máximas da teologia da prosperidade que são:

    • Deus é obrigado a me abençoar!
    • Determine !
    • Você não prosperou ou está doente é pecado na sua vida !
    • Pobreza é maldição da lei (apesar da bíblia de batalha espiritual e vitoria financeira, ter uma nota do Morris Cerrulo isto e opinião dele e não do pastor Silas)
    • Você foi criado para reinar em vida !
    • Você é prospero é sinal que Deus e contigo!
    • Você só terá vitória !

    Na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, não negocia-se com pecado e nem com principio de autoridade, temos apreendido muito com Pastor Silas, e ele tem apreendido muito também, e se esforçado para regular o seu temperamento, que tantos o acusam mais isso é obra ´para o Espírito Santo fazer em sua vida.

    Que Deus continue, usando o Pastor Silas como referencial de moral e conduta para esta geração.

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  • Apostasia, Nova Ordem Mundial e Governança Global

    por

    Tive o privilégio de escrever um dos capítulos deste livro. Ele será lançado no encontro da VINAAC em Campina Grande, durante o período do Carnaval. Vejam a relação dos capítulos e autores:

    • O ANTICRISTO E O ESPÍRITO DO ANTICRISTO – Russell Shedd
    • O PENSAMENTO ESCATOLÓGICO NA IGREJA CRISTÃ: Implicações do uso e da negligência da Escatologia na Vida da Igreja – Robson Fernandes
    • A APOSTASIA NA IGREJA NO CONTEXTO MUNDIAL – Augustus Nicodemus
    • UMA RESPOSTA AO DESCONSTRUCIONISMO FILOSÓFICO – Norman Geisler
    • UMA RESPOSTA AO DESCONSTRUCIONISMO TEOLÓGICO – Norman Geisler
    • A NOVA MORALIDADE: A imposição mundial do pensamento politicamente correto – Norma Braga
    • APOSTASIA, NOVA ORDEM MUNDIAL E GOVERNANÇA GLOBAL: A Ordem Político-Jurídica Internacional – Uziel Santana

    Ele pode também ser adquirido online.

    O livro foi organizado pelo Prof. Uziel Santana. Espero que ajude a Igreja de Cristo a entender o momento que estamos vivendo.

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  • Minisérie Rei Davi

    Cápitulos online direto do youtube

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  • EMÍLIO CONDE, O APÓSTOLO DA IMPRENSA PENTECOSTAL NO BRASIL

    Naquele edifício residencial no bairro de Santa Tereza, aquela janela acesa em um dos seus apartamentos; aquela lâmpada amarela que avança nítida no tempo, através das horas frias e silenciosas da noite, não representa a vigília angustiada de algum enfermo, nem a insônia de um coração intranqüilo, ou o próprio guardião da madrugada a velar o sono das criaturas.

    Não é apenas um homem que escreve, um trabalhador intelectual solitário que, sob o olhar terno e sereno de Cristo, prepara artigos que serão divulgados no meio evangélico.

    No final de cada um deles o leitor lerá as iniciais E.C. – Emílio Conde.

    Enquanto esse homem solitário escreve, sua fronte se ilumina em enlevos de visitação ao Céu; sua mente percorre “as ruas de ouro e cristal da formosa Jerusalém”, e, sobre o papel, seu punho se agita, e a página branca, ao toque da tinta negra, torna-se mais branca ainda, alva como a neve, porque nela estão sendo escritas palavras pronunciadas na Cruz.

    Emílio Conde nasceu no dia 8 de outubro de 1901, em São Paulo. Seus pais, João Batista Conde e Maria Rosa eram de origem italiana.

    Consequentemente, o primeiro contato de Emílio com o Evangelho foi na Congregação Cristã do Brasil, fundada por italianos. Ali, o futuro escritor evangélico creu em Jesus Cristo e se tornou membro da igreja no dia 21 de abril de 1919, sendo em seguida batizado com o Espírito Santo.

    Transferindo-se para o Rio de Janeiro, passou a frequentar a Assembleia de Deus na Rua Figueira de Melo, 232, em São Cristóvão, pastoreada na época pelo missionário Samuel Nyströn.

    Entusiasmado com o calor espiritual dos que ali se reuniam para cultuar a Deus, Emílio Conde transferiu-se de sua denominação e tornou-se membro dessa igreja.

    Os anos que se sucederam foram empregados na busca incansável dos meios, os melhores que fossem, de agradar a Cristo. Era necessário servi-lo com toda integridade de coração e amplitude de espírito. Emílio Conde passou a empregar as suas horas vagas no estudo e meditação dos conhecimentos bíblicos e humanos.

    Eram necessárias bases sólidas para a construção do edifício espiritual que iria surgir de suas mãos.

    Principiou pelo conhecimento de sua língua, e depois de dominá-la satisfatoriamente, passou ao aprendizado de outras.

    Aprendeu o italiano, o inglês e o francês, sendo-lhe assim fácil o acesso à literatura desses idiomas, tão ricos em livros de inspiração evangélica. Leu boas obras ainda não traduzidas para o português.

    Foi um perfeito autodidata. Sua curiosidade abrangia vários ramos da cultura humana. Cabe porém salientar que estas leituras não o desviaram da Bíblia, pois era do seu conhecimento que “por abundantes que sejam os regatos, mais agradável é beber na fonte”.

    Deste modo, dia a dia ele perseverava na oração e na leitura da Palavra de Deus, fazendo grandes progressos nos caminhos do Espírito. Era costume seu isolar-se para meditar e sentir “a largura, o comprimento, a altura, e a profundidade do amor de Cristo que excede todo o entendimento” (Efésios 3.18,19).

    Aonde chegava, dava seu testemunho de crente. E assim, pela intensidade de vezes que subiu ao púlpito, sua palavra foi pouco a pouco se delineando, tomando feições amplas, tanto pela soma de conhecimentos que apresentava, como pelo evidente toque do Espírito.

    “Era agradável ouvi-lo” – disse um antigo pastor acerca do seu testemunho – “pois ele somava à unção espiritual e ao profundo conhecimento bíblico, uma vasta cultura secular”.

    Em 1937, o missionário Nils Kastberg encontrou-o trabalhando como intérprete em um restaurante do Rio de Janeiro. A Casa Publicadora começava a surgir nesse ano.

    “Irmão Conde, necessitamos de alguém para atender ao expediente da redação de nosso periódico, o ‘Mensageiro da Paz’. Sabemos que o irmão reúne em si todas as qualificações necessárias para tal cargo. O irmão aceita ser nosso redator?”

    Surpreso, antevendo a intervenção divina que se sobressaía naquele convite tão simples, e sentindo-se tocado em um dos pontos fundamentais de sua vida, a sua vocação, aceitou. Era o amanhecer do ministério do apóstolo da imprensa evangélica pentecostal no Brasil.

    Emílio Conde tratou de reunir então todo o material que havia acumulado durante anos e anos de estudos e pesquisas. Seus livros, seus cadernos de notas, trechos extraídos de muitas leituras, comentários feitos às margens das páginas dos inúmeros volumes que lera, esboços de obras em fase de conclusão, e, sobretudo, as revelações do Espírito Santo anotadas durante suas leituras bíblicas pela madrugada – tudo isso seria empregado na composição dos artigos que sairiam de suas mãos.

    Sua missão dali para frente seria produzir uma genuína literatura pentecostal, uma fonte de onde jorrassem as cristalinas palavras ditadas pelo Espírito Santo, fundamentadas em Cristo, aprovadas pelo Senhor dos senhores.

    Sua admissão oficial como funcionário da CPAD data de 15 de março de 1940. Desde o convite do missionário Nils Kastberg até aquela data, fora apenas colaborador do Mensageiro da Paz. Daí por diante, por mais de trinta anos Emílio Conde dedicaria à CPAD seu talento, sua cultura, sua impressionante capacidade de trabalho, sua mente clara e fecunda.
    Era um homem humilde, simples. Não costumava ostentar os conhecimentos que possuía. Entre os amigos, sua palavra despretensiosa e amena, dosada pelo bom humor e pela sinceridade, descontraía a todos os que a ele se achegassem.

    Para os que se viam angustiados ou confusos, procurá-lo era encontrar nele um apoio, uma palavra amiga, esclarecida, experimentada, confortadora.

    Seu trabalho na imprensa evangélica não foi uma profissão: foi um sacerdócio.

    Trabalhou para levar a semente da Palavra de Deus aos corações, e nisto empregou toda a sua vida. Deu-se a si mesmo, como está em 2 Coríntios 8.5: “… mas a si mesmo se deram, primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.”

    E era tão grande seu amor por esse trabalho, que chegou a rejeitar muitas propostas de empregos extra-evangélicos, pois se os aceitasse, tornar-se-ia inepto para o desempenho da função que exercia.

    Agindo assim, sempre esteve à altura da posição que ocupava, e sempre pronto a cooperar com a causa das Assembléias de Deus no Brasil.

    Graças à sua maneira sóbria e digna de se conduzir, foi, entre nós, uma espécie de representante mor do movimento pentecostal em todos os meios sociais e evangélicos.

    De 1946 a 1958 representou oficialmente as Assembleias de Deus do Brasil nas Conferências Mundiais Pentecostais, havendo estado em Estocolmo, Londres e Toronto.

    E foi também, durante muitos anos, nosso representante, não só na Diretoria, mas também em Comissões da Sociedade Bíblica do Brasil.

    Quando principiou a escrever em benefício do Evangelho, eram poucos os que entre nós podiam e se prestavam a tal ofício.

    Portanto, foi de sua caneta que fluiu a maioria dos artigos, das notícias e das reportagens usadas no jornal O Mensageiro da Paz, nas revistas, e também nos livros da CPAD e tudo mais que ia do Sul ao Norte do Brasil para as nossas igrejas – as mensagens escritas para edificação dos fiéis.

    Seu conhecimento e sua visão espiritual abrangiam toda a comunidade evangélica brasileira. Empenhou-se a fundo em obter dados do Movimento Pentecostal no Brasil e no mundo e, como resultado, escreveu os livros: O Testemunho dos Séculos e História das Assembléias de Deus no Brasil (este último, reescrito e ampliado pela CPAD). Escreveu também os seguintes livros
    : Asas do Ideal, O Homem, Pentecoste para Todos, Igrejas sem Brilho, Nos Domínios da Fé, Caminhos do Mundo Antigo, Flores do meu Jardim, Tesouro de Conhecimentos Bíblicos, e Estudos da Palavra.

    Era, sobretudo, um homem de oração. Foi orando que recebeu de Deus inspiração para compor 25 hinos da Harpa Cristã, e outros, sendo dois em parceria com o missionário Nils Kastberg, e cinco com a missionária Eufrosine Kastberg. Integrou, durante muitos anos, o Coral da Assembleia de Deus em São Cristóvão, tendo sido também organista e acordeonista.

    Gostava muito de cantar, e todos quantos o ouviam, sentiam vibrar as cordas de seu coração, pois ele estava sempre desejando “as ruas de ouro e cristal da formosa Jerusalém”.

    Considerando o imenso e relevante trabalho por ele prestado à Assembleia de Deus no Brasil, foi-lhe oferecido certa vez, por um grupo de pastores, o acesso ao Ministério do Evangelho, através de ordenação, mas ele recusou definitivamente.

    Em janeiro de 1971, acometido de uma já antiga enfermidade, oriunda de complicações pós-operatórias, foi internado no Hospital Evangélico, na Tijuca. Uma semana antes a irmã Didi, enfermeira que cuidou dele nos seus últimos meses de vida, o encontrara dormindo com a caneta entre os dedos, debruçado totalmente sobre o trabalho inacabado. Seria sua última página escrita.

    Aplicadas todas as forças da alma e do corpo para servir a Cristo, toda sua vida não lhe fora suficiente; era-lhe necessário passar para a eternidade e continuar servindo “Àquele que é mais sutil que o ar, mais ligeiro que o relâmpago, e cujo olhar é mais belo que um alvorecer de primavera, e mais suave que a claridade das estrelas”.

    “Vinde ver o mais egrégio espetáculo que pode haver na terra: Vinde ver como morre um justo.” A noite lentamente se apossara do hospital, e as sombras, crescendo nos recantos menos favorecidos pela claridade desmaiada e última do crepúsculo, escalaram pouco a pouco as paredes externas do edifício, e, silenciosas e irreversíveis, foram-no revestindo de uma tonalidade cinza.

    Invadindo as vidraças, penetraram no quarto de Emílio Conde, que, deitado no seu leito de morte, pesava a sua vida, o que tinha sido, o que fizera, o que deixara de fazer.

    Ele não se sentia só, pois desde o dia em que o Senhor se apossara mansamente do seu coração e nele fizera morada, sua alma nunca mais fora presa do angustioso sentimento de solidão. O “Não te deixarei, nem te desampararei” cumprira-se fielmente em sua vida.

    Às 13.00 horas do dia 5 de janeiro de 1971, Emílio Conde dormiu no Senhor. Às 17.00 horas do mesmo dia seu corpo saía do Hospital Evangélico para ser velado no Templo da Assembléia de Deus em São Cristóvão, ficando próximo ao púlpito, aquele mesmo púlpito onde pregara tantas vezes e onde tantas vezes cantara.

    A Rádio Nacional, a Tupi e a Globo noticiaram com detalhes o seu falecimento.
    O seu compacto “Águas Vivas” foi tocado durante toda a noite, nos intervalos dos muitos que usaram da palavra.

    Pela manhã, às 9.30 horas, chegou o Vice-Governador do Rio de Janeiro, o doutor Erasmo Martins Pedro. No seu breve discurso, ele disse que Emílio Conde em vida “fazia o trabalho do acendedor de lampiões: entrava numa rua escura e ia deixando luz atrás de si”.

    Representantes de instituições batistas disseram que Emílio Conde não pertencia somente às Assembléias de Deus, mas aos evangélicos de todo o Brasil.

    O pastor Túlio Barros pediu que todos os presentes abrissem suas harpas e cantassem juntos o hino 202: “Junto ao trono de Deus preparado…”

    Em seguida, o pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos leu Apocalipse 14.13, e, enquanto falava, um ancião aproximou-se lentamente do corpo e contemplou aquela face pálida e serena, transfigurada pela beleza sagrada e espiritual da morte, afastando-se mansamente depois.

    Era o irmão Adrião Nobre, um dos pioneiros da obra pentecostal no Brasil, e o membro número um de São Cristóvão.

    Às 10.00 horas, os pastores Túlio Barros Ferreira, Alcebíades P. Vasconcelos, Geziel Nunes Gomes e o irmão Catarino Varjão empunharam as alças do caixão e se dirigiram à porta de saída do templo. No cemitério do Caju, o pastor Geziel Gomes, em nome de todos os obreiros do Campo de São Cristóvão, usou da palavra, despedindo-se de Emílio Conde.

    Ao concluir, disse: “Ele não gerou filhos materiais, mas os seus filhos na fé são tantos que não se podem contar.”

    Em seguida os presentes cantaram o hino: “Pensa na celestial melodia.” Por último, o pastor Túlio Barros orou. A multidão se afastou deixando atrás de si, na tumba 81.011, da quadra 81-A, do Cemitério do Caju, o corpo de um justo, o homem que soube honrar a Deus e servi-lo durante toda a sua vida.

    A tudo que é transitório soubeste dar,
    com a tua grave melancolia,
    a densidade do eterno.
    Mais de uma vez fizeste aos homens
    advertências terríveis.
    Mas a tua glória maior foi ser
    aquele que soube falar a Deus
    nos ritmos de sua Palavra.

    (Do livro de minha autoria Eles Andaram com Deus, publicado em 1985 pela CPAD, e atualmente esgotado).

    Jefferson Magno Costa

    (mais…)

  • Lição 05 – A Bençãos De Israel E O Que Cabe A Igreja

    As bênçãos e promessas de Deusconstantes da Bíblia não são indistintas a todas as pessoas,devem ser analisadas dentro do seu contexto.

    INTRODUÇÃO

    – Na sequência do estudo sobre a prosperidade bíblica, passaremos a analisar os principais pontos do ensino bíblico sobre o tema, refutando as distorções feitas pela “teologia daprosperidade”.

    – O primeiro ponto a ser analisado é de que as promessas e bênçãos de Deus constantes nas Escrituras não podem ser aplicadas indistintamente a todas as pessoas, mas devem serexaminadas no contexto em que aparecem.

    I – DEUS É UM DEUS DE BÊNÇÃOS E DE PROMESSAS

    – Após termos visto o que é a prosperidade na Bíblia, tanto no Antigo como em o Novo Testamento, oportunidade em que observamos o forte conteúdo espiritual que o tema apresenta nas Escrituras, passamos ao segundo bloco de nosso estudo deste trimestre, em que analisaremos alguns pontos da doutrina bíblica da prosperidade a fim de refutarmos as distorções constantes da “teologia da prosperidade”.

    – O primeiro destes pontos é a realidade de que, embora o nosso Deus seja um Deus de bênçãos e de promessas, tais bênçãos epromessas não são indistintas para todos os homens. Uma das principais artimanhas dos “teólogos da prosperidade” é, precisamente, a de “pinçar” das páginas da Bíblia “bênçãos” e “promessas” e aplicá-las, fora do contexto em que foram feitas, para a Igreja.

    – O nosso Deus, que ama o homem e quer que todos os seres humanos se salvem, tem prazer em abençoar o homem. Já no relato da criação, vemos o Senhor abençoando o homem, tendo, sido, aliás, a primeira atitude que a Bíblia registra que Deus fez em relação ao homem (Gn.1:28).

    – Não há porque, então, duvidarmos deste caráter abençoador primordial de Deus em relação ao homem, mas isto não pode, em absoluto, fazer-nos crer que todas as bênçãos constantes na Bíblia são dirigidas à Igreja, a este povo de Deus formado por judeus e gentios por força do sacrifício vicário de Cristo Jesus na cruz do Calvário (Ef.2:13,14).

    – A bênção é definida, pelo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, como sendo “graça concedida por Deus”, ou seja, é um favor imerecido que Deus dá ao homem por força do Seu amor para com o ser humano. Deus, assim que criou o homem, o abençoou (Gn.1:28), pois queria o seu bem, bem este que é concretizado pela comunhão que o próprio Deus estabeleceu com o homem, feito à Sua imagem e semelhança.

    – Além de ser um Deus de bênçãos, o Senhor também é um Deus de promessas. “Promessa”, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “ato ou efeito de prometer”, “afirmativa de que se dará ou fará alguma coisa”, “compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação”, palavra que vem do latim “promissa”, que, por sua vez, era o plural de uma forma verbal “promissum”, do verbo “promittere” cujo significado é “’lançar, atirar longe; deixar crescer para diante (barba); oferecer; propor, apresentar; prometer, dar a sua palavra, obrigar-se”.

    – No Antigo Testamento, não há uma palavra específica para “promessa”. Como diz o J.W.L. Hoad, em o Novo Dicionário da Bíblia, conforme a tradução de João Bentes, “…onde nossas versões portuguesas dizem que alguém prometeu alguma coisa, o hebraico simplesmente afirma que alguém disse ou proferiu (‘amar – ???, dabhar- ???) alguma palavra com referência ao futuro…” (Promessa. In: DOUGLAS, J.D. O novo dicionário da Bíblia, t.II, p.1330).

    – Em o Novo Testamento, a palavra “promessa” é a palavra grega “epangelia” (?????????), cujo significado também tem a ver com “anúncio”, “mensagem”, tanto que a palavra é da mesma raiz que “evangelho”.

    – A promessa é o ato de prometer e prometer, pelo que vimos, é uma afirmação que se faz para frente, tanto que, no latim, o verbo “promittere” significa “lançar, atirar longe, deixar crescer para diante a barba”. Trata-se, portanto, de uma afirmação que diz respeito a um fato futuro, a algo que ainda não ocorreu. Como afirma J.W.L. Hoad, “…promessa é uma palavra que se prolonga por um tempo indeterminado. Estende-se para além daquele que a faz e daquele que a recebe, assinalando um encontro entre os dois no futuro…” (HOAD, J.W.L., op.cit., p.1330).

    – A promessa é a afirmação de que se fará ou se dará alguma coisa, é um anúncio, uma palavra que diz respeito ao futuro. A nós, seres humanos limitados no tempo, temos que a promessa exige uma espera, pois a sua afirmação não coincide com o acontecimento. A promessa implica, sempre, numa espera, pois há um lapso temporal entre o seu pronunciamento e o acontecimento que ela prevê. Há um intervalo temporal entre o seu anúncio e a sua realização.

    – Não é por outro motivo que a primeira vez que a palavra “promessa” surge na Versão Almeida Revista e Corrigida seja numa “cobrança” do salmista Asafe, como vemos no Sl.77:8: “Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se já a promessa que veio de geração em geração?” O salmista, angustiado e espiritualmente enfermo (cfr. Sl.77:10), cansa-se da espera e “cobra” a promessa divina.

    OBS: Segundo David J. Stewart, webmaster do site www.jesus-is-savior.com, há 1.260 promessas em toda a Bíblia Sagrada (God keeps His promises. Disponível em: http://www.jesus-is-savior.com/Basics/gods_promises.htm Acesso em 16 ago. 2007) (tradução nossa do título: Deus vela pelas Suas promessas). Já o pastor e teólogo batista norte-americano Dr. Sam Storms (1951- ) afirma que o número de promessas de Deus na Bíblia é de 7.487, o que corresponde a 85% das promessas registradas no texto sagrado (há, ainda, 991 promessas feitas de uma pessoa para outra, 290 promessas humanas para Deus, 29 promessas feitas por anjos,  9 promessas do diabo, 2 promessas feitas por demônios e 2 promessasfeitas por Deus Pai a Deus Filho) (cfr. THE SERMON NOTEBOOK. Acts 27:14-49: four strong anchors for life’s stormy seas. Disponível em:http://www.sermonnotebook.org/new%20testament/Acts%2027_14-29.htm Acesso em 16 ago. 2007) (tradução nossa do título – CADERNO DE SERMÕES. Atos 27:14-49: quatro âncoras fortes para os mares tempestuosos da vida).

    – Na Versão Almeida Revista e Corrigida, ainda, o verbo “prometer” aparece, pela vez primeira, em Js.22:4, numa fala de Josué, quando o patriarca se dirigiu às duas tribos e meia que haviam pedido para ficar com terras do lado de cá do Jordão, ocasião em que Josué, ao despedi-los, disse-lhes que o Senhor “…como lhes tinha prometido…”, havia dado repouso às outras dez tribos e meia. No texto original, o verbo utilizado é “dabhar”, que, como já se disse, corresponde a “falar algo que somente se realizará no futuro”. No texto em análise, Josué confirma que o que Deus havia dito antes do início das conquistas, havia se realizado, havia se cumprido.

    – Promessa é o compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação. A promessa é, portanto, uma declaração que, embora diga respeito a fatos que irão ocorrer no futuro, gera, no presente, um compromisso, ou seja, um vínculo, uma obrigação. A promessa é um ato de vontade, é uma declaração de um querer que, entretanto, quando dirigido a outras pessoas, uma vez aceito, gera uma obrigação da parte de quem prometeu.

    – Mesmo os homens, tão falhos e perversos, prescrevem em suas leis que a declaração proferida por alguém gera obrigação, a menos que as circunstâncias do caso não permitam concluir que haja este compromisso, não, porém, estando obrigado aquele que prometeu se não houver aceitação por parte da pessoa a quem se prometeu ou se, antes da aceitação, tiver havido retratação por parte de quem prometeu (artigos 427 e 428 do Código Civil Brasileiro).

    – Vemos, portanto, que a promessa, embora seja algo que se fará no futuro, já no presente gera implicações, cria obrigações. Por isso, enquanto servos do Senhor, devemos ter muito cuidado com relação às promessas, pois não podemos ser infiéis nos contratos (Rm.1:31,32), visto que temos de ser imitadores do Senhor, que é fiel (Dt.7:9; Is.49:7). O Senhor espera de nós que sejamos cumpridores estritos de tudo quanto temos falado e prometido, pois nosso falar deve ser sim, sim, não, não (Mt.5:37). Por isso, o servo fiel jamais promete aquilo que não pode cumprir.

    II – AS PROMESSAS DE DEUS

    – Elucidativo que a primeira referência a “promessa” nas Escrituras Sagradas esteja relacionada a Deus. Nenhum outro ser poderia ser o primeiro a fazer promessas a não ser o próprio Criador dos céus e da terra, cuja palavra tudo criou (Gn.1:1; Ap.4:11) e tem sustentado todas as coisas (Hb.1:3).

    – Com efeito, sendo Deus o primeiro a fazer pronunciamentos, o primeiro a fazer declarações, pois antes d’Ele nenhum outro ser havia, nãosurpreende que a primeira referência a “promessa” seja, precisamente, em relação a Deus.

    – Também diferente não é com respeito ao verbo “prometer”, pois, como vimos, a sua primeira incidência se dá em Josué, quando o patriarca, ao despedir as duas tribos e meia (Ruben, Gade e meia tribo de Manassés), fala do cumprimento de uma promessa da parte de Deus para o Seu povo, qual seja, o repouso deles na Terra Prometida.

    – Se formos adotar o critério cronológico das Escrituras e não o da ordem do cânon, nem assim teremos conclusão diferente. Se o livro de Jó é, como dizem os estudiosos das Escrituras, o mais antigo livro da Bíblia Sagrada, também ali a primeira referência a “prometer” se dá com relação a Deus. Em Jó 17:3, quando o patriarca, angustiado, clama a Deus para que lhe desse um árbitro com o qual poderia contender com Deus, há um pedido da parte daquele homem: “Promete agora, e dá-me um fiador para conTigo; quem há que me dê a mão?” Nesta expressão do patriarca, vemos que a garantia dele estava em uma promessa da parte de Deus. Já sabia que o seu Deus era um Deus de promessas.

    – Advém daí, então, mais uma demonstração de quepromessa é algo peculiar a Deus, algo que Lhe é próprio. Isto porque é de Deus a primeira promessa surgida no mundo. Ao criar o homem, Deus prometeu ao homem que este frutificaria, multiplicar-se-ia e encheria a terra, sujeitando-a e dominando os demais seres criados sobre a face da Terra (Gn.1:28), promessa que teve seu cumprimento já no fato de Adão ter dado nome aos seres (Gn.2:19,20), numa clara indicação de que era ele dominador sobre ele.

    – Deus, também, havia dito ao homem, ao pô-lo no jardim, que, se ele comesse da árvore da ciência do bem e do mal, certamente morreria (Gn.2:16,17), promessa que encontrou seu literal cumprimento quando o homem pecou, não dando crédito às palavras do Senhor. Nesta oportunidade, porém, Deus, mostrando o Seu amor para com o homem, trouxe a grande promessa, qual seja, a de que o homem teria oportunidade de se salvar, mediante a vinda de um Redentor (Gn.3:15).

    – Percebemos, portanto, que, desde os primórdios da existência humana sobre a face da Terra, foi o homem alvo de promessas da parte de Deus, pois sendo Deus um ser que fala, que faz pronunciamentos, é próprio de Sua natureza fazer promessas, até porque, se promessa é a afirmação de um fato futuro, temos que, para Deus, não há futuro, mas, sim, um eterno presente e, portanto, quando faz uma declaração, para nós ela é futura, mas para o Senhor é mera constatação, é uma mera observação da realidade que, para Ele, é sempre presente.

    – Destarte, quando falamos em promessa de Deus estamos a falar sobre Seus pronunciamentos, Suas declarações que, para nós, dizem respeito a fatos futuros, mas que, para Ele, são a plena constatação do que há, do que existe, pois, para Deus, não há o tempo. Por isso, não há como pensarmos em que a promessa de Deus não se realizará, pois ela já é, aos olhos do Senhor, um acontecimento. O intervalo entre a promessa e a sua realização é uma realidade que só existe para nós, seres humanos, não para Deus, pois para o Senhor querer e efetuar são a mesma coisa (Fp.2:13).

    – A Bíblia nos diz que Deus é fiel, ou seja, cumpre todas as Suas promessas, os Seus compromissos. Paulo, mesmo, ao dissertar sobre a fidelidade divina, é bem enfático ao dizer que Ele é fiel porque não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13). O próprio Senhor, em diálogo com o profeta Jeremias, fez questão de dizer que velava sobre a Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12), numa garantia de que Suas promessas são de cumprimento certo e inevitável.

    – Assim, se na lei dos homens, temos que, para que uma promessa obrigue, vincule alguém, já no presente, para algo que ocorrerá no futuro, com relação às regras estabelecidas por Deus, temos algo muito mais sublime: quem promete é Deus que, por não poder negar-Se a Si mesmo, é fiel e, desta maneira, cumprirá inevitavelmente tudo o que prometeu e isto em função da Sua própria natureza, do Seu próprio ser.

    – Na lei dos homens, como vimos, existem duas possibilidades de a promessa não obrigar: a não aceitação por parte do beneficiário e a retratação do promitente. Na lei divina, esta segunda alternativa é impossível: Deus não é homem para que minta nem filho do homem para que Se arrependa (Nm.23:19), de sorte que não pode Se retratar. Não é por outro motivo, aliás, que o Senhor diz, por intermédio do profeta Isaías, “…a palavra que sair da Minha boca; ela não voltará para Mim vazia; antes, fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is.45:18).

    – A promessa de Deus é de cumprimento certo e inevitável, porque o seu autor é o Deus fiel, o Deus que não muda (Ml.3:6), o Deus em que nãose encontra sombra de variação (Tg.1:17). Por isso, Jesus disse que os céus e a terra passarão, mas as Suas palavras não hão de passar (Mt.24:35; Lc.21:33).

    – Muitas das coisas que vemos na atualidade nos afligem. A maldade cada vez maior, a apostasia e a sequência de escândalos no meio dito evangélico também se avolumam e está cada vez mais difícil servir a Deus neste mundo tão tenebroso. Entretanto, amados irmãos, tudo isto é cumprimento da Palavra de Deus. A Palavra de Deus tem de se cumprir, pois o que Deus disse, acontecerá inevitavelmente. Pensemos nisto e, das agruras e angústias que nos sobrevêm pelo cumprimento do que está escrito, glorifiquemos a Deus, pois, apesar de tudo, isto é uma clarevidente demonstração de que Deus é fiel e que Suas palavras se cumprem inevitavelmente.

    – Se as promessas de Deus se cumprem inevitavelmente, porque o seu autor não pode se retratar, não podemos, porém, deixar de observar que aspromessas de Deus que se encontram na Bíblia Sagrada não são dirigidas indistintamente a todas as pessoas e reside aí uma das falácias da“teologia da prosperidade”. Se, de um lado, temos, nas promessas de Deus, o mesmo promitente, que é o Senhor, do outro lado não temos os mesmos beneficiários. A promessa é sempre uma declaração dirigida a alguém e Deus, na Sua excelência, nada faz sem algum propósito.

    – Observemos, aliás, o dito do Senhor através do profeta Isaías. Ali, o Senhor não só garante que a Sua Palavra se cumpre integralmente, como também que toda palavra proferida por Deus tem um propósito, uma finalidade, um objetivo: “antes fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (destaques nossos).

    – Deus, ao fazer uma promessa, ou seja, uma declaração de que fará algo, o que, para nós é um fato futuro mas para Ele é tão presente quanto a Sua afirmação, sempre o faz com algum propósito, algum objetivo e não podemos nos esquecer disto. Muitos, na atualidade, têm procurado servir ao “Deus de promessas”, ao “Deus que não é homem para mentir”, mas tentam se apoderar de promessas que não lhes dizem respeito, que nãoforam pronunciadas para elas, ou, mesmo, promessas que, embora lhes digam respeito, não estão sendo buscadas para os propósitos delineados pelo Senhor.

    – Deus, ao fazer promessas, dirige-Se a pessoas certas, bem como estabelece propósitos para que isto ocorra e somente dentrodesta perspectiva é que as promessas se cumprirão e de modo inevitável. Muitos, hoje em dia, creem em promessas que não foram, em absoluto, dirigidas a elas, nem tampouco estão de acordo com o propósito de Deus. Tentam tomar aquilo que não é deles e o resultado nãopoderia ser outro: a decepção, indevida decepção, visto que Deus é fiel e não pode negar-Se a Si mesmo, de sorte que não serão caprichos ou invencionices humanas que mudarão o Seu caráter.

     

    – Tudo que se disse com relação às promessas, é válido também para as bênçãos de Deus, já que as promessas nada mais são quebênçãos que se realizarão no futuro, demonstrações da graça de Deus para com os homens, sempre lembrando que esta ideia de futuro existe somente em relação a nós, seres humanos, visto que Deus é atemporal.

    III – AS DIFERENTES ESPÉCIES DE BÊNÇÃOS E PROMESSAS

    – Ao analisarmos as promessas e as bênçãos de Deus, portanto, devemos verificar que, se de um lado, Deus não pode Se retratar e Suas bênçãos epromessas são sempre sim e por Ele amém (II Co.1:20), de outro, temos de observar para quem se dirigem estas bênçãos e promessas e com que propósito elas foram feitas. Só assim teremos condição de aplicar esta ou aquela bênção ou promessa a nós, pois o compromisso de Deus é com a Sua natureza, com a Sua fidelidade, com a Sua Palavra (Jr.1:12).

    – Existem bênçãos e promessas que são “gerais”, ou seja, dirigidas a todos os homens. Deus as proferiu para todo o ser humano e, por isso, se aplicam a toda a humanidade. As bênçãos e promessas feitas a Noé após o dilúvio, por exemplo, são desta espécie (Gn.8:22; 9:1-17). Deus prometeu não cessar, enquanto a terra durar, sementeira e sega, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. Eis porque, como disse o Senhor Jesus, Deus, até o dia de hoje, continua a dar o sol e a chuva tanto sobre justos quanto sobre injustos (Mt.5:45), o que, à primeira vista, pareceria um contrassenso, mas que é cumprimento de uma promessa geral, de uma promessa feita a todos os homens, indistintamente.

    – Existem bênçãos e promessas que são “nacionais”, ou seja, dirigidas a uma nação em especial. Neste ponto, aliás, é bom que relembremos que, para Deus, a Terra é composta de três povos diferentes: os gentios, os judeus e a Igreja (I Co.10:32 ARA).

    – Os gentios são os homens que pertencem a todas as nações do mundo, nações estas que se originaram da comunidade única dissolvida com o juízo de Babel (Gn.11:1-9), com exceção de Israel, que foi formado por Deus a partir da chamada de Abraão. Os gentios rebelaram-se contra Deus e se mantêm rebelados contra o Senhor. Estão destinados a sofrerem o juízo da Grande Tribulação e a serem governados pelo Anticristo e, por fim, serem encaminhados à eterna perdição por se recusarem a servir a Deus.

    – Os israelitas (chamados de judeus o texto mencionado, porque são os que se mantiveram separados das demais nações, pois as dez tribos, que compunham o reino do norte, chamado Israel, se misturaram com outros povos – II Rs.17:6,18) são os homens que pertencem à nação de Israel, descendência de Abraão, Isaque e Jacó. Foi a nação escolhida por Deus para ser aquela que demonstraria a soberania de Deus e o Seu grande amor para todas as demais nações da Terra. Foi a nação escolhida para ser o instrumento da salvação da humanidade, tanto que o Messias veio a este mundo por meio dela. Deus tem um pacto com Israel (Ex.19:3-20:26). Israel está a destinado a ser salvo (Rm.11:26,27), a ter sua transgressão extinta e ser dado um fim aos seus pecados (Dn.9:24), conforme a profecia das setenta semanas de Daniel. Israel rejeitou a Jesus e, por causa disso, foi espalhado entre as nações, mas, desde 1948, ressurgiu como nação, mas ainda está reservado a ele o sofrimento durante a Grande Tribulação e a perseguição que lhe será empreendida pelo Anticristo, que chegará a apoiar, para só então reconhecer a Cristo como Messias e ser completamente restaurado e por Ele governado no Seu reino milenial.

    – A Igreja são os homens que pertencem à Igreja, a “nação santa” (I Pe.2:9), formada por gente de toda tribo, língua, povo e nação (Ap.5:9), que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap.22:14), ou seja, aceitaram a Cristo como seu Senhor e Salvador e perseveraram até a morte ou o arrebatamento da Igreja. A Igreja, formada a partir da morte de Cristo no Calvário, tem por missão a pregação do Evangelho nesta dispensação, estando destinada ao arrebatamento, que ocorrerá antes do início da Grande Tribulação, da ira futura que Deus tem reservado para gentios e israelitas.

    – Como se pode perceber, portanto, tendo criado três povos distintos, Deus reservou a eles destinos também distintos, de modo que o propósito existente para cada um destes povos não pode ser o mesmo, até porque Deus é justo. Assim, bênçãos e promessas há que dizem respeito especificamente a uma destas nações, não podendo, pois, ser aplicadas a outros.

    – Assim, quando Deus prometeu a Israel que ele seria Seu reino sacerdotal e propriedade peculiar dentre os povos (Ex.19:5,6), estamos diante de uma promessa “nacional”, de uma promessa relacionada com os israelitas e tão somente com eles. É por este motivo que Deus tem sempre tido um cuidado especial para a preservação da nação israelita e para a retomada da Palestina para ela. Nunca na história da humanidade se soube de uma nação que tivesse sido preservada ao longo dos séculos como foi Israel e, mais, que tenha retornado a ocupar um pedaço de terra de que tinham sido expulsos há quase dois mil anos antes. Entretanto, o Estado de Israel é, hoje em dia, uma realidade, única e exclusivamente porque isto faz parte da promessa que Deus fez a Israel.

    OBS: O renascimento de Israel como nação estabelecida na Palestina é um dos fatos mais impressionantes da história e uma demonstração cabalda fidelidade divina em Suas promessas. O espanto foi tanto que, inclusive, não deixou de ficar registrado quase 2.700 anos de sua ocorrência, pelo profeta Isaías: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos.”(Is.66:8). Podemos, então, duvidar do cumprimento das promessas de Deus feitas a nós?

    – Mas, também, há bênçãos e promessas que dizem respeito somente à Igreja. O Senhor prometeu à Igreja, assim que revelou sua existência, a promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt.16:18). À Igreja, também, prometeu o derramamento do Espírito Santo (Lc.24:49), como, ainda, o arrebatamento antes da hora da tentação que há de vir sobre o mundo (Ap.3:10). Tais bênçãos e promessas não sãoaplicáveis aos israelitas nem aos gentios, como também à Igreja não se aplicam as promessas relacionadas com a posse da Palestina, por exemplo.

    – Mas também temos as “promessas a nações específicas”, ou seja, promessas que Deus fez a determinadas nações, já não mais consideradas as três nações sob o ponto-de-vista divino, mas, sim, as nações consoante a divisão ocorrida após o episódio de Babel. Em virtude de um comportamento por parte de um determinado povo, o Senhor fez promessas dirigidas a determinadas sociedades nacionais.

    – Foi, por exemplo, o que ocorreu com relação a Amaleque. Por ter ido pelejar contra Israel em Refidim (Ex.17:8), Deus prometeu destruí-la por completo (Ex.17:14), o que se cumpriu literalmente, pois não há mais memória alguma de Amaleque sobre a face da Terra. Mas, também, vemos a promessa de Deus com relação ao Egito, que se converterá ao Senhor e passará a ser considerado por Ele como Seu povo (Is.19:18-25). Esta promessa, ainda não cumprida, não pode ser estendida a ninguém mais senão aos que descendem dos egípcios da época de Isaías, desta nação, porque a ela é dirigida e tão somente a ela.

    – Mas há, ainda, as bênçãos e promessas “grupais”, ou seja, dirigidas a grupos que não chegam a constituir uma nação, mas que sãoagrupamentos de pessoas que estão ligados ou por laços de parentesco (tribos, clãs) ou, ainda, por vínculos de outra natureza (profissionais, gênero etc.). É o que se observa, por exemplo, na promessa feita aos recabitas (Jr.35:18,19), uma tribo que descendia de Recabe, que, por sua vez, era da descendência de Jetro, o sogro de Moisés, que vieram a habitar junto com os israelitas (Nm.10:29; Jz.4:11).

    – Por fim, temos as chamadas bênçãos e promessas “individuais”, bênçãos e promessas feitas por Deus a indivíduos, única e exclusivamente a eles, e que, logicamente, não podem ser aplicadas a ninguém mais. Muitas são as bênçãos e promessas deste tipo na Bíblia. É o caso da promessa feita a Abrão, de que ele se faria uma grande nação (Gn.12:2), como também a promessa feita a Moisés de que ele faria sinais e prodígios no Egito para a libertação do povo (Ex.4:1-17) ou, ainda, a promessa feita a Davi de que Sua descendência reinaria para sempre sobreIsrael (II Sm.7:16), como a promessa a Ebede-Meleque de que teria sua vida poupada quando da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor (Jr.39:16).

    – Estas bênçãos e promessas “individuais” não podem, em absoluto, ser apropriadas por outras pessoas. Eram promessas específicas, que demonstram o poder, a benignidade e a fidelidade de Deus e que para o nosso ensino foram registradas, para aprendamos qual é o caráter do Senhor (Rm.15:4). Entretanto, não podemos transportar estes episódios para as nossas vidas, pois não são bênçãos e promessas “gerais”, nem tampouco bênçãos e promessas feitas para a Igreja.

    – Hoje, lamentavelmente, a falta de conhecimento da Palavra de Deus por muitos crentes tem ocasionado a destruição de muitas vidas espirituais. Por não conhecerem a Bíblia, ouvem estes falsos pregadores que transportam muitas promessas individuais para a vida de cada um de seus ouvintes. Fazem aquilo que, muito sabiamente, o consultor doutrinário da CPAD, o pastor Antonio Gilberto, denominou de “…transformação indevida de fatos e eventos bíblicos em doutrina…” (A Palavra de Deus é o padrão do genuíno avivamento. Mensageiro da paz, ano 77, n. 1466, jul. 2007, p.21). O resultado tem sido a decepção, porque o que ocorreu na vida daquelas personagens bíblicas, não ocorreu na vida destes incautos que, sentindo-se ludibriados, afastam-se do Evangelho. Entretanto, quando vemos a realidade bíblica, vemos que tais ocorrências nãoiriam jamais acontecer, pois Deus vela pela Sua Palavra para a cumprir e, de modo algum, alteraria a Sua fidelidade, extrapolando promessasindividuais para terceiros.

    – Torna-se indispensável que saibamos as bênçãos e promessas de Deus. Elas existem para a fortificação da nossa fé, o combustível pelo qual poderemos chegar até o final da nossa jornada rumo ao céu. Entretanto, precisamos conhecer corretamente as bênçãos e promessas de Deus, tal qual se encontram na Bíblia Sagrada, a inerrante Palavra de Deus, pois o compromisso do Senhor é com a Sua Palavra e nada mais.

    – Mas há, ainda, um outro aspecto relevante a verificarmos nas bênçãos e promessas de Deus. Trata-se da circunstância de que não apenas se deve levar em conta a quem o Senhor dirigiu a promessa, mas, ainda, quais as condições estabelecidas para o cumprimento. Como vimos, na lei dos homens, a promessa somente obriga quando há aceitação do beneficiário, ou seja, promessas há que dependem da aceitação daquele que se beneficia desta promessa. Por isso, temos dois tipos de bênçãos e promessas de Deus: as condicionais e as incondicionais.

    – A bênção ou promessa de Deus é incondicional quando o Senhor faz uma declaração cujo cumprimento independe da vontade humana. Taisbênçãos e promessas derivam de um ato de vontade do Senhor que o próprio Deus quis manter acima da própria vontade humana, porquanto os pensamentos de Deus são mais altos que os pensamentos do homem (Is.55:8,9).

    – Assim, retornando à promessa de Deus feita a Noé de que não faltaria chuva, semeadura, sega, sol enquanto a terra durasse, estamos diante de uma promessa incondicional, pois o Seu cumprimento não foi deixado pelo Senhor à vontade dos homens. Fossem justos ou injustos, obedientes ou rebeldes, o Senhor, por um ato de Sua soberana vontade, resolveu não deixar de dar chuva, sol, semeadura, sega, verão e inverno aos homens enquanto durar esta terra.

    – Promessas há, entretanto, em que o Senhor quis que o cumprimento se desse em virtude da vontade humana. Assim, embora não dependa do homem, quis, por Sua soberana vontade, que a promessa dependesse do homem para que se realizasse. Assim, por exemplo, a promessa dasalvação, que depende de o homem aceitar a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador. “Quem crer e for batizado, será salvo; quem nãocrer, será condenado” (Mc.16:16). A salvação é uma bênção ou promessa de Deus, geral, porque dirigida a todos os homens, mas depende davontade humana para se tornar algo real na vida de cada um dos seres humanos. É uma promessa que depende da aceitação do homem, uma promessa condicional.

    – Destarte, na análise das promessas de Deus nas Escrituras, além de termos de observar a quem se dirige esta promessa, fundamental também que consideremos se a promessa é condicional ou incondicional.

    – Uma boa demonstração destas várias espécies de promessas de Deus vemos no capítulo 55 do livro do profeta Isaías. Já no versículo 3, vemos uma promessa condicional do Senhor, onde se promete a vida da alma desde que ela ouça o Senhor. O concerto perpétuo prometido por Deus ao Seu povo, em que se darão as firmes beneficências de Davi, depende de o povo ouvir o Senhor. Tem-se, portanto, uma promessa condicional.

    – Em seguida, em Is.55:4, vemos uma promessa incondicional. Deus diz que deu a Davi como testemunha aos povos, como príncipe e governador dos povos. Esta promessa independe de os povos aceitarem, ou não, a Deus. O fato é que o Senhor, da descendência de Davi, levantará um que governará a todo o mundo, promessa que se cumprirá quando o Senhor Jesus instaurar o Seu reino milenial.

    – Em Is.55:5, temos outra promessa incondicional da parte do Senhor, onde Deus afirma que se chamará uma nação que Israel não conhecia, uma nação que correrá para Israel por amor do Senhor e Santo de Israel, por causa da glorificação de Israel pelo Senhor. Quisesse Israel, ou não, esta nação surgiria e, como sabemos, já apareceu, que é a Igreja, este novo povo santo do Senhor, que se levantou por causa de todas as promessasque Deus cumpriu para com Israel, máxime a de ter enviado o Messias, que por Israel foi rejeitado.

    – Em Is.55:6,7, temos uma outra promessa condicional. O Senhor convida o povo ao arrependimento, a buscá-l’O, a invocá-l’O, pois haveria compaixão de Deus para aquele que deixasse o ímpio o seu caminho e o homem maligno os seus pensamentos. O perdão de Deus dependeria, portanto, do arrependimento do pecador. Trata-se de uma promessa condicional. O homem maligno que não deixasse os seus pensamentos nem o ímpio que deixasse o seu caminho não receberiam a compaixão e o perdão do Senhor.

    – Ao analisarmos estas promessas, não sob o aspecto da condicionalidade, mas pelo prisma dos seus beneficiários, perceberemos que se tratam depromessas dirigidas a Israel, de “promessas nacionais”, mas que, notadamente no que se refere a seu propósito, extrapolam a dimensão nacional, na medida em que há a promessa de surgimento de um novo povo, que serviria a Deus por causa da fidelidade divina a Israel. Por causa disto, notadamente a promessa constante de Is.55:6,7 não se restringe apenas aos israelitas, mas a todos os homens, é uma “promessa geral”, porquanto diz respeito ao próprio caráter divino de imparcialidade no perdão e compaixão. Tem-se, pois, validamente, um texto que se pode aplicar aos gentios e à própria Igreja.

    – Por fim, como as promessas mencionadas em Is.55 dizem respeito ao perdão do homem pelos seus pecados, não devemos nos esquecer de que Deus é “grandioso em perdoar”, tudo fez para perdoar os pecados do homem, é Seu propósito trazer a salvação, salvação esta que, em Is.55, fica bem claro que se dá por intermédio da “benevolência que o Eterno concedeu a David” (Is.55:5 “in fine” na Bíblia Hebraica), ou seja, por meio de Jesus Cristo, o Filho de Davi. Desta maneira, a alegria e a paz mencionados em Is.55:12,13 estão relacionadas com a salvação, não com qualquer enriquecimento de ordem material ou com acontecimentos felizes no cotidiano da vida debaixo do sol.

    – Como em todo o estudo da Bíblia, as bênçãos e promessas devem ser analisadas de acordo com o contexto interno e externo, em harmonia com demais textos bíblicos e devem ser confirmadas em duas ou três passagens. Jamais nos deixemos levar por promessas criadas em textos isolados das Escrituras e que não têm qualquer fundamento nem sequer no texto de onde são extraídas.

    – Por isso, devemos ter muito cuidado com as chamadas “caixinhas de promessas”, textos bíblicos selecionados e que são retirados aleatoriamente pelos crentes, quando desejosos de “ter uma palavra” da parte de Deus, agindo como aqueles que buscam mensagens de ânimo e de bem-estar seja nos velhos realejos, seja nos “pensamentos” em “biscoitos da sorte”, tão comuns hoje em atividades que procuram reproduzir o misticismo oriental. As promessas de Deus fazem parte da Bíblia Sagrada e devem ser analisadas e cridas enquanto tal, o que nos impede de recorrer a tais subterfúgios, que, embora sirvam de um bom estímulo psicológico, nenhum valor espiritual têm.

    – Por fim, devemos lembrar que nosso Deus continua a falar e, portanto, continua a fazer promessas ao Seu povo. Cada um de nós pode ser alvo de uma promessa de Deus. Tal promessa, em sendo individual, somente terá cumprimento para nós, faz parte de nossa intimidade para com Deus. Se foi efetivamente Deus quem o prometeu, ela se cumprirá, podendo, ademais, ser condicional ou incondicional, tudo dependendo davontade do Senhor. Ao recebermos promessa da parte de Deus, se vier ela por intermédio de sonho, visão, profecia, deve tal promessa sersubmetida ao crivo da Palavra de Deus, pois tudo deve ser submetido à Bíblia Sagrada. Se tal promessa estiver de acordo com as Escrituras, devemos, então, se se tratar de promessa condicional, fazer a nossa parte para demonstrar aceitação do prometido pelo Senhor e, no mais, aguardar, porque nosso Deus é fiel e o que prometeu, Ele certamente cumprirá.

    – As promessas de Deus são importantíssimas para fortalecer a nossa fé, mas devem ser cridas conforme a revelação que Deus nos deu, sem quaisquer subterfúgios, diminuições ou acréscimos. Deu é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), a Sua Palavra é a verdade (Jo.17:17) e somente pela verdade alcançaremos a glória eterna. As promessas de Deus não falham, estão aí para que creiamos nelas e as vivenciemos, mas tudo de acordo com a Palavra do Senhor.

    IV – AS BÊNÇÃOS DE ABRAÃO, ISRAEL E DA IGREJA

    – Já vimos que, para Deus, há três povos na face da Terra: os gentios, os judeus e a Igreja. Vimos, também, que os gentios rejeitaram a Deus e, por isso, o Senhor quis formar um povo Seu para ser Sua “propriedade peculiar dentre os povos”, a saber, Israel, cuja formação se iniciou com Abrão, depois tornado em Abraão.

    – Por ser o pai desta nação escolhida para ser a testemunha divina dentre os povos, Abraão é chamado de “patriarca”os filhos de Israel gostavam de se denominar como “filhos de Abraão” (Mt.3:9; Jo.8:33). Esta filiação, ainda que em termos espirituais, é reafirmada pelo apóstolo Paulo em relação à Igreja (Gl.3:29).

    – Por causa desta vinculação entre Abraão e Israel e entre Abraão e a Igreja, os “teólogos da prosperidade”, de forma sutil, buscam trazer asbênçãos e promessas que Deus deu a Abraão para a Igreja, indistintamente, afirmando que como a Igreja é “filha de Abraão”, tudo quanto o Senhor deu e prometeu a Abraão se aplica aos que são salvos em Cristo Jesus.

    – Temos aqui, aliás, por parte dos “teólogos da prosperidade”, o mesmo erro que havia entre os judeus e que foi severamente denunciado tanto por João Batista quanto por Jesus, que mostraram aos judeus que o fato de eles serem descendentes biológicos do patriarca não os fazia “filhos de Abraão”. João chamou este pensamento de “presunção”, dizendo que Deus poderia das pedras “suscitar filhos a Abraão”, mandando que eles, primeiramente, produzissem frutos dignos de arrependimento (Mt.4:8,9).

    – Já o Senhor Jesus, também respondendo à presunção dos judeus em se considerarem “filhos de Abraão”, mostrou-lhes que somente pode ser“filho de Abraão”, quem praticar as obras de Abraão (Jo.8:39), apesar de reconhecer a descendência biológica, que nada significava em termos espirituais (Jo.8:37).

    – Notamos, pois, de pronto, que a “filiação de Abraão” que tanto se busca demonstrar no discurso da “teologia da prosperidade” é uma “filiação espiritual”, um relacionamento que a pessoa tem com Deus do mesmo modo que teve Abraão, relacionamento este firmado na fé e na prática de obras que demonstrem a fidelidade a Deus e à Sua Palavra.

    – O apóstolo Paulo, ao apontar esta “filiação abraâmica” para a Igreja, fez questão de ressaltar que se tratava de uma filiação decorrente do fato de “sermos de Cristo” (Gl.3:29), ou seja, “sermos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, por estarmos batizados em Cristo e já revestidos de Cristo” (Gl.3:26,27).

    – Deste modo, o que se aplica de Abraão à Igreja é algo estritamente espiritual. Somos “filhos de Abraão”, porque “somos de Cristo” e “Cristo é a posteridade de Abraão” (Gl.3:16). Portanto, o que temos recebemos como crentes é “a promessa pela fé em Jesus Cristo” (Gl.3:22), ou seja, a mesma justificação pela fé que recebeu Abraão (Rm.4).

    – Destarte, não se pode dizer que como Abraão era rico, também os crentes serão ricos por serem “filhos de Abraão”, até porque, quando Abraão foi chamado, já era rico, pois saiu de Ur com “toda a sua fazenda” (Gn.12:5), prova de que as bênçãos materiais não faziam parteda promessa dada quando de sua chamada (Gn.12:2), o que ainda mais se confirma quando saiu do Egito muito rico, apesar de sua estada ali ter sido contra a vontade de Deus (Gn.13:1,2).

    – As bênçãos recebidas por Abraão e que também, por Cristo, se destinam à Igreja, pois, são as bênçãos espirituais, a saber, a justificação pela fé (Gn.15:6), a capacitação para a realização de boas obras, visto que Deus prometeu que Abraão seria “uma bênção” (Gn.12:2), o que se cumpriu, quando ele foi o instrumento de libertação dos sodomitas e de Ló (Gn.14:14-16); o bom testemunho diante dos gentios (Gn.23:6); o discernimento espiritual, inclusive para saber quando as riquezas provêm, ou não, de Deus (Gn.14:22-24); o gozo por causa da salvação dahumanidade em Cristo Jesus (Jo.8:56).

    – Não se aplicam à Igreja, as bênçãos de Abraão relacionadas com a posse da terra de Canaã, visto que isto se referia à nação escolhida e formada a partir do patriarca (Gn.12:2,7; 13:14-17; 15:18-21).

    – De igual forma, as bênçãos e promessas destinadas a Israel não podem ser aplicadas automaticamente à Igreja. Os “teólogos daprosperidade” gostam muito de citar os quatorze primeiros versículos do capítulo 28 do livro de Deuteronômio para os crentes, “esquecidos”, entretanto, que são bênçãos relacionadas com o papel de Israel como “propriedade peculiar de Deus dentre os povos”.

    – Como já vimos em outra lição, as bênçãos mencionadas no referido capítulo dizem respeito à “exaltação de Israel pelo Senhor sobre todas as nações da terra” (Dt.28:1 “in fine”). Trata-se, pois, de bênçãos “nacionais”, que não podem ser transferidas para a Igreja, como, lamentavelmente, vemos sendo pregado pelos “teólogos da prosperidade”.

    – A “benção dos celeiros”, por exemplo, tão propalada pelos “teólogos da prosperidade”, tem como local de sua incidência, como vemos claramente em Dt.28:8, “a terra que te der o Senhor teu Deus”, ou seja, trata-se, nitidamente, de uma bênção “nacional”, vinculada à posse daterra de Canaã.

    – Se quisermos, pois, fazer uma “aplicação” à Igreja, teremos de, em relação à “bênção dos celeiros”, por exemplo, interpretarmos do ponto-de-vista espiritual, ou seja, de que o Senhor nos promete “celeiros espirituais”, já que a nossa terra de Canaã não é literal, mas, sim, “a Canaã espiritual”, a “Nova Jerusalém” (Ap.21:2), “ a nossa cidade que está nos céus” (Fp.3:20), aplicação mais do que adequada, já que o apóstolo Paulo diz que devemos ser “despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co.4:1).

    – É evidente que as bênçãos espirituais prometidas a Israel são aplicáveis à Igreja, visto que ambos são “povos santos e sacerdotais” (Ex.19:5,6; I Pe.2:9,10), mas, como sabemos, não é a estas bênçãos que se referem os “teólogos da prosperidade”.

    – Notemos, ainda, que, na quase totalidade das vezes, os “teólogos da prosperidade” sempre se referem a passagens do Antigo Testamento, procurando dali extrair elementos para a sua apologia da ganância e do materialismo. Não podemos, porém, nos iludir, devendo sempre lembrar que devemos verificar estas “bênçãos” e “promessas” dentro do contexto em que foram feitas nas Escrituras, pois “nenhuma Escritura é de particular interpretação” (II Pe.1:20) e que nenhuma doutrina bíblica se firma em um texto isolado, pois a verdade é sempre confirmada “por duas ou três testemunhas” (Dt.17:6; 19:15; Mt.18:16; II Co.13:1).

    – Não podemos, também, nos esquecer que, em se tratando de bênçãos referentes a Israel, na antiga aliança, no tempo da lei, devemos sempre estar atentos para o fato de que a lei era a “sombra dos bens futuros” (Cl.2:16,17; Hb.10:1) e que, portanto, muito do que é material na antiga aliança era sinal e símbolo de uma realidade espiritual, o que também se aplica às bênçãos e promessas materiais, que devem ser entendidas, em sua relação com a Igreja, do ponto-de-vista espiritual.

    – Não estamos, obviamente, a eliminar toda e qualquer bênção material para a Igreja, pois a bênção espiritual tem seus reflexos materiais, mas, como já também estudamos em outra lição, a bênção material está vinculada à suficiência e à beneficência, ou seja, nada tem que ver com a abundância egocêntrica defendida pelos “teólogos da prosperidade”, mas como uma forma de criação de condições para a realização da obra de Deus e para a demonstração do amor ao próximo.

    – Estejamos, pois, sempre vigilantes para que as falsas interpretações dos “teólogos da prosperidade” venham a nos iludir e a esperar bênçãos epromessas que Deus jamais fez à Sua Igreja.

    Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Prof. Dr.Caramuru Afonso Francisco

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  • Lição 3 – Noé, o homem que obedeceu a Deus

    INTRODUÇÃO

    Noé é um dos maiores personagens da Bíblia. Sua vida íntegra e reta diante de Deus, fez com que ele e sua família fossem salvos do dilúvio. Mesmo vivendo em meio a uma geração corrompida e perversa, Noé achou graça diante do Senhor, e alcançou testemunho de que era justo e reto, e andava com Deus (Gn 6.9).

    I – QUEM FOI NOÉ?

    • Noé era filho de Lameque, o décimo descendente de Adão (Gn 5.28,29);
    • O nome Noé vem de um termo hebraico que significa “alívio”, “descanso” ou “consolo”;
    • Teve três filhos: Sem, Cão e Jafé (Gn 5.32; 9.18,19);
    • Construiu uma arca por ordem divina (Gn 6.11-22);
    • Reuniu os animais na arca e entrou nela com sua família;
    • Após o dilúvio, saiu da arca com sua família, edificou um altar e ofereceu holocaustos a Deus (Gn 8. 16-20);
    • Tornou-se o segundo pai da raça humana (Gn 9.18,19);
    • Sua história é mencionada em Gn 5.28-10.32;
    • É um dos integrantes da galeria dos heróis da fé (Hb 11.7);
    • Ele é mencionado nas Escrituras como pregador da justiça (II Pe 2.5).

    II – CONTEXTO SOCIAL DO TEMPO DE NOÉ

    Os dias de Noé não eram muito diferentes dos dias atuais. Vejamos o que as Escrituras descrevem acerca daquela geração:

    1. Uma geração caracterizada pela Maldade: Desde que o pecado entrou no mundo, a maldade passou a fazer parte da história da humanidade. No entanto, à medida que a humanidade ia se multiplicando, multiplicava-se também a maldade: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5).

    2. Uma geração caracterizada pela Corrupção: Outra característica daquela geração era a corrupção. As Escrituras afirmam que A terra estava corrompida diante da face de Deus…” (Gn 6.11). O homem perdeu o poder de fazer o bem e, a geração antediluviana vivia mergulhada em práticas pecaminosas e imorais.

    3. Uma geração caracterizada pela Violência: A maldade e a corrupção daquela geração abriram as portas para a violência. Os homens dos dias de Noé viviam agredindo-se mutuamente, pois as Escrituras afirmam que “… encheu-se a terra de violência” (Gn 6.11 b).

    4. Uma geração caracterizada pela Incredulidade: Como se não bastasse a maldade, a corrupção e a violência, aquela geração também era caracterizada pela incredulidade, pois não deram crédito à pregação de Noé “pregoeiro da justiça” (II Pe 2.5). Nem mesmo a observação do milagre da entrada dos animais na arca, fez com que eles tomassem a iniciativa de arrepender-se dos seus pecados e entrar na arca para salvar as suas vidas.

    Tudo isto fez com que Deus tomasse a iniciativa de destruir a sua criação e, através de Noé, dar início a uma nova geração.

    III – ASPECTOS DO CARÁTER DE NOÉ

    Apesar de viver em meio a uma geração cheia de corrupção e maldade, Noé teve uma vida reta e íntegra diante de Deus. Vejamos alguns aspectos do seu caráter:

    1. Noé era Justo e Reto: Não é à toa que Moisés, inspirado por Deus, declara que Noé era varão justo e reto em suas gerações (Gn 6.9). Esta declaração foi feita exatamente para revelar o contraste entre o comportamento de Noé e o dos seus contemporâneos, que, com certeza, praticavam injustiça. Ele também é descrito como justo em Ez 14.14,20.

    2. Noé andava com Deus: Tal qual Enoque, Noé também é descrito como um homem que andou com Deus (Gn 5.24; 6.9). A expressão “andar com Deus” aponta para a sua conduta, caracterizada pela vida de comunhão e obediência a Deus.

    3. Fé: Noé é um dos integrantes da Galeria dos Heróis da Fé. O escritor aos hebreus diz: Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.” (Hb 11.7). Quando avisado sobre o dilúvio, Noé não hesita e nem questiona. Ele crê! E foi por causa de sua fé, que, tanto ele como a sua família, foram salvos da destruição.

    4. Obediência: A obediência de Noé, era, sem dúvidas, uma das principais características do seu caráter. Podemos ver isto, pelo fato de que Noé obedeceu a voz de Deus: Ao construir a arca (Gn 6.22); Ao entrar na arca juntamente com sua família (Gn 7.13); Ao colocar os animais na arca (Gn 7.8,9,14); Ao sair da arca, junto com os seus (Gn 8.15-18). Por duas vezes as Escrituras afirmam que Noé fez conforme a tudo o que o SENHOR lhe ordenara” (Gn 6.22; 7.5).

    5. Devoção: Ao sair da arca com sua família, Noé edificou um altar e ofereceu holocaustos ao Senhor (Gn 8.20). Isto demonstra que Noé cultivava uma vida de devoção à Deus, pois, altar e holocausto representam oração, adoração e consagração a Deus.

    IV- NOÉ, UM HOMEM FALÍVEL COMO NÓS

    A bíblia é um livro imparcial. Ela nos revela tanto as virtudes e qualidades dos personagens, bem como suas falhas e defeitos. Isto também pode ser visto na vida de Noé. Apesar de ser um homem justo, reto e de andar com Deus, Noé, após o dilúvio, plantou uma vinha, embriagou-se e mostrou a sua nudez (Gn 9.20-27), perdendo momentaneamente a sua reputação. Com este incidente na vida de Noé, aprendemos sobre a necessidade de sermos vigilantes em todo o tempo, pois, as tentações nos sobrevem durante toda a nossa vida (I Co 10.12; I Pe 5.8; Ap 3.11).

    V – UM NOVO RECOMEÇO

    O propósito divino era fazer com que o dilúvio fosse, tanto destrutivo como construtivo, pois, através do dilúvio Deus estaria destruindo aquela geração e estabelecendo um novo começo para a humanidade. Três coisas novas acontecem:

    1º Uma nova geração: Tendo em vista que aquela geração ímpia pereceu nas águas do dilúvio, a raça humana começa a multiplicar-se, através de Noé e de seus filhos. De certo modo, Noé tornou-se o segundo pai da raça humana (Gn 9.18,19);

    2º Um novo estilo de vida: Ao sair da arca, Deus abençoou Noé e sua família e lhes deu orientações sobre o modo de vida que eles deveriam ter, apartir de então (Gn 9.1-8);

    3º Um novo pacto: Deus estabelece um pacto com Noé, e lhe promete que nunca mais haveria dilúvio para destruir a terra (Gn 9.11). Um arco, então, foi colocado nas nuvens, como sinal daquele pacto (Gn 9.13,17).

    CONCLUSÃO

    A história de Noé nos leva a refletir sobre o nosso viver de maneira íntegra, em meio a uma geração má e perversa. Noé não se deixou ser levado pelas práticas pecaminosas de sua geração. Por isso, achou graça diante de Deus e foi poupado, juntamente com sua família daquela inundação.

    Semelhantemente, aqueles que forem fiéis à Deus, e “entrarem na arca”, serão, no futuro, poupados do juízo vindouro.

    INFORMAÇÃO SUPLEMENTAR: CRONOLOGIA DO DILÚVIO

    Acontecimento

    Data

    Referência

    Entrada na arca

    Mês 2, dia 10

    Gn 7.7-9

    Depois de sete dias, começa a chover

    Mês 2, dia 17

    Gn 7.10,11

    Depois de 40 dias, as chuvas cessam

    Mês 3, dia 27

    Gn 7.12

    Depois de 110 dias, a arca pousa no Monte Ararate

    Mês 7, dia 17

    Gn 7.24; 8.4

    Depois de 74 dias, os picos montanhosos ficam visíveis

    Mês 10, dia 1

    Gn 8.5

    Depois de 40 dias, um corvo e uma pomba foram soltos

    Mês 11, dia 11

    Gn 8.6-9

    Depois de 7 dias, a pomba foi solta novamente e retornou com uma folha

    Mês 11, dia 11

    Gn 8.10

    Depois de 7 dias, a pomba voou, mas não voltou

    Mês 11, dia 25

    Gn 8.12

    Terra seca à vista

    Mês 1, dia 1

    Gn 8.13

    A terra ficou totalmente seca. Saída de Noé, sua família e dos animais da arca.

    Mês 2, dia 27

    Gn 8.14-19

    OBS: Total de tempo na arca: 1 ano e 17 dias

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  • Lição 5 – Isaque – O filho da promessa

    O nome Isaque significa “riso”. Ele era o único filho de Abraão com sua esposa, Sara. Assim, um elo vital na linhagem que levava a Cristo. (1Cr 1:28, 34; Mt 1:1, 2; Lu 3:34) Isaque foi desmamado com cerca de 5 anos; quase que foi oferecido como sacrifício, quando tinha talvez 25 anos; casou-se aos 40; tornou-se pai de gêmeos aos 60 e morreu com 180 anos. — Gên 21:2-8; 22:2; 25:20, 26; 35:28.

    O nascimento de Isaque ocorreu sob circunstâncias bem incomuns. Tanto o pai como a mãe dele já eram bem idosos, já tendo há muito cessado a menstruação de sua mãe. (Gên 18:11) Assim, quando Deus disse a Abraão que Sara daria à luz um filho, ele se riu dessa perspectiva, perguntando: “Nascerá um filho a um homem de cem anos de idade, e dará à luz Sara, sim, uma mulher de noventa anos de idade?” (Gên 17:17) Ao saber o que ocorreria, Sara também riu. Daí, “no tempo designado” do ano seguinte, nasceu o menino, provando que nada é ‘extraordinário demais para Yehowah’. (Gên 18:9-15) Sara então exclamou: “Deus me preparou riso”, acrescentando: “Todo aquele que ouvir isso há de se rir de mim.” E assim, exatamente como Deus dissera, o menino foi apropriadamente chamado de Isaque, que significa “Riso”. — Gên 21:1-7; 17:19.

    Pertencendo à casa de Abraão, e sendo o herdeiro das promessas, Isaque foi devidamente circuncidado, no oitavo dia. — Gên 17:9-14, 19; 21:4; At 7:8; Gál 4:28.

    I. Idade em que Isaque foi desmamado

    No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão preparou um grande banquete. Aparentemente, nessa ocasião, Sara observou que Ismael “fazia caçoada” de Isaque, seu meio-irmão mais novo. (Gên 21:8, 9) Algumas traduções (BJ; IBB) dizem que Ismael estava apenas “brincando” com Isaque, isto é, no sentido duma brincadeira de criança. No entanto, a palavra hebraica tsa•hháq também pode ter uma conotação ofensiva. Assim, quando esta mesma palavra ocorre em outros textos (Gên 19:14; 39:14, 17), estas traduções vertem-na por ‘zombar’, ‘gracejar’ e ‘insultar’.

    Certos Targuns, bem como a Pesito siríaca, em Gênesis 21:9, dão às observações de Ismael o sentido de “escarnecer”. Sobre tsahháq, o Commentary (Comentário), de Cook, diz: “Provavelmente significa, neste trecho, como em geral se tem entendido, ‘riso zombeteiro’. Assim como Abraão rira de alegria por causa de Isaque, e Sara rira incredulamente, Ismael agora ria em escárnio, e, provavelmente, com espírito de perseguição e de tirania.” Decidindo o assunto, o inspirado apóstolo Paulo mostra claramente que o tratamento que Ismael dispensou a Isaque foi uma aflição, uma perseguição, e não uma brincadeira de criança. (Gál 4:29) Certos comentaristas, em vista da insistência de Sara, no versículo seguinte (Gên 21:10), em que ‘o filho desta escrava não venha a ser herdeiro junto com o meu filho, Isaque’, sugerem que Ismael (14 anos mais velho que Isaque) talvez altercasse e escarnecesse de Isaque com respeito à condição de herdeiro.

    Yehowah dissera a Abraão que, como residentes forasteiros, os da descendência dele seriam atribulados por 400 anos, aflição esta que findou com a libertação de Israel do Egito, em 1513 AEC. (Gên 15:13; At 7:6) Calculando 400 anos para trás, chegamos a 1913 AEC como o início dessa aflição. Por conseguinte, isto também fixa 1913 como o ano em que Isaque foi desmamado, visto que, com relação ao tempo, os dois eventos — o ser desmamado e o ser maltratado por Ismael — estão intimamente ligados no relato. Isto significa que Isaque tinha cerca de 5 anos ao ser desmamado, tendo nascido em 1918 AEC. Incidentalmente, o seu nascimento marcou o início dos 450 anos mencionados em Atos 13:17-20, período este que findou por volta de 1467 AEC, quando foi concluída a campanha de Josué em Canaã e a terra foi distribuída às várias tribos.

    Atualmente, quando são tantas as mulheres no mundo ocidental que se recusam a amamentar ao peito seus bebês, ou os amamentam apenas por seis a nove meses, um período de cinco anos talvez pareça inconcebivelmente longo. Mas o Dr. D. B. Jelliffe mostra que, em muitas partes do mundo, as crianças só são desmamadas ao atingirem de um ano e meio a dois anos de idade, e que, na Arábia, é costumeiro a mãe amamentar a criança por um período que vai de 13 a 32 meses. Clinicamente falando, a amamentação ou aleitamento pode normalmente continuar até a gravidez seguinte já ter alguns meses. — Infant Nutrition in the Subtropics and Tropics (Nutrição de Bebês nos Subtrópicos e nos Trópicos), Genebra, 1968, p. 38.

    Na Idade Média, na Europa, o desmame se dava quando a criança tinha, em média, dois anos, e, no tempo dos macabeus (primeiro e segundo séculos AEC), as mulheres amamentavam seus filhos homens por três anos. (2 Macabeus 7:27) Há 4.000 anos, quando as pessoas levavam uma vida sem pressa, e não havia as pressões ou as necessidades hodiernas de fazer tanta coisa num período de vida mais curto, é fácil entender por que Sara podia ter amamentado Isaque por cinco anos. Ademais, era o único filho de Sara, depois de muitos anos de esterilidade.

    II. Disposto a Ser Sacrificado.

    Depois de Isaque ter sido desmamado, nada mais se diz sobre a sua infância. A próxima menção que se faz dele é quando Deus disse ao pai dele, Abraão: “Toma, por favor, teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaque, e faze uma viagem à terra de Moriá e oferece-o ali como oferta queimada.” (Gên 22:1, 2) Após uma jornada de três dias, chegaram ao local escolhido por Deus. Isaque carregava a lenha; o pai dele, o fogo e o cutelo. “Mas onde está o ovídeo para a oferta queimada?”, perguntou Isaque. “Deus providenciará para si o ovídeo”, foi a resposta. — Gên 22:3-8, 14.

    Chegando ao lugar, construíram um altar e dispuseram devidamente a lenha. Daí, Isaque foi amarrado pelas mãos e pelos pés, e colocado sobre a lenha. Quando Abraão ergueu o cutelo, o anjo de Yehowah deteve a sua mão. A fé demonstrada por Abraão não fora depositada erroneamente; Deus forneceu um carneiro, que estava preso ali, numa moita daquele monte, para que pudesse ser apresentado como oferta queimada em lugar de Isaque. (Gên 22:9-14) Abraão, portanto, reconhecendo “que Deus era capaz de levantá-lo até mesmo dentre os mortos”, deveras recebeu Isaque “em sentido ilustrativo” de volta de entre os mortos. — He 11:17-19.

    Este episódio dramático provava a fé e a obediência não só de Abraão, mas também de seu filho, Isaque. A tradição judaica, registrada por Josefo, diz que Isaque tinha 25 anos naquela época. Seja como for, ele tinha idade e força suficientes para carregar, montanha acima, considerável quantidade de lenha. De modo que podia ter resistido a seu pai, de 125 anos, quando chegou a hora para ser amarrado, caso tivesse preferido rebelar-se contra os mandamentos de Deus. ( Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], I, 227 [xiii, 2]) Em vez disso, Isaqu
    e permitiu submissamente que seu pai passasse a oferecê-lo em sacrifício, em harmonia com a vontade de Deus. Graças a esta demonstração de fé de Abraão, Yehowah repetiu e ampliou Seu pacto com Abraão, pacto este que foi transferido por Deus a Isaque, depois da morte de seu pai. — Gên 22:15-18; 26:1-5; Ro 9:7; Tg 2:21.

    O mais importante é que foi encenado ali um grande quadro profético, representando como Cristo Jesus, o Isaque Maior, no devido tempo ofereceria voluntariamente sua vida humana, como Cordeiro de Deus, para a salvação da humanidade. — Jo 1:29, 36; 3:16.

    III. Casamento e Família.

    Depois da morte da mãe de Isaque, seu pai concluiu que já era hora de seu filho se casar. Abraão, contudo, estava decidido a que Isaque não se casasse com uma cananéia pagã. Assim, de acordo com o sistema patriarcal, Abraão mandou seu servo de confiança aos seus parentes, na Mesopotâmia, para escolher uma jovem de origem semítica que também adorasse a Yehowah, o Deus de Abraão. — Gên 24:1-9.

    Esta missão tinha de ser bem-sucedida, pois, desde o princípio, tudo que envolvia a questão de escolha fora entregue às mãos de Yehowah. Revelou-se que Rebeca, prima de Isaque, era a escolhida por Deus, e ela, por sua vez, deixou voluntariamente seus parentes e sua família para acompanhar a caravana que retornou à terra do Negebe, onde morava Isaque. O relato nos fala sobre o primeiro encontro dos dois, e daí diz: “Isaque levou-a depois à tenda de Sara, sua mãe. Tomou assim Rebeca e ela se tornou sua esposa; e ele se enamorou dela, e Isaque encontrou consolo depois da perda de sua mãe.” (Gên 24:10-67) Tendo Isaque 40 anos, o casamento se deu em 1878 AEC. — Gên 25:20.

    Pela história de Isaque, ficamos sabendo que Rebeca continuou estéril por 20 anos. Isto deu a Isaque a oportunidade de mostrar se ele também, como seu pai, tinha fé na promessa de Yehowah de abençoar todas as famílias da terra através dum descendente seu que ainda não tinha nascido, e ele fez isso por suplicar continuamente um filho a Deus. (Gên 25:19-21) Como no caso dele próprio, novamente se demonstrou que o descendente prometido não viria no curso natural dos eventos, mas somente pelo poder interventor de Deus. (Jos 24:3, 4) Por fim, em 1858 AEC, quando Isaque tinha 60 anos, recebeu a bênção dupla de ter gêmeos, Esaú e Jacó. — Gên 25:22-26.

    Devido a uma fome, Isaque mudou-se com a família para Gerar, em território filisteu, Deus lhe ordenando que não descesse ao Egito. Foi então que Yehowah confirmou seu propósito de cumprir a promessa abraâmica mediante Isaque, repetindo seus termos: “Vou multiplicar a tua descendência como as estrelas dos céus e vou dar à tua descendência todas estas terras; e todas as nações da terra certamente abençoarão a si mesmas por meio de tua descendência.” — Gên 26:1-6; Sal 105:8, 9.

    Neste território filisteu não muito amigável, Isaque, como Abraão, seu pai, usou de estratégia afirmando que sua esposa era sua irmã. Depois de certo tempo, a bênção de Deus sobre Isaque tornou-se uma fonte de inveja para os filisteus, sendo preciso que ele se mudasse, primeiro para o vale da torrente de Gerar, e daí para Berseba, à beira da árida região do Negebe. Enquanto ali, os filisteus, anteriormente hostis, vieram tentar obter “um juramento de obrigação”, ou um tratado de paz com Isaque, pois, como reconheceram: “Tu és agora o abençoado de Yehowah.” Neste local, os homens de Isaque acharam água, e Isaque o chamou de Siba. “É por isso que o nome da cidade é Berseba [que significa “Poço do Juramento; ou: Poço de Sete”], até o dia de hoje.” — Gên 26:7-33.

    Isaque sempre gostou muito de Esaú, porque este era do tipo que apreciava a vida ao ar livre, sendo caçador e homem do campo, e isto significava caça para a boca de Isaque. (Gên 25:28) Assim, com vista cada vez mais fraca, e sentindo que talvez não vivesse por muito mais tempo, Isaque preparou-se para dar a Esaú a bênção do primogênito. (Gên 27:1-4) Não se sabe se ele estava a par de que Esaú vendera sua primogenitura a seu irmão, Jacó, e se não lhe ocorreu o decreto divino, emitido antes do nascimento dos dois meninos, de que ‘o mais velho ia servir ao mais jovem’. (Gên 25:23, 29-34) Seja como for, Deus se lembrava disso, e também Rebeca, que rapidamente cuidou de que Jacó recebesse a bênção. Quando Isaque soube da artimanha que fora usada para conseguir isto, recusou-se a modificar o que era, inequivocamente, a vontade de Yehowah sobre o assunto. Isaque também profetizou que Esaú e seus descendentes residiriam bem longe dos campos férteis, que viveriam pela espada, e que, por fim, quebrariam do seu pescoço o jugo de servidão a Jacó. — Gên 27:5-40; Ro 9:10-13.

    Em seguida, Isaque mandou Jacó a Padã-Arã, para certificar-se de que não se casasse com uma cananéia, como fizera seu irmão, Esaú, para desgosto de seus pais. Quando Jacó retornou, muitos anos depois, Isaque residia em Quiriate-Arba, isto é, Hébron, na região colinosa. Foi ali, em 1738 AEC, o ano anterior àquele em que seu neto, José, tornou-se primeiro-ministro do Egito, que Isaque morreu, com 180 anos, “idoso e saciado de dias”. Isaque foi enterrado na caverna de Macpela, onde foram sepultados seus pais e sua esposa, e onde, mais tarde, seria sepultado seu filho Jacó. — Gên 26:34, 35; 27:46; 28:1-5; 35:27-29; 49:29-32.

    IV. Significado de Outras Referências Feitas a Isaque.

    Por toda a Bíblia, Isaque é mencionado dezenas de vezes na conhecida expressão “Abraão, Isaque e Jacó”. Às vezes, o ponto que se quer frisar relaciona-se com Yehowah, como sendo o Deus a quem estes patriarcas adoravam e serviam. (Êx 3:6, 16; 4:5; Mt 22:32; At 3:13) Outras vezes, a referência é ao pacto que Deus fizera com eles. (Êx 2:24; De 29:13; 2Rs 13:23) Jesus também empregou esta expressão de modo ilustrativo. (Mt 8:11) Em certo caso, Isaque, o antepassado patriarcal, é mencionado num paralelismo hebraico, junto com seus descendentes, a nação de Israel. — Am 7:9, 16.

    Isaque, como o descendente de Abraão, simbolizava Cristo, por meio de quem vêm as bênçãos eternas. Como está escrito: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. Não diz: ‘E a descendentes’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente’, que é Cristo.” E, por extensão, Isaque também simbolizava aqueles que ‘pertencem a Cristo’, que ‘são realmente o descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa’. (Gál 3:16, 29) Ademais, os dois meninos, Isaque e Ismael, junto com suas mães, “são como que um drama simbólico”. Ao passo que o Israel natural (como Ismael) “nasceu realmente na maneira da carne”, os que constituem o Israel espiritual ‘são filhos pertencentes à promessa, assim como Isaque foi’. — Gál 4:21-31.

    Isaque também está incluído entre a ‘tão grande nuvem de testemunhas que nos rodeiam’, pois também ele se achava entre os que ‘aguardavam a cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo co
    nstrutor e fazedor é Deus’. — He 12:1; 11:9, 10, 13-16, 20.

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